Repositório RCAAP

Mestrados em ciências jurídico criminais e em ciências jurídico-civilísticas

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Ano

2025-10-28T12:25:26Z

Creators

Miranda, Jorge, 1941-

Marketing social : estratégia de promoção da inclusão social e da educação intercultural

O presente trabalho é o produto final do estágio curricular realizado no Programa Escolhas, no âmbito do mestrado em Ciências da Educação na área de especialização em Educação Intercultural. O programa Escolhas é um programa de âmbito nacional, que visa promover a inclusão social de crianças e jovens provenientes de meios socioeconómicos vulneráveis, dando especial atenção aos descendentes de imigrantes e minorias étnicas, tendo em vista a igualdade de oportunidades e a coesão social. Com este relatório pretendo dar a conhecer, de uma forma reflexiva, as actividades que realizei, ao longo da permanência na instituição acolhedora, contextualizando-as nos projectos em que se integraram. O principal foco e actividade com maior implicação deste estágio foi a criação de um manual técnico-pedagógico assente na filosofia e na prática de marketing social, destinado aos profissionais que actuam nos territórios afectos ao Programa Escolhas. O desenvolvimento das actividades de estágio a toda a reflexão posterior, assentou no uso de competências de investigação que adquiri ao longo da minha formação, designadamente o uso de procedimentos de investigação qualitativa, entrevistas, observação participante, notas de campo, análise de conteúdos e estudos de caso. Procurei sustentar na fundamentação teórica as temáticas abordadas durante as tarefas de estágio de modo a dar fiabilidade e consistência ao trabalho desenvolvido. Fazendo um balanço de todo o percurso de estágio, considero que o resultado foi positivo, na medida em que foi um processo de constante aprendizagem, tanto a nível pessoal como profissional.

Ano

2025-10-28T12:16:07Z

Creators

Lopes, Ângela Maria Gonçalves Moreno, 1984-

Sobre as propinas universitárias

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2025-10-28T12:08:41Z

Creators

Miranda, Jorge, 1941-

Carta ao Reitor

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2025-10-28T12:19:23Z

Creators

Miranda, Jorge, 1941-

Regime de prescrições

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2025-10-28T12:25:40Z

Creators

Universidade de Lisboa. Faculdade de Direito

Revisão de provas escritas

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2025-10-28T12:13:20Z

Creators

Universidade de Lisboa. Faculdade de Direito

Revisão de provas escritas

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2025-10-28T12:14:28Z

Creators

Universidade de Lisboa. Faculdade de Direito

Intervalo entre os resultados das provas escritas e as provas orais

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2025-10-28T12:16:48Z

Creators

Universidade de Lisboa. Faculdade de Direito

Aulas teóricas suplementares

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2025-10-28T12:28:46Z

Creators

Universidade de Lisboa. Faculdade de Direito

Declaração de voto

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Ano

2025-10-28T12:16:21Z

Creators

Miranda, Jorge, 1941-

Estado nutricional, adesão à dieta mediterrânica e prática de atividade física em mulheres com cancro da mama

Introdução O cancro da mama é o mais incidente mundialmente. O aumento ponderal e a alteração da composição corporal são efeitos secundários frequentes em doentes com cancro da mama sob quimioterapia. A dieta e a prática de atividade física também têm influência no peso e composição corporal bem como no desenvolvimento e progressão desta neoplasia. O objetivo desta investigação é caracterizar o estado nutricional, a adesão à dieta mediterrânica e a prática de atividade física de mulheres com cancro da mama propostas para quimioterapia. População e Métodos Foi realizado um estudo observacional transversal em mulheres com cancro da mama propostas para quimioterapia. O estado nutricional foi classificado através dos índices de massa magra (FFMI) e massa gorda (FMI), índice de massa corporal (IMC) e força de preensão palmar (FPP). A adesão à dieta mediterrânica foi avaliada através do questionário PREDIMED e a prática de atividade física através do questionário global de atividade física. As associações foram consideradas estatisticamente significativas ao nível de significância de 5%. Resultados Avaliaram-se 61 doentes com média de idades de 52 ± 11 anos. A prevalência de excesso de peso foi de 70,4%, o FMI encontrava-se elevado em 79,3%, o FFMI encontrava-se baixo em 24,1% e 4,9% dos doentes apresentavam FPP baixa. 11,5% das doentes apresentaram elevada adesão à dieta mediterrânica e 49,2% cumpre as recomendações de atividade física. A idade está inversamente associada à adesão à dieta mediterrânica (p= 0,020), mas não apresenta associação com a prática de atividade física (p= 0,104). Doentes que cumprem as recomendações de atividade física apresentam, em média, menor IMC (p= 0,049). Não se verificou associação significativa entre o estado nutricional, adesão à dieta mediterrânica e cumprimento das recomendações de atividade física. Conclusões Os resultados obtidos demonstram uma elevada prevalência de excesso de peso e de massa gorda e reduzida adesão à dieta mediterrânica.

Ano

2025-10-28T12:09:08Z

Creators

Pessanha, Matilde Pastori Soares d’Albergaria

Validation and further characterization of Pseudomonas aeruginosa genes putatively involved in modulating multidrug resistance

Pseudomonas aeruginosa (Pa) é uma bactéria Gram-negativa, anaeróbica facultativa, que é ubíqua no ambiente e capaz de causar doenças não só em seres humanos, mas também em animais e plantas. Pa é uma das espécies patogénicas nosocomiais mais relevantes, com a importância crescente das infecções causadas por estirpes multirresistentes. Esta espécie apresenta resistência a uma variedade de antibióticos, tais como antibióticos betalactâmicos, aminoglicosídeos e quinolonas, sendo que a resistência a múltiplos agentes antimicrobianos tem vindo a aumentar substancialmente nos últimos anos. Os genes amgK, anmK, bepA, murU, mupP e ycgE2 foram identificados através da análise de TraDIS descrita em Sonnabend et al. (2020). A identificação destes genes foi feita numa estirpe isolada em contexto clínico, a partir da corrente sanguínea, caracterizada como multirresistente, e denominada como Pa ID40 (estirpe wild-type, WT). (Willmann et al. 2019) Esta estirpe (Pa ID40) foi a utilizada ao longo deste trabalho, salvo indicação em contrário. A aplicação da técnica TraDIS permitiu a identificação de genes alvo (onde se incluem os genes em estudo nesta tese) com um possível envolvimento na capacidade desta estirpe resistir aos antimicrobianos. Os genes amgK, anmK, mupP e murU estão envolvidos na via de reciclagem de peptidoglicano. Esta via que reutiliza uma grande parte dos fragmentos resultantes da degradação da camada de peptidoglicano, constitui um novo alvo importante para terapêuticas antimicrobianas. (Dhar et al. 2018) O gene bepA, codifica a proteína BepA, uma zinco-metalopeptidase periplasmática, envolvida na manutenção da integridade da membrana externa e transporte de lipopolisacáridos. (Akiyama et al. 2021) Tendo isto em consideração, e de modo a validar a identificação dos genes encontrados pela análise do TraDIS, bem como determinar a sua relevância e potencial papel na resistência a diversos antimicrobianos, procedeu-se à geração de mutantes de deleção Pa ID40 DbepA, DmurU, DmupP e DycgE2. Para gerar os mutantes de deleção, em primeiro lugar, foi aplicada a clonagem de Gibson com recurso ao plasmídeo pexG2 e digestão com DpnI. Em seguida, foram realizadas transformações primeiro em TOP10 E. coli e depois em SM10 λ pir E. coli. Por fim, foi realizada a conjugação em Pa ID40 seguida de contra-seleção, e vários PCRs foram feitos para validar o processo de mutação. É relevante, no entanto, referir que a geração dos mutantes Pa ID40 DanmK e DamgK foi realizada independente deste estudo. De forma a atingir o objetivo definido, a caracterização dos mutantes de deleção é fundamental. Assim, a importância dos genes amgK, anmK, bepA, murU, mupP e ycgE2 no padrão de crescimento foi determinada através da realização de curvas de crescimento em LB e em meio mínimo M9, durante um período de 36 horas. A análise destes resultados demonstrou a ausência de diferenças significativas entre as estirpes com mutação e a estirpe Pa ID40 WT. De forma a investigar a forma como os genes em causa modulam a resistência em Pa, foram estabelecidas as concentrações inibitórias mínimas (MICs) para um conjunto de diferentes antimicrobianos, nomeadamente beta-lactâmicos, fosfomicina e polimixina B. Para tal foram utilizadas as placas disponíveis comercialmente, “GN2F” e “EUX2NF” da Thermofisher, e “MICRONAUTS ß-Lactamases” da Merlin. Os resultados mostraram uma redução de MIC para entre metade a um terço para a maioria dos beta-lactâmicos nas estirpes ID40 DanmK, DamgK, DmupP, DmurU e DbepA em comparação com a estirpe WT. Do mesmo modo, resultados idênticos foram observados para a fosfomicina. Por outro lado, ao analisar os resultados das MICs da polimixina B pudemos observar uma redução de MIC para metade nas estirpes ID40 DamgK e DbepA, em comparação com a estirpe WT. Efluxo é um processo utilizado por inúmeros organismos para diminuir a susceptibilidade a compostos tóxicos, tais como os antibióticos. Desta forma, para determinar se a diminuição de resistência observada nos mutantes, aquando da análise dos resultados da determinação das MICs, poderia ter origem em alterações na atividade das bombas de efluxo, a realização de ensaios de efluxo para todos os mutantes é fundamental, tendo sido por isso o próximo passo executado. Este ensaio teve como base o uso de um corante fluorescente, designadamente Hoechst 33342. Subsequentemente à sua entrada na célula, este corante cria uma ligação ao ADN de dupla cadeia, funcionando ao mesmo tempo como um substrato de várias bombas de efluxo. Assim, espera-se que o sinal luminescente detectado aquando da ligação de Hoechst 33342 reflita a proporção de influxo e efluxo. Os dados obtidos, no entanto, não revelaram quaisquer diferenças significativas entre os mutantes de deleção e a estirpe WT. Paralelamente, e uma vez que a deleção dos genes levou a uma diminuição da resistência a beta-lactâmicos, procedeu-se à medição da actividade da beta-lactamase. A atividade desta enzima foi medida recorrendo ao kit da companhia BioVision com o nome de “β-Lactamase Colorimetric Assay Kit”, que se baseia na quantificação de um produto da reação da hidrólise da nitrocefina, uma cefalosporina cromogénica. Estes ensaios, por sua vez, revelaram uma diminuição de 20 % a 70 % da actividade de beta-lactamase para todos os mutantes, quando comparados com a estirpe WT. Posteriormente, a expressão de ampC foi determinada de modo a avaliar se a redução de actividade se deveria ao envolvimento dos genes em estudo na regulação transcricional da beta-lactamase AmpC, uma cefalosporinase cromossómica, com um papel major em conferir multirresistência em Pa. A análise da expressão de ampC foi, portanto, executada através de múltiplas reacções em cadeia da polimerase, quantitativas e em tempo real de transcrição reversa (qRT-PCR). Adicionalmente, a ausência de contaminação por ADN foi previamente estabelecida através da execução da reação em cadeia da polimerase quantitativa (qPCR), amplificando o gene conservado gyrB. Estes resultados mostraram que as estirpes mutantes têm um nível de expressão semelhante ao da estirpe WT, não sendo, por isso, mudanças de expressão a causa das alterações na actividade da beta-lactamase. O sistema do complemento constitui a primeira linha de defesa imune, e é constituído por uma rede de proteínas plasmáticas que desencadeiam uma cascata proteolítica aquando do reconhecimento de certos padrões microbianos. Tendo isto em consideração, as bactérias são capazes de usar várias estratégias para obter resistência sérica. Uma vez que a estrutura do lipopolissacárido, relacionada com a resistência à polimixina B, é importante para alcançar a resistência sérica, especulou-se que a deleção de amgK poderia afetar a resistência sérica. Assim, o ensaio de morte sérica foi realizado, não tendo sido, no entanto, observadas diferenças entre o mutante de deleção amgK e a estirpe WT. Uma vez que a mesma diferença de MIC foi observada para bepA e para amgK, e considerando as funções de BepA, seria relevante realizar este ensaio com um mutante com deleção de bepA. Porém, devido a constrangimentos de tempo, não foi possível fazê-lo neste estudo. No seu conjunto, estes resultados permitem a obtenção de diversas conclusões. Primeiramente, os genes estudados não afetam a capacidade de crescimento em condições normais de laboratório. Mais, os genes anmK, amgK, mupP, murU e bepA contribuem para a resistência a beta-lactâmicos e fosfomicina e os genes amgK e bepA contribuem para a resistência à polimixina B. Verifica-se então que os genes amgK, anmK, mupP e murU, todos eles genes envolvidos na via de reciclagem de peptidoglicano, modulam a resistência antimicrobiana. Isto é indicativo da relevância da via de reciclagem do peptidoglicano na resistência antimicrobiana. Os resultados obtidos permitiram ainda concluir que o gene bepA também modula a resistência antimicrobiana, o que é pertinente visto que a proteína codificada por este gene tem um papel importante em manter a integridade da membrana externa assim como em transportar lipopolissacáridos para a mesma. Concluiu-se também que a modulação de resistência, observada na análise das MICs das estirpes com deleção dos genes em estudo, é independente da atividade de efluxo/influxo. Pelo contrário, concluiu-se que a modulação da resistência está relacionada com a atividade de beta-lactamase, que foi afectada em todos os genes estudados. No entanto, a expressão de ampC não parece ser afectada nas estirpes mutantes. Assim, a forma como os genes anmK, amgK, mupP, murU e bepA estão envolvidos na regulação da actividade da beta-lactamase e o mecanismo através do qual eles modulam a resistência não estão ainda esclarecidos.

Ano

2025-10-28T12:26:07Z

Creators

Pereira, Sara Cristina Fragata

As escolas comunitárias de Luanda : um contributo para o desenvolvimento sustentável da escolarização em Angola

Este estudo foi desenhado no sentido de conhecer as dinâmicas de acção da Associação das Escolas Comunitárias (AEC), uma ONG angolana, e perceber qual o seu contributo para o desenvolvimento sustentável da escolarização em comunidades mais carenciadas, ao desenvolver uma resposta educativa complementar à do Estado. O quadro conceptual alicerça-se em três grandes dimensões de análise que sustentam este estudo: a primeira contextualiza o estudo a nível internacional, referindo as políticas educativas, a globalização e a década da educação para o desenvolvimento sustentável; a segunda, a nível nacional, refere as políticas educativas nacionais e a actual intenção de descentralização e desconcentração por parte da tutela; a terceira dimensão define e caracteriza o foco do estudo onde as dinâmicas de acção da AEC, influenciadas por políticas internacionais e nacionais, se estruturam numa resposta educativa sustentável, com base na iniciativa comunitária, solidária e organizada em rede. Perante a insustentabilidade da educação pública em Angola, este estudo indica que a resposta educativa complementar da AEC que se desenvolve na periferia de Luanda, caracteriza-se pelas acções político-sociais de boa governança, apresentando-se como um contributo credível para o desenvolvimento sustentável da escolarização de base em Angola. Os resultados desta investigação interessam aos políticos angolanos, às ONG nacionais e internacionais, aos que desenvolvem investigação na área da Administração e Gestão Educacional, aos docentes, formadores, discentes e formandos que se preocupam com a educação que é desenvolvida, actualmente, em Angola. É um estudo que foca uma problemática actual e que reflecte as iniciativas educativas de uma comunidade activa e, devidamente organizada.

Ano

2025-10-28T12:10:18Z

Creators

Mendes, Carolina de Fátima Babo, 1976-

Cross-sectional study about diabetic retinopathy and diabetic macular edema : risk factors in a population with type 2 diabetes were observed in the Department of Ophthalmology at the Centro Hospitalar do Oeste, Portugal

Fundamentação: A DM é uma doença crónica e multifatorial, que se caracteriza por um desequilíbrio metabólico que cursa com hiperglicemia. Tipicamente há uma diminuição da produção de insulina pelo pâncreas e/ou um aumento da resistência das células à insulina.1,2 A hiperglicemia persistente, presente na diabetes mal controlada, aumenta a progressão das complicações macro e microvasculares da diabetes. As doenças macro vasculares incluem 1) a doença cerebrovascular, a doença coronária e a doença arterial periférica, enquanto as microvasculares incluem 2) a nefropatia, a neuropatia e a retinopatia diabética.3,4 A prevalência global estimada da DM dos 20 aos 79 anos de idade, aumentou em cerca de 3,5 vezes entre o ano 2000 a 2021. Estima-se que a prevalência global em 2021 tenha sido de 537 milhões de pessoas na mesma faixa etária e que aumente para 783 milhões no ano 2045.5 Em 2019, Portugal apresentou a prevalência de 9,8 % da DM tipo 2 para as idades entre os 20 e os 79 anos, uma das mais altas da Europa.6 Devido ao aumento da prevalência da Diabetes, e ao maior acesso a cuidados médicos e métodos complementares de diagnóstico, continuam a aumentar a prevalência e a incidência de casos com RD e EMD com atingimento da visão em adultos ou idosos ativos o que implica custos de tratamentos onerosos e diferenciados .7–10 Estudos realizados, avaliam os fatores de risco associados ao diagnóstico de ter RD e de EMD por modo a otimizar o controlo dos pacientes com DM tipo 2.10–16 Na literatura, os fatores de risco major para a RD são a hiperglicemia e a hiperlipemia (modificáveis), e a duração da DM tipo 2 (não modificáveis). Importância: A RD é a principal causa de cegueira em todo o mundo e é um problema de saúde visual que continua a aumentar. Em resposta local a este problema, é importante estudar os fatores de risco associados ao diagnóstico de RD e de EMD no Serviço de Oftalmologia do CHO, algo que não foi realizado previamente. Objetivos: Analisar o número de olhos com RD e o número de olhos com EMD em pacientes com DM tipo 2. Investigar os fatores de risco associados ao diagnóstico de RD bem como averiguar a eventual relação dos achados morfológicos no OCT com o tipo de EMD. Desenho do estudo, a recolha dos dados e os participantes: Neste estudo transversal, foi recolhida informação clínica com base na informação registada na primeira consulta de Oftalmologia no CHO sem repetir a inclusão dos mesmos utentes. Alguns dos doentes que participaram no estudo podem ter sido seguidos em consultas prévias de oftalmologia noutros locais, com diagnóstico de RD e já em tratamento no qual alguns podem ter conhecimento da existência e gravidade da doença ou não. Os doentes foram encaminhados para a primeira consulta de oftalmologia em contexto hospitalar no CHO com referenciação do centro de Cross-Sectional Study about Diabetic Retinopathy and Diabetic Macular Edema - Risk factors in a population with type 2 diabetes observed in the Department of Ophthalmology at the Centro Hospitalar do Oeste, Portugal. saúde, pela Medicina Geral e Familiar, ou pela da consulta de Diabetes, da Medicina Interna, ou de outra consulta de especialidade, ou através do rastreio de RD positivo. A amostra foi recolhida no intervalo de janeiro de 2014 a dezembro de 2017 e foi seguida a ordem da lista de utentes agendados em primeira consulta de Oftalmologia. A informação clínica foi recolhida de forma retrospetiva, correspondendo aos 3 meses prévios à primeira consulta de oftalmologia. Foi analisado prospectivamente o primeiro e mais recente OCT até um mês após a consulta de oftalmologia caso os utentes tivessem realizado o exame. O diagnóstico de RD e EMD foi realizado por médicos Oftalmologistas. Foram obtidos 657 olhos de 357 pacientes. Foram incluídos na amostra os utentes com diagnóstico de DM tipo 2 e com idade ≥18 anos. Foram excluídos 73 olhos por opacidades dos meios (n= 27 olhos), degenerescência macular relacionada com a idade (n= 21 olhos), oclusões arteriais/ venosas (n=12 olhos) ou outras doenças da retina (n= 13 olhos). Após aplicados os critérios de inclusão e exclusão, foram incluídos neste estudo 584 olhos de 305 pacientes. Principais ferramentas de medição: A informação clínica e análise da RD e do EMD foram obtidos dos programas “Sclínico” e “Fórum Zeiss”. Resultados: Neste estudo foram incluídos 584 olhos de 305 pacientes, dos quais 52.7% eram do sexo feminino. Foram diagnosticados 313 olhos com RD (53.6%) e 162 olhos diagnosticados com EMD (27.7%). Da comparação entre os grupos com RD e sem RD, 63.8% olhos do sexo masculino pertencem ao grupo com RD. A idade média no momento do recrutamento foi de 64.5 anos (SD 9.7). A duração média de exposição à DM tipo 2 no grupo com RD foi maior no grupo com RD (19.4 anos, SD 9.8) em comparação com o grupo sem RD (10.1 anos, SD 9.2). Dos olhos dos utentes com a HbA1c ≥ 8.1%, 81.9% apresentaram RD quando comparados com os 18.1% do grupo sem RD. Da análise da regressão logística binária, considerando a variável RD como variável dependente, obtiveram-se os odds ratio brutos (OR) para as variáveis explanatórias. O sexo masculino apresentou o OR de 2.16 (95%CI: 1.55 – 3.02) vezes mais chances de ter RD em relação ao sexo feminino. A duração da DM em anos ≥ 20 anos, teve um OR de 9.24 (95% CI: 5.41-16.11) vezes maior a probabilidade de ter RD em relação à classe de referência de duração inferior a 4 anos. A dislipidemia apresentou um OR de 3.52 (95% CI:2.32-5.35) vezes mais chances de ter RD. Os odds ratio ajustados (AOR) foram calculados sob a qual a HbA1c (%) ≥ 8.1 evidenciou um AOR de 6.16 (95% CI:2.78-13.62) vezes mais o risco de ter diagnóstico de RD. Os olhos dos utentes insulinotratados tiveram um AOR de 4.07 (95% CI:2.17-7.63) vezes maior a probabilidade de ter RD. As complicações macro vasculares Cross-Sectional Study about Diabetic Retinopathy and Diabetic Macular Edema - Risk factors in a population with type 2 diabetes observed in the Department of Ophthalmology at the Centro Hospitalar do Oeste, Portugal. representaram um fator de risco de 6.02 (95% CI:2.68-13.53) vezes maior probabilidade de ter RD. Por comportamento semelhante, a neuropatia diabética obteve um AOR de 7.5 (95% CI:2.77-20.54) vezes mais chances de ter RD. No contexto do EMD, a espessura central macular foi diferente nos três grupos identificados (p- value < 0,001) sob o qual o edema macular difuso apresentou 328.5m  62.5, o edema macular cistóide com uma espessura central de 398.9m  140 e o edema macular crónico com 627.5m  209.8. A rutura da membrana limitante externa estava presente em 65.1% dos casos de EMD do tipo EMD cistoide (p- value < 0.001). De modo semelhante, a rutura da zona elipsoide ocorreu em 58.5% dos casos com edema macular cistoide (p- value < 0.001). A presença de exsudados duros (28.2%), o descolamento macular seroso (8.5%) e as anomalias da interface vitreomacular ocorreram com maior frequência no edema macular cistóide. Conclusões e relevância: O conhecimento do número de olhos com RD e do EMD e os fatores associados ao seu risco, observados na primeira consulta de oftalmologia no Centro Hospitalar do Oeste, contribuem para sinalizar a importância da prevenção primária e secundária da triagem ou programas de rastreio por meio a obter a precocidade do diagnóstico e com isso obter tratamentos menos onerosos e assim reduzir o risco de perda de visão irreversível provenientes da RD ou EMD. Perante o EMD, concluímos que os exsudados duros foram maioritariamente observados em olhos com EMD difuso e com EMD cistoide. O edema cistoide apresentou maioritariamente exsudados duros, descolamento macular seroso e anomalias da interface vitreoretiniana. No caso mais grave, o edema macular crónico apresentou valores de baixa acuidade visual severa e até mesmo casos de cegueira legal. Este estudo contribui para evidenciar a importância da prevenção terciária, em contexto da consulta de Oftalmologia hospitalar, pois devem ser garantidos recursos humanos, meios complementares de diagnóstico e de tratamento diferenciados para dar resposta às situações clínicas ligeiras a graves e a garantir tratamentos a tempo e horas por modo a evitar a perda irreversível de visão.

Ano

2025-10-28T12:13:20Z

Creators

Cipriano, Tiago Manuel Coutinho

Evaluation of the morphological and functional properties of erythrocytes in patients with amyotrophic lateral sclerosis

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa, fatal e devastadora que se caracteriza pela degeneração progressiva dos neurónios motores situados na espinhal medula, tronco cerebral e córtex motor. A maioria dos doentes com ELA tem entre os 40 e os 60 anos de idade à data do seu diagnóstico. Após o diagnóstico da doença, a esperança média de vida de um doente com ELA é de aproximadamente 3 a 5 anos. A ELA é uma doença complexa devido à sua heterogeneidade e à sua fisiopatologia podendo ser alterada por fatores biológicos. Cerca de 90% dos casos de ELA são considerados esporádicos podendo ter origem, por exemplo, em fatores ambientais ou em disfunções relacionadas com o envelhecimento. Os restantes 10% dos casos de ELA têm um histórico familiar. Relativamente ao fenótipo da doença, a maioria dos casos diagnosticados são considerados de origem espinhal (cerca de 70%). Porém, também existem mais dois fenótipos de ELA menos comuns, o bulbar (representando cerca de 25% dos casos) e o respiratório (cerca de 3%). Atualmente, o diagnóstico é efetuado com base nos critérios El Escorial Revistos, em conjunto com a eletromiografia (Critérios Awaji) para confirmar a extensão da desenervação. Também são realizados testes laboratoriais e exames de imagem para distinguir os doentes ELA de doentes com outras doenças que se possam assemelhar a ELA. Existe também um questionário utilizado a nível mundial, onde a soma das pontuações das respostas origina o valor da escala revista de avaliação funcional da doença (ALSFRS-R). Esta escala visa avaliar o estado funcional global e respiratório do doente e o declínio da doença ao longo do tempo. A escala ALSFRS-R global avalia 12 parâmetros no doente, como por exemplo, a sua função física, a capacidade de engolir, de utilizar utensílios, de subir escadas e a sua função respiratória. O questionário também permite a avaliação da dispneia, ortopneia e a necessidade de suporte ventilatório no doente. A disfunção respiratória é um fator determinante do comprometimento funcional e morte na ELA. A hipoxia aparece após o enfraquecimento dos músculos respiratórios. Alterações na estrutura e função dos eritrócitos no fluxo sanguíneo nunca foram descritos na ELA, embora sejam relevantes para uma adequada oxigenação dos tecidos. Existem evidências de que a inflamação está associada à ELA, possivelmente aumentada pelo desconforto respiratório nos doentes. Este fato poderá estar relacionado com o aumento do fibrinogénio plasmático na circulação sanguínea. Níveis aumentados de fibrinogénio plasmático têm sido associados ao aumento da agregação eritrocitária, podendo ter um papel central nos mecanismos que originam eventos trombóticos. A inter-relação entre insuficiência respiratória, inflamação, alterações do fibrinogénio plasmático e da morfologia do eritrócito, com implicações na perfusão periférica, nunca foi explorada na ELA. O tromboembolismo venoso (TEV) é uma condição médica responsável pela formação de coágulos sanguíneos nas veias. Eventos de TEV foram reportados em alguns casos de doentes com ELA, geralmente associados a fatores como a falta de mobilidade, o envelhecimento e também a insuficiência respiratória. No entanto, alguns fatores de risco associados a TEV ainda não foram devidamente explorados nesta doença. A formação de coágulos sanguíneos pode dever-se a alterações que ocorrem ao nível da membrana dos eritrócitos (p.ex. alterações da sua elasticidade) que dependem (entre outros fatores) do seu conteúdo lipídico. Em condições inflamatórias, o fibrinogénio ’ (uma variante in vivo do fibrinogénio) está presente no plasma em elevadas concentrações, o que representa um aumento da sua percentagem em relação aos valores totais de fibrinogénio plasmático. Esta variante do fibrinogénio, o fibrinogénio ’, conduz a alterações na arquitetura e na formação de coágulos sanguíneos sendo estes mais resistentes à fibrinólise. Assim, os principais objetivos desta tese consistem em avaliar as alterações morfológicas, biomecânicas e as propriedades biofísicas dos eritrócitos em doentes com ELA. Adicionalmente pretende-se quantificar os níveis de fibrinogénio ’ no plasma sanguíneo, com o intuito de perceber se este marcador de risco inflamatório está alterado na ELA. No desenvolvimento do trabalho experimental, foram colhidas amostras humanas de sangue provenientes de doentes com ELA que foram analisadas e posteriormente comparadas com um grupo de dadores saudáveis e dadores não saudáveis com outras doenças neurológicas. Numa primeira fase, foram obtidos os hemogramas de todos os pacientes e dadores que participaram neste estudo, e foi efetuada uma avaliação clínica dos dadores não saudáveis e dos doentes com ELA. As amostras de sangue colhidas foram posteriormente analisadas recorrendo à microscopia de força atómica (AFM) onde foram efetuadas imagens dos eritrócitos, obtidas curvas de elasticidade destas células e foi ainda medida a profundidade a que a ponta do AFM penetra no eritrócito. Com as imagens de AFM foi possível estudar individualmente as características morfológicas do eritrócito nos diferentes grupos de estudo, tais como área, volume, altura, percentagem de eritrócitos sem concavidade, assim como a sua rugosidade de membrana. Para complementar a análise dos dados obtidos no AFM, foram efetuadas medições do potencial zeta da membrana dos eritrócitos na ausência e na presença de diferentes concentrações de fibrinogénio (0, 0.4, 1.0, 2.0 mg/ml). Foi também realizada a quantificação dos níveis de fibrinogénio ’ no plasma sanguíneo dos diferentes grupos de estudo através de um ensaio imunoenzimático. Os resultados obtidos sugerem que os eritrócitos de doentes com ELA têm uma área maior e apresentam menor concavidade por comparação com os eritrócitos de dadores saudáveis. A partir das medições do potencial zeta, foi possível verificar que as membranas dos eritrócitos de doentes com ELA apresentam uma carga menos negativa do que o respetivo controlo saudável na presença de elevadas concentrações de fibrinogénio. Para além disso, as membranas dos eritrócitos de doentes com ELA apresentaram um perfil menos rugoso que as dos eritrócitos de controlos saudáveis. Adicionalmente, a profundidade a que a ponta do AFM consegue penetrar é menor em células provenientes de doentes com ELA comparativamente com controlos, podendo se concluir que os eritrócitos de doentes com ELA têm maior rigidez do que os controlos. Por fim, os pacientes com ELA apresentaram concentrações mais elevadas da variante fibrinogénio ’ plasmático em comparação a controlos saudáveis e não saudáveis. Ao longo deste estudo foram também efetuadas análises de regressão múltipla e análise longitudinal aos parâmetros estudados. A análise de regressão múltipla permite comparar os três grupos para diferentes variáveis de estudo e perceber se os resultados obtidos são ou não influenciados por outras variáveis independentes, tal como a idade e o género. Por outro lado, a análise longitudinal, permitiu fornecer informação relativamente à progressão e agravamento da doença em pacientes com ELA. Os resultados obtidos após a realização da análise longitudinal, revelaram que existem correlações negativas entre a escala ALSFRS-R global e/ou respiratória com a rugosidade dos eritrócitos, a profundidade de penetração nestas células e uma correlação positiva com os níveis plasmáticos de fibrinogénio ’. Os resultados sugerem que os eritrócitos de pacientes com ELA apresentam alterações eletrostáticas, biomecânicas e morfológicas quando comparados com os controlos saudáveis. Os resultados apontam para um maior risco de inflamação na ELA. Este processo inflamatório parece estar associado a um efeito retardador na progressão da doença. Estes resultados podem ainda ajudar a compreender, não só o papel do fibrinogénio na agregação eritrocitária, como também as alterações podem ocorrer na membrana dos eritrócitos que comprometem o seu normal funcionamento em doentes com ELA. As alterações morfológicas dos eritrócitos na ELA poderão contribuir para o início ou agravamento de eventos trombóticos e inflamatórios. O risco de tais eventos trombóticos representa um agravamento do estado de saúde dos indivíduos com ELA que poderá ter impacto na sua mortalidade. Este estudo foi realizado com um número restrito de doentes. Novos estudos deverão ser efetuados com um grupo mais alargado de doentes de modo a validar os resultados obtidos ao longo desta tese. No entanto, tanto a concentração de fibrinogénio ' plasmático como a rugosidade da superfície da membrana eritrocitária representam dois possíveis biomarcadores da progressão da doença de ELA. Níveis elevados de fibrinogénio ' podem estar associados ao desenvolvimento de processos inflamatórios na ELA. Consequentemente, este processo inflamatório parece estar associado a um processo de diminuição da progressão da doença de ELA (diminuição do declínio da escala funcional global e respiratória).

Ano

2025-10-28T12:10:04Z

Creators

Matias, Gonçalo da Luz

High systemic cholesterol and IFN-γ response in breast cancer cells

O papel do sistema imune no cancro foi alvo de debate durante mais de um século. Na década de 90, estudos em ratinhos imunocompetentes demonstraram que algumas moléculas do sistema imune têm um papel fundamental na regulação do tumor primário, sendo o IFN-γ uma das mais importantes. Uma das caraterísticas mais atrativas do IFN-γ é a sua capacidade de suprimir o crescimento tumoral através de diversos mecanismos. Algumas das capacidades anti tumorais do IFN-γ sob as células tumorais incluem: a diminuição da proliferação, o aumento da apoptose e necrose; e ainda o aumento de expressão de HLA (o qual permite o reconhecimento das células tumorais por parte das células imunes). No entanto, o IFN-γ é uma citocina pleiotrópica, o que significa que para além de funções anti tumorais, este apresenta também efeitos pro tumorais no microambiente tumoral. O exemplo mais conhecido disto é o facto do IFN-γ aumentar a expressão de PD-L1 nas células tumorais, o qual se liga ao seu recetor PD-1 e isto cria um “imune checkpoint” que permite que as células tumorais escapem às células do sistema imune. O efeito do IFN-γ no microambiente tumoral depende de alguns fatores, como a sua concentração, a composição do microambiente tumoral e o tipo de cancro. Nesta tese, o foco principal é o cancro da mama. O cancro da mama é o subtipo de cancro que apresenta as taxas de incidência e de mortalidade mais elevadas nas mulheres, a nível mundial. O risco de cancro da mama está associado a vários fatores, sendo um deles a obesidade. Uma anormalidade metabólica sistémica associada à obesidade é a dislipidemia, a qual se traduz num aumento dos níveis de triglicéridos e colesterol-LDL e uma diminuição nos níveis de colesterol-HDL. Um estudo que foi conduzido previamente no nosso laboratório sugere que os níveis plasmáticos de colesterol-LDL foram positivamente correlacionados com o volume do tumor em pacientes com cancro de mama. Adicionalmente, observou-se que pacientes com níveis mais elevados de colesterol-LDL ao diagnóstico apresentam tumores maiores, maior grau de diferenciação e maior taxa proliferativa. O papel do IFN-γ no cancro da mama tem sido estudada ao longo dos anos. Focando nas suas propriedades anti tumorais, há estudos que indicam que o IFN-γ diminui a proliferação das células de cancro da mama, ao bloquear estas células na fase G1 do ciclo celular. Outros estudos revelaram que o IFN-γ consegue modular alguns péptidos do sistema imune no cancro da mama triplo negativo devido ao facto de aumentar a expressão de HLA-I e HLA-II. Focando agora nas consequências pro tumorais do IFN-γ, foi demonstrado em células do cancro da mama que esta citocina aumenta a expressão de PD-L1. No nosso laboratório, temos dados ainda não publicados que suportam uma consequência ainda não descrita para a sinalização do IFN-γ em células de cancro da mama: alterações metabólicas que levam ao aumento da internalização de colesterol-LDL. Isto levou-nos a traçar uma nova linha de pesquisa sobre como a sinalização do IFN-γ é regulada em diferentes contextos metabólicos. Como tal, o principal objetivo desta tese foi compreender se os efeitos do IFN-γ nas células do cancro da mama são afetados por níveis elevados de colesterol-LDL no microambiente tumoral, os quais se correlacionam com a progressão da doença no cancro da mama. Detalhadamente, decidimos analisar o papel do colesterol-LDL na via de sinalização do IFN-γ e nos efeitos que ocorrem a jusante do mesmo, em células de cancro da mama. Neste estudo, utilizámos a linha celular MDA-MB-231 como modelo (a qual representa um subtipo de cancro da mama triplo negativo humano). Em alguns casos específicos, utilizámos outras linhas celulares para complementar os nossos resultados (a linha de cancro da mama luminal A humano MCF-7, a linha de cancro da mama triplo negativo humano HS578T e a linha de cancro da mama triplo-negativo de ratinho 4T1). Relativamente à nossa primeira experiência, os nossos resultados sugerem uma tendência do colesterol-LDL para influenciar a via de sinalização do IFN-γ (JAK/STAT1), visto que parece aumentar expressão do recetor de IFN-γ (IFNGR), a expressão de STAT1 e a fosforilação de STAT1, nas células MDA-MB-231. Focando na proliferação celular, não conseguimos inferir de que forma a resposta das células de cancro da mama ao IFN-γ é afetada por altos níveis de colesterol-LDL no microambiente tumoral. Isto sucedeu porque não conseguimos observar um efeito do IFN-γ na proliferação e no ciclo celular das células MDA-MB-231, apesar de termos testado várias abordagens (como diferentes time-points ou diferentes linhas celulares). A opção mais provável é que tenha havido heterogeneidade inter-laboratorial das nossas linhas celulares. Posteriormente, focámo-nos no impacto do colesterol-LDL na expressão de proteínas induzidas pelo IFN-γ, como o HLA e o PD-L1. Os nossos dados demonstram que o colesterol-LDL não tem impacto na expressão de HLA, mas consegue aumentar a expressão de PD-L1 na membrana das células MDA-MB-231 a jusante de IFN-γ. Surpreeendentemente, observámos ainda que o colesterol-LDL sozinho induz a localização de PD-L1 na membrana das células. Explorámos, também, o papel do colesterol-LDL na expressão de outras proteínas independentes do IFN-γ, como os ligandos do recetor NKG2D (MICs e ULBPs), onde observámos que o colesterol-LDL leva a um aumento de expressão de MICA/B e de ULBP2/5/6. Devido à importância da expressão de PD-L1 em células tumorais no contexto da imunoterapia, decidimos analisar melhor de que forma o colesterol-LDL afeta a localização do PD-L1 na membrana celular. Primeiro, de modo a entender se o efeito do colesterol-LDL na expressão de PD-L1 corresponde a um mecanismo geral em células de cancro da mama, testamos o seu efeito noutras outras linhas celulares (MCF-7, HS578T e 4T1). Os resultados obtidos foram complexos, uma vez que o colesterol-LDL influenciou a expressão de PD-L1 nas membranas tanto individualmente quanto em combinação com o IFN-γ na linhagem celular 4T1, mas apenas em combinação com o IFN-γ nas células HS578T. Adicionalmente, a exposição de células MCF-7 ao colesterol-LDL não afetou a expressão de PD-L1 nas membranas, quer isoladamente, quer em combinação com IFN-γ. No decorrer da tese de mestrado, um estudo foi de Wang et al. Foi publicado, o qual demonstrou que o colesterol se pode ligar diretamente ao PD-L1 e estabilizar sua estrutura na membrana celular. Ora, isto poderia explicar porque razão a exposição ao colesterol-LDL aumenta a expressão de PD-L1 nas membranas, assumindo que as células estavam a internalizar o colesterol-LDL do meio e enriquecendo as suas membranas com colesterol. Além disso, discrepâncias nessa capacidade de internalizar o colesterol poderiam explicar a variabilidade da resposta ao colesterol-LDL que observámos entre as linhas celulares que utilizámos. De modo a estudar isto, comparámos a capacidade de internalização de colesterol de duas linhas de cancro da mama triplo negativo humano que responderam de forma diferente ao efeito do colesterol-LDL na expressão de PD-L1: MDA-MB-231 e HS578T. Com isto, pudemos observar que, enquanto a exposição das células MDA-MB-231 ao colesterol-LDL levou ao aumento do teor de colesterol das mesmas; o mesmo não aconteceu para a linha celular HS578T. Por fim, avaliámos quais as consequências funcionais do aumento da expressão de PD-L1 pelo colesterol-LDL num ambiente imunológico. Para estudar isso, executámos um “killing assay” com as células MDA-MB-231 e com PBMCs e analisámos a percentagem de células tumorais apoptóticas. Os nossos resultados demonstram que o colesterol-LDL tem um efeito protetor sobre as células MDA-MB-231, visto que diminui a percentagem de células tumorais apoptóticas. Apesar de serem dados interessantes, estes requerem repetição; e, no futuro, pretendemos ainda entender se a morte mediada pelas PBMCs é dependente de PD-L1 ou não e se o colesterol-LDL afeta isto. Concluindo, os nossos resultados sugerem que níveis elevados de colesterol-LDL no microambiente tumoral afetam a resposta do cancro da mama ao IFN-γ e a localização membranar de PD-L1. Isto pode ter implicações na eficácia da imunovigilância em ambientes enriquecidos em colesterol-LDL e destaca a importância de estudar a resposta imune contra células tumorais em diferentes contextos metabólicos. Os nossos dados sugerem também que o colesterol-LDL pode ter um impacto na resposta dos pacientes com cancro de mama aos inibidores de PD-1 ou PD-L1, uma vez que este aumenta a expressão de PD-L1. Embora seja necessária mais investigação nesta área, acreditamos que este conhecimento poderá vir a contribuir para um melhor diagnóstico e tratamento do cancro de mama num futuro próximo.

Ano

2025-10-28T12:09:50Z

Creators

Botinas, Daniela Alexandra Silva

Quality of life and well-being of adolescents in Portuguese schools

The quality of the school environment is associated with greater school involvement and academic success and improved levels of well-being/quality of life. In this sense, this study intends to explore the relationship between the quality of life of Portuguese adolescents and school. 8215 adolescents participated in this study, 52.7% of which were female, aged between 10 and 22 years and an average age of 14.36 years (SD = 2.28). The sample was collected as part of the Health Behavior in School-aged Children (HBSC) study. The results show that girls like school, teachers, school breaks (between classes) and classes more than boys and present less concerns/difficulties with school. Compared to boys, they report more pressure with the schoolwork and a better perception of safety at school. On the other hand, boys have a better relationship with their peers and teachers, miss more classes on purpose and report a higher perception of quality of life. An above-average QoL is statistically and significantly related with liking school, peers, teachers, school breaks (between classes) and classes. It is also related with feeling less pressure with the schoolwork, a better perception of school success and of safety in the school environment. Additionally, having an above-average QoL is statistically significantly associated with having a better relationship with peers and teachers and less concerns/difficulties with school. This is an important message for the reorganization of schools in terms of their practices and curricula. The need to develop strategies to promote greater identification of students with school is reinforced.

Ano

2025-10-28T12:15:24Z

Creators

Guedes, Fábio Botelho Cerqueira, Ana Gaspar, Susana Gaspar, Tania Moreno, Carmen Matos, Margarida Gaspar de

OAGB bowel function in patients with up to 5 years follow-up: updated outcomes

Objective: One-anastomosis gastric bypass (OAGB) is considered an effective technique in weight reduction and remission of comorbidities. However, in common with many bariatric and metabolic/bariatric procedures, gastrointestinal side effects are frequently reported, but clinical experience varies. The objective of this study was to analyze the bowel function of patients who undergo OAGB looking at 5-year postoperative outcomes. Method: This study is cross-sectional, descriptive and analytical, developed with individuals undergoing OAGB (n = 208) in yhe period between 2015 and 2020. The time periods evaluated were 1 to 6 months (T1), 6 to 12 months (T2), and 1 to 5 years (T3). Data analysis was performed using SPSS v.28.0, considering a significance level p ≤ 0.05. Results: 114 participants (54.8%), 79.8% women, mean age 47.0 ± 12.6 years, and BMI 40.1 ± 5.6 kg/m2, 51.9% dyslipidemia, 43.6% arterial hypertension, and 19.1% diabetes mellitus. The T1 group had more severe symptoms/nausea than the T2 group. The T2 group had a significantly lower defecation frequency than the T1 and T3 groups. As for the occurrence of diarrhea, associations were not found in the considered groups. The T3 group had a greater severity of constipation associated with greater difficulty in consuming red meat, white meat, rice, vegetables, and salads. Conclusions: Gastrointestinal symptoms are prevalent in the first postoperative months. However, diarrhea was not common. The patient selection policy and surgical technique were decisive in this result. Constipation was prevalent in patients between 1 and 5 postoperative years. It was also prevalent in those who had food intolerance, which from a nutritional point of view is an adverse factor for optimal bowel function.

Ano

2025-10-28T12:10:04Z

Creators

Rossoni, Carina Bragança, Rossela Santos, Zélia Viveiros, Octávio Ribeiro, Rui

Reflexões sobre a união europeia

No summary/description provided

Ano

2025-10-28T12:13:47Z

Creators

Cunha, Paulo de Pita e, 1937-2022

La cour constitutionnelle dans le projet de constitution de la Fédération Russe

No summary/description provided

Ano

2025-10-28T12:25:40Z

Creators

Guedes, Armando M. Marques, 1919-2012