Repositório RCAAP
A produção científica em empreendedorismo: análise do academy of management meeting: 1954-2005
O objetivo foi analisar a produção científica da área de empreendedorismo apresentada no Academy of Management Meeting (AOM - Meeting), de 1954 a 2005. A pesquisa foi exploratória, com delineamento qualitativo, de caráter bibliográfico, em sua primeira fase. Aqui os 91 artigos identificados na base de dados da Ebsco, no Business Source Premier, foram classificados quanto ao campo de estudos do empreendedorismo, com base nos temas propostos por Vésper (1977) e Schreier e Komives (1973). Os destaques foram: administração de pequenas empresas, empreendedorismo e inovação, e psicologia. Houve tendência de interesse para o processo de ação da empresa. A segunda fase da pesquisa foi descritiva, com método quantitativo, realizada por meio da técnica de análise de citação, em que as 2.127 referências constantes nos 91 artigos estudados foram analisadas com base nos trabalhos de Béchard (1996) e Grégoire et al. (2006). A vida média da literatura citada foi de onze anos. Assim, há um intervalo de tempo entre a publicação das obras citadas e a sua efetiva citação nos artigos analisados no AOM - Meeting, de 1954 a 2005. O grupo de elite foi composto por 19 autores, sendo representado por Arnold C. Cooper, com 36 citações. Um total de 30 autores possuiu obras relevantes que impactaram essa literatura. O maior fator de impacto coube às obras de Joseph Alois Schumpeter. Por tratar-se do maior evento internacional e do mais antigo em administração de empresas, a relevância do AOM - Meeting é reconhecida. Assim, os resultados desta pesquisa contribuem para aumentar o conhecimento sobre a literatura gerada e os autores que contribuíram para fundamentar os estudos em empreendedorismo, em um período de abrangência de mais de cinquenta anos.
2011
Borba,Marcelo Leandro de Hoeltgebaum,Marianne Silveira,Amélia
Introdução
No summary/description provided
2011
Ipiranga,Ana Silva Rocha Godoy,Arilda Schmidt Brunstein,Janette
Educação para a sustentabilidade nos cursos de Administração: reflexão sobre paradigmas e práticas
Na última década, multiplicaram-se os módulos, cursos e programas relacionados à sustentabilidade no ensino superior em geral, assim como mais especificamente no ensino da Administração. O propósito deste artigo é apresentar uma reflexão e uma avaliação de tais esforços e mapear caminhos para a construção de módulos, cursos e programas por meio de uma reflexão sobre paradigmas da educação e suas práticas. O objetivo é contribuir no debate sobre o papel da educação superior e notadamente dos cursos de Administração e Gestão, na medida em que se observa um significativo aumento do número de instituições de ensino superior que apresentam efetiva motivação para formar estudantes com conhecimento e habilidades necessários para colocar a sustentabilidade no centro de suas futuras atividades de gestão. Apresenta-se uma reflexão sobre as principais vertentes de pensamento e os debates atuais, identificam-se as ambiguidades e contradições, e se apresentam as possibilidades de integração do tema da sustentabilidade nos cursos de Administração. Os autores trazem à tona a temática da sustentabilidade nas empresas e seu diálogo com a academia, bem como as implicações da emergência da sociedade de risco para a educação superior e as escolas de Administração. Também se abordam as correntes de pensamento da economia e ecologia propostas para a educação, dentro de paradigmas que tratem da complexidade e inserção da sustentabilidade na educação superior e nas escolas de Administração. O artigo está estruturado em quatro seções: a primeira mapeia a sociedade de risco e o pensamento econômico recente, e esboça os fundamentos/premissas da sociedade, bem como os paradigmas da educação; a segunda apresenta um levantamento sobre promoção/difusão da sustentabilidade na educação superior, destacando contexto, resultados e desafios; a terceira foca a sustentabilidade no ensino da Administração e seus principais desafios; e a última seção propõe três caminhos para integrar o tema da sustentabilidade no ensino da Administração, com as competências para o desenvolvimento sustentável, e, finalmente, as implicações, os obstáculos e as possibilidades de integrar a sustentabilidade no ensino da Administração. O artigo dialoga com a literatura internacional mais recente e busca interessar os leitores sobre os principais desafios conceituais para educar indivíduos responsáveis e comprometidos com a sustentabilidade.
2011
Jacobi,Pedro Roberto Raufflet,Emmanuel Arruda,Michelle Padovese de
Desenvolvimento sustentável e educação ambiental: uma trajetória comum com muitos desafios
O objetivo geral deste artigo é a apresentação do surgimento de uma concepção de educação ambiental (EA) associada ao movimento do desenvolvimento sustentável e uma proposta de educação para o desenvolvimento sustentável (EDS), tendo em vista sua aplicação em cursos de Administração de Empresas, pois, como será mostrado, na concepção dessa EA, deu-se especial atenção aos profissionais cujas atividades e decisões geram repercussões significativas sobre o meio ambiente, como administradores, economistas, engenheiros, arquitetos, desenvolvedores de produtos, formuladores de políticas públicas, entre outros. Serão apresentados os principais eventos intergovernamentais que deram surgimento a essa concepção de EA, as principais diretrizes e recomendações aplicadas a esses profissionais e uma proposta de EDS e sua relação com a EA. Depois, será apresentado um debate sobre a EA e a EDS, pois há entendimentos diametralmente opostos sobre essas duas concepções de educação. Serão apresentados diferentes entendimentos do conceito de desenvolvimento sustentável e as questões polêmicas que geram dúvidas e objeções sobre ele, na perspectiva de dirimir mitos e concepções ingênuas. Também serão abordadas as questões relativas ao crescimento econômico e sua relação com o desenvolvimento, uma das principais questões polêmicas em torno do conceito de desenvolvimento sustentável. O artigo discute conceitos e recomendações constantes nos documentos intergovernamentais, sobretudo os produzidos pelas agências da ONU, que criaram marcos para o debate e introduziram elementos para que se desencadeassem ações mundiais de EA. Por fim, apresentam-se algumas das principais iniciativas voluntárias para a inserção das instituições de ensino superior no movimento do desenvolvimento sustentável, tal como a Declaração de Talloires, para implantar a EA e a EDS.
2011
Barbieri,José Carlos Silva,Dirceu da
Transformando o discurso em prática: uma análise dos motivos e das preocupações que influenciam o comportamento pró-ambiental
A educação ambiental, no âmbito dos cursos de Administração, ainda se encontra em fase de maturação, sendo sua abordagem muitas vezes resumida em uma única disciplina e com poucas produções científicas na área. Este estudo tem como objetivo analisar como os motivos e as preocupações ambientais se relacionam diante da perspectiva de ação dos estudantes do curso de Administração com relação às práticas de conservação do meio ambiente. Utilizaram-se como principais referências a escala de preocupações com as consequências ambientais de Schultz (2001) e a escala de motivos pró-ambientais de Thompson e Barton (1994). A pesquisa contou com a participação de 219 estudantes universitários de uma região metropolitana do Nordeste brasileiro, sendo os dados trabalhados com os softwares SPSS e Amos, versão 18.0, módulos de estatística descritiva, testes não paramétricos, análise fatorial confirmatória, correlação e regressão binária logística. Encontraram-se uma correlação negativa entre o motivo apático e a preocupação biosférica, uma correlação positiva entre o motivo ecocêntrico e a preocupação biosférica e uma correlação positiva entre os motivos ecocêntricos e as preocupações altruístas. Por sua vez, observou-se ainda uma relação entre a preocupação biosférica, e os motivos ecocêntricos com a predisposição à ação para a preservação ambiental. Os resultados desta pesquisa podem proporcionar aos educadores um direcionamento de que os motivos ecocêntricos e as preocupações biosféricas precisam ser incentivados, visando sensibilizar os estudantes a transformar o discurso a favor do meio ambiente em prática. As relações encontradas demonstram aspectos importantes de compreensão do comportamento humano diante da temática ambiental. Para maior entendimento das relações evidenciadas neste estudo, torna-se importante a aplicação de outros instrumentos, com diferentes amostras formadas por estudantes de outras regiões geográficas, diferentes cursos e instituições de ensino superior.
2011
Pinheiro,Leonardo Victor de Sá Monteiro,Danielli Leite Campos Guerra,Diego de Sousa Peñaloza,Verônica
Desenvolvimento sustentável, consumo e cidadania: um estudo sobre a (des)articulação da comunicação de organizações da sociedade civil, do estado e das empresas
O consumo, na contemporaneidade, cumpre diferentes funções e implica múltiplas referências como construção social, porém, nos padrões atuais, é insustentável, tanto na perspectiva ambiental quanto da construção de direitos e da cidadania. Para compreender os desafios da construção de ações e políticas capazes de renovar as práticas de consumo, problematizam-se neste artigo as respostas aos dilemas do consumo construídas por atores da sociedade civil, do Estado e do mercado. O consumo sustentável se configuraria como uma das possibilidades de tratamento dos impactos do consumismo, pois envolve mudanças de atitude aliadas à necessidade de transformação do sistema das atitudes e dos valores dos cidadãos. Apesar de ainda não se observar a predominância de um novo modelo civilizatório capaz de superar os dilemas da sociedade do consumo, existem alternativas para promover a sustentabilidade. Esse esforço sugeriria a construção de articulações entre diferentes grupos, quer seja do governo, quer da sociedade civil, quer do mercado, para atender às demandas da população e adotar boas práticas de produção e consumo sustentáveis, por meio da ação política e do exercício da cidadania. Na pesquisa empírica, de abordagem qualitativa, com entrevistas em profundidade e análise descritiva, percebeu-se que a comunicação para a construção de discursos e práticas politicamente corretos para o consumo, por parte dos atores pesquisados, para torná-lo sustentável, nem sempre abarca a complexa relação que envolve o meio ambiente nas esferas pública e organizacional. Muito presente nos textos de relatórios empresariais, o desenvolvimento sustentável não é percebido na prática organizacional cotidiana. Nesse contexto, descortinam-se diferentes dramas e tramas da cidadania socioambiental que podem dar novo sentido às lutas ambientais no campo do consumo, bem como encobrir as armadilhas de um discurso ambientalmente correto, mas politicamente frágil.
2011
Costa,Daniela Viegas da Teodósio,Armindo dos Santos de Sousa
Paradigmas ambientais nos relatos de sustentabilidade de organizações do setor de energia elétrica
O objetivo deste estudo foi compreender os significados atribuídos à sustentabilidade nas organizações e como eles se relacionam com os paradigmas ambientais compartilhados. Abordaram-se o antropocentrismo, em suas vertentes individualista e coletivista, o ecocentrismo, também individualista e coletivista, e a sustentabilidade-centrismo. Foi feita uma análise qualitativa descritiva, fundamentada na análise de conteúdo dos relatórios de sustentabilidade e de alguns discursos disponíveis nos endereços eletrônicos de três organizações do setor de geração e distribuição de energia. Os significados atribuídos à sustentabilidade estão associados, em sua maior parte, ao paradigma antropocêntrico individualista, não tendo sido observado um rompimento com a busca por atender unicamente aos interesses dos proprietários das organizações. Nessa visão, relacionou-se sustentabilidade a conceitos como os de crescimento, rentabilidade, liderança ou boas práticas de governança nas organizações. Também na vertente individualista, mas se aproximando do ecocentrismo, associou-se a sustentabilidade ao cumprimento da legislação ambiental e à ecoeficiência. Observaram-se posicionamentos ligados ao antropocentrismo, mas com alguma proximidade com sua vertente coletivista, quando a sustentabilidade é vista como diferentes formas de investimentos e programas sociais e responsabilidade social. De maneira similar, a associação com a responsabilidade socioambiental também buscou uma visão mais coletivista, mas intentando não restringir suas preocupações apenas à humanidade, mas também às outras formas de vida. Ainda que tais significados busquem, de alguma maneira, expressar preocupações coletivistas, ainda não seria equivalente a dizer que a organização é sustentável. Nenhum dos significados atribuídos à sustentabilidade remete a seu sentido original, associado à superação da dicotomia entre humanidade e natureza e à manutenção da biota como um todo em longo prazo. Os discursos organizacionais, mesmo quando se referiam à sustentabilidade, tinham como tema central o relato dos resultados financeiros das organizações, fortalecendo o paradigma antropocêntrico individualista. As ações sociais e ambientais apresentadas nesses relatórios contribuem para a busca de soluções quanto a alguns problemas socioambientais, mas ainda são bastante pontuais e isoladas, não indicando mudanças na visão de mundo dominante.
2011
Silva,Sabrina Soares da Reis,Ricardo Pereira Amâncio,Robson
Uma compreensão da sustentabilidade por meio dos níveis de complexidade das decisões organizacionais
Em uma sociedade capitalista, as decisões organizacionais, geralmente voltadas à dimensão econômica, desencadearam ou agravaram os problemas socioambientais em muitos países. Na busca por soluções de tais problemas, surge, na década de 1980, o conceito de desenvolvimento sustentável, propondo o atendimento das necessidades das gerações atuais sem comprometer o atendimento das necessidades das futuras gerações (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1988). Considerado um conceito subjetivo e passível de interpretação, o desenvolvimento sustentável propõe o atendimento de três dimensões essenciais: econômica, social e ambiental. Assim, sob a ótica organizacional, tomar decisões que contribuam para a sustentabilidade tornou-se, no mínimo, um grande desafio, pois, além da dimensão econômica, os decisores deverão lidar simultaneamente com as dimensões sociais e ambientais. Isso mostra a existência de níveis de decisões definidos como simples, medianos e complexos, os quais tendem a comprometer ou influenciar de forma distinta o alcance da sustentabilidade, conforme o atendimento satisfatório ou não das dimensões. Diante desse desafio, como ensaio teórico-metodológico, este artigo tem como objetivo apresentar uma compreensão da sustentabilidade por meio dos níveis de complexidade das decisões organizacionais. Para alcançar esse objetivo, propõem-se critérios relevantes que compõem cada uma das dimensões da sustentabilidade, identificando as relações (sistêmicas) que podem ocorrer entre os critérios durante a tomada de decisões organizacionais. Como resultado do cruzamento entre níveis de complexidade de decisões e as dimensões da sustentabilidade, obteve-se a estrutura de uma matriz de complexidade das decisões direcionadas à sustentabilidade. De caráter qualitativo, a matriz visa mostrar como o decisor ou pesquisador pode classificar as decisões consideradas relevantes e como poderá tomar decisões complexas que integrem satisfatoriamente as três dimensões da sustentabilidade.
2011
Maia,Andrei Giovani Pires,Paulo dos Santos
Estratégias de poder de trabalhadores industriais
O mainstream das discussões sobre o poder, via de regra, aborda atores organizacionais que desfrutam de recursos para exercê-lo, como as condições de posse de meios de produção, de localização, de classe ou de conhecimentos técnicos, seja na organização ou na sociedade. Contudo, mesmo com toda a tecnologia gerencial de dominação e exploração desenvolvida ao longo do século XX, os trabalhadores usam estratégias políticas para resistir e influenciar os possuidores de recursos, tentando, com essas manobras, alcançar seus próprios objetivos. Neste artigo, o objetivo foi analisar as estratégias de poder de atores sociais desprovidos de recursos nas organizações. Pautado por uma pesquisa qualitativa, o estudo se baseou em dezoito entrevistas com trabalhadores de uma siderúrgica selecionados pelos critérios de tempo de casa e acessibilidade. Os dados coletados, tratados mediante a análise do discurso, indicam quatro estratégias de poder utilizadas pelos trabalhadores: 1. experiência barganhada com base no saber oriundo da experiência; 2. diversificação de vínculos afetivos com grupos detentores e não detentores de recursos; 3. obediência submissa para obtenção de reconhecimento, permanência e/ou valorização futura; e 4. popularidade planejada como meio de autoproteção calcada em visibilidade e bom relacionamento. Conclui-se que, embora os elementos formais manifestem o poder real na organização, para o alcance dos seus próprios objetivos, os trabalhadores interpretam as regras do jogo e constroem estratégias dinâmicas no contexto em que se inserem, exercendo, assim, o poder. As principais contribuições, no nível macro de análise, referem-se à problematização das implicações da ideia de propriedade privada, que não esgota a dinâmica política nas organizações. No nível meso, este estudo problematiza a objetividade do conhecimento produzido na área da Administração que, como ciência, antes de ser aplicada, é social e, por isso, precisa dos indivíduos para existir, e não pode ser construída à sua revelia. No nível micro, as contribuições destacam que o caráter social é tão importante quanto o econômico no contexto organizacional. Há racionalidades - no plural - coexistindo e competindo nas organizações, algo que os teóricos organizacionais não podem negligenciar, sob pena de reduzir a organização a uma ficção vazia, distinta da dinâmica organizacional efetiva.
2011
Saraiva,Luiz Alex Silva Santos,Alexandre Vitorino dos
O uso da história de vida para compreender processos de aprendizagem gerencial
Este ensaio teórico tem como principal objetivo apresentar e discutir as possibilidades do uso do método de história de vida, em estudos dos processos de aprendizagem gerencial. O caráter distintivo dessa abordagem metodológica é o de contextualização pessoal, histórica, social, institucional e/ou política de narrativas. Buscando descortinar essas forças que moldam, distorcem e alteram experiências vividas (HATCH; WISNIEWSKI, 1995; BERTAUX, 1980), examina-se o potencial de utilização dessa estratégia de pesquisa para explorar a compreensão do processo complexo e dinâmico da aprendizagem gerencial. Apresentam-se, em caráter ilustrativo, a síntese da história de vida de um gestor e a análise de processos de aprendizagem identificados em seus relatos. Evidenciam-se também os procedimentos adotados para a sistematização das análises dos processos de aprendizagem de um grupo de gestores pesquisados, utilizando essa abordagem de pesquisa. O estudo sugere que o uso do método de história de vida, na investigação de processos de aprendizagem gerencial, além de possibilitar o aprofundamento do tema, pode contribuir para o resgate da valorização humana, desvendando entendimentos de fenômenos coletivos a partir de relatos de vivências e experiências pessoais. A sistematização de conhecimentos sobre esse método de pesquisa, escassos em termos de literatura aplicada à área da Administração, e a exploração de possibilidades de aplicação nesse campo teórico podem contribuir para a realização de futuros estudos, envolvendo outras temáticas. Uma das limitações associadas ao uso do método é o tempo que requer a realização de uma série de entrevistas com cada profissional (ATKINSON, 2002). Isso dificulta também a concordância em participar da pesquisa, sobretudo no caso de gestores que, normalmente, possuem poucos horários disponíveis em razão do acúmulo de responsabilidades que assumem nas organizações.
2011
Closs,Lisiane Quadrado Antonello,Claudia Simone
Modos de enfrentamento da morte violenta: a atuação dos servidores do departamento de criminalística do Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul
No intuito de compreender os modos de enfrentamento de um fazer diário que envolve o convívio profissional com a morte violenta é que realizei uma pesquisa de cunho etnográfico, de 2007 a 2010, no Departamento de Criminalística (DC) do Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul. Entrevistas, observação simples e participante correspondem às técnicas escolhidas para a obtenção dos dados, e a análise dos achados de campo seguiu os ditames dos estudos etnográficos ao atentar para as interlocuções entre a visão êmica, a visão ética e os teóricos referenciados. A sustentação teórica sobre a morte encontra respaldo nos estudos de DaMatta (1987), Ariès (2000), Elias (2001) e Bauman (2008). Elias (2001) afirma que a morte na contemporaneidade foi recalcada sob dois âmbitos: o individual e o social. O recalque individual impõe uma distância dos moribundos, enquanto o recalque social se dá com a morte ocupando os bastidores da vida social. No caso dos servidores do DC, o enfrentamento da consciência da morte e da violência se dá pela ênfase no "outro mundo", das almas; pela desconstrução, ao descobrir as causas da morte violenta por meio da busca pela verdade, mediante a utilização do método e das técnicas científicas; pela banalização, em que o corpo da vítima é visto como um "objeto" ou um "boneco"; por meio do riso, do humor negro; o enfrentamento de uma morte violenta no âmbito pessoal mediante o exercício profissional que desafie o indivíduo a ficar frente a frente com essa realidade. Os trabalhos de Marta et al. (2009), Combinato e Queiroz (2006) e Brêtas, Oliveira e Yamaguti (2006) mostram que os sujeitos por eles pesquisados não foram treinados para lidar com a morte no âmbito do trabalho, situação idêntica foi detectada junto aos servidores do DC, sendo a proposição educacional de Kovács (2005) aplicável ao caso em questão. A contribuição desta pesquisa para os estudos organizacionais consiste em chamar a atenção para uma temática pouco abordada na área, bem como enfatizar a relevância de as organizações encontrarem mecanismos de auxílio àqueles que têm por profissão o convívio com a morte violenta.
2011
Cavedon,Neusa Rolita
Flexibility and uncertainty in agribusiness projects: investing in a cogeneration plant
Energy generation from biomass has become a source of increasing interest due to growing environmental concerns and the depletion of the world's fossil fuel reserves. In this paper we analyze a sugar and ethanol producing plant in Brazil which has both the option to expand and to add a cogeneration unit to allow the sale of surplus energy, generated by burning sugar cane bagasse, where the existence of the second option is conditional to the exercise of the first option. We model sugar, ethanol, and electricity prices as geometric mean reverting processes and apply the real options approach to determine the value of these managerial flexibilities, considering that these options have three distinct underlying assets. The option to expand production is a function of the expected future prices of sugar and ethanol, while, on the other hand, the decision to invest in the cogeneration plant will depend on the future prices of energy. Both decisions are modeled as American Compound Options over their respective underlying assets. The model is then solved using the non-censored binomial mean reverting lattice proposed by Bastian-Pinto, Brandão, and Hahn (2010) using the software DPL TM. The results indicate that a significant value can be derived from the flexibility to choose the optimal timing of investment in both options: the investment in the cogeneration unit adds an amount equivalent to the value of the expanding sugar and ethanol production, and represents up to 44% of the project's static NPV of R$ 195.9 million. We conclude that given that only half of the sugar cane crushing mills currently have cogeneration units installed and given the increasing demand for clean and renewable sources of energy, this may indicate there is a significant potential for investment and further development of bioelectricity cogeneration power plants, and even in the retrofit of older cogeneration units, and that government incentives have been effective in contributing to this development.
2011
Dias,Augusto Cesar Arenaro e Mello Bastian-Pinto,Carlos de Lamare Brandão,Luiz Eduardo Teixeira Gomes,Leonardo Lima
O efeito da regulação trabalhista e tributária nos investimentos no Brasil
O objetivo deste estudo é avaliar o efeito da regulação trabalhista e tributária no investimento interno (formação bruta de capital fixo) e externo (fluxo de entrada de investimento estrangeiro direto). Assim, buscou-se fornecer evidências empíricas dos efeitos da legislação trabalhista e tributária sobre os investimentos e as estratégias de negócios no Brasil. Estudos nesse campo se justificam pelo fato de a regulação ter impacto substancial na atividade econômica dos agentes, porque, apesar de razões econômicas, sociais e políticas serem usadas para justificar a regulação, raramente alguma evidência empírica é utilizada como base ou justificativa para regulação (ALMEIDA; CARNEIRO, 2005). O foco no Brasil é relevante por ser um dos países mais regulados do mundo no âmbito trabalhista e tributário, apresentando baixo enforcement (BOTERO et al., 2004), já que a rigidez dessas legislações pode ser um fator interferente no baixo desempenho e investimentos das empresas e no crescimento econômico do país. Para investigar o efeito da regulação trabalhista e tributária no investimento interno e externo, foram aplicados testes por meio do método de Regressão Quantílica (RQ). Para efeito de análise comparativa, os testes foram rodados também pelo método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). O estudo é cross-country baseado em dados em pooled cross-section de 180 países, coletados no período de 2003 a 2006 para regulação trabalhista e no período de 2005 a 2006 para regulação tributária. Os dados relativos às variáveis de investimentos interno e externo (variáveis dependentes), bem como do PIB, população total e taxa de juros (variáveis de controle), são provenientes do World Development Indicators atualizado no ano de 2008. Os resultados encontrados sugerem que quanto maior a rigidez da regulação do trabalho, menor o nível de investimento em termos de formação bruta de capital fixo e investimento estrangeiro direto no Brasil. Quanto ao efeito da regulação tributária sobre os investimentos, os resultados demonstram que há significância estatística e que uma redução da carga tributária, medida pela tributação sobre o lucro empresarial, pode elevar os níveis de investimentos.
2011
Ferretti,Renata Cardoso Funchal,Bruno
Disclosure de estratégia em relatórios anuais: uma análise de dimensões culturais, de sistema legal e de governança corporativa em empresas de quatro países
Este estudo teve como objetivo oferecer explicações para as diferenças observadas no nível de disclosure de aspectos relativos à estratégia verificado nos relatórios anuais de uma amostra de firmas dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França e do Brasil. Três elementos teóricos centrais foram articulados para explicar as variações no nível de disclosure de estratégia na amostra: dimensões culturais, sistema legal e governança corporativa. Uma matriz de previsão foi construída com base na teoria, e abordou-se o disclosure da estratégia em cada relatório por meio da técnica de análise de conteúdo temático. A amostra foi formada por 73 relatórios anuais de empresas de quatro países no ano de 2006. As hipóteses foram testadas por análise de regressão linear e testes não paramétricos de igualdades de média. Os resultados suportam parcialmente a hipótese desenvolvida, de que existe influência significativa das variáveis culturais, do sistema legal e de governança corporativa de cada país nos níveis de disclosure de estratégia observados nos relatórios anuais. As diferenças mais significativas estão relacionadas com o sistema legal de cada país. As empresas da amostra pertencentes aos Estados Unidos e ao Reino Unido, caracterizados pelo uso do direito consuetudinário (Common Law), apresentaram maiores níveis de disclosure de estratégia que as empresas pertencentes à França e ao Brasil, países que adotam o direito romano (Civil Law). Este estudo contribui para a pesquisa na área de disclosure de estratégia ao oferecer evidências empíricas de que o sistema legal tem poder de influir na quantidade de informações estratégicas reveladas pelas empresas de capital aberto. No entanto, o processo de análise de conteúdo manual é um limitador do tamanho da amostra utilizada.
2011
Pagliarussi,Marcelo Sanches Liberato,Giuliana Bronzoni
Confiança e possibilidade de conflitos em redes estratégicas hierárquicas
Tem sido cada vez mais comum para as organizações a participação em redes estratégicas como um meio de obter as vantagens associadas com esse tipo de arranjo. Entretanto, outra dimensão dessa forma de arranjo tem emergido, isto é, a ocorrência de conflitos em função da proximidade no relacionamento em tais redes. Mas a confiança surge como uma possível forma de atenuar esses conflitos. Assim, o objetivo desta pesquisa é verificar, de acordo com a avaliação dos proprietários de lojas de shopping centers, quais são as dimensões mais significativas da confiança para reduzir a possibilidade de conflitos com a gestão de uma rede estratégica. No referencial teórico, são apresentados os conceitos de redes estratégicas, confiança e conflito, bem como a relação entre eles. Em relação à confiança, são discutidas suas três dimensões: 1. confiança na capacidade, 2. na benevolência e 3. na integridade. Foi realizado um survey com 79 proprietários de lojas, todos inseridos em redes estratégicas. Esse survey serviu para medir a percepção de confiança e da possibilidade de conflito. A análise dos dados ocorreu por meio da análise fatorial exploratória, para validar os construtos e suas dimensões, bem como por meio de uma análise de regressão múltipla para testar as hipóteses propostas. Somente a confiança na benevolência foi estatisticamente significativa no teste das hipóteses. Três considerações merecem ser destacadas. A primeira se refere à validação do modelo com três dimensões proposto por Mayer, Davis e Schoorman (1995). A segunda foi a hipótese corroborada de que a confiança na benevolência contribui para a atenuar a possibilidade de conflitos. Assim, a crença dos lojistas de que a gestão da rede está interessada no seu bem-estar diminui a possibilidade de conflitos. A terceira indica que outras variáveis não incluídas no modelo são importantes para mitigação de conflitos, uma vez que o poder de explicação do modelo testado foi de aproximadamente 15%. Esses achados são importantes para o entendimento das redes, porque destacam a complexidade do conceito de confiança e a importância da solução de conflitos. Entre as limitações centrais para esta pesquisa, estão o tamanho da amostra e a impossibilidade de generalização.
2011
Maciel,Cristiano Oliveira Reinert,Maurício Camargo,Camila
Políticas de gestão de pessoas no novo milênio: cenário dos estudos publicados nos periódicos da área de Administração entre 2000 e 2010
Os principais autores da área de gestão de pessoas (GP), como Guest (1987), Legge (2006), Armstrong (2009), Bohlander e Snell (2009) e Wilkinson et al. (2010), concordam que as pessoas assumiram papel estratégico e relevante nas organizações. Destarte, a GP não deve ter papel tradicional de suporte, mas, sim, constituir competência essencial organizacional, uma vez que os recursos humanos são responsáveis pela produção de conhecimento, constituindo uma fonte de vantagem competitiva, devendo ser valorizados e desenvolvidos por meio de políticas de GP. Assim, o objetivo precípuo deste trabalho foi apresentar o cenário dos estudos sobre políticas de gestão de pessoas, mostrando os resultados de uma revisão bibliográfica que abrange uma síntese do estado da arte e o cenário dos 108 estudos produzidos nacionalmente nos periódicos científicos de nível superior (maior/igual a Qualis B2) da área de Administração nos últimos dez anos, ou seja, no período compreendido entre 2000 e 2010. Tal revisão permitiu o delineamento de uma agenda de pesquisa. Os resultados engendrados de fato apontaram a relevância estratégica para as organizações dos estudos sobre políticas de gestão de pessoas; não obstante, destacou-se a premência de realizar mais estudos sobre o tema, uma vez que algumas políticas, embora estratégicas, ainda são bem pouco investigadas. Há lacunas na literatura também no que tange ao desenvolvimento e à validação de instrumentos e à realização de ensaios teóricos. Em síntese, sugere-se relacionar as políticas e práticas de GP a outras variáveis do comportamento organizacional e combinar diferentes perspectivas metodológicas para analisar com maior propriedade seus efeitos no bem-estar dos colaboradores e nos resultados organizacionais.
2011
Demo,Gisela Fogaça,Natasha Nunes,Iara Edrei,Laylla Francischeto,Leela
Apropriação dos saberes administrativos: um olhar alternativo sobre o desenvolvimento da área
O presente trabalho tem como objetivo colocar em relevo uma visão alternativa no que se refere ao estabelecimento dos saberes gerenciais. Busca-se ressaltar a importância dos praticantes para que os saberes administrativos circulassem e, mesmo, chegassem a existir, em um contexto no qual não havia estabelecimentos de ensino superior em Administração. Assim, a transmissão desses conhecimentos e a legitimação desses saberes ainda não haviam se integrado às normas de produção de ciência, mas já se estabeleciam por outras vias que não aquelas legitimadas institucionalmente. Em um primeiro momento, considera-se a importância dos estudos que coloquem a Administração sob perspectiva histórica, a fim de discutir seu presente com mais apuro. Esse é um movimento que vem ganhando força, em especial internacionalmente, e que, de modo recente, passou a influenciar alguns autores brasileiros (COSTA; BARROS; MARTINS, 2010). Em sequência, apresenta-se a perspectiva foucaultiana que subsidiou a reflexão desenvolvida, especialmente a partir das proposições de Foucault (2008, 2009) sobre a formação dos discursos e do estabelecimento dos saberes. Acredita-se que a reflexão acerca do estabelecimento de um regime de produção de verdade similar ao da ciência é elemento crucial para compreender o esquecimento do saber do praticante quando se discorre sobre o desenvolvimento do saber administrativo. Buscou-se, também, trazer elementos que permitissem discutir a formação do campo do saber administrativo e, especialmente, seu desenvolvimento no Brasil. O trabalho chega à conclusão de que, embora sejam, em geral, marginalizados, os saberes práticos foram importantes na formação do campo do saber administrativo, especialmente no período que precede seu estabelecimento no interior do regime de produção de verdades científicas.
2011
Barros,Amon Narciso de Cruz,Rafaela Costa Xavier,Wescley Silva Carrieri,Alexandre de Pádua Lima,Gusttavo Cesar Oliveira
Financial risk exposures and risk management: evidence from european nonfinancial firms
Previous empirical studies concerning corporate risk management have attempted to show that the use of derivatives as a hedging mechanism can be value enhancing. Implicit to these tests has been the assumption that firms use derivatives solely for the purpose of hedging. There is substantial literature concerning nonfinancial firms that suggest that changes in financial prices affect firms' value. Furthermore, it is a common belief that financial price exposures are created via firms' real operations and are reduced through the implementation of financial hedging strategies. We use monthly returns of 304 European firms traded in Euronext over the period from 2006-2008 to analyse whether risk management practices are associated with lower levels of risk. We pursue Jorion (1990) and Allayannis and Ofek (2001) two stages framework to investigate, firstly, the relationship between firm value and financial risk exposures; subsequently, the risk behaviour inherent to firms' real operations and to the use of derivatives and other risk management instruments. So, we argue that hedging policies affect the firm's financial risk exposures; however, we do not discard the fact that the magnitude of a firm's exposure to risks affects hedging activities. The interaction between financial price exposures and hedging activities is tested by using the Seemingly Unrelated Regression (SUR) procedure. Our major findings are as follows: Firstly, we find evidence that the sample firms exhibit higher percentages of exposure to the three categories of risks analysed when compared to previous empirical studies. Secondly, we find that hedging is significantly associated with financial price exposure. Our results are also consistent with the idea that financial risk exposure and hedging activities are endogenously related, but only in what respects the exchange risk and commodity risk exposure.
2011
Jorge,Maria João da Silva Augusto,Mário António Gomes
Motivações determinantes para a recompra de ações: um estudo empírico no mercado de ações brasileiro no período de 1995 a 2008
O objetivo deste trabalho foi verificar as motivações determinantes para a recompra de ações no mercado de ações brasileiro, no período de 1995 a 2008. As variáveis explicativas, utilizadas nos testes estatísticos, foram fundamentadas em estudos anteriores (DURAND, 1952; JENSEN; MECKLING, 1976; SPENCE, 1973). Esta é uma pesquisa positivista, realizada por meio da coleta de dados da Economática. Os testes empíricos foram efetuados por meio de regressão múltipla de dados em Pooled, com ajuda dos métodos LS (Least Squares) e Tobit. O Pooled e o Tobit foram aplicados para verificar a robustez estatística dos resultados. O estudo foi desenvolvido com base nas teorias de ajuste da estrutura do capital, de agência, de substituição de dividendos e de sinalização. Foram testadas as seguintes motivações: ajuste da estrutura do capital, redução do fluxo de caixa disponível, substituição do pagamento de dividendos e subavaliação do valor da empresa. Os resultados encontrados em relação à recompra de ações indicam que a motivação que se mostrou estatisticamente significante foi a redução do fluxo de caixa disponível. Isso conduz à afirmação de que, com base na teoria de agência, empresas com disponibilidade de caixa podem recomprar ações na intenção de minimizar o conflito existente entre o principal e o agente.
2011
Nascimento,Sandro de Freitas Galdi,Fernando Caio Nossa,Silvania Neris