Repositório RCAAP
Evidences of the sustainable innovation in the cashew agribusiness context in Ceará - Brazil
The state of Ceará is the major Brazilian cashew producer and highlights the social and economical feature of its agribusiness, capable of generating wealth and assisting in people's settlement in the countryside. Despite the support of several organizations which compose the local innovation system, seeking generation, adaptation and diffusion of innovations, the productive chain of cashew agribusiness lacks of innovations. In that context, it is assumed that the "sustainable innovation" would appear from the social-environmental management, stimulating, consequently, the local system. Based on this discussion, this paper contributes on the identification of innovation possibilities through the introduction of the Cleaner Production approach, contemplating on the mobilization of local system of Ceará's cashew agribusiness. The qualitative methodology is based on the documental compilation and in interviews/debates with a group constituted by specialists who work in the sector. The analysis was performed using the Thematic Analysis technique, which belongs to the Analysis of Content techniques group. It was verified that the local system mobilization includes the increasing of interactions among participant agents, facilitating the spread of sustainable innovations from the complete use of cashew, enlarging, consequently, the economical spaces with new business and market opportunities.
2011
Oliveira,Leonel Gois Lima Ipiranga,Ana Sílvia Rocha
O impacto das características pessoais na intenção de compra pela internet e o papel de mediação da familiaridade e da atitude ante a compra pela internet
O presente artigo tem como objetivo analisar, dentro do contexto específico de compras na internet, a relação entre características pessoais e intenções de compra, com o propósito de entender o papel da atitude ante a compra pela internet e da familiaridade do consumidor com compras on-line nessa relação. Uma pesquisa descritiva conclusiva foi elaborada visando compreender o efeito de quatro características pessoais: autoeficácia, inovatividade, necessidade de interação social e necessidade de interação sensorial, na familiaridade, na atitude ante a compra pela internet e na intenção de compra on-line. Com base na literatura, um modelo foi construído e testado, usando análise fatorial confirmatória para avaliar o modelo de medidas e análise de equações estruturais para testar as hipóteses deste trabalho. Ao todo, foram aplicados 233 questionários, e os resultados indicaram que existe uma relação significativa entre as características pessoais estudadas e familiaridade com compras na internet. A necessidade de interação social apresentou impacto direto na familiaridade e na atitude, destacando-se como uma característica-chave no processo de compra on-line. Ainda, como resultado, confirmou-se que a familiaridade medeia as relações entre as características pessoais e a atitude ante a compra na internet. Esta última exerce papel central na formação do comportamento de compra, sendo fortemente influenciada pela familiaridade e influenciando diretamente as intenções de compra. Como implicação teórica deste trabalho, tem-se o exame de questões ainda pouco exploradas no campo de conhecimento do comportamento do consumidor on-line, como o papel das características pessoais e da atitude na intenção de compra on-line. Como implicação gerencial, este trabalho proporciona aos administradores um entendimento maior sobre os fatores que influenciam a compra eletrônica.
2011
Marin Garcia,Gabriel Santos,Cristiane Pizzutti dos
Capital humano, empreendedorismo e desenvolvimento: evidências empíricas nos municípios do Ceará
A contribuição do capital humano para o processo de desenvolvimento econômico das nações já foi objeto de vários estudos desde a década de 1960. Entretanto, a atualização do tema começou na segunda metade dos anos 1990, com a necessidade de analisar o papel do empreendedorismo nesse processo. Este artigo estuda a influência do capital humano e do empreendedorismo no processo de desenvolvimento econômico. Para o estudo, reuniu-se uma base de dados de indicadores sociais, demográficos, econômicos e de infraestrutura de todos os 184 municípios cearenses, a partir de dados secundários fornecidos pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e realizaram-se três técnicas de análise para confirmar as hipóteses formuladas com base na literatura publicada: análise fatorial, análise de regressão e modelo de equações estruturais. Os resultados das análises reforçam a hipótese de que a capacidade empreendedora nesse Estado tem consistido apenas em mais uma alternativa de trabalho e não como uma contribuição para o desenvolvimento e crescimento econômicos. Tendo por objetivo a integração dos construtos do estudo e análise de suas relações, utilizou-se a modelagem de equações estruturais. Os dados obtidos no modelo estão coerentes com os resultados da análise de regressão múltipla realizada, confirmando a existência de relação do capital humano com o desenvolvimento. Apesar das limitações da medida do empreendedorismo pela atividade dos trabalhadores por conta própria, os resultados do estudo confirmam conclusões obtidas em outros trabalhos: o empreendedorismo pode ser diferente, dependendo do estágio de desenvolvimento do país (AGHION; HOWITT, 2005), e o impacto do empreendedorismo sobre as taxas de crescimento econômico é negativo (BARROS; PEREIRA, 2008). Como pesquisa futura, sugere-se a construção de um modelo que contemple outras variáveis explicativas, possibilitando ampliar o conhecimento do papel do empreendedorismo e do capital humano no desenvolvimento. Outra possibilidade seria a extensão da pesquisa fazendo comparações com outros Estados da Federação e/ou entre países, bem como replicar este estudo longitudinalmente em outros anos.
2011
Fontenele,Raimundo Eduardo Silveira Moura,Heber José de Leocadio,Aurio Lucio
Perspectivas sociológicas da estratégia em organizações: uma introdução ao fórum
No summary/description provided
2011
Kirschbaum,Charles Guarido Filho,Edson Ronaldo
Indo além do economizing: o papel das redes sociais na apropriação de valor em relações cooperativas
Este trabalho, de natureza teórica, investiga o papel das redes sociais para a compreensão da apropriação do valor em relações cooperativas. A perspectiva da governança (WILLIAMSON, 1985, 1996) adota um cenário composto por agentes atomizados para explicar a estratégia. Nele, é possível aos indivíduos estabelecer ex ante os benefícios de participação em uma relação cooperativa e, assim, mitigar as possibilidades de comportamento oportunista. O presente artigo demonstra que a caracterização dos mercados feita pela perspectiva da governança é imprecisa. Mais especificamente, argumenta que a existência de ativos específicos dificulta a obtenção da informação necessária para a determinação do valor gerado em um esforço cooperativo. Como consequência, é possível que haja o desalinhamento entre as contribuições relativas e as respectivas recompensas nessas relações. Compreender a forma como os agentes econômicos obtêm essa informação e quais as motivações por trás de sua transferência são os objetivos deste trabalho. Para tanto, a contribuição da nova sociologia econômica (GRANOVETTER, 1985, 2005; UZZI, 1996) é utilizada. As principais conclusões são: 1. o hold up não representa o único risco de comportamento oportunista em uma relação cooperativa; 2. a transferência de informações constitui uma dimensão que ajuda a explicar as motivações dos agentes nessas relações; 3. a participação em redes contribui para a redução dos custos de obtenção da informação relevante; 4. a existência de redes densas explica a transferência gratuita de dados entre os seus membros. O conteúdo desenvolvido nas próximas páginas possibilita uma reflexão acerca da relação entre os indivíduos e o espaço de interação em que realizam intercâmbios. Permite, dessa maneira, um olhar mais realista sobre a arquitetura dos mercados, tema curiosamente pouco estudado pelos economistas. Ademais, fornece ferramentas para a interpretação da existência de padrões heterogêneos de distribuição de valor em relações cooperativas.
2011
Miranda,Bruno Varella Saes,Maria Sylvia Macchione
Agência em estratégia: conectando prática social e codeterminação
Este artigo propõe uma perspectiva mais plural para o estudo da agência em estratégia, por meio do empréstimo do conceito de codeterminação, contribuindo para o reconhecimento e a superação de certas limitações da área. As razões históricas que levaram a área de estratégia a focar o indivíduo são analisadas ao longo do texto, principalmente a partir do predomínio de abordagens específicas que tratam da relação entre indivíduo, organização e ambiente. Os autores argumentam que grande parte da literatura de estratégia privilegia uma representação específica de organização e gerência (isto é, a grande corporação e o capitalismo gerencial controlado por uma "mão visível permitiu gerar, ao longo das últimas décadas, falsas dicotomias (micro/macro, voluntarismo/determinismo) e promoveu uma conflação entre a agência do indivíduo e a agência da organização. De forma a superar essas falsas dicotomias e endereçar o estudo da agência, os autores revisitam o desenvolvimento de algumas perspectivas que procuraram, nas últimas décadas, incorporar os debates produzidos na área de estudos organizacionais, principalmente na Europa. O artigo dá destaque às discussões acerca da perspectiva da estratégia como prática social (strategy as practice - S-as-P), principalmente aquelas vinculadas à teoria da estruturação, por causa de sua ampla utilização. Seguindo o movimento europeu, também é crescente no Brasil o interesse por S-as-P e pelos conceitos de strategizing, organizing e micropráticas; isso faz com que o conceito de agência continue insuficientemente explorado apesar dos importantes avanços alcançados. Os autores deste artigo propõem uma perspectiva - baseada no conceito de codeterminação - na qual a agência se constitui ao longo de processos de interação horizontal e vertical, envolvendo mecanismos e atores que residem nos níveis microindividual, meso--organizacional e macroestrutural. O potencial do conceito de codeterminação é reconhecido para que se realize, em S-as-P, uma "análise estratificada" da agência e discutam-se elementos que permitam revelar as "camadas" de influências. Por fim, os autores traçam considerações acerca da viabilidade de perspectivas alternativas para o estudo da agência em S-as-P e de sua importância para contrabalançar a literatura dominante e elevar a relevância dos estudos no Brasil.
2011
Sauerbronn,Fernanda Filgueiras Faria,Alexandre de Almeida
Estratégia como prática social: o estrategizar em uma rede interorganizacional
O objetivo deste trabalho é identificar e analisar como ocorre o processo de estrategizar em uma rede interorganizacional de pequenas e médias empresas. Assumimos como referência teórica a perspectiva da estratégia como prática social. Essa abordagem parte da ideia de que as estratégias são (re)constituídas no cotidiano organizacional por meio das interações entre os atores que negociam seus variados e contraditórios interesses. Tal abordagem acompanha o movimento que vem ocorrendo na teoria social, a qual passou a dar maior enfoque às práticas sociais. A pesquisa se desdobra com base em um estudo de caso qualitativo desenvolvido em uma rede interorganizacional do interior de Minas Gerais. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas em profundidade, observação não participante e análise documental. Com base nas informações encontradas no campo, verificamos a existência de quatro grandes práticas estratégicas na rede pesquisada (negociando e comprando; precificando produtos; definindo a marca e projetando franquias; criando o cartão de crédito). Tais estratégias foram identificadas como "individuais" ou "coletivas". Observamos que estratégias "individuais" e estratégias "coletivas" se influenciam mutuamente, sendo tênue a linha divisória que as separa, uma vez que se confundem no processo de estrategizar, na medida em que os interesses são negociados. Concluímos que as práticas estratégias desenvolvidas na rede, a partir das relações entre os atores, são marcadas por constantes tensões e contradições entre os diferentes interesses que subsistem no arranjo interorganizacional. Além do mais, as estratégias não seguem uma lógica coerente por meio de ações deliberadas em prol de um objetivo claramente definido.
2011
Tureta,César Lima,Juvêncio Braga de
Compreendendo relações entre a dinâmica evolutiva do campo da carcinicultura do Rio Grande do Norte e as estratégias adotadas por seus atores
Este estudo teve como objetivo compreender as relações existentes entre a dinâmica de formação/estruturação de um campo organizacional e as estratégias adotadas por seus atores. Para tanto, realizou-se uma pesquisa longitudinal no campo da carcinicultura - agronegócio do camarão - do Rio Grande do Norte (RN). Para operacionalizar a pesquisa, efetuou-se a coleta de informações múltiplas e plurais, com a adoção de diferentes instrumentos de pesquisa, com destaque para a observação direta, para as entrevistas semiestruturadas, procedidas com diferentes atores do campo (empresas, cooperativas, associações de classe, universidades e governo) e, ainda, para um amplo acervo de dados secundários. Com base na análise de dados, realizada de acordo com os direcionamentos de Bardin (2004), observou-se que, conforme se pressupunha, campo e estratégias têm se relacionado de modo recursivo, o que reafirma a inoperância de relações causais que considerem apenas a influência de um desses elementos sobre o outro. No que tange mais especificamente à formação/estruturação do campo, percebeu-se que, em nenhum momento dos trinta e cinco anos abrangidos pela pesquisa - desde a gênese do campo, em 1973, até 2008 -, a carcinicultura do RN obteve o nível mais elevado de institucionalização. E, não obstante, que, atualmente, em função de fatores políticos, culturais, econômicos e, sobretudo, da trajetória particular do próprio campo - da qual as estratégias mostraram ser parte fundamental -, a carcinicultura do RN evidencia um baixo nível de institucionalização. Esse fato tem uma íntima relação com as estratégias identificadas, posto que, tendo sido edificado, historicamente, sobre o tripé desconfiança-oportunismo-rivalidade, o campo acabou se tornando um palco propício para a adoção de estratégias tardias e desprovidas de um comprometimento coletivo, bastante frágeis no sentido de alavancar o desenvolvimento contínuo da atividade carcinicultora. Um fato que, somado a tantas outras evidências, sinaliza que a carcinicultura do RN constitui-se em mais um caso no qual a ação não é tão racional quanto promete e que revigora o valor de abordagens contextualizadas que apreendam as relações sociais nas quais as organizações estão imersas.
2011
Fernandes,José Augusto Lacerda Lopes,Fernando Dias Viana,Fernando Luiz Emerenciano
Empreendedorismo institucional: uma análise de caso no setor de energia elétrica brasileiro
Este artigo busca contribuir para o entendimento do papel, das características e estratégias de indivíduos denominados na literatura acadêmica como empreendedores institucionais. Apesar do crescimento recente de pesquisas acerca do tema, os trabalhos sobre o nível do indivíduo são escassos. Para a consecução dos objetivos propostos, buscamos estudos que descrevessem a atuação de indivíduos como empreendedores institucionais. Revisamos cinco artigos publicados, no período de 2006 a 2009, em revistas internacionais de alto impacto. Identificamos as características atribuídas aos empreendedores individuais nesses trabalhos, principalmente aquelas relacionadas às ações desses atores, em que etapa da mudança institucional atuaram e quais atributos lhes foram imputados. Confrontamos os resultados encontrados na revisão de literatura com o papel desempenhado por três empresários que criaram uma empresa privada pioneira no campo da comercialização de energia elétrica no Brasil, contribuindo para as transformações em curso no setor desde a década de 1990. Descrevemos o contexto institucional em que atuaram, suas trajetórias pessoais e a atuação no campo. Como metodologia de pesquisa, adotamos o método de estudo de caso de caráter qualitativo-descritivo. A fase de coleta de dados contou com múltiplas fontes de evidência, valendo-se principalmente de entrevistas em profundidade. Encontramos resultados predominantemente convergentes entre a literatura pesquisada e o caso analisado. Como contribuição, nosso estudo sugere que a atuação de agentes que promovem mudanças pode ser dividida em duas categorias principais quanto à sua extensão. Além disso, a análise do caso conduzido aponta para certo consenso sobre aspectos relacionados à atuação de indivíduos considerados na literatura acadêmica como empreendedores institucionais.
2011
Avrichir,Ilan Chueke,Gabriel Vouga
Política na terra do "jeitinho": consequências dos comportamentos políticos em organizações no Brasil
Os comportamentos políticos nas organizações representam um domínio singular das relações interpessoais no ambiente de trabalho, sendo considerado um fenômeno complexo, persuasivo e por vezes ambíguo. As organizações são instituições intrinsecamente políticas, já que são conjuntos de pessoas com interesses diversos e potencialmente conflituosos, imperando relações entre tais interesses, conflitos e, como sistemas de atividade política, a influência e o poder. De modo geral, a percepção de política na empresa parece ter um efeito negativo e, assim, desmotivador sobre as pessoas. Esta pesquisa tem como objetivo explorar a influência das percepções sobre o comportamento político na satisfação, no desempenho, nos comportamentos negligentes e nas intenções de saída de funcionários em um contexto cultural pouco explorado pelas pesquisas sobre comportamentos políticos: as organizações brasileiras. Para testar empiricamente a validade do modelo de pesquisa, foi realizado um survey e analisaram-se as percepções de 157 funcionários de três organizações brasileiras, a partir de regressões lineares. Os resultados sugerem que, no Brasil, a política influencia negativamente a satisfação e o desempenho individual e positivamente as intenções de saída e os comportamentos negligentes. Ou seja, quanto maior for a percepção de política no ambiente de trabalho, menor a satisfação e o desempenho individual dos funcionários, maior o seu engajamento em comportamentos negligentes no trabalho e maior a sua intenção de abandono da organização. Algumas limitações são apresentadas, além das contribuições práticas e teóricas do estudo para a administração. Numa perspectiva prática, a presente pesquisa evidencia os efeitos negativos do comportamento político, objetivando estimular a gerência, líderes e tomadores de decisão para responder a tais efeitos. Numa perspectiva teórica, as contribuições giram em torno do envolvimento do fator cultural para explicação da ação política. Finalmente, de acordo com os resultados encontrados, a política aparentemente tem importantes impactos nos resultados do trabalho, mesmo na terra do jeitinho.
2011
Mansur,Juliana Arcoverde Sobral,Filipe João Bera de Azevedo
A vida na fazenda: sentidos subjetivos do servidor fazendário ante a participação no trabalho
O problema de pesquisa deste estudo tem origem em inquietações dos autores, ao longo de mais de vinte anos de serviço público, sobre a diversidade e a complexidade da participação no trabalho, nem sempre explicável objetivamente: que sentidos subjetivos perpassam o servidor público fazendário no que tange à participação no trabalho? Este artigo visa compreender os sentidos subjetivos do servidor fazendário ante a participação no trabalho. O referencial teórico é a teoria da subjetividade na perspectiva histórico-cultural de González Rey (2003, 2005), que propõe uma concepção de subjetividade baseada numa compreensão histórico-cultural do homem, rompendo com a dicotomia entre o social e o individual. A essa perspectiva da subjetividade são associados estudos de autores (inter)nacionais sobre a participação no trabalho, como O'Donoghue, Stanton e Bartram (2011), Zani e Spinelli (2010), Neves e Castro (2010), Palgi (2006), Cox, Zagelmeyer e Marchington (2006), Demo (1988), Coutinho (2006) e Leal Filho (2009). Adota-se um conceito de participação associado às formas e aos meios pelos quais os trabalhadores e dirigentes de uma organização influenciam seus destinos (MOTTA, 1999). Trata-se de um estudo de natureza qualitativa baseada na epistemologia qualitativa (GONZÁLEZ REY, 2005). As interpretações fundamentam-se na acepção de sentido subjetivo (GONZÁLEZ REY, 2003, 2005). Os sujeitos pesquisados são sete auditores fiscais da Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo (Sefaz). O levantamento dos dados deu-se em quatro momentos empíricos, entre julho de 2009 e fevereiro de 2010. As interpretações evidenciam sentidos subjetivos relevantes em cada um dos sujeitos ante a participação no trabalho, associados, entre outros: à visão ideológica, ao núcleo familiar, à autoestima, ao novo e à mudança, à formalidade e à família. Os resultados possibilitam também identificar elementos marcantes da subjetividade social prevalente na instituição, destacando-se: cultura baseada no controle, mistura entre relações de amizade e profissionais, e carência de espaços de participação. Por fim, sugerem-se medidas no sentido de aprimorar a relação servidor-instituição e a participação do servidor no trabalho, e são abordadas lacunas, limitações do estudo e questões para pesquisas futuras.
2011
Silveira,Rogério Zanon da Palassi,Márcia Prezotti
Suporte à aprendizagem informal no trabalho: uma proposta de articulação conceitual
Quando se analisou o estado da arte em comportamento organizacional, verificou-se a falta de distinção entre os tipos de ação esperados nas distintas etapas do ato de apoiar a ocorrência da aprendizagem, além da necessidade de uma proposição teórica sistemática sobre o suporte à aprendizagem informal em suas diferentes fases. O presente artigo objetiva propor um modelo teórico baseado no ordenamento das etapas de suporte psicossocial à aprendizagem informal, segundo as características e as qualidades das distintas etapas do conceito de aprendizagem informal do trabalho. Com ênfase teórica para a aprendizagem social, a teoria cognitiva social e a hierarquia das formas de aprender, este trabalho enfatiza a importância do suporte psicossocial, com base na teoria da reciprocidade nas relações sociais. Com base em extensa revisão de literatura, propõe-se uma classificação do conceito de suporte, considerando as fases distintas pelas quais o conceito de aprendizagem ocorre, desde a aquisição pelo indivíduo até sua aplicação no trabalho. O suporte à aprendizagem é discutido considerando as etapas processuais de aquisição, retenção, manutenção, generalização e transferência de conhecimentos, habilidades e competências que devem ser expressos nas rotinas de trabalho, ou seja, expressos em desempenho tangível e observável. Assim, torna-se relevante investigar, com base nas etapas do conceito de aprendizagem, qual o tipo específico de ação de suporte que melhor aumentará as possibilidades de ocorrência da ação de aprendizagem e sua transferência para o trabalho. Na literatura, há maior ênfase no estudo da aprendizagem formal, por meio dos programas de treinamento, desenvolvimento e educação. Pouca ênfase é dada ao estudo da aprendizagem informal. A principal limitação deste trabalho é o fato de a classificação do conceito de suporte à aprendizagem proposta ainda não ter sido testada empiricamente, embora a literatura aponte-a como principal variável explicativa de impacto do treinamento no trabalho. Como contribuição, espera-se que a proposta teórica de classificação do conceito de suporte à aprendizagem seja o primeiro passo na sistematização desse conceito. Como agenda de pesquisa, sugere-se a testagem empírica da classificação proposta por meio da elaboração e validação psicométrica de instrumento(s) de pesquisa voltado(s) à operacionalização e investigação de cada uma das etapas propostas.
2011
Coelho Junior,Francisco Antonio Mourão,Luciana
Aprendizagem situada, participação e legitimidade nas práticas de trabalho
O presente estudo tem por objetivo identificar e analisar o processo de aprendizagem situada a partir da participação e legitimidade nas práticas dos grupos de trabalho da Dublin Irish Pub. O arcabouço teórico envolve a aprendizagem situada, aprofundada junto com o estudo da participação periférica legitimada e diferentes níveis de participação nas práticas de trabalho dos grupos de trabalho. Com base no método qualitativo básico, a coleta de dados ocorreu por observação direta, diário de campo, entrevistas em profundidade. O período de observação de seis meses totalizou 32 idas a campo e oito entrevistas realizadas na empresa estudada. Assim, por meio da análise interpretativista, as informações da pesquisa permitem elucidar de que maneira a participação e legitimidade nas práticas de trabalho podem auxiliar na aprendizagem. Entre os resultados encontrados no estudo, destacam-se as formas de aprendizagem situada que surgiram em três grupos: garçons, barmen e cozinha. Descrevendo de forma analítica o engajamento e participação dos aprendizes nas práticas de trabalho e nas comunidades de prática, argumenta-se, com base neste trabalho, que esse processo de atuação nas comunidades de prática passa pela fase inicial de participação periférica legitimada, já que, a partir do engajamento e da atuação com os mais experientes, desenvolve-se a aprendizagem. Além disso, os ganhos de legitimidade e pertencimento são elementos relevantes no processo de aprendizagem, e pode-se identificar que o processo de aprendizagem situada não ocorre somente em comunidades de prática e que o pertencimento e a participação periférica legitimada são características a serem fomentadas nas organizações. A partir da negociação e renegociação de significados, pelo estabelecimento de relacionamentos sociais e comunidades de prática, cria-se um sistema por meio do qual os modos de ver, interpretar, compreender e praticar se constituem e são compartilhados.
2012
Gudolle,Lucas Socoloski Antonello,Claudia Simone Flach,Leonardo
Ensino-aprendizagem numa perspectiva crítica: relatos de uma experiência
Com este artigo, temos por objetivo apresentar uma reflexão coletiva sobre uma experiência de ensino-aprendizagem, partindo de uma perspectiva crítica, para um curso de pós-graduação stricto sensu em Administração. O interesse não é, entretanto, apenas relatar uma experiência, mas também tentar aprender com esse processo, contribuindo, inclusive, para novas edições da disciplina. Com base no método da pesquisa-ação, neste artigo, revelamos ainda os percalços cotidianos no processo de ensino-aprendizagem da disciplina intitulada "Reflexões Críticas em Administração", a partir das visões e experiências de cinco professoras do curso de Administração. A utilização do termo "críticas" era, a nosso ver, a alternativa mais efetiva naquele momento para abarcar a diversidade de posições, experiências e ancoragens teórico-metológicas que caracterizavam a própria identidade do grupo de professoras. Como aporte teórico, enfatizamos elementos que são comuns em várias correntes de debate sobre perspectivas críticas, tais como a complexidade dos fenômenos sociais, a questão da autonomia e a importância da criatividade. Tratamos, portanto, de pensar uma perspectiva crítica não apenas a partir de conteúdos, mas também da forma como seriam construídos e socializados. Isso estaria condizente com a proposta da epistemologia da complexidade. Na disciplina, trabalhamos com estudantes de mestrado e doutorado por meio de incursões teórico-metodológicas em temas específicos. Ao final, foram produzidos trabalhos com diferentes características, abordando os temas debatidos a partir da ótica de cada grupo de estudantes-autores. Entretanto, a riqueza do processo e seus obstáculos não podem ser avaliados apenas com base nos resultados ou trabalhos produzidos. A utilização de avaliações periódicas produzidas por estudantes e professoras ajudou a construir a configuração das relações sociais - inclusive dos processos de ensino-aprendizagem - que envolviam esses atores.
2012
Mafra,Flávia Luciana Naves Cappelle,Mônica Carvalho Alves Mendonça,Maria Cristina Angélico Oliveira,Maria de Lourdes Souza Paula,Maria das Graças
Redes neurais artificiais na previsão da inflação: aplicação como ferramenta de apoio à análise de decisões financeiras em organizações de pequeno porte
As estimações das taxas de inflação são de fundamental importância para os gestores, pois as decisões de investimento estão intimamente ligadas a elas. Contudo, o comportamento inflacionário tende a ser não linear e até mesmo caótico, tornando difícil a sua correta estimação. Essa característica do fenômeno pode tornar imprecisos os modelos mais simples de previsão, acessíveis às pequenas organizações, uma vez que muitos deles necessitam de grandes manipulações de dados e/ou softwares especializados. O presente artigo tem por objetivo avaliar, por meio de análise formal estatística, a eficácia das redes neurais artificiais (RNA) na previsão da inflação, dentro da realidade de organizações de pequeno porte. As RNA são ferramentas adequadas para mensurar os fenômenos inflacionários, por se tratar de aproximações de funções polinomiais, capazes de lidar com fenômenos não lineares. Para esse processo, foram selecionados três modelos básicos de redes neurais artificiais Multi Layer Perceptron, passíveis de implementação a partir de planilhas eletrônicas de código aberto. Os três modelos foram testados a partir de um conjunto de variáveis independentes sugeridas por Bresser-Pereira e Nakano (1984), com defasagem de um, seis e doze meses. Para tal, foram utilizados testes de Wilcoxon, coeficiente de determinação R² e o percentual de erro médio dos modelos. O conjunto de dados foi dividido em dois, sendo um grupo usado para treinamento das redes neurais artificiais, enquanto outro grupo era utilizado para verificar a capacidade de predição dos modelos e sua capacidade de generalização. Com isso, o trabalho concluiu que determinados modelos de redes neurais artificiais têm uma razoável capacidade de predição da inflação no curto prazo e se constituem em uma alternativa razoável para esse tipo de mensuração.
2012
Terra,Leonardo Augusto Amaral Passador,João Luiz
O efeito da diversificação no valor das empresas listadas em bolsa no Brasil
Neste trabalho, verificam-se evidências de que a diversificação e o valor das empresas são negativamente relacionados. O trabalho segue a metodologia utilizada por Lang e Stulz (1994) e tem como objetivo determinar se o valor de mercado das firmas brasileiras é correlacionado com seu grau de diversificação de seus negócios ou de sua carteira de negócios. Os resultados indicam que a relação negativa é observada para diferentes métricas de diversificação e se mantém mesmo quando se controla o efeito de outras variáveis conhecidas por influenciar o valor das empresas, a saber: investimentos, endividamento, rentabilidade e tamanho da empresa. Além disso, assim como empresas especializadas, as empresas pouco e altamente diversificadas também possuem um valor elevado, medido pelo Q de Tobin. Por fim, dois resultados novos trazidos por este trabalho são o indício de que a diversificação em segmentos mais relacionados apresenta um efeito menos negativo do que a diversificação em segmentos distintos e o fato de a correlação da diversificação com o valor da empresa ser positiva em tempos de crise econômica. A implicação desse resultado é que as empresas que não têm um posicionamento claro em relação à decisão de diversificação tendem a ter um desempenho pior que as demais e que, em momento de crise, as empresas mais diversificadas possuem um fluxo de rendimentos de menor risco. A limitação do trabalho é o fato de que a análise pode ter sido prejudicada porque a maioria das empresas brasileiras atua em segmentos extremamente relacionados. Isso pôde ser observado pela altíssima média do índice Herfindahl, ainda que ajustado para considerar apenas segmentos não correlacionados.
2012
Carvalho,Thomaz Freire de Maia,Marcelo Verdini Barbedo,Claudio Henrique da Silveira
Coassimetria, cocurtose e as taxas de retorno das ações: uma análise com dados em painel
Modelos de apreçamento de ativos têm sido um tema sob constante investigação em finanças. Desde o capital asset pricing model (CAPM) proposto por Sharpe (1964), tais modelos relacionam, geralmente de maneira linear, a taxa de retorno esperada de um ativo ou carteira de ativos com fatores de risco sistêmico. Esta pesquisa apresenta um teste de um modelo de apreçamento, com dados brasileiros, introduzindo em sua formulação fatores de risco baseados em comomentos estatísticos. O modelo proposto é uma extensão do CAPM original acrescido da coassimetria e da cocurtose entre as taxas de retorno das ações das empresas que compõem a amostra e as taxas de retorno da carteira de mercado. Os efeitos de outras variáveis, como o valor de mercado sobre valor contábil, a alavancagem financeira e um índice de negociabilidade em bolsa, serviram de variáveis de controle. A amostra foi composta de 179 empresas brasileiras não financeiras negociadas na BM&FBovespa e com dados disponíveis entre os anos de 2003 a 2007. A metodologia consistiu em calcular os momentos sistêmicos anuais a partir de taxas de retornos semanais e em seguida testá-los em um modelo de apreçamento, a fim de verificar se há um prêmio pelo risco associado a cada uma dessas medidas de risco. Foi empregada a técnica de análise de dados em painel, estimada pelo método dos momentos generalizado (GMM). O emprego do GMM visa lidar com potenciais problemas de determinação simultânea e endogeneidade nos dados, evitando a ocorrência de viés nas estimações. Os resultados das estimações mostram que a relação das taxas de retorno dos ativos com a covariância e a cocurtose são estatisticamente significantes. Os resultados se mostraram robustos a especificações alternativas do modelo. O artigo contribui para a literatura por apresentar evidências empíricas brasileiras de que há um prêmio pelo risco associado aos momentos sistêmicos.
2012
Castro Junior,Francisco Henrique Figueiredo de Yoshinaga,Claudia Emiko
Quando a cooperação falha: um estudo de caso sobre o fracasso de uma rede interorganizacional
Os benefícios da cooperação interorganizacional têm sido pesquisados extensivamente pelos teóricos organizacionais, mas poucos estudos focam casos de fracasso. Apesar do grande número de redes de empresas bem-sucedidas, muitas também enfrentam dificuldades na organização e na gestão da cooperação, encerrando suas atividades sem atingir os objetivos propostos. Este artigo apresenta um caso de fracasso de uma rede de empresas do segmento supermercadista, à luz de estudos de Park e Ungson (2001), Jarillo (1988), Khanna, Gulati e Nohria (1998) e Brouthers, Brouthers e Wilkinson (1995) sobre as dificuldades na cooperação empresarial. Por meio de entrevistas em profundidade com a diretoria da rede, com empresários participantes e com a consultora que apoiou a criação da rede, identificaram-se os principais fatores que contribuíram para que a rede fosse encerrada sem atingir os resultados esperados. Os fatores foram divididos em dois grupos: pré-formalização da rede, como o perfil e a escolha dos participantes, o número de participantes da rede e a definição do momento para lançamento da rede; e pós-formalização da rede, que inclui aspectos como o surgimento de desajustes estratégicos, a perda de apoio do programa público e a falta de maturidade do grupo, que enfrentou dificuldades para gerenciar o processo de cooperação sem apoio externo. Como implicação teórica, o estudo apresenta fatores pouco explorados pela literatura e que podem levar ao fracasso da cooperação, como o número reduzido de empresas, o momento inadequado de lançamento da rede e a imaturidade do grupo. O conjunto de elementos identificado também tem implicações gerenciais: empresários e gestores de redes devem analisar cuidadosamente o perfil e o alinhamento estratégico das empresas ao constituírem a rede, a fim de evitar que eventuais diferenças se tornem um problema depois que a rede já está constituída.
2012
Wegner,Douglas Padula,Antonio Domingos
Capacidades organizacionais e desempenho em um setor geograficamente concentrado e com baixo potencial de diferenciação
O objetivo do presente artigo é verificar a relação entre capacidades e desempenho em um setor geograficamente concentrado, ou seja, com concorrência próxima e numerosa, num conjunto de organizações de pequeno porte e, portanto, com maior restrição de recursos e frequentemente também de capacidade administrativa (não profissionalizada) em comparação a grandes empresas. O referencial teórico que guiou o trabalho está baseado na teoria dos recursos. O contexto escolhido para o estudo foi o conjunto de lojas de varejo de vestuário de uma extensa avenida do centro da cidade de Curitiba, no Paraná. Foram realizadas, inicialmente, entrevistas com proprietários e gerentes dessas lojas para verificar quais seriam as principais capacidades exigidas nesse segmento geográfico de mercado, em que se destacaram: imagem, clientes, preços e finanças. Com base nessa classificação, foram elaboradas e testadas as hipóteses do estudo via modelagem de equações estruturais. Os resultados apontaram a primazia das capacidades preços e finanças no que concernem aos efeitos positivos das capacidades sobre o desempenho. A discussão dos resultados explora os aspectos contingenciais da relação recursos-desempenho nesse conjunto de organizações e as razões de os lojistas apontarem como fontes de vantagem competitiva algumas capacidades que não impactam diretamente a variação no desempenho. Conclui-se, em função do baixo potencial de diferenciação das organizações que fizeram parte do estudo, que as capacidades denominadas preço e finanças são as únicas com influência significativa sobre a variação no desempenho quando comparadas às capacidades imagem e clientes. Outra constatação digna de nota foi o fato de que os lojistas entrevistados apontaram as capacidades clientes e imagem, que empiricamente não se relacionaram com a variação do desempenho, como fontes de vantagem competitiva. Defende-se aqui que isso se deve à ambiguidade causal que marca a relação entre recursos e desempenho no julgamento dos estrategistas.
2012
Maciel,Cristiano Oliveira Silva,Eduardo Damião