Repositório RCAAP
A pegada digital na análise de padrões turísticos em contexto urbano
Explorando a(s) geografia(s) do turismo, esta tese parte de dois pensamentos iniciais, que são alvos constantes do debate académico em geografia e de reflexões diversas nos estudos interdisciplinares de ambientes urbanos, mas cuja discussão não pressupõe um consenso na investigação. Por um lado, como pode ser formalizado o senso de complexidade de um lugar (e.g., o destino turístico) através do conhecimento geográfico, da Ciência da Informação Geográfica e a análise espacial e, por outro lado, se a expressão geográfica dos sistemas complexos é importante para a sua resiliência sistémica. Neste contexto parece relevante apresentar uma descrição aproximada da sua complexidade para fundamentar, debater e avaliar padrões e processos existentes e propostos. Pretende-se contribuir para a compreensão da heterogeneidade espacial em sistemas geográficos e, paralelamente, enquadrar a análise do turismo, numa abordagem quantitativa e geográfica centrada na interpretação das características que subjazem no turismo de cidade visto como um fenómeno geográfico complexo. Apresentam-se os materiais e métodos utilizados para reconhecer e interpretar propriedades como a emergência e a auto-organização em sistemas geográficos complexos, com recurso a análise fractal e, incluindo técnicas disponíveis nos Sistemas de Informação Geográfica. Complementarmente, incorporando o fator tempo através de uma proposta de análise multi-temporal, parte-se para uma leitura genérica das mudanças no espaço turístico, generalizadas em padrões de intensificação do uso turístico do espaço, e projeta-se a identificação de perfis e características de grupo na configuração espacial do turismo, cuja diversidade é descodificável a partir da análise espacial. Os resultados fornecem insights sobre a emergência de locais turísticos, as funções dominantes subjacentes ao consumo e produção do espaço urbano, e a capacidade de auto-organização entre os seus agentes. Assente na noção da complexidade, os resultados retratam as geografias do turismo de forma fluida e intercambiável em Portugal, nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, nas cidades e nos ‘distritos’ tidos como turísticos. O enquadramento metodológico proposto mostra-se útil na investigação de sistemas geográficos complexos que possam ser representados pela fractalidade das suas formas e funções.
Plural Word and Inventive Writing: The Legacy of Postmodern Social Theory
The problem of writing is how to produce utterances that abandon the principles at all times expressed by the law - and by the institutions that introduce it into the social body through all sorts of routines of disciplinary and unitary representation of cultural inheritance, making use of knowledge as a body of prescriptions and a circle in which truths unfold - by drawing language out of its usual furrows and making it communicate with what will be its own exterior. The chapter addresses the great problem of university research, which we try to transpose into the reality of the text, which is and will always be to force the present to leave the existing signification processes and their prohibited correlates and to become available to all kinds of encounters with the unknown. As if writing couldtake on not only a skeptical dimension but more rigorously an agonistic force - in which what is assumed to be universal, necessary and obligatory is perceived as singular, contingent, and arbitrary - and whose ultimate effect is that of unleashing ourselves from the predictability and disciplinary homogeneity with which contemporary identities and ways of life present themselves, even if they are set to circulate with the labeling of subjectivity and the widest individual diversity. As if it compelled us to enter into the unknown and thus pressed us to establish new covenants between the subject of enunciation and the subject of conduct. It is from here that the hypothesis of an inventive, experimental writing derives.
Aventura do texto. Palavra plural
Depois do século XVII, a nossa civilização tem tratado as descrições científicas como se fossem elas mesmas divindades e, a partir de finais da centúria seguinte, sobrepusemos a Deus um amor ao sujeito e a nós próprios, na adoração da nossa própria natureza espiritual ou poética profunda.Este texto propõe-se enfrentar essa tradição. Defenderei aqui a tese segundo a qual um mar de possibilidades criativas se abrirão à nossa frente quando nos descentrarmos do sujeito transcendental.
A partir do que foi dito – Diálogos entre Portugal e Brasil: O ensino artístico que temos e o que queremos
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Para uma educação por vir
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2025-10-28T12:16:07Z
Almeida, Tiago Ó, Jorge Ramos do
Vidas interrompidas e futuros suspensos: experiências de estudantes brasileiros em Portugal durante a pandemia Covid-19
Este artigo apresenta uma investigação sobre os desafios enfrentados pelos estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal durante a pandemia de Covid-19. Utilizando questionários e entrevistas online, o estudo destaca o impacto significativo da pandemia na mobilidade, estabilidade financeira e saúde mental desses estudantes. Apesar dos desafios que enfrentaram e incertezas sobre suas perspectivas de carreira, os estudantes brasileiros demonstraram resiliência e adaptabilidade. O suporte que tiveram de suas redes de contato e as suas expectativas temporais desempenharam um papel relevante em seus agenciamentos. O estudo ressalta a importância de uma perspectiva transnacional na compreensão dos fatores sociais, econômicos e emocionais que moldam as experiências dos estudantes internacionais, e oferece evidência empírica valiosa para abordar os desafios da mobilidade humana em um contexto global complexo. Os resultados podem ser utilizados para informar o desenvolvimento de políticas e programas que atendam às necessidades dos estudantes internacionais em tempos de crise.
2025-10-28T12:16:48Z
Silva, Adélia Verónica Chatti Iorio, Juliana Fonseca, Maria Lucinda
Apresentação à Seção Temática Escrita da Pesquisa
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2025-10-28T12:11:16Z
Moschen, Simone Ó, Jorge Ramos do
A Escrita da Pesquisa: uma conversa a partir de Freud, Lacan e Foucault
Partindo da convocação para pensar o problema da escrita da pesquisa, o artigo sustenta o escrever como uma prática de si, como um processo de invenção cujos efeitos redundam sobre o texto, sobre o objeto que ele contorna, sobre quem segura a pena e, ainda, sobre o endereço que ele mira. Tratase de um processo em que o autor não é suposto na origem da escrita, nem mesmo está, em relação a esta, num lugar de completo domínio; ao contrário, a posição do investigador e as proposições da pesquisa decantam do próprio percurso do texto, como resultante – e não resultado – dos impasses do pensamento, das idas e vindas de sua elaboração, do entrecruzamento de muitas vozes em sua palavra. O presente artigo sustenta suas proposições em uma conversa na qual se fazem presentes Freud, Lacan e Foucault, numa trama em que proximidades e distâncias se tecem articulando as condições para qualificar as perguntas que emergem da prática da escrita da pesquisa sustentada nas trocas que têm lugar na pequena comunidade que o grupo de orientação representa.
2025-10-28T12:21:54Z
Moschen, Simone Ó, Jorge Ramos do
Governmentality and the Arts That Matter: Producing the Conformed, Flexible and Creative Pupil Since the Turn of the 20th Century
This article seeks to describe the historical derivations, continuities and displacements that have led to the widely consensual contemporary narratives, adopted by governmental entities and international policymakers, concerning the benefits of the arts to education and the constitution of personal identity. A history of the present approach is used to unveil the strategic purposes of a biopower, which, at its very origin, had efficiently correlated the promotion and inculcation of artistic values with the normalization of infant and child populations. To this end, we propose an analysis of two historical moments – at the turn of the 20th century and the beginning of the 21st century – in which aesthetic experiences, practices of the self and governmental rationalities were articulated in order to produce specific kinds of social actors and manage their fates.
2025-10-28T12:15:39Z
Ó, Jorge Ramos do Szawiel, Wiktoria Vallera, Tomás
β-amyloid-dependent neuronal dysfunction and effect on the endocytic pathway
Alzheimer’s disease (AD) is a major disease of aging affecting about 10% of the elderly population, is the leading cause of dementia and a major health care concern. AD patients develop a gradual and progressive decline in cognitive and functional abilities as well as behavioral and psychiatric symptoms, eventually leading to a vegetative state and ultimately death. In 1907, Dr. Alois Alzheimer published the first report linking the clinical features of AD to plaque and tangle neuropathology. Neurofibrillary tangles in the brain consist primarily of hyperphosphorylated tau. Neuritic plaques consist primarily of aggregated amyloid β (Aβ) peptides and are surrounded by dystrophic neurites, microglia, and reactive astrocytes. Plaques are increasingly viewed as tombstones, and do not correlate well with cognitive impairment. The progressive accumulation of soluble β-amyloid (Aβ) in vulnerable brain areas with aging does parallel the progressive dementia found in AD patients. Plaques are not considered to be responsible for the initial impairments. Therefore, reduction of Aβ is currently the leading approach of experimental therapies for AD. Purification and sequencing of Aβ from AD brain led to the cloning of the amyloid precursor protein (APP) gene and triggered research on trying to understand how the age-dependent accumulation of Aβ in the brain leads to the downstream pathologies and progressive dementia. Aβ is generated by two sequential cleavages of APP by β- and γ-secretases, two major forms of Aβ are produced, a long one with 42 amino acids, Aβ42, and a shorter one with 40 amino acids, Aβ40. Aβ42 is more hydrophobic; it easily aggregates and associates to membranes, likely facilitating its retention intracellularly. Aβ40 is more soluble and is mostly secreted. In 1993, the first biochemical evidence for appreciable levels of endogenous intracellular Aβ was reported in vitro. In 2000, with the development of antibodies that differentiated Aβ42 peptide from its precursor, it was reported that Aβ42 accumulated intracellularly in neurons even before plaque formation. Since then, several studies have implicated the accumulation of Aβ within neurons as important for AD pathogenesis. Loss of synapses occurs early in AD and is considered the best pathological correlate of cognitive decline. Several lines of evidence suggest a relationship between Aβ accumulation and synaptic dysfunction. Depressed synaptic transmission, including impaired LTP (long-term potentiation), has been reported in AD mouse models of β- amyloidosis, and occurs concomitantly with the appearance of intraneuronal Aβ accumulation even prior to appearance of extracellular plaques. This observation suggests that the intracellular accumulation of Aβ42 may have an important role in AD pathogenesis, especially in the initial stages of the disease. Tg2576 mice harbor the human APP transgene with the familial AD Swedish mutation and develop AD-like cerebral amyloidosis. Aβ accumulates and oligomerizes within neurons of Tg2576 mice with aging in vivo, especially within neuronal processes and synaptic compartments. To study the cell biology of Aβ-dependent neuronal dysfunction, we turned to cultured neurons from Tg2576 mice. Tg2576 neurons were previously characterized to recapitulate the accumulation of Aβ with time in culture. We set out to better characterize the consequences of this aberrant Aβ42 accumulation on synapses. In this study, we found both structural and functional alterations in pre- and postsynaptic compartments in Tg2576 compared to wild-type neurons at 19 days in vitro (DIV). The presynaptic alterations included reductions in the number of active presynaptic compartments and in the levels of synaptophysin, a synaptic vesicle protein. The postsynaptic alterations included reductions in the levels of the glutamate receptor subunit, GluR1, and of the postsynaptic density protein, PSD-95. Since Aβ42 accumulation progresses with time in culture, at 19 DIV there is higher concentration of Aβ42 with more probability of aggregation and oligomerization than at 12 DIV. We hypothesized that the changes at 19 DIV could correspond to a more severe phenotype paralleling a later stage of disease. Therefore, we studied synapses at 12 DIV in Tg2576 compared to wild-type neurons. Presynaptically there was no difference in the number of active compartments or in the levels of synaptophysin however, postsynaptically spines were reduced. Specifically, the postsynaptic changes included reduction in the levels of PSD-95 and of glutamate receptors subunits GluR1 and NR1 at the postsynaptic density but not in total cellular lysates. These results suggest that early on the alterations at synapses are due to an impaired trafficking of glutamate receptors. The glutamate receptors are critical determinants for LTP and long-term depression (LTD), forms of synaptic plasticity thought to be involved in the establishment of new memories. Our results shed light on the consequences of Aβ acumulation on synapses, specifically on the earliest alterations that lead to synaptic dysfunction and cognitive decline in AD. However, although we found Aβ42 to be responsible for the synaptic alterations in Tg2576 neurons, the mechanism whereby Aβ42 affects synapses needs further clarification. Over the past few years, increasing evidence supports that intraneuronal Aβ accumulation is involved in early AD pathogenesis. Although the precise location(s) of Aβ production in neurons remains controversial, the subcellular site of Aβ42 accumulation in AD is better accepted. Aβ42 accumulation in the brains of Tg2576 mice and human AD occurs especially in multivesicular endosomes (MVBs). Alterations in the endocytic pathway are among the earliest pathological changes in AD. The molecular mechanisms by which abnormalities in the endocytic pathway arise and are involved in the pathogenesis of AD remain unknown. In the brain, Aβ42- accumulating MVBs often localize close to degenerating synapses. Since Aβ42 accumulation with aging occurs in the outer limiting membranes of MVBs, we hypothesized that this accumulation could alter the MVB sorting pathway in neurons. MVBs are vesicular organelles morphologically defined by a limiting membrane and characteristic inner vesicles. MVBs are considered to be late endosomes, formed by maturation of early endosomes by membrane invaginations that generate inner vesicles with an acidic pH. The inner vesicles have a different content of lipids and proteins: they are rich in cholesterol, LBPA (lysobisphosphatidic acid) and lysosomal glycoproteins. MVBs are involved in many cellular functions, including the regulated trafficking of several proteins and membrane receptors. The trafficking of the epidermal growth factor receptor (EGFR) to MVBs has been the most extensively studied. EGFR upon stimulation with EGF is internalized into early endosomes. The EGF-EGFR complex is stable at the pH of early endosomes, and therefore the activated receptor follows the MVB pathway. During endosomal maturation, inward invagination of the outer membrane leads to MVB formation and traps receptors in the MVB interior, terminates signaling and promotes their subsequent degradation in the more acidic environment of inner vesicles of MVBs and lysosomes. In neurons, the functional role of MVBs is less well understood. MVBs are thought to have an important role in retrograde transport, carrying receptors from neuronal terminals to the cell body for signaling and/or degradation in lysosomes. For example, neurotrophin receptors after ligand binding are internalized presynaptically and transported in MVBs to the cell body where signaling to the nucleus can occur, thereby preventing the loss of signaling during transport. The sorting of neurotrophin receptors to MVBs has been described for TrkB, which upon brain derived neurotrophic factor (BDNF) activation is quickly removed from the cell surface by endocytosis and delivered to the MVB sorting pathway. Since Aβ42 accumulates especially in the outer limiting membrane of MVBs with AD pathogenesis, we postulated that this could impair MVB sorting. We set out to study the MVB sorting pathway in cultured Tg2576 neurons following the trafficking of EGFR after EGF binding, which is well characterized. We demonstrated that Aβ accumulating Tg2576 neurons revealed normal internalization and recycling but altered MVB sorting of EGFR upon activation. The accumulation of EGF-EGFR in MVBs of Tg2576 compared to wild-type neurons suggested reduced degradation of EGFR. We verified altered MVB sorting and degradation of another ligand-receptor complex, BDNF-TrkB, which provided similar results. To obtain more information on the trafficking of EGFR within MVBs, we assessed the levels of phosphorylated EGFR (P-EGFR), since dephosphorylation is thought to occur at the low pH of the inner vesicles of MVBs, and found elevated P-EGFR in Tg2576 neurons. These data suggested impairment in the trafficking of EGFR within MVBs that accumulate Aβ42. Ubiquitination is required for trafficking of EGFR to MVBs, subsequent translocation within MVBs, and later degradation of EGFR via the MVB sorting pathway. It was therefore possible that reduced ubiquitination of EGFR might be blocking EGFR from translocating to inner MVB membranes. Instead, we found increased ubiquitin conjugated EGFR in Tg2576 neurons, suggesting that ubiquitination of EGFR was not impaired. Therefore, we hypothesized that deubiquitination activity might be compromised. Analysis of deubiquitinating enzyme activity did reveal reduced deubiquitination in Tg2576 neurons, although the modest change seemed insufficient for the more marked elevation in ubiquitinated EGFR. Considerable evidence over the past few years has indicated that the ubiquitinproteasome system (UPS) regulates the trafficking of EGFR through the MVB sorting pathway. Proteasome activity has been described to be necessary for deubiquitination to occur prior to EGFR translocation, also since proteasome inhibition leads to decreased EGFR degradation. Therefore, we next examined proteasome activity in Tg2576 compared to wild-type neurons, which revealed a marked reduction in proteasome activity in Tg2576 neurons. Since proteasome inhibition also inhibits deubiquitination, reduced proteasome activity therefore could be responsible for the cellular alterations that we observed in the Tg2576 neurons. We provide evidence that Aβ is responsible for the alterations in the MVB sorting pathway and the UPS in Tg2576 neurons, since the inhibition of Aβ accumulation blocked the cellular alterations in Tg2576 neurons, including impairment in proteasome activity. Moreover, in support of Aβ-induced proteasome inhibition occurring in Tg2576 neurons, we found that proteasome inhibition of wild-type neurons produced alterations in the MVB sorting pathway paralleling those seen in Tg2576 neurons. The findings that the disease-linked Aβ42 peptides localize and accumulate especially in MVBs and thereby alter the trafficking of membrane receptors by inhibiting the UPS, suggest a mechanism whereby Aβ42 accumulation contributes to AD pathogenesis. The UPS is a complex system of interconnecting biochemical pathways that are increasingly being found to have major cellular functions even beyond the degradation of proteins. The UPS is being studied in the regulated recycling and degradation of membrane receptors and has been linked to the regulation of synaptic plasticity. Indeed, we hypothesize that the inhibition of the UPS by Aβ42 impairs the endocytic trafficking of neuronal receptors, and thereby may be the cause of synaptic dysfunction in AD. Our data supports a novel mechanism whereby Aβ accumulation alters the cell biology of vulnerable neurons in AD.
Aconselhamento de produtos cosméticos para doentes oncológicos
A aparência física afeta a forma como nos vemos e nos relacionamos com os outros, fazendo com que alterações na mesma possam impactar a nossa auto-estima e relações pessoais. Com o aumento da inovação terapêutica, associada a um melhor prognóstico e esperança de vida dos doentes oncológicos, surgem também diversas reações adversas, algumas das quais inevitáveis e associadas a uma melhor resposta aos fármacos. Deste modo, os tratamentos podem levar a alterações permanentes ou transitórias na imagem corporal, impactando a qualidade de vida, sendo que além do impacto estético podem afetar o bem-estar físico e a realização das atividades diárias. Assim, a utilização de cosméticos surge como forma de autocuidado, assumindo um papel essencial na prevenção e gestão de reações adversas, apesar de poderem não as evitar por completo, mas sim reduzir a sua severidade ou ainda atrasar o seu surgimento. O presente trabalho sistematiza as recomendações acerca de cosméticos destinados à aplicação na pele, cabelo e unhas dos doentes, associadas ao estudo dos produtos cosméticos referidos na literatura e indicações dadas pelos laboratórios, face a cosméticos posicionados para utilização em oncologia. Inclui também um estudo acerca da hidratação da pele do doente oncológico que caracteriza o aconselhamento dermocosmético prestado nas farmácias comunitárias, identificando as categorias de produtos aconselhados e sua integração nos cuidados de pele dos doentes, revelando ainda as condicionantes que levam à seleção dos cosméticos por parte dos profissionais de saúde e levantando as limitações existentes ao aconselhamento.
2025-10-28T12:23:14Z
Marques, Maria Antónia Neves Safadinho
A brief overview on Nanomedicines’ Lifecycle from the product to the patient
A Nanomedicina é um ramo da medicina que aplica conhecimento e ferramentas nanotecnológicas para a prevenção e, tratamento de doenças recorrendo à utilização de materiais à escala nanométrica (Portfólio da Nature). A grande vantagem destes nanossistemas é que para além de serem multifuncionais são capazes de controlar processos biológicos importantes como a biodistribuição, o perfil de libertação e eliminação de fármacos, assegurando a sua acumulação preferencial apenas no local onde se localiza o alvo terapêutico (elevadas especificidade e seletividade) e, uma libertação prolongada e controlada ao longo do tempo. Consequentemente, os nanomedicamentos aumentam a eficácia terapêutica, diminuem a dose terapeuticamente eficaz, reduzem o risco de efeitos secundários sistémicos tanto de fármacos pré-existentes como de novas moléculas cuja investigação pode continuar se for desenvolvido um sistema de veiculação adequado, permitindo a utilização terapêutica de alguns compostos que de outra forma não seriam viáveis. Atualmente, estão a ser desenvolvidas várias linhas de investigação científica em todo o mundo que exploram as potencialidades destes nanossistemas em diversas áreas médicas incluindo o desenvolvimento de sistemas de veiculação de fármacos in vivo, novas técnicas de imagem e novos agentes de contraste, dispositivos de diagnóstico, engenharia de tecidos e medicina regenerativa. Contudo, trabalhar à escala nanométrica e adaptar, posteriormente, o processo produção para a escala industrial pode ser um desafiante uma vez que as nanopartículas tendem a apresentar diferentes propriedades físico-químicas, comportamento distinto durante processos biológicos importantes, como biodistribuição e eliminação, necessidade de compreender questões relevantes de nanotoxicologia, dificuldades escalabilidade e/ou reprodutibilidade dos processos industriais e, ainda limitações económicas e regulatórias. Ainda que os investigadores e as indústrias farmacêuticas se tenham deparado com alguns obstáculos e incertezas, todos estes desafios foram estudados e, a maioria deles, inclusive, mitigados, o que culminou na aprovação da entrada de cerca de 75 nanomedicamentos no mercado, e várias submissões em diversos ensaios clínicos. A presente tese pretende explorar a área da Nanomedicina através de uma extensa revisão sobre o ciclo de vida dos nanomedicamentos desde o início da sua investigação e, desenvolvimento industrial até serem introduzidos no mercado, incluindo as fases de aprovação regulamentar, acesso ao mercado e planos de Farmacovigilância; terminando com uma revisão reflexiva sobre o impacto recente das nanovacinas, utilizadas no combate ao COVID-19, na saúde pública das sociedades em todo o mundo.
2025-10-28T12:21:27Z
Tibério, Mariana Carvalho da Silva Pinheiro
Avanços terapêuticos na abordagem do Linfoma de Hodgkin
O Linfoma de Hodgkin (LH) é uma neoplasia hematolinfoide rara que constitui cerca de 0,2% dos novos casos de cancros a nível mundial, sendo mais comum nos jovens adultos entre os 20-34 anos, representando a doença oncológica mais recorrente nesta faixa etária. A patologia divide-se em dois grupos, o Linfoma de Hodgkin Clássico (LHC), que se encontra subdividido em quatro histologias e o Linfoma de Hodgkin Nodular de Predomínio Linfocitário (LHNPL), correspondendo a cerca de 90% e 10% dos casos reportados, respetivamente. Estas duas apresentações da doença distinguem-se pela presença de células características de cada uma, como as células de Reed-Sternberg no LHC, e as células predominantemente linfocíticas no LHNPL. O diagnóstico patológico do LH é realizado, preferencialmente, através da biópsia excisional e avaliação imunohistoquímica. O correto diagnóstico, estadiamento baseado na classificação de Ann Arbor e avaliação de fatores de risco são fundamentais para a escolha de um tratamento correto. Atualmente, a tomografia por emissão de positrões com tomografia computorizada é a técnica imagiológica (PET/CT) mais importante na avaliação da doença. Este exame complementar permite avaliar a resposta à terapêutica através de um re-estadiamento. Mediante esta abordagem permite-se realizar uma terapêutica personalizada e dirigida à resposta dos doentes. A terapêutica do LH recorre maioritariamente ao regime combinado de radioterapia e quimioterapia, destacando-se os protocolos ABVD e BEACOPPesc. Com uma abordagem mediada pela resposta ao tratamento com a utilização da PET/CT, o LH é atualmente uma das doenças oncológicas com maiores taxas de sucesso, apresentando como o seu objetivo terapêutico final a cura da doença. No entanto, apesar da terapêutica clássica combinada apresentar ótimos resultados, 10% a 30% dos doentes apresentam recidiva ou são refratários ao tratamento. Existe assim uma necessidade de estender o arsenal terapêutico de modo a dar resposta a estes doentes. Surgem assim as novas abordagens terapêuticas, não só no âmbito de novos fármacos, mas também na otimização das terapêuticas já existentes e em combinação com estas novas alternativas terapêuticas. Destacam-se assim as abordagens maioritariamente pertencentes à terapêutica dirigida como conjugados anticorpo-fármaco, inibidores dos checkpoints imunitários, inibidores das vias de sinalização oncogénicas e imunomoduladores, já implementadas na prática clínica.
2025-10-28T12:27:54Z
Ferreira, Tiago André Bastos
Pedagogia do seminário universitário: proveniência histórica e tradução contemporânea
O artigo centra-se no seminário universitário, criado na Alemanha do século XVIII e que veio a afirmar como o instrumento pedagógico por excelência capaz de operar uma articulação objetiva entre investigação e ensino, possibilitando, desse modo, a emergência e afirmação da figura do pesquisador moderno e contemporâneo. Procura dar uma contribuição, tanto teórica quanto prática, para uma discussão, sempre por concluir, acerca da pedagogia da criação científica. O texto divide-se em duas partes: uma inicial, que procura capturar a essência do seminário; e uma subsequente, na qual se apresenta uma experiência de seminário em curso na atualidade. O artigo procura, em uma palavra, identificar a pedagogia do seminário, ontem e hoje, como consubstanciando uma espiral aventurosa em que o estar-a-ser-junto acadêmico se liga intrinsecamente à construção de um pensamento inventivo. É assim desenvolvida uma metodologia que procura superar o tempo e a distância. Insiste, por um lado, na importância da troca da palavra oral entre alunos e professores; e, por outro, no trabalho, lento e sistemático, de apropriação intertextual. São essas duas grandes operações que aproximam todos os que, ontem e hoje, se identificam com uma pedagogia da criação escrita e procuram refletir sobre ela no interior da universidade.
Farmacoterapia do cancro colorretal
O cancro colorretal encontra-se entre as doenças mais letais e prevalentes a nível mundial, sendo a segunda causa mais frequente de morte por cancro. É uma doença complexa e heterogénea, na medida em que envolve a acumulação de alterações histológicas, morfológicas, genéticas e epigenéticas, bem como fatores de risco genéticos e ambientais. Estes aspetos contribuem para a evolução do epitélio colorretal de normal a adenoma e, por fim, a carcinoma. O desenvolvimento do cancro colorretal envolve as vias da instabilidade cromossómica, instabilidade microssatélite e instabilidade epigenética. A caracterização do perfil molecular do tumor é feita com o objetivo de orientar o prognóstico e o tratamento dos doentes e constitui também um aspeto importante na abordagem deste tipo de cancro. Ao longo dos anos, têm sido utilizadas diversas abordagens no tratamento do cancro colorretal que incluem a quimioterapia, a cirurgia a radioterapia e as terapias dirigidas. A escolha da opção terapêutica mais adequada deve ser baseada nas características do tumor e nas características de cada doente. A quimioterapia visa induzir a morte de células e/ou impedir o seu crescimento e divisão através de fármacos citotóxicos, como o 5-fluorouracilo, a capecitabina, o irinotecano, a oxaliplatina e a associação trifluridina/tipiracilo. Por sua vez, a cirurgia visa remover o tumor principal e eventuais lesões metastáticas. Recentemente, o arsenal terapêutico expandiu-se com o desenvolvimento de terapias dirigidas capazes de interferir no normal desenvolvimento das células cancerígenas e na remodelação do microambiente tumoral. É o caso dos fármacos que atuam na via EGFR (epidermal growth factor receptor) e vias relacionadas, na via VEGF (vascular endothelial growth factor) e dos inibidores dos checkpoint imunológicos. No presente trabalho faz-se uma revisão sobre as diferentes opções terapêuticas disponíveis para o tratamento dos doentes com cancro colorretal, assim como uma apresentação da referida patologia e das perspetivas futuras relativamente à sua abordagem, com o intuito de melhorar os cuidados prestados e a resposta à terapêutica.
2025-10-28T12:23:14Z
Alves, Gabriela Cristina Ricardo
A vida como acontecimento e a potência do indeterminado em tempos de pandemia para pensar a relação com a infância
Este texto toma-se do propósito de pensar, na companhia de Deleuze e Foucault, o cenário pandémico que vivemos como um acontecimento que nos levará a questionar o modelo biopolítico que governa a cognição e a mantém confinada desde o século XVI, momento em que se teorizou o projeto de transformar cada criança num aluno. É com estas lentes teóricas que nos debruçaremos sobre a atualidade para nos distanciarmos dela e, assim, nos acercarmos da contemporaneidade do estar-a-ser-criança (Almeida, 2019). Ora, o que aqui se tenta expressar é uma linha de fuga às questões que relacionam este acontecimento com um antes e um depois, procurando centrar a análise na sua potência contemporânea, na sua força criadora. Então, talvez a pergunta a fazer seja, parece-nos, que oportunidade nos oferece este acontecimento para pensarmos o estar-a-ser-criança?
2025-10-28T12:13:06Z
Almeida, Tiago Ó, Jorge Ramos do
BASHY, as a new tool for ChemBio
Os BASHY ou complexos de salicillidonehidrazona derivados do ácido borónico com um núcleo tetracoordenado de boro apresentam uma estrutura altamente adaptável que permite que sejam utilizados numa vasta gama de aplicações, tais como a bioimagem de gotículas lipídicas, na rotulagem de nanopartículas e como ligantes fluorescentes nos bioconjugados. Os BASHYs são compostos pela reação entre três moléculas que não apresentam propriedades de fluorescência, mas que em conjunto possibilitaram a produção de uma molécula fluorescente. A síntese destas moléculas consiste na junção de um componente de ácido borónico com um ligando salicilidenohidrazona e 2,5-di-hidroxi-1,4-benzoquinona. O núcleo fluorescente presente nestes compostos pode ser eficazmente modificado através dos componentes de partida da reação, com a possibilidade de variar as propriedades eletrónicas, fotofísicas e químicas do corante. A inserção de uma conjugação estendida e a variação dos grupos recetor/doador promove o aumento do caráter de transferência de carga intramolecular do esqueleto BASHY e, consequentemente, causa uma deslocação batocrómica da emissão. Isto permite que um fluoróforo com propriedades extraordinárias de emissão se localize numa escala espectral entre o vermelho e próximo do infravermelho. Além disso, a variação dos grupos recetor/doador como substituintes, bem como a inserção de uma conjugação estendida no núcleo do BASHY parece promover a diminuição da eletrofilicidade no carbono imina. A introdução de um grupo volumoso próximo ao carbono da imina proporciona uma estabilidade estérica e, consequentemente, uma estabilidade adicional contra a hidrólise. Devido às suas propriedades fluorescentes, os BASHYs são candidatos promissores nas aplicações de bioimagem, nomeadamente no estudo e interpretação de processos biológicos. As suas propriedades fotofísicas incluem: forte absorção de luz, altos rendimentos quânticos e maiores comprimentos de onda de emissão (entre 500 e 600 nm), principalmente em ambientes não polares. Para além destas características. Neste relatório, é apresentada a síntese de duas novas famílias BASHY e o estudo das suas propriedades fotofísicas, colocando em prática os conceitos de extensão e rigidificação.
2025-10-28T12:21:01Z
Santos, Ana Catarina Pinto Carrega
Leucemia linfoblástica aguda: caracterização, diagnóstico e abordagens terapêuticas
A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é a neoplasia hematológica mais comummente diagnosticada na infância e caracteriza-se pela exagerada proliferação de células imaturas (linfoblastos), derivadas da linhagem das células B ou das células T. Embora a grande maioria dos casos de LLA sejam detetados antes dos 20 anos, esta neoplasia pode afetar qualquer faixa etária, especialmente indivíduos do género masculino. Até hoje, a causa do desenvolvimento desta leucemia permanece desconhecida, mas suspeita-se que seja o resultado de um processo multifatorial que envolverá tanto fatores genéticos, como fatores ambientais. Do ponto de vista genético, a LLA é considerada uma doença heterogénea. Graças aos avanços científicos e tecnológicos observados na última década, foi possível a deteção de alterações a nível molecular que permitiram a identificação de novos subtipos de leucemia. Dada a inespecificidade das manifestações clínicas associadas à LLA, o seu processo de diagnóstico requer várias etapas que envolvem a análise da história clínica do doente e exames laboratoriais. É necessária a presença de blastos malignos na medula óssea e sangue periférico, em quantidades iguais ou superiores a 20%, para que se possa diagnosticar um caso de LLA. A confirmação do diagnóstico e a subclassificação da leucemia são, posteriormente, efetuadas através da sua caracterização imunológica, citogenética, genética e molecular. A subclassificação da leucemia permitirá estratificar o doente quanto ao risco e, posteriormente, estabelecer um prognóstico e selecionar a abordagem terapêutica mais adequada. Ainda que na população pediátrica sejam observadas elevadas taxas de cura em doentes tratados com regimes convencionais de quimioterapia, o mesmo não se observa na população adulta. Pressupõe-se que tal facto poderá estar relacionado com as características do doente, com a heterogeneidade da doença e com a toxicidade dos fármacos utilizados. Os últimos anos foram marcados por avanços na descoberta de novas abordagens terapêuticas, como é o caso dos inibidores da tirosina cinase, dos anticorpos monoclonais e das células T-CAR. Estas novas abordagens têm vindo a mudar o paradigma da patologia em doentes com doença refratária/recidivante ao tratamento convencional e parecem ser o futuro do tratamento da LLA.
2025-10-28T12:19:23Z
Marramaque, Catarina Alexandra Pirralha
Meio século de exposições temporárias : no Museu Nacional de Arte Antiga, (1974-2023)
This dissertation seeks to document and critically analyze all the temporary exhibitions that were part of the programming of the Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), since the end of the dictatorship in Portugal, 49 years ago, until the present day (1974 – 2023). The goal is to demonstrate how these events reflected the Museum's performance and understand how they marked its evolution in the democratic and contemporary context, highlighting the programmatic decisions taken by its different directors, during the period defined for analysis. The survey of the exhibitions and the various information that configure them – this being the main premise of this project – allowed the obtaining of new data and the creation of graphics that prove to be essential and relevant for this type of research, that will complement the MNAA's archival history and, consequently, the panorama of the Portuguese museological community, given the importance of this cultural institution as the country's main museum of ancient art. In summary, this study deals with the MNAA's temporary exhibitions, not only because they are fundamental to its prestige, but also because the majority of the Museum's exhibition activity during the democratic era lacks systematization – something that had not been done until now. The aim, above all, is to combat the proliferation of archival dissociation, which is one of the main enemies of safeguarding museological heritage and its memory, and to contribute to the organization of information in a single document, facilitating the researcher's consultation and, even, from the Museum’s own employees
Avaliação da relação benefício-risco na utilizacão de esteróides anabolizantes
Os esteróides anabolizantes são um grupo de análogos sintéticos da testosterona endógena, sendo comumente associados à utilização numa vertente competitiva ou recreativa. A existência de propriedades únicas associadas à extensa variabilidade estrutural e, consequente utilização de diversas formas farmacêuticas, possibilitou o seu uso numa vertente clínica, existindo necessidade de análise da relação benefício-risco para que a sua utilização seja baseada na evidência científica. A importância da testosterona na fisiologia do homem, justifica o impacto negativo aquando do diagnostico de hipogonadismo, apresentando a testosterone replacement therapy como uma abordagem frequentemente utilizada, e a principal utilização terapêutica dos esteróides anabolizantes. O conhecimento das possíveis causas e problemas associados ao mesmo, são fundamentais para a avaliação da necessidade e potencial benefício do tratamento. A potenciação da ação anabólica em relação às propriedades androgénicas que caracterizam alguns esteróides anabolizantes, possibilitou a sua utilização em situações patológicas fortemente impactadas por estados catabólicos severos, existido, contudo, necessidade de realização de estudos mais longos em consequência dos resultados inconsistentes, excetuado o tratamento de queimaduras graves, onde os benefícios são conclusivos após utilização de compostos como oxandrolona. Em consequência do modo de ação inespecífico, os esteróides anabolizantes apresentam-se como uma classe de compostos fortemente associados a diversos efeitos adversos, com elevado impacto na janela terapêutica destes compostos. O risco associado vai depender de uma grande diversidade de fatores, tais como o tipo de molécula, forma farmacêutica e com maior relevância, a presença ou ausência de prescrição baseada na evidência. Riscos como hepatotoxicidade, eritrocitose e infertilidade estão associados à utilização destes compostos. Em contrapartida, a vertente clínica compreende diversas medidas de minimização de riscos, necessitando de uma equipa multidisciplinar, possibilitando a monitorização de parâmetros bioquímicos e uma passagem de informação ao doente, possibilitando uma possível auto- monitorização. Diversas preocupações relacionadas com o uso destes compostos, carecem de evidência científica e são frequentemente associadas ao abuso dos mesmos, resultando numa necessidade de atualização de informação, permitindo uma escolha terapêutica baseada no potencial benefício e no verdadeiro risco associado.