Repositório RCAAP

O ensino rural paulista: desafios e propostas.

O trabalho faz breve caracterização do ensino rural paulista dentro do contexto do ensino brasileiro e indica as especificidades de formação de corpo docente das escolas rurais do estado comparando-as com a realidade nacional. Analisa as condições de funcionamento e trabalho nas escolas rurais paulistas baseado sobretudo nas contribuições oferecidas pelo Fórum de Educação do Estado de São Paulo sobre a Escola Pública Rural, em 1984. Discute, finalmente, as propostas de formação do professor das escolas rurais encaminhadas pelos participantes do Fórum à luz das necessidades detectadas no sistema de ensino.

Ano

2013

Creators

Barretto, Elba Siqueira de Sá

Exploração das condições dos alunos com maior defasagem entre a idade cronológica e a série em escolas rurais do nordeste.

O artigo se desenvolve em torno da questão do atraso escolar nas escolas rurais do Nordeste focalizando os alunos cuja idade ultrapassa os limites definidos a partir dos padrões oficiais. A idade média dos alunos da amostra (605 escolas, 5.500 alunos) é de 12 anos na 2ª série e 14 anos na4ª série com uma variação de 8 a 25 anos. A análise qualitativa é feita a partir dos dados quantitativos coletados pelo Programa de Avaliação da Educação Rural Básica no Nordeste (EDURURAL), em 1983. O atraso na entrada para a escola, o seu abandono temporário e a repetência são explicações possíveis, mas insuficientes; há necessidade de se compreender as múltiplas determinações do problema através da situação familiar, escolar e do próprio aluno. Reunindo os resultados, verificou-se que o grupo de alunos com idade acima dos 11 anos, na 2ª série, e, acima dos 13 anos, na 4ª série, pertencem a ambos os sexos, provêm de famílias mais pobres, com pais analfabetos. Na escola, situada na casa da professora, estão sob a responsabilidade de professora leiga, em classe multisseriada. Através de uma análise conjunta concluiu-se serem esses fatos componentes do processo de discriminação a que se acha submetida a população rural.

Ano

2013

Creators

Dallago, Maria Lúcia Lopes

Aleitamento materno diferencial para meninos e meninas.

O propósito deste trabalho foi examinar a questão do aleitamento materno do ângulo de um certo favorecimento desta prática e de sua duração, em se tratando de filhos homens. O que nos orientou foi a constatação, através do exame das estatísticas vitais, de um sub-registro acentuado de óbitos e nascimentos do sexo feminino. Muito embora neste trabalho não se tenha, sempre, chegado a diferenças estatisticamente significantes no sentido da hipótese de trabalho proposta, a prevalência e o tempo médio de amamentação sistematicamente maiores para os meninos, abrem perspectivas para estudos que possam aprofundar esta questão.

Propostas para o atendimento em creches no município de São Paulo.: histórico de uma realidade

O atendimento em creche de crianças de 0 a 6 anos, filhas de famílias de baixa renda nos principais centros urbanos do país, tem se expandido consideravelmente, necessitando ser avaliado em aspectos significativos para melhor direcionamento dos recursos envolvidos. Estudo realizado junto area de pública de creches do município de São Paulo teve por objetivo levantar o contexto histórico em que tem ocorrido este atendimento, destacando os fatores nele intervenientes, especialmente no que se refere às propostas elaboradas a nível central e à organização de creches de diferentes estruturas e formas de manutenção em seu trabalho junto às crianças. A metodologia utilizada envolveu análise de documentos oficiais e e dados estatísticos, visitas a creches, entrevistas com diretores e com supervisores de creches. Historicamente, observam-se mudanças na organização e na concepção de creche adotadas pelo poder público. Vários fatores responderiam por tais mudanças: aumento da urbanização, forma de participação feminina na população economicamente ativa, queda na qualidade de vida de grandes extratos da população, características de movimentos populares, e especialmente, as políticas sociais das administrações. As diferentes propostas de atendimento traçadas pelo Órgão Público podem ser discutidas quanto às condições para o desenvolvimento infantil que defendem.

Ano

2013

Creators

Oliveira, Zilma de Moraes Ramos de Rossetti-Ferreira, Maria Clotilde

A construção da inteligência e a aprendizagem escolar de crianças de famílias de baixa renda: uma contribuição para debate

O Interessante e oportuno artigo de Maria Helena Souza Patto, a criança marginalizada para os piagentianos brasileiros: deficiente ou não? Publicado no n. 51, de novembro de 1984, dos Cadernos de Pesquisa, provocou a elaboração deste texto, meio do qual aceitamos o desafiante convite para debater o problema, ali levantado, da caracterização cognitiva das crianças de camadas populares segundo a teoria de Jean Piaget.

Ano

2013

Creators

Moro, Maria Lucia Faria

Creches domiciliares: argumentos ou falácias.

Este texto corresponde a um seminário realizado na Secretaria de Assistência Social do Ministério de Previdência a Assistência Social em novembro de 1984.

A representação da linguagem e o processo de alfabetização.

A autora analisa a importância de se considerar por um lado a escrita como representação da linguagem (e não como código de transcrição gráfica de unidades sonoras) e por outro lado a criança que aprende como um sujeito ativo que interage de forma produtiva com o objeto do seu conhecimento. Discute como só a partir dessa perspectiva - e não a partir de novos métodos, materiais ou testes de prontidão - se poderia enfrentar sobre novas bases o problema da alfabetização inicial.

As muitas facetas da alfabetização.

Considerando a multiplicidade de facetas do fenômeno alfabetização, o artigo discute algumas das principais perspectivas sob as quais esse fenômeno pode ser estudado, agrupando-as sob três categorias: o conceito de alfabetização, a natureza do processo de alfabetização (aspectos psicológico, psicolingüístico, sociolingüístico e propriamente lingüístico) e os condicionantes desse processo (pressupostos sociais, culturais e políticos). Apontam-se as implicações das diferentes perspectivas para os problemas de método, material didático, definição de pré-requisitos e formação do alfabetizador, e defende-se a necessidade de uma teoria coerente da alfabetização, que concilie resultados e integre estruturadamente estudos sobre as diferentes facetas do processo.

Ano

2013

Creators

Soares, Magda Becker

Alfabetização: uma proposta para a escola pública.

O presente trabalho relata os principais aspectos de uma experiência de alfabetização desenvolvida em escolas públicas da região de Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo. Tal projeto, conhecido como PROLESTE (Projeto de Alfabetização da Zona Leste), foi implantado e desenvolvido por educadores da rede de ensino público e psicólogos educacionais da Universidade de Mogi das Cruzes. Apresenta-se, inicialmente, uma análise dos principais fatores responsáveis pelo fracasso escolar, seguida das descrições do conceito de projeto, das principais características do programa de alfabetização utilizado e das condições básicas para sua implantação.

Ano

2013

Creators

Leite, Sérgio Antonio da Silva

Analfabetismo no Brasil: tendência secular e avanços recentes resultados preliminares.

Este trabalho confronta os dados das PNAD 1977 e 1982 e do Censo demográfico de 1980 com as expectativas do MOBRAL relativamente ao declínio dos índices de analfabetismo no Brasil na década de 1970. Compara as Unidades da Federação, mostrando as enormes desigualdades regionais em termos de analfabetismo em 1980. Analisa a tendência secular (1872a 1980) dos índices de analfabetismo, tanto para o Brasil como um todo, como para uma série de Estados, pondo em relevo as desigualdades de tendência do analfabetismo e a origem histórica das desigualdades educacionais regionais. Por fim mostra como a escola de 1º grau continua produzindo o analfabetismo hoje, através do processo de exclusão, o qual engloba os excluídos do processo e os excluídos no processo de ensino-aprendizagem.

Alfabetização camponesa: problemas e sugestões

Apesar de que eliminar o analfabetismo no campo supõe transformações sociais globais, pode-se esperar resultados positivos ao se combinarem a extensão e melhoramento da educação primária rural com programas específicos de alfabetização. Estes devem surgir dos interesses reais e objetivos dos grupos camponeses, se inserirem em sua cultura e colocar-se a serviço do fortalecimento de seu poder e de sua autonomia social. A heterogeneidade dos grupos camponeses faz com que a elaboração dos programas de alfabetização deva partir de motivações muito diferentes mas todas elas ligadas com ações mais abrangentes de desenvolvimento e mudanças. Da experiência recente na América Latina, é possível colher sugestões valiosas tanto no que diz respeito a modalidades, como quanto aos subsídios técnicos dos programas de alfabetização. No entanto, tudo isso vai precedido da decisão política de favorecer efetivamente os setores camponeses. É de se esperar que em nossos países se verifiquem condições favoráveis para que essas decisões sejam adotadas.

Os alunos e o ensino na República Velha através das memórias de velhos professores.

O artigo baseia-se na pesquisa realizada com professores que lecionaram em escolas de zona rural no Estado de São Paulo, antes de 1930. Através das memórias desses mestres procurou-se obter informações sobre como eram tratados problemas referentes a matrícula, freqüência, rendimento escolar dos alunos e atividade docente. O objetivo foi contribuir, através de uma perspectiva histórica, para o aprofundamento da problemática atual do ensino no Brasil, no que se refere à escolarização das camadas populares. Os depoimentos dos professores de escolas localizadas em propriedades rurais e em vilas, distritos ou povoados evidenciam aspectos que, em alguns casos, contradizem idéias estabelecidas sobre o tema. Os dados reforçam a tese de que: 1) as populações rurais, já naquela época, procuravam e valorizavam a escola; 2) problemas de freqüência escolar estão historicamente associados às condições de trabalho das camadas subalternas; 3) mesmo trabalhando isolados, os professores conseguiam bons resultados no que se refere ao aproveitamento dos alunos. As histórias de vida possibilitaram, ainda, estabelecer correlações significativas entre: a dedicação dos professores aos alunos; o sistema de avaliação do rendimento escolar que não era realizado pelo próprio professor; e a carreira do magistério que dependia do sucesso do seu trabalho. Além disso, pode-se compreender melhor a presença do Estado que, sem mecanismos de ação direta, ainda assim exercia um efetivo controle sobre as atividades

Ano

2013

Creators

Demartini, Zeila de Brito Fabri Tenca, Sueli Cotrim Tenca, Álvaro

Lhão, lhão, lhão, quem não entra é um bobão. Ou como se alfabetizam as crianças no Estado de São Paulo.

A vasta contribuição da Lingüística parece não ter afetado as propostas de alfabetização, já que a Lingüística sequer é consultada para a elaboração de projetos e material didático. A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo reproduz, há três governos, um manual que se intitula Subsídios para Implementação do Guia Curricular de Língua Portuguesa para o 1º Grau: 1ª série. Nota-se nesse manual uma grande confusão teórica e metodológica. Não se distinguindo teoricamente fonema e grafema, as sugestões metodológicas para o aprendizado da leitura e escrita são uma série de equívocos. Do ponto de vista sociolingüístico há uma desvalorização sistemática do aluno - eterno dependente, produto de uma "subcultura". Fica difícil responder à pergunta inicial: que língua ensinar? Mais difícil ainda é pretender sucesso de professores tão mal informados e orientados. Este artigo é uma reflexão sobre esses problemas.

Ano

2013

Creators

Rodrigues, Ada Natal

Literatura infantil para crianças que aprendem a ler.

Antes de aprender a ler, a criança conhece livros e outros materiais veiculados através da palavra escrita, e estes podem estimulá-la à aprendizagem da leitura. Mas existem também livros dirigidos especialmente à fase em que a criança está se alfabetizando. Esses últimos têm características particulares, aqui examinadas, e respondem às exigências, de um lado, da faixa em questão, de outro, de qualidade artística e valor literário.

Conscientização e alfabetização de adultos.

Este texto procura dar conta de descrever dois momentos de referência na prática da chamada conscientização dentro do campo da Educação Popular. Através da alfabetização de adultos, a conscientização amoldou práticas diferenciadas de acordo com o momento e a forma em que foi concebida. O que se pode notar, dentro deste aspecto, é que não há uma contradição entre os dois momentos analisados, mas tempos diferentes de um mesmo caminhar na busca de um trabalho mais eficaz com os grupos populares.

Alfabetização na pré-escola: exigência ou necessidade.

A versão preliminar deste texto foi elaborada para o Projeto Quinta em Debate, promovido pela Secretaria de Estado de Educação em Minas Gerais, Centro de Recursos Humanos. Realizado a 9 de agosto de 1984, o debate permitiu a identificação e o aprofundamento de algumas questões que foram acrescentadas na versão aqui publicada.O título do trabalho foi sugerido pela prórpia Secretaria da Educação.

Ano

2013

Creators

Kramer, Sonia Abramovay, Miriam

Situação atual do ensino de 1º Grau: pequeno exemplário de desacertos.

Mas neste caso como em qualquer outro o que é errado também é acreditar que, pelo fato de não podermos fazer tudo, não podemos nem somos obrigados a fazer nada.

Ano

2013

Creators

Azanha, José Mário Pires

Repensando a prática de alfabetização: as idéias de Emilia Ferreiro na sala de aula.

Busco evidenciar, neste artigo - através da reflexão sobre fragmentos da minha prática como professora de crianças em uma favela de São Paulo - as profundas transformações possíveis na ação pedagógica do alfabetizador a partir da psicogênese da alfabetização formulada por Emilia Ferreiro e colaboradores Emilia Ferreiro é Doutora em Psicologia pela Universidade de Genebra (Tese orientada por Jean Piaget). Argentina nascimento, é atualmente professora titular do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional no México. As idéias expressas neste artigo não se pretendem um guia, um manual, ou coisa que valha, para serem usadas por professores. Pelo contrário, se prpõem atrair a atenção dos educadores para a importância de cada professor construir para si mesmo uma compreensão do processo de alfabetização da criança. Compreensão que, esta sim, lhe sirva de guia para criar e recriar permanentemente a sua prática pedagógica.

A pós-alfabetização e um pouco de compreensão dos erros das crianças.

Vencida a primeira etapa de aprendizagem da leitura e escrita, terá lugar o desenvolvimento da pós-alfabetização, aquela fase superior do próprio processo de alfabetização onde começa haver o domínio mais operativo das atividades de leitura e escrita. Normalmente esse momento não acontece só no final da 1º série mas se estende durante as 1ºs séries do 1º grau e até mais adiante ainda, mormente se considerar que o domínio da língua escrita e falada se deve vincular ao dimínio cada vez maior de diferentes instrumentos conceituais e metodológicos para adequação à expressão e comunicação em situações discursivas e sociais diversificadas e à crítica e compreensão dos vários modos de organizar e representar a realidade.

Ano

2013

Creators

Franchi, Eglê Pontes

Ensino agrícola a nível de 2º grau: do discurso oficial à necessidade de conhecer a realidade.

Este artigo objetiva realizar uma breve retrospectiva histórica a respeito do ensino voltado à formação de profissionais para atuar na agricultura. Além disso, procura explicitar algumas das linhas norteadoras que definem a atual política do ensino agrícola a nível de 2º grau. Pretende-se,dessa forma, levantar as principais distorções existentes entre o discurso oficial e a realidade do modelo agrícola brasileiro. Sob essa ótica considerou-se necessário repensar o ensino técnico agrícola não apenas nos limites restritos à qualificação profissional, mas também como mais uma oportunidade a contribuir para o desenvolvimento político do adolescente, tornando-o conhecedor dos problemas sociais ligados à terra.

Ano

2013

Creators

Franco, Maria Laura P. Barbosa