Repositório RCAAP

Aspergilose do sistema nervoso central em recém-nascido pré-termo : a propósito de um caso clínico

As infeções fúngicas invasivas neonatais têm vindo a adquirir uma prevalência crescente nas últimas décadas, não só as causadas pelos agentes etiológicos mais comuns da espécie Candida spp., como também por agentes menos frequentes. Salienta-se a importância de Aspergillus spp. que, apesar de ser um fungo ubíquo e de apresentar baixa incidência, se reveste de importância crucial no que concerne a este tipo de infeções. O seu rápido diagnóstico e tratamento precoce constituem pilares de extrema relevância na tentativa de melhorar o prognóstico destas infeções, visto estarem associadas a elevadas taxas de morbilidade e mortalidade. A Aspergilose Invasiva em idade neonatal é uma patologia de baixa incidência, que pode cursar com atingimento de vários órgãos e sistemas, tais como os pulmões (forma mais frequente) e o Sistema Nervoso Central, sendo a meningite a forma de apresentação mais comum aquando do envolvimento deste último. O curso clínico de uma meningite fúngica é mais insidioso do que na etiologia bacteriana, sendo as suas manifestações clínicas inespecíficas. Muitas vezes, o seu diagnóstico tardio condiciona um agravamento do prognóstico, estando associada a elevadas taxas de mortalidade. O método de diagnóstico gold standard é o isolamento do agente no líquido cefalorraquidiano, embora hemoculturas, exames imagiológicos e técnicas moleculares tenham também um papel importante no curso do diagnóstico. O tratamento com agentes antifúngicos, nomeadamente, Anfotericina Lipossómica e Voriconazol demonstra-se promissor, com diminuição das complicações e lesões sequelares associadas. Contudo, o prognóstico da Aspergilose Invasiva com meningite é reservado. Por forma a ilustrar a Aspergilose Invasiva em recém-nascidos, é apresentado o caso clínico de um recém-nascido pré-termo com isolamento de Aspergillus glaucus no líquor, o seu tratamento e evolução.

Ano

2025-10-28T12:17:19Z

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Silva, Ana Sofia dos Santos Lopes da

Rastreio e profilaxia de doenças infeciosas no transplante renal

Para candidatos adequados, o transplante renal é a estratégia de terapêutica de substituição renal preferida, porque melhora a sobrevivência e a qualidade de vida e tem menos custos económicos do que a diálise. Os recetores de transplante de órgãos estão em risco de contrair patógenos de dadores com infeções ativas ou latentes no momento da colheita. O rastreio de dadores é vital para mitigar o risco dos recetores e otimizar os resultados pós-transplante. A avaliação de risco do dador, baseada numa história minuciosa, incluindo detalhes sobre infeções prévias, locais de viagem e residência, profissão e/ou estilo de vida, e exposições a patógenos animais e ambientais, bem como uma avaliação diagnóstica apropriada são essenciais. O rastreio obrigatório de doenças infeciosas no dador inclui Citomegalovirus, Vírus Epstein-Barr, Vírus da Imunodeficiência Humana, Vírus da Hepatite B, Vírus da Hepatite C, sífilis, toxoplasmose e tuberculose (dadores vivos), bem como hemoculturas e uroculturas. Certas exposições endémicas podem justificar avaliações adicionais como testar para Vírus do Nilo Ocidental, Coccidioides spp., Histoplasma capsulatum, Strongyloides stercoralis, ou Trypanosoma cruzi. Para além disso, dadores com características clínicas que possam estar associadas a infeção do sistema nervoso central exigem avaliação cuidadosa e qualquer meningite ou encefalite causada por um patógeno desconhecido é uma contraindicação absoluta para doação. O diagnóstico de uma infeção no dador implica tratamento, bem como investigação adicional e/ou profilaxia para mitigar o risco de complicações pós-transplante. Algumas infeções no período pré-transplante imediato podem ditar a protelação do transplante. Apesar destas medidas, a transmissão de infeções inesperadas do dador para o recetor permanece uma rara complicação da transplantação. Com este trabalho pretende-se realizar uma revisão das recomendações relativas ao rastreio de doenças infeciosas no dador, bem como das atuações profiláticas, com o propósito de as adaptar à realidade portuguesa.

Ano

2025-10-28T12:09:36Z

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Martins, Ana Sofia dos Santos

Assessment of patients with hereditary transthyretin amyloidosis : understanding the impact of management and disease progression

Timely diagnosis of hereditary variant transthyretin (ATTRv) amyloidosis is critical for appropriate treatment and optimal outcomes. Significant differences are seen between patients receiving treatment and those who are not, though disease progression may continue despite treatment in some patients. Healthcare professionals caring for patients with ATTRv amyloidosis therefore need reliable ongoing assessments to understand the continuing course of disease and make appropriate treatment choices on an individual basis. Various signs and symptoms experienced by patients may be evaluated as indicators of disease progression, though there is currently no validated score that can be used for such ongoing assessment. Recognizing this situation, a group of clinicians highly experienced in ATTR amyloidosis developed an approach to understand and define disease progression in diagnosed and treated patients with ATTRv amyloidosis. The suggested approach is based on the recognition of distinct phenotypes which may usefully inform the particular tools, tests and investigations that are most likely to be appropriate for individual patients. It is aimed at implementing appropriate and ongoing assessment of patients being treated for ATTRv amyloidosis, such that the effectiveness of management can be usefully assessed throughout the course of disease and management can be tailored according to the patient’s requirements.

Ano

2025-10-28T12:25:00Z

Creators

Conceição, isabel Coelho, Teresa Rapezzi, Claudio Parman, Yeşim Obici, Laura Galán, Lucía Rousseau, Antoine

Sex matters?! O papel do género e sexo na adaptação a ambientes extremos

Mulheres e homens apresentam diferenças relacionadas com o género e sexo que podem influenciar a sua saúde e bem-estar. Todavia, o estudo destas disparidades tem sido restrita às esferas reprodutiva e social. Num mundo em constante mudança, ameaçado pelas alterações climáticas, caracterizado por fluxo migratório intenso e preparado para embarcar em missões aeroespaciais, é necessário assegurar a saúde de todos os indivíduos que se confrontam com estes desafios. Contudo, a investigação científica geralmente não tem em conta as variáveis sexo e género, o que condiciona a equidade a todos os níveis de prevenção e nos cuidados médicos. Esta revisão sistemática pretende aferir a existência de evidência científica publicada na última década sobre a influência do género e sexo na adaptação a ambientes extremos, sistematizar quais as diferenças encontradas que conferem vantagem e desvantagem adaptativa às mulheres, bem como identificar potenciais implicações para a Medicina da Mulher. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica em diversas bases de dados e analisados um total de 7 artigos, que apresentam informação sobre respostas aos extremos térmicos, pesquisas realizadas na Antártida, diferenças na resiliência e na adaptação ao Espaço. Em primeiro lugar, conclui-se que, apesar de os homens apresentarem uma maior mortalidade em temperaturas extremas, disparidades antropométricas tornam as mulheres mais intolerantes ao calor, facto que pode ser contrabalançado com treino aeróbio apropriado. De seguida, é sobretudo ao nível do sistema imunitário que se documentam mais diferenças significativas entre homens e mulheres. Já a vantagem de sobrevivência feminina é um fenómeno historicamente demonstrado. Por fim, são necessários mais estudos e um maior recrutamento de astronautas do sexo feminino para que conclusões definitivas relativas à adaptação espacial possam ser retiradas. Em suma, continua a ser fundamental apostar na investigação científica das diferenças entre sexos em Medicina para que se atinja uma real igualdade de género.

Ano

2025-10-28T12:17:59Z

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Mota, Ana Sofia Rodrigues de Oliveira

Taxa de sobrevivência e sucesso do autotransplante dentário: revisão sistemática

Objetivo: Determinar as taxas de sobrevivência ao fim de 1, 5 e 10 anos de dentes autotransplantados com formação completa ou incompleta da raiz, assim como a taxa de sucesso e as principais complicações, através de uma revisão sistemática. Materiais e Métodos: Foi efetuada uma pesquisa na base de dados MEDLINE, através do motor de busca PubMed, desde 01/01/1990 até 05/09/2020, com as palavra-chave “tooth”, “autotransplantation” e “survival”. Foram delineados os critérios de inclusão e exclusão. Calcularam-se as médias das taxas de sobrevivência geral e ao fim de 1, 5 e 10 anos, assim como as taxas de sucesso e complicações. A análise estatística envolveu medidas de estatística descritiva e inferencial. Resultados: Dos 28 artigos retrospetivos e prospetivos analisados, a taxa de sobrevivência geral para o autotransplante de dentes com formação radicular completa e incompleta foi 91,48%. Ao fim de 1, 5 e 10 anos os valores foram de 98,33%, 91,94% e 88,95%, respetivamente. A taxa de sucesso apresentou uma média de 79,24% e as principais complicações apresentadas foram a reabsorção radicular (19,17%), a necrose pulpar (18,19%) e a anquilose (12,7%). Os valores de sobrevivência a 5 anos foram significativamente mais elevados no grupo de formação radicular incompleta (93,76 vs 62,68), Z = -1,960, p = .050. Conclusão: A atual evidência disponível demonstra elevadas taxas de sobrevivência e de sucesso para o autotransplante dentário. Dentro das limitações da presente revisão, os resultados sugerem que o autotransplante dentário pode ser considerado uma opção de tratamento para a substituição dentária, especialmente para pacientes em crescimento.

Ano

2025-10-28T12:11:44Z

Creators

Barata, Ana Lúcia Apolinário

Análise comparativa da eficácia de remoção do tecido pulpar com diferentes sistemas de instrumentação mecanizada: ProTaper Gold e WaveOne Gold

Introdução: No tratamento endodôntico a instrumentação dos canais radiculares é uma fase de extrema importância para que as etapas seguintes sejam realizadas com sucesso. Mesmo com os numerosos avanços a maioria dos sistemas mecanizados pode não conseguir efetuar uma limpeza e modelagem adequadas. Este facto pode deixar regiões intactas ou superfícies infetadas no canal preparado. O objetivo deste estudo foi comparar a eficácia da remoção de tecido pulpar de dentes uni radiculares, após instrumentação com dois sistemas de limas mecanizadas: ProTaper Gold e WaveOne Gold. Materiais e métodos: 40 dentes monorradiculares, armazenados em formol tamponado após extração, foram divididos em dois grupos. No grupo 1 (G1) foi feita a instrumentação com o sistema Protaper Gold, e no grupo 2 (G2) foi feita a instrumentação com o sistema WaveOne Gold. A irrigação foi feita com soro fisiológico por ser uma solução inócua. Os dentes foram depois descalcificados, cortados e corados. Os cortes histológicos foram visualizados e fotografados no microscópio ótico e analisados no software ImageJ medindo a eficácia da instrumentação. A análise estatística dos resultados foi obtida através do SPSS. Resultados: A eficácia da instrumentação foi de 52,331% ± e 56,012% ± para G1 e G2, respetivamente. Em nenhum grupo houve dentes com valores de eficácia de instrumentação de 100%. As diferenças presentes entre os dentes do mesmo grupo não foram estatisticamente significativas (p>0.05). Quando comparada a eficácia da instrumentação entre os dois grupos verificaram-se melhores resultados para G2. Apesar disto, estes valores não foram estatisticamente significativos entre eles (p>0,05). Conclusão: Os resultados sugerem que a eficácia da instrumentação foi superior no grupo instrumentado com o sistema WaveOne Gold, apesar das diferenças entre grupos não serem estatisticamente significativas. São necessários estudos com uma amostra maior e possivelmente com uso de técnicas diferentes de avaliação, de forma a confirmar esta conclusão.

Ano

2025-10-28T12:28:33Z

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Garcia, Ana Luísa dos Reis

Aplicação do índice de maturidade do terceiro molar na estimativa médico-legal da idade numa população dos 12 aos 23 anos

Introdução: A Medicina Dentária Forense é um ramo das ciências forenses, cujos objetos de estudo são a observação e avaliação da cavidade oral e os dentes. Sendo o dente o elemento biológico que menos sofre influências genéticas e ambientais, este é considerado um dos melhores indicadores biológicos para ser utilizado nos métodos de estimativa de idade. Para tal, ortopantomografias são preferidas a qualquer outro método indireto. Objetivo: O objetivo da presente investigação foi estimar a idade cronológica no âmbito da identificação médico-legal da idade, através da aplicação do índice de maturidade do terceiro molar e os respetivos estádios de Demirjian, numa população portuguesa, dos 12 aos 23 anos. Materiais e Métodos: Foram selecionadas 350 ortopantomografias nas quais se realizaram as medições necessárias no programa ImageJ. Foi aplicado o método de Cameriere para o cálculo da estimativa de idade. Os terceiros molares foram classificados de acordo com os estádios de Demirjian. Posteriormente, os resultados foram analisados estatisticamente. Resultados e Discussão: Os coeficientes de correlação intraclasse variam entre 0,852 e 0,999. A análise bivariada mostrou que o dente 38 é o que apresenta maior correlação com a idade cronológica, independentemente do género. Os coeficientes de determinação obtidos nos modelos de regressão (entre 0,424 e 0,601) são claramente inferiores aos do estudo original. A classificação pelos estádios de Demirjian mostrou maior poder explicativo da idade, permitindo obter estimativas mais precisas da idade, quando comparado com o índice de maturidade do terceiro molar aplicado de forma isolada. Conclusão: Este estudo permite concluir a não aplicabilidade do índice de maturidade do terceiro molar na população portuguesa, havendo diferenças estatisticamente significativas entre a idade cronológica e a idade dentária dos indivíduos, estimada pelo índice de maturidade do terceiro molar. No entanto, quando a este método se associa a classificação por estádios de Demirjian, a sua aplicabilidade é mais favorável, obtendo-se estimativas mais precisas, com aplicação médico- legal.

Ano

2025-10-28T12:13:33Z

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Rodrigues, Ana Margarida Peleias

Interactions among myeloid regulatory cells in cancer

Mounting evidence has accumulated on the critical role of the different myeloid cells in the regulation of the cancerous process, and in particular in the modulation of the immune reaction to cancer. Myeloid cells are a major component of host cells infiltrating tumors, interacting with each other, with tumor cells and other stromal cells, and demonstrating a prominent plasticity. We describe here various myeloid regulatory cells (MRCs) in mice and human as well as their relevant therapeutic targets. We first address the role of the monocytes and macrophages that can contribute to angiogenesis, immunosuppression and metastatic dissemination. Next, we discuss the differential role of neutrophil subsets in tumor development, enhancing the dual and sometimes contradicting role of these cells. A heterogeneous population of immature myeloid cells, MDSCs, was shown to be generated and accumulated during tumor progression as well as to be an important player in cancer-related immune suppression. Lastly, we discuss the role of myeloid DCs, which can either contribute to effective anti-tumor responses or play a more regulatory role. We believe that MRCs play a critical role in cancer-related immune regulation and suggest that future anti-cancer therapies will focus on these abundant cells.

Ano

2025-10-28T12:16:21Z

Creators

Umansky, Viktor Adema, Gosse J. Baran, Jaroslaw Brandau, Sven Van Ginderachter, Jo A. Hu, Xiaoying Jablonska, Jadwiga Mojsilovic, Slavko Papadaki, Helen A. Pico de Coaña, Yago Santegoets, Kim C. M. Santibanez, Juan F. Serre, Karine Si, Yu Sieminska, Isabela Velegraki, Maria Fridlender, Zvi G.

Meeting the needs of breast cancer: a nucleolin’s perspective

A major challenge in the management of breast cancer disease has been the development of metastases. Finding new molecular targets and the design of targeted therapeutic approaches to improve the overall survival and quality of life of these patients is, therefore, of great importance. Nucleolin, which is overexpressed in cancer cells and tumor-associated blood vessels, have been implicated in various processes supporting tumorigenesis and angiogenesis. Additionally, its overexpression has been demonstrated in a variety of human neoplasias as an unfavorable prognostic factor, associated with a high risk of relapse and low overall survival. Hence, nucleolin has emerged as a relevant target for therapeutic intervention in cancer malignancy, including breast cancer. This review focus on the contribution of nucleolin for cancer disease and on the development of therapeutic strategies targeting this protein. In this respect, it also provides a critical analysis about the potential and pitfalls of nanomedicine for cancer therapy.

Ano

2025-10-28T12:25:00Z

Creators

Gregório, Ana C. Lacerda, Manuela Figueiredo, Paulo Simões, Sérgio Dias, Sérgio Moreira, João Nuno

Uma concepção cultural de comunicação na teoria social dos Media dos EUA : da escola de Chicago do pensamento social às perspectivas de James W. Carey

Esta tese apresenta, interpreta e discute uma constelação de reflexões teóricas e propostas de investigação surgidas nos Estados Unidos da América que conformou o fenómeno comunicacional e os mediacomo problemática das ciências sociais e está na génese de uma concepção cultural de comunicação que se prolonga até aos nossos dias. Albion Small, Edward Ross, William Sumner, John Dewey, George H. Mead, Charles H. Cooley, William I. Thomas e Florian Znaniecki, Robert E. Park, David Riesman, Charles Wright Mills, Kenneth Burke e James W. Carey, os autores a que esta investigação dedica particular atenção, sugeriram contributos relevantes, tanto para uma teoria geral da acção simbólica na sociedade, como para uma teoria social da comunicação e dos media. Esta teseexplora a hipótese que aquele feixe plural de autores constitui uma linhagemde pensamento em torno de uma abordagem cultural da comunicação que a conjuga com os problemas do significado, da interacção simbólica, da identidade, do papel dos mediacomo veículos para a imaginação e para a experiência, do lugar do jornalismo numa sociedade democrática e da importância dos conflitos simbólicos na sociedade. O argumento central desta tese é que, na história da teoria e da investigação em comunicação, aquele conjunto de autores apresenta um olhar que o distingue da que foi considerada a contribuição tipicamente norte-americana nesta área das ciências sociais –a análise dos efeitos, funções e usos dos media. Este modelo hegemónico converteu-se inclusivamente no eixo da história convencional da pesquisa em comunicação e medianos EUA, noção que perpassa ainda por muita da literatura de ensino e divulgação em todo o mundo. Sustenta-se nesta tese que pode ser reconhecido, aos autores e obras aqui estudados, um estatuto destacado para as investigações contemporâneas no campo da comunicação, rompendo-se assim com uma certa negligência relativamente a uma tradição que tem estado num plano obscurecido na história e no pensamento das ciências sociais sobre a comunicação e os media.

Ano

2025-10-28T12:19:54Z

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Subtil, Filipa

Desafios da tradução técnica : manuais de segurança e policiamento

Este relatório é fruto do trabalho desenvolvido durante o estágio profissionalizante realizado no âmbito do mestrado em tradução da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa durante o ano lectivo 2017/2018. O estágio teve lugar no Instituto de Ciências Policiais e Segurança Interna, no período compreendido entre Setembro de 2017 e Julho de 2018. Mediante a aplicação dos conhecimentos adquiridos nos seminários de tradução científica/técnica, foi desenvolvido o trabalho de tradução de manuais respeitantes a medidas de policiamento e de segurança aplicáveis em diferentes tipos de situações. Este relatório procura dar a conhecer as principais questões de tradução, as estratégias utilizadas e a análise crítica das soluções apresentadas.

Ano

2025-10-28T12:11:16Z

Creators

Tavares, Rita Morão

Surdez mitocondrial

As mitocôndrias são organelos intracelulares presentes nas células eucarióticas. Apesar de serem principalmente reconhecidas pela produção de ATP, através da fosforilação oxidativa, estes organelos desempenham inúmeras funções, ao nível da apoptose e controlo do stress oxidativo. Desta forma, a disfunção mitocondrial compromete inúmeros aspetos da dinâmica celular. É este o mecanismo originário de diversas patologias, inclusivamente surdez. Estima-se que 2% dos casos de défice auditivo estejam associados a disfunção mitocondrial. A disfunção mitocondrial pode resultar em défice auditivo isolado (não-sindrómico) ou enquadrado num síndrome mitocondrial sistémico (sindrómico). A perda auditiva associada a disfunção mitocondrial é exclusivamente simétrica, neuro-sensorial e afeta primariamente as frequências mais elevadas, contudo poderá progredir para o envolvimento de todas as frequências. A mitocôndria contém o seu próprio genoma, o ADNmt, que é distinto do ADNn. As doenças mitocondriais podem resultar de mutações em genes nucleares que codifiquem proteínas mitocondriais ou mutações do ADNmt. Subsequentemente, o défice auditivo mitocondrial pode seguir um padrão mendeliano ou de hereditariedade materna, respetivamente.

Ano

2025-10-28T12:11:30Z

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Bexiga, Ana Rita Rodrigues

Thrombotic events with specific NOAC antidotes : systematic review and meta-analysis

Introdução Os NOACs são alternativas adequadas aos antagonistas da Vitamina K e parecem apresentar melhor perfil de segurança. No entanto, mesmo os doentes medicados com NOACs sofrem de eventos hemorrágicos. Doentes com hemorragia ativa podem beneficiar da reversão do efeito farmacológico dos NOACs apesar dos possíveis efeitos adversos, como, eventos trombóticos. Por isso mesmo, sumarizámos a evidência disponível sobre os antídotos específicos para os NOACs, nomeadamente, o Idarucizumab, o Andexanet alfa e o PER977. Após esta recolha, avaliámos a incidência de eventos trombóticos e mortalidade, aquando da utilização destes antídotos em doentes, com hemorragia ativa ou submetidos a cirurgia/procedimento invasivo. Métodos Esta revisão incluiu todos os estudos intervencionais publicados até Outubro de 2019 nas seguintes bases de dados: Cochrane Central Register of Controlled Trials, MEDLINE(R) e PsycINFO. Os estudos incluídos foram aqueles que descreveram doentes elegíveis para a administração do antídoto específico e que reportaram pelo menos um evento trombótico ou uma morte. O risco de viés foi avaliado através de uma adaptação da Critical Appraisal Skills Programme (CASP) Checklist. Utilizou-se o software Openmeta-analyst, e os resultados encontram-se expressos em percentagens e com intervalos de confiança de 95% (CI). Foi usada a Freeman-Turkey transformation (double arcsine transformation), de forma a estimar a frequência dos eventos, limitando o IC entre 0-100%. A heterogeneidade foi avaliada recorrendo ao I2 statistics. Resultados Nove estudos, maioria estudos coorte, que reuniram um total de 1292 doentes, foram incluídos na revisão sistemática e meta-análise. Estudos sobre o PER977 não foram encontrados. A análise combinada de eventos trombóticos incluiu cinco estudos e resultou numa incidência de 6,1% (95%CI 1.8–12.3%). Em relação à mortalidade, a análise combinada incluiu nove estudos e resultou numa incidência de 15% (95%CI 10.6–19.8%). Heterogeneidade moderada a alta foi observada em ambos os resultados. Conclusão O tratamento com Idarucizumab e Andexanet alpha reduz de forma marcada a atividade anti-trombina e anti-fator Xa, respectivamente, o que conduz a uma hemostasia eficaz nos doentes hemorrágicos. Apesar da eficácia destes fármacos, os doentes poderão sofrer de eventos trombóticos com uma incidência de 6.1%. Sendo que esta incidência é superior nos doentes que foram tratados com o Andexanet alpha.

Ano

2025-10-28T12:17:19Z

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Rodrigues, André Oliveira

Follow-up da cirurgia da catarata : revisão baseada na evidência

A cirurgia da catarata é uma das cirurgias mais realizadas no mundo, representando uma porção importante do trabalho das unidades de Oftalmologia e tendo-se tornado numa intervenção muito segura, com taxas de complicações pós-operatórias de 1,6%, podendo especular-se que, em doentes sem complicações intra-operatórias, esta será ainda mais pequena. Por sua vez, em Portugal, os serviços de Oftalmologia têm dificuldade em responder ao elevado número de pedidos de primeira consulta. Deste modo, torna-se pertinente avaliar a possibilidade do desenvolvimento de esquemas de follow-up mais eficientes para esta cirurgia. No desenvolvimento de um esquema de follow-up devem ser consideradas a incidência e as características das complicações pós-operatórias precoces, a segurança da eliminação de algumas destas observações e o timing da estabilização da refração. Maioritariamente, as complicações pós-operatórias precoces têm incidências muito baixas, que não parecem justificar observações médicas, e são sintomáticas. Em doentes com comorbilidades, especialmente diabetes, as complicações são mais frequentes. Em relação à segurança da eliminação de algumas visitas de follow-up, já foram realizados alguns estudos que sugerem que a visita em D1 é desnecessária, que a primeira observação pode ser efetuada em D14 ou mesmo que a não realização de observações pós-operatórias em doentes selecionados é segura. Alguns estudos referem que a avaliação em D1 pode permitir a deteção de elevações da PIO. A refração tende a estar estável aos 7 dias, mas a sua avaliação subjetiva torna-se mais fiável a partir de 14 dias no pós-operatório. Assim, conclui-se que é possível simplificar os esquemas de seguimento da cirurgia da catarata em doentes sem complicações intra-operatórias sem riscos acrescidos para os mesmos, propondo-se uma observação simples no dia da cirurgia (2h ou mais depois da mesma) e outra 15 dias depois.

Ano

2025-10-28T12:18:41Z

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Branco, André Balata

Resistência antimicrobiana no microbiota respiratório do doente com fibrose quística

A Fibrose Quística é uma doença genética cuja prevalência varia consoante os países. A doença caracteriza-se por sintomas de doença pulmonar crónica e de má absorção intestinal. A grande causa de morbilidade e mortalidade nestes pacientes é a doença pulmonar crónica caracterizada por infeções respiratórias recorrentes. Ao nível do pulmão, para além do processo infecioso há uma resposta inflamatória marcada com impacto negativo na deterioração da função pulmonar. A esperança de vida aumentou para mais de 40 anos muito devido à instituição de terapêutica antibiótica oral, endovenosa ou inalada, preconizada para o controlo das infeções pulmonares, nomeadamente no primeiro isolamento de Pseudomonas aeruginosa e na terapêutica de supressão para a infeção crónica. Contudo, a maior sobrevida e a frequente administração de antimicrobianos tem como consequência o isolamento de bactérias multirresistentes. A definição de resistência antimicrobiana no contexto da fibrose quística tem sido tema de reflexão e vai ser abordado ao longo do trabalho. Atualmente, é consensual que o microbiota é, também, um fator integrante da fisiopatologia de algumas doenças, nomeadamente da fibrose quística. Ao logo do trabalho serão abordadas as principais evidências acerca desta relação e a forma como se devem interpretar estes novos conhecimentos e a sua possível aplicação para melhor tratar os pacientes. Pretende-se responder às questões: será a microbiota um novo alvo terapêutico? Como interpretar, valorizar e atuar, consoante o padrão de resistência aos antimicrobianos presente no microbioma? Este trabalho procura sintetizar e relacionar todos estes conceitos, à luz da mais recente evidência científica e opinião de peritos na área.

Ano

2025-10-28T12:22:21Z

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Miranda, André Nunes

ISBE Newsletter nº 89: Metodologia científica de localização, avaliação crítica, síntese e publicação das NEWSLETTER do ISBE/CP

O objectivo da Newsletter do Instituto de Saúde Baseado na Evidência (ISBE) é a disponibilização de informação sobre áreas relevantes para a prática clínica, baseada na melhor evidência científica. São localizados estudos relevantes e de alta qualidade, criticamente avaliados pela sua validade, importância dos resultados e aplicabilidade prática e resumidos numa óptica de suporte à decisão clínica. É dada prioridade aos estudos de causalidade – revisões sistemáticas, ensaios clínicos, estudos de coorte prospectivos/retrospectivos, estudos seccionais cruzados e caso‐controlo – incluindo‐se ainda, quando justificado, estudos qualitativos considerados de elevada qualidade metodológica e importância clínica.

Ano

2025-10-28T12:13:33Z

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Carneiro, António Vaz Neto, Susana

A grávida em hemodiálise : abordagem e desfechos maternos, obstétricos e perinatais

A gravidez no estádio G5 da doença renal crónica é um evento raro dada a elevada prevalência de infertilidade e disfunção sexual neste grupo de mulheres. O diagnóstico da gestação pode ser difícil e é geralmente tardio. Ao longo dos anos, os avanços na abordagem da grávida em hemodiálise, através da prescrição de hemodiálise intensiva e de um melhor controlo metabólico e hemodinâmico, permitiram diminuir a incidência de desfechos adversos nomeadamente parto pré-termo, polihidrâmnios e baixo peso ao nascer, reduzindo significativamente a mortalidade perinatal. O sucesso da gestação depende de um aconselhamento multidisciplinar pré-concecional para planeamento da gravidez, da prevenção e/ou controlo da patologia hipertensiva e do planeamento do parto, não descurando a importância do apoio psicológico destas mulheres na gravidez e pós-parto. Apesar do progresso positivo nos desfechos são necessários mais estudos que permitam a continuação desta melhoria nesta população.

Ano

2025-10-28T12:25:00Z

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Daniel, Andreia Casimiro

Trauma em idade pediátrica : revisão casuística numa unidade de cuidados intensivos pediátricos de um centro de trauma nível I

Introdução e Objetivo: O trauma físico permanece uma causa importante de morbimortalidade em Pediatria, apesar da melhoria na prevenção primária e cuidados de saúde. Pretende-se fazer uma revisão da patologia traumática que motivou internamento numa unidade de cuidados intensivos pediátricos de um Centro de Trauma Nível I. Métodos: Estudo retrospetivo dos internamentos por trauma físico na UCIPed do HSM-CHULN, de 01/01/2015 a 31/12/2019. Analisados dados demográficos, clínicos, tipo de evento, mecanismo da lesão e evolução clínica. Resultados: Foram internadas 161 crianças (8,3% das admissões), 67,1% do sexo masculino, idade média de 10,1 anos. A taxa de mortalidade foi de 3,7% (6 óbitos), idade média de 8,5 anos (σ=4,7 anos). O principal local do trauma foi a rua (70,8%), em 54% dos doentes foi efetuado transporte primário para o HSM-CHULN. O acidente de viação foi o mecanismo mais frequente (51,6%). Existiu um predomínio de trauma contuso (94,4%) e de politrauma (67%). O traumatismo cranioencefálico (TCE) foi o mais frequente, tanto em monotrauma (74,6%) como em politrauma (71,8%), diretamente relacionado com o óbito em 5 doentes. Houve necessidade de suporte respiratório em 54,7% dos doentes, 33,5% tiveram suporte neurológico, 32,3% necessitaram de hemoderivados e 16,8% de suporte vasoativo. Efetuada intervenção cirúrgica em 57,1%. Na escala PTS verificou-se uma mediana global de 8 (-3; 12) e de 2,5 (-3; 8) no grupo dos óbitos. Duração média de internamento na UCIPed de 3,0 dias (σ=3,6 dias), total hospitalar de 18 dias (σ=18,3 dias), 79,5% de altas para o domicílio. Na avaliação na alta a maioria dos doentes teve PCPC – 1 (função cerebral normal - 55,3%) e POPC - 3 (limitação geral moderada - 44,1%). Conclusão: Verificou-se um predomínio do politrauma associado a acidentes de viação e uma maior morbimortalidade associada ao TCE. Para melhor caracterização da realidade nacional são necessários estudos prospetivos e multicêntricos.

Ano

2025-10-28T12:15:24Z

Creators

Afonso, Andreia Filipa Cavaco

The immune microenvironment in multiple myeloma : friend or foe?

Multiple myeloma (MM) is one of the most prevalent hematological cancers worldwide, characterized by the clonal expansion of neoplastic plasma cells in the bone marrow (BM). A combination of factors is implicated in disease progression, including BM immune microenvironment changes. Increasing evidence suggests that the disruption of immunological processes responsible for myeloma control ultimately leads to the escape from immune surveillance and resistance to immune effector function, resulting in an active form of myeloma. In fact, one of the hallmarks of MM is the development of a permissive BM milieu that provides a growth advantage to the malignant cells. Consequently, a better understanding of how myeloma cells interact with the BM niche compartments and disrupt the immune homeostasis is of utmost importance to develop more effective treatments. This review focuses on the most up-to-date knowledge regarding microenvironment-related mechanisms behind MM immune evasion and suppression, as well as promising molecules that are currently under pre-clinical tests targeting immune populations.

Ano

2025-10-28T12:20:34Z

Creators

Lopes, Raquel Caetano, Joana Ferreira, Bruna Barahona, Filipa Carneiro, Emilie Arnault João, Cristina

Management of RAASi-associated hyperkalemia in patients with cardiovascular disease

Renin-angiotensin-aldosterone system inhibitors (RAASi) reduce morbidity and mortality in heart failure (HF) with reduced ejection fraction in a dose-dependent manner. They also have a positive impact in other cardiovascular diseases (CVDs). However, RAASi may induce hyperkalemia, a potentially life-threatening disorder. This risk is further increased in those with concomitant chronic kidney disease, diabetes mellitus, and/or in patients with hypertension. Current treatment guidelines recommend maximal RAASi dosing to improve clinical outcomes; however, this is often limited by the development of hyperkalemia. When this occurs, current guidelines recommend RAASi down-titration/interruption, which, while improving short-term prognosis, is associated with a negative long-term prognostic impact. At present, the European Society of Cardiology suggests the consideration of novel potassium binders (patiromer and sodium zirconium cyclosilicate) for the management of RAASi-associated hyperkalemia. Both drugs can reduce serum potassium levels and prevent recurrent hyperkalemia. Additionally, patiromer showed enabling of RAASi optimization in high-risk patients. Nevertheless, precise recommendations on the use of these drugs are lacking. Building upon current HF guideline recommendations, a multidisciplinary expert panel convened to design an algorithm providing practical guidance on the use of novel potassium binders/patiromer in patients with HF and/or other CVD. As a result of that effort, we present an evidence-based treatment algorithm for the management of hyperkalemia with novel potassium binders/patiromer in patients with HF and/or other CVD receiving RAASi, including the necessary monitoring to avoid induction of hypokalemia. This algorithm aims to maintain or up-titrate RAASi to optimized doses, while maintaining normokalemia, improved clinical outcomes, and long-term prognosis.

Ano

2025-10-28T12:11:58Z

Creators

Silva-Cardoso, José Brito, Dulce Frazão, João Miguel Ferreira, Aníbal Bettencourt, Paulo Branco, Patrícia Fonseca, Cândida