Repositório RCAAP
Challenges and opportunities of off-label prescription
O princípio subjacente à legislação farmacêutica é a proteção da saúde pública e como tal, um medicamento antes de ser colocado no mercado da União Europeia tem de ter comprovada a sua segurança, eficácia e qualidade. O uso de medicamentos fora dos termos aprovados na autorização de introdução no mercado é considerado off-label- não conformidade com a rotulagem. As razões que motivam a utilização de medicamentos fora das especificações definidas na rotulagem são diversas e complexas. O uso off-label é particularmente motivado para colmatar as necessidades específicas dos pacientes e para responder a situações médicas insatisfeitas. Esta modalidade clínica é uma prática generalizada , representando uma realidade inevitável nos sistemas de saúde modernos. No entanto, devido à ausência de uma avaliação rigorosa do benefício- risco , a prescrição off-label levanta questões éticas, colocando riscos óbvios à segurança do paciente e, por essa razão, deve apenas ser considerada excecionalmente. Os vários intervenientes na área do medicamento- autoridades reguladoras, profissionais de saúde, empresas farmacêuticas, decisores na área da saúde e os pacientes -estão constantemente a ser desafiados pela necessidade de gerir situações que surgem do uso off-label. Assim, eles beneficiariam da existência de um enquadramento universal e harmonizado desta matéria. Atualmente, não existem normas harmonizadas ao nível da União Europeia. Várias abordagens para regular o uso off-label de medicamentos têm sido propostas nalguns estados membros. Contudo, a situação permanece insatisfatória e nenhuma destas medidas parece resolver adequadamente o problema. Tendo em conta a importância e a contorvérsia deste tema , é mais relevante do que nunca promover discussões para gerir eficazmente o uso off-label de medicamentos. Este trabalho pretende apresentar uma revisão narrativa da literatura deste tema, numa tentativa de descrever e caracterizar esta prática. Este visa ainda discutir as oportunidades e desafios inerentes a certas propostas de regulação , assim como as implicações e contradições mais evidentes que podem surgir do uso off-label de medicamentos.
2025-10-28T12:14:01Z
Dias, Maria Leonor Casa Nova Barão
O povoado calcolítico de Vila Nova de São Pedro (Azambuja). Notas sobre a campanha de escavação de 2019
Em 2019, o projecto “Vila Nova de São Pedro, de novo no 3º milénio – VNSP3000”, deu continuidade às campanhas de escavação em Vila Nova de São Pedro, retomadas em 2017 e 2018. Esta intervenção consistiu em quatros acções de distinta natureza: limpeza por meios manuais e mecânicos de novas áreas (na procura de possíveis futuros espaços de escavação arqueológica); manutenção das áreas onde se encontram estruturas associadas à fortificação; continuação da escavação manual das sondagens 1 da Área 1 e 3; início da escavação das sondagens 2 e 3 da Área 3; registo fotográfico, gráfico e topográfico de todas as realidades intervencionadas. O alargamento da Sondagem 1 da Área 1, bem como a escavação da Sondagem 1 da Área 3 permitiram a identificação de níveis arqueológicos preservados, integrados no Calcolítico, numa leitura confirmada pelos materiais arqueológicos recolhidos e pelas datações absolutas obtidas.
2025-10-28T12:12:26Z
Neves, César Arnaud, José Morais Diniz, Mariana Martins, Andrea
The roles of telR-loops in the stability of telomeres in primary and telomerase-positive cancer cells
Os telómeros são estruturas nucleoproteicas compostas por heterocromatina que protegem as regiões terminais dos cromossomas lineares eucariotas. Em mamíferos, a estrutura telomérica é essencialmente formada por repetições consecutivas de sequências de DNA em cadeia dupla (5’-TTAGGG-3’), da qual a cadeia rica em guanosina estende-se para além do seu complemento para formar uma protrusão conhecida como G overhang, e por um complexo multiproteico denominado de “shelterin” que assegura a proteção, integridade e regulação dos telómeros. A shelterin humana inclui os seis fatores TRF1, TRF2, TIN2, TPP1, POT1 e Rap1. Em células terminalmente diferenciadas, os telómeros são encurtados a cada ronda de replicação semiconservativa de DNA devido ao seu processamento nucleolítico e à incapacidade da maquinaria convencional de replicação de DNA de processar por completo as regiões 3’ distais de moléculas lineares de DNA durante a síntese da cadeia atrasada. Esta limitação ficou conhecida como end-replication problem. A ausência de um mecanismo de manutenção telomérica resulta na acumulação de telómeros excessivamente curtos e disfuncionais, os quais são reconhecidos como quebras de cadeia dupla (DSBs, do inglês Double-Stranded Breaks). Estes, por sua vez, levam à ativação de uma resposta contra o dano de DNA (DDR, do inglês DNA Damage Response). A estimulação prolongada de DDR induz uma paragem irreversível do ciclo celular conhecida como senescência celular (ou replicativa), podendo progredir para a morte celular. Embora a senescência celular estabeleça um tempo de vida útil a células somáticas incapazes de conservar os seus telómeros, esta é também considerada como um mecanismo decisivo de supressão tumoral. O potencial imortal das células cancerígenas depende da capacidade das mesmas em impedir o desgaste progressivo dos telómeros. Este processo está dependente da ação da enzima telomerase, a transcriptase reversa que permite a adição de novas repetições teloméricas às extremidades dos cromossomas, ou numa menor fração da via alternativa de alongamento de telómeros (ALT, do inglês Alternative Lenghtening of Telomeres), que induz uma reparação dirigida por homologia (HDR, do inglês Homology-Directed Repair). Apesar dos telómeros de mamíferos terem sido considerados transcricionalmente inativos devido à sua constituição heterocromática e à ausência de unidades génicas, estudos realizados pelo nosso grupo revelaram que estes são de facto transcritos em moléculas longas de RNA não-codificante conhecidas como TElomeric Repeat containing RNA (TERRA). Na verdade, não existe ainda uma caracterização completa das funções de TERRA, mas um número crescente de dados sustenta o seu papel na proteção e replicação dos telómeros e na formação de heterocromatina. Adicionalmente, TERRA pode funcionar como um regulador da telomerase, promovendo a elongação telomérica mediada por telomerase in vivo, apesar de inibir a atividade da mesma in vitro. Adicionalmente, TERRA tem a capacidade de emparelhar com a sua cadeia de DNA molde e formar uma estrutura em tripla cadeia constituída por um híbrido de RNA-DNA e uma cadeia codificante deslocada, denominada como R-loop telomérico (telR-loop). Recentemente, o nosso grupo demonstrou que as funcionalidades de TERRA são em parte mediadas pela formação de telR-loops estimulada por TRF2. Observações adicionais em células de levedura telomerase-negativas e pré-senescentes e em células ALT também implicaram os telR-loops na extensão dos telómeros por HDR de modo a compensar parcialmente a erosão das regiões terminais dos cromossomas na ausência de telomerase. Por fim, os telR-loops são regulados pelas enzimas RNase H1 e RNase H2, as quais hidrolisam especificamente a fração de RNA de híbridos de RNA-DNA. Enquanto que a acumulação de telR-loops em células de levedura sem ambas as enzimas retarda a incidência de senescência ao promover HDR telomérico, a remoção de telR-loops através da sobrexpressão de RNase H1 debilita a capacidade de recombinação telomérica e, consequentemente, intensifica o encurtamento dos telómeros e a ocorrência prematura de senescência. Os mecanismos pelos quais a homeostase telomérica é mantida ainda não são inteiramente conhecidos, mas as descobertas recentes acerca da biogénese de TERRA e as novas abordagens direcionadas à sua função trouxeram algum esclarecimento a este tema. Apesar de ainda não ser claro o mecanismo pelo qual TERRA é regulada em concordância com diferentes dinâmicas e estados teloméricos, postula-se que os telR-loops desempenhem um papel central neste processo. Assim, este estudo pretendeu elucidar o papel dos telR-loops na estabilidade dos telómeros em células humanas que expressam, ou não, a telomerase, e caracterizar o mecanismo pelo qual os telR-loops participam na regulação do comprimento dos telómeros mediada por TERRA. Para tal, estabelecemos um sistema celular direcionado aos telómeros e baseado na sobrexpressão de RNase H1 com o intuito de remover especificamente os telR-loops e avaliar a integridade telomérica após a exclusão destas estruturas. Para promover a associação do transgene aos telómeros, o domínio catalítico de RNase H1 humana foi fundido na sua região N-terminal a myc e na região C-terminal a POT1 humana (myc-POT1-RH1 WT). Adicionalmente, três transgenes foram criados, incluindo uma variante de RNase H1 cataliticamente inativa (myc-POT1-RH1 D145G), uma outra constituída ainda pelo seu domínio de ligação a híbridos (HBD, myc-POT1-HBDRH1 WT), e uma versão contendo apenas o domínio POT1, também marcado por myc na região N-terminal (myc-POT1). Os transgenes foram expressos numa linha celular de fibrossarcoma telomerase-positiva (HT1080), em fibroblastos primários de pulmão humano (HLF), e numa linha celular HLF imortalizada através da sobrexpressão da subunidade de transcriptase reversa da telomerase humana (HLF-hTERT). Excecionalmente, myc-POT1-HBDRH1 WT foi incluído apenas em HLF-hTERT. A expressão ectópica controlada por doxiciclina (dox) dos transgenes foi validada por Western Blot e a localização telomérica mediada por POT1 confirmada através de experiências de imunofluorescência com marcação a myc. Os nossos resultados demonstraram que tanto myc-POT1 como myc-POT1-RH1 WT e myc-POT1-RH1 D145G co-localizaram, na sua maioria, com a fração telomérica de HT1080, HLF e HLF-hTERT. Pelo contrário, a deteção de myc-POT1-HBDRH1 WT foi bastante variável e a sua localização também reduzida em telómeros de HLF-hTERT quando comparado com os restantes transgenes. Seguidamente, confirmámos em células HT1080 que a sobrexpressão do domínio catalítico de RNase H1 dirigida aos telómeros induz a degradação de telR-loops no cromossoma 10q. Por outro lado, a variante inativa do transgene promoveu a acumulação dos mesmos. Demonstrámos ainda que a ausência de telR-loops compromete a integridade dos telómeros em todas as linhas celulares testadas devido a um aumento do número de foci induzidos por disfunção telomérica (TIFs, do inglês Telomere Dysfunction-Induced Foci). No entanto, o número de TIFs não continuou a aumentar, o que possivelmente ilustra uma ativação adequada dos mecanismos de reparação de DSBs que bloqueiam a progressão contínua dos danos no DNA telomérico. De notar que a formação de TIFs foi significativamente restringida em células de HT1080 e HLF-hTERT que expressavam myc-POT1-RH1 D145G, sugerindo que, quando desprovido da atividade catalítica, RNase H1 pode fisicamente limitar a dissolução de telR-loops ao protegê-los de possíveis fatores de degradação de R-loops. Finalmente, observámos um aumento da quantidade de cromossomas desprotegidos pela ausência de sinais teloméricos em células HLF que expressavam myc-POT1-RH1 WT, mas não em células HLF-hTERT e HT1080. Por outro lado, a acumulação de telR-loops através da sobrexpressão de myc-POT1-RH1 D145G diminuiu os níveis de fragilidade telomérica nestas linhas celulares telomerase-positivas. Estes resultados sugerem, assim, que os telR-loops sustentam a proteção contra a instabilidade telomérica, e que esta função se torna determinante para a manutenção dos telómeros em fibroblastos primários humanos. Nas células que expressam telomerase, a perda de telómeros parece ser compensada pela presença desta enzima, que estabiliza a erosão progressiva das extremidades dos cromossomas lineares e suporta a homeostase telomérica. Como tal, e de acordo com as descrições associadas à natureza recombinante dos telómeros de células ALT e de levedura telomerase-negativas, propomos que os telR-loops também estimulam a extensão telomérica de uma maneira dependente de HDR em telómeros humanos curtos e danificados, de forma a adiar a ocorrência prematura de senescência e morte celular descontrolada. Adicionalmente, os nossos resultados sugerem que a RNase H1 pode funcionar como um fator limitante de recombinação telomérica nestas células ao regular os níveis de telR-loops e assegurar um equilíbrio entre senescência, supressão tumoral e estabilidade telomérica ao longo do ciclo de vida celular. Finalmente, os nossos resultados indicam também que o HDR telomérico pode ser exercido através de replicação induzida por quebras (BIR, do inglês Break-Induced Replication), tal como já foi verificado na manutenção de telómeros dependentes de HDR em células eucariotas que não expressam telomerase.
Vila Nova de São Pedro – de novo no 3º milénio (VNSP3000). Relatório de Actividades do ano 2019
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2025-10-28T12:22:48Z
Martins, Andrea Diniz, Mariana Arnaud, José Morais Neves, César
Exigências regulamentares na implementação de estudos clínicos da iniciativa do investigador
Introdução: A investigação clínica constitui a base da evidência na área da Medicina e inclui estudos com e sem intervenção. Os ensaios clínicos (ECs), estudos de intervenção, são realizados com vista a analisar efeitos de um medicamento experimental. Por outro lado, os estudos sem intervenção avaliam os efeitos da terapêutica mas em contexto da prática clínica habitual. Dentro dos estudos sem intervenção, podem incluir-se os estudos de eficácia pós autorização (PAES, na sigla inglesa), realizados quando são necessários dados adicionais de efetividade de um medicamento. Ambos os estudos podem ser promovidos por entidades independentes, denominados estudos da iniciativa do investigador (EII). Os EII assumem particular importância porque exploram questões da prática clínica habitual relativas por exemplo ao uso off-label de medicamentos ou a doenças raras. Objetivos: O objetivo deste trabalho foi a análise, no âmbito dos EII, dos requisitos regulamentares existentes para EC e estudos PAES sem intervenção, bem como a avaliação crítica e comparação das diferenças regulamentares entre estes tipos de estudos, tendo como resultante um Manual Prático para o Investigador. Metodologia: Foi efetuada uma pesquisa da regulação de ECs e estudos PAES, nomeada-mente da legislação nacional e europeia vigente. Foram também analisadas orientações e documentos divulgados nas páginas eletrónicas geridas pelas Autoridades Competentes nesta área. Adicionalmente, foram consultados artigos científicos relacionados com o tema. Resultados: A concretização de estudos clínicos, sejam ECs ou estudos PAES sem intervenção, segue o mesmo conjunto de requisitos ético-regulamentares independentemente do Promotor ser comercial ou independente (estudos da iniciativa do investigador). Estes requisitos poderão incluir, entre outros, a realização de pedido de autorização e/ou parecer às Autoridades Nacionais, registos em bases de dados específicas, pedido de aprovação do estudo ao Conselho de Administração do centro clínico, cumprimento dos requisitos de boas práticas clínicas e/ou de farmacoepidemiologia, bem como a garantia da proteção dos dados dos participantes destes estudos. Conclusões: A investigação clínica é uma área bastante regulada, exigindo o conhecimento e aplicação de diversas leis, regulamentos, diretivas e orientações científicas consoante o tipo de estudo. A regulação dos ECs é extensa e harmonizada a nível europeu. Por seu turno, a regulação da implementação dos estudos PAES sem intervenção é menor, comparativamente com os ECs, e efetua-se maioritariamente a nível nacional. O cumprimento de todas as exigências previstas na legislação constitui um exigente contexto burocrático para os Investigadores independentes, comprometendo por vezes a exequibilidade dos EII.
Probing the pyrimidine scaffold for malaria liver stage inhibition: synthesis and biological evaluation in P. berghei-infected hepatocytes
A malária é uma das principais doenças infeciosas a nível mundial. Em 2018 esta doença infetou 228 milhões de pessoas, das quais 405 mil morreram em todo o mundo. Anualmente são gastos vários biliões de dólares americanos na tentativa de controlar e erradicar a malária. Contudo, apesar do número de casos e mortes causados por esta doença terem vindo a diminuir ao longo dos anos, a Organização Mundial de Saúde considera que demore mais de uma década até que a malária seja totalmente erradicada. A malaria é causada por parasitas protozoários do género Plasmodium. Em humanos esta doença pode ser causada por cinco diferentes espécies: P. falciparum, P. vivax, P. ovale, P. malariae e P. knowlesi. Destas espécies de Plasmodium, o P. falciparum é a espécie predominante na maioria das regiões afetadas por esta doença, sendo responsável por 99.7% dos casos em África, para além de ser a espécie responsável pela maioria das mortes a nível global. Os parasitas Plasmodium necessitam de dois hospedeiros distintos: um vetor mosquito e um hospedeiro vertebrado. Em humanos, os parasitas são geralmente transmitidos através da picada do mosquito fêmea Anopheles infetado e têm duas fases distintas quando no corpo humano, a fase hepática e a fase sanguínea. Quando o mosquito se alimenta de sangue, liberta os esporozoítos existentes nas glândulas salivares para o sangue do hospedeiro vertebrado. Após entrarem na corrente sanguínea, os parasitas migram para os hepatócitos dando início à fase hepática, assintomática para o hospedeiro. Adicionalmente, é na fase hepática que ocorre o desenvolvimento das formas latentes (hipnozoítos) das espécies P. vivax e P. ovale. Os hipnozoítos podem ficar inativos nas células hepáticas até vários anos. Após a fase hepática, os parasitas regressam à corrente sanguínea para invadirem os eritrócitos, dando começo à fase sanguínea. Dentro dos eritrócitos, os parasitas evitam as defesas imunitárias do hospedeiro e degradam a hemoglobina dos mesmos, permitindo o seu crescimento e replicação. O consumo excessivo de hemoglobina por parte do parasita é a causa dos sintomas no hospedeiro. O tratamento para a malária deve ser iniciado nas primeiras 24 horas após o aparecimento de sintomas. No entanto, os primeiros sintomas causados pelos parasitas Plasmodium são muito semelhantes a outras doenças febris, dificultando o seu diagnóstico. Quando não tratada nestas 24 horas, a malária pode desenvolver-se em malária severa, podendo causar malaria cerebral, ou mesmo a morte. Tradicionalmente, as terapias contra a malária têm a fase sanguínea como alvo. No entanto, a fase hepática é obrigatória e essencial para a maturação e replicação dos parasitas, sendo um alvo importante no controlo e erradicação da malária. De forma geral, os fármacos que atuam na fase sanguínea não têm atividade contra os parasitas hepáticos devido às diferenças biológicas entre as duas fases dos parasitas. Assim, é altamente desejável desenvolver fármacos ativos para a fase hepática, ou para ambas as fases, de modo a exercer profilaxia, erradicar as formas latentes, evitar o aparecimento de estirpes resistentes e bloquear a transmissão dos parasitas para o vetor mosquito. Adicionalmente, outros modos de combater o desenvolvimento de resistência aos vários fármacos são: utilização de terapias combinadas, ou fármacos híbridos. Atualmente, é recomendado pela Organização Mundial de Saúde recorrer a terapias combinadas baseadas em artemisininas para o tratamento da malária, de modo a reduzir o risco de aparecimento de resistência. As artemisininas são compostos apenas ativos contra as formas eritrocíticas, e já existem casos de resistência a estas moléculas. O desenvolvimento de resistência aos vários fármacos é a principal razão para que a terapêutica contra a malária não seja tão eficaz quanto desejado. A cloroquina, fármaco antimalárico que permitiu a erradicação da malária de muitos países, hoje em dia é ineficaz contra os parasitas Plasmodium devido ao aparecimento de estirpes resistentes a este composto. Várias classes de compostos têm atividade contra a fase hepática. No entanto, tem sido difícil desenvolver um fármaco com efeito profilático eficiente devido à falta de conhecimento sobre a biologia dos parasitas hepáticos e respetivos alvos terapêuticos. A primaquina é uma 8-aminoquinolina com potente atividade para os parasitas pré-eritrocíticos, para além de ser um dos poucos fármacos com atividade hipnozoiticida. Além da primaquina, outras 8-aminoquinolinas também exibem atividade profilática, apesar de poucas serem ativas contra as formas latentes como é o caso da tafenoquina. No entanto, o uso desta classe de compostos não é indicado para pessoas com deficiência a nível da enzima glucose 6-fosfato desidrogenase, devido aos seus efeitos secundários. Dentro dos grupos dos antifolatos, alcalóides, antibióticos, anti-histamínicos, inibidores do complexo bc1, pirimidinas, entre outros, podem ser encontradas moléculas com atividade para a fase hepática. Entre os vários compostos abordados destacaram-se dois devido aos seus baixos valores de IC50 na fase hepática: o decoquinato (177 pM) e a nigericina (< 1 pM). O primeiro composto é um inibidor do complexo bc1 da cadeia eletrónica mitocondrial do parasita, enquanto que o segundo composto é um antibiótico ionóforo cujo alvo são transportadores de iões K+. As pirimidinas nitrilo geralmente são compostos ativos para a fase sanguínea. No entanto, Oliveira e colaboradores descobriram uma série de híbridos tetraoxano-pirimidina nitrilo com atividade para ambas as fases do parasita. A unidade pirimidina nitrilo (grupo aceitador de Michael) destas moléculas é um inibidor da falcipaína-2, enzima expressa apenas nos parasitas eritrocíticos. No entanto, a mesma unidade revelou também ter atividade inibitória para os parasitas hepáticos. Isto sugere a existência de um ou mais alvos terapêuticos com um resíduo de cisteína ativo na fase hepática. Apesar de estar descrita a possível atividade antimalárica de tetraoxanos na fase hepática, nestes híbridos essa hipótese não é considerada, pela existência de atividade hepática num composto apenas com a unidade pirimidina nitrilo. Neste projeto foram sintetizados dois compostos com um grupo aceitador de Michael, e com potencial atividade inibitória para as fases sanguínea e hepática. Duas pirimidinas substituídas na posição 2 com uma unidade acrilato, cujas atividades inibitórias contra a malária (fases sanguínea e hepática) e células cancerígenas do tipo estaminais foram avaliadas. No entanto, não foi possível expor o alvo terapêutico destas moléculas na fase hepática. Ao longo do trabalho laboratorial certas reações foram otimizadas. Por exemplo, na obtenção dos compostos finais efetuou-se um acoplamento de Suzuki-Miyaura na posição 2 de duas pirimidinas distintas. Quando esta reação foi efetuada numa pirimidina não substituída na posição 5, o rendimento obtido foi de 6% (composto 64). Por outro lado, verificou-se que a mesma reação numa 5-bromopirimidina levou à obtenção do composto di-substituído, 65, com um rendimento de 13%. Ambos os compostos mostraram ter atividade moderada contra os parasitas hepáticos, o composto 65 exibiu um valor de IC50 = 9.49 μM. O valor de IC50 do composto 64 não foi determinado devido à possibilidade de toxicidade nas concentrações mais elevadas. Quanto à avaliação da inibição de parasitas sanguíneos, apenas um dos compostos mostrou atividade (composto 64), sendo esta reduzida relativamente a outros compostos com grupos aceitadores de Michael. Para além disso, os compostos finais foram também testados numa linha de células cancerígenas do tipo estaminais do cólon humano (HT-29), e ambos apresentaram baixa atividade inibitória. Nos ensaios em monocamada os compostos 64 e 65 apresentaram valores de IC50 = 35.56 μM e 28.96 μM, respetivamente. Nos ensaios em células cancerígenas estaminais do tipo esferóides os valores de IC50 determinados foram de 0.77 μM e 0.70 μM, respetivamente. O facto dos compostos 64 e 65 conterem um grupo na posição 2 que atua como aceitador de Michael, e apresentarem atividade para a fase hepática (composto 64 também apresentou atividade para a fase sanguínea), reforça a hipótese de existir um alvo que contenha uma cisteína ativa para esta mesma fase. Assim, este trabalho serve de diretriz para a síntese de híbridos e sondas químicas estruturalmente relacionadas com os compostos 64 e 65, possibilitando a compreensão do mecanismo de ação destes na fase hepática.
2025-10-28T12:21:14Z
Coutinho, Rúben Alexandre Dâmaso
Plantas usadas pela comunidade guineense na alimentação e na medicina tradicional na área metropolitana de Lisboa
Nas últimas décadas tem-se vindo a observar um crescente interesse pelo uso de plantas e seus derivados na terapêutica, nos países desenvolvidos. Por outro lado, o recurso às plantas medicinais por parte dos países em desenvolvimento para os seus cuidados de saúde primários é estimado em 80% da população mundial, o que confere grande importância aos estudos de qualidade, eficácia e segurança destes recursos terapêuticos de forma a permitir o desenvolvimento de fórmulas farmacêuticas seguras passíveis de utilização na terapêutica. A Guiné-Bissau é um país que detém uma flora vasta, estimada em 1507 espécies, das quais 1495 são nativas, havendo já alguns estudos confirmativos da utilidade das plantas da sua flora, tanto a nível alimentar como medicinal. No entanto, estes estudos são ainda escassos e não englobam os hábitos das comunidades deste país quando emigradas. O presente trabalho integra a inventariação das plantas guineenses usadas na alimentação e na medicina tradicional pela comunidade guineense da área metropolitana de Lisboa. Sobre as plantas mais citadas como úteis para estes fins no decurso de inquéritos realizados junto dos consumidores guineenses, sumariaram-se conhecimentos relativamente aos estudos químicos, farmacológicos e toxicológicos descritos na literatura. As cinco espécies mais citadas pelos inquiridos foram: Abelmoschus esculentus L. (quiabo); Anacardium occidentale L. (cajú); Arachis hypogaea L. (amendoim); Elaeis guineensis Jacq. (dendezeiro) e Hibiscus sabdariffa L. (hibisco), sendo Elaeis guineensis Jacq. (dendezeiro) a de maior utilização pela comunidade guineense inquirida na área metropolitana de Lisboa. Tanto quanto é do nosso conhecimento, o presente trabalho permitiu a obtenção, pela primeira vez, de dados relativos à frequência de utilização das plantas da flora guineense utilizadas pela comunidade guineense na área metropolitana de Lisboa. Todo o trabalho efetuado durante este estudo vem dar a conhecer as plantas existentes na flora da Guiné-Bissau, de maior uso pela comunidade guineense, residente na área metropolitana de Lisboa.
2025-10-28T12:15:10Z
Delgado, Cecília Raquel Sousa
Vila Nova de São Pedro – de novo no 3º milénio (VNSP3000). Relatório de Actividades do ano 2020
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2025-10-28T12:25:13Z
Martins, Andrea Diniz, Mariana Arnaud, José Morais Neves, César
Secção de Pré-História da AAP – Relatório de Actividades do ano de 2019
No summary/description provided
2025-10-28T12:20:34Z
Diniz, Mariana Neves, César Martins, Andrea
Secção de Pré-História da AAP – Relatório de Actividades do ano de 2020
No summary/description provided
2025-10-28T12:11:30Z
Diniz, Mariana Neves, César Martins, Andrea
Pharmacy interventions on COVID-19 in Europe: mapping current practices and a scoping review
Background: The COVID-19 pandemic has put community pharmacists at the frontline of prevention, preparedness, response, and recovery efforts. Pharmacies had to reorganize and implement several different interventions and measures within a very short time frame. Objectives: 1) To map the current reported practice and trends and to review the literature on pharmacy-based interventions on COVID-19 provided in Europe; 2) To identify knowledge gaps and future avenues for pharmacy research, policy, and practice in response to public health emergencies. Methods: We used a mixed methods approach combining country mapping of current practices of pharmacy interventions on COVID-19 reported by pharmacy associations in Europe with a scoping review of published literature. Results: We mapped current practices on 31 pharmacy interventions on COVID-19 in 32 countries in Europe. Almost all preventive measures to reduce health risks have been provided in most countries. Other frequent interventions reflected preparedness for stockpiling, increased demand for services and products, and important patient care interventions exceeding dispensing role. Expanded powers granted to pharmacies and legislation passed in view of COVID-19 enabled services that improve access to medicines and relevant products, patient screening and referral including point-of-care antigen testing, support to vulnerable patients, and COVID-19 vaccination. We identified 9 studies conducted in pharmacies in 7 countries in Europe. Most studies are cross-sectional and/or descriptive. Pharmacy associations played an important supporting role by developing and updating guidance and emergency plans to assist community pharmacists. Conclusions: A wide array of pharmacy interventions on COVID-19 was implemented in several countries within a very short time frame. Research on pharmacy interventions on COVID-19 is still in its infancy but confirmed the wide array of interventions provided and expanded powers granted to pharmacies. These findings may provide a significant impact to improve pharmacy research, policy, and practice in response to future public health emergencies in Europe and globally.
2025-10-28T12:29:40Z
Costa, Suzete Romão, Mariana Mendes, Maria Horta, Rute Rodrigues, António Teixeira Carneiro, António Vaz Martins, Paula Mallarini, Erika Naci, Huseyin Babar, Zaheer-Ud-Din
Sperm-whale V-perforated buttons from Galeria da Cisterna (Almonda Karst System, Torres Novas, Portugal)
During excavation of the prehistoric necropolis of Galeria da Cisterna in 1988-1989, the remains of several individuals were recorded. The direct dating of four attests to use of the cave for funerary purposes during Beaker times. Whilst no Beaker pottery was found, a small fragment of a golden spiral and a set of V-perforated ivory buttons are diagnostic of the period. These items can be securely associated with the human remains dated to the corresponding time range. Visual inspection identified sperm whale ivory as the raw-material the buttons were made of, which density measurements confirmed. This indicator was chosen because it is non-destructive and discriminates well between the different types of ivory found in the Chalcolithic of Iberia. The average obtained for the 13 specimens from Galeria da Cisterna is 2.32 ± 0.12, well outside the range for elephant and hippopotamus ivories and consistent with the average value (2.2) for sperm-whale ivory published by Schuhmacher et al. (2013). The gold object was most likely made from regional sources. These data reflect on the wide intra-regional networks in operation during the Chalcolithic of the Lisbon peninsula. They also suggest that extra-regional exchange was rather more limited, as the golds of the Alentejo sites usually are of a distinct composition and sperm-whale has never been identified among their ivories (which are of North-African elephant, a rare occurrence in the Lisbon peninsula).
2025-10-28T12:23:01Z
Zilhão, João Soares, António M. Monge Gonçalves, António Pereira
Hospitality and Amnesty: Aravind Adiga’s Narrative of Legal Liminality
Amnesty continues several of the social justice themes of precarity and subalternity (at times, a violent subaltern agency) of Aravind Adiga’s fiction, and its literary narrative centres again on criminal acts and the moral dilemma the protagonist faces over whether to report a murder and expose his illegality to do “the right thing.” Offering a postcolonial reading of Amnesty supported by concepts from migration, citizenship, and human rights studies, this essay discusses the novel’s representation of the inhospitable conditions experienced by migrants victimized by the precarity of their status, whether discursively categorized as illegal, irregular, undocumented, unauthorized, or unlawful; by the consequent exploitations and abuse without recourse to justice; and by the suspension of their human rights. The theme of illegality is approached in Adiga’s narrative from a more radical perspective of liminality – the state of “legal liminality” in which irregular migrants find themselves when longing to belong in the host country, or at least be legalized, while gripped and besieged by myriad daily fears and anxieties that their legal status will be discovered, compounded by a resolute refusal to leave the host country. Adiga forces this theoretical question of legal liminality to an extreme by presenting a protagonist who, as an irregular migrant, has committed the political crime of illegally overstaying in the host country. The central question of amnesty is raised when the protagonist faces the dilemma of stepping up to civic responsibilities without having been conceded participatory rights.
2025-10-28T12:29:27Z
Mendes, Ana Cristina Lau, Lisa
Smaug1 membrane-less organelles respond to AMPK and mTOR and affect mitochondrial function
Smaug is a conserved translational regulator that binds numerous mRNAs, including nuclear transcripts that encode mitochondrial enzymes. Smaug orthologs form cytosolic membrane-less organelles (MLOs) in several organisms and cell types. We have performed single-molecule fluorescence in situ hybridization (FISH) assays that revealed that SDHB and UQCRC1 mRNAs associate with Smaug1 bodies in U2OS cells. Loss of function of Smaug1 and Smaug2 (also known as SAMD4A and SAMD4B, respectively) affected both mitochondrial respiration and morphology of the mitochondrial network. Phenotype rescue by Smaug1 transfection depends on the presence of its RNA-binding domain. Moreover, we identified specific Smaug1 domains involved in MLO formation, and found that impaired Smaug1 MLO condensation correlates with mitochondrial defects. Mitochondrial complex I inhibition upon exposure to rotenone, but not strong mitochondrial uncoupling upon exposure to CCCP, rapidly induced the dissolution of Smaug1 MLOs. Metformin and rapamycin elicited similar effects, which were blocked by pharmacological inhibition of AMP-activated protein kinase (AMPK). Finally, we found that Smaug1 MLO dissolution weakens the interaction with target mRNAs, thus enabling their release. We propose that mitochondrial respiration and the AMPK-mTOR balance controls the condensation and dissolution of Smaug1 MLOs, thus regulating nuclear mRNAs that encode key mitochondrial proteins. This article has an associated First Person interview with the first authors of the paper.
2025-10-28T12:27:13Z
Fernández-Alvarez, Ana J. Gabriela Thomas, María Pascual, Malena L. Habif, Martín Pimentel, Jerónimo Corbat, Agustín A. Pessoa, João La Spina, Pablo E. Boscaglia, Lara Plessis, Anne Carmo-Fonseca, Maria Grecco, Hernán E. Casado, Marta Boccaccio, Graciela L.
Optical coherence tomography in coronary atherosclerosis assessment and intervention
Since optical coherence tomography (OCT) was first performed in humans two decades ago, this imaging modality has been widely adopted in research on coronary atherosclerosis and adopted clinically for the optimization of percutaneous coronary intervention. In the past 10 years, substantial advances have been made in the understanding of in vivo vascular biology using OCT. Identification by OCT of culprit plaque pathology could potentially lead to a major shift in the management of patients with acute coronary syndromes. Detection by OCT of healed coronary plaque has been important in our understanding of the mechanisms involved in plaque destabilization and healing with the rapid progression of atherosclerosis. Accurate detection by OCT of sequelae from percutaneous coronary interventions that might be missed by angiography could improve clinical outcomes. In addition, OCT has become an essential diagnostic modality for myocardial infarction with non-obstructive coronary arteries. Insight into neoatherosclerosis from OCT could improve our understanding of the mechanisms of very late stent thrombosis. The appropriate use of OCT depends on accurate interpretation and understanding of the clinical significance of OCT findings. In this Review, we summarize the state of the art in cardiac OCT and facilitate the uniform use of this modality in coronary atherosclerosis. Contributions have been made by clinicians and investigators worldwide with extensive experience in OCT, with the aim that this document will serve as a standard reference for future research and clinical application.
2025-10-28T12:19:54Z
Araki, Makoto Park, Seung-Jung Dauerman, Harold L. Uemura, Shiro Kim, Jung-Sun Di Mario, Carlo Johnson, Thomas W. Guagliumi, Giulio Kastrati, Adnan Joner, Michael Holm, Niels Ramsing Nicholls, Stephen J. Barlis, Peter West, Nick E. J. Arbab-Zadeh, Armin Ye, Jong Chul Dijkstra, Jouke Lee, Hang Narula, Jagat Crea, Filippo Nakamura, Sunao Alfonso, Fernando Kakuta, Tsunekazu Fujimoto, James Fuster, Valentin Jang, Ik-Kyung Wijns, William Adriaenssens, Tom Nef, Holger Rioufol, Gilles Amabile, Nicolas Souteyrand, Geraud Meneveau, Nicolas Gerbaud, Edouard Opolski, Maksymilian P. Gonzalo, Nieves Tearney, Guillermo J. Bouma, Brett Aguirre, Aaron D. Mintz, Gary S. Stone, Gregg W. Bourantas, Christos V. Räber, Lorenz Gili, Sebastiano Mizuno, Kyoichi Kimura, Shigeki Shinke, Toshiro Hong, Myeong-Ki Jang, Yangsoo Cho, Jin Man Yan, Bryan P. Porto, Italo Niccoli, Giampaolo Montone, Rocco A. Thondapu, Vikas Papafaklis, Michail I. Michalis, Lampros K. Reynolds, Harmony Saw, Jacqueline Libby, Peter Weisz, Giora Iannaccone, Mario Gori, Tommaso Toutouzas, Konstantinos Yonetsu, Taishi Minami, Yoshiyasu Takano, Masamichi Raffel, O. Christopher Kurihara, Osamu Soeda, Tsunenari Sugiyama, Tomoyo Kim, Hyung Oh Lee, Tetsumin Higuma, Takumi Nakajima, Akihiro Yamamoto, Erika Bryniarski, Krzysztof L. Di Vito, Luca Vergallo, Rocco Fracassi, Francesco Russo, Michele Seegers, Lena M. McNulty, Iris Park, Sangjoon Feldman, Marc Escaned, Javier Prati, Francesco Arbustini, Eloisa Pinto, Fausto J. Waksman, Ron Garcia-Garcia, Hector M. Maehara, Akiko Ali, Ziad Finn, Aloke V. Virmani, Renu Kini, Annapoorna S. Daemen, Joost Kume, Teruyoshi Hibi, Kiyoshi Tanaka, Atsushi Akasaka, Takashi Kubo, Takashi Yasuda, Satoshi Croce, Kevin Granada, Juan F. Lerman, Amir Prasad, Abhiram Regar, Evelyn Saito, Yoshihiko Sankardas, Mullasari Ajit Subban, Vijayakumar Weissman, Neil J. Chen, Yundai Yu, Bo
Intravitreal Ranibizumab or Aflibercept after Bevacizumab in diabetic macular edema: exploratory retrospective analysis
Aim: To evaluate the efficacy of switching from bevacizumab to ranibizumab or aflibercept in eyes with diabetic macular edema (DME) unresponsive to bevacizumab. Methods: Single-center retrospective comparative study of patients with DME unresponsive to intravitreal bevacizumab that was switched to ranibizumab or aflibercept. Best-corrected visual acuity (BCVA) and central foveal thickness (CFT) were analysed prior to and 4 months after the switch. Ocular coherence tomography (OCT) biomarkers were also analysed. Results: Fifty-six eyes from 40 patients were included in the study, 33 eyes switched to ranibizumab and 23 to aflibercept. A significant median CFT decrease was observed in both groups (p<0.001), with no between-group differences. BCVA gain was only significant in the ranibizumab group (p<0.001). None of the pre-baseline or baseline parameters were associated with the response to ranibizumab or aflibercept. Conclusion: In persistent DME unresponsive to bevacizumab, both anatomical and functional improvements were observed with ranibizumab whereas aflibercept only showed an anatomical improvement.
2025-10-28T12:08:41Z
Pessoa, Bernardete Malheiro, Luísa Carneiro, Inês Monteiro, Sílvia Coelho, João Coelho, Constança Figueira, João Meireles, Angelina Melo Beirão, João Nuno
Running prevalence in Portugal: socio-demographic, behavioral and psychosocial characteristics
The purpose of this study was to cross-sectionally estimate the prevalence of recreational running in Portugal and describe characteristics of adult recreational runners. A random representative sample of 1068 Portuguese adults was selected. Socio-demographic information, physical activity habits and running behavior were assessed. Recreational runners' training habits, motivations, barriers, vitality and flow were also assessed. The prevalence of recreational running in Portugal was 10.6%. It was higher in men (14.6% vs. 6.6%, p = .024) and in younger runners (13.6% vs. 7.7%, p = .026). Participants ran on average 3 times, 20 kilometers and 3 hours per week. General health orientation (88%), self-esteem (63%), and life meaning (57%) were the most predominant motives for running, while time was the most prevalent barrier (43%). This first Portuguese running prevalence representative study, indicates that almost 11% of adults ran regularly, and describes correlates of running, which can inform future running promotion interventions.
2025-10-28T12:20:07Z
Pereira, Hugo Vieira Palmeira, António Labisa Carraça, Eliana V. Santos, Inês Marques, Marta M. Teixeira, Pedro J.
Pulmonary exacerbations in patients with primary ciliary dyskinesia: an expert consensus definition for use in clinical trials
Pulmonary exacerbations are a cause of significant morbidity in patients with primary ciliary dyskinesia (PCD) and are frequently used as an outcome measure in clinical research into chronic lung diseases. So far, there has been no consensus on the definition of pulmonary exacerbations in PCD. 30 multidisciplinary experts and patients developed a consensus definition for children and adults with PCD. Following a systematic review, the panel used a modified Delphi process with a combination of face-to-face meetings and e-surveys to develop a definition that can be used in research settings for children and adults with PCD. A pulmonary exacerbation was defined by the presence of three or more of the following seven items: 1) increased cough, 2) change in sputum volume and/or colour, 3) increased shortness of breath perceived by the patient or parent, 4) decision to start or change antibiotic treatment because of perceived pulmonary symptoms, 5) malaise, tiredness, fatigue or lethargy, 6) new or increased haemoptysis, and 7) temperature >38°C. The consensus panel proposed that the definition should be used for future clinical trials. The definition should be validated and the usability assessed during these studies.
2025-10-28T12:27:13Z
Lucas, Jane S. Gahleitner, Florian Amorim, Adelina Boon, Mieke Brown, Philippa Constant, Carolina Cook, Simon Crowley, Suzanne Destouches, Damien M.S. Eber, Ernst Mussaffi, Huda Haarman, Eric Harris, Amanda Koerner-Rettberg, Cordula Kuehni, Claudia E. Latzin, Philipp Loebinger, Michael R. Lorent, Natalie Maitre, Bernard Moreno-Galdó, Antonio Nielsen, Kim G. Özçelik, Uğur Philipsen, Lue Katrine Drasbæk Pohunek, Petr Polverino, Eva Rademacher, Jessica Robinson, Phil Snijders, Deborah Yiallouros, Panayiotis Carr, Siobhán B.
Mechanisms of Notch signaling: a simple logic deployed in time and space
Most cells in our body communicate during development and throughout life via Notch receptors and their ligands. Notch receptors relay information from the cell surface to the genome via a very simple mechanism, yet Notch plays multiple roles in development and disease. Recent studies suggest that this versatility in Notch function may not necessarily arise from complex and context-dependent integration of Notch signaling with other developmental signals, but instead arises, in part, from signaling dynamics. Here, we review recent findings on the core Notch signaling mechanism and discuss how spatial-temporal dynamics contribute to Notch signaling output.
2025-10-28T12:17:59Z
Henrique, Domingos Schweisguth, François
Uma nova abordagem na obtenção de fármacos ativos contra a tuberculose: co-fármacos ativados por esterases micobacterianas
A tuberculose é uma das doenças infeciosas mais mortíferas do mundo, causada pelo agente patogénico Mycobacterium tuberculosis. O surgimento de novas estirpes resistentes, a elevada toxicidade dos fármacos de segunda-linha e os longos períodos de tratamento são as principais problemáticas para a erradicação desta patologia. É, por isso, urgente a descoberta de novos agentes antituberculose com novos mecanismos de ação rápidos e únicos, e de novas abordagens para combater este problema. A elevada hidrofobicidade e complexidade do envelope celular do Mycobacterium tuberculosis dificulta a passagem de alguns fármacos para o interior da micobactéria, impossibilitando os mesmos de atingir o alvo pretendido e atuar. Assim, com o intuito de desenvolver uma estratégia para ultrapassar esta problemática, procedeu-se à síntese de pró-fármacos mútuos utilizando dois fármacos de segunda-linha utilizados na terapia da tuberculose pertencentes à família das fluoroquinolonas (a ciprofloxacina e a levofloxacina) e álcoois de cadeia longa unidos por uma ligação éster. A priori, estes pró-fármacos aumentariam a lipofilia dos fármacos ciprofloxacina e levofloxacina, podendo facilitar a entrada na micobactéria. Os derivados de ciprofloxacina e de levofloxacina foram obtidos utilizando álcoois com cadeia de 6 a 16 átomos de carbono, através da metodologia descrita por Tehler et al., 2013. Para avaliar a estabilidade química e enzimática, realizaram-se ensaios de estabilidade em plasma humano e em tampão fosfato pH 7,4. De seguida, avaliou-se a atividade antimicobacteriana dos derivados contra a estirpe Mycobacterium tuberculosis H37Rv, determinando a Concentração Inibitória Mínima e a Concentração Bactericida Mínima. Além disso, com o intuito de estudar a possibilidade dos pró-fármacos poderem ser ativados pelas esterases micobacterianas, avaliou-se a estabilidade dos mesmos em homogenatos de Mycobacterium smegmatis. Por fim, realizaram-se ensaios de citotoxicidade em macrófagos THP-1. Todos os ésteres de fluoroquinolonas foram sintetizados com sucesso, apresentando rendimentos entre 19% e 94%. Em relação à atividade antimicobacteriana dos derivados contra a estirpe Mycobacterium tuberculosis H37Rv, observou-se que os compostos com cadeia alquílica curta demonstraram melhor atividade. Além disso, os compostos mostraram ser muito estáveis e resistentes à ação das enzimas no plasma humano e à hidrólise química. Sendo assim, uma vez que os pró-fármacos necessitam de ser biotransformados em fármacos para poderem atuar nas micobactérias, avaliou-se se estes seriam ativados pelas esterases micobacterianas e observou-se que estes permaneceram estáveis em homogenatos de Mycobacterium smegmatis. Assim, dado que estes pró-fármacos não passam pelo processo de ativação, não deverão ser estudados como pró-fármacos, mas sim como fármacos. Realizaram-se também ensaios de citotoxicidade, que revelaram que os compostos são mais tóxicos do que os ácidos correspondentes. Sendo assim, seria importante, futuramente, avaliar-se o modo de ação destes compostos, o que permitirá proceder à otimização dos mesmos.