Repositório RCAAP

Combinational nanovaccine against colorectal cancer

O cancro colorectal (CRC) é um dos tipos de cancro com maior prevalência a nível mundial, sendo responsável por um elevado número de mortes anualmente. O CRC resulta da acumulação de mutações genéticas e epigenéticas em células do trato gastrointestinal, nomeadamente em oncogenes e em genes supressores de tumor. Estas mutações acabam por resultar em alterações histológicas e morfológicas do colón, tais como o desenvolvimento de pólipos pré-cancerosos benignos que podem evoluir para neoplasmas e, subsequentemente, para carcinomas invasivos, caso não sejam tratados. Apesar de existirem formas da doença associadas a fatores hereditários, a esmagadora maioria dos casos de CRC são esporádicos e são resultado de mutações em células somáticas. O CRC pode ser curado em fases iniciais da doença, através da remoção cirúrgica do tumor e de quimioterapia. A radioterapia pode também ser útil para reduzir o risco de recorrência do tumor em alguns doentes. Contudo, muitos destes doentes já apresentam metástases na altura do primeiro diagnóstico, e muitos outros desenvolvem metástases ou recorrência local do tumor após remoção cirúrgica do mesmo. Formas metastáticas da doença são normalmente incuráveis e apresentam uma taxa de sobrevivência a 5 anos inferior a 10%. Assim, é necessário o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas capazes de tratar CRC metastático e de induzir remissões prolongadas desta doença. Uma vez que o cancro é uma doença multifatorial, na qual várias vias moleculares de sinalização estão envolvidas, nos últimos anos têm surgido várias abordagens combinatórias, que têm como alvo múltiplas destas vias de sinalização, com vista ao desenvolvimento de um tratamento mais eficaz para o CRC. A imunoterapia tem demonstrado um enorme potencial para tratar vários tipos de cancro, incluindo o CRC. Esta abordagem faz uso da capacidade do sistema imunitário de erradicar células tumorais, de forma eficaz e com melhor tolerância do que outras terapias mais convencionais, como é o caso da quimioterapia. As vacinas terapêuticas para o cancro constituem um exemplo de uma abordagem imunoterapêutica em desenvolvimento, as quais promovem a apresentação de antigénios específicos tumorais às células T, por células dendríticas (DC), resultando assim numa forte resposta imunológica assente na ação de células T ativadas contra as células tumorais. Apesar de promissoras, a sua aplicação clínica tem sido limitada, encontrando-se em estudo a sua associação com outros moduladores do microambiente tumoral de forma a aumentar a sua eficácia, bem como sensibilizar o microambiente tumoral para outras abordagens imunoterapêuticas, aumentando a resposta destes tumores agressivos, por exemplo, a modeladores da função de immune checkpoints. De facto, o microambiente tumoral é constituído por diferentes tipos de células, incluindo células do sistema imunitário, tais como linfócitos T e B, DC e macrófagos. As células tumorais possuem uma enorme influência nas células do microambiente tumoral, tornando-o altamente imunossupressor. Desta forma, as células do sistema imunológico que infiltram os tumores perdem as suas funções anti-tumorais e, em vez disso, promovem o crescimento e capacidade invasiva das células cancerígenas. Em especial, as células T regulatórias (Treg) e os macrófagos associados ao tumor (TAM) são abundantes no microambiente do CRC. As Treg são, em contexto fisiológico, essenciais para prevenir a autoimunidade. No entanto, no microambiente tumoral, estas células produzem moléculas imunossupressoras e inibem a produção de moléculas co-estimulatórias, resultando assim na supressão da maturação das DC e, consequentemente, na inibição da apresentação de antigénio e da resposta imunológica das células T. Os TAM também possuem um fenótipo imunossupressor dentro do microambiente tumoral, o que resulta na indução do desenvolvimento e crescimento tumoral. Para além disso, as células do microambiente tumoral produzem elevadas quantidades de TGF-β. Esta trata-se de uma citocina que apresenta um papel duplo no desenvolvimento e progressão do cancro. Por um lado, nas fases iniciais da tumorigénese, esta molécula regula a proliferação celular e a apoptose das células epiteliais do colón, apresentando um efeito anti-tumoral. No entanto, em fases mais avançadas da doença, existe uma sobrexpressão desta molécula no microambiente tumoral, em particular da isoforma TGF-β1. Durante a carcinogénese do CRC, esta isoforma induz a migração e a invasão das células tumorais, para além de contribuir para a supressão das células do sistema imunitário, através da promoção da infiltração de células Treg. Assim, tanto a presença de TAM como a produção de TGF-β1 no microambiente tumoral estão associadas a um prognóstico negativo para os pacientes de CRC. Esta tese apresenta uma nova abordagem para o tratamento do CRC, que envolve a combinação de uma nanovacina com a modulação do microambiente tumoral, nomeadamente a inibição da expressão de TGF-β1 e a inibição da função pró-tumorigénica dos TAM. Com esse objetivo, foram desenvolvidos dois tipos de nanopartículas (NP) poliméricas, biodegradáveis, constituídas por uma matriz de ácido poliláctico-co-glicólico (PLGA), capazes de incorporar diferentes agentes terapêuticos e de fazer a entrega dos mesmos a diferentes células alvo. Foi desenvolvida assim uma nanovacina capaz de incorporar antigénios peptídicos expressos pelo CRC, os adjuvantes Poly(I:C) e CpG-ODN e moléculas de siRNA anti-TGF-β1 (siTGF-β1) que promovem a inibição desta citocina. Esta NP foi funcionalizada com manose, de modo a promover a sua interação específica com as DC, que expressam abundantemente o recetor CD206 (também chamado recetor da manose) na sua superfície. Para além disso, a mesma nanoplataforma foi modificada de modo a promover o transporte de siTGF-β1, bem como dos imunoadjuvantes CpG-ODN e Poly(I:C) para as células tumorais. Para tal, estas NP foram funcionalizadas com o tripéptido Arg-Gly-Asp (RGD), que apresenta uma alta afinidade com as integrinas αvβ3/αvβ5, cuja expressão é acentuada na superfície das células tumorais, bem como de células endoteliais associadas a tumores. As NP formuladas apresentaram um diâmetro hidrodinâmico próximo de 200 nm e um índice de polidispersão próximo dos 0.2. Verificou-se também que as nanovacinas foram altamente internalizadas por células apresentadoras de antigénio (APC), nomeadamente macrófagos e DC, in vivo. A internalização das nanovacinas por parte das DC resultou no aumento significativo da molécula co-estimuladora CD86, bem como do complexo principal de histocompatibilidade de classe I (MHCI), indicando que esta levou à maturação das DC. Um estudo in vivo realizado em murganhos com CRC permitiu estudar a eficácia da nanovacina terapêutica (com siTGF-β1 na sua composição), em combinação com a NP direcionada para o microambiente tumoral e ainda em combinação com o Pexidartinib, um inibidor dos TAM. Combinações duplas entre a nanovacina e o Pexidartinib, e triplas com (1) a nanovacina, a NP direcionada ao microambiente tumoral e o Pexidartinib ou (2) a nanovacina administrada por duas vias, subcutânea (s.c.) e intratumoral (i.t.) e o Pexidartinib, foram testadas. A administração da dupla combinação Nanovaccina_ siTGF-β1 + Pexidartinib apresentou resultados mais promissores que a administração individual da Nanovacina_siTGF-β1 e do Pexidartinib, bem como resultados similares às restantes combinações triplas. Embora não tenham sido observadas diferenças significativas entre os volumes e massas médios dos tumores de animais tratados com as combinações duplas e triplas, observaram-se diferenças ao nível das populações de células do sistema imunitário que infiltraram o tumor. A combinação dupla entre Nanovacina_siTGF-β1 + Pexidartinib resultou em valores médios de volume e massa tumoral semelhantes às restantes combinações. No entanto, esta combinação promoveu uma elevada infiltração de células imunológicas no tumor, nomeadamente células T CD8+, linfócitos T citotóxicos (CTL) e células T natural killer (NK T). Esta tese destaca a importância da nanotecnologia no desenvolvimento de novas terapias para o cancro, nomeadamente para o CRC. O desenvolvimento de uma nanoplataforma capaz de incorporar diferentes biomoléculas com propriedades terapêuticas e de interagir com diferentes células alvo é de extrema importância para aumentar a eficácia do tratamento e para reduzir efeitos secundários adversos. Em particular, destaca-se o desenvolvimento de uma nanovacina que, ao ser combinada com a modulação do microambiente tumoral, através da inibição da expressão de TGF-β1 e das células TAM, parece apresentar resultados promissores num modelo animal de CRC.

Ano

2025-10-28T12:11:44Z

Creators

Coelho, Raquel Ferreira

Ateliês e tutoriais

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Ano

2025-10-28T12:14:55Z

Creators

Botelho, Manuel

Small molecules for cancer immunotherapy: a melanoma approach

O cancro constitui um dos principais e maiores problemas de saúde, a nível mundial, e continua a ser urgente o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais seguras, mas também eficazes que permitam controlar os estados mais avançados desta doença. Apesar dos progressos feitos nos últimos anos, na prevenção, diagnóstico e tratamento, a sua incidência continua a aumentar, sendo uma das principais causas de mortalidade. De facto, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima-se que em 2030 se registem mais de 13 milhões de vítimas mortais. Em termos gerais, o cancro engloba um vasto conjunto de doenças caracterizado por uma proliferação celular anormal e descontrolada. No caso de ser um tumor maligno, este pode desenvolver a capacidade de invadir e danificar os tecidos e órgãos adjacentes, por via linfática, num processo denominado por metastização. De todos os cancros humanos, o cancro da pele é um dos mais frequentes, e apesar de constituir uma pequena fração das neoplasias cutâneas, o melanoma representa o tipo de cancro da pele mais agressivo e mortal. O melanoma maligno é um tumor consideravelmente heterogéneo que resulta da ação combinada de diversos fatores, incluindo genéticos, individuais, ambientais, entre outros, estando o seu prognóstico fortemente relacionado com o estado da doença quando diagnosticada. Para além da excisão cirúrgica, quando diagnosticado precocemente, outras opções terapêuticas incluem a quimioterapia (com os agentes Dacarbazina e Temozolomida) e radioterapia, no entanto nenhuma delas tem um potencial igualmente curativo e os resultados clínicos são limitados. O melanoma avançado, e na sua forma metastática, é altamente caraterizado pela resistência à maioria das terapias convencionais e a sua mortalidade aumenta por falta de outras opções eficazes de tratamento. Assim, as terapias têm vindo a evoluir a partir de estratégias relativamente inespecíficas, para abordagens mais direcionadas. A partir de 2011 doentes afetados pela forma disseminada desta doença passaram a poder usufruir de novos agentes terapêuticos direcionados para alvos específicos identificados como estando associados aos estados mais agressivos desta doença. Destacam-se a aprovação de inibidores de BRAF/MEK, e mais tarde, de moduladores de vias de sinalização associadas a immune checkpoints. A imunoterapia, em oncologia, tem como objetivo restaurar ou amplificar uma resposta imune anti-tumoral por parte do hospedeiro, através da activação de uma rede complexa de células, que inclui linfócitos CD8+ efectores e CD4+ auxiliares, linfócitos B, células natural killer (NK), células dendríticas (DC), entre outras, bem como a libertação de citocinas e mediadores inflamatórios por parte destas células efectoras. No entanto, o tumor tem a capacidade de utilizar mecanismos de supressão fisiológicos, para 9 escapar a uma resposta imunitária, e criar um microambiente tumoral que favorece a sua proliferação e crescimento. Entre outros, o aumento da expressão de moléculas de regulação da resposta imune, que inclui os recetores proteína 4 associada aos linfócitos T citotóxicos, CTLA- 4, e morte celular-programada 1, PD-1, como mecanismo de inibição da ativação dos linfócitos T, estão entre os mecanismos mais utilizados para bloquear a acitividade anti-tumoral do sistema imunitário. Desta forma, o desenvolvimento de terapias que inibam estas moléculas, conhecidas como “immune checkpoints”, afigura-se como promissor no combate a um crescente número de tumores. Mais especificamente, a aprovação de anticorpos monoclonais anti- PD-1/PD-L1, como o Pembrolizumab e Nivolumab, tem vindo a revolucionar as opções de tratamento para doentes com melanoma, tendo já demonstrado benefícios clínicos e aumento de respostas objetivas, quando comparados à quimioterapia tradicional. No entanto, o aparecimento de mecanismos de resistência primária ou adquirida, e a indução de efeitos adversos são alguns dos fatores que ainda limitam a sua utilização. Além disso, ainda que a combinação destes modeladores com outras abordagens terapêuticas tenha permitido melhorar alguns destes aspetos, apenas uma percentagem de doentes responde a estas terapêuticas combinadas, observando-se o desenvolvimento de resistências. Desta forma, torna-se urgente o desenvolvimento de alterativas imunoterapêuticas que permitam sensibilizar o microambiente tumoral de forma a que volte a ser susceptível à ação anti-tumoral destas abordagens atualmente tão clinicamente relevantes. Recentemente, a utilização de pequenas moléculas como inibidores de immune checkpoints tem vindo a receber maior atenção devido às vantagens que apresentam sobre os convencionais anticorpos monoclonais, nomeadamente: capacidade de atravessar várias barreiras fisiológicas e biológicas; maior permeabilidade celular e difusão no microambiente tumoral, especialmente no caso de tumores sólidos; melhoria no perfil farmacocinético e farmacodinâmico; diminuição dos efeitos adversos; menor custo de produção e possibilidade para administração oral, entre outras. Para além disto, o avanço na nanotecnologia e no desenvolvimento de nanoestruturas para “drug delivery” tem vindo a possibilitar a síntese de nanomateriais com diferentes características, dependendo da ação terapêutica pretendida, bem como das propriedades fisico-químicas das moléculas ativas que por eles serão transportadas. Assim, a incorporação destas pequenas moléculas imunomoduladoras, assim como antigénios tumorais e potenciadores de resposta imune, em nanopartículas (NP) biocompatíveis e biodegradáveis irá, não só, permitir uma entrega eficaz, segura, e não-tóxica, mas também, aumentar a sua acumulação específica no local de interesse. Para além disso, irá também permitir uma libertação controlada do composto10 melhorando ainda mais a já promissora abordagem da inibição de immune checkpoints com pequenas moléculas com actividade biológica. Para além disso, a capacidade de modificação das propriedades biofísicas (ex: tamanho, carga e morfologia) das NP permite obter nanoplataformas de entrega desenhadas tendo em vista a sua interação com os sistemas biológicos alvo, aumentando a eficácia desta abordagem terapêutica. Assim, o principal objectivo do trabalho aqui descrito foi desenvolver NP poliméricas de ácido poliláctico (PLA) capazes de incorporar uma pequena molécula anti-Ligando-1 do Recetor da Morte Celular Programada, PD-L1 e a avaliação do seu efeito em células imunes e tumorais. Para tal, o efeito da pequena molécula #56 anti PD-L1 livre ou incorporada nas NP na viabilidade celular foi avaliado em duas linhas celulares (células dendríticas JAWSII (ATCC® CRL-11904™), melanoma, B16F10 (ATCC® CRL-6475™)), que representam subpopulações que expressam níveis mais elevados de PD-L1 no microambiente tumoral altamente imunosupressor. Avaliou-se de igual forma o efeito desta pequena molécula, livre ou incorporada nas NP, na inibição do PD-L1 na linha celular de melanoma anteriormente referida. Sendo que a indução de uma resposta imunológica robusta com a estimulação de linfócitos T CD4+ e CD8+, depende também da apresentação eficaz de antigénios tumorais pelas DC, actualmente reconhecidas como entidades fundamentais na estimulação de uma resposta imune eficaz, foi preparada e caracterizada uma NP multivalente, tendo em vista o transporte de combinações da pequena molécula anti PD-L1, com péptidos antigénicos de melanoma (Melan-A/MART-1) e o imuno potenciador CpG, de forma a que o expectável efeito sinérgico resulte numa maior eficácia anti-tumoral. Os resultados aqui descritos demonstram que as NP desenvolvidas, utilizando os métodos de única ou dupla emulsão com evaporação de solvente, apresentaram as características ideais para os objectivos anteriormente descritos, com um diâmetro hidrodinâmico médio inferior a 200 nm, uma distribuição de tamanhos homogénea (PdI < 0.2) com carga superficial negativa inferior a -8 mV. Importa realçar também a estabilidade e reprodutibilidade das NP preparadas por ambos os métodos, em particular o de dupla emulsão, sendo os valores de desvio padrão, para qualquer uma das características físico químicas, mínimo. Para além disto, estas NP permitiram eficiências de encapsulação, EE (% (w/w), e capacidade de carga, LC (μg/mg), elevadas para qualquer uma das biomoléculas activas incorporadas. Foi possível confirmar, com o ensaio de toxicidade, que até à concentração 10 μM, tanto as células dendríticas como as tumorais, toleraram a biomolécula activa anti-PD-L1 na sua forma livre e quando incorporada em NP de PLA, o que confirmou a sua potencial utilização no tratamento de melanoma. Para concentrações mais elevadas, a incorporação da biomolécula activa 11 anti-PD-L1 foi claramente vantajosa, por ter um menor efeito na viabilidade celular. Para além disto, o facto de apresentarem maior toxicidade nas células tumorais pode constituir uma vantagem apesar do mecanismo associado não ter sido identificado. Apesar do potencial inibitório desta molécula anti-PD-L1 ser inferior ao do anticorpo monoclonal testado, esta abordagem terapêutica tem claras vantagens para a sua potencial aplicação in vivo, nomeadamente a nível da redução de efeitos secundários adversos, daí que tenha que ser feito um compromisso entre eficácia e segurança. Considerando o trabalho aqui reportado, é possível concluir que a optimização de NP poliméricas para o transporte de uma pequena molécula moduladora do checkpoint imunológico PD-L1, permitiu desenvolver uma abordagem terapêutica promissora para o tratamento do melanoma, que futuramente, poderá ser usada como alternativa aos anticorpos monoclonais. Em particular, a incorporação de misturas da biomolécula activa anti-PD-L1, com antigénios tumorais e imunopotenciadores em NP poliméricas, representa uma abordagem promissora para potenciar uma resposta imunitária anti-tumoral mais robusta e eficaz, com indução de memória. Assim, a entrega simultânea de TAA e imunoadjuvantes da resposta imunitária diretamente às células apresentadoras de antigénios, as DC, com moléculas bioactivas contra mecanismos de supressão da resposta imune, poderá representar uma estratégia terapêutica inovadora, não só para o melanoma, mas para o cancro no geral.

Ano

2025-10-28T12:29:40Z

Creators

Serronha, Lara Inês Silva

Memorabilia Landiana: a intervenção de Antônio José Landi na Igreja de Santo Alexandre em Belém do Pará

A presente tese analisa a intervenção do arquiteto bolonhês Antônio José Landi (1713- 1791) na Igreja de Santo Alexandre em Belém do Pará (em 1756) a partir de uma abordagem micro-histórica e à luz da teoria da imagem contemporânea. Por mais que aplicada a um caso bastante específico, a tese empreende não somente uma investigação sobre o objeto estudado, mas uma revisão teórica-metodológica que consiga melhor lidar com os questionamentos transdisciplinares de uma História da Arte transcontemporânea, principalmente concernentes a objetos culturalmente híbridos. A tese investiga os registros historiográficos que se remetem à atribuição da autoria da intervenção a Landi, referindo-se a uma carta escrita em 1756 pelo padre jesuíta Francisco Wolf (1707-1767) que relata a atuação anual da Companhia de Jesus no Pará. Essa documentação, inédita, integralmente transcrita e traduzida para português no Elenco Documental da tese, é acompanhada por outros documentos que subsidiam documentalmente o argumento. Objetiva, finalmente, demonstrar de forma trans-disciplinar o movimento imagético de um acervo memorial landiano, operando matrizes de diferentes tradições na composição da intervenção na Igreja de Santo Alexandre.

Ano

2025-10-28T12:16:34Z

Creators

Nunes, Mateus Carvalho

Contar a história, tramar a memória: a ficção do perpetrador em Les Bienveillantes, de Jonathan Littell

Tematicamente considerado uma ficção do perpetrador, o romance Les Bienveillantes, de Jonathan Littell (2006), é simultaneamente uma ficção de memória — espaço onde um narrador autodiegético discorre, em tom revisionista, sobre a sua participação na Segunda Grande Guerra e no Holocausto, problematizando a ideia de “verdade”. Através desta reconstrução do passado, o romance alude de modo autoconsciente a sistemas de construção e organização dos processos históricos e mnemónicos, para os questionar criticamente. Esse questionamento da possibilidade de “escrever”/inscrever a história acontece através da metáfora textual do tear, apontando para o carácter composto e artificial da memória, decomposta nos padrões e narrativas a que subjazem actos e políticas de memória. A leitura que o narrador faz do passado, decalcada da história de Orestes, apresenta o Holocausto enquanto resultado de um conjunto de forças externas inevitáveis e os seus agentes como heróis trágicos, rejeitando a responsabilidade do sujeito. Em simultâneo, um modo textual oposto, assente na paródia e na ironia, contamina e desestabiliza o projecto exculpatório do narrador. Ao subverter a Oresteia (e outras obras do cânone ocidental), o romance usa e abusa dos códigos literários, cria e subverte convenções, apontando ao mesmo tempo para os paradoxos inerentes e para uma releitura crítica (da representação) do Holocausto. Além da Oresteia, uma densa malha intertextual trabalha para afastar o narrador do modelo trágico, inserindo-o numa tradição literária de narradores infames, contrariando as suas pretensões revisionistas e convidando a uma leitura crítica do discurso do perpetrador.

Ano

2025-10-28T12:12:26Z

Creators

Lourenço, Patrícia Alexandra Alves

A escalar a montanha. Uma análise crítica da Teoria Tripla de Parfit

O objectivo desta tese é o de defender o consequencialismo de regras como fundamento da moralidade, reconhecendo, simultaneamente, um papel essencial ao contratualismo kantiano de motivação para a moralidade e ao contratualismo scanloniano de clarificação da imparcialidade e de ferramenta de decisão. A investigação parte da proposta de uma teoria tripla de Derek Parfit defendida na sua obra On What Matters. Esta proposta originou e continua a originar diversas críticas, tanto ao nível das alterações que o autor propõe à teoria moral kantiana e à teoria scanloniana, como à conciliação das mesmas. Esta discussão constitui o ponto de partida para a análise das referidas críticas, bem como das questões que têm sido vistas como inconciliáveis entre deontologistas e consequencialistas. Defende-se que as teorias deontológicas apresentam fragilidades naquilo que consideram ser as suas vantagens relativamente às teorias consequencialistas, nomeadamente, na defesa de restrições e opções de acção, ou nos casos resultantes da agregação. Pelo contrário, uma teoria consequencialistas de regras, baseando-se nas melhores consequências, consegue defender tanto a existência de restrições como de opções à forma como o agente deve agir, assim como a aplicação da agregação em certos casos. Defende-se, ainda, que a teoria de Scanlon sofre de uma debilidade essencial de inadequação explicativa, mas que, embora não sendo adequada como fundamento da moralidade, pode ter um papel importante como ferramenta de decisão ao clarificar a forma como a imparcialidade deve ser entendida. Por sua vez, a teoria contratualista kantiana, tal como Parfit a defende, pode ter um papel importante de motivação dos agentes para agirem moralmente. Finalmente, sendo uma teoria de valor determinante para a avaliação das melhores consequências, analisa-se a relação do bem-estar com a moralidade nomeadamente ao nível dos factores que têm importância na valoração de um estado de coisas, como a igualdade, o mérito e a prioridade para os mais desfavorecidos. Defende-se que, se a noção de bem-estar não for entendida de uma forma muito estrita, o bem-estar é o valor fundamental da moralidade, desde que seja dada prioridade aos mais desfavorecidos.

Ano

2025-10-28T12:13:33Z

Creators

Alegre, Maria João de Lacerda Nave

Monte dos Castelinhos e as dinâmicas da conquista romana da Península de Lisboa e baixo Tejo

O presente trabalho tem como objetivo a análise das dinâmicas de continuidades e ruturas, identidades e influências exógenas, entre o mundo indígena pré-romano que povoou a Estremadura portuguesa na segunda metade do primeiro milénio a.C. e o decorrer do processo da sua conquista militar e integração na sociedade provincial romana. As escavações que efetuei em Monte dos Castelinhos (2008-2018), Vila Franca de Xira forneceram uma base documental que sustenta uma leitura consolidada das suas arquiteturas, faseamento e cultura material. Tendo em conta o volume e qualidade de dados obtidos, pretende-se apresentar num primeiro nível uma perspetiva monográfica do sítio, centrando a nossa análise no baixo Tejo e em concreto na bacia do Rio Grande da Pipa, onde este se insere. Porém, tendo em conta a perceção das dinâmicas de povoamento, a um nível mais geral, foi necessário contextualizar o sítio e sua ocupação, ao nível da zona da Estremadura. Delimita-se assim, a área de estudo, a Sul pela foz do rio Sado e a Serra da Arrábida, a Este pela margem esquerda do Tejo, a Norte pela bacia do rio Alviela, pelas Serras dos Candeeiros, pela antiga área da lagoa de Óbidos e a Oeste pela costa atlântica. Tendo presente, o quadro de indagações do trabalho em epígrafe pretendeu-se investir numa visão de conjunto e, assim rever a totalidade da informação disponível, desencadeando-se o estudo de muitas destas estações, seus registos e espólios. O rio Tejo marca com o acidente geográfico da sua foz a geografia da fachada atlântica, quebrando a sua continuidade. As características singulares do seu estuário pautado por um verdadeiro mar interior, deram origem a um dos raros portos de abrigo para a navegação, bem como, graças ao seu prolongado estuário, a uma via de penetração navegável da maior importância para territórios francamente interiores. Estas características rapidamente intuídas pelos navegadores mediterrânicos fizeram com que este espaço assumisse desde os primeiros momentos do processo de conquista da Hispania um papel fulcral e estruturante.

Ano

2025-10-28T12:14:01Z

Creators

Marques, João Paulo Pimenta

Volatile chemical characterization and biological activity assessment of Portuguese honey types : importance of botanical origin

Honey is recognized as a high-quality food product with increased consumption in recent years, and with consumer´s showing a trend for honeys with distinctive organoleptic characteristics. This encourages honey falsification, but also promotes analytical tools development to ensure compliance with quality criteria. Honey biological properties have also gained interest in a world of consumers with increased health awareness, seeking wellbeing through food. In this study, fifty-one producers’ labelled monofloral honeys, from mainland Portugal and Azores islands, were evaluated, namely, carob tree, chestnut, eucalyptus, bell heather, incense, lavender, orange, rape, raspberry, rosemary, sunflower, and strawberry tree honeys. This work aimed at contributing to the knowledge of monofloral Portuguese honeys considering a) melissopalynological analysis, b) microbiological quality control, c) physicochemical characterization, d) volatile profile evaluation, e) botanical source differentiation, f) in vitro biological activities assessment and g) phenolic content of selected honey types. Regarding botanical source 53% of the honeys were confirmed as monofloral and the remaining as multifloral. The honeys showed microbiological quality for human consumption, within the acceptance criteria for aerobic mesophilic bacteria, and for yeasts and moulds. Physicochemical characterization defined that electrical conductivity, colour, free and total acidity, and diastase activity could contribute to monofloral honeys differentiation. n-Nonadecane, n-heneicosane, n-tricosane, n-pentacosane, palmitic, linoleic and oleic acids were the main volatiles found in the honey samples, while in lower amounts, cis- and trans-linalool oxide (furanoid), hotrienol, α-isophorone, benzene acetaldehyde and 3,4,5-trimethylphenol were also identified. Fully grown classification tree analysis identified twelve volatile compounds able to fully discriminate between eleven honey types, according to the botanical source. Antimicrobial activity against Staphylococcus aureus and reactive oxygen species (ROS) formation reduction were more pronounced with chestnut, eucalyptus, bell heather, and strawberry tree honeys, while wound healing activity with orange and incense honeys. Bell heather and strawberry tree honeys showed the highest amount in total phenolics. To date this is the first study integrating several characteristics of Portuguese monofloral honeys and providing putative parameters to differentiate them. This work also highlights the great therapeutic potential of some honeys for the development of pharmaceutical formulations.

Ano

2025-10-28T12:24:33Z

Creators

Machado, Alexandra

Fire regime in the Iberian Peninsula : links with current and future climate

Iberia has been affected by wildfires in the last decades, in association with fire weather extremes, as observed in recent years. The main objective of this thesis is to investigate the current and future fire regime in Iberia, with three research questions: (i) Were there recent changes in fire regime or in pyro-regions of Iberia?; (ii) What is the relationship between extreme fire weather and Burnt Area (BA) in Portugal?; and (iii) Will future climate modify the Iberian fire regime or pyro-regions? Several fire weather indices, containing the Daily Severity Rating (DSR), were computed using a reanalysis dataset. A cluster analysis was performed on Normalized Burnt Area (NBA), revealing four pyro-regions. The Number of Extreme Days (NED), defined using DSR and Drought Code above the 95th percentile, was computed and related with the NBA. ERA5-Land reanalysis data was used to compute DSR percentiles for an extended summer period and related with large wildfires in Portugal, to identify which percentile is associated to the majority of accumulated BA. A cluster analysis was performed using this relationship and related with land use data, to analyse the spatial variability of this threshold. The strong link between the NED and the NBA intra-annual patterns was used to project the future pyro-regions, using a climate ensemble for two future scenarios. Projected changes in NED suggested different future Iberian pyro-regions mapping. In conclusion, the three research questions were answered: (i) Recent changes in fire regimes were observed, influenced by fire weather alterations; a strong link between the NED and NBA was disclosed; (ii) Extreme DSR days were responsible for the majority of BA; forest or shrublands prevalence has influence in the spatial variability of this extreme threshold; (iii) Iberian pyro-regions may change profoundly in future climate conditions, with an increase of the NED and DSR.

Ano

2025-10-28T12:15:24Z

Creators

Menezes, Tomás

Sleep patterns in Portugal : European and International comparisons

No summary/description provided

Ano

2025-10-28T12:26:07Z

Creators

Reis, Cátia

Multimodal neuromonitoring in children with severe traumatic brain injury

Traumatic brain injury (TBI) is a main cause of child morbidity and mortality worldwide. Survivors with severe neurological impairment represent an important burden to families and society. Modern neurocritical care management focuses on minimizing secondary brain injury and the use of management strategies based on multimodal brain monitoring has a potential to improve patient outcome. Cerebral autoregulation is an important mechanism allowing cerebral blood flow to stay constant despite fluctuations of cerebral perfusion pressure. It has been shown to be impaired in children with TBI and loss of autoregulation is associated with a poor outcome. There are several techniques that allow continuous calculation of autoregulation indices (and its surrogate - cerebrovascular reactivity) using intracranial pressure, blood flow velocity or cerebral oxygenation and its correlation to arterial blood pressure or cerebral perfusion pressure (CPP). The aim of this thesis was to study the accuracy of different methods of neuromonitoring, ranging from non-invasive and invasive acquisition of signals involved in cerebral haemodynamics to the study of cerebral autoregulation in children with TBI. The secondary objective was to study the association of autoregulation impairment with clinical outcome. In the introduction, traumatic brain injury in children and the theoretical principles of neuromonitoring are presented in detail with focus on the parameters used in the studies performed throughout the thesis. The cerebral autoregulation principles are also reviewed. The main body of the thesis is divided in four sections: In the first section, I review the role of neurovascular sonography in paediatric traumatic brain injury. Namely, the role of TCD in estimating intracranial pressure and cerebral perfusion pressure; evaluating cerebral autoregulation and continuous monitoring; detecting regional variations on cerebral haemodynamics and in the diagnosis of brain death. In the second section, I document through several clinical cases the usefulness of TCD for bedside decisions in the paediatric emergency department and in the paediatric intensive care unit. Five patients with different types of acute brain injury are presented. TCD was useful in the identification of intracranial hypertension in traumatic brain injury, hydrocephalus and central nervous system infection; identification of decreased cerebral perfusion pressure in hypovolemic shock and the diagnosis of impending cerebral circulatory arrest in a child with meningococcal septicaemia. I discuss the importance of TCD in each scenario through a revision of relevant literature and with my own experience. In the third section, I assess TCD as a non-invasive method to estimate cerebral perfusion pressure in children with severe traumatic brain injury. In order to accomplish this objective the feasibility of a novel non-invasive method of cerebral perfusion pressure estimation (nCPP) using a TCD-spectral accounting method in children with severe TBI was tested. There was a good correlation between invasive cerebral perfusion pressure and nCPP and nCPP monitoring with TCD appears to be a feasible method for cerebral perfusion pressure assessment in paediatric TBI. The novel spectral nCPP tested in this study has a decent correlation with invasive CPP and can predict low CPP with excellent accuracy at the 70-mmHg threshold. In the fourth and final section of this thesis, I present the results of a prospective cohort study performed throughout the four years of the thesis development. All children admitted to our paediatric intensive care unit with severe TBI were included to study three different methods of monitoring autoregulation: pressure-reactivity index (PRx), transcranial Doppler derived mean flow velocity index (Mx) and near-infrared spectroscopy derived cerebral oximetry index (COx). This is the first study to compare these three different methods of monitoring cerebral autoregulation in a group of children. PRx seems to be the most robust index to access cerebrovascular reactivity in children with TBI. It allows calculation of optimal CPP for the individual patient and has promising prognostic value. The main conclusions of this thesis are: • Transcranial Doppler is a useful technique to assist the clinical decisions at the bedside in children with acute brain injury; • Multimodal neuromonitoring is feasible in paediatric patients with TBI; • PRx seems to be the most sensitive index for cerebral autoregulation monitoring in children and has prognostic value; • Non-invasive continuous neuromonitoring is promising but it is still not accurate enough to replace invasive monitoring.

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2025-10-28T12:28:33Z

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Abecasis, Francisco

The Lessebo effect in Parkinson’s disease

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2025-10-28T12:24:46Z

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Mestre, Tiago

Regulation of T cell fitness and functions in tumour responses

The immune system, mainly through the action of T cells (and NK), patrols nascent tumours and controls their progression, in a process called immunosurveillance. However, tumours still develop. The failure of tumour control by the immune system is mediated by several escape mechanisms, and the purpose of immunotherapy is to reverse that escape. Substantial advances had been made in this field with the discovery and therapeutic manipulation of immune checkpoints, which are negative regulators of T cell responses. Their discovery was so important that the two pioneer investigators, Tasuku Honjo and James Allison, received the Nobel Prize of Physiology or Medicine in 2018. Clinical blockade of these pathways has shifted the paradigm in the treatment of several types of cancer; however, the efficacy of this strategy is limited to some types of tumours and to an overall minority of patients. This limited efficacy highlights the need of unravelling new mechanisms responsible for T cell regulation in the tumour microenvironment (TME), which we undertook in this thesis. First, we studied the negative regulation of IL-17-producing γδ (γδ17) T cells, which we and others had previously shown to play paradoxical tumour-promoting roles. We used two murine cancer models consisting in the injection of a melanoma (B16) or a hepatoma (Hepa 1-6) cell line, in the peritoneal cavity or liver, respectively. These anatomic locations are favourable to the induction of γδ17 T cell responses. However, to our surprise, these cells did not expand upon tumour challenge, in comparison to tumour-free controls. Concomitantly to the absence of a γδ17 T cell response, we observed a striking accumulation of neutrophils, leading us to hypothesize that neutrophils could suppress γδ17 T cell responses. Genetic approaches, depletion strategies and in vitro studies collectively demonstrated that tumour-associated neutrophils inhibited γδ17 T cell proliferation, through the production of reactive oxygen species (ROS). Interestingly, γδ17 T cells expressed low levels of antioxidants, particularly glutathione, which rendered them particularly susceptible to oxidative stress. In sum, we unraveled a new mechanism responsible for the regulation of a critical pro-tumoural T cell subset in the tumour microenvironment. On the other hand, we also investigated mechanisms of positive regulation of T cells, towards the potentiation of their anti-tumour functions. Given that the essential amino acid, methionine, had previously been shown to be required for T cell proliferation and effector function, we tested the effect of its supplementation in tumour-bearing mice. We used an orthotopic murine triple-negative breast cancer (TNBC) model consisting in the injection of the E0771 cell line in the mammary fat pad. We found that methionine supplementation, while not having a direct effect on tumour progression, potentiated the efficacy of suboptimal anti-PD-1 treatment. The combination of anti-PD-1 with methionine led to an increased infiltration of IFNγ-producing γδ (γδIFNγ) T cells and cytotoxic CD8+ T cells in the tumour bed. Both these subsets were required for the increased efficacy of the combination therapy, with γδ T cells seemingly acting upstream of CD8+ T cells, and the latter becoming more effective tumour killers upon combined therapy. While the molecular mediators underlying the increased T cell infiltration and effector function are still to be determined, our data reveal a new avenue to potentiate the anti-tumour function of γδ and CD8+ T cells, through the combination of anti-PD-1 and methionine. In conclusion, the work presented in this thesis unravels two new mechanisms of T cell regulation in tumours: one that inhibits pro-tumoural T cells and another that potentiates anti-tumour T cell responses. We hope our findings may contribute to the (re)design of more efficacious cancer immunotherapy strategies.

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2025-10-28T12:11:30Z

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Mensurado, Sofia

Cortico-hippocampal interactions as a neural substrate for the retrieval of contextual memories in choice behavior

Spatial working memory, the retention and use of behaviorally relevant spatial cues on a timescale of seconds, depends on complex, finely tuned interactions between hippocampus and the cortical regions anterior cingulate (ACC) and retrosplenial cortices (RSC), together hereby named medial mesocortex (MMC). In this circuit, the processing of hippocampal contextual information is hypothesized to follow a directional stream, from hippocampus to cortex, providing depolarizing drive to MMC neurons. The functional circuitry underlying these interactions and the necessity of such interactions for spatial working memory have not been established. Using retrograde and anterograde tracings, we reported the existence of a HIPP-MMC monosynaptic connection, and we characterized its topographic organization along the MMC. ACC is mainly targeted by the stratum pyramidale of dorso-intermediate HIPP (diHIPP), whereas RSC is targeted by pyramidal and non-pyramidal strata of diHIPP. In RSC, the hippocampal projection includes long-range GABAergic cells located at the border between stratum radiatum and stratum lacunosum-moleculare. Glutamatergic axons arising from diHIPP show sparse distribution and do not show preference for specific layers in the ACC. Contrarily, the glutamatergic axons arising from diHIPP project heavily to the superficial layers of RSC, particularly to layers 3 and 4, whereas the long-range GABAergic cells targeting RSC project mainly to layer 1. Using optogenetics, in vitro electrophysiology and sequential pharmacology, we showed that such hippocampal projections establish bona fide synapses throughout MMC cortical layers, and their differential targeting of ACC and RSC translates into a functional dichotomy at the microcircuit level. Specifically, the diffuse and excitatory hippocampal inputs to ACC evoke stronger potentials around layer 5, known for harboring large pyramids projecting descending axons to the basal ganglia, whereas the excitatory and inhibitory hippocampal inputs to RSC evoke stronger potentials in superficial layers (L1-3), where RSC sends and receives most corticocortical connections. By using in vivo multi site recordings, we further showed that the spontaneous activity patterns in the HIPP and MMC of the awake behaving rat follow what would be expected from the above described connectivity. First, epochs of increased spiking from HIPP are accompanied by short term increases in MMC areas, with increased levels generally preceding and following the trigger point, which is indicative of complex time--dependent cross--talk between these regions. Second, such increases are somewhat clearer in the anteriormost regions of MMC, implying that the presence of inhibitory in parallel with excitatory HIPP inputs to RSC modulates the cortical response in vivo in ways yet unexplored. Our data also showed that MMC spiking responses to HIPP have an oscillatory component, favoring frequencies known to play a significant role in hippocampal--cortical functions, and the strength of the oscillatory alignment to the HIPP rhythms increases as we move caudally along the MMC divisions, with the posteriormost RSC regions significantly more engaged to the hippocampal oscillations, under general wakefulness conditions. Our findings established the functional circuitry supporting HIPP--MMC interactions, and uncovered an underlying gradient of hippocampal inputs to the MMC. The intimate connection between RSC and HIPP, whereupon RSC receives inputs from all HIPP layers, excitatory and inhibitory, and shows increased hippocampal entrainment, is consistent with the known functional similarity of RSC and HIPP. ACC, on the other hand, receives diffuse, sparse and exclusively excitatory input from HIPP and the stronger potentials are evoked in layer 5, known to project to the basal ganglia, consistent with its role in behavior control.

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2025-10-28T12:23:53Z

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Ferreira-Fernandes, Emanuel

Multimodal imaging studies in acute and subacute subarachnoid hemorrhage : Relation To Clinical Prognosis

Spontaneous subarachnoid hemorrhage (SAH) is a severe disease, with high morbidity and mortality. Prediction of complications such as delayed cerebral ischemia (DCI), and of clinical outcome after SAH is challenging. In recent years, imaging studies have stepped up from their role in the diagnosis of SAH, to become prognostic tools. With this work, we attempted to investigate the role of biomarkers in prognosis prediction in SAH. Our main objective was to evaluate the role of multimodal imaging studies, including computed tomography (CT) perfusion and diffusion tensor imaging (DTI) studies to predict two main outcomes: DCI and functional outcome at 3 months. Besides evaluating all SAH patients, we also specifically addressed a subgroup of patients with a benign subtype of SAH, the perimesencephalic haemorrhage (PMH). The secondary aim of this work was the evaluation of blood inflammatory biomarkers and their relation to complications and long term outcome at 3 and 6 months. We conducted a prospective study, and included a cohort of 80 consecutive patients with spontaneous SAH, during an 18-month period. Our imaging protocol included CT and MR studies in two moments: at admission (before 72h after SAH), and during the peak of vasospasm period (between 8-10 days after SAH). We used mainly multivariate statistical analyses to adjust for variables that, besides imaging predictors, could influence the outcomes. On perfusion CT studies, we found decreased cerebral perfusion in the first days after SAH, correlating with worse clinical grade at admission. Early perfusion parameters were not significantly associated to DCI or to clinical outcome in our cohort, as had been described in some studies in the literature. Our results reinforced that the association between early decreased perfusion and DCI occurrence and poor long term outcome is controversial, as was also shown in a recent systematic review of the literature. The disparities of results between studies could be partly due to methodological differences between them, and partly to the lack of validity and reproducibility of CT perfusion. The diffusion tensor imaging studies in our cohort evidenced changes in DTI parameters (fractional anisotropy – FA, and apparent diffusion coefficient – ADC) during the first days after SAH in patients that developed DCI, in the absence of visible lesions. The relevance of these changes was further proved by finding that DTI parameters measured in the first days after SAH were independent predictors of DCI and prognosis. Also in the subacute phase of SAH (8- 10 days), both FA and ADC were associated to clinical outcome at 3 months. DTI parameters possibly reflect pathophysiological mechanisms of early brain injury, and could serve as tools to help predict clinical prognosis. The analysis of the subgroup of PMH patients showed that these patients had better cerebral perfusion, when compared to patients with aneurysmal SAH. Our study showed that these patients presented with acute diffusion-weighted ischemic lesions in the first days after SAH, similarly to aneurysmal SAH patients. This was an unexpected finding, that had not previously been described, but that might explain why some patients with PMH have a less favourable clinical and cognitive outcome. Our study on inflammatory biomarkers focused on the main receptor for tumor necrosis factor alpha (TNF-), a mediator involved in the formation and rupture of aneurysms, and associated to poor outcome after SAH. Arterial and venous levels of TNFR-1 were individually associated with complications and clinical outcome, respectively. We found associations of levels of TNFR-1 and imaging parameters, and in particular that venous TNFR-1 levels and the number of diffusion-weighted ischemic lesions were independent predictors of clinical outcome. In conclusion, our work combined different techniques to study several biomarkers of complications and functional clinical prognosis in spontaneous SAH. A multimodal evaluation of this complex disease allows different views of the multiple pathophysiological mechanisms involved, and possibly increases the accuracy of prognostic determination, especially in very early stages of the disease.

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2025-10-28T12:21:54Z

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Fragata, Isabel

A talha rococó goesa na periferia cultural europeia

No summary/description provided

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2025-10-28T12:13:20Z

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Santos, Joaquim Rodrigues dos

Gate of the Palace of Adil Shah, Old Goa: A misunderstood monument

In the mid-nineteenth century, all that was left of the city of Goa, the former Portuguese capital of the Estado da Índia, was a vast field of palm trees dotted by some large churches stoically resisting time and surrounded by the many ruins of what was once known as “Golden Goa”. Among all the ruins of Old Goa stands a built structure, now classified as a national monument of India, known as the Gate of the Palace of Adil Shah. However, this structure is not a ruin but can rather be considered a folly ruin erected at the beginning of the twentieth century. This article aims to study this structure by analysing its evolution, the creation of its late-Romantic ruinism and its appropriation for ideological purposes, focusing also on the ongoing misunderstanding of it.

Ano

2025-10-28T12:10:18Z

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Santos, Joaquim Rodrigues dos

The Postpartum Bonding Questionnaire: validity evidence from the Brazilian version

The Postpartum Bonding Questionnaire is a self-report questionnaire designed to screen disorders of the mother-infant relationship, which has been adapted to several countries. The aim of this study was to investigate validity evidence of the Brazilian version of the Postpartum Bonding Questionnaire (PBQ-Br) based on its internal structure (dimensionality, reliability, and measurement invariance between mothers with and without depressive symptoms) and on relations to other variables (depression). The present study is part of the Ribeirão Preto and São Luís Brazilian Cohort Studies, encompassing data collected from February 2011 to September 2013. Data were available for 2207 mothers from the general population of Ribeirão Preto and São Luís cities, who were assessed using the PBQ and the Edinburgh Postnatal Depression Scale. Regarding internal structure, the results of confirmatory factor analyses did not support the original four-factor model, nor the alternative structures tested. Exploratory factor analysis suggested a one-factor model with eight items for the collected data, accounting for 38.7% of the total variance with good internal consistency (α = 0.83). Concerning validity evidence based on relations to other variables, the mean PBQ-Br score for mothers with depressive symptoms was significantly higher than for mothers with no depressive symptoms. In conclusion, we found good validity evidence and the PBQ-Br proved to be a useful tool for assessing the mother-infant relationship in the Brazilian general population rather than for its original purpose, i.e., assessing bonding disorders. The results also highlight the importance of developing cross-cultural studies in order to provide useful measures for specific populations.

Ano

2025-10-28T12:13:33Z

Creators

Saur, Adriana M. Sinval, Jorge Del-Ben, Cristina M. Batista, Rosângela F. L. Da Silva, Antônio A. M. Barbieri, Marco A. Bettiol, Heloisa

Convocarte, nº11 (Dez. 2020): Arte e Loucura - arte em asilo, arte bruta e história da arte

Ao lançarmos a chamada para o dossier de número 10 e 11 da Revista Convocarte, era esperado que a escolha temática, o encontro entre arte e loucura, traria uma grande variedade de considerações, nem sempre concordantes e, por vezes, surpreendentes. Por qualificar de “loucura” e não de “doença” e nem de outra coisa qualquer, avaliamos a oportunidade de escutar os diversos entendimentos que, em nossa sociedade, é possível fazer deste termo. É por isso que, no texto que lançava a chamada, propusemos: “tratar as questões da arte na loucura ou da loucura na arte implica uma série de contextualizações e temporalidades que, de antemão, qualificam tanto a obra quanto o sujeito que a produz”. Isto quer dizer que ao falarmos em loucura, ao revermos as suas bases psicológicas, as suas narrativas sociais, os panoramas médicos ou os apelativos artísticos, nós colaboramos em inventar a própria noção de loucura. A loucura não é um estado definido (ou definitivo) e atestado em laudo médico, ela é possibilitada nas relações entre a razão e a desrazão, ponderada pelo desejo de instituir amarras ou potências sobre os sujeitos que habitam este mundo. É e sempre será incitante perceber as variadas formas de produção dos sentidos da loucura. E quando possibilitamos narrativas que levam estes diversos sentidos ao encontro da arte, ou vice-versa, abrimos um sem fim de perspectivas sobre o que pode parecer ilógico ou imponderável: as expressões da loucura.

Ano

2025-10-28T12:12:26Z

Creators

Dias, Fernando Franco, Stefanie Gil Cruz, Pedro Martins, Daniela Colonnese, Luisa Rosenberg Andriolo, Arley Miguel, Marlon Rivera, Tania Silva, Sara Gomes da Lopes, Vasco Mendes Duarte, Eduardo Coëllier, Sylvie Pedro, Raquel Morais-Alexandre, Paulo Calado, Margarida Freitas da Costa, Diogo Macdonald, João