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Avaliação das técnicas de mamoplastia quanto a sua influência tardia na distância do complexo areolopapilar ao sulco inframamário
INTRODUÇÃO: A cirurgia plástica mamária tem como foco adequação do volume, suspensão e forma da mama. Diversas técnicas são utilizadas para redução e mastopexia, com grande atenção ao pedículo responsável pelo suprimento vascular do complexo areolopapilar (CAP). O objetivo deste trabalho é avaliar a técnica e a escolha do pedículo na manutenção da forma do polo inferior da mama no seguimento pós-operatório de 6 meses. MÉTODO: Foi realizada análise prospectiva de 20 pacientes do sexo feminino, totalizando 40 mamas, com índice de massa corporal (IMC) entre 22 e 25 e idade variando de 21 anos a 54 anos, submetidas a mamoplastia (redutora e mastopexia) no Serviço de Cirurgia Plástica e Queimaduras do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Foram empregadas técnicas baseadas em pedículos superior e medial e pedículo tipo I de Liacyr Ribeiro. A distância entre a cicatriz vertical do CAP e o sulco inframamário foi mensurada no pós-operatório imediato e depois de 6 meses, a fim de comparar o efeito de cada pedículo na manutenção da distância vertical. A análise estatística foi feita pelo teste t de Student, considerando significativos valores de P < 0,005. RESULTADOS: Os pedículos utilizados foram superior (n = 16), medial (n = 20) e tipo I de Liacyr Ribeiro (n = 4). A distância da cicatriz vertical (CAP-sulco inframamário), no pós-operatório imediato, variou de 5 cm a 6 cm, com média de 5,6 cm. As medidas pós-operatórias tardias variaram entre 5,5 cm e 8 cm, com média de 6,6 cm. No que se refere às variações na medida da distância CAP-sulco inframamário quando relacionadas às técnicas de pedículo tipo I de Liacyr Ribeiro (P = 0,2048), de pedículo superior (P = 0,0012) e de pedículo medial (P = 0,0057), apenas o pedículo superior apresentou significância quanto ao alargamento dessa distância. CONCLUSÕES:A medida da distância vertical entre a porção mais caudal do CAP e a cicatriz horizontal posicionada no sulco inframamário (CAP-sulco inframamário) pode ser obtida de forma simples, a fim de entender a influência de cada pedículo no resultado tardio das mamoplastias.
2011
Souza,Alexandre Andrade Faiwichow,Leão Ferreira,Álvaro de Azevedo Simão,Tiago Sarmento Pitol,Débora Nassif Máximo,Felipe Rodrigues
Incisão transareolopapilar para mamoplastia de aumento: experiência dos últimos 10 anos do Instituto Ivo Pitanguy
INTRODUÇÃO: Várias vias de acesso foram criadas para a inclusão de implantes na cirurgia de aumento das mamas. Em 1966, Pitanguy descreveu a via de acesso transareolopapilar. O objetivo do presente estudo é avaliar as mamoplastias de aumento realizadas no Instituto Ivo Pitanguy (Rio de Janeiro, RJ, Brasil), nas quais se utilizou a incisão transareolopapilar, nos últimos 10 anos. MÉTODO: Realizado estudo retrospectivo, analisando-se os seguintes parâmetros: tamanho dos implantes, indicação da incisão transareolopapilar e complicações pós-operatórias, como alterações cicatriciais. RESULTADOS: Foram incluídas no estudo 53 pacientes, com média de idade de 33,54 anos e tempo médio de seguimento de 11,6 meses. A maioria (60,4%) dos implantes possuía menos de 200 ml. Doze pacientes foram submetidas a reintervenções pelas seguintes razões: nódulo mamário (1 caso), infecção (1 caso), contratura capsular (1 caso), e insatisfação com a forma das mamas (4 casos), com o volume (4 casos) e com a cicatriz unilateral (1 caso). Dezesseis (30,2%) pacientes desenvolveram alguma complicação menor no pós-operatório e 13 (24,5%) apresentaram alguma alteração cicatricial no pós-operatório: hipocromia (18,9%), hipertrofia unilateral (1,9%), retração cicatricial unilateral (1,9%), e aréola bífida (1,9%). Vinte (37,7%) pacientes realizaram seguimento pós-operatório superior a um ano e relataram satisfação com a cicatriz. CONCLUSÕES: A incisão transareolopapilar permite a inclusão de implantes de tamanho pequeno a moderado, com baixo índice de complicações pós-operatórias e cicatriciais, desde que seguida a correta técnica cirúrgica.
2011
Verbicário,João Paulo Mendes Ferreira,André Ventura Holanda,Thiago Ayres Amorim,Natale Ferreira Gontijo de Pitanguy,Ivo
Dermolipectomia abdominal pós-gastroplastia: avaliação de 100 casos operados pela técnica do "peixinho"
INTRODUÇÃO: A obesidade classe III é uma doença endêmica em todo o mundo. Trata-se de problema de saúde pública em decorrência de sua incidência progressiva. A cirurgia bariátrica oferece alternativa de redução ponderal, visando ao melhor controle das doenças que têm a obesidade como fator de risco e à melhoria da qualidade de vida. O tratamento cirúrgico das deformidades secundárias a grandes emagrecimentos é um novo desafio ao cirurgião plástico. O objetivo deste trabalho é apresentar uma nova técnica para abdominoplastia do paciente ex-obeso, portador de cicatriz abdominal mediana decorrente de gastroplastia. MÉTODO: Foram analisados 28 homens e 72 mulheres, submetidos a dermolipectomia abdominal pós-gastroplastia, segundo a técnica do "peixinho", apresentada neste trabalho. RESULTADOS: A técnica apresentada demonstrou-se satisfatória, resultando em novo contorno corporal, com baixo índice de complicações. CONCLUSÕES: A abdominoplastia com marcação em peixe é mais uma opção no arsenal do cirurgião plástico para tratamento do excedente cutâneo do abdome de pacientes submetidos a cirurgia bariátrica.
2011
Lage,Renato Rocha Amado,Bruno Navarro Sizenando,Rodrigo Pimenta Heitor,Bruno Spini Ferreira,Bruno Meilman
Reconstruções pelveperineais com uso de retalhos cutâneos baseados em vasos perfurantes: experiência clínica com 22 casos
INTRODUÇÃO: As lesões pelveperineais representam grande parcela das interconsultas para o cirurgião plástico em hospitais gerais. O objetivo do presente trabalho é apresentar a experiência obtida no tratamento de pacientes com lesões perineais, sacrais e de quadril com o uso de retalhos com vasos perfurantes. MÉTODO: Foram estudados, retrospectivamente, os pacientes submetidos a avaliação pela equipe da Divisão de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, nos meses de fevereiro a maio de 2009, que apresentavam feridas em região pelveperineal e no quadril. No total, 22 pacientes foram submetidos a reconstrução com retalhos cutâneos e fasciocutâneos baseados em vasos perfurantes, de acordo com os critérios de inclusão. O período de seguimento médio foi de 6 meses. RESULTADOS: A lesão pelveperineal foi úlcera por pressão em 20 (91%) casos, infecção profunda em 1 (4,5%), e hidradenite perineal em 1 (4,5%). A opção dos retalhos foi previamente estabelecida, dependendo do local da ferida: úlceras sacrais, retalho baseado nas perfurantes da artéria glútea superior em 15 (68,2%) casos; úlceras isquiáticas, retalho baseado nos vasos perfurantes da artéria glútea inferior em 3 (13,6%) casos; e úlceras trocantéricas, retalho tensor da fascia lata perfurante em 2 (9,1%) casos. Retalho fasciocutâneo inervado gluteofemoral foi a opção para a reconstrução pós-síndrome de Fournier em um paciente e após ressecção de hidradenite perineal em outro. Houve necessidade de nova sutura para fechamento primário tardio em deiscência < 10% do perímetro da lesão em 3 (13,6%) casos, durante os primeiros 15 dias de pós-operatório. Não houve casos de necrose > 3% da superfície do retalho. Os resultados foram mantidos no período de seguimento avaliado. CONCLUSÕES: Os resultados obtidos no presente estudo foram satisfatórios e ficou demonstrada a utilidade de retalhos cirúrgicos sem incorporação de músculo para reconstruções pelveperineais. Essa alternativa para tratamento é menos mórbida para as áreas doadoras e preserva o tecido muscular para possível intervenção futura.
2011
Barreiro,Guilherme Cardinali Millan,Lincoln Saito Nakamoto,Hugo Montag,Eduardo Tuma Jr,Paulo Ferreira,Marcus Castro
Abordagem psicológica em cirurgia plástica pós-bariátrica
Atualmente, a cirurgia plástica vem se firmando cada vez mais como parte integrante do tratamento cirúrgico da obesidade mórbida, na medida em que visa a devolver as melhores condições de contorno corporal ao enorme contingente de pacientes submetidos a grandes perdas ponderais. Os aspectos peculiares que acompanham essa nova trajetória do paciente obeso exigem abordagem interdisciplinar, com cuidadoso acompanhamento psicológico, antes e depois da cirurgia bariátrica, que deverá prepará-lo continuamente para as grandes transformações impostas a sua imagem corporal. Com a popularização das gastroplastias e a crescente demanda por procedimentos de contorno corporal após grandes emagrecimentos, é cada vez mais comum a presença desses pacientes nos consultórios de cirurgiões que não estão ligados aos serviços multidisciplinares, e que, portanto, precisam conhecer, avaliar e lidar também com os aspectos psicológicos envolvendo candidatos a cirurgia plástica pós-bariátrica. Este trabalho estabelece uma revisão da literatura acerca do complexo ambiente psicológico na obesidade, voltada para o cirurgião plástico, com ênfase na identificação e no controle das condições psíquicas desfavoráveis, possibilitando o melhor planejamento operatório em pacientes com perda significativa de peso após cirurgia bariátrica.
2011
Pinho,Priscilla Rocha Chillof,Cristiane Lara Mendes Mendes,Flavio Henrique Leite,Celso Vieira de Souza Viterbo,Fausto
Modelo de treinamento em palatoplastia
A fissura labiopalatina é o defeito facial mais facilmente encontrado e implica diversos problemas estéticos e funcionais. O uso de modelos de treinamento é uma opção recomendável no treinamento de jovens cirurgiões, principalmente em cirurgias da cavidade oral, em que o acesso cirúrgico e o manejo dos instrumentos são dificultados. O objetivo deste artigo é descrever um modelo reprodutível de treinamento em fechamento de fendas palatinas, desenvolvendo segurança e habilidade técnica nos jovens cirurgiões para realização da palatoplastia. O modelo de treinamento é constituído de cinco etapas, incluindo aulas teóricas, vivência do ato operatório e confecção do modelo de treinamento. O modelo de treinamento proposto neste artigo permite que o cirurgião se familiarize com o trabalho em cavidade pequena e profunda, aprenda a utilizar lentes de aumento e/ou microscópio, e treine incisões, dissecção e sutura em profundidade, podendo ser confeccionado manualmente e com baixo custo. O simulador proposto permite treinamento realístico em palatoplastia, podendo ser usado para o ensino da técnica cirúrgica, sendo facilmente reprodutível.
2011
Gomes,Allysson Antonio Ribeiro Soares,Flavius Vinícius Cabral Pessoa,Salustiano Gomes de Pinho
Substitutos cutâneos: conceitos atuais e proposta de classificação
Feridas complexas podem resultar na perda completa do revestimento cutâneo. A solução consagrada pela cirurgia plástica é a enxertia de pele autógena, porém há casos em que ocorre escassez de área doadora cutânea, um problema ainda não totalmente solucionado. Assim, atualmente há muito interesse por materiais sintéticos ou biológicos que possam ser utilizados como substitutos cutâneos. O objetivo deste estudo foi introduzir uma forma mais didática de agrupar diferentes tipos de substitutos cutâneos. Acreditamos que esses produtos podem ser classificados de forma mais abrangente se forem divididos segundo três critérios: camada substituída da pele, subdivididos em epidérmicos (E), dérmicos (D) e compostos dermoepidérmicos (C); duração no leito da ferida, subdivididos em temporários (T) e permanentes (P); e origem do material constituinte, subdivididos em biológicos (b), biossintéticos (bs) e sintéticos (s).
2011
Ferreira,Marcus Castro Paggiaro,Andre Oliveira Isaac,Cesar Teixeira Neto,Nuberto Santos,Gustavo Bastos dos
Complicação pós-implante mamário na síndrome de Poland
A síndrome de Poland é descrita como ausência do músculo peitoral maior, associada a deformidade das mãos, como sindactilias variáveis, ausência de falanges médias, fusão dos ossos do carpo ou encurtamento do antebraço. Pode haver variação na extensão do comprometimento torácico, desde o sunken chest, termo utilizado para as depressões torácicas associadas a displasia esquelética em geral, até a ausência das porções anteriores das costelas ou cartilagens costais. Em geral, o complexo areolopapilar é posicionado mais superiormente nos homens e nas mulheres a mama é hipoplásica. É relatado o caso de paciente portadora de síndrome de Poland, com 32 anos de idade, que procurou nosso ambulatório de residentes com o desejo de melhorar a aparência do tórax e da mama. Foi realizada intervenção cirúrgica sete anos antes, com implante de prótese mamária de silicone, no intuito de amenizar a deformidade torácica característica. Após avaliação, optou-se pela troca da prótese. No intraoperatório, observou-se área de reabsorção osteocartilaginosa com cerca de 4 cm de diâmetro, em região de articulação costocondral. Após a cirurgia, a paciente evoluiu conforme o esperado. Foi realizada investigação ampla da deformidade encontrada e a paciente avaliada foi encaminhada ao cirurgião torácico. A reabsorção óssea regional anterior no hemitórax esquerdo pode ser um achado cirúrgico e representar diminuição da proteção cardíaca, tornando necessária maior atenção para os casos de substituição de prótese mamária, com realização de exame de imagem específico, como tomografia computadorizada, com o objetivo de minimizar o risco cirúrgico.
2011
Pinto,Ewaldo Bolívar de Souza Saldanha,Osvaldo Ribeiro Rocha,Rogério Porto da Carvalho,Alexandre Sanfurgo de Belboni,Pablo Frizzera
Retalho fasciocutâneo de região interna de coxa para reconstrução escrotal na síndrome de Fournier
A síndrome de Fournier é uma doença grave e que deve ser agressivamente tratada com desbridamentos e antibioticoterapia de amplo espectro. Geralmente causa perda de grande área de tecido, podendo espalhar-se para outras áreas além do períneo, como abdome, membros inferiores, dorso, tórax e retroperitônio. A perda da bolsa escrotal é uma situação frequente nessa doença. São relatados dois casos de reconstrução de bolsa escrotal com retalho fasciocutâneo de região interna de coxas, com excelente recuperação, bom resultado estético e poucas complicações.
2011
Mauro,Victor
Retalho hemissolear reverso na reconstrução de defeito do terço distal da perna
A reconstrução do terço distal da perna representa um desafio para muitos cirurgiões plásticos. Usualmente, os retalhos microcirúrgicos têm sido considerados de escolha para essas reconstruções; no entanto, muitos hospitais ainda não dispõem de equipamentos ou equipe microcirúrgica treinada nesse tipo de procedimento, além dos casos em que as condições clínicas do paciente não permitem uma cirurgia de maior porte. O presente trabalho propõe o relato de dois casos de reconstrução do terço distal da perna com retalho reverso do músculo solear, baseado nas perfurantes da artéria tibial posterior, como alternativa aos retalhos microcirúrgicos. O retalho solear reverso apresentou excelente resultado, com pequeno tempo cirúrgico, fácil realização, excelente resolubilidade e pouca morbidade da área doadora.
2011
Souza Filho,Marcus Vinicius Ponte de Teixeira,Janete Clívea Eleutério de Oliveira Castro,Oscar Costa de
Reimplante e revascularização da ponta do dedo: revisão de literatura e relato de caso de amputação da ponta do dedo mínimo na criança de um ano de idade
A falange distal é funcionalmente importante e deve ser reimplantada em casos de acidente. A técnica de eleição é microcirúrgica, porém a anastomose da veia pode ser extremamente difícil ou impossível, principalmente em crianças pequenas. Este artigo reporta um caso de reimplante microcirúrgico da falange distal do dedo mínimo em uma criança de sexo masculino, de um ano de idade, que sofreu amputação da falange distal do dedo mínimo tipo "guilhotina", na porta residencial. A falange foi reimplantada 8 horas após a amputação, com anastomose de uma artéria e uma veia extremamente finas. A região apresentou congestão, que durou mais de uma semana, porém sem necrose, não necessitando condutas coadjuvantes. Neste artigo, que também faz revisão bibliográfica da conduta no retorno venoso difícil em crianças dessa faixa etária, várias técnicas foram revistas e apresentadas na solução de retorno venoso difícil, assim como os fatores que influenciam a sobrevivência da parte amputada, porém não há um estudo específico de conduta para essa faixa etária. A criança, provavelmente, tem melhor recuperação ou readaptação funcional, porém a parte amputada tem as mesmas chances de sobrevivência no reimplante, e algumas técnicas possivelmente não sejam aplicáveis. A literatura é escassa, sendo necessária a realização de um estudo para determinar uma conduta prática e eficiente especificamente para essa faixa etária.
2011
Chia,Chang Yung Nassif,Tomaz
Perfil epidemiológico de pacientes vítimas de escalpelamento tratados na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará
INTRODUÇÃO: Escalpelamento é trauma causado por avulsão parcial ou total do couro cabeludo, decorrente, principalmente, de contato acidental dos cabelos longos com motor de eixo rotativo. A alta rotação desses motores gera uma força que suga os cabelos da vítima, tracionando e arrancando o couro cabeludo de forma abrupta. MÉTODO: Foi realizado um estudo observacional transversal, retrospectivo, descritivo, incluindo 62 pacientes vítimas de escalpelamento tratados na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. RESULTADOS: Os pacientes mais acometidos foram crianças de 7 anos a 16 anos (56,4%), do gênero feminino (93,5%), sendo 59,7% estudantes e que, predominantemente, praticavam a religião católica (43,5%). CONCLUSÕES: Campanhas profiláticas sobre os riscos de se viajar e manter uma embarcação sem proteção no eixo do motor são fundamentais, uma vez que a tragédia do escalpelamento é causada principalmente pelos cabelos que se enrolam no eixo do motor.
2012
Cunha,Caio Bacellar Sacramento,Raquel de Maria Maués Maia,Bernardo Porto Marinho,Renan Petta Ferreira,Hilton Lobato Goldenberg,Dov Charles Menezes,Maria Lastenia Chagas Primo
Tratamento de sequelas de queimadura de face com laser de CO2 fracionado em pacientes com fototipos III a VI
INTRODUÇÃO: Relatos sobre melhora em cicatrizes pós-traumáticas ou patológicas com o uso do laser de CO2 fracionado (CO2F) concluem tratar-se de tecnologia segura e efetiva, apesar de utilizado apenas em pacientes com fototipos II a III. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia do CO2F em pacientes com sequela de queimadura facial com fototipos III a VI. MÉTODO: No total, 14 pacientes, com média de idade de 29 anos, portadores de sequela de queimadura facial e fototipos III a VI, foram submetidos a uma aplicação do laser de CO2F. Após dois meses, a queimadura foi avaliada por meio de escala com 6 parâmetros: cor, textura, hidratação, irregularidades de superfície, volume e distensibilidade. RESULTADOS: A duração média da dor foi de 19 horas; do edema, 1,3 dia; e da hiperemia, 6,5 dias. A queda das crostas finalizou entre 5 dias e 36 dias, com média de 13,4 dias. Dois meses após a sessão, 5 pacientes evoluíram com hipocromia puntiforme no padrão quadriculado correspondente aos pontos de ablação do laser. A satisfação subjetiva dos avaliadores (pacientes e médicos) com o tratamento foi de 84,6%. Para os pacientes, houve melhora das irregularidades de superfície, da distensibilidade e da textura da pele (57% dos casos), da hidratação (43%), do volume (28%) e da cor (14%). Para os médicos, houve melhora das irregularidades de superfície e da distensibilidade (43%). CONCLUSÕES: O tratamento com laser de CO2F com parâmetros suaves foi bem tolerado e apresentou alto índice de satisfação em pacientes com sequela de queimadura facial, com melhora de textura, distensibilidade e irregularidades de superfície. A alta incidência de hipopigmentação é um fator a ser considerado na indicação do laser de CO2F em pacientes com fototipos IV a VI.
2012
Salles,Alessandra Grassi Remigio,Adelina Fátima do Nascimento Zacchi,Valéria Berton Liguori Ferreira,Marcus Castro
Avaliação de parâmetros antropométricos nasais após queiloplastia primária pela técnica de Mohler
INTRODUÇÃO: Os esforços para obtenção de melhores resultados da região nasal de pacientes fissurados são contínuos, portanto é necessário o correto diagnóstico das alterações da anatomia nasal sofrida com o decorrer do tempo após uma intervenção cirúrgica. Os objetivos do presente estudo foram: 1) avaliar o porcentual de assimetria do nariz de pacientes portadores de fissura labiopalatina unilateral completa e incompleta submetidos a queiloplastia primária com a técnica de Mohler, no pós-operatório imediato (T1) e após um ano da cirurgia (T2); e 2) comparar o porcentual de assimetria nasal em ambos os períodos pós-operatórios com os mesmos índices obtidos em crianças não-portadoras de fissura labiopalatina. MÉTODO: No período de março de 2007 a dezembro de 2010, 27 pacientes portadores de fissura labiopalatina unilateral foram submetidos a queiloplastia primária. Foram obtidas medidas de área, altura, largura, altura em ¼ medial da largura e altura da base narinar identificados na fotografia em duas dimensões por meio do programa Adobe Photoshop CS5 Extended®. Foi utilizado o teste de ANOVA para comparação estatística entre os valores da assimetria nasal no pós-operatório imediato e um ano após a cirurgia. RESULTADOS: Foram obtidos índices porcentuais de assimetria nasal entre os pacientes fissurados e o grupo controle, demonstrando diferença estatística em todas as variáveis quando comparado ao grupo controle, exceto quanto à altura da base narinar. CONCLUSÕES: Os resultados obtidos demonstraram melhora da simetria nasal, porém tendência a recidiva do resultado obtido em T1. Os pacientes com fissura completa são mais suscetíveis à recidiva em relação à posição do nariz.
2012
Somensi,Renato Salazar Giancolli,André Pecci Almeida,Fabrício Lucena de Bento,Daniely Farias Raposo-do-Amaral,Cesar Augusto Buzzo,Celso Luiz Raposo-do-Amaral,Cassio Eduardo
Rede hemostática: uma alternativa para a prevenção de hematoma em ritidoplastia
INTRODUÇÃO: Hematoma é a complicação pós-operatória mais frequente em ritidoplastia. Sua ocorrência aumenta a morbidade e prejudica a recuperação. Pontos de adesão internos para fechamento das áreas descoladas em abdominoplastias evitam o surgimento de seroma. Baseados neste princípio, e com o objetivo de reduzir o número de pacientes com hematomas em ritidoplastia, foi desenvolvida tática cirúrgica análoga em que se confecciona uma rede hemostática de pontos contínuos e transfixantes de náilon 4-0, englobando a pele e o SMAS-platisma. MÉTODO: Foram incluídos no estudo 366 pacientes consecutivos, submetidos a ritidoplastia de pelo menos o terço médio da face, entre julho de 2009 e setembro de 2011. O grupo A, incluindo os primeiros 120 pacientes avaliados retrospectivamente, foi considerado controle. O grupo B foi constituído pelos demais 246 pacientes, operados com a tática cirúrgica proposta e avaliados prospectivamente. Observaram-se as incidências de hematoma, isquemia e necrose nas primeiras 72 horas de pós-operatório. RESULTADOS: No grupo A, 17 (14,2%) pacientes apresentaram hematoma, enquanto no grupo B não houve nenhum caso. A tática cirúrgica não aumentou significativamente a ocorrência de isquemia: 11 (9,2%) pacientes no grupo A e 16 (6,5%) no grupo B tiveram essa complicação (P < 0,3964). Também não houve alteração significativa na incidência de necrose, complicação observada em 3 (2,5%) pacientes do grupo A e em 4 (1,6%) do grupo B (P < 0,4298). CONCLUSÕES: A rede hemostática é método eficaz na prevenção de hematomas precoces em ritidoplastias. Essa tática cirúrgica não levou a aumento significativo da incidência de isquemia e necrose.
2012
Auersvald,André Auersvald,Luiz Augusto Biondo-Simões,Maria de Lourdes Pessole
Autoestima em pacientes submetidas a blefaroplastia
INTRODUÇÃO: Os olhos constituem estruturas anatômicas importantes no conjunto estético da face. O olhar transmite aspectos da personalidade e sentimentos de um indivíduo. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da blefaroplastia na autoestima das pacientes. MÉTODO: No período de maio de 2006 a abril de 2007, 49 pacientes do sexo feminino, com idades entre 30 anos e 40 anos, foram submetidas a blefaroplastia. Nas pálpebras superiores, foram realizadas excisão do excedente cutâneo e ressecção do excesso do corpo adiposo da órbita ("bolsas adiposas"), em todas as pacientes. Em 24 pacientes o fechamento foi feito com Dermabond® (2-octil-cianoacrilato) e em 25 foi realizada sutura intradérmica com mononáilon 6-0. Nas pálpebras inferiores, foi realizada blefaroplastia inferior transconjuntival sem ressecção de excedente cutâneo em 25 pacientes, e blefaroplastia inferior transcutânea com retalho miocutâneo em 24. Em todas as pálpebras inferiores foi ressecado o excedente gorduroso do corpo adiposo da órbita. Para avaliar o impacto da blefaroplastia na autoestima das pacientes, foi utilizado o questionário The Rosenberg Self-Esteem Scale, aplicado na fase pré-operatória, um mês e três meses após a cirurgia. A análise estatística foi feita pela análise de variâncias com medidas repetidas (ANOVA), complementada pelo método de Bonferroni. Foi empregado o coeficiente de correlação linear de Pearson. A média de idade foi de 34 anos. RESULTADOS: O escore médio da escala de autoestima passou de 7, no pré-operatório, para 4,72 no primeiro mês e 4,63 no terceiro mês de pós-operatório. CONCLUSÕES: Foi observada melhora da autoestima nas pacientes submetidas a blefaroplastia, melhora estatisticamente significante apenas nos grupos submetidos a blefaroplastia superior com fechamento com Dermabond e inferior com retalho miocutâneo.
2012
Ishizuka,Carlos Koji
Fatores preditivos para um bom resultado estético em cirurgias conservadoras por câncer de mama
INTRODUÇÃO: O câncer de mama é uma doença frequente e a cirurgia segmentar associada à radioterapia é considerada o tratamento de escolha para a maioria das pacientes. O objetivo da cirurgia conservadora é a obtenção de resultado estético satisfatório. O tratamento irradiante é imperativo e a radioterapia intraoperatória é uma promissora técnica de irradiação. O objetivo deste estudo foi avaliar o resultado estético final de pacientes com câncer de mama em estádio inicial submetidas a cirurgia conservadora, fechamento primário da ferida operatória e radioterapia adjuvante (radioterapia convencional ou radiação intraoperatória em dose única no leito tumoral), bem como analisar a influência de outras variáveis no resultado cosmético. MÉTODO: Fechamento primário da ferida operatória após tratamento conservador do câncer de mama foi realizado em 66 pacientes. As pacientes foram avaliadas e fotografadas e seus dados foram coletados dos prontuários médicos. RESULTADOS: Observou-se que 40,4% das pacientes apresentaram algum grau de assimetria; contudo, frequentemente a mama operada se apresentava esteticamente melhor que a mama sadia, em especial em mamas grandes (P = 0,052) e ressecções dos quadrantes superiores, que melhoravam o grau de ptose e ficavam, consequentemente, mais bonitas. (P = 0,002 e P = 0,001, respectivamente). A incisão periareolar (P = 0,008) é fator preditivo de bom resultado estético; em contrapartida, o diabetes e a quimioterapia predizem mau resultado (P = 0,046 e P = 0,073, respectivamente). CONCLUSÕES: Quando não é possível remodelar o tecido mamário, a assimetria é frequente. Incisões periareolares, mamas volumosas e tumor em quadrante superior são considerados fatores preditivos de bom resultado estético, e como valor preditivo negativo, diabetes melito, quimioterapia e tumor em quadrante inferior. A radiação intraoperatória em dose única no leito tumoral proporciona tratamento irradiante mais rápido e menos desgastante para a paciente e demonstrou equivalência no aspecto estético sobre a cicatriz e a mama.
2012
Tournieux,Tatiana Tourinho
TRAM bipediculado com preservação dos músculos retos do abdome abaixo da linha arqueada e sem o uso de tela de reforço
INTRODUÇÃO: O emprego de transverse rectus abdominis musculocutaneous (TRAM) bipediculado nas reconstruções mamárias tem requerido o uso profilático de telas no segmento inferior do hipogástrio, pela frequência de abaulamentos e hérnias, a médio e longo prazos. O presente estudo tem o objetivo de registrar um procedimento técnico utilizado de rotina nas reconstruções mamárias com TRAM bipediculado, sem autonomização prévia, com a preservação total dos músculos retos e piramidais em suas bainhas no limite da linha arqueada, sem o uso de telas e sem herniação secundária da parede abdominal a longo prazo. MÉTODO: Utilização, em 11 pacientes, de TRAM bipediculado, sem o uso de telas e sem a presença de abaulamentos e hérnias no segmento inferior do hipogástrio, por meio da preservação de ambos os músculos retos abdominais, em suas bainhas desde a linha arqueada até o púbis. A plicatura da parede musculoaponeurótica no hipogástrio seguiu a rotina cirúrgica específica após a migração dos músculos retos abdominais, com complementação da sutura de suas aponeuroses nas respectivas linhas arqueadas, mantendo o reforço necessário para evitar o uso de tela e o aparecimento de abaulamento e hérnia. RESULTADOS: O resultado estético obtido em todos os casos foi considerado satisfatório pelas pacientes e pela equipe cirúrgica. No acompanhamento pós-operatório, as pacientes não desenvolveram nenhum tipo de herniação ou abaulamento secundários da parede abdominal. CONCLUSÕES: A técnica de TRAM bipediculado com preservação dos músculos retos do abdome abaixo da linha arqueada e sem o uso de tela de reforço proporciona a obtenção de resultados satisfatórios, mantidos a médio e longo prazos, sem desenvolvimento de nenhum tipo de herniação secundária da parede abdominal.
2012
Keppke,Eduardo Margy
Reconstrução mamária com retalho do músculo grande dorsal e materiais aloplásticos: análise de resultados e proposta de nova tática para cobertura do implante
INTRODUÇÃO: A reconstrução mamária ocupa lugar de destaque na cirurgia plástica e exige maior doação, entrosamento e confiança entre as especialidades médicas envolvidas e a paciente. O objetivo deste trabalho é analisar os resultados das reconstruções mamárias com o músculo grande dorsal e propor uma tática para melhor cobertura e posicionamento do implante. MÉTODO: Dezenove pacientes, 2 delas submetidas a cirurgia bilateral, totalizando 21 reconstruções, foram operadas entre junho de 2006 e junho de 2009. As pacientes foram analisadas por meio de questionário sobre aspectos estéticos e funcionais da reconstrução. Foram estudadas intercorrências, complicações e melhora estética com uso do implante sob dupla camada muscular. RESULTADOS: O índice de complicações foi pequeno, e em apenas um caso houve necessidade de reabordagem cirúrgica para reposicionar o implante em relação ao sulco submamário. Após o procedimento, 94% das pacientes afirmaram que tiveram suas expectativas atingidas, 64% não referiram limitações funcionais e 18% referiram limitações leves. O fato de colocar os implantes (próteses ou expansores) sob o músculo peitoral maior e cobrir o conjunto com o retalho do músculo dorsal melhora o contorno, pois abole ou suaviza as dobras e a aparência dos implantes nos quadrantes superiores e mediais das neomamas. CONCLUSÕES: As reconstruções mamárias com retalho do músculo grande dorsal associado a implantes de silicone podem oferecer excelentes resultados, com baixos índices de complicações. A colocação do implante sob dupla camada muscular proporciona a obtenção de mais harmonia nos quadrantes superiores das neomamas.
2012
Lamartine,Jefferson Di Galdino Júnior,Juldásio Dahe,José Carlos Guimarães,Gustavo Souza Camara Filho,João Pedro Pontes Borgatto,Marina de Souza Cintra Júnior,Ricardo Pedroso,Diogo Borges