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Análise dos pólipos colorretais em 3.491 videocolonoscopias
INTRODUÇÃO: A ressecção dos pólipos do intestino grosso é uma medida importante na diminuição da incidência do câncer colorretal. O objetivo do presente estudo é verificar a incidência dos pólipos colorretais, seu tipo histológico, o índice de malignização e de ocorrência de novas lesões nos pacientes submetidos a exame colonoscópico por indicações diversas no Serviço de Coloproctologia do Hospital de Caridade de Florianópolis - SC. MÉTODO: Realizado estudo retrospectivo de 3491 pacientes submetidos à videocolonoscopia no período de janeiro de 1992 a outubro de 2006. Foi avaliada a incidência dos pólipos colorretais de acordo com sexo e idade, tipo histológico e a presença de adenocarcinoma. Foram excluídos deste estudo as síndromes polipóides genéticas e os pólipos não ressecados ou com exames anatomopatológicos incompletos ou extraviados. RESULTADOS: Dos 3491 exames realizados, foram encontrados pólipos em 1046 (29,96%), totalizando 1899 lesões em 865 pacientes. Destes 53,94% eram do sexo masculino, 46,06% feminino e 58,46% tinham mais de 60 anos. Foram avaliados 1579 pólipos colorretais, cujo estudo histopatológico mostrou 31,54% adenomas tubulares, 14,19% adenomas túbulo-vilosos, 1,65% adenomas vilosos, 36,03% pólipos hiperplásicos, 7,85% pólipos inflamatórios e 7,85 % de outros tipos histológicos. Foram observados 24 (1,52%) adenocarcinomas polipóides e 18 (1,14%) adenomas com focos de adenocarcinoma. CONCLUSÃO: A incidência de pólipos nos pacientes estudados foi bastante alta, sendo os adenomas o tipo histológico mais freqüente, com risco de malignização de 1,14% e os adenocarcinomas polipóides 1,52%. Os pacientes portadores de adenomas colorretais devem ser submetidos a exames de controle, devido ao alto índice de ocorrência de novas lesões.
2008
Santos,José Mauro dos Felício,Felipe Lyra Junior,Humberto Fenner Martins,Maria Roberta Cardoso Cardoso,Fernão Bittencourt
Influência da irrigação de soluções nutricionais no colo excluso de trânsito intestinal: estudo experimental em ratos
A colite por exclusão é descrita como processo inflamatório que ocorre nos segmentos colorretais desprovidos do trânsito fecal. A deficiência dos ácidos graxos de cadeia curta vem sendo considerada como principal fator causal. OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi avaliar, em modelo experimental de colite de exclusão, a importância da irrigação do segmento desprovido de trânsito com soluções nutricionais na prevenção e tratamento do processo inflamatório. MÉTODO: Foram utilizados trinta ratos Wistar, machos, com peso inicial variando entre 350 e 500 gramas, submetidos à derivação do trânsito intestinal através da realização de colostomia proximal e fístula mucosa distal. Os animais foram divididos em três grupos de 10 animais segundo a irrigação do segmento excluso de trânsito ter sido realizada, empregando-se: Grupo SF: solução fisiológica a 0,9%; Grupo GH: solução de glicose a 50%; e Grupo AG: solução de ácidos graxos de cadeia curta. Em todos os animais, a irrigação do colo excluso foi realizada em intervalos de quatro dias sendo sacrificados sempre no 21º pós-operatório. Os fragmentos removidos dos segmentos intestinais foram corados pelas técnicas da hematoxilina-eosina e tricrômio de Masson. As variáveis histológicas estudadas foram: espessura da túnica mucosa, congestão vascular; infiltrado inflamatório e a deposição de colágeno. Os resultados encontrados foram submetidos a estudo estatístico considerando nível de significância de 5% (p< 0,05). RESULTADOS: Verificou-se que no grupo onde se irrigou o cólon excluso com solução de ácidos graxos de cadeia curta houve menor congestão vascular, menor infiltrado inflamatório e menor deposição de colágeno quando comparado aos demais grupos experimentais. CONCLUSÃO: Os resultados do presente trabalho mostram que a irrigação de segmentos desprovidos de trânsito fecal com ácidos graxos de cadeia curta, encontra-se relacionada à melhora no processo inflamatório decorrente visto na colite de exclusão.
2008
Nassri,Carlos Guilherme Giazzi Nassri,Adriana Bassani Favero,Emerson Rotta,Carlos Mateus Martinez,Carlos Augusto Real Margarido,Nelson Fontana
Modificação no posicionamento do paciente para o procedimento para prolapso e hemorroidas (PPH): decúbito ventral com coxim e membros inferiores afastados
OBJETIVO: A doença hemorroidária(DH) é prevalente em cerca de 5% da população brasileira. Os casos mais avançados da DH são tratados com ressecção dos mamilos prolapsados (hemorroidectomia) e fechamento(técnica de Ferguson) ou não da ferida operatória(Miligan Morgan). No entanto, a dor no pós-operatório e o longo período de recuperação dos pacientes submetidos a hemorroidectomia convencional são os principais inconvenientes das técnicas. O método da hemorroidopexia ou procedimento para prolapso e hemorróidas(PPH) vem sendo realizado desde 1998, e tem como principal vantagem a resolução da DH com menos dor e recuperação mais rápida do paciente. Nosso objetivo é apresentar uma modificação técnica no posicionamento do paciente com DH que será submetido ao PPH. MÉTODOS E PACIENTES: Desde Janeiro de 2008 foram operados 5 pacientes no Hospital UNIMAR, Marília, São Paulo. Todos eram portadores de doença hemorroidária avançada - Grau III e IV. Os procedimentos foram realizados com bloqueio raqui-medular em sela com sufentanil associado à bupivacaína. Os pacientes foram posicionados em decúbito ventral com coxim de cerca de 20 cm de altura colocada na altura da espinha ilíaca ântero-superior. Foram usadas fitas adesivas para afastar lateralmente a região glútea. O cirurgião ficou posicionado no centro, no vão entre os membros inferiores do paciente. O primeiro auxiliar posicionando à direita e a instrumentadora à esquerda. O canal anal foi dilatado manualmente e fixado o dilatador do PPH. Em todos os pacientes a linha pectínea foi facilmente identificada, e obteve-se a exposição de 3 a 4 cm do reto acima da linha pectínea. A bolsa foi realizada com fio de polipropileno (Prolene ® 0 com agulha de 1,5 cm) sem a necessidade de utilização do afastador de 2 canas. Os pontos compreenderam a mucosa retal tomando-se cuidado em não incluir a camada muscular do reto. Após o disparo e retirada do aparelho, identificou-se com facilidade a linha de grampos sem a necessidade de colocar qualquer tipo de afastador auxiliar. Em nenhum dos casos foi necessário hemostasia adicional, com pontos aplicados sobre a linha de grampos. CONCLUSÕES: Pudemos observar que com esse posicionamento a exposição do canal anal fica mais fácil, sem a necessidade de utilizar qualquer tipo de afastador (tipo 2 canas) quando da confecção da sutura em bolsa. Além disso, com o decúbito ventral, o cirurgião opera em pé e a equipe cirúrgica tem maior mobilidade, o que não acontece quando o paciente está posicionado em litotomia. Ademais, o posicionamento do cirurgião de frente para a região anal facilita a confecção da bolsa, a atadura do nó, o disparo do aparelho e a revisão da linha de grampos.
2008
Teixeira,Fabio Vieira Saad-Hossne,Rogério Teixeira Júnior,Paulo
Visibilidade em coloproctologia está correlacionada com atividade em pesquisa
INTRODUÇÃO: O objetivo do presente estudo foi avaliar a influencia da atividade médica em pesquisa, com a exposição que o coloproctologista tem nos congressos da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). MÉTODOS: Comparamos o número de publicações em revistas indexadas ao Medline e Lilacs de cada palestrante dos últimos cinco congressos da SBCP, com o número de publicações de médicos sócios não palestrantes, selecionados aleatoriamente. A pesquisa incluiu o ano de 1965 até 2005, respeitando o mesmo tempo de formado e estado de atuação profissional. RESULTADOS: Foram selecionados um total de 13 conferencistas e 88 palestrantes dos últimos 5 congressos da SBCP, que foram comparados com 102 médicos sócios não palestrantes da SBCP. Os palestrantes publicaram mais trabalhos científicos que os não palestrantes (p<0,0009), e os conferencistas produziram estatisticamente mais publicações (p<0,0009). Maior visibilidade foi observada em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais (71,8%, 6,5% e 6,5% dos palestrantes respectivamente), e maior atividade científica foi observada entre 20 e 40 anos de atividade profissional. A grande maioria das publicações foi em revistas nacionais, especialmente na revista da SBCP (aproximadamente 45%). CONCLUSÃO: A exposição do médico como convidado nos congressos da SBCP e o volume de produção científica estão correlacionados.
2008
Brenner,Antonio Sérgio Lima,Vanessa Zeni de Varaschim,Michele Varella,Paola Zarur Lima,Bruno Zeni de Brenner,Sérgio
Perfil epidemiológico dos pacientes portadores de doença inflamatória intestinal do estado de Mato Grosso
Estudos epidemiológicos recentes sugerem que a incidência da doença de Crohn (DC) e da retocolite ulcerativa (RCUI) está aumentando no Brasil, apesar de desconhecermos sua taxa real. OBJETIVO: Descrever o perfil epidemiológico dos pacientes com doença inflamatória intestinal (DII) que residem no estado de Mato Grosso. RESULTADOS: Foram avaliados 220 pacientes com doença inflamatória intestinal, 125 eram do sexo feminino e 95 do sexo masculino. Do total de casos, 117 tinham RCUI, 86 doença de Crohn e 17 colite indeterminada. A doença foi mais freqüente em casados (66,0%), em pacientes de cor parda (48,0%) e em não fumantes (61,8%). A média da idade foi de 39 anos, variando de 6 a 80 anos. Em algum momento da evolução da doença, 77 (35%) pacientes necessitaram de tratamento cirúrgico. A média de anos dos pacientes estudados foi de 9,17 anos, variando de 0 a 20 anos estudados. CONCLUSÃO: Apesar da pouca literatura sobre a doença, os dados deste estudo revelam que os portadores de DII, no estado de Mato Grosso, apresentam características epidemiológicas semelhantes aos portadores de outros estados do Brasil.
2008
Souza,Mardem Machado de Belasco,Angélica Gonçalves Silva Aguilar-Nascimento,José Eduardo de
A presença de retocele interfere nos resultados de exames de fisiologia anal?
INTRODUÇÃO: A retocele é causa comum de constipação por defecação obstruída. Freqüentemente está relacionada com outras causas de defecação obstruída, e os exames de fisiologia anal são importantes para o diagnóstico preciso da causa de constipação intestinal. OBJETIVO: observar a influência da retocele nos exames de fisiologia anal, e a necessidade da realização desses após o diagnóstico da retocele. MÉTODO: Para este trabalho foram estudados 40 pacientes com diagnóstico de defecação obstruída. Todos os pacientes foram submetidos aos exames de manometria, sensibilidade retal, eletromiografia, latência do nervo pudendo e proctografia, e foram separados em 2 grupos: portadores e não portadores de retocele . Foram encontrados 18 pacientes com retocele, e o diagnóstico mais freqüentemente associado foi o anismus . Em relação aos exames foi encontrada diferença significante apenas na proctografia no ângulo ano retal, demonstrando que a presença de retocele não interferiu nos resultados de exames de fisiologia anal quando comparados com outros constipados, mas esteve associada a outras causas de constipação, como anismus que necessita de outro tipo de tratamento. CONCLUSÃO: A retocele não interferiu nos valores dos exames de fisiologia anal, mas esteve associada a outros diagnósticos, sendo importante a realização dos mesmos.
2008
Cesar,Maria Auxiliadora Prolungatti Klug,Wilmar Artur Aguida,Helly Angela Caram Ortiz,Jorge Alberto Bin,Fang Chia Kapelhuchnik,Peretz
Fechamento de colostomias: com ou sem estudo do cólon?
O estudo pré-operatório do cólon para fechamento de colostomias em alça devido a trauma vem perdendo importância nos últimos anos. A necessidade de se avaliar as alterações anatômicas pós-traumáticas do cólon vai de encontro aos custos, desconforto e morbidade dos exames. OBJETIVO: analisar a real necessidade do estudo prévio do cólon no fechamento de colostomia pós-trauma. MÉTODO: foram analisados, retrospectivamente, 98 prontuários de pacientes, no período de janeiro de 2004 a janeiro de 2006, portadores de colostomia em alça confeccionada após traumatismo e que foram alocados em dois grupos: grupo A, composto de 32 casos com estudo do cólon e o grupo B, 66 casos sem estudo colônico prévio. RESULTADOS: 94,9% dos pacientes eram do sexo masculino e a média de idade foi de 27 anos. O tempo de permanência da colostomia foi, em média, 32,8 meses, sendo o flanco esquerdo a localização mais comum em ambos os grupos. A morbidade geral foi de 7,1%, sendo 3,1% de complicações no grupo A e 9,1% no grupo B (p=0,16) e sem mortalidade. A complicação mais freqüente foi hematoma da parede abdominal em cinco casos (5,1%), e apenas um caso de infecção de ferida operatória (1%), e mais um de deiscência de anastomose (1%). CONCLUSÃO: o estudo pré-operatório do cólon para fechamento de colostomia feita após trauma colorretal é dispensável.
2008
Sobral,Hernán Augusto Centurión Carvalho,Rodrigo Britto de Salem,Juliana Barreto Sarmanho,Letícia Albuquerque,Idblan Carvalho de Formiga,Galdino José Sitonio
Doença de Crohn em recém-nascido
A Doença de Crohn ocorre, principalmente, em adultos jovens. Sua incidência entre membros da mesma família aproxima-se de 10%. Atualmente, os sintomas aparecem cada vez mais precocemente em crianças e adolescentes. No caso que relatamos, um paciente aos três dias de vida iniciou quadro de extensa lesão perianal, desenvolvendo, ulteriormente, outras complicações da Doença de Crohn. Esta criança apresentava, em sua história familiar, dois irmãos com a mesma doença, porém que não sobreviveram às complicações abdominais pós-operatórias. Chamou-nos a atenção a precocidade e a intensidade com que tais manifestações se apresentaram, implicando em sérias conseqüências ao paciente, já na primeira semana de vida.
2008
Silveira,Rodrigo Cardoso Baba,Renata Setsuko Pereira,Ana Carolina S. Paim,Sandra Teixeira,Magaly Gemio Habr-Gama,Angelita
Tumor de Buschke-Lowestein: tratamento com imiquimod para preservação esfincteriana. Relato de caso
O tumor de Buschke-Lowestein, também conhecido como condiloma acuminado gigante é uma lesão de aspecto verrucoso, extensa, envolvendo a região ano-genital. Não representa uma lesão maligna por critérios histológicos, embora exista claramente um potencial de malignização, e tenha um comportamento agressivo. Não existe um consenso sobre o seu tratamento, aventando-se o uso de drogas quimioterápicas aplicadas local ou sistematicamente, uso de imunoterapia, radioterapia e ressecções cirúrgicas amplas isoladas ou em combinação com outras terapias. Relatamos um caso onde a opção de tratamento foi o imiquimod creme 5%. A lesão envolvia musculatura esfincteriana e, sendo assim, a cirurgia acarretaria perda da continência fecal, causando ao paciente o ônus de um estoma definitivo. Após tratamento durante 20 semanas, o tumor apresentou regressão significativa de tamanho, sendo realizado excisão local da lesão residual com preservação esfincteriana.
2008
Coelho,Fernanda Meira Pinto Mano,Aline Landim Bacellar,Melina da Silva Codes,Lina Maria Góes de Souza,Elias Luciano Quinto de Azaro Filho,Euler de Medeiros
Granuloma esquistossomótico gigante do cólon com intussuscepção: relato de caso
A esquitossomose é uma doença parasitária crônica causada por uma espécie de trematódeo, o shistossoma, acometendo 200 milhões de pessosas em todo mundo. No Brasil é provocada pela espécie Shistossoma mansoni, cuja apresentação clínica mais comum é a hepato-intestinal, com sintomas como diarréia, tenesmo, náuseas, meteorismo e hepato-esplenomegalia. Relatamos um caso de paciente masculino de 38 anos com quadro de exteriorização de tumor pelo ânus. A colonoscopia demonstou lesão nodular extra-mucosa em topografia de sigmóide. Submetido a sigmoidectomia, cujo anátomo-patológico mostrou tratar-se de granuloma esquistossomótico gigante, apresentação muito rara da esquistossomose.
2008
Carvalho,Rodrigo Britto de Sobral,Hernán Augusto Centurión Lopes,Juliana Magalhães Todinov,Liliam Ramos Formiga,Galdino José Sitonio
Apendagite epiplóica: tratamento conservador
Apendagite epiplóica (AE) é uma doença inflamatória abdominal incomum, de bom prognóstico, que vem sendo mais freqüentemente diagnosticada em virtude dos avanços nos métodos de imagem. O achado clínico mais freqüente é dor em quadrante inferior esquerdo. O diagnóstico é obtido por meio da tomografia computadorizada. A recuperação do quadro é completa sob tratamento conservador.
2008
Pignaton,Gustavo Borges,Adriana de Almeida Mendonça,Renato Ribeiro,Cláudia Chindamo,Maria Chiara
Metaloproteinases 1 e 7 e câncer colorretal
A metaloproteinase-1 (MMP-1) e a metaloproteinase-7 (MMP-7) são proteinases da matriz extracelular (MEC), zinco-dependentes, envolvidas no processo inicial da carcinogênese por permitirem a invasão tumoral na célula e promover o processo de metastatização. O polimorfismo dessas proteinases tem sido estudado recentemente com o objetivo de validar susa expressão e/ou atividade como marcador prognóstico. Evidências cumulativas revelam importante papel das MMP's 1 e 7 em diferentes fases da carcinogênese. A MMP-1 tem ação direta sobre a principal proteína da MEC, que é o colágeno do tecido intersticial conectivo. Sua expressão aumentada neste tecido pode indicar alto potencial de disseminação tumoral em diferentes tipos de câncer, incluindo o colorretal. A associação deste aumento da expressão também parece ser verdadeira para a MMP-7.
2008
Jucá,Mário Nunes,Benicio Luiz Bulhões Barros Paula Menezes,Hunaldo Lima de Gomes,Edmundo Guilherme de Almeida Matos,Delcio
Biologia molecular do câncer colorretal: uma revolução silenciosa em andamento
Embora os estudos sobre biologia molecular permaneçam como a principal expectativa para o surgimento de novos conceitos e recursos para o tratamento do câncer colorretal, a ausência de resultados de real impacto do ponto de vista clínico ao longo dos últimos anos podem representar uma frustração para quem não esteja acompanhando de perto a evolução das pesquisas nesta área. Assim sendo, nosso objetivo no presente texto é apresentar uma breve revisão do caminho percorrido até o momento desde os trabalhos pioneiros sobre carcinogênese colorretal até as pesquisas mais recentes sobre proteômica, demonstrando assim o constante fluxo de grandes avanços os quais possibilitam uma previsão realista a curto ou médio prazo da disponibilização de recursos de amplo impacto, com potencial para alterar de forma relevante os resultados do tratamento desta importante doença.
2008
Pinho,Mauro de Souza Leite
Videocirurgia colorretal com assistência robótica: o próximo passo?
O desenvolvimento de técnicas minimamente invasivas é um dos mais importantes avanços da cirurgia colorretal. A assistência robótica integra o arsenal de técnicas em cirurgia minimamente invasiva, e vem sendo aplicado em cirurgia colorretal por um restrito grupo de cirurgiões em alguns centros ao redor do mundo com resultados iniciais que merecem atenção. O objetivo do presente estudo é analisar os resultados do emprego da assistência robótica em videocirurgia colorretal. Dentre as vantagens associadas ao emprego de robôs em videocirurgia colorretal, figuram o incremento na precisão dos movimentos e a visão tridimensional. A experiência clínica é ainda pequena, e advém de uma série de casos e estudos comparativos com a videocirurgia colorretal sem assistência robótica com ainda pequeno número de casos. A dissecção pélvica com incremento da preservação autonômica parece ser a maior vantagem associada à assistência robótica em videocirurgia colorretal. Somente através do treinamento de um número mais representativo de cirurgiões colorretais, bem como com a expansão da experiência clínica será possível prever com maior precisão o papel da assistência robótica em videocirurgia colorretal.
2008
Araujo,Sergio Eduardo Alonso Carneiro,Arie Imperiale,Antonio Rocco Seid,Victor Edmond Campos,Fábio Guilherme Caserta Maryssael de Kiss,Desidério Roberto Cecconello,Ivan
Câncer ano-reto-cólico: aspectos atuais IV - câncer de cólon - fatores clínicos, epidemiológicos e preventivos
O câncer colorretal tem alta incidência populacional e alto índice de mortalidade, com diferenças pouco relevantes entre os povos de diversas nações, como atestam os estudos epidemiológicos dessa doença. Embora a abordagem médico-cirúrgica do câncer colorretal tenha sido favorecida pelos novos conhecimentos adquiridos com a engenharia genética, pelos progressos que aprimoraram o tratamento, principalmente na área de neo-adjuvância, com as inovações nos aparelhos de radioterapia e com a constante introdução de novas e potentes substâncias quimioterápicas, o prognóstico da doença continua sombrio. Todavia, dados colhidos em estudos sobre a biologia do tumor - sua origem, crescimento e desenvolvimento e comportamento biológico - têm acenado para a possibilidade de cura quando os métodos preventivos, em prática, facilitam a abordagem precoce da lesão. Nesse contexto, o câncer colorretal é passível de cura, podendo, inclusive dispensar, para tanto, o tratamento adjuvante ou aliviar o paciente da abordagem cirúrgica mutilante. Assim, o maior esforço posto em ação no início desse século está sendo representado pelos movimentos de educação popular em massa para a prevenção do câncer de reto e dos cólons com incentivo para o teste de sangue oculto nas fezes.
2008
Santos Jr,Júlio César M
Alterações das pressões anais em pacientes constipados por defecação obstruída
INTRODUÇÃO: a constipação é um sintoma de doença multifatorial. O diagnóstico correto é importante para orientar a terapêutica. Nas formas de defecação obstruída há vários fatores relacionados como gênero, idade, hábitos, paridade, doenças associadas e distúrbios específicos da evacuação. Entre os métodos para diagnóstico a manometria é usada pela facilidade técnica e disponibilidade. OBJETIVO: verificar o valor da manometria isoladamente em constipados por defecação obstruída. MÉTODO: examinamos quarenta pacientes do Ambulatório de Coloproctologia da Santa Casa de São Paulo com diagnóstico de defecação obstruída. As medidas de pressão retal e anal foram comparadas com um grupo controle de 60 indivíduos considerados normais do ponto de vista proctológico. Separados os pacientes consoante a causa da constipação, verificou-se o valor do método manométrico em cada causa específica. RESULTADOS: houve somente diferenças entre as medidas de pressão retal e anal em repouso e pressão máxima de contração entre os normais e os vários tipos de constipados, mas não diferenças específicas entre as várias modalidades de constipação. CONCLUSÃO: os vários métodos de fisiologia anal são importantes e necessários em conjunto para o diagnóstico correto. A manometria contribui para a investigação dos distúrbios funcionais, devendo sempre ser incluída. Contudo, seu valor como método isolado é questionável.
2008
César,Maria Auxiliadora Prolungatti Klug,Wilmar Artur Aguida,Helly Angela Caram Ortiz,Jorge Alberto Fang,Chia Bin Capelhuchnik,Peretz
Expressão citofotométrica do marcador CD-34 no adenocarcinoma de cólon
A angiogênese é uma das responsáveis pelo equilíbrio homeostático entre as células. Durante o desenvolvimento do processo de degeneração maligna celular o seu desequilíbrio é considerado um importante marco neoplásico e o CD-34 parece ser um bom marcador de angiogênese. OBJETIVOS - Avaliar qual a expressão citofotométrica do CD-34 no adenocarcinoma de cólon; se apresenta alterações nas diferentes fases evolutivas na classificação modificada de Dukes; e como se expressa no cólon direito e esquerdo. MÉTODOS - Utilizaram-se 19 casos submetidos à técnica imunoistoquímica com anticorpo anti CD-34. Após, as lâminas foram lidas pelo sistema SAMBA com o software Immuno 4, analisando dois índices: marcação e densidade óptica. Os parâmetros foram marcação e expressão do marcador, quer individual quer relacionado à classificação de Dukes e lado. RESULTADOS - A média do índice de marcação foi 66,54 e densidade óptica 43,60. Em relação à classificação de Dukes, 12 do tipo B, tiveram índice de marcação 67,95 e densidade óptica 43,21 e, para os sete do tipo C, índice de marcação 64,12 e densidade óptica 44,27. Não foi possível identificar diferença em relação à classificação de Dukes. Quanto ao lado do tumor, os 11 esquerdos tiveram índice de marcação 72,08 e densidade óptica 46,70, e os oito direitos, índice de marcação 58,93 e densidade óptica 39,44. Em relação ao índice de marcação houve diferença significante, mas quanto à densidade óptica não. CONCLUSÕES - O CD-34 apresentou expressão discreta como marcador de angiogênese; sem diferença entre tipos B e C de Dukes mostrando atividade angiogênica maior à direita do que à esquerda.
2008
Tajra,João Batista Monteiro Malafaia,Osvaldo Ribas-Filho,Jurandir Marcondes Czeczko,Nicolau Gregori Nassif,Paulo Afonso Nunes Silva,Marileide Inácio da
Fatores de mau prognóstico nas peças operatórias de pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico do câncer colorretal
INTRODUÇÃO: O estadiamento anátomo-patológico da peça operatória representa a principal ferramenta de aferição do prognóstico e sobrevida de pacientes com câncer colorretal (CCR). OBJETIVOS: Determinar a prevalência do T, N, grau de diferenciação celular e presença de mucina na peça operatória de pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico do CCR e suas correlações. MÉTODOS: Os laudos anátomo-patológicos de 144 pacientes foram avaliados quanto ao estadiamento clínico-patológico. RESULTADOS: A média de idade encontrada foi de 61,21 anos. Doze pacientes tinham menos de 40 anos (8,3%). Cento e vinte e cinco pacientes (86,8%) apresentaram tumores grandes (>35mm). Cento e doze pacientes (77,8%) encontravam-se no estádio T3 e 77 pacientes (53,5%) foram classificados como N0. Setenta e seis pacientes (52,8%) apresentaram adenocarcinoma bem diferenciado. Seis pacientes (4,2%) tiveram tumores secretores de mucina. A média de gânglios dissecados foi de 11,1 e a média de gânglios positivos foi de 2,79. CONCLUSÃO: Pacientes jovens não apresentaram estadiamento T/N mais avançado ou maior indiferenciação celular/secreção de mucina. Tumores grandes obtiveram estádio T avançado, sendo que os estadiamentos T e N correlacionaram-se positivamente com maior média de gânglios dissecados. A ressecção de maior número de linfonodos aumentou a chance de se encontrar gânglio neoplásico, e quanto maior o número de gânglios positivos, mais avançado foi o estadiamento T, N e o grau de indiferenciação celular/presença de mucina.
2008
Volpato,Marília Granzotto Koch,Kaiser de Souza
Pesquisa de sangue oculto nas fezes e achado colonoscópico em 60 pacientes
INTRODUÇÃO: O carcinoma colo-retal ocorre em alta porcentagem, e é causa comum de morte. A maior incidência se dá nas mais altas faixas etárias, e tanto homens como mulheres são igualmente afetados. Há diferenças no risco para desenvolver carcinoma. Exames preventivos são importantes para reduzir a mortalidade. A pesquisa de sangue oculto nas fezes é um método antigo, mais simples que os demais e se baseia na idéia que os pólipos e os carcinomas sangram intermitentemente, e nos últimos anos houve maior interesse nessa técnica. OBJETIVO: avaliar as vantagens da pesquisa de sangue oculto nas fezes como método de triagem na detecção de lesões pré-malignas e malignas em nossa população sintomática, correlacionando-a com os resultados da colonoscopia. MÉTODO: realizou-se estudo em 60 pacientes da Santa Casa de São Paulo, sintomáticos e com indicação de colonoscopia, que haviam antes realizado pesquisa de sangue oculto nas fezes com o método da benzidina. RESULTADOS: A média das idades foi de 54,2 anos, variando de 12 a 92 anos, sendo 31 mulheres e 28 homens. Os resultados dos exames de sangue oculto foram positivos em 25 e negativos em 34. Várias lesões causadoras de sangramento foram diagnosticadas, e observamos que nos cálculos aritméticos sobre os resultados, a pesquisa do sangue oculto revelou sensibilidade de 63,7%, especificidade de 81%, valor preditivo positivo de 28% e negativo de 88%. CONCLUSÃO: os resultados da aplicação de um método de triagem mostra que a pesquisa do sangue oculto fecal pela benzidina, é exame de eleição para ser aplicado em programas sociais de prevenção de carcinoma colo-retal para pacientes sintomáticos.
2008
Jatobá,Miriam Piratininga Candelária,Paulo Azeredo Passos Klug,Wilmar Artur Fang,Chia Bin Capelhuchnik,Peretz
Proporção de linfonodos metastáticos como variável independente de prognóstico no câncer colorretal
No câncer colorretal, o comprometimento linfonodal é um dos fatores prognósticos mais importantes. Objetivo: Determinar o valor prognóstico independentemente da relação entre linfonodos comprometidos e examinados em doentes com câncer colorretal. MÉTODO: Foram estudados 113 doentes (62 mulheres) portadores de câncer do cólon e reto superior. Quinze pertenciam ao estádio I da classificação TNM, 44 ao estádio II, 42 ao estádio III e 24 ao estádio IV. O índice de linfonodos comprometidos foi determinado pela relação entre número total de linfonodos comprometidos e examinados. Os doentes foram divididos segundo a proporção de linfonodos comprometidos em três grupos: ILC-0: sem comprometimento linfonodal; ILC-1: com comprometimento de até 20% dos linfonodos examinados; e ILC-2: com comprometimento neoplásico em 21% ou mais dos linfonodos examinados. As relações entre proporção de linfonodos comprometidos, número de linfonodos ressecados e número de linfonodos comprometidos foram determinadas. Excluíram-se doentes menores de 18 anos, submetidos à neoadjuvância e aqueles onde foram ressecados menos de 12 linfonodos. As variáveis anátomo-clínicas foram analisadas por estatística descritiva. A correlação entre as variáveis foi avaliada pelo teste de Spearman. A sobrevida foi determinada pelos testes de Kaplan-Meier, Log-rank e a análise multivariada pelo modelo de Cox estabelecendo nível de significância de 5%. RESULTADOS: Houve diferença significante na sobrevida de cinco anos em doentes classificados nos diferentes grupos de ILC (p=0,009). Houve relação entre o número total de linfonodos comprometidos e o ILC (p=0,00001, com rs=0,977). Doentes do grupo ILC-0 apresentaram sobrevida global em cinco anos maior que 80%, enquanto os pertencentes aos grupos ILC-1 e ILC-2 a sobrevida global foi menor que 60% e 40%, respectivamente. O comprometimento linfonodal isolado apresentava-se relacionado à sobrevida em cinco anos (p=0,03). A análise multivariada demonstrou que o ILC é fator prognóstico independente (p=0,009). CONCLUSÃO: Os resultados do presente estudo permitem concluir que o ILC pode ser considerado uma variável independente preditora de sobrevida em doentes com câncer colorretal.
2008
Priolli,Denise Gonçalves Cardinalli,Izilda Aparecida Alfredo,Camila Helaehil Spadari,Ana Paula Pimentel Máximo,Felipe Rodrigues Margarido,Nelson Fontana Martinez,Carlos Augusto Real