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As confluências das tradições literárias escritas e orais nos livros didáticos: um estudo das representações das literaturas africanas, afro-brasileira e indígenas nos materiais do Programa Nacional do Livro Didático 2014

O objetivo desta tese é analisar as representações do campo literário (Bourdieu, 1996), notadamente das produções africanas, afro-brasileiras e indígenas, divulgadas nos livros didáticos de Português mais distribuídos pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2014. Para isso, partimos da noção de que os livros didáticos são um gênero do discurso, cuja organização e seleção textual expressa um projeto autoral (Bunzen, 2005, 2009). A partir daí, foi possível compreender o papel das antologias dentro da proposta pedagógica de cada uma das coleções que compõem nosso corpus. Como uma etapa inicial, realizamos uma quantificação e tabulação do número de textos literários e não literários concernentes ao nosso recorte. Esses dados foram descritos, analisados e comparados à luz de perspectivas teóricas da área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa e, tendo por base, também, o projeto autoral dos materiais analisados. Os resultados obtidos, em diálogo com a exigência legal do decreto 11645/08, mostram a tentativa de publicar textos oriundos das tradições oral e escrita do campo literário, divulgando duas naturezas distintas de produções literárias por meio dos materiais de Ensino Fundamental 2, e também demonstram que a presença de tais produções literárias nas coletâneas dos materiais didáticos é incipiente. Verificamos ainda distinções quanto aos processos de reconhecimento social, de acordo com a perspectiva de Honneth (2003) entre o legado da tradição oral e o da escrita para a composição do campo literário. Ao enfocar as especificidades e as representações de ambas as tradições, foi possível identificar a carência de propostas de leitura que fossem capazes de introduzir, na formação do jovem leitor, a engenhosidade e a complexidade das narrativas orais. Tal constatação se opõe aos resultados referentes às representações da tradição escrita, em que se notam iniciativas de expor autores e obras representativos das literaturas nacionais especificamente afro-brasileiros e indígenas e africanos de países de Língua Oficial Portuguesa.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Flávia Cristina Bandeca Biazetto

Não tenhas medo de ser: corpo, transgressão e liberdade na Poesia erótica de Maria Teresa Horta e Olga Savary

A portuguesa Maria Teresa Horta e a brasileira Olga Savary publicam livros de poesia erótica em um momento de impulsão dos movimentos feministas em seus países nas décadas de 1970 e 1980. Enquanto Savary não reivindica diretamente questões políticas relativas às mulheres, Horta participa ativamente do movimento feminista português. O objetivo deste trabalho é, a partir das obras Educação Sentimental (HORTA, 1976) e Magma (SAVARY, 1982), fazer uma análise comparatista que tem o corpo, a transgressão e a liberdade como operadores críticos para a percepção da poética das duas autoras, olhando para o erotismo como um espaço de conflito, confronto e poder que propicia a liberação feminina e a ruptura com a poesia canônica. Para tanto, a pesquisa dialogará com a crítica literária feminista e os estudos de gênero, tomando como horizontes teóricos os pensamentos de Simone de Beauvoir, Hélène Cixous, Michel Foucault, Audre Lorde, Adrienne Rich, Judith Butler, entre outros, para investigar se os discursos eróticos de Savary e Horta entram em conflito com o poder patriarcal ou conformam abordagens alternativas em relação ao falogocentrismo e à heterossexualidade e seus dispositivos.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Bruna Renata Bernardo Escaleira

Figura de Marília: aspectos da poética de Tomás Antônio Gonzaga

O objetivo desta pesquisa é estudar a figura de Marília, central na obra Marília de Dirceu do poeta luso-brasileiro Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810). A partir de uma perspectiva histórica, buscamos evidenciar aspectos da poética do autor conforme as convenções retórico-poéticas de seu tempo. Analisamos tópicos formais e características discursivas desse poema em duas partes, a primeira editada em 1792 e a segunda, em 1799. Para tal, reexaminamos a longa tradição crítica brasileira que interpretou o idílio ficcionalizado no poema ou como expressão de uma subjetividade empírica ou como reflexo de determinada realidade social. Também desvinculamos a figura de Marília da personagem histórica Maria Doroteia Joaquina de Seixas, que a teria inspirado. Nesse sentido, o \"casal de sonhos\" Dirceu e Marília afasta-se da esfera biográfica e empírica, do mesmo modo que o discurso de Tomás Antônio Gonzaga é compreendido além da esfera documental e biográfica, deslocando-se para o terreno das convenções poéticas da segunda metade do século XVIII. Compreendida como poesia regrada retoricamente, ressaltamos aspectos da poética de Tomás Antônio Gonzaga que estruturam seu poema. Tendo esse ponto de partida, apontamos a centralidade da figura de Marília de Dirceu na obra lírica atribuída a Gonzaga, descrevendo algumas de suas \"facetas\": um nome da tradição bucólica, a interlocutora privilegiada da persona poética, a pastora que compõe o par com Dirceu, uma personagem da ficção mitológica, um retrato feminino pintado pelo poeta, e, por fim, como uma espécie de intermédio conciliatório entre a primeira e a segunda parte do poema.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Heidi Strecker-Gomes

Jorge Amado e o romance de 1930: protagonismo de uma nova voz emergente (1931-1934)

A atividade literária de Jorge Amado, manifestada em livros e artigos na primeira metade dos anos 1930, revela o protagonista de uma nova voz que emerge e propõe transformações expressivas na literatura brasileira praticada até então. Surgem ambientes, personagens, linguagem e narrativas que, ao longo desse período, se consolidaram como uma nova proposta artística, corroborada pelo interesse crescente do público leitor e pelo desenvolvimento e florescimento de uma indústria editorial. As circunstâncias políticas e sociais -- representadas no contexto nacional pela Revolução de 1930 e suas consequências e, no nível internacional, pelas tensões entreguerras -- forjam condições propícias para a manifestação dessa nova voz por meio da qual Jorge Amado pratica, define e defende suas proposições transformadoras, em consonância com outros autores de sua mesma geração, com destaque para o romance social, romance intencional e romance proletário -- rótulos semelhantes para a mesma proposta.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Roberto Amado

Hans Christian Andersen e \'O companheiro de viagem\': da narrativa mítica ao conto literário - um estudo em perspectiva comparatista

O objetivo da presente tese firmou-se na investigação de como se articula a imagem-símbolo da viagem no conto literário O companheiro de viagem, de Hans Christian Andersen, em diálogo com o conto popular norueguês O companheiro e a narrativa mítica nórdica Thor no País dos Gigantes. Para fundamentar o comparatismo literário das três narrativas, buscou-se aporte teórico na taxonomia dos símbolos presente na antropologia do imaginário, de Gilbert Durand (2012), e em outros teóricos da crítica da literatura contemporânea sobre o imaginário, o conto popular e o mito, a produção literária. Verificou-se como cada narrativa do corpus é configurada em imagens-símbolos e que algumas ressoam no conto anderseniano. A imagem compósita da viagem manifestou-se constitutiva de um esquema ascensional pela presença de um simbolismo que remete ao cume, à vitória do herói, à realização do sonho da conquista da amada e do reinado. A viagem é ascensão simbólica. Do ponto de vista da crítica literária pode-se reconhecer ainda que O companheiro de viagem é o palimpsesto no sentido que formula Gèrard Genette: um hipertexto (texto inovador) que narra um hipotexto (um texto anterior), pelo procedimento da transformação que se distingue da imitação. O conto O companheiro de viagem é (re)tecido em imagens-símbolos, configuradas em artifícios picturais, melodiosos, gestuais, visuais pela escrita. A imagem semelhantemente à vida, manifesta-se.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Euclides Lins de Oliveira Neto

As dobras do texto - trajetória da obra de João Guimarães Rosa pelo sertão

Esta tese estrutura-se a partir de experiências com a literatura de Guimarães Rosa no sertão de Minas Gerais e ressalta aspectos do retorno da sua obra a determinadas localidades, constituindo o que definimos como Território Literário. Alguns aspectos contribuíram nesse processo: representação do real na obra; recepção da obra geradora de ações em torno da leitura; adaptações da obra em outras linguagens. O processo criativo do escritor e suas estratégias para observar a realidade e torná-la matéria-prima da sua criação são observados a partir de registros localizados em seu arquivo no Instituto de Estudos Brasileiros/USP-SP . Na perspectiva de observar o percurso da obra pelo sertão, são abordados projetos artísticos e pesquisas que mostram a obra como mobilizadora de vivências no sertão real. Destaca-se a expedição Os Loucos por Rosa (1995) como o início de um projeto coletivo em Cordisburgo, Morro da Garça e Andrequicé/Três Marias, cidades de referência na vida e obra do escritor e a partir dela as iniciativas que se firmaram nesses locais: semana culturais; narração de textos literários de cor; o bordado; pintura. As adaptações do texto para a narração oral são apresentadas pelos projetos Contadores de Estórias Miguilim e Caminhos do Sertão, ambos desenvolvidos em Cordisburgo. Na recriação da obra em imagem estão destacados os projetos artísticos: na pintura, o trabalho do artista plástico José Murilo; no bordado, experiências coletivas nas cidades, mostrando técnicas e métodos utilizados. Nessa perspectiva, a proposição de Território Literário firma-se nos caminhos da obra entre espaço, sons, imagem e várias outras ações literárias, que resultaram na valorização da cultura local e na relação estabelecida pelas comunidades com seu Território, revitalizado a partir da literatura.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Elizabeth Maria Ziani

Entre o passado e o presente: um estudo do orientalismo literário português na segunda metade do século XIX

Este estudo tem como objetivo a análise das representações do Oriente na literatura portuguesa metropolitana produzida na segunda metade do século XIX. Partindo da hipótese de que essas imagens apresentam complexidade e pluralidade maiores do que se depreende em uma leitura superficial, investigamos de que forma o Oriente surge em obras de três relevantes escritores desse período: Manuel Pinheiro Chagas (1842-1895), Camilo Castelo Branco (1825-1890) e Antero de Quental (1842-1891). Para tanto, realizamos um amplo estudo comparativo de escritos desses autores, que compreendem diversos gêneros textuais. Como sustentação teórica, apoiamo-nos em teorias orientalistas -com destaque à obra Orientalismo de Edward Said (1978), mas não se limitando apenas a esta -, em estudos em torno do orientalismo português e na fortuna crítica desses escritores. Nosso corpus de análise compreende, nomeadamente: de Pinheiro Chagas, os textos não ficcionais História Alegre de Portugal (1880), O Centenário de Luiz de Camões (1880), os romances históricos A Marqueza das Índias (1890), A Joia do Vice-Rei (1890) e Naufrágio de Vicente Sodré (1892); de Camilo Castelo Branco, os romances Doze Casamentos Felizes (1861) e O Senhor do Paço de Ninães (1867), e os textos não ficcionais Tragédias da Índia (1880) e Luiz de Camões (1880); e de Antero de Quental, um selecionado de cartas pessoais, bem como os textos em prosa As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos (1871) e O Japão: Estudos e Impressões de Viagem, por Pedro Gastão Mesnier (1875). Abordamos ainda, de modo mais breve, alguns contos, textos jornalísticos e diplomáticos de Pinheiro Chagas, como As Colónias Portuguesas no Século XIX (1890); algumas polêmicas camilianas com Alexandre Herculano (1850) e Oliveira Martins (1884); e, de Antero, seus Sonetos Completos (1886) e o ensaio Tendências Gerais da Filosofia da Segunda Metade do Século XIX (1890).

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2022-12-06T14:53:37Z

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José Carvalho Vanzelli

Cultura na trincheira: literatura marginal e o chão da fricção

De Lima Barreto a Ferréz, surge e se consolida no país uma linhagem literária que faz frente aos valores estéticos que regem a formação da literatura brasileira. Suas formas artísticas coincidem com as formas sociais do trabalho e estão circunscritas ao universo do favor, do assalariamento e do trabalho precarizado. Diante desse quadro, não fica difícil imaginar a intersecção que anima suas formas literárias calcadas em um estilo de classe e em uma determinada situação ficcional. A investigação da natureza política dessa nova linhagem literária que propõe uma formalização das relações de classe no Brasil é também a mesma que pretende verificar se o sistema literário proposto por Antônio Cândido diz respeito às novas configurações culturais que surgem pelas periferias brasileiras. Sabe-se que o princípio mediador entre obra literária e sociedade se dá através da forma, em que a realidade é vista por meio da ficção e a ficção por meio da realidade, e que ambas fundam um pêndulo temático que pende ora para um lado, ora para outro, de modo a atingir seu teor de verdade social. Mas também podemos analisar o valor de uma obra pela tríade Literatura-História-Política, nesse caso, essa última funcionando como base do triângulo, denotando a intenção do autor. Seja qual for o ponto de partida (ainda que cada método de leitura tenha seu ponto de chegada), no meio do caminho podemos notar que existe uma íntima correspondência entre a realidade objetiva e a figurada, em que uma tenciona a outra, e o mundo pode ser visto através da literatura e a literatura através do mundo. Se o tema das obras em estudo passa necessariamente pelas feições da barbárie que atravessam a miséria e a violência dos contos estudados, o projeto tem importância na medida em coloca para exame a forma das obras de Lima Barreto, João Antônio e Ferréz, a formação do público que lê essas obras e por ele é influenciado, dando continuidade a esse tipo de literatura, bem como a relação entre forma e formação constituindo um sistema cultural articulado que se convencionou chamar de literatura marginal.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Gabriel Alves de Campos

Claridade - o canto e o louvor de um povo no percurso da construção identitária: o diálogo como regionalismo

Claridade - revista de letras e artes é considerada um dos principais marcos do desenvolvimento literário no arquipélago de Cabo Verde. O lema fincar os pés no chão crioulo fulgurou como estratégia na busca de temas que refletissem a realidade social das ilhas. O contato com escritores brasileiros (modernistas e regionalistas), a partir dos anos de 1930, foi a força motriz para o desenvolvimento e modernização literária cabo-verdiana. Nesse processo, os estudos de Gilberto Freyre, notadamente o Manifesto Regionalista, foram especialmente significativos por oferecerem o arcabouço teórico e metodológico para a valorização das raízes culturais das ilhas e de sua formação social. O presente trabalho estrutura-se na análise das ações envolvendo o grupo claridoso, questionadoras da identidade cultural e literária do arquipélago, por meio da valorização dos aspectos regionais, cujos registros figuram nas publicações de Claridade, entre os anos de 1936 e 1960.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Elisangela Aparecida da Rocha

A estética do ser/estar no 'entre lugares'. Imagens do negro, do mestiço, do mulato e do branco em Primeiras trovas burlescas de Getulino, de Luiz Gama

O romantismo literário brasileiro conseguiu fabricar um modelo de índio civilizado despido de suas características reais, mas quase nada falou sobre as populações africanas, houve um longo silêncio sobre as etnias negras que povoavam o Brasil\" (ORTIZ, 2003: 19). Por isso, optamos por estudar analiticamente a obra Primeiras trovas burlescas de Getulino, do ex-escravo, escritor, abolicionista, jornalista e advogado Luiz Gama, levando em conta como o eu-lírico qualifica o negro, o mestiço, o mulato e o branco por meio de características ou de ações, e quais são os valores a atribuídos a esses grupos étnicos. Análise que nos lembra a importância da relação entre a mensagem e a imagem que se produz literariamente, já as qualificações (atributos e valores) apresentadas vêm ligadas à uma série de fatores dotados de significados próprio originando uma valorização humanitária peculiar, que leva em conta certas pretensões que podem ser sociais e históricas e desvelam acontecimentos e motivações que vão ao encontro de concepções que geram o que cita David Haberly: \"The multiracial character of Brazilian literary history, however, goes far beyond genetics. As we shall see, much of Brazil\'s literature has been preoccupied with an anguished search for a viable racial identity - a search that has been both personal and national in scope.\" (HABERLY, 1983: 2)

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2022-12-06T14:53:37Z

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Mara Regina Paulino

O favor: uma ponte entre Brasil e Portugal oitocentista

Para o estudo de relações entre as literaturas brasileira e portuguesa durante o século XIX esta dissertação de mestrado buscará identificar e compreender o favor, como definido por Roberto Schwarz em Ao Vencedor as Batatas, no contexto luso-brasileiro e em algumas obras nas quais o favor ainda não foi objeto de análise. Para discutirmos as prefigurações do favor, escolhemos obras do Brasil, Portugal e França nas quais algo muito semelhante ao favor descrito por Schwarz na obra machadiana já pode ser observado. São elas: O Filho do Pescador, de Teixeira e Sousa; A Mão do Finado, de Alfredo Hogan e Eugènie Grandet, de Balzac. Já, para tentarmos entender um pouco mais do favor brasileiro e fazer relações com Portugal oitocentista, escolhemos uma obra de Machado de Assis e outra de Camilo Castelo Branco que foram publicadas em períodos muito próximos aos grandes sucessos dos autores. São elas Iaiá Garcia de Machado de Assis, publicada três anos antes de Memórias Póstumas de Brás Cubas e As Três Irmãs de Camilo Castelo Branco, publicada no mesmo ano que Amor de Perdição. Esperamos que as semelhanças e diferenças encontradas nas descrições literárias das sociedades brasileira e portuguesa feita pelos autores nos possibilite evidenciar o favor como uma ponte que colaborou para o entendimento do romance nos países em questão.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Yara Fruteiro Vieira de Souza

Figurações do trágico e do utópico em Graciliano Ramos e José Saramago: formas contrideológicas em perspectiva comparada

O presente estudo tem como objetivo realizar uma análise comparativa dos romances São Bernardo (1934), de Graciliano Ramos, e Memorial do Convento (1982), de José Saramago, com o intuito de ressaltar as perspectivas contraideológicas que são subjacentes às obras, cujos narradores identificam-se com a instância autoral, na medida em que são produzidos discursos marcados pela crítica a sistemas hegemônicos e dominantes. Assim, através da análise das relações de trabalho e de poder presentes nas obras, e dos projetos que se configuram nas construções engendradas, pretendemos apontar uma divergência essencial entre os romances que os configura e os aproxima, no entanto, como formas contraideológicas: o trágico como perspectiva dominante em São Bernardo, que se apresenta a partir do projeto do narrador de escrever um romance; e a utopia como elemento central no Memorial do Convento, concentrada no projeto de construção da passarola, que constituindo um contraponto simbólico do convento, apresenta-se como verdadeira realização e fruto da vontade dos homens. Dessa forma, pretendemos revelar que os romances concentram perspectivas hegemônicas e contrahegemônicas, ou ideologias dominantes e ideologias de oposição, que contestam a perspectiva de um único poder instituído.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Andréa Trench de Castro

O medieval romântico (a construção da Idade Média nas obras de Alexandre Herculano)

Ao longo de sua prosa, Alexandre Herculano desenvolveu uma particular visão e interpretação acerca do passado português. Dentro de suas reflexões, o período da Idade Média portuguesa foi aquele que mais chamou a atenção do autor. Essa disposição em redimensionar a História nacional fez com que Herculano aliasse um sistemático estudo das fontes históricas com um notório poder criativo e exemplar talento ficcional em recriar os tempos medievais de outrora. Na presente tese foram analisados quais caminhos teóricos e estéticos foram empreendidos por Herculano a fim de elucidar as bases temáticas de sua construção sobre a Idade Média portuguesa. Para alcançar tal objetivo tomou-se como referência algumas narrativas ficcionais do autor e algumas reflexões historiográficas sobre o período medieval português. Para mostrar o alcance da construção medievalista e da reconfiguração da Idade Média dentro da História de Portugal feita por Herculano também abordou-se a visão histórica de Garrett captada através da análise de alguns exemplos de sua prosa e alguns temas presentes nas narrativas ficcionais de Camilo Castelo Branco.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Leonardo de Atayde Pereira

Guimarães Rosa e Mia Couto: ecos do imaginário infantil

Realiza-se neste trabalho um estudo comparado de dois contos pertencentes ao macrossistema das literaturas de língua portuguesa: \"As margens da Alegria\", do livro de contos Primeiras Estórias, do escritor brasileiro João Guimarães Rosa, e \"O viajante clandestino\", do livro Cronicando, do escritor moçambicano Mia Couto, utilizando como suporte teórico o comparatismo de solidariedade teorizado por Benjamin Abdala Junior, a partir da conceituação de sistema literário formulado por Antonio Candido. A dissertação focaliza os contos buscando articulação entre eles do ponto de vista temático e estrutural, enfatizando o narrador e a linguagem, e detectando em sua construção narrativa a presença do imaginário infantil. Inicialmente, analisamos os contos em suas especificidades e depois estabelecemos confronto entre ambos para detectar similitudes e diferenças entre os autores na construção de suas narrativas, buscando sempre a correlação com o conjunto da obra de cada autorl.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Avani Souza Silva

Ilustração brasileira (1854-1855) e a ilustração luso-brasileira (1856, 1858, 1859): uma contribuição para o estudo da imprensa literária em língua portuguesa

A tese intitulada \"Ilustração Brasileira (1854-1855) e A Ilustração Luso- Brasileira (1856, 1858, 1859): uma contribuição para o estudo da imprensa literária em língua portuguesa\" teve por objetivo demonstrar que, no Brasil, a imprensa de ilustração foi inaugurada com a publicação da Ilustração Brasileira, visto que nenhuma publicação anterior deu tamanho destaque e foco especial ao \"modelo de ilustração\" quanto ela, o que pôde ser confirmado a partir do exame de periódicos brasileiros que a antecederam. Provou também que a publicação da revista A Ilustração Luso- Brasileira (1856, 1858, 1859) veio na esteira de uma tradição da imprensa ilustrada lusitana em ascensão. Discutiu ainda a relevância destas duas ilustrações para o estudo das literaturas românticas de Portugal e do Brasil, bem como a participação de cada uma no processo de desenvolvimento da imprensa literária e ilustrada em seus respectivos países. Traz, em volume separado, um índice por categorias de análise dos textos publicados em cada uma das revistas.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Benedita de Cássia Lima Sant'Anna

A poética da delicadeza e do essencial: Roseana Murray, Bartolomeu Campos Queirós e José Jorge Letria

Esta dissertação analisa a poesia como forma de renovação do homem e o olhar como ponte entre a palavra e o leitor e entre o ser humano e o outro nas obras Receitas de Olhar, Manual de delicadeza de A a Z, Recados do corpo e da alma de Roseana Murray; O olho de vidro do meu âvo de Bartolomeu Campos Queirós e Versos de fazer ó-ó e A Borboleta com asas de vento de José Jorge Letria como forma de reafirmar a necessidade do texto poético desde o ínicio da infância. Apresenta-se, nessas obras, a busca da essencialidade humana, o desejo de ver o não-visível. Assim, no primeiro capítulo abordamos a função integradora da literatura, enfatizando seu caráter humanizante e libertário. O segundo capítulo soma-se ao primeiro, apresentando a função renovadora da poesia, que coloca o homem em contato com a sua humanidade. O terceiro capítulo apresenta as obras de Roseana Murray que possibilitam o encontro consigo mesmo e com o outro. No quarto capítulo, trabalhamos, nas obras de José Jorge Letria, o olhar como condutor da relação mãe-bebê e da poesia como ponte para dentro de si; neste capítulo há também o fazer poético na obra A borboleta com asas de vento. O quinto e último capítulo aborda as obras de Bartolomeu Campos Queirós, que trazem o olho como metáfora da descoberta de si e do outro

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2022-12-06T14:53:37Z

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Gláucia Luiz

A literatura para a juventude portuguesa e brasileira e a relevância de dois elementos estruturais da narrativa: linguagem e narrador

Esta tese de doutorado dentro da Área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa teve por objetivo abordar e investigar nas obras de literatura para a juventude portuguesa e brasileira, a relevância de dois elementos estruturais importantes: Linguagem e Narrador. O intenso diálogo entre autor, texto e leitor cria um clima de cumplicidade, convidando este a participar ativamente da obra. Essa interação leitor/ texto mediada pelo narrador poderá ser o fio condutor capaz de provocar a reflexão e o espírito crítico no receptor. A obra precisa do leitor para se realizar, pois este contribui com suas vivências pessoais e dialoga com o texto dando-lhe \"vida\". A problemática da leitura foi e é analisada por inúmeros Educadores, Especialistas. Para nós a ênfase recai na Relação Prazerosa, Afetiva, Estética, pois se trata da Arte da Palavra. A proposta é investigar a importância da literariedade de obras de autores portugueses e brasileiros, podendo ser considerada, na formação de jovens leitores, como o elemento chave na perfeita associação: leitura-prazer.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Ione Vianna Navajas Dias

A (de)formação da imagem: Pinheiro Chagas refletido pelo monóculo de Eça de Queirós

Manuel Pinheiro Chagas (1842-1895) foi, na sua época, uma personalidade influente, participando ativamente tanto no campo das letras como no da política. Além disso, ele foi autor de uma obra multiforme e de caráter popular, lida, em seu tempo, com grande interesse e entusiasmo. Contudo, hoje, é inquestionável o apagamento literário desse escritor no cânone português, enquadrado num lugar à sombra mesmo de escritores menores. O objetivo central deste trabalho consiste em evidenciar na trajetória literária de Manuel Pinheiro Chagas os fatos que, de forma decisiva, contribuíram para o seu desaparecimento do cânone. Será visto que nestes acontecimentos ocupa um papel central Eça de Queirós, que não só conseguiu apagar a importante participação de Chagas como político, crítico, historiador e prosador, mas reduziu a figura de seu desafeto, imortalizando-a no retrato-sátira de um patriota conservador e reacionário, sob o codinome de \"brigadeiro do tempo de D. Maria II\".

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2022-12-06T14:53:37Z

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Jane Adriane Gandra Veloso

Eça ensaísta: estudo sobre o trabalho jornalístico de Eça de Queirós para a Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, ao final do século XIX

Partindo da afirmação de Antonio Candido de que Eça de Queirós escreveu na última década do século XIX seus \"artigos mais avançados politicamente\" sobre o socialismo e a burguesia capitalista, esta pesquisa definiu como seu objeto de estudo uma série de artigos publicados nesse período na Gazeta de Notícias, diário carioca de grande prestígio, que contemplava essa temática. Os pressupostos que direcionaram a pesquisa foram a de que os textos apontados por Antonio Candido configuravam em seu conjunto um projeto literário e, individualmente, poderiam ser compreendidos como ensaios, no sentido proposto por Adorno e Lukács. Para se testar tais idéias, procedeu-se a uma análise da forma dos artigos integrada com o estudo de seu contexto histórico e literário, utilizando-se para tanto os recursos teóricos e interpretativos de Roberto Schwarz, John Gledson e Dolf Oehler, além do direcionamento crítico desenvolvido por Candido.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Jose Carlos Siqueira de Souza

A poética de Manoel de Barros e a relação homem-vegetal

O presente trabalho é uma escolha, entre muitos caminhos, de uma pesquisa iniciada no Curso de Mestrado. A dissertação, defendida em 2000, na FFLCH, USP, sob a orientação da Profa. Dra. Maria Lúcia Pimentel de Sampaio Góes, recebeu o título de O REINO VEGETAL E O IMAGINÁRIO: comparação entre mitos do Leste do Mediterrâneo, narrativas indígenas brasileiras e textos literários da Cultura Ocidental Européia, (ênfase a Portugal e Brasil). O caminho escolhido, agora, é detectar a influência dos vegetais na criação poética de Manoel de Barros. Voltados para o mundo das plantas, recortando poemas fitomórficos, relacionados aos vegetais do referido autor, comparando-os com textos visuais e verbais, observaremos possíveis semelhanças e ou diferenças Autores de Portugal, Brasil e África estarão presentes, com textos poéticos. O trabalho está estruturado em dois grupos de comparações: 1 autores brasileiros, portugueses e africanos de língua portuguesa. Escolhemos criações de autores como Cecília Meireles, Murilo Mendes, Lúcia Pimentel Góes, Fernando Pessoa, Herberto Hélder, Ruy Cinatti, Rui Knopfli, João Melo e outros. 2 textos visuais de Arcimboldo, pintor italiano, Van Gogh, holandês, René Magritte, belga e Frida Khalo, mexicana. Seguindo a Dissertação defendida em 2000, nosso trabalho está apoiado em três centros de interesse, seguindo as principais tendências observadas por Mircea Eliade1, em seus estudos sobre os mitos relacionados aos vegetais de diversos povos: a) A identificação da árvore com o cosmos b) A identificação da árvore com o homem c) A nostalgia do paraíso Esses centros de interesse aparecem entrelaçados de modo plural. Além disso, estarão mesclados em nossa pesquisa, os elementos: Terra, Ar, Fogo e Água, envolvendo os três níveis cósmicos: Mundo Subterrâneo, Mundo Terrestre e Mundo Celeste.

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2022-12-06T14:53:37Z

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Nery Nice Biancalana Reiner