RCAAP Repository

O megalitismo no discurso arqueológico português entre o Liberalismo e o Estado Novo: Uma primeira e sumária abordagem

Durante séculos, atribuiu-se a construção de estruturas funerárias megalíticas a fenómenos sobrenaturais ou a propósitos mais prosaicos, destinados a ocultar tesouros e outros bens, abrigar pastores, ao mesmo tempo que eram parcialmente cristianizados e os menires serviam para dividir propriedades. Entretanto, no século XVIII foram reinterpretadas como hipotéticos centros de observação astronómica e sepulcros, neste caso associadas, de algum modo, a práticas druídicas, avançando-se, em simultâneo, com a sua eventual funcionalidade militar, assim como a potencialidade de terem sido erguidas por fenícios aportados do Mediterrâneo oriental. Para lá das inúmeras ponderações, a verdade é que estas estruturas mereceram, desde o primeiro momento, a curiosidade de muitos e o registo gráfico por parte de alguns mais sensíveis ao assunto e portadores dos dotes necessários a esse efeito. Uma convicção que transitou para a centúria seguinte, num momento em que eram avaliadas como fracção de um ritual mais complexo de práticas sacrificiais.  

Year

2009

Creators

Martins, Ana Cristina

Várias Antiguidades do Algarve. Nota introdutória e comentários de João Luís Cardoso

Obtida a autorização, em Março de 2005, do Director do Museu Nacional de Arqueologia para a publicação do espólio documental de Estácio da Veiga (1828-1891), conservado naquela Instituição, solicitada na sequência de estudo anterior entretanto publicado, cuja análise exaustiva deu origem a duas obras onde se traçou o perfil detalhado do arqueólogo e para as quais se remete o leitor, o signatário deparou, numa das caixas, com um grosso maço de folhas manuscritas, numeradas posteriormente a lápis. O título da obra, apresentado no topo da primeira página, não deixava dúvidas: tratava-se do manuscrito original (entretanto copiado, como também ali se indica, a lápis) de Estácio da Veiga, intitulado “Varias Antiguidades do Algarve”, que até agora permaneceu inédito.

Year

2009

Creators

Veiga, Sebastião Philippes Martins Estácio da

Ocupação campaniforme de Leião (Oeiras)

No decurso da escavação do estabelecimento romano de Leião, cujas coordenadas geográficas são: 38º 43' 45" Lat N; 9º 18' 00" Long. W de Greenwich, observou-se a ocorrência, em área circunscrita, correspondente ao limite setentrional do espaço ocupado pelas estruturas romanas, daquele lado muito incompletas e derruídas, de concentração de materiais cerâmicos campaniformes, cujas características (quantidade, heterogeneidade e diversidade), a par das condições de jazida, não deixava dúvidas sobre a sua relação com uma unidade habitacional daquela época, de que constituíam os únicos testemunhos. A evidente coerência do conjunto e a ausência de rolamento dos materiais reforçavam aquela conclusão, contrariando a hipótese de provirem de outro local, ou de corresponderem a misturas de espólios de diversas épocas. Encontrava-se deste modo justificado o seu estudo, por ilustrar, conjuntamente com outras ocorrências com as mesmas características conhecidas na região da mesma época, a estratégia de ocupação do território e de exploração dos respectivos recursos na segunda metade do 3.º milénio a.C..

Year

2011

Creators

Cardoso, João Luís

O casal agrícola do Bronze Final de Abrunheiro (Oeiras)

O casal agrícola do Bronze Final agora dado a conhecer foi identificado pelo Arq. Gustavo Marques, que, em 1990, nele realizou uma prolongada campanha de escavações, adiante caracterizada em pormenor. Contudo, os resultados obtidos jamais foram publicados, permanecendo inéditos até o presente.

Year

2011

Creators

Cardoso, João Luís

O casal agrícola da I Idade do Ferro de Leião (Oeiras)

Quando se apresentou o estudo de síntese sobre a ocupação agrária do território oeirense no período romano, reproduziram-se alguns materiais, recolhidos à superfície, na área ocupada pelo estabelecimento romano de Leião, datável entre a segunda metade do século I a.C. e a primeira metade do século I d.C., que indicavam, pela tipologia, os finais da Idade do Ferro, compatíveis com a fase mais antiga daquele estabelecimento rural. No decurso daquela exploração, realizada em Setembro e Outubro de 2008, foram prospectados os terrenos circundantes, aproveitando a longa permanência no local, tendo-se confirmado a existência, na sequência de indicação de Guilherme Cardoso, a cerca de 160 m para WNW do estabelecimento romano (coordenadas: 38º 43' 45" Lat. N; 9º 18' 00" Long. W de Greewich), de uma concentração de materiais cerâmicos da Idade do Ferro nos terrenos então objecto de recente lavra, que muito facilitou a respectiva identificação. No entanto, tais materiais não eram acompanhados de produções romanas, de épocas posteriores, ao contrário do que se verificava na área de implantação do estabelecimento romano. Esta realidade motivou a realização de uma intervenção arqueológica na zona em apreço, tanto mais que aquela se integrava em espaço a ser urbanizado.

Year

2011

Creators

Cardoso, João Luís Silva, Carlos Tavares da Martins, Filipe André, Maria da Conceição

O estabelecimento rural romano Tardo-Republicano e Alto-Imperial de Leião (Oeiras)

Desde 1998, ano em que o primeiro signatário apresentou o Projecto de Investigação “Arqueologia do Concelho de Oeiras (ARQOEIRAS)” ao Instituto Português de Arqueologia, com ulteriores revalidações em 2002 e em 2006, que fora reconhecida a importância de proceder à realização de trabalhos arqueológicos em Leião, onde se evidenciavam à superfície abundantes fragmentos de produções romanas, especialmente na época das lavras, pela primeira vez identificados em 1975. Observavam-se então abundantes materiais de construção e até pedaços de reboco ou de estuque pintados, que não deixavam dúvida quanto à atribuição à época romana da estação arqueológica.

Year

2011

Creators

Cardoso, João Luís Silva, Carlos Tavares da Martins, Filipe André, Maria da Conceição

As Ferrarias del Rey, Fábrica da Pólvora de Barcarena. Resultado da intervenção arqueológica realizada em 2009

As Ferrarias del Rey, em Barcarena, foram o mais bem sucedido dos empreendimentos metalúrgicos reais portugueses dos séculos XV a XVII. Vocacionadas para a metalurgia do ferro e com data de fundação documentada no ano de 1487 (reinado de D. João II), constituem o mais antigo complexo oficinal português orientado exclusivamente para a produção de armamento. Para além da sua dimensão, ímpar à época em Portugal, foi a sua componente tecnológica que verdadeiramente diferenciou as Ferrarias das restantes oficinas então existentes. Os 208 anos de existência activa desta ferraria tornam-na na que maior longevidade produtiva registou no nosso país, dado que a sua actividade se prolongou até 1695.

Year

2011

Creators

Gomes, José Luís Cardoso, João Luís

Revendo os artefactos lascados da Anta de Pedras da Granja (Sintra)

A anta de Pedras da Granja (Código Nacional de Sítio – 91), também conhecida por Pedras Altas (ZBYSZEWSKI et al., 1977), Pedra Erguida, Pedras Brancas ou de Meirames (SERRÃO, 1982-83), e Várzea (CUNHA & SILVA, 2000), teve a sua primeira notícia em 1958, apresentada por Octávio da Veiga Ferreira ao 1.º Congresso Nacional de Arqueologia, listando-a entre os monumentos megalíticos de Lisboa (FERREIRA, 1959). Na última década, um de nós (R. B.) procedeu à revisão do espólio da anta de Pedras da Granja, depositado em 1986 por Manuel Leitão e em 1999 por outro de nós (J. L. C.) no Museu Arqueológico Municipal de São Miguel de Odrinhas (MASMO). Foi assim possível o estudo de alguns dos elementos lascados (BOAVENTURA, 2009), verificando-se, contudo, a ausência dos produtos alongados listados na publicação de G. Zbyszweski e colaboradores (1977). Recentemente, essas peças foram identificadas entre o espólio ainda conservado na posse da Família de O. da Veiga Ferreira, o que possibilitou, pela primeira vez, um estudo integrado da totalidade da utensilagem de pedra lascada, apenas inventariada na publicação original. É esse o objectivo deste contributo, onde também se apresenta, pela primeira vez, com base na informação disponível, a respectiva localização em planta, bem como a comparação dos resultados obtidos com os respeitantes a outros sepulcros congéneres do arredores de Lisboa. Prevê-se que o depósito do conjunto ora publicado, em poder de um de nós (J.L.C.), seja realizado no MASMO, juntando-se assim ao espólio já ali existente, em memória de O. da Veiga Ferreira.

Year

2011

Creators

Boaventura, Rui Cardoso, João Luís

Continuidade e evolução nas cerâmicas calcolíticas da Estremadura (um estudo arqueométrico das cerâmicas do Zambujal)

Hoje em dia, sabe-se bastante sobre as tipologias das cerâmicas do Calcolítico da Estremadura, sobre as suas decorações e tamanhos, contudo, ainda se sabe muito pouco sobre a sua manufactura, significado das formas e decorações e quase nada sobre a sua funcionalidade. Sentimos necessidade de explorar os pontos referidos anteriormente e sobre os quais o conhecimento é ainda muito ténue. Nesse sentido, pretendemos alargar o conhecimento das referidas cerâmicas, utilizando novos métodos para o seu estudo, como a Arqueometria e a Arqueologia Experimental, que permitam uma melhor caracterização das mesmas, compreensão da cadeia operatória, mas, também, redefinir a sua relação com outros tipos de cerâmicas no contexto do Calcolítico da Estremadura, inferindo sobre a existência de cortes abruptos ou continuidade e evolução no seu fabrico.

Year

2011

Creators

Amaro, Gonçalo de Carvalho

O espólio malacológico do povoado calcolítico fortificado do Outeiro Redondo (Sesimbra). Contributo para o conhecimento das estratégias de recolecção de uma comunidade sedentária do 3.º milénio a.C. do litoral português

O local onde se implanta o povoado calcolítico fortificado do Outeiro Redondo (Sesimbra) corresponde a elevação isolada, constituindo, com o morro do castelo de Sesimbra e o morro do Moinho da Forca, uma linha de relevos de calcários duros do Jurássico Superior (“Calcários de Azóia”) com orientação Nordeste-Sudoeste. Dali, domina-se toda a baía de Sesimbra, constituindo assim um excelente local para o controle visual do litoral adjacente, no único trecho favorável ao desembarque e acostagem, já que, tanto para Este como para Oeste da baía, a costa é rochosa e escarpada. Aliás, o estreito relacionamento estabelecido pelos habitantes do povoado com o litoral, encontra-se sublinhada pela visibilidade da elevação, para quem vem do mar, e encontra-se evidenciado pelos abundantíssimos restos alimentares de origem marinha exumados no decurso das escavações agora objecto de estudo sistemático, o primeiro que, com tal amplitude e profundidade, se realiza sobre um conjunto desta natureza, no nosso País.

Year

2011

Creators

Coelho, Manuela Dias Cardoso, João Luís

Lucio Cornelio Boco: Turdetano de Salacia y autor de la Edad de Plata de la Literatura Latina

Lucius Cornelius Bocchus, hijo de Lucio, de la tribu Galeria, conocido como Cornelio Boco o simplemente como Boco, es un autor latino que aparece ya citado en la Gramática de la lengua castellana de Nebrija, aunque a su obra escrita apenas se le ha prestado la atención que merece por no haberse conservado. Las inscripciones halladas en ciudades de su región turdetana atlántica de origen y en Augusta Emerita, la capital de la Lusitania, permiten conocer que fue un importante eques lusitano-romano, muy probablemente de origen turdetano, que debió desempeñar un notable papel político en la Hispania de su época, además de ser un polígrafo e historiador, aproximadamente entre la época de Augusto y el final de la dinastía julio-claudia, c. 7 a.C. – 53 d.C.  

Year

2011

Creators

Almagro-Gorbea, Martín

A Gruta da Furninha (Peniche): Estudo dos espólios das necrópoles neolíticas

Neste trabalho procede-se à publicação sistemática do espólio proveniente do depósito superior da gruta da Furninha, correspondente às sucessivas deposições que, em épocas distintas do Neolítico, ali se efectuaram. Apesar de aquele conjunto se encontrar conservado no Museu Geológico (LNEG), e facilmente acessível, até à data ainda não tinha sido objecto de trabalho desta natureza. Com efeito, no decurso da selecção dos espólios arqueológicos destinados à exposição que esteve patente no Museu Geológico aquando das comemorações do centenário do falecimento de Nery Delgado, em 2008, verificou-se que parte dos materiais arqueológicos, designadamente os que não se encontram expostos ao público, ainda se mantinham inéditos, apesar da merecida notoriedade que a estação arqueológica atingiu, tendo mesmo sido objecto de trabalhos académicos de cariz monográfico. Foi este facto que esteve na origem imediata do presente contributo, o qual, para além de incluir o desenho sistemático dos espólios, apresenta a correspondente discussão e integração cultural.

Year

2011

Creators

Cardoso, João Luís Carvalho, António Faustino de

A cronologia absoluta das ocupações funerárias da Gruta da Casa da Moura (Óbidos)

Para aferir a longa diacronia que os materiais arqueológicos indicavam para o “depósito superior” da Casa da Moura, os signatários procederam em 2010 a um programa de datação sistemática de restos humanos, o qual teve lugar no âmbito do projecto de investigação intitulado "The last hunter-gatherers and the first farming communities in the South of the Iberian Peninsula and North of Morocco", entretanto terminado, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (PTDC/HAH/64548/2006) e codirigido por J. F. Gibaja e um dos autores (A. F. C.). É o resultado desse programa de datações que ora se apresenta e discute, juntamente com as datações anteriormente publicadas.

Year

2011

Creators

Carvalho, António Faustino de Cardoso, João Luís

A ocupação calcolítica do Castelo de Ourém: contextos, cultura material, zooarqueologia, cronologia absoluta e integração regional

No âmbito do projecto “Ocupações no morro do Castelo de Ourém: da Proto-História à Idade Moderna”, a autarquia local tem promovido a realização de trabalhos arqueológicos no interior daquela fortificação. A descoberta de cerâmica pré-histórica durante a campanha de 2005 havia já permitido reconhecer que o local fora ocupado em períodos mais recuados. A campanha de escavações que decorreu entre 19 de Agosto e 19 de Setembro de 2008, no entanto, revelou não só um corpus mais abundante de artefactos pré-históricos, como também um importante conjunto faunístico e duas estruturas negativas, de tipo fossa, atribuíveis a essa época. Efectivamente, apesar de os únicos contextos preservados se resumirem ao conteúdo daquelas estruturas e os materiais associados serem numericamente reduzidos, todo o conjunto é, porém, significativo para o conhecimento de uma realidade ainda muito mal documentada na Alta Estremadura, o Calcolítico. Deste modo, os objectivos do presente texto resumem-se, principalmente, a dois: descrição da cultura material calcolítica e sua integração no contexto regional da época, exercício para o qual se conta com uma datação absoluta entretanto realizada; e análise dos respectivos restos faunísticos e a sua comparação com os dados zooarqueológicos actualmente disponíveis para o centro e sul de Portugal.

Year

2011

Creators

Carvalho, António Faustino de Nunes, Ana Gonçalves, Cassandra Pereira, Jaqueline

Zambujal (Torres Vedras), investigações até 2007. Parte 1 : sobre a precisão da cronologia absoluta decorrente das investigações na Quarta Linha da Fortificação

O sítio foi descoberto no ano de 1932 por L. de Freitas Sampaio Trindade. Este procedeu à primeira escavação de sondagem em 1944, a qual levou a que o sítio fosse declarado monumento nacional em 1946. No entanto, foi preciso esperar até 1959-61 para que L. Trindade, acompanhado pelo então director do Museu de Torres Vedras, o médico A. Ricardo Belo desenvolvesse as primeiras grandes escavações. A convite de L. Trindade, o Instituto Arqueológico Alemão, Delegação de Madrid, contando com a colaboração do “Institut für Ur- und Frühgeschichte” (Departamento de Pré e Proto-História) da Universidade de Friburgo, Alemanha, prosseguiu com as escavações, dirigidas por E. Sangmeister e H. Schubart. No âmbito destes trabalhos, a Câmara Municipal de Torres Vedras adquiriu grande parte dos terrenos então intervencionados. Os resultados das escavações entre 1964 e 1971 foram publicados até ao momento em 4 monografias, na série “Madrider Beiträge”.  

Year

2011

Creators

Kunst, Michael Lutz, Nina

O povoado calcolítico da Penha Verde (Sintra)

O povoado pré-histórico da Penha Verde situa-se na célebre Quinta da Penha Verde, que pertenceu, no século XVI, ao notável vice-rei da Índia que foi D. João de Castro. Integrada na encosta setentrional da serra de Sintra, corresponde a implantação de altura, aproveitando-se cabeço isolado, culminando à cota de 360 m. As escavações efectuaram-se em 1958 e em 1959, que permitiram identificar diversas estruturas habitacionais de época calcolítica e um troço de muralha com elas relacionada; uma terceira campanha, realizada em 1964, teve por objectivo essencial o reconhecimento de uma ocupação anterior, desde logo correctamente reportada ao Epipaleolítico. A cronologia da ocupação calcolítica foi recentemente clarificada, com o recurso a análises radiocarbónicas por AMS as quais se publicam agora pela primeira vez. Com efeito, apesar de a Penha Verde ter sido um dos primeiros sítios arqueológicos portugueses a ser datado pelo radiocarbono, persistiam fundadas dúvidas quanto à cronologia da ocupação. Contributo relevante para a clarificação das condições de jazida do espólio arqueológico, aspecto essencial que importava ver devidamente discutido, foi a análise dos Cadernos de Campo de O. da Veiga Ferreira, dos quais se transcreveu o respeitante às três campanhas de escavação realizadas.

Year

2011

Creators

Cardoso, João Luís

Fases de ocupação e cronologia absoluta da fortificação calcolítica do Outeiro Redondo (Sesimbra)

Cerca de 20 amostras, da biosfera marinha (conchas de Patella sp., Pecten maximus, Venerupis decussata e de Cerastoderma edule) e da biosfera terrestre (fauna mamalógica não identificada) foram datadas pelo radiocarbono. Cada amostra de conchas marinhas era constituída por conchas de moluscos da mesma espécie e por valvas inteiras, não fragmentadas.

Year

2011

Creators

Cardoso, João Luís Soares, António M. Monge Martins, José M. Matos

A ocupação do Bronze Final do povoado pré-histórico da Penha Verde (Sintra)

O povoado pré-histórico da Penha Verde (Sintra) foi identificado em 1949 por G. Zbyszewski e O. da Veiga Ferreira, na sequência da colheita superficial de diverso espólio arqueológico, comunicado àqueles dois arqueólogos por Maxime Vaultier. Para concretizar trabalho de conjunto susceptível de apresentar conclusões sustentadas na análise completa dos testemunhos reportáveis à Idade do Bronze era necessário reunir condições para a realização das aludidas datações radiocarbónicas por AMS por forma a poder identificar-se, por amostragem, o período correspondente a esta presença. Tendo tal objectivo sido conseguido em Março de 2010, estavam deste modo reunidas as condições para a apresentação de conclusões sustentadas relativas à natureza e cronologia da ocupação da Idade do Bronze, a qual, embora muito menos relevante que a sua antecedente calcolítica, detém elevado interesse, no quadro da análise económica e social das populações que à época ocupavam a região.

Year

2011

Creators

Cardoso, João Luís

Novos dados sobre a presença fenícia no vale do Tejo. As recentes descobertas na área de Vila Franca de Xira

O presente estudo decorre da descoberta do sítio proto-histórico de Santa Sofia, na periferia do núcleo urbano da cidade de Vila Franca de Xira. A sua escavação ao longo de duas extensas campanhas, em 2006 e 2007, permitiu caracterizar a sua ocupação e organização espacial. Estamos perante um sítio que pela implantação na paisagem, arquitectura e economia se insere dentro daquilo que tem vindo a ser definido como os casais agrícolas da Idade do Bronze da Península de Lisboa. O elemento mais interessante é que neste contexto claramente indígena, surgem alguns materiais exógenos de influência fenícia que indicam contactos com os grandes povoados orientalizantes do vale do Tejo. Ao iniciarmos o estudo deste sítio, este apresentava-se, regionalmente, como um caso único de povoamento para a Idade do Bronze e Idade do Ferro, não existindo estações contemporâneas no concelho de Vila Franca de Xira, nem nas áreas mais próximas, que nos permitissem contextualizar tal realidade. Perante tal desconhecimento, desenvolveu-se um projecto de prospecções sistemáticas do território, que permitiu identificar diversos novos sítios, demonstrando claramente a forte interacção entre o mundo indígena e os navegadores semitas.

Year

2011

Creators

Pimenta, João Mendes, Henrique