RCAAP Repository
Análise de denúncias de excesso de cães e gatos no município de São Paulo no período de 2006 a 2015
Introdução: O acúmulo de animais tem sido considerado um distúrbio mental caracterizado pela manutenção de um número excessivo de animais em condições inadequadas de criação e de ausência de discernimento desta situação. É um complexo problema de saúde pública com sérias implicações no bem-estar humano, animal e no entorno, porém com poucas pesquisas e dados científicos no Brasil e no mundo. A identificação de situações de excesso de cães e gatos submetidos a maus tratos pode contribuir para o planejamento de estudos futuros para o melhor conhecimento dos casos de acúmulo desses animais. Objetivo: Descrever casos de excesso de cães e gatos notificados no município de São Paulo e propor instrumento de avaliação técnica de inspeção de residências com presença destes animais. Método: Estudo descritivo de denúncias por excesso de cães e gatos do Sistema de Atendimento ao Cidadão SAC no município de São Paulo no período de 2006 a 2015. Foram incluídas as denúncias identificadas com mais de 10 animais ou cujo conteúdo permitisse concluir por excesso de animais. Foram descritas a quantidade e razão por 100.000 habitantes de denúncias, as providências adotadas e o tempo de resposta por ano, por espécie segundo a unidade responsável. Foi feita uma análise crítica das informações contidas no SAC e proposto um instrumento de vistoria de residências com animais, construído com base nos resultados obtidos, em revisão da literatura e nos instrumentos utilizados pelo Centro de Controle de Zoonoses e pela Supervisão de Vigilância em Saúde da Vila Maria de São Paulo. Resultados: Do total de 72.819 denúncias de maus tratos a cães e gatos realizadas no período, 7.293 foram referentes a excesso de animais, sendo 5.283 de cães e 2.010 de gatos. Cães apresentaram 72,4 por cento de denúncias de excesso, porém em relação ao total de denúncias de condições inadequadas de criação, o excesso de cães 10 representa apenas 7,8 por cento enquanto que para gatos esse valor é 39,8 por cento . Dentre as denúncias de excesso, 50 por cento foram confirmadas na vistoria. Quanto à conclusão, 85 por cento foram identificadas como serviço efetuado, sendo que destas, aproximadamente 35 por cento foram consideradas procedentes e 14 por cento resolvidas, independentemente da espécie. Em relação ao tempo de resposta dado ao munícipe, por espécie, a conclusão serviço efetuado e falta informação foram preenchidos em sua maioria no primeiro mês, enquanto que solicitação cancelada e serviço indeferido levaram mais de um ano para serem preenchidos. O instrumento de vistoria proposto permite obter informações sobre os indivíduos que possuem animais, de seus animais e do ambiente e pode contribuir para planejamento de estudos futuros. Conclusão: O número de casos denunciados de excesso de animais no município de São Paulo é grande, com maior ocorrência de excesso de cães. As denúncias apresentaram baixa resolutividade. As informações disponíveis apresentam problemas tanto na qualidade de informação como pela dificuldade em recuperá-las, uma vez que não são padronizadas. O instrumento de vistoria proposto pode contribuir para a obtenção de informações necessárias para melhorar o conhecimento sobre acumuladores e propiciar ações de prevenção e promoção da saúde e um melhor atendimento intersetorial
2017
Valéria Gentil de Tommaso
Estudo de populações domiciliadas de Panstrongylus megistus de diferentes regiões geográficas brasileiras com possíveis diferenças do metabolismo energético através de determinações enzimáticas e isoenzimáticas
Foi estudado o comportamento bioquímico energético de populações domiciliadas de Panstrongylus megistus de quatro regiões geográficas brasileiras (Região Tropical Atlântica, Região Floresta de Inclusão, Região do Agreste e Região da Caatinga), através dos seguintes parâmetros do metabolismo energético: Proteinas, Glicose, Deidrogenase láctica, Creatino-quinase e respectivas isoenzimas. Os espécimens foram mantidos em jejum de O a 90 dias. Foram observadas diferenças de metabolismo energético entre populações de duas regiões: Tropical Atlântica (Grupo I) Floresta de Inclusão (Grupo II)
Fatores de risco associados a mortalidade infantil em Cotia e Vargem Grande Paulista, sp, 1984-1985: uma proposta de instrumentos preditivos
Estudou-se a aplicação do conceito de \"risco\" na área materno-infantil, partindo da proposta da Organização Mundial de Saúde relativa ao \"enfoque de risco\" na organização dos serviços de saúde. O estudo concentrou-se mais no desenvolvimento de instrumentos de identificação de grupos de alto risco de óbito infantil, seja no período neonatal, seja no período pós-neonatal. O trabalho baseou-se em um estudo de caso-controle, onde o grupo de casos correspondeu a óbitos registrados de menores de um ano de idade, ocorridos nos anos de 1984 e 1985, de pais residentes nos municípios de Cotia e Vargem Grande Paulista, totalizando 149 óbitos (casos). O grupo controle foi formado por uma amostra probabilística de 216 crianças nascidas em 1984, filhas de pais residentes em Cotia e Vargem Grande Paulista e que sobreviveram ao primeiro ano de vida. As mães de ambos os grupos responderam a um questionário, através de entrevistas domiciliárias para a identificação de variáveis independentes associadas ao óbito infantil. As variáveis que mostraram associação estatisticamente significante foram então agrupadas de forma a constituírem quatro escalas de risco: a primeira para uso em pré-natal, a segunda para uso por ocasião do parto, a terceira para uso no período neonatal e a quarta para uso em puericultura após o período neonatal. As variáveis participaram nas escalas ponderadas pelos valores das razões dos produtos cruzados. As escalas apresentam diferentes pontos de corte e a cada um deles corresponde uma dada sensibilidade, especificidade e poder preditivo. As características específicas do sistema de saúde nos municípios estudados e a tendência de alguns indicadores de saúde infantil nesta área indicam a oportunidade e o potencial da aplicação da estratégia de enfoque de risco no setor materno-infantil. Os instrumentos preditivos propostos neste estudo são possivelmente adequados a esta estratégia, uma vez que foram desenvolvidos a partir dos dados locais. No entanto, a sua efetiva utilidade só poderá ser melhor avaliada após sua aplicação em um programa concreto de atenção materno-infantil, baseado no enfoque de risco.
1989
Chester Luiz Galvao Cesar
Uso de serviços segundo a posse de plano privado de saúde no município de São Paulo
Introdução - O sistema de saúde brasileiro é composto por um segmento público universal e por um segmento privado. Grande parte da população do município de São Paulo está coberta por planos privado de saúde, porém existem poucos estudos locais explorando a influência desse fator no uso dos serviços de saúde. O estudo de unidades geográficas menores permite um melhor entendimento da realidade local. Objetivo Analisar o uso dos serviços de saúde segundo a posse de plano privado de saúde no município de São Paulo. Métodos - Estudo transversal com base nos dados obtidos no Inquérito de Saúde no Município de São Paulo de 2008. Analisamos o uso de serviços na resolução das condições agudas de saúde, no acompanhamento de doenças crônicas, no rastreamento de neoplasias e na hospitalização. Primeiro realizamos uma análise descritiva dos dados, com estimativa das prevalências. Então, verificamos a associação de cada um dos desfechos com a posse de plano privado de saúde, por meio da regressão logística múltipla, com ajuste para variáveis demográficas, socioeconômicas e da condição de saúde, estimando o Odds Ratio. Resultados As pessoas sem plano privado de saúde apresentaram maior chance de uso de serviços de urgência e emergência. As pessoas com plano apresentaram maior chance de uso de serviços ambulatoriais, de acompanhamento da hipertensão arterial sistêmica, de rastreamento de neoplasias e de hospitalização. Conclusões A posse de plano privado de saúde determinou diferenças no uso dos serviços de saúde no município de São Paulo, havendo iniquidades relacionadas às condições socioeconômicas.
Comparação de métodos para estimativa de gordura corporal em escolares de 7 a 10 anos
Introdução: A obesidade, determinada pelo acúmulo de gordura corporal (GC), apresenta prevalência elevada em crianças de todo o mundo e está relacionada ao risco de doenças crônicas não transmissíveis, portanto sua identificação precoce torna-se necessária. A GC pode ser identificada por métodos válidos, como a absortometria de Raios X de dupla energia (DEXA), além da bioimpedância elétrica (BIA) e das dobras cutâneas, sendo os dois últimos mais factíveis em estudos epidemiológicos. Existem outras medidas simples e de baixo custo, como o índice de massa corpórea (IMC) e o perímetro da cintura (PC), com uso na identificação de GC em crianças ainda não consolidado. Objetivo: Comparar métodos de aferição da GC, utilizando dados de um estudo transversal com escolares de 7 a 10 anos. Métodos: A amostra incluiu 217 escolares, com média de idade de 9,2 anos e desvio padrão (dp) de 1,0 ano. Foram tomadas medidas da estatura (cm), peso (kg), PC (cm), perímetro braquial (cm), dobras cutâneas tricipital, bicipital, subescapular e suprailíaca (mm) e resistência e reactância (ohms) pela BIA. Foi estimado o por cento GC pela BIA e calculados a soma de dobras cutâneas e os indicadores IMC, RCE (razão cintura/estatura) e AGB (área de gordura do braço). A análise estatística para a comparação dos métodos foi realizada utilizando diagramas de dispersão, o cálculo do coeficiente de correlação momento-produto de Pearson e a estratégia de Bland e Altman (1986), com reparametrização dos valores em escores z. Resultados: A comparação dos indicadores antropométricos (IMC, PC, RCE e AGB) com o por cento GC pela BIA e com a soma de dobras cutâneas evidenciou, no segundo caso, forte correlação linear (r>0,90) e concordância, com limites de concordância inferiores a 1 dp na relação entre IMC, PC ou AGB e a soma de dobras cutâneas. Os resultados sugerem que as medidas se situam no mesmo espaço de aferição, existindo a possibilidade de serem intercambiáveis na população estudada. Conclusão: Os resultados indicaram que IMC, PC, RCE e AGB podem ser utilizados na classificação de escolares de 7 a 10 anos segundo a GC. Entretanto, a RCE não foi melhor que o PC isolado e a AGB é uma medida de difícil interpretação. Assim, sugere-se especialmente o uso do IMC ou do PC, considerando que ambos são semelhantes ao classificar crianças e apresentam como vantagens a facilidade de obtenção, inocuidade e baixo custo.
2014
Natália Sanchez Oliveira
Desigualdades sociais e a mortalidade por Aids em Campinas
Introdução: A partir da segunda metade da década de noventa, a oferta de tratamento com a Terapia Antiretroviral de Alta Potência contribuiu para a redução da mortalidade de pessoas vivendo com aids nos locais com acesso universal a medicação. Porém, a introdução de procedimentos efetivos tem sido apontada como associada a desigualdades em saúde, quando fatores sociais dificultam o acesso e a aderência ao tratamento. Objetivo: Descrever a evolução temporal da mortalidade nos bairros de Campinas, verificando se houve declínio após a disponibilização da terapêutica antirretroviral de alta potência em 1997 e se este declínio foi homogêneo entre três agregados de áreas da cidade, ou se foi de algum modo associada com a condição socioeconômica das mesmas. Métodos: Foram avaliadas as taxas de mortalidade por aids em bairros de Campinas, São Paulo, de 1996 a 2012, a fim de testar sua associação com o status socioeconômico da área de residência após o início da oferta universal e sem custo de Terapia Antiretroviral de Alta Potência. Foram calculadas as taxas de mortalidade anuais por aids, ajustadas por sexo e faixa etária, com base em informações oficiais de população e mortalidade. Foi estimada a tendência de declínio da mortalidade por aids, usando o procedimento de auto-regressão de Prais- Winsten para séries temporais. A taxa de declínio anual nos três agregados de bairros da cidade foi comparada segundo índices socioeconômicos estimados para o Índice de Condições de Vida. Resultados: A mortalidade por aids ajustada por sexo e idade em Campinas caiu de 13,6 óbitos/100.000 habitantes em 1996 para 4,6 óbitos /100.000 habitantes em 2012. O decréscimo anual foi de 5,5 por cento (Intervalo de Confiança 95 por cento 3,3 por cento -7,5 por cento ). Não foram observadas diferenças significantes de mortalidade (magnitude e taxa de redução) entre as áreas de moradia. Na faixa etária de adultos (20 a 49 anos), houve menor queda da mortalidade no sexo feminino, principalmente na área de pior status socioeconômico. Conclusões: O programa de tratamento para as pessoas com aids foi efetivo para a redução global da mortalidade devida à doença na cidade de Campinas. A redução de mortalidade foi homogênea entre as áreas, o que é compatível com a hipótese de redução das desigualdades em saúde. Porém, a menor redução na mortalidade de mulheres, na faixa etária de adultos, principalmente na região de pior condição socioeconômica, aponta a persistência de desigualdades sociais em saúde.
2014
Cláudia Barros Bernardi
Morbidade hospitalar por causas externas no Sistema Único de Saúde em São José dos Campos, SP
Objetivos. Realizou-se uma pesquisa com o objetivo de conhecer a qualidade dos dados de internação, os gastos diretos e a morbidade hospitalar por causas externas em São José dos Campos, São Paulo. Material e Métodos. Foram estudadas as internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por lesões decorrentes de causas externas no primeiro semestre de 2003, no Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence. Este hospital é referência para o atendimento ao trauma no Município. Foram analisados os prontuários de 990 internações. A concordância das variáveis relativas à vítima, à internação e ao agravo foi avaliada pela taxa bruta de concordância e pelo coeficiente Kappa. As lesões e as causas externas foram codificadas segundo a 10ª revisão da Classificação Internacional de Doenças. Resultados. A taxa de concordância bruta entre os dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS e a avaliação do pesquisador foi de boa qualidade para as variáveis relativas à vítima e à internação, variando de 89,0% a 99,2%. As lesões tiveram concordância ótima, exceto os traumatismos do pescoço (k=0,73), traumatismos múltiplos (k=0,67), e fraturas do tórax (k=0,49). As causas externas tiveram concordância ótima para acidentes de transporte e quedas. A confiabilidade foi menor para agressões (k=0,50), causas indeterminadas (k=0,37), e complicações da assistência médica (k=0,03). Houve concordância ótima nos acidentes de transporte em pedestres, ciclistas e motociclistas. Após ajuste do coeficiente Kappa para vieses e prevalência, os resultados mais baixos do coeficiente mudaram para melhor, exceto as causas indeterminadas. O maior gasto médio de internação foi por acidentes de transporte (R$ 614,63) seguido das agressões (R$ 594,90). As lesões com maior gasto médio foram às fraturas de pescoço (R$ 1.191,42) e traumatismo intracraniano (R$ 1.000,44). As internações com maior custo-dia foram às fraturas do crânio e dos ossos da face (R$ 166,72) e traumatismo intra-abdominal (R$ 148,26). A taxa de mortalidade hospitalar por causas externas foi de 4%, sendo maior entre pedestres (12,2%) e vítimas de agressões (8,2%). As principais causas externas de internação foram às lesões por acidentes de transporte (31,8%) e quedas (26,7%). A razão de masculinidade foi 3,1:1 e a faixa etária predominante foi 20-29 anos (23,3%). As partes do corpo mais atingidas foram membros inferiores (24,6%) e cabeça (22,0%). As lesões mais freqüentes foram às fraturas (49,8%) e o traumatismo intracraniano (13,5%). A maior taxa de internação ocorreu na região Norte do Município. Conclusões. As variáveis de estudo tiveram boa qualidade no nível de agregação analisado. Algumas variáveis relativas à vítima e alguns tipos de causas externas necessitam de aperfeiçoamento da qualidade dos dados. O perfil da morbidade hospitalar encontrado confirmou os acidentes de transporte como importante causa externa de internação hospitalar no Município.
2006
Luís Paulo Rodrigues Melione
Comparação de três armadilhas automáticas para coleta de mosquitos (Diptera: Culicidae) em áreas rurais no bioma de Mata Atlântica, sudeste do Estado de São Paulo, Brasil
Introdução: Armadilhas automáticas entomológicas são ferramentas importantes para a vigilância e controle de espécies de mosquitos vetoras. Vários estudos mostraram que a armadilha CDC com CO2 + Lurex® e a CDC luminosa são efetivas para a amostragem de culicídeos. A Mosquito Magnet® foi comparada com diferentes métodos de coletas, incluindo a isca humana, para amostragem de mosquitos vetores. Como resultado, a armadilha tem demonstrado boa capacidade de amostragem. No presente estudo, a eficácia da Mosquito Magnet® Independence foi comparada com as armadilhas CDC luminosa e a CDC com atrativos, mas sem luz. As coletas foram realizadas em áreas rurais no sudeste do bioma de Mata Atlântica. Objetivo: Comparar a eficácia da armadilha Mosquito Magnet® Independence + Lurex3® com a da CDC luminosa e da CDC com CO2 + Lurex3®. Métodos: As armadilhas foram instaladas em três locais diferentes durante três dias consecutivos em áreas rurais do município de Iguape, Estado de São Paulo, Brasil, de janeiro a junho de 2012. As armadilhas foram colocadas diariamente às 6h00 pm (ou 7h00 pm, durante os dias de horário de verão) e removidas às 6h00 am (ou 7h00 horas durante os dias de horário de verão). Para avaliar a eficácia das armadilhas para coleta de culicídeos, utilizamos os perfis de diversidade da Rényi, além de outros índices de diversidade, ou seja, riqueza, abundância, dominância, equabilidade e similaridade. Resultados: A armadilha Mosquito Magnet® coletou 53,84 por cento do total (19.016 indivíduos) de mosquitos obtidos com as três armadilhas. Por outro lado, a CDC luminosa obteve os maiores índices de diversidade de Margalef e Shannon. O índice de Pielou mostrou que as espécies se distribuem de maneira mais uniforme quando empregado o uso da armadilha CDC com atrativos. No entanto, a Mosquito Magnet® obteve o maior índice de dominância. O teste de Kruskal-Wallis mostrou diferença significativa apenas para os índices de riqueza observados na série de Rényi. O teste de Bonferroni apontou que apenas a armadilha Mosquito Magnet® apresentou diferença significativa em relação à CDC luminosa (p=6e-05). Os índices de similaridade apontaram maiores semelhanças entre as espécies coletadas pelas armadilhas Mosquito Magnet® e CDC com atrativos. Conclusões: O presente estudo mostrou que é possível coletar número elevado de espécimes de culicídeos com a Mosquito Magnet® Independence em áreas rurais no sudeste de São Paulo. Apesar da armadilha CDC não coletar uma grande abundância de culicídeos é considerado um método de coleta apropriado e indicado para os serviços de saúde, devido a sua funcionalidade e facilidade de transporte. No entanto, os resultados do presente estudo mostraram que a Mosquito Magnet® é mais eficaz do que a CDC luminosa e CDC com CO2 + Lurex3® para as atividades de vigilância entomológica.
2013
Denise Cristina Sant'Ana
Hierarquização de incapacidade funcional de idosos no município de São Paulo: uma análise longitudinal: Estudo SABE - Saúde, Bem-estar e Envelhecimento
Introdução. Incapacidade funcional está relacionada à dificuldade em realizar as atividades de vida diária de forma independente comprometendo sobremaneira a qualidade de vida da pessoa idosa. Requer adaptação do idoso, reorganização familiar e, muitas vezes, a presença de um cuidador. Reconhecer seu processo de instalação pode auxiliar no estabelecimento de medidas preventivas e adequação dos serviços sociais e de saúde. Objetivo: Construir escala hierárquica de dificuldades referidas no desempenho funcional de AVDs (incapacidades) em uma população de idosos do Município de São Paulo. Metodologia: Utilizando-se o método de escalonamento de Guttman, foram desenvolvidas escalas hierárquicas de incapacidades com a população idosa do Município de São Paulo utilizando a base de dados do Estudo SABE. Com a base de dados de 2000 a escala foi comparada à outra construída aproximadamente dez anos antes buscando verificar mudanças ocorridas no período e, com a base de dados de 2006 foi construída uma escala hierárquica da incidência de incapacidades nesse grupo onde foi aplicada uma escala de escores para classificação do nível funcional. Resultados: Verificou-se que a proporção de incapacidades aumentou em um período de dez anos. Para o seguimento de 2006 encontrou-se a seguinte ordem hierárquica crescente de dificuldades: comer (5,7 por cento ), higiene pessoal (6,3 por cento ), usar o banheiro (7,2 por cento ), locomover-se (7,8 por cento ), tomar banho (10,1 por cento ), vestir a parte de cima da roupa (11,9 por cento ), ser continente (fecal) (13,8 por cento ), administrar as próprias finanças (20,3 por cento ), tomar o próprio medicamento (21,2 por cento ), mobilizar-se (22,8 por cento ), usar o telefone (24,2 por cento ), vestir a parte de baixo (25,6 por cento ), fazer compras (30,5 por cento ), ser continente (urinário)(40,5 por cento ) e utilizar transporte (43,8 por cento ). Nos dois períodos, percebeu-se que os homens apresentaram maiores proporções de incapacidades, apesar de as mulheres as acumularem mais e que as dificuldades aumentaram com o avançar da idade. Conclusões: Foram verificadas mudanças no padrão de instalação e aumento das proporções de incapacidade em quase uma década. A escala hierárquica possibilitou a determinação de níveis de incapacidade
2009
Michelle Vicente Torres
Análise multigênica e distribuição especial de espécies do Subgrupo Strodei de Anopheles (Nyssorhynchus) (Diptera: Culicidae)
INTRODUÇÃO: O subgrupo Anopheles strodei é pouco estudado apesar de sua importância epidemiológica potencial. Espécies desse subgrupo foram encontradas naturalmente infectadas por parasitos que causam malária em humanos, Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax e Plasmodium malariae, no Brasil. O subgrupo Anopheles strodei compreende oito espécies: An. rondoni (Neiva & Pinto), An. albertoi Unti, An. arthuri Unti, An. strodei Root, An. strodei CP, e três outras espécies que foram propostas por Bourke et al. (2013), mas não foram descritas: An. arthuri B, An. arthuri C e An. arthuri D. OBJETIVOS: A definição e delimitação precisa de espécies que atuam como vetores de agentes infecciosos é um dos objetivos da entomologia da saúde pública. Os objetivos deste estudo foram: 1) Estabelecer as relações filogenéticas entre espécies do Subgrupo Strodei; 2) Estimar a distribuição espacial potencial das espécies do Subgrupo Strodei; 3) Confirmar a presença de quatro espécies sob o nome An. arthuri. MÉTODOS: Sequências de DNA de um gene mitocondrial (fragmento de 658 pares de bases do código de barras do gene COI, citocromo oxidase subunidade I) e de três genes nucleares codificadores de proteínas (White, CAD e CAT) foram empregadas para estabelecer as relações filogenéticas potenciais entre as espécies que compõe o subgrupo An. strodei. As análises filogenéticas foram conduzidas utilizando abordagem Bayesiana das sequências de DNA dos quatro genes. Para estabelecer a distribuição espacial potencial das espécies, utilizou-se abordagem de máxima entropia de nichos ecológicos. Para isso as localidades das coletas, juntamente com os dados climáticos e geográficos foram introduzidos no programa MAXENT. RESULTADOS: Os resultados das análises filogenéticas demonstraram e, portanto, confirmaram o monofiletismo do Subgrupo Strodei, a presença de pelo menos sete espécies sob o nome An. strodei, ou seja, corroborou a validade de An. albertoi, An. arthuri, An. strodei, An. strodei CP, além das espécies denominadas, preliminarmente, como An. arthuri B, An. arthuri C e An. arthuri D. Portanto, como definida atualmente, An. arthuri não representa grupo monofilético, pois inclui táxons que deverão ser formalmente descritos em estudos futuros. CONCLUSÃO: As distribuições potenciais de espécies do Subgrupo Strodei foram propostas pela primeira vez. Cinquenta e cinco sequências do gene nuclear CAT e outras 46 sequências do gene nuclear CAD únicas foram recentemente caracterizadas para espécies do Subgrupo Strodei de Anopheles (Nyssorhynchus), confirmando a presença de pelos menos sete espécies, além de An. rondoni que não foi alvo deste estudo, mas de outros anteriores que confirmaram a validade da mesma.
Análise temporal, espacial e espaçotemporal da ocorrência da dengue, leishmaniose tegumentar americana e malária no estado do Acre
Introdução: Dentre as inúmeras doenças infecciosas que ocorrem na Região Amazônica, destacam-se a malária, a leishmaniose tegumentar americana (LTA) e a dengue. Todas estas doenças têm em comum o fato de serem transmitidas por vetores, além de apresentarem elevadas incidências no Acre. Objetivos: Avaliar a ocorrência de malária, LTA e dengue no estado, a partir de uma abordagem no tempo, espaço e espaçotempo no período entre 2000 a 2015. Métodos: Os estudos sobre as três doenças tiveram delineamentos ecológicos. As áreas de estudo foram as mesorregiões (Vale do Acre e Vale do Juruá) e microrregiões do Acre (Rio Branco, Brasiléia, Sena Madureira, Cruzeiro do Sul e Tarauacá). As fontes dos dados secundários foram os sistemas de vigilância epidemiológica que estão sob a supervisão do Ministério da Saúde. De modo geral, foram estimados nestes estudos, os coeficientes de incidência, mortalidade e letalidade; realizadas análises de tendências temporais utilizando o programa Stata 13; e realizadas análises de aglomerados espaciais e espaçotemporais com o auxílio do programa SaTScan. Os resultados foram apresentados em mapas corocromáticos, gráficos e tabelas. O estudo foi submetido e aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade Federal do Acre. Resultados: No estudo sobre malária foram identificados um aglomerado de alto risco no Vale do Juruá e três de baixo risco no vale do Acre, tanto no espaço como no espaçotempo e para os dois tipos de plasmódio. Os grupos de menores de 19 anos e mulheres mostraram alta incidência no Vale do Juruá, porém no Vale do Acre homens na idade produtiva foram os mais acometidos. O coeficiente de mortalidade por malária evidenciou tendência decrescente em todo estado, enquanto a taxa de letalidade aumentou apenas na microrregião de Rio Branco. No estudo sobre LTA detectaram-se um aglomerado de alto risco e três de baixo risco tanto no espaço como no espaçotempo. Apesar de quatro das cinco microrregiões do Acre terem apresentado tendência temporal estacionária, a tendência no estado foi decrescente. O perfil de transmissão da doença variou conforme as microrregiões. De modo geral, a doença no estado acometeu mais pessoas jovens, do sexo masculino e da zona rural. No estudo sobre dengue, todas as microrregiões, com exceção de Rio Branco, apresentaram tendência 8 crescente no número de casos de dengue. A doença apresentou sazonalidade, com maiores incidências entre os meses de janeiro e março. Ocorreram epidemias nos anos de 2009, 2010, 2011, 2014 e 2015, sendo que o município de Rio Branco foi o mais atingido nos três primeiros anos e Cruzeiro do Sul, nos dois últimos. Estes dois municípios foram identificados como aglomerados de alto risco no estado. Adultos, independente do sexo, foram os mais acometidos. Apesar da elevada incidência observou-se uma baixa mortalidade. Conclusões: A malária, a LTA e a dengue estão sujeitas a diferentes padrões no tempo, espaço e espaçotempo, assim, estratégias de controle devem ser sempre adotadas buscando o melhor modelo para cada localidade. Ressalta-se a importância na análise da variável espaço e tempo como alternativa metodológica para auxiliar no planejamento, monitoramento e avaliação das ações em saúde.
2016
Leonardo Augusto Kohara Melchior
Meningites de etiologia indeterminada no município de São Paulo, 1960 a 1977
E realizado o estudo epidemiológico das meningites de etiologia indeterminada no Municlpio de São Paulo, no período de 1960 a 1977. O trabalho é apresentado em quatro partes. Na primeira parte são apresentados e discutidos os diferentes modos de diagnóstico etiológico das meningites (presuntivos e de certeza) e é enfatizada a necessidade do estudo das meningites indeterminadas. Na segunda parte é apresentado o comportamento epidemiológico da doença meningocócica no Município de São Paulo, no período 1960 a 1977. Esta apresentação é feita visando comparar e procurando verificar a influência da doença meningocócica no comportamento epidemiológico das meningites de etiologia indeterminada. Na terceira e quarta partes são apresentados os caracteres epidemiológicos das meningites de etiologia indeterminada. Inicialmente os casos são classificados em meningites indeterminadas de provavel etiologia bacteriana ou viral, utilizando-se como parâmetro para a classificação o percentual de neutrófilos no liquor. Em seguida são apresentados e analisados os comportamentos segundo variaveis da pessoa (idade e sexo), do local de residência (segundo distritos e areas homogêneas do município), do tempo (variação anual e mensal), modo diagnóstico, evolução clinica, tempo de hospitalização. O estudo mostra que entre 1972 e 1977 ocorreu no Município de São Paulo um aumento significativo de casos de meningite de etiologia indeterminada; grande parte dos casos, provavelmente, era constituída por casos de meningite meningocócica, dos quais não foi possivel a determinação etiológica. Ocorreu também, concomitantemente, um aumento significativo de meningites de provável etiologia viral. O percentual de neutrófilos no liquor (primeiro exame) em épocas epidêmicas, pode ser utilizado como parâmetro para classificacão epidemiológica meningites segundo etiologia provavelmente bacteriana ou viral.
Decodificação de um texto sobre hanseníase por estudantes, docentes e pessoal da enfermagem
O presente estudo tem por objetivo analisar a compreensão de um texto sobre Hanseniase, por diferentes grupos ligados à enfermagem, constituidos por docentes, enfermeiras, estudantes de enfermagem e pessoal auxiliar de enfermagem. A Metodologia utilizada foi capaz de extrair o conteúdo quantitativo e qualitativo existente nos textos recontadps por escrito, pela população, após ouvir o referido texto gravado. Duas formas de análise foram aplicadas: recodificação e recuperação das frases recontadas, que geraram por sua vez, os \"textos médios\", representativos da compreensão do texto original pelos grupos. Essa análise foi facilitada não somente pela presença do jargão ou sub-linguagem existente dentro de um contexto específico, mas pelo conhecimento da estrutura informacional do texto utilizado. Para estudar a forma de organização da informação decodificada pelo entrevistado, foi utilizada a Teoria dos Grafos. Os resultados encontrados apontaram o grupo de docentes como aquele que decodificou de maneira mais completa o texto apresentado, em contraposição com o grupo pessoal auxiliar de enfermagem, que apresentou a decodificação mais pobre. Os \"textos Medios\" apresentados pelos grupos de estudantes e de enfermeiras, refletiram a experiência vivenciada na prática por esses grupos. Com o auxílio do computador, a metodologia aqui adotada para recupeção do conteúdo e estrutura de textos, mostrou uma nova forma de análise da linguagem até então inexeqüível pelos métodos convencionais.
Acurácia dos critérios de risco do programa de defesa da vida dos lactentes do município de Bauru entre 1986 e 1988
A partir dos dados coletados pelo Programa de Defesa da Vida dos Lactentes da Secretaria de Higiene e Saúde do Município de Bauru no período de 11 de maio de 1986 a 10 de novembro de 1987, avaliou-se a capacidade de elementos clínicos e sociais, de fácil obtenção no momento do parto, predizer a mortalidade e internação de crianças entre O e 6 meses. O critério diagnóstico com maior sensibilidade para discriminar um grupo de crianças que devem receber uma atenção especial nos períodos de O a 6 dias e de 7 dias a 6 meses foram: - O a 6 dias: peso do recém nascido abaixo de 2500 gr, mãe menor de 18 anos e malformação congênita. - 7 dias a 6 meses: peso ao nascer abaixo de 2750 gr, renda familiar per capita abaixo de 0.75 salário mínimo, e malformação congênita. Outros critérios diagnósticos são apresentados e comparados com estes, entre os quais o do Programa de Defesa da Vida dos Lactentes, calculando-se as respectivas sensibilidades, especificidades e percentual de crianças classificadas como de risco. O mesmo critério diagnóstico proposto para prevenir a mortalidade entre 7 dias e 6 meses foi utilizado para calcular a sensibilidade quando o desfecho e a internação.
O ensino e a prática do enfermeiro em hanseníase
Este estudo focaliza como o enfermeiro está sendo formado para atuar na area de hanseníase e como se configura a realidade concreta de sua prática nos serviços públicos de saúde junto ao programa de controle da endemia. Partiu-se do referencial teórico sobre a questão da saúde no Brasil, com enfoque histórico-social da mesma, sem perder de vista o componente biológico do processo saúde-doença. Fez-se uma análise do sistema de saúde vigente com ênfase na política atual, e a inserção do Programa de Controle da Hanseníase nesse contexto. Buscou-se, ainda, registrar a situação epidemiológica da hanseníase, caracterizando-a como um problema de saúde pública. A formação do enfermeiro foi verificada junto aos docentes responsáveis pelo ensino da hanseníase em 66,60% dos Cursos de Graduação em Enfermagem do Estado de São Paulo. As informações sobre o desenvolvimento de sua prática na área de hanseníase foram obtidas através dos próprios enfermeiros nas unidades ambulatoriais da rede de serviços públicos do Estado; utilizou-se um formulário próprio para o levantamento de dados que ocorreu durante o primeiro semestre de 1989. Os resultados obtidos apontam para uma deficiência no ensino da hanseníase, sendo necessário dar maior importância ao tema, através de uma reformulação do mesmo nos currículos dos Cursos de Graduação em Enfermagem. Foram identificadas como sendo papel do enfermeiro em hanseníase as seguintes funções: educação em saúde, assistência de enfermagem, administração de serviços e vigilância epidemiológica. A prevenção de incapacidade foi a atividade que apresentou a maior freqüência de respostas nas questões relacionadas ao ensino assim como naquelas vinculadas ao papel do enfermeiro no programa de controle da hanseníase.
1990
Elisete Silva Pedrazzani
Meta-análise: avaliação da eficácia de intervenções medicamentosas para controle de lipídios plasmáticos na prevenção de doenças cardiovasculares em diabetes tipo 2
OBJETIVO Analisar a heterogeneidade e a combinação dos resultados de estudos sobre a eficácia de intervenções medicamentosas para controle de lipídios plasmáticos na prevenção de doenças cardiovasculares em pacientes portadores de diabetes tipo 2. MÉTODOS Foi realizada uma revisão sistemática da literatura, por intermédio dos bancos de dados MEDLlNE e Cochrane, onde foram identificados os ensaios clínicos randomizados, referentes ao assunto em questão, publicados entre 1980 e 2003. A meta-análise foi efetuada, incluindo os estudos selecionados, de acordo com os critérios de elegibilidade previamente estabelecidos. Para tanto utilizou-se a análise de heterogeneidade dos estudos e o cálculo da estimativa sumária, com base no modelo de efeitos aleatórios. RESULTADOS Na análise final foram incluídos 8 estudos que avaliavam a eficácia do controle medicamentoso dos lipídios plasmáticos na prevenção de doenças cardiovasculares em diabetes tipo 2. Dentre estes estudos, 6 avaliaram a eficácia dos inibidores da enzima HMG CoA reductase (statins), e os dois restantes, os derivados de ácido fíbrico. A estimativa sumária dos estudos combinados foi calculada, e apresentou o RR de 0.615 (IC95% 0.56 - 0.69). A análise de subgrupo segundo o tipo de prevenção apresentou uma redução de 44% nas intervenções a nível primário de prevenção e 36% a nível secundário. CONCLUSÕES A eficácia das intervenções medicamentosas para controle dos Iípidios plasmáticos na prevenção de doenças cardiovasculares em pacientes portadores de diabetes tipo 2 foi fundamentada, com base na análise das pesquisas realizadas nos anos mais recentes, que propuseram-se a realizar esta avaliação. A estimativa sumária destes estudos indicou uma redução aproximada de 39% dos eventos cardiovasculares em pacientes diabéticos tratados com medicamentos para controlar os lipídios plasmáticos. Este estudo reforça a recomendação para tratamento e controle deste fator de risco de doenças cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo 2, particularmente em prevenção primária.
Atividade física habitual e sua relação com a composição corporal em adultos portadores do HIV/Aids em uso de terapia anti-retroviral de alta atividade
Objetivo. Verificar a relação entre atividade física habitual e composição corporal em adultos portadores do HIV/Aids. Material e métodos. Este foi um estudo observacional transversal, abrangendo 169 homens e 51 mulheres. O estudo foi desenvolvido na Casa da Aids/Divisão de Clínica de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina Universidade São Paulo. As variáveis dependentes analisadas foram circunferência da cintura, razão cintura-quadril, gordura subcutânea central, razão da gordura subcutânea central e periférica, percentual de gordura e massa magra. As variáveis independentes foram os escores de atividade física ocupacional, exercício físico no lazer, atividades de lazer e locomoção, escore total de atividade física. As variáveis de controle foram idade, consumo diário de cigarros, consumo energético (kcal), anos de diagnóstico de aids, nível de linfócitos T-CD4+ (células por mm3) e tempo de utilização de inibidores de protease (meses). A análise estatística foi realizada através de modelos de regressão linear múltipla. Resultados. O acúmulo de gordura centrípeta apresentou-se como um problema de saúde em ambos os sexos. O escore de atividades de lazer e locomoção foi relacionado negativamente com a gordura central e total nas mulheres, enquanto que o escore de exercícios físicos no lazer foi relacionado negativamente com a gordura total nas mulheres e positivamente com a massa magra nos homens. O escore total de atividade física foi relacionado negativamente com a gordura central nos homens e com a gordura total nas mulheres. Conclusão. Recomenda-se o monitoramento de indicadores da composição corporal juntamente com a implementação de programas de exercício físico e de educação para atividade física com ênfase nas atividades de lazer e locomoção para portadores do HIV/aids em terapia anti-retroviral de alta atividade.
Óbitos de mulheres em idade fértil em Aracaju (SE): estratégias para melhorar a qualidade da informação
Objetivo. Descrever óbitos de mulheres de 10 a 49 anos (MIF), residentes em Aracaju (SE), entre 1979 e 2001, enfatizando a melhora da informação sobre mortes maternas. Métodos. Desenvolvido em 3 fases: a primeira descritiva (1979-2001) e aplicando 2 fatores de correção para a Razão de Mortalidade Materna - RMM. Na segunda (2001) realizou-se inquérito simplificado (hospitais, instituto médico legal, unidade de saúde e domicílios). A terceira (2001) utilizando Sistemas de Informação em Saúde (Sistema de Informação de Mortalidade-SIM, Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos- SINASC, Sistema de Informação da Atenção Básica- SIAB e Sistema de Informações Hospitalares- SIH) para melhorar a informação. Resultados. Os óbitos (4299 de 1979-2001) apresentaram tendência de queda. Principais causas: circulatórias (23,3%), neoplasias (19,8%) e causas externas (19,1%). A tendência da RMM é de queda, verificando-se ampla variabilidade entre a curva observada e a estimada pelo maior dos fatores de correção aplicados. Nas fases subseqüentes, os óbitos de MIF foram provenientes de casos do SIM (196 casos, sendo 7 com presença de gravidez até um ano antes do óbito), SIAB e SIH totalizando 216 casos. Na segunda foi elaborado o PADRÃO-OURO (177 entrevistas, 13 exclusões/ 26 perdas). Houve mudança no perfil de mortalidade das MIF. Na terceira fase (204 casos, 12 exclusões) as DOs foram complementadas (SIAB, SIH, SINASC e SIM). Quanto à causa básica as alterações não se mostraram satisfatórias. Quanto à presença de gravidez até um ano antes do óbito, a soma das fases 2 e 3 resultou em 13 casos, 7 matemos (RMM: 70,8/100.000 NVs). Conclusões: os SIS melhoraram a quantidade das informações de óbitos MIF e os relativos à gravidez. O inquérito complementou a fase 3 e melhorou a qualidade das informações. A metodologia é factível, tomando as informações mais fidedignas.
Associação entre hanseníase e infecção pelo vírus da hepatite B: estudo de caso-controle
Um estudo de caso-controle para investigar a associação entre a hanseníase e infecção pelo vírus da hepatite B (VHB) foi conduzido no período de 1992/93, na cidade de Goiânia e municípios contíguos - Estado de Goiás. Avaliou-se, também, a distribuição espacial da hanseníase neste aglomerado urbano. Inicialmente, os indivíduos com suspeita clínica de hanseníase foram submetidos a exames baciloscópicos e histopatológicos, independentemente da rotina do Programa de Controle de Hanseníase. Do total de 855 pacientes recémdiagnosticados de hanseníase, 600 eram residentes em área urbana, e foram categorizados em casos multibacilares (31,3 por cento ), paucibacilares (51,8 por cento ) e prováveis (16,8 por cento ). Foi realizada análise descritiva desta casuística, havendo nítida predominância do sexo masculino na forma multibacilar de hanseníase. A distribuição espacial dos pacientes possibilitou, através da análise exploratória das taxas de detecção, discriminar estratos de risco intra-urbano. Para o estudo de caso-controle, 552 pacientes de hanseníase de 1 O a 70 anos foram incluídos. Os controles (N =552) foram selecionados de indivíduos com ausência de sinais e sintomas sugestivos de hanseníase oriundos da demanda espontânea de ambulatórios de 7 unidades de saúde, localizadas na região de procedência dos casos. Os participantes - casos e controles - foram entrevistados para avaliar fatores de risco para hanseníase e infecção pelo vírus da hepatite B. Foram coletadas amostras de sangue para detecção de marcadores ao vírus da hepatite B pela técnica de ELISA. Comparou-se a prevalência de marcadores de exposição (anti-HBc), de imunidade (anti-HBs) e de portador (AgHBs) entre casos e controles. Foram avaliados como potenciais fatores de confusão: sexo, idade, condições sócio-econômicas, estado nutricional, cicatriz vacinal de BCG e utilização dos serviços de saúde. Casos e controles foram similares quanto às características sócio-econômicas e nutricionais indicando que o princípio de selecionar controles da mesma base populacional que os casos parece ter sido adequado. Cicatriz vacinal de BCG esteve estatisticamente associada aos diferentes tipos de hanseníase. Houve maior proporção de indivíduos hospitalizados nos útimos 5 anos entre casos que em controles indicando que o emparelhamento por local de residência não eliminou completamente as diferenças entre os grupos em relação ao uso dos serviços de saúde. Entre os participantes do estudo, 18,1 por cento dos casos e 19,6 por cento dos controles foram soropositivos ao anti-HBc. Em análise multivariada, utilizando-se o modelo de regressão logística politômica, a associação da hanseníase e anti-HBc entre casos e controles apresentou odds ratio de 0,9 (IC95 por cento O, 7-1 ,3) para a categoria de multibacilar; 1,0 (IC 95 por cento 0,7-1,3) para a de paucibacilar e 1,1 (IC95 por cento 0,8-1,5) para a de provável. Estes resultados mostraram que subgrupos de casos e os controles estiveram igualmente expostos ao vírus da hepatite B. As proporções de indivíduos imunes foram semelhantes nos grupos de casos (9,2 por cento ) e controles (10,2 por cento ). Casos multibacilares responderam à exposição viral com formação de anticorpos protetores, qualitativa e quantitativamente de maneira semelhante aos pacientes paucibacilares e grupo controle. Os resultados dos índices de persistência de infecção (PPI) indicaram não haver diferença quanto ao clearance do antígeno viral nos subgrupos de casos e controles. Os resultados obtidos nesta investigação mostraram nos subgrupos de casos e controles: (i) prevalências semelhantes dos marcadores de exposição, de imunidade e de estado de portador; (ii) capacidade similar para produção de anticorpos protetores, avaliada através dos percentuais do marcador anti-HBs e, quantitativamente, através do Índice de Elisa e (iii) baixa probabilidade de persistência da antigenemia mensurada pelo PPI. Em conclusão, não houve evidências epidemiológicas de uma associação entre hanseníase e infecção pelo vírus da hepatite B, avaliada através de estudo de caso-controle, conduzido em área de baixa endemicidade ao VHB e alta endemicidade de hanseníase.
1995
Celina Maria Turchi Martelli
Estudo epidemiológico da dengue em Maceió, Alagoas, no período 1997 a 2002
Objetivos: Descrever a incidência, os fatores entomológicos e os ambientais para análise do perfil epidemiológico da dengue no município de Maceió. Métodos: O estudo compreendeu o período de 1997 a 2002, utilizando-se dados secundários sobre casos da dengue, índice de infestação por Aedes aegypti, temperatura e chuva, obtidos na Fundação Nacional de Saúde e Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas. Os coeficientes foram calculados para anos, meses e bairros. O Índice Predial e a chuva foram obtidos mensalmente. Teste de correlação estatística foi empregado para observar associações entre as variáveis chuva, temperatura, incidência e índice de infestação vetorial. Resultados: Os coeficientes de incidência anuais no período de estudo variaram de 3,3 a 65,4 casos por 10.000 habitantes, enquanto que as incidências mensais variaram de 1,1 a 229,3 casos por 100.000 habitantes. Nos anos de 1999, 2000 e 2001, as incidências para dengue no município estiveram em torno de 3,9 casos por 10.000 habitantes. Verificou-se que o maior número de casos notificados ocorreu entre a 9ª e 25ª semanas epidemiológicas, período referente aos meses de março a junho. As faixas etárias menor de 14 anos; 15 a 49 anos e 50 e mais, mostraram valores diferentes segundo o ano examinado. Análise comparativa entre os anos epidêmicos de 1998 e 2002 mostrou que apenas os meses de março a junho apresentaram coeficientes entre 17,3 a 39,0 casos por 100.000 habitantes. O coeficiente de incidência foi sempre maior no sexo feminino no período. Conclusões: O padrão sazonal da dengue em Maceió revelou níveis de ocorrência mais elevada no primeiro semestre de cada ano. Ficou claro que as condições ambientais favoreceram a endemicidade dos três sorotipos da dengue. A medida da infestação pelo Índice Predial (IP) revelou urna distribuição não homogênea da presença de Ae. aegypti entre os bairros de Maceió.
2003
Ozinaldo Oliveira dos Santos