RCAAP Repository

Associação entre o desempenho de Atividades Avançadas de Vida Diária e a incidência de declínio cognitivo: Estudo SABE

Introdução: O declínio cognitivo representa uma das principais causas de comprometimento funcional e da qualidade de vida do idoso. A busca por preditores de alterações cognitivas precoces ao diagnóstico de demência tem despertado cada vez mais o interesse dos pesquisadores. Tem-se como hipótese que menor desempenho de Atividades Avançadas de Vida Diária (AAVD) poderia ser marcador de declínio cognitivo futuro. As AAVD reúnem as atividades sociais, produtivas e de lazer, e estariam relacionadas ao topo da hierarquia da complexidade das atividades cotidianas, com melhores níveis funcionais e cognitivos. Objetivo: Analisar a associação entre o desempenho de atividades avançadas de vida diária por idosos paulistanos e a incidência de declínio cognitivo. Métodos: Estudo longitudinal com uma amostra de idosos não institucionalizados que participaram da segunda (2006) e terceira (2010) ondas do estudo de múltiplas coortes Saúde, Bem estar e Envelhecimento em São Paulo, Brasil. A amostra final contou com 819 idosos. O declínio cognitivo foi avaliado com o Miniexame do Estado mental abreviado. Foram consideradas 12 AAVD. Outras covariáveis abordaram as condições sociodemográficas, saúde, estilo de vida e incapacidade funcional dos participantes no início do seguimento. A análise estatística incluiu frequência, análises bivariadas e multivariadas, com o uso de Regressão Logística. O programa Stata 12.0 foi utilizado para a análise e a correção para os efeitos do desenho do estudo foi feita pelo comando survey para analisar os dados originados de uma amostra complexa. Resultados: Após quatro anos de seguimento a incidência de declínio cognitivo foi de 7.9 por cento . A análise múltipla evidenciou que os indivíduos com maior número de AAVD no início do estudo apresentavam menor risco de declínio cognitivo ao final do seguimento OR 0.83 [0.71; 0.96]. Outras características foram associadas à incidência de declínio cognitivo no modelo final: 75 anos e mais OR 4.54 [IC 2.52; 8.17], possuir dificuldades nas atividades instrumentais e básicas de vida diária OR 2.54 [1.32; 4.87]. Possuir 8 anos e mais de estudo mostrou-se como fator protetor ao declínio cognitivo OR 0.16 [IC 0.05; 0.52] Conclusões: O desempenho de maior número de AAVD mostrou-se como fator protetor à incidência de declínio cognitivo, independentemente de condições sociodemográficas, condições gerais de saúde, funcionalidade e estilo de vida.

Year

2014

Creators

Eliane Golfieri Dias

Padrões de atividade física e dislipidemia entre moradores de áreas urbana e rural no Brasil

Introdução São escassas as evidências do impacto dos padrões de atividade física (AF) e local de residência (rural e urbano) para a dislipidemia e ao perfil lipídio. Objetivos Avaliar a associação dos padrões de atividade física e local de residência (urbano e rural) com dislipidemia. Associar a correlação do gasto energético estimado em Mets e valores e frações de colesterol e triglicérides. Metodologia Estudo Transversal em coorte prospectiva, com 4551 indivíduos com idade entre 35 e 70 anos de áreas urbana e rural. A AF foi avaliada utilizando o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ). Foi realizada regressão múltipla para a associação de AF e local de residência com o tipo de dislipidemia. A regressão linear foi realizada para avaliar o efeito da AF e local de residência nos valores e frações de colesterol e triglicérides. Resultados A prevalência de baixa AF no rural foi de 5,1 por cento (mulheres 4,3 por cento e homens 6,0 por cento ), urbano 11,2 por cento (7,9 por cento mulheres e 5,5 por cento homens), p<0,001. A dislipidemia ocorreu em 75,3 por cento do rural e 68 por cento do urbano (p<0,001). Em mulheres 80,6 por cento do rural e 65,7 por cento do urbano (p<0,001), homens 69,1 por cento do rural e 71 por cento do urbano (p=0,369). O perfil lipídico das mulheres em mediana foi: colesterol total (CT) rural 194,51 mg/dl, e urbano 201,5 mg/dl (p<0,001), HDL rural 44,5 mg/dl e urbano 50,1 mg/dl (p<0,001) LDL rural 120,3 mg/dl e urbano 122,6 mg/dl (p=0,35), triglicérides rural 127,1 mg/dl e urbano 117,8 (p<0,001). Em homens as medianas foram: CT rural 189,5 mg/dl e urbano 196,1 mg/dl (p=0,002), HDL rural 40,2 mg/dl e urbano 41,8 mg/dl (p<0,001), LDL rural 118,3 mg/dl e urbano 121,4 mg/dl (p=0,5), triglicérides rural 131,1 mg/dl l e urbano 147,0 mg/dl (p=0,001). A dislipidemia por HDL baixo foi a mais frequente. AF domiciliar, transporte e trabalho estão associados com a redução do risco de dislipidemia. Em mulheres, o efeito no HDL da AF domiciliar foi no rural 1,001 mg/dl (p=0,021) e no urbano 1,114 mg/dl (p<0,001). Em homens do grupo urbano, o efeito de AF de transporte foi -1,42 mg/dl (p<0,001) no LDL. O efeito da AF de trabalho no HDL foi no rural 1,002 mg/dl (p<0,001) e urbano 0,042 mg/dl (p=0,04) Conclusão Existem fortes indícios da interação da atividade física e local de residência com as dislipidemias e perfil lipídico. As associações encontradas entre as atividades físicas domiciliar, transporte e trabalho e dislipidemias sugerem caminhos complementares nas estratégias de prevenção de doenças cardiovasculares na população brasileira.

Year

2014

Creators

Antonio José Cordeiro Mattos

Causas múltiplas de morte: formas de apresentação e métodos de análise

RESUMO As informações sobre a mortalidade são tradicionalmente uma importante fonte de dados para estudos epidemiológicos, demográficos e para o planejamento em saúde. As estatísticas de mortalidade por causa são usualmente apresentadas segundo a causa básica de morte; a cada óbito corresponde uma só causa. Este método tem sofrido criticas devido a algumas de suas limitações, principalmente em relação às doenças crônicas quando, geralmente, estão presentes várias causas no momento da morte e apenas a básica é selecionada. As estatísticas de mortalidade segundo as causas múltiplas de morte se apresentam como um método alternativo para o estudo das causas de morte. A introdução dos computadores permitiu o desenvolvimento nos Estados Unidos de um sistema automático para classificar além da causa básica todos os demais diagnósticos mencionados nos atestados de óbito. Esse sistema, denominado ACME (Automated Classification of Medical Entities) amplia muito as possibilidades do uso das estatísticas de mortalidade e desde 1983 vem sendo utilizado no processamento de dados sobre os óbitos ocorridos no Estado de São Paulo. O presente trabalho discute a potencialidade do uso das causas múltiplas de morte para o estudo da mortalidade e apresenta algumas formas para a tabulação e a análise destas estatísticas exemplificadas com o arquivo de dados sobre os óbitos ocorridos em 1983 no Estado de São Paulo. Por meio da análise do número de diagnósticos informados na declaração de óbito mostrou-se um número médio maior dos mesmos em relação aos achados em trabalhos acadêmicos realizados com óbitos de períodos anteriores. 0 estudo das menções de todos os diagnósticos permitiu evidenciar a importância relativa maior de certas causas selecionadas como causa básica menos frequentemente. A análise das associações das causas de morte mostrou a importância do inter-relacionamento das doenças na determinação de morte e sugeriu outros usos das causas múltiplas. A distribuição conjunta das causas externas de morte com os dados sobre a natureza da lesão e a análise desta última segundo o sexo e a idade apresentam-se como nova perspectiva para a compreensão das mortes violentas. O levantamento e a discussão de questões metodológicas sugerem novas áreas de investigação para o estudo das causas múltiplas de morte

Year

1989

Creators

Augusto Hasiak Santo

Mortalidade precoce por doenças crônicas nas capitais de regiões metropolitanas do Brasil

INTRODUCÃO: As doenças crônicas representam desde a década de 60 a principal causa de mortalidade nas capitais brasileiras. As doenças crônicas são consideradas como decorrência do envelhecimento da população e um atributo do sexo masculino e das camadas sociais mais ricas. Várias linhas de pensamento, as classificam com causas inevitáveis de morte, ou seja impassíveis de qualquer tipo de intervenção. OBJETIVO: restringindo-se a faixa etária entre os 35 e os 64 anos para estudo da mortalidade precoce foram feitas as seguintes perguntas: 1. a mortalidade precoce pela doenças crônicas é maior no Brasil do que em outros países? 2. a força da mortalidade precoce por doenças crônicas no Brasil é a mesma para o sexo masculino e para o sexo feminino? 3. o cálculo do impacto da eliminação de cada causa na mortalidade geral pelo método do risco competitivo de Chiang é superior ao uso clássico dos coeficientes de mortalidade ajustados para a idade? 4. existem diferenças regionais significativas na magnitude e tendência temporal na mortalidade precoce pelas doenças crônicas? 5. qual a relação entre o padrão de mortalidade pelas doenças crônicas e os diversos indicadores sociais e econômicos de cada cidade? DELINEAMENTO: estudo ecológico com dados secundários DADOS: foram estudados os óbitos compilados pelo Ministério da Saúde de oito capitais de áreas metropolitanas: Belém (BE), Recife (RE), Salvador (SA), Belo Horizonte (BH), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (CT), Porto Alegre (PA) no período entre 1979 a 1989 com destaque no quadriênio 1984-87. As causas [entre parênteses o código CID-9] estudadas foram a mortalidade geral, todas as doenças do aparelho circulatório (390-459); doença isquêmica do coração (410-414); doenças do coração [agrupamento composto de doença isquêmica do coração (410-414), insuficiência cardíaca (428), hipertensão arterial (401-404)]; doenças cerebrovasculares (430-438}; todas as neoplasias (140-239); câncer da traquéia, dos brônquios, pulmão (162); câncer da mama feminina (174}; câncer do cólon e do reto (153-154); câncer de endométrio e ovário (182-183); câncer da próstata (185); todas as neoplasias, exceto câncer de pulmão; diabetes melito (250); doenças respiratórias obstrutivas [doença pulmonar obstrutiva crônica (490-496), incluindo a asma (493); cirrose hepática (571). A população foi a determinada nos Censos Demográficos de 1980 e 1991. Os anos intercensitários foram estimados por interpolação linear. Os indicadores sociais foram os obtidos no Censo de 1980 sendo escolhidos a proporção de analfabetos do sexo masculino, a proporção de analfabetos do sexo feminino, diferença entre a proporção de analfabetos do sexo masculino e a proporção de analfabetos do sexo feminino; a porcentagem de mulheres formalmente ocupadas; o salário mínimo médio; a cobertura de água encanada; a cobertura da rede de esgoto; a proporção de casas com mais de dois moradores por cômodo e a proporção da população com renda familiar superior a cinco salários mínimos. MÉTODOS: foram selecionadas para estudo as capitais de áreas metropolitanas: 1. para a comparação internacional foram calculados coeficientes de mortalidade com intervalos decenais na faixa etária dos 45 aos 64 anos, com ajuste de idade com população-padrão estipulada em estudo internacional para todas as causas; doenças do coração; doença isquêmica do coração; doença cerebrovascular; câncer de pulmão e por todas as neoplasias, exceto a de pulmão no quadriênio 1984-87. 2. para o estudo de comparação por gênero, por cidade brasileira e para correlação de associação com os indicadores sociais e econômicos foram calculados por sexo, os coeficientes de mortalidade com intervalos qüinqüenais na faixa etária dos 35 aos 64 anos de idade. Foram calculados os coeficientes ajustados por idade utilizando a população brasileira do Censo de 1991 como padrão e o risco competitivo de cada causa de morte listada acima (exceto doenças do coração e outras neoplasias, exceto as de pulmão). O quadriênio 1984-87 foi utilizado para as principais comparações. Foi calculado o impacto da eliminação de cada causa básica na mortalidade geral na faixa etária estudada utilizando tábua de vida com cálculo de risco competitivo de Chiang 3. a tendência histórica dos coeficientes anuais de mortalidade foram plotados em gráfico com cálculo do alteração anual por intermédio de regressão linear simples. 4. para verificar a associação dos coeficientes de mortalidade e do impacto da eliminação da mortalidade com os indicadores sociais foi utilizado o teste de correlação por postos de Spearman. RESULTADOS: 1. a comparação internacional [entre parênteses, em ordem decrescente o(a)s cinco primeiro cidades/países] mostrou que a) mortalidade geral masculina (RJ, PA, RE, CT, BH) e feminina (RE, SA, CT, BH e RJ) das mais elevadas; b) a mortalidade proporcional da somatória \"cardiovascular+câncer\" foi sempre menor nas cidades brasileiras do que entre os países e, variou no sexo masculino de 62 por cento (PA) a 45 por cento (SA) e no sexo feminino de 69 por cento (RJ) a 56 por cento (BH, SA, SP). A doença cerebrovascular foi a entidade nosológica cuja participação relativa foi sempre maior nas cidades brasileiras; c) as doenças do coração apresenta no sexo masculino (HUNGRIA, RJ, FINLÂNDIA, PA E POLÔNIA) valores intermediários e no sexo feminino (RJ, CT, HUNGRIA, PA E INGLATERRA & GALES) em padrões elevados. d) as doenças isquêmicas apresentam o mesmo padrão das doenças do coração tanto no sexo masculino (FINLÂNDIA, HUNGRIA, INGLATERRA & GALES, PA, RJ) como no feminino (RJ, CT, HUNGRIA, PA, INGLATERRA & GALES). e) doença cerebrovascular apresenta valores elevados tanto para o sexo masculino (CT, BH, RJ, BE, HUNGRIA) f) o câncer do pulmão, da traquéia e do brônquios tem valores intermediários para baixos no sexo masculino (HUNGRIA, POLÔNIA, ITÁLIA, HOLANDA, EUA), embora PA apresenta coeficientes elevados para média brasileira e, para o sexo feminino valores baixos (DINAMARCA, EUA, CANADÁ, INGLATERRA & GALES, HUNGRIA) g) o conjunto de todas as neoplasias, exceto a de pulmão apresenta valores intermediários para elevados para o sexo masculino (FRANÇA, HUNGRIA, PA, POLÔNIA, CT) e para o feminino (DINAMARCA, INGLATERRA & GALES, HUNGRIA, RE, PA) 2. o cálculo do risco de morrer mostrou no sexo masculino (RE, RJ, PA, BH, CT, SA, SP, BE) e no feminino (RE, SA, BH, CT, RJ, BE, SP, PA) ordem diferenciada como a observada em SA e PA; somente a eliminação das doenças do aparelho circulatório alterariam significativamente o ordenamento do risco de morrer entre as cidades. 3. o impacto da eliminação de uma causa na mortalidade geral apresentou valores que variaram no caso a) das doenças do aparelho circulatório no sexo masculino de 39.9 por cento (CT) a 31,5 por cento (RE) e no feminino de 44,1 por cento (RJ) a 33,6 por cento ;b) para a doença isquêmica no sexo masculino de 17,0 por cento (CT) a 8,3 por cento (SA) e no feminino de 14,3 por cento (RJ) a 5,9 por cento (BH); c) para a doença cerebrovascular no sexo masculino de 12,0 por cento (CT) a 6,2 por cento (SP) e no feminino de 16,3 por cento (RJ) a 10,7 por cento (BH); d) para todas as neoplasias no sexo masculino de 16,9 por cento (PA) a 9,7 por cento (RE) e no feminino de 27,2 por cento (RJ) a 19,6 por cento (BH); e) para o câncer de estômago no sexo masculino de 3,7 por cento (BE) a 0,8 por cento (RE) e no feminino de 7,9 por cento (BE) a 1,1 por cento (PA); f) para o câncer de pulmão no sexo masculino de 4,9 por cento (PA) a 1,8 por cento (RE) e no feminino de por cento (PA) a 1,0 por cento (SA, BH, RE); g) para o conjunto câncer de próstata e cólon-reto de 3,6 por cento (CT) a 0,6 por cento (RE); h) para o conjunto câncer de mama/endométrio-ovário/ cólon-reto de 11,1 por cento (PA) a 2,4 por cento (BE); i) para as doenças respiratórias obstrutivas no sexo masculino de 3,6 por cento (PA) a 1,5 por cento (SA) e no feminino de 4,5 por cento (CT) a 1 ,4 por cento (RE); j) para o diabetes melito no sexo masculino de 2, 7 por cento (BH) a 1 ,3 por cento (BE) e no feminino de 6,4 por cento (SA) a 3,0 por cento (BE); k) para a cirrose hepática no sexo masculino de 9,1 por cento (RE) a 3,2 por cento (SA) e no feminino de 4,8 por cento (RE) a 1,8 por cento (SP); 4. a comparação entre o cálculo do impacto da redução de uma causa específica na mortalidade geral e os coeficientes ajustados por idade mostrou coeficientes de Spearman com significância estatística para a maioria das entidades nosológicas, exceto para as doenças do aparelho circulatório (masculino), as neoplasias (feminino), a doença isquêmica (ambos os sexos) e o câncer de estômago (ambos os sexos) apresentaram valores positivos, porém sem significância estatística. A doença cerebrovascular (ambos os sexos), o conjunto câncer de mama/endométrio-ovário/cólon-reto e o conjunto câncer da próstata e cólon-reto apresentaram coeficientes de correlação muito baixos. 5. A tendência da mortalidade por todas as causas no período 1979-89 variou a cada ano no sexo masculino de -0,84 por cento (CT) para +15 por cento (RJ) e no feminino de -0,96 por cento (CT) a -0,15 por cento (RJ); as doenças do aparelho circulatório variaram no sexo masculino de -0,84 por cento (CT) a +2,50 por cento (RE) e no feminino de -0,96 por cento (CT) a +0,33 por cento (RJ); doença isquêmica variou no sexo masculino de -0,88 por cento (BE) a +6,08 por cento (RJ) e no feminino de -0,88 por cento (BE) e +2,86 por cento (RJ); a doença cerebrovascular variou no sexo masculino de -0,74 por cento (CT) e +6,62 por cento (BH) e no feminino de -0,97 por cento (CT) e +5,15 por cento (RE); as neoplasias malignas variaram no sexo masculino entre -0,93 por cento (CT) e +0,49 por cento (RE) e no feminino -0,94 por cento (CT) a +1,60 por cento (PA); o câncer de pulmão variou no sexo masculino de -0,84 por cento (CT) a +2,88 por cento (RE) e no feminino de -0,85 por cento (CT) a 25,54 por cento (SA). O conjunto neoplasia maligna da próstata e cólon-reto variou de - 0,92 por cento (8E) a +4,52 por cento (SP); o conjunto neoplasia maligna da mama/endométrio-ovários/ cólon & do reto variou de -0,83 por cento (BE) a +1 ,01 por cento (PA); as doenças respiratórias obstrutivas variaram de -5,98 (PA) a +2,63 (RE) para o sexo masculino e no feminino entre -1,53 por cento (RE) +7,87 por cento (CT); o diabetes melito para o sexo masculino variou entre -6,27 por cento (CT) e +2,63 por cento (RE) e feminino entre -0,78 por cento (SP.) e +2,09 por cento (BH) e, a cirrose hepática variou no sexo masculino entre -0,73 por cento (BE) e +6,83 por cento (SA) e no feminino entre -0,97 por cento (BE) e +2,01 por cento (RJ). 6. comparação com os indicadores sociais em análise bivariada usando correlação de Spearman: a) coeficientes-sexo masculino: a mortalidade geral não apresentou nenhuma correlação significativa; os cânceres apresentaram uma relação inversa com o analfabetismo e com a freqüência de casas com mais de dois moradores por cômodos e positiva com a cobertura de água; o câncer de pulmão, correlação negativa com o analfabetismo feminino e o diferencial de analfabetismo masculino-feminino; o câncer de próstata e cólon-reto com o analfabetismo feminino; o câncer de estômago não apresentou qualquer associação com significância estatística; as doenças do aparelho circulatório e a doença isquêmica tiveram associação negativa com a freqüência de casas com mais de dois moradores por cômodos; as demais causas não apresentaram associação significativamente estatística com os indicadores sociais. b) coeficientes- sexo feminino; o câncer de pulmão apresentou associação negativa com a proporção de homens e mulheres analfabetos; o câncer de mama e associados apresentou relação negativa com a freqüência de casas com mais de dois moradores por cômodos e positiva com a cobertura de água encanada. c) impacto da eliminação-sexo masculino; todos os cânceres tiveram associação negativa e a porcentagem de analfabetos homens e mulheres; o câncer de pulmão teve associação negativa com a porcentagem de mulheres analfabetas e o diferencial masculino-feminino de analfabetismo. d) impacto da eliminação-sexo feminino; os cânceres tiveram correlação negativa com o diferencial masculino-feminino do analfabetismo; o câncer de pulmão teve correlação negativa com o analfabetismo masculino e feminino e o diferencial masculino-feminino do analfabetismo. 7. a análise qualitativa a partir do sentido dos coeficientes de correlação para mostrar associação com indicadores de pobreza. a) sexo masculino- a mortalidade por todas as causas associação com o analfabetismo e a porcentagem de mulheres na força de trabalho; o diabetes melito apresentou o mesmo comportamento; a cirrose hepática mostrou correlação com todos indicadores da pobreza; a doença cerebrovascular também apresentou relação positiva com a pobreza, sem a mesma força que a cirrose; b) no sexo feminino - a mortalidade por todas as causas com a pobreza é mais nítida do que no masculino; as doenças do aparelho circulatório associam-se com o analfabetismo; as neoplasias associam-se com a maioria dos indicadores de pobreza; a cirrose hepática, o diabetes melito e a doença cerebrovascular pela ordem se destacam como causas associadas à pobreza. c) o impacto da eliminação e os indicadores sociais e econômicos mostraram associações diferente das encontrada entre os coeficientes; a cirrose hepática para ambos os sexos é a causa mais relacionada à pobreza; sucedida pelo câncer de estômago com os indicadores relacionados à renda e às condições hídricas; o diabetes melito apresenta a correlação com o analfabetismo e a doença lsquêmica associa-se negativamente com os indicadores econômicos (salário mínimo médio e renda familiar). CONCLUSÕES: 1. a comparação internacional dos coeficientes de mortalidade ajustados para a idade entre os 45 e 64 anos no quadriênio de 1984-87 mostrou que nas cidades brasileiras a importância das doenças crônicas é tão ou mais importante do que os Estados Unidos da América, o Canadá, a Austrália e os países europeus ocidentais. A maior semelhança nos padrões de mortalidade foram com os países do Leste europeu; as doenças cardiovasculares são o maior destaque entre as mulheres, principalmente a cerebrovascular. 2. apesar de existir correlação entre os coeficientes de mortalidade por gênero nas cidades, os coeficientes de mortalidade, o impacto da eliminação, as tendência temporais e os determinantes sociais são diferentes no sexo masculino e no feminino; a doença cerebrovascular é mais importante no sexo feminino com impacto da redução é maior entre as mulheres; a cirrose hepática e o câncer de pulmão é mais importante entre os homens; dos cânceres associados a dietas ricas em gorduras, o câncer de mama e associados é de importância maior do que o equivalente masculinos; o diabetes melito apresenta maiores coeficientes entre as mulheres; 3. o impacto da eliminação de uma causa básica na mortalidade geral mostrou ser um instrumento mais preciso do que os coeficientes e, discordou do posicionamento dos coeficientes: nas doenças do aparelho circulatório (masculino), todas as neoplasias (feminino), doença cerebrovascular (ambos os sexos), câncer de estômago (ambos os sexos), câncer de mama & associados e câncer de próstata e cólon-reto. 4. há diferenças entre as cidades na distribuição geográfica, não se obtendo o mesmo posicionamento por doenças entre duas cidades; as cidades - divididas entre as ao norte (BE, RE, SA, BH) e as ao sul (RJ, SP, CT, PA) tiveram o seguinte comportamento: a) ao sul, para o sexo masculino, as três principais causas são a doença isquêmica do coração, a cerebrovascular e a cirrose hepática e ao norte uma inversão entre a as duas primeiras causas, porém em Recife a doença isquêmica é a principal causa e a cirrose hepática a segunda e a doença cerebrovascular a terceira. b) o diabetes melito entre os homens das cidades ao norte ocupa um posicionamento mais elevado do que no sul, provavelmente pelo excesso de mortes em indivíduos do tipo insulina-dependente; c) entre as mulheres, não existe um padrão bem estabelecido norte-sul como entre os homens, embora a doença isquêmica do coração seja mais importante no sul do que norte. 5. as tendências de mortalidade são muito variáveis de cidade para cidade e de doença para doença e, devido ao pequeno tempo de estudo é difícil detectar um padrão específico de evolução temporal. No sexo masculino, PA e SP apresentam o mesmo comportamento, exceto o aumento da mortalidade geral nesta última cidade por causas externas; RE e RJ também apresentam comportamento parecido entre os homens, principalmente devido à doença Isquêmica e à cerebrovascular. 6. a questão da afluência ou da pobreza na relação com a mortalidade é complexa; somente a mortalidade por câncer de pulmão e o câncer de mama conseguiram estar nitidamente caracterizados como doenças da afluência; mostraram associação com a pobreza, a cirrose hepática, o diabetes melito e a doença cerebrovascular para ambos os sexos; as doenças do aparelho circulatório e todas as neoplasias no sexo feminino apresentaram relação com a pobreza.

Year

1996

Creators

Paulo Andrade Lotufo

Diferenciais da saúde em áreas urbanas e rurais: cárie dentária e condições gengivais em escolares no Estado de São Paulo

Objetivos: Estudar os diferenciais entre os indicadores de cárie dentária e alterações gengivais em escolares de áreas urbanas e rurais do Estado de São Paulo. Material e Métodos. Estudo de corte transversal analítico e ecológico foram os dois delineamentos utilizados. A população de estudo foram estudantes de escolas urbanas e rurais do Estado de São Paulo de 5 a 7 e de 10 a 12 anos; a fonte de informação foi o "Levantamento das Condições de Saúde Bucal - Estado de São Paulo, 1998". Foi estimada a prevalência de cárie dentária (índice ceo-d e CPO-D), do sangramento gengival durante a sondagem e de cálculo dental (índice CPI), para o estudo de associação com características sócio-demográficas dos escolares e indicador de desenvolvimento social (IDH-M) das cidades participantes do levantamento. Foram estimadas as odds ratios ajustadas e não ajustadas, por meio de análise de regressão logística de delineamento de modelos multivariados e multiníveis. O estudo de diferenciais de prevalência entre diferentes regiões do Estado empregou uma classificação de àreas rurais homogêneas pré-existentes. Resultados: Os indicadores de saúde bucal tiveram distibuição desigual entre os estratos, indicando pior condição para a população rural. Estudar em áreas rurais, em escolas públicas, ser negro ou pardo e ser do sexo masculino associaram com a manifestação de cárie não tratada e alterações gengivais, ao nível dos indivíduos. No modelo multinível, a presença de flúor na água de abastecimento público, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) e o Índice de Cuidado associaram com as condições de saúde bucal estudadas ao nível das cidades participantes do levantamento. Áreas rurais cujo sistema produtivo apresentava maior implementação da economia agro-industrial tiveram os melhores indicadores de saúde bucal. Conclusões: Os escolares de área rural mostraram-se mais vulneráveis para todas as condições de saúde bucal avaliadas

Year

2006

Creators

Tatiana Ribeiro de Campos Mello

População domiciliada de cães e gatos em São Paulo: perfil obtido através de um inquérito domiciliar multicêntrico

Introdução: A relação entre cães, gatos e seres humanos é antiga e ainda polêmica ,principalmente, nos aspectos referentes à questão da saúde. O desequilíbrio na população animal levou a excessos populacionais, que junto com a falta de saneamento e o crescimento desordenado das cidades, propiciaram a disseminação de zoonoses, principalmente, nas metrópoles. Ainda não é claro o risco dos animais à população humana frente aos benefícios possíveis. Justificativa: As freqüentes interações entre o homem e animais de estimação propiciam surgimento de novas zoonoses, tornando fundamental o conhecimento da dinâmica populacional de cães e gatos nas diferentes cidades brasileiras. A análise desses parâmetros, através de um inquérito domiciliar, abrirá um novo leque de opções, que permitirá novos conhecimentos técnicos e poderá ser um norteador de políticas públicas para essa área tão carente de informação. Objetivo: Analisar o perfil da população domiciliada de cães e correlacionando com as condições dos domicílios e do seu entorno e o nível sócio- econômico dos proprietários de animais. Material e Método: Foram utilizados dados de estudos de corte transversal e base populacional, com uso de questionários aplicados em entrevistas domiciliares. A área estudada foi o município de São Paulo, as entrevistas foram realizadas em 2003, como parte do “Inquérito de Saúde no Município de São Paulo – ISA - CAPITAL". O presente projeto analisou o bloco de entrevistas que versa sobre a questão de cães e gatos nos domicílios. A análise geral dos dados foi realizada pelos softwares SPSS e STATA. Resultados: Em 42,77 % dos lares há presença de cães e/ou gatos. A média de idade dos cães nas residências é de 4,28 anos e a dos gatos é de 3,44 anos. Houve predominância de fêmeas na população felina e de machos na canina. Foi notada uma alta porcentagem, 90,13 % dos cães e 71,93% dos gatos, de vacinação contra a Raiva , nos últimos 12 meses. As clínicas particulares têm grande importância na vacinação contra a Raiva com 29,8 % dos cães vacinados em clínicas e 55,5 % dos gatos. Conclusões Finais: Há necessidade de um sistema de informação entre clínicas particulares e serviço público, principalmente no tocante à vacinação contra a raiva; maior número de estudos sobre a população felina na cidade; programas educativos para a população em geral e para os “cuidadores" de cães.

Year

2006

Creators

Cristina Magnabosco

Casos notificados de AIDS no município do Rio de Janeiro, 1983-1993: análise de sobrevida

O objetivo desta tese foi analisar a sobrevida dos pacientes notificados com aids no Município do Rio de Janeiro de 1983 a 1993 enfocando, especialmente, os modelos de Kaplan-Meier e de riscos proporcionais de Cox. Utilizamos o banco de dados (Aidscon) da Vigilância Epidemiológica do Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis/ Aids, da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, onde corrigimos as informações até 1987, considerando as variáveis sexo, escolaridade, ano do diagnóstico, categoria de exposição e doença de apresentaçâo. Até essa data, a duração da sobrevida mediana correspondeu a 96 dias e, quando foram retirados os indivíduos com somente um dia de observação, esta aumentou para 146 dias. Observou-se uma mediana de 124 dias e 62 dias para indivíduos com idades respectivamente até 35 anos e 36 anos ou mais, cuja razão da função de riscos (HR) correspondeu a 1,41 (95% de I.C. = 1,20 - 1,66) com valor de p < 0,001. Quanto à doença de apresentação, indivíduos que tiveram tuberculose apresentaram uma sobrevida mediana de 197 dias. A razão de riscos quando comparados com as demais doenças de apresentação foi de 0,70, com valor de p = 0,002. Para aqueles que tiveram sarcoma de Kaposi como doença de apresentação, a sobrevida mediana correspondeu a 244 dias com HR de 0,72 e valor de p = 0,007. Verificamos, também, a existência da associação entre o sarcoma de Kaposi com ou sem candidíase oral como doença de apresentaçâo e a prática homo/bissexual (OR = 3,78). O pior desempenho na duraçâo da sobrevida mediana (49 dias) foi verificado para os pacientes diagnosticados com criptosporidíase com candidíase oral, cuja HR foi 1,45 e valor de p = 0,016. Analisamos conjuntamente os efeitos da idade e da doença de apresentação, observando que estes efeitos eram independentes. As demais variáveis não mostraram diferenças significativas na sobrevida. No período de 1987-1993, detectamos uma piora no registro de informação da maioria das variáveis, particularmente, na data do óbito, intensificada a partir de 1988, o que inviabilizou a extensão da análise de sobrevida até 1993. A análise comparativa com o SINAN (atual banco de dados utilizado pelo Programa DST-Aids) apontou redirecionamentos em sua estrutura. Foram feitas sugestões para o funcionamento da vigilância epidemiológica, entre elas, a necessidade de ênfase no treinamento dos recursos humanos e a incorporação e melhoria na utilizaçâo de outras fontes de dados como o Sistema de Mortalidade e de Registro de Internações Hospitalares.

Year

1997

Creators

Angela Maria Jourdan Gadelha

Análise de estimadores das curvas de sobrevivência em estudos de pequena escala, sob dados censurados

Mediante o estudo do viés e erro médio quadrático, foi com- parado o desempenho dos estimadores F-N-P* de Kaplan e Meier (1958) e de Kitchin (1980) e do estimador bayesiano** de Salinas e Pereira (1992), das curvas de sobrevivência sob dados censurados. Além disso, foi pesquisado e comparado outro estimador F-N-P para esse mesmo fim, que foi chamado estimador modificado de Kitchin (pela mudança realizada na taxa de risco acumulada do estima dor de Kitchin nos subintervalos formados pelos tempos consecutivos das ocorrências dos eventos de interesse). As estimativas são calculadas e comparadas primeiramente em um exemplo de dados clínicos reais de transplantes renais humanos e depois em amostras geradas por simulação a partir de modelos teóricos, assumindo distribuições exponencial e de Weibull. As simulações indicaram que o estimador de Kaplan e Meier é melhor que os demais, isto é, tem menor erro quadrático médio em todas as circunstâncias abordadas. Neste mesmo sentido o estimador modificado apresentou-se melhor que o de Kitchin. Com uma priori não informativa, o estimador de Salinas e Pereira teve melhor desempenho que o modificado de Kitchin. A análise simultânea do desempenho e simplicidade operacional aponta para os estimadores de Kaplan e Meier e Modificado de Kichin, nessa ordem. * A sigla refere-se à inferência estatistica segundo a metodologia desenvolvida por Fisher, Neyman e Pearson, também conhecida como \"inferência clássica\"(15,37). ** O termo refere-se à inferência estatística desenvolvida segundo a linha filosófica sugerida por um trabalho de Bayes (1763) (15).

Year

1997

Creators

Benedito Galvão Benze

Mortalidade em migrantes: o caso dos japoneses no estado do Paraná

Introdução - Tendo como premissa o entendimento que o estudo acerca do perfil de morbimortalidade de populações migrantes pode trazer contribuições para melhor compreender a epidemiologia das doenças, principalmente as de natureza crônico- degenerativa, analisou-se a experiência de mortalidade de uma população de nascidos no Japão, residentes no Estado do Paraná, comparativamente à dos habitantes no Japão e no Estado do Paraná. Material e método - A população analisada foi constituída pelos imigrantes japoneses - isseis - residentes no Estado do Paraná, com 50 anos e mais de idade, identificados por ocasião do X Recenseamento Geral do Brasil, em primeiro de setembro de 1991. Informações sobre óbitos, ocorridos entre primeiro de março de 1990 e 28 de fevereiro de 1993, foram apuradas do banco de dados do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde. As principais causas básicas de morte foram analisadas após calcular coeficientes de mortalidade padronizados por idade, ajustados pela população mundial de 50 anos e mais, em cada sexo, para isseis, residentes no Japão e no Paraná. A Razão de Mortalidade Padronizada (RMP) e o respectivo intervalo de 95% de confiança foram estimados para causas selecionadas entre isseis/residentes no Japão e isseis/residentes no Paraná. Resultados - Entre os principais resultados, observou-se que o coeficiente padronizado de mortalidade geral das mulheres isseis de 50 anos e mais situou-se em posição iatermediária quando comparado ao das residentes no Japão e no Paraná, enquanto que o dos homens apresentou valor bastante próximo ao da população masculina do Japão. No tocante às causas específicas, observou-se entre isseis do sexo masculino, quando comparados com a população do Japão, coeficientes significativamente mais baixos para câncer de estômago, cólon, pulmão e próstata, porém, mais altos para diabetes, doenças isquêmicas do coração e doenças cerebrovasculares. Em relação às mulheres isseis de 50 anos e mais, somente o coeficiente de mortalidade por câncer de pulmão apresentou-se significativamente inferior ao das habitantes do Japão. Com exceção de câncer de estômago (mulheres), câncer de cólon e suicídio, para a maioria das outras causas estudadas foram verificados coeficientes de mortalidade entre isseis (de ambos os sexos) comparativamente mais baixos do que da população total do Paraná; esta diferença foi estatisticamente significante. Todavia, especificamente para diabetes mellitus e doenças cerebrovasculares (mulheres), não foram constatadas diferenças significantes. Conclusão - Os resultados obtidos permitem evidenciar um afastamento do padrão de mortalidade de isseis quando comparado ao de seu país de origem e uma sensível aproximação ao padrão do local de destino. Tais constatações sugerem influência de fatores sócio-culturais, principalmente das práticas dietéticas, no perfil apresentado.

Year

1997

Creators

Regina Kazue Tanno de Souza

Acidentes de transporte terrestre em Londrina - PR: análise das vítimas, dos acidentes e das fontes de informação

Foram estudadas as vítimas (3643) de acidentes de transporte terrestre ocorridos no primeiro semestre de 1996, em Londrina, Estado do Paraná. Esse conjunto de vítimas abrangeu aquelas registradas pela Polícia Militar, as que faleceram no local do evento ou no trajeto para o hospital, além daquelas que compareceram aos serviços de prontos-socorros para atendimento ou internação através do Sistema Único de Saúde, para as quais foi observado um prazo de 180 dias para verificação de ocorrência de óbito. As fontes de dados foram os Boletins de Ocorrência policial, as fichas de atendimento em pronto-socorro, os laudos das Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs), as Declarações de Óbito e outras fontes complementares, como as Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs), notícias publicadas na imprensa escrita e entrevistas com as vítimas ou familiares. O objetivo do trabalho foi o de caracterizar as pessoas segundo seu papel desempenhado no acidente (de acordo com a Classificação Internacional de Doenças, décima revisão) e através de outras variáveis de importância epidemiológica. Visou, ainda, a avaliar a cobertura e qualidade das diversas fontes oficiais de dados, do Município, sobre vítimas de acidentes de transporte terrestre, através da comparação dos dados obtidos por essas fontes com o que se verificou após a pesquisa. Os resultados mostraram que as principais categorias de vítima acidentadas no Município de Londrina foram os motociclistas (44,4%), ciclistas (20,9%), ocupantes de automóvel (19,2%) e pedestres (11,6%). Entre essas vítimas, predominaram as jovens (15 a 24 anos) e as do sexo masculino, embora diferenças quanto a esse perfil tenham sido evidenciadas paras as diferentes qualidades de vítimas. A maioria dos acidentes foi classificada como de trânsito e de veículo a motor (92,2%). Quanto ao local de moradia, quase a totalidade (93,7%) era residente em Londrina, sendo que a área rural apresentou um coeficiente de incidência menor do que a área urbana e, nesta, houve variações, por regiões, desde um coeficiente de 1266,8 até 2066,1 por 100.000 habitantes. A análise segundo o nível de atendimento e evolução mostrou que, da coorte de 3643 vítimas, 393 (10,8%) foram internadas e 65 (1,8%) faleceram após o acidente ou em um período de até 180 dias. De forma geral, pedestres apresentaram as maiores taxas de internação e de letalidade (18,0% e 4,9%, respectivamente), seguidos dos motociclistas (11,7% e 1,1%). Análise das características dos acidentes, no entanto, evidenciou maiores taxas de letalidade para os motociclistas que colidiram com objeto fixo (29,4%) e para pedestres atropelados por veículo de transporte pesado ou ônibus (22,2%). Relacionando idade e qualidade da vítima, os maiores coeficientes de mortalidade, para residentes no Município, foram apresentados por pedestres de 70 a 79 anos e por motociclistas na faixa dos 15 aos 29 anos. Com relação às lesões apresentadas, entre as vítimas atendidas em pronto-socorro, que receberam alta, predominaram os traumatismos superficiais. Fraturas foram os principais tipos de lesões entre os internados e, nos que morreram, prevaleceu o traumatismo intracraniano. Os tipos e segmentos corpóreos apresentaram distribuições diferentes, conforme a qualidade da vítima e evolução. Apesar de uma perda importante de informação quanto às características do acidente, verificou-se que a maior parte das pessoas acidentou-se no final de semana e no horário compreendido entre 18 e 24 horas, com diferenças segundo as diversas qualidades das vítimas. No que se refere ao local do acidente, verificou-se maior concentração de vítimas, por quilômetro quadrado, na região Centro, seguida pela Norte, com amplas variações dessas taxas nos diferentes espaços urbanos. O mapeamento dos acidentes que resultaram em óbito indicam algumas vias propícias para esses eventos, principalmente aquelas que possibilitam, para os veículos, o desenvolvimento de velocidades altas, como as avenidas e rodovias que cruzam a área urbana. Quanto às diversas fontes de dados, os resultados apontam para a necessidade de melhoria, tanto da cobertura dos registros policiais, que captaram somente 32,5% das vítimas, como da qualidade da informação médica no que se refere às circunstâncias do acidente.

Year

1998

Creators

Selma Maffei de Andrade

Aspectos epidemiológicos e avaliação das medidas de controle da leishmaniose visceral americana no Estado de São Paulo, Brasil

O controle da leishmaniose visceral americana (LVA) tem encerrado controvérsias quanto à efetividade das diferentes medidas empregadas, e sua manutenção apresenta custos elevados. Dada a essa problemática, esse estudo teve como objetivo avaliar as intervenções do Programa de Controle da LVA no Estado de São Paulo. Foram selecionadas três áreas no município de Araçatuba onde a LVA canina vinha ocorrendo: área Testemunha, onde se realizou somente a eliminação de cães soropositivos; área Tratada, onde foram realizadas a aplicação de cipermetrina nos imóveis e anexos, e a eliminação de cães soropositivos; área Calagem, onde foram realizados o manejo ambiental pela remoção de matéria orgânica e aplicação de calcário dolomítico no peridomicílio e terrenos baldios e a eliminação de cães soropositivos. As capturas mensais de flebotomíneos foram realizadas numa amostra de 123 residências, de 1999 a 2001. Para conhecer a preferência alimentar de L. longipalpis foi utilizado o teste de precipitação com antisoros de humano e de animais domésticos. Durante as capturas foram realizadas as medidas de temperatura e umidade relativa do ar. Quanto ao cão, uma coorte dinâmica foi acompanhada em cada área. A infecção canina foi detectada pela técnica de imunofluorescência indireta e calculadas as taxas de prevalência e incidência. A eliminação ocorreu quando os títulos foram iguais a 1/40. Para comparar as médias de L. longipalpis no intra e peridomicílio das áreas Tratadas e Calagem com a Testemunha foi utilizado o teste H de Kruskall-Wallis. A análise dos fatores associados com a presença do vetor foi feita pelo método de regressão logística múltipla. A probabilidade do cão de adquirir a infecção foi realizada pela técnica de regressão complementar loglog. Também, foi analisada a relação custo-efetividade das atividades do Programa. A análise da freqüência de L. longipalpis revelou maior densidade nos meses de janeiro a abril e de setembro a dezembro. A maior chance da presença do vetor no peridomicílio foi observada no horário das 20h00 às 21h00, temperaturas médias entre 20 a 29°C, e umidade relativa do ar inferior a 80%. O vetor apresentou hábito alimentar eclético, porém com elevado grau de cinofilia. Os tratamentos químicos dos imóveis e o manejo ambiental mostraram eficácia na redução do vetor no intradomicílio. Verificou-se que a chance x de presença do vetor foi mais elevada na área sem nenhuma intervenção contra o vetor (OR=6,13), enquanto a área Calagem mostrou metade dessa chance (OR=3,08) quando comparada à área com intervenção química. Em relação ao cão, observou-se que a infecção foi maior em cães sem raça definida do que entre os cães de raça. Entre os cães e raça, as maiores positividades ocorreram entre cães de tamanho grande, do tipo Dogue, onde a chance de infecção foi mais 2,5 vezes do que nos demais do grupo; os cães de pêlo liso tiveram 2,06 vezes mais chance de infecção do que os de pêlo crespo; cães com hábito de dormir no intradomicílio demonstraram menor participação na manutenção na doença. A comparação entre as prevalências inicial e final não mostrou diferença significativa nas três áreas estudadas, bem como, não houve diferença no comportamento da incidência acumulada canina nas três áreas. Considerando os períodos de maior densidade vetorial e maior prevalência da infecção canina, o período pré-patente para a detecção de títulos IFA no cão pode ser considerado de 4 a 5 meses. Com o controle vetorial houve a redução da densidade de L. longipalpis. Entretanto, não houve diferença significativa na incidência da LVA canina entre as áreas, levando a concluir que a redução da população do vetor não teve efeito sobre a doença canina, no entanto nenhum caso humano ocorreu nas três áreas, embora tenham ocorrido nas áreas vizinhas do município. Isto sugere que as medidas de controle foram eficientes e a eliminação de cães infectados reduziu a chance de infecção humana. Para a diminuição da incidência humana, a eliminação de cão foi a medida de melhor relação custo-efetividade. Em relação ao vetor, o manejo ambiental foi a medida mais custo-efetiva atingindo 80 a 100% de efetividade para o intradomicílio. No peridomicílio, as duas medidas de controle foram inefetivas para redução da população do vetor. Recomenda-se que o manejo ambiental seja empregado em todo o município como medida de prevenção em área urbana, e o controle químico passe a ser empregado em situações epidêmicas envolvendo a população humana.

Year

2004

Creators

Vera Lúcia Fonseca de Camargo Neves

Epidemiologia da rubéola no município de São Paulo, 1992 - 2001

O objetivo deste trabalho é estudar o comportamento epidemiológico da Rubéola no Município de São Paulo, Brasil, de 1992 a 2001, numa análise série-temporal, a partir da inclusão do plano de controle. Descreveu-se a distribuição espacial da circulação do vírus da Rubéola no Município segundo Distritos de Saúde e avaliou-se a possibilidade de concentração da incidência da rubéola em áreas geográficas específicas. A partir de dados fornecidos pela Divisão de Doenças de Transmissão Respiratórias da Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo, foram levantados números de casos categorizados por data, idade, sexo, situação vacinal, se gestante, contato com outro caso de rubéola e domicílio. O ano de 2000 foi o de maior ocorrência com Coeficiente de Incidência (Cl) de 13,361100.000 hab. A faixa etária com maior incidência foi de 20-29 anos, (40,16/100.000 habitantes) no mesmo ano. A distribuição por sexo, não apresentou diferença significativa. Quanto à situação vacinal 13,16 % tinham conhecimento de ter tomado a vacina contra a rubéola. 3% dos casos de rubéola ocorreram em gestantes nos 10 anos de notificação. 23,7% dos pacientes referiram contato anterior a infecção, com pessoas com rubéola. Estes pacientes se concentraram em dois ambientes com maior porcentagem de contágio: o domicílio (37,15 %) e o local de trabalho (22,89 %). Os Distritos de Saúde onde ocorreram repetições de valores atípicos alto do período de notificação foram: Butantã, Santana, Mooca, Sto. Amaro, Jabaquara, Santa Cecília e Vila Matilde. Não houve evidência de agregação geográfica no período. Ocorreram repetições de valores atípicos baixos com zero notificação em vários distritos de saúde em cinco anos do estudo. Foram feitas comparações da distribuição espacial da rubéola com a densidade demográfica e com a renda média mensal nos distritos de saúde e não foi encontrada associação.

Year

2003

Creators

Carmen Barata Bello

Participação da enfermagem na melhoria de assistência aos pacientes portadores de Blastomicose Sul-Americana

No presente estudo procurou-se informações sobre o nível de conhecimentos sobre B.S.A., do pessoal de enfermagem e demais pessoal que trabalha na Clínica de Medicina Tropical do Hospital das Clínicas da UFGO, bem como as possíveis causas do não comparecimento dos pacientes à consulta, após alta. Procurou-se também mostrar a necessidade de um trabalho educativo junto aos pacientes hospitalizados, a fim de prepará-los para uma vida nomal no âmbito da família e da comunidade a que pertencem. Concluiu-se que o conhecimento sobre B.s.A. do pessoal que trabalha na referida Clínica é insuficiente para o seu devido tratamento e controle, e que as possíveis causas do não retorno são: não sentem piora da doença, viagens, esquecimento, imprevistos e não julgarem necessário.

Year

1974

Creators

Idelmina Lopes de Lima

Contribuição da educação para a saúde nos programas de luta contra a tuberculose

Na parte inicial do trabalho, são apresentadas considerações gerais sobre Educacão Geral e Educacão para a Saúde. A filosofia atual destes processos é mostrada, como práticas essencialmente ativas que dão ênfase especial ao indivíduo como ser humano e como tal, influenciado no seu comportamento pelos vários fatores que o envolvem. A história da Tuberculose é relembrada, com suas características especiais de infecciosidade e contágio. A Revisão Bibliográfica inclue trabalhos que mostram a evolucão das atividades educativas específicas. Numa análise retrospectiva os assuntos são interligados, de forma a proporcionar a todos os que participam da luta contra a tuberculose a compreensão de suas responsabilidades educativas e a necessidade de desempenhá-las dentro de um verdadeiro trabalho de equipe. Destaque deve merecer a inclusão da Educação para a Saúde nos programas. Juntamente com outras medidas profiláticas, o seu emprego proporciona contribuição sensível para o desenvolvimento do controle da doença.

Year

1975

Creators

Marilia Belluomini

Estilo de vida saudável em São Paulo

Estudos epidemiológicos têm comprovado a associação que as doenças cardiovasculares mantêm com um conjunto relativamente pequeno de fatores de risco modificáveis, como o tabagismo, o consumo de álcool, a dieta inadequada e a inatividade física. Objetivos: Analisar o estilo de vida saudável e não saudável da população adolescente, adulta e idosa do município de São Paulo, de acordo com as variáveis demográficas, socioeconômicas e com a quantidade e o tipo de domínios não cumpridos. Métodos: Trata-se de estudo transversal, de base populacional, realizado em 2008 e que utilizou dados do Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital 2008). As informações foram obtidas por meio de um questionário estruturado e entrevistas domiciliares realizadas por pessoas treinadas e supervisionadas durante toda a realização do inquérito. A população do estudo foi obtida por amostragem probabilística complexa, por conglomerados, em dois estágios: setores censitários e domicílios. Das 3271 pessoas entrevistadas, 1652 indivíduos adolescentes (1219; =15,3 anos), adultos (2059; =38,7 anos) e idosos (60 ou mais; =70,8 anos) de ambos os sexos possuíam dados de avaliação da atividade física, tabagismo, consumo alimentar, consumo abusivo e dependência de álcool. O estilo de vida foi determinado pela avaliação de cinco domínios: atividade física, consumo alimentar, tabagismo, consumo abusivo e dependência de álcool, de acordo com as respectivas recomendações. Os indivíduos foram classificados em: estilo de vida saudável ou não saudável. Aqueles classificados como não saudável também foram categorizados de acordo com a quantidade e o tipo de domínios não cumpridos. Foram calculadas as estimativas de prevalência e o teste qui-quadrado, com p<0,05. Resultados: A prevalência de estilo de vida saudável foi de 36,9 por cento entre os idosos, 15,4 por cento entre os adultos e 9,8 por cento entre os adolescentes (p=0,000). Entre os idosos (p=0,0001) e adultos (p=0,0015), o sexo feminino teve uma prevalência maior de estilo de vida saudável, quando comparado com o sexo masculino. Nos adultos, houve uma diferença na escolaridade em anos de estudo, sendo maior para 12 anos ou mais (p=0.0019); e na morbidade de 15 dias, sendo maior entre os que referiram morbidade (p=0,0006). Entre os indivíduos com estilo de vida não saudável, 51,5 por cento dos idosos, 32,2 por cento dos adultos e 57,9 por cento dos adolescentes não cumpriram um domínio, sendo que não atingiram a recomendação para uma dieta adequada. Conclusões: A prevalência de estilo de vida saudável foi maior entre os idosos, seguida pelos adultos e adolescentes. Entre os idosos e os adultos, o estilo de vida saudável foi maior no sexo feminino do que no sexo masculino. Em todas as faixas etárias, o consumo alimentar foi o principal domínio responsável pelo estilo de vida não saudável neste município, evidenciando a importância de estratégias de intervenção para a promoção do estilo de vida saudável e, principalmente, da dieta adequada.

Year

2014

Creators

Tatiane Kosimenko Ferrari

Síndrome pós-poliomielite: aspectos epidemiológicos e prognósticos

Objetivos: Descrever aspectos clínicos e epidemiológicos da síndrome pós-poliomielite (SPP) e fatores associados, bem como suas repercussões na capacidade funcional e à sua gravidade. Métodos: Estudo descritivo de série de casos e fatores prognósticos da SPP, em população de pacientes com diagnóstico de SPP acompanhados no Ambulatório de Doenças Neuromusculares da Universidade Federal de São Paulo. A definição de caso utilizada foi história prévia de poliomielite, período de estabilidade funcional maior ou igual a 15 anos, presença de nova fraqueza muscular por período maior de 1 ano e a exclusão de outras enfermidades que pudessem afetar a força muscular. A descrição da doença foi efetuada segundo aspectos relativos ao tempo, espaço e pessoa. A associação entre formas graves e exposições de interesse foi investigada pelas estimativas não ajustadas e ajustadas da odds ratio, com os respectivos intervalos de confiança de 95%, usando regressão logística não condicional. Resultados: Dos 132 casos de SPP estudados, 63,6% eram do sexo feminino; a mediana da idade foi de 45,5 anos. A mediana da idade da poliomielite aguda foi de 17 meses, do período de recuperação funcional foi de 3,0 anos e do período de estabilidade funcional 33,7 anos; 50,4% foram considerados graves. Mostraram-se independentemente associados à gravidade: período de recuperação neurológica e funcional máximo menor e igual a 4 anos (OR= 2,8;IC95%:1,2-6,7), seqüela crônica de dois membros (OR=3,6;IC95%:1,5-8,7) e ter residido na época da poliomielite aguda em município com acesso a assistência médica de maior complexidade (OR=2,5;IC95%:1,1&#61485;5,6).Conclusões: A alta proporção de casos graves e as perdas funcionais dos pacientes com SPP no Brasil indicam a necessidade de políticas públicas focalizando o problema.

Year

2007

Creators

Mônica Tilli Reis Pessôa Conde

A doença meningocócica na região de Sorocaba no período de 1999 a 2008

Este trabalho descreve a ocorrência da doença meningocócica na região de abrangência da Divisão Regional de Saúde de Sorocaba-SP, no período de 1999 a 2008. Fundamentado em dados fornecidos pelo Instituto Adolfo Lutz e pelo Grupo de Vigilância Epidemiológica, a incidência e a letalidade foram calculadas, para toda a população e por faixa etária. Os valores obtidos foram comparados com os dados do Estado de São Paulo e do Brasil. Além disso, foram obtidas as distribuições de ocorrência por manifestação clínica e de critérios diagnósticos utilizados, permitindo a análise da situação epidemiológica da doença meningocócica, na região em estudo. Ao verificar os resultados relativos aos sorogrupos, sorotipos e soross ubtipos identificados, foi possível estabelecer o fenótipo das cepas que, predominantemente, causam a doença na região. Em relação à incidência, conclui-se que, durante praticamente todo o período em estudo, é maior do que os valores endêmicos encontrados nos países desenvolvidos. A faixa etária mais atingida, tanto do ponto de vista da incidência como da letalidade é a de 0 a 4 anos, indicando a necessidade de incremento e continuidade dos programas de vacinação relativos a esse grupo populacional. Em relação às cepas circulantes, os fenótipos B:4,7:P1.19,15 e C:23:P1.14-6 predominam, fato coerente com os resultados obtidos para a Grande São Paulo e Baixada Santista

Year

2011

Creators

Miriam Vannucchi Leme de Mattos

Teste de caminhada de seis minutos como preditor de morbidade e mortalidade cardiovascular em pacientes após infarto agudo do miocárdio

Introdução: O teste de caminhada de seis minutos (TC6M) é um teste muito utilizado para avaliar as condições de saúde de idosos e saudáveis, bem como pacientes com doenças pulmonares e cardiovasculares. Porém, poucos são os relatos na literatura científica habitual sobre a utilização do teste de caminhada de seis minutos para avaliar a morbidade e mortalidade de pacientes após infarto agudo do miocárdio (IAM). Objetivo: O objetivo deste estudo foi verificar se o TC6M tem valor preditivo para morbidade e/ou mortalidade cardiovascular após IAM. Queremos verificar o ponto de corte da distância no TC6M para síndrome coronariana aguda, insuficiência cardíaca, re-hospitalização ou óbito por causa cardiovascular. Método: Trata-se de um estudo observacional, no qual se utilizou análise de prontuários, contato telefônico, correio e SIM (Sistema de Informação de Mortalidade da Secretaria de Saúde) de pacientes com diagnóstico de IAM não complicado que realizaram o TC6M antes da alta hospitalar. Desfechos observados: síndrome coronariana aguda, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, re-hospitalização e óbito por causa cardiovascular. A coleta de dados se deu no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, por meio de análise de prontuário e foram incluídos no estudo, os pacientes com diagnóstico de IAM não complicado que realizaram o teste de caminhada de seis minutos antes da alta hospitalar. Para análise estatística foram utilizados: correlação de Pearson ou Spearman, teste t de Student ou Mann-Whitney e ANOVA ou teste de Kruskall Wallis para analisar os efeitos das características físicas e clínicas dos pacientes analisados na distância percorrida no TC6M. Estas características e a distância percorrida foram avaliadas nos desfechos, ao longo de tempo, observando a curva de viii sobrevivência de Kaplan-Meier ou a sobrevivência em média de Cox, a significância dos efeitos foi testada por teste de log-rank ou pelo modelo de riscos proporcionais de Cox, respectivamente. Também foi ajustado um modelo de sobrevivência de Cox final para avaliar o efeito de todas as co-variáveis juntamente presentes no desfecho. Na análise múltipla foi utilizado o método de seleção de variáveis forward para selecionar as variáveis mais associadas à sobrevida. O tamanho dos efeitos, quando significativos, foi medido pela odds ratio (OR). Resultados: Foram incluídos 234 pacientes, 173(73,9 por cento ) do sexo masculino, 57,18 (10,35) anos, 103(44 por cento ) IAM anterior, 182 (77,8 por cento ) Killip I, 190 (81,2 por cento ) com terapia de reperfusão e fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 49,99 (10,14) por cento . Foram observados 89 (38,03 por cento ) pacientes com pelo menos um desfecho adverso, sendo 18 (8,1 por cento ) óbitos por causa cardiovascular num período de seguimento médio de 1.355,47 (777,53) dias. A distância do TC6M não se associou à ocorrência dos desfechos adversos, porém à ocorrência de óbito, resultando dois modelos: a) metragem do primeiro quartil (370,5 m) (OR = 2,737; p = 0,046), índice de percepção de esforço (IPE) de Borg (OR = 1,380; p = 0,020) e saturação periférica de oxigênio (SpO2) < 90 por cento (OR = 2,326; p = 0,103); b) metragem do teste de log rank (232 m) (p = 0,036; OR = 3,459), índice de Borg (OR = 1,351; p = 0,044) e SpO2 < 90 por cento (OR = 2,936; p = 0,030). A metragem e a SpO2 também se associaram à pior sobrevida ao longo do tempo: modelo 1) IPE Borg (OR = 1,334; p = 0,041, SpO2 < 90 por cento (OR = 2,675; p = 0,067) e a distância de 370,5m (OR = 2,882; p = 0,042) e modelo 2: SpO2 < 90 por cento (OR = 4,193; p=0,004) e distância de 232m (OR = 5,014; p=0,005). Numa análise do comportamento da FC, SpO2 e PS e PD ao longo do tempo no TC6M entre os grupos óbito e não óbito foram observadas diferenças significantes apenas da FC (p < 0,0001) e SpO2 (p < 0,0001). Conclusão: Na amostra estudada, a distância e a SpO2 < 90 por cento no TC6M se associaram ao óbito e à pior sobrevida em pacientes após IAM não complicado.

Year

2014

Creators

Iracema Ioco Kikuchi Umeda

Linhas telefônicas residenciais: uso em inquéritos epidemiológicos no Brasil

Objetivos: Estudar as possibilidades de uso de cadastros de linhas telefônicas residenciais para implementação de inquéritos por amostragem. Descrever presença de vícios potenciais, associados às taxas de coberturas de LTR, nas principais variáveis que usualmente compõem o núcleo de informações de inquéritos epidemiológicos. Métodos: Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) no período de 1998 a 2003, exceto 2000, foram estimadas por intervalo de confiança de 95%, as médias e proporções. Nas análises dos dados considerou-se o plano de amostragem complexa. Resultados: No Brasil, houve um crescimento de 50% dos domicílios atendidos por LTR, no período. No entanto, essa evolução não ocorreu de forma uniforme no Brasil. Foram identificados diferentes perfis de usuários de LTR, sendo as principais características relacionadas com a escolaridade, a raça, a posse de um plano de saúde e a localização geográfica. Nas regiões com baixa cobertura de LTR podem ocorrer vícios nas estimativas de prevalências de doenças crônicas. Conclusão: O uso das linhas telefônicas residencias para a realização das entrevistas em inquéritos epidemiológicos mostrou-se viável para as unidades de federação com taxas de cobertura de LTR acima de 70%.

Year

2006

Creators

Regina Tomie Ivata Bernal

Tendências de incidência do câncer das vias aéreas e digestivas superiores segundo 18 registros de câncer de base populacional com destaque ao município de São Paulo. 1969-1999

Introdução: O câncer das Vias Aéreas e Digestivas Superiores compreendem um grupo de tumores que se distribuem por diversas regiões anatômicas. Para a maioria das localizações os principais fatores de risco são o tabaco e o álcool. Como os fatores de risco são conhecidos espera-se que as diversas campanhas de prevenção e detecção precoce estivessem propiciando à diminuição da incidência. Objetivos Estimar em algumas localidades do mundo as tendências da incidência dos tumores de lábio, língua, boca, glândulas salivares, orofaringe, nasofaringe e hipofaringe de 1969 a 1999. Métodos Analisou-se os coeficientes de incidência de 18 Registros de Câncer de Base Populacional que possuíam toda a série histórica publicada no “Cancer Incidence in Five Continents".utilizando-se modelos de regressão polinomial.Resultados Houve tendência de aumento, estatisticamente significativo, para o câncer de língua e boca em São Paulo em mulheres e em homens de diversos países europeus e localidades dos EUA. Em contrapartida houve queda em Porto Rico, Mumbai e Cingapura. O câncer de lábio decresceu na maioria das localidades em homens. Entretanto em países do norte da Europa e em Iowa houve aumento em mulheres. O câncer de orofaringe aumentou em homens na Europa e em Iowa e decresceu em Cali, Quebec, e localidades da Ásia. O câncer de hipofaringe apresentou tendência crescente em várias localidades da Europa em homens e queda na Suécia, Inglaterra, Cingapura e Porto Rico. Conclusão os tumores de língua, boca e orofaringe continuam apresentando tendências de crescimento para diversas localidades. Por isso há a necessidade de campanhas propiciando a prevenção e a detecção precoce.

Year

2006

Creators

Alexandre Tadeu Patronieri