RCAAP Repository
Tendências da incidência e da mortalidade do câncer de mama feminino no município de São Paulo
Introdução: A cada ano, são diagnosticados mais de um milhão de novos casos de câncer de mama em mulheres no mundo. Os países mais desenvolvidos apresentam as maiores incidências, enquanto a mortalidade é maior nos países em desenvolvimento. No Brasil, as incidências mais elevadas se localizam nas regiões Sul e Sudeste. Nos últimos cinco anos, a incidência de câncer de mama aumentou cerca de 30 por cento nos países do ocidente, porém, a partir do ano 2000, observa-se ligeiro decréscimo na mortalidade. A investigação simultânea sobre a incidência e a mortalidade pode fornecer informações sobre a etiologia da doença, e a análise dos efeitos da idade, período e da coorte facilita a compreensão dos mecanismos responsáveis pela variação nas tendências. Objetivos: Analisar as tendências da incidência e da mortalidade por câncer de mama feminino no município de São Paulo, segundo os efeitos da idade, período e coorte. Métodos: Foram analisadas a incidência no período de 1997 a 2005, e a mortalidade no período de 1982 a 2005. Os dados foram obtidos no Registro de Câncer de Base Populacional de São Paulo, no Sistema de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM-MS) e no Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE). Os efeitos da idade, do período e da coorte na tendência dos coeficientes de incidência e mortalidade foram analisados pelo modelo de regressão de Poisson. Resultados: As tendências da incidência e da mortalidade aumentam com a idade, porém esse efeito é maior na mortalidade, sobretudo entre as mulheres com idade a partir dos 50 anos. O efeito do período apresentou tendência crescente para a incidência no período entre 2003 e 2005, que coincide com o início dos mutirões de mamografia no município de São Paulo. Para a mortalidade, a tendência foi decrescente no mesmo período. O efeito da coorte apresentou tendência decrescente a partir das coortes mais antigas, estável na maioria das gerações intermediárias, e decrescente nas coortes mais recentes tanto para incidência quanto para mortalidade. Conclusão: O padrão observado no município de São Paulo é semelhante ao observado em países mais desenvolvidos como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido
Aspectos do cancro mole no município de São Paulo
No período compreendido entre 1985 a 1989 foram registrados no Serviço de Dermatologia Sanitária da Faculdade de Saúde Pública de Universidade de São Paulo 202 pacientes portadores de cancro mole, o que compreendeu o universo de estudo. Mapeou-se os possíveis focos geográficos da doença distribuídos pelos 11 Distritos, 48 Subdistritos e 8 Escritórios Regionais de Saúde (ERSA) que compõe o Município de São Paulo. Os subdistritos de Butantã e Santo Amaro concentraram o maior número de casos (55) e o ERSA-1 apresentou 74 casos (36,6 por cento ). A idade concentrou-se entre 20 e 30 anos, havendo um aumento progressivo em menores de 20 anos. Os homens participaram numa proporção de 7:1 mulher, com tendência a diminuir. Houve nítida redução da participação da prostituição como fonte de contágio. O período de incubação variou de 1 a 41 dias com 60,5 por cento nos primeiros 7 dias. A lesão foi única em 33,7 por cento dos casos masculinos. O tempo da doença reduziu-se e o enfartamento inguinal ocorreu em 49 por cento dos casos. Referiram passado venéreo 123 pacientes variando de 1 a mais de 5 episódios. A soropositividade para sífilis revelou-se alta (28,2 por cento ). Em um outro período (1989-1991) foram pesquisados 42 casos de cancro mole para Anticorpos anti-Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH-1) confirmados pelo WESTERN BLOT, resultando 16,6 por cento de sororeatividade. O estudo desta soropositividade revelou que o risco da mulher portadora de um cancro mole apresentar-se infectada pelo VIH-1 parece ser maior do que para o homem. Diante destes resultados, recomenda-se a implantação imediata da notificação compulsória de todas as Doenças Sexualmente Transmissíveis, bem como a pesquisa rotineira para sífilis e para o VIH-1 nas populações de risco identificadas.
1993
Manuel Fernando Queiroz dos Santos Junior
Exposição ocupacional à sílica no Brasil: tendência temporal, 1985 a 2001
Objetivo. Analisar a exposição ocupacional à sílica no Brasil entre 1985 e 2001 por meio de matriz de exposição ocupacional (MEO). Métodos. Especialistas estimaram a exposição à sílica em quatro categorias segundo a freqüência na jornada semanal de trabalho: não expostos (NE), exposições abaixo de 1%; possivelmente expostos (PsE), entre 1 e 5%; provavelmente expostos (PrE), entre 5 e 30%; e definitivamente expostos (DE), exposições acima de 30010 da jornada semanal. A MEO, construída a partir da intersecção de 347 grupos ocupacionais e 25 setores econômicos, foi validada e, posteriormente, superposta ao número de trabalhadores descrito na base de dados Relatório Anual de Informações Sociais no período de 1985 a 2001. Para cada ano foi calculada a prevalência da exposição por sexo, setor econômico e região geográfica. A tendência da série histórica foi analisada por regressão linear simples. Resultados. A validação da MEO apresentou concordância geral acima de 64%, com Kappa variando de bom a regular, exceto para indústria têxtil, e especificidade acima de 85%. Em média, 14,4% dos trabalhadores ocupados estavam expostos a algum nível de sílica na jornada de trabalho. Na categoria DE os homens apresentaram prevalência média de 9,1% com tendência à estabilidade e as mulheres 0,6% com tendência à redução. Os trabalhadores DE concentraram-se em sete setores econômicos. Destacando-se a construção civil, que apresentou tendência crescente da prevalência de exposição em ambos os sexos, com incremento particularmente significativo na força de trabalho feminino. Ao contrário, os setores de extração mineral, metalurgia e indústria da borracha apresentaram redução da prevalência. Conclusões. A MEO desenvolvida neste trabalho apresentou boa concordância e alta especificidade. Como tendência geral, considerando-se todos os setores, houve redução do número de trabalhadores na categoria definitivamente expostos, porém na categoria provavelmente expostos a tendência foi crescente em todas as regiões.
2004
Fatima Sueli Neto Ribeiro
Avaliação dos Sistemas de Informação de Nascidos Vivos e de Mortalidade para a obtenção da mortalidade neonatal em Ilhéus, Bahia
Informações sobre nascimentos vivos e óbitos, com boa cobertura e qualidade, asseguram indicadores de saúde capazes de atender às demandas de gestores do Sistema de Saúde e população. A descentralização dos sistemas de informação impõe a realização de estudos de avaliação no nível local. O objetivo deste trabalho é avaliar o SINASC e o SIM como fontes de dados para obtenção da probabilidade de morte neonatal em Ilhéus, Bahia. Utilizou-se como população de referência os nascidos vivos hospitalares com ocorrência e residência em Ilhéus, em 2001. Os instrumentos de coleta de dados foram elaborados à semelhança da DN e DO. Os dados foram coletados em hospitais e cartórios do município e dos bancos de dados do SIM e SINASC cedidos pela Secretaria de Saúde de Ilhéus. Foram compostos seis bancos de dados, utilizando-se a técnica de Iinkage para identificar os mesmos indivíduos nos diferentes bancos de dados. A coorte é formada por 3426 nascidos vivos, dos quais 3308 foram captados pelo SINASC, representando cobertura de 96,6%. O subregistro civil na coorte foi de 14,4%. Observou-se diferenças estatisticamente significante entre os nascidos vivos captados e não captados pelo SINASC e mês de nascimento, hospital de nascimento, peso ao nascer e registro civil. Dos 68 óbitos neonatais da coorte, 34 foram captados pelo SIM como óbito neonatal, 29 captados como óbitos fetais e 5 não captados. Constatou-se diferenças estatisticamente significantes entre os óbitos neonatais captados e não captados pelo SIM e hospital de ocorrência do óbito, idade ao morrer e registro civil do óbito. A probabilidade de morte neonatal na coorte foi de 19,84‰ nascidos vivos e no SIM/SINASC de 9,97‰ nascidos vivos, indicando que os dados oficiais subestimam em cerca 100% a probabilidade de morte neste grupo. Conclui-se pela necessidade de implementar estratégias para melhoria da cobertura e qualidade dos sistemas de informação em Ilhéus.
2003
Adélia Maria Carvalho de Melo Pinheiro
Antropofilia e polimorfismo de genes mitocondriais em populações de Aedes Scapularis (Rondani) em três regiões hidrográficas do estado de São Paulo
Aedes scapularis, espécie reconhecidamente com tendências à sinantropia, tem sido objeto de estudo por parte de vários trabalhos epidemiológicos e ecológicos. Sua abundância em ambientes alterados pelo homem e competência para transmitir certos arbovírus tomam a espécie de interesse em Saúde Pública. O presente estudo objetiva analisar populações de Ae. scapularis quanto a seu polimorfismo por marcadores moleculares e sai antropofilia. Foram escolhidas localidades distintas do Estado de São Paulo: região metropolitana da Capital (Vale do Tietê), Vale do Ribeira, Vale do Paraíba. Para tanto, foram realizadas coletas quinzenais no ambiente peridomiciliar de janeiro de 2001 a junho de 2002. Para verificar a origem do sangue ingerido pelas fêmeas foram utilizados marcadores de mtDNA, amplificados por PCR. Foi diagnosticada a origem de 25 repastos sanguineos de 96 amostras, resultando em taxa de antropofilia de 25% para esta espécie, em concordância com estudos anteriores. Para estudo da estrutura genética molecular, os indivíduos foram analisados quanto ao polimorfismo de regiões dos genes C01 (Citocromo Oxidase, subunidade I) e ND4 (Dehidrogenase Nicotinamida, subunidade 4) do genoma mitocondrial. Análise por estes marcadores demonstrou que as populações das diferentes bacias, de maneira geral não diferem entre si, apresentando estruturação genética com alta diversidade haplotípica para ambos os genes nas três áreas de estudo.
Mortalidade por câncer em uma coorte de trabalhadores da indústria da borracha de São Paulo
Objetivo. Investigar as mortes por câncer em trabalhadores da indústria da borracha. Métodos. Foi seguida entre 1990 e 2000 uma coorte histórica com 9188 trabalhadores, de 743 empresas, masculinos, sobreviventes em 1990 dentre associados ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Borracha de São Paulo entre 1975 e 1985. Mortes por câncer foram comparadas internamente, por porte e subramo de atividade das empresas, setor de trabalho e qualificação profissional. Regressão logística condicional com abordagem por conjuntos de riscos foi usada para estimar os efeitos das exposições. Foram calculadas as Razões de Taxas de Incidência (RT) e intervalos com 95% de confiança (lC95%), ajustados por idade, tempo desde o primeiro emprego e tempo na indústria da borracha. Resultados. Encontrou-se nos trabalhadores de pequenas empresas, em relação aos empregados das empresas de grande porte, excesso de mortes por todos os cânceres (RT=2,36; IC95%:0,97-5,73), por câncer de estômago (RT=3,47; IC95%:2,57-4,67) e por câncer do Trato Aero-Digestivo Superior (RT=2,49; IC95%:1,78-3,48). Maior risco de morte por câncer também foi encontrado nos trabalhadores do setor de manutenção, em relação aos trabalhadores de escritório e de atividades de apoio, com RT=3,43; IC95%:1,04-11,26; e entre os ocupantes de funções de chefia, em relação aos trabalhadores com funções não qualificadas, com R T=2,71; IC95%:1,25-5,90. Conclusões. Foi estimado excesso de mortes por todos os cânceres e por câncer de estômago e do Trato Aero-Digestivo Superior em trabalhadores das pequenas indústrias da borracha; e excesso de mortes por todos os cânceres entre os que trabalhavam no setor de manutenção e entre os classificados como ocupantes de funções de chefia na indústria da borracha.
Infecções na infância, características maternas e leucemia linfocítica aguda em crianças
Introdução. A etiologia da leucemia linfocítica aguda (LLA), câncer mais comum na infância, não é completamente conhecida. Objetivo. Examinar a associação de infecções na infância e características maternas com a LLA em crianças residentes no Estado de São Paulo. Métodos. Estudo caso-controle com 241 casos recrutados em oito hospitais do Estado de São Paulo e diagnosticados com LLA de janeiro de 2003 a fevereiro de 2009. Os 598 controles foram selecionados na base de Declarações de Nascidos Vivos da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados. Entrevistas com a mãe ou responsável pela criança foram realizadas no hospital para os casos e no domicílio para os controles utilizando-se questionário semelhante. A análise dos dados foi conduzida com três grupos distintos: Grupo 1 - todos os subtipos de LLA, entrevistas com as mães ou outros responsáveis pelas crianças; Grupo 2 - todos os subtipos de LLA, entrevistas com as mães; Grupo 3 - LLA de precursores B, entrevistas com as mães. Para estimar o risco de LLA associado com as variáveis relacionadas a infecções e características maternas odds ratios (OR) e intervalos com 95 por cento de confiança (IC 95 por cento ) foram calculados por meio de análise de regressão logística multivariada não condicional. Três modelos de regressão logística foram conduzidos: a) com ajuste por sexo e idade da criança; b) com ajuste por sexo, idade da criança e escolaridade materna; c) com ajuste por todas potenciais variáveis de confusão via stepwise forward selection. Resultados. Os resultados correspondentes ao Grupo 3 e Modelo 3 de análise revelaram proteção para LLA em crianças com histórico de episódios de gripe (categoria frequentemente versus não OR = 0,27; IC 95 por cento 0,15-0,48), episódios de dor no ouvido (categoria raramente versus não OR = 0,48; IC 95 por cento 0,25-0,90), frequência à creche (categoria mais de 24 meses versus nunca OR = 0,37; IC 95 por cento 0,17-0,77), e contato com cães no primeiro ano de vida (categoria sim versus não OR = 0,76; IC 95 por cento 0,45-1,27). Foi observado tênue aumento do risco de LLA em crianças com mães que referiram consumo de álcool no passado (OR = 1,29; IC 95 por cento 0,62-2,68) e ainda bebe (OR = 1,53; IC 95 por cento 0,97-2,41) em comparação àquelas cujas mães referiram nunca ter consumido álcool. Baixo nível educacional das mães foi associado com aumento do risco de LLA em crianças (categoria 0 a 4 anos versus 12 e mais OR = 2,71; IC 95 por cento 1,26-5,81). Conclusões. Os resultados mostraram que exposição a infecções na infância, frequência à creche e contato com cães no primeiro ano de vida exercem papel protetor para LLA, por outro lado, o consumo de álcool e o baixo nível educacional das mães aumentaram o risco de LLA em crianças
2014
Raquel da Rocha Paiva Maia
Anopheles (Nyssorhynchus) lanei e Culex (Culex) dolosus (Diptera: Culicidae): duas espécies que ocorrem na região de Campos do Jordão, Serra da Mantiqueira, São Paulo, Brasil
Introdução Anopheles (Nyssorhynchus) lanei foi descrito por Galvão e Amaral em 1938, a partir de espécimes coletados em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, Estado de São Paulo, sendo provável espécie endêmica desta região. Linthicum (1988) redescreveu An. lanei baseando-se em um espécime adulto fêmea e duas genitálias masculinas de Campos do Jordão; porém, a ilustração de genitália masculina foi feita a partir de um espécime coletado na cidade de Estância, Estado de Sergipe, Brasil. Evidências morfológicas somadas a diferenças ambientais entre estas localidades indicam que os espécimes analisados por Linthicum não correspondem a An. lanei. Culex (Culex) dolosus foi descrito por Lynch Arribálzaga em 1891 com base em espécimes coletados na Província de Buenos Aires, Argentina. O último trabalho a tratar de aspectos da morfologia de Cx. dolosus é anterior à descrição de Culex eduardoi Casal & García, espécie similar a esta. Dados de literatura apontam para a existência de formas morfológicas diferenciadas em populações de Cx. dolosus, o que parece ser o caso dos espécimes que ocorrem na região de Campos do Jordão. Objetivos Este estudo visa contribuir para o conhecimento taxonômico de espécies pertencentes aos subgêneros Nyssorhynchus e Culex, que ocorrem na Serra da Mantiqueira, por meio da redescrição de An. lanei e Cx. dolosus, e também da identificação de fauna de Culicidae associada. Métodos As redescrições foram baseadas na análise de exemplares coletados na região de Campos do Jordão e implicaram em etapas de quetotaxia das larvas e pupas, biometria dos adultos e formas imaturas e elaboração de ilustrações das estruturas anatômicas da morfologia externa. Resultados Deste trabalho resultaram redescrições morfológicas detalhadas, tabelas de quetotaxia das formas imaturas e ilustrações das larvas, pupas e estruturas das genitálias masculinas. Considerações finais - Espera-se que os resultados alcançados possam ampliar e dar continuidade a estudos taxonômicos de Culicidae e também contribuir para a correta identificação de espécies de Anopheles e Culex.
Persistência da transmissão de Schistosoma mansoni em localidade de Itariri, na região do Vale do Ribeira, São Paulo, Brasil
Introdução A transmissão de esquistossomose é considerada um problema de saúde pública em várias regiões do Brasil, entre elas, a região do Vale do Ribeira, Estado de São Paulo. Em 2009, um censo coprológico com alunos de 6 a 14 anos na escola estadual do bairro de Ana Dias, no município de Itariri, detectou 34 casos de esquistossomose (16,8 por cento de positividade) e sinalizou a existência de transmissão autóctone importante naquela área. Objetivo Aprofundar os conhecimentos sobre a transmissão de esquistossomose no bairro de Ana Dias. Métodos Aplicou-se um formulário aos pacientes, a fim de conhecer seus hábitos em relação às coleções hídricas e condições de saneamento das suas residências. As coleções hídricas do bairro são pesquisadas rotineiramente e os planorbídeos encontrados, examinados para verificar a existência de cercárias. Dos dados obtidos foi realizado um levantamento de coleções com presença de planorbídeos infectados por S. mansoni no período de 2000 a 2010, que foram visitadas e tiveram suas coordenadas anotadas e transferidas para mapas digitalizados. Essas informações foram relacionadas com as obtidas através dos formulários para se conhecer alguns aspectos da transmissão local. Resultados Foi aplicado formulário em 31 pessoas (91,2 por cento do total) e 100 por cento delas declararam ter contato com águas de pelo menos um dos dois principais rios do bairro. Quanto ao saneamento, 50,1 por cento têm o despejo dos dejetos em fossas e valas a céu aberto e 22,6 por cento despejam diretamente nos rios. No período, cerca de 50 por cento das coleções hídricas apresentaram planorbídeos positivos para S. mansoni. Verificou-se que a maioria das coleções positivas são valas de drenagem existentes em bananais e tem ligação direta com os dois rios freqüentados pela população. Nos bananais há casas cujo esgoto é despejado diretamente em valas de drenagem. Conclusões O estudo mostrou que a transmissão autóctone persiste no bairro e ocorre principalmente em função dos rios freqüentados como principal opção de lazer da população. A contaminação dos rios acontece pelos dejetos lançados neles por deficiência do saneamento básico local. Além do trabalho de controle atual, é necessária a realização de atividades regulares que possibilitem a identificação e tratamento dos portadores de esquistossomose, evitando-se a contaminação das coleções. Paralelamente recomenda-se a implantação de obras de saneamento rural, para que se interrompa o ciclo de transmissão
2011
Alexandra Myuki Yoshioka Trevisan
Estimativa da incidência de câncer nas redes regionais de saúde e municípios do estado de São Paulo, 2010
Introdução: Estatísticas sobre a ocorrência de casos novos de câncer são fundamentais para o planejamento e monitoramento das ações de controle da doença. No estado de São Paulo, a incidência de câncer é obtida indiretamente por meio de estimativas oficiais (para o estado como um todo e sua capital) e, de forma direta, em municípios cobertos por Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP). Existem, atualmente, três RCBP ativos (São Paulo, Jaú e Santos), um inativo (Barretos) e um em reimplantação (Campinas). Dado o desconhecimento do panorama da incidência de câncer em áreas não cobertas por RCBP, este estudo teve como objetivo estimar a incidência de câncer, calcular taxas brutas e padronizadas por idade, específicas por sexo e localização primária do tumor para as 17 Redes Regionais de Atenção à Saúde (RRAS) de São Paulo e municípios, em 2010. Método: Utilizou-se como estimador da incidência de câncer a razão Incidência/Mortalidade (I/M), por sexo, grupo etário quinquenal dos 0 aos 80 anos e localização primária do tumor. O numerador da razão foi formado pelo número agregado de casos novos entre 2006-2010, em dois RCBP ativos (Jaú e São Paulo, respectivamente, com cobertura correspondente a 0,3 por cento e 27,3 por cento da população estadual). No denominador, o número de óbitos oficial nas respectivas áreas e período. O número estimado de casos novos resultou da multiplicação das I/M pelo número de óbitos por câncer registrados em 2010 para o conjunto de municípios formadores de cada uma das RRAS ou para cada município. O método de referência foi aquele utilizado no Globocan series, da Agência Internacional de Pesquisa contra o Câncer. O ajuste por idade das taxas de incidência ocorreu pelo método direto, tendo como padrão a população mundial. Resultados: Estimaram-se 53.476 casos novos de câncer para o sexo masculino e 55.073 casos para o feminino (excluindo-se os casos de câncer de pele não melanoma), com taxas padronizadas de 261/100.000 e 217/100.000, respectivamente. No sexo masculino, a RRAS 6 apresentou para todos os cânceres a maior taxa de incidência padronizada (285/100.000), e a RRAS 10, a menor (207/100.000). Os cânceres mais incidentes em homens foram próstata (77/100.000), cólon/reto/anus (27/100.000) e traqueia/brônquio/pulmão (16/100.000). Entre as mulheres, as taxas de incidência padronizadas por idade foram de 170/100.000 (RRAS 11) a 252/100.000 (RRAS 07); o câncer de mama foi o mais incidente (58/100.000), seguido pelos tumores de cólon/reto/anus (23/100.000) e de colo uterino (9/100.000). Conclusões: Os resultados apontaram diferentes padrões de incidência com taxas que ultrapassaram a magnitude estadual. Dados provenientes de RCBP locais podem ser usados na obtenção indireta de estimativas regionais e locais. Neste estudo, as taxas de incidência apresentadas podem estar sub ou superestimadas refletindo a qualidade, completitude e padrões observados no RCBP de maior representatividade considerado na análise.
2015
Carolina Terra de Moraes Luizaga
Mortalidade masculina no tempo e no espaço
Introdução: No Brasil, verifica-se maior mortalidade masculina em, praticamente, todas as idades e para quase a totalidade das causas. Objetivo: Estimar e descrever a tendência da mortalidade masculina, entre 1979 e 2007, em três capitais de estados brasileiros, São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS), segundo faixa etária, local de residência e causa básica de morte. Material e método: As populações de estudo referem-se aos contingentes de residentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, nos triênios, 1979/1981, 1990/1992, 1999/2001 e 2005/2007 e aos respectivos óbitos. As fontes de dados foram IBGE e Sistemas de Informações em Saúde do Ministério da Saúde. As localidades foram selecionadas por, reconhecidamente, apresentarem adequada qualidade das informações necessárias. Calcularam-se coeficientes de mortalidade gerais (brutos e padronizados) e específicos, médios para os triênios. Foram feitas comparações entre os indicadores, no tempo e no espaço. Resultados: Verificou-se, no período e nas três capitais, declínio da proporção de crianças e de jovens e tendência crescente da proporção de pessoas de 60 anos e mais de idade. Até os 24 anos, homens predominaram na população; a partir daí, já se observaram maiores participações femininas e razões de sexos cada vez mais baixas, evidenciando, entre idosos, alta presença de mulheres, fato associado à elevada mortalidade masculina (coeficientes padronizados, respectivamente, no início e fim da série temporal, de 11,9 e 9,4 óbitos por mil homens, em São Paulo; de 12,7 e 9,8 óbitos por mil homens, no Rio de Janeiro e de 12,1 e 9,5 mortes por mil homens, em Porto Alegre). Notou-se acometimento intenso de homens jovens pelas causas externas, cujos coeficientes específicos, para homens de 20 a 24 anos, foram, em 1979/1981 e 2005/2007, respectivamente, de 163,8 e 165,8 por cem mil homens paulistas; de 241 e 336,2 por cem mil, no Rio de Janeiro, e de 144,1 e 236,1 por cem mil, em Porto Alegre. Ao longo da série, as causas externas apresentaram grande estimativa de risco de morte masculina, sendo que, em 2005/2007, foram a primeira causa de morte em homens até a idade de 40 a 44 anos, em São Paulo e Rio de Janeiro; em Porto Alegre, manteve a primeira posição até a faixa de 30 a 34 anos. Após, em quase todos os grupos etários seguintes, as doenças do aparelho circulatório aparecem como a principal causa de morte e, as neoplasias passam à segunda posição entre as mais importantes causas de morte masculina. Considerações finais: As localidades evidenciam características de cidades em vias de desenvolvimento, com redução da fecundidade, aumento da longevidade e conseqüente envelhecimento populacional. As estimativas do elevado risco de morrer de homens tornam clara sua vulnerabilidade em adultos jovens, acometimento intenso das mortes violentas; a partir dos 35 anos, as doenças crônicas e degenerativas se destacam. A intensidade com que estes eventos ocorrem, entre homens, demanda ações que possibilitem redução dos índices de mortalidade por causas preveníveis e evitáveis, eliminando comportamentos de risco e adoção de hábitos de vida saudáveis. Diante disso, haverá aumento da sua esperança de vida e redução das diferenças entre mortalidade feminina e masculina
2010
Carolina Terra de Moraes Luizaga
Estudo da expansão da Leishmaniose Visceral no estado de São Paulo e de fatores intervenientes
INTRODUÇÃO: Leishmaniose visceral (LV) é uma doença negligenciada que afeta milhões de pessoas no mundo e que constitui um grave problema de saúde pública. OBJETIVOS: Descrever no tempo e no espaço, a dispersão de Lutzomyia longipalpis e a expansão da LV no estado de São Paulo (SP); identificar fatores associados a estes processos. MÉTODOS: Foram realizados estudos descritivos, ecológicos e de análise de sobrevida. Informações sobre o vetor e os casos foram obtidas na Superintendência de Controle de Endemias e no Sistema de Informações de Agravos de Notificação para o período de 1997 a 2014. A área de estudo foi composta pelos 645 municípios de SP. Foram produzidos mapas temáticos e de fluxo e calcularam-se incidência, mortalidade e letalidade por LV em humanos (LVH). Utilizou-se a técnica de análise de sobrevida (Curvas de Kaplan-Meier e Regressão de Cox) para a identificação de fatores associados à dispersão do vetor e expansão da LV. RESULTADOS: A partir da detecção de Lu. longipalpis em Araçatuba em 1997, deram-se a ocorrência do primeiro caso canino (LVC) (1998) e o primeiro caso humano (LVH) autóctones (1999) em SP. Até 2014, foi detectada a presença do vetor em 173 (26,8 por cento ) municípios, LVC em 108 (16,7 por cento ) e LVH em 84 (13 por cento ). A expansão dos três fenômenos ocorreu no sentido noroeste para sudeste e se deram a velocidades constantes. Na região de São José do Rio Preto, a dispersão do vetor deu-se por vizinhança com municípios anteriormente infestados, a expansão da LV relacionou-se com os municípios sede das microrregiões e a doença ocorreu com maior intensidade nas áreas periféricas dos municípios. A presença da Rodovia Marechal Rondon e a divisa com o Mato Grosso do Sul foram fatores associados à ocorrência dos três eventos, assim como a presença da Rodovia Euclides da Cunha para presença do vetor e casos caninos, e, presença de presídios para casos humanos. CONCLUSÕES: A dispersão do vetor e da LV em SP iniciou-se, a partir de 1997, próximo à divisa com o estado do Mato Grosso do Sul, avançou no sentido noroeste para sudeste, na trajetória da rodovia Marechal Rondon, e ocorreu em progressão aritmética, com as sedes das microrregiões de SP tendo papel preponderante neste processo. A ocorrência autóctone de LVC e LVH iniciou-se na sequência da detecção de Lu. longipalpis em Araçatuba e de seu espalhamento por SP e não a partir dos locais onde anteriormente ele já estava presente. O uso da análise de sobrevida permitiu identificar fatores associados à dispersão do vetor e a expansão da LV. Os resultados deste estudo podem ser úteis para aprimorar as atividades de vigilância e controle da LV, no sentido de retardar sua expansão e/ou de mitigar seus efeitos, quando de sua ocorrência.
Caracterização de populações de Culex coronator (Diptera: Culicidae) e distinção de fêmeas adultas de Culex coronator e Culex usquatus por meio da análise da morfometria geométrica de asa e de sequências gênicas
Culex coronator Dyar & Knab e Culex usquatus Dyar são duas espécies irmãs, que fazem parte do Complexo Coronator, composto por mais quatro espécies (Culex usquatissimos Dyar, Culex ousqua Dyar, Culex camposi Dyar, Culex covagarciai Forattini). As fêmeas deste grupo são indistinguíveis por caracteres morfológicos, sendo a identificação possível somente através da distribuição e tamanho das cerdas apicais que ornamentam o gonocoxito da genitália masculina. Cx. coronator, é a espécie com maior distribuição geográfica, ocupando as Américas do Norte, Central e Sul. Já Cx. usquatus só foi registrado nas Américas Central e do Sul, ocorrendo em simpatria no Brasil com Cx. coronator. Apesar da semelhança morfológica das fêmeas das duas espécies, até o momento, somente Cx. coronator foi encontrado naturalmente infectado por diversas arboviroses. Considerando que estudos populacionais são importantes para compreender a evolução e a dinâmica de populações de pontencias vetores, e que a correta identificação de fêmeas é fundamental para estudos de competência vetorial, os objetivos deste trabalho foram: (1) distinguir fêmeas adultas de Cx. coronator de Cx. usquatus (2) obter conhecimento da estrutura populacional de Culex coronator nas regiões Sul e Sudeste (3) examinar a possível existência de outras espécies não descritas e/ou incorretamente identificadas sob o epíteto de Cx. coronator. Para tanto foram utilizadas duas ferramentas: uma morfológica (morfometria de asa), e outra genética (4 loci de microssatélites e sequenciamento do fragmento barcode do gene COI). As análises dos três marcadores mostraram que as populações do Sudeste são geneticamente e morfologicamente diversas, mas não apresentam estrutura populacional, enquanto as populações do Sul são mais homogêneas, e diferentes das do Sudeste. Assim, tanto os microssatélites como a morfometria geométrica, mostraram alguma estruturação populacional em relação às macrorregiões Sul e Sudeste. A análise da morfometria da asa distinguiu as espécies de Cx. coronator e Cx. usquatus, enquanto a análise do COI barcode apresentou uma politomia das duas espécies. Nenhum marcador indicou a existência de um complexo de espécies sob o espíteto Culex coronator.
Bancos de dados hierárquicos em inquéritos epidemiológicos
Introdução - A preocupação com a qualidade e disseminação dos dados em inquéritos é crescente no mundo. A integração entre banco de dados, planejamento da amostra, questionário e entrada de dados é fundamental para que resultados observados sejam válidos e precisos. A bibliografia pesquisada apontou que os inquéritos raramente produzem arquivos organizados, padronizados e prontos para disseminação, o que impossibilita estudar diferentes objetos de investigação com base em informações já coletadas. Objetivos - Implementar modelo hierárquico para entrada de dados em inquéritos epidemiológicos. Métodos - Foi utilizada a UML (Linguagem de Modelagem Unificada) para o projeto lógico e o Makeview do Epi Info para obtenção das estruturas de dados. Os testes foram feitos em um setor censitário do inquérito Acesso a Medicamentos - FAPESP. A documentação foi gerada no Makeview com ajuda de uma macro do Excel. Resultados - O modelo permite criar arquivos relacionais flexíveis, conforme a necessidade do objeto de estudo, com unidades estatísticas escolhidas dentre os 4 níveis hierárquicos: setor censitário, domicílios, indivíduos e questões específicas. Conclusão - A possibilidade de criar infinitas visões sobre os dados representa um avanço em comparação com o modelo plano. Deve ser usado como padrão em inquéritos epidemiológicos, pois permite estudar o efeito de conglomeração das unidades de análise, além de viabilizar a disseminação com dados organizados. O Epi Info pode ser usado para implementar modelos hierárquicos que considerem as variáveis do plano amostral.
2008
Silvio Fernando Barbieri
Estudo da fauna de mosquitos (Diptera: Culicidae) em reservatórios de contenção de cheias em área metropolina da cidade de São Paulo, SP
Introdução. A cidade de São Paulo vem adotando medidas no enfrentamento das inundações, como a implantação dos Reservatórios de Contenção de Cheias \"Piscinões\", que no período de estiagem, após as precipitações, propiciam a formação de criadouros de culicídeos, especialmente nos componentes hidráulicos. Objetivos. Avaliar os aspectos ecológicos da fauna de culicídeos nos Reservatórios de Contenção de Cheias Caguaçu e Inhumas, verificando a diversidade, dominância, similaridade e riqueza de espécies. Correlacionar fatores abióticos com a abundância numérica de mosquitos. Materiais e Métodos: Coletas mensais de culicídeos, no período de março de 2006 a fevereiro de 2007, empregando-se os métodos de conchas e aspirador à bateria. Em laboratório, após o desenvolvimento das larvas, os adultos foram identificados até a categoria de espécie. Resultados. Foram coletados 8.917 espécimes de culicídeos, dos quais 7.750 larvas e pupas e 1.167 adultos. Os espécimes identificados foram distribuídos em 4 gêneros e 13 espécies. Observou-se a dominância de Culex (Culex) quinquefasciatus, que representou 98% dos espécimes coletados no Inhumas e 92% no Caguaçu. A maior freqüência de mosquitos foi registrada no Piscinão Inhumas (6.378 larvas e 930 adultos) e maior riqueza de espécies no Caguaçu (11 espécies). Verificou-se correlação positiva entre a temperatura a e abundância numérica de imaturos nas duas áreas, correlação positiva no Piscinão Caguaçu e correlação negativa no Inhumas entre a precipitação e a abundância numérica de imaturos. As análises estatísticas demonstraram que os fatores abióticos analisados exercem pouca influência na população de adultos. Conclusões. A espécie Culex quinquefasciatus mostrou-se dominante e mais freqüente nos dois ambientes. Medidas de controle da espécie nos piscinções estudados se fazem necessárias tendo em vista seu potencial epidemiológico na transmissão de agentes patogênicos.
2008
Edna de Cassia Silverio
Avaliação de coberturas vacinais aos 12 e 24 meses de idade por meio de um sistema informatizado de imunização em Araraquara (SP)
Introdução: Nas últimas quatro décadas o Programa Nacional de Imunização (PNI) apresentou grande evolução, alcançando ótimas estimativas de cobertura vacinal calculadas por meio de dados administrativos. Este método, entretanto, não permite o cálculo da proporção de crianças com esquema completo e a avaliação da oportunidade (vacinação na idade preconizada). Sistemas informatizados de imunização (SII) permitem uma avaliação mais acurada da cobertura vacinal. Objetivos: Descrever e avaliar a cobertura vacinal, tanto de vacinas específicas quanto do esquema completo, assim como a oportunidade de vacinação, em crianças aos 12 e 24 meses de idade no Município de Araraquara nascidas entre 1998 e 2013. Métodos: Este estudo de série temporal usou dados de um SII, Sistema Juarez, do Município de Araraquara. Para cada coorte de nascimento, considerou-se o calendário vacinal do PNI vigente. Verificou-se a validade das doses e analisaram-se as coberturas vacinais oportunas e atualizadas para vacinas específicas e esquema completo. As tendências das coberturas vacinais foram analisadas por meio do método Prais-Winsten e a oportunidade do esquema completo foi apresentada por uma adaptação do método Kaplan-Meier. Resultados: Todas as coberturas de vacinas específicas apresentaram tendência crescente aos 12 meses de idade. Aos 24 meses, as coberturas atualizadas apresentaram tendência crescente e as oportunas, estacionárias. As coberturas oportunas e atualizadas do esquema completo no período foram de 62por cento e 84por cento aos 12 meses, respectivamente, e de 41por cento e 78por cento aos 24 meses, e apresentaram tendência estacionária, principalmente por conta da limitação de idade na aplicação da vacina Rotavírus. O método Kaplan-Meier permitiu visualizar que as vacinas aplicadas a partir dos seis meses de idade representam o momento de quedas mais acentuadas nas coberturas e que a introdução de novas vacinas não apresentou efeito negativo constante nas mesmas. As quedas nas coberturas foram mais relacionadas à idade de aplicação da dose do que ao número de doses de uma vacina. A porcentagem de crianças que receberam doses inválidas e com doses em atraso foi menor do que a encontrada na literatura. Conclusões: Este estudo mostrou as potencialidades de um SII numa cidade de médio porte, que permite análises mais complexas e acuradas das coberturas vacinais.
2016
Vinícius Leati de Rossi Ferreira
Crença, responsabilidade e comunicação sobre a dengue em Aparecida, SP: um estudo de representações sociais
Introdução: A epidemia de dengue ocorrida em Aparecida, no ano de 2007, pode ter sido causada por vários fatores, como exemplo a falta de participação popular nas atividades de controle de criadouros do mosquito citada pelos agentes comunitários de saúde (ACSs). O principal objetivo foi investigar o pensamento técnico emitido pelos ACSs e o senso comum, o qual pode subsidiar técnicas e linguagens adequadas para uma participação popular efetiva. Metodologia: Dada a importância das mulheres nos cuidados da casa e dos ACSs no repasse de informações técnicas sobre a dengue, esses foram os dois grupos alvos da pesquisa. A técnica do Discurso do Sujeito Coletivo foi utilizada para identificar o conhecimento sobre a dengue e o vetor Aedes aegypti. Essa técnica consistiu em analisar o material verbal coletado por meio de questões abertas, relacionadas à biologia do mosquito vetor, às responsabilidades no controle da dengue e às fontes de informações que influenciaram na construção do conhecimento sobre a doença e o vetor. Resultados: Tanto os ACSs quanto a população definiram a reprodução do mosquito relacionada à água, porém há confusão sobre qual o tipo mais adequado para a reprodução. Na visão das mulheres a população precisa colaborar mais nas atividades de controle, porém a responsabilidade é atribuída ao governo. Já os agentes revelaram a necessidade da conscientização da população quanto às responsabilidades. Houve confusão sobre qual o papel do governo nas atividades na visão dos ACSs, pois o próprio trabalho foi representado como o governo. Conclusões: A contribuição efetiva e permanente dos moradores é fundamental. Por isso é preciso reavaliar as formas de repasse de informações e melhorar o treinamento e formação dos agentes que devem orientar a população não apenas para a prática de técnicas, mas principalmente para o exercício da cidadania.
2008
Andressa Francisca Ribeiro
Cobertura e uso do solo e sua influência na ocorrência de raiva nos municípios de Jacareí e Santa Branca, Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, entre 2002 e 2009
Objetivo: Realizou-se um estudo, no período de 2002 a 2009, com a finalidade de verificar se as mudanças nas classes de cobertura da terra e no uso do solo podem exercer influência na ocorrência da raiva, nos municípios de Jacareí e de Santa Branca, situados na Região do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo, Sudeste do Brasil. Métodos: A ferramenta utilizada para avaliar estas alterações foi o sensoriamento remoto, através de imagens de satélite Land-sat. Para pesquisar a presença do vírus da raiva (RABV) foram coletados animais silvestres atropelados nas rodovias, morcegos encontrados na área urbana em atitude suspeita, morcegos hematófagos da espécie Desmodus rotundus e animais de interesse econômico (ADIE) que vieram a óbito por enfermidade com sintomatologia nervosa. O material coletado, sistema nervoso central (SNC), desses animais foi encaminhado para o laboratório de referência nacional, o Instituto Pasteur de São Paulo (IP-SP) e para o Laboratório de Sanidade Animal da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA)- Pólo Regional do Vale Paraíba (PRDTA/VP) - Pindamonhangaba-SP. A determinação da presença do antígeno viral foi feita através da prova de imunofluorescência direta (IFD) e o isolamento do vírus através da inoculação intracerebral em camundongos (IC). Os inóculos das amostras foram submetidos à prova de reação em cadeia pela polimerase transcriptase reversa (RT-PCR) para verificar a presença do vírus da raiva. Resultados: No período de estudo tivemos a ocorrência de dez casos da doença, sendo três em morcegos insetívoros na zona urbana de Jacareí, e sete em ADIE, sendo dois, em Jacareí e cinco, em Santa Branca. Todos os animais silvestres terrestres examinados foram negativos para a presença do vírus da raiva em todas as provas realizadas (IFD, IC, RT-PCR). O material proveniente dos morcegos foi negativo para as provas de IFD e IC, porém três amostras, oriundas de morcegos insetívoros, resultaram positivas para a prova de RTPCR. As amostras de ADIE examinadas resultaram positivas para todas as provas realizadas. O sequenciamento genético utilizou amplificações referentes à glicoproteína viral das 8 amostras positivas para rt-pcr, obtendo para os cinco isolados de ADIE linhagem de desmodus rotundus e para os três isolados de morcegos linhagens de nyctinomops laticaudatus e tadarida brasiliensis. Quando foi estudada a cobertura do solo e seu uso, considerando os municípios, constatou-se que não haviam ocorrido mudanças significativas entre 2002 e 2009. Optou-se por fazer buffers de raio de 3 km tendo como centro de cada buffer as coordenadas geográficas de casos positivos para raiva. Como em duas situações houve sobreposição entre áreas de buffers, resolveu-se considerar a área da união dos mesmos. Foi interessante que, mesmo nestes buffers não houve mudanças significativas, apesar da ocorrência da doença. Conclusão: Na escala utilizada, considerada micro, a enfermidade aconteceu, mesmo sem mudanças aparentes na região. Provavelmente, em uma escala macro outros resultados poderiam ser obtidos
2010
João José de Freitas Ferrari
Análise espacial e espaçotemporal da Aids no município de São Paulo entre 2001 e 2010
Dos casos de Aids notificados no Brasil desde 1981, 14 % ocorreram no município de São Paulo. A vigilância epidemiológica da Aids permite identificar características da doença na população após a infecção pelo HIV. O estudo ecológico pretende descrever o perfil epidemiológico da Aids no município de São Paulo entre 2001 e 2010 a partir da análise espacial e espaçotemporal dos casos notificados na população com 13 anos e mais segundo gênero, faixa etária, raça / cor, escolaridade, categoria de exposição, local de residência e ano de diagnóstico. Foram notificados 28146 casos, com predomínio de transmissão pela via sexual. Observou-se diminuição das taxas de incidência na população em geral, exceto nos homens de 13 a 29 anos e nas pessoas acima de 60 anos. A razão de sexo na faixa etária de 13 a 19 anos aumentou para 2,7 casos em homens para cada caso em mulher. Na população masculina a proporção de casos aumentou entre os homossexuais com maior concentração na região Central da cidade; nas mulheres a via de transmissão heterossexual predominou em todo o município. Após geocodificação e análise espacial de dados foram identificados três aglomerados espaciais na população masculina e 10 na feminina, dois aglomerados espaçotemporais na população masculina e sete na feminina (p 0,05) utilizando-se o modelo discreto de Poisson; foram apresentadas as informações destes aglomerados (identificação, número de setores censitários e casos de Aids, risco relativo, período e distritos administrativos envolvidos). As técnicas de geoprocessamento permitem associar informações agregadas, ambientais e globais, além de estabelecer tendências da epidemia na população em geral e em subgrupos populacionais específicos. A análise espacial de dados pode ser útil às ações de vigilância e controle da Aids no município de São Paulo, além de contribuir no planejamento da assistência à saúde das pessoas vivendo com HIV/Aids
Pesquisa de infecções por Flavivirus sp. em aves silvestres provenientes das áreas verdes do município de São Paulo
INTRODUÇÃO: Em grandes cidades, como São Paulo, a pequena porcentagem de matas existentes é representada pelos parques municipais. Estas áreas, além de representarem ambientes de lazer para as pessoas, albergam uma enorme diversidade biológica, desde mosquitos até aves e mamíferos. A interação destas espécies favorece a circulação de Flavivirus, causadores de importantes doenças humanas, que têm nas aves um importante reservatório. Atribui-se às aves migratórias o papel de carreadoras dos vírus, já que as mesmas percorrem longas distâncias para completar seu ciclo biológico. A chegada de aves do Hemisfério Norte ocorre em alguns Parques, o que favoreceria a dispersão de alguns vírus, como o Vírus do Nilo Ocidental, já que nestas áreas estão presentes mosquitos potencialmente vetores. OBJETIVOS: identificar infecção por Flavivírus nas aves dos parques municipais de São Paulo. MÉTODOS: De Março de 2012 a Janeiro de 2013, foram coletadas amostras de swab de cloaca, orofaringe e sangue de aves capturadas em redes de neblina de duas áreas do município de São Paulo: Parque Anhanguera e Fazenda Castanheiras/APA Bororé Colônia. As aves foram anilhadas e liberadas após a coleta do material. Foi realizada técnica de RT-PCR em tempo real, utilizando iniciadores genéricos que amplificam fragmento do gene NS5 de Flavivirus. Amostras positivas foram encaminhadas para sequenciamento. RESULTADOS: Foi capturado um total de 231 aves, em sua maioria da Ordem Passeriformes. De um total de 463 amostras, nenhuma amostra apresentou presença de RNA viral. DISCUSSÃO: Em se tratando de alguns Flavivírus, os passeriformes são considerados os reservatórios mais competentes no ciclo de transmissão, pois atingem altos níveis de viremia. Cabe ressaltar que algumas espécies desta ordem, de ocorrência na cidade de São Paulo, já foram identificadas como portadoras dos vírus Rocio e Ilhéus. A ausência de positividade é esperada, pois embora altamente sensível, a técnica de PCR depende do estado de viremia das aves, que é curta. CONCLUSÃO: Os parques municipais são áreas que aproximam aves, mosquitos e humanos, pelo papel ambiental e de lazer que os mesmos representam. Este fato classifica estas áreas como locais com potencial de transmissão de Flavivirus, o que torna importante a continuação este estudo, aumentando as áreas de abrangência, para conhecer os Flavivírus circulantes e realizar vigilância para vírus que podem ocasionar problemas de Saúde Pública