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Investigação de esgotamento físico e emocional (burnout) entre professores usuários de um hospital público do município de São Paulo
Este estudo teve por objetivo avaliar aspectos da saúde e do trabalho de professores da rede pública da cidade de São Paulo, usuários do Hospital do Servidor Público Municipal. A síndrome de burnout, ou síndrome de esgotamento profissional, foi considerada como risco ocupacional nessa categoria. Não encontramos outros estudos utilizando instrumento para avaliação de burnout em professores do município. Participaram da pesquisa 76 docentes com indicação de tratamento psicológico. A investigação consistiu na aplicação de inventários para avaliação de burnout: Maslach Burnout Inventory (MBI) e Cuestionario para la Evaluación del Síndrome de Quemarse por el Trabajo (CESQT); aplicação de questionário sociodemográfico e ocupacional e entrevista semiestruturada. Foram realizadas análises estatísticas sendo encontrada associação entre o número de alunos atendidos e a situação funcional e também associação entre o sentimento de realização profissional e: acústica, ruído, poeira, limpeza da sala de aula, número de alunos atendidos, incômodo com os alunos, incômodo com os pais e duração da licença médica. 33,96 por cento dos medicamentos em uso regular estavam relacionados à síndrome metabólica e 30,82 por cento a transtornos psiquiátricos. A avaliação dos participantes de que seus problemas de saúde tinham relação com o trabalho mostrou associação com: ter sofrido agressão dentro da escola; conhecer outras vítimas de agressão; duração da licença médica; e número de alunos atendidos. 51,32 por cento referiram ter sofrido agressão dentro da escola no último ano. 78,95 por cento relataram agressão sofrida por outras pessoas (sendo 81,67 por cento outros professores) no mesmo período. A apuração do MBI apontou nível alto de burnout em pelo menos uma escala em 76,31 por cento da amostra. A apuração do CESQT apontou burnout em 85,52 por cento dos participantes. Os resultados dos testes psicológicos apresentaram concordância (p<0,001). O MBI mostrou associação com 19 variáveis sociodemográficas e o CESQT com 11 delas, indicando que aspectos do contexto de trabalho estão relacionados ao burnout apurado por meio dos inventários. Consideramos que a democratização do ensino e a proposta da aprendizagem em ciclos transformaram o modelo educacional, trazendo benefícios, porém seriam necessários mais investimentos, bem como a adequação de 6 aspectos como: número de alunos atendidos diariamente, educação continuada dos profissionais e estímulos ao apoio mútuo entre professores, coordenadores pedagógicos e diretores de escola.
Desigualdades no uso e acesso aos serviços de saúde entre a população idosa do município de São Paulo
Objetivos: Este estudo é parte do Projeto Saúde, Bem-estar e Envelhecimento (SABE), com o objetivo de identificar as desigualdades no acesso e uso de serviços de saúde entre idosos no município de São Paulo, Brasil. Métodos: Em 2000, foram entrevistados, 2143 indivíduos com 60 anos ou mais, utilizando-se o questionário padronizado do SABE. A amostra foi obtida em dois estágios, utilizando-se setores censitários com reposição, probabilidade proporcional à população e complementação da amostra de pessoas de 75 anos. Os dados finais foram ponderados, de forma a serem expandidos. Foi mensurado o uso de serviços hospitalares (internações) e ambulatoriais (consultas médicas) nos últimos quatro meses e o não uso de serviços de saúde (mesmo precisando), relacionando-os com fatores de capacidade, necessidade e predisposição (renda total, escolaridade, seguro saúde, morbidade referida, auto-percepção, sexo e idade). Resultados: A proporção dos entrevistados que referiu ter utilizado algum serviço de saúde, nos últimos quatro meses, foi de 4,7 por cento com relação à internação hospitalar e 64, 4 por cento com referência ao atendimento ambulatorial. Dos atendimentos ambulatoriais, 24,7 por cento ocorreu em hospital público e 24,1 por cento em serviço ambulatorial público sendo que nos serviços privados, 14,5 por cento ocorreu em hospital e 33,7 por cento em clínicas. A não utilização foi relacionada à pouca gravidade da doença, qualidade e distância dos serviços e custo. Na regressão logística multivariada, observou-se associação entre a utilização de serviços e sexo, presença de doenças, auto-percepção de saúde, interação da renda e escolaridade e posse de seguro saúde, sendo que a escolaridade isoladamente apresentou efeito inverso. Conclusão: Foram observadas desigualdades no uso e acesso aos serviços de saúde e inadequação do modelo de atenção, indicando necessidade de políticas públicas que levem em conta as especificidades dessa população, facilitem o acesso e possam reduzir essas desigualdades
2006
Marilia Cristina Prado Louvison
Estudo dos fatores associados à capacidade para o trabalho em trabalhadores do Setor Elétrico
Introdução A capacidade para o trabalho é influenciada por vários fatores, incluindo a condição de saúde, características sócio-demográficas, estilo de vida e fatores relacionados ao trabalho. Objetivo Analisar os fatores associados à capacidade para o trabalho em uma população de eletricitários. Métodos Estudo transversal onde foram analisados 475 trabalhadores, voluntários, de uma empresa privada no setor eletricitário do Estado de São Paulo, Brasil. Os dados foram coletados por meio de questionários auto-preenchidos (Índice de Capacidade para o Trabalho - ICT, Escala Estresse no Trabalho - EET, Medical Outcomes Study 36 Item short form health survey SF-36, Questionário de Baecke, Questionário de tolerância de Fagerström e Questionário AUDIT). A relação entre as variáveis foi analisada por meio do coeficiente de correlação de Spearman, e para comparação das médias foram utilizados os testes Mann-Whitney e Kruskal-Wallis. A análise conjunta das variáveis foi feita por meio de regressão linear múltipla. Resultados Foi identificada uma diminuição progressiva do valor do ICT significativamente associada aos aumentos da idade (r=-0,16, p<0,001), do índice de massa corporal (r=-0,17, p<0,001), do consumo de álcool (r=-0,11, p=0,019), do tempo na empresa (r=-0,17, p<0,001) e da intensidade do estresse no trabalho (r=-0,37, p<0,001). O valor do ICT apresentou elevação associada ao incremento da prática de atividade física (r=0,19, p<0,001). A média do valor do ICT esteve associada à unidade de trabalho (p=0,043). O ICT esteve associado significativamente com as diversas dimensões do estado de saúde físico e mental (p<0,001 em todas as dimensões). A análise múltipla, ajustada por sexo e tempo na empresa, evidenciou que os fatores que melhor explicaram a variação do ICT foram o estresse no trabalho e as dimensões da saúde física. Uma segunda análise, excluídas as dimensões da saúde, mostrou que o estresse no trabalho, a unidade de trabalho e características do estilo de vida foram os fatores que melhor explicaram a variação do ICT. Conclusões A pesquisa evidenciou que o estresse decorrente de fatores psicossociais do trabalho, a elevação do índice de massa corporal, o consumo de bebida alcoólica e o local de trabalho podem contribuir para a diminuição da capacidade para o trabalho, e que uma boa qualidade do estado da saúde física e a prática de atividade física podem contribuir para a manutenção da capacidade para o trabalho dos eletricitários.
Aproximações acerca do cotidiano: enigmas e revelações de pessoas com hepatite B
A Região Amazônica é considerada área de alta endemicidade para hepatite B. No Estado do Acre e na capital Rio Branco caracteriza-se um quadro em que jovens e adultos jovens, em pleno período reprodutivo e produtivo para o trabalho e para o estudo, constituem população gravemente acometida pela doença. Assim, procurouse neste estudo a compreensão do modo de vida de pessoas portadoras do HBV, de ambos os sexos, entre 15 e 30 anos, para contribuir no enfrentamento da complexidade desse quadro, através de ações de saúde mais condizentes com as necessidades desses sujeitos. Os métodos qualitativos se mostraram mais apropriados, pois possibilitam a compreensão dos acontecimentos e da forma como os sujeitos vivenciam as experiências. Reconheceu-se no cotidiano, históricooriginal- significativo, uma oportunidade de se descobrir novos caminhos de entendimento para a realidade. Buscou-se os participantes a partir do Serviço de Assistência Especializada, valendo-se de instrumentos de pesquisa exclusivos, utilizados para obtenção de informações socioeconômicas e para nortear as entrevistas com os sujeitos. Foram realizadas doze entrevistas, duas das quais com familiares. Os depoimentos prestados, juntamente com as anotações de campo e os apontamentos da observação participante, além das informações colhidas pelos questionários iniciais, constituíram os registros analisados. A análise do material possibilitou as seguintes categorias: descoberta da doença, contemplando as situações que precipitaram o diagnóstico nos casos assintomáticos e sintomáticos, além das principais informações acerca da enfermidade; doença no cotidiano, abrangendo as percepções quanto aos efeitos adversos do tratamento, as restrições procedentes da doença e/ou do tratamento farmacológico e os cuidados profiláticos; modo de vida, apresentando as estratégias de enfrentamento à doença, modalidades através das quais os sujeitos confrontam-se com as implicações da hepatite B, quais sejam, a religiosidade, o apoio espiritual e familiar, e o planejamento para o futuro, além das relações afetivas no cotidiano, e por último, a categoria preconceito e estigma, realidade ainda presente no contexto de doenças infecciosas. Assinalam-se assim, as compreensões do modo de vida, a partir do cotidiano, de pessoas que vivem com o vírus B, para colaborar no maior entendimento de suas necessidades de saúde, podendo subsidiar estratégias de assistência mais equânimes, vislumbrando a atenção integral desses sujeitos
2009
Isabela Nogueira Pessoa
Mortalidade materna no município de São Paulo, 2000 a 2008
Introdução: A mortalidade materna é um grande problema de Saúde Pública no Brasil e no mundo. Atinge muitas mulheres e representa um indicador de pobreza e iniquidade social. Objetivo: Analisar as mortes maternas ocorridas no município de São Paulo em uma série histórica de 2000 a 2008. Métodos: Estudo ecológico, que analisou os óbitos maternos ocorridos em residentes do município de São Paulo entre os anos de 2000 a 2008. Foram utilizados dados das Declarações de Óbito e dos relatórios do Comitê de Mortalidade Materna. O mapa de exclusão/inclusão social e as áreas homogêneas dos 96 distritos administrativos foram utilizados como unidades de análise. Foram calculadas as razões de mortalidade materna, o percentual de subnotificação de causas maternas declaradas e fator de correção. Foram analisadas as causas que ocultavam os óbitos maternos. A análise de tendência da mortalidade para o município foi realizada por meio de modelos de regressão polinomial e a para análise de correlação utilizou-se o teste de correlação de Pearson. Foi considerado o nível de significância de 5 por cento (p<0,05). Para análise do preenchimento das variáveis 43 e 44, as Declarações de óbito foram localizadas no arquivo morto da Prefeitura Municipal. Resultados: Ocorreram 877 óbitos. A Razão de Mortalidade Materna (RMM) foi de 53,2 óbitos/100.000 Nascidos Vivos. A série histórica apresentou tendência decrescente estatisticamente significativa, com redução de 1,73 ao ano. As menores RMM foram encontradas nas áreas homogêneas de menor exclusão social, e as maiores, nas áreas de maior exclusão. As áreas mais excluídas apresentaram risco de morte materna aproximadamente três vezes maior que na área menos excluída. A correlação de Pearson revelou moderada correlação negativa entre a RMM e o índice de exclusão/inclusão global (-0,37), o índice de desenvolvimento humano (-0,40) e de autonomia (-0,36). As principais causas de morte materna foram as obstétricas indiretas. O percentual médio de subnotificação das causas maternas foi de 45,38 por cento, e o fator de correção médio foi 1,83. Destacou-se o grande percentual de causas mal definidas declaradas. Entre 2004 a 2006, 43,4 por cento das declarações apresentaram os campos 43 e 44 preenchidos corretamente. A maioria das declarações apresentou três diagnósticos informados. Conclusões: A RMM mostrou relação com as condições socioeconômicas. É necessário maior investimento em treinamentos para o correto preenchimento das Declarações de óbito. É necessário a implementação mais efetiva de ações de saúde voltadas para a mortalidade materna
2013
Tatiane Sano Furukawa Zacarias
Participação dos fatores de risco socioeconômicos na mortalidade neonatal precoce na região sul do Município de São Paulo
O comportamento das características socioeconômicas e como estas relacionam-se direta ou indiretamente com outros fatores de risco para mortalidade neonatal precoce (características reprodutivas e biológicas maternas, condições da gestação, acesso e qualidade dos serviços de saúde e características do recém nascido) tem sido discutido na literatura científica. Objetivo: Identificar características socioeconômicas que fazem parte dos fatores de risco da mortalidade neonatal precoce na região sul do município de São Paulo. Metodologia: Estudo tipo caso controle, onde 146 casos são os óbitos neonatais precoces e 313 controles tendo como região de estudo a zona sul do município de São Paulo no período de agosto de 2000 e fevereiro de 2001. Os dados foram obtidos pelo projeto de pesquisa \"Mortalidade perinatal na região sul do município de São Paulo: um estudo caso controle de base populacional\". As variáveis do estudo foram agrupadas em 5 blocos, representando diferentes níveis de hierarquia: características socioeconômicas; características psicosociais maternas; características biológicas e história reprodutiva materna, características do parto e características do recém nascido. Foi realizada análise univariada para obtenção dos valores das razões de odds e seu nível descritivo (p). Posteriormente foi realizada regressão para cada bloco para ajuste de possíveis variáveis de confusão ou modificadoras de efeito e por último a regressão multivarada entre os blocos, considerou-se associação estatisticamente significante com o risco de óbito neonatal precoce nas variáveis que apresentaram valor preditivo de p<0,05. Resultados: Encontrou-se associação estatisticamente significante entre a mortalidade neonatal precoce e baixa escolaridade do chefe da família (OR=1,6;p=0,03), residência em região de favela (OR=2,0;p=0,01)e número reduzido de cômodos (OR=2,2;p=0,02) (nível1): união recente (OR=2,0;p=0,05) ou ausente (OR=1,8;p=0,03) e presença de violência doméstica (OR=2,7;p=0,03) (nível2); intercorrências durante a gravidez (OR=8,2;p=0,00), inadequação (OR=2,1;p=0,01) ou não realização (OR=16,1;p=0,04) de pré-natal e mães que tiveram filhos anteriores de baixo peso ao nascer (OR=2,4;p=0,01) (níve13); problemas durante o parto (OR=2,9;p=0,00) e meio de transporte utilizado para ir ao hospital (OR=3,8;p=0,01) (nível4) nascimentos de baixo peso (OR=17,3;p=0,00) e de pré-termo (OR=8,7;p=0,00) (nível5). Conclusões: Na região sul do município de São Paulo, observou-se que fatores socioeconômicos das famílias e das mães estão associados ao risco óbito neonatal precoce e ao efeito das variáveis referentes às características psicosociais das mães e às características biológicas e história reprodutiva materna à exceção das características do parto e do recém nascido que se constituem em fatores de risco mais proximais ao desfecho.
Violência doméstica contra crianças e adolescentes na região metropolitana de Fortaleza
Introdução O reconhecimento da violência doméstica contra crianças e adolescentes no Brasil se deu no fim da década de 80, com o estabelecimento do ECA, que tornou obrigatória a notificação, mesmo dos casos suspeitos, numa medida de proteção aos direitos das crianças e dos adolescentes. Ainda que tenha sua magnitude desconhecida, é apontada como um fenômeno crescente em todo o mundo e seu conhecimento encontra-se em processo de construção. Em função das graves conseqüências que acarreta às vítimas e às suas famílias, seu estudo se justifica, no intuito de dar visibilidade ao tema, a partir dos casos atendidos no Instituto Médico Legal de Fortaleza. Objetivos - Analisar as características da violência doméstica contra crianças e adolescentes atendidos no Instituto Médico Legal (IML) de Fortaleza, visando contribuir para a formulação de políticas públicas de enfrentamento deste problema na população estudada, a partir de estratégias apropriadas de prevenção e controle. Métodos - Estudo descritivo, transversal, com método quantitativo. A população foi constituída por 343 crianças e adolescentes residentes na Região Metropolitana de Fortaleza e atendidos no IML de Fortaleza, no período de 1º de julho a 31 de dezembro de 2008. Para obtenção dos dados foram utilizados a guia policial e o instrumento próprio da pesquisa. Resultados Dentre as vítimas de violência doméstica contra crianças e adolescentes, observou-se predominância do sexo feminino (235 68,5 por cento) e da faixa etária de 10 a 14 anos. As vítimas moravam, sobretudo, com os pais (166 48,4 por cento), no município de Fortaleza (234 68,2 por cento), em famílias de renda per capita inferior a quatrocentos reais (276 80,4 por cento), cujo principal agressor foi o pai (109 31,8 por cento) e notificante, a mãe (166 48,4 por cento). Os principais tipos de violência doméstica detectados foram: violência física (172 50,1 por cento) e sexual (167 48,7 por cento). Na violência física verificou-se distribuição harmônica quanto ao sexo da vítima (masculino: 77 44,8 por cento; feminino: 95 55,2 por cento), faixa etária predominante de 10 a 14 anos para os homens (27 35,0 por cento) e 15 a 19 anos para as mulheres (38 40,0 por cento), com predomínio de famílias nucleares (94 54,6 por cento), renda per capita inferior a quatrocentos reais (139 80,8 por cento), sendo o pai (58 33,7 por cento) e a mãe (55 31,9 por cento) os principais agressores. Evidenciou-se frequência elevada de habitualidade (137 79,7 por cento), laudo pericial positivo em todos os casos, a maioria das lesões foi leve (168 97,7 por cento), segmento corporal mais atingido foram membros (72 41,8 por cento) e o principal notificante foi a mãe (72 41,0 por cento). A violência sexual revelou supremacia de vítimas do sexo feminino (137 82,0 por cento), faixa etária predominante de 10 a 14 anos (70 51,1 por cento), com percentual elevado de famílias nucleares (71 42,5 por cento) e com padrasto (60 35,9 por cento), renda per capita inferior a quatrocentos reais (133 79,6 por cento), sendo padrasto (54 32,3 por cento) e pai (50 30,0 por cento) os principais agressores. Evidenciou-se frequência elevada de habitualidade (106 63,5 por cento), laudo pericial negativo na maioria dos casos (144 86,2 por cento) e a mãe foi o principal agente notificante (92 55,0 por cento). Conclusões os dados mostram que a violência doméstica contra crianças e adolescentes evidenciada no IML permite para dar mais visibilidade ao fenômeno, contribuindo para a elaboração de políticas públicas de prevenção e de atendimento às vítimas e suas famílias, visando à diminuição dessa problemática
2010
Helena Maria Barbosa Carvalho
Prevalência do baixo nível de atividade física e sua associação no comprometimento da mobilidade e risco para óbito em idosos residentes no município de São Paulo
Introdução: Em 2008, o baixo nível de atividade física (< 30 min de atividade moderada/vigorosa por dia) foi responsável por 9 por cento da ocorrência de óbito no mundo. Além disso, está associado ao comprometimento de mobilidade em idosos com 80 anos e mais. No entanto, devido a dificuldades metodológicas, poucos são os estudos populacionais que realizaram a associação entre baixo nível de atividade física e comprometimento de mobilidade e risco para óbito, utilizando método objetivo para avaliação da atividade física, e ainda não se tem conhecimento de pesquisas que verificaram essa associação na América Latina. Objetivo: Identificar a prevalência do baixo nível de atividade física e sua associação com o comprometimento da mobilidade e risco para óbito em idosos com 65 anos e mais residentes no município de São Paulo em 2010. Métodos: Estudo exploratório e quantitativo de base populacional, que utilizou a base de dados do Estudo SABE de 2010 e ocorrência de óbito em 2014. Foram avaliados 599 indivíduos em 2010. O nível de atividade física foi analisado de duas maneiras: 1) baixo nível de atividade física (< 30 minutos de atividade moderada e/ou vigorosa por dia) e alto nível de atividade física (> 30 minutos de atividade moderada e/ou vigorosa por dia); e 2) a amostra foi distribuída em tercis, de acordo com as contagens por minuto, e agrupada em dois grupos, sendo os idosos do mais baixo tercil classificados com baixo nível de atividade física e os idosos dos dois outros tercis como intermediário/alto nível de atividade física. A regressão logística hierárquica foi utilizada para: 1) identificar as variáveis associadas ao baixo nível de atividade física; 2) analisar a associação do baixo nível de atividade física no comprometimento da mobilidade; e 3) estimar o risco para óbito em idosos com baixo nível de atividade física. A curva de sobrevida foi analisada com o método de Kaplan-Meier utilizando o teste de log-rank e o risco proporcional foi calculado pelo modelo de risco proporcional de Cox. Resultados: A prevalência de baixo nível de atividade física em idosos foi de 85,4 por cento e as variáveis associadas, após ajuste, foram sexo (feminino), grupo etário (>75 anos), multimorbidade (> 2 doenças crônicas), dor crônica (dor crônica nos últimos 3 meses) e índice de massa corporal (maior valor médio). O baixo nível de atividade física permaneceu significativamente associado ao comprometimento de mobilidade (OR= 3,49; IC95 por cento = 2,00 6,13) e ao risco para (RP= 2,79; IC95 por cento = 1,71 4,57), mesmo após ajuste das variáveis sóciodemográficas e clínicas. Conclusão: A prevalência do baixo nível de atividade física em pessoas idosas residentes no Município de São Paulo é superior aos encontrados na população brasileira, mas se aproxima de outras populações que utilizaram o mesmo método de avaliação da atividade física. O baixo nível de atividade física (< 30 min de atividades moderadas/vigorosas) foi associado com variáveis sociodemográficas (sexo feminino e grupo etário) e clínicas (multimorbidade, dor crônica e índice de massa corporal). O baixo nível de atividade física (menor tercil de contagens por minuto) foi associado ao comprometimento de mobilidade e risco para óbito em quatro anos. Dessa forma, o baixo nível de atividade física pode ser utilizado como uma forma adequada para identificar idosos com maiores chances de apresentar comprometimento da mobilidade e aumento do risco para óbito.
Estudo da competência vetora de populações de Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse) (Diptera: Culicidae) do Estado de São Paulo para os vírus dengue e encefalomielite eqüina venezuelana e do efeito da exposição à infecção na longevidade
Objetivos. Avaliar a competência vetora de populações de Ae. albopictus do Vale do Paraíba (localidade urbana) e do Vale do Ribeira (localidade rural) (Estado de São Paulo) para os vírus DENV-1 e DENV-2 e os subtipos IC, ID e IF do VEEV, e a influência da infecção na sobrevivência dos mosquitos. Métodos. Fêmeas com 4-6 dias de idade foram infectadas por via oral com DENV-1 e DENV-2 e com os subtipos IC, ID e IF do VEEV. Foram determinadas as porcentagens de infecção, disseminação e transmissão dos vírus. Foram construídas tabelas de sobrevida em mosquitos não expostos e expostos aos vírus. Resultados. As taxas de infecção para DENV-1 e DENV-2 foram baixas nas duas populações de Ae. albopictus. Não foi detectada transmissão desses vírus, mas sim a disseminação deles. A longevidade dos mosquitos não foi afetada pela exposição à infecção ao DENV. As taxas de infecção foram elevadas para os subtipos IC e ID do VEEV, mas baixas para o subtipo IF. Porém os títulos de infecção nos três casos foram elevados. Foi detectada a transmissão dos subtipos IC e ID. A longevidade dos mosquitos diminuiu em decorrência da exposição à infecção com o subtipo IC. Conclusões. As populações de Ae. albopictus avaliadas são susceptíveis à infecção pelo DENV e competentes para transmitir os subtipos enzoóticos e epizoóticos do VEEV. Outros estudos com o subtipo IF devem ser realizados. A longevidade foi afetada pela infecção com o subtipo IC do VEEV.
2003
Zoraida Del Carmen Fernández Grillo
Ecologia de Anopheles darlingi Root (1926) no reservatório de Porto Primavera, Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul
Problemas de saúde pública advindos da proliferação de vetores de agentes patogênicos são frequentemente relatados após a construção de grandes barragens nas regiões tropicais. Porto Primavera é um dos últimos grandes projetos hidrelétricos implementados no Brasil, abrangendo uma faixa de cerca 200 km do Rio Paraná, entre os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Resultados preliminares de projetos de pesquisa desenvolvidos na região desde 1997 apontam para um aumento na densidade de Anopheles darlingi, coincidindo com uma intensificação dos fluxos e atividades humanas na área, como turismo, pesca e transporte. Diante disso, a preocupação com a ocorrência de surtos de malária nas localidades à margem do lago motivou a busca de um maior conhecimento sobre as populações destes vetores. O objetivo desta pesquisa foi investigar a associação entre a abundância das formas imaturas e adultas de An. darlingi com variáveis do microhabitat e da ecologia da paisagem (respectivamente), após a formação do reservatório. Em relação ao microhabitat, foram selecionados o pH, condutividade, o sombreamento, a presença de cianofíceas filamentosas, detritos flutuantes, matéria orgânica galhos ou raízes e a composição das assembléias de macrófitas aquáticas. Quanto à ecologia da paisagem, foram analisados o comprimento da borda abrigo-criadouro e o tamanho das áreas dos habitats através das técnicas de sensoriamento remoto e SIG. Para a verificação de associações entre variáveis do microhabitat e imaturos de An. darlingi foi empregada a análise de correspondência canônica e para as métricas da paisagem e formas adultas, a regressão linear simples. As formas imaturas de An. darlingi apresentaram associação positiva com todas as variáveis do microhabitat, exceto com a abundância de cianofíceas filamentosas. As associações mais fortes se deram na seguinte ordem: abundância de Wolffia sp. e profundidade no primeiro eixo canônico e presença de material flutuante tipo II, pH e grupo de macrófitas e componentes da superfície no segundo eixo. Foi encontrada associação positiva entre abundância de espécimes adultos de An. darlingi e o comprimento da borda fragmento florestal-coleção hídrica, mas não em relação às áreas dos fragmentos florestais. De acordo com estes resultados, novos referenciais teóricos podem ser aplicados no mapeamento do risco da transmissão da malária em escala regional e na vigilância e controle entomológicos em nível local.
Crescimento e desenvolvimento da criança indígena: um estudo da etnia Pitaguary - Ceará
Introdução - O crescimento e o desenvolvimento estão entre os melhores indicadores de saúde da criança. Há uma complexa rede de causalidade no processo de crescimento e desenvolvimento infantil que envolve variáveis biológicas (sexo, peso e comprimento ao nascer) e sócio-econômico-ambientais (alimentação, renda, educação, ocupação, tipo de moradia, saneamento, estado nutricional das mães). Para as crianças indígenas, o monitoramento do crescimento físico e o acompanhamento do desenvolvimento têm importância relevante, visto que as mudanças sócio-econômicas, culturais e ambientais as quais estão submetidas podem contribuir para a deterioração das condições de saúde e nutrição. Objetivos - Conhecer o crescimento e desenvolvimento e a saúde das crianças indígenas da etnia Pitaguary no primeiro ano de vida e seus condicionantes sócio-culturais e ambientais, identificando as condições do nascimento, o tipo de alimentação, a evolução do estado nutricional e do desenvolvimento, a ocorrência de diarréia e de doença respiratória e o estado vacinal. Métodos - Estudo de coorte, prospectivo, descritivo, envolvendo todas as crianças menores de um ano pertencentes à etnia Pitaguary. Essas crianças foram acompanhadas mensalmente até os doze meses de vida e avaliadas quanto às condições de nascimento, alimentação, estado nutricional, hábitos alimentares, desenvolvimento, estado vacinal e morbidade. Resultados Apesar das precárias condições de vida, a evolução do crescimento e desenvolvimento das crianças da etnia Pitaguary pode ser considerada dentro da faixa adequada, tendo como referência as curvas da OMS, 2006 e os marcos do desenvolvimento da Caderneta da Criança, MS, 2002. A cobertura vacinal esteve semelhante aos valores brasileiros. Chamou atenção a taxa de episódios de diarréias e doenças respiratórias em cerca de três episódios/ano/criança
2010
Regina Lucia Portela Diniz
Comparação entre alguns métodos estatísticos em análise de sobrevivência: aplicação em uma coorte de pacientes com câncer de pênis
O objetivo deste trabalho foi comparar o desempenho do modelo de riscos proporcionais de Cox convencional, modelo de Cox modificado quando os riscos não são proporcionais e o modelo de análise de sobrevida baseado na teoria de processos de contagem. Para tanto utilizou-se uma coorte de 648 pacientes portadores de câncer de pênis, atendidos no Departamento de Cirurgia Pélvica do Hospital A. C. Camargo, no período de 1953 a 1985. Dessa coorte foram selecionadas três amostras com o objetivo de validar internamente os resultados da análise de sobrevida do banco de dados original. Os resultados do modelo de riscos proporcionais de Cox, no banco de dados original, foram confirmados por uma das amostras desse conjunto de dados. Apenas o estadiamento N foi confirmado como fator prognóstico também nas outras duas amostras. O modelo de riscos proporcionais de Cox e o modelo de análise de sobrevida baseado na teoria de processos de contagem apresentaram resultados semelhantes, na definição dos fatores prognósticos dessa coorte de pacientes com câncer de pênis. O modelo utilizando processos de contagem é mais sofisticado, do ponto de vista matemático. Porém o modelo de Cox está disponível em grande número de pacotes estatísticos e a interpretação de seus coeficientes se faz com maior facilidade. Por isso, talvez, continue a ser a técnica estatística mais utilizada quando o objetivo do estudo é definir fatores prognósticos e grupos de risco. Os fatores prognósticos para a sobrevida de pacientes com câncer de pênis foram os estadiamentos T e N e o grau de diferenciação do tumor. Esses resultados foram ajustados pelo ano de início de tratamento no Hospital A.C. Camargo. Os pacientes com prognóstico favorável foram os que apresentaram tumor pequeno, sem presença de linfonodos clinicamente positivos, e tumor bem diferenciado.
1996
Maria do Rosario Dias de Oliveira Latorre
O estudo da morbidade materna e do concepto em uma maternidade pública de João Pessoa, Paraíba
Introdução - O estudo da morbidade materna contribui para um melhor entendimento do quadro da saúde materna, no Brasil, e para o conhecimento dos problemas obstétricos que podem levar (ou não) ao internamento das gestantes. Os dados de morbidade materna são vitais para os gestores de políticas públicas de saúde, os quais precisam saber quantas mulheres necessitam de cuidados obstétricos básicos para tornar a gestação e o parto mais seguros. Objetivos - Estudar a morbidade materna e os conceptos de puérperas numa maternidade da rede pública de João Pessoa, Paraíba, e identificar mulheres com diagnósticos considerados potencialmente graves e sugestivos de morbidade materna near miss. Método - Trata-se de um estudo transversal que fez parte de uma pesquisa maior sobre a morbimortalidade materna. Foi selecionada uma amostra de 414 puérperas por um processo de amostragem aleatória sistemático, cujos dados foram coletados, prospectivamente, de setembro a novembro de 2011, a partir dos prontuários clínicos e entrevistas complementares, numa maternidade pública de referência e acentuada demanda no município. Resultados - Foram estudadas 383 gestações que terminaram em parto e 391 conceptos. Entre as puérperas, predominou a faixa etária dos 20 aos 34 anos, cor parda, baixa escolaridade, baixa renda e sem ocupação formal no mercado de trabalho. Metade delas tiveram parto cesariano e 17 por cento dos recém-nascidos apresentaram problemas de saúde. Foram identificadas as seguintes intercorrências no parto: lacerações do períneo, hematomas, traumatismos, hemorragias e hipertensões. No puerpério, destacaram-se os transtornos hipertensivos, as hemorragias do pós-parto e as infecções. Entre os 64 diagnósticos sugestivos de near miss, estão as síndromes hipertensivas (58 por cento ) e as síndromes hemorrágicas (32,8 por cento ). Na análise comparativa entre os grupos de puérperas com morbidades sugestivas e não sugestivas de near miss, as seguintes variáveis apresentaram diferenças estatisticamente significantes (p<0,001): problemas de saúde na gestação anterior e atual, hipertensão, gestação de risco e uso de anti-hipertensivos. Não foram encontradas diferenças estatísticas entre as características dos neonatos e a morbidade materna, sugestiva ou não de near miss. Conclusão - O estudo permitiu conhecer as características maternas e a prevalência (15,5 por cento ) de morbidades sugestivas de near miss que ocorrem, seja no parto seja no puerpério. Ampliar o conhecimento sobre os aspectos que envolvem a morbidade materna torna-se crucial para o adequado enfrentamento de complicações no ciclo gravídico-puerperal, além de apoiar o Plano de Ação para acelerar a redução da mortalidade materna e morbidade materna grave.
2013
Rudgy Pinto de Figueirêdo
Aspectos ecológicos de mosquitos (Diptera:Culicidae) em ambientes degradados e preservados da APA Capivari-Monos no município de São Paulo
A Área de Proteção Ambiental (APA) Capivari-Monos no sul do município de São Paulo, sub-distrito de Parelheiros, é uma área de Mata Atlântica que abriga importantes mananciais. Devido à urbanização desorganizada, alterações das condições ecológicas naturais dessa área propiciam o contato entre humanos, patógenos e culicídeos. Pouco se sabe sobre a ecologia de mosquitos vetores de patógenos nessa localidade, o que instigou a pesquisa na região. Nesse sentido, o presente estudo investigou a fauna culicídeos presentes em ambiente silvestre e antrópico na APA Capivari-Monos, determinando-se indicadores de biodiversidade e relacionando-os a fatores ambientais. Para tal, por 12 meses foram capturados mensalmente culicídeos adultos e imaturos de ambiente silvestre e antrópico usando-se diferentes técnicas de captura. Foram utilizados indicadores de diversidade para avaliar a riqueza, dominância, abundância e equabilidade dos diferentes ambientes. Um total de 9.403 mosquitos adultos foram capturados de maio de 2009 a junho de 2010. As espécies prevalentes entre as coletadas no ambiente silvestre foram Anopheles (Kerteszia) cruzii, Culex (Melanoconion) seção Melanoconion e Aedes serratus, enquanto as mais comuns no ambiente antrópico foram Coquillettidia chrysonotum / albifera, Culex (Culex) grupo coronator e An. (Kerteszia) cruzii. A riqueza de mosquitos adultos foi semelhante entre os ambientes, e a abundância variou entre as espécies. Ao comparar os padrões de diversidade entre os ambientes, a região antrópica apresentou maior riqueza e uniformidade, o que sugere que o estresse ambiental aumentou o número de nichos favoráveis para culicídeos e promoveu maior diversidade. A espécie An. cruzii apresentou correlação positiva com pluviosidade e temperatura no ambiente antrópico, mas no ambiente silvestre essa espécie não esteve associada aos fatores climáticos. Dos 2443 mosquitos imaturos coletados, 1507 (61,7 por cento ) foram encontrados no ambiente antrópico e 936 (38,3 por cento ) no ambiente silvestre. Os mosquitos imaturos foram distribuídos em 62 categorias taxonômicas, e sua riqueza e abundância foram maiores no ambiente antrópico que no silvestre. Os indivíduos Culex (Microculex) grupo Imitator foram os que apresentaram maior abundância e foram encontrados com maior frequência no ambiente antrópico e silvestre.
2014
Andressa Francisca Ribeiro de Souza
Avaliação do potencial biológico de Lutzomyia intermedia s.l. como vetor da leishmaniose tegumentar americana na zona rural do município de Conchal, estado de São Paulo
Objetivo. Avaliar o potencial de Lutzomyia intermedia s. l. atuar como vetor da leishmaniose tegumentar americana, por meio de estimativas de parâmetros ecológicos e de capacidade vetorial tais como, dispersão ambiental, sobrevivência, tamanho populacional absoluto, duração do ciclo gonotrófico e comportamento alimentar, de populações da zona rural do município de Conchal. Material e Métodos. Os estudos foram realizados em área de mata ciliar residual do rio Mogi Guaçu. A distribuição mensal c sazonal de L. intermedia s.l. foi caracterizada por meio de coletas noturnas sistemáticas. As estimativas da sobrevivência diária, tamanho absoluto, duração do ciclo gonotrófico e dispersão foram realizadas com o uso da técnica de marcação-soltura-recaptura. A taxa de sobrevivência diária foi estimada pela regressão linear do número de indivíduos recapturados e os dias corridos de coleta. O tamanho absoluto da população foi calculado pelo Índice de Lincoln, ajustado para taxas baixas de recaptura e incorporando a taxa de sobrevivência diária na estimativa. O comportamento alimentar das fêmeas de L. intermedia s.l. foi identificado com o uso de armadilhas tipo Disney, sem isca ou iscadas com cão, gambá e roedor, e pelo reconhecimento do sangue ingerido, com o uso da técnica de reação de precipitação. Resultados. L. intermedia s.l. representou 99,4% dos flebotomíneos coletados e esteve presente em todos os meses e em todos os ambientes pesquisados. A média aritmética de dispersão foi de 53 m para os machos e de 55 m para as fêmeas, com cerca de 90% dos indivíduos, coletados a menos de 70m do ponto de soltura. O tempo mediano de duração do ciclo gonotrófico foi de 3 dias. L. intermedia s.l. apresentou um comportamento alimentar oportunista, tanto em relação às iscas animais oferecidas, como em relação às fontes de alimentação disponíveis. A taxa de sobrevivência diária foi de 67,5% e a população absoluta de fêmeas variou entre 2. 462 a 20. 63 7 indivíduos. Conclusões. A predominância quase que absoluta de L. intermedia s.l. em todos os meses do ano e em todos ambientes pesquisados, incluindo o peridomiciliar, sugere que esta espécie atue como principal vetor da leishmaniose tegumentar na zona rural do município de Conchal. Embora, L. intermedia s.l. não atravesse grandes distâncias, a dispersão de fêmeas para o ambiente peridomociliar, a partir da mata, indica que essa possa ser uma das possíveis vias de origem da infecção humana domiciliar. O comportamento alimentar oportunista, a alta frequência de alimentação e a alta abundância populacional alcançada em alguns meses conferem potencial biológico para L. intermedia s.l. atuar como vetor da leishmaniose tegumentar americana na região de estudo. No entanto, a baixa expectativa de vida, sugere que este potencial seja baixo.
Produtividade e habitats larvários de Aedes aegypti em Santos, Estado de São Paulo
Objetivo. As populações de Aedes aegypti apresentam elevada adaptabilidade ocupando, nos ambientes urbanos, variados tipos de habitats. Realizou-se o estudo com o objetivo de avaliar a produtividade desses criadouros. Método. A pesquisa foi realizada no município de Santos, entre novembro de 1999 e abril de 2000. Os imóveis foram avaliados quanto à presença de recipientes e ocupação por Aedes aegypti, e caracterizados quanto ao tipo de material, localização, quantidade de água e sua reposição. As larvas (3° e 4° estadios) e as pupas foram quantificadas e a biomassa das pupas foi medida. Foram estimados indicadores de infestação e os grupos de recipientes considerados foram avaliados mediante testes de comparações múltiplas. Resultados. A disponibilidade foi elevada e os habitats estavam localizados predominantemente no peridomicílio, ambiente que concentrou 90,8% dos recipientes positivos e 94,0% dos exemplares coletados. Os grupos de recipientes ralo, frasco e vaso foram os habitats mais freqüentes. Indicadores baseados na quantidade de larvas e de popas apresentaram correlação com o índice de Breteau. O número médio de larvas diferenciou os grupos de recipientes pneu, tambor, caixa d\'água e calha que apresentaram valores mais elevados. Em relação à biomassa das popas foram distinguidos, entre outros, os grupos caixa d\'água, calha e ralo, cujos exemplares apresentaram maior peso. Apenas 8, 7% dos habitats foram responsáveis por 52% das popas coletadas. Conclusões. A avaliação dos habitats com base na presença da espécie pode levar à subestimação ou superestimação da importância de determinados tipos. A quantificação e a biomassa de pupas indicam a contribuição dos diferentes habitats para a população de mosquitos adultos. Apresentaram maior produtividade os habitats dos grupos caixa d\'água, calha, ralo, pneu e tambor.
Aids, drogas de abuso e o perfil epidemiológico da tuberculose no Município de ltajaí, Estado de Santa Catarina, 1983-1996
Objetivo: Estudar a tendência da tuberculose em Itajaí no período pré e pós surgimento da aids. caracterizando o uso de drogas de abuso e co-infecção pelo HIV como fatores de risco, capazes de modificar o perfil epidemiológico da tuberculose. Método: Estudo de coorte, constituída por 1463 pacientes com tuberculose, notificados de 1983 a 1986, período subdividido em pré e pós surgimento da aids. Os dados foram obtidos junto à Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina e à Secretaria Municipal de Saúde de ltajaí. Foram estudadas as variáveis sexo, faixa etária, forma clínica, resultados de exames auxiliares, vacinação, uso de drogas de abuso, co-infecção pelo HIV e tipo de saída do tratamento de tuberculose. Resultados: Verificou-se predominância de casos do sexo masculino, na faixa etária de 20 a 49 anos e das formas pulmonares bacilíferas nos dois períodos. Após o surgimento da aids houve aumento da proporção de formas extrapulmonares, de não reatores à tuberculina, de óbitos por outras causas e de abandono do tratamento. No mesmo período, a taxa de curas diminuiu. O uso de drogas de abuso está associado ao abandono do tratamento (χ=18,33 p=0,0000185), RR 2.64 Ic 95%[1,37 - 2,07], RA 23,5% e RAP% 45.8%%. Conclusão: Verificou-se a influência da aids sobre o perfil epidemiológico da tuberculose, modificando-a em relação à idade, forma clínica, proporção de casos bacilíferos, de curas e de abandonos de tratamento. O uso de drogas de abuso foi o fator de maior risco para o abandono de tratamento, superando o etilismo e a co-infecção pelo HIV.
Vigilância epidemiológica das infecções hospitalares em recém-nascidos de risco
As infecções hospitalares (IH) têm sido objeto crescente de preocupação dos profissionais de saúde nos últimos anos, com grande impacto também na opinião da população geral dada a freqüência com que o assunto vem ocupando os noticiários. Quando ocorrem em recém-nascidos, têm merecido atenção especial devido à agressividade com que podem se instalar nesta população com defesas ainda pouco desenvolvidas. Embora estas preocupações estejam presentes há algum tempo, observa-se uma carência de informações rotineiras detalhadas, que poderiam proporcionar não só um melhor conhecimento do comportamento epidemiológico das IH, mas um instrumento potente no auxílio para tomada de decisões. No Brasil, o Ministério da Saúde tem procurado oferecer diretrizes e normas técnicas que busquem acompanhar a tendência mundial de propostas de controle destes agravos à saúde. O presente trabalho busca oferecer subsídios para que as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), em nível local, possam coletar, armazenar e analisar dados relacionados com as infecções hospitalares em berçários de alto risco, além de produzir os relatórios previstos em lei como de sua competência. Trata-se do desenvolvimento de um programa de entrada e processamento de dados com uso de microcomputadores para ser utilizado por pessoal sem profundos conhecimentos de informática. Os resultados do processamento dos dados, obtidos através de comandos simples, são apresentados, em forma de relatórios, na tela do computador ou podem ser impressos em equipamentos de uso corriqueiro em nosso meio. Os relatórios são referentes a aspectos descritivos das populações expostas ao risco de adquirir infecções em berçários e aos principais indicadores utilizados em programas de controle de infecção hospitalar.
1998
Julio Cesar de Magalhães Alves
Determinação do grau de exposição interna aos praguicidas organoclorados, em população residente sobre aterro a céu aberto na localidade de Pilões, Cubatão-SP
Até o ano de 1983, a destinação do lixo urbano no Município de Cubatão era feita para um aterro a céu aberto existente na localidade de Pilões, uma região de manancial, pertencente ao Parque Florestal da Serra do Mar e localizada na periferia do Município. Em Levantamento realizado em 1978, o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo - DAEE e a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental - CETESB, (DAEE/CETESB, 1978), verificaram que algumas indústrias de Cubatão utilizavam aquela área para descarte de resíduos sólidos industriais, com depósitos de mais de 7 mil toneladas/ano. Em 1983, a Prefeitura de Cubatão desativou o aterro de Pilões, por ordem da CETESB, que viria implantar um ano depois, o Programa de Metas de Controle da Poluição Ambiental em Cubatão. Ocorre que as pessoas que viviam da cata de material reciclável continuaram residindo na área, sobre o aterro desativado. Em 1991, a CETESB publicou, através boletins internos, resultados de análises toxicológicas realizadas em Pilões, constatando a contaminação de solo, água e sedimento por metais pesados e praguicidas organoclorados. Em 1993, o Instituto Adolfo Lutz - S.P. realizou análises toxicológicas de alimentos produzidos e consumidos pelos habitantes de Pilões, e constatou contaminação por praguicidas organoclorados. Nesta mesma data, iniciamos exames clínicos e laboratoriais em 238 pessoas dos 252 habitantes de Pilões (recusa de 3 famílias em participar da pesquisa) e elegemos população amostral do bairro Cota200 (diferindo de Pilões apenas pela característica de não se registrar contaminação por resíduos sólidos industriais) para servir de parâmetros aos dados coletados. Escolhemos 258 residentes da Cota 200, pareados, a grosso modo, pelos atributos de idade, sexo, tempo de moradia e renda. Verificamos, entre outras coisas, que os habitantes de Pilões apresentavam maior incidência de exposição interna aos praguicidas Hexaclorobenzeno, Hexaclorociclohexano e DDT e em concentrações mais elevadas, quando comparados a população amostral da Cota 200. Apresentaram também mais referência a problemas de saúde, maior menção de perda de peso, maior incidência de doenças da pele e do tecido celular subcutâneo, maior incidência de leucocitose (aumento do número de glóbulos brancos do sangue) e de linfocitose (aumento do número de linfócitos no sangue). Essas alterações são descritas na toxicologia dos praguicidas organoclorados e no decorrer da apresentação do nosso trabalho, estaremos discutindo cada uma delas. A população residente sobre o aterro de Pilões, foi transferida em 1995, para um conjunto habitacional construído pelo Governo do Estado de São Paulo, localizado em um bairro central do Município.
Estudo dos sinais e sintomas indicativos de aids em crianças vivendo com HIV/aids nas eras pré e pós-HAART
Introdução: o perfil epidemiológico dos sinais, sintomas e doenças indicativos de aids em crianças vem mudando conforme novos medicamentos são disponibilizados para o tratamento, como a HAART. Objetivos: estimar incidência e recorrência dos sinais, sintomas e doenças indicativos de aids de caráter leve, moderado e grave em crianças vivendo com HIV/aids, verificando se houve redução entre as eras pré e pós-HAART; verificar os fatores associados ao tempo livre de candidíase oral, utilizando técnica de análise de sobrevida para medidas repetidas. Métodos: estudo de coorte com crianças vivendo com HIV/aids em acompanhamento no ICr, de 1985 a 2009. Uma coorte pré-HAART e outra pós-HAART foram formadas para a análise da incidência e recorrência de sinais, sintomas e doenças indicativos de aids, com 165 e 111 crianças, respectivamente. Uma única coorte foi formada para a análise dos fatores associados ao tempo livre de candidíase oral, com 287 crianças, totalizando 421 observações. A caracterização da amostra foi realizada por meio de estatística descritiva. As incidências dos sinais, sintomas e doenças indicativos de aids foram calculadas para as coortes pré e pós-HAART. O modelo marginal para tempos de falhas múltiplas de Prentice, Williams e Peterson foi empregado para investigação dos fatores associados ao tempo livre de candidíase oral. Resultados: a incidência global dos sinais, sintomas e doenças indicativos de aids foi reduzida de 30,3 para 9,3 casos por 100 crianças-ano, nas coortes pré e pós-HAART, respectivamente. Houve redução nos sinais, sintomas e doenças indicativos de aids de caráter leve ou moderado de 29,6 para 8,4 casos por 100 crianças-ano; especificamente, anemia, candidíase oral, cardiopatia, hepatoesplenomegalia, herpes zoster, tuberculose pulmonar e trombocitopenia tiveram redução estatisticamente significativa em suas incidências. Houve redução nas doenças indicativas de aids de caráter grave de 12 para 3,9 casos por 100 crianças-ano e apenas candidíase grave, criptosporidíase e encefalopatia apresentaram redução estatisticamente significativa em suas incidências. A anemia e candidíase oral foram os agravos mais recorrentes em ambas as coortes e houve redução estatisticamente significativa somente para a recorrência de candidíase oral. Os fatores associados ao tempo livre de candidíase oral foram: imunodepressão moderada (HR=2,5; p=0,005) ou grave (HR=3,5; p<0,001), anemia (HR=3,3; p<0,001), desnutrição (HR=2,6; p=0,004), internação (HR=2,2; p<0,001) e o uso de terapia antirretroviral: monoterapia (HR=0,5; p=0,006), terapia dupla (HR=0,3; p<0,001) ou terapia tripla/HAART (HR=0,1; p<0,001).
2012
Thaís Claudia Roma de Oliveira Konstantyner