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Avaliação da qualidade do ar em duas estações do metrô de São Paulo
Objetivo. Comparar a qualidade do ar externo com o ambiente interno das estações Clínicas e Praça da Sé do Metrô de São Paulo, quantificando e qualificando os contaminantes microbiológicos e atmosféricos. Propõe-se com este estudo promover o conhecimento de fatores sobre a qualidade do ar e das condições de higiene e saúde destes locais, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e usuários do sistema. Métodos. As amostras foram realizadas no período de Julho a Novembro de 2005. Os fungos foram coletados com o impactador de Andersen de um estágio com volume de aspiração de 28 l/min por um tempo de 10 minutos por amostra, e como meio de cultivo Agar Sabouraud Dextrose a 4%. A quantificação e identificação foram feitas por meio de análises de lâminas do material microbiológico em microscópio óptico, coradas com azul de lactofenol. Para o dióxido de nitrogênio utilizou-se difusor passivo com trietanolamina como substância adsorvente e as análises foram realizadas por espectrofotometria. O difusor passivo para avaliação da concentração de benzeno é do tipo membrana, com carvão ativado como substância adsorvente e a análise por cromatografia gasosa. O tempo de exposição para estes amostradores foi de 30 dias. O PM10 foi medido com um monitor contínuo, com leitura direta. Foram instalados dois equipamentos em cada estação por um período de 7 dias. Resultados. Os estudos indicam a presença de fungos comuns com predominância para o Cladosporium sp (52%), Alternaria sp (17%) e Penicillium sp (13%) e em proporções semelhantes interna e externamente às estações. A concentração média de \'NO IND. 2\' no interior das estações, foi de 73,9 \'müg/m POT. 3\'. Estes valores são semelhantes às medições externas realizadas com o equipamento de Espectroscópia de Absorção por Diferencial Óptico (DOAS) e os valores medidos pela estação de monitoramento da CETESB, instalado na FSP/USP. Os valores máximos encontrados para o benzeno foram de 5,7 \'müg/m POT. 3\' no interior das estações e 6,2 \'müg/m POT. 3\' no ambiente externo. O PM10 indicou valores elevados sendo o valor médio, para a estação Clínicas de 312,4 \'müg/m POT. 3\' medidos na plataforma e 243,9 \'müg/m POT. 3\' no mezanino, na estação Praça da Sé verificamos a concentração de 150,9 \'müg/m POT. 3\' na plataforma da linha 1 e 124,2 \'müg/m POT. 3\' na plataforma da linha 3. Conclusões. O presente estudo possibilitou a avaliação e comparação dos níveis de poluição ambiental interno e externo às estações. A constatação da predominância de fungos comuns no ar não indica a ausência de riscos para a saúde humana, pois o seu impacto depende da suscetibilidade dos indivíduos expostos. A concentração de \'NO IND. 2\' e benzeno encontradas no ambiente interno e externo são de mesma ordem de grandeza, o que indica que estes contaminantes têm a mesma fonte de origem. A alta concentração de PM10 representa uma maior preocupação. Para este contaminante deve-se avaliar a composição do material encontrado e seu grau de toxicidade.
Condição previdenciária, saúde e incapacidade de idosos residentes no município de São Paulo
O presente estudo teve por objetivo descrever e analisar as condições sócio-econômicas, de saúde e de incapacidade de grupos previdenciários entre idosos residentes no Município de São Paulo, no período de 1988-89. Trata-se de estudo transversal, onde uma amostra aleatória de 1557 indivíduos foi categorizada em quatro grupos previdenciários: aposentados, 53,3 por cento ; pensionistas, 14,8 por cento ; economicamente ativos, 10 por cento e donas de casa, 22 por cento . As pensionistas, os aposentados por invalidez e por velhice apresentaram os piores indicadores sócio-econômicos. As doenças mais frequentemente referidas, foram a hipertensão, varizes e reumatismo. As pensionistas, as donas de casa e os aposentados por invalidez apresentaram as maiores frequências destas doenças, ou respectivamente, para hipertensão: 55,4 por cento , 59,4 e 53,5 por cento ; para varizes: 57,1 por cento , 56,5 por cento e 52,4 por cento ; e para reumatismo: 43,7 por cento , 54,7 por cento e 45,4 por cento . Entre o conjunto dos idosos, 37,3 por cento apresentam algum nível de incapacidade e 1,7 por cento são totalmente dependentes. As pensionistas, os aposentados por invalidez e as donas de casa foram os grupos que apresentaram as maiores prevalências de incapacidade. As melhores condições sócio-econômicas, de saúde e de independência ocorreram entre os economicamente ativos aposentados. Para a análise multivariada as categorias tomadas como referência foram: sexo masculino, faixa etária de 60 a 69 anos, nível superior de escolaridade, indivíduos economicamente ativos, grupo ocupacional I (administradores, técnicos e profissionais de nível superior) e renda familiar per capita igual ou superior a US$ 100 mensais. Em relação à hipertensão, as variáveis a seguir mostraram associação segundo os respectivos níveis e valores de \"odds ratio\": sexo feminino, 1,44; nível médio de escolaridade, 2,0; nível elementar 3,35 e nível de não alfabetização, 6,58; quanto à condição previdenciária: aposentados, 1,7; pensionistas, 2,02 e donas de casa, 2,34; renda familiar abaixo deUS$ 100, 1,31. Em relação à incapacidade: sexo feminino, 2,29; faixa etária 70-79 anos, 2,59; 80 anos e mais, 12,74; nível de não alfabetização de escolaridade, 5,83; aposentados, 2,51; donas de casa, 3,89 e pensionistas, 3,41. Não se associaram com a hipertensão: a idade, 70 a 79 anos e a ocupação anterior; e não se associaram com incapacidade: a escolaridade, níveis médio e elementar; os grupos ocupacionais III e IV (manuais, braçais e donas de casa) e finalmente a renda familiar perca pita. Conclui-se que as pensionistas, os aposentados por invalidez e os aposentados por velhice constituem-se nos grupos mais vulneráveis do ponto de vista social e de saúde; que variáveis sócio-econômicas estão associadas à hipertensão e incapacidade e que a ocupação anterior dos idosos não se associa à estas condições de saúde.
1994
Maria Celia Guerra Medina
Câncer de boca: mortalidade entre os residentes no estado de São Paulo no período de março de 1979 a fevereiro de 1982
O trabalho descreve a mortalidade por câncer de boca no Estado de São Paulo, no período de 1 de março de 1979 a 28 de fevereiro de 1982, segundo as variáveis sexo, idade, localização do tumor e Região Administrativa de residência. Constituíram material de estudo as declarações registradas dos óbitos de residentes no Estado de São Paulo que ocorreram nesse período e que apresentaram câncer de boca como causa básica de morte, segundo registros armazenados em meio magnético, com tecnologia de CD-ROM, do Ministério da Saúde. A fonte dos dados populacionais necessários para o cálculo dos coeficientes de mortalidade foi o censo de 1980. O Estado de São Paulo como um todo apresentou, no período estudado, um total de 1.158 óbitos, correspondendo a 2,1 o/o da mortalidade por câncer em geral e originando um coeficiente de mortalidade por câncer de boca igual a 1,54 por 100.000 habitantes, com uma razão homens/mulheres de 4,92: 1 (2,56 por 100.000 homens e 0,52 por 100.000 mulheres). Acima dos 30 anos, a mortalidade foi mais elevada no sexo masculino, em todos os grupos etários. Para ambos os sexos, o câncer de língua constituiu a principal causa de mortalidade (50,4 por cento dos óbitos masculinos e 36,2 por cento dos femininos), seguido, para o sexo masculino, pelo câncer de assoalho (9,9 por cento ), de palato (7,2 por cento ) e de glândulas salivares (6,2 por cento ) e, para o sexo feminino, pelo câncer de palato (14,9 por cento ), de glândulas salivares (13,8 por cento ) e de gengiva (5,6 por cento ). Para cada uma das localizações do tumor obtiveram-se coeficientes maiores no sexo masculino do que no feminino. A maior razão homens/mulheres foi encontrada para a localização assoalho da boca (12,50: 1), seguindo-se a língua (6,79: 1), o lábio (3,33: 1), a gengiva (3,00: 1), as glândulas salivares (2,29: 1) e o palato (2,25:1). No estudo por Regiões Administrativas, os coeficientes gerais de mortalidade por câncer de boca, padronizados por idade, tendo como padrâo a população total do Estado de São Paulo (censo de 1980), configuraram uma distribuição geográfica com alterações gradativas, compondo-se blocos geograficamente contíguos de resultados semelhantes. As duas Regiões que apresentaram os maiores coeficientes de mortalidade - Litoral (2, 16 por 100.000 habitantes) e Vale do Paraíba (1,83 por 100.000 habitantes) - ocupam o Sul e o Sudeste do Estado. As três Regiões de menores coeficientes - Araçatuba (0,55 por 100.000 habitantes), Presidente Prudente (0,95 por 100.000 habitantes) e Marília (1,11 por 100.000 habitantes) - se concentram no Oeste do Estado. Na comparação da mortalidade entre os sexos, obteve-se razão homens/mulheres de aproximadamente 5: 1, na maioria das Regiões, observando-se valores discrepantes para Presidente Prudente (18,10: 1), São José do Rio Preto (13,87: 1) e Araçatuba (1,89: 1). Para a maioria das Regiões, a mortalidade é maior quanto mais avançado é o grupo etário, localizando-se o pico no grupo de 70 anos e mais. A idade em que se inicia a ocorrência de óbitos por câncer de boca varia entre as Regiões, mas, para a maior parte delas, os valores dos coeficientes só têm valor expressivo após os 40 anos. Em todas as Regiões, a língua apresenta os maiores valores de coeficientes de mortalidade, e, em quase todas as Regiões, o lábio e a gengiva apresentam os menores valores. Nas posições intermediárias se alternam, nas diferentes Regiões, as localizações assoalho, palato e glândulas salivares. Para cada uma das Regiões Administrativas foram feitas, ainda, análises conjuntas das variáveis sexo, idade e localização do tumor.
1994
Lucia Helena de Moura Neves
Avaliação de possíveis fatores de risco para a infecção pelo Trypanosoma cruzi em crianças: estudo caso-controle em area rural do estado de Goiás
Um estudo caso-controle para investigar possíveis fatores de risco associados à infecção pelo Trypanosoma cruzi foi realizado em crianças de zona rural, dos municípios de Posse, Simolândia e Guarani de Goiás, localizados na região nordeste do Estado de Goiás. Os participantes do estudo foram selecionados entre 1.990 crianças de 7 a 12 anos de 60 escolas rurais, mediante triagem sorológica com coleta de sangue em papel de filtro por 3 técnicas: Imunofluorescência Indireta, Hemaglutinação Indireta e ELISA. Cento e quarenta e nove (149) crianças com presença de anticorpos anti-T. cruzi em pelo menos 2 testes realizados em amostras de sangue venoso e uma amostra aleatória de 298 crianças soronegativas para os 3 testes, pareadas por sexo, freqüência de idade e comunidade foram incluídas no estudo, respectivamente como Casos e Controles. As moradias dos casos e controles foram visitadas para obtenção de informações sobre presença de vetores na unidade domiciliar, características do domicílio, da família e do ambiente peridoméstico. Nessa ocasião foram coletadas amostras de sangue dos pais dos participantes do estudo. Casos e controles foram comparados em relação a fatores de risco relativos ao ambiente doméstico, peridoméstico e sorologia dos pais. Um segundo banco de dados foi construído com apenas um participante por moradia, correspondendo a 89 moradias de casos e 278 de controles. O modelo de regressão logística condicional foi empregado para controlar as principais variáveis de confusão. Sensibilidade de variáveis preditoras da casa da criança infectada foi também calculada. Uma associação estatisticamente significante foi encontrada entre criança soropositiva e evidência de vetor, ou seus vestígios, no domicílio. A presença de exúvia foi o maior preditor de criança infectada (OR=3,5; LC95 por cento 2,1-5,8), enquanto a presença de vetor sem detecção de vestígios não esteve associada à criança infectada. A identificação de triatomíneos pelos moradores apresentou OR=7,7 (LC95 por cento 2,3-25,5). A infecção em crianças esteve significativamente associada ao número de pessoas residentes na moradia atual. Uma maior proporção de pessoas soropositivas foi detectada nas casas dos casos quando comparada às casas do grupo controle sugerindo uma possível agregação familiar da soropositividade. Características peridomésticas foram semelhantes entre casos e controles, não havendo diferenças de OR entre os dois grupos. Detectou-se associação significativa entre mãe soropositiva e filho soropositivo (OR=3,6; LC95 por cento 2, 1-6,5), indicando a possibilidade da transmissão congênita ou um potencial efeito prejudicial exercido pela soropositividade de mães de recém-nascidos não infectados congenitamente. Entretanto, a associação entre pai infectado e filho infectado não foi estatisticamente significante (OR=1,6; LC95 por cento 1,0-2,7). O relato de vetores pelos moradores mostrou uma sensibilidade de 97,5 por cento em predizer moradia de criança soropositiva. Os aspectos relativos à aplicação da metodologia caso-controle no estudo da infecção pelo T. cruzi e possíveis medidas de vigilância e controle para a região de estudo são discutidos.
1994
Ana Lucia Sampaio Sgambatti de Andrade
Saúde bucal e grau de felicidade em adolescentes de uma cidade no sul do Brasil: análise longitudinal
Felicidade é um constructo multidimensional que pode ser definido como ograu em que uma pessoa avalia a qualidade geral de sua vida como favorável; ela tem sido associada com vários desfechos e medidas de saúde. A transição da infância para a adolescência envolve uma série de mudanças físicas e especialmente psicológicas, e oimpacto das doenças bucais pode ser percebido como um obstáculo para o desenvolvimento social dos indivíduos.Osobjetivos do presente trabalho foram estudar a influência das condições de saúde bucal, condição socioeconômica e uso de serviços no grau de felicidade durante o período de transição da infância para a adolescência;identificar os fatores associados à mudança do grau de felicidade e avaliar o incremento dos problemas de saúde bucal na amostra após 2 anos de acompanhamento. A coleta de dados ocorreu em 2 momentos, nos anos de 2012 e 2014. Foram feitos exames clínicos para avaliar as condições de saúde bucal (cárie dentária, má oclusão, traumatismo dentário e condição gengival), entrevistas para avaliar o grau de felicidade (medido com a Escala Subjetiva de Felicidade-SHS) e o impacto das condições de saúde bucal na qualidade de vida (medido com o Child Perceptions QuestionnaireCPQ11-14), além de questionários enviados aos responsáveis para avaliar a condição socioeconômica da família, variáveis demográficas e de uso de serviços dacriança. Para a análise dos fatores relacionados ao grau de felicidadefoi utilizado um modelo linear multinível para medidas repetidas ao longo do tempo, comentrada de variáveis hierarquizada de acordo com um modelo conceitual; para análise dos fatores associados à mudança no grau de felicidadefoi utilizada regressão logística multinomial.Das 1134 crianças examinadas no baseline, 770 foram reavaliadas após 2 anos(taxa de resposta de 67,9 por cento), e foi observado um aumento na prevalência de problemas bucais (experiência de cárie, prevalência de má oclusão, prevalência de sangramento e placa dental). O modelo multinível final foi composto por variáveis socioeconômicas da família, pelo uso de serviços e pelas condições clínicas de saúde bucal e autopercepção.Adolescentes de famílias com menor renda(p=0,030), que viviam em residências com maior aglomeração(p<0,001), cujas mães tinham um menor nível de escolaridade(p=0,014), que utilizavam o serviço odontológico por motivos de dor ou em busca de tratamentos(p=0,039), que possuíam um número maior de dentes com cavidades de cárie não tratada(p=0,010)e que relatavam maior impacto das condições de saúde bucal na qualidade de vida (p<0,001)apresentaram um pior grau de felicidade. O modelo multinomial final indicou uma associação entre experiência de cárie e autopercepção e a mudança no grau de felicidade: adolescentes com um maior número de dentes cariados, perdidos ou obturados (OR=1,16-1,19, p=0,018-0,037) e com escores mais altos no CPQ11-14 (OR=1,04-1,07, p=0,000-0,014) tinham uma maior chance de pertencer às categorias mais desfavoráveis de trajetória de felicidade. Esses resultados evidenciam a importância de políticas públicas inclusivas e promoção de saúde bucal para o desenvolvimento psicossocial de adolescentes
Padrões espaço-temporais da taxa de mortalidade fetal no estado de São Paulo, Brasil, 2005-2016
Objetivo: Este estudo tem por objetivo apresentar diferenciais inter-municípios e temporais dos padrões de mortalidade fetal no estado de São Paulo (SP) e identificar indicadores municipais associados. Métodos: Estudo ecológico com uso de análises exploratórias espaciais e modelagem bayesiana espacial e espaço-temporal utilizando histórico de dados do estado de SP entre 2005 e 2016. Foram calculadas as taxas brutas e bayesianas empíricas de mortalidade fetal considerando município como unidade de análise e, em seguida, foram calculados os índices globais de Moran e Geary para testar a hipótese de autocorrelação espacial. Os indicadores municipais testados como covariáveis do modelo bayesiano espacial foram selecionados por uma combinação de métodos de Análise de Componentes Principais e critério Deviance Information Criterion. Foram calculdas as taxas totalmente bayesianas de mortalidade fetal pelos modelos bayesianos espacial com e sem covariáveis. A identificação de padrões espaço-temporais foi realizada pela modelagem bayesiana espaço-temporal. Resultados: A autocorrelação espacial foi evidenciada pelos índices de Moran e Geary, não havendo evidências de aleatoriedade em sua distribuição. A seleção de indicadores municipais resultou como finalistas cinco variáveis e o modelo bayesiano espacial com quatro indicadores municipais foi eleito o modelo com melhor ajuste, apontando relação de aumento da taxa de mortalidade fetal nos municípios que apresentam as seguintes características: baixo percentual de crianças entre 4 e 5 anos na escola; alto percentual de adolescentes entre 15 e 17 anos no ensino médio com 2 anos de atraso; alto percentual da população em domicílios com densidade superior a 2 pessoas por dormitório. A amplitude das taxas empíricas bayesianas e totalmente bayesianas foram reduzidas em relação à taxa bruta, de tal modo que as taxas bayesianas empíricas global e local apresentaram a menor e a maior variabilidade entre as taxas calculadas, respectivamente. A região intermediária de São José dos Campos e da Baixada Santista apresentaram altas taxas de mortalidade fetal e relação geral de indicadores municipais que indicavam piores condições. A região de Marília obteve maiores taxas de mortalidade fetal segundo o modelo eleito apesar da relação de indicadores apresentarem boas condições. O modelo bayesiano espaço-temporal identificou leve tendência de redução da taxa de mortalidade ao longo dos anos no SP. Conclusões: Os achados do estudo apontam a necessidade de intensificação de políticas públicas que gerem maior atenção à saúde das gestantes que residem em locais com alta vulnerabilidade social e baixo rendimento médio per capita, que são locais de maior risco para mortalidade fetal.
2018
Andressa Kutschenko Nahas
Alterações à saúde produzidas pela exposição ao mercúrio metálico
Objetivo. Avaliar os efeitos à saúde decorrentes da exposição a níveis pouco elevados de mercúrio metálico, e contribuir para a facilitação do diagnóstico da intoxicação crônica. Métodos. Foi realizado um estudo transversal em um grupo de 180 trabalhadores expostos a mercúrio metálico e de 180 não expostos em uma indústria de lâmpadas elétricas, respeitando-se a homogeneidade entre os grupos em relação às variáveis sexo, idade escolaridade e funções desenvolvidas. Foram feitas avaliações clínico-neurológicas, dosagem de mercúrio urinário e aplicada uma bateria de testes neuropsicológicos. Resultados. O tempo médio de exposição ao mercúrio foi de 3,93 anos, sendo que o tempo mínimo foi de 2 (dois) meses e o máximo de 20 (vinte) anos. As avaliações ambientais de mercúrio no ar apresentadas pela empresa, para o período estudado, mostraram valores que variaram de 0,000 a 0,083 mg Hg/m3 de ar. A média de mercúrio urinário dos expostos foi de 31,11 e dos não expostos 2,04 ug/l de urina, sendo que o nível máximo de mercúrio encontrado foi de 129,0 ug/l. Os sinais e sintomas referidos pelos trabalhadores que apresentaram significância estatística foram: Síndrome Gastrointestinal: sangramento oral, sialorréia, má digestão, gosto metálico na boca, náuseas, gengivite, ulceração oral, diarréia, amolecimento dos dentes; Síndrome Neurológica: cãibras, parestesia, tremores, sonolência, alteração de grafia, abalos e fraqueza muscular; Síndrome do Eretismo Psíquico: nervosismo, irritabilidade, dificuldade de memória, ansiedade, tristeza, depressão, redução da atenção, agressividade, insegurança e medo. Ao exame fisico foram detectadas as seguintes alterações cujos resultados foram estatisticamente significativos: hiperemia de orofaringe, depósitos gengivais e de palato, ulceração oral, linha azul na borda gengival, tremores, alteração de grafia, de sensibilidade térmica e hiperreflexia. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos com relação a pressão arterial. Quanto aos resultados dos testes neuropsicológicos foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos em relação aos seguintes testes: aptidão mecânica de Léon Walther - TAM (itens discos, contas e pontilhagem); bateria de atenção concentrada de Toulouse Pierón e Wechsler Adult Intelligence Scale- WAIS (item símbolos numéricos) indicando a presença de déficits na rapidez de movimentos, destreza manual e coordenação motora; na atenção concentrada; na eficiência cognitiva e velocidade perceptiva motora. Não foi encontrada diferença entre os dois grupos no teste Wechsler Memory Scale, quanto a memória (itens informação e orientação; controle mental; memória lógica; reprodução visual e aprendizagem por associação); porém, a presença de tremor foi altamente significativa no grupo de trabalhadores expostos. Conclusões. Com base nos dados encontrados na investigação consideramos que existe associação entre a exposição a concentrações pouco elevadas de vapores de mercúrio e as alterações patológicas encontradas nos trabalhadores expostos. As alterações encontradas contribuem para a facilitação do diagnóstico da intoxicação.
Características da mortalidade neonatal no Estado de São Paulo
Descreve-se uma coorte de nascidos vivos e os correspondentes óbitos de menores de 28 dias e analisa-se a mortalidade neonatal no Estado de São Paulo, estimando riscos de morte por características do recém- nascido, da gestação e do parto, da mãe e causas de morte segundo a idade da criança ao morrer. Para identificar as mortes ocorridas na coorte de nascidos vivos foi utilizada a técnica de \"linkage\" , concatenando as declarações de óbitos com as respectivas declarações de nascidos vivos. Do total de 167.174 nascidos vivos, 51,2% foram de sexo masculino; 9,2% nasceram com baixo peso; 49,1% correspondem a partos operatórios; 17,1% foram de mães adolescentes; e 59,2% foram de mães que não tenham completado o 1° grau. Por sua vez, a maioria dos 2.955 óbitos concatenados ocorreram no período neonatal precoce (81,9%), sendo que 39,6% concentraram-se durante as primeiras 24 horas de vida; enquanto mais de 70% das mortes foram ocasionadas por doenças classificadas como evitáveis. A probabilidade de morte neonatal alcançou 17,7 por mil, sendo de 14,5 por mil a do período neonatal precoce e de 3,2 por mil a neonatal tardia. Durante as primeiras 24 horas de vida, os recém-nascidos de muito baixo peso apresentaram uma chance de vir a óbito 26,6 vezes maior que os nascidos vivos de peso normal; enquanto, entre os nascidos vivos de pré- termo, a probabilidade de morte é 35,6 vezes maior que a dos nascidos vivos de gestações a termo. Nessa mesma idade, entre os nascidos vivos de pré-termo e baixo peso ao nascer, a probabilidade de morte é 99,3 vezes maior que a correspondente àqueles que eram de termo e com peso normal ao nascer. Nestes grupos, embora o risco de morte tenha diminuído com o aumento da idade, o risco relativo permaneceu elevado. A probabilidade de morte neonatal precoce seria reduzida em 12% se fossem eliminadas as mortes ocorridas por doenças evitáveis através de \"adequado controle na gravidez\"; em 17%, no caso das doenças evitáveis pela \"adequada atenção ao parto\", e em 40% através de \"prevenção, diagnóstico e tratamento médico precoces\". Essas reduções, durante a quarta semana de vida, alcançariam 5%, 2% e 83%, respectivamente. Entre os recém-nascidos de baixo peso, na hipótese de serem eliminados os óbitos por doenças evitáveis por meio de \"adequado controle na gravidez\", a probabilidade de morte neonatal apresentaria uma diminuição maior que entre os nascidos com peso adequado; se fossem eliminadas as mortes do grupo de doenças evitáveis por meio de uma \"adequada atenção ao parto\" o risco relativo aumentaria levemente; enquanto se fossem eliminadas as mortes por doenças evitáveis por meio de \"prevenção, diagnóstico e tratamento médico precoces\" registrar-se-ia um aumento da sobremortalidade das crianças nascidas vivas com baixo peso, em relação às nascidas com peso normal. Conclui-se que os maiores riscos de morte neonatal concentram- se nos primeiros dias de vida e correspondem a recém-nascidos de baixo peso e de gestações de pré-termo, sendo muito elevado o número de mortes que ocorrem por doenças possíveis de evitar.
Prevalência da hipertensão arterial referida, percepção de sua origem e formas de controle em área da metropolitana de São Paulo-SP (1989-1990)
Objetivo. Estudar a prevalência da hipertensão arterial, a percepção de sua origem pela população segundo os modelos etiológicos, as formas de controle e a correlação entre os modelos e formas de controle. Material e Métodos. Utilizou-se banco de dados primário gerado por inquérito domiciliar de saúde (1989-1990), com 10199 entrevistas. Foi analisada a prevalência da morbidade referida, os modelos etiológicos, uso dos serviços e de medicação, e a correlação entre o modelo de percepção e estas formas de controle. Na análise estatística foi utilizado o teste qui-quadrado, regressão logística e freqüências absolutas e relativas. Resultados. A população de hipertensos maiores de 20 anos foi constituída de 1681 indivíduos. A prevalência da hipertensão foi de 18,0%. Foi maior no sexo feminino e indivíduos com menor escolaridade. Prevaleceu o modelo de percepção endógeno. As mulheres apresentaram mais este modelo (p< 0,00001). A maioria não usava os serviços de saúde (63,8%) e 44,0% não usavam medicação. As mulheres procuraram mais pela assistência (p = 0,00002) e apresentavam mais uso de medicamentos (p = 0,00006). O modelo de percepção esteve associado com o uso de serviços, mas não ao de medicamentos. Conclusões. A prevalência referida reflete a taxa de detecção de casos e subestima o valor real. O modelo de percepção endógeno prevaleceu na população e isto deve ser usado para o planejamento e para estratégias de abordagem terapêutica.
Associação de doença periodontal com Síndrome Coronária Aguda: um estudo caso-controle
INTRODUÇÃO: Estudos epidemiológicos experimentais, assim como evidências clínicas, têm sugerido que o desenvolvimento da doença cardiovascular (DCV), aterosclerose e infarto cerebral podem ser influenciados por infecção. Desta forma, tem-se demonstrado que pessoas com manifestações clínicas de doença arterial coronariana (DAC) ou infarto cerebral apresentam infecções periodontais mais graves e que a gravidade da doença periodontal apresentou correlação positiva com a aterosclerose. OBJETIVO O objetivo deste estudo é avaliar a associação da doença periodontal em pacientes com e sem diagnóstico de síndrome coronária aguda e investigar as possíveis associações com os fatores de risco conhecidos. MATERIAL E MÈTODO: Foram selecionados os participantes no Hospital Dante Pazzanese de Cardiologia para os grupos caso e controle. Foram entrevistados por meio de um questionário estruturado e submetidos a exame clínico periodontal que consistiu na avaliação dos seguintes parâmetros clínicos: profundidade de sondagem e nível clínico de inserção em seis sítios por dente em todos os dentes presentes na cavidade oral. As variáveis contínuas foram descritas em média e desvio-padrão. As comparações das variáveis contínuas foram feitas através do teste t de Student não pareado ou através do teste de Mann-Whitney para dados assimétricos. As variáveis categóricas foram descritas por freqüência relativa e absoluta dentro dos grupos caso e controle, e foram aplicados os testes de Qui-quadrado ou, quando possível, o teste exato de Fisher para verificar associação. A análise multivariada foi realizada pelo modelo de regressão logística. RESULTADOS: Participaram do estudo 96 indivíduos com média de idade de 52,5 anos (com desvio padrão de 12,4). Dos indivíduos do grupo controle 18,2 por cento apresentaram quadro de periodontite grave enquanto, que no grupo caso, 40,4 por cento apresentaram este quadro (p=0,03). Após análise multivariada constatou-se associação com hipertensão arterial sistêmica (p= 0,002), tabagismo (p= 0,005), glicemia (p= 0,023) e colesterol (p=0,015).CONCLUSÃO: Não houve demonstração de associação independente entre síndrome coronariana aguda e categorias de doença periodontal
2011
Gabriella Avezum Mariano da Costa de Angelis
História de vida e prognóstico
Esta tese examina o possível vínculo entre história de vida e doença, com a sua respectiva evolução, admitindo que o percurso existencial guarda conexão com o desfecho do quadro e oferece indicadores para o estabelecimento do prognóstico, vendo o ser humano como unidade mente-corpo. Apresta-se para o tema incursionando na relação entre a prognose e a medicina contemporânea; dialogando com Foucault acerca da influência da anatomia patológica no reducionismo da clínica médica; ensaiando em torno da analogia entre os métodos científicos e a sexualidade a partir dos mitos Adão e Eva. O estudo baseia-se na premissa de que o prognóstico pode ser estratificado em cinco tipos: Complicado ou muito desfavorável, Progressivoou moderadamente desfavorável, Estagnado ou incerto, Residual ou moderadamente favorável e Resolvido ou muito favorável, dependendo especialmente de como o indivíduo aproveitou a principal oportunidade e a maneira que lidou com a maior dificuldade de sua vida, além de situações marcantes de sua experiência psicoafetiva ou realização pessoal. Recorre-se em paralelo à abordagem holística prevalente na homeopatia, clareando, porém, alguns pontos obscuros ao identificar que o seu modelo para efetuar o prognóstico limita-se à reação do paciente ao medicamento homeopático ou à gravidade da doença, ignorando a sua trajetória de vida. A pesquisa selecionou quinze de quarenta pacientes em tratamento atual ou pregresso, com qualquer modalidade de câncer, no Hospital do Câncer de Rio Branco e na Associação Amigos do Peito (Abrigo), de ambos os sexos, todos com idade entre 20 e 70 anos. Utilizou-se roteiro semiestruturado de 9 questões, sendo 3 sobre a doença e 6 a respeito de sentimentos ou fatos pretéritos relevantes. As informações permitiram verificar tanto as interseções no agrupamento dos três pacientes de cada tipo prognóstico, quanto as nítidas diferenças dos quinze entre si. A história de vida dos pacientes considerados Complicadoevidencia revolta e/ou inconformação súbita; no Progressivo, conflitos que se acentuam lenta e continuamente; no Estagnado, dificuldades, carências e antagonismos prolongados, mas conservando-se nomesmo patamar; no Residual, morosidade na solução das pendências, seguida por resiliência exitosa; no Resolvido, prontidão para sanar os desafios, com solidariedade e altruísmo. Maior gravidade da doença, óbitos e metástases em relação aos demais tipos predominam no Complicado e Progressivo; o quadro tende a recidiva ou sequela no Estagnado, à remissão no Residual, e casos curados há diversos anos no Resolvido. Concluiu-se que, embora o prognóstico fundamentado na história de vida careça de mais pesquisas, fornece já elementos para corroborar a atividade clínica em diversos campos profissionais, e também pode subsidiar ações voltadas para a saúde pública, em especial no campo preventivo.
2017
Gilberto Ribeiro Vieira
Aposentadoria, alimentação e fatores de risco à saúde no Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil)
A sociedade brasileira tem passado nas últimas décadas por um intenso processo de envelhecimento. Entretanto, o número de estudos sobre a influência da aposentadoria na alimentação e outros possíveis fatores de risco ainda é baixo. Esta dissertação foi dividida em duas partes. Na primeira, foi analisado o papel da aposentadoria na alimentação, e na segunda, a sua associação com o tabagismo, a prática de atividade física e o consumo excessivo de álcool. A amostra foi composta por 6.529 servidores públicos de 50 a 69 anos de idade, sendo 2.854 homens e 3.675 mulheres, provenientes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), um estudo de coorte realizado em seis centros de ensino superior no Brasil. O Índice de Qualidade da Dieta-Revisado (IQD-R) foi utilizado para a avaliação do consumo a partir do Questionário de Frequência Alimentar aplicado na primeira onda de avaliações, que ocorreu entre agosto de 2008 e dezembro de 2010. Nas duas análises, foram utilizados modelos de regressão logística com efeitos fixos por centro de investigação e ajuste por variáveis sociodemográficas e de saúde. Os resultados mostraram que a aposentadoria esteve associada com uma dieta de melhor qualidade apenas entre os homens (OR 1,70; IC95 por cento : 1,04-2,76). Foi encontrada também uma associação positiva para homens com cônjuge também aposentado (OR 2,24; IC95 por cento : 1,01-4,95). Quanto aos demais fatores analisados, entre os homens foi encontrada uma associação da aposentadoria com maior prática de atividade física (OR 1,73; IC95 por cento : 1,08-2,78) e neutra com tabagismo e consumo de álcool. Entre as mulheres, foi encontrada associação da aposentadoria com maior prática de atividade física apenas quando o cônjuge não estava aposentado (OR 2,35; IC95 por cento : 1,20-4,64). Este estudo apresenta análises e resultados novos sobre a relação entre aposentadoria e fatores de risco como alimentação e atividade física, essenciais para a preservação da saúde e da qualidade de vida durante o processo de envelhecimento
2017
Vanderlei Carneiro da Silva
Deficiência auditiva referida e condições de saúde de idosos: um estudo de base populacional
Introdução: A deficiência auditiva em idosos é decorrente do processo fisiológico do envelhecimento que ocorre de forma individual e pode ser agravada por fatores como exposição a ruídos, medicamentos, doenças e estresse. As limitações decorrentes deste déficit podem ser minimizadas evitando consequências como isolamento e frustração no idoso. A deficiência auditiva referida representa um importante instrumento para obtenção de indicadores de prevalência desta deficiência que ainda são escassos em âmbito nacional, regional e local. Objetivos: Descrever a prevalência da deficiência auditiva referida e seu impacto nas condições de saúde de idosos do município de São Paulo. Métodos: Os dados são provenientes do Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital), um estudo transversal de base populacional (n=3357) com a população não-institucionalizada e residente em área urbana do município de São Paulo. Analisou-se o subgrupo dos idosos (n=872). Foram utilizados os testes de associação do 2 e a análise de regressão de Poisson univariada. Resultados: A prevalência da deficiência auditiva referida pelos idosos foi 11,2 por cento e apesar do predomínio do sexo feminino na população estudada (60,3 por cento), esta prevalência foi quase duas vezes maior nos homens quando comparados às mulheres (p=0,006). Os homens que referiram deficiência auditiva apresentaram um diferencial na utilização de serviços de saúde, participavam mais dos programas de prevenção ao câncer de próstata (RP: 1,252 - p=0,015). A maior parte dos idosos com deficiência auditiva relatou não ter dificuldades em atividades de lazer (74,5 por cento), não necessitar de ajuda nas atividades de rotina (88,6 por cento), nem de assistência, seja médico-hospitalar ou para tratamentos de reabilitação (63,3 por cento) em decorrência deste déficit. Conclusão: A alta prevalência de deficiência auditiva referida pelos idosos, principalmente no sexo masculino, remete à relevância deste problema para a saúde pública, já que se observou desconhecimento dos idosos quanto a questões relativas a esta deficiência, assim como ações de prevenção, tratamento e reabilitação decorrentes da mesma. A utilização deste tipo de indicador em estudos de base populacional poderia representar a criação de dados para determinação da extensão da carga global e regional desta deficiência no processo do envelhecimento
Avaliaçäo do valor sistemático do Processo do I Urotergito em machos de onze espécies da subfamília Triatominae (Hemiptera, Reduviidae)
Objetivos. Avaliar o valor taxonômico da estrutura denominada \"Processo do I Urotergito\" (PIU) para a utilização na identificação de espécies de Triatominae, considerando parâmetros morfológicos e morfométricos. Comparar a eficiência da Microscopia Óptica (MO), da Microscopia Digital (MD) e da Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) na descrição das características morfológicas e ou morfométricas desse processo. Material e Métodos. Através de MO, MD e MEV partindo-se da observação direta, da fotomicrografia e/ou do desenho em câmara clara, estudaram-se machos de 12 colônias de triatomíneos procedentes de diversas localidades do Brasil, mantidas no insetário do Serviço Especial de Saúde de Araraquara (SESA), pertencente à FSP da USP. Foram observados cinco exemplares de cada amostra das espécies Panstrongylus megistus (Burmeister, 1835), Rhodnius nasutus Stal, 1859, Rhodnius neglectus Lent, 1954, Rhodnius prolixus Stal, 1859, Triatoma brasiliensis Neiva, 1911, Triatoma infestans (Klug, 1834), Triatoma pseudomaculata Correa & Espinola, 1964, Triatoma rubro varia (Blanchard, 1843), Triatoma sordida (Stal, 1859), Triatoma tibiamaculata (Pinto, 1926) e Triatoma vitticeps (Stal, 18592 Resultados. A análise morfológica do PIU permitiu observar diferenças significativas entre as espécies estudadas. Embora o estudo morfométrico tenha permitido definir atributos taxonômicos do PIU, tais como \"Largura Basal do Urotergito I\", \"Largura Basal do Urotergito 2\", \"Largura Apical do Urotergito 2\" e \"Comprimento do Urotergito 2\", como parâmetros a serem utilizados na sistemática, a análise dos resultados não permitiu uma coerência com o padrão taxonômico tradicional da subfamília Triatominae, talvez pelo pequeno número de espécies trabalhadas. Conclusões. O PIU demonstrou ser uma estrutura útil na separação e identificação de espécies de triatomíneos. No estudo, considerou-se importante tanto a utilização da MO como a MD e a MEV. Recomenda-se particularmente a ampliação do estudo das observações morfométricas que deverão comparar e analisar um maior número de espécies.
2002
Lisardo Osório-Quintero
Alergia alimentar em cães
As alergias alimentares em cães representam cerca de 1% das dermatoses dos cães, é uma doença pouco conhecida com relação a sua etiopatogenia, diagnóstico e tratamento. O objetivo geral é analisar a bibliografia de 1990 até 2003 e levantar o estado atual da arte sobre Alergia Alimentar em cães". Foi realizada revisão bibliográfica consultando o sistema de base de dados CAB Abstracts (Commonwealth Agriculture Bureau) e AGRIS. Utilizamos os unitermos: Dog", sensitivity", hipersensitivity", food "e allergy". Ao todo, foram coletados 160 trabalhos do CAB e 58 do AGRIS, somando 218 trabalhos. Destes 218 trabalhos, foram eliminados 74 escritos em outras línguas, que não a língua inglesa ou portuguesa, e 38 trabalhos que foram encontrados tanto no CAB quanto no AGRIS. Dos 106 trabalhos restantes, 21 foram escolhidos para serem inseridos neste trabalho de revisão. Quanto ao desenho de estudo foram coletados: 10 ensaios clínicos, nove revisões e dois levantamentos. Dos 21 trabalhos, 13 foram publicados nos Estados Unidos, cinco no Reino Unido, dois na Nova Zelândia e um na Austrália. Os anos com o maior número de publicações foram: 1992, 1994 e 2002. Os trabalhos foram divididos em seis temas, para melhor abordá-los: definição de conceitos, utilização do cão atópico como modelo de estudo, diagnóstico e tratamento, dietas testes, reações pseudo-alérgicas e mecanismos imunológicos. Quanto à terminologia, elas são utilizadas muitas vezes de forma errada, confundindo as verdadeiras alergias alimentares (IgE mediadas) e as reações adversas aos alimentos, comprometendo o diagnóstico, tratamento e prevenção da doença. Os mecanismos imunológicos não estão ainda totalmente definidos. Não foram encontradas discussões a respeito da Transição Epidemiológica" ou sobre a Hipótese da Higiene" e não foi possível verificar com a análise dos trabalhos selecionados a possível relação entre a mudança brusca de alimentação que sofreram os cães na última década e o provável aumento do número de casos de alergia alimentar.
2005
Marcos Eduardo Fernandes
Adaptação transcultural de instrumento para avaliação da atividade física de crianças de 7 a 10 anos de idade: avaliação das equivalências conceitual, de itens, semântica e operacional
Aspectos metodológicos envolvidos na mensuração de atividade física têm sido cada vez mais requisitados em pesquisas na área de ciências da saúde. Observa-se ausência de questionários adaptados à realidade brasileira na faixa etária de 7 a 10 anos. O objetivo deste estudo foi realizar a adaptação transcultural de questionário já validado para faixa etária de 7 a 10 anos para avaliar atividade física. A partir de levantamento bibliográfico extenso identificou-se o questionário a ser adaptado (Physical Activity Checklist Interview). Na adaptação transcultural envolveu-se a avaliação da equivalência conceitual na qual verificou que o questionário avaliava o construto de interesse e suas dimensões. Na equivalência de itens observou que alguns não eram equivalentes à cultura brasileira, sugerindo substituições equivalentes ao original. E na equivalência semântica foram realizadas tradução, retradução e avaliação dos significados conotativo e referencial, nos quais alguns itens apresentaram modificações, porém não foram consideradas discrepantes entre as versões. O pré-teste do questionário adaptado foi realizado com 24 crianças de 7 a 10 anos, da Escola de Aplicação da USP. Foi possível observar que a lista de atividades auxiliou para a lembrança das atividades realizadas no dia anterior, dificuldade na estimativa do tempo em minutos de atividade física e ocupações sedentárias no dia anterior. O tempo de entrevista foi longo e os avaliadores apresentaram dificuldade quanto à classificação sobre a avaliação da entrevista. Conclui-se que o questionário avalia o construto atividade física e suas respectivas dimensões, necessitando a realização das etapas de equivalência de mensuração e operacional para ser considerado adaptado.
Leishmaniose visceral americana: avaliação dos parâmetros da capacidade vetorial de Lutzomyia longipalpis em área urbana do muncípio de Panorama, São Paulo, Brasil
Introdução: A leishmaniose visceral (LV) é um importante problema de saúde pública no Brasil, com cerca 3000 mil casos notificados anualmente. Nos últimos anos, a LV tem ampliado sua distribuição em vários estados do país, associada principalmente aos processos socioambientais, antrópicos e migratórios. A LV é causada pela infecção com Leishmania infantum chagasi, transmitida, principalmente, por Lutzomyia longipalpis (Diptera: Psychodidae). Este flebotomíneo apresenta ampla distribuição nas Américas, todavia, evidências sugerem que se constitui em um complexo de espécies crípticas. A dinâmica de transmissão da LV é modulada por fatores ecológicos locais que influenciam a interação entre populações do patógeno, do vetor e dos hospedeiros vertebrados. Portanto, o estudo das variáveis associadas a esta interação pode contribuir para elucidar aspectos dos elos epidemiológicos e contribuir para a tomada de decisões em saúde pública. Objetivo: Avaliar parâmetros relacionados à capacidade vetorial da população de Lu. longipalpis presente em área urbana do município de Panorama, estado de São Paulo. Métodos: Foram realizadas capturas mensais durante 48 meses para avaliar a distribuição espaço-temporal de Lu. longipalpis e investigar a circulação de Le. i. chagasi. Também foram realizados os seguintes experimentos com o vetor: captura-marcação-soltura-recaptura para estimar a sobrevida da população e a duração do seu ciclo gonotrófico, a atratividade dos hospedeiros mais frequentes em áreas urbanas, a proporção de repasto em cão, infecção experimental e competência vetorial. Resultados: Observou-se que no município de Panorama, Lu. longipalpis apresentou as frequências mais elevadas na estação chuvosa (entre outubro e março), maior densidade em áreas com presença de vegetação e criação de animais domésticos, locais aonde também foi demonstrada a circulação natural de espécimes de Lu. longipalpis infectados com Le. i. chagasi. Além disto, foi corroborado que a população de Lu. longipalpis apresentou hábito hematofágico eclético, altas taxas de sobrevivência e que foi competente para transmitir o agente da LV. Nos experimentos de laboratório foi evidenciada a heterogeneidade na infecção de fêmeas de Lu. longipalpis desafiadas a se alimentarem em cães comprovadamente infectados por L. i. chagasi e o rápido desenvolvimento do parasita neste vetor natural. Conclusões. As observações do presente estudo corroboram a capacidade vetora de Lu. longipalpis para transmitir a Le. i. chagasi e ressaltam a importância da espécie na transmissão do agente etiológico da LV. Ações de manejo ambiental, educação e promoção à saúde são recomendadas às autoridades municipais para diminuir o risco potencial de infecção na população humana e canina, considerando-se o elevado potencial vetor de Lu. longipalpis e a presença de condições que favorecem a interação dos componentes da tríade epidemiológica da LV.
São José dos Campos: relação histórica do seu desenvolvimento com a mortalidade por tuberculose, 1935 a 1999
Objetivo. Análise da evolução da mortalidade por tuberculose no município, em concordância com as transformações históricas ocorridas. Métodos. Foram realizadas consultas bibliográficas dos aspectos históricos e levantamento de dados nos dois cartórios de registro civil. Foram analisados os coeficientes de mortalidade por tuberculose e as variáveis sexo, faixa etária, ocupação, local de nascimento, procedência, causas associadas e formas clínicas. Resultados. O município tomou-se uma estação de tratamento, com importantes sanatórios, principalmente entre 1935 e 1950, com coeficientes de mortalidade por tuberculose atingindo valores de 1.489,31 por 100.000 habitantes, muito superiores aos encontrados no município de São Paulo, no mesmo período, caracterizando grande invasão de óbitos no município. Estes óbitos prevaleceram no sexo masculino, em lavradores, na maioria A faixa de 20 a 39 anos foi predominante em ambos os sexos. Ocorreu maior freqüência dos nascidos no Estado de São Paulo, que também foi responsável pela maior procedência. Dentre os estrangeiros, destacaram-se os japoneses e os portugueses. Das formas clínicas, a pulmonar foi a mais freqüente. A inauguração da Rodovia Presidente Dutra e a criação do Centro Técnico Aeroespacial e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, na década de 1950, estimularam a instalação de indústrias no município. O tratamento ambulatorial e a utilização de uma quimioterapia eficaz para a tuberculose reduziram os óbitos, levando ao fechamento dos sanatórios, com o direcionamento do crescimento para o setor industrial. Conclusões. A tuberculose teve grande influência no desenvolvimento do município até a redução de sua mortalidade, quando este assumiu, definitivamente um perfil industrial, transformando-se em um pólo tecnológico expressivo.
2001
Douglas Carlyle Belculfiné
Culex quinquefasciatus (Diptera: Culicidae): aspectos da manipulação genética e estudos populacionais utilizando marcadores microssatélites
O avanço na distribuição geográfica de mosquitos vetores é seguido pela emergência de vírus e doenças em novas áreas para as quais não há disponibilidade de vacinas efetivas e drogas terapêuticas específicas são insuficientes. Métodos de controle de mosquitos tradicionais perderam efetividade, devido principalmente a grande capacidade reprodutiva e flexibilidade genômica dos mosquitos. Controle químico cada vez mais tornase restrito, acarretando na urgente necessidade de novas formas de controle. A liberação de machos carregando um gene letal dominante (RIDL) oferece novas abordagens aplicáveis ao controle de mosquitos e ainda assim ecológicas e espécie específica. Mosquitos Culex quinquefasciatus foram transformados com sucesso apenas uma vez, apesar do esforço de diversos laboratórios em obter uma linhagem transgênica estável. Foi desenvolvido um método de expressão transiente em mosquitos Culex, que insere plasmídeos contendo genes efetores na hemolinfa e tecidos subjacentes do mosquito. Foi observada a expressão da proteína fluorescente DsRed2, em mosquitos Culex quinquefasciatus adultos mediada por plasmídeos. Esta expressão pode ser considerada um importante passo na transformação de mosquitos Culex, além de potencial uso em estratégias de controle genético e interações gênicas. Para que novas formas de controle sejam realmente efetivas é vital que se conheça a estrutura genética da população alvo. Marcadores moleculares têm sido extensivamente utilizados em estudos filogenéticos e taxonômicos de diversas espécies de insetos. Microssatélites são de grande utilidade para observar estruturas populacionais, tanto em âmbito geográfico, quanto na escala evolucionária. Foi possível observar a formação de clusters e de padrões genéticos distintos entre as populações analisadas, criando um panorama genético dos mosquitos Culex quinquefasciatus coletados no Brasil
2013
Andre Barretto Bruno Wilke
O papel do estado nutricional na reinfecção pós-tratamento antiparasitário em crianças residentes no município de Santa Isabel, SP
O presente trabalho têm como objetivo avaliar o papel do estado nutricional na infecção ou reinfecção por parasitas intestinais após tratamento quimioterápico em crianças de 1 a 10 anos de idade. O estudo foi planejado como epidemiológico longitudinal (coorte prospectiva) com acompanhamento bimensal da população alvo pelo período de 1 ano. O trabalho foi desenvolvido em 3 bairros com características semi-urbanas do Município de Santa Isabel: Jardim Novo Éden, Jardim das Acácias e Jardim Eldorado. O município de Santa Isabel está a 65 Km de distância de São Paulo. O início do trabalho foi em outubro de 1997. Todas as residências dos 3 bairros foram visitadas e as crianças na faixa etária escolhida foram convidadas a participar do estudo. Tivemos 58 crianças em que os pais se recusaram a participar. Todas as crianças que participaram do estudo tiveram a autorização dos pais com a assinatura do consentimento pós-informado. O total de crianças estudadas foi de 759. Foram aplicados questionários sobre a saúde da criança, tomada de medidas de peso e altura, recolhidas 3 amostras de fezes. Após o resultado do primeiro exame de fezes todas as crianças receberam tratamento com Panfugan (mebendazol) com reforço após 15 dias e comprovação da cura através de novo exame protoparasitológico. As crianças que apresentaram positividade para Giardia lamblia e Entamoeba histolytica receberam Secnidal (secnidazol). Os períodos de coletas de dados após o tratamento antiparasitário foram: 12 a 17 de Janeiro, 23 de Março a 07 de Abril, 24 de Maio a 9 Junho, 06 a 12 de Agosto, 19 a 27 de Outubro no ano de 1998. Em uma sub-amostra da população estudada foram preenchidos questões sobre as condições sócio-econômica e cultural das famílias, e ainda foi aplicado o Recordatório 24 horas para conhecermos o consumo alimentar das crianças. Os métodos utilizados na identificação dos ovos e larvas dos parasitas foram: Hoffman e col., Rugai e col., Faust e col. e para a contagem de ovos foi utilizado o método de Kato-Katz. Para avaliar o perfil nutricional das crianças foi utilizado o padrão de referência do National Center Health Statistics (NCHS) e os \"scores\" de desvio padrão (Zscores) para os índices de peso para altura (WHZ) e altura para idade (HAZ). As análises estatísticas univariadas foram realizadas por meio do teste do qui-quadrado, e para as análises de \"sobrevida\" foi utilizado o modelo de riscos proporcionais de Cox. Os resultados mostraram que a prevalência inicial de helmintos foi de 33,6% (255), e os parasitas mais prevalentes foram Ascaris lumbricoides 18,9%(143) e Trichuris trichiura 16,9% (128). Foi encontrada uma prevalência de 8% (61) de desnutrição infantil. A infecção concomitante de Ascaris e Trichuris foi observada em 26%(11) dos desnutridos, mostrando uma associação positiva entre as duas variáveis. Após o tratamento antiparasitário as crianças desnutridas infectaram-se numa proporção maior que as crianças eutróficas. Os resultados obtidos através do modelo de Cox mostraram que os desnutridos têm um risco de infecção por helmintos de RR= 1,726 p= 0,0326 e um risco para reinfecção de RR= 2,2921 p= 0,0029, mesmo controlando este risco com a idade da criança e o local de moradia. Estes resultados indicam que as crianças desnutridas são mais susceptíveis a infecção e reinfecção por helmintos.
1999
Silvia Regina Dias Médici Saldiva