RCAAP Repository
Valor comparativo do teste tuberculínico repetido depois de 72 horas
Foi feito o estudo comparativo do teste tuberculínico com PPD, Rt-23, 2UT, repetido depois de 72 horas, com leituras de 24, 48 e 72 horas após cada aplicação, em 415 pessoas de 5 a 15 anos de idade, de ambos os sexos, vacinadas e nao vacinadas anteriormente com BCG-intradérmico, pertencentes a três Unidades da Fundação do Bem-Estar do Menor (FEBEM), São Paulo, 1977. Os resultados valorizam a 2a aplicação do teste tuberculínico,e as leituras após 72 horas de cada aplicação. A 2a aplicação mostrou maior percentual de reatores, detectando com maior probabilidade, os falsos negativos da 1a. aplicação do teste tuberculínico.
1978
Eloisa Aparecida Guedes
Atividades integradas de controle da tuberculose numa unidade sanitária da Fundação Serviços de Saúde Pública (FSESP), Penedo, Alagoas, 1970-1976
O autor apresenta a análise dos dados relativos às atividades de luta antituberculose realizadas pela FSESP em Penedo, Alagoas, durante o período de 1970 a 1976. Tece comentários sobre a tuberculose como grave problema de saúde pública e apesar métodos conhecidos e bastante eficazes de controle, ainda é grande a incidência dessa doença em nosso meio. Isto foi visto na 3a. Região de Saúde de Alagoas, onde estudou e descreveu aspectos da situação fisiográfica e socio-economica. Analisa os diferentes aspectos epidemiológicos da doença naquela Região e as atividades integradas, que são ali desenvolvidas, pela Unidade de Saúde local, com utilização de recursos disponíveis, locais e regionais, ainda insuficientes. Por essa razão, sugere apos análise, maior trabalho na educação da saúde do povo, com serviços polivalentes e ajuda governamental, para o efetivo controle da tuberculose.
Conhecimentos e opiniões de usuários sobre a importância do exame e das amostras de escarro no diagnóstico da tuberculose pulmonar
A tuberculose continua sendo um sério problema de saúde pública no Brasil. O coeficiente de mortalidade vem tendo aumento significativo, apesar de todo o avanço tecnológico no campo dos recursos diagnósticos e de tratamentos disponíveis. Esta pesquisa teve como objetivo identificar conhecimentos e opiniões de usuários num serviço de saúde do Município de São Paulo Brasil, sobre a importância do exame das amostras de escarro no diagnóstico da tuberculose pulmonar pelo método bacteriológico. Setenta e oito (78) usuários foram entrevistados, durante o período de junho e julho de 1998. Os resultados mostram uma população com baixas condições sócio-econômicas. Todos os entrevistados haviam sido submetidos à baciloscopia de escarro e radiografia de tórax, e (46,2 por cento ) confiavam mais no RX do que na baciloscopia de escarro. Embora 93,6 por cento alegassem terem sido orientados quanto à colheita de escarro, constatou-se que 33,3 por cento deles, não sabiam colher o exame e 15,4 por cento apresentavam dúvidas. Quando indagados sobre a importância da colheita de mais de uma amostra, 52,1 por cento não souberam responder. Quanto à importância atribuída ao exame de escarro, 10,4 por cento citaram que o exame serve para avaliar o tratamento e, 16,6 por cento que o mesmo descobre se a doença é ativa; embora, uma grande maioria (72,9 por cento ) mencionassem que fizeram o exame porque o médico solicitou. As dificuldades quanto ao entendimento das orientações recebidas apresentam-se relacionadas às condições sócio-econômicas precárias da população estudada, ao modo de trabalho da equipe de saúde, aliadas à atitude passiva dos usuários diante da assistência prestada, ao forte estigma quanto ao ato de escarrar e a crença de que o exame radiológico é o melhor método diagnóstico. A somatória destes fatos promove falhas na qualidade da assistência prestada e na efetivação das ações do Programa de Controle da Tuberculose, o que traz, consequentemente, uma perda da qualidade dos serviços e o agravo do problema da tuberculose em nosso meio.
1999
Lucia de Lourdes Souza Leite Campinas
Sexualidade e envelhecimento: uma análise da relação atividade e satisfação sexual
O objetivo desta tese é analisar se há associação entre atividade sexual e satisfação sexual, e as condições demográficas, socioeconômicas e de saúde, e também a importância dada à vida sexual no passado e no presente, para a população idosa residente no município de São Paulo. Foram considerados os dados do Estudo SABE - Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento, relativos à amostra de 2006, composta por 1.078 sujeitos, correspondendo após ponderação a uma população de 854.724 idosos do município de São Paulo. Homens e mulheres foram analisados separadamente, e os dados comparados posteriormente. Os resultados mostraram que frente ao aumento da idade e determinadas condições socioeconômicas e de saúde, a satisfação sexual é cada vez menos associada à atividade sexual, sendo isso mais verificado entre as mulheres do que os homens. Em relação às condições de saúde, a ocorrência de doenças entre as mulheres mostrou mais interferência negativa para a satisfação sexual do que entre os homens. Entre os casados verificou-se maior relação entre a atividade sexual e a satisfação sexual. Como conclusão observou-se que, com o avanço da idade, a satisfação sexual está menos associada à realização de atividade sexual, independente do sexo, porém, isso se verifica mais entre as mulheres, o que não justifica dizer que as pessoas idosas são assexuadas.
O Programa Pesquisa para o Sus: gestão compartilhada em saúde - PPSUS como ferramenta de descentralização do fomento à pesquisa em saúde
INTRODUÇÃO: O Brasil adentrou o século 21, caracterizado como o século da Ciência e Tecnologia - C&T, buscando discutir, identificar e implantar mecanismos de construção de uma sociedade onde o conhecimento seja o propulsor de conquistas sociais, econômicas e culturais. Tinha pela frente a tarefa de confrontar desafios que se apresentavam no cenário do sistema nacional de C&T, como a fragmentação das atividades de C&T, a ausência de coordenação interinstitucional e a concentração das atividades de C&T em determinadas regiões do país. OBJETIVO: Este estudo se propôs analisar uma das principais estratégias do recém-criado Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde para o enfrentamento a estes desafios, desenvolvido, entre os anos 2002 e 2008 por meio do Programa Pesquisa para o SUS: gestão compartilhada em saúde PPSUS. MÉTODO: Trata-se de um estudo exploratório e descritivo, desenvolvido por meio de recursos dos métodos quantitativo de pesquisa e com suporte de instrumentos multivariados de coleta de dados: pesquisa bibliográfica e pesquisa documental. No tocante aos dados, foram coletados dados sobre o conjunto de projetos de pesquisa em ciência e tecnologia em saúde, fomentados no país no período de 2002 a 2008 e financiados pelo Ministério da Saúde, em ação compartilhada com Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de Unidades Federativas do país e com Secretarias Estaduais de Saúde (SES). As fontes de coleta dos dados foram a base de dados gerenciais PesquisaSaúde do Ministério da Saúde e a base de dados do Curriculum Lattes do CNPq. A coleta de dados abrangeu o universo de 1.271 projetos de pesquisa, fomentados no país desde o início do programa de fomento à pesquisa em ciência e tecnologia em saúde (2002), até 2008, quando teve início a pesquisa. RESULTADOS: Nas três edições do PPSUS estudadas, houve a participação de todos os 27 estados da federação, 213 instituições de pesquisa e 1.151 pesquisadores. Do total de recursos 41 por cento foram alocados pelas FAPs e SES, mostrando uma crescente responsabilização destes como parceiros efetivos na consolidação do programa. CONCLUSÃO: Os resultados observados reforçaram a hipótese positiva de que o programa de gestão descentralizada produziu efetivamente uma reestruturação em termos de gestão de C&T, interferindo no aprimoramento das políticas de C&T nos estados, institucionalizando ações de gestão de forma a se constituírem numa rotina administrativa. Quanto à redução das desigualdades na distribuição de recursos de C&T entre as grandes regiões do país, os resultados demonstraram que, nos estados onde as FAPs e SES estavam mais estruturadas foram, justamente, aqueles que mais contribuíam para as ações de C&T. Este movimento repete o status quo, proporcionando a continuidade das disparidades regionais. Porém, teve o êxito de produzir uma adesão positiva para ações efetivas em C&T em Estados onde não havia um histórico nesta área, traduzindo-se num forte aliado para a redistribuição de forças no cenário de C&T.
Campos eletromagnéticos e leucemia linfocítica aguda em crianças residentes na região metropolitana de São Paulo
Introdução- As Leucemias Linfocíticas Agudas (LLA) constituem-se na mais comum das neoplasias em crianças. Alguns estudos epidemiológicos identificaram riscos aumentados de LLA em crianças expostas a campos magnéticos gerados por linhas de força de alta tensão, porém, essa associação não foi confirmada por outros estudos. Objetivo- Verificar a associação entre exposição a campos magnéticos e a incidência da LLA em crianças residentes na Região Metropolitana de São Paulo, considerando-se a distância das residências das crianças de linhas de transmissão de energia (88, 138, 230, 345 e 440 kV). Métodos- Estudo casocontrole de base populacional. Os casos foram selecionados em cinco hospitais na capital do município de São Paulo, que concentram o atendimento a crianças com LLA. Quatro controles populacionais foram selecionados para cada caso, emparelhados por sexo, idade e cidade de nascimento. Casos e controles foram entrevistados utilizando-se questionário similar para obtenção de informações sobre as variáveis de interesse e potenciais variáveis de confusão. Os domicílios foram avaliados em relação às distâncias de linhas de transmissão de energia mais próxima utilizando-se o Global Positioning System (GPS). Na análise da associação entre campos magnéticos e LLA foi utilizada regressão logística condicional, incluindo o controle de potenciais variáveis de confusão. Foram calculados os odds ratios (OR) e os respectivos intervalos com 95 por cento de confiança (IC95 por cento). Resultados- A associação entre a distância de linhas de transmissão e LLA foi ajustada pela variável escolaridade da pessoa entrevistada, resultando em OR de 2,91 (IC95 por cento 0,92-9,22). Conclusão- Concluiu-se que, crianças residentes a menos de 160 metros de linhas de transmissão de energia na RMSP apresentam risco maior, porém não estatisticamente significativo de desenvolver LLA quando comparadas com as que residem a mais que 160 metros.
2009
Daniele Maria Pelissari
Aspectos bioecológicos de Culex quinquefasciatus e Ochlerotatus scapularis, abrigados em habitats do Parque Ecológico do Tietê na cidade de Säo Paulo, SP
Objetivos. Diante da importância epidemiológica de Culex quinquefasciatus e Ochlerotatus scapularis e da conhecida dominância dessas populações em áreas do Parque Ecológico do Tietê, objetivou-se estudar ao longo das estações do ano aspectos bioecológicos das duas populações abrigadas em diferentes habitats. Métodos. Realizaram-se coletas quinzenais nos diferentes habitats com auxílio de aspirador a bateria. O estado fisiológico e o tamanho do corpo das fêmeas das duas populações foi verificada em laboratório a partir de amostras aleatórias de cada habitat. Resultados. A proporção entre os sexos revelou um maior predomínio de machos entre os habitats, esta diferença foi mais significante para Culex quinquefasciatus. Ochlerotatus scapularis apresentou um percentual maior de fêmeas paridas comparado a Culex quinquefasciatus nos diferentes habitats. Essa diferença foi significante com (χ2 = 16.6 e p =0,01). A distribuição de fêmeas paridas e nulíparas de Culex quinquefasciatus nos habitats do interior do parque, foi mais significante (χ2 = 28,7 e p < 0,001) comparada à distribuição de Ochlerotatus scapularis (χ2 = 13,8 e p = 0,01). As fêmeas paridas dos mosquitos foram numericamente mais expressivas ao longo da estação chuvosa, nos habitats da periferia e interior do parque. As duas populações apresentaram fêmeas nos estágios III de Christophers e Mer com o intestino totalmente cheio de sangue vermelho, indício de discordância gonotrófica. Culex quinquefasciatus foi estatisticamente maior que Ochlerotatus scapularis (p < 0,001), em relação ao tamanho do corpo, apresentando diferença estatística significante tanto no período de chuva quanto no de seca (H = 69,9 e P < 0,001). O coeficiente de regressão (β1= -14.9) e o coeficiente de correlação (r = - 0,62) indicaram para Culex quinquefasciatus um efeito negativo do tamanho sobre as fêmeas paridas. A função do tamanho não se explicou em fêmeas nulíparas e de machos de Culex quinquefasciatus, indica a proximidade do criadouro. O tamanho do corpo de Culex quinquefasciatus é maior que Ochlerotatus scapularis. O efeito do tamanho do corpo sobre o número de fêmeas paridas foi negativo. Culex quinquefasciatus e Ochlerotatus scapularis apresentaram discordância gonotrófica. As fêmeas paridas de Ochlerotatus scapularis estiveram em consonância com altas temperaturas e com os picos de densidade de fêmeas. Existe diferença estatisticamente significante na distribuição de fêmeas paridas e nulíparas das duas populações entre os habitats estudados.
2002
Regiane Maria Tironi de Menezes
A qualidade da informação de mortalidade em alguns municípios da Regional de Saúde de Marília - SP: correção de distorções por meio de técnicas simples
As informações de mortalidade, indispensáveis para a elaboração de diversos indicadores de saúde, permitem o conhecimento dos agravos que afetam uma população, orientando a implantação de modelos de atenção, promoção da saúde e das ações de prevenção e controle. No Brasil, o Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/MS) foi implantado, em nível nacional, em 1975. No entanto, a qualidade e a confiabilidade das declarações de óbito (DO) vem sendo analisada e questionada em todo o mundo. O aspecto mais relevante na análise qualitativa é o que mede a fidedignidade das informações relativas à mortalidade por causa. Objetivos. Avaliar o SIM do ponto de vista qualitativo e testar metodologias simples e uniformes capazes de minimizar suas distorções. Método. Foram coletadas as DO das mortes ocorridas em cinco municípios da Regional de Saúde de Marília/SP, em um período de quatro meses. Destas, foram investigadas as que não apresentavam a causa de morte bem definida, as codificadas como causas externas e presumíveis de AIDS, e as mortes de mulheres em idade fértil (10 a 49 anos). Para o esclarecimento da causa de morte e elaboração de uma DO-nova, foram coletadas informações adicionais em prontuários ambulatoriais e hospitalares, entrevistas no domicílio, laudos do Instituto Médico Legal e boletins das Delegacias de Polícia. Ao final, a causa básica de óbito da DO original foi comparada com a refeita pelo estudo. Resultados. Do total de óbitos ocorridos nos municípios selecionados, 16,5% foram por causas mal definidas, 6,7% tinham como causa diagnósticos incompletos e 8,6% causas externas. Das 302 mortes investigadas, foi possível tomar bem definidas 68,2% das causas mal definidas, 74,5% das com diagnósticos incompletos, 70% das externas mal definidas e 77,3% das externas incompletas. Foram encontrados três casos de AIDS e um de morte materna, não declarados na DO original. As fontes consultadas, tanto os prontuários e laudos, como as entrevistas no domicílio, mostraram-se suficientes para o esclarecimento da causas de morte. Conclusões. A proporção de mortes por causas mal definidas em relação ao total de óbitos, no conjunto dos municípios estudados, foi maior do que a observada no estado, tendo sido possível obter um ganho apreciável na qualidade da informação por meio do uso de técnicas simples e acessíveis.
2002
Maria Cristina Rolim Baggio
A suscetibilidade à rubéola das gestantes, Bauru, 1987
A vacinação contra a rubéola tem como objetivo único, a proteção de futuras gerações de crianças em desenvolver a rubéola congênita. Gregg40, em 1941, levantou a hipótese de a rubéola ser a causa do nascimento de crianças com graves malformações congênitas. A confirmação etiológica só foi possível em 1962, com o isolamento do vírus, o que permitiu o desenvolvimento da vacina. A vacina foi utilizada, a partir de 1969, nos Estados Unidos e na Inglaterra e, atualmente, faz parte dos programas de vacinação de rotina na maioria dos países desenvolvidos. As experiências de mais de duas décadas no uso da vacina nos programas de controle da SÍNDROME DA RUBÉOLA CONGÊNITA (SRC) mostraram que a epidemiologia da rubéola, assim como a operacionalização das metas propostas para a cobertura vacinal são bastante complexas. As características do vírus, na sua interação com a população humana, determinam um padrão de transmissibilidade que propicia a formação de bolsões de indivíduos suscetíveis na idade adulta. Em condições naturais, a rubéola infecta cerca de 80 por cento a 90 por cento das pessoas até os 20 anos de idade, deixando um resíduo de indivíduos suscetíveis a partir desta idade, que, aparentemente, se mantém mesmo com epidemias sucessivas. O nascimento de crianças com SRC está condicionado à infecção rubeólica durante a gestação das mães destas crianças, portanto, a existência de mulheres suscetíveis à rubéola na idade fértil é uma condição fundamental à ocorrência da doença. O óbito de crianças malformadas detectadas em alguns meses do ano de 1986 chamou a atenção dos epidemiologistas do Município de Bauru para uma possível associação com a epidemia de rubéola ocorrida na cidade em 1985. Conhecer a proporção de suscetibilidade à rubéola entre gestantes é uma das maneiras para se estimar o risco de ocorrência de SRC. Em 1987, 689 gestantes residentes no Município de Bauru foram entrevistadas e submetidas a teste de inibição de hemaglutinação para determinação de suscetibilidade à rubéola. Destas gestantes, 66 (9,7 por cento ) foram consideradas suscetíveis à rubeóla. Não houve diferença estatisticamente significante na proporção de suscetibilidade das gestantes em relação à idade, número de gestações, paridade e idade gestacional, o que de certa forma confirma a dificuldade do vírus da rubéola em infectar todas as pessoas até o início da idade adulta, mesmo após uma epidemia. Este resíduo de suscetibilidade dificilmente seria eliminado naturalmente, como mostram as diferentes experiências nos países que iniciaram um programa de controle da SRC. Seria necessária uma alta cobertura vacinal (cerca de 95 por cento ) de todas as coortes de crianças e adolescentes para se conseguir a quebra na cadeia do processo infeccioso. Concomitantemente, é decisiva a proteção de todas as mulheres em idade fértil até que, estas coortes de indivíduos bem imunizados atinjam a idade fértil. Uma intervenção desta natureza não poderia ser implementada sem o respaldo de um sistema de vigilância epidemiológica fortalecido e atuante, capaz de monitorar não apenas o andamento do programa, mas, fundamentalmente, medir o impacto desta intervenção em termos de incidência de SRC. Considerando as características de polimorfismo da SRC e as dificuldades em se medir a magnitude da infecção congênita, a avaliação de um programa que envolve pelo menos duas gerações de indivíduos é um grande desafio para os administradores de saúde, principalmente, nos países em desenvolvimento.
Meningite meningocócica no município de São Paulo no período de 1968 - 1974: aspectos epidemiológicos
O autor fez um estudo epidemiológico sobre a meningite meningocócica no município de São Paulo durante o período de janeiro de 1971 a junho de 1974. Durante esse período duas epidemias de moléstia ocorreram na área estudada. A primeira se iniciou em julho de 1971 e foi causada pelo meningococo sorogrupo C. Os primeiros casos da segunda epidemia, determinada pelo meningococo sorogrupo A, foram observados em abril de 1974, ocasião em que a primeira epidemia ainda não havia terminado. O número total de casos confirmados notificados ao Departamento Regional da Saúde da Grande são Paulo foi de 4.431. Os maiores coeficientes de morbidade foram observados: durante os meses frios; nos distritos sanitários da periferia do município, onde vive a população de menor poder aquisitivo; nos latentes. Durante os dois primeiros meses das duas epidemias, houve uma diferença significante nos grupos etários mais atingidos pela moléstia. Enquanto na primeira epidemia o grupo dos latentes foi mais atingido, na segunda epidemia grande número de casos ocorreu entre os adolescentes e adultos jovens (15-24 anos). A letalidade decresceu de 15,0por cento durante o período pré-epidêmico de 1968-1970 para 7,9por cento no periodo epidêmico de 1971-1974. Foi observada uma variação sazonal da letalidade no sentido inverso ao da morbidade. O autor considera que as migrações populacionais possam ter representado um papel importante na eclosão das epidemias e sugere uma investigação futura nesse sentido. No início do trabalho foi feita uma revisão bibliográfica sobre vacinação antimeningocócica, uma vez que a mesma parece ser o meio mais eficaz para a profilaxia da moléstia, ao lado de diagnóstico precoce e adequado atendimento médico-hospitalar.
Associação espacial entre mortalidade infantil e precipitação pluviométrica no Estado de Pernambuco
Introdução: Estudar a mortalidade infantil associada às variáveis climáticas é um desafio, sobretudo por causa da complexidade das variáveis envolvidas no coeficiente de mortalidade infantil. Objetivo: Identificar associação espacial entre mortalidade infantil, mortalidade infantil pós-neonatal, e mortalidade infantil por diarreia e precipitação pluviométrica. Método: As análises espaciais, realizadas para 184 municípios de Pernambuco, foram: I Moran, estimador bayesiano empírico local, autocorrelação local e autocorrelação local bivariada. Resultados: Houve associação espacial estatisticamente significativa entre a mortalidade infantil, a mortalidade infantil pós-neonatal e a mortalidade infantil por diarreia e precipitação. A região do semiárido apresenta aglomerados com as mortalidades associadas à baixa precipitação. Enquanto que na região do não semiárido, elas foram associadas ao excesso de precipitação. Discussão: A associação entre mortalidade infantil e espaço, mortalidade infantil e regime de chuvas possuem comportamento distinto entre as regiões do não semiárido e do semiárido. As condições precárias de saneamento básico aliadas ao baixo indicador socioeconômico podem ter contribuído para aumento do risco de mortalidade infantil. As técnicas de análise exploratória espacial foram relevantes para visualização das heterogeneidades intermunicipais e identificação de associação espacial entre mortalidade infantil e precipitação
2012
Maria Aparecida Guilherme da Rocha
Avaliação da qualidade do Sistema de Informação de Registro de Óbitos Hospitalares (SIS-ROH), Hospital Central da Beira, Moçambique
As informações de mortalidade são úteis para avaliar a situação de saúde de uma população. Dados de mortalidade confiáveis produzidos por um sistema de informação de saúde nacional constituem uma ferramenta importante para o planejamento de saúde. Em muitos países, sobretudo em desenvolvimento, o sistema de informação de mortalidade continua precário. Apesar dos esforços feitos em Moçambique para melhoria das estatísticas de mortalidade, os desafios ainda prevalecem em termos de tecnologias de informação, capacidade técnica de recursos humanos e em termos de produção estatística. O SIS-ROH é um sistema eletrônico de registro de óbitos hospitalares de nível nacional, implementado em 2008 e tem uma cobertura de apenas 4% de todos os óbitos anuais do país. Apesar de ser um sistema de nível nacional, ele presentemente funciona em algumas Unidades Sanitárias (US), incluindo o Hospital Central da Beira (HCB). Dada a importância deste sistema para monitorar o padrão de mortalidade do HCB e, no geral, da cidade da Beira, este estudo avalia a qualidade do SIS-ROH do HCB. É um estudo descritivo sobre a completitude, cobertura, concordância e consistência dos dados do SIS-ROH. Foram analisados 3.009 óbitos de menores de 5 anos ocorridos entre 2010 e 2013 e regsitrados no SIS-ROH e uma amostra de 822 Certificados de Óbitos (COs) fetais e de menores de 5 anos do HCB. O SIS-ROH apresentou uma cobertura inferior a 50% calculados com os dados de mortalidade estimados pelo Inquérito Nacional de Causas de Morte (INCAM). Verificamos a utilização de dois modelos diferentes de CO (modelo antigo e atual) para o registro de óbitos referentes ao ano de 2013. Observou-se completitude excelente para a maioria das variáveis do SISROH. Das 25 variáveis analisadas dos COs observou-se a seguinte situação: 9 apresentaram completitude muito ruim, sendo elas relativas à identificação do falecido (tipo de óbito e idade), relativas ao bloco V em que dados da mãe devem ser obrigatoriamente preenchidos em caso de óbitos fetais e de menores de 1 ano (escolaridade, ocupação habitual, número de filhos tidos vivos e mortos, duração da gestação) e relativas às condições e às causas de óbito (autópsia e causa intermédiacódigo); 3 variáveis apresentaram completitude ruim relativas à identificação do falecido (NID) e relativas às condições e causas de morte (causa intermédia - descrição e causa básica - código); 9 apresentaram completitude regular relativas à identificação do falecido (data de nascimento e idade), relativas ao bloco V (idade da mãe, tipo de gravidez, tipo de parto, peso do feto/bebé ao nascer, morte do feto/bebé em relação ao parto) e relativas às condições e causa de óbito (causa direta- código, causa básica descrição); 2 apresentaram completitude bom relativas à identificação do falecido (sexo e raça/cor) e, por último, 2 apresentaram completitude excelente relativas ao local de ocorrência de óbito (data de internamento e data de óbito ou desaparecimento do cadáver). Algumas variáveis do SIS-ROH e dos COS apresentaram inconsistências. Observou-se falta de concordância para causa direta entre o SIS-ROH e os COs. Conclusão: Moçambique tem feito esforços para aprimorar as estatísticas de mortalidade, porém há lacunas na qualidade; a análise rotineria dos dados pode identificar essas lacunas e subsidiar seu aprimoramento.
2016
Edina da Rosa Durão Mola
Subsídios para a implantação de um sistema de vigilância de causas externas no município de Cuiabá/MT
Introdução. A violência é um dos problemas mais sérios de Saúde Pública. Para conhecê-lo, usam-se, principalmente, dados de mortalidade, reconhecendo-se, no entanto, como relevante, o uso de outros dados para o monitoramento desses eventos. Objetivo. Fornecer subsídios para a implantação de um Sistema de Vigilância de Causas Externas (CE), por meio da análise de dados oriundos de diferentes fontes de informação e subseqüente relacionamento entre os bancos de dados produzidos por essas fontes. Metodologia. Para análise da mortalidade utilizou-se o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/MS); para os de morbidade hospitalar, o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS); para a morbidade não hospitalar criou-se um sistema de informações para as unidades de urgência e emergência. Esses bancos foram relacionados entre si e com o da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sistema de Registro de Ocorrências Policiais), por meio do aplicativo RecLinkII. Resultados. Dados de 1980 a 2002 mostram que os coeficientes de mortalidade são sempre mais elevados em Cuiabá que no Brasil e Mato Grosso; o homicídio é a principal causa de morte, com tendência de crescimento. As internações por CE também apresentam índices superiores aos do Brasil e do Estado, assim como as taxas relativas ao tempo médio de permanência, gasto médio e mortalidade hospitalar; o traumatismo é a principal lesão e, diferente da mortalidade, os acidentes, exceto os de transporte, são as principais causas de internação. Quanto às unidades de urgência e emergência, verificou-se que é viável e necessária a implantação da ficha de notificação; a qualidade do preenchimento foi boa nos itens identificação e tipo de CE, possibilitando o uso dessas informações; a análise epidemiológica mostrou que os acidentes são mais freqüentes e que 97% dos pacientes, atendidos nessas unidades, receberam alta na própria unidade. Um dos usos do processo de relacionamento é o aprimoramento da qualidade da informação gerada por esses bancos e o monitoramento dos eventos; o relacionamento entre os bancos é possível, mas é recomendável que se inicie com o SIM e SIH/SUS. Conclusões: O perfil de morbimortalidade apresentado para os diferentes sistemas é muito distinto, o que aponta para a necessidade de integração desses bancos de dados para ampliar o conhecimento sobre os acidentes e violências. No entanto, é necessário estabelecer metas a curto, médio e longo prazo, que contemplem, no mínimo, a melhoria da qualidade da informação, a criação de uma equipe de vigilância de causas externas e a implantação de um sistema de informação para unidades de urgência e emergência.
2007
Ligia Regina de Oliveira
Estudo de um grupo de recém-nascidos em maternidades: suas características e a mortalidade do período neonatal precoce
Este trabalho descreve uma população de 12782 nascidos vivos de nove maternidades e algumas características apresentadas durante o período em que se encontraram hospitalizados, do nascimento até o 7. dia de vida. Dividiu-se em dois grupos de acordo com o tipo de alta: os recém-nascidos que tiveram alta vivos e o grupo que faleceu durante as primeiras 168 horas de vida. As características próprias do RN como peso ao nascer, patologias, mortalidade, assim como a idade da mãe, a frequência às consultas de pré-natal p o tipo de parto, são descritas para os dois grupos. Calculou-se o coeficiente de mortalidade neonatal precoce mínimo, assim denominado por se referir aos óbitos do período ocorridos durante a internação, para cada variável estudada. A mortalidade mínima para o período neonatal precoce foi de 18,85 por mil nascidos vivos. Houve uma incidência de 11,1 por cento de recém-nascido de baixo peso que apresentaram uma mortalidade específica por peso de 115 por mil NV; 17,4 por cento das mães tinham menos que 20 anos e 9,7 por cento idade igual ou superior a 35 anos. Os nascimentos ocorreram a termo em 70,2 por cento do total e 60,2 por cento dos partos foram normais. A assistência pré-natal (com um mínimo de 3 consultas) foi realizada por 57,8 por cento das mulheres cujos filhos participaram do estudo. Icterícia, anóxia, hipóxia e membrana hialina foram as patologias de maior incidência durante a hospitalização. O coeficiente de mortalidade para 1. dia de vida foi de 6,9 mil nascidos vivos, diminuindo para cada dia, sucessivamente e atingindo um mínimo de 0,2 por mil nascidos vivos no 6. dia de vida. Entre as mais freqüentes causas de óbito estão as anóxias, hipóxias e afecções respiratórias, seguidas pelas malformações congênitas e afecções maternas que afetaram o recém-nascido.
Uso de teste imunoenzimático na vigilância epidemiológica de arboviroses
Realizou-se revisão bibliográfica sobre a utilização do teste imunoenzimático, ELISA (enzyme-linked immunosorbent assay) na Vigilância Epidemiológica de infecções causadas por arbovírus da Família Flaviviridae, gênero Flavivirus e da Família Togaviridae, gênero Alphavirus. Foram consultados trabalhos publicados a partir de 1979, ano da introdução do teste em pesquisas de arboviroses. Observou-se que o teste tem sido empregado na pesquisa de anticorpos em humanos, de anticorpos e antígenos em reservatórios não humanos e na identificação de antígenos e da fonte alimentar de mosquitos vetores. Analisou-se o desempenho de ELISA comparando-o a técnicas tradicionalmente empregadas para identificação de anticorpos e antígenos de arbovírus. O teste apresentou 100,0 por cento de sensibilidade e especificidade média de 84,5 por cento na identificação de anticorpos anti-Alphayirus em humanos. A técnica também foi muito sensível para Flavivirus, com valor médio de 95,2 por cento e apresentou especificidade média de 77,6 por cento. Na identificação de anticorpos anti-arbovírus em resevatórios não humanos, ELISA mostrou sensibilidade de 100,0 por cento e especificidade de 97,4 por cento. Na pesquisa de antígenos vir ais em mosquitos vetores a técnica apresentou especificidade média de 93,6 por cento e sensibilidade média de 76,5 por cento. A técnica apresentou alto valor preditivo positivo, o que foi observado quando calculou-se a média dos valores apresentados em cada um dos trabalhos em que esse parâmetro foi pesquisado e obteve-se um resultado de 89,0 por cento. Nos trabalhos em que foi estudada a reprodutibilidade do teste observou-se coeficiente de variação de 3,0 a 14,0 por cento nos resultados. Observou-se grande diversidade quanto aos critérios de positividade adotados, impossibilitando a comparação dos resultados. Notou-se uma tendência a encurtar o tempo de realização do teste e torná-lo factível em condições de trabalho de campo. Verificou-se que o teste já está incorporado à rotina da Vigilância Epidemiológica de algumas arboviroses como encefalite Japonesa nos países asiáticos e encefalites do Leste, Oeste e de St.Louis, nos Estados Unidos da América. Os autores estudados foram unânimes em concluir que trata-se de teste rápido, apresenta simplicidade dos procedimentos técnicos e permite diagnóstico presuntivo de infecção aguda com apenas uma amostra de soro, características que o capacitam para uso na Vigilância Epidemiológica de arboviroses.
1990
Nicolina Silvana Romano Lieber
Mortalidade como preditor de morbidade
As doenças crônicas mostram-se como um desafio para o epidemiologista pela dificuldade de se conhecer a sua história natural, os agentes etiológicos, os suscetíveis e outras informações importantes para a sua prevenção, controle e tratamento. Dentre as doenças crônicas interessa, particularmente, o câncer devido à sua importância no obituário geral e pelos altos custos requeridos no seu tratamento. Porém as estatísticas oficiais rotineiras dão pouca ou nenhuma informação sobre a sua incidência e/ou prevalência. Neste sentido, tendo em vista a parcialidade e a precariedade das estatísticas de morbidade, muitos estudos têm sido realizados com o objetivo de elaborar medidas indiretas de estimativas de incidência e prevalência. O presente trabalho verifica a adequação de dois modelos matemáticos existentes na literatura que utilizam dados de população, mortalidade e sobrevivência para estimar a incidência de câncer de estômago, pulmão e mama feminina, utilizando dados do Município de São Paulo, para o ano de 1978. Além disso apresenta um modelo probabilístico que utiliza as mesmas informações dos modelos de literatura para estimar a incidência de doenças de caráter irreversível, com incidência, mortalidade e taxas de sobrevivência constantes por, pelo menos, um ano. Os resultados mostraram que o modelo proposto por este trabalho apresentou as melhores estimativas dos coeficientes de incidência de câncer de estômago, pulmão e mama feminina, quando comparado com os modelos de literatura. Os bons resultados obtidos incentivam a que se continue o aprimoramento de modelos matemáticos que utilizem dados de mortalidade para estimar a incidência de câncer.
1992
Maria do Rosario Dias de Oliveira Latorre
Investigação epidemiológica de varíola no Estado do Rio Grande do Sul - Brasil
De um total de 836 casos de varíola ocorridos no ano de 1969 e de 932 ocorridos em 1970, descreve-se a investigação epidemiológica de 245 casos contidos em seis surtos ocorridos no Rio Grande do Sul, Brasil. Este trabalho demonstra a importância da investigação epidemiológica da varíola como elemento indispensável para o desenvolvimento de um sistema de vigilância epidemilógica. A utilização de tal método proporcionou uma melhoria considerável na qualidade da informação e permitiu a identificação de um maior número de casos. O aumento pode ser demonstrado pelo número médio de casos encontrados para cada caso notificado. Vinte e cinco para um em 1969 e 17,5 para um em 1970. A qualidade da informação foi apurada pela confirmação ou não do diagnóstico inicial do notificante, tanto clínica como laboratorialmente. A investigação epidemiológica também auxiliou na erradicação de varíola, descobrindo casos em áreas já vacinadas, demonstrando a origem dos surtos e revelando problemas criados pelo fluxo bidirecional através de fronteiras. Esta filosofia de trabalho é recomendada para outras doenças como parte de um programa de desenvolvimento gradativo de atividades de vigilância epidemiológica.
Diversidade de mosquitos (Diptera: Culicidae) em ambientes de mata primária, mata residual e área de cultivo irrigado de arroz, no Vale do Ribeira, Estado de São Paulo
Objetivo. Comparar a fauna culicidiana em ambiente de mata primária, mata residual e área de cultivo irrigado de arroz na Região do Vale do Ribeira (SP), mediante análise: 1) de composição faunística, quanto ao número de espécies e indivíduos; 2) diversidade; 3) distribuição das espécies dominantes; 4) constância de espécies; 5) similaridade entre os ambientes e 6) discussão sobre espécies de ; importância médica. Material e Método. Os dados referem-se às coletas de mosquitos adultos em armadilha tipo Shannon com fonte luminosa e dois coletores com aspirador manual, no período das 17 às 22h, de janeiro de 1992 a abril de 1995, referentes ao Projeto Temático \"Culicidae do agro-ecossistema irrigado e seu significado epidemiológico\" (FAPESP, processo 90/3371-6). Para cada tipo de ambiente foram traçadas curvas cumulativas do número de espécies e indivíduos. A diversidade de espécies foi calculada através dos índices de Margalef, Margalef Padronizado e a de Fisher. Para a dominância de espécies calculou-se o índice de Berger-Parker. A constância de espécies foi avaliada pelo índice de constância e a similaridade, pelo coeficiente de Sorensen. Resultados. O número de espécies foi maior na mata residual e menor na arrozal, ocorrendo o inverso com o número de indivíduos. Os índices de diversidade comportaram-se semelhantemente, sendo maiores na mata residual e menores no arrozal. As espécies dominantes foram: Anopheles cruzii na mata primária, Aedes serratus na mata residual e Anopheles albitarsis (espécie B) no arrozal, todas elas de importância médica. Em relação à constância e similaridade, o arrozal destacou-se dos demais ambientes, pois apresentou mais espécies constantes e menos espécies compartilhadas com as matas primária e residual do que estas entre si. Discussão e Conclusões. Para todas as análises realizadas, o número de coletas e a técnica empregada interferiram nos resultados, provavelmente em função de características biológicas e comportamentais das espécies. Procurou-se integrar fatores que possam justificar maior diversidade em mata residual, tais como presença de características de mata primária em grau variável, contiguidade com áreas abertas e proximidade com o arrozal. Neste tipo de ambiente, a homogeneidade de recursos e a previsibilidade ambiental condicionada pelo ciclo de cultivo do arroz, propiciaram a formação de criadouros que favoreceram algumas espécies. Daí a riqueza e diversidade menores do que nas matas e a maior proporção de espécies constantes e mais abundantes. Quanto às espécies raras, de um modo geral, podem ser encaradas como em processo de adaptação, uma vez que as áreas estudadas, representando diferentes graus de impacto, apresentaram padrões de diversidade distintos.
Revisão da seção Spissipes de Culex (Melanoconion) (Diptera: Culicidae)
Apresenta-se estudo revisionário da Seção Spissipes de Culex (Melanoconion), onde são feitas descrições de formas adultas, incluídos as genitálias de ambos os sexos e o cibário das fêmeas. Sob o ponto de vista taxonômico, considera-se a existência atual de 22 espécies válidas das quais duas são consideradas como novas. Culex nicaroensis Duret foi retirada pois, a análise de suas características morfológicas permitiu alegar a conclusão de não pertencer ao subgênero Melanoconion, ficando sem reconhecimento subgenérico. Além disso, procedeu-se ao estabelecimento da sinonímia de Culex alvarezi Sutil Oramas, Pulido Florenzano & Amarista Menezes com Culex spissipes (Theobald). Levando em consideração vários caracteres das formas supramencionadas, pôde-se subdividir a Seção em grupos e subgrupos, mediante afinidades morfológicas que, à luz dos atuais conhecimentos, permite serem ponderadas. Sob o ponto de vista biogeográfico são apresentados os dados disponíveis, daí resultando mapas de distribuição. A importância epidemiológica desse grupo de culicídeos é apresentada mediante o levantamento dos conhecimentos obtidos até agora na literatura. Foram elaboradas chaves para identificação específica.
1994
Maria Anice Mureb Sallum
Estudo da capacidade vetora de Pintomyia fischeri (Pinto) (Diptera:Psychodidae) para Leishmania (Viannia) braziliensis Vianna
Introdução - A leishmaniose tegumentar americana (LTA) é uma antropozoonose com o envolvimento de várias espécies de Leishmania, mamíferos reservatórios e flebotomíneos (vetores). Apresenta ampla distribuição no Brasil, com registro de casos em todas as unidades da Federação. É de interesse em saúde pública devido à gravidade de algumas de suas formas e alta prevalência em algumas regiões. Em áreas de transmissão na Grande São Paulo, têm sido registradas várias espécies de flebotomíneos, merecendo destaque Pintomyia fischeri, por ser altamente antropofílica e apresentar ampla distribuição no estado de São Paulo. Objetivo - Identificar a capacidade vetora dos flebotomíneos Pintomyia fischeri para Leishmania (Viannia) braziliensis, um dos agentes da leishmaniose tegumentar americana (LTA), comparando-a com a de Nyssomyia intermedia, vetor desse parasita na região Sudeste do Brasil. Métodos - Os seguintes parâmetros foram identificados: em campo - densidade das espécies em relação a um hospedeiro (hamster), com a instalação da armadilha de Disney em duas áreas (município do Embu na Grande São Paulo e município de Iporanga, na região do Vale do Ribeira) e teste de uma nova armadilha (apenas em Iporanga); em laboratório, a partir de infecção experimental de flebotomíneos por meio da alimentação em hamsters infectados pelo parasita - probabilidade diária de sobrevivência dos flebotomíneos, duração do ciclo gonotrófico, período de incubação extrínseca dos parasitas, proporção de flebotomíneos que se alimentam em fonte infectante e que se tornaram infectivos. Com estes dados calculou-se a capacidade vetora (novas infecções que a população vetora levará adiante ao se alimentar em um hospedeiro infectado), pela expressão V = m.a.b.Einf, onde V = capacidade vetora, m = proporção de fêmeas atraídas ao hospedeiro, a = proporção de fêmeas alimentando-se no hospedeiro/duração do ciclo gonotrófico, b = proporção de fêmeas infectadas que desenvolvem a forma infectante e Einf = expectativa de vida infectiva. Resultados Em se tratando do parâmetro observado em campo (m), densidade de flebotomíneos/hamster/dia, na armadilha de Disney em Iporanga esse valor para Ny. intermedia foi de 0,027 e para Pi. fischeri (0,011), em Embu, para Pi. fischeri (0,103) e para nova armadilha, apenas em Iporanga, Ny. intermedia (7,9) e Pi. fischeri (0,11). Nos parâmetros obtidos em laboratório: sobrevida infectiva (Einf): Ny. intermedia (0,84 dias) e Pi. fischeri (0,89 dias); proporção de fêmeas alimentadas em hamster: Ny. intermedia (0,77) e Pi. fischeri (0,67) e mediana do ciclo gonotrófico, para as duas espécies de 5 dias; período de incubação extrínseca para as duas espécies de 5 dias; e proporção de fêmeas infectadas por promastigotas que chegaram à forma infectante (b) para Ny. intermedia (0,90) e Pi. fischeri (0,311). A capacidade vetora obtida com a armadilha de Disney para Ny. intermedia em Iporanga foi de 0,0027 e para Pi. fischeri (0,00089) e no Embu para Pi. fischeri de 0, 0083 e para a armadilha nova, em Iporanga apenas, Ny. intermedia (0,8) e Pi. fischeri (0,0089). Conclusão - A capacidade vetora avaliada pelas armadilhas nova e a de Disney apresentou disparidades. Para Ny. intermedia, em Iporanga o valor da primeira foi 296,3 vezes maior que o da Disney e para Pintomyia fischeri foi 10 vezes maior. Na comparação entre o mesmo tipo de armadilha, em Iporanga para Ny. intermedia o valor da capacidade vetora obtido com a Disney foi 3,03 vezes superior ao de Pi. fischeri e na nova, foi 89,9 vezes. Para Pintomyia fischeri, os valores obtidos para a capacidade vetora considerando a Disney (Embu) foram 9,3 vezes maiores que os de Iporanga. A capacidade vetorial de Pi. fischeri (Embu) foi 3,07 vezes maior do que o de Ny. intermedia (Iporanga). Possivelmente as duas espécies atuem na transmissão da LTA no estado de São Paulo. Em Iporanga Ny. intermedia atua de maneira bem mais incisiva do que a Pi. fischeri. Por outro lado, no Embu, onde Ny. intermedia não tem sido capturada, a população de Pi. fischeri apresentou capacidade vetora superior à de Ny. intermedia (Iporanga), quando avaliadas segundo o mesmo tipo de armadilha para obtenção da densidade vetora.
2013
Morgana Michele Cavalcanti de Souza Leal Diniz