RCAAP Repository

Distribuição espacial e temporal de abelhas melíferas africanizadas e vespídeos (Hymenoptera) na cidade de São Paulo

Introdução - Abelhas (Apis) e vespídeos causam problemas tanto ao homem quanto aos animais, podendo ocasionar manifestações de hipersensibilidade e choque anafilático em conseqüência da ferroada. Após o processo de hibridização as abelhas tornaram-se mais produtivas, porém, mais defensivas e devido às alterações antrópicas, encontraram na cidade locais de nidificação. Existe na capital paulista desde 1994 um serviço realizado pelo Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, que retira colméias e enxames de abelhas e vespídeos, conforme solicitações dos munícipes. As informações dessas atividades foram disponibilizadas para estudo. Objetivo - Mapear regiões da cidade de São Paulo com registros de maior concentração de colméias e enxames de abelhas e vespídeos, locais de nidificação, além de sugerir medidas para orientação da população. Métodos - Utilizar dados secundários oriundos de solicitações atendidas durante o período de agosto de 2002 a julho de 2005, e por meio de uma planilha compilar as informações e cruzar às variáveis estudadas. Resultados - No período estudado, foram totalizados 9.190 solicitações entre abelhas melíferas africanizadas e vespídeos. Houve maior frequência no atendimento para vespídeos. A distribuição ocorreu por todo o município, tendo a região leste maior frequência de vespídeos e a região sul maior frequência de abelhas melíferas africanizadas. No período em estudo ocorreram 1.944 acidentes com vítimas. Quanto aos locais de nidificação, o forro de residências e edificações foi o mais utilizado tanto para abelhas melíferas africanizadas como vespídeos. Conclusões Meses que correspondem a estações mais quentes, apresentam maior concentração de atendimentos. As solicitações para atendimento a vespídeos foi maior. Verifica-se distribuição por todo o município e grande diversidade nos locais utilizados para nidificação.

Year

2007

Creators

Agda Maria Oliveira

Suicídios invisibilizados: investigação dos óbitos de adolescentes com intencionalidade indeterminada

Introdução - Quando se fala da epidemiologia do suicídio, é importante destacar que as estatísticas oficiais podem estar subestimadas em decorrência de possíveis falhas na identificação e classificação da causa de morte. Objetivo - Investigar a existência de suicídios de adolescentes da cidade de Recife, que tenham sido classificados como óbitos de intencionalidade indeterminada, dos anos de 2000 a 2014, e a percepção dos legistas sobre o fenômeno e sua subnotificação. Metodologia - No Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) de Recife, foram coletados todos os dados dos óbitos de adolescentes com intencionalidade indeterminada. Em seguida, foi criado um banco de dados com essas informações e, a partir deste, foram localizados, no Instituto de Medicina Legal (IML) de Recife, os documentos (Boletim de Ocorrência, Guia de Remoção de Cadáver, Ofício Policial de Encaminhamento do Corpo ao IML, Livro de Registro de Entrada de Corpos no IML, Laudo Tanatoscópico, Laudo Toxicológico e a guia rosa da Declaração de Óbito) referentes ao percurso que o corpo de cada vítima fez até ter sua morte classificada como indeterminada. Após o exame de cada um desses documentos, foi possível reclassificar 43 (21 por cento ) dos 203 óbitos em questão, utilizando um escore baseado no Índice de Concordância entre as classificações da intencionalidade do óbito registradas nos documentos. Todos os óbitos que apresentaram um percentual de concordância acima de 50 por cento , a partir da consulta aos referidos documentos, tiveram sua intencionalidade reclassificada. Para a definição e reclassificação dos casos, foi utilizada a décima revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), na qual os suicídios correspondem aos códigos X60 a X84, sob a denominação de lesões autoprovocadas intencionalmente. Resultados - Dos casos inicialmente classificados como sendo de intencionalidade indeterminada (n=203), 9 por cento (n=19) foram reclassificados como suicídio. A estatística oficial do SIM reporta que, no período estudado, houve apenas 61 suicídios. Contudo, ao somar os 19 suicídios reclassificados ao quantitativo da estatística oficial, tem-se um total de 80 suicídios de adolescentes ocorridos de 2000 a 2014, o que indica um percentual geral de 23,7 por cento de subnotificação. Não houve mudança no perfil das vítimas quando comparamos os dados antes e depois da reclassificação dos casos. Em ambas as situações, o maior contingente de casos de suicídio se concentra no seguinte perfil: adolescentes do sexo masculino, com idades entre 15 e 19 anos e de raça/cor parda. De acordo com os legistas entrevistados, questões como a sobrecarga de trabalho e a quantidade reduzida de recursos humanos são fatores que podem interferir no processo de indeterminação da intencionalidade dos óbitos. Conclusões - A partir da recuperação de informações contidas nos documentos encontrados no IML, foi possível reclassificar a intencionalidade das mortes por causas externas, melhorando a qualidade dos dados do SIM e permitindo a elaboração de um perfil epidemiológico mais fidedigno e condizente com o que ocorre na realidade. Este estudo, portanto, dentre todas as conclusões obtidas, reafirma a necessidade de sensibilizar constantemente os profissionais envolvidos no registro do óbito, para que se tenha um aprimoramento na qualidade das informações em saúde

Year

2017

Creators

João Luis da Silva

Cobertura vacinal e fatores determinantes da situação vacinal em Curitiba

OBJETIVO: Avaliar a cobertura vacinal aos 12 e aos 24 meses de vida, em Curitiba e seus distritos sanitários (DS) e investigar a associação entre esquema vacinal incompleto e fatores individuais da criança e da mãe e contextuais, especialmente os relacionados aos serviços públicos de saúde. METODOLOGIA: Trata-se de estudo transversal com crianças residentes em Curitiba e nascidas em 2002. As fontes de dados foram: i) o Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC); ii) o prontuário eletrônico municipal; iii) inquérito domiciliar para casos com registro incompleto. Foi utilizado o software RECLINK II para a linkage dos bancos de dados. A investigação de fatores associados aos desfechos de interesse foi efetuada por meio da análise bivariada e análise de regressão logística multinível (software MLwiN 2.0). RESULTADOS: A amostra abrangeu 2637 crianças, a cobertura vacinal no município foi de 95,3 por cento aos 12 meses e 90,3 por cento aos 24 meses, observando-se pequena variação nas coberturas entre distritos; 0,2 por cento a 0,9 por cento das vacinas foram aplicadas em datas ou intervalos inferiores aos preconizados e 2,8 por cento a 32,2 por cento após o período recomendado; 98 por cento das crianças têm cadastro no prontuário eletrônico do município, 97,7 por cento recebeu ao menos uma dose de vacina na rede municipal de saúde e 73,3 por cento realizou consulta médica nestas unidades; as crianças com três ou mais consultas em unidade básicas/ESF apresentam melhor situação vacinal. Entre as crianças com acompanhamento nas unidades de saúde, estimou-se entre 4 por cento e 7,3 por cento as oportunidades perdidas de imunização. Na análise multivariada mostraramse independentemente associadas ao esquema vacinal incompleto aos 12 meses: ter mãe adolescente (OR=2,8); a ordem de nascimento (ser o 2º ou 3º filho com OR=7,3 e ser 4º filho em diante com OR=22,2) já considerando a interação com outras variáveis; número inadequado de consultas de pré-natal (OR=2,6); ter efetuado menos de 3 de consultas médicas em unidade básica/ESF no ano (OR=2,2). Para esquema vacinal incompleto aos 24 meses mostraram-se independentemente associadas: a ordem de nascimento (ser 2º ou 3º filho com OR=2,5 e ser o 4º filho em diante com OR=5,3); número inadequado de consultas de pré-natal (OR=1,8); número inferior a 3 de consultas médicas no ano em unidade básica/ESF (OR=1,5) e ter cadastro provisório ou não ter cadastro na US básica (OR=1,7) e inversamente associado a idade materna de 35 anos e mais (OR=0,6). Embora a análise bivariada aponte melhor situação vacinal entre crianças atendidas em US que adotada plenamente a Estratégia de Saúde da Família e em distritos sanitários de estrato socioeconômico mais pobre a análise multivariada não revelou associação. CONCLUSÕES: Os resultados apontam a importância de políticas públicas na promoção da equidade em saúde e permitem a identificação de fatores associados que devem ser considerados no aperfeiçoamento de programas de imunização.

Year

2008

Creators

Karin Regina Luhm

Levantamento da prevalência de pneumopatias causadas por bacilos atípicos, realizado entre doentes com micobacteriose pulmonar internados nos sanatórios Partenon e Belém de Porto Alegre, no período compreendido entre agosto de 1971 e janeiro de 1972

511 indivíduos portadores de micobateriose pulmonar e internados nos Sanatórios Belém e Partenon de Porto Alegre, no período compreendido entre agosto de 1971 e janeiro de 1972, foram testados simultaneamente com os antígenos PPD-S, PPD-Y, PPD-G e PPD-B, correspondentes respectivamente ao Mycobacterium tuberculosis e a bacilos atípicos representantes dos três primeiros grupos de classificação de Runyon. Dos 108 pacientes que apresentaram reação a antígeno de micobactéria atípica maior que a referente à tuberculosina standard, ou igual a esta, procedeu-se à coleta de secreção pulmonar com o objetivo de realizar a tipificação bacilar. O bacilo de Koch foi isolado como agente etiológico, e também único, das pneumopatias de 84 desses pacientes, e foi também o provável causador dos 24 casos restantes. Não foram isoladas micobactérias atípicas. Associando o resultado obtido no presente levantamento ao de duas outras pesquisas desenvolvidas anteriormente no Brasil, pode-se presumir que as pneumopatias devidas a bacilos atípicos são provavelmente infreqüentes em nosso meio. O fato de que o grupo populacional testado constituiu-se exclusivamente de indivíduos portadores de tuberculose pulmonar permitiu também desenvolver um estudo na especificidade das reações aos 4 antígenos e da correlação existente entre elas, em doentes tuberculosos, através de análise da distribuição das mesmas.

Year

1973

Creators

Marlow Kwitko

Identificação de fonte sanguínea em dípteros da Família Culicidae, em áreas de epizootia da febre amarela silvestre

A importância em conhecer o padrão alimentar em mosquitos da Família Culicidae permite esclarecer alguns aspectos relacionados à transmissão de zoonoses e estimar o grau de contato humano-vetor que é fator relevante em estudos epidemiológicos. Com o objetivo de explorar o comportamento alimentar dessa Família, em área epizoótica de febre amarela silvestre, foram coletados exemplares nos municípios de Santo Antônio das Missões e Garruchos, Estado do Rio Grande do Sul. Fêmeas ingurgitadas foram obtidas por aspiração em ambiente de mata, no período de setembro de 2005 a abril de 2007 e identificadas segundo fonte de sangue ingerido através da técnica imunoenzimática ELISA de captura no sistema avidinabiotina. Foram testadas seis fontes de alimento: ave, bovino, eqüino, humano, macaco e rato. Os resultados obtidos mediante a padronização de anticorpos monoclonais possibilitaram demonstrar pela primeira vez o reconhecimento de sangue humano ingerido nesses mosquitos pelo emprego da subclasse IgG1 e comprovar a sensibilidade e especificidade da técnica ELISA de captura. No município de Santo Antônio das Missões, de um total de 190 amostras, 60,9% reagiram para sangue de boi, 23,6% para humano, 9,9% para ave, 1,9% para macaco e 3,7% para combinações de dois hospedeiros. Quanto às amostras referentes ao município de Garruchos, das 158 fêmeas capturadas na área Cachoeirinha pode-se observar reatividade para ave (16%), boi (29,6%), humano (36,8%), cavalo (4%), macaco (0,8%) e combinações de hospedeiros (12,8%), enquanto que para as 149 fêmeas pertencentes à área de São José, detectou-se sangue ingerido de boi em (51,5%), ave e humano (11,5%), macaco (6,2%), cavalo (0,8%) e mistos (18,5%). Aedes scapularis, Aedes crinifer, Culex (Culex) spp., Haemagogus leucocelaenus apresentaram maior número de fêmeas ingurgitadas nos dois municípios. Os resultados obtidos com Aedes scapularis sugerem ecletismo, conforme combinações detectadas em amostras de sangue de diferentes fontes. Haemagogus leucocelaenus apresentou a maior proporção de amostras contendo sangue humano em relação às demais fontes e essa característica traz implicações, por ser espécie incriminada na transmissão e por se tratar de área de ocorrência de epizootias de febre amarela.

Year

2009

Creators

Ana Maria Marassa

Distribuição espacial e sazonal de Aedes aegypti e Aedes albopictus (Diptera: Culicidae) no Parque Municipal do Piqueri, São Paulo

Introdução: Febre amarela urbana, dengue, chikungunya e Zika vírus são arboviroses transmitidas pela picada das fêmeas de mosquitos do gênero Aedes, principalmente Ae. aegypti e Ae. albopictus. São espécies simpátricas, que desenvolvem-se nos mesmos criadouros, porém, alguns aspectos biológicos desses vetores, como a distribuição e frequência, são influenciados pelo nível de urbanização do ambiente e pelas variáveis climáticas. Objetivo: Avaliar a distribuição e frequência do Ae. aegypti e Ae. albopictus em três diferentes áreas do Parque Municipal do Piqueri, na zona leste de São Paulo, durante a primavera e o outono. Metodologia: Durante seis semanas consecutivas das primaveras de 2014 e de 2015 e dos outonos de 2015 e de 2016, ovitrampas foram instaladas em três diferentes áreas do parque, delimitadas de acordo com a distância da região habitada e grau de cobertura vegetal: A (interna), B (intermediária) e C (periférica). No laboratório, os ovos eclodiram sob temperatura ambiente e larvas L4 foram identificadas por espécie. Dados de temperatura e pluviosidade foram obtidos junto ao Centro de Gerenciamento de Emergências da Prefeitura de São Paulo. Resultados: Foram coletados 38.561 ovos de Aedes, 23.509 larvas foram identificadas: 5.270 de Ae. aegypti e 18.239 de Ae. albopictus. O maior número de ovos foi coletado nas primaveras (25.457; 66 por cento ) e a maior taxa de eclosão de ovos foi obtida nos outonos (68,3 por cento em 2015; 80,4 por cento em 2016). Utilizando a Razão de Taxas de Incidência (Incidence Rate Ratio, IRR), os modelos da regressão binominal negativa indicaram associação entre a oviposição dos vetores e estação, sendo essa associação explicada pelas temperaturas máximas e mínimas. Os mapas da krigagem evidenciaram a distribuição espacial das espécies com Ae. aegypti concentrado na área C, a qual está fortemente associado e Ae. albopictus distribuindo-se pelas três áreas de estudo, principalmente A e B, sem associação significativa. Conclusão: A presença de Ae. aeypti e Ae. albopictus já foi apontado nos parques da cidade de São Paulo, mostrando o quanto esses culicídeos estão adaptados a essas áreas verde urbanas. Os resultados do estudo corroboram com dados da literatura e demonstram que, o aumento em uma unidade das variáveis temperatura máxima e mínima, incide também no aumento da oviposição de ambas espécies. A distribuição espacial mostrou o padrão de segregação dos vetores com Ae. aegypti, estritamente antropofílico, concentrado na área C, próxima a região habitada, enquanto Ae. albopictus, de comportamento eclético e associado a áreas com determinado grau de cobertura vegetal, concentrado entre as áreas A e B, mas também encontrado na área C. Os parques urbanos podem servir de refúgio para essas espécies vetoras, que encontram abrigo e fonte de alimento nesses locais, podendo estabelecer ciclos de transmissão de arbovírus, portanto, é de grande interesse que a vigilância epidemiológica também atue nessas áreas

Year

2017

Creators

Marta Ribeiro Heinisch e Silva

Epidemiologia da injúria renal aguda: estudo prospectivo, multicêntrico e populacional no estado do Acre

A epidemiologia da injúria renal aguda (IRA) nos países desenvolvidos e em desenvolvimento ainda não foi sistematicamente examinada. Estudos epidemiológicos da incidência de IRA nos países em desenvolvimento são escassos e mais raros são estudos populacionais prospectivos na Amazônia brasileira. No capítulo I descreveu-se uma revisão sistemática de estudos sobre a epidemiologia da IRA em pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI) publicados (2005-2015) nas bases de dados PUBMED, CENTRAL, LILACS e IBECs. Foram examinadas as diferenças na incidência de IRA, a severidade e a mortalidade; seguindo a divisão dos países de acordo com os critérios da Organização das Nações Unidas. Identificaram-se 92 estudos: 59 de países desenvolvidos, 32 de países em desenvolvimento e um estudo com dados de ambos os grupos de países. Dos estudos avaliados, 78 por cento usaram critérios padrão para definição da IRA (RIFLE, AKIN ou KDIGO). Entretanto, encontramos 11 diferentes definições para oligúria e 23 diferentes definições para a creatinina basal. Ambos os grupos relataram ocorrência de IRA na UTI de até 40 por cento . No entanto, a necessidade de diálise, tempo de permanência na UTI e as taxas de mortalidade foram maiores nos países em desenvolvimento, o que pode refletir diferenças nas condições sociais e na infraestrutura hospitalar nesses países. No capítulo II foi realizado um estudo prospectivo em todas as UTIs da cidade de Rio Branco, que atendem a cerca de 75 por cento da população do estado do Acre. Os dados foram coletados durante 18 meses nos anos 2014 e 2016. Pacientes com menos de 18 anos, doença renal crônica dialítica, transplante renal ou internação na UTI < 48 horas foram excluídos. A IRA foi diagnosticada pelo KDIGO e a mortalidade foi avaliada durante a internação na UTI, 30 e 180 dias após a alta da UTI. Dos 1494 pacientes admitidos, 1073 preencheram os critérios de inclusão. A incidência de IRA foi de 52,8 por cento , e a prevalência foi de 67,3. A diálise foi oferecida a 8,2 por cento dos pacientes que fizeram IRA na UTI. Apenas 2,2 por cento das internações foram devidas às doenças tropicais. Os fatores de risco para IRA foram: balanço hídrico positivo maior que 1500 ml / 24h (OR 2,98, p <0,001), pacientes não cirúrgicos (OR 1,69; p = 0,001), aumento de idade (OR 1,16 para aumento de 10 anos; p <0,001) e aumento do escore APACHE II (OR 1,06 para aumento de uma unidade; p <0,001). Em comparação com pacientes que não tiveram IRA, o tempo de permanência na UTI (7 vs 5 dias, p <0,001), assim como as mortalidades na UTI e no hospital (43,4 por cento vs 14 por cento , p <0,001 e 52 por cento vs 18,5 por cento , p <0,001, respectivamente) foram maiores nos pacientes que fizeram IRA na UTI. Foram fatores de risco para mortalidade nos pacientes com IRA na UTI: aumento da idade, sepse, KDIGO estágio 3, uso de ventilação mecânica, de drogas vasoativas e choque. A mortalidade precoce e tardia (até 30 ou 180 dias após a alta na UTI, respectivamente) se associou à presença de IRA. Portanto a IRA é comum em pacientes de UTI nessa região, com poucas internações por doenças tropicais e similares etiologias e fatores de risco com os países desenvolvidos; contudo, com taxas de mortalidade mais altas, o que pode representar as condições econômicas e a dificuldade no acesso aos sistemas de saúde

Year

2017

Creators

Fernando de Assis Ferreira Melo

Questionário de Frequência Alimentar Quantitativo para crianças de 7 a 10 anos: avaliação das propriedades psicométricas

Introdução: Um Questionário de Frequência Alimentar Quantitativo (QUEFAC) foi construído por HINNIG et al. (2014) para avaliar a dieta habitual de crianças de 7 a 10 anos, uma vez que os desenvolvidos para adultos podem superestimar o consumo de crianças. No entanto, não foi testado quanto à sua validade e reprodutibilidade para que o instrumento possa ser utilizado em pesquisas. Objetivo: avaliar a reprodutibilidade e a validade do QUEFAC para a amostra como um todo e avaliar a validade estratificada por sexo, faixa etária e nível socioeconômico. Métodos: o estudo de reprodutibilidade foi realizado no município de Araraquara, em abril de 2013, com 89 crianças de 7 a 10 anos que responderam a dois QUEFACs com intervalo de 15 dias entre as aplicações. O estudo de validade foi realizado com 167 crianças de duas escolas do município de São Paulo de agosto a dezembro de 2013. Neste, as crianças responderam a três Recordatórios de 24 horas (R24h) que serviram como método de referência e a um QUEFAC. Em ambos os estudos, os responsáveis pelas crianças responderam a um questionário socioeconômico e realizou-se a avaliação da habilidade da criança em responder ao QUEFAC. Para avaliação da reprodutibilidade e validade, utilizaram-se o teste de diferença de médias para amostras pareadas (teste t pareado e Wilcoxon), calcularamse os coeficientes de correlação intraclasse e Kappa ponderado, além da análise dos gráficos de Bland-Altman. Resultados: mais de 55 por cento das crianças foram avaliadas com habilidade boa, muito boa ou excelente em todos os aspectos avaliados ao responder o QUEFAC. No estudo de reprodutibilidade, observou-se diferença de médias entre uma aplicação e outra do QUEFAC para todos os nutrientes investigados, o coeficiente de correlação intraclasse variou de 0,12 a 0,54, valores de Kappa ponderado de 0,01 a 0,39 e os gráficos de Bland-Altman mostraram distribuição aleatória para todos os nutrientes. No estudo de validade para amostra como um todo, observou-se diferença de média para todos os nutrientes, com exceção da energia e zinco, os coeficiente de correlação intraclasse variaram de 0 a 0,37, valores de Kappa ponderado de 0 a 0,27 e gráficos de Bland-Altman mostraram distribuição aleatória dos dados para lipídios, carboidratos, cálcio, fósforo, sódio, zinco, vitaminas B1, B2, niacina, vitamina C, retinol e gordura saturada. A avaliação da validade estratificada por sexo, faixa etária e nível socioeconômico apresentou resultados semelhantes. Conclusão: O QUEFAC não se mostrou válido para avaliação da dieta habitual dos últimos 3 meses em crianças de 7 a 10 anos residentes em São Paulo e apresentou moderada reprodutibilidade para energia, proteínas, cálcio, fósforo, ferro, potássio, magnésio e vitamina B2.

Year

2014

Creators

Patricia de Fragas Hinnig

Organização social e desnutrição em famílias de baixa renda no município de São Paulo

A fim de descrever as condições de existência relacionadas com a ocorrência de desnutrição no primeiro ano de vida, numa amostra de baixa renda no município de São Paulo, procedeu-se à caracterização das organizações domiciliares como unidade de reprodução, trabalho e consumo. Foram classificadas como famílias Nucleares, quando residiam no domicílio mãe, filho(s) e/ou cônjuge e como famílias Ampliadas, quando, além, dos integrantes da unidade de reprodução, co-habitavam outros elementos. Levando-se em consideração as condições de inserção dos integrantes da unidade de reprodução no mercado de trabalho, observamos que, em meio e subavaliação da força de trabalho, a organização Ampliada constituiria uma alternativa de sobrevivência. Mediante esforço cooperativo, a despeito dos rendimentos inferiores dos núcleos reprodutivos entre as famílias Ampliadas, seria alcançado um nivelamento da renda per capita domiciliar entre os tipos de organização estudados. Em vista do papel das migrações na constituição do mercado de trabalho em São Paulo, procurou-se identificar a naturalidade das mães. Grande parte da amostra constituía-se de mães migrantes, com predominância de origem rural entre aquelas que se encontravam há menos tempo na capital; porém, não se observaram diferenças quanto às características migratórias estudadas entre as diferentes composições domiciliares. Quanto ao aleitamento, constatou-se a ocorrência do desmame precoce, igualmente distribuÍdo entre as famílias estudadas, tendo sido destacado o papel das técnicas promocionais do leite em pó na disseminação da prática do aleitamento artificial em nosso meio. Em relação à desnutrição dos lactentes, não observamos diferenças significativas entre famílias Nucleares e Ampliadas, ressaltando-se a relação de independência entre o estado nutricional das crianças estudadas e a renda per capita dos núcleos reprodutivos. Confirmando, por sua vez, a configuração de mecanismos de defesa da reprodução, em meio às precárias condições de vida, observou-se que os migrantes de origem rural constituiriam um grupo especialmente vulnerável entre as famílias Nucleares, mas não entre as famílias Ampliadas; da mesma forma, o peso insuficiente, apontado como fator importante na etiopatogenia da desnutrição, teve suas repercussões limitadas entre as famílias Ampliadas. Apesar dos níveis semelhantes de renda domiciliar disponível, as indicações a respeito de melhores condições habitacionais entre as famílias Ampliadas concorreriam para caracterizar diferentes condições de existência entre as composições domiciliares, apontando para a colocação subsidiária dos fatores relacionados com a desnutrição em função das organizações sociais. Finalizando, chamou-se a atenção para a importância da consideração dos problemas de saúde no plano biológico e social, tendo em vista a caracterização da singularidade da ocorrência das doenças a nível das populações.

Year

1982

Creators

Paulete Goldenberg

Adesão ao tratamento de HIV/AIDS por pacientes com AIDS, tuberculose e usuários de drogas de São Paulo

Objetivo. Subsidiar profissionais de saúde para melhoria das estratégias de adesão e base para Política Nacional de Adesão, definida como o conjunto de atitudes do paciente para melhor aproveitamento do tratamento. Pacientes com aids, tuberculose e usuários de drogas têm dificuldades para aderir. Métodos. Estudo descritivo, metodologia qualitativa - Rapid Assessment, Response and Evaluation (RARE) em quatro serviços públicos de Doenças Sexualmente Transmissíveis/ Aids de São Paulo, 37 profissionais de saúde (mulheres, casadas, 45 anos) que atendem à população estudada e 27 pacientes (maiores de idade, com aids, tuberculose e usuários de drogas/ 35 anos, sexo masculino, escolaridade baixa, solteiros/ sozinhos, desempregados, diagnóstico de HIV e início de tratamento de aids há mais de cinco anos). Resultados. Profissionais de saúde sem experiência prévia e capacitações específicas em tuberculose e dependência de psicoativos. Conhecimentos técnicos desatualizados sobre interações, genotipagem, sub-tipos HIV, resistência, falência, tuberculose multidrogarresistente, exceto infectologistas. Sem padronização de conduta para troca de esquema terapêutico de ARV. Exigência de abstinência. Pacientes: ingestão de todas as doses de uma só vez/dia; falhas por esquecimento, uso de drogas (álcool), evitar efeitos colaterais, não-revelação de diagnóstico usuários de crack compartilham cachimbo; trocam médico e/ou serviço para mudar esquema de anti-retrovirais. Serviços de DST/Aids sem interação com Programa de Tuberculose e Saúde Mental. Conclusões e recomendações. Profissionais de saúde necessitam de capacitações tuberculose e drogas para melhoria da adesão destes pacientes, elaboração de Planos Individuais de Adesão e introdução da Redução de Danos como estratégia; construção da Política Nacional de Adesão. Descritores: Adesão, Saúde Pública, Tuberculose, Aids, Drogas.

Year

2006

Creators

Helena Maria Medeiros Lima

Dengue em município do interior paulista: áreas de risco e relação com variáveis socioeconômicas, demográficas e ambientais

Introdução As ferramentas de análise espacial constituem-se em tecnologia que pode ser aplicada para o entendimento do processo de transmissão do vírus da dengue, agregando subsídios que sejam capazes de aprimorar as medidas de prevenção e controle da doença. Objetivos Descrever a ocorrência de dengue no município de Várzea Paulista entre 1998 e 2012 e caracterizar a epidemia ocorrida em 2007; identificar, com base nos dados da epidemia, a distribuição espacial e espaço temporal do risco de ocorrência de dengue; avaliar, com base na ocorrência da doença, a relação entre os fatores socioeconômicos, demográficos e ambientais e a incidência de dengue, tendo como unidades de análise os setores censitários. Métodos Foram utilizados dados secundários obtidos na base de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os casos notificados de dengue no município foram geocodificados a partir do eixo de logradouros e agrupados de acordo com os 165 setores censitários considerados no estudo, o que permitiu a elaboração de mapas temáticos. Foram calculadas as taxas de incidência para o período de estudo, bem como a identificação de áreas de maior ou menor risco para ocorrência de dengue no espaço e no espaço-tempo. O georreferenciamento, a análise espacial e a confecção de mapas foram feitos por meio dos softwares ArcGis, TerraView e SatScan. Para cálculo do risco relativo espacial, utilizou-se o modelo aditivo generalizado em desenho de estudo caso-controle. Por meio de técnicas de análise de regressão espacial, as variáveis socioeconômicas foram associadas às taxas de incidência, no sentido de buscar o melhor modelo que esclarecesse a associação entre as variáveis explicativas e as taxas de incidência de dengue no município à ocasião da epidemia de 2007. Resultados Os mapas gerados mostraram a distribuição espacial e espaço temporal da dengue no município, as áreas de maior risco e a evolução da epidemia ao longo das semanas epidemiológicas. Para o ano de 2007 foram identificados no município dois aglomerados. O aglomerado de alto risco reuniu condições consideradas insalubres sob o ponto de vista da saúde pública e o de baixo risco apresentou os melhores indicadores socioeconômicos. As análises espacial, espaço temporal e de modelagem por regressão mostraram concordância de resultados com relação à maior incidência e risco nas regiões do município com os piores indicadores socioeconômicos. Conclusões A primeira epidemia de dengue ocorrida no município pode ser explicada em parte pela condição de imunidade populacional relacionada à introdução de novo sorotipo circulante e pelas condições de vulnerabilidade social encontradas. O método utilizado mostrou-se adequado para identificação de áreas de risco e por consequência direcionamento de ações e recursos do poder público.

Year

2014

Creators

Elaine Cristina Farinelli

Fatores associados à qualidade de vida relacionada à saúde de idosos residentes no município de São Paulo - Estudo SABE: Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento

Introdução: O envelhecimento populacional, decorrente do aumento da expectativa de vida, foi, sem dúvida, uma importante conquista em nível global. Contudo, discute-se atualmente a necessidade premente de agregar qualidade aos anos de vida ganhos. Objetivo: Identificar fatores associados à Qualidade de Vida Relacionada à Saúde (QVRS) de idosos não institucionalizados do Município de São Paulo, em 2006. Método: Este estudo faz parte do Estudo Longitudinal SABE Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento. Os dados foram coletados em 2006, de uma amostra representativa composta por 1.160 idosos (idade 60 anos) que responderam ao Short-Form 12 (SF-12), questionário genérico que avalia QVRS. As variáveis dependentes foram os Componentes Físico (PCS) e Mental (MCS) do SF-12 e as análises foram conduzidas separadamente segundo sexo. Buscou-se a associação com variáveis demográficas, socioeconômicas, estado de saúde, incapacidade funcional, estilo de vida e relacionamento social, utilizando o método de regressão logística múltipla. Resultados: Entre as idosas, estiveram associados a baixos escores no PCS: idade 80 anos, multimorbidade, internação, ter incontinência urinária, ter depressão, ter dificuldades para executar atividades instrumentais e básicas da vida diária (AIVD e ABVD) e não praticar atividades físicas. Baixos escores no PCS dos homens associaram-se a idade 80 anos, renda insuficiente, multimorbidade, tomar dois ou mais medicamentos, ter dificuldades para ABVD e não praticar atividades físicas. Baixos escores no MCS das mulheres estiveram associados a ser fumante, auto-percepção negativa de saúde geral e saúde bucal, ocorrência de queda no último ano e ter depressão. Baixos escores no MCS entre os homens idosos associaram-se à auto-percepção negativa de saúde, ter incontinência urinária e ter depressão. Homens mais velhos (idade 70 anos) apresentaram melhores escores no MCS em relação aos mais jovens (60-69 anos). Discussão: No PCS, as únicas variáveis coincidentes entre homens e mulheres foram idade, prática de atividades físicas, multimorbidade e dificuldade para ABVD; enquanto no MCS foram auto-percepção de saúde e depressão. A análise separada por sexo possibilitou a identificação de modelos distintos de determinantes da QVRS de idosos. Conclusão: Os fatores que se associaram significativamente ao PCS-SF12 de idosos de ambos os sexos foram: auto-percepção de saúde, multimorbidade, dificuldades para desempenhar ABVD e prática de atividades físicas. Enquanto suficiência de renda e número de medicamentos associaram-se apenas para o sexo masculino e internação, incontinência urinária, depressão e dificuldades para desempenhar AIVD, apenas para o sexo feminino. Ao MCS-SF12 de ambos os sexos associaram-se apenas auto-percepção de saúde e depressão; enquanto para o sexo masculino associaram-se também faixa etária e incontinência urinária. Já para as mulheres também apresentaram associação significativa o tabagismo, a auto-percepção de saúde bucal e quedas

Year

2011

Creators

Karen Tokuhashi Ribeiro

Índice de Desenvolvimento Municipal - IDM: uma alternativa para mensuração do desenvolvimento humano nos municípios do Estado de São Paulo

Apresenta-se o estudo conceitual da criação de um índice de desenvolvimento humano para municípios, denominado índice de Desenvolvimento Municipal - IDM. Utiliza para tanto, indicadores representados por coeficientes da área de saúde, de segurança, de saneamento e da área de educação, totalizando dez coeficientes. A periodicidade de atualização de tais indicadores é anual, motivo pelo qual foram escolhidos. O cálculo do índice é baseado na distância Euclidiana dos coeficientes observados para um valor ótimo almejado em cada área. O resultado final é obtido mediante a padronização da distância Euclidiana e aplicação da função antilog nos resultados e multiplicação pela constante 100, o que resulta em uma escala que varia de zero a mil, sendo zero o pior resultado de desenvolvimento e 1000 o melhor resultado. Os resultados da aplicação do IDM para todos os municípios do Estado de São Paulo, em dois anos distintos, 1991 e 1996, podem atestar a evolução do desenvolvimento. A área de Educação se destaca, comprovando a tendência de melhoria no atendimento escolar e diminuição da evasão. No que tange a segurança, o IDM desta área apresenta uma queda de 1991 para 1996, principalmente nos municípios da Grande São Paulo, mas este fenômeno também é observado em outras áreas do Estado. Devido a simplicidade de cálculo e interpretação do índice proposto, foi desenvolvido um aplicativo informatizado que permite a análise dos resultados do IDM para os anos de 1991 e 1996, bem como o cálculo para qualquer município em qualquer período de tempo.

Year

2002

Creators

Fernando Frei

Leishmaniose tegumentar americana no litoral norte paulista, período 1993 a 2005

Introdução. O Litoral Norte Paulista, até a década de 1980, era hipoendêmico para transmissão de leishmaniose tegumentar americana (LTA). A partir da década de 1990, esta parasitose adquiriu caráter epidêmico em todos os municípios: Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba. Objetivo. Realizar análise descritiva da ocorrência dos casos de LTA autóctone no Litoral Norte Paulista, entre 1993 e 2005 e registrar as espécies de flebotomíneos na área de transmissão. Métodos. Foram analisados dados secundários obtidos das fichas de casos de LTA autóctones, notificados ao serviço de vigilância epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, segundo distribuição espacial, temporal, atributos pessoais e dados das fichas de captura entomológica da Superintendência de Controle de Endemias. Resultados. A LTA apresentou distribuição espacial heterogênea, com casos isolados e agrupados. Houve sincronismo na manifestação do agravo, com ciclicidade, em intervalo de seis a oito anos. Todas as faixas etárias e sexo foram acometidos, sem evidência de risco com ocupação específica. A fauna flebotomínea foi composta por dezesseis espécies, com predomínio de Ny. intermedia (>80,4%), no peri e intra domicílio. Conclusões. A LTA apresenta estreita relação com a floresta e a transmissão ocorre no peri e no intradomicílio, tanto no ambiente periurbano como no interior da mata. Neste caso, a transmissão estaria mais relacionada com os focos enzoóticos.

Year

2007

Creators

Maria Lucia Fadel Condino

Prevalência de aleitamento materno completo em unidades básicas de saúde nas cinco regiões do Brasil

Objetivo: O leite materno é o alimento ideal para o crescimento e desenvolvimento adequados de crianças. Julgou-se pertinente conduzir um estudo para descrever e comparar as prevalências do tipo de aleitamento materno completo (AMC), segundo associações com sexo, peso ao nascer, escolaridade da mãe, escolaridade do pai, idade da mãe, tipo de parto, uso da chupeta, estado nutricional e idade da criança, considerando as regiões do Brasil. Método: Os dados foram obtidos de uma pesquisa matriz desenvolvida no Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), financiada pela FAPESP. O estudo foi conduzido em doze cidades brasileiras localizadas em diferentes regiões do país. A população de estudo foi constituída por crianças até seis meses de vida, atendidas em serviços de saúde dos municípios de acordo com a demanda. Fazem parte 3475 crianças menores de um ano de idade. A variável desfecho é aleitamento materno completo (AMC). As variáveis independentes são: escolaridade da mãe, escolaridade do pai, idade materna, tipo de parto, uso da chupeta, peso ao nascer, idade no dia da entrevista e sexo. A descrição dos resultados foi feita mediante médias, desvios padrão, proporções. As comparações das prevalências segundo as categorias das variávies foi feita por razões de prevalências. Usou-se o pacote estatístico Stata versão 9 e Epi lnfo versão 6.04b. Resultados: A prevalência de crianças em aleitamento materno completo (AMC) no sexto mês foi de 15% no Nordeste, 22% no Norte, 10% no Centro-Oeste, 6% no Sudeste e 3% no Sul. Foram considerados fatores de proteção para o aleitamento: região Nordeste: maior escolaridade da mãe e o não uso de chupeta; região Norte: o parto normal e o não uso de chupeta; Região Centro-Oeste: parto normal e o não uso de chupeta, Região Sudeste: o parto normal e o não uso de chupeta, Região Sul: o não uso de chupeta. Estes resultados referentes à situação do aleitamento materno nas regiões indicam que, apesar do aumento das taxas de amamentação nas duas últimas décadas, a prevalência dessa prática estão bem aquém do recomendado atualmente pelo Ministério da Saúde.

Year

2007

Creators

Giana Zarbato Longo

Doença meningocócica invasiva nas capitais da Região Sul do Brasil: características e tendências

Objetivos: Analisar a tendência, descrever mudanças no comportamento da doença meningocócica invasiva (DMI) e estimar o impacto da vacina conjugada do meningococo C (VCMC) nas capitais da região Sul do Brasil, no período de 1991 a 2015, assim como, investigar as características sociodemográficas, econômicas e de intervenções tecnológicas associadas aos casos pertencentes a cluster da doença no município de Curitiba (PR), no período de 2001 a 2014. Métodos: As áreas de estudo englobaram as capitais da Região Sul do Brasil: Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), a população de estudo abrangeu os casos de DMI notificados entre 1991 a 2015 à vigilância da doença e residentes nessas capitais. A definição de caso adotada foi a padronizada pelo Ministério da Saúde. As fontes de dados foram: vigilância da DMI, o Instituto Adolfo Lutz, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. A tendência da incidência e mortalidade da DMI foi determinada pelo modelo de regressão polinomial. A intensidade e a direção da relação linear entre a taxa de incidência e os indicadores socioeconômicos, de saúde e sorogrupo foram analisadas pelo coeficiente de correlação de Pearson. O impacto da VCMC foi estimado pela Fração Prevenida na População, comparando as taxas de incidência de 2012 e 2015 com as de 2009. Investigou-se os potenciais fatores associados a casos pertencentes a cluster no período de 2001 a 2014 por meio das estimativas de odds ratio não ajustada e ajustadas pela regressão logística múltipla não condicional, com os respectivos intervalos de confiança de 95%. Resultados: No período de estudo, a DMI apresentou três comportamentos distintos nas capitais da região sul: i) epidêmico na década de 1990, ii) declínio das taxas na década de 2000, antes da introdução da VCMC na rotina de imunização e, iii) estacionário com taxas baixas entre 2011 e 2015, sob a influência da VCMC. Observamos nesses períodos a influência de fatores biológicos, socioeconômicos e de saúde na incidência dessas capitais. No estudo mais detalhado em Curitiba, apresentou-se associado aos casos pertencentes a cluster, ajustados no tempo e pela idade, residir em bairros de baixa renda (OR: 2,3, IC95%:1,1-4,5). O sorogrupo predominante foi o B com 65,4%, seguida pelo C com 24,5% e 8,3% pelo W. Possivelmente, em virtude da baixa incidência do sorogrupo C, não se verificou a redução na incidência total da DMI, nestas capitais. Entretanto, no período posterior a VCMC, os casos pelo sorogrupo C foram raros ou zerados na faixa etária destinada a vacinação em Curitiba e Florianópolis. Em Porto Alegre foram registrados casos pelo sorogrupo C na faixa etária vacinada e o sorogrupo W se destacou. Conclusão: A partir do início desse século houve declínio expressivo da incidência da DMI nas capitais da região Sul do país, antes mesmo da introdução da vacina, aproximando-se das taxas de DMI encontradas em países de elevada renda. Tais resultados são consistentes, com trabalhos que mostram uma associação da DMI com as condições de vida e grau de desenvolvimento das populações.

Year

2018

Creators

Eliana Tiemi Masuda

Violência contra menores de 15 anos no município de Londrina, Paraná: análise epidemiológica de suas notificações

Introdução - No Brasil, o conhecimento sobre a dimensão da violência é ainda escasso, não sendo possível conhecer a freqüência exata dos casos de abuso contras criança e adolescentes. Mediante a importância epidemiológica da violência contra esse grupo e mediante, ainda, as conseqüências biopsicossociais desta violência, torna-se fundamental conhecê-la, no esforço de mapear sua morbidade ainda desconhecida no município de estudo. Objetivo - Estudar a ocorrência e as características da violência contra menores de 15 anos, residentes no município de Londrina, Estado do Paraná, atendidos nos anos de 2002 e 2006 pelos Conselhos Tutelares de Londrina e serviços de atendimento às crianças e adolescentes vitimizados. Métodos - Os dados foram obtidos junto aos registros dos Conselhos Tutelares, Programa Sentinela da Prefeitura Municipal de Londrina (atendimento das crianças e adolescentes vítimas de violência sexual), Projeto de Extensão "De Olho no Futuro" da Universidade Estadual de Londrina (atendimento multidisciplinar às crianças e adolescentes vítimas de violência) e Fórum de Londrina (Vara da Infância e da Juventude). A coleta de dados consistiu em duas etapas: 1) coleta de dados junto aos Conselhos Tutelares e serviços de atendimento - atendimentos de 2002 e 2006 com a finalidade de análise comparativa. 2) seguimento dos casos encaminhados ao Fórum em 2002 (decorridos cinco anos da denúncia). Foi utilizado um formulário previamente testado. Os casos de violência, bem como as lesões decorrentes, foram classificados segundo o Capítulo XX e XIX da Classificação Internacional de Doenças - CID, 10ª revisão. Foram analisadas variáveis quanto à denúncia, ao atendimento, à vítima, à família, ao agressor, à violência praticada, às conseqüências da violência, às reincidências e ao desfecho dos casos encaminhados ao Fórum. Para processamento e tabulação dos dados foi utilizado o programa computacional Epi Info - versão 6.0. Resultados - Foram estudados 1620 casos notificados de violência contra menores de 15 anos (607 em 2002 e 1013 em 2006), o que representa uma taxa de incidência de 0,5% e 0,8% nos respectivos anos. Os denunciantes mais freqüentes foram a mãe (21,1% em 2002 e 24,2% em 2006), os profissionais de saúde (19,9 em 2002 e 23,7% em 2006) e a escola (15,2% em 2002 10,3% em 2006). Os maiores coeficientes de incidência foram observados na idade de 2 anos para as meninas (coeficiente de 13,5 por 1000) e na idade de 6 anos para os meninos (12,7 por 1000) em 2002. No ano de 2006, os coeficientes mais elevados se deram aos 4 anos para as meninas (26,4) e aos 5 anos para os meninos (16,5). Observou-se que a violência foi mais freqüente nas famílias com 3 a 4 membros (46,4% em 2002 e 54,2% em 2006). O número de vítimas na casa foi de duas vítimas em 38,8% (em 2002) e 37,6% (em 2006) dos casos. Grande parte das famílias das vítimas foi constituída de pais separados (51,9% em 2002 e 65,1% em 2006). A idade do agressor (tanto em 2002 como em 2006) foi de 20 a 24 anos para o sexo feminino (46,9% em 2002 e 41,6% em 2006) e de 30 a 34 anos para os agressores masculinos (34,7% em 2002 e 32,9% em 2006). A grande maioria dos agressores possuía ensino fundamental incompleto (79,7% em 2002 e 82,8% em 2006) e situação ocupacional ativa (empregados) (50,6% em 2002 e 58,8% em 2006). A violência foi praticada pela mãe (33,6% em 2002 e 27,6% em 2006), pai (32,4% em 2002 e 27,1% em 2006), padrasto (10,4% em 2002 e 15,7% em 2006) e madrasta (5,3% em 2002 e 15,5% em 2006). Foi observado o alcoolismo como situação de risco do agressor masculino (53,4% dos casos de 2002 e 61,3% em 2006). Entre as mulheres agressoras, o alcoolismo aliado à crise conjugal e problemas de maternidade foram os riscos mais freqüentes (26,0% em 2002 e 34,9% em 2006). Grande parte dos atos violentos foram praticados mais de 4 vezes (77,1 % em 2002 e 85,1% em 2006) e por um período de 1 a 2 anos antes da denúncia (36,3% em 2002 e 20,7% em 2006). As violências ocorreram com maior freqüência na residência da vítima (82,0% em 2002 e 86,0% em 2006). Na grande maioria dos casos, a vítima sofreu mais de um tipo de violência (67,9% em 2002 e 72,5% em 2006), sendo a violência física (49,1% em 2002 e 47,3% em 2006), a negligência e abandono (24,7% em 2002 e 30,4% em 2006) e a sexual (19,8% em 2002 e 18,4% em 2006) as mais freqüentes. Houve presença de lesão corporal em 90,4% dos casos em 2002 e em 92,0% das vítimas em 2006. A presença de seqüelas ocorreu em 99,3% (em 2002) e 99,0% (em 2006) da população estudada, sendo a seqüela física a de maior predomínio (94,2% em 2002 e 97,0% em 2006), acompanhada pela seqüela psicológica em 89,5% (em 2002) e 95,6% (em 2006) dos casos com presença de seqüela. Houve reincidência em 10,6% dos casos. Entre os casos de 2002 encaminhados ao Fórum, 40,0% dos processos foram arquivados e 31,7% encontravam-se em andamento, dos quais 38,4% estavam em acompanhamento social, em 26,0% desses processos a criança vítima encontrava-se em abrigo-lar com acompanhamento social e 20,5% tinham a guarda provisória com os avós enquanto os pais estavam em tratamento. Conclusões - Pretendeu-se com o estudo, contribuir para tornar mais visíveis os atos violentos praticados contra a criança e o adolescente, fornecendo subsídios para ações preventivas e de atendimento.

Year

2008

Creators

Christine Baccarat de Godoy Martins

Correções em medidas de consumo alimentar: aplicação na análise da correlação do consumo de cálcio, proteína e energia com a densidade mineral óssea em homens adultos e idosos

O presente estudo teve por objetivo descrever a relação entre o consumo de cálcio, proteína e energia pela dieta e a densidade mineral óssea do colo do fêmur em homens adultos e idosos de diferentes grupos raciais, aplicando estratégias de correções de medidas de consumo alimentar. É um estudo observacional, transversal, abrangendo 306 homens voluntários, com 50 anos e mais de idade. A DMO do colo do fêmur foi avaliada pelo exame de densitometria óssea por emissão dupla de raios X e o consumo de cálcio, proteína e energia pelo método de registro alimentar de três dias. As medidas de consumo de cálcio e proteína foram ajustadas pela ingestão energética utilizando-se análise de regressão linear. Os coeficientes de correlação e regressão foram corrigidos pela variabilidade intra e interpessoal de consumo, utilizando-se análise de variância. A média da DMO do colo do fêmur foi de 0,916 g/ cm2 (DP = 0,144). A média de consumo de cálcio bruto foi de 685,3 mg/dia (DP = 320,1 mg). O ajuste do consumo dos nutrientes pela energia ingerida não alterou as suas médias, mas reduziu o desvio padrão em 15 por cento para cálcio e 35 por cento para proteína. Verificou-se que o ajuste do consumo dos nutrientes pela energia ingerida reduziu a correlação com a DMO do colo do fêmur tanto para cálcio (-51,2 por cento ), como para proteína (-33,1 por cento ). E por sua vez, a correção pela variabilidade intrapessoal e interpessoal do consumo ajustado, resultou em aumento da força de correlação com a DMO em 25,9 por cento para consumo de cálcio, 15,7 por cento para consumo de proteína e 15,4 por cento para consumo de energia. Os consumos dos nutrientes não foram associados à DMO do colo do fêmur tanto na análise univariada como na múltipla, exceção para os indivíduos da raça negra que apresentaram correlação positiva e significativa da DMO com o consumo de cálcio, mas não independente do IMC. Os principais fatores associados à DMO do colo do fêmur foram idade, altura e índice de massa corporal. Atividade física de lazer foi associada positivamente a DMO da população branca, mas não da negra. Conclui-se que os ajustes e as correções feitas nas medidas de consumo de cálcio, proteína e energia foram importantes para obter-se melhor estimativa da real correlação entre as variáveis de consumo alimentar com a DMO do colo do fêmur.

Year

2001

Creators

Patrícia Constante Jaime

A Síndrome da Imunodeficiência e a mortalidade masculina, de 20 a 49 anos, no Município de São Paulo. 1983 a 1986

Com a finalidade de conhecer a história da epidemia de AIDS no Município de São Paulo, analisou-se a mortalidade pela síndrome, de 1983 a 1986. Utilizando a metodologia de revisão dos atestados de óbito, foi possível conhecer algumas características desses indivíduos e detectar casos de AIDS não notificados ao sistema de vigilância epidemiológica. Foram revistos os atestados de óbito de indivíduos do sexo masculino, de 20 a 49 anos, que faleceram no Município de São Paulo, de 1983 a 1986. Os atestados foram selecionados pela causa básica, onde esta era AIDS, imunodeficiência, doenças indicativas de AIDS ou infecções oportunistas e outras patologias que poderiam estar mascarando casos de AIDS. Entre 4023 atestados selecionados, 359 se referiam a AIDS e, destes, 305 (85 por cento ) eram óbitos de casos notificados e 54 (15 por cento ) óbitos de casos não notificados. No grupo não notificado, a AIDS, ou apenas imunodeficiência, era causa básica em 26 declarações de óbito e em outras 10 ela era mencionada, ainda que não como causa básica. Os 54 casos identificados pelo estudo representam um aumento de 7 por cento no número de casos de AIDS do Município de São Paulo e de 7,3 por cento no número de óbitos pela doença, neste mesmo local, sendo que a letal idade da AIDS passa de 77,8 por cento para 79,3 por cento no período considerado. Os casos detectados de AIDS eram em sua maioria indivíduos solteiros (81,9 por cento ), jovens (58 por cento tinham de 20 a 34 anos) e que faleceram em hospitais (95,3 por cento dos óbitos). As profissões mais referidas foram de bancário e economiário (6,7 por cento dos atestados), auxiliar de escritório (6,4 por cento ), seguidas de cabeleireiro (5,3 por cento ) e de comerciante (3,9 por cento ). Entre os casos não notificados havia maior freqüência de indivíduos com nível superior de educação em relação aos que não tinham sido notificados.

Year

1993

Creators

Cassia Maria Buchalla

Teoria de conjuntos fuzzy e regressão logística na tomada de decisão para realização de cintilografia das paratiróides

Introdução - Grande parte das cintilografias das paratiróides realizadas antes da primeira cirurgia (paratiroidectomia) resulta negativa, podendo sugerir uma inadequação na solicitação do exame. Objetivo - Desenvolver e comparar dois modelos matemáticos baseados em teoria de conjuntos fuzzy e regressão logística para tomada de decisão na realização de cintilografia das paratiróides, a partir de valores séricos de Cálcio (Ca) e Paratormônio (PTH). Métodos - Da base de registros de cintilografia de paratiróides realizadas no Centro de Medicina Diagnóstica Fleury, em São Paulo, foram identificados 194 pacientes (grupo desenvolvimento) que no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2004 tinham Ca e PTH séricos medidos. Foram desenvolvidos dois modelos matemáticos, um deles baseado em regressão logística e o outro em teoria de conjuntos fuzzy, com a finalidade de definir uma medida de indicação para a realização do exame cintilográfico. O desempenho dos modelos foi comparado utilizando curvas ROC pelo teste de Hanley e McNeil. Utilizou-se o grupo teste de 139 pacientes registrados de 2005 a 2006 para avaliar os modelos e verificar sua acurácia. Resultados - No grupo desenvolvimento, a área sob a curva ROC do modelo de regressão logística foi de 0,86 (IC 95%: 0,81-0,91) e do modelo fuzzy foi 0,89 (IC 95%: 0,84-0,93), avaliadas como estatisticamente distintas (p=0,026). O modelo fuzzy se destacou como particularmente útil porque, ao contrário do modelo logístico, mostrou capacidade de utilizar informações de PTH em intervalo em que os valores de Ca mostraram-se pouco discriminantes. No grupo teste, a área para o modelo logístico foi de 0,89 (IC 95%: 0,83-0,95) e para o modelo fuzzy foi de 0,91 (IC 95%: 0,85-0,96) (p=0,128). Conclusões - O modelo fuzzy apresentou desempenho igual ou superior ao modelo de regressão logística. O modelo matemático baseado em teoria de conjuntos fuzzy, no contexto deste estudo, obteve desempenho mais adequado do que o modelo baseado em regressão logística como método para decisão da realização de cintilografia das paratiróides. Por pertinente, destaque-se que, resultado de um exercício metodológico, inferências sobre o comportamento do objeto podem ser impróprias, dada a não representatividade populacional dos dados.

Year

2007

Creators

Clóvis Arlindo de Sousa