RCAAP Repository
Rede de atenção ao nascimento e fatores de risco associados ao parto cesáreo em três regiões de saúde do Estado de São Paulo
Introdução - A taxa de cesárea no Estado de São Paulo está próxima de alcançar 60 por cento e a curva da última década mostra uma tendência de crescimento anual de 2 por cento . Objetivo Caracterizar a rede de assistência ao parto e identificar fatores de risco para o parto cesáreo. Métodos - Estudo retrospectivo, tipo corte transversal, dos nascidos vivos hospitalares de mães residentes dos DRS de Baixada Santista (BS), Grande São Paulo (GSP) e São José do Rio Preto (SJRP) ocorridos no ano de 2009. Utilizou-se os bancos de dados do SINASC e do CNES. Foram avaliadas as variáveis referentes: as mães, as gestações, os recém-nascidos, os municípios de residência das mães, e hospitais de parto. Foram utilizadas análises bivariadas, razão de prevalência e Teste Qui-quadrado; e análise multivariada, utilizando a técnica de regressão logística. Resultados - O porte dos municípios e a rede de hospitais que prestaram assistência ao nascimento diferiram consideravelmente entre os DRS. A rede SUS foi responsável por 74 por cento do nascimentos da BS, 62 por cento na GSP e 83 por cento de SJRP, portanto a rede privada teve maior participação na GSP. Os nascimentos da BS e SJRP ocorreram na sua maior parte em hospitais de médio volume de partos, enquanto na GSP a maior parte ocorreu em hospitais com grande volume de partos. A prevalência do parto cesáreo foi de 58 por cento na BS, 53 por cento na GSP e 80 por cento em SJRP. Os fatores de risco nos três DRS foram: mães em idade avançada, mães com alta escolaridade, mães primíparas; gravidez múltipla; ter feito 7 consultas ou mais de pré-natal; RN de raça/cor branca; e, nascer em hospitais não-SUS. Destes, merecem destaque as variáveis nascer em hospitais não SUS e gravidez múltiplaque apresentaram maiores valores de OR. Nos DRS da BS e GSP, também foram fatores de risco: nascer fora do município de residência e nascer em hospitais SUS não-públicos. Outras características só foram fator de risco para o DRS da GSP: nascer pré-termo; nascer com BPN e nascer em hospitais com baixo ou grande volume de partos. Conclusão - As diferenças existentes entre as redes de assistência ao nascimento dos DRS estudados refletiram nos fatores de risco associados ao parto cesáreo nestes DRS, de forma com que o conjunto de fatores de risco envolvidos no parto cesáreo fosse distinto para cada DRS.
2012
Priscila Ribeiro Raspantini
Codificação automática das causas de morte e seleção da causa básica de morte: a adaptação para o Brasil do software Iris
Introdução - Uma das formas de se aumentar a qualidade das informações sobre causas de morte é automatizar o processo de sua elaboração. O software Iris é um dos mecanismos disponíveis para esse fim. Suas principais características é que ele segue as regras internacionais de mortalidade e ele é independente de idioma. Objetivo - Elaborar para o Iris um dicionário na língua portuguesa e avaliar a sua completitude para a codificação das causas de morte. Método - O dicionário criado com dados do arquivo eletrônico do volume 1 da CID-10 e com o Tesauro da Classificação Internacional de Atenção Primária. Foi utilizado o Iris V4.0.34 e, como codificação manual, o que o Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade no Município de São Paulo (PRO-AIM) da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo escreveu nas declarações de óbito. Caso o Iris não codificasse as causas de morte, ajustes eram feitos no dicionário ou na tabela de padronização. Resultado - O Iris é capaz de codificar as causas de morte e selecionar a causa básica de morte, ambas automaticamente, é um software recente que está em constantes adequações, é independente de idioma e para usá-lo em cada país é necessário realizar somente um dicionário de causas de morte. No teste para avaliação da primeira versão do dicionário em português, o Iris apresentou um desempenho satisfatório. Foi capaz de codificar diretamente 50,6 por cento das declarações de óbito e, após ajustes e acréscimos no dicionário e na tabela de padronização, o software codificou todas as linhas em 94,44 por cento das declarações. Das declarações não codificadas completamente 89,19 por cento delas tinham algum diagnóstico contido no capítulo XX da CID-10. O Iris apresentou 63,1 por cento de concordância nas declarações de óbito pareadas considerando todas as causas de morte com códigos completos de 4 caracteres da CID-10. Conclusão - A realização dos ajustes no dicionário ou na padronização faz parte do processo de desenvolvimento do dicionário e que esse processo é continuo. Com as novas versões do Iris e atualizações e aprimoramento da codificação das causas externas, avanços serão feitos para que ele seja mais compatível com a realidade brasileira. Somado a isso, as futuras versões do Iris com um dicionário mais desenvolvido podem satisfazer as necessidades de codificação automática e melhorar a precisão dos dados de causa morte paras estudos de saúde pública.
2012
Renata Cristófani Martins
Atividade física e fatores associados em idosos do Estudo SABE: avaliação por acelerometria
Introdução - Com o crescimento da população idosa cresce a necessidade de incentivo a hábitos de vida saudáveis como a prática de atividade física (AF), bem como sua investigação, a fim de se prevenir a instalação de incapacidades. No entanto, são enormes as dificuldades de medida dessa atividade. O acelerômetro surge como uma das formas objetivas de avaliação da AF destacando-se por sua praticidade e capacidade de armazenamento de dados. Objetivo - Avaliar os níveis e intensidades de AF de idosos através da acelerometria e examinar as associações com fatores sócio-demográficos, de saúde e estilo de vida. Métodos - Estudo transversal com 568 idosos de 65 anos e mais da coorte de 2010 do estudo SABE. Os idosos usaram o acelerômetro ActiGraph (GT3X) por três dias posicionado na cintura. Resultados - A média geral de cpm foi de 341,29 (95 por cento IC 326,79 - 355,80). Não houve diferença entre homens e mulheres. A média de cpm diminuiu com a idade e para os idosos acometidos por todas as doenças, exceto hipertensão, doença pulmonar e doença articular. A mobilidade e CP reduzidas, um maior número de doenças e uma pior autopercepção de saúde estiveram associados de forma independente com menores cpm. Os homens divorciados/separados, os que viviam sozinho e os que possuíam de cino a oito anos de escolaridade apresentaram maiores cpm que as mulheres dessas categorias. A idade, o declínio cognitivo isolado ou associado à disfunção, a hipertensão, a doença cerebrovascular, a mobilidade e a CP, estiveram associados de forma independente à menores níveis de AF gerais e por sexo. Entre as mulheres o estado marital (solteira), a autopercepção de saúde (ruim/muito ruim) e os sintomas depressivos estiveram associados de forma independente a menores níveis de AF. Para os homens a suficiência de renda (não), presença de diabetes e o número de doenças (duas ou mais) estiveram associados de forma independente com menores níveis de AF. Após ajuste pelas demais variáveis, a idade se associou às cpm em ambos os sexos. Para o sexo feminino, a renda per capita e o tabagismo também demosntraram associação, e para os homens apenas o diabetes.Conclusão - Foram observados baixos níveis de AF entre os idosos do município de São Paulo, principalmente com o avançar da idade e na presença de doenças, que são muito comuns nessa população. Esse estudo reforça que a prática de AF deve ser incentivada e demonstra a necessidade de estudos longitudinais para se estabelecer a relação temporal entre esses fatores.
2014
Caroline Venturini Ferreira
Vigilância da leishmaniose visceral americana no município de São Paulo
Introdução: As leishmanioses são doenças que se apresentam como um sério obstáculo ao desenvolvimento socioeconômico. A leishmaniose visceral americana (LVA) tem como agente etiológico a Leishmania (Leishmania) infantum chagasi, como reservatório doméstico principal o cão e os vetores são flebotomíneos (Diptera:Psychodidae). Objetivo: investigar a vulnerabilidade do município de São Paulo para a ocorrência de LVA, utilizando os parâmetros de casos humanos notificados, presença do vetor e infecção em reservatórios domésticos. Método: A área de estudo compreende a região dos distritos administrativos do Anhanguera, Jaraguá e Perus (município de São Paulo) que incluem o Parque do Anhanguera e o Parque estadual do Jaraguá. A justificativa para o estudo nessa área é o eixo viário oeste-leste de expansão da LVA no estado de São Paulo. Foram levantados notificações humanas de LVA entre os anos de 2007 a 2014, para análise espacial pelos programas SaTScan e Terra View, num total de 140 e nenhuma dessas é considerada autóctone. Realizamos levantamento entomológico nos parques Anhanguera e Jaraguá. A análise estatística foi realizada pelos cálculos da Média geométrica de Williams, pelo índice de diversidade de Shannon-Weaver (H) e a dominância pelo índice de Pielou (J) também foi calculado o índice de Abundância de espécies padronizado (IAEP). Realizamos inquérito canino amostral e obtivemos 126 amostras de sangue canino que foram submetidas aos testes EIE. Foram colhidas amostras de Swab bucal do cão sororreagente e contactantes, as quais foram analisadas por PCR (RFLP), juntamente ás amostras de coágulos sanguíneos dos cães dos parques Anhanguera e Jaraguá num total de 31 amostras. Resultado: A análise espacial mostrou Clusters nos distritos do Brás e Guaianases (p<0,05) e, a espaço temporal em Raposo Tavares e Parelheiros (p<0,05). Os distritos do Carrão, Cachoeirinha e José Bonifácio formaram clusters secundários (p>0,05). Foram capturados 3660 espécimes de flebotomíneos identificadas 16 espécies de flebotomíneos e as mais frequentes na amostra foram: Pintomyia fischeri (82,46 por cento ), Psathyromyia pascalei (5,57 por cento ), Migonemyia migonei (5.25 por cento ) e Expapillata firmatoi (3.22 por cento ). Dentre as espécies capturadas, está uma fêmea de espécie similar à Lutzomyia longipalpis. O inquérito canino sorológico apontou um sororreagente no distrito de Perus. Do total de 31 amostras analisadas por PCR, 10 foram positivas para Leishmania sp. Foi possível chegar á espécie em seis delas, três positivas para a espécie L. (V.) shawi ou L (V.) lainsoni e três para L. (L.) infantum chagasi. Conclusões: A análise espacial das notificações de LVA humana dá direcionamento para investigações de uma possível transmissão autóctone no município. Há elos epidemiológicos que sugerem que as leishmanioses tegumentar e visceral caninas se tratam de doenças emergentes no município. Possivelmente, os casos caninos encontrados na região de estudo sejam parte da disseminação do eixo oeste-leste da leishmaniose visceral no Estado de São Paulo, pelo eixo viário. Palavras-chave: Leishmaniose visceral canina; Leishmaniose tegumentar.
2015
Alessandra Ferreira da Silva
Doença meningocócica: indicadores de gravidade e sua importância para vigilância e assistência médico-hospitalar
Objetivos: Descrever o comportamento da Doença Meningocócica (DM) focalizando aspectos clínicos e seus desfechos, analisar o possível impacto da descentralização da assistência hospitalar, investigando também fatores associados à sua gravidade no município de São Paulo (SP), de 1986 a 2004. Metodologia: Trata-se de um estudo de corte transversal com componente descritivo e analítico, abrangendo o período de 1986 a 2004. A população de estudo abrange pacientes de DM, residentes no município de SP, notificados à vigilância. Os dados foram obtidos junto à vigilância passiva da DM e ao Instituto Adolfo Lutz de São Paulo. A descrição da doença foi efetuada segundo aspectos relativos ao tempo, espaço e pessoa. Para a investigação dos fatores associados à gravidade da DM tomou-se como variável dependente o óbito por DM e como variável independente, as exposições de interesse. Elas foram investigadas por meio das estimativas das odds ratio não ajustadas e ajustadas pela regressão logística não condicional, com os respectivos intervalos de confiança de 95 por cento. Resultados: Foram confirmados 10.087 casos de DM no município de São Paulo, durante o período de interesse. No pico epidêmico de 1995, a taxa de incidência média da DM foi de 8,1 casos/100.000 habitantes (hab), a mortalidade de 1,8 casos/hab/ano e letalidade média de 22 por cento. Crianças menores de quatro anos foram as mais atingidas, constituindo 54 por cento dos casos, principalmente entre os menores de um ano, com taxa de incidência média de 60,1/100000 casos/hab. Em 1986, o Hospital Especializado atendia 83 por cento dos casos e os Assistenciais apenas 12 por cento. No final do período estudado (2004), com a descentralização do serviço, o Hospital Especializado passou a atendeu 22 por cento dos casos e 71 por cento dos casos os Assistenciais. O Hospital Especializado manteve a letalidade anual dos casos de DM constante durante todo período, em torno de 11 por cento. A letalidade 15 dos Hospitais Assistenciais foi diminuindo gradativamente ao longo do período, inicialmente com 60 por cento e terminando com 16 por cento. Conclusão: A identificação de fatores associados à gravidade da DM e a repercussão da assistência hospital podem contribuir na melhoria das condutas clínicas, e subsidiar políticas públicas e intervenções de saúde pública
Panorama dos acidentes de transporte terrestre no Brasil: das internações às sequelas e ao óbito: uma contribuição para a sua vigilância
Introdução: Os acidentes de transporte terrestre (ATT) são responsáveis por milhares de óbitos e lesões em todo o mundo. Muitas dessas lesões resultam em sequelas que comprometem a capacidade funcional das vítimas desses agravos. As internações e as sequelas representam importante impacto nos serviços de saúde e na sociedade. Entretanto, não é conhecida a prevalência das sequelas decorrentes de ATT e nem os fatores associados às mesmas. Em 2010, a Organização das Nações Unidas estabeleceu o período de 2011 a 2020 como a Década de Segurança Viária, com a meta de estabilizar ou reduzir as mortes decorrentes de ATT nos países membros. Objetivo: Descrever um panorama sobre os ATT ocorridos no Brasil, caracterizando as internações, as sequelas e os óbitos por esta causa, com vistas a contribuir para a vigilância destes agravos. Métodos: Foram realizados quatro estudos: a) estimativa do tempo de permanência e dos gastos das internações em 2013 e análise da morbidade hospitalar no triênio 2011-2013; b) uma revisão sistemática nas bases de dados eletrônicas sobre prevalência de sequelas; c) ecológico de série temporal sobre as internações por ATT com diagnóstico sugestivo de sequelas físicas de 2000 a 2013; e d) descritivo sobre mortalidade por ATT em 2013 e estimativa dos anos potenciais de vida perdidos. Resultados: Ocorreram, em 2013, 170.805 internações por ATT, maior no sexo masculino, na faixa etária de 20 a 39 anos, entre os motociclistas e nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. Os gastos em 2013 foram de R$ 231.469.333,13, com 1.072.557 dias de permanência e média de 6,3 dias. As taxas de internação por ATT foram 77,8 (2011), 79,9 (2012) e 85,0 (2013) internações/100 mil habitantes. Foram incluídos quatro artigos na revisão sistemática. A prevalência de sequelas decorrentes do ATT variou de 19 por cento em Yorkshire/Inglaterra a 49,5 por cento em Teresina/Piauí. As referências analisadas não apresentaram caracterização do perfil epidemiológico das vítimas com sequelas por ATT. De 2000 a 2013, ocorreram 1.747.191 internações por ATT. Destas 410.448 pessoas (23,5 por cento ) apresentaram diagnóstico sugestivo de sequelas físicas, sendo a maioria do sexo masculino, da faixa etária de 20 a 29 anos, residentes na Região Sudeste, pedestres e motociclistas. A tendência foi de aumento nas internações por ATT com diagnóstico sugestivo de sequela certeza no sexo masculino e nas regiões Norte e Centro-Oeste. A taxa de mortalidade em 2013 foi de 21,0 óbitos por 100 mil habitantes para o país. A região Centro-oeste apresentou a taxa mais elevada (29,9 óbitos por 100 mil habitantes). A maioria dos óbitos por ATT foi observada no sexo masculino, na raça/cor da pele negra, nos adultos jovens, em indivíduos com baixa escolaridade e entre motociclistas. A taxa de mortalidade no triênio 2011 a 2013 reduziu 4,1 por cento , mas aumentou entre os motociclistas. Em todo o país, mais de um milhão de anos potenciais de vida foram perdidos em 2013 devido aos ATT, especialmente na faixa etária de 20 a 29 anos. Conclusão: O Brasil ainda precisa avançar na temática que envolve os ATT, desde a sua prevenção à reabilitação de suas vítimas. Ressalta-se que para o alcance da meta da Década de Ação para Segurança Viária é necessário que as iniciativas deixem de ser pontuais e sigam para além do setor saúde, pois requerem atuações intersetoriais priorizadas no plano de governo e na agenda da sociedade.
2015
Silvânia Suely Caribé de Araújo Andrade
Febre purpúrica brasileira: uma contribuição aos conhecimentos clínicos e epidemiológicos de uma doença recém-identificada
A Febre Purpúrica Brasileira - FPB- foi reconhecida como uma doença pediátrica fulminante, caracterizada por febre alta com rápida progressão para púrpura, choque e óbito. A grande maioria dos pacientes apresentaram conjuntivite prévia. O presente trabalho procura descrever os aspectos epidemiológicos desta doença, desde o surgimento dos primeiros casos, em 1984, em Promissão, Estado de São Paulo, Brasil. Foram registrados 277 casos distribuídos no Brasil em cinco Estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Fora do Brasil, dois casos foram relatados na Austrália. Cerca de 89% dos casos ocorreram em crianças de até cinco anos de idade. A letalidade foi de 38%. Estima-se o período de incubação médio de 15 dias. O quadro inicial se caracteriza por conjuntivite e febre. O agente etiológico é a bactéria Haemophilus influenzae biogrupo aegyptius, clone invasivo, tendo sido isolado de sangue, liquor, lesão hemorrágica de pele, secreção de conjuntiva e de orofaringe em 1986, de pacientes no Estado de São Paulo. Os estudos moleculares identificaram características diferentes das descritas até então para o Haemophilus aegyptius isolado de surtos de conjuntivite. Os principais surtos da doença ocorreram em Serrana, Valparaíso no Estado de São Paulo e Maracaju no Estado do Mato Grosso do Sul. Em algumas localidades com surtos de conjuntivite se observou a presença de moscas (Diptera). Acredita-se que estes insetos tenham participação na disseminação da doença. O diagnóstico precoce da FPB é um fator importante para redução da letalidade.
1997
Graziela Almeida da Silva
Leishmaniose visceral canina nos municípios de Araçatuba e Birigui, estado de São Paulo, Brasil
Introdução: A premissa do programa nacional de controle da leishmaniose visceral (LV) é que a doença humana esteja relacionada com a canina, sendo o controle do reservatório canino um dos focos do programa. Objetivos: Mensurar a taxa de incidência da LV em humanos, relacionando-a com as coberturas do controle químico e do reservatório canino. Relacionar a soroprevalência canina com características dos cães e de seus tutores. E avaliar a eficácia da eutanásia de cães soropositivos no controle da infecção canina. Métodos: Os casos humanos e os domicílios com cães soropositivos registrados no período de 2007 a 2015 no município de Araçatuba, estado de São Paulo, foram geocodificados e calculadas a soroprevalência canina, a taxa de incidência humana e as coberturas das atividades de inquérito sorológico, eutanásia e controle químico. A associação entre as variáveis foi avaliada por comparação de mapas, por regressão linear e pela função K de Ripley. Um estudo transversal foi conduzido entre 2015 e 2016, nos municípios de Araçatuba e Birigui, tendo como base uma amostra da população canina. A soroprevalência foi modelada por regressão logística em uma abordagem geoestatística usando a aproximação de Laplace integrada aninhada para inferência bayesiana. Dados secundários e dos inquéritos realizados foram utilizados para elaborar e calibrar modelos dinâmicos. Resultados: Observou-se no município de Araçatuba a diminuição da taxa de incidência LV e da soroprevalência canina, apesar das coberturas de controle terem sido baixas no mesmo período estudado. O inquérito sorológico revelou uma soroprevalência canina de 8% em Araçatuba e 4% em Birigui. Em Araçatuba a ocorrência de cães soropositivos foi associada à domicílios que tiveram mais de 10 cães ao longo do tempo, domicílios com histórico de cães com a infecção ou que morreram por outras causas não naturais, e à permanência dos cães no peridomicílio ao longo do dia. Foi observada dependência espacial (46 m) entre as observações. Considerando controle contínuo e um esforço das atividades de inquérito sorológico três vezes maior que a média do observado em Araçatuba e duas vezes maior em Birigui, as atividades relacionadas à eutanásia de cães com diagnóstico positivos possibilitariam, em teoria, o controle da infecção canina. Conclusões: A diminuição da LV ao longo do tempo está relacionada com as ações de controle, uma vez que pequenas alterações na dinâmica da infecção canina têm importância epidemiológica. O encontro de dependência espacial entre os domicílios com casos caninos em pequenas distâncias reforça a existência de um padrão local da transmissão da infecção entorno dos domicílios, relacionado com as características do vetor. A eutanásia de cães soropositivos, em teoria, é capaz de controlar a infecção canina, porém, este resultado desse ser entendido com cautela, dada a complexidade operacional desta medida e as questões éticas relacionadas. Novos estudos precisam ser desenvolvidos para uma melhor compreensão se fatores além das atividades de controle estariam envolvidos na diminuição da incidência da LV. Faz-se necessário planejamento a longo prazo das ações de controle e investimento em pesquisas sobre o custo-efetividade de outras medidas que auxiliem no controle da LV.
2018
Danielle Nunes Carneiro Castro Costa
"Aspectos da ecologia de Aedes aegypti (Linnaeus) em Santos, São Paulo, Brasil"
Objetivo. Considerando a importância da Baixada Santista na manutenção da epidemia de dengue no Estado de São Paulo, realizou-se estudo sobre aspectos da ecologia de Aedes aegypti, enfatizando a fase alada desse inseto. Método. A pesquisa foi desenvolvida no município de Santos, entre janeiro e dezembro de 2003. Imóveis residenciais e não residenciais foram avaliados quanto à presença de recipientes que pudessem servir de habitat para formas imaturas do Aedes aegypti. As larvas (3.º e 4.º estádios) e as pupas foram quantificadas. Paralelamente, foram coletadas e contadas formas aladas do mosquito, e as fêmeas examinadas quanto ao desenvolvimento ovariolar. As formas imaturas e aladas do vetor foram empregadas para estimar índices de infestação. Resultados. 1- Formas imaturas. Registrou-se numerosa variedade de possíveis criadouros do Aedes aegypti. A maioria foi encontrada no ambiente do peridomicílio, que apresentou 93,5% dos recipientes positivos. A positividade média dos tipos de recipientes apresentou diferenças significativas, sendo os maiores valores para pneu (11,9%), outros materiais úteis (5,6%), recipientes para armazenamento de água (4,6%) e outros fixos (4,2%). A positividade dos imóveis para imaturos foi de 2,0%. 2- Formas adultas. A positividade dos imóveis para formas aladas foi de 39,2%. A maioria dos exemplares, 92,4%, foi coletada no intradomicílio. As médias de adultos e de fêmeas por imóvel trabalhado foram de 1,3 e 0,7, respectivamente. Cerca de 90,4% das fêmeas examinadas apresentaram desenvolvimento ovariolar entre as fases III e V de Christophers e Mer. Conclusões. O pneu foi o recipiente que apresentou a maior positividade entre aqueles pesquisados. O ralo foi o mais freqüente entre os positivos. Os valores das estimativas de infestação para adultos foram bem maiores do que para os imaturos. A presença de adultos em todos os meses, sugere que a espécie está estabilizada às condições locais. Corroborou-se a endofilia e a endofagia pela presença dos adultos no intradomicílio e das fêmeas com estádios ovariolares entre III e V de C & M.
2005
Maria de Fátima Domingos
Oclusopatias na dentição decídua: acúmulo de riscos do nascimento à primeira infância
Este estudo teve como objetivo, conhecer os fatores de risco acumulados do nascimento à infância para as oclusopatias na dentição decídua. Foi realizado um estudo transversal sobre oclusopatias, aninhado ao estudo de coorte de nascidos vivos em Pelotas, 1993, numa amostra de 400 crianças aos 6 anos de idade. Foram utilizados os critérios de Foster e Hamilton para a classificação das oclusopatias e todas as informações socioeconômicas, perinatais e da vida das crianças foram obtidas através de segmentos da coorte realizados ao nascimento, no primeiro, terceiro, sexto e décimo segundo mês de vida e aos 5 anos de idade. Foram realizadas análises univariadas através do Qui-quadrado e análise de regressão logística múltipla não condicional a partir do modelo hierárquico proposto. A prevalência de mordida anterior foi de 46,3%(IC95%[41,2%;51,4%]), de mordida cruzada posterior 18,2% (IC95%[14,2%;22,2%]) e a prevalência de oclusopatia de caninos do tipo 2 ou 3 foi igual a 15,2% (IC95% [11,5%;18,9%]).Os fatores de risco para a presença de mordida aberta anterior foram a idade da mãe entre 30 e 39 anos (OR=2,4[1,1;5,5]), o tempo de amamentação natural entre 4 e 8,9 meses (OR=3,0[1,7;5,9]), 1 e 3,9 meses (OR=3,1[1,7;5,6]) e menor do que 1 mês (OR=2,4[1,1;4,9]), a intenção da mãe em oferecer bico à criança desde o nascimento (OR=3,0[1,2;7,9]), a ocorrência de cárie dentária (OR=2,0[1,2;3,4]), o uso de bico entre 12 meses e 5 anos de idade (OR=10,6[5,8;19,1]) e a sucção digital (OR=3,1[1,3;7,2]). Para a presença de mordida cruzada foram fatores de risco o trabalho materno ao nascimento no limite da significância estatística (OR=1,7[1,0;3,0]), o tempo de amamentação natural entre 4 e 8,9 meses (OR=3,0[1,2;7,5]) e 1 e 3,9 meses (OR=3,1[1,3;7,3]) e a presença de oclusopatias de caninos (OR=3,8[1,9;7,4]). Os fatores de risco para a presença de oclusopatias de caninos foram a presença de dentes cariados ou perdidos por cárie (OR=2,1 [1,1 ;4,2]) e a presença de mordida cruzada posterior (OR=3,0[1,6;5,8]). As oclusopatias foram associadas a situações de risco acumulados durante a vida da criança e comuns a outros problemas de saúde, o que reforça a teoria de riscos comuns. Políticas intersetoriais destinadas a toda população e com o enfoque na redução das exposições comuns nocivas à saúde, parecem ser estratégias mais adequadas para a promoção de saúde bucal em geral, inclusive as oclusopatias na dentição decídua.
2002
Karen Glazer de Anselmo Peres
A adesão ao tratamento antirretroviral por crianças e adolescentes com HIV/Aids
Introdução: A manutenção da boa adesão aos medicamentos antirretrovirais é considerada fundamental para a terapia de pacientes com HIV/Aids, pois falhas no seguimento da prescrição podem levar ao comprometimento de toda a terapia, desenvolvimento de resistência viral e consequente redução nas opções de tratamento. Nas crianças, a adesão plena torna-se mais relevante se forem considerados os diferentes graus de maturidade do sistema imunológico no momento da infecção pelo HIV, tornando, assim, fundamental a avaliação da adesão nesta população. Objetivos: Analisar a taxa de adesão ao tratamento antirretroviral em crianças e adolescentes com HIV/Aids. Métodos: Este estudo transversal, aninhado à coorte de crianças e adolescentes com HIV/Aids atendidas no ambulatório do Instituto da Criança, analisou 101 pacientes. Os dados dos pacientes foram obtidos por meio de questionários sobre as características sociodemográficas e clínicas, sobre a aderência, além de escalas de expectativa de auto-eficácia. A taxa de adesão foi calculada classificando como aderentes aqueles pacientes que tomaram 95 por cento ou mais das doses referidas. A análise descritiva (média, desvio-padrão, mediana e proporções) foi realizada para caracterizar a população do estudo e o teste de Wilcoxon foi utilizado para comparação das médias da escala de auto-eficácia dos pais/cuidadores e pacientes acima de 11 anos. Resultados: A taxa de adesão ao tratamento antirretroviral foi de 93,1 por cento (IC = [88,7;94,4]). Houve 7 pacientes que apresentaram má adesão. Os medicamentos antirretrovirais mais utilizados foram lopinavir (51,5 por cento ), lamivudina (43,6 por cento ) e Biovir® (associação de lamivudina e zidovudina) (28,7 por cento ). Conclusão: Alta taxa de adesão ao tratamento antirretroviral por crianças e adolescentes pode ser atingida, independentemente de seu perfil sociodemográfico e/ou 95 por cento de seus cuidadores, por meio do cuidado que a equipe multiproffisional dedica aos pacientes
Saúde e processo migratório: estudo exploratório sobre o acesso à saúde e tuberculose na comunidade boliviana do Município de São Paulo
Objetivos: Apresentar características do processo migratório de Bolivianos no Município de São Paulo, explorando, num contexto de saúde global, a relação entre os Sistemas de saúde do Brasil e da Bolívia; destacando os respectivos processos históricos, noções de acesso universal e semelhanças que possam vir a ser fundamentais na compreensão da problemática específica da alta incidência de Tuberculosos entre bolivianos residentes na capital do Estado de São Paulo. Métodos: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa e exploratória em que foi realizado um levantamento teórico bibliográfico capaz de apresentar a problemática do tema. Dentre os métodos foi utilizado o descritivo e a pesquisa histórica para caracterizar os processos de implementação e reforma dos sistemas de saúde do Brasil e da Bolívia. Resultados: As fortes correntes migratórias internacionais levam a uma discussão do papel do Estado na garantia dos direitos do migrante, dentre eles, o acesso universal a saúde. Neste trabalho foi possível caracterizar a dinâmica do mundo em constante modificação e ausência de fronteiras no contexto da saúde globalizada. Usando como base o imigrante Boliviano com Tuberculose no Município de São Paulo, analisou-se os Sistemas de Saúde Universal Brasil e Bolívia. Por fim, através deste trabalho foi possível perceber que após o processo migratório há uma combinação de fatores que propiciam o aumento de TB nesta comunidade.
2014
Fernanda Maria Raimundo Valença Braga de Deus e Mello
Alimentação no primeiro semestre de vida de crianças com risco para o desenvolvimento de asma e/ou atopia: Projeto Chiado
Objetivo Nutrição ideal e boa alimentação de recém-nascidos e lactentes são fatores determinantes para sua saúde, crescimento e desenvolvimento, outrossim, o destaque para o aleitamento matemo como fator protetor contra inúmeras doenças. Propõe-se descrever e caracterizar o padrão alimentar e o crescimento de crianças no primeiro semestre de vida, participantes do estudo \"Poluição ambiental urbana e outros fatores relacionados à ocorrência de chiado na infância: um estudo de coorte na cidade de São Paulo, Brasil - PROJETO CHIADO\". Método Utilizaram-se de dados de uma coorte de recém-nascidos em andamento na cidade de São Paulo. Estudaram-se variáveis sócio-econõmicas; alimentares, com proposta de classificação do padrão alimentar envolvendo aspectos fundamentais da alimentação infantil para diagnóstico da condição alimentar da criança; e antropométricas, para cálculo dos índices de interesse e comparação com o padrão de referência do NCHS. Resultados Das 174 crianças com informação disponível no início do estudo, 103 completaram 6 meses de vida. Observou-se duração média do aleitamento matemo de 96,32 dias (13,76 semanas), sendo a duração mediana de 91,2 dias (13 semanas) e duração média do aleitamento matemo exclusivo (AME) de 60,26 dias (8,6 semanas), sendo a duração mediana de 30,4 dias (4,34 semanas). Quanto ao crescimento (estado nutricional), verificou-se prevalência de peso/estatura < -2dp [WHZ< -2dp], aos 6 meses de vida, de 1,32% e 9,21 % para peso/estatura > +2dp [WHZ> +2dp]. A prevalência de retardo de crescimento (déficit estatural) [HAZ< -2dp] foi de 2,63% e não se observaram casos de baixo peso para idade [WAZ< -2dp] ao final do seguimento. Em relação ao padrão NCHS e ao grupo \"não AME\", as crianças em aleitamento matemo exclusivo (AME) apresentaram desempenho de crescimento menos satisfatório, confirmando a inadequação do referido padrão para a avaliação do crescimento de crianças nessa condição alimentar. Conclusão Embora com desempenho geral de crescimento satisfatória, a população estudada, apesar do intenso seguimento com orientação nutricional, apresentou prática alimentar com adequação muito aquém das recomendações atuais.
2005
Rafael de Carvalho Cacavallo
Vigilância de eventos adversos pós-vacina DPT e preditores de gravidade: Estado de São Paulo, 1984-2001
Objetivo: Descrever os eventos adversos pós-vacina DPT (EAPV-DPT) notificados no Estado de São Paulo entre 1984 a 2001; identificar preditores de gravidade desses eventos; avaliar o Sistema de Vigilância de Eventos Adversos Pós-Vacina DPT (SVEAPV-DPT).Métodos: Estudo descritivo e exploratório de preditores de gravidade. A definição de caso adotada é do SVEAPV, sendo este também a fonte dos dados. A avaliação do SVEAPV-DPT foi efetuada segundo metodologia proposta pelo Center for Disease Control and Prevention. Para identificação dos preditores usou-se a regressão logística não-condicional.Resultados: Foram identificados 6266 casos, dos quais 53% eram graves, 29,5% foram hospitalizados; os eventos mais freqüentes foram: febre<39,5ºC, episódio hipotônico-hiporresponsivo, reação local e convulsão. Em cerca de 75% dos casos o evento ocorreu nas primeiras seis horas após a vacinação. Mostraram-se independentemente associadas à gravidade: o intervalo de tempo inferior a uma hora entre a aplicação da vacina e o evento (OR=2,1), primeira dose aplicada (OR=5,8), antecedentes neurológicos pessoais (OR=2,2) e familiares (OR=5,3). O sistema passivo de EAPV é simples, flexível, de baixa sensibilidade, porém útil, descrevendo diferentes tipos de EAPV, identificando lotes mais reatogênicos e oferecendo subsídios para a elaboração de normas técnicas.Conclusões: Apesar das limitações, os sistemas passivos de VEAPV constituem o principal instrumento para estudar a segurança de vacinas no período pós-licença, sendo porém recomendável a incorporação de novas metodologias, entre elas a de municípios e unidades sentinelas. Além disso, é recomendável a inclusão na pauta de discussão das revisões periódicas do calendário de imunizações, a introdução da vacina DPT acelular.
2005
Fabiana Ramos Martin de Freitas
Tabagismo, consumo de álcool e câncer de cabeça e pescoço nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil
Introdução. Considerando-se a incidência e os reflexos na qualidade de vida, os tumores de cabeça e pescoço constituem-se em relevante problema de saúde pública. A medida de efeito dos principais fatores de risco, tabaco e álcool, no risco de acometimento de cânceres de cabeça e pescoço tem sido pouco relatada no Brasil. Objetivo. Verificar as variações de risco decorrentes do tabagismo e do consumo de bebidas alcoólicas no câncer de cabeça e pescoço nas regiões Sudeste, Sul e Centrooeste do Brasil. Sujeitos e Métodos. Estudo caso-controle de base hospitalar conduzido entre setembro de 1998 e maio de 2003, com base em 1.594 casos diagnosticados com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço, confirmados histologicamente, em hospitais das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro (Sudeste), Porto Alegre e Pelotas (Sul), Goiânia (Centro-oeste), e 1.292 controles. Os pacientes foram entrevistados por meio de questionários com informações sobre características e hábitos, bem como dados clínicos e laboratoriais para o diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço. A OR (odds ratio) e IC 95 por cento (intervalo com 95 por cento de confiança) para câncer de cabeça e pescoço associados ao tabaco e álcool foram estimados por regressão logística não condicional. O modelo foi ajustado por idade, sexo, escolaridade, consumo de frutas e legumes. Resultados. Na região Centro-oeste observaram-se riscos mais expressivos para tabagismo, ex-fumantes (OR 3,5; IC95 por cento 1,6-7,4) e fumantes (OR 13,6 IC95 por cento 6,4-28,6), com efeito dose-resposta para frequência e tempo de consumo na exposição cumulativa, de 1-9 maços-ano (OR 1,9; IC 95 por cento 0,8-4,4) à 40 maços-ano e mais (OR 8,6; IC95 por cento 4,2-17,5). No consumo de bebidas alcoólicas, observou-se riscos mais elevados para consumidores atuais na região Sul (OR 4,7 IC95 por cento 2,8-7,9); na exposição cumulativa o efeito dose-resposta para frequência de consumo foi nítido a partir da categoria 0-4,99g/ml/dia nas regiões Sudeste, Sul e Centro-oeste. Conclusões. As diferenças que puderam ser observadas no risco para tumores de cabeça e pescoço decorrentes do tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas, sugerem diferenças no perfil de consumo nas regiões Sudeste, Sul e Centro-oeste, provavelmente, relacionados ao uso de tipos de preparo do tabaco e consumo de diferentes tipos de bebidas alcoólicas
2013
Suely Aparecida Kfouri Sakaguti
A epidemiologia e as medidas de controle da dengue no município de Santos, São Paulo, no período de 1997a 2008
Introdução: Após alguns anos possivelmente ausente do Brasil, o Ae. aegypti, principal transmissor dos vírus da dengue volta a ser encontrado, sendo este fato comprovado no Estado de São Paulo desde 1985. No município de Santos focos de Ae. aegypti foram assinalados em 1980, todavia a sua infestação foi comprovada em 1994 (SUCEN). Os primeiros casos de dengue autóctones (contraídos no município de Santos) emergiram no início de 1997. O objeto de estudo desse trabalho é a dengue no município de Santos e sua transmissão que parece ininterrupta. Objetivo: estudar a ocorrência da dengue no município de Santos no período de 1997 a 2008 em alguns de seus aspectos epidemiológicos, clínicos e vetoriais e possíveis causas da flutuação das epidemias1 consecutivas permeadas por períodos de surtos epidêmicos2. Método: Estudo descritivo com análise comparativa entre os índices de infestação do Aedes com a incidência3 da dengue no mesmo período para avaliar se houve impacto das ações de controle. As variáveis para a análise de incidência serão somente os casos notificados, confirmados e residentes em Santos nos anos de 1997 a 2008, por faixa etária, sexo, ano e mês de ocorrência. Resultados: A incidência acumulada da doença de aproximadamente 84% pode apontar para uma possível diminuição de suscetíveis para os três sorotipos (1, 2 e 3), e o risco de novas epidemias é possível, seja com a introdução do sorotipo 4, onde toda a população é suscetível, aumentando o risco dos casos de dengue hemorrágica, ou epidemias infantis, atingindo em maior número lactantes e crianças até 14 anos, uma vez que a prevalência é menor. Conclusões: O comportamento da incidência da dengue durante esses doze anos consecutivos de autoctonia no município de Santos mostrou como característica principal a ciclotimia, anos epidêmicos intercalados com surtos, possível esgotamento de suscetíveis adultos para cada novo vírus introduzido, e os métodos utilizados no controle da doença mostraram que não foram suficientes, embora legitimamente embasados, faltou a integração das ações, com planejamento, acompanhamento e avaliação
2010
Maria Angela Bellegarde Fernandes
Perfil de risco cardiovascular de funcionários de banco estatal
Esta tese faz parte do \"Estudo das Condições de Saúde dos Funcionários do Banco do Brasil\", patrocinado pelas Caixas de Assistência e de Previdência dos Funcionários (CASSI e PREVI), tendo em vista a reformulação do conjunto da assistência à saúde oferecida aos bancários. Neste trabalho, investigamos a distribuição dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, bem como a existência de padrões de hábitos e comportamentos, por meio da estimativa de prevalências e do estudo da ocorrência simultânea dos fatores de risco entre os funcionários ativos no Estado do Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de um estudo transversal, que utilizou questionário auto-preenchido no ambiente de trabalho. A população alvo foi constituída por funcionários das carreiras administrativa (bancários) e técnica (advogados, médicos e engenheiros), de onde sorteou-se amostra aleatória simples de 1183 funcionários, lotados em dois tipos de dependências do banco: Centros de Processamento de Serviços e Comunicações (CESEC) e órgãos da Direção Geral. Além dos dados coletados por intermédio do questionário, medidas diretas de peso, estatura e pressão arterial foram também tomadas de forma direta, em uma sub-amostra dos respondentes. A distribuição dos principais fatores de risco (fumo; consumo de álcool; sedentarismo; dieta rica em gorduras saturadas, colesterol e sal; sobrepeso/obesidade; hipertensão arterial; hipercolesterolemia) foi investigada segundo sexo, idade e escolaridade. Além disso, padrões típicos de comportamento, caracterizados pela ocorrência simultânea daqueles fatores, foram identificados por meio de técnica multivariada (análise de correspondência). A população estudada apresentou alto nível de escolaridade, já que cerca de 90% chegou a ingressar na universidade, e idade média de 38 anos. Os bancários reconhecem os principais fatores de risco para as doenças do coração. Mesmo assim, as prevalências estimadas são compatíveis com aquelas relatadas em outros grupos populacionais, chamando atenção, entre os bancários, a grande proporção de homens que apresentaram sobrepeso/obesidade e consumo de dieta rica em componentes pouco saudáveis. Padrão de aglomeração de hábitos e comportamentos mais saudáveis por um lado, e menos saudáveis por outro, foi identificado, caracterizando grupos com estilos de vida bem definidos. Diferenças importantes no perfil de risco cardiovascular foram observadas entre homens e mulheres, considerando-se hábitos e comportamentos, e também a prevalência de hipertensão, sobrepeso/obesidade e hipercolesterolemia. Assim, os homens constituíram o grupo de maior risco, não só pela maior prevalência da maioria dos fatores, considerados isoladamente, mas também por estarem associados à ocorrência simultânea daqueles fatores, caracterizando estilo de vida menos saudável. Além disso, escolaridade e idade também discriminaram grupos de risco.Os resultados sugerem ainda a inadequação do controle de hipertensão arterial, já que o diagnóstico dessa condição não parece determinar mudanças de comportamento, nem a adoção de tratamento específico pelo conjunto dos hipertensos (apenas 50% encontram-se em tratamento). Aspectos relativos à validade e confiabilidade dos dados são discutidos, bem como determinantes coletivos e individuais de estilos de vida distintos e de mudanças de comportamento na população. Ações que integrem Programa de Promoção da Saúde no Ambiente de Trabalho são sugeridas, apontando importante área de atuação para profissionais de Saúde Pública no Brasil.
Classificaçäo de hospitalizações em Ribeirão Preto: os diagnosis related groups
Este trabalho centra-se na análise da aplicação do sistema de classificação de internações hospitalares \"Diagnosis Related Groups- DRGs\" na região de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, Brasil, considerando: (1) a viabilidade do uso da classificação face à base de dados hospitalares disponíveis; (2) o grau de homogeneidade dos DRGs, apreciado a partir da análise da variação observada no tempo de permanência hospitalar (variável \"proxy\" do uso de recursos hospitalares) relacionado; (3) a comparação de estatísticas obtidas com aquelas observadas nos Estados Unidos (país que faz amplo uso do sistema de classificação em foco); e (4) potenciais usos do sistema no sentido de discriminar padrões de assistência de unidades hospitalares, tanto no que tange à sua complexidade assistencial, quanto ao seu volume de produção e nível de utilização de recursos, dados de grande importância para a gestão regional dos serviços disponíveis. A região de Ribeirão Preto é a única no país que dispõe de um banco de dados acerca de internações hospitalares envolvendo a possibilidade de melhor discriminação diagnóstica, pela inclusão de comorbidades e complicações, bem como de identificação de procedimentos diversos. Além disso, contempla a totalidade de unidades hospitalares privadas, filantrópicas e públicas. No sentido do cumprimento dos objetivos, diversos procedimentos metodológicos foram adotados. Primeiramente, foram compatibilizadas as classificações de diagnósticos e procedimentos hospitalares adotados em Ribeirão Preto e no sistema de classificação DRG. Em seguida, técnicas estatísticas tais como a análise de conglomerados e a análise de regressão linear foram utilizadas no sentido de avaliar a homogeneidade dos DRGs obtidos, considerando o coeficiente de variação do tempo de permanência hospitalar. A comparabilidade dos DRGs oriundos das internações de Ribeirão Preto e de internações nos Estados Unidos foi então considerada a partir do uso do teste de médias, análise das diferenças proporcionais e análise de correlações observadas para tempo de permanência hospitalar e coeficiente de variação do tempo de permanência hospitalar. Análises descritivas exploraram ainda a caracterização do casemix associado às unidades hospitalares incluídas na base de dados estudada. Resultados deste trabalho apontam para a aplicabilidade do sistema DRG na região de Ribeirão Preto e o satisfatório grau de homogeneidade dos DRGs. A exploração de fatores adicionais àqueles contemplados pelos DRGs que adicionassem informações à explicação da variação no tempo de permanência hospitalar, foi considerada pouco promissora e descartada como procedimento relevante no escopo deste trabalho. Para finalizar, vale destacar a preocupação que permeou este trabalho, com o uso da classificação DRG enquanto ferramenta para a gestão de serviços e produtos hospitalares, capaz de subsidiar decisões acerca do perfil de complexidade dos pacientes e da alocação de recursos.
2001
Marina Ferreira de Noronha
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde - CIF: aplicação em um hospital público
Objetivo: Analisar a prática de utilização Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde -- CIF, da Organização Mundial da Saúde, identificando e classificando o estado funcional, as estruturas do corpo afetadas, as limitações e as restrições de participação em atividades e os fatores ambientais que envolvem a vida diária das pessoas portadoras de deficiências do aparelho locomotor. Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico transversal, descritivo-analítico. A amostra foi constituída por 40 pacientes em fase final de reabilitação de sequelas de doenças crônicas e de lesões por causas externas em um hospital público. Foram analisadas as variáveis sexo, idade, escolaridade, ocupação, diagnósticos codificados pela Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas: Relacionados à Saúde- CID-10, funções e estruturas do corpo, participação e fatores ambientais codificados pela CIF. Resultados: A maioria dos entrevistados apresentou sequelas de agressões por arma de fogo e de acidentes de trânsito (67,5%). A estrutura afetada foi principalmente a medula espinhal torácica (47,5%). As principais deficiências foram relacionadas às funções de continência urinária, continência fecal, de força e de tônus musculares. Conclusões: A CIF significa um avanço em direção às propostas de entender as necessidades e as condições específicas em que as pessoas com alguma deficiência nas funções do corpo estão inseridas no ambiente, em seus aspectos naturais, tecnológicos e sociais. Constitui-se em ferramenta que permite fazer uma avaliação multidimensional da funcionalidade dos pacientes com deficiências físicas e/ou mentais. Embora seja de bastante utilidade na classificação sistemática dos diagnósticos dos pacientes, é de difícil aplicação e seu uso está restrito a comunidades com alto grau de desenvolvimento político e institucional.
2002
Maria do Carmo Ramalho Rodrigues de Almeida
Investigação da influência de fatores ambientais na presença, densidade e distribuição espacial de culicídeos vetores, na zona oeste da capital, São Paulo
Introdução: Várias espécies de culicídeos são vetores de patógenos que causam graves doenças em humanos e outros animais. Objetivos: Investigar a presença e distribuição espacial de insetos vetores na Cidade Universitária, zona Oeste - São Paulo e os fatores ambientais associados a sua ocorrência. Metodologia: A área de estudo foi a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira (CUASO), que foi dividido em quatro partes. As coletas com ovitrampas e adultraps foram realizadas de dezembro de 2013 a novembro de 2014, mensalmente foram sorteados dez pontos de coleta por área, em cada área foram instaladas dez ovitrampas e dez adultraps. As coletas com aspirador ocorreram de janeiro a dezembro de 2014 e mensalmente foram sorteados dois pontos por área para realização das aspirações, totalizando oito pontos de coletas por mês, resultando em 120 minutos/mensal. Todo material coletado foi levado ao Laboratório de Entomologia em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da USP para análise. Resultados: De maneira geral as variáveis ambientais influenciaram na presença dos culicídeos coletados. O índice de densidade de ovos sofreu influência significativa da temperatura, enquanto que a pluviosidade afetou mais significativamente a presença do adulto. Em relação à aspiração Culex quinquefasciatus foi a espécie predominante em todas as coletas, seguida de Aedes albopictus e Aedes aegypti. Porém apenas Aedes albopictus e Aedes aegypti apresentaram correlação significativa com as variáveis climáticas. Conclusão: a presença de culicídeos vetores na Cidade universitária foi expressiva praticamente o ano inteiro, tornando esse local um meio propício para propagação de várias arboviroses, necessitando um monitoramento constante da presença desses vetores.
2018
Morgana Michele Cavalcanti de Souza Leal Diniz