RCAAP Repository
Acessibilidade de pessoas com deficiência a serviços de saúde em áreas do Estado de São Paulo - Projeto AceSS
Introdução. As pessoas com deficiência são um grupo populacional que em virtude de suas condições de saúde, apresentam algumas dificuldades na acessibilidade aos serviços de saúde. Objetivo. Estudar os problemas de acessibilidade de pessoas com deficiências físicas, visuais e/ou auditivas aos serviços de saúde em áreas do Estado de São Paulo, bem como as variações existentes segundo o tipo de deficiência e variáveis sociodemográficas. Material e Métodos. Estudo transversal com entrevistas domiciliares realizado em duas fases distintas. Fase I: entrevistas com 25 indivíduos com alguma deficiência, por meio de questionário qualitativo, com perguntas abertas, sobre os problemas de acessibilidade enfrentados no uso dos serviços de saúde, analisadas pelo método do \"Discurso do Sujeito Coletivo\". Fase II: entrevistas com 333 pessoas com deficiência, por meio de questionário fechado, que teve como tema os problemas de acessibilidade aos serviços de saúde, além de outros. Esse questionário originou-se dos resultados da Fase I, de perguntas encontradas em outras pesquisas e de conceitos da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Os dados foram analisados com frequências simples, Qui-quadrado, Qui-Quadrado de tendência e regressão de Poisson com variância robusta. O software utilizado na análise é o Stata 9.2®. Resultados. Os principais problemas de acessibilidade citados pelos entrevistados são o tempo de espera para ser atendido, a ausência de rampas, de estacionamento e de sanitários adaptados, de salas de espera com lugares insuficientes, falta de cadeira de rodas para pacientes e salas bloqueadas por obstáculos. Problemas de acessibilidade aos serviços de saúde foram relatados por 15,92 por cento dos 333 entrevistados. As pessoas com paralisia, amputação ou deficiências múltiplas, as pessoas com idade menor que 78 anos de idade ou as que precisavam de ajuda para ir ao serviço de saúde, tiveram mais problemas que os outros. Dos 160 entrevistados com alguma deficiência auditiva, 35 por cento relataram problemas para ouvir e entender o que foi dito pelos profissionais de saúde. Conclusões. Problemas como tempo de espera, ausência de rampas e/ou estacionamento, dificuldades de comunicação com os profissionais de saúde e acessibilidade às salas do serviço de saúde foram relatados pelos entrevistados. O estudo dos problemas de acessibilidade de pessoas com deficiência aos serviços de saúde pode ajudar na orientação e na criação de políticas e de programas específicos para esse grupo populacional, visando a melhoria da sua saúde geral e qualidade de vida, por meio do incremento da acessibilidade aos serviços de saúde
2010
Shamyr Sulyvan de Castro
Avaliação da contaminação por mercúrio em peixes do Alto Pantanal
Para avaliar a contaminação por mercúrio em peixes do Alto Pantanal, foram analisadas 74 amostras de peixes piscívoros das espécies Pseudoplatystoma fasciatum(cachara), Pirinanpus pirinanpu (barbado), Serrasalmus spp. (piranha), Pseudoplatystoma coruscans (pintado), Salminus maxillosus (dourado), Hemisorubin plathyrhynchos (jurupoca) e Surubin lima (jurupensém). Também foram analisadas amostras de sedimento e de material particulado em suspensão na água. As amostras foram coletadas no ano de 2000. As determinações de mercúrio total foram feitas por espectrometria de absorção atômica sem chama utilizando-se gerador de vapor frio VGA 77 da Varian® acoplado a um espectrômetro Varian® 220. As concentrações de mercúrio total nas amostras de peixe variaram de 0,02 ug/g (piranha) a 0,80 ug/g (cachara). As concentrações de mercúrio em piranhas variaram de 0,02 ug/g a 0,50 ug/g, com média de 0,16 ug/g +/- 0,12. A área CBA 2 (baías do rio Cuiabá, região próxima de Barão de Melgaço) foi a que teve as concentrações mais elevadas em relação às áreas BNG 1 (rio Bento Gomes, Poconé) (p=0,003), PAG 3 (rio Paraguai, Taiamã e Descalvado) (p=0,002) e PAG 5 (rio Paraguai, confluência com rio Cuiabá) (p<0,001), mas não houve diferença entre CBA 2 e PAG 4 (rio Canafisto, baía do Alegre e rio Alegre) . O teste de Spearman apontou correlação entre mercúrio em piranhas e mercúrio em material particulado em suspensão (r=0,561, p<0,001), e entre mercúrio em piranhas e mercúrio em sedimento da camada 0-2 cm; e não indicou correlações entre mercúrio em piranhas e mercúrio em sedimento da camada 0-10 cm, mercúrio em sedimento 0-10 cm e mercúrio em material particulado em suspensão, e mercúrio em sedimento 0-10 cm e concentração de matéria orgânica. As concentrações de mercúrio em peixes ficaram abaixo do limite máximo tolerável de mercúrio em peixes predadores, de 1 ug/g, estabelecido no Brasil. Em regiões não contaminadas, peixes de água doce apresentam teores de Hg de até 0,2 ug/g, 33% das amostras ficaram acima desse valor. Segundo a legislação brasileira, o pescado analisado não está impróprio para consumo humano, mas evidenciou-se um processo de contaminação que deve ser melhor estudado quanto aos fatores ambientais determinantes. É importante o monitoramento da região, já que estudos indicam que níveis abaixo de 1 ug/g já podem causar alterações importantes na saúde, dependendo da quantidade de pescado consumido.
Fatores associados à percepção de suficiência de renda entre a população idosa do município de São Paulo - Estudo SABE
Objetivos: Identificar fatores associados à percepção de suficiência de renda dos idosos do município de São Paulo, que relataram alguma vez ter trabalhado com remuneração e que possuíam renda. Métodos: A partir da entrevista com 2.143 idosos (60 anos e mais), em 2000, foram identificados 1.300 que não precisaram de ajuda para responder o questionário, com 13 pontos ou mais no MEEM (Mini Exame de Estado Mental), que exerceram algum tipo de trabalho remunerado, que tinham algum tipo de renda e que, esta coincidisse com a quantidade de fontes de renda informada. Utilizou-se na análise estatística o teste de associação para amostras complexas (Rao-Scott), análise univariada e multivariada de regressão logística, sendo construído através desta última o modelo final, ao nível de significância de 5 por cento . Resultados e discussão: Perceberam como suficiente sua renda, 31 por cento dos idosos. Aqueles com renda acima dos patamares analisados (per capita acima de ½ salário mínimo e renda total acima do mínimo necessário para atendimento das necessidades básicas) apresentaram maiores chances de percepção satisfatória. Independente da renda, os seguintes fatores estiveram associados com uma melhor percepção de suficiência de renda: ter trabalhado predominantemente em atividades não físicas, ter iniciado atividade laboral com 14 anos ou mais, possuir seguro/plano de saúde privado, ter duas ou mais fontes de renda, não ter passado por privação alimentar em seus primeiros 15 anos de vida, ter 70 anos ou mais, ter boa saúde e ser independente quanto à realização de atividades da vida diária. Conclusão: Situações herdadas, adquiridas ou impostas, assim como ações e decisões adotadas, durante o curso de vida, contribuíram para uma melhor percepção de suficiência de renda dos idosos
Perspectivas de controle da doença de chagas no estado de São Paulo
O controle da transmissão da doença de Chagas no Estado de São Paulo, delineado\" no presente estudo, foi equacionado e solucionado e não constitui, nos dias atuais, problema de saúde pública. O risco de ocorrência de casos agudos fica restrito a eventos isolados. Este quadro, portanto, autoriza otimismo, podendo-se supor que a atual incidência da doença no Estado seja próxima de zero e esperar que a incidência futura se mantenha nesse nível. Sob a ótica da transmissão vetorial, as ações de vigilância sobre as espécies peridomiciliares presentes atualmente no Estado têm respondido de maneira eficaz à possibilidade de infecção por Trypanosoma cruzi a partir do contato homem-vetor. A casa rural paulista não constitui hoje ecótopo adequado para a domiciliação de tais espécies de triatomíneos. O comportamento invasor, característico principalmente dos indivíduos adultos fêmeas, não tem passado despercebido à população que prontamente coleta e encaminha o inseto para análise utilizando-se, na maioria das vezes, do Centro de Saude local, numa integração da vigilância vetorial à rede de atenção à saude. O pronto atendimento a cada notificação serve de estímulo à participação. Em síntese, a vigilância vetorial está consolidada junto à comunidade e à rede de saúde local. A transmissão transfusional constitui fenômeno raro dadas as condições com que se pratica a hemoterapia no Estado de São Paulo. As ações de controle do sangue foram implementadas pela Secretaria de Saúde a partir de 1988, com índices de cobertura de seleção de doadores próximos de 100 por cento já em 1990. Mais recentemente, com a instalação da Hemo-rede estadual e a ampliação da cobertura dos Hemocentros incluindo os pequenos municípios, pode-se observar uma melhora da qualidade da hemoterapia. O descarte do candidato à doação quando procedente de área endêmica de doença de Chagas, tem contribuído para a obtenção de baixos percentuais de prevalência na triagem sorológica, situados próximos a 1 por cento . A transmissão congênita, entendida como mecanismo residual de perpetuação da infecção, ocorre em níveis discretos e pode ser perfeitamente controlada desde que se realizem provas sorológicas para doença de Chagas em gestantes com epidemiologia compatível e se pesquise a infecção na criança ao nascer e seguimento até os 6 meses. A persistência da positividade sorológica deve orientar para tratamento específico. Outros mecanismos de transmissão não apresentam qualquer importância no contexto da endemia. Resta ao sistema de saúde, portanto, olhar de frente os indivíduos infectados que merecerão atenção médica e previdenciária e cujo direito à saúde está garantido pela carta constitucional.
1994
Dalva Marli Valerio Wanderley
Dinâmica epidemiológica da tuberculose: um modelo matemático para simulação da efetividade do diagnóstico e tratamento dos casos
O presente trabalho desenvolve um modelo matemático multicompartimental, representado por um sistema de equações diferenciais ordinárias, da dinâmica epidemiológica da tuberculose. Modela-se, além do comportamento natural da doença, o tratamento de casos infectantes, enquanto medida de controle. Este último aspecto da modelagem leva em conta a duração do tratamento e a possibilidade de não adesão. Entre as premissas do modelo, destacam-se a ausência de resistência do bacilo ao esquema terapêutico, a mesma probabilidade de entrada em tratamento de casos já tratados anteriormente e casos novos e a ausência de circulação do HIV. Utilizou-se dados publicados na literatura para a estimativa dos parâmetros. A simulação da introdução da doença em uma população de suscetíveis leva ao equilíbrio, não tendo sido reproduzido o comportamento de queda duradoura da morbidade, observada em várias regiões do mundo. A simulação do tratamento dos casos infectantes produz uma redução acelerada da morbidade nos primeiros anos após o que, dependendo da taxa de entrada em tratamento, pode levar tanto a um novo equilíbrio, como produzir uma queda lenta, porém constante da morbidade tuberculosa, com tendência à extinção. O abandono do tratamento reduz a sua efetividade epidemiológica, mas na maioria das situações simuladas não anula completamente o impacto desta atividade de controle, mesmo no caso de taxas de abandono muito elevadas. É possível produzir soluções em que o abandono do tratamento leve a um prejuízo epidemiológico em relação ao comportamento da doença na ausência de intervenção, alterando-se parâmetros. O modelo proposto é apenas uma etapa na modelagem da dinâmica de transmissão da tuberculose na ausência de intervenção, se prestando, no entanto, enquanto instrumento lógico para simulações da efetividade de programas de controle.
1994
Maria Lucia Fernandes Penna
Dinâmica de circulação de Leishmania spp no ambiente enzoótico florestal de diferentes regiões do Estado de São Paulo
Com o objetivo de investigar a ecoepidemiologia de Leishmania spp com relação a animais silvestres e domésticos e aos flebotomíneos, desenvolveram-se estudos no período entre 2000 e 2009 em duas áreas no Estado de São Paulo (Ilhabela S 23º 48\' W 45º 20\' e Itupeva na Serra do Japi, S 23º 10\' W 47º 02\' ). Cada animal foi examinado por um ou mais dos seguintes métodos: observações clínicas, exame direto de esfregaços ou imprints de aspirados e/ou biópsias, teste rápido com antígeno rk39, intradermorreação com antígeno de L.(V.) braziliensis, inoculação in vivo e in vitro e extração de DNA para testes moleculares. Em relação aos animais silvestres foram utilizadas técnicas de captura-marcação-recaptura o que nos permitiu determinar a dinâmica de circulação de Leishmania spp. Em todas as recapturas os animais foram reexaminados. Coletas de flebotomíneos também foram realizadas nos mesmos locais e em galinheiros, utilizando-se de armadilhas luminosas, tipo Falcão modificada, aspiradores de castro, armadilha de Shannon, armadilha Disney e papéis untados com vaselina líquida. De um total de 2.714 animais silvestres capturados, 2.048 foram recapturas. Em Ilhabela verificou-se que exemplares de Proechimys iheringi e Philander opossum foram recapturados de 2 a 35 vezes e um exemplar de Philander opossum foi recapturado até 79 meses após sua captura. L. (V.) braziliensis foi observado em áreas de LTA infectando cães em Ilhabela e Itupeva, Rodentia (Proechimys iheringi de Ilhabela, Nectomys squamipes e Lutreolina crassicaudata de Itupeva) e Marsupialia (Didelphis aurita de Itupeva). L. (L.) amazonensis foi observado em áreas de LTA em P. iheringi.de Ilhabela. L.(L.) infantum chagasi, de outra parte, foi observado em áreas de LTA em Itupeva (Akodon spp, D. 9 marsupialis). Em algumas áreas foi possível determinar ciclos concomitantes de 2 ou 3 espécies de Leishmania. A recaptura sistemática e o longo tempo de permanência nos mesmos locais de alguns espécimes indicam, de maneira inequívoca, a existência de territórios bem definidos, principalmente para Philander opossum e Proechimys iheringi de onde pode ocorrer a dispersão da leishmaniose. Ny. intermedia e Mg. migonei foram as espécies predominantes em Ilhabela, tanto em áreas florestadas quanto em galinheiros, totalizando 93,81por cento das espécies coletadas. Por outro lado, em Itupeva, Ny. neivai (33.06por cento ), Ny. whitmani (24,06por cento ) e Lu. longipalpis (20,62por cento ) foram as espécies mais abundantes no galinheiro e em áreas com mata. A presença de Lu. longipalpis requer atenção por ser o principal vetor da Leishmania infantum chagasi, no Brasil, em uma região onde foi constatada a presença de ciclo enzoótico. A infecção natural por Leishmania em animais silvestres e domésticos associada à presença de flebotomíneos vetores indica o risco potencial para infecção humana. Infecção de animais silvestres em áreas sem infecção humana ou canina pode indicar a presença ou perpetuação de ciclos do parasita
2011
Helena Hilomi Taniguchi
Produção de conhecimento como externalidade da incorporação de tecnologia pelo sistema público de saúde
O Sistema Único de Saúde no Brasil (SUS) proporciona a incorporação de muitas tecnologias na área médica e, por conseguinte, pode estar exercendo um papel indireto na produção de conhecimento que não está sendo considerado como uma de suas qualidades. Objetivo: analisar se a incorporação de tecnologias pelo Sistema Único de Saúde no Brasil, mais especificamente fármacos, está associada a um aumento da produção de conhecimento científico nacional sobre estas tecnologias. Material e métodos: Trata-se de um estudo descritivo onde foram selecionados alguns fármacos distribuídos pelo Ministério da Saúde. Utilizando o PubMed analisou-se a produção de conhecimento no Brasil e em outros países do mundo sobre estas tecnologias. Comparou-se a posição do Brasil no ranking da produção científica mundial nos 3 anos antes da incorporação dos fármacos pelo SUS com a posição do Brasil no 4º, 5º e 6º anos após a incorporação destas tecnologias. Esta comparação foi feita utilizando teste não paramétrico de Wilcoxon. Resultados: a posição do Brasil no ranking da produção científica das tecnologias farmacológicas melhora para 70 das 90 tecnologias avaliadas. A posição geral média do Brasil passa de 68º para 45º após a incorporação (p < 0,0001). Conclusão: a incorporação de tecnologias farmacológicas pelo SUS está associada a um aumento da produção de conhecimento nacional sobre estas tecnologias
2010
Dayanna Hartmann Cambruzzi
Quimioprofilaxia da tuberculose: estudo e análise em uma área do município de São Paulo, 1959-1976
O presente trabalho baseia-se no estudo de 1.678 casos de pacientes inscritos no Setor de Quimioprofilaxia da Tuberculose do Centro de Saúde \"Geraldo de Paula Souza\" da Faculdade de Saúde Pública, USP,no período de 1959-76. Os pacientes foram analisados sob as variáveis de sexo, idade, medida da enduração tuberculínica no início e no final da quimioprofilaxia, tempo de viragem tuberculínica antes do início do tratamento, da condição de ser ou não comunicante de casos de tuberculose, de ter sido ou nao vacinado, pelo BCG oral, de residir ou não na área de atendimento da Unidade Sanitária, do adoecimento durante e até 5 anos após o término da quimioprofilaxia, da intolerância medicamentosa, dos esquemas terapêuticos e da permanência ou abandono do tratamento. Os resultados identificam as variáveis que influíram no êxito e no fracasso da quimioprofilaxia da tuberculose.
1978
Pericles Alves Nogueira
Acidentes do trabalho: os casos fatais - a questão da identificação e da mensuração
O tema central deste estudo é a análise da mortalidade por acidentes do trabalho, que envolve grande dificuldade dado a inexistência de uma base de dados completa e contínua sobre os casos fatais. As principais fontes de registros administrativos que contêm estas informações são os autos dos processos de acidentes do trabalho, existentes no Instituto Nacional de Seguridade Social, e as declarações de óbito dos Sistemas de Informações sobre Mortalidade, nacional ou estadual. A primeira não representa o universo dos casos fatais ocorridos, uma vez que nem todos os trabalhadores são cobertos por este Instituto, e o sistema informatizado não contempla um detalhamento destes dados. A segunda fonte apresenta elevado grau de subnotificação dos acidentes do trabalho, além de não dispor de informações específicas sobre as circunstâncias que envolvem estes acidentes. O presente estudo propõe uma vinculação das duas fontes existentes, o que constitui uma alternativa para a construção de um banco de dados mais abrangente, relativo aos casos fatais de acidentes do trabalho. Procura-se, assim, aprimorar a forma de identificação destes acidentes, tomando possível quantificá-los e caracterizá-los demográfica e epidemiologicamente, assim como mensurar a correspondente mortalidade. Avalia-se o potencial de análise resultante da construção deste banco de dados, realizando um estudo específico para o Estado de São Paulo, no período compreendido entre 1991 e 1992. Foram investigados os acidentes do trabalho fatais ocorridos em todos os municípios paulistas, adotando-se o recorte regional que considerou o Estado dividido em duas áreas: Capital e Interior, procurando-se detectar diferenciais de mortalidade entre elas. Pela legislação brasileira, os acidentes do trabalho podem ser classificados em acidentes-tipo, doenças do trabalho e acidentes de trajeto. Neste estudo, foram considerados os acidentes do trabalho tipo e os de trajeto. A organização de um banco e dados detalhado sobre os casos fatais de acidentes do trabalho tem os seguintes fins: o Otimização do uso de registros administrativos já existentes, abrangendo uma maior quantidade de casos relativos à população ocupada, seja ela contribuinte ou não do INSS. o Identificação da população trabalhadora exposta aos riscos fatais de um acidente do trabalho. o Caracterização demográfica e epidemiológica dos diferentes perfis da população acidentada e da população potencialmente exposta ao risco fatal de um acidente do trabalho. o Estimativas dos coeficientes específicos de mortalidade segundo diversos atributos populacionais. o Identificação de diferenciais de mortalidade por acidentes do trabalho segundo o recorte regional adotado. Busca-se fornecer subsídios para a interpretação desta questão e para a atuação do poder público de diversas áreas na elaboração de políticas específicas, que procurem minimizar os riscos fatais a que os trabalhadores estão expostos no exercício de sua profissão. A alternativa proposta constitui um levantamento factível de ser realizado periodicamente, representando um investimento de baixo custo monetário e de alto beneficio social, uma vez que coloca em evidência os grupos populacionais mais expostos aos riscos fatais de acidentes do trabalho, e os tipos de morte mais frequentes decorrentes destes acidentes.
1999
Bernadette Cunha Waldvogel
Análise de sobrevida de pacientes diagnosticados com carcinoma espinocelular de boca, em Araçatuba, de 1980 a 1995
Objetivo: Analisar as probabilidades acumuladas de sobrevida dos pacientes diagnosticados com carcinoma espinocelular de boca, em Araçatuba, entre 1980 e 1995, e observados até dezembro de 1997, estabelecendo os fatores prognósticos significativos para o óbito. Método: O estudo se desenvolveu em uma coorte de 177 pacientes diagnosticados com carcinoma espinocelular de boca, na Faculdade de Odontologia de Araçatuba, UNESP, entre 1980 e 1995. Para avaliar a associação entre as variáveis independentes e o óbito, foram realizados testes de significância pela distribuição x2 e pelo Exato de Fisher. A taxa de sobrevida foi estimada pelo método de produto limite de Kaplan-Meier. Os fatores prognósticos foram estimados pelo modelo de riscos proporcionais de Cox, calculando-se Razão da Função de Risco (HR). Resultados: As probabilidades acumuladas de sobrevida foram iguais a 74%, 61% e 53,5%, respectivamente, para um, dois e cinco anos de seguimento. Para os casos em estádio N, as taxas de sobrevida foram 45,7%, 25,3% e 17 ,4%, respectivamente, até um, dois e cinco anos após o diagnóstico. Pacientes no estádio I apresentaram sobrevida em 5 anos de 95,6%. Fatores prognósticos estatisticamente significantes foram: estadiamento clínico da doença no momento do diagnóstico e localização anatômica do tumor. A estimativa da Razão das Funções de Riscos de morrer em pacientes diagnosticados no estádio III foi igual a 3,9, isto é, o risco é praticamente três vezes maior que o daqueles em estádio I; da mesma forma, o risco de morrer dos diagnosticados em estádio IV (HR= 1 0,85) é cerca de dez vezes ao daqueles em estádio I. Conclusões: O fator prognóstico de maior Razão de Risco foi estadiamento clínico no momento do diagnóstico. Sexo, idade, raça, hábito de beber e fumar e câncer na família não influenciaram a taxa de sobrevida. Relativamente às localizações, a região jugal, palato duro, gengiva e lingua apresentaram as maiores Razões de Risco.
1999
Maria Lúcia Marçal Mazza Sundefeld
Estudo de fatores ambientais associados à transmissão da leishmaniose tegumentar americana através de sensoriamento remoto orbital e sistema de informação geográfica
Objetivo. Este trabalho teve o objetivo de identificar fatores ambientais associados à ocorrência de leishmaniose tegumentar americana (LTA) no município de Itapira, SP e através de sua análise à luz dos conhecimentos difundidos sobre a epidemiologia desta doença, estabelecer parâmetros ambientais para os estudos ecológicos dos ciclos de transmissão desta doença. Métodos. Este estudo foi realizado no município de Itapira, SP, tendo como base casos autóctones de leishmaniose tegumentar americana, notificados a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, entre 1992 e 1998. Foram utilizadas técnicas de classificação digital das imagens de sensoriamento remoto TM/Landsat-7, GPS (Global Positioning System) e cartografia ambiental para compor a base de dados referente à vegetação arbórea, localização das residências nos locais de provável transmissão de casos humanos, hidrografia e relevo. Dados de presença de espécies de flebotomíneos em alguns locais de provável transmissão (LPLPT) foram obtidos de coletas realizadas pela SUCEN para verificação de autoctonia dos casos e de coletas adicionais. Os diferentes planos de informação foram integrados e analisados através do programa Idrisi32. Resultados. Fragmentos de matas residuais estavam presentes em 19 dos 20 LPTs considerados. Em 9 destes locais, as matas situavam-se a menos de 200m das residências dos LPT e nos 11 restantes esta distância era no máximo de 430m, aproximadamente. A área mínima total de matas associadas a um LPT era de aproximadamente 1ha e a máxima de cerca de 440ha. Na grande maioria dos casos, 20% ou mais das áreas dos LPTs eram recobertos por vegetação arbórea. As maiores concentrações de matas associadas aos LPT (44%) localizavam-se nas altitudes acima de 801m e declividade superior a 10 graus. As residências nos LPT situavam-se, em sua maioria (80%), em áreas de até 700m de altitude e de pouca declividade mas, na maioria das vezes, a área peridomiciliar que constitui o LPT atingia declividades mais acentuadas, onde em geral estão localizadas as matas. Conclusões. A presença de fragmentos de matas medindo pelo menos 1ha, situadas a uma distância de até 430m das residências, assim como a existência de vegetação arbórea menos densa nas áreas peridomiciliares, parecem encerrar condições de transmissão domiciliar ao homem, indicando a dependência deste modo de transmissão em relação ao ciclo silvestre. Estas condições ambientais não favorecem a hipótese da existência de um ciclo domiciliar propriamente dito. A metodologia utilizada mostrou ser uma importante ferramenta na identificação e mensuração de fatores ambientais associados a LTA e deverão ser fundamentais para novas pesquisas ecológicas sobre seus ciclos de transmissão.
2001
Antonio Ismael Paulino da Costa
Conhecimentos, atitudes e práticas sobre tuberculose entre travestis e mulheres transexuais na cidade de São Paulo
No Brasil, grande parte dos transgêneros vive em condições desfavoráveis e são invisíveis nos dados oficiais de saúde. Excluídas socialmente, travestis e mulheres transexuais encontram na prostituição a única forma de sobrevivência. Algumas vivem em situação de rua, outras nas prisões, onde as condições são favoráveis à infecção e adoecimento por tuberculose (TB). São raros os estudos que abordam os conhecimentos, atitudes e práticas sobre a TB e, aqueles realizados com grupos, apontam o desconhecimento como principal barreira no controle da doença. Método: Estudo descritivo, observacional e tipo de corte transversal realizado na cidade de São Paulo, com aplicação do questionário Knowledge, attitudes and practices (KAP) adaptado, em indivíduos autodeclarados travestis ou mulheres transexuais (trans). As comparações entre as distribuições percentuais dos grupos foram realizadas pelo teste Qui-quadrado de Pearson ou Exato de Fisher, considerou-se nível de significância de 5 por cento (p<0,05). Resultados: Encontraram-se conceitos equivocados sobre as formas de transmissão (travestis 36,2 por cento e trans 33,3 por cento ) e de prevenção da doença, (travestis 55,2 por cento e trans 45,5 por cento ). Nas análises comparativas entre as entrevistadas com e sem antecedentes de tratamento da TB, 28,6 por cento das tratadas consideraram o tratamento caro (tratadas 28,6 por cento , não tratadas 14,6 por cento ). Observaram-se formas incorretas de transmissão (tratadas 47,6 por cento , não tratadas 34,0 por cento ) e de prevenção (tratadas 100,0 por cento , não tratadas 48,5 por cento ). Conclusão: Nas análises comparativas entre travestis e trans os conhecimentos e práticas sobre a TB mostraram-se modestos. Nas comparações entre as tratadas e não tratadas esperavam-se melhores resultados, entretanto os conceitos equivocados sobre os sintomas, formas de transmissão e de prevenção indicam falhas nas ações de educação em saúde voltadas ao controle da doença. O estudo aponta, também, para a necessidade de inclusão da categoria transgênero nos dados oficiais de saúde, o que permitirá análises aprofundadas
Distúrbio de voz relacionado ao trabalho docente: um estudo caso-controle
Introdução Professores constituem categoria com grande ocorrência de distúrbios vocais pelo uso intenso da voz em ambiente desfavorável ao seu trabalho. Por depender essencialmente da voz para exercer a docência, tal alteração coloca em risco sua carreira. Objetivo Determinar a associação entre o distúrbio de voz e estresse no trabalho e perda da capacidade de trabalho entre professoras da rede municipal de São Paulo. Métodos Estudo caso-controle pareado por escola. Os casos (n=167) foram professores com alteração nas avaliações perceptivo-auditiva realizada por fonoaudiólogo e perceptivo-visual realizada por otorrinolaringologista. O grupo de controles (n=105) foram professores selecionados nas mesmas escolas dos participantes do grupo de casos, sem alteração nas avaliações. Todos responderam os questionários Condição de Produção Vocal-Professor (CPV-P), Índice de Desvantagem Vocal (IDV), Job Stress Scale (JSS) e Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT). Foram utilizados teste de quiquadrado e modelos de regressão univariada e múltipla para estimar associação entre as variáveis independentes e o distúrbio de voz. Resultados A análise dos grupos de caso e controle revela que as amostras são comparáveis, sem diferença significativa nas variáveis sociodemográficas e de controle. Os grupos se diferenciam, conforme esperado, em relação aos sintomas vocais. A comparação do Índice de Desvantagem Vocal confirma a diferença, com maior média para o grupo caso. Na análise de associação do estresse no trabalho, 78,8 por cento do grupo controle concentram-se nos níveis mais baixos de demanda, enquanto 69,3 por cento do grupo caso situam-se nos níveis mais altos (p=0,019). Em relação ao controle do trabalho, a situação é inversa, ou seja, 63,1 por cento do grupo controle manifestam níveis mais altos de controle, enquanto 73,1 por cento do grupo caso encontram-se nas categorias mais baixas (p<0,034). Na análise de associação da capacidade para o trabalho, verifica-se associação entre 9 baixa capacidade para o trabalho e distúrbio de voz (p<0,001), associação que se mantém na análise múltipla nas categorias baixa (OR=9,5, p=0,001) e moderada (OR=6,7, p<0,001) capacidade para o trabalho. Ao analisar as categorias de estresse com idade e acústica, permanecem associados ao distúrbio de voz a demanda a interação controle/demanda de alto desgaste (OR=2,2, p=0,020), faixa etária 50-65 anos (OR=2,9, p=0,012) e acústica insatisfatória (OR=2,6, p=0,003). Na análise das categorias idade, acústica e estresse com capacidade para o trabalho, observa-se que baixa (OR=12,2, p<0,001) e moderada (OR=7,7, p<0,001) capacidade para o trabalho, faixa etária 50-65 anos (OR=3,7, p=0,006) e acústica insatisfatória (OR=2,7, p=0,007) são fatores associados ao distúrbio de voz. Conclusão Há associação estatística entre distúrbio de voz e a categoria de alto desgaste da interação demanda/controle de estresse no trabalho, independente da idade e da presença de acústica insatisfatória na escola. As categorias baixa e moderada capacidade para o trabalho mostram-se associadas ao distúrbio de voz independente do estresse no trabalho, da idade e de acústica insatisfatória. A faixa etária 50-65 anos e acústica insatisfatória foram associadas ao distúrbio de voz independente do estresse e da capacidade para o trabalho
2010
Susana Pimentel Pinto Giannini
Contribuição para o estudo da eficácia e toxicidade de algumas associações medicamentosas no tratamento da tuberculose pulmonar
O presente trabalho estuda a eficácia e a toxicidade de algumas associações medicamentosas no tratamento da tuberculose pulmonar em 119 doentes,hospitalizados. O critério de seleção dos doentes foi o da normalidade das provas de função hepática, renal, taxa de glicemia e da contagem de plaquetas, antes do início do tratamento, em doentes com tuberculose pulmonar comprovada pelo exame bacteriológico. Foram estudados quatro esquemas terapêuticos: isoniazida-estreptomicina-etambutol, isoniazida-etambutol-rifampcina, etionamida-pirazinamida-rifampcina e etionamida-pirazinamida-etambutol. Os dois primeiros esquemas destinados ao tratamento inicial e os outros dois ao retratamento. A aplicação de testes estatísticos para os dois primeiros esquemas evidenciou que as associações isoniazida- estreptomicina-etambutol e isoniazida-etambutol-rifampcina apresentam o mesmo grau de eficácia. Não houve diferença significativa entre as mesmas quanto as alteraçÕes produzidas nas provas de laboratório, porém o regime isoniazida-estreptomicinaetambutol apresentou maior número de reações adversas que o esquema isoniazída-etambutol-rifampcina. Para os esquemas etionamida-pirazinamida-rifampcina e etionamida-pirazinamida etambutol, estudados em reduzido número de doentes, não foi feita análise estatística, tendo sido descritos os resultados encontrados.
1982
Lia Lusitana Cardozo de Castro
Controle genético de mosquitos Culex quinquefasciatus
O mosquito Culex quinquefasciatus é considerado praga urbana e tem a capacidade de se desenvolver em águas altamente poluídas atingindo elevada densidade. Mosquitos desta espécie possuem importância vetorial na transmissão de parasitas e arboviroses. Medidas de controle químico têm se mostrado ineficazes, além de serem altamente prejudiciais ao meio ambiente. Desse modo, novas tecnologias de controle foram desenvolvidas, entre elas o SIT (Sterile Insect Technique) que utiliza radiação para esterilizar machos e liberá-los no ambiente para copular com fêmeas selvagens. Posteriormente métodos genéticos baseados nessa técnica têm sido propostos. O sistema RIDL (Liberação de Insetos Carregando Gene Letal Dominante), consiste na integração de um gene letal dominante associado a um promotor específico de fêmea, dispensando a etapa de esterilização por radiação. Nesse processo os insetos recebem dieta suplementada com um repressor químico. A expressão do gene letal dominante é mantida desligada enquanto este repressor é adicionado ao meio das larvas. Para as amostras que estariam sendo preparadas para liberação, o repressor é retirado, e o gene letal dominante é ativado, causando a morte de todas as fêmeas, restando apenas machos para liberação. Os machos homozigotos para o gene letal seriam liberados para copular com fêmeas selvagens. A progênie seria heterozigota para o gene letal, porém somente os machos sobreviveriam. Parte crucial para o sucesso deste projeto foi a adaptação do método de microinjeção de embriões para a espécie Culex quinquefasciatus tornando possível a injeção dos transgenes LA513, LA882 e LA3653 com o objetivo de obtermos linhagens transgênicas. A obtenção de linhagens transgênicas com estas construções se mostraram mais laboriosa do que o previsto, dificultando a transgenia. Porém, as aplicações práticas em controle de vetores utilizando a técnica do RIDL são imensas e pode se tornar uma importante ferramenta do Manejo Integrado de vetores.
2008
Andre Barretto Bruno Wilke
Informação em saúde: a trajetória da hanseníase no Estado de São Paulo, 1800-2005
A história da luta contra a hanseníase no Estado de São Paulo foi ímpar, assim como todo o movimento sanitário, incomum na história da saúde mundial, pela maneira como se desenvolveu e a rapidez com que foi implementado. Utilizar intensivamente a informação na gestão da saúde é o que confere o diferencial na qualificação do processo decisório. Esta constatação impõe a necessidade de implementação de estratégias políticas e técnicas que superem os limites ainda existentes na gestão da informação em saúde no Brasil. Esta pesquisa objetivou descrever a trajetória da informação sobre a hanseníase, a partir do começo do século XIX, em São Paulo, e sua conexão com a implantação e o desenvolvimento do conceito e das práticas de vigilância e controle desse agravo. O estudo foi de natureza exploratória. Foram utilizadas análises bibliográficas, documental, e também o banco de dados de notificação de hanseníase do Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac" da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para a construção da linha temporal sobre a informação na hanseníase em âmbito mundial, nacional e estadual. Os ganhos em quantidade de armazenamento e velocidade de análise, possibilitados pelo uso de bancos de dados informatizados, enfatizam os problemas da coleta e inserção das informações nos sistemas. Todos os elos da cadeia de informações, da coleta à sua utilização, são responsáveis pela adequação, integridade, precisão, acurácia e confiabilidade de todo o processo. O volume de dados em saúde, em São Paulo, principalmente na hanseníase, é enorme, todavia, a imprecisão deles em determinados períodos inviabiliza sua utilização para análises consistentes e fidedignas. Os problemas da não-informação são pontuais, ou seja, há alguns municípios que sistematicamente são os responsáveis. O investimento de recursos deve ser dirigido ao treinamento dos responsáveis pela coleta e inclusão das informações no sistema, e também à criação de mecanismos para incentivar o comprometimento e aumentar a percepção da importância dessas funções.
Câncer de tireóide no município de São Paulo: análises de tendência e espacial dos dados do Registro de Câncer de Base Populacional
Introdução: A incidência de câncer de tireóide vem aumentando em todo o mundo e não há um consenso sobre as razões deste fato. O município de São Paulo apresenta altos coeficientes de incidência desta doença, mas ainda não foi analisada sua tendência e nem sua distribuição espacial. Objetivos: Descrever os coeficientes de incidência (1997-2010) e de mortalidade (1981-2010), analisar a tendência dos coeficientes de incidência e mortalidade, segundo sexo, faixa etária, tipo morfológico (incidência), bem como os efeitos da idade, período e coorte, e examinar a distribuição espacial. Métodos: Este é um estudo ecológico. Foram analisados os casos novos de câncer de tireóide diagnosticados no período de 1997 a 2010 fornecidos pelo Registro de Câncer de Base Populacional de São Paulo e os óbitos por câncer de tireóide ocorridos entre 1981 e 2010 fornecidos pelo Sistema de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM-MS) e pelo Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade (PRO-AIM). Foram calculados os coeficientes bruto e padronizado de incidência e de mortalidade, foi analisada a tendência destes coeficientes através do modelo de regressão, da mudança percentual anual e do modelo idade-período-coorte. Para a análise espacial foram criados mapas temáticos, calculado o índice de Moran e, para as variáveis com padrão cluster foi calculado o índice local de associação espacial (LISA) e estimados modelos de regressão, tendo como variável dependente os coeficientes e como variáveis independentes os indicadores socioeconômicos (IDH, taxa de alfabetização, coeficiente de Gini e número de moradores por domicílio). Resultados: O coeficiente médio de incidência (1997-2010) foi para o sexo feminino de 17,77 por 100.000 e para o sexo masculino 4,46 por 100.000. Ambos apresentaram tendência crescente. O coeficiente médio de mortalidade (1981-2010) foi para o sexo feminino de 0,50 por 100.000 e para o masculino 0,30 por 100.000, ambos apresentaram tendência decrescente. O tipo histológico papilífero apresentou tendência crescente em ambos os sexos. Para incidência (ambos os sexos) e para mortalidade feminina, os efeitos de idade-período e coorte ofereceram o melhor ajuste; para mortalidade apenas a idade. Na análise espacial incidência apresentou padrão cluster para homens e mulheres. Os modelos finais foram explicados pela índice de desenvolvimento humano e pela média de moradores por domicílio. Conclusão: Na cidade de São Paulo há um aumento da incidência do câncer de tireóide, possivelmente causado pelo diagnóstico precoce e/ou pela exposição a fatores de risco para o desenvolvimento do carcinoma papilífero. Por outro lado, a mortalidade vem decaindo, provavelmente pelo diagnóstico precoce
2013
Fernanda Alessandra Silva Michels
Adolescentes, estudantes de período noturno: como se alimentam e gastam suas energias
Com o objetivo de conhecer a prática alimentar, a atividade fÍsICA e o gasto energético de adolescentes, de ambos os sexos, inseridos ou não no mercado de trabalho, administraram-se questionários auto-aplicáveis a 273 estudantes, do período noturno, de seis escolas da Rede Estadual de Ensino de Santo André - SP. Estudantes trabalhadores (163) , ou seja, que recebiam remuneração por serviços prestados, mantinham-se em atividades ocupacionais pelo período de 40 a 50 horas semanais, percebendo de 1 a 3 salários mínimos por mês. Os meninos participavam, proporcionalmente, mais no mercado de trabalho formal que as meninas. Foram relatadas todas as atividades fisicas desempenhadas segundo número de dias por semana e horas por dia. Entre as várias atividades discriminadas, destacou-se assistir televisão, como prática comum a todos os estudantes, independentemente de gênero e de inserção ou não no trabalho. Outras atividades assinaladas mostraram-se estatisticamente independentes do fato de trabalhar ou não, porém, foi detectada, para algumas, associação com gênero, tais como prática esportiva (meninos) e afazeres domésticos (meninas) . O gasto energético diário referente à atividade física foi estimado com base nos diferentes movimentos, ponderados por tempo e nos fatores atividades da FAO/OMS/UNU. Os valores encontrados foram 3150 e 2160 Cal para estudantes masculinos e femininos, respectivamente. A prática alimentar foi analisada sob o aspecto qualitativo da dieta habitual, utilizando, como padrão, uma adaptação do Food Guide pyramid. Não foram observadas associações estatisticamente significativas entre trabalhar e apresentar dieta inadequada para os grupos de alimento de carnes e de cereais, ao contrário do verificado entre os grupos de frutas e de verduras, cujo teste estatístico indicou haver associação.
1996
Ana Maria Dianezi Gambardella
Mudanças na atividade física de moradores de São Paulo entre 2003 e 2008
A associação da atividade física a condições de saúde e qualidade de vida, tem sido um alerta para mudanças dos hábitos de vida da população. Nas últimas décadas foram intensificadas políticas e programas para estimular um comportamento fisicamente mais ativo. Para descrever mudanças no padrão de atividade física da população adulta do município de São Paulo, este estudo transversal de base populacional foi composto por dados provenientes de Inquérito domiciliar realizado no município de São Paulo nos anos de 2003 e 2008. Foram analisadas as prevalências de indivíduos fisicamente ativos segundo os domínios da atividade física na população adulta de 20 a 59 anos, bem como sua relação com fatores socioeconômicos e demográficos. Foi observado aumento da prevalência de indivíduos fisicamente ativos no período estudado, segundo sexo, situação conjugal, faixa etária, escolaridade e renda, bem como segundo os domínios de atividade física. Houve ainda modificações entre os grupos das variáveis independentes, de acordo com o ano do inquérito.
2014
William Rodrigues Tebar
Avaliação das doenças chiadoras recorrentes da infância como fator de risco para pneumonia
Comentando-se algumas evidências da literatura e da análise de dados secundários de morbidade e mortalidade, estabelece-se a hipótese de que as doenças chiadoras recorrentes da infância possam constituir-se em fator de risco para o desenvolvimento de infecções pulmonares. Um estudo caso-controle é desenvolvido para testar esta hipótese reunindo 51 casos de pneumonia pareados por sexo e idade a 51 controles sadios e 51 controles doentes não respiratórios. A amostra é colhida entre pacientes do Hospital Universitário da USP sendo condição de entrada para os casos um diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade e livre de tratamento anterior. Os controles são selecionados dentro da mesma clientela entre pacientes com outro diagnóstico e crianças sadias usuárias dos mesmos serviços, identificadas entre acompanhantes de pacientes. Casos e controles são submetidos a idêntica investigação quanto a presença de doença (pneumonia) e de exposição ao fator de risco investigado (doença chiadora recorrente) através de anamnese e exame físico padronizados, realizados independentemente por dois observadores distintos. Ambos os observadores são pediatras designados pelo Departamento de Pediatria do Hospital para esta tarefa e recebem orientação e supervisão para uma observação padronizada. Os dados assim recolhidos são processados em análises estatísticas uni e multivariadas para explorar diferenças entre casos e controles. A amostra estudada resulta constituída por crianças de idade média de 2 anos (com variação entre um mês e sete anos), entre as quais 47 por cento são meninos. O diagnóstico de pneumonia é validado através da aplicação de análise discriminante multivariada das informações relativas a sinais clínicos, encontrando-se uma compatibilidade entre a conclusão clínica e estes sinais da ordem de pelo menos 75 por cento . O diagnóstico de exposição a doença chiadora é validado pela presença de história compatível segundo premissas pré-estabelecidas nos métodos do estudo (diagnóstico de asma e pelo menos um episódio de dispnéia nos últimos 12 meses ou história de chiado recorrente que melhora com medicação e pelo menos dois episódios nos últimos 12 meses) em 40 dos 41 expostos identificados. O questionário de identificação da exposição tem a repitibilidade medida através de sua reaplicação pelo mesmo observador a uma amostra de 20 por cento do total de crianças examinadas. Encontra-se um nível geral de concordância entre a primeira e segunda aplicação do questionário de 76,7 por cento e um índice Kappa de 0,65. A associação entre pneumonia e doença chiadora recorrente é analisada através de regressão logística com controle para todas as variáveis que em análise univariada mostram frequência estatisticamente significante entre casos e controles. Encontra-se que o risco de pneumonia entre crianças expostas a doença chiadora é 7 vezes maior do que entre crianças não expostas, controladas a renda familiar e a situação de aglomeração no quarto de dormir, também identificadas como fatores de risco para pneumonia (\"odds ratio\" de 5,6 e 2,4 para rendas baixa e média comparadas com renda alta e \"odds ratio\" de 1,5 para cada pessoa a mais no quarto de dormir). Calcula-se que para a comunidade hospitalar estudada a doença chiadora recorrente represente um risco atribuível para pneumonia entre 33 por cento e 51 por cento , conforme a aplicação de diferentes técnicas de cálculo. Conclui-se que as doenças chiadoras recorrentes da infância constituem-se em importante fator de risco para pneumonia e que seu controle, através da inclusão de assistência sistemática a pacientes com este diagnóstico nos programas de Saúde Pública para o controle de doenças respiratórias da infância, pode ter importante impacto sobre a incidência de pneumonias.
1995
Julio Cesar Rodrigues Pereira