RCAAP Repository

Vigilância das hepatites virais: a experiência de Vargem Grande Paulista, 1997 - 1999

Não se tem conhecimento preciso da relevância e magnitude das hepatites em nosso país. Os poucos estudos epidemiológicos estão restritos à populações atendidas em serviços de saúde ou a grupos de risco para as hepatites. A vigilância é um instrumento de saúde pública que tem a capacidade de descrever o comportamento das hepatites virais, bem como identificar seus fatores de risco. Um sistema de vigilância das hepatites A, B, C e E foi implantado em Vargem Grande Paulista em abril de 1997 e mantido até setembro de 1999. O objetivo foi analisar aspectos da operacionalização de um sistema de vigilância nas atuais condições de trabalho da Rede Pública de Saúde e sua potencialidade em descrever o comportamento das hepatites nessa comunidade para oferecer subsídios para elaboração e aprimoramento de estratégias de controle. O sistema incluiu a análise de dados obtidos a partir de notificação de casos suspeitos hepatite A, B, C e E entre residentes no município, assim como dados de soroprevalência de marcadores de infecção para esses mesmos vírus numa população formada pelas gestantes inscritas no Serviço Pré-natal do Município. Considerou-se caso suspeito o indivíduo residente no município de Vargem Grande Paulista e para quem, por critérios clínicos, laboratoriais ou epidemiológicos, foi solicitada a determinação dos níveis de bilirrubinas e transaminases. A confirmação dos casos foi realizada pela identificação dos marcadores sorológicos das hepatites A, B, C e E. Foram identificados 125 casos suspeitos, dos quais 41 (32,8 por cento ) foram confirmados como hepatite A, B, C ou E. A incidência de hepatite A foi 21,1/100.000 hab., 69,3/100.000 hab. e 9,3/100.000 hab. para os anos de 1997, 1998 e 1999, respectivamente. Foi detectado um surto de hepatite A em um dos bairros do município envolvendo 18 casos, no primeiro semestre de 1998. A forma predominante de transmissão do vírus durante o surto foi pessoa a pessoa e a faixa etária mais atingida foi de 5 a 9 anos. A incidência de hepatite B foi de 3,5/100.000 hab. e 9,9/100.000 hab. para os anos de 1997 e 1998 respectivamente. Não foi identificado nenhum caso em 1999. A prevalência de hepatite C foi 3,5/100.000 hab. em 1997 e 9,9/100.000 hab. em 1998. Não foi calculada a incidência de hepatite C, porque não foi possível determinar se a infecção pelo VHC era recente ou não com os testes utilizados. A incidência de hepatite E foi 3,5/100.000 hab., 3,3/100.000 hab. e 3,1/100.000 hab. para 1997, 1998 e 1999. Entre as 793 gestantes que participaram do estudo, a prevalência de anti-VHA foi de 94,7 por cento , de anti-HBc 4,9 por cento , de HBsAg 0,1 por cento , de anti-VHC 0,6 por cento , e anti-VHE 0,8 por cento . Os resultados indicaram que Vargem Grande Paulista apresentou alta endemicidade para hepatite A e baixa endemicidade para hepatite B. A prevalência de hepatite C foi semelhante à encontrada em outros estudos. A prevalência e incidência da hepatite E mostrou que o vírus circulou na região. Os dados demonstraram que o sistema de vigilância pode contribuir com informações importantes no comportamento das hepatites virais no município, oferecendo subsídios para a elaboração de estratégia de prevenção e controle dessas infecções.

Year

2001

Creators

Claudia Patara Saraceni

Análise da atividade locomotora de Aedes aegypti e Aedes albopictus (Diptera: Culicidae) do Parque Municipal do Piqueri São Paulo, SP

O estudo de mosquitos é extremamente importante, pois muitos são considerados vetores de diversos patógenos transmissíveis ao homem. Aedes aegypti e Aedes albopictus são responsáveis por transmitir arbovírus, como os da dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana, no mundo. Neste trabalho foram empregados Ae. aegypti e Ae. albopictus para: analisar a atividade locomotora de machos, fêmeas virgens e fêmeas inseminadas naturalmente; comparar a atividade locomotora de fêmeas injetadas intratoracicamente com extrato de glândulas acessórias (AG) de machos co e heteroespecíficos; e verificar a taxa de inseminação de fêmeas injetadas com glândulas acessórias de machos co e heteroespecíficos, quando são posteriormente expostas a seus machos coespecíficos. Os mosquitos foram coletados em ovitrampas instaladas no Parque Municipal do Piqueri, Zona Leste da cidade de São Paulo, durante o outono e a primavera de 2015 e outono de 2016. Após a emergência dos adultos, estes foram transferidos para quatro gaiolas matrizes separadas por espécie e sexo, dos quais obtivemos machos e fêmeas virgens de cada espécie. Em outras duas gaiolas foram agrupadas por espécie, 40 fêmeas e 40 machos para cópula por 24 horas para obtermos fêmeas inseminadas naturalmente. Posteriormente, todos os mosquitos foram transferidos para uma incubadora por quatro dias para análise da atividade locomotora. Na comparação de fêmeas injetadas com glândulas acessórias, foram extraídas as glândulas de machos de Ae. aegypti e Ae. albopictus e estas injetadas intratoracicamente em fêmeas co e heteroespecíficas. Todas as fêmeas injetadas foram transferidas para uma incubadora por três dias. Para a análise dos dados foram utilizados os testes estatísticos F e T e ANOVA. Após a atividade locomotora, as fêmeas injetadas foram expostas a seus machos coespecíficos e posteriormente tiveram suas espermatecas dissecadas para verificar a presença de espermatozoides a fim de analisar a taxa de inseminação. Nos machos, fêmeas virgens e fêmeas inseminadas naturalmente de Ae. aegypti e Ae. albopictus, o padrão da atividade locomotora foi diurno e bimodal no outono e na primavera. Em Ae. aegypti machos a atividade foi mais evidente no outono e em Ae. albopictus na primavera. Nas fêmeas de Ae. aegypti virgens a atividade foi mais evidente que nas inseminadas naturalmente em ambas as estações. Nas fêmeas de Ae. albopictus não houve diferença na atividade das virgens e inseminadas. Nas fêmeas de Ae. aegypti injetadas com AG a atividade locomotora foi diurna, com padrão unimodal e menos marcada. Nas fêmeas de Ae. albopictus injetadas com AG não houve diferença. Na taxa de inseminação, somente Ae. albopictus fêmeas injetadas com AG heteroespecíficas apresentaram espermatozoides após cópula coespecífica. Este estudo contribui para compreensão do comportamento de mosquitos vetores como Ae. aegypti e Ae. albopictus

Year

2017

Creators

Filipe Gabriel Menezes Pancetti

Diferenças na adesão ao tratamento da tuberculose em relação ao sexo

Introdução Aproximadamente 1/3 da população mundial está infectada pelo bacilo M. tuberculosis e a prevalência da infecção é maior entre os homens. As razões para as diferenças na epidemiologia da tuberculose e adesão ao tratamento em relação ao sexo são desconhecidas. Objetivos Verificar diferenças na adesão ao tratamento da tuberculose em relação ao sexo. Identificar aspectos facilitadores e dificultadores para a adesão ao tratamento da tuberculose em relação ao sexo. Analisar as crenças consideradas importantes para adesão ao tratamento da tuberculose. Metodologia Pesquisa quali-quantitativa, baseada na análise de conteúdo e com fundamentação teórica no Modelo de Crenças em Saúde. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas em 6 serviços de saúde do Distrito de Saúde da Freguesia do Ó/Brasilândia, com 28 pacientes em tratamento supervisionado de tuberculose, sendo 11 homens e 17 mulheres. Os dados quantitativos foram obtidos por meio do livro de Registro e Controle de Tratamento dos Casos de Tuberculose de cada serviço de saúde. Resultados Aqueles que falharam na adesão apresentaram o seguinte perfil: mulher, solteira e separada, com atividade remunerada não comprovada, com nível de escolaridade entre fundamental I completo e ensino médio completo; homem: casado, com atividade remunerada comprovada, nível de escolaridade entre ensino fundamental II completo e ensino médio completo. Os aspectos facilitadores encontrados para a boa adesão residem no bom atendimento dos profissionais de saúde e a percepção por parte do paciente na sua melhora de saúde. As crenças para a boa adesão ao tratamento no sexo masculino e feminino foram: bom atendimento do serviço de saúde e bom tratamento (em relação aos medicamentos). Conclusão Homens e mulheres não apresentam diferenças nas crenças de suscetibilidade. Nas crenças ligadas à seriedade percebida houve diferenças. As mulheres apresentaram medo de transmitir a doença aos filhos e associam a tuberculose ao HIV. Os homens possuem medo voltado às questões sexuais. Os benefícios mencionados foram o bom atendimento e bom tratamento. As barreiras para a adesão foram o diagnóstico errado, os efeitos colaterais e questões assistencialistas independente do sexo. As medidas sugeridas relacionam-se a necessidade de trabalhos voltados ao público masculino para que estes utilizem os serviços de saúde, principalmente o PSF, e assim, o diagnóstico precoce da tuberculose ocorra. Sugere-se treinamentos para todo os sistema de saúde para o diagnóstico da tuberculose. A realização de trabalho conjunto do sistema de saúde e educação é necessário para desfazer estigma da doença.

Year

2008

Creators

Raquel Queiroz

Fatores de risco para nascimento pré-termo - uma análise com modelagem de equações estruturais

Introdução: Um dos principais fatores associados à mortalidade e morbidade no período perinatal é o nascimento pré-termo. Sua prevalência está aumentando em diversas localidades e os motivos para tal envolve complexa inter-relação de fatores que incluem aspectos biológicos, de assistência, psicológicos, sociais e econômicos, entre diversos outros associados ao nascimento pré-termo. Objetivo: O presente estudo objetiva analisar os efeitos de variáveis associadas ao nascimento pré-termo, via modelagem de equações estruturais (MEE), com a construção de variáveis latentes de vulnerabilidade socioeconômica, familiar, psicossocial, condições maternas e intercorrências. Outros objetivos são analisar as diversas fontes de obtenção da idade gestacional (IG) visando gerar uma variável latente para a idade gestacional e comparar modelos com diferentes tipos de variável de desfecho (contínuo, ordinal, binário e latente). Métodos: Esse estudo foi baseado na pesquisa do tipo caso-controle populacional sobre nascidos vivos hospitalares de mães residentes na cidade de Londrina, estado do Paraná, realizado entre junho de 2006 e março de 2007. A partir de um modelo conceitual, foi empregada a MEE para construir modelos com variáveis latentes e compostas com utilização de medidas de ajustes. Resultados: O Modelo final apontou os seguintes efeitos diretos sobre IG: intercorrências, atenção de pré-natal inadequada, gestação múltipla, condição reprodutiva, IMC, consumo de bebida alcoólica, prática de caminhadas e esforço físico. Além do efeito direto da atenção pré-natal, foi encontrado seu papel de variável de mediação entre as variáveis latentes: Vulnerabilidade Socioeconômica, Não Aceitação da Gravidez e Vulnerabilidade Familiar e o desfecho IG. Conclusões: Para a utilização de MEE, foi necessário rediscutir o papel das variáveis propostas no estudo original, o que sugere que, para a aplicação da metodologia, já seja considerada a formulação de variáveis latentes à priori na fase de planejamento de uma pesquisa. A aplicação do MEE permitiu construir variáveis latentes e variáveis compostas a partir do estudo original e identificar efeitos diretos, indiretos e de mediação sobre IG. Ademais, foi possível construir e utilizar a variável latente IG a partir das fontes de registro.

Year

2014

Creators

Adelaide Alves de Oliveira

Vigilância de síndrome febril exantemática: estudo descritivo de casos com anticorpos da classe IgM contra o sarampo, Estado de São Paulo, 2000 a 2004

Objetivo: Descrever os casos de síndrome febril exantemática, identificados no estado de São Paulo entre 2000 e 2004, visando identificar possíveis resíduos de fonte de infecção do sarampo. Métodos: Estudo descritivo. As definições são as utilizadas pelo Plano de Eliminação do Sarampo. O estudo incluiu casos notificados à vigilância da síndrome febril exantemática apresentando anticorpos IgM para sarampo pelas técnicas de ELISA e/ou ELISA de captura. Descreveram-se os aspectos clínicos e epidemiológicos segundo características de tempo, espaço e pessoa. Resultados: Estudaram-se 463 casos possíveis de sarampo; 64,1% e 29,8% foram classificados, respectivamente, como casos expostos e não expostos à vacina; 15,3% apresentaram clínica específica para sarampo e 12,1% apresentaram complicações. Os grupos etários mais representados foram: 9 a 11 meses (36,5%), um ano (32,8%) e cinco anos ou mais (15,2%). A distribuição no espaço e no tempo não sugere a ocorrência de casos relacionados entre si. Entre o final de 2000 e o início de 2002, os casos não expostos à vacina mantiveram-se em patamares elevados, coincidindo com a identificação de dois casos importados de sarampo. Conclusão: as limitações do estudo não permitem análises conclusivas a respeito da circulação do vírus do sarampo no estado de São Paulo, mas o estudo aponta para a necessidade da investigação exaustiva de possíveis resíduos de fontes de infecção entre: menores de nove meses, primo vacinados contra o sarampo abaixo de 10 meses, mulheres em idade fértil e casos não expostos à vacina contra o sarampo.

Year

2007

Creators

Flavia Helena Ciccone

Comparação de resultados de uma coorte sob as abordagens prospectiva e histórica: amamentação no primeiro ano de vida

Objetivo. Uma coorte de crianças foi observada sob duas abordagens: coorte prospectiva e coorte retrospectiva (histórica) e o objetivo foi comparar as estimativas da função de riscos do modelo de Cox entre as duas abordagens e a mesma comparação com o modelo complemento log-log. Além disso, comparar as estimativas da função de riscos pelos modelos de Cox e complemento log-log para cada uma das abordagens, separadamente. Métodos. Quando se estuda o tempo de sobrevida da amamentação sem as covariáveis, foram obtidas as estimativas pela técnica atuarial e modelo complemento log-log da informação retrospectiva e a técnica de Kaplan-Meier para a informação prospectiva. Os modelos de Cox e complemento log-log foram utilizados para estimar a razão de riscos (HR) com covariáveis para as duas abordagens. Resultados. Sem as covariáveis, a comparação entre as duas abordagens mostrou que as estimativas de S(t) pela informação retrospectiva estão um pouco defasadas em relação à medida prospectiva. Com as covariáveis, os resultados dos modelos de Cox e complemento log-log são semelhantes tanto para os dados prospectivos quanto para os retrospectivos. Foram semelhantes, também, os resultados de um mesmo modelo para cada uma das fontes de informação. Conclusões. Em geral, as estimativas foram bastante próximas em quaisquer das comparações. Somente a variável hábito de fumar da mãe durante a gravidez permaneceu nos modelos finais para todas as técnicas utilizadas, com estimativas próximas, reforçando semelhança entre as várias abordagens.

Year

2003

Creators

Gizelton Pereira Alencar

Risco de contato entre a população rural e a população anofelina em mata residual no Planalto Oeste do Estado de São Paulo

Objetivo. Buscou-se descrever a abundância de anofelinos adultos em matas residuais e estimar o risco de contato entre homem e transmissor de malária Anopheles darlingi nestas áreas. Métodos. Foram descritas abundância e freqüência de anofelinos em três matas residuais, coletando-se com armadilha de Shannon. Pesquisaram-se criadouros das matas. Áreas de margens de ribeirão e afluentes foram consideradas potenciais criadouros. A mata da Fazenda Rancho Alegre e margens fluviais foram propostas como áreas de dispersão de An. darlingi. Utilizou-se de SIG para análise de dados da população vetora e população humana de área contígua à mata. Aplicou-se a teoria de Dempster-Shafer para avaliar áreas de probabilidade de contato homem-vetor. Resultados. Embora An. darlingi tenha sido pouco abundante, verificou-se a exposição dos moradores devido à atividade periódica, de repouso, locomoção e hábitos culturais. Obtiveram-se três imagens de linhas de evidência a partir de: sítios de oviposição, freqüência e distribuição de domicílios para compor a base de conhecimento. Conclusões. Matas com graus de alteração sugerem diferente diversidade em espécies anofelinas. A atividade de An. darlingi e An. albitarsis sugere serem espécies sinantrópicas enquanto An. triannulatus apresenta-se silvestre. Moradores de 10 domicílios sem forro no teto, cujos horários de deslocamento a pé ocorriam antes das 8 horas e após as 17 horas foram considerados em situação de risco. Considerou-se o domicílio 111 situado em área de maior risco por apresentar 20-30% de incerteza de informação de suporte à hipótese de contato.

Year

2000

Creators

Rosa Maria Tubaki

Propaganda oficial e bem-estar social ou propaganda social e bem-estar oficial?

Partindo da suposição de que a propaganda governamental - especialmente na área da saúde pública - reflete necessidades e interesses que transcendem os temas específicos tal como foram veiculados através do rádio e da TV, o trabalho teve como objetivo a tentativa de explicitar os conteúdos ideológicos das mensagens oficiais do período Geisel (1974 a 1979). Questionou-se a concepção oficial de bem-estar social, bem como a importância do setor Saúde dentro da estratégia de desenvolvimento sócio-econômico adotada. O momento histórico considerado corresponde à consolidação de uma estrutura de poder que busca legitimar e viabilizar um modelo econômico monopolista, concentrador de renda e fundamentado na internacionalização do mercado. Essa etapa do desenvolvimento brasileiro que vinha se configurando desde a década de \'50, processou-se através de tentativas de dominação política que desembocaram num regime autoritário. Nesse contexto, ganha novos significados o conteúdo da propaganda oficial conclamando a população a participar de um esforço nacional, arcando com o ônus e sem participar dos beneficios do caminho escolhido pela classe dirigente. Um outro ponto de partida foi o fato de que em 1977 e 1978, o Governo Brasileiro foi o maior anunciante do rádio e da TV. Dada a importância do rádio e da TV como os veículos publicitários de maior alcance - em termos de proporção de pessoas atingidas - foram excluídos os demais meios (jornais, revistas, \"out-doors\"). O refinamento, a sofisticação das técnicas de propaganda têm sido muito favorecidas pela ampliação da cobertura do rádio e da TV. Durante a década de 1970, foi consideravelmente ampliada a proporção de pessoas expostas a esses veículos - não só nas àreas urbanas como também nas àreas rurais. Esse aumento de cobertura se deve a dois fatores: à melhoria das condições técnicas de transmissão e ao barateamento do custo dos aparelhos. Para a consecução do objetivo proposto, foi realizado um levantamento das mensagens veiculadas no período mediante consulta às fotofichas do Arquivo da Propaganda, que registram todos os anúncios veiculados na cidade de São Paulo. Além desse levantamento, foram consultados jornais e pessoal técnico do Ministério e da Secretaria da Saude, o que permitiu a reconstituição do processo de intensificação e de racionalização do uso da propaganda pelo Governo, a partir de 1964. Embora os efeitos ou consequências sociais da propaganda constituam parte integrante de um processo de comunicação como um todo, a preocupação central deste trabalho se volta para a verticalidade do processo, para a forma como o Governo impõe o seu recado.

Year

1980

Creators

Ana Lúcia Garcia

Prevenção da mortalidade infantil no Paraná: avaliação e representação social

Introdução - Pesquisou-se o contexto da Prevenção do Óbito Infantil para avaliação do impacto do trabalho de vigilância e investigação dos Comitês e sua Representação Social no estado do Paraná. O óbito infantil é considerado como um evento sentinela das condições de saúde da população e da qualidade da assistência, base para o estabelecimento e continuidade da vigilância com proposição de ações para reduzí-lo. Objetivos - Avaliar o impacto do trabalho preventivo do Óbito Infantil desenvolvido no estado do Paraná e sua Representação Social para os profissionais da saúde. Método - Adotou-se a investigação avaliativa por triangulação de métodos qualiquantitativos devido à complexidade e dialética das informações do óbito infantil e de sua prevenção. O trabalho quantitativo foi realizado com os dados secundários de óbitos infantis de mães residentes no Paraná, para o período de 1997 a 2005 e foram extraídos do Sistema de Informação de Mortalidade e Sistema de Nascido Vivo do Ministério da Saúde. O período foi dividido em três Triênios. Foi verificado o perfil das Taxas de Mortalidade Infantil do Paraná segundo as Regionais de Saúde do Estado. As variáveis trabalhadas em número absoluto e proporcional foram: sexo, idade, duração da gestação, peso ao nascer, idade e escolaridade da mãe. Do Sistema de Informação de Mortalidade Infantil do Paraná, foram trabalhadas as variáveis: sexo, idade, evitabilidade, qualidade dos dados da Ficha de Investigação, determinante causal, medidas de prevenção e intervenção na mortalidade infantil. Foi utilizada investigação a documentos: sobre implantação, operacionalização dos Comitês de Prevenção da Mortalidade Infantil e Manual dos Comitês de Prevenção do óbito Infantil e Fetal do Ministério da Saúde. Para a representação social optou-se pelo Método do Discurso do Sujeito Coletivo. Foram entrevistados 80 sujeitos sociais envolvidos em instâncias de gestão ou da assistência à criança. As entrevistas foram gravadas e transcritas, e as respostas trabalhadas no software Qualiquantisoft®. Resultados - A Taxa de Mortalidade Infantil decresceu para todo o estado do Paraná no período do estudo. Esse decréscimo ocorreu de maneira distinta nas 22 Regionais de Saúde do Estado. Os óbitos infantis aconteceram com predomínio em crianças do sexo masculino e com até 06 dias completos de vida. Houve melhoria das informações registradas nas Declarações de Óbitos em relação a todas as variáveis estudadas, percebida pela grande redução das categorias ignoradas. Houve variação do percentual de investigação entre o 2º Triênio com 59,03% dos óbitos infantis ocorridos e no 3º Triênio ocorreu investigação de 77,21% dos óbitos infantis ocorridos no Paraná, com diferenças entre as Regionais de Saúde. A proporção de óbitos considerados evitáveis pela investigação e análise, no 2° Triênio foi de 73,70% e, no 3º Triênio, de 71,71%. A qualidade das informações contidas nas Fichas Confidenciais de Investigação foi considerada satisfatória. Das categorias de determinantes causais apontadas na investigação quase 50% foram atribuídas a uma das áreas de assistência à saúde (médica, hospitalar ou ambulatorial); em tomo de 19% dos determinantes foram de responsabilidade social; e a responsabilidade da família mostrou-se ascendente entre os Triênios (18,81% e 20,13%). As medidas de atenção ambulatorial foram as mais freqüentes nos dois Triênios (31,46% e 33,31%), com ênfase ao acesso e à qualidade do pré-natal. Na seqüência, apareceram as medidas de atenção hospitalar e as medidas de suporte social, com cerca de 25% nos Triênios. Os Discursos construídos com a categorização das respostas a três questões revelaram a representação social de valorização e preocupação com o trabalho preventivo do óbito infantil e com a operacionalização de Programas governamentais e locorregionais. As expressões de dificuldades no trabalho preventivo e sugestões para minimizá-las foram mais compartilhadas em relação à gerência, política e área financeira. Detectou-se que o trabalho dos Comitês no estado do Paraná é pouco conhecido pelos profissionais dos serviços, no entanto expressam perceber seu impacto operacional e alguma melhoria na assistência. Os profissionais que trabalham com os Comitês enfatizam a necessidade de redirecionamento estrutural e operacional. Conclusões - Esta investigação subsidia um processo de avaliação dos Comitês e contribui para o conhecimento da história da implantação e das atividades dos Comitês de Prevenção da Mortalidade Infantil no estado do Paraná e no Brasil, proporcionando, desse modo, abertura para maior visibilidade, vigilância e redução dos óbitos infantis.

Year

2007

Creators

Márcia Helena Freire Orlandi

Mensuração do grau de incapacitação funcional através de um modelo baseado na lógica fuzzy

Objetivo. Este estudo diz respeito à mensuração da incapacitação funcional, e seu uso no cálculo de indicadores de saúde e qualidade de vida. O seu objetivo foi estimar o grau de incapacitação associado a diferentes níveis funcionais, através de um modelo baseado na lógica fuzzy. Métodos. Desenvolveu-se um modelo lingüístico fuzzy, baseado na opinião de especialistas. As variáveis de entrada do modelo foram, respectivamente, a mobilidade, a atividade física e a atividade social. Ao todo, foram definidas 100 regras fuzzy relacionando as variáveis de entrada, a partir das quais determinou-se o grau de incapacidade funcional. As avaliações dos diferentes funcionais foram feitas sobre uma escala de avaliação fuzzy. Para cada nível funcional, o modelo gera uma estimativa do grau de incapacitação, d, no intervalo entre 0 e 10, valores estes representantes da morte e do melhor estado de saúde imaginável, respectivamente. Resultados. Ao todo, foram avaliados 100 diferentes níveis funcionais. A título de exemplificação, para o nível funcional caracterizado por um adulto que trabalha, mas apresenta restrições para desenvolver outras atividades sociais, necessita auxílio para usar transporte público ou dirigir, e anda com limitações, a estimativa de d foi igual a 5,8, segundo um dos especialistas. Isto significa que um ano nesta condição equivale a 0,58 anos de vida com saúde, sem qualquer tipo de limitação funcional. Conclusões. O modelo fuzzy foi considerado uma alternativa consistente para a mensuração do grau de incapacitação. Ele emula o raciocínio humano, e provê uma estrutura adequada para lidar com incertezas e imprecisões, características inerentes ao processo de mensuração da incapacitação funcional.

Year

2001

Creators

Antonio José Leal Costa

Evolução de mutações no gene do canal de sódio associadas à resistência tipo Kdr em populações de Aedes (Stegomyia) aegypti do Estado de São Paulo

O mosquito Aedes (Stegomyia) aegypti Linnaeus, 1762 é o principal vetor do vírus do dengue sorotipo 1-4 (DEN 1-4) e da febre amarela. Por não haver vacina disponível, a redução da transmissão da dengue só pode ser alcançada mediante o controle do vetor. Entre as medidas de controle, os órgãos responsáveis utilizam-se de compostos químicos, principalmente organofosforados. Além disso, devido ao grande incomodo causado pelo Aedes, a população faz uso de inseticidas domésticos, a base de piretróides, na tentativa de eliminar e ou repelir o mosquito. As repetidas aplicações destes inseticidas e seu uso contínuo possibilitam o desenvolvimento de resistência em populações de mosquitos, processo resultante do efeito seletivo de exposição a dosagens que matam os indivíduos suscetíveis, sobrevivendo os resistentes, que transferem essa capacidade a seus descendentes. Dentre os mecanismos de resistência, a redução da sensibilidade do sítio alvo é dada por mutações pontuais no sitio de ação dos inseticidas. Tais mutações podem levar a uma substituição de aminoácidos na molécula alvo e a uma diminuição da afinidade do inseticida com essa molécula. No caso dos piretróides a mudança estrutural na molécula formadora do canal de sódio (Nav), sítio alvo deste inseticida, é a causa da resistência tipo knockdown resistence (kdr), um mecanismo de resistência bastante conhecido. Em Aedes aegypti, a associação entre a presença da mutação V1016I e o fenótipo de resistência a piretróide já foi verificada em algumas regiões Brasileiras, utilizando primers alelo-específicos. A mutação I1011M também está associada à resistência a piretróides e já foi descrita no Brasil. O objetivo deste estudo foi determinar a frequência destas mutações que levam às substituições V1016I e I1011M no AaNav de populações de Aedes aegypti no estado de São Paulo e avaliar a evolução desta frequência no período de dez anos. Para isso, indivíduos coletados em 2001 e 2011 tiveram o DNA extraído e primers alelo específicos foram utilizados para a realização de PCR a fim de verificar a presença da mutação. Houve um aumento significativo do alelo 1016 Ile nas populações estudadas, comparando-se os anos 2001 e 2011. Entretanto para o alelo 1011 Met, somente a população de Santos apresentou essa diferença significativa. Este aumento na frequência destas mutações pode ter sido ocasionado pela utilização de inseticidas domésticos à base de piretróides, uma vez que os órgãos de controle interromperam a utilização desses compostos

Year

2012

Creators

Eliane Batista

Revisão taxonômica dos Grupos Atratus e Educator do subgênero Melanoconion de Culex (Diptera, Culicidae)

Entre os múltiplos grupos que compõem as Seções Spissipes e Melanoconion do subgênero Melanoconion de Culex, Atratus e Educator apresentam espécies que estão envolvidas na transmissão de arbovírus ao ser humano e animais em ambientes rurais e silvestres. Porém, esses grupos exibem grande dificuldade na identificação das espécies, seja devido à grande semelhança morfológica entre seus representantes ou à falta de chaves de identificação atualizadas. Diante disso, objetivou-se realizar a revisão taxonômica das espécies pertencentes aos Grupos Atratus e Educator da Seção Melanoconion de Culex (Melanoconion). Para isso, foi realizado o estudo morfológico detalhado das diversas fases de desenvolvimento dos espécimes de interesse, verificada a existência de espécies a serem nomeadas e/ou espécies válidas colocadas na sinonímia de outras. Como resultado do estudo morfológico das espécies do Grupo Atratus, foram redefinidas oito espécies. Destas, duas foram validadas, pois estavam na sinonímia de outras e seis espécies desconhecidas da ciência foram descritas e serão formalmente nomeadas. Para o Grupo Educator, oito espécies foram descritas, sendo uma removida da sinonímia e três espécies desconhecidas da ciência foram descritas e serão formalmente nomeadas. Chaves de identificação ilustradas, com caracteres usados para o reconhecimento das espécies, foram elaboradas para todas as formas de desenvolvimento das espécies de ambos os grupos. Foram construídos mapas de distribuição geográfica das espécies, foram atualizados dados bionômicos, elaboradas ilustrações e pranchas fotográficas para comparação de estruturas morfológicas externas das formas imaturas, adultos e genitália masculina.

Year

2018

Creators

Ivy Luizi Rodrigues de Sá

Rede de apoio social dos idosos no município de São Paulo: estudo SABE

Introdução - O processo de envelhecimento acarreta ao indivíduo o convívio com limitações físicas e funcionais e o acúmulo de doenças crônicas, aliado aos aspectos emocionais mais evidentes nesse período da vida que geram maior demanda por parte do idoso da sua rede de apoio formal e informal. Objetivos - Investigar os fatores associados às mudanças ocorridas, no período de 2000 a 2006, no apoio social recebido pelos idosos residentes no município de São Paulo. Métodos - Este trabalho é um recorte do Estudo Saúde, Bem-estar e Envelhecimento (SABE), estudo longitudinal de base populacional realizado, desde 2000, com 1115 idosos residentes na área urbana do município de São Paulo. O instrumento utilizado foi um questionário estruturado em dez seções que versavam sobre as condições de vida e de saúde dos idosos. Para verificar os fatores associados às mudanças no apoio recebido, foram feitas análises de regressão logística multinomial. Resultados - Os idosos identificam mais apoio no seu domicílio e entre seus filhos, sendo esses apoios de caráter instrumental. A rede de apoio extradomiciliar dos familiares e amigos demonstrou-se presente, porém oscila ao longo do tempo do estudo. As condições de saúde física, comprometimento funcional e bem-estar dos idosos foram indicadores da manutenção das trocas de apoio com toda a sua rede ao longo do tempo, entretanto a piora nessas condições foi acompanhada de mais apoio disponibilizado aos idosos. Conclusões - A rede informal vem sendo demandada somente para as questões instrumentais de apoio por não ser acompanhada do suporte da rede formal, sendo os aspectos emocionais que o processo de envelhecimento acarreta aos idosos, que podem incidir na piora de suas condições de independência e autonomia não estarem sendo supridos pela rede.

Year

2009

Creators

Soraya Martins de Alencar

Estudo populacional dos mosquitos (Diptera; Culicidae) em área de abrangência da Barragem de Biritiba-Mirim, SP, Brasil

Objetivo. Conhecer a fauna culicideana no período de pré-enchimento da Barragem de Biritiba-Mirim, Estado de São Paulo, Brasil. Métodos As coletas de Culicídeos adultos e imaturos foram de caráter semanal no período de 12 (doze) meses (fase anterior ao enchimento). Os adultos foram coletados com armadilha CDC + gelo seco em dois sítios de coleta, entre os horários de crepúsculo vespertino e matutino (das 17h às 09h totalizando 16 horas de coleta) e armadilha de Shannon, também em dois sítios de coleta, (no período das 17h às 20h) totalizando 03horas de coleta abrangendo o crepúsculo vespertino. A coleta de imaturos foi realizada com conchas de 500ml e pipeta. As variáveis ambientais como; pluviosidade, temperatura, regime dos ventos, foram levadas em conta na interferência faunística deste estudo. Resultados foram coletados 8.139 mosquitos distribuídos em 71 espécies (ou grupo de culicídeos). Os gêneros mais destacados foram Mansonia, Coquillettidea, Anopheles, Culex, Aedeomyia. Mansonia titillans, Adeomyia squamipennis, Anopheles galvaoi, foram as espécies mais abundantes. Conclusão A construção de empreendimentos hídricos pode propiciar grande proliferação de vetores, intensificando a transmissão de algumas doenças, bem como a introdução de outras. Assim, pesquisas necessitam ser desenvolvidas e, com base nelas medidas de prevenção e controle.

Year

2005

Creators

Marcelo Sciarretta Sebastião

Análise de sobrevida de pacientes coinfectados HIV/HCV de um centro de referência em DST/AIDS no município de São Paulo

Introdução: A estimativa de sobrevida de pacientes com HIV/aids aumentou após a terapia antirretroviral de alta potência: no entanto, a mortalidade por doenças hepáticas também cresceu. Objetivos: Estimar a probabilidade acumulada de sobrevida após o diagnóstico de aids entre pacientes coinfectados HIV/HCV e realizar análise exploratória para investigar fatores relacionados à sobrevida desses pacientes. Metodologia: Estudo de coorte não concorrente, utilizando sistemas de Informações: o de Agravos de Notificação, o de informação laboratorial e o de informação da vigilância epidemiológica do Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS-SP, de pacientes com aids maiores de 13 anos, acompanhados no ambulatório geral. As variáveis estudadas foram: hepatite C, hepatite B, categoria de exposição, contagem de células T CD4+, faixa etária, escolaridade, cor, sexo e períodos de diagnóstico de aids: 1986 a 1993, 1994 a 1996, 1997 a 2002 e 2003 a 2010. Foi utilizado o estimador de Kaplan-Meier, o modelo de Cox e as estimativas das hazard ratio (HR) com os respectivos intervalos de confiança (IC 95 por cento ). Resultados: De um total de 2.864 pessoas incluídas, com idade mediana de 35 anos, 219 foram a óbito (7,5 por cento ). De 358 (12,5 por cento ) coinfectados, 159 (45,1 por cento ) eram usuários de drogas injetáveis (UDI) e de 2.506 não coinfectados, 96 (3,9 por cento ) eram UDI. A probabilidade acumulada de sobrevida entre coinfectados, a partir do diagnóstico de aids, foi 100 por cento aos 60 meses no período de 1986 a 1993; 27,8 por cento aos 168 meses no período de 1994 a 1996; 76,3 por cento aos 168 meses no período de 1997 a 2002 e 92,8 por cento aos 96 meses no período de 2003 a 2010. As curvas de sobrevida foram diferentes entre coinfectados e não coinfectados no período de 1994 a 1996 (log rank = 19,8; p < 0,001) e no período de 1997 a 2002 (log rank = 38,8; p < 0,001). No modelo de Cox multivariado, mostraram-se preditores de óbito, independentemente das outras variáveis: ter hepatite C (HR = 2,9; IC 2,1-3,9), ter hepatite B (HR = 2,5; IC 1,7-3,6), ter até 3 anos de estudo (HR = 2,3; IC 1,5-3,6), ter 50 anos ou mais de idade (HR = 2,1; IC 1,3-3,2). Ter diagnóstico de aids no período entre 1997 a 2002 mostrou-se fator de proteção ao óbito (HR = 0,4; IC 0,3-0,5). Conclusões: Coinfectados HIV/HCV apresentaram menor sobrevida quando comparado com não coinfectados nos períodos de diagnóstico de aids 1994 a 1996 e 1997 a 2002. A partir do período 1994 a 1996, observou-se aumento significativo na probabilidade acumulada de sobrevida entre coinfectados, sendo que no período 2003 a 2010, essa probabilidade foi semelhante entre coinfectados e não coinfectados, refletindo possível impacto do tratamento da hepatite C

Year

2011

Creators

Wong Kuen Alencar

Paridade e desenvolvimento ovariano de Anopheles albitarsis l.s em área de agro-ecossistema irrigado

Objetivou-se, principalmente, conhecer a paridade, desenvolvimento ovariano e a razão de sobrevivência dessas populações. As coletas foram realizadas na Fazenda Experimental do Instituto Agronômico de Campinas e em sítio próximo, denominado Barra do Capinzal. Ambos situados no município de Pariquera-Açu, Estado de São Paulo. De maneira concomitante, as capturas foram feitas nos ambientes extradomiciliar e domiciliar, mediante o emprego da isca humana e armadilha tipo Shannon. Focalizou-se o complexo Anopheles albitarsis, populações prováveis A e B, por ocasião do período crepuscular vespertino. As dissecções foram feitas utilizando-se da técnica de Polovodova. Para a avaliação do desenvolvimento folicular, adotou se o critério de Christophers e Mer e o conceito baseado na Escola Clássica. Das 4.170 fêmeas dissecadas, 90,2 por cento foram da população B e 9,8 por cento da população A. Quanto à paridade, o resultado global revelou que o grupo das nulíparas foi predominante, com aproximadamente 70,0 por cento . A uniparidade com aproximadamente 25,0 por cento , a biparidade com aproximadamente 2,5 por cento e o grupo com 3 e 4 dilatações foi inferior a 1,0 por cento . Quanto ao desenvolvimento folicular, a proporção de fêmeas com os folículos desenvolvidos além da fase II de Christophers e Mer, foi muito pequena, variando de 1,4 a 4,0 por cento . Isso sugeriu a possibilidade da existência de concordância gonotrófica, para as duas supostas populações, nos dois ambientes. A melhor estimativa para a razão de sobrevivência foi de 0,5339 ± 0,047 e 0,5301 ± 0,056 para a população A e de 0,5566 ± 0,015 e 0,3151 ± 0,015 para a população B. No laboratório, procurou-se observar a duração do ciclo gonotrófico e a razão de sobrevivência mediante o acompanhamento diário de coorte de 121 fêmeas, sendo 40 da população A e 81 da população B. A duração do ciclo gonotrófico variou de 2,5 a 3,5 dias para a população A e 2 a 3 dias para a população B e a estimativa da sobrevivência diária variou de 0,35 a 0,79 para a população A e de 0,70 a 0,81 para a população B. Com esses resultados pretendeu-se contribuir para possível estimativa do potencial de transmissão malárica, eventualmente existente na região ou no local.

Year

1998

Creators

Ina Kakitani Murata

Prevalência de deficiências e estado de saúde dos deficientes: inquéritos de saúde de base populacional realizado em municípios do Estado de São Paulo

Objetivo. Avaliar o perfil de saúde, o acesso aos serviços de saúde e as condições de vida dos deficientes em áreas do Estado de São Paulo. Metodologia. A pesquisa utilizou os dados de um Inquérito Multicêntrico de Saúde no Estado de São Paulo em 2002 e de outro, realizado na capital em 2003. Os entrevistados que referiram deficiências foram a população estudada segundo as variáveis que compõem o banco de dados. Os dados foram digitados em Epi-Data e analisados em SPSS e STATA. Resultados. A prevalência de alguma deficiência foi de 143,2 por mil; deficiência visual (DV), 63,21 por mil; deficiência auditiva (DA), 43,01 por mil e a deficiência física (DF) de 11,06 por mil. Os acidentes de trabalho foram a segunda causa de DA em homens; os acidentes de trânsito foram a segunda causa das DF nos homens. As prevalências das deficiências aumentaram com a idade; foram maiores nas mulheres e nas pessoas com menos de 3 anos de escolaridade. A prevalência de DA e DF foi maior entre os homens. Entre os deficientes a prevalência de algumas doenças crônicas foi maior que entre os não-deficientes. Houve mais morbidades nos 15 dias anteriores à entrevista entre os DV e DA quando comparados com os não-deficientes. Entre os DV, 18,94% necessitavam de assistência médica regular; entre os DA, 15,38%; entre os DF, 57,16%. A principal causa das deficiências foi a doença. Mais DF relataram uma ou mais internações e menor uso de serviços odontológicos. Menor prevalência de exame das mamas entre DA e DF e de exames de próstata entre os DF e maior consumo de remédios entre os DV e DF, comparados com não-deficientes. Conclusão. As deficiências aumentaram com a idade, foram mais prevalentes em mulheres e em pessoas com menor escolaridade, sendo sua principal causa, as doenças. A DV foi a mais prevalente das três deficiências. A DA e a DF foram mais prevalentes nos homens. Entre os DV e os DA houve mais morbidades nos 15 dias anteriores à entrevista. Houve mais doenças crônicas entre os deficientes do que entre os não-deficientes. Os DF foram os mais necessitados de assistência médica periódica. O consumo de medicamentos maior entre os DV e DF. Políticas de saúde específicas devem ser ampliadas e outras criadas para atender as necessidades de saúde dos deficientes.

Year

2006

Creators

Shamyr Sulyvan de Castro

O estado nutricional de adolescentes da rede de ensino público da cidade de Piracicaba (SP) e seus determinantes

Introdução - O sobrepeso e a obesidade são doenças de características endêmicas, tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento e podem coexistir com a desnutrição, principalmente, nas camadas sociais de baixa renda. Objetivo - Estimar as prevalências de desnutrição, sobrepeso e obesidade, segundo sexo e idade, bem como os fatores associados à sua ocorrência em adolescentes de 10 a 14,9 anos de idade, matriculados na rede de ensino público da cidade de Piracicaba, São Paulo, Brasil. Material e Métodos - Este foi um estudo transversal. A amostra foi composta por 269 adolescentes de ambos os sexos (118 meninos e 151 meninas). Foram aplicados questionários para obtenção do consumo alimentar, maturação sexual, nível de atividade física e características demográficas e feita a mensuração de peso e altura. Para a análise estatística utilizou-se o teste de associação pelo qui-quadrado e modelos de regressão multinomial univariados e múltiplos para verificar a relação entre o estado nutricional e as variáveis independentes. Resultados - As prevalências de desnutrição para meninos e meninas foram, respectivamente, 5,1% e 4,0%. As prevalências de sobrepeso foram de 15,3% entre os meninos e de 13,2% entre as meninas. A obesidade apresentou prevalências de 18,6% em meninos e 11,9% em meninas. O fator que apresentou associação com a presença de desnutrição nos meninos foi a idade, verificando-se que a faixa etária de 13,0 a 14,9 anos apresentou maior proporção de desnutridos em relação a faixa etária de 10,0 a 12,9 anos (respectivamente 14,3% x 0,0%; p= 0,028). Os fatores que mostraram associação com a desnutrição para as meninas foram o estágio puberal (OR= 10,20; p=0,005) e horas diante da televisão por dia (OR= 6,13; p= 0,019). Para o sobrepeso e obesidade, a ingestão de energia mostrou associação com a obesidade, ajustada pela idade e tempo em minutos por dia de prática de atividade física (ORajustada=6,74; p= 0,013) no grupo masculino. Nas adolescentes a obesidade foi associada ao números de horas diante de televisão por dia, ajustada pela idade ingestão de energia e tempo em minutos por dia de prática de atividade física (ORajustada=5,39; p= 0,006). Conclusões - Os achados do presente estudo evidenciaram que as prevalências de desnutrição são baixas, enquanto que, as prevalências de sobrepeso e obesidade são preocupantes, demonstrando o processo de transição nutricional no qual a cidade de Piracicaba se encontra. Dentre os fatores associados à estes agravos, destacam-se aqueles passíveis de modificação, ao se adotar hábitos de vida saudáveis como evitar o consumo excessivo de alimentos com alto valor calórico, bem como a redução do número de horas assistindo televisão.

Year

2007

Creators

Stela Verzinhasse Peres

Educação médica: a dimensão social no currículo do curso médico da Faculdade de Medicina de Marília, 1998 e 1999

A aprendizagem baseada em problemas, a articulação das dimensões social, biológica e psicológica, e a orientação do currículo para a comunidade constituem os eixos da reforma curricular do curso médico da Faculdade de Medicina de Marília. Essa reforma aponta para uma alternativa ao modelo biomédico. O objetivo desta investigação foi analisar a significação da dimensão social na referida reforma curricular, considerando-se currículo como um processo socialmente construído. Foi conduzida uma avaliação diagnóstica, focalizando-se convergências e divergências em relação aos significados atribuídos ao social nos currículos prescrito, planejado, desenvolvido e avaliado. A abordagem qualitativa foi escolhida a para coleta dos dados. A análise de conteúdo, na modalidade temática, foi aplicada como técnica para a identificação de significados, por meio do uso de métodos quantitativos e qualitativos. A ampliação do modelo biomédico foi a temática encontrada em todos os momentos curriculares analisados, embora a significação da inclusão da dimensão social tenha sido traduzida de formas diferentes na passagem do prescrito para a prática educativa. No currículo prescrito, o social foi significado na gênese do processo saúde-doença e como campo de luta pela vida. No planejado, as condições sociais foram naturalizadas e identificadas como restrições ao manejo das doenças. No currículo desenvolvido, a inclusão da dimensão social na ampliação do modelo biomédico foi considerada polêmica e, no avaliado, o social foi significado tanto a gênese como no manejo das doenças. Entre a intenção e o gesto foram identificadas mediações que representam movimentos de contradição e de reprodução, tanto em relação às concepções da reforma como em relação à pratica tradicional.

Year

2000

Creators

Valéria Vernaschi Lima

Medida da capacidade vetorial de Anopheles albitarsis e de Anopheles (Kerteszia) no Vale do Ribeira, São Paulo

Objetivo. Estimar a Capacidade Vetorial de Anopheles albitarsis e An. (Kerteszia) com a finalidade de conhecer a receptividade do Vale do Ribeira, Estado de São Paulo, com relação à malária, tanto no ambiente natural, quanto no alterado para fins agrícolas. Para tanto, propõem-se determinar a variação da taxa de picadas/homem/dia, a taxa de sobrevivência diária e a duração do ciclo gonotrófico de ambos os grupos. Material e métodos. Os estudos foram realizados em laboratório e no campo, em duas áreas do Vale do Ribeira, uma representada por fazenda com plantação de arroz irrigado e outra contígua à Mata Atlântica de encosta. Os dados referentes à taxa de picadas/homem/dia foram obtidos em colaboração com o Projeto Temático Fapesp 95/0381-4. Foram referentes às capturas de mosquitos com aspirador manual, de maio de 1996 a junho de 2000 para An. albitarsis e maio de 1996 a setembro de 1997 para Kerteszia. A taxa de sobrevivência diária foi estimada através de regressão linear dos dados obtidos a partir da técnica de marcação-soltura-recaptura e através do estudo da idade fisiológica. A duração do ciclo gonotrófico no campo foi estudada pela dissecção dos ovaríolos de fêmeas soltas ingurgitadas e em laboratório pelo fornecimento de alimentação para as fêmeas e observação individual até a oviposição. O comprimento do ciclo extrínseco do parasita foi determinado pelo método de Oganov-Rayevsky. Resultados. A taxa de picadas/homem/dia/ variou 0 a 628,5 para An. albitarsis e de 17,5 a 320,83 para Kerteszia no período estudado. A taxa de sobrevivência diária de An. albitarsis foi 0,61 e a de Kerteszia 0,45. A duração do ciclo gonotrófico de An. albitarsis foi de 2,5 dias no campo e de 4 dias em laboratório; a de Kerteszia foi de 3,5 dias em laboratório e não pôde ser determinada no campo. A Capacidade Vetorial foi igual a zero nos meses frios para ambos os grupos; nos meses quentes apresentou picos em janeiro, fevereiro e março com valor máximo de 0,803 em fevereiro de 1998 para An. albitarsis. Para Kerteszia o valor máximo encontrado foi de 0,081 em janeiro de 1997. Discussão. O modelo da Capacidade Vetorial indicou pequena possibilidade da ocorrência de malária endêmica no Vale do Ribeira veiculada por An. albitarsis. Os valores observados para os meses quentes apontam a possibilidade dessa espécie participar secundária ou esporadicamente como vetora. Tais observações mostraram-se coerentes com o histórico da transmissão malárica atribuída a essa espécie. Já os valores fornecidos pelo modelo para An. (Kerteszia) vão de encontro às informações sobre a transmissão na região. Os baixos valores obtidos para a Capacidade Vetorial desse subgênero foram atribuídos principalmente à taxa de sobrevivência encontrada. As dificuldades na análise dos dados e os resultados por ela fornecidos sugerem que provavelmente existam características desse grupo que não se encontram contempladas no modelo apresentado.

Year

2001

Creators

Roseli La Corte dos Santos