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Fatores associados ao relato de violência interna no trabalho em unidades do Sistema Municipal de Saúde de Belo Horizonte
A escalada da violência em estabelecimentos de saúde é um fenômeno mundial que compromete negativamente a saúde dos trabalhadores e da população geral. A violência no trabalho está associada ao adoecimento, ao absenteísmo, à redução do desempenho e à alta rotatividade. Tais situações podem enfraquecer as equipes de trabalhadores da saúde, resultando em prejuízos para a qualidade do serviço prestado. Assim, a realização de pesquisas com enfoque nos fatores associados à violência no trabalho é necessária para indicar pistas na elaboração de planos de prevenção. A presente investigação busca dar visibilidade ao fenômeno no SUS-BH, fornecendo dados sobre a frequência de violência no trabalho, as características dos trabalhadores e as condições do trabalho. O objetivo desta pesquisa é conhecer a proporção de trabalhadores que vivenciaram atos violentos durante a realização das atividades laborais e identificar a associação de tais relatos com as condições do trabalho. Trata-se de um inquérito transversal realizado no período de setembro de 2008 a janeiro de 2009, com amostra de 2.205 trabalhadores da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Utilizou-se o software Epi Info®, versão 6.0, para a seleção aleatória dos sujeitos da amostra, considerando localização geográfica da unidade de saúde, tipo de ocupação e nível assistencial. As seguintes perguntas foram utilizadas para a construção da variável relato de violência no trabalho: a) Nos últimos 12 meses, houve algum episódio de agressão ou ameaça praticado por seus chefes ou colegas de trabalho a usuários dos serviços (durante o seu trabalho)?; b) Nos últimos 12 meses houve algum episódio de agressão ou ameaça praticado por seus chefes ou colegas de trabalho a outro colega de trabalho (durante o seu trabalho)? Verificou-se a associação de relato de violência no trabalho com as variáveis explicativas: características sociodemográficas, características do emprego e características do trabalho: ambiente/ materiais (temperatura, ruído, ventilação, mobiliário, iluminação e equipamentos); e apoio social. As associações foram estimadas pelo cálculo das razões de prevalência (RP), considerando um intervalo de confiança de 95% na análise univariável. As variáveis com valor de p 0,20 foram incluídas na análise multivariada pelo método de Regressão de Poisson com variância robusta. Encontrou-se 31,5% de relato de violência no trabalho no último ano (entre colegas ou entre colega e usuário). Ocupar cargo de nível superior (RP=1,24); trabalhar nas urgências (RP=1,61) e na atenção básica à saúde (RP=1,50); relatar situação insatisfatória quanto ao ambiente/ materiais de trabalho (RP=1,25) e informar baixo apoio social (RP=1,54) foram positivamente associados ao evento de interesse (p0,05). Sugere-se a implantação de programas de prevenção da violência no trabalho com ênfase em trabalhadores da saúde responsáveis pelas ações assistenciais e que exercem suas atividades laborais em unidades organizadas sob a lógica da demanda espontânea como é o caso das urgências e da atenção básica à saúde. É indicado que os programas institucionais antiviolência incluam ações de melhoria do ambiente de trabalho (mobiliário, condições climáticas, controle de ruído e equipamentos). Adequações dos modelos de gestão visando o fortalecimento das relações interpessoais entre membros da equipe e usuários dos serviços de saúde são medidas estratégicas de prevenção, portanto essenciais nos planos de enfrentamento da violência em serviços de saúde.
2019-08-10T10:10:06Z
Luiza Oliveira Lignani
Síndrome de paraganglioma familial: análise clinico-molecular de uma família mineira
Feocromocitomas (PCC) e paragangliomas (PGL) são raros tumores neuroendócrinos provenientes das células cromafins, respectivamente, da medula da supra-renal e de paragânglios simpáticos ou parassimpáticos. A apresentação clínica desses tumores é variada e depende da localização, do perfil secretório e do potencial de malignidade. Paragangliomas simpáticos, assim como feocromocitomas, geralmente secretam catecolaminas ou metanefrinas, sendo clinicamente funcionantes e causando sintomas principalmente cardiovasculares. Paragangliomas parassimpáticos, localizados ao longo do eixo para-vertebral, em sua maioria em cabeça e pescoço, geralmente não são secretores, podem ser assintomáticos ou se apresentarem como tumores de crescimento insidioso, responsáveis por dor e efeitos de massa, como disfagia, disfonia e dispnéia, dependendo de sua localização. PCC e PGL são usualmente tumores esporádicos, mas cerca de 30% são causados por mutações germinativas que originam, até o momento, quatro síndromes distintas, chamadas de Síndromes de Paragangliomas do tipo 1 ao tipo 4 (PGL 1 a PGL 4), as quais são associadas a mutações nos genes da succinil desidrogenase (SDH), um complexo enzimático mitocondrial envolvido na cadeia transportadora de elétrons e no Ciclo de Krebs. Uma dessas síndromes, causada por mutações no gene SDHD é descrita detalhadamente nesse trabalho. Trata-se de uma família mineira composta por 10 membros, entre os quais, 2 eram clinicamente afetados, mas faleceram previamente à realização desse estudo, 5 são afetados clinicamente e 2 são crianças ainda assintomáticas. Os indivíduos foram submetidos a exame clínico completo, com revisão laboratorial, dosagem de catecolaminas plasmáticas e urinárias, estudo de imagem através de TC e 18F-FDG-PET, além de estudo molecular dos principais genes associados à essa doença. Todos os indivíduos vivos da família foram analisados e possuem as mesmas alterações genéticas. Uma mutação missense no exon 1, Trp5X, que leva à transcrição de um stop códon, responsável pelo fenótipo. Além disso, todos os indivíduos afetados possuem também uma segunda mutação, no exon 2, Pro53Leu, de significado ainda incerto. Entre esses indivíduos portadores das mutações, quatro são clinicamente sintomáticos, um é assintomático, mas possui um feocromocitoma diagnosticado por estudo de imagem e dois são crianças assintomáticas e ainda não submetidas a estudos de imagem por serem muito novas em relação à idade habitual de surgimentos dos tumores. Apesar de serem tumores geralmente benignos, através do PET evidenciamos a presença de múltiplas metástases locais em alguns dos membros acometidos. Nesse trabalho pudemos descrever de maneira mais completa o comportamento de uma síndrome de paraganglioma familial, entidade bastante rara e, por isso, até então, cercada de várias questões ainda não completamente elucidadas. Propomos abordagem cirúrgica para os membros da família que apresentavam manifestações clínicas mais significativas e terapêutica conservadora para os indivíduos que apresentavam doença leve, comorbidades graves ou preferência pessoal. Acompanhamento clínico e imaginológico detalhado dos indivíduos deve ser realizado para percebermos como é o comportamento da doença a longo prazo. As crianças portadoras das mutações serão acompanhadas no Hospital das Clínicas por pediatra experiente e serão submetidas periodicamente a exames de imagem, na tentativa de se surpreender tumores incipientes e, com isso, diminuir a morbimortalidade da doença.
2019-08-11T09:15:16Z
Franciele Antonieta Bianchi Leidenz
Proteção contra a infecção por Leishmania (Leishmania) amazonensis por imunização de camundongos (BALB/c) com proteínas ribossomais de Leishmania sp.
As leishmanioses são doenças causadas por parasitas protozoários intracelulares da espécie Leishmania e endêmicas em 88 países no mundo. A aquisição de imunidade duradoura após a cura da infecção causada por Leishmania major, induzindo proteção contra a re-infecção pelo parasita, indica a possibilidade do desenvolvimento de uma vacina contra a doença. Neste trabalho, proteínas ribossomais de Leishmania (LRPs) foram purificadas das espécies L. infantum e L. amazonensis e utilizadas como imunógenos vacinais, associadas à saponina, como adjuvante, em camundongos BALB/c para avaliar a eficácia de proteção induzida contra a infecção com L. amazonensis. Foi observado que as imunizações com LRPs/saponina foram capazes de induzir uma resposta imune celular do tipo Th1 antes do desafio, que foi primada pela produção de IFN-, IL-12p70, GM-CSF e pela presença de anticorpos do isotipo IgG2a específicos às LRPs. Após a infecção desafio, observou-se uma redução significativa na carga parasitária nas patas infectadas, linfonodos drenantes e no baço dos animais imunizados, quando comparados aos grupos salina e saponina. A proteção contra a infecção foi associada à produção elevada de IFN-, IL-12p70 e GM-CSF e baixa produção de IL-4 e IL-10; sendo a produção de IFN- ocorreu preferencialmente por linfócitos T CD4+ e foi amplamente dependente da presença de IL-12. Pode-se concluir que proteínas ribossomais são conservadas entre espécies de Leishmania causadoras de Leishmaniose Tegumentar e Visceral, e que as mesmas são capazes de ofertar proteção heteróloga contra a infecção experimental por Leishmania; podendo-se constituir em bons candidatos para compor uma vacina pan-Leishmania.
2019-08-09T13:40:26Z
Miguel Angel Chavez Fumagalli
A Colcha de retalhos: uma atividade geradora de reflexão sobre a participação coletiva na construção da Rede de Atenção à Mulher em Situação de Violência/Projeto Para Elas. Por elas, por eles, por nós
O presente trabalho apresenta projeto de pesquisa que propõe a avaliação da atividade Colcha de Retalhos, desenvolvida dentro do Projeto Para Elas. Por elas, por eles, por nós - Atenção Integral de Saúde da Mulher em Situação de Violência, fruto de uma parceria entre Núcleo de Promoção de Saúde e Paz, do Departamento de Medicina Preventiva e Social, da Faculdade de Medicina, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o Ministério da Saúde. O Projeto Para Elas propõe entre seus objetivos, a realização de seminários - um nacional e 5 macrorregionais -, e de oficinas de planejamento participativo em 10 municípios prioritários de campo e floresta, definidos como territórios de cidadania, distribuídos no território nacional, voltados para a capacitação de profissionais em todos os níveis da atenção, a organização de serviços e a articulação de ambos em redes locais, regionais e nacionais, com vistas à construção da Rede de Atenção Integral de Saúde da Mulher em Situação de Violência, dentro dos parâmetros de competência técnica e humanização. Tais eventos foram realizados no período de fevereiro de 2013 a junho de 2014. A atividade Colcha de Retalhos foi desenvolvida em todos esses eventos e permitiu simbolizar, de modo concreto, a participação dos profissionais no exercício da autonomia e o seu protagonismo referente à sua atuação no projeto. A avaliação dessa atividade foi feita por meio de estudo qualiquantitativo, com metodologia composta de observação participante e uso de questionários eletrônicos, aplicado a 735 participantes das atividades presenciais do projeto que atenderam aos critérios de inclusão propostos para o estudo. Foi possível descrever e verificar a avaliação positiva da atividade, relativa a todas as variáveis estudadas. No aspecto quantitativo, observou-se que 98,6% dos participantes reconhecem a importância da atividade, 96,7% reconhecem sua capacidade de sensibilização dos profissionais e 80,4% pensaram em utilizar a atividade (ou atividade análoga) em sua atuação na construção dessa rede. No aspecto qualitativo, a grande maioria dos entrevistados aponta a atividade como geradora de reflexão, capaz de promover o desenvolvimento de sua percepção e da consciência de si como sujeitos autônomos, portadores de vontade e competência para propor e executar ações para o enfretamento da violência contra a mulher. Por seu efeito sobre os participantes, observado tanto no momento de sua apresentação como nos resultados da pesquisa, pode-se pensar na Colcha de Retalhos como uma ação humanizadora, suficientemente potente para promover a reflexão crítica do contexto de saúde e estimular processos de mudança, contribuindo, dessa forma, para a construção da rede de atenção à mulher em situação de violência.
2019-08-11T18:16:33Z
Patricia Campos Chaves
Prevalência de pseudotrombocitopenia em pacientes com esquistossomose mansônica hepatoesplênica
Pseudotrombocitopenia (PTP) é um artefato de técnica gerado por erros pré analíticos (coleta,transporte,acondicionamento, temperatura e/ou composição química dos anticoagulantes empregados) que interferem na qualidade da amostra que será submetida aos processos analíticos automatizados. No caso da PTP induzida por anticoagulante, esta relacionada à exposição antigênica das glicoproteínas IIb/IIIaaoácidoetileno-dinitro-tetra-acético(EDTA). Pacientes que têm a contagem de plaquetas normal,quando vítimas de uma avaliação laboratorial espúria,podem estar sujeitos à iatrogenias terapêuticas e diagnósticas,como corticoterapia, punção medular, transfusão de concentrado de plaquetas ou mesmo esplenectomia. Além do mais, esses doentes com frequência não recebem um tratamento cirúrgico adequado devido à contraindicação de tais procedimentos com base em cima falsa baixa contagem de plaquetas. Chama a atenção o fato de alguns pacientes com esquistossomose mansônica hepatoesplênica(EHE) não poderem ser submetidos a procedimentos invasivos (realização de biópsias ,extração de dentes,cirurgia oftálmica de catarata, escleroterapia das varizes do esôfago) que, em muitos casos, seria a melhor opção terapêutica, por apresentar em baixa contagem de plaquetas, que pode não corresponder à realidade. Objetivo: Estabelecer a prevalênci a de pseudotrombocitopenia (PTP) em pacientes com esquistossomose mansônica hepatoesplênica (EHE). Pacientes e Métodos: Para investigar a prevalência da PTP neste grupo de pacientes realizou-se estudo observacional transversal clínico laboratorial examinando- se amostras sanguíneas de pacientes com EHE e de grupo controle. O exame consistitiu na contagem de plaquetas empregando-se o método indireto de Fonio (contagem microscópica) e ma mostra livre de anticoagulante, bem como na contagem de plaquetas automatizada utilizando-se sangue total em EDTA nos tempos 20 e 180 minutos e,simultaneamente, realizando o procedimento anterior substituindo o anticoagulante pelo citrato de sódio. Nos casos das amostras com anticoagulantes, foi realizado esfregaço sanguíneo no momento de cada contagem automatizada no intuito de identificar presença de grumos ou satelitismos que explicassem a falsa redução do nuúmero de plaquetas da contagem automatizada. Resultado :A prevalência de PTP nos pacientes com EHE foi determinada após a comparação dos percentuais de redução da contagem de plaquetas,seus valores no método de referência e observações microscópicas das amostras.7.5% do grupo de pacientes com EHE apresentou grumos de plaquetas e 0.0% no grupo controles em EHE. Ao contrário do que a prática clínico laboratorial sugere, a prevalência de pseudotrombocitopenia em amostras anticoaguladas com citrato de sódio do grupo de pacientes com EHE foi 19.4% e 9.0% no grupo controles em EHE. Conclusão: A prevalência de pseudotrombocitopenia nos pacientes com EHE foi de7.5% com emprego de EDTAe19.4% com citrato de sódio.
2019-08-11T15:22:01Z
Guilherme Vaz de Melo Trindade
Transtornos psiquiátricos em pacientes com hepatite C crônica: implicações clínicas e biomarcadores
Transtornos psiquiátricos são mais prevalentes em pacientes com hepatite C crônica (HCC) quando comparados à população geral. Há descrição na literatura de associação entre o uso de interferon alfa (IFN-) e o surgimento ou agravamento de transtorno depressivo maior (TDM). O objetivo deste trabalho foi avaliar sintomas e transtornos psiquiátricos, qualidade de vida relacionada à saúde (HRQL) e biomarcadores potencialmente relacionados, em pacientes com HCC atendidos em um serviço público de referência em infectologia em Belo Horizonte, em estudo transversal e longitudinal. Ao todo foram avaliados 105 pacientes ambulatoriais atendidos no período de maio de 2009 a abril de 2013. A avaliação incluiu a entrevista psiquiátrica estruturada baseada no M.I.N.I.-PLUS, o uso de questionários e escalas de avaliação psicopatológica (Escala de Depressão de Hamilton; Escala de Ansiedade de Hamilton; Inventário de Depressão de Beck; Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão; Inventário Breve de Fadiga; Escala de Impulsividade de Barratt) e de HRQL (Questionário Breve de Avaliação de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde), e a dosagem plasmática de BDNF, TNF-, sTNFR1, sTNFR2, adiponectina, leptina e resistina. Dados sociodemográficos, epidemiológicos e clínicos também foram coletados e analisados. Foi encontrada elevada frequência de transtornos psiquiátricos, acometendo 59% de todos os pacientes estudados, sendo o diagnóstico TDM o mais comum, encontrado em 33 pacientes (31,4%). Houve associação entre o uso corrente de IFN- e o diagnóstico de TDM (p=0,024). Entre vinte e sete pacientes que estavam em uso de IFN-, 14 (51,9%) apresentavam TDM. Pacientes com TDM relataram piores níveis de fadiga (p<0,001) e de HRQL (p<0,001). TDM e fadiga estiveram associados a pior HRQL, e estado civil casado a melhor HRQL. Impulsividade foi encontrada em níveis elevados nos pacientes com HCC e esteve associada a níveis mais baixos de escolaridade, uso de IFN-, transtorno de uso de substância relacionado ao álcool, outras comorbidades psiquiátricas, e risco de suicídio aumentado durante o tratamento com IFN-. Disfunção sexual e insatisfação com a vida sexual foram encontradas em 57,1% e 32,4% dos pacientes, respectivamente. Disfunção sexual esteve associada a idade mais avançada, gênero feminino, genótipo viral 2 ou 3, uso de IFN-, impulsividade, sintomas depressivos, uso de antidepressivos, uso de benzodiazepínico, e pior HRQL. No braço longitudinal do trabalho, níveis plasmáticos baixos de adiponectina estiveram associados a maior frequência de TDM na avaliação subsequente. Conclui-se que sintomas e transtornos psiquiátricos foram frequentes nos pacientes com HCC estudados. TDM foi o diagnóstico psiquiátrico mais frequente, esteve associado ao uso de IFN-, e foi implicado, juntamente com fadiga, como principais contribuintes para piora da HRQL dos pacientes. Impulsividade e disfunção sexual foram encontradas em níveis elevados e também estiveram associadas ao uso de IFN- e a importante morbidade. O papel da adiponectina como um biomarcador de resiliência para TDM deve ser replicado em estudos adicionais.
Controle preditivo robusto baseado em modelo aplicado a sistemas não-lineares incertos linearizados por realimentação de estados
Neste trabalho, o problema de controle de uma classe de sistemas não-lineares com presença de incertezas paramétricas e com restrição na entrada de controle é revistado sob a perspectiva do controle preditivo. A metodologia proposta consiste em inicialmente obter um modelo linear incerto, fruto da linearização por realimentação de estados de um sistema não-linear incerto, com restrição na entrada de controle. As incertezas são descritas na forma politópica e incluem as incertezas paramétricas do sistema original e erros de linearização. Por fim, o projeto do controle robusto preditivo para o sistema linear incerto obtido é desenvolvido utilizando condições relaxadas usuais baseadas em desigualdades matriciais lineares (LMIs), mostrando ter desempenho superior quando comparado a formulações padrões.
2019-08-10T00:35:30Z
Estevão Modolo de Souza
Teste respiratório com uréia marcada com carbono-13 no diagnóstico da infecção gástrica por helicobacter pylori: análise de um banco de dados com ênfase especial na diferença dos valores do teste entre os sexos
Teste respiratório com ureia marcada com 13C (TR) constitui excelente exame para o diagnóstico da infecção por H. pylori, com acurácia elevada e sensibilidade e especificidade superiores a 95%. Há, entretanto, dúvidas acerca da semelhança entre os valores absolutos dos testes em homens e mulheres. Objetivos: Avaliar a relação dos valores absolutos do TR e o sexo, considerando variáveis como idade, peso, altura e índice de massa corporal (IMC) visando trazer contribuições acerca dos aspectos epidemiológicos e patogênicos da infecção gástrica pelo H. pylori na espécie humana. Pacientes e Métodos: Estudo transversal retrospectivo com análise do banco de dados do Laboratório de Testes Respiratórios do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, MG, contendo 18.489 TR realizados no período de julho 1998 a novembro 2010. As variáveis analisadas foram idade (anos), sexo, altura (cm), peso (Kg), índice de massa corporal (IMC) (Kg/m2)e valor absoluto do TR como delta over baseline (DOB). O TR foi realizado usando analisador de isótopos por infravermelho (IRIS®, Wagner Analysen-Technik, Bremen, Alemanha). Em resumo, após jejum noturno os pacientes ingeriam 75mg de 13C-ureia em 200 ml de suco de laranja. Amostras do ar expirado eram coletadas antes e 30min depois da ingestão do substrato. Valores superiores a 4 DOB aos 30min foram considerados positivos. Análise estatística foi realizada usando Minitab-16, Excel-2007, teste de Mann-Whitney e do Qui-quadrado. Para todos os testes foi adotado nível de significância = 0,05. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da UFMG. Resultados: 12.902 pacientes [7.612 mulheres (59%) e 5.290 homens (41%), idade média 46,4 anos (1-96, DP:16.8)] preencheram os critérios da investigação e foram incluídos no estudo. TR foi positivo em 3.904 (30%) e negativo em 8.998 (70%) pacientes. Entre os pacientes infectados por H. pylori, a mediana dos valores absolutos do TR foi significativamente maior nas mulheres (23,3 DOB) que nos homens (18,4 DOB) (p<0,000), exceto na faixa etária de 0 a 10 anos, onde não houve diferença estatística. As demais variáveis estudadas na população infectada mostraram: idade mediana nas mulheres de 46 anos e nos homens 44 anos (p=0,0093), altura mediana de 159cm nas mulheres e 170cm nos homens (p<0,000), peso mediano de 62Kg nas mulheres e 70Kg nos homens (p<0,000) e IMC mediano de 24,8 Kg/m2 nas mulheres e 24,2 Kg/m2 nos homens (p=0,0093), sendo as diferenças observadas pouco relevantes do ponto de vista clínico. Todos os pacientes positivos (n=3.904) foram alocados em quatro quartis, com valores crescentes de DOB, sendo demonstrado que à medida que aumenta o valor absoluto do TR aumenta, também, o percentual de pacientes femininos no grupo dos quartis (p=0,000). Conclusão: Mulheres adultas apresentam valores absolutos de TR significativamente maiores que os homens sugerindo que elas são mais densamente infectadas que os homens. Tais achados podem ter consequências clínicas e os estudos epidemiológicos e terapêuticos devem considerar os achados aqui reportados. Estudos futuros deverão ser realizados para elucidar a maior carga bacteriana aqui observada na população feminina.
2019-08-09T16:10:51Z
Frederico Passos Marinho
Vigilância intensificada de vírus respiratórios no período pós-pandemia de influenza A(H1N1)pdm09, 2011 a 2013, em Belo Horizonte
Introdução: As doenças respiratórias agudas são responsáveis por grande parte dos atendimentos e internações e os agentes etiológicos envolvidos nestes casos geralmente são vírus e bactérias. Nas crianças, a identificação viral é mais comum em lactentes e, de maneira geral, os vírus são mais frequentemente encontrados em crianças menores de um ano. Nos adultos, grande parte das infecções é de etiologia bacteriana, quando de etiologia viral, o vírus influenza é predominante. As complicações causadas pela infecção por influenza são responsáveis por um volume significativo de internações hospitalares e óbitos, em especial em crianças e idosos. Outros vírus como vírus sincicial respiratório, parainfluenza e adenovírus também são identificados com frequência como agentes causadores de infecções respiratórias agudas. Em 2011 Belo Horizonte iniciou, a convite do Ministério da Saúde, a vigilância intensificada de vírus respiratórios nos pacientes internados ou que aguardavam internação nos pronto-atendimentos. Sabe-se que o monitoramento da circulação viral em municípios pode instituir melhorias na vigilância em saúde, além de definir períodos mais adequados para as campanhas de vacinação e grupos prioritários a serem vacinados. A partir dos resultados preliminares no primeiro ano desta vigilância, o Ministério da Saúde ampliou a todos os municípios do país o monitoramento de vírus para pacientes hospitalizados. Objetivos: O objetivo desta dissertação foi descrever o perfil epidemiológico dos casos notificados com Síndrome Respiratória Aguda Grave entre 2011 e 2013 no município de Belo Horizonte. Metodologia: Foi realizado estudo de delineamento transversal com dados de casos notificados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os dados contemplados na ficha de notificação abordavam aspectos sociodemográficos, antecedentes epidemiológicos e clínico, e relacionado à internação hospitalar. Os vírus identificados pelas duas metodologias eram influenza A e B, adenovírus, parainfluenza 1, 2, 3 e VSR. Resultados: Foram notificados 5.158 casos de SRAG no período de 2011 a 2013. A coleta de material laboratorial foi realizada para 77% (n=3.974) dos pacientes e 17,3% (n=688) desses pacientes tiveram amostra positiva para vírus respiratório; para três pacientes foi identificado mais de um vírus. A faixa etária com maior número de casos confirmados foram crianças menores de cinco anos, seguido pelos pacientes de 20 e 59 anos. Os hospitais com Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NUVE) notificaram mais da metade dos casos (52,4%) e metade dos casos confirmados. O vírus influenza A (50,9%) foi o mais frequente, o subtipo (H1N1)pdm09 foi identificado em maior proporção na população adulta, metade deles no grupo de 20 a 59 anos. O VSR (35,9%) foi o segundo vírus respiratório mais isolado, sendo que nas crianças menores de cinco anos esta proporção foi de 34%. O vírus influenza A (H3N2) foi identificado em 18,5% das amostras positivas e os outros vírus foram pouco representativos. O vírus influenza circulou todos os meses, e o período de maior incidência intercalou com a maior atividade do VSR. Dentre os 54 pacientes infectados por vírus respiratório que evoluíram para óbito, cerca de 80% foram pelo vírus influenza (n=43), sendo 55,5% pelo subtipo A(H1N1)pdm09. Os adultos de 20 a 59 anos representaram 66,7% dos óbitos por este subtipo. Não houve diferença estatística significante para sexo, puerpério e local de residência. Não houve diferença estatística para sexo, puerpério e local de residência quando comparadas as variáveis dos casos notificados e descartados/sem coleta pelo teste de qui-quadrado, com nível de significância de 95%. Conclusão: Estes achados mostraram a importância do monitoramento dos vírus respiratórios para conhecer sua sazonalidade, adotar medidas de controle específicas e de forma precoce. Além disto, é necessário ampliar e fortalecer a vigilância epidemiológica em âmbito hospitalar considerando-a como parceira das ações no município.
2019-08-14T16:23:46Z
Cristiane Campos Monteiro
Estudo da avaliação e das adequações de tratamento para a doença arterial coronariana em pacientes do Sistema Único de Saúde de Belo Horizonte
Introdução: o aumento da incidência e da prevalência das doenças cardiovasculares, o aperfeiçoamento e a implementação de novos tratamentos, em especial para a doença arterial coronariana tornou inevitável o estudo das indicações dos procedimentos na área cardiológica. A partir da constatação de que se despendiam elevados recursos financeiros para o pagamento de cirurgias cardíacas na cidade de Belo Horizonte e considerando a necessidade de aprimorar o processo de regulação, o sistema de saúde público local, em 2003, reorganizou o fluxo de pacientes e desenvolveu uma parceria com o Hospital das Clínicas da UFMG, criando o Ambulatório de Referência de Alta Complexidade em Cardiologia. Objetivos: descrever os resultados das avaliações realizadas pelos médicos-auditores e pelo consenso de especialistas das solicitações de procedimentos de revascularização miocárdica. Descrever os principais preditores de uma indicação considerada apropriada pelo consenso de especialistas. Métodos: trata-se de um estudo transversal cuja amostra foi constituída de 165 avaliações de pacientes do Ambulatório de Referência de Alta Complexidade em Cardiologia do HC/UFMG SMSA/SUS BH, no período de maio a novembro de 2007. Os dados clínicos de cada paciente foram coletados e registrados em protocolo junto com a avaliação do médico-auditor sobre a pertinência da indicação do procedimento pelo médico solicitante e com cópias do filme da coronariografia e de testes funcionais (teste ergométrico, ecocardiograma de estresse e/ou cintilografia miocárdica). O protocolo e os exames foram identificados por número e entregues a dois revisores, cardiologistas A e B,denominado consenso de especialistas que não tinham conhecimento da avaliação da indicação pelo auditor. Resultados: da amostra estudada, 95 (57,6%) consistiam em solicitações de angioplastia coronariana (ICP) e 70 (42,4%) em cirurgia de revascularização do miocárdio (CRVM). De acordo com o auditor, de 165 avaliações, 126 solicitações de procedimentos pelo médico-assistente (76,4%) foram consideradas apropriadas e 39 (23,6%) inapropriadas. Para o consenso de especialistas, as solicitações do médico-assistente foram classificadas como apropriadas em 89 casos (53,9%) e em 76 (46,1%) inapropriadas. A concordância entre os cardiologistas A e B, antes do consenso, pela estatística Kappa, foi de 0,66 (0,54-0,77,IC 95%). Após análise multivariada, foram consideradas preditoras de uma indicação apropriada de procedimento de revascularização miocárdica as seguintes características: angina, CRVM prévia, solicitação de CRVM, avaliação funcional isquêmica e lesão grave em artéria descendente anterior (DA). Conclusão: embora o Ambulatório de Referência em Alta Complexidade em Cardiologia exista desde 2003, cerca de um quarto dos procedimentos de revascularização miocárdica solicitados não foi considerado apropriado pelos médicos-auditores do ambulatório e quase a metade deles não preencheu critérios de indicação na avaliação independente do consenso de especialistas. Na avaliação deste consenso a solicitação de CRVM e caracterísiticas clínicas como angina, avaliação isquêmica e grave lesão em DA, além de história prévia de CRVM foram consideradas preditoras de uma indicação classificada como apropriada.
2019-08-11T18:34:02Z
Flavia Carvalho Alvarenga
Avaliação da função ventricular pela técnica do strain bidimensional, em indivíduos chagásicos sem cardiopatia aparente
A doença de Chagas constitui importante causa de insuficiência cardíaca no Brasil, com forte impacto socioeconômico. Apesar do atual controle de sua transmissão, representa um grave problema de saúde pública, devido ao contingente de infectados com potencial para desenvolvimento de formas graves. A detecção precoce de alterações da contratilidade permite identificar subgrupos de pacientes com risco de progressão da cardiopatia. Recentemente, novas técnicas ecocardiográficas, incluindo o strain bidimensional, permitem quantificar a contratilidade ventricular de forma mais acurada e reprodutível. O objetivo deste estudo foi avaliar a função ventricular em pacientes chagásicos sem cardiopatia aparente, pela técnica do strain bidimensional. Trata-se de estudo observacional, transversal, realizado entre agosto de 2009 e dezembro de 2010, sendo selecionados 78 indivíduos com sorologia positiva para T. cruzi, assintomáticos e sem cardiopatia aparente e 38 indivíduos saudáveis, com idade e sexo semelhante aos casos. Todos realizaram o eletrocardiograma de 12 derivações, analisado conforme critérios padronizados para doença de Chagas. Realizou-se ecocardiograma convencional para realização de medidas e avaliação da função ventricular, conforme critérios estabelecidos. Posteriormente, as imagens foram arquivadas no software Echopac para obtenção das medidas do Doppler tecidual e do strain bidimensional radial, longitudinal e circunferencial. Os exames foram realizados por um examinador, que desconhecia o resultado da sorologia para T. cruzi. Foram sorteados aleatoriamente 10 indivíduos da amostra para se aferir a variabilidade intra e interobservador. Os pacientes apresentavam idade de 45 ± 9 anos, 36 homens (46%), semelhante aos controles. A pressão arterial sistólica foi mais alta nos controles, embora com níveis pressóricos dentro dos limites da normalidade. Alterações discretas da repolarização ventricular foram observadas ao eletrocardiograma em 16 indivíduos (14%), sem diferença entre os casos e controles. Todos os parâmetros ecocardiográficos convencionais que avaliam os diâmetros, a função sistólica e a função diastólica do ventrículo esquerdo foram semelhantes entre os casos e controles. Sete indivíduos chagásicos (9%) apresentaram déficit de contratilidade ao ecocardiograma bidimensional. O diâmetro e o tempo de ativação sistólica do ventrículo direito foram maiores nos casos, porém com contratilidade normal. As medidas do strain foram menores em vários segmentos do ventrículo esquerdo nos pacientes chagásicos em relação aos controles. O strain radial dos segmentos basais das paredes anterior, inferior, posterior e septal foi diferente entre os grupos. O strain longitudinal do segmento basal da parede inferior e septal e do segmento apical da parede posterior foi menor nos casos. Em relação ao strain circunferencial, apenas o segmento basal da parede anterior encontrou-se reduzido nos pacientes chagásicos em relação aos controles. Nos pacientes com alteração segmentar da contratilidade, o strain global longitudinal foi menor comparando-se aos indivíduos com contratilidade normal (p=0,018). Os índices de função sistólica correlacionaram-se com o strain global. Não houve diferença do strain bidimensional ventricular direito entre os grupos estudados. Observou-se grande variabilidade intra e interobservador das medidas do strain circunferencial. O presente estudo demonstrou, pela primeira vez, que a técnica do strain bidimensional, utilizando suas três modalidades (radial, longitudinal e circunferencial), foi capaz de detectar alterações da contratilidade segmentar em indivíduos chagásicos, sem cardiopatia aparente.
2019-08-11T05:43:32Z
Daniel Furtado Vidigal
Avaliação transversal dos níveis de ferritina sérica no segundo e terceiro trimestres gestacionais em portadoras de pré-eclâmpsia e diabetes mellitus gestacional
O ferro como potente pró-oxidante é responsável pela indução de estresse oxidativo, com consequente lesão endotelial, sendo um dos participantes na fisiopatologia da pré-eclâmpsia. O acúmulo do ferro em células beta-pancreáticas também pode ser responsável pela lesão dessas células, gerando resistência à insulina e, consequentemente, o diabetes gestacional. Este estudo tem como objetivo identificar, no segundo e terceiro trimestres gestacionais, a concentração média de ferritina em um grupo de gestantes saudáveis, comparativamente a dois grupos de gestantes portadoras de diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. Trata-se de desenho transversal, de modo que foi coletada de forma isolada a ferritina em três grupos: portadoras de pré-eclâmpsia, portadoras de diabetes gestacional e grupo-controle. A média e os desvios-padrão das ferritinas foram realizados inicialmente por análise de variância (ANOVA) e a comparação entre os grupos foi feita pelo teste t de Student e posteriormente foram aplicados testes não paramétricos. Os resultados revelaram médias da ferritina no grupo-controle de 22 ng/mL, no grupo das pacientes portadoras de diabetes gestacional de 27 ng/mL e no grupo das portadoras de pré-eclâmpsia de 33 ng/mL. Na comparação entre os grupos observou-se que o valor de p não foi estatisticamente significativo nos grupos. Concluiu-se que este desenho de pesquisa não foi capaz de evidenciar a significância do valor da ferritina isolada. Para isso, sugere-se a realização de novos estudos com metodologias diferentes e com o mesmo propósito.
Avaliação da qualidade de vida de pessoas com esquistossomose hepatoesplênica e mielorradiculopatia esquistossomótica
A esquistossomose mansoni é uma doença parasitária debilitante de grande prevalência nas regiões tropicais e subtropicais do mundo. É considerada um grave problema de saúde pública, devido sua alta taxa de morbidade. A literatura é escassa em identificar, mapear e quantificar de forma sistematizada o impacto desta doença na vida das pessoas infectadas. Este estudo tem por objetivo avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde de indivíduos com esquistossomose mansoni hepatoesplênica e com mielorradiculopatia esquistossomótica, sua associação com as principais manifestações da doença e a existência ou não de prejuízo funcional para os indivíduos acometidos. Os voluntários foram entrevistados no Centro de Treinamento e Referência em Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas/UFMG (CRT/Orestes Diniz), no período de julho a outubro de 2014. Nos entrevistamos 97 pessoas: 40 com esquistossomose hepatoesplênica, 22 com mielorradiculopatia esquistossomótica e 26 sem esquistossomose (grupo controle). Para avaliar a qualidade de vida e o desempenho funcional dos participantes responderam aos questionários padronizados, WHOQOL-bref e o Perfil de Atividade Humana, respectivamente. Os dados foram organizados em banco de dados e procedeu-se à análise estatística no software Statistical Package for Social Sciences 20.0 (SPSS, IBM Company, Chicago, IL). Os pacientes com esquistossomose hepatoesplênica e mielorradiculopatia esquistossomótica tiveram os menores escores de qualidade de vida quando comparados ao controle. A análise por domínios do WHOQOL-bref, não demonstrou diferença estatisticamente significativa, assim como a avaliação do desempenho funcional, realizada através do Perfil de Atividade Humana. Conclui-se que a qualidade de vida de pessoas infectadas pela esquistossomose mansoni é pior do que a qualidade de vida das pessoas que não têm a doença. No presente estudo fatores relacionados a morbidade não alteraram a qualidade de vida dos infectados, assim como sua capacidade funcional.
Estudo da correlação entre o índice ponderal e a concentração de leptina materna e fetal em gestantes diabéticas e não diabéticas
OBJETIVOS: verificar a existência de correlação entre o índice ponderal neonatal e a concentração de leptina materna e fetal em gestantes diabéticas e não diabéticas; verificar se no grupo de pacientes diabéticas, o uso de insulina interfere na correlação entre o índice ponderal neonatal e a concentração de leptina materna e fetal. PACIENTES E MÉTODOS: no período de março de 2001 a fevereiro de 2003, realizou-se estudo transversal em que 62 gestações foram avaliadas, sendo 30 pacientes saudáveis (grupo controle) e 32 diabéticas (grupo estudo); este foi posteriormente dividido entre usuárias (17 pacientes) e não usuárias de insulina (15 pacientes). No momento do parto, foram coletadas amostras de sangue materno e do cordão umbilical para posterior determinação da concentração sérica de leptina materna, fetal arterial e fetal venosa, através de radioimunoensaio convencional (RIA). Foi calculada a diferença entre as dosagens séricas de leptina obtidas no sangue de cordão (art-ven). O índice ponderal (IP) foi obtido dividindo-se o peso do recém-nascido (em gramas) pela estatura (em cm) ao cubo e multiplicado por 100. Utilizou-se a correlação de Pearson para a avaliação da existência de correlação entre a concentração de leptina e o índice ponderal. Todos os resultados foram considerados significativos para uma probabilidade de significância inferior a 5% (p < 0,05), apresentando, portanto, pelo menos 95% de confiança nas conclusões apresentadas. RESULTADOS: Foi constatada correlação significativa positiva entre IP e concentração de leptina no sangue de cordão, tanto arterial (p=0,048) quanto venoso (p=0,020) no grupo estudo. Observou-se ainda tendência a correlação positiva entre IP e concentração de leptina materna neste grupo (p=0,07). Quando avaliados os subgrupos diabéticas usuárias ou não de insulina, a correlação entre o IP e a concentração de leptina de sangue de cordão não se manteve, apresentando apenas tendência a esta correlação entre as usuárias de insulina (arterial p=0,077 e venosa p=0,078). Neste mesmo grupo foi constatada correlação significativa positiva entre a dosagem de leptina materna e IP (p=0,008). CONCLUSÕES: Há correlação positiva entre o IP neonatal e concentração de leptina materna em gestantes diabéticas usuárias de insulina; há correlação positiva entre o índice ponderal neonatal e a concentração de leptina fetal, arterial e venosa, em gestantes diabéticas e a necessidade do uso de insulina pode ter interferido nesta correlação.
2019-08-12T16:31:12Z
Sivana Santos Assreuy Diniz
Perda auditiva em crianças com fissuras palatinas
As fissuras labiopalatinas (FLP) ou fissuras palatinas (FP) são malformações congênitas, nas quais as duas metades laterais do palato não se fundem adequadamente, ocorrendo durante o desenvolvimento embrionário entre a quarta e a 12ª semana de gestação. Entre as malformações que atingem a face do ser humano, as FLPs são comuns e ocorrem com prevalência média entre um e dois indivíduos para cada 1.000 nascimentos. No Brasil, essa incidência oscila em torno de 1:650, o que se aproxima dos dados epidemiológicos em populações brancas de europeus e americanos que variam, respectivamente, entre 1:500 e 1:768 nascimentos.
2019-08-13T21:53:57Z
Marcia Helena Miranda de Freitas Oliveira
Perfil nutricional e metabolismo de repouso de crianças e adolescentes com distrofia muscular de Duchenne
A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é uma doença progressiva, ligada ao cromossomo X, causada por mutações no gene da distrofina, que levam à ausência de expressão desta proteína nos músculos, culminando em fraqueza muscular progressiva. O tratamento com corticosteróides é aceito como padrão de cuidado em pacientes que deambulam, porém, efeitos colaterais como ganho ponderal necessitam de atenção contínua. Meninos com DMD têm risco de desenvolver distúrbios nutricionais que podem interferir com a progressão da doença. Este estudo foi realizado com o objetivo de traçar o perfil nutricional e avaliar o metabolismo de repouso de crianças e adolescentes com DMD em acompanhamento no ambulatório de doenças neuromusculares do HC/UFMG. Realizou-se um estudo transversal com 35 meninos com idade entre 5 e 17 anos. Analisou-se a estatura, classificou-se o estado nutricional segundo índice de massa corporal (IMC) pelas curvas da OMS e curvas específicas para DMD, além de curva de peso ideal (PI) para DMD. A composição corporal foi avaliada por pregas cutâneas e área muscular do braço. Aferiu-se a taxa de metabolismo de repouso (TMR) por calorimetria indireta e comparou-se com fórmulas de estimativa de gasto energético (GE). Avaliou-se também a ingestão calórica e investigou-se o perfil lipídico, glicemia e níveis séricos de 25-hidroxivitamina D (Vit. D). Pelas curvas da OMS, foram classificados como baixo peso (BP) 19,3% dos pacientes e 38,7% como excesso de peso (EP). Nas curvas específicas para DMD, a classificação do IMC foi diferente da OMS em 26,7% dos meninos. Pelas curvas de PI para a doença, 9,7% das crianças apresentavam BP e 71% EP. Observou-se baixa estatura em 20% dos indivíduos. Depleção de massa muscular foi identificada em 63,7% dos meninos e 72,7% apresentavam excesso de gordura corporal. A TMR média foi 982,65 ± 247,23 Kcal, significativamente inferior aos valores de GE estimados. A ingestão calórica média era de 1292,20 ± 245,76 Kcal, significativamente superior à TMR. A relação TMR/peso era inferior nos meninos que não deambulavam. Os pacientes apresentavam valores de glicemia, colesterol e LDL em níveis aceitáveis, triglicérides e HDL na faixa limítrofe e níveis séricos de Vit. D deficientes. Concluiuse que os pacientes com DMD apresentam distúrbios nutricionais, sendo mais frequente o excesso de peso (sobrepeso e obesidade). Entre os fatores que podem estar relacionados a este achado, citam-se a baixa TMR, pouca atividade física e ingestão calórica superior à TMR. A aferição da TMR nas diferentes fases da DMD permite melhor adequação da recomendação calórica, contribuindo para um controle nutricional individualizado, evitando distúrbios nutricionais. A utilização de curvas específicas para a doença também pode ser um fator relevante no acompanhamento destas crianças.
Ampliando os limites do Estado: conflito e cooperação entre agentes estatais e da sociedade civil na luta por inclusão das mulheres jovens na agenda governamental
A luta por inclusão das mulheres jovens no Brasil é analisada no contexto dos processos nacionais de institucionalização das políticas para as mulheres e das políticas públicas de juventude, por meio de um sistema de participação e deliberação que articula as conferências nacionais de políticas para as mulheres e de juventude, organizações sociais e órgãos governamentais. Com base em percepções de gestoras e participantes da sociedade civil sobre a construção de uma agenda de políticas para as mulheres jovens no Governo Federal, a dissertação questiona as possibilidades de ampliação dos limites inclusivos do Estado em função de dinâmicas de conflito e cooperação entre agentes estatais e da sociedade civil.
2019-08-10T01:07:49Z
Aurea Carolina de Freitas e Silva
Avaliação das condições de oxirredução em sistema alagado construído de escoamento horizontal subsuperficial
A presente pesquisa teve como objetivo monitorar e avaliar as condições ambientais (potencial redox, oxigênio dissolvido, pH, temperatura e radiação solar) em dois Sistemas Alagados Construídos (SAC), um plantado com Typha latifolia e um não plantado, ambos de escoamento horizontal subsuperficial. O SAC atuou como pós-tratamento do efluente de um reator tipo UASB recebendo esgotos sanitários. O equivalente populacional aproximado de cada unidade é de 50 habitantes. Ambas operam há aproximadamente sete anos com uma vazão de 7,5 m3/d. O leito das duas unidades encontra-se em avançado estado de colmatação. Cada SAC apresenta 25 metros de comprimento por 3 m de largura e uma altura do leito de 0,4 m, empregando escória de alto forno como meio suporte. O monitoramento das condições ambientais foi realizado em dois pontos ao longo do comprimento (região de central e região de saída do leito), da unidade plantada e não plantada, e em seis Reatores de Leito Fixo (RLF), que objetivaram avaliar a influência da vegetação e diferenças das condições ambientais ao longo do comprimento de cada leito. Além da comparação ao longo do comprimento, foram investigadas as condições ambientais em RLF plantado com Typha latifolia, plantado com Canna x genaralis e não plantado. Os resultados indicam predominância de condições redutoras no SAC. A presença da vegetação aumentou os valores de potencial redox e reduziu os valores de pH, mantendo-os próximos à neutralidade. Em geral, os valores de potencial redox, oxigênio dissolvido e pH foram mais elevados na região de saída do SAC plantado e não plantado do que na região central.
2019-08-09T15:02:35Z
Gabriel Rodrigues Vasconsellos
Avaliação do reagente de Fenton e Foto-Fenton na remoção de matéria orgânica e toxicidade em um efluente hospitalar
O efluente hospitalar origina-se nas mais diversas atividades presentes em um hospital tais como: cozinha, sistema de lavanderia, sistemas de aquecimento e resfriamento, laboratórios, departamentos de radiologia, ambulatoriais, centros de transfusão e enfermarias. Portanto, é um efluente variável tanto do ponto de vista de caracterização físico-químicas quanto de vazão. Os principais contaminantes presentes são: substâncias químicas persistentes e uma mistura complexa de matéria orgânica, detergente, surfactante, antissépticos, solvente e fármacos. Também possui em sua composição bactérias que podem interferir no ecossistema natural, modificando o arranjo das comunidades bacterianas. No Brasil há uma tendência em classificar esse como um efluente doméstico, resultando em um tratamento conjunto. Entretanto, o efluente hospitalar possui uma toxicidade elevada, de 5 a 15 vezes superior ao esgoto doméstico e por isso, o tratamento biológico convencional deixa de ser um método atrativo. Novas tecnologias vem sendo investigadas objetivando a remoção adicional de poluentes, antes do lançamento no corpo receptor. Nesse contexto destaca-se os Processos Oxidativos Avançados. O presente trabalho objetiva a avaliação do reagente de Fenton e Foto- Fenton na remoção de carga orgânica e toxicidade do efluente do Hospital das Clínicas (Belo Horizonte, Minas gerais, Brasil). O efluente estudado apresenta uma elevada carga orgânica e uma alta concentração de sólidos suspensos. É possível perceber também uma variação na caracterização físico-química e na vazão do mesmo. Foram investigados os dados secundários de caracterização do efluente hospitalar, período de outubro de 2013 a abril de 2014, e após essa etapa partiu-se para a aquisição de dados primários. Foram realizadas 5 campanhas de amostragem, essa foi composta totalizando 7 horas de coleta. Dois pontos de coleta foram investigado: Ponto 1, que referente a amostra 1, que contempla as águas residuárias geradas no Centro de Material esterilizado e lavanderia e Ponto 2, referente ao efluente gerado na Ala Norte, Sul, Leste e Oeste do hospital. Após essa etapa optou-se pela junção das amostras 1e 2, gerando dessa forma a amostra 3, efluente que passou pelas etapas de planejamento de experimentos e tratamento. Segundo o planejamento de experimentos, feito pelo software Minitab, a melhor dosagem de H2O2 e Fe2+ foi de respectivamente 1000 mg/L e 500 mg/L. Partiu-se então para o tratamento do efluente via Fenton e Foto-Fenton. O reagente de Fenton foi capaz de remover 85% da DQO e 55% de COT e o Foto-Fenton 90,7 % de DQO e 77,9% de COT. Afim de investigar a qualidade do efluente as amostras 1, 2 e 3 passaram pelo teste de toxicidade aguda com a bactéria marinha Alivibrio Fischeri. Observou-se que as amostras 1 e 3 foram dadas como não tóxica e a 2 apresentou toxicidade. O efluente tratado via Fenton, apesar de não acusar toxicidade, detectou-se hormesis e no efluente pós Foto-Fenton foi detectado toxicidade. Dessa forma, os tratamentos se mostraram eficientes na remoção de carga orgânica entretanto, destaca-se a necessidade do acompanhamento da toxicidade crônica afim de avaliar o real impacto poluidor do efluente.
Riqueza e distribuição de insetos galhadores em arbustos de campos altitudinais da Serra da Mantiqueira
A riqueza de Insetos galhadores é alta no sudeste do Brasil. Todavia, existem ainda inúmeras áreas a serem estudadas. O objetivo deste estudo foi descrever a riqueza de insetos galhadores e suas plantas hospedeiras na Serra da Mantiqueira - Brasil. As amostragens foram realizadas em campos rupestres e altitudinais de três regiões da Serra da Mantiqueira 1) campos de altitude do Parque Estadual do Brigadeiro, município de Araponga - MG e 2) Parque Nacional do Caparaó, município Alto Caparão-MG e em campos rupestres do 3) Parque Estadual do Ibitipoca, município de Conceição do Ibitipoca-MG. Foram registradas 83 espécies de insetos galhadores em 15 famílias, 27 gêneros e 42 espécies de plantas hospedeiras. A riqueza de insetos galhadores para a região do Parque Estadual do Ibitipoca foi 31, para o Parque Estadual do Brigadeiro foi 39 e para o Parque Nacional do Caparaó foi 15. As famílias que concentraram maior riqueza de insetos galhadores foram Asteraceae com 50,6% e Melastomataceae com 19,2%. A família Cecydomiidae (Diptera) foi a mais frequente representando 82% do total de insetos amostrados. O órgão mais atacado foi o caule (48 %) seguido de folha (37 %). Apenas 12% das galhas descritas neste estudo foram relatadas em trabalhos anteriores, reforçando a necessidade em aumentar o esforço amostral na direção de um maior conhecimento sobre a riqueza e história natural dos insetos galhadores no Brasil.