RCAAP Repository

Coartação de aorta em crianças até um ano: análise de 20 anos de experiência

OBJETIVO: Revisão da experiência com diversas técnicas de correção empregadas, nos últimos 20 anos, em crianças menores de um ano de idade. MÉTODOS: No período de 1978 a 1998, foram operados 148 pacientes (pc) consecutivos com coartação de aorta (CoAo) com até um ano de idade, com ou sem defeitos intracardíacos associados. A idade apresentou mediana de 50 dias, 92 pc do sexo feminino (62,1%). O peso foi de 4.367±1.897 gramas. O seguimento foi em média de 1.152±1.462 dias. A população foi dividida em 3 grupos: Grupo I, CoAo isolada: 74 pc (50%); Grupo II, CoAo e comunicação interventricular (CIV): 41 pacientes (27,7%) e Grupo III, CoAo com malformações complexas: 33 pc (22,3%). RESULTADOS: Mortalidade total foi 43 pc (29%): com menos de 30 dias, foi 53%, p=0,009, OR=4,5, entre 31 e 90 dias, foi 14,7%, p=0,69, e acima de 91 dias, 15%, p=0,004. A probabilidade de sobrevida atuarial de toda a população foi de 67% aos 5 e 10 anos. Trinta e seis pacientes (24,3%) recoartaram, dos quais 18 pacientes (50%) tinham menos de 30 dias, OR=6,35. A incidência de recoartação foi com a técnica de Waldhausen em 4 pacientes (10%) e com a término-terminal clássica em 19 pacientes (26%) p=0.03, e a istmoplastia em 6 pacientes (37,5%). A probabilidade de sobrevida atuarial livre de recoartação aos 5 e 10 anos foi de 69% com a técnica de Waldhausen e 63% com a técnica término-terminal clássica. CONCLUSÃO: Pacientes com menos de 30 dias apresentaram risco aumentado de mortalidade e recoartação. A técnica de Waldhausen em pacientes com mais de 30 dias mostrou-se efetiva. A técnica término-terminal clássica mostrou não ser uma boa opção em todas as faixas etárias, sendo imperativo executar variantes técnicas como término-terminal estendida.

Year

2005

Creators

Lorier,Gabriel Wender,Orlando Kalil,Renato A.K. Gonzalez,Javier Hoppen,Gustavo Barcellos,Christiano Homsi-Neto,Abud Prates,Paulo R. Sant'Anna,João R.M. Nesralla,Ivo A.

Perfil lipídico e fatores de risco para doenças cardiovasculares em estudantes de medicina

OBJETIVO: Analisar o perfil lipídico e sua correlação com fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) em estudantes de medicina. MÉTODOS: Foram avaliados 153 estudantes, independente do sexo, com idade entre 18 e 31 anos, submetidos à análise do perfil lipídico, incluindo níveis séricos de colesterol total (CT), fração de colesterol das lipoproteínas de baixa (LDLc), alta (HDLc) e muito baixa densidade (VLDLc) e triglicérides (TG), além de hábitos de vida e dados antropométricos. Aplicou-se análise estatística, incluindo teste de Mann Whitney, qui-quadrado, correlação de Pearson e análise multivariada, admitindo-se nível de significância para valor p<0,05. RESULTADOS: Destacaram-se sedentarismo (43,1%) e antecedentes familiais para DCV, particularmente hipertensão arterial (74,5%). O perfil lipídico mostrou-se desejável, embora níveis alterados de CT, LDLc e TG foram detectados em 11,8%, 9,8% e 8,5% dos estudantes, respectivamente, e níveis reduzidos de HDLc em 12,4% deles. As mulheres apresentaram valores significativamente reduzidos para LDLc e elevados para HDLc comparado aos homens (p=0,031 e p<0,0001, respectivamente). Houve associação significante entre perfil lipídico e, preferencialmente, índice de massa corpórea (IMC), sedentarismo, ingesta de álcool, uso de anticoncepcional, antecedentes familiais de acidente vascular cerebral e dislipidemia. CONCLUSÃO: Antecedentes familiais para DCV, sedentarismo e uso de anticoncepcional entre os estudantes de medicina mostram-se freqüentes e associados ao perfil lipídico, assim como ingesta de álcool e IMC. Embora com perfil lipídico desejável, independente do sexo, níveis mais elevados de LDLc e reduzidos de HDLc no sexo masculino conferem aos homens desvantagem comparado às mulheres.

Year

2005

Creators

Coelho,Vanessa Gregorin Caetano,Loeni Fátima Liberatore Júnior,Raphael Del Roio Cordeiro,José Antônio Souza,Dorotéia Rossi Silva

Endocardite infecciosa causada por Eikenella corrodens

Os microorganismos do grupo HACEK (Haemophilus spp, Actinobacillus actinomycetemcomitans, Cardiobacterium hominis, Eikenella corrodens e Kingella kingae) são responsáveis por 3% dos casos de endocardites. Eles apresentam propriedades clínicas e microbiológicas semelhantes entre si: são bacilos gram-negativos, isolados mais facilmente em meios aeróbicos, suas culturas necessitam de tempo prolongado de incubação para crescimento (média 3,3 dias) e podem ser considerados como parte da flora normal do trato respiratório superior e da orofaringe1,2. Algumas características foram identificadas nas endocardites por esses agentes, como o quadro clínico insidioso¹, diagnóstico difícil pela natureza fastidiosa e culturas negativas3,4. A endocardite por Eikenella corrodens foi descrita pela primeira vez em 1972(5) e continua sendo um agente etiológico raro. Relatamos o caso de uma paciente com valva nativa que apresentou endocardite infecciosa causada por Eikenella corrodens.

Year

2005

Creators

Cardoso,Juliano Novaes Ochiai,Marcelo Eidi Oliveira Jr.,Múcio T. Morgado,Paulo Munhoz,Robinson Andretto,Fernanda E. Mansur,Alfredo José Barretto,Antonio Carlos Pereira

Estudo comparativo entre válvulas biológicas e válvulas mecânicas nas posições mitral ou aórtica até 14 anos

Foram estudados 1222 pacientes, submetidos a troca valvar simples, sendo 652 mitráis (Mi) e 570 aórticas (Ao). Os pacientes foram classificados por sexo, idade e etiologia. No grupo Mi. receberam 126 próteses mecânicas, como segue: 49 Björk-Shiley (B-S); 71 Lillehei-Kaster (L-K); 6 Hall-Kaster (H-K) e 526 próteses de pericárdio bovino IMC (PBIMC). O seguimento pós-operatório foi de 95% a 100%. A mortalidade hospitalar foi de 21 % para a L-K e 9,5% para a PBIMC. A incidência de trombose e tromboembolismos em eventos por 100% pacientes-ano foi de 7,7; 5,6; 6,7 e 1,0 para: B-S, L-K, H-K e PBIMC, respectivamente. A incidência de calcificação e roturas foi de 1,8 por 100 pacientes-ano para a PBIMC, e náo ocorreu nas próteses mecânicas. Somente os pacientes com próteses mecânicas foram anticoagulados. O grupo Ao totalizou 336 próteses mecânicas (92 B-S, 111 L-K, 133 H-K) e 234 PBIMC. O seguimento pós-operatório foi de 97% a 100%. A mortalidade hospitalar foi de 5,5% para o grupo das mecânicas e 2,6% para o das biológicas. A incidência de trombose e tromboembolismo em eventos por 100 pacientes-ano foi de 3,0 para B-S, 2-3 para L-K, 2,5 para H-K e 0,3 para PBIMC. Calcificação, roturas e falhas mecânicas foram de 0,54 eventos por 100 pacientes-ano para PBIMC e de 0,38 eventos por 100 pacientes-ano para H-K. No grupo mecânico, os pacientes receberam aspirina e dipiridamol e 30% receberam anticoagulante oral. Os autores concluíram que a sobrevida, de um modo geral, não está relacionada ao tipo de prótese empregada. A incidência de trombose e tromboembolismo é mais elevada com válvulas mecânicas, e a taxa de complicações é mais baixa com válvulas biológicas. A anticoagulação oral é obrigatória para as próteses mecânicas na posição Mi, mas não é essencial na posição Ao. As biopróteses não necessitam de anticoagulantes. Por estes motivos, os autores empregam, de rotina, próteses mecânicas para a posição Ao, a menos que existam contra-indicações, e biopróteses para a posição Mi.

Year

1988

Creators

Braile,Domingo M Ardito,Roberto V Zaiantchick,Marcos Santos,José L. Verde Campos,Nelson L. K. L Jacob,José Luiz B Souza,Dorotéia R. S Rade,Walter Martins,Maria Inês Lorga,Adalberto M

Estudo multicêntrico dos resultados das trocas valvares com o uso da bioprótese Biocor no Estado de Minas Gerais

No período de março de 1981 a março de 1988, foram implantadas 2324 biopróteses, em 2016 pacientes, em 5 Centros do Estado de Minas Gerais. Este estudo inclui somente a análise dos pacientes submetidos a troca valvar aórtica (n = 603) e mitral ( n = 1110), isoladamente. Neste grupo (n = 1713), a mortalidade hospitalar foi de 104 pacientes (6,1%). Dos 1609 pacientes que receberam alta do hospital, conseguimos o seguimento de 1101 pacientes (64,3). Esta análise corresponde a um período de 1 a 84 meses, com média de 48 meses e com um seguimento cumulativo de: aórticas (n= 385) = 1230 pacientes/ano; mitrais (n = 716) = 3018 pacientes/ano. Foram registradas 102 complicações tardias em 716 pacientes mitrais (14,24%) e 51 complicações no grupo aórtico (13,2%). Com relação à faixa etária, encontramos 220 pacientes menores de 20 anos (mitrais = 176/aórticos = 44) e, neste subgrupo, as disfunções valvares incidiram em 43% dos pacientes mitrais e em 29% dos pacientes aórticos. A endocardite protética foi mais encontrada nos aórticos (45%) do que nos mitrais (29,7%). Dos 1101 pacientes, 62 foram reoperados, com mortalidade hospitalar de 12,6%. A reoperação por disfunção valvar foi mais freqüente no grupo mitral com idade inferior a 20 anos. A curva atuarial livre de mortalidade relacionada à bioprótese foi de 97,1% (32/1101 pacientes). No grupo aórtico, 96,9% estiveram livres de disfunção valvar ao final de 7 anos, enquanto que, no grupo mitral, este índice foi de 95,2%. Nos pacientes menores de 20 anos do grupo mitral, encontramos o maior índice de falência valvar (85,3% livre após 7 anos). Ao final deste estudo, a maior parte destes pacientes encontrava-se em classe funcional I e II. Embora a incidência de reoperação seja expressiva, esta é aceitável, tendo em vista que as biopróteses oferecem uma alternativa mais segura do que as próteses mecânicas, durante este mesmo período do seguimento. A análise destes resultados sugere a continuação de pesquisas que tornem possível a fabricação de um substituto valvar ideal. Todavia, estes resultados comparam-se, de modo favorável, a resultados com biopróteses semelhantes da literatura mundial.

Year

1988

Creators

Vrandecic,Mário Osvaldo Gontijo Filho,Bayard Silva,João Alfredo Paula e Fantini,Fernando Antônio Barbosa,Juscelino Teixeira São José,Márcio C Pinto,Carlos Álvaro dos Santos Vieira,Gilberto Lino Oliveira,Homero Geraldo Rabelo,Renato R Rabello,Sebastião Correa Brick,Alexandre V Peredo,Eduardo Pedrosa,Adelson A Azevedo Sobrinho,Antônio Luiz O Barbosa,Maurício Miotto,Heberth César Braga,Maria Aparecida Salum,Marco Antônio Braga,Júnia F Moreira,Guilherme H Moreira,Osvald Hely Oliveira,Carlos Alberto de Maciel,Flávio Justo

Estudo multicêntrico da bioprótese porcina Labcor

No período de 1984-1988, foram estudados 514 pacientes, 288 do sexo feminino e 226 do sexo masculino, com idade de 36,8 ± 16,5 anos, submetidos a cirurgia cardíaca valvar com implante de bioprótese porcina Labcor. As cirurgias realizadas foram, em 64%, relativas à valva mitral, 21,5% à aórtica e 2,1 % mitral-aórtica-tricúspide. No período pré-operatório, 1,6% apresentavam-se em classe funcional (NYHA) II, 63,7% classe III e 34,7% classe IV. Após a cirurgia, 77,2% apresentavam-se em classe I, 21,5% classe II, 0,3% classe III e 1,0% classe IV. O tamanho mais utilizado foi o de número 29 (33,3%), seguido do de número 27 (21,7%) e do de número 31 (15,2%); todos os demais apresentaram freqüências inferiores a 10%. Os débitos hospitalares foram da ordem de 7,6% e os tardios, de 3,2%, sendo a letalidade total igual a 10,1 %. O coeficiente de mortalidade foi de 6,3% pacientes/ano. Os sobreviventes foram acompanhados até 4 anos, ocorrendo 13 óbitos tardios, 34% relacionados à prótese. A incidência de complicações que levaram à reoperação para substituição da prótese foi de 17 (3,6%) casos, sendo 2 por endocardite, 1 por calcificação, 4 por vazamento paravalvular e os demais, por outras causas não relacionadas à prótese. Conclui-se que a bioprótese heteróloga Labcor apresentou, no período estudado, até 4 anos de acompanhamento, baixo índice de complicações diretamente relacionadas à válvula (5 de 475 pacientes que sobreviveram à cirurgia.

Year

1988

Creators

Lucchese,Fernando A Santana,João Ricardo Nesralla,Ivo A Salles,Cláudio A Figueiroa,Carlos S Lobo,Nílcio Cunha Sampaio,Dielson T Wanderley Neto,José Veras,Rita de Cássia Dourado,Gilvan Torres,Daniel De Biaze,Antônio Amaral,Josalmir Melo do Oliveira,Orlando Gomes de Chaves,Jefferson Mendonça,José Telles de

Seguimento de 8 anos de prótese aórtica Medtronic-Hall: influência da anticoagulação oral na ocorrência de embolias

Foram estudados 165 sobreviventes à prótese aórtica Medtronic-Hall, operados entre setembro de 1979 e setembro de 1987. As idades variaram entre 14 e 68 anos (m = 35,2); 129 eram masculinos, 36 femininos. As lesões operadas foram 70 insuficiências, 37 estenoses e 39 duplas lesões aórticas. Havia 8 disfunções de próteses, 8 endocardites agudas e 3 comunicações interventriculares + insuficiência aórtica. O seguimento foi de 163 (98,7%) pacientes, sendo 9 perdidos durante o período de observação. Houve 45 óbitos tardios, sendo de 59% EP 10,9% a probabilidade atuarial de sobrevida aos 8 anos. Houve 26 episódios embólicos em 21 pacientes, sendo de 69,8% EP 11,7% a probabilidade de não ocorrência de embolia e de 39,7% EP 10,4% de sobrevida sem embolia. A incidência global de episódios foi de 3,5 por pacientes/ano, sendo 6 fatais (23%). Quanto ao uso de anticoagulação oral, os pacientes dividiram-se em 3 grupos. No grupo A houve 144 pacientes, com uma incidência linearizada de 3,2 por 100 pacientes/ano. No grupo B - 21 pacientes que passaram a tomar anticoagulantes em seguida á operação, houve 1,9 episódios por 100 pacientes/ano. No grupo C - 9 pacientes que iniciaram a anticoagulação após a ocorrência de um episódio embólico, apresentaram 8,1 embolias por 100 pacientes/ano. Concluímos que não foi possível demonstrar a eficiência da anticoagulação oral, nas condições em que foi conduzida, na presente série, na prevenção das embolias. Após a ocorrência de um episódio embólico, sua instituição não foi suficiente para diminuir, significativamente, a recorrência desta complicação.

Year

1988

Creators

Costa,Iseu Affonso da Faraco,Djalma Luiz Sallum,Fábio Oliveira,Elson Pesarini,Aldo Costa,Francisco Diniz Affonso da

Tratamento cirúrgico da lesão do óstio da coronária esquerda

A lesão do óstio da coronária esquerda pode ser tratada cirurgicamente de duas maneiras: revascularização dos principais ramos arteriais da coronária esquerda (DA, diagonais, circunflexa), ou ampliando a área estenosada, portanto, realizando um ataque direto à lesão. O presente trabalho apresenta nossa experiência com 4 pacientes portadores de lesão do óstio da coronária esquerda e que foram tratados por ampliação da região lesada. Todos os pacientes eram do sexo masculino, com idades de 56, 59, 61 e 68 anos. Em 3 deles, havia presença de fatores de risco de doença coronária (hipertensão, diabetes, tabagismo) e, em 1, antecedente luético. Dois pacientes apresentavam quadro de angina instável, 1 apresentava angina estável e outro era assintomático, porém com teste ergométrico positivo. Do ponto de vista cinecoronariográfico, todos apresentavam lesão importante (> 70%) do óstio da coronária esquerda, sem lesões obstrutivas nas porções distais. A cirurgia foi conduzida com uso de circulação extracorpórea, hipotermia moderada e solução cardioplégica. Realizou-se aortotomia transversal direcionada posteriormente ao seio de Valsalva coronariano esquerdo, seccionando-se o óstio CE estenosado e prolongando-se até mais ou menos 1 cm pelo tronco da CE. A ampliação foi levada a efeito com segmento de veia safena em 3 casos e, em outro, retalho de pericárdio bovino tratado. O tempo de perfusão variou de 45 a 85 minutos (média de 64 minutos) e o tempo de clampeamento foi de 34 a 62 minutos (média de 45 minutos). Não ocorreram complicações dignas de nota no pós-operatório imediato, não havendo mortalidade hospitalar. Os pacientes evoluem em um período de 3 meses a 1 ano e 8 meses. Todos estão assintomáticos, com vida normal. Os autores concluem que a ampliação do óstio da CE é uma boa opção técnica a ser utilizada em lesões deste tipo, que não se acompanhem de obstruções distais nos demais ramos arteriais.

Year

1988

Creators

Souza,Luiz Carlos Bento de Chaccur,Paulo Dinkhuysen,Jarbas J Angrisani Neto,Savério Arnoni,Antoninho S Abdulmassih Neto,Camilo Barroso,Haroldo B Pavanello,Ricardo Piegas,Leopoldo S Paulista,Paulo P Sousa,J. Eduardo M. R Jatene,Adib D

Evolução hemodinâmica seqüencial no transplante cardíaco

O transplante cardíaco tem tido ampla aplicação no tratamento da cardiomiopatia em fase terminal. Grande interesse existe no estudo das alterações hemodinâmicas imediatas e na identificação dos fatores que determinam essas alterações. Quarenta e três pacientes transplantados foram estudados com esse objetivo. Os seguintes dados foram obtidos: índice cardíaco, as pressões nas câmaras cardíacas, capilar pulmonar, aorta, artéria pulmonar, volume sistólico, fração de ejeção do ventrículo esquerdo (VE), resistência vascular pulmonar e sistêmica, índice do trabalho sistólico do ventrículo esquerdo e direito (VD) e o tríplice produto. Esses valores foram comparados de acordo com os episódios de rejeição e com diferentes valores do gradiente transpulmonar. Verificou-se que no pós-operatório imediato há depressão da função dos ventrículos decorrente de uma série de fatores. O índice cardíaco se mantém em valore adequados através de vários mecanismos e adaptação dos ventrículos, que ocorre mais precocemente para o VE do que para o VD. Tardiamente as alterações hemodinâmicas dependem do aparecimento de hipertensão arterial sistêmica e da aterosclerose coronária. A presença e os valores mais elevados do gradiente transpulmonar não tiveram influência estatisticamente significativa nas condições hemodinâmicas dos pacientes.

Year

1988

Creators

Stolf,Noedir A. G Fiorelli,Alfredo I Bocchi,Edimar A Pascual,Jorge M Auler Júnior,José Otávio C Lemos,Pedro Carlos P Jatene,Fábio B Pomerantzeff,Pablo M Bellotti,Giovanni Pileggi,Fúlvio Jatene,Adib D

Transplantes cardiopulmonar e pulmonar com doador em localidade distante

Em situações específicas, os transplantes clínicos cardiopulmonar e pulmonar são, hoje, formas estabelecidas de tratamento para estágio final de doença cardiopulmonar e pulmonar. A obtenção de doadores adequados permanece o maior problema e a remoção de órgãos em localidades distantes é, hoje, uma necessidade. Embora muitos métodos de preservação pulmonar possam ser empregados, para períodos isquémicos de até 5 horas, a hipotermia e o uso de solução cardioplégica com infusão da solução de Collins modificada no tronco pulmonar tem sido método simples e eficiente para preservação do bloco coração-pulmão. Descrevemos, aqui, o método corrente que empregamos, com o qual os transplantes cardiopulmonar e pulmonar combinados foram sucedidos de excelente função cárdio-respiratória.

Year

1988

Creators

Fragomeni,Luis Sérgio Bonser,Robert S Kaye,Michael P Jamieson,Stuart W

Anatomia da valva atrioventricular esquerda: I. As cúspides

Os resultados de um estudo anatômico da valva atrioventricular esquerda, realizado em 30 corações aparentemente normais, conservados em formalina, são comparados aos dados da literatura, tendo por objetivo adequar a nomenclatura e os conceitos anatômicos clássicos aos atuais, baseados na ultra-sonografia e na prática cirúrgica corrente. O presente artigo tratará apenas das cúspides, sendo que os demais elementos anatômicos dessa valva atrioventricular esquerda fazem parte de uma "unidade aortoventricular", onde distinguimos a cúspide anterior, em continuidade com o trígono intervalvar e o anel aórtico, e um grupo de cúspides posteriores, em relação com a parede posterior do ventrículo esquerdo. A cúspide anterior está separada do grupo de cúspides posteriores, tanto no polo valvar superior como no inferior, por uma estrutura anatômica bem definida: a "lâmina juncional", superior e inferior, respectivamente. As cúspides do grupo posterior são designadas pela ordem numeral ordinal, a partir da lâmina juncional superior. Esta nomenclatura tem por objetivo destacar a cúspide como unidade funcional da valva e facilitar as referências ecocardiográficas e cirúrgicas, particularmente nos casos em que mais de 3 cúspides posteriores são encontradas.

Year

1988

Creators

Fortuna,Antônio B. Prado Barreto,Gilson Camargo,Armando Mâncio de

A cardioplegia oxigenada na proteção miocárdica durante a cirurgia cardíaca: estudo clínico e enzimático

A cardioplegia tem sido reconhecida como um fator muito importante na proteção oo miocárdio. Sabe-se que, mesmo a 15ºC, o coração consome oxigênio. Testes in vitro demonstraram que a cardioplegia cristalóide libera mais oxigênio que a sangüínea. Neste estudo, foram analisadas as variações hemodinâmicas, eletrocardiográficas e enzimáticas em 26 pacientes divididos em 2 grupos, nos quais a cardiplegia cristalóide de Gomes foi empregada. Grupo I: 12 pacientes (solução não oxigenada); Grupo II: 14 pacientes (solução oxigenada). A avaliação dos pacientes incluiu a recuperação hemodinâmica após a parada cardíaca, o uso de drogas vasoativas, o ritmo e o aspecto do eletrocardiograma (ECG), a freqüência cardíaca (FC), a pressão arterial média (PAM), a pressão venosa central (PVC) e as enzimas TGO e CPK-MB. Estes parâmetros foram medidos nos seguintes tempos: antes, logo após a cirurgia e após 6, 12, 24, 48 e 72 horas de pós-operatório. Os resultados demonstraram que a recuperação hemodinâmica foi similar em ambos os grupos. O uso de drogas vasoativas foi maior no Grupo II. No ECG, observou-se mais bradicardia e fibrilação ventricular no Grupo II do que no Grupo I. A freqüência cardíaca, a pressão arterial média e a pressão venosa central não mostraram diferença significativa em ambos os grupos. As enzimas TGD e CPK-MB mostraram elevação mais acentuada no Grupo I do que no II e essa diferença foi significativa (P < 0,01). Em conclusão, os dados sugerem que houve comportamento semelhante em ambas as soluções, quanto à recuperação hemodinâmica e a parâmetros vitais. Observou-se uma incidência maior de bradicardia no Grupo II, provavelmente relacionada à maior duração da parada cardíaca, com maior número de infusões de solução cardioplégica. A variação das enzimas sugere que a solução oxigenada foi mais efetiva do que a não oxigenada, para a preservação do miocárdio.

Year

1988

Creators

Costa,Potiguara S. da Pereira,Sérgio Nunes Moraes,Luiz B Marques,Renato S Alvarez,Manoel A. P Daudt,Carlos A. S Deboni,Luciane M Raskoski,Cleonir Silva,Mauro F

Secção da aorta descendente por traumatismo fechado do tórax: tratamento cirúrgico com sucesso

É descrito caso de secção da aorta torácica descendente, após a emergência da arteria subclávia esquerda decorrente de trauma fechado do tórax. O diagnóstico precoce e o rápido tratamento cirúrgico foram fundamentais para a excelente evolução pós-operatória. O emprego de circulação extracorpórea átrio esquerdo-femoral para a interposição de tubo de Dacron restabelecendo o fluxo arterial, foi fundamental para a prevenção de paraplegia por lesão da medula espinhal já levemente isquémica.

Year

1988

Creators

Gregori Jr,Francisco Takeda,Roberto Moure,Osney Silva,Samuel S Isper,José Aquino,Walace K Ferreira,Thelma E Mocelin,Amilcar Sahão,Eduardo Goulart,Marcos P

Superinfecção e rotura de aneurisma da aorta abdominal por Salmonella dublin: relato de caso

Os autores relatam o caso de paciente de 66 anos, que apresentou superinfecção e rotura de aneurisma da aorta abdominal, após septicemia por Salmonella dublin. As infecções endovasculares associadas à rotura de aneurisma pré-existentes são um rico potencial nos pacientes com mais de 50 anos de idade, que apresentam bacteremia ou septicemia por Salmonella sp. A alta mortalidade da aortite por salmonelose é devida à septicemia grave ou à rotura desses aneurismas. Qualquer tecido orgânico pode ser a sede de infecções metastáticas, porém os locais mais susceptíveis são os tecidos necróticos e as lesões crônicas degenerativas. Os autores discutem a importância do diagnóstico precoce para reduzir a mortalidade dessa entidade.

Year

1988

Creators

Basile Filho,Anibal Jaeger,Albert Capone Neto,Antônio Mantovani,Mário

Técnica para correção de truncus arteriosus tipos I e II sem condutos extracardíacos

Uma nova técnica para correção cirúrgica do truncus arteriosus (TA) sem o uso de conduto extracardíaco foi realizada em 7 pacientes, senão 6 do tipo I, e do tipo II em 1 paciente; a idade variou de 2 a 9 meses. O tronco comum foi septado com retalho, dividindo-o em uma posição aórtica e outra pulmonar; a comunicação interventricular (CIV) foi fechada através de ventriculotomia; anastomose direta entre as artérias pulmonares e o ventrículo direito foi realizada, sendo a parede anterior construída com retalho de pericárdio bovino com válvula monocúspide. Houve apenas 1 óbito no pós-operatório. Nos 6 pacientes restantes, a relação entre as pressões sistólicas ventrículo direito/ventrículo esquerdo (VD/VE) foi menor que 0,51 em 5 pacientes; em 1 paciente, essa relação foi de 0,60, associada a CIV residual. Todos os pacientes encontram-se em classe funcional I (NYHA), em um período de 1 a 14 meses de pós-operatório. Baseados nestes resultados, propomos esta técnica para pacientes com TA tipo I ou II, no primeiro ano de vida.

Year

1989

Creators

Barbero-Marcial,Miguel Riso,Arlindo A Verginelli,Geraldo Pileggi,Fúlvio Jatene,Adib D

Manuseio do canal arterial patente no prematuro com síndrome de angústia respiratória: ligadura ou indometacina?

A presença de canal arterial patente (PCA) com grande shunt sistêmico -pulmonar no prematuro com síndrome de angústia respiratória (SAR) está quase sempre associada a insuficiência cardíaca, displasia broncopulmonar, enterocolite necrotizante, hemorragia intracraniana e morte. A ligadura do canal melhora a complacência pulmonar, reduz, significativamente, o tempo de assistência ventilatória e melhora 0 estado geral do paciente. Depois da introdução, nesta última década, da indometacina para a interrupção do PCA, no prematuro, vários estudos vêm procurando estabelecer as vantagens de uma forma de tratamento sobre a outra. O propósito do nosso estudo é comparar os resultados obtidos em 48 pacientes (pts.) (Grupo 1) submetidos a ligadura cirúrgica, nos últimos 8 anos, com 28 pts. (Grupo 2) nos quais a indometacina foi, preferentemente, utilizada. A idade gestacional média do Grupo 1 foi de 29,13 ± 2,33 semanas (24-34) e de 28,39 ± 2,30 semanas (25-32) no Grupo 2. O peso médio foi de 954,17 ± 220,68 g (540-1750 g) no Grupo 1 e de 923,21 ± 191,74 g (550-1400 g) no Grupo 2. Trinta e três (60,75%) dos pts. do Grupo 1 eram menores do que 1000 g (prematuros extremos), enquanto que 21 do Grupo 2 (75,0%) estavam nessa condição. Nove pacientes (32,1%) do Grupo 2 foram transferidos para o Grupo 1, devido ao insucesso da terapêutica com a indometacina, ou pela intolerância às doses indicadas. A ligadura foi realizada na própria unidade de terapia intensiva em 31 pts. (64,5%). A técnica empregada tem sido a de uma toracotomia póstero-lateral pequena, com preservação dos músculos do tórax e abertura pelo 3º ou 4º espaço intercostal. Por via extrapleural, o canal é alcançado e ligado com dois clips metálicos. Inicialmente, o tórax era rotineiramente drenado, apenas quando havia abertura da pleura. Mais recentemente, mesmo com a pleura aberta, somente são drenados os casos que apresentam pneumotórax prévio, ou então sangramento excessivo. A mortalidade no Grupo 1 foi de 18,75% (9 pts.) e, no Grupo 2, de 25,0% (7 pts.). Quatro pacientes do Grupo 2 transferidos para o Grupo 1 faleceram. As causas de óbito no Grupo 1 foram sépsis e hemorragia intracraniana; no Grupo 2, sépsis, enterocolite necrotizante com perfuração localizada, hemorragia intracraniana e penumotórax. Nos dois grupos, a mortalidade foi significantemente maior nos prematuros extremos. A despeito dos problemas de comparação entre os 2 grupos e das conclusões limitadas que podem ser retiradas de um estudo retrospectivo e não randomizado, acreditamos que os resultados da ligadura cirúrgica são nitidamente superiores aos obtidos com o uso da indometacina.

Year

1989

Creators

Meier,Milton A Jazbik,Waldir Coutinho,Joaquim H Jazbik,João Carlos Oliveira,José Aldrovando de Silva,José Caetano Barbosa,Rosa Célia Paupério,Helder Serra Jr,Astolfo

Perspectivas da cardiomioplastia no tratamento das cardiomiopatias

A utilização de enxertos musculares esqueléticos, estimulados síncronamente ao coração, para substituir ou envolver o miocárdio, tem sido apontada como uma nova alternativa no tratamento das cardiomiopatias terminais. No Instituto do Coração, 5 pacientes portadores de cardiomiopatia dilatada, com sintomas de insuficiência cardíaca congestiva, refratários à terapêutica medicamentosa, foram submetidos a cardiomioplastia, no período de maio a dezembro de 1988. Em 1 dos casos, a etiologia era chagásica e, nos demais, idiopática. A operação constou do envolvimento dos ventrículos direito e esquerdo pelo músculo grande dorsal esquerdo e do implante do sistema de estimulação muscular. Não houve óbitos, no período pós-operatório imediato e, em 1 dos casos, ocorreu perda da resposta contrátil do enxerto muscular, tendo o paciente falecido por insuficiência miocárdica, 2 meses após a operação. Os outros 4 pacientes foram seguidos por 4 a 9 meses, sendo constatada melhora do quadro clínico e do desempenho físico, associada a menor necessidade de medicamentos, em relação ao pré-operatório. A angiografia radioisotópica demonstrou aumento da fração de ejeção do ventrículo esquerdo, com estimulação do grande dorsal em 43 ± 3% e a avaliação hemodinâmica documentou elevação do trabalho sistólico daquela câmara, associada à queda da pressão capilar pulmonar, após a cardiomioplastia. Por outro lado, foi tam jém observada diminuição da capacidade vital em 15 ± 4%, não sendo identificada, contudo, qualquer limitação clínica decorrente desse fato. Em conclusão, a cardiomioplastia pode aumentar a contrátil idade das câmaras ventriculares em pacientes com cardiomiopatia dilatada, facilitando o controle do quadro congestivo. Este estudo sugere, ainda, que essa técnica pode ser realizada com baixa mortalidade imediata e que a morbidade do procedimento parece estar restrita à possibilidade de perda do enxerto e às alterações da função pulmonar decorrentes da presença do grande dorsal no interior do tórax.

Year

1989

Creators

Moreira,Luiz Felipe P Stolf,Noedir A. G Bocchi,Edimar A Auler Jr,José Otávio C Pêgo-Fernandes,Paulo M Moraes,Álvaro V Meneghetti,José Cláudio Barreto,Antônio Pereira Pileggi,Fúlvio Jatene,Adib D

O espectro da reoperação em cirurgia de coronária

O presente trabalho tem por finalidade analisar os resultados cirúrgicos obtidos nos primeiros 30 dias de pós-operatório de um grupo de 204 pacientes submetidos a reintervenção coronária no Hospital do Coração, entre janeiro de 1985 e setembro de 1988. O intervalo ocorrido entre a primeira e a segunda operação oscilou entre 1 mês e 16,5 anos (média (7,3 ± 3,7), sendo que, na maioria (120/58,8%) dos casos, a indicação cirúrgica ocorreu em virtude de se constatar a progressão da doença aterosclerótica envolvendo os enxertos e a circulação nativa, enquanto que, em 71 (34,8%) pacientes, observou-se apenas o comprometimento dos enxertos e, finalmente, em 13 (6,4%) pacientes somente a circulação nativa apresentava lesões ateroscleróticas obstrutivas. Cumpre salientar que um pequeno grupo (9/4,4%) deste total de 204 casos sofreu uma terceira intervenção, assim como em 20 (9,8%) pacientes realizou-se, concomitantemente, correção cirúrgica de lesões associadas, além da nova revascularização miocárdica. O perfil clínico desta série mostrou haver predomínio dos homens (180/88%) e da faixa etária entre 50 e 64 anos, que englobou pouco menos que 2/3 dos casos. A hipertensão (38%) e a dislipemia (26,5%) foram os fatores de risco mais presentes. A angina ocorreu em todos os casos, sendo a forma crônica instabilizada a mais freqüente (99/48%). História de infarto do miocárdio ocorreu em 132 (65%) pacientes, sendo a grande maioria (122/60%) com evolução acima de 2 meses e 10 (5%) com evolução recente. A angioplastia transluminal foi tentada, com sucesso, em 8 (3,9%) pacientes. As principais diretrizes da técnica cirúrgica consistiram na heparinização (TCA entre 200 e 300 seg.) logo no início do procedimento, naqueles pacientes que apresentavam lesões obstrutivas em pontes pérvias, isolamento do coração e vasos da base e das aderências pericárdicas, canulação de ambas as cavas, períodos intermitentes de anóxia miocárdica em hipotermia sistêmica moderada, utilização, sempre que possível, de uma ou ambas as mamárias, preponderantemente nos pacientes com idade inferior a 65 anos e tentar a revascularização completa. Foram realizados 547 enxertos coronários (2,7/pacientes), dos quais 311 (56,8%) foram substituições das pontes comprometidas e 236 (42,1 %) foram novos enxertos para artérias previamente não tratadas. A anastomose mamária-coronária foi empregada em 125 (61%) pacientes, em configuração unilateral 102 (50%) e bilateral 23 (11%). Pequeno número de casos (20/9,8%) sofreu procedimentos associados, na maioria aneurismectomia do ventrículo esquerdo (VE). Expressiva maioria desta série (127/62,5%) evoluiu rotineiramente; contudo, 58 (28,4%) pacientes apresentaram algum tipo de complicação não fatal, com resposta favorável à terapêutica específica. Ocorreram 19 (9,3%) óbitos. Analisamos as influências que os diversos fatores causaram nos resultados e concluímos que: 1) pacientes com lesões apenas na circulação nativa apresentaram maior morbidade (P = 0,70), enquanto que, naqueles com lesões nos enxertos e na circulação nativa, a mortalidade foi mais alta (P = 0,82); 2) a idade dos pacientes influiu inversamente à expectativa, pois o grupo mais jovem (35 a 49 anos) mostrou maior mortalidade (P = 0,93), enquanto que, nos pacientes com idade acima de 65 anos, ocorreu maior incidência de complicações não fatais (P = 0,18); 3) o emprego das artérias mamárias na reintervenção não pressupôs acréscimo de complicações ou mortalidade (P > 0,05); 4) a correção cirúrgica concomitante de lesão associada representou prognóstico mais severo com índices significativos de morbidade (P = 0,38) e de mortalidade (P = 0,02), este último dado estatisticamente significativo; 5) o infarto recente do miocárdio também influiu decisivamente; contudo, este subgrupo apresentou maior morbidade (P = 0,80) do que mortalidade (P = 0,57); 6) finalmente, na 3º intervenção, angioplastia mal sucedida e presença de mamária prévia não causaram impacto decisivo na morbidade e na mortalidade desta série (P > 0,05).

Year

1989

Creators

Dinkhuysen,Jarbas J Souza,Luiz Carlos Bento de Anijar,Alberto M Paulista,Paulo P Chaccur,Paulo Piegas,Leopoldo S Manrique,Ricardo Arnoni,Antoninho S Sousa,J. Eduardo M. R Jatene,Adib D

Tratamento cirúrgico da endocardite em prótese valvular cardíaca

No período de janeiro de 1983 a março de 1988, 1.512 pacientes foram submetidos a substituição valvar, no Instituto do Coração, sendo 28 (1,85%) deles por endocardite em prótese valvular. Dezessete doentes eram do sexo masculino e a idade variou de 18 a 67 anbs, com média e desvio padrão de 36,7 ± 12,9. A avaliação da classe funcional (CF.) revelou 11 pacientes em CF. IV, 12 em C. F. III e 5 em CF . II. Oito (28,5%) pacientes foram operados em condições de emergência. Um paciente era portador e válvula mecânica e 27, de válvula biológica. As hemoculturas foram positivas em 14 (50%) pacientes; o agente mais encontrado foi o Streptococcus viridans em 5 casos. O ecocardiograma realizado no pré-operatório em 27 pacientes mostrou correlação com os achados cirúrgicos em 26 (96,2%). Na cirurgia, 17 doentes apresentavam vegetação na prótese e 11, abscesso no anel. Na retroca, foram utilizadas biopróteses em 27 (96,4%) pacientes. A mortalidade imediata foi de 28,5% (8 doentes), ocorrendo 1 óbito tardio. A análise da associação óbito e tempo de aparecimento da endocardite, condição cirúrgica e resultado da cultura foi feita pelo teste de Qui-Quadrado (χ2). Podemos concluir que as condições clínicas pré-operatórias interferem, decisivamente, no resultado cirúrgico; a cirurgia de emergência tem resultados piores, devido às condições mais críticas dos doentes; as endocardites mais precoces são mais graves; a manipulação de focos infecciosos em pacientes com prótese valvular deve ser cuidadosa e precedida de antibioticoterapia e, nos doentes sobreviventes à operação, a evolução a longo prazo apresenta melhora significativa da classe funcional.

Year

1989

Creators

Pomerantzeff,Pablo M. A Pêgo-Fernandes,Paulo M Kioka,Yukio Cardoso,Rita H. A Galucci,Silvana D. D Mansur,Alfredo Dias,Altamiro Ribeiro Grinberg,Max Bittencourt,Delmont Stolf,Noedir A. G Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D

O papel do cirurgião nas valvopatias reumáticas tratadas com valvoplastia percutânea

No Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, as valvoplastias percutâneas para as valvas mitral e aórtica tiveram início em agosto de 1987. Foram realizados 37 procedimentos, sendo 26 para a mitral (VMP) e 1 para a aórtica (VAP). Nas 26 VMP, obteve-se sucesso 14 vezes, tendo 4 complicações. Em 3 pacientes, o sucesso não foi total, sendo que uma paciente com insuficiência mitral recusou cirurgia, outro foi operado e o terceiro está assintomático, mas não houve melhora da área valvar e das pressões, e deve ser reestudado para posterior avaliação. Os 9 pacientes restantes foram operados, sendo realizadas 6 comissurotomias e papilarotomias e 3 substituições valvares. A indicação cirúrgica se deu por tamponamento cardíaco em 1 caso, rotura de músculo papilar com conseqüente insuficiência em outro, 1 caso de baixo débito, punção da aorta em 4 casos e não passagem do cateter para o átrio esquerdo em 2 com suspeita de tamponamento não confirmada. O paciente submetido a VAP obteve melhora imediata do gradiente, mas faleceu 1 mês após, em insuficiência cardíaca. As valvoplastias percutâneas têm apresentado uma alternativa no tratamento das lesões valvares e são uma opção, principalmente para casos de valvas não calcificadas e com o aparelho subvalvar não comprometido. Devem ser lembradas nos casos em que a cirurgia é de alto risco, como em idosos, pneumopatas e nefropatas.

Year

1989

Creators

Arnoni,Antoninho S Salerno,Pedro R Henriques Neto,A. T. M Dkinkhuysen,Jarbas J Chaccur,Paulo Abdulmassih Neto,Camilo Navarro,S. L Esteves,C. A Ramos,A. I. O Sousa,J. Eduardo M. R Jatene,Adib D Souza,Luiz Carlos Bento de Paulista,Paulo P