RCAAP Repository

Tratamento cirúrgico da comunicação interventricular pós infarto agudo do miocárdio: conduta atual

Os autores descrevem sua experiência com o tratamento cirúrgico de 42 pacientes portadores de comunicação interventricular (CIV) pós infarto agudo do miocárdio (IAM). Destacam a elevada mortalidade cirúrgica nos pacientes com choque cardiogênico instalado (66,6%) em relação aos demais (9,5%). A observação de descompensações súbitas em pacientes hemodinâmicamente estáveis tem levado à indicação cirúrgica precoce, se possível, assim que estabelecido o diagnóstico da rotura do septo interventricular (RSI). O comprometimento de múltiplas artérias coronárias e faixas etárias elevadas foram considerados fatores agravantes no prognóstico cirúrgico. O mesmo não ocorreu com a relação fluxo pulmonar/sistêmico e shunt E-D, que não guardaram relação com a mortalidade. A técnica de exposição de ambas as cavidades ventriculares e reforço das 2 faces do septo roto com tecido biológico tem fornecido resultados gratificantes na correção da RSI, especialmente de localização posterior.

Year

1989

Creators

Dallan,Luís Alberto Oliveira,Sérgio de Almeida Ramires,José Antônio F Sabino Neto,Alexandre Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D

Rotura ventricular após substituição da valva mitral

Entre 1979 e 1988, 4 casos de rotura do ventrículo esquerdo (VE), após substituição da valva mitral (SVM), foram registrados entre 332 pacientes. Os autores reconhecem, entre seus casos, 3 roturas na junção atrioventricular, ocorridas logo após a saída de by-pass e 1 rotura em parede posterior do VE, ocorrida na unidade de terapia intensiva (UTI). Os pacientes eram todos do sexo feminino e tinham, em média, 58 anos de idade. Tais acidentes aconteceram 3 vezes após substituição isolada da valva mitral e 1 vez em operação combinada de SVM e revascularização do miocárdio. Admitem que o mecanismo principal da rotura está ligado à criação de zona de acinesia isquêmica, localizada em parede do VE, secundária à superdistensão de anel mitral. Relacionam o desencadeamento dos acidentes com a superdistensão dos anéis valvares, avaliados com medidores inadequados, usados em corações profundamente relaxados pela cardioplegia. Preconizam modificações na cabeça desses medidores, adaptando-os a cabos maleáveis, de modo a permitir um posicionamento mais perfeito da cabeça do medidor do anel mitral. Admitem que o perfil mais ou menos elevado das próteses não parece haver influenciado no aparecimento, ou na prevenção desses acidentes, mas sim na determinação do tipo anatômico da lesão. Estão de acordo com outros autores, quando admitem que a fragilidade do miocárdio, em pacientes idosos, agravada com a remoção do aparelho valvar mitral (ventrículo sem sustentação), criaria condições para o aparecimento desses acidentes. Consideram desejável a preservação do aparelho valvar mitral nas SVM, mas consideram que técnicas seguras, com essa finalidade, precisam ser ainda desenvolvidas.

Year

1989

Creators

Christo,Marcelo Campos Souza,Liberato S. Siqueira de Stortini,Marcílio José Teixeira,Sérgio L. da Costa Cruz Júnior,Osvaldo

Avaliação de resultados tardios com bioprótese de aorta heteróloga porcina

Foi analisada a evolução de 150 pacientes operados entre 1982 e 1988, com bioprótese porcina. Eram 62 do sexo feminino e 88 do masculino, idade média de 51,6 (15 a 81) anos. Nove estavam em classe funcional II, 120 em III e 21 em IV; 46 mitrais, 50 aórticos, 80 múltiplos e 24 associados a revascularização do miocárdio (5 mitrais e 19 aórticos). A mortalidade hospitalar foi de 12% (18 casos). Vinte e sete não foram acompanhados no pós-operatório tardio. A mortalidade tardia foi de 2,6% (4 casos), por insuficiência renal, meningoencefalite, insuficiência cardíaca congestiva e embolia pulmonar. Foram reoperados 5 (3,3%), por: endocardite infecciosa, pertuitos paravalvulares e falência primária do tecido valvular em 2 casos, cujas idades eram 15 e 25 anos. Três pacientes apresentaram sinais de regurgitação leve, mas não foi indicada reintervenção. As curvas atuariais, até o sétimo ano de pós-operatório, mostraram probabilidade de sobrevida de 82,9 ± 3,7 anos e livres de reoperação, 70,1 ± 6,7%. Para aórticos isolados, foi: 88,0 ± 5,4% e 60,4 ± 17,4%, respectivamente. Para os mitrais: 87,3 ± 5,6% e 70,9 ± 11,1%. Atualmente, há, entre 101 casos, 82 em classe I, 17 em II e 2 em III. Falhas das biopróteses ocorreram em 21,4% dos pacientes com menos de 30 anos, 1,1% entre 31 e 60 anos e 2% naqueles com mais de 60 anos. Foram mais freqüentes falhas no sexo masculino (4,5%) que no feminino (1,6%). Não houve diferença nas posições mitral ou aórtica. A bioprótese estudada apresentou bons resultados clínicos no período de evolução até 7 anos. Sua durabilidade é comparável às demais biopróteses, sendo as falhas, na maioria, devidas a causas conhecidas, em baixa incidência. Estudos a mais longo prazo serão úteis para definir a tendência de evolução futura.

Year

1989

Creators

Kalil,Renato A. K Sant'Anna,João Ricardo Schoer,Júlio E Prates,Paulo Roberto Lucchese,Fernando A Pereira,Edemar M Costa,Altamiro R Nesralla,Ivo A

Tratamento cirúrgico com sucesso de tromboembolismo pulmonar maciço

É relatado caso de tromboembolismo pulmonar maciço em paciente de 63 anos de idade com grave comprometimento hemodinâmico e cujo diagnóstico foi confirmado por ecocardiografia bidimensional; submetido a embolectomia pulmonar, realizada 52 horas após a internação, recebeu alta hospitalar no 43º dia de pós-operatório.

Year

1989

Creators

Loures,Danton R. da Rocha Costa,Iseu Affonso da Suzuki,Yukio Lopes,Luiz Martins,Américo F Mulaski,José C Cunha,Gastão Pereira da Cunha,Cláudio Pereira da

Aneurisma adquirido de aorta ascendente em criança

O aneurisma adquirido da aorta ascendente é uma rara condição na faixa pediátrica. Os autores apresentam 2 casos de crianças de 6 e 12 anos de idade com aneurisma sacular da aorta ascendente e estenose aórtica, os quais foram submetidos a correção cirúrgica, com sucesso.

Year

1989

Creators

Loures,Danton R. da Rocha Ferreira,Maria João Amorim Almeida,Rui Sequeira de Bueno,Ronaldo Loures Krichenko,Antoninho Brofman,Paulo R Ribeiro,Edison José Linhares,Lauro Costa,Mário Lobato da Seegmuller,Edimara

Cardioplegia sangüínea contínua normotérmica

Os autores discutem o emprego da cardioplegia, bem como sua composição. A parada imediata dos batimentos pode ser conseguida com soluções cardioplégicas cristalóides ou sangüíneas, oxigenadas ou não. O agente que leva o coração à parada pode ser potássio, magnésio, procaína ou, mesmo, quelantes e bloqueadores de cálcio associados entre si ou não, contando com a edição da hipotermia ou não. Deve-se ficar atento para a falsa sensação de proteção a que a baixa temperatura possa nos induzir, uma vez que o frio, por si só, não é suficiente para manter o miocárdio viável por longos períodos. Substratos, como glicose e oxigênio, devem ser fornecidos durante o período de clampeamento aórtico, para garantir algum metabolismo aeróbio, nesse período. A adição de outros substratos, como glutamato, aspartato e lactato, assim como ATP ou creatina fosfato, precursores de intermediários do ciclo de Krebs, podem melhorar muito a proteção miocárdica. A infusão de cardioplegia sangüínea normotérmica de forma contínua mantém as necessidades metabólicas básicas para a sobrevivência das células. A membrana celular, com todas as suas funções estruturais e secretoras, é o ponto mais sensível à injúria isquêmica. Os removedores de radicais livres (scavengers) são protetores indiretos da membrana celular. A cardioplegia retrógrada permite melhorar a distribuição das soluções na árvore coronariana, sendo muito útil nas reoperações. Ela deve fazer parte da tática cirúrgica, sem esquecermos suas limitações. O momento da reperfusão é o mais importante da proteção miocárdica; é nesse período que ocorre a liberação de radicais livres. O uso de removedores (scavengers) pode melhorar as condições e o resultado da reperfusão. A cardioplegia sangüínea oxigenada e normotérmica enriquecida com substratos, antes usada em casos extremamente graves, por disfunção muscular em isquemia miocárdica severa, ou por ausência de proteção adequada, durante a fase de isquemia e/ou reperfusão, foi expandida para todos os casos. É recomendado que o coração tenha, sempre, suas câmaras drenadas, evitando-se qualquer aumento na tensão da parede, o que levaria a maior consumo de oxigênio. Os autores descrevem a técnica e as soluções cardioplégicas aplicadas no Serviço de Cirurgia Cardíaca do IMC e os resultados obtidos com o uso das mesmas. Concluem ser satisfatório o uso de cardioplegia normotérmica modificada e reperfusão assistólica, enriquecidas por aminoácidos, na preservação da função miocárdica e na reversão dos danos isquêmicos.

Year

1989

Creators

Braile,Domingo M Ardito,Roberto V Zaiantchick,Marcos Santos,José L. Verde Soares,Marcelo José F

Relação entre tempo de isquemia e performance pós-operatória no transplante cardíaco

A presente dificuldade na obtenção de doadores adequados para o transplante cardíaco obriga à necessidade da utilização de órgãos removidos à distância, prolongando, assim, o tempo de isquemia total (TIT). Os efeitos do TIT sobre a função cardíaca no pós-operatório imediato e a necessidade de agentes inotrópicos ainda são controversos, devendo os limites de segurança serem determinados. As manifestações do TIT no índice cardíaco, durante os primeiros três dias pós transplante cardíaco ortotópico (I/C 1-3), o período total do suporte inotrópico (SIT), a dose total/kg de dopamina e dobutamina (D + D/kg), a necessidade inotrópica máxima e picos dos níveis de CPK-MB (CPK-MB) foram medidos em 96 receptores de transplante cardíaco, na Universidade de Minnesota, para determinar a relação destas variáveis com o TIT. O TIT variou entre 61 e 288 minutos (média 171,7, D.P. 51,9). A população foi dividida entre grupos representando intervalos de 30 minutos. Embora os níveis de CPK-MB fossem inferiores nos grupos de TIT menores, não houve diferença nos parâmetros de função cardíaca, tempo de suporte e necessidade inotrópica. Concluímos que tempos de isquemia até cinco horas são bem tolerados e que outros fatores, como função cardíaca do doador previamente à remoção do órgão, ou possível dano isquêmico durante a remoção, são mais importantes na determinação da performance pós-operatória imediata.

Year

1989

Creators

Fragomeni,Luís Sérgio Bonser,Robert S Stempfle,Ulrich Ring,Steves W Kaye,Michael P Jamieson,Stuart W

Autodoação e autotransfusão de sangue pré-doado em cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea

Estudo prospectivo, entre agosto de 1987 e setembro de 1988, em 80 pacientes adultos submetidos a cirurgia cardíaca eletiva com circulação extracorpórea (CEC) aferindo a eficácia da autodoação (AD) e autotransfusão (AT) em reduzir o uso de sangue e hemoderivados homólogos (SDH). O Grupo Controle (GC) não foi submetido a AD (n =38). Coleta pré-operatória de sangue foi realizada em 42 pacientes, constituindo o Grupo Autodoação (GAD), iniciando-se de um a sete dias pré-operatórios (GAD I n=29) e entre oito a 14 dias pré-operatórios (GAD II n = 13). Os Grupos GC e GAD foram bastante semelhantes nos seus parâmetros pré, intra e pós-operatórios. Os resultados demonstraram que a utilização de hemoderivados foi similar, nos diversos grupos. Contudo, o número de pacientes expostos a SDH: GC 27 (71%) x GAS 10 (23,8%), p < (0,001); o volume médio de SHD (GC 1241 ml x GAD 412 ml, p <0,003) e o número médio de unidades homólogas utilizadas (GC 6,31 x GAD 1,95, p < 0,001) demonstraram que AD e AT foram eficazes em reuzir em 64% o volume médio de SDH, diminuindo a exposição a unidades homólogas e minimizando o número de pacientes expostos. O GAD II obteve os melhores índices, mas não atinge significado estatístico quando comparado ao GAD I, talvez devido ao pequeno número de pacientes. Acreditamos que AD e AT devem ser incentivadas em cirurgia cardíaca eletiva.

Year

1989

Creators

Costa,Mário Gesteira Vasconcelos,Frederico Pereira,Roberto Silveira,Carlos Antônio Gaspar,Esdras Godoy,Gilberto Garret,Milton Souza,Maria de Lourdes Leão,Antônio Carlos

Infecções do esterno pós revascularização do miocárdio: tratamento com retalhos miocutâneos e musculares

No período de outubro de 1986 a janeiro de 1989, realizamos 445 esternotomias, sendo 158 para revascularização do miocárdio; em 92 pacientes, a artéria mamária interna esquerda (AMIE) foi utilizada. Dos 445 casos, sete pacientes tiveram infecção do esterno no período pós-operatório imediato. O tempo médio de aparecimento foi de 8,7 dias (4-15 dias), sendo que seis pacientes eram do sexo masculino e a idade média foi de 48,8 anos (35-60 anos). Em todos os casos, os pacientes estavam sendo submetidos à primeira cirurgia, tendo como possíveis fatores associados diabete (um caso), embolia pulmonar com insuficiência respiratória (um caso), síndrome de baixo débito (três casos), cirurgia prolongada (um caso) e dissecção da AMIE (seis casos). Na correção desta complicação, a associação de técnicas de cirurgia plástica, com a utilização de retalhos miocutâneos ou musculares, permitiu mais rápida recuperação dos pacientes, sem que tivéssemos óbitos nesta série. Os resultados estético e funcional foram considerados excelentes, com três pequenas deiscências tratadas ambulatorialmente. A identificação do germe através de cultura e a orientação do tratamento pelo antibiograma também se mostraram de grande importância, ao lado das técnicas cirúrgicas empregadas. Concluindo, julgamos que a intervenção precoce e agressiva nas infecções do esterno contribuiu, efetivamente, na queda da morbi-mortalidade desta complicação.

Year

1989

Creators

Barros,Rubens T. de Marchi,Mauro A. de Guimarães Filho,Fábio V Silveira,Wesley F. da Jimenez,Hugo V. C Penna Júnior,Antônio

Estratégia para o tratamento cirúrgico das anomalias da conexão ventrículo-arterial com comunicação interventricular: surgical strategy

Designamos anomalias da conexão ventrículo-arterial toda a conexão que difere daquela de um coração normal. Dentro desta abordagem, não utilizamos os termos ventrículo direito ou esquerdo com dupla via de saída, Taussig-Bing e transposição das grandes artérias, quando estes estão associados a uma comunicação interventricular. Nestas anomalias, o objetivo da correção é o de conectar o ventrículo esquerdo com a aorta e o ventrículo direito com a artéria pulmonar. A estratégia que escolhemos é baseada na hipótese de que a correção mais simples é aquela que não exige a utilização de um tubo profético, a transferência de coronárias, ou a septação complexa da cavidade ventricular. Baseados na experiência de 162 correções para as anomalias da conexão ventrículo-arterial, em uma série de 197 pacientes, utilizamos três tipos de correção anatômica: a correção intraventricular (tunelização ventrículo esquerdo-aorta) em 35 pacientes, o REV (tunelização ventrículo esquerdo-aorta associada a translocação do tronco pulmonar sobre o ventrículo direito) em 78 pacientes, e a operação de Jatene associada ao fechamento da comunicação interventricular em 49 pacientes. O tipo de correção ideal é a correção intraventricular, na qual a simples tunelização ventrículo esquerdo-aorta estabelece uma conexão ventrículo-arterial normal. Quando a correção intraventricular não é possível, nós indicamos o REV em presença de estenose pulmonar e a operação de Jatene na ausência desta. A questão principal é saber quando uma correção intraventricular é realizável. A realização desta é função da distância entre a valva tricúspide e a valva pulmonar. Se esta distância é suficientemente grande (igual ou superior ao diâmetro do orifício aórtico), o túnel intraventricular é realizável; se não, outra modalidade de correção é indicada. Nossa experiência atual sugere que a exploração pré-operatória das distâncias entre a valva tricúside e as válvulas semilunares é um critério essencial para a escolha da correção apropriada para as anomalias da conexão ventrículo-arterial associadas a uma comunicação interventricular. Esta estratégia não se opõe às outras classificações usuais, baseadas na posição das grandes artérias, ou na situação da comunicação interventricular, e ela nos fornece informações precisas quanto à possibilidade de realizar uma correção intraventricular.

Estudo anatómico da válvula do seio coronário: válvula de Thebesius

Este estudo tem por objetivo esclarecer eventuais problemas causados pela presença da válvula de Thebesius durante a cateterização do seio coronário, quer pela cardioplegia retrógrada, estudo eletrofisiológico, ou eletrofulguração. Foram analisados 94 corações normais, de óbitos não cardíacos. O átrio direito era incisado ao nível da veia cava superior, em direção à veia cava inferior, percorrendo o sulco terminal, possibilitando adequada visibilização do seio coronário. As válvulas, classificadas de acordo com suas variações anatômicas, possibilitaram o seguinte resultado: ausente em 15 (16%) casos; residual em 31 (33%); parcial em 40 (43%); trabeculada em sete (7%) e dupla em um (1%) caso. A cateterização do seio coronário não foi prejudicada quando este apresentava válvula ausente, residual ou dupla. Entretanto, em alguns dos casos onde havia válvula parcial (11 de 40 casos, 27%) e válvula trabeculada (três de sete casos, 43%), esta cateterização foi mais trabalhosa e demorada. Estatisticamente, não houve correlação dos tipos de válvula com relação a sexo e raça, sendo inconclusiva com relação à idade.

Year

1989

Creators

Jatene,Fábio B Costa Sobrinho,Reinaldo de Brito Romero,Silvia Regina Trovareli Jatene,Adib D

Coarctação da aorta: resultados da cirurgia e análise crítica de diversas técnicas

Setenta pacientes com idade variável de 14 dias a 49 anos (média 7,6 anos) foram submetidos à correção cirúrgica da coarctação da aorta. Vinte e seis (37,1%) estavam no primeiro ano de vida. As técnicas cirúrgicas utilizadas incluíram aortoplastia com enxerto em 30 casos, aortoplastia com subclávia em 28, anastomose término-terminal e nove, interposição de enxerto tubular de Dacron em dois e aortoplastia com subclávia e preservação da circulação para o membro superior esquerdo em um. Ocorreram seis (8,5%) óbitos imediatos e dois (2,8%) tardios, não relacionados com o tipo de reparo. A mortalidade imediata teve relação direta com a idade, anomalias associadas e grave insuficiência cardíaca no pré-operatório. Todos os sobreviventes apresentam bons resultados tardios e nenhum caso de recoarctação foi observado. Não houve a presença de aneurisma no grupo de pacientes submetidos à aortoplastia com enxerto, provavelmente pelo uso de enxertos biológicos. Os autores tentam individualizar a operação, escolhendo a técnica mais apropriada para cada caso. Entretanto, sempre que possível, usam a aortoplastia com sublcávia em crianças com menos de cinco anos e anastomose término-terminal ou aortoplastia com enxerto em pacientes mais idosos.

Year

1989

Creators

Moraes,Carlos R Rodrigues,Jorge V Gomes,Cládio A Tenório,Euclides Moraes Neto,Fernando Santos,Cleusa Lapa Cavalcanti,Ivan de Lima

Origem anômala da artéria circunflexa da artéria pulmonar direita

É relatado, pela primeira vez na literatura, o caso de paciente adulto de 35 anos, com queixa de dor precordial aos esforços desde há 17 anos e que, após ter sido submetido a correção de coarctação de aorta, foi investigado e teve como diagnóstico: origem anômala da artéria circunflexa. No intra-operatório, constatou-se que a mesma tinha origem na artéria pulmonar direita. Foi realizada a sutura do óstio anômalo e um enxerto livre da artéria torácica interna direita para a coronária circunflexa. Além da raridade da lesão, são possíveis considerações fisiopatológicas relacionadas com a coarctação da aorta, neste caso específico.

Year

1989

Creators

Iglézias,José Carlos R Iraki,Naora Miura Dias,Carlos Augusto Dallan,Luiz Alberto Oliveira,Sérgio de Almeida Jatene,Adib D

Enxerto livre de artéria mamária interna: resultados imediatos e tardios

Em nosso Serviço, temos dado preferência pelo uso da artéria mamária interna na cirurgia de revascularização miocárdica, utizizando-a em 93% dos pacientes com menos de 65 anos, durante este último ano. Quando, por motivos anatômicos, torna-se impossível seu uso in situ, temos lançado máo de sua utilização como enxerto livre. De abril de 1986 a setembro de 1988, este procedimento foi realizado em 58 pacientes submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica isolada e pela primeira vez (foram excluídos seis casos de reoperação). Pertenciam ao sexo masculino 55 (95%) dos casos, sendo a faixa etária entre 35 e 69 anos, com média de 49 anos. Quanto aos sintomas pré-operatórios, 43% apresentavam angina estável, 36% angina instável, 17% angina pós-infarto e 3,5% eram assintomáticos. Foram realizadas 179 pontes (3/paciente), a saber: ponte de safena 67, mamária in situ 53 e enxerto livre de mamária 59 (um caso com dois enxertos livres), para as seguintes artérias: coronária direita 18, marginal da circunflexa 17, diagonal 10, descendente anterior 10, ponte de passagem (DA-Dgl) dois e um enxerto duplo (DA e Dgl). Ocorreu um episódio (1,7%) de infarto trans-operatório caracterizado por alterações eletrocardiográficas. Dos 56 casos que tiveram alta hospitalar, ocorreu um óbto tardio no 2º ano de pós-operatório, por morte súbita. Dos 55 sobreviventes, foi possível analisar 51 (92,7%), sendo que, destes, 48 (94%), estão assintomáticos, em evolução pouco maior que dois anos.

Year

1989

Creators

Souza,Luiz Carlos Bento de Chaccur,Paulo Dinkhuysen,Jarbas J Arnoni,Antoninho S Abdulmassih Neto,Camilo Pavanello,Ricardo Sousa,J. Eduardo M. R Paulista,Paulo P Jatene,Adib D

Tratamento dos aneurismas da aorta descendente por endoprótese (tromba de elefante)

Os aneurismas da aorta descendente ainda causam grande mortalidade e morbidade, apesar dos avanços da cirurgia cardiovascular moderna. Neste trabalho utilizamos, originalmente em nosso meio, uma técnica recente que consiste na inserção de uma prótese de Dacron intraluminar, suturada apenas em sua porção proximal, logo após a subclávia esquerda e que transpõe a zona do aneurisma, ficando solta no interior da aorta em sua porção distai (tromba de elefante). A operação é realizada com circulação extracorpórea, hipotermia profunda de 19ºC, com parada circulatória no tempo suficiente para a inserção da prótese e sutura da sua borda proximal. Desde maio de 1988, oito pacientes fizeram parte deste estudo, sendo que seis eram dissecções da aorta tipo B e dois casos, aneurismas verdadeiros. A simplicidade e rapidez do procedimento, assim como os resultados pós-operatórios obtidos nos animam a prosseguir e recomendar este tipo de alternativa tática, especialmente nas dissecções de aorta tipo B.

Year

1989

Creators

Palma,Honório Juliano,João Alessio Cal,Ruy Guilherme Rodrigues Almeida,Dirceu Rodrigues de Ota,Luiz Horitoshi Gianotti,Inês Abrantes Andrade,José Carlos S Buffolo,Ênio

Substituição isolada da valva aórtica em pacientes com função ventricular deprimida

Para avaliar o valor prognóstico da fração de ejeção do ventrículo esquerdo, entre 210 pacientes com lesões da valva aórtica operados, consecutivamente, entre maio de 1981 e outubro de 1988 e que receberam as próteses Omniscience e Meditronic-Hall, foram selecionados 112 e divididos, de acordo com a fração de ejeção do ventrículo esquerdo, em dois grupos: o G1 = FE &gt; 40%, ficou com 52 pacientes com médias de idade 39 ± 12 anos, FE = 58 ± 10% e classe funcional (NYHA) = 2,8; o GE = FE < 40% ficou com 60 pacientes com médias de idade 48 ± 17 anos, FE = 27 ± 13% e (NYHA) = 3,6. Nas cirurgias, foram utilizados hipotermia e hemodiluição moderadas, oxigenador de bolhas, infusão cardioplégica St. Thomas. As médias dos tempos de circulação extracorpórea e parada cardíaca foram: no G1 =8 2 ± 18 e 49 ±7 minutos, e 96 ± 11 e 55 ± 6 minutos, no Grupo 2; o tamanho das próteses foi 25,2 ± 1,8 milímetros. No Grupo 1, a mortalidade imediata foi 3,8% no G1 e 5,8 no G2, e a tardia 4% no G1, e no G2 foi 8,7%. No G1 houve significante associação entre a mortalidade e a função ventricular sistólica. Clínicamente, no G1, 65% dos pacientes estão na (NYHA) I, 28% na II, 5% na III e 2% na IV. No G2, 46% estão na (NYHA) I, 25% na II, 13% na III, e 16% na IV. A sobrevida atuarial em sete anos foi 88 ± 2% no G1 e 76 ± 4% no G2. Portanto, os pacientes com FE < 40% apresentaram mortalidade mais elevada, menor sobrevida a curto e longo prazo e resultados clínicos menos satisfatórios. Para obtermos melhores resultados, devemos operar antes que a FE em repouso e exercício se torne deprimida, ou que apareça intolerância ao exercício moderado.

Year

1989

Creators

Barbosa,Gilberto Venossi Souza,Blau F. de Rey,Nei A Wender,Orlando Carlos Pimentel Filho,Pedro Vieira,Sílvia Regina Rios Wolmeister,Hilário Manfroi,Waldomiro C Westphalen,Paulo P

Tratamento cirúrgico da insuficiência mitral em crianças: dez anos de técnicas reparadoras

Entre abril de 1979 e janeiro de 1989, de 71 pacientes com idade entre 4 e 16 anos (média 11,5) portadores e insuficiência mitral (IM), 53 (74,6%) foram submetidos s procedimentos plásticos do aparelho valvar mitral, dos quais 29 com menos de 12 anos. Todos apresentavam IM, 21 deles com estenose mitral associada (dupla lesão mitral - DLM). Em 21 (39,6%) pacientes, foi observada regurgitação tricúspide à cineventriculografia direita. A etiologia reumática foi predominante (42 casos, 79,2%). Todos os pacientes, exceto três situavam-se na classe funcional III e IV. Foram empregados anéis de Carpentier em 41 pacientes e, nos últimos 10, anéis abertos Gregori-IMC, associados a procedimentos plásticos sobre as cúspides e o aparelho subvalvar. Em dois pacientes, a plastia mitral fo realizada sem o emprego do anel protético. Não ocorreram óbitos hospitalares. Três (5,7%) pacientes foram reoperados para troca valvar, todos pertencentes ao grupo com estenose mitral associada quando 1 faleceu, sendo o único óbito tardio de toda a série (1,9%). Na avaliação clínica, com tempo pós-operatório médio de 5 anos (1 mês a 10 anos), 2 (3,8%) estavam sem seguimento, 43 (81,1%) na classe funcional I, 4 (7,5%) na classe funcional II e 4 (7,5%) na classe III. Dos trés pacientes pertencentes à classe II no pós-operatório, todos evoluíram para a classe I. Dos 26 da classe III, 23 (88,5%) passaram para a classe I e 1 permaneceu na III. Dos 24 pacientes da classe IV, 15 (62,5%) passaram para a I, 4 passaram para a II, 3 passaram para a classe III e 2 sem seguimento. Vinte e dois pacientes (41,5%) encontravam-se sem sopros, 15 (28,3%) com sopro sistólico no foco mitral (SSFM) discreto (+/+ + + +), 10 (18,9%)com SSFM moderado( + +/+ + + +), 4 (7,5%) com SSFM importante (+ + +/+ + + +), 2 (3,8%) sem seguimento. Dos 3 pacientes com IM pura, 30 (93,8%) estavam na classe I, 1 (3,1) na classe II e 1 (3,1%) sem seguimento. Neste grupo, 16 (50%) pacientes encontravam-se sem sopros, 9 (28,1%) com SSFM discreto, 6 (18,9%) com SSFM moderado e 1 (3,1%) sem seguimento. Dos 21 pacientes com estenose mitral associada 13 (61,9%) situavam-se na classe funcional I, 4 (19%) na classe II, 3 (14,3%) na classe Mi e 1 (4,8%) sem seguimento. Neste grupo, 6 (28,6%) encontravam-se sem sopros, 6 (28,6%) com SSFM discreto, 4 (19%) com SSFM moderado, 4 (19%) com SSFM importante e 1 (4,8%) sem seguimento. O reestudo hemodinâmico foi realizado em média após dois anos (um mês a sete anos) em 32 pacientes (60,4%). Houve diminuição significativa da pressão sistólica em artéria pulmonar (55,4 - 41,9 P < 0,01), da pressão capilar pulmonar (26,0 - 19,6 P < 0,01) e do gradiente transvalvar mitral (9,6 - 5,7 P < 0,01), sndo que em apenas 6 (20%) este era superior a 7 mm/Hg (3 deles correspondem aos casos reoperados). Vinte e três (71,9%) pacientes apresentaram funcionalidade valvar bastante satisfatória, sendo 16 deles em regurgitação e 7 com regurgitação discreta; em 6 pacientes (18,8%), a regurgitação era moderada e em 3 (9,4%) havia regurgitação importante (casos reoperados). No grupo de pacientes com IM pura (17), em 14 (82,4%) a regurgitação era ausente ou discreta e em 3 (17,6%) era moderada. No grupo com DLM (15), em 9 (60%) a regurgitação era ausente ou discreta, em 3 (20%) era moderada e em 3 (20%), importante. Dos 2 pacientes sem anel protético, um não apresentou refluxo valvar mitral e outro, moderado. No grupo de pacientes com anel de Carpentier (22), 9 estavam sem refluxo valvar, 6 com refluxo discreto, 4 moderado e 3 importante. No grupo com anel Gregori-IMC (8), 6 não apresentavam refluxo mitral, 1 tinha refluxo discreto e 1, refluxo moderado.

Year

1989

Creators

Gregori Jr,Francisco Silva,Samuel S Moure,Osney Takeda,Roberto Façanha,Luciano Ribeiro,Icanor Góis,Luiz Siqueira,José Gregori,Thelma F Lopes,Ascêncio G Kreling,Pedro Miguita,Luiz C Cordeiro,Celso

Desenvolvimento de um projeto para construção de bomba-balão para contrapulsação aórtica

O presente trabalho tem por finalidade apresentar as etapas de um projeto para construção de uma bomba-balâo para contrapulsação aórtica. Desenvolveram-se três protótipos, sendo que os dois primeiros utilizavam ar comprimido e vácuo hospitalares para insuflação e deflação do cateter-balão. Esses dois protótipos apresentavam como diferenças fundamentais: o tipo de dispositivo que captava o sinal luminoso da onda R do ECG utilizado para a sincronização do bombeamento; o tipo de válvula solenóide e os componentes eletrônicos de maior resolução utilizados no segundo protótipo. O terceiro e atual protótipo passou a obter o sinal da onda R diretamente da saída de cardioversão do monitor de ECG e substituiu o ar comprimió e o vácuo hospitalares, além das válvulas solenóides, por uma bomba eletromagnética. Está em fase de resolução o problema de deflação tardia que ainda ocorre no sistema.

Year

1989

Creators

Reis,Celso Luiz dos Évora,Paulo Roberto Barbosa Brasil,José Carlos Franco Ribeiro,Paulo José de Freitas Otaviano,Adonis Garcia Bongiovani,Hércules Lisboa Bombonato,Rúbio Ferez,Marcus Antônio Sgarbieri,Ricardo Nilsson Moreira Neto,Francisco Fernandes Pereira,Almir Sales Gomes,Percival

Hemólise em circulação extracorpórea: estudo comparativo entre bomba de rolete e bomba centrífuga

O uso de bomba centrífuga como suporte circulatório para pacientes em choque cardiogênico, após a realização de cirurgia cardíaca e como suporte para pacientes com falência cardíaca que estão aguardando doação para transplante cardíaco, tem sido progressivamente ampliado. Alguns centros utilizam a bomba centrífuga em circulação extracorpórea de rotina, como substituto do rolete arterial,. No INCOR, operamos dois grupos de pacientes triarteriais submetidos a revascularização do miocárdio, operados pelo mesmo cirurgião, com o mesmo método de proteção miocárdica (cardioplegia cristalóide, hipotermia sistêmica a 28ºC e tópica com soro fisiológico). Todos os parâmetros dos dois grupos foram sem diferença estatística no pré-operatório: idade, sexo, superfície corpórea e parâmetros hematológicos. Foram operados 27 pacientes consecutivos e divididos, alternadamente, em 13 pacientes com bomba centrífuga e 14 com rolete arterial. O oxigenador utilizado em todos foi o de bolhas da Macchi. O perfusionista foi sempre o mesmo. O tempo de perfusão médio foi de 105 minutos no Grupo 1 (rolete) e 103 minutos no Grupo 2 (bomba centrífuga). Analisamos os seguintes parâmetros: haptoglobina (HP), tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA), tempo de trombina (TT) e número e plaquetas pré e pós circulação extracorpórea e, comparando-se os dois grupos, não houve diferença estatística significante entre eles, nos diversos parâmetros. Concluímos que, para circulação extracorpórea com duração habitual, não há diferença hematológica no uso da bomba centrífuga em relação ao rolete arterial.

Year

1989

Creators

Pêgo-Fernandes,Paulo M Miura,Flávio Higa,Sérgio S Moreira,Luiz Felipe P Dallan,Luís Alberto Chamone,Dalton A. F Oliveira,Sérgio de Almeida Stolf,Noedir A. G Jatene,Adib D

Aspectos práticos na indicação de revisão de hemostasia no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca

Foram estudados restrospectivamente os coagulogramas de 65 pacientes submetidos a revisão de hemostasia no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca. Os coagulogramas foram considerados compatíveis ou não com distúrbio da coagulação sangüínea, por hematologista que desconhecia o achado cirúrgico. Dentre 51 pacientes cujos valores do coagulograma foram considerados normais, 46 (90,2%) apresentavam sangramento ativo localizado, passível de correção cirúrgica. Os 5 (9,8%) demais pacientes apresentavam sangramento difuso. Dentre os 14 pacientes restantes, cujo coagulograma encontrava-se alterado, 8 (57,2%) apresentavam sangramento difuso e 6 (42,8%), localizado. Os autores concluem que, na persistência de sangramento excessivo pós-operatório e coagulograma normal, a revisão de hemostasia deverá ser prontamente indicada. Entretanto, se houver alteração do coagulograma, dever-se-à empregar, inicialmente, o tratamento clínico, desde que o ritmo do sangramento o permita. Caso o sangramento persista, mesmo com melhora do coagulograma, deverá ser pesquisada a presença de coágulos retidos no mediastino. Se positiva, deve-se programar nova toracotomia, visando à remoção de coágulos do mediastino.

Year

1989

Creators

Dallan,Luís Alberto Oliveira,Sérgio de Almeida Chamone,Dalton A. F Iglézias,José Carlos Rossini Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D