RCAAP Repository
Tratamento cirúrgico de aneurisma de aorta ascendente: observação ecocardiográfica simultânea dos óstios coronarianos reimplantados em prótese vascular
No summary/description provided
2006
Vieira,Marcelo Luiz Campos Benício,Anderson Mathias Jr.,Wilson Stolf,Noedir A.
Válvula cardíaca de carbono de duplo folheto Biplus: projeto e desenvolvimento
INTRODUÇÃO: Após o desenvolvimento de válvula de disco em carbono revestida com material biológico, com bons resultados após dois anos de uso clínico, os autores desenvolveram a primeira válvula brasileira de duplo folheto em carbono. A finalidade foi conseguir uma válvula com baixo nível de ruído, com revestimento de material biológico para facilitar a cicatrização no anel valvar e reduzir ao máximo a superfície sintética exposta ao sangue, para se obterem menores índices de reoperação, trombose, tromboembolismo e usar menor dose de anticoagulante a fim de evitar acidentes hemorrágicos. MATERIAL E MÉTODOS: A válvula é de duplo folheto com fechamento horizontal e articulado naface interna do corpo, fabricado com Carbolite. É feita em três modelos: toda em carbono semelhante a outras válvulas em uso; revestida com material biológico, ou com batente de elastômero de silicone com revestimento de material biológico. O batente de silicone tem aspecto denteado, para evitar dano ao material biológico e torna a válvula bastante silenciosa. Cada válvula é testada individualmente em acelerador de pulso (1.000 pulsações por minuto, durante cinco dias) Então, são feitos esterilização, revestimento com pericárdio heterólogo processado em glicerina, montagem e esterilização final em gás ETO, sendo conservada em glicerina. Existem 2 pacientes aórticos operados, com dois e três meses de evolução, em uso de anticoagulante oral, tendo sido colocadas válvulas apenas com revestimento de material biológico. RESULTADOS INICIAIS: São poucos casos com pequeno tempo de observação, destacando-se boa evolução clínica, ausência de percepção do ruído da válvula e presença do sopro sistólico suave comum em todas as próteses cardíacas aórticas. O modelo com batente de silicone acha-se em teste, não mostrando desgaste ou dano perceptível, após 30 dias de teste contínuo acelerado já equivalente a 1,4 anos de uso clínico. CONCLUSÕES: A válvula de dois folhetos Biplus apresentou-se com desenho adequado para receber o material biológico e, também, para funcionar com batente de silicone, deixando a válvula bastante silenciosa, para melhor conforto do paciente.
1996
Magalhães,Hélio Pereira de Machado,Ana Lúcia Raoul,Arthur J Soutelo Filho,Ary Fernandes Vaidergorn,Jairo Santos,José Alberto dos
Modificação técnica na cirurgia da estenose aórtica supravalvar
Com o objetivo de evitar complicações de reestenose da aorta na evolução tardia dos pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico da estenose supravalvar aórtica localizada, provocada por calcificação e enrijecimento de material protético utilizado para ampliação de um ou mais seios de Valsalva, com ou sem secção transversal da aorta, desenvolvemos, de outubro de 1991 a dezembro de 1995, uma modificação técnica, que, sem utilização de enxertos artificiais, apenas com tecido sadio da aorta ascendente, permite ampliação adequada da porção inicial da aorta. Neste período, foram operados 10 pacientes, com diagnóstico clínico e hemodinâmico de estenose supravalvar aórtica localizada. As idades variaram de 11 meses a 38 anos (m = 13,2 anos), o peso variou de 7,500 kg a 56 kg (m = 29,1 kg) e a altura variou de 72 cm a 1,68 m (m = 1,5 m). Seis pacientes eram do sexo masculino. Três eram assintomáticos, 4 tinham dispnéia, 2 cansaço aos esforços, 2 palpitações, 1 parestesia de membros inferiores e 1 cianose ao choro. Seis pacientes eram portadores de síndrome de Williams. O gradiente sistólico entre a cavidade livre do ventrículo esquerdo e aorta variou de 50 mmHg a 100 mmHg (m = 73,5). Os pacientes foram operados com auxílio de circulação extracorpórea, hipotermia moderada, cardioplegia cristalóide, nos 7 primeiros casos, e cardioplegia sangüínea nos 3 últimos. A aorta ascendente foi amplamente dissecada até os vasos da base. Após a transecção total da aorta e ressecção do tecido fibrótico estenosante, realizamos incisões longitudinais do bordo da porção proximal da aorta até o fundo dos seios de Valsalva; a seguir, foram feitas incisões longitudinais na porção distai, nas regiões correspondentes aos postes comissurais, de maneira que cada prolongamento da aorta distai ampliasse um fundo de seio de Valsalva, obtendo uma aorta inicial de aspecto anatômico e dimensões normais.Atualmente, com um período pós-operatório de 3 meses a 4 anos e 5 meses, não houve óbito; todos os pacientes estão assintomáticos, evoluindo satisfatoriamente, sem gradiente entre a cavidade livre do ventrículo esquerdo e aorta ascendente, conforme ecocardiograma, Doppler, ressonância nuclear magnética e estudo hemodinâmico. Estes resultados nos permitem concluir ser esta técnica adequada para a correção cirúrgica da estenose supravalvar aórtica localizada, por não utilizar enxertos artificiais e realizar a sutura da aorta em uma linha sinusoidal, evitando, assim, reestenose.
1996
Santos,Magaly Arrais dos Salerno,Pedro R Capellari,Márcia M Bosísio,Ieda B. Jatene Jatene,Marcelo B Jatene,Fábio B Santana,Maria Virgínia T Paulista,Paulo P Fontes,Valmir F Jatene,Adib D Souza,Luiz Carlos Bento de
Abordagem transxifóidea sem esternotomia para correção da comunicação interatrial
OBJETIVO: Avaliação de uma nova abordagem cirúrgica para fechamento da comunicação interatrial. MÉTODOS: A abordagem da comunicação interatrial através da janela xifóidea foi realizada em 6 pacientes do sexo masculino e 1 do sexo feminino e a idade variou de 6 meses a 14 anos, com média de idades de 5,1 anos. Em todos, foi utilizada acirculação extracorpórea, através de canulação da artéria femoral e átrio direito e videotoracoscopia para auxiliar a visibilização da aorta e do canal arterial, assim como das estruturas correspondentes às cavidades esquerdas. RESULTADOS: Não houve complicações intra-operatórias ou pós-operatórias e, em todos os pacientes, foi possível a extubação na sala de operações. CONCLUSÃO: A janela xifóidea, sem a abertura do esterno, permitiu a correção da comunicação interatrial com bons resultados, podendo constituir-se em uma nova abordagem, minimamente invasiva.
1996
Barbero-Marcial,Miguel Jatene,Marcelo B Tanamati,Carla Ikari,Nana Miura Atik,Edmar Ebaid,Munir Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D
Efeitos do propofol na resposta contrátil do miocárdio à dopamina e dobutamina: estudo experimental em corações isolados de ratos
OBJETIVO: Estudo experimental das ações farmacodinâmicas do propofol e sua interação com a dopamina e dobutamina em corações isolados de ratos. MÉTODO: Foram estudadas as variações da contratilidade miocárdica (dT/dt), em 30 corações isolados de ratos. Em todos os animais, após anestesia por inalação de éter, os corações foram excisados e perfundidos em sistema de Langendorff com solução de Krebs - Hensleit enriquecida com 95% O2 e 5% CO2, (pressão de 90 cm de H2O, temperatura constante de 37,0ºC ± 0,5ºC). Foram estudados 30 animais divididos em: Grupo I (controle) - 10 corações perfundidos durante 11 minutos com solução de Krebs - Hensleit; Grupo II (dopamina-propofol-dopamina) -10 corações onde foram administrados dopamina (50 mcg/ml) e analisados os resultados nos 1º, 3º e 5º minutos e, posteriormente, propofol, (25 mcg/ml) infundindo-se 1 minuto após, dopamina (50 mcg/ml) e analisando-se os 1º, 3º e 5º minutos. Grupo III (dobutamina-propofol-dobutamina) - diferiu do Grupo II pela substituição da dopamina por dobutamina (50 mcg/ml). RESULTADOS: No Grupo I observou-se que a dT/dt variou de 39,57 ± 3,97 (g.seg-1) a 39,37 ± 3,44 (g.seg-1) (p>0,05) no período estudado. No Grupo II observou-se que, após a administração de propofol e dopamina, a dT/dt em (g.seg-1) apresentou queda de 17,61% (p<0,05) no 1º minuto; 8,37% (p<0,05) no 3º minuto e 10,84% (p<0,05) no 5º minuto, comparado à injeção isolada da dopamina. No Grupo III observou-se que, após a administração de propofol e dobutamina a dT/dt em (g.seg-1) sofreu acréscimo de 6,16% (p>0,05) no 1º minuto; 3,62% (p>0,05) no 3º minuto e 3,08% (p>0,05) no 5º minuto, comparado à injeção isolada da dobutamina. CONCLUSÃO: O propofol (25 mcg/ml) não alterou a resposta contrátil do miocárdio à dobutamina (50 mcg/ml); no entanto, inibiu a resposta esperada pela ação da dopamina (50 mcg/ml) na contratilidade miocárdica.
1996
Pontes,José Carlos Dorsa Medeiros,Carlos Geraldo Sobral Gomes,Otoni M
Comportamento da artéria caudal bovina como enxerto biológico vascular alternativo: estudo experimental em cães. (Nota prévia)
Foram interpostos 20 segmentos de artéria caudal bovina (ACB), tratados com glutaraldeído e formaldeido, nas artérias femorais de 10 cães. O período de seguimento pós-operatório variou de 180 a 297 dias. Foram avaliados: função motora, pulsos (à palpação e ao ultra-sônar), variações das pressões arteriais sistólica, diastólica e média e fluxo através do enxerto, assim como consistência dilatação e coloração quando da retirada. Não houve óbitos, alterações da marcha ou processos inflamatórios nas feridas. Houve trombose total (15%), trombose mural focal (30%), reação linfoplasmocitária focal da adventícia (100%), calcificação unicamente das miocélulas (5%), reendotelização total (60%) e parcial (30%). Por apresentar adequação com diâmetro de pequenas artérias, ter comprimento suficiente para substituir ou atingir diversos segmentos de artérias distais, apresentar rápida endotelização, bem como ausência de rejeição, é demonstrada a receptividade ao uso da ACB como enxerto vascular alternativo.
1996
Arruda Filho,Mauro Barbosa Arruda,Mauro Barbosa
Cirurgia de revascularização do miocárdio minimamente invasiva com uso de enxerto composto: relato de caso
Este trabalho relata nossa experiência com a utilização de enxerto composto em cirurgia de revascularização do miocárdio minimamente invasiva (CRMMI). Uma alternativa para a CRMMI é o uso de enxertos compostos, nos casos em que se pretende revascularizar vários ramos coronarianos, quando a artéria torácica interna se apresenta curta ou ramifica-se precocemente. Foi operada paciente do sexo feminino, 54 anos, portadora de lesão de 90% em artéria interventricular anterior em seu terço proximal e que foi submetida à CRMMI por minitoracotomia esquerda. A artéria torácica interna esquerda (ATIE) foi amplamente dissecada utilizando-se bisturi longo, auxílio de ótica de videotoracoscopia e clipe para ligadura dos ramos intercostais. Após a secção da ATIE houve ausência de fluxo sangüíneo e evidência de hematoma e dissecção da sua luz no terço distai. Este segmento comprometido foi desprezado e a ATIE foi prolongada por interposição de segmento de veia safena autógena, tornando possível a anastomose com o ramo interventricular anterior. A operação teve duração de 3 horas. A paciente foi extubada após 4 horas de pós-operatório e o dreno pleural esquerdo foi retirado no 3º dia; a paciente evoluiu bem, não apresentando intercorrências clínicas pós-operatórias, tendo recebido alta hospitalar 5 dias após a operação. A cineangiocoronariografia pós-operatória comprovou anastomose patente. O estudo com ecodoppler realizado no 4º mês de pós-operatbrio mostrou derivação pérvia e fluxo de alta resistência. Em conclusão, o uso de enxerto composto para CRMMI mostrou ser uma alternativa eficaz para ampliar a extensão da ATIE, possibilitando a anastomose, quando a mesma é curta ou apresenta problemas de fluxo ou, ainda, se se pretende tratar mais de uma coronária
1996
Jatene,Fábio B Pêgo-Fernandes,Paulo Arbulu,Hector van Dyck Hayata,André Luiz Shinji Kalil,Roberto Molnár,László Jatene,Adib D
Aneurisma em ponte de veia safena para artéria coronária marginal esquerda, roto para o brônquio esquerdo
Paciente com duas cirurgias prévias de revascularização do miocárdio há 20 e 10 anos, respectivamente, apresentou subitamente quadro de dispnéia, dor torácica e hemoptise. Aos exames complementares, foi observado um grande aneurisma da ponte de veia safena para artéria marginal esquerda, parcialmente roto em brônquio esquerdo. O aneurisma foi corrigido, com sucesso, mas o paciente veio a falecer no 15º pós-operatório em conseqüência de uma infecção pulmonar.
1996
Souza,Luiz César Guarita Rojas,Salomon O. Mazzieri,Ricardo Senra,Dante F. Berlinck,Marcos F. Souza,Januário Manoel de Oliveira,Sérgio Almeida de
Cirurgia de revascularização do miocárdio em pacientes com cardiomiopatia isquêmica e disfunção ventricular acentuada: resultados imediatos e de longo prazo
Objetivo: Estudar aspectos ainda não esclarecidos relacionados a parâmetros clínicos pré-operatórios de prognóstico, risco cirúrgico, benefício funcional e sobrevida a longo prazo. Métodos: Foram analisados 71 pacientes com diagnóstico de cardiomiopatia isquêmica, com fração de ejeção ventricular esquerda < 30% e perfusão miocárdica pela cintilografia TL-201 antes e após a revascularização do miocárdio no período hospitalar e após a alta, com seguimento médio de 48 meses. Resultados: A mortalidade imediata foi de 2,8% e a sobrevida tardia em seguimento de 5 anos foi de 62,8%. Analisando todos os pacientes em relação à curva de sobrevida, não se verificou correlação da presença ou ausência da onda Q no ECG, com a presença de isquemia na cintilografia Tl-201, com o grau de fração de ejeção do ventrículo esquerdo e com a intensidade de insuficiência cardíaca (ICC) ou de angina. Comparando-se os pacientes sobreviventes com os que faleceram, verificou-se diferença estatisticamente significante em relação à maior presença de ICC classe funcional IV e de bloqueio de ramo esquerdo nos pacientes que faleceram. Conclusão: As presenças de insuficiência cardíaca classe funcional IV e de bloqueio de ramo esquerdo relacionaram-se a pior prognóstico. Devido ao mecanismo de morte ser multifatorial e a miocardiopatia isquêmica apresentar padrão miocárdico e arterial heterogêneos, é difícil estabelecer índices pré-operatórios de prognóstico para a revascularização do miocárdio. Os resultados cirúrgicos obtidos a curto e longo prazos demonstram a segurança do procedimento cirúrgico e o seu benefício em aumentar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes com cardiomiopatia isquêmica.
1997
OLIVEIRA,Sérgio F JATENE,Adib D SOLIMENE,Maria C OLIVEIRA,Sergio Almeida de MENEGUETTI,Cláudio JATENE,Fábio B STOLF,Noedir A. G PILEGGI,Fúlvio RAMIRES,José Antônio F
Cirurgia na endocardite infecciosa
A endocardite infecciosa continua com alta mortalidade, apesar de sofisticados meios diagnósticos e terapêuticos. Mesmo com o uso de novos antibióticos, a sua evolução continua muitas vezes desfavorável, levando o paciente ao óbito ou a lesões incapacitantes. A operação deve ser realizada precocemente para evitar a alta mortalidade com o tratamento clínico isolado. Este estudo avalia o tratamento cirúrgico de pacientes com endocardite infecciosa e complicações de alto risco. Foram realizadas 63 operações cardíacas para tratar as complicações em pacientes com endocardite infecciosa, no HSE-RJ, entre maio de 1982 a outubro de 1995. Trinta e dois (62,3%) pacientes apresentavam doença cardíaca prévia ou prótese valvar. A doença reumática foi encontrada em 24 (38,1%) pacientes. Febre, sopros e insuficiência cardíaca estavam presentes em 100% dos casos. A ecocardiografia revelou a presença de vegetações ou destruição valvar em todos os casos. A cultura das valvas e a hemocultura foram positivas em 10 (15,6%) e 29 (38,1%) casos, respectivamente. O critério para o tratamento cirúrgico foi a insuficiência cardíaca intratável em 57 (90,5%) casos, embolia sistêmica em 29 (46,0%) pacientes e infecção persistente em 24 (38,1%) casos. Foram implantadas 51 próteses mecânicas e 22 biopróteses. A valvulectomia tricúspide foi realizada em 4 pacientes. A mortalidade cirúrgica foi de 17,5% e todos os pacientes sobreviventes permaneceram em classe funcional I ou II, sem infecção.
1997
FILGUEIRAS,Carlos Luiz PASCOAL,Alan Tonassi CARVALHO,Heloisa Feijó de NUNES,Jorge de Albuquerque
Fatores preditivos de reversão a ritmo sinusal após intervenção na valva mitral em pacientes com fibrilação atrial crônica
Pacientes portadores de valvopatia mitral resultante de febre reumática podem exibir fibrilação atrial decorrente de alterações anatômicas e funcionais da musculatura atrial esquerda. Quando a terapêutica da lesão mitral requer correção cirúrgica, observa-se, em alguns pacientes com fibrilação atrial, retorno ao ritmo sinusal. O objetivo do presente estudo foi o de identificar, em pacientes com valvopatia mitral e fibrilação atrial, variáveis capazes de prever o ritmo cardíaco após operação corretiva. Realizamos, para este fim, um estudo retrospectivo das seguintes variáveis: idade, sexo, duração da fibrilação atrial no pré-operatório, diâmetro do átrio esquerdo, fração de ejeção, diagnóstico da valvopatia, tipo de operação empregada e presença de operação cardíaca prévia, a partir de: história clínica, eletrocardiograma, ecocardiograma e nota cirúrgica, presentes no prontuário de cada doente. Os resultados mostraram não haver diferença estatisticamente significativa entre o grupo com retorno ao ritmo sinusal e o grupo que permaneceu em fibrilação atrial para as seguintes variáveis: idade, sexo, duração da fibrilação atrial, diâmetro de átrio esquerdo, fração de ejeção, tipo de operação realizada e presença de operação cardíaca prévia. Os pacientes com insuficiência mitral e diâmetro de átrio esquerdo menor que 52 mm apresentaram maior chance de retorno para ritmo sunusal após operação (OR = 1,945; p = 0,02). A identificação de pacientes com elevada possibilidade de manutenção de fibrilação atrial, após a operação para correção de valvopatia mitral, torna o emprego de terapêutica cirúrgica, para a citada arritmia, procedimento a ser considerado na estratégia definida no pré-operatório. Excluindo-se aqueles com átrio esquerdo menor de 52 mm e insuficiência mitral, todos os demais casos com fibrilação atrial crônica seriam candidatos a procedimentos específicos para reversão da arritmia.
1997
MARATIA,Claudia KALIL,Renato A. K SANT'ANNA,João Ricardo M PRATES,Paulo R WENDER,Orlando C TEIXEIRA FILHO,Guaracy F ABRAHÃO,Rogério OLIVEIRA,Flávio P NESRALLA,Ivo A
Tratamento cirúrgico da insuficiência aórtica nos aneurismas e dissecções da aorta ascendente pela técnica de Tirone David
Aneurismas da aorta ascendente (AAA) e dissecções agudas da aorta (DAA) são defeitos que cursam com insuficiência valvar aórtica (IAo) na maioria dos pacientes, geralmente causada por vários mecanismos. Em 30% a 50% dos casos, os folhetos aórticos são morfologicamente normais, possibilitando a reconstrução através do reimplante da valva e das artérias coronárias em um tubo corrugado de Dacron e pericárdio bovino. Descrita por Tirone David, esta técnica evita a prótese valvular e, provavelmente, nos casos de AAA, corrige definitivamente os mecanismos envolvidos. No período de novembro de 1994 a dezembro de 1995 operamos 11 pacientes, que foram assim divididos: Grupo I: DAA, 5 pacientes, todos com o Tipo 1 de DeBakey, sendo 4 agudos e 1 crônico; Grupo II: AAA, 6 pacientes, a maioria com idade acima de 50 anos. No Grupo I empregamos hipotermia profunda, parada circulatória total e perfusão cerebral retrógrada. No Grupo II usamos hipotermia moderada a 28oC. Em ambos a proteção miocárdica foi realizada através de infusão anterógrada intermitente e isotérmica de solução cardioplégica sangüínea associada a solução salina gelada no pericárdio. Dois (18,2%) pacientes faleceram na fase hospitalar e 1 (9%) tardiamente, todos do Grupo I, e 8 vêm sendo acompanhados, com tempo máximo de 13 meses de seguimento. Todos os pacientes sobreviventes (9/11) foram submetidos a estudo ecocardiográfico antes da alta e nenhum apresentou disfunção valvar aórtica. Em dezembro de 1995, todos que sobreviviam (8/11) foram reavaliados por ecocardiografia e os resultados são mostrados neste trabalho. Concluímos que o reimplante da valva aórtica descrito por David é um método efetivo de tratamento da IAo associada aos AAA e DAA. Mesmo sendo pequeno o número de pacientes e o seguimento desta série, acreditamos que a tentativa de evitar o implante de próteses valvulares é encorajadora para ambos, cirurgião e paciente, em um seleto número de casos.
1997
PEREIRA,Wagner M FROTA FILHO,José Dario NOGUEIRA,Aldemir SANTOS,Carlos S DUNCH,Andréa VALLENAS,Mário JUNG,Luís A LUCCHESE,Fernando A
Ausência de ventriculotomia previne arritmias ventriculares pós correção da tetralogia de Fallot?
Arritmias ventriculares são eventos tardios freqüentes após correção da tetralogia de Fallot (TF). Morte súbita, possivelmente relacionada a arritmias, é responsável por mais de 40% dos óbitos tardios. Fibrose cicatricial pela ventriculotomia direita poderia ser fator predisponente a eventos arrítmicos. A abordagem atrial teria vantagens por evitar lesão das coronárias, não comprometer a dinâmica ventricular e prevenir arritmias tardias. Trabalhos prévios demostraram não haver melhor desempenho hemodinâmico no procedimento pós-operatório imediato na correção atrial. Nesta série, procuramos analisar a incidência de arritmias ventriculares tardias no Grupo de correção atrial, comparativamente à ventriculotomia direita. Entre 1988 e 1995, 238 pacientes foram submetidos a correção cirúrgica da TF, sendo 28 por via exclusiva atrial (Grupo A) e 210 por via ventricular (Grupo V). Os grupos eram semelhantes quanto a idade, sexo, peso, altura e superfície corporal. A escolha da abordagem foi aleatória. Pacientes que sofreram qualquer ventriculotomia foram incluídos no Grupo V. Avaliamos a ocorrência de BAV transitório ou definitivo no p.o. imediato e a presença de arritmias atriais e ventriculares no ECG comum obtido na última consulta ambulatorial. O tempo de acompanhamento foi 45 ± 22 m no Grupo A e 33 ± 24 m no Grupo V. Não houve BAV transitório ou definitivo no Grupo A. Ocorreram 7% BAV transitórios e 2% definitivos no Grupo V (NS). Arritmias supraventriculares foram 17,4% no Grupo A e 12,0% no Grupo V (NS). Arritmias ventriculares foram 13,0% A e 3,8% V (NS). A evolução clínica quanto ao alívio da estenose pulmonar, eventos p.o. imediatos e classe funcional foi semelhante em ambos os grupos. Resultados publicados de mapeamento eletrofisiológico de VD demonstram anormalidade da despolarização, não apenas na parede livre, mas também no septo, banda parietal e ápex, sendo as arritmias ventriculares mais freqüentes e mais graves em casos da despolarização alterada no VD. Entretanto, não se encontra correlação entre arritmias e ventriculotomia. Concluímos que a abordagem atrial não previne a ocorrência de arritmias ventriculares no p.o. tardio de TF.
1997
KALIL,Renato A. K PRATES,Paulo R SANT'ANNA,João Ricardo M PRATES,Paulo R Lunardi VEDOLIN,Leonardo TEIXEIRA FILHO,Guaracy F WENDER,Orlando C OLIVEIRA,Flávio P ABRAHÃO,Rogério NESRALLA,Ivo A
Assistência circulatória com aparelho Heart Mate® na Cleveland Clinic Foundation: experiência inicial e futuras aplicações
Objetivo: Estudar a experiência inicial em assistência circulatória ventricular esquerda com o aparelho pneumático implantável Heart Mate® 1000 IP, analisando suas características e aplicações clínicas. Material e Métodos: Entre dez/91 e set/94 (45 meses) 33 pacientes em choque cardiogênico por miocardiopatia isquêmica ou dilatada foram assistidos, com esse aparelho, por um tempo de 0 a 153 dias (média de 76 dias, nos pacientes que chegaram a ser transplantados). O diagnóstico, o tempo de assintência circulatória, os parâmetros hemodinâmicos (índice cardíaco, gradiente transpulmonar, fração de ejeção do ventrículo direito, resistência vascular pulmonar e variação da área do ventrículo direito), assim como as complicações clínicas são apresentados e discutidos. Valores pré e pós implante são apresentados como média +/- desvio padrão e comparados por teste T pareado. Resultados: A melhora hemodinâmica foi estatisticamente significante (p<0,05). Houve 9 (27,3%) óbitos, pelas seguintes complicações: sepse, falência de VD e insuficiência respiratória. Vinte e quatro pacientes foram transplantados. Não houve nenhum caso de tromboembolismo. Conclusões: Houve melhora clínica em pacientes com elevado risco para transplante cardíaco de urgência, com relativamente baixa taxa de morbi-mortalidade durante a assistência e alta taxa de transplantes (69,7%). Os resultados encorajam o uso desse aparelho para tratamento da fase final da insuficiência cardíaca congestiva grave.
1997
GAUZE,Theófilo VARGO,Rita HOOK,Robert SAVAGE,Robert McCARTHY,Patrick M
Rotura traumática da aorta torácica: tratamento cirúrgico
No período de julho de 1986 a dezembro de 1995, foram operados 12 pacientes com rotura traumática da aorta torácica. Nove pacientes apresentavam rotura aguda da aorta e 3 rotura crônica. Em todos os pacientes a lesão localizava-se logo abaixo da emergência da artéria subclávia esquerda (istmo). Onze pacientes foram operados sob pinçamento aortico simples e em apenas 1 associamos shunt não heparinizado entre a artéria subclávia esquerda e a aorta descendente. O tempo médio de pinçamento aórtico foi de 33,2 minutos. Onze pacientes sobreviveram. Um paciente faleceu no pós-operatório imediato, devido a sangramento, e outro apresentou paresia de membros inferiores. Dez pacientes evoluíram sem complicações no pós-operatório. Concluímos que a correção da rotura traumática da aorta torácica, sob pinçamento aórtico simples, é técnica aceitável no tratamento cirúrgico desta lesão.
1997
SAMPAIO,Dielson Teixeira SANTOS,João Marcos de Vasconcellos LOBO Jr,Nílcio Cunha FIGUERÓ,João Virgílio Uchoa LOPES,Caetano S NOVAES,Fernando R PAULA FILHO,Maurício Cleber de VERSIANI,Giovani Cardoso FIGUEROA,Carlos Camilo Smith
Tumores cardíacos: 10 anos de experiência
Objetivo: Avaliar a experiência cirúrgica do grupo no tratamento dos tumores cardíacos durante o período de janeiro de 1985 a dezembro de 1994. Casuística e Métodos: De um total de 2268 cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea realizadas neste período de 10 anos, 6 foram para extirpação de tumores intracavitários, perfazendo 0,26% dos casos. Destes, 3 eram mixomas de átrio esquerdo, 1 fibroelastoma papilar de valva mitral, 1 rabdomioma de ventrículo esquerdo e 1 fibroma de ventrículo esquerdo. A forma clínica de apresentação foi embolia sistêmica (3 casos) ou insuficiência cardíaca (3 casos). O diagnóstico foi ecocardiográfico (5 casos) e angiográfico (6 casos). Resultados: Todos os pacientes tiveram evolução imediata favorável, exceto 1 deles, com mixoma de átrio equerdo, que evoluiu com mediastinite e septicemia, vindo a falecer e constituindo o único óbito hospitalar. O seguimento pós-operatório tardio, obtido em 4 pacientes (15 a 111 meses - média 49 ± 36,8 meses), não detectou qualquer recidiva, encontrando-se todos em classe funcional I (NYHA). Conclusões: Os autores concluem que os tumores cardíacos são bastante raros, de fácil diagnóstico desde que considerados, na grande maioria benignos e que cursam favoravelmente com a extirpação cirúrgica.
1997
MIANA,Antônio Augusto PASSOS,Pedro Horácio Cocenza WHITAKER,Joseph Fredric LOURES,João Batista Lopes PIMENTEL,Rogério de Castro MUNIZ,Antônio José BORGES,Ângela de Fátima LIMA,Maria Augusta de Mendonça LAMIN,Raul Fernando Binato
Estimulação DDD com eletrodo único usando estimulação atrial bifásica simultânea: primeiros resultados clínicos
A estimulação de dupla câmara (DDD) com eletrodo único usando eletrodo atrial flutuante está limitada em função dos altos limiares encontrados para captura atrial. Avaliamos um sistema novo de cabo eletrodo para estimulação atrial que utiliza dois anéis atriais com pulsos de onda quadrada simultâneos unipolares lançados com polaridade oposta. O primeiro pulso é aplicado ao pólo distal do eletrodo e é positivo, o segundo pulso é aplicado ao pólo proximal do eletrodo e é negativo, ambos em relação à carcaça do gerador. O atraso entre os dois pulsos é programável entre 0,0 ms e 1,0 ms. A distância entre os anéis a nível atrial é de 10 mm e a distância entre o pólo distal atrial e o eletrodo ventricular unipolar pode ser selecionado entre 11, 13 e 15 cm. O posicionamento dos anéis a nível atrial é selecionado de acordo com a medida do limiar de estimulação do pulso bifásico simultâneo, incluindo manobras respiratórias para confirmar a captura/sense contínuos. O gerador de pulso tem uma única conexão para o eletrodo e a capacidade de aplicar os pulsos programáveis de onda quadrada com polaridades opostas, com atrasos programáveis de 0,0 a 1,0 ms. O gerador pode ser programado para estimulação VDD com eletrodo único. Este sistema foi implantado em 4 pacientes com bloqueio AV total e função sinusal normal. Os limiares de estimulação atrial e diafragmático foram medidos com várias configurações do pulso, larguras e atrasos, intra e pós-operatórios. A porção média do átrio direito foi selecionada como a melhor posição para os anéis atriais com captura contínua durante inspiração profunda. As medidas intra-operatórias e pós-operatórias (48 horas) foram: Limiar Intra-operatório Pós-operatório atrial unipolar 3,2 + 0,47 V não realizada atrial (bifásico simultâneo) 1,6 + 0,37 V 3,37 + 0,84 V diafragmático acima de 7 V 5,21 + 0,3 V sense de onda P 2,35 + 1,3 mV 1,27 + 0,8 mV Os pacientes tiveram alta com o gerador programado no modo VDD. A evolução de 30 dias após o implante mostrou perda de captura atrial transitória durante inspiração em 1 paciente, apesar da ausência de outras variações no limiar, comparado com a evolução de 48 horas pós implante. Em conclusão, a estimulação bifásica simultânea reduz o limiar de estimulação atrial, ao mesmo tempo em que mantém o sense atrial adequado com uma margem de segurança em relação à estimulação diafragmática.
1997
LUCCHESE,Fernando A HALPERIN,Cídio PEREIRA,Wagner M FROTA FILHO,José Dario BLACHER,Celso LEÃES,Paulo E STRÖBEL,Jörg SCHALDACH,Max
Bloqueio atrioventricular de alto grau induzido pela cirurgia cardíaca: estudo de critérios de reversibilidade
O bloqueio atrioventricular de alto grau (BAVG) pode se manifestar, em pequena incidência (2,1%), no pós-operatório de cirurgia cardíaca e ter caráter temporário ou permanente. Na ausência de critérios de reversibilidade, o tempo de permanência superior a 15 dias é indicativo de marcapasso cardíaco permanente (MPCP). Casos isolados poderão reverter após este período. Num estudo de 4 casos de bloqueio em 300 intervenções cardíacas, os autores confirmam que a freqüência cardíaca e a comparação das características do QRS nos períodos antes, durante e após o bloqueio não constituem critérios de reversibilidade; o eletrograma do feixe de His é dispensável na adoção da conduta; o período de 15 dias é adequado para a indicação do MPCP e o tempo corrigido de recuperação do marcapasso é indicativo de atividade juncional ou idioventricular incerta e deve ser estudado como critério de reversibilidade.
1997
NASCIMENTO,Celso Soares VIOTTI JÚNIOR,Luiz Amaury SILVA,Luiz Henrique Fernandes da ARAÚJO,Adriana Maria de BRAGALHA,Antoninha Marta Leite Azevedo GUBOLINO,Luiz Antônio
Tratamento cirúrgico da comunicação interventricular e rotura da parede livre do ventrículo esquerdo após infarto agudo do miocárdio e da disjunção atrioventricular após troca da valva mitral, empregando o dispositivo de isolamento ventricular (DIV):: estudo experimental
A rotura de parede livre do ventrículo esquerdo (VE) e a comunicação interventricular (CIV) por rotura de septo são dois eventos catastróficos que podem complicar a evolução do infarto agudo do miocárdio (IAM). A oportunidade do tratamento cirúrgico, o acesso à CIV e a técnica cirúrgica ideal para o tratamento desta complicação são muito discutidos na literatura (1-5). Os resultados, porém, são quase unânimes: alta taxa de mortalidade. A rotura da parede posterior do ventrículo esquerdo pós troca da valva mitral (disjunção atrioventricular) não é uma complicação rara, sendo quase sempre fatal (6, 7). O objetivo de nosso trabalho é discutir a alternativa de tratamento cirúrgico destas graves lesões, sem o manuseio direto do músculo cardíaco friável, necrozado. Desenvolvemos e testamos em animais (carneiros) o dispositivo de isolamento ventricular (DIV). No período de 12/7/95 a 10/1/96, operamos 12 carneiros adultos para o implante do DIV. No primeiro período de aprendizado da técnica de implante e de desenvolvimento da prótese, operamos 7 animais, sem sucesso. No segundo período operamos 5 animais, já com o DIV completamente desenvolvido e com a técnica cirúrgica já padronizada; obtivemos sucesso com todos os animais, sobrevivendo com bom débito cardíaco, constatado ao ecocardiograma e à ventriculografia. Após 20 dias de sobrevida, os animais foram submetidos a ventriculografia e ecocardiografia. Observamos o completo isolamento da cavidade ventricular com o emprego do DIV, obtendo o tratamento provisório destas graves lesões.
1997
BERNARDES,Rodrigo de Castro LIMA,Luís Cláudio Moreira GOMES,Maurício C RABELO,Walter REIS FILHO,Fernando Antônio Roquete CASAGRANDE,Ivan S. Joviano
Efeito protetor da criocardioplegia cristalóide na isquemia global e reperfusão durante circulação extracorpórea: um mecanismo dependente do endotélio?
Estudos prévios demonstraram que o comprometimento da produção de EDRF/NO mediada por receptores, após isquemia global e reperfusão, possa ser devido a uma disfunção de G-proteínas que liga os receptores da célula endotelial à via da síntese de EDRF/NO. O presente trabalho experimental sugere que a criocardioplegia cristalóide, associada a hipotermia tópica, previne ou pode reverter, em parte, a disfunção endotelial nas mesmas condições. Mais estudos serão necessários para conclusões mais definitivas, pois as análises estatísticas mais acuradas sugeriram aumento da amostragem. Este detalhe talvez seja devido às grandes dificuldades de uniformização relacionada a este tipo de experimentos. Além disso, demonstrou-se pela primeira vez que a hipotermia, por si só, pode estimular a liberação de EDRF/NO pelo endotélio vascular. Isto sugere que o endotélio possa ser um importante sensor de mudanças da temperatura sangüínea e tem importantes implicações para o entendimento da fisiologia da CEC e dos mecanismos locais de auto-regulação.
1997
ÉVORA,Paulo Roberto B PEARSON,Paul J DISCIGIL,Berent OELTJEN,Marilyn SCHAFF,Hartzell V