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Pericárdio bovino utilizado como remendo no sistema cardiovascular
O comportamento do pericárdio bovino, preservado em glutaraldeído, na confecção de próteses valvulares é bem conhecido. Embora amplamente empregado na forma de retalho, foi pouco estudado neste sentido. Com esta finalidade, 21 cães foram submetidos ao implante cirúrgico de um retalho padronizado de pericárdio bovino substituindo, parcialmente, as paredes da aorta, do átrio esquerdo e do pericárdio. Os cães foram, casualmente, separados em três grupos, segundo o tempo de reoperação. O Grupo 1 com 6 cães reoperados entre 33 e 43 dias; o Grupo 2 com 7 cães reoperados entre 120 e 165 dias e Grupo 3 com 8 cães reoperados entre 225 e 305 dias. Os exames micro e macroscópico evidenciaram: 1) a superfície rugosa do retalho do pericárdio bovino aderiu às estruturas vizinhas, enquanto a superfície lisa pouco aderiu ao epicárdio; 2) o retalho de pericárdio bovino não sofreu alteração estrutural, independentemente da localização de implante; 3) a área final de remendo atrial esquerdo foi significantemente menor do que a dos remendos aórtico e pericárdico, para os cães dos Grupos 2 e 3; 4) a área do remendo atrial diminuiu significantemente, enquanto da aorta e do pericárdio não sofreram alteração com o tempo; 5) a espessura do remendo do pericárdio foi significantemente menor do que a dos remendos da aorta e átrio esquerdo, para cães do Grupo 3; 6) ocorreu a formação de uma camada de tecido conjuntivo fibroso na superfície lisa dos retalhos implantados no átrio esquerdo e na aorta. A espessura do tecido de aposição interna foi significantemente maior no átrio esquerdo do que na aorta, nos Grupos 1 e 2; 7) o tecido de aposição interna dos remendos atrial e aórtico sofreu calcificação nos cães dos Grupos 2 e 3; 8) o tecido de aposição interna dos remendos atrial e aórtico sofreu neoformação de fibras elásticas que aumentou nitidamente com o tempo de implante. Diante do achado, concluímos que o comportamento do pericárdio bovino preservado em glutaraldeído, na forma de retalho, para a confecção de remendo, em cirurgia cardiovascular depende: 1) da superfície de contato; 2) da tensão a que é submetido; 3) do contato com a corrente sangüínea.
1997
PIRES,Adilson Casemiro SAPORITO,Wladimir Faustino LEÃO,Luís Eduardo Villaça FORTE,Vicente CARDOSO,Sigmar Horst RAMACIOTTI,Osiris
Fluxo coronário desregulado durante reperfusão pós cardioplegia
Estudaram-se a demanda metabólica e a distribuição do fluxo coronariano na presença de fibrilação ventricular (FV), durante a reperfusão pós-cardioplegia. Foram colocados 15 suínos em circulação extracorpórea e submetidos a parada cardíaca cardioplégica sangüínea anterógrada hipotérmica intermitente, durante uma hora, seguida por reperfusão miocárdica controlada. Os animais foram divididos em três grupos (n=5), conforme estivessem em assistolia (Grupo 1) ou em FV de curta (Grupo 2) ou longa duração (Grupo 3), durante os dez primeiros minutos de reperfusão. Os valores do consumo miocárdico de oxigênio (MVO2), em ml O2/min/g (média ± erro padrão) durante a reperfusão foram de 1,325 ± 0,144 (Grupo 1); 2,472 ± 0,208 (Grupo 2) e 2,469 ± 0,228 (Grupo 3). A diferença entre o MVO2 dos corações em assistolia e o dos corações em FV, quer de curta ou longa duração, foi significante (p<0,001). A relação entre os fluxos sangüíneos endo e epicárdico, bem como o fluxo sangüíneo coronário global (ml/mim/100g) foram semelhentes nos 3 grupos. Os valores dessa última variável, em ml/mim/100g, corresponderam a, respectivamente, 169,3 ± 11,7; 185,0 ± 15,7 e 179,9 ± 13,2. Os resultados demonstram que a auto-regulação coronária está alterada durante a fase inicial de reperfusão pós criocardioplegia, pois a perfusão miocárdica não aumentou em resposta à elevação do consumo de oxigênio imposta pela FV. Essa constatação, de grande interesse clínico, sugere que a ocorrência de FV durante a fase inicial da reperfusão possa contribuir para o desenvolvimento de lesões teciduais em corações cujo fluxo coronário já esteja previamente comprometido, por obstrução coronária, distensão ou hipertrofia ventricular.
1997
VICENTE,Walter V. A HOLMAN,William L. Ferguson,Edward R. Spruell,Russell D. Murrah,Charles P. PACIFICO,Albert D.
Proteção cerebral durante parada circulatória total a 28°C
As operações de aneurismas do arco aórtico dependem do tempo de parada circulatória hipotérmica total (PCH). Diversas técnicas têm sido propostas para melhorar a proteção do cérebro e estender o tempo seguro de isquemia (45 minutos em hipotermia profunda). A proteção cerebral durante duas horas de parada circulatória hipotérmica foi estudada em 23 suínos, divididos em quatro grupos. Nos grupos de controle, 8 animais foram submetidos a anestesia (Grupo 1) e a circulação extracorpórea (Grupo 2). Os outros dois grupos foram à PCH associada à perfusão cerebral anterógrada a 28°C (Grupo 3) e a PCH associada a perfusão retrógrada do cérebro a 28°C (Grupo 4). A proteção cerebral foi avaliada pelo estudo histológico e pelo metabolismo celular cerebral estudado pela espectroscopia por ressonância nuclear magnética (RNM). Durante a PCH associada à perfusão cerebral anterógrada a 28°C, o metabolismo cerebral manteve-se normal durante todo o experimento e houve preservação das estruturas cerebrais no estudo histológico. Na PCH com a perfusão cerebral retrógrada a 28°C, o pH intracelular, a fosfocreatina (PCr) e o trifosfato de adenosina (ATP) diminuíram durante o período de parada circulatória e não retornaram aos seus níveis normais durante a reperfusão, permanecendo o cérebro em grave acidose intracelular. Concluímos que, durante duas horas de PCH, a perfusão anterógrada a 28°C proporcionou uma adequada proteção ao cérebro. A PCH associada à perfusão retrógrada em hipotermia moderada a 28°C não proporcionou proteção cerebral, no estudo metabólico e histológico.
1997
FILGUEIRAS,Carlos Luiz EDE,Maurício Ryner,Lowrence YE,Jian ARONOV,Alex KOZLOWSKI,Piotr SUN,Jiankang YANG,Loujia Saunders,John K. DESLAURIERS,Roxane SALERNO,Tomas A
Transplante cardíaco em Campo Grande - MS. Redução significativa de lesão coronária pós transplante: relato de caso
No Serviço de Cirurgia Cardíaca da Santa Casa de Campo Grande/MS - foi realizado, em 23 de setembro de 1994, um transplante cardíaco ortotópico no paciente C.A.D., 27 anos, portador de miocardiopatia dilatada idiopática, o qual transcorreu sem anormalidades. O paciente recebeu alta da UTI com 7 dias e alta hospitalar no 40º dia de pós-operatório, recebendo ciclosporina, azatioprina e prednisona para manutenção do enxerto, captopril, furosemida e aspirina. Apresentou no 1º ano de seguimento 2 episódios de rejeição, leve e moderada, sendo modificada a posologia dos imunossupressores. Em setembro de 1995, nos exames de seguimento, foi detectada, na coronariografia, lesão obstrutiva de 50% em artéria coronária direita. Decidiu-se modificar a terapêutica do paciente, iniciando diltiazen substituindo o captopril, e associando-se complexo vitamínico (betacaroteno, C e E) mais selênio, na tentativa de evitar progressão da lesão obstrutiva. Foi também realizada orientação dietética por nutricionista. Após 12 meses com a nova terapêutica, a coronariografia mostrou redução significativa da lesão obstrutiva em artéria coronária direita. Durante todo o período de seguimento o paciente apresentou níveis normais no lipidograma. Hoje o paciente encontra-se no terceiro ano de seguimento, assintomático e tendo suas atividades habituais sem intercorrências.
1997
CALDAS,Marcos Vinícius R. P. SANTOS,René André B. FERREIRA JÚNIOR,Wilson BARBOSA,Carlos Ildemar C. COUTO,Gustavo José Ventura JAZBIK NETO,João
Ventriculectomia parcial esquerda: ponte para transplante em pacientes com insuficiência cardíaca refratária e hipertensão pulmonar
A insuficiência cardíaca congestiva refratária a tratamento clínico tem no transplante cardíaco ortotópico a sua melhor opção cirúrgica. Escassez de doadores, morbidade significativa associada com a terapêutica anti-rejeição, aterosclerose coronária e custos consideráveis associados com o transplante são fatores responsáveis pela sua limitada aplicação. Para os que se encontram na lista para transplante, o período de espera de 6 meses a 1 ano pode levar à deterioração hemodinâmica e expressivo número de mortes. A sobrevida, na lista de espera, pode ser de 46% em 1 ano (1). Afora isso, um significativo número de pacientes tem contra-indicação para transplante, por apresentar hipertensão e resitência pulmonar elevadas. A ventriculectomia parcial esquerda (VPE) (2, 3), restaurando o raio do ventrículo esquerdo e melhorando, assim, a relação massa-volume e o desempenho sistólico, pode propiciar diminuição da pressão e da resistência arterial pulmonar, em alguns pacientes.
1997
LUCCHESE,Fernando A. FROTA FILHO,José Dario BLACHER,Celso PEREIRA,Wagner M. LEÃES,Paulo E. Lúcio,Eraldo A. SODRÉ,Carlos NOGUEIRA,Silvio JUNG,Luiz A.
Revascularização do miocárdio sem circulação extracorpórea com uso de shunt intracardíaco: 12 anos de experiência
Os autores apresentam a experiência com a técnica desenvolvida em 1983, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que consiste em substituir a circulação extracorpórea nas operações de revascularização do miocárdio, por uma derivação (shunt), introduzida na luz da coronária. Este shunt consiste em um pequeno tubo de silicone, flexível, transparente, com diâmetros variando de 1 a 3 mm, que permanece na luz do vaso durante a feitura da anastomose entre o enxerto e a coronária. Esta técnica oferece mais segurança ao paciente, por dispensar o uso da circulação extracorpórea e, conseqüentemente, os seus malefícios, além de evitar isquemia do miocárdio durante a anastomose e mantendo um campo cirúrgico sem sangue, facilitando, assim, a realização da anastomose. De 1983 a 1995, foram operados 419 pacientes, tendo sido realizados 671 enxertos, dos quais 153 com a artéria torácica interna para as coronárias das faces anterior e inferior do coração. A mortalidade hospitalar foi de 1,43%, com 1,67% de incidência de infarto do miocárdio no intra-operatório. A técnica mostrou ser segura, sem complicações graves durante o seu emprego. Os pacientes evoluíram bem no pós-operatório imediato, necessitando menor tempo de intubação, menor permanência na UTI ou internação. Em um grupo inicial estudou-se a qualidade das anastomoses, através da cinecoronariografia pós-operatória em um período médio de 24 meses, mostrando uma taxa de enxertos pérvios de 84%. A técnica mostrou ser simples, segura e econômica, além dos benefícios ao paciente, por ser menos agressiva. Com o advento da cirurgia minimamente invasiva, esta técnica traz a contribuição definitiva para maior segurança dos pacientes.
1997
RIVETTI,Luiz Antônio GANDRA,Sylvio M. A. SILVA,Ana Maria R. Pinto e CAMPAGNUCCI,Valquíria P.
Cirurgia de revascularização do miocárdio minimamente invasiva: resultados com o uso da videotoracoscopia e do estabilizador de sutura
Objetivo: No sentido de associar os maiores benefícios da operação de revascularização do miocárdio tradicional com a utilização da anastomose da artéria interventricular anterior, com vários dos benefícios da angioplastia, alguns grupos têm começado a realizar a cirurgia de revascularização do miocárdio minimamente invasiva. O objetivo deste trabalho é o relato de nossa experiência inicial com essa abordagem técnica, especialmente com a utilização de videotoracoscopia (VDT) e do estabilizador de sutura (ES). Métodos: Foram operados 73 pacientes, sendo 51 do sexo masculino, com idades variando de 37 a 83 anos, com média de 61,2 anos, portadores de lesão isolada do ramo interventricular anterior acima de 80%. Foi utilizada intubação orotraqueal com sonda de duplo lume. O paciente foi colocado em decúbito lateral direito com 30 graus de rotação. A minitoracotomia anterior, com 8 a 10 cm de extensão, foi realizada no quarto espaço intercostal. Através dessa incisão foram colocados a ótica da videotoracoscopia e os instrumentos cirúrgicos. O pericárdio foi aberto longitudinalmente e reparado para facilitar a exposição do RIA. Não foi utilizada circulação extracorpórea e a freqüência cardíaca foi diminuída no momento da anastomose com o uso de betabloqueador endovenoso. Para a realização da anastomose ATI-RIA, foi utilizado torniquete proximal e distal, além de uso de CO2 para manter o campo operatório livre de sangue. Previamente ao fechamento dos torniquetes, foi feita a administração de 1,5 mg/kg de peso de heparina endovenosa. A anastomose da ATI com o RIA foi realizada com fio de Polipropilene 7-0. O ES, dispositivo metálico acoplado ao afastador foi utilizado na parede anterior do coração, nos últimos 15 casos, para reduzir a movimentação cardíaca, criando condições para uma anastomose mais segura. Resultados: Todos os pacientes apresentaram boa evolução pós-operatória, sem complicações isquêmicas, estando em condições de alta hospitalar entre 2 e 13 dias após reavaliação da operação (média de 4 dias). Cineangiocoronariografia pós-operatória foi realizada em 48 (65,7%) pacientes, sendo que 2 (4,2%) mostraram oclusão na anastomose e 1 (2,1%) oclusão pós anastomose. Os pacientes estão assintomáticos, com seguimento médio de um ano após a cirurgia. No pós-operatório tardio, ocorreram duas mortes: uma devido a pneumonia e a outra a provável tromboembolismo. Conclusões: A cirurgia de revascularização do miocárdio minimamente invasiva mostrou ser uma boa alternativa para determinado grupo de pacientes com insuficiência coronária. Torna possível a operação com melhor estética, menor custo e possibilita uma recuperação mais rápida do que a operação convencional. O uso da VDT e do ES constitui avanço que busca trazer maior apoio técnico ao procedimento.
1997
JATENE,Fabio B. PÊGO-FERNANDES,Paulo M. ASSAD,Renato S. DALLAN,Luís Alberto HUEB,Wady ARBULU,Hector Edward Van Dyck HAYATA,André Luis Shinji STOLF,Noedir A. G. OLIVEIRA,Sérgio Almeida de JATENE,Adib D.
Revascularização do miocárdio com enxerto livre de artéria radial: experiência inicial
Foram estudados os resultados precoces do uso do enxerto livre de artéria radial (AR) para a revascularização do miocárdio em 20 pacientes operados no período de maio a novembro de 1996. Pertenciam ao sexo masculino 16 (80%) com média de idades de 57,1 anos (35 a 69). Foi utilizada a esternotomia mediana com o auxílio da circulação extracorpórea e a cardioplegia sangüínea intermitente em todos os casos. A AR foi retirada do membro superior não dominante e utilizada como parte aorto-coronária em 100% dos casos. Foi realizado um total de 64 enxertos, com média de 3,2 por pacientes (2 a 5). A AR foi anastomosada ao ramo diagonal 9 (45%) vezes, ao ramo marginal esquerdo da artéria circunflexa 6 (30%), à coronária direita 4 (20%) e ao ramo interventricular anterior 1 (5%). A artéria torácica interna esquerda (ATIE) foi utilizada em 100% dos pacientes, a artéria torácica interna direita (ATID) em 7 (35%), e a veia safena em 13 (65%). O diltiazen oral foi utilizado no período per-operatório para a prevenção do espasmo arterial. Não houve mortalidade hospitalar ou durante o seguimento de até 10 meses. Foi realizado estudo cineangiocoronáriográfico no período pós-operatório imediato em 17 (85%) pacientes, que mostrou fluxo normal na AR em 16 (94,1%). Não houve seqüelas no membro superior do doador. Os resultados observados são semelhantes aos obtidos com a revascularização do miocárdio pelas técnicas usuais no Serviço, sem incremento na morbimortalidade precoce. A normalidade precoce do enxerto de artéria radial mostrou-se comparável ao da artéria torácica interna esquerda, coincidindo com os recentes relatos da técnica.
1997
PIERACCIANI,Giorgio CORSO,Ricardo Barros MATA,José Alberto Martins da BRITO,José Carlos Raimundo GODINHO,Antônio Gilson Lapa ESTEVES,José Péricles
Dissecção minimamente invasiva da veia safena para obtenção de enxerto venoso na cirurgia de revascularização do miocárdio
São apresentados os resultados iniciais de pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio (RM), nos quais os enxertos venosos foram obtidos através de técnica minimamente invasiva. A técnica consiste na dissecção da veia safena através de incisões de 3 a 4 cm, repetidas a intervalos variáveis (de 8 a 14 cm) sobre o trajeto da veia cuja liberação é feita com auxílio de afastadores apropriados, ótica de iluminação e instrumental específico. A técnica permitiu a obtenção de segmentos de veia de 30 a 65 cm (média de 51,6 cm) através de 2 a 4 incisões na pele. O método foi usado com sucesso em 8 pacientes que receberam 25 enxertos venosos, além de enxertos arteriais. A evolução do membro inferior foi bastante em todos os pacientes, possibilitando deambulação precoce, redução da dor, edemas, hematomas e excelente efeito cosmético.
1997
DIAS,Ricardo Ribeiro JATENE,Fabio B. JATENE,Adib D.
Implante subvalvar do anel da prótese no tratamento cirúrgico dos aneurismas da aorta ascendente
Descreve-se modificação técnica da operação de Bentall e DeBono, para substituição completa da aorta ascendente e valva aórtica. Consiste na passagem de pontos separados em U, sucessivamente, no anel de fixação da prótese e no anel da valva aórtica. A posição subvalvar do anel protético, assim obtida, facilita o reimplante dos óstios coronários, sobretudo quando se encontram pouco deslocados, distalmente, como nos pequenos aneurismas. Além disso, a anastomose proximal tubo-aórtica, resulta mais segura. Quinze pacientes portadores de aneurisma da aorta ascendente foram operados por essa técnica: 14 com próteses separadas e 1 com tubo valvado. Com uma exceção, nos demais foi possível fazer o reimplante direto dos óstios coronários na prótese tubular. Ocorreram 2 óbitos hospitalares não relacionados à técnica. Os outros 13 pacientes foram seguidos por períodos variáveis de 72 dias a 109 meses, não se constatando qualquer disfunção da prótese valvar em avaliações clínicas e ecocardiográficas. Destes, 2 faleceram após 6 e 40 meses, de causa ignorada e dissecção de aneurisma toracoabdominal, respectivamente.
1997
SADER,Albert Amin CARNEIRO,João José VICENTE,Walter V. A. RODRIGUES,Alfredo José SADER,Soraya Lopes
Videocardioscopia em cirurgia cardíaca pediátrica
Objetivo: Analisar o uso da videocardioscopia nas intervenções cardíacas pediátricas. Métodos: No período de setembro de 1994 a junho de 1996, 8 pacientes portadores de cardiopatias congênitas complexas foram operados utilizando a videocardioscopia como método auxiliar para a correção cirúrgica. A idade variou de 5 a 13 anos (média de 9,9 anos). Resultados: O estudo videocardioscópico intra-operatório permitiu, em todos os casos, uma visibilização ampliada anatômica e dinâmica das estruturas intracardíacas antes e após a correção cirúrgica, possibilitando uma avaliação, ainda em circulação extracorpórea, do resultado final da operação, não havendo nenhuma complicação intra-operatória ou pós-operatória relacionada ao uso da cardioscopia. Conclusão: A videocardioscopia intra-operatória mostrou-se de grande valor para avaliação pré e pós correção de defeitos congênitos complexos.
1997
BARBERO-MARCIAL,Miguel TANAMATI,Carla JATENE,Marcelo B. ATIK,Edmar ISHIOKA,Shinishi UEDA,Sérgio S. JATENE,Adib D.
Detecção e análise do potencial de ação monofásico do miocárdio em pacientes com miocardiopatia e transplante cardíaco
A técnica do potencial de ação monofásico (MAP) é um método de obtenção de potencial in vivo, por meio de cateteres especiais, muito semelhante ao potencial de ação celular, porém, com a vantagem de não exigir o emprego de microeletrodos transmembrana in vitro na célula miocárdica. Este trabalho apresenta detalhes da construção de um cateter-eletrodo para aquisição de MAP endocárdico in vivo, bem como o desempenho do algorítmo desenvolvido para aquisição e análise automática dos sinais captados. Vários fatores afetam a fase de repolarização miocárdica, sendo pouco visíveis ao eletrocardiograma, porém, podem ser melhor identificados pelo MAP. As miocardiopatias e o transplante são situações que podem modificar o estado morfo-funcional da fibra miocárdica. O algorítmo desenvolvido para análise do MAP baseia-se na discriminação de características morfológicas e temporais dos potenciais. Inicialmente foram estudados 23 pacientes com indicação para realização de biópsia endomiocárdica, sendo que em 8 (34,8%) deles a biópsia foi indicada para complementar a avaliação da miocardiopatia idiopática e em 15 (65,2%) para controle de rejeição após transplante cardíaco ortotópico. Foram constituídos dois grupos de 5 pacientes, um com portadores de miocardiopatia (excluindo-se miocardite em atividade) e outro com transplante (estudados em duas situações distintas, sem e com rejeição em grau 3A ou superior). Com base nos resultados obtidos desta investigação, pode-se concluir que: 1) o cateter-eletrodo ora apresentado confirmou, na investigação clínica, o bom desempenho apresentado em pesquisa experimental para aquisição do MAP; 2) o algorítmo computadorizado mostrou-se adequado e com igual desempenho apresentado em estudo experimental; 3) as interferências que o MAP sofre nos corações com miocardiopatia ou transplantados, sem ou com rejeição, determinam alterações proporcionais de tal forma que conservam a morfologia da onda de repolarização; 4) durante os episódios de rejeição a velocidade de despolarização do miócito dobra ou triplica.
1997
FIORELLI,Alfredo I. STOLF,Noedir A. G. GAIOTTO,Fábio PINTO,Fernando Campos G. BACAL,Fernando CESTARI,Idágine NUNES,Carlos LEIRNER,Adolfo JATENE,Adib D.
Tratamento cirúrgico da taquicardia ventricular refratária: nova proposta técnica
A miocardiopatia provocada pela doença de Chagas cria, freqüentemente, circuitos elétricos de reentrada, possibilitando o desencadeamento de taquicardia ventricular, geralmente refratária (TVR) às drogas antiarrítmicas. Muitas vezes, este quadro desorganiza eletricamente os ventrículos, provocando a morte do paciente. Nova proposta técnica para tratamento da (TVR) foi empregada em 9 pacientes, portadores da doença de Chagas com esta arritimia, sendo 8 com aneurisma de ponta e 1 da região infero-basal. Na maioria dos casos, o foco da taquicardia encontrava-se fora da borda do aneurisma ou da área de fibrose, geralmente na região basal ou póstero-lateral do ventrículo esquerdo. A idade variou entre 34 e 62 anos, com média de 48. Quatro eram do sexo masculino e 5 do feminino. Todos encontravam-se no grau funcional III e IV e a maioria apresentava episódios freqüentes de síncope, provocados pela taquicardia. Em 2 dos pacientes havia relato de AVC prévio e foi encontrado aneurisma de ponta em 8, aneurisma póstero-basal com extensa fibrose em 1 e trombo intracavitário em 6. Durante o ato cirúrgico foram induzidas as taquicardias clínicas em todos os pacientes. Na região em que o toque do instrumental cirúrgico conseguiu interrompê-las, foram realizadas aplicações de radiofreqüência, através de cateteres de ablação, no centro e nas bordas do foco. Logo após, e no sétimo dia de pós-operatório, nenhuma taquicardia pôde ser induzida com os protocolos de estimulação ventricular programada. A evolução de 13 +/- 7 meses, sem uso de drogas antiarrítmicas, mostra que 8 estão assintomáticos e em classe funcional I e II. Um paciente, com doença pulmonar obstrutiva crônica, faleceu de insuficiência respiratória no pós-operatório tardio (3 meses), sem ter apresentado taquicardia. Em conclusão, esta técnica é facilmente reprodutível, podendo ser realizada com simplicidade, sem necessidade de aparelhagem sofisticada de eletrofisiologia, e apresenta alto grau de sucesso na cura da TVR. Em nossa casuística, até o momento, o índice foi de 100%.
1997
BRICK,Alexandre Visconti SEIXAS,Tamer Najar PORTILHO,Carlos Ferreira VIEIRA JÚNIOR,José Joaquim MATTOS,Jefferson Volnei de PERES,Ayrton Klier
Utilização de endoprótese auto expansível ("stent") posicionada na aorta torácica do cão
Este trabalho tem como objetivo a análise histológica de segmentos de aorta de cães submetidos ao implante de endopróteses ("stents" recobertos com Dacron). Para este fim, abordamos a aorta abdominal infra-renal por laparotomia paramediana esquerda. Após a heparinização, introduzimos neste segmento de aorta o cateter contendo o "stent" até a aorta torácica, onde procedemos à sua expansão. Todos os cães sobreviveram e foram sacrificados com 30, 60, 90 e 180 dias. A análise histológica demonstrou a perfeita integração da prótese com a parede da aorta e formação de uma neoíntima recobrindo a gaiola metálica. Acreditamos que a utilização dos "stents" deva contribuir para melhorar os resultados da correção cirúrgica das doenças da aorta.
1997
PAULA,Ivan Antônio Machado de PALMA,José Honório BRANCO,João Nelson R. GOLDENBERG,Saul MARCELINO,Márcia GEISTHOVEL,Nikolaus BUFFOLO,Ênio
Cardioplegia sangüínea normotérmica intermitente anterógrada: estudo experimental em coelhos
Objetivos: Investigar a proteção miocárdica proporcionada pela infusão anterógrada intermitente, durante 60 minutos, de solução cardioplégica sangüínea a 37°C, em corações normais isolados de coelhos. Material e Métodos: Foram estudados 32 coelhos da raça Nova Zelândia, divididos em grupos, Experimental e Controle. O estudo foi realizado em 2 fases: Fase I: Estudo metabólico após isquemia sem reperfusão, Fase II: Estudo metabólico e funcional após reperfusão. A reperfusão foi realizada utilizando-se um sistema de perfusão parabiótica. Determinou-se o glicogênio miocárdico e a respiração mitocondrial no miocárdio ventricular, imediatamente ao final do período de infusão intermitente da solução cardioplégica (Fase I) e após reperfusão sangüínea (Fase II), durante a qual analisou-se, também, a função ventricular esquerda (dP/dtmax). Resultados: Detectou-se queda significativa nos níveis de glicogênio miocárdico de 58% em relação ao controle, ao final do período de infusão (Fase I). Na fase com reperfusão (Fase II), as diferenças no glicogênio miocárdico entre o grupo experimental e seu controle não foram significativas. A análise da respiração mitocondrial não mostrou diferenças significativas entre os grupos experimentais e seus controles, quer seja nas fases com ou sem reperfusão. Os valores da dP/dtmax, na Fase II foram de 903,39 ± 113,46 mmHg/s e 1.043 ± 256,94 mmHg/s, para o grupo experimental e controle, respectivamente. A diferença entre os valores não foi significativa. Conclusões: A infusão anterógrada intermitente a cada 20 minutos, durante 60 minutos, de solução cardioplégica sangüínea a 37°C, mostrou-se um método eficaz de proteção miocárdica em corações normais de coelhos.
1997
RODRIGUES,Alfredo José SADER,Albert Amin VICENTE,Walter V. A. BASSETTO,Solange
Contratura isquêmica do miocárdio: estudo experimental em ratos
A contratura isquêmica do miocárdio (CIM) tem sido muito utilizada na investigação da fisiopatologia da isquemia global do coração. Este trabalho descreve um modelo experimental adequado ao estudo da CIM, em ratos. Foram empregados 8 animais da raça Wistar, anestesiados com éter sulfúrico. O coração, removido rapidamente por toracotomia, foi imerso em solução de NaCl 0,9% a 37°C. Por meio de um cateter-balão de látex introduzido na cavidade ventricular esquerda, insuflado sob pressão de 20 mmHg e conectado a um eletrofisiógrafo, registrou-se o início da CIM (TCI) e sua intensidade (IC). A dP/dT do fenômeno foi calculada. Definiu-se uma elevação de 5 mmHg na linha de base do traçado como indicativa do início da contratura. O ponto de inflexão da curva representou a intensidade da contratura (IC). A dP/dT foi calculada. Os resultados (média ± desvio padrão) obtidos foram semelhantes aos da literatura: TCI (min) = 15,5 ± 0,59; IC (mmHg) = 62,0 ± 5,81; dP/dT (mmHg/min) = 14,2 ± 3,05.
1997
VELUDO,Eduardo Tiveron ARANHA,Alexandre Luiz PACCHIONI,Alexandre OLIVEIRA,Gustavo Ribeiro de SADER,Albert Amin VICENTE,Yvone Avalloni de Moraes V. A. VICENTE,Walter V. A.
Tratamento cirúrgico da artéria coronária direita intra-atrial
A localização intracavitária da artéria coronária é rara. Segundo Ochsner & Mills (1), ela ocorreu com a artéria coronária direita em 0,9% e com o ramo interventricular em 0,2%. A localização da lesão e as condições patológicas relacionadas ao comprimento e diâmetro da coronária podem auxiliar na exposição da coronária intracavitária para uma revascularização apropriada. Freqüentemente os cirurgiões não estão habituados com a posição intracavitária e, durante a dissecção, podem abrir uma câmara cardíaca onde o vaso penetra. Os problemas que podem advir dai são a entrada de ar para a cavidade, a dificuldade na exposição do vaso, o sangramento e a obstrução da artéria durante o fechamento da miotomia. São relatados os casos de 3 pacientes que necessitaram de revascularização cirúrgica do miocárdio e que apresentavam a artéria coronária direita intracavitária. A localização e o comprimento da porção intracavitária da artéria auxiliam no manejo intra-operatório. A técnica utilizada para o fechamento da cavidade variou entre a anastomose na posição intracavitária com o fechamento da miotomia ao redor do enxerto (Figura 1), a liberação da artéria coronária para uma posição superficial (Figura 2), seguida da anastomose e fechamento da cavidade com sutura simples, feita subepicárdica.
1997
IGLÉZIAS,José Carlos R. DALLAN,Luís Alberto OLIVEIRA JÚNIOR,J. L. LOURENÇÃO JÚNIOR,Artur STOLF,Noedir A. G. OLIVEIRA,Sérgio Almeida de VERGINELLI,Geraldo JATENE,Adib D.
Fístula arteriovenosa coronário- pulmonar: tratamento cirúrgico
Fístulas arteriovenosas coronárias pertencem a um grupo de lesões cardíacas de difícil diagnóstico, por não apresentarem sintomas; quando suspeitadas de ocasionar o quadro clínico de um paciente, ou descobertas em exame de rotina, devem ser pesquisadas para o tratamento adequado. É relatado o caso de homem de 65 anos de idade, com história de precordialgia súbita, evoluindo para IAM de parede inferior, cuja investigação revelou a presença de fístulas de artérias coronárias direita e esquerda para tronco pulmonar. Após tratamento clínico seguido da operação, demonstrou resultados satisfatórios.
1997
CÉSAR,Cláudio Albernaz ARAKAKI,Nilo BARBOSA,Carlos Idelmar C. FERREIRA JÚNIOR,Wilson COUTO,Gustavo José Ventura JAZBIK NETO,João
Monitorização de transplante cardíaco usando análises do eletrograma intracavitário
Uma série de registros do eletrograma intracavitário tem sido utilizada para monitorização não invasiva da rejeição em pacientes transplantados usando um marcapasso de dupla câmara e eletrodos endocavitários revestidos com estrutura fractal. Os sinais têm sido avaliados usando o sistema CHARM (Computerized Heart Acute Rejection Monitoring _ sistema computadorizado para monitorização da rejeição cardíaca aguda). Os relatórios obtidos com este sistema contêm curvas com parâmetros sensíveis à rejeição, que demonstram uma boa correlação com a clínica e os resultados das biópsias convencionais. A monitorização a longo prazo, usando estas análises, mostrou ser uma ferramenta valiosa no acompanhamento destes pacientes.
1997
BROFMAN,Paulo Roberto S. COSTA,Iseu Affonso da LOURES,Danton R. da Rocha SCHREIER,G. KASTNER,P. HUTTEN,H. SCHALDACH,Max
Resultados imediatos e tardios da correção cirúrgica da dissecção aguda da aorta (tipo A)
Realizamos uma análise retrospectiva do tratamento cirúrgico da dissecção aguda da aorta do tipo A no período compreendido entre janeiro de 1986 a dezembro de 1996. Foram tratados 64 pacientes com idade média de 52,6 ± 10,9 anos, sendo a maioria do sexo masculino (64,1%). Em 17 casos (26,6%) havia rotura intrapericárdica da dissecção; a fenda de origem da dissecção encontrava-se na aorta ascendente em 58 pacientes (90,6%) e no arco aórtico nos demais (9,4%). O tratamento básico compreendeu a ressecção da aorta ascendente com substituição por prótese de pericárdio bovino, embora outras técnicas tenham sido empregadas em um pequeno número de pacientes, no início de nossa experiência. A hipotermia profunda com parada cardiocirculatória foi usada em 32,8% dos pacientes, de forma crescente nos últimos anos. A valva aórtica do paciente foi preservada em 76,5% das vezes. A mortalidade global foi de 28,1% (18 pacientes), porém significativamente menor nos últimos 4 anos (17,8%). Na evolução tardia houve 4 óbitos, sendo 2 de causa indeterminada e os outros 2 por AVC e embolia pulmonar, respectivamente. Reoperações foram necessárias em 7 pacientes, sem mortalidade, sendo a causa principal da reoperação a progressão da insuficiência aórtica. Nesse período de observação não houve falência estrutural das biopróteses nem dos enxertos de pericárdio bovino. Esta experiência nos reforça uma tática mais radical no tratamento das dissecções agudas do tipo A, com maior liberdade na substituição da valva aórtica e na utilização da hipotermia profunda em quase todos os pacientes.
1997
GONTIJO FILHO,Bayard COLLUCI,Flávio Coelho FANTINI,Fernando Antônio VRANDECIC,Mário O.