RCAAP Repository
Efeitos da correção cirúrgica de estenose mitral sobre o ritmo cardíaco
Objetivo: Determinar a freqüência de reversão de fibrilação atrial (FA) ao ritmo sinusal (SA) em pacientes com estenose mitral (EM) submetidos a tratamento cirúrgico e identificar prováveis fatores favoráveis ou desfavoráveis a este evento. Casuística e Métodos: Estudo de caso-controle, envolvendo 53 pacientes com EM, sem acometimento de outras valvas, submetidos a correção cirúrgica. A população estudada apresentou as seguintes características: mulheres: 71,7%; idade média: 42,4 anos; classe funcional III: 67,9%; área mitral média: 0,92 cm²; átrio esquerdo médio: 56,0 mm; ritmo antes da operação: SA: 51,0% e FA: 49,0%. Os pacientes foram divididos em dois grupos de acordo com o ritmo apresentado no período pós-operatório tardio: grupo I, formado pelos pacientes que, após a operação, apresentavam ritmo SA e grupo II, constituído por aqueles que, no pós-operatório, estavam em FA. Resultados: Dez (18,9%) pacientes (em relação ao total; 38,5% em relação àqueles com FA) apresentavam FA no período pré-operatório e sofreram reversão para o ritmo SA no pós-operatório e em 2 pacientes (3,8% em relação ao total; 7,4% em relação àqueles em ritmo SA) houve degeneração do ritmo SA para FA. Houve diferença estatisticamente significativa (p < 0,05) entre os dois grupos apenas em relação a variável idade (p = 0,0456). Conclusões: A operação de correção de EM apresenta resultados insatisfatórios em relação à reversão da FA para ritmo SA, sugerindo a necessidade de associação de outro procedimento cirúrgico para restaurar o ritmo normal. Vários estudos tentaram identificar os fatores predisponentes à permanência e ao desenvolvimento de FA após a operação, porém foram obtidos resultados contraditórios. No presente estudo, a única variável que apresentou associação com a FA foi a idade avançada.
2001
SCHMIDLIN,Carlos Augusto LOURES,Danton R. da Rocha CARVALHO,Roberto Gomes de MULINARI,Leonardo Andrade SILVA Jr.,Arleto Zacarias BROMMELSTRÖET,Maricélia CHOMA,Ricardo José SHIBATA,Sérgio LEITÃO,Luciano Augusto SILVA,Fábio Rodrigues ULTRAMARI,Frederico Thomaz
Resultados a médio prazo do tratamento cirúrgico da dissecção aguda de aorta tipo A com o emprego da prótese intraluminal
Introdução: O conceito de prótese intraluminal foi introduzido por CARREL, em 1912. Em 1978, DUREAU & ABLASA descreveram os primeiros casos de dissecção aguda de aorta tratados com o emprego da prótese intraluminal. Esta prótese foi utilizada nos anos 80 por vários grupos com bons resultados. Vários relatos de complicações (migração, embolias, estenoses, formação de pseudo-aneurismas) fizeram com que os grupos cirúrgicos perdessem o entusiasmo por esta técnica. Objetivo: Avaliar a anastomose empregando a prótese intraluminal sem sutura no tratamento da dissecção aguda de aorta tipo A. Casuística e Métodos: Sessenta e quatro pacientes com diagnóstico de dissecção aguda de aorta do tipo A foram operados em nosso Serviço. Em todos os casos empregamos o anel intraluminal como técnica de sutura. A idade média dos pacientes era de 56,3 anos, sendo 57 (89%) do sexo masculino. Todos os pacientes eram portadores de hipertensão arterial sistêmica. Em 26 pacientes utilizamos somente a anastomose intraluminal, com o anel proximal acima dos óstios coronários de modo a ressuspender a valva aórtica e o anel distal posicionado junto à origem do tronco braquiocefálico. O tempo médio de pinçamento da aorta nestes pacientes foi de 9 minutos e o tempo médio de CEC de 26 minutos. Somente em 1 caso houve rotura da ligadura sobre o anel proximal, quando realizamos uma operação radical (Bentall- DeBonno), mantendo o anel distal. Em 23 pacientes utilizamos a ressuspensão da valva aórtica e o preparo da raiz da aorta com duplo retalho de Dacron, empregando o anel intraluminal na anastomose distal. Abordamos o arco aórtico em 8 pacientes. A troca da valva aórtica foi necessária em apenas 6 pacientes. A mortalidade global foi de 10,3%, sendo que nos pacientes onde foi possível o tratamento com o duplo anel não houve nenhum óbito. Na avaliação pós-operatória destes pacientes foi realizado ecocardiograma e aortografia. Não observamos formação de pseudo-aneurisma, migração e o gradiente máximo encontrado foi de 16 mmHg. Conclusão: O emprego da prótese intraluminal para o tratamento da dissecção aguda de aorta do tipo A nos proporciona uma anastomose rápida, segura e hem2ostática. Na avaliação pós-operatória e a médio prazo não observamos qualquer complicação relacionada ao emprego desta técnica.
2001
OLIVEIRA,Jefferson Francisco de REIS FILHO,Fernando Antônio Roquette LIMA,Luiz Cláudio Moreira MONTEIRO,Ernesto Lentz da Silveira MARTINS,Sandro Adauto FARIA,Pedro Evandro Alvim de PENA,Geraldo Rezende BARROS NETO,Wanderbilt Duarte de GUIMARÃES,Rodrigo Gil MATAR,Luciano PIRES,Charles Silva BERNARDES,Rodrigo de Castro
Transplante cardíaco e infecção
Objetivo: O presente estudo visa avaliar a incidência de infecções, os agentes etiológicos, e a apresentação clínica e a morbi-mortalidade operatória nos pacientes submetidos a transplante cardíaco na Universidade Federal de São Paulo. Casuística e Métodos: No período de novembro de 1996 a junho de 1998, 97 pacientes transplantados pela equipe de Cirurgia Cardiovascular da UNIFESP sobreviveram por período superior a uma semana após o transplante e foram analisados, retrospectivamente, quanto aos processos infecciosos diagnosticados. A idade dos pacientes variou de 3 a 63 anos (média de 44,4 ± 13,0 anos), sendo que a maioria apresentava miocardiopatia dilatada (46), seguida de chagásica (24) e isquêmica (23). O tempo de seguimento variou de 0,33 a 119 meses (36 ± 30,7 meses). Resultados: Dos 97 pacientes estudados, 16 (16,4%) morreram, sendo infecção a principal causa, seguido pela rejeição em 10 (10,30%). As causas de óbito por infecção foram: sepse bacteriana em 6 pacientes, pneumonia em outros 6, infecção intra-abdominal em 2, toxoplasmose disseminada em 1 e infecção pelo citomegalovírus em 1. Ocorreram 142 episódios infecciosos diagnosticados distribuídos da seguinte forma: bacterianos 76 (52,5%); virais 34 (28,8%); fúngicos 20 (17,5%) e protozoários 12 (12,4%). Houve 8 episódios de reativação da doença de Chagas (média 4,9 meses após o transplante) diagnosticados principalmente através do aparecimento de nódulos subcutâneos. Todos os casos de reativação foram tratados com alopurinol e evoluíram bem. Conclusão: Os dados apresentados mostraram o predomínio de infecções bacterianas que causaram maior mortalidade. Nos transplantados por doença de Chagas a reativação da doença pode ser controlada adequadamente com uso de alopurinol. Os dados são importantes para orientação em nossa comunidade dos programas de transplantes, uma vez que traz à tona particularidades do nosso meio.
2001
COUTO,Wilson José BRANCO,João Nelson R. ALMEIDA,Dirceu CARVALHO,Antonio C. VICK,Rodrigo TELES,Carlos A. AGUIAR,Luciano F. BUFFOLO,Enio
Transplante cardíaco: a experiência do Instituto do Coração de Pernambuco com 35 casos
Casuística e Métodos: Entre agosto de 1991 e fevereiro de 2000, 35 transplantes cardíacos ortotópicos foram realizados no Instituto do Coração de Pernambuco. Vinte e nove pacientes eram do sexo masculino e 6 do feminino, variando a idade de 15 a 69 anos (média 46,9). O diagnóstico dos receptores foi miocardiopatia isquêmica em 18 pacientes, miocardiopatia dilatada idiopática em 13, doença mixomatosa em 2, doença valvar reumática em 1 e doença de Chagas em 1. Todos estavam em fase final da insuficiência cardíaca (classe funcional III ou IV da classificação da New York Heart Association), e a fração de ejeção variou de 16 a 27% (média: 20,9 ± 2,9). Em todos utilizou-se a clássica técnica cirúrgica descrita por Lower e Shumway, em 1960. O tempo médio de isquemia do enxerto foi de 91 ± 21 minutos (variou de 60 a 180 min.). Resultados: Ocorreram 7 (20%) óbitos no pós-operatório imediato. Treze outros pacientes apresentaram complicações não fatais, incluindo 5 episódios de rejeição. O tempo médio de seguimento dos 28 sobreviventes foi de 31,2 meses (variou de 1 a 68 meses). Houve 14 mortes tardias devido a rejeição (4), infecção (4), doença arterial coronária (2), insuficiência renal crônica (2) e morte súbita (2). A curva actuarial estima sobrevida de 70% com 1 ano e de 30% aos 5 anos. Conclusão: É possível manter um programa de transplante cardíaco em nossa comunidade, embora se deva esperar resultados piores do que os da experiência internacional devido às limitações sociais da população de receptores.
2001
MORAES NETO,Fernando TENÓRIO,Deuzeny GOMES,Claudio A. TENÓRIO,Euclides HAZIN,Sheila MAGALHÃES,Marcos MORAES,Carlos R.
Heparina de alto peso molecular. Uma alternativa nas operações com circulação extracorpórea: estudo experimental
Introdução: As síndromes hemorrágicas no intra e pós-operatório de operações com circulação extracorpórea (CEC) constituem motivo de preocupação e, parte delas, pode ser atribuída à heparina não fracionada (HNF), droga indispensável e, até hoje, insubstituível nesse tipo de procedimento. Alguns autores consideram a ação anticoagulante da HNF como o principal responsável pelo sangramento e investem em drogas antifibrinolíticas ou que alteram a atividade plaquetária para tentar substituí-la. Toda HNF contém frações de heparina de baixo peso molecular (HBPM), não neutralizáveis pela protamina, que, em doses elevadas, e/ou em pacientes heparino-sensíveis, podem causar vasoplegia e aumento no sangramento pós-operatório em operações com CEC. Material e Métodos: Isolamos uma heparina de alto peso molecular (HAPM - peso modal de 25.000 Daltons), com 11% de frações de HBPM (< 7.000 Daltons), para experiências "in vitro" e "in vivo", e comparamos com HNF (peso modal de 15.000 Daltons), com 21% de frações de HBPM. Resultados: A atividade específica anticoagulante, por massa, foi superior quando comparada com a HNF tanto "in vitro", 273 ui/mg contra 181 ui/mg e TTPA mais elevado nas várias diluições, como "in vivo", em cães, durante CEC, comprovado pelo TCA, TTPA e heparinemia. A vida média da HNF foi de 60 minutos e acima de 90 minutos para a HAPM, na situação de experimentação. Conclusão: Acreditamos que esta experiência, inédita na literatura indexada, nos habilite ao uso da HAPM, em seres humanos, para averiguação da sua melhor neutralização pela protamina e menor incidência de hemorragia.
2001
CATANI,Roberto BERTINI Jr.,Ayrton PESSA,Clodualdo J. N. GOMES,Walter J. LOURENÇO,Dayse M. NADER,Helena B. DIETRICH,Carl P. BRANCO,João Nelson R. BUFFOLO,Enio
Associação de paralisia diafragmática bilateral e paralisia da cintura escapular após correção de aneurisma de aorta: relato de caso
A associação de paralisia diafragmática bilateral e paralisia da cintura escapular é uma complicação rara após correção de aneurisma de aorta ascendente. Esta associação leva à uma forma grave de insuficiência respiratória cujo sucesso do desmame da ventilação mecânica é dependente da capacidade da musculatura respiratória remanescente em compensar o trabalho respiratório excedente. Fisioterapia respiratória intensiva com treinamento da musculatura, correção dos distúrbios metabólicos, tratamento das infecções respiratórias associadas à ventilação mecânica e otimização do suporte nutricional foram fundamentais para o sucesso do desmame.
2001
MALBOUISSON,Luiz Marcelo Sá PERES,Denise AYAMA,Sérgio CARMONA,Maria José Carvalho AULER Jr.,José Otávio Costa
O transplante celular no tratamento da isuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca tem sido um grave problema de saúde pública, e provavelmente será a doença cardiovascular predominante neste século. Como a morte dos cardiomiócitos é freqüentemente responsável pelo desenvolvimento da insuficiência cardíaca, uma opção terapêutica de recuperar a função cardíaca é o transplante de células contráteis, principalmente os mioblastos esqueléticos. Os resultados promissores obtidos no âmbito experimental, levou ao primeiro estudo clínico na França, onde mioblastos esqueléticos estão sendo implantados em áreas miocárdicas previamente infartadas, com promissores resultados parciais. Apesar do curto tempo de evolução e do pequeno número de pacientes operados, o transplante celular representa uma opção interessante no arsenal terapêutico da insuficiência cardíaca.
2001
SCORSIN,Márcio GUARITA-SOUZA,Luiz César
Tratamento cirúrgico da coarctação do arco aórtico em adulto: avaliação clínica e angiográfica tardia da técnica extra-anatômica
OBJETIVO: Avaliar os resultados tardios da técnica extra-anatômica para correção da coarctação do arco aórtico em adultos. CASUÍSTICA E MÉTODOS: Entre 1979 e 2000, 15 pacientes foram submetidos à interposição de tubo de Dacron entre a aorta ascendente e descendente para correção da coarctação do arco aórtico. Onze (73,3%) pacientes eram do sexo masculino e a média de idade foi de 30,8 ± 12,1 anos (18 a 61 anos). A esternotomia mediana, com abordagem do pericárdio posterior, foi utilizada em 13 (86,7%) pacientes e a toracotomia lateral esquerda em 2 (13,3%). Em 3 (20,0%) pacientes foram realizados procedimentos associados e 4 (26,7%) eram reoperações. Os pacientes foram acompanhados por um período de 30 dias a 21 anos (média de 6,9 ± 6,7 anos) com avaliação clínica, ecocardiográfica e estudo angiográfico com ressonância magnética. RESULTADOS: Não ocorreram complicações neurológicas e nem mortalidade imediata ou tardia. Não houve necessidade de reoperações e nem complicações tardias com o enxerto. Todos os pacientes encontram-se assintomáticos e com o enxerto pérvio confirmado pelo ecocardiograma. Cinco (33,3%) pacientes apresentam hipertensão arterial sistêmica de grau leve. Em 11 (73,3%) pacientes foi realizado o estudo angiográfico com ressonância magnética, mostrando enxerto com bom funcionamento a longo prazo. CONCLUSÃO: A técnica extra-anatômica, com interposição de tubo de Dacron entre a aorta ascendente e descendente, para correção da coarctação do arco aórtico é uma operação segura, com baixa morbidade e mortalidade. Os bons resultados a longo prazo mostram que esta técnica pode ser uma alternativa segura e menos invasiva, para a correção de coarctação do arco aórtico ou recoarctação em adultos.
2001
LISBOA,Luiz Augusto F. ABREU FILHO,Carlos Alberto C. DALLAN,Luís Alberto O. ROCHITTE,Carlos E. SOUZA,Januário M. de OLIVEIRA,Sérgio Almeida de
Fatores prognósticos da revascularização na fase aguda do infarto agudo do miocárdio
OBJETIVO: Determinar os fatores preditores de má evolução nos pacientes submetidos a revascularização do miocárdio (RM) na fase aguda do infarto do miocárdio (IAM). CASUÍSTICA E MÉTODOS: No período de março de 1998 a novembro de 1999, 49 pacientes foram submetidos a RM na fase aguda do IAM. Foram excluídos pacientes portadores de complicações mecânicas do IAM e submetidos a procedimentos associados a RM. Os pacientes foram divididos em: Grupo I - 29 casos que não apresentaram complicações decorrentes do IAM e Grupo II - 20 casos com uma ou mais complicações. As complicações consideradas foram: isquemia recorrente (18 pacientes), insuficiência cardíaca congestiva (11), choque cardiogênico (9), hipotensão (7), reinfarto (4), taquicardia ventricular sustentada (4) e fibrilação ventricular (3). Os grupos foram considerados comparáveis em relação às características pré-operatórias, exceto pela idade mais avançada no grupo II. No intuito de identificar os fatores determinantes de pior prognóstico pós-operatório, foram correlacionadas e analisadas as características dos pacientes e as complicações do IAM, estudados pelo teste de variância e análise multivariada. RESULTADOS: A mortalidade global foi de 6,12% (3 pacientes), sendo somente no grupo II. A análise multivariada identificou como fatores preditores de mortalidade hospitalar a hipotensão arterial (p=0,045), o choque cardiogênico (p=0,001) e a fibrilação ventricular (p=0,012). CONCLUSÕES: A RM na fase aguda do IAM é um procedimento seguro em pacientes sem complicações, sem mortalidade operatória. A presença de complicações pré-operatórias como choque cardiogênico, fibrilação ventricular e hipotensão são considerados fatores de mau prognóstico nesta condição.
2001
JATENE,Fabio B. NICOLAU,José Carlos HUEB,Alexandre Ciappina ATIK,Fernando Antibas BARAFIOLE,Luciano M. MURTA,Cláudio B. STOLF,Noedir A. G. OLIVEIRA,Sérgio Almeida de
Tratamento da insuficiência cardíaca terminal através da correção da insuficiência mitral secundária e remodelação ventricular
INTRODUÇÃO: A sobrevida de pacientes com miocardiopatia e insuficiência mitral secundária em classe funcional IV é muito pequena em curtos períodos de observação, apesar dos progressos consideráveis obtidos com o tratamento médico. Tem sido demonstrado que o aparecimento de insuficiência mitral secundária piora o prognóstico e a qualidade de vida e que a correção da insuficiência mitral permite melhor controle do paciente. OBJETIVO: O presente trabalho propõe o implante de uma prótese em posição mitral que elimina a insuficiência mitral e remodela a base do ventrículo esquerdo e o seu eixo longitudinal. CASUÍSTICA E MÉTODOS: Analisamos 33 pacientes com insuficiência cardíaca refratária sob terapêutica máxima operados entre dezembro/95 e setembro/99. O grupo etário variou de 25 a 78 anos (mediana 58) sendo 57,7% do sexo masculino. O período de observação variou de 4 meses a 4 anos (mediana 22 meses). Quanto à etiologia, em 15 pacientes era isquêmica, em 13 dilatada, em 3 chagásica, em 1 pós-parto e em 1 viral. RESULTADOS: Ocorreram 3 óbitos na fase hospitalar (3/33) e 2 na tardia (2/30), estando 28 pacientes em observação. Neste intervalo de seguimento, 88% dos pacientes melhoraram 1 ou 2 classes funcionais, a fração de ejeção subiu de 20 a 36%, apesar da eliminação da fração regurgitante, o volume efetivo melhorou consideravelmente (58 para 80 ml) entre a aferição pré-operatória e a última evolução. CONCLUSÃO: A insuficiência cardíaca refratária com insuficiência secundária moderada a severa pode sofrer efetiva paliação com a eliminação de regurgitação e remodelação do ventrículo esquerdo, implantando-se prótese valvar no anel atrioventricular esquerdo.
2001
BUFFOLO,Enio PAULA,Ivan Machado de BRANCO,João Nelson R. CARVALHO,Antônio Carlos C. MANTOVANI,Cyrillo CAPUTI,Guido AGUIAR,Luciano Figueiredo
Remodelação cirúrgica da valva aórtica
OBJETIVO: Os autores analisam os resultados por eles obtidos com a utilização de técnica específica para a preservação da valva aórtica. CASUÍSTICA E MÉTODOS: Esse método consiste no emprego habitual da circulação extracorpórea com uso de hipotermia moderada e infusão de solução cardioplégica nos óstios coronários. Realiza-se ressecção da válvula não coronariana e une-se as comissuras correspondentes utilizando-se fio de Mersilene 2-0 ancorado em feltro de teflon, tornando a valva "bivalvulada". Procede-se por fim à aortorrafia convencional. Foram operados 15 pacientes, 9 do sexo masculino. A idade variou entre 12 e 78 anos. Quatro pacientes tinham diagnóstico de insuficiência aórtica isolada, 2 com dupla disfunção aórtica associada à insuficiência coronária, 2 com doença da aorta ascendente, 4 com insuficiência aórtica e mitral, 1 com dupla disfunção aórtica e mitral, e 2 com insuficiência aórtica e insuficiência coronária. RESULTADOS: Em 12 pacientes não houve insuficiência aórtica residual pós-operatória, e em 3 identificou-se insuficiência aórtica leve ou moderada. Três pacientes foram reoperados no pós-operatório tardio devido a insuficiência aórtica, tendo sido substituída a valva aórtica em 2. Quatro pacientes foram submetidos a estudo hemodinâmico e em 1 deles havia gradiente supravalvar de 20 mmHg. Nos outros 3 pacientes, o gradiente sistólico transvalvar foi de 0, 9 e 12 mmHg, respectivamente. Os 11 pacientes restantes foram avaliados somente através de ecocardiografia, a qual não demonstrou estenose. Não houve óbito imediato e houve 1 óbito tardio, após reoperação. Quatorze pacientes tiveram melhora da classe funcional, tanto imediata quanto tardiamente, e foram acompanhados durante período entre 30 dias e 24 meses, encontrando-se em classe funcional I ou II (NYHA). CONCLUSÃO: Os autores acreditam que o método seja uma alternativa para o tratamento cirúrgico conservador da doença valvar aórtica.
2001
FONTES,Ronaldo D. SALERNO,Herbert D. HIJO,Alfredo V. E. E. NAJJAR,Alberto SCALA,Luiz César N . FARAH,Maria Cecília K. COUTO,Gustavo J. V.
Tratamento das afecções da aorta com a primeira geração de stents auto-expansíveis
INTRODUÇÃO: O emprego de stents auto-expansíveis no tratamento das afecções da aorta descendente apresenta-se como uma nova alternativa, e o objetivo deste trabalho é avaliar o seu desempenho. CASUÍSTICA E MÉTODOS: No período de abril de 1998 a novembro de 2000 (32 meses), foram operados 144 pacientes com doenças da aorta, sendo 66 (45,83%) dissecções, 50 (34,72%) aneurismas e 28 (19,44%) outros procedimentos com operação da aorta associada. Implantamos 37 stents auto-expansíveis na aorta descendente com acesso transesternal, circulação extracorpórea, hipotermia profunda (18°C-20°C) e parada circulatória com perfusão cerebral retrógrada. Foram 21 (56,76%) dissecções agudas tipo B, 9 (24,32%) aneurismas e dissecções crônicas tipo B e 7 (18,92%) dissecções agudas tipo A. A idade média dos pacientes era de 57,95 ± 11,66 anos, sendo 64,86% do sexo masculino. O acompanhamento foi de 32 meses (16,36 ± 10,29 meses) em 87,5% dos pacientes com entrevistas aos médicos assistentes de regiões distantes, ecocardiograma e tomografia computadorizada a cada 12 meses no ambulatório da Santa Casa. RESULTADOS: A mortalidade cirúrgica (30 dias) foi de 13,51%, sendo 9,52% nas dissecções agudas tipo B, 28,57% nas dissecções agudas do tipo A e 11,22% nos aneurismas e dissecções crônicas tipo B. As curvas de sobrevivência em 12, 24 e 33 meses são, respectivamente, 87,92%, 82,75% e 74,48%. Estão livres de eventos 70,15% dos pacientes, ao final de 33 meses. Dois óbitos hospitalares não foram relacionados ao procedimento, se fossem excluídos teríamos uma mortalidade hospitalar de 8,10%, o mesmo acontecendo a 1 óbito tardio. O implante de stent isolado ocorreu em 40,5% dos pacientes, 3 apresentaram vazamentos distais pára-protéticos e vêm sendo acompanhados. CONCLUSÃO: Os implantes de stents intraluminais auto-expansíveis apresentaram uma mortalidade hospitalar de 13,51%, mortalidade em 12, 24 e 33 meses de 9,37%, 3,44% e 3,57%, com 70,15% dos pacientes livre de eventos em 33 meses de seguimento, tornando o método factível e diminuindo a mortalidade no tratamento cirúrgico das dissecções agudas e crônicas do tipo B.
2001
PEREIRA,Wagner Michael LOBO,Roberto SALES,Marcela TANAKA,Nicásio PORTUGAL,Luís Enrique V. FLORES,Luís Antônio V. KUHNEN,Élcio R. PEREIRA,Patrícia Q. LUCCHESE,Fernando A.
Análise do perfil lipídico em escolares
FUNDAMENTO: A aterosclerose coronariana (DAC) é a maior causa mortis do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. O estudo INTERHEART mostrou que a dislipidemia é um dos maiores fatores de risco independente para o IAM. OBJETIVO: Avaliar perfil lipídico e pressão arterial de escolares de estabelecimentos privados e públicos/filantrópicos. MÉTODOS: Foram analisadas amostras sanguíneas de 343 jovens e correlacionados com seus hábitos de vida. Análise estatística: Foi realizada pelo teste t de Student para amostras independentes para comparação de médias e pelo teste do qui-quadrado (c²) para comparação de proporções. Nível de significância 5%. RESULTADOS: O colesterol total, suas frações LDL e HDL e o índice de Castelli I foram mais altos entre os escolares das unidades privadas, com significância estatística para meninos e meninas, com exceção para o HDL dos meninos. A pressão arterial foi maior no mesmo grupo sem significância estatística. O diferencial entre os dois tipos de instituições em relação ao percentual de crianças com colesterol total > 190 mg/dl, foi 23% nas particulares e 4% nas públicas/filantrópicas. Quando comparados os inquéritos de alimentação e atividade física e correlacionados com o perfil lipídico fica clara a associação da atividade física diária e a supervisão de nutricionistas na alimentação dos de menor poder sócio-econômico. CONCLUSÃO: Ficou demonstrada a correlação do colesterol total e de sua fração LDL com o tipo de alimentação e a atividade física mais intensa e regular, beneficiando infantes mais carentes em relação aos matriculados em unidades privadas.
2007
Scherr,Carlos Magalhães,Cyntia Karla Malheiros,Waldir
Homocisteína, folato e vitamina B12 em pacientes colombianos portadores de coronariopatia
OBJETIVO: Determinar a existência de associação entre os níveis plasmáticos de homocisteína, folato ou vitamina B12 e síndrome coronariana aguda em pacientes colombianos. MÉTODOS: Estudo caso-controle: foram 50 pacientes portadores de síndrome coronariana aguda e 50 pacientes ambulatoriais sem síndrome coronariana. Foram medidos os níveis de homocisteína, folato e vitamina B12 por meio de imunoensaio por quimioluminescência. Foram também medidos os níveis de colesterol e frações, triglicérides, uréia, creatinina, hemoglobina e hematócrito. RESULTADOS: As concentrações plasmáticas médias de homocisteína foram significativamente diferentes entre os casos (12,4 µmol/l ± 6,0) e os controles (9,7 µmol/l ± 2,4), p=0,01. Os níveis de ácido fólico dos casos foram menores que os dos controles (respectivamente 10,5 ng/ml ± 3,5 x 12,6 ng/ml ± 3,6; p=0,01). Foi observada relação inversa entre os níveis de folato e os de homocisteína. Não houve relação entre os níveis de vitamina B12 e os de homocisteína. Houve diferença significativa nos níveis de triglicérides entre os grupos caso e controle (respectivamente 136,91 ± 67,27 x 174,3 ± 77,6; p=0,01). A razão das chances para hiper-homocisteinemia na síndrome coronariana aguda foi de 4,45 (intervalo de confiança de 95%: 1,5 - 13,3). CONCLUSÃO: O presente estudo demonstrou associação significativa entre os níveis de homocisteína e síndrome coronariana aguda em pacientes colombianos semelhante à encontrada em populações européias e norte-americanas. Houve correlação negativa entre os níveis plasmáticos de homocisteína e os de folato. Não houve associação entre os níveis plasmáticos de homocisteína e os de vitamina B12.
2007
Garcia,Gilberto Trejos,Juanita Restrepo,Beatriz Landázuri,Patricia
Obesidade abdominal, resistência à insulina e hipertensão: impacto sobre a massa e a função do ventrículo esquerdo em mulheres
OBJETIVO: Avaliar a relação da obesidade central, hiperinsulinemia e hipertensão arterial (HA) com a massa e a geometria do ventrículo esquerdo em mulheres. MÉTODOS: Foram avaliadas 70 mulheres (35 a 68 anos), divididas em quatro grupos de acordo com a presença de obesidade central e hipertensão arterial. Determinou-se a área de gordura visceral. A glicose e insulina plasmáticas foram determinadas antes e 2 h após uma sobrecarga oral de 75 g de glicose. Realizada avaliação cardiológica. RESULTADOS: Comparado ao grupo NT-OB, o grupo HT-OB apresentou insulinemia mais elevada no TOTG de 2 h (127,5 ± 73,0 vs 86,8 ± 42,7 µU/ml; p = 0,05) e menor relação onda E/A (0,8 ± 0,1 vs 1.2 ± 0,3; p < 0,05). Comparado ao grupo NT-NO, o grupo HT-NO apresentou insulinemia elevada antes da sobrecarga de glicose (7,46 ± 3,1 vs 4,32 ± 2,1 µU/ml; p < 0,05), maior índice HOMA-r (1,59 ± 0,72 vs 0,93 ± 0,48 mmol.mU/l²; p = 0,006), maior leptinemia (19,1 ± 9,6 vs 7,4 ± 3,5 ng/ml; p = 0,028), maior área de GV (84,40 ± 55,7 vs 37,50 ± 23,0 cm²; p = 0,036), maior EDSIV (9,6 ± 1,2 vs 8,2 ± 1,7 mm; p < 0,05) e maior MVE/alt (95,8 ± 22,3 vs 78,4 ± 15,5 g/m; p < 0.05). Uma análise de regressão linear múltipla revelou impacto da idade, IMC e glicemia de jejum sobre MVE/altura (R² = 0,59; p<0,05). CONCLUSÃO: Nossos resultados indicam uma associação entre HA, obesidade central e hipertrofia ventricular esquerda, resultante de ativação simpática e resistência à insulina.
2007
Silva,Eliana A. Flexa,Fernando Zanella,Maria Teresa
Comparação de diferentes métodos para medida do tamanho do infarto experimental crônico em Ratos
OBJETIVO: Avaliar as diferenças entre três métodos para medida do infarto experimental em ratos, em relação ao método tradicional. MÉTODOS: A área infartada por histologia (AREA), o perímetro interno da cavidade infartada por histologia (PER) e o perímetro interno por ecocardiograma (ECO) foram comparados ao método tradicional (análise histológica das circunferências epicárdicas e endocárdicas da região infartada - CIR). Utilizaram-se ANOVA de medidas repetidas, complementada com o teste de comparações múltiplas de Dunn, o método de concordância de Bland & Altman e o teste de correlação de Spearman. A significância foi p < 0,05. RESULTADOS: Foram analisados dados de 122 animais, após 3 a 6 meses do infarto. Houve diferença na avaliação do tamanho do infarto entre CIR e os outros três métodos (p < 0,001): CIR = 42,4% (35,9-48,8), PER = 50,3% (39,1-57,0), AREA = 27,3% (20,2-34,3), ECO = 46,1% (39,9-52,6). Assim, a medida por área resultou em subestimação de 15% do tamanho do infarto, enquanto as medidas por ecocardiograma e pelo perímetro interno por meio de histologia resultaram em superestimação do tamanho do infarto de 4% e 5%, respectivamente. Em relação ao ECO e PER, apesar de a diferença entre os métodos ser de apenas 1,27%, o intervalo de concordância variou de 24,1% a -26,7%, sugerindo baixa concordância entre os métodos. Em relação às associações, houve correlações estatisticamente significativas entre: CIR e PER (r = 0,88 e p < 0,0001); CIR e AREA (r = 0,87 e p < 0,0001) e CIR e ECO (r = 0,42 e p < 0,0001). CONCLUSÃO: Na determinação do tamanho do infarto, apesar da alta correlação, houve baixa concordância entre os métodos.
2007
Minicucci,Marcos F. Azevedo,Paula S. Duarte,Daniella R. Matsubara,Beatriz B. Matsubara,Luiz S. Campana,Álvaro O. Paiva,Sergio A. R. Zornoff,Leonardo A. M.
O bloqueio da síntese do óxido nítrico promove aumento da hipertrofia e da fibrose cardíaca em ratos submetidos a treinamento aeróbio
OBJETIVO: O presente estudo avaliou as adaptações teciduais cardíacas em ratos submetidos a treinamento aeróbio, após o bloqueio da síntese de óxido nítrico (NO). MÉTODOS: Os animais (n = 48) foram divididos em quatro grupos: sedentários (grupo CONTROLE), hipertensos após administração de Ng-nitro-L-arginina metil éster durante sete dias (grupo L-NAME), treinados por meio de natação durante oito semanas (grupo TREINADO) e treinados e tratados com L-NAME na última semana (grupo TREINADO L-NAME). Em todos os animais foi registrada a pressão arterial (PA) e realizada a avaliação morfométrica cardíaca. RESULTADOS: Os grupos L-NAME e TREINADO L-NAME apresentaram-se hipertensos em relação aos demais (p < 0,05), porém a elevação da PA no grupo TREINADO L-NAME foi significativamente menor em relação ao L-NAME (p < 0,05). Os grupos TREINADO e TREINADO L-NAME apresentaram índice de peso cardíaco maior que os grupos CONTROLE e L-NAME (p < 0,05). Também apresentaram maiores índices de área cardíaca macroscópica e de fibrose cardíaca em relação aos demais (p < 0,05) e, quando comparados, o grupo TREINADO L-NAME mostrou-se significativamente superior (p < 0,05). CONCLUSÃO: O bloqueio a curto prazo da síntese de NO, em animais sedentários, induziu hipertensão, sem no entanto causar hipertrofia cardíaca. Nos animais treinados, a inibição da síntese de NO atenuou a hipertensão e promoveu hipertrofia cardíaca com aumento expressivo da fibrose miocárdica, sugerindo importante papel do NO nas adaptações teciduais cardíacas induzidas pelo treinamento físico aeróbio.
2007
Souza,Hugo Celso Dutra de Penteado,Daniel Martins Dias Martin-Pinge,Marli Cardoso Barbosa Neto,Octávio Teixeira,Vicente de Paula Antunes Blanco,João Henrique Dutra Silva,Valdo José Dias da
Os efeitos da pressão positiva intermitente e do incentivador respiratório no pós-operatório de revascularização miocárdica
FUNDAMENTO: As complicações pulmonares são causas freqüentes do aumento de morbi-mortalidade nos pacientes submetidos à cirurgia cardíaca. A fisioterapia respiratória tem auxiliado na recuperação destes pacientes. OBJETIVO: Analisar o efeito fisioterapêutico da aplicação da pressão positiva intermitente (RPPI) e do incentivador respiratório (IR) em pacientes submetidos a cirurgia de revascularização do miocárdio. MÉTODOS: Quarenta pacientes foram divididos em dois grupos: um submetido à aplicação do RPPI (n=20) e o outro ao IR (n=20). Os pacientes foram avaliados nos momentos: pré-operatório, 24ª, 48ª e 72ª horas de pós-operatório, sendo aplicados os recursos no período pós-operatório. Analisaram-se os seguintes parâmetros: saturação de oxigênio (SpO2), freqüência respiratória (FR), volume minuto (VM), volume corrente (VC), pressão inspiratória máxima (Pi máx) e pressão expiratória máxima (Pe máx). RESULTADOS: Nas variáveis demográficas e clínicas os grupos foram considerados homogêneos. No grupo submetido à aplicação com o RPPI identificou-se aumento da SpO2 na 48ª (p=0,007) e na 72ª horas (p=0,0001) quando comparado ao grupo IR. Nos parâmetros: FR, VM e VC na comparação entre os grupos não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas. No grupo submetido ao IR a Pe máx na 24ª (p=0,02) e na 48ª (p=0,01) horas apresentaram um aumento significativo. CONCLUSÃO: Com o objetivo de reverter mais precocemente a hipoxemia, o RPPI mostrou-se mais eficiente em comparação ao IR; entretanto, para melhorar a força dos músculos respiratórios, o IR foi mais efetivo.
2007
Romanini,Walmir Muller,Andrea Pires Carvalho,Katherine Athayde Teixeira de Olandoski,Marcia Faria-Neto,José Rocha Mendes,Felipe Luiz Sardetto,Evandro Antonio Costa,Francisco Diniz Afonso da Guarita-Souza,Luiz César
Ecocardiografia sob estresse físico na identificação de doença arterial coronariana em idosos com incompetência cronotrópica
FUNDAMENTO: A incompetência cronotrópica (ICT) é freqüente em pacientes idosos e pode limitar o papel do teste ergométrico na identificação da doença arterial coronariana (DAC) nessa população. OBJETIVO: Avaliar o valor da ICT, em uma população idosa, no diagnóstico da DAC. MÉTODOS: Foram estudados 3.308 pacientes, desses, 804 eram idosos (idade >65 anos) que se submeteram a ecocardiografia sob estresse pelo esforço físico (EEEF). Com base na freqüência cardíaca (FC) alcançada durante o teste ergométrico, subdivididos em dois grupos: G1 - 150 pacientes que não atingiram 85% da FC preconizada para a idade e G2 - 654 pacientes que conseguiram atingir. Os grupos foram comparados quanto a características clínicas, índice de contratilidade segmentar do ventrículo esquerdo (IMVE) e cineangiocoronariografia (CACG). RESULTADOS: As características clínicas foram similares entre os grupos. O IMVE foi maior em G1 do que em G2, tanto no repouso (1.09 ± 0.21 versus 1.04 ± 0,15) quanto após esforço (1.15 ± 0.29 versus 1.08 ± 0.2) (p < 0,001). As anormalidades na contratilidade das paredes foram mais freqüentes em G1 do que em G2 (55% versus 37%; p < 0,05), sugerindo que pacientes idosos com ICT apresentam maior freqüência de DAC. Realizou-se CACG em 69% das EEEF positiva para isquemia miocárdica. No G1, 91% dos pacientes com EEEF positivo para isquemia realmente eram portadores doença obstrutiva arterial coronariana (>50%) versus 84,5% em G2. CONCLUSÃO: A ICT está associada à maior freqüência de alterações contráteis em população idosa e adiciona valor preditivo positivo à EEEF ao identificar pacientes com DAC obstrutiva.
2007
Oliveira,Joselina Luzia Menezes Góes,Thiago Jônatas Santos Santana,Thaiana Aragão Silva,Isabela Souza Travassos,Thiago Figueiredo Teles,Lívia Dantas Barreto,Martha Azevedo Barreto-Filho,José Augusto D'Oliveira Junior,Argemiro Sousa,Antonio Carlos Sobral
Caracterização tecidual ultra-sônica em síndromes coronarianas agudas
FUNDAMENTO: A caracterização tecidual ultra-sônica (CTU), avaliada pelo integrated backscatter, tem o potencial de detectar precocemente alterações estruturais no tecido miocárdico. Nas síndromes coronarianas agudas (SCA) esta técnica tem atraído atenção pelo potencial de detectar viabilidade miocárdica. OBJETIVO: Analisar o potencial da CTU em detectar alterações precoces na sala de urgência. MÉTODOS: Foram estudados 28 indivíduos, divididos em três grupos: grupo I (13; 52,2±15,5 anos) composto por pacientes encaminhados para a sala de urgência com suspeita clínica de SCA, que foi descartada na evolução; grupo II (9; 54,2±10 anos) com infarto agudo de coronária direita e grupo III (6; 62,1±9,1 anos) com infarto agudo de ramo descendente anterior da coronária esquerda. Para cada indivíduo incluído no estudo, foram avaliados quatro segmentos no eixo curto no plano dos músculos papilares (1 - anterior médio; 2 - ântero-lateral médio; 3 - inferior médio e 4 - septal médio), obtendo-se o coeficiente corrigido, a amplitude de variação do IBS, o índice de retardo da variação e o padrão da variação. RESULTADOS: As alterações decorrentes do processo isquêmico em sua fase inicial não foram detectadas pelo coeficiente corrigido ou pela alteração da amplitude de variação do IBS. Os parâmetros de sincronicidade (índice de retardo e padrão de variação), no entanto, por serem mais sensíveis, foram parcialmente capazes em regiões de infartos mais extensos. CONCLUSÃO: Maiores estudos sobre o comportamento destes índices na fase aguda das SIMI são necessários.
2007
Pazin-Filho,Antonio Volpe,Gustavo Jardim Romano,Minna Moreira Dias Tavares Júnior,Gerson Antonio Schmidt,André Maciel,Benedito Carlos