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Simulação do processo de rosqueamento interno com macho de corte utilizando o método dos elementos finitos

O processo de rosqueamento interno com macho de corte, apesar de ser realizado muito rapidamente, é uma operação muito complexa. Isso se dá pela dificuldade de sincronismo entre o movimento de rotação da ferramenta com seu avanço, além do macho de corte ser uma ferramenta de geometria complexa. Essa operação, é, ainda, pouco estudada pela comunidade científica e não se conhece todas as suas singularidades. Nos últimos anos, pesquisadores passaram a utilizar métodos numéricos, principalmente o método dos elementos finitos (MEF), para tentar estudar os processos de usinagem através de modelos matemáticos. Dessa maneira, esse trabalho tem como objetivo propor um modelo tridimensional da ferramenta do processo de rosqueamento interno para estudar essa operação e as particularidades do macho de corte, usando o software comercial AdvantEdge para isso, através do MEF. Para estudar esse tipo de rosqueamento, foi proposto um modelo tridimensional onde a ferramenta foi seccionada após a segunda carreira de filetes da sua parte cilíndrica e cortou apenas o primeiro filete de rosca no furo, momento esse, onde as forças e o torque apresentam os seus valores máximos. Foram feitos testes para se estudar o erro de sincronismo do processo, variou-se o tipo de revestimento da ferramenta, o tipo de detalonamento utilizado, o número de canais na ferramenta e seu ângulo de chanfro. Os resultados das simulações mostraram que é possível se estudar o processo de rosqueamento interno através do modelo tridimensional proposto. O torque e as forças de avanço diminuem com o aumento do número de canais da ferramenta. Essas duas variáveis aumentam quando se aplica um revestimento no macho. Elas também são muito sensíveis a uma alteração no avanço por volta da ferramenta, e quanto mais distante do ideal (1 mm/volta) maiores são as alterações que elas sofrem. O tipo de detalonamento tem bastante impacto na força na direção do avanço, sendo que o detalonamento do tipo reto apresenta as menores forças. O ângulo de chanfro apresentou uma grande influência no torque do processo, aumentando à medida que esse ângulo diminui.

A Expansão da Educação Superior Federal em Uberlândia: tendências político-culturais (2003 - 2014)

O presente estudo inseriu-se na linha de pesquisa “Estado, Políticas e Gestão da Educação” do PPGED/FACED/UFU. Investigou a expansão da educação superior federal em Uberlândia, no âmbito das tendências político-culturais nacionais, destacando-se parte da legislação e os programas: Universidade – expandir até ficar do tamanho do Brasil (2005), REUNI, Decreto n. 6.096 (2007), Diretrizes para o processo de integração das Escolas Técnicas Federais (ETFs) com as Escolas Agrícolas Federais (EAFs), Decreto n. 6.095/2007 e Lei n. 11.892/2008, a qual instituiu a Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica, além das recomendações dos organismos internacionais. Tais tendências incentivaram a criação de instituições e a ampliação de vagas, cursos e campi. Nesse sentido, o objetivo geral e/ou da questão central desta pesquisa tencionou compreender como se configurou a expansão desta educação no Brasil e como tal reforma materializou-se na cidade supracitada. Para tanto, pesquisamos tais questões nos capítulos 2 a 6, os quais tiveram por finalidade: a) Analisar as funções sociais que as avaliações exercem na exclusão de parte dos alunos oriundos das camadas populares; pesquisar os principais aportes teórico-metodológicos de Bourdieu, enfatizando suas contribuições para refletir sobre as rupturas, continuidades e ambivalências da exclusão na educação superior, dos alunos oriundos das camadas populares, sobretudo daqueles estudantes que exercem alguma atividade remunerada; as relações desta exclusão com a conservação social na contemporaneidade; a atuação do sistema de ensino na reprodução do sistema político e cultural; e as relações entre violência simbólica, capital cultural e exclusão escolar e social. b) Investigar os princípios da reforma administrativa estatal (1995) e da reforma educacional, ocorrida a partir de 2003, e as relações destas com o novo projeto de educação superior federal. c) Pesquisar parte das tendências político-culturais que impulsionaram a expansão da educação superior federal no Brasil, sob a égide da necessária inclusão social e democratização do acesso a este nível de ensino. d) Apresentar um panorama de expansão da educação superior federal no Brasil, no período de 2003 a 2014, referenciando-nos na divulgação das ações dos programas de criação de instituições, ampliação de vagas, cursos e campi. e) Investigar a materialização da referida reforma, no que tange à expansão da educação superior federal em Uberlândia, após os três ciclos expansionistas, no contexto dos programas dos governos sociais liberais (2003-2014), e analisar como se concretizaram as categorias defendidas pelos programas (acesso, permanência e certificação dos alunos), a fim de caracterizarmos o perfil dos discentes dos cursos mais expandidos, a relevância social e profissional destes cursos, além de investigarmos o pressuposto de uma possível mudança na cultura institucional das instituições locais após a implementação dos referidos programas. Desse modo, a culminância do trabalho de campo relacionada com o referencial teórico evidenciou que a expansão da educação superior federal no Brasil, 2003-2014, obteve um impacto sem precedentes em nossa história, totalizando 63 universidades e 321 campi. Já a Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica ficou constituída após a promulgação da Lei n. 11.892/2008 pelos 38 Institutos Federais e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); os Centros Federais de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ) e CEFET de Minas Gerais, o Colégio Pedro II e as 25 Escolas Técnicas vinculadas às universidades federais. Isto sem contabilizar os campi dos institutos, os quais somaram 562 unidades com este porte ao final de 2014 que foram também expandidas por microrregiões e Uberlândia foi contemplada com a inauguração do campus IFTM – Centro, em 2010. Sinalizou também que os princípios primordiais dos programas, ou seja, implementar a democratização do acesso e a inclusão social, no sentido de atingir maior número de estudantes de 18 a 24 anos (idade produtiva); oferecer acesso à educação superior para alunos de baixa renda, oriundos de escolas públicas e afrodescendentes; fornecer cotas para assegurar o ingresso e atingir a formação do aluno trabalhador, ampliando cursos e vagas no noturno, foram parcialmente alcançados em nossa localidade, uma vez que dos 134 ingressantes (entre 2013-2014) mais de 32% (44 discentes) declararam possuir alguma atividade remunerada e mais de 61% dos alunos inseriram-se na educação superior federal com idade entre 18 e 24 anos (83 de 134 ingressantes), nos três cursos analisados – Engenharia Agronômica (2013/1), IFTM, Campus Uberlândia Rural; Sistemas de Informação, 2013/2, UFU, Campus Santa Mônica; e tecnologia em Marketing, 2014/2, IFTM, Campus Centro. Dos 134 ingressantes, apenas 36 foram oriundos de escolas particulares, 71 entraram por meio das cotas (L1, L2, L3, L4), um aluno ingressou com cota de portador de deficiência e outro como portador de diploma de ensino superior. Já a diferença de ingressantes entraram por meio da Ampla Concorrência (AC). A certificação do aluno trabalhador, uma das finalidades dos programas, ficou comprometida, pois apenas duas alunas trabalhadoras (que iniciaram o curso com 19 e 21 anos) conseguiram concluir a formação dentro do prazo padrão do curso (dois anos e meio) e considerando que o curso noturno analisado não certificou nenhum educando no prazo padrão. A relevância social e profissional dos cursos para a dinâmica da cidade foi externada em seus projetos pedagógicos, os quais demonstraram a importância do incentivo à agricultura, a necessidade do diálogo com a informática e a relevância de reflexões sobre o marketing e o mercado capitalista. Quanto a permanência, 54 alunos ficaram retidos nos três cursos; deste montante, 23 discentes apresentaram possibilidade de concluí-lo no semestre seguinte; 50 evadiram; 10 transferiram para outros cursos ou instituições; e 20 formaram (egressos), o que representou menos de 15% de certificação no prazo padrão. Tal problemática aprofundou os problemas de retenção e evasão na educação superior federal local e denunciou um importante pressuposto de Bourdieu (1974a;1974b; 1979) e Bourdieu e Passaron (1964; 1982), atinente à atuação do sistema de ensino, sobretudo superior, na reprodução do sistema político-cultural; e às relações entre violência simbólica, capital cultural e exclusão escolar e social. Ao mesmo tempo, demonstrou o caráter ambivalente dessa expansão, evidenciando avanços político-culturais no sentido de incluir, ainda que minimamente nesta educação uma nova clientela: deficiente, afrodescendentes, trabalhadores e mais expressivamente alunos egressos de escolas públicas, assim como iniciar um rudimentar processo de democratização deste nível de ensino no referido município.

A ecologia é “in loco” e não internacional: a participação das empresas de papel-celulose na promoção de um desenvolvimento sustentável em Três Lagoas (MS)

A necessidade de se discutir uma solução para os urgentes problemas ambientais e sociais relacionados à expansão do capital nos últimos anos, foi intensificada à medida que os riscos se tornaram reais para a condição da vida humana no futuro. A criação de um “desenvolvimento sustentável” de caráter global, que acomodasse práticas comerciais mais conscientes vem sendo trabalhada desde o século passado, principalmente, na órbita da política internacional. No entanto, esse modelo de desenvolvimento é abrangente e tem barreiras consistentes para ser aferido cientificamente - medir Desenvolvimento Sustentável é sem dúvida uma tarefa difícil e exploratória. Desse modo, esta pesquisa de dissertação traz uma análise das atuações das empresas de papel-celulose em Três Lagoas (MS), no período de 2008-2018. É verificado se as mesmas cumprem medidas que estimulem, de fato, um desenvolvimento mais verde e inclusivo na região. Para isso, utilizamos dados secundários obtidos por meio de relatórios oficiais, em canais de acesso público, e focamos em uma pesquisa quantitativa e qualitativa para responder à seguinte pergunta: A Fibria e a Eldorado Brasil Celulose promovem um desenvolvimento sustentável em Três Lagoas?. Entendemos que o bem-estar de uma população é uma junção de fatores, porém essas indústrias desempenham grandes influências na economia, na política e no meio ambiente nesse município sul-mato-grossense. Isto posto, a pesquisa realizada permite as seguintes conclusões: a) existem graves falhas de fiscalização dos órgãos públicos ambientais para verificar se estão sendo obedecidas as leis ambientais por parte dessas empresas na região; b) há indícios que possa estar tendo uma contaminação do rio Paraná e congestionamento do sistema viário local, devido as atividades dessas indústrias; c) são poucos os relatórios oficiais que favoreçam a verificação, de fato, do impacto ambiental causado pela Fibra e pela Eldorado Brasil Celulose em Três Lagoas; d) os programas sociais e projetos dessas empresas para o desenvolvimento socioambiental do município são rasos e pouco específicos. Por fim, não existe um planejamento estratégico de desenvolvimento sustentável em Três Lagoas, muito menos um plano futuro caso essas empresas encerrem as suas atividades no município.

Territórios e projetos em disputa na institucionalização dos cursos de licenciatura em educação do campo

As reflexões sobre a Educação do Campo não podem se apartar do contexto social da luta pela terra. Nesse sentido, a Educação do Campo se constitui para além da prática pedagógica, ao passo que se territorializa em busca de romper as cercas do latifúndio, do capital e da ignorância. Ela emerge dentro do Movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST) e transcende os anseios do movimento de uma educação para assentados e acampados. Ao reconhecer que a luta não era somente dos sem terra, outros sujeitos agregaram força para garantir educação pública para o campo. O direito à escola se amplia para a luta por uma educação para os povos do campo que contemplasse os saberes e fazeres próprios desses sujeitos. A Educação do Campo pode ser vista como um território em constante disputa, haja vista que há um processo de desterritorialização da mesma. Nesta perspectiva, propusemo-nos a compreender se ao passo que a proposta de Educação do Campo se institucionaliza e amplia sua oferta para além da militância dos movimentos sociais foi possível manter a essência em que foi gestada. Foram considerados os campos simbólico, material e político, que abarcam a cultura, a terra, o território e a luta na Educação do Campo. O desafio esteve em pensar epistemológica e empiricamente o reflexo da institucionalização da Educação do Campo, considerando que este processo trouxe novas práticas que consequentemente apresentaram novas perspectivas e novas relações com as premissas e a essência da Educação do Campo, gestadas pelos movimentos sociais de forma orgânica. Para tanto, foi imprescindível buscar a compreensão de como os cursos de Licenciatura em Educação do Campo articulam as Experiências Sociais constituídas na Terra e no Território na construção de suas matrizes curriculares a partir das matrizes formativas da Educação do Campo para que pudéssemos apontar as possibilidades de territorialização ou re-territorialização desta dentro das IES. A pesquisa foi delineada por meio da pesquisa teórica e documental. Foram consultados livros clássicos e contemporâneos, artigos científicos, teses e dissertações, além de teóricos relevantes na discussão sobre Território, Conhecimento e Educação do Campo. A pesquisa documental se propôs a analisar os Boletins e Cadernos Temáticos do Setor de Educação do MST e da Via Campesina, os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) dos cursos de Licenciatura em Educação do Campo e demais documentos articulados à Educação do Campo dentro dos movimentos sociais de luta pela terra. As análises realizadas nos levam a reconhecer a Licenciatura em Educação do Campo como o mais importante território da Educação do Campo, que, por sua vez, apresenta-se como um território em constante disputa. A resistência de um projeto de educação que nasce no Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, mas rompe os limites do movimento, materializa-se na construção de projetos pedagógicos que não se descolam da matriz formadora da Educação do Campo, mesmo que, por vezes, não se reconheça dentro da Pedagogia do Movimento. A institucionalização foi um fortalecedor deste processo, ao passo que as instituições não são homogêneas e têm características próprias, envoltas por currículos ocultos que irão se apropriar da Educação do Campo, sem dela tirar toda essência.