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A dinâmica política da criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear, 1956-1960

O artigo analisa a dinâmica política do processo de criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), encerrado em outubro de 1956, durante o governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira. Argumenta que o presidente da República se submeteu aos interesses de militares, notadamente do Exército e da Marinha, ignorando o projeto de lei que tramitava no Congresso Nacional e que tinha a mesma finalidade. A estratégia contribuiu para por fim às divergências existentes entre o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e o Ministério das Relações Exteriores, para alijar os cientistas desse processo de decisão e, especialmente, para enfraquecer o debate sobre a política nuclear na sociedade brasileira.

Year

2013

Creators

Andrade,Ana Maria Ribeiro de Santos,Tatiane Lopes dos

Interações socioculturais com a fauna silvestre em uma unidade de conservação na Amazônia: relações de gênero e geração

Este artigo descreve as interações socioculturalmente estabelecidas entre os moradores do rio Unini, Parque Nacional do Jaú, Amazônia central, com o conjunto da fauna silvestre local. Analisa a diversidade dessas interações e a reprodução das mesmas quando influenciadas por fatores de gênero e geração. Os procedimentos metodológicos adotados foram observação participativa e oficinas de grupos focais. Nessas oficinas, foram produzidas free-listings de animais silvestres relacionados a um determinado habitat. O grau de similaridade e dissimilaridade entre as listas foi analisado utilizando-se o Índice de Jaccard, ilustrado em dendrogramas. De maneira geral, as associações mentais entre elementos da fauna, habitat da floresta e nichos ecológicos que expressam as interações socioculturais dos indivíduos com os animais silvestres são bastante similares entre os membros da comunidade. No entanto, os efeitos de geração e de gênero são perceptíveis. A reprodução dessas interações perpassa pela questão do habitus, que estrutura o processo de socialização das interações culturais com a fauna local.

Year

2013

Creators

Menegaldo,Luciana Raffi Pereira,Henrique dos Santos Ferreira,Aldenor da Silva

Movimentos sociais na Amazônia: articulações possíveis entre gênero, religião e Estado

O artigo discute o papel dos movimentos sociais na Amazônia, refletindo sobre o contexto de sua formação e sobre a relação estabelecida com o Estado. A articulação de grupos engajados com uma 'causa' começa a partir das iniciativas da Igreja Católica, notadamente pelos religiosos inspirados pela Teologia da Libertação. A região da rodovia Transamazônica é enfatizada em razão de sua história de mobilização social. Nesta região, as Comunidades Eclesiais de Base inspiraram os moradores a organizarem suas demandas perante diferentes setores do Estado, por meio de estratégias distintas, como passeatas, remissão de cartas, caravanas a Brasília etc. O engajamento feminino, entendido aqui como consequência da ação católica na região, produziu uma forma reivindicatória específica, como busquei demonstrar.

O bairro Batista Campos e as dinâmicas do tempo na cidade de Belém, Brasil: memórias e paisagens arruinadas

O artigo propõe uma reflexão acerca das memórias de moradores do bairro Batista Campos, situado na cidade de Belém, Pará, de maneira a possibilitar, a partir de suas narrativas, a compreensão dos processos de transformação das paisagens urbanas com as quais possuem vínculos simbólico-afetivos. Em nossa análise, consideramos a emergência do fenômeno das ruínas e a dinâmica de práticas sociais que cercam os moradores do bairro. A pesquisa parte das relações dos interlocutores com as edificações antigas, que hoje constituem paisagens arruinadas, para compreender como estes sujeitos se conectam, por meio do ato criativo de rememorar, a uma Belém de outrora, a outras pessoas e a práticas sociais diversas.

Year

2013

Creators

Silveira,Flávio Leonel Abreu da Rocha,Manoel Cláudio Mendes Gonçalves da

Vicente Juarimbu Salles (1931-2013): o tempo vence o homem, não a obra

Notas biográficas em memória do historiador, antropólogo e folclorista paraense Vicente Juarimbu Salles, falecido em março de 2013, no Rio de Janeiro. Salles é autor de obras de referência para a história do Pará e reuniu uma importante coleção de documentos, disponível no Museu da Universidade Federal do Pará. O texto destaca os marcos espaço-temporais da vida e da trajetória como intelectual e pesquisador; os títulos importantes; as microedições que ele produzia; e sua contribuição teórico-metodológica para os estudos históricos sobre a Amazônia, especialmente sobre a presença do negro na região.

Emília Snethlage (1868-1929): um inédito relato de viagem ao rio Tocantins e o obituário de Emil-Heinrich Snethlage

Apresenta nota biográfica da ornitóloga alemã Emília Snethlage (1868-1929) e comentários sobre dois documentos traduzidos do alemão: um relato de viagem inédito ao rio Tocantins, de 1907, e o obituário escrito por Emil-Heinrich Snethlage, publicado em 1930. Destaca a singularidade da trajetória profissional da cientista, que trabalhou no Brasil a partir de 1905, o valor de sua obra e aspectos de sua narrativa. Os nomes científicos citados nos textos foram atualizados.

Year

2013

Creators

Sanjad,Nelson Snethlage,Rotger Michael Junghans,Miriam Oren,David Conway

O Marajó de Lisboa

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Conflitos sociais e a formação da Amazônia

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Year

2013

Creators

Alencar,Breno Rodrigo de Oliveira

Diálogos com a natureza na América Portuguesa

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Year

2013

Creators

Santos,Christian Fausto Moraes dos

Aspectos do sistema fonológico de Arara (Karib)

O presente artigo consiste em uma versão ampliada de estudos fonológicos anteriores da língua Arara (Karib). O quadro de segmentos fonêmicos é revisado à luz de discussões fomentadas por um maior volume de dados e interações morfofonológicas. A assimilação é o principal processo fonológico encontrado na língua. Fenômenos ainda não descritos no dialeto em estudo, como o ablaut e a elisão, são apresentados. Os dados são provenientes de trabalho de campo realizado principalmente entre os Arara, cujo dialeto é falado na aldeia Cachoeira Seca do Iriri, no estado do Pará, Brasil.

Similaridades fonéticas e fonológicas: exemplos de três línguas Tupí

O artigo apresenta os resultados de pesquisas realizadas com três línguas Tupí: Asuriní do Xingu, Wayampí e Mundurukú. Objetiva-se examinar as principais diferenças nas realizações fonéticas de unidades distintivas semelhantes, em particular, as consoantes. Os segmentos analisados foram as consoantes oclusivas /p, t, k, Ɂ/, as nasais /m, n/ e a vibrante simples /ɾ/. Verificou-se que, embora esses segmentos sejam semelhantes do ponto de vista fonológico, cada língua implementa suas consoantes de maneira particular.

Year

2013

Creators

Picanço,Gessiane Baraúna,Fabíola Azevedo Brito,Alessandra Janaú de

Traços laringais em Latundê (Nambikwára do Norte)

Este trabalho reflete o status dos traços laringais na língua Latundê, pertencente ao subgrupo Nambikwára do Norte, da família Nambikwára. Os dados foram coletados in loco pela autora entre os anos 1997-2001. Para a análise, considerou-se também a literatura disponível sobre outras línguas da família. O presente artigo está organizado em cinco seções: na primeira, são fornecidas informações sobre a família Nambikwára e os inventários segmentais de três línguas da família; na segunda, são apresentados os quadros fonológicos (consonantal e vocálico) do Latundê; na terceira, encontram-se dados que evidenciam a realização dos traços laringais existentes em consoantes Latundê (glotalização e aspiração) e o contraste do traço creaky voice, nas vogais; na quarta, são feitas considerações sobre a variação laringal no Latundê; finalmente, na quinta seção, são apresentadas reflexões sobre a correspondência entre segmentos com traço laringal do Latundê e do Mamaindê, outra língua Nambikwára do Norte. Os resultados do estudo evidenciaram que no Latundê as consoantes neutralizaram os traços laringais, enquanto que as vogais os mantêm contrastivamente. No interior do ramo do Norte, a correspondência entre consoantes Latundê e Mamaindê parece indicar que a primeira língua é mais inovadora no processo de mudança histórica.

Arte verbal e música na língua Gavião de Rondônia: metodologia para estudar e documentar a fala tocada com instrumentos musicais

Em uma língua com tom e prolongamento distintivos, como Gavião de Rondônia, a primeira questão sobre a fala tocada com instrumentos musicais é a relação entre as melodias e a fonologia suprassegmental das palavras correspondentes na fala cantada e na fala normal. A forma cantada serve para aprender e explicar os toques musicais. Ela é influenciada pelos recursos fonológicos da forma falada e pelos recursos musicais da forma instrumental, sendo intermediária entre as duas. Esta arte é executada com vários instrumentos musicais tradicionais na cultura Gavião de Rondônia. O papel da fala cantada instrumental é artístico, para acompanhar festas, e também prático, para ajudar a manter o patrimônio oral de uma cultura não escrita. Esta prática representa um patrimônio sociocultural do substrato tradicional das culturas da Amazônia, pouco estudado e ameaçado de extinção. Na Terra Indígena Igarapé Lourdes, usamos uma metodologia original para documentar este fenômeno nos instrumentos musicais identificados como 'falantes' ou 'cantantes' pelos colaboradores Gavião. As sessões de gravação e de transcrição necessárias para esse tipo de trabalho foram explicadas aqui. Elas revelaram a relação de iconicidade acústica que existe entre as palavras e a música. A análise linguística permite entender a natureza fonética e fonológica da iconicidade.

Descrição e análise do prefixo {e-} intr da língua Wayoro (Ayuru, tronco Tupí)

Evidências de que os verbos que apresentam o prefixo {e-} são monoargumentais, na língua Wayoro, são o uso dos prefixos pessoais absolutivos como marcadores do único argumento exigido pelo verbo e a possibilidade de coocorrência desses prefixos pessoais com o morfema causativo/transitivizador {mõ-~õ-} 'causativo', tal como ocorre com verbos intransitivos típicos da língua. O comportamento das construções intransitivas com prefixo {e-} pode ser associado a propriedades de sentenças anticausativas, reflexivas e médias. Em várias línguas, os valores anticausativo, reflexivo e médio podem ser expressos por um único morfema intransitivizador. Em Wayoro, os verbos intransitivizados por meio do prefixo {e-}podem apresentar valor anticausativo, quando o sujeito do verbo intransitivizado é [- animado], ou valor reflexivo, quando o sujeito do verbo é [+ animado]. Os verbos com prefixo {e-} inerente têm propriedades relacionadas à voz média (eventos espontâneos, eventos naturalmente recíprocos etc.).

Year

2013

Creators

Nogueira,Antonia Fernanda de Souza

Aspectos da modalidade epistêmica em Tapirapé

Neste artigo, descrevem-se alguns recursos utilizados pelos falantes do Tapirapé, uma língua da família Tupí-Guarani, para codificarem fonte e confiabilidade da informação. Sabe-se que todas as línguas possuem algum mecanismo para expressar a fonte de informação, embora nem todas apresentem a evidencialidade como uma categoria gramatical. Diferentemente do Português e de outras línguas que empregam significados lexicais para discriminar fonte da informação, verifica-se que no Tapirapé a modalidade epistêmica é expressa por meio de partículas que ocupam a segunda posição na sentença, e que também podem expressar tempo. Apesar de o tempo não ser uma categoria básica nessa língua, e de não haver morfemas de tempo afixados ao verbo, observa-se que a indicação temporal é imbricada à modalidade e decorrente desta. Diferentes partículas que transmitem o mesmo posicionamento do falante em relação ao conteúdo informacional proferido assinalam diversos tipos de tempo. Os dados aqui apresentados, em sua grande maioria, foram obtidos em situação real de fala e coletados nas áreas indígenas Tapirapé/Karajá e Urubu Branco, entre os anos de 2002 e 2007.

Fala fictícia fossilizada: o tempo futuro em Aikanã

O Aikanã, língua indígena geneticamente isolada do sul de Rondônia, tem uma maneira de expressar o tempo futuro verbal que é, à primeira vista, algo surpreendente. A construção, que é obrigatória para o tempo futuro, envolve, além de um morfema de futuro (-re-, ou futuro remoto -ta-), sempre um morfema da primeira pessoa (seja singular ou plural), independente de o verbo estar flexionado para pessoa (seja primeira ou não). Consequentemente, o tempo futuro em Aikanã sempre envolve dois marcadores pessoais no verbo, que correspondem gramaticalmente em número com o sujeito do verbo, mas não necessariamente em pessoa. Mesmo assim, como é demonstrado, ainda que não correspondam no nível gramatical, os marcadores correspondem em pessoa no nível discursivo. Para pesquisadores tentando investigar a língua, esse tipo de construção sempre foi enigmático. Porém, hoje, com um pouco mais de conhecimento sobre construções parecidas em línguas vizinhas (mesmo sendo línguas geneticamente não relacionadas), ficou claro como essa construção tem uma base cognitiva concreta na gramática e na semântica da língua, envolvendo citação fictícia.

Território cultural e a transformação da floresta em artefato social

Em uma das perspectivas da arqueologia da paisagem, todo território cultural é um espaço cujas paisagens são construídas e os ambientes transformados em artefatos sociais. O espaço de manifestação social de uma cultura apresenta locais com ocorrências materiais e recursos naturais diversos, que compõem um território cultural com diferentes ambientes antropogênicos relacionados. Sendo assim, tal como os objetos materiais, as paisagens reproduzem as representações espirituais, políticas e econômicas de uma sociedade. Estudos arqueológicos realizados na região de Porto Trombetas, estado do Pará, têm verificado a maneira como as sociedades relacionadas ao estilo cerâmico Kondurí alteraram os ambientes, interferindo, criando, semeando ou cultivando espécies selecionadas, segundo as suas particularidades culturais. Inventário botânico e escavações arqueológicas realizadas no sítio Greig II, com cultura material Kondurí, indicam como atividades específicas tornam os ambientes mais produtivos e, simultaneamente, familiares, sendo culturalmente identificáveis. Independentemente das possíveis variações estilísticas encontradas na cultura material, acreditamos que as antigas populações amazônicas construíram paisagens onde elas se organizaram e se identificaram social e territorialmente.

Testemunhos 'geo-mineralógicos' do Império Português no Oriente nas coleções do Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Lisboa, Portugal)

O Museu Mineralógico e Geológico da Faculdade de Ciências de Lisboa conservou, até o incêndio de 1978, amostras representativas de diversas unidades geológicas de Timor, coletadas de forma voluntariosa por agentes da administração colonial. O estudo deste acervo, que durante muitos anos foi o único do gênero em museus da metrópole, ajudou a fazer luz sobre a geologia da mais longínqua parcela do Império Colonial Português, apresentada, em traços gerais, ao Congresso Geológico Internacional, reunido em Londres em 1948. A maior parte destas amostras perdeu-se em 1978, conservando-se, contudo, as coleções que foram recolhidas a mando do governador da província, por solicitação do autor da comunicação àquele congresso, antigo naturalista do museu. No presente artigo, alicerçado no estudo da sua documentação científica, revisita-se o conjunto do acervo para esboçar o seu contexto de formação e a composição, destacando-o enquanto marco da soberania e de afirmação da ciência colonial no oriente português.

Agrobiodiversidade e etnoconhecimento na Gleba Nova Olinda I, Pará: interações sociais e compartilhamento de germoplasma da mandioca (Manihot esculenta Crantz, Euphorbiaceae)

Compreender as relações sociais que favorecem a ocorrência e a ampliação da diversidade biológica na região neotropical vem sendo uma das principais preocupações da etnobiologia. Este trabalho objetivou avaliar a riqueza de etnovariedades de mandioca cultivadas em comunidades situadas na área de floresta pública estadual denominada Gleba Nova Olinda I, Pará, Brasil. Os dados foram obtidos durante oficinas participativas com 46 informantes, os quais foram submetidos a análises qualitativas e quantitativas. No local, são conhecidas pelo menos 52 etnovariedades de mandioca, cujo compartilhamento de germoplasma ocorre de forma inter e intracomunitária. O acúmulo de conhecimento detido pelos comunitários sobre esse recurso agrobiológico revela o protagonismo da população na conservação biológica na região da Gleba Nova Olinda I. Desta maneira, é importante que o apoio ao desenvolvimento local esteja calcado na valorização do etnoconhecimento.

Year

2013

Creators

Lima,Pedro Glécio Costa Silva,Regina Oliveira da Coelho-Ferreira,Márlia Regina Pereira,Jorge Luis Gavina