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Darrell Posey: un chercheur engagé

Scientifique visionnaire (idéaliste pour certains), citoyen engagé (activiste pour d'autres), Darrell Posey (1947-2001) a marqué de son empreinte son passage en territoire indigène. Il a eu le mérite d'ouvrir un débat indispensable à la frontière entre cultures, sciences et développement en associant les indiens Kayapó à ses réflexions et ses actions, et en leur permettant de faire entendre leurs voix et de défendre leurs droits sur un plan national et international.

Natureza e cultura na paisagem amazônica: uma experiência fotográfica com ressonâncias na cosmologia ameríndia e na ecologia histórica

Enquanto experiência artística, o projeto fotográfico "Arborescência - fisionomia do vegetal na paisagem amazônica" proporciona ao autor uma série de descobertas: a paisagem como entrelaçamento de Natureza e Cultura (a presença indireta do homem; o face a face com 'sujeitos vegetais'); as relações de continuidade, indiferenciação e equivalência entre o 'natural' (heterogêneo, espontâneo, nativo, rural) e o 'cultural' (homogêneo, cultivado, exótico, urbano) na experiência da paisagem vegetal; a arborescência como "imagem cósmica" (Gaston Bachelard), onde o alto (céu, luz, galhos, água celeste) e o baixo (terra, sombra, raízes, água terrestre) são pólos equivalentes e reversíveis. Tal experiência encontra ressonâncias na eco-cosmologia das sociedades da floresta amazônica. A cosmologia ameríndia é uma "ecologia simbólica" (Philippe Descola), pois elabora "uma complexa dinâmica de trocas e transformações entre sujeitos humanos e não humanos, visíveis e invisíveis" (Bruce Albert); a ecologia ameríndia é uma "cosmologia posta em prática" (Kaj Århem), na qual animais caçados e plantas cultivadas são 'parentes' que é preciso seduzir ou coagir. Tal modelo constitui uma forma de "socialização da natureza" (Descola), de "humanização da floresta" (Evaristo Eduardo de Miranda) e de "antropização indireta" dos ecossistemas amazônicos (Descola), geradora de "matas culturais" (William Balée).

Retratos da nação: os 'tipos antropológicos' do Brasil nos estudos de Edgard Roquette-Pinto, 1910-1920

O artigo analisa os estudos desenvolvidos pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto (1884-1954) acerca da classificação dos 'tipos antropológicos' do Brasil. Como cientista ligado ao Museu Nacional, o antropólogo realizou, nas primeiras décadas do século XX, um extenso levantamento de dados sobre a constituição anatômica, fisiológica e psicológica da população brasileira, estabelecendo uma classificação racial, que refletia o diálogo com a tradição científica e intelectual brasileira, mas também com a antropologia física produzida em países como Alemanha e Estados Unidos. Conforme o artigo destaca, o interesse de Roquette-Pinto consistia na elaboração de um amplo retrato antropológico do país, por meio do qual procurou revelar as características raciais formadoras do Brasil e, ao mesmo tempo, avaliar a viabilidade biológica da população, especialmente dos 'tipos mestiços'.

Entre o laboratório de antropometria e a escola: a antropologia física de José Bastos de Ávila nas décadas de 1920 e 1930

O médico e antropólogo José Bastos de Ávila teve uma destacada atuação no campo da antropologia física no Brasil nas décadas de 1920 e 1930. Trabalhou no Museu Nacional e, a seguir, no Instituto de Pesquisas Educacionais, ambos no Rio de Janeiro. Neste texto, analisamos a trajetória das pesquisas em antropologia física de Ávila, que se concentraram em questões acerca da raça e mestiçagem, com particular destaque nas características antropométricas de crianças. A partir de pesquisas em escolas públicas, Ávila concluiu que os estudantes poderiam atingir melhores níveis de crescimento, se não fossem as péssimas condições sanitárias dos bairros cariocas. Ávila enfatizou que os principais problemas do país residiam nas más condições de saúde, higiene e educação da população, e não devido à dimensão racial. Ávila também participou de expedições científicas, envolveu-se em debates sobre o patrimônio arqueológico, conduziu pesquisas sobre indígenas e escreveu um romance premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1932. Argumentamos que a perspectiva de Ávila, marcada por uma crítica ao determinismo racial, fez parte de uma vertente que predominou na antropologia física praticada no Museu Nacional nas primeiras décadas do século XX, que, por sua vez, esteve associada a dinâmicas sociopolíticas mais amplas em curso no Brasil.

Year

2012

Creators

Gonçalves,Assis da Silva Maio,Marcos Chor Santos,Ricardo Ventura

Entre antropologia e medicina: uma análise dos estudos antropológicos de Álvaro Fróes da Fonseca nas décadas de 1920 e 1930

O médico e antropólogo Álvaro Fróes da Fonseca percorreu várias cidades do Brasil durante sua trajetória profissional, na primeira metade do século XX. Atuou no magistério na cadeira de Anatomia Médico-Cirúrgica, nas Faculdades de Medicina de Porto Alegre, da Bahia e do Rio de Janeiro. Como antropólogo, exerceu atividades no Museu Nacional do Rio de Janeiro e, já nos anos 1960, no Instituto de Antropologia Tropical da Faculdade de Medicina do Recife. Pretendo, neste artigo, resgatar a contribuição do estudioso no campo antropológico, analisando algumas de suas pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Antropologia do Museu Nacional e outras publicadas no periódico dessa instituição entre os anos 1920 e 1930. Neste período, ele congregou cientistas, desenvolveu e orientou vários trabalhos no âmbito da antropologia física e dos 'tipos antropológicos', voltando-se para o desenvolvimento de métodos e índices de classificação racial, ou seja, para a produção de conceitos e técnicas que orientavam a prática antropológica. Refutou o racismo científico do período, motivo pelo qual as investigações desenvolvidas por Fróes da Fonseca refletiram sobre o 'problema da raça' e a questão da mestiçagem em prol do futuro do Brasil.

Year

2012

Creators

Keuller,Adriana Tavares do Amaral Martins

A emergência da biotipologia no Brasil: medir e classificar a morfologia, a fisiologia e o temperamento do brasileiro na década de 1930

O artigo analisa a emergência da biotipologia nas ciências biomédicas do Brasil na década de 1930, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde existiu um Gabinete de Biotipologia vinculado à cadeira de Clínica Propedêutica. A biotipologia congregava conhecimentos da ciência experimental e da medicina constitucional. Primava pela visão holística sobre o corpo do indivíduo e suas práticas científicas consistiam em medidas morfológicas, fisiológicas e psicológicas como base para a classificação. Por meio da obra "O Normotypo Brasileiro", do médico Isaac Brown, busca-se analisar as práticas de medida e classificação das características biológicas dos corpos dos brasileiros. Os modelos biotipológicos adotados no Brasil foram inspirados nas obras dos italianos Nicola Pende, Giacinto Viola e Mario Barbàra. Todavia, os médicos brasileiros criaram suas próprias classificações, adaptando e reconstruindo os modelos originais. Num momento de intenso debate sobre a 'identidade nacional', sugiro que a biotipologia, com suas práticas de produção de pessoas, foi mobilizada como um instrumento para a definição de um tipo físico brasileiro.

Identidade cifrada no corpo: o bertillonnage e o gabinete antropométrico na polícia do Rio de Janeiro, 1894-1903

Nos primeiros anos republicanos do Brasil, vários juristas, criminologistas e policiais difundiram uma novidade recém-chegada da França: o sistema antropométrico para a identificação de pessoas, adotado na polícia parisiense por iniciativa de Alphonse Bertillon (1853-1914). A ideia de introduzir o método chamado bertillonnage no Brasil apareceu, desde 1889, em relatórios governamentais, livros de viagem e jornais. Um gabinete antropométrico foi instalado na polícia do Rio de Janeiro em 1894, mas quase não funcionou até 1899, quando foi reorganizado e, em 1900, a identificação de criminosos pelo método foi estabelecida por decreto. Instrumentos de medição e livros foram trazidos de Paris, a 'metrópole' da identificação policial, mas a história do gabinete antropométrico da então capital brasileira não deve ser interpretada simplesmente como um processo de aplicação imitativa de um método estrangeiro. É o que demonstra este artigo, que procura analisar a constituição transnacional do bertillonnage e os complexos processos de leitura, tradução e adaptação envolvidos no uso da antropometria no âmbito das práticas policiais no Rio de Janeiro.

O Congresso Universal de Raças, Londres, 1911: contextos, temas e debates

O texto aborda o contexto histórico e sociopolítico no qual se inseriu o Primeiro Congresso Universal de Raças, realizado em Londres em 1911, e discute os principais temas abordados no evento por antropólogos, sociólogos e ativistas sociais de diferentes lugares do mundo. Destacamos a presença dos médicos e antropólogos João Baptista de Lacerda (1846-1915) e Edgard Roquette-Pinto (1884-1954), os dois representantes do Brasil no congresso, e analisamos os trabalhos apresentados por algumas das principais autoridades do campo da antropologia e dos estudos raciais da época. Esses trabalhos foram publicados em um volume organizado pelo sociólogo inglês Gustav Spiller.

Year

2012

Creators

Souza,Vanderlei Sebastião de Santos,Ricardo Ventura

A 'Relação' de Jacinto de Carvalho (1719), um texto inédito de etnografia amazônica

Depois de trabalhar por treze anos nas missões da Amazônia, o jesuíta português Jacinto de Carvalho (1677-1744) enviou ao superior da ordem uma relação descritiva do país e de alguns costumes da população indígena. Essa é a principal fonte etno-histórica da Amazônia na primeira metade do século XVIII, mas é conhecida somente por meio de uma tradução italiana coeva, até hoje inédita. Os trechos de interesse etnográfico foram aqui vertidos à língua portuguesa, precedidos de estudo.

De Tucuruí a Belo Monte: a história avança mesmo?

O ensaio reflete sobre a construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, Pará, e a compara com a usina de Belo Monte, atualmente sendo erguida no rio Xingu. A primeira foi planejada e construída durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985) e a segunda, em período considerado democrático. O autor critica a falta de transparência e os indícios de corrupção na história de Tucuruí, problemas que parecem se repetir com Belo Monte, trinta anos depois. Conclui que o governo federal, responsável por ambas as obras, continua a desconsiderar os efeitos perversos dos grandes projetos de infraestrutura na Amazônia.

Reflexões sobre hidrelétricas na Amazônia: água, energia e desenvolvimento

O ensaio discute a implantação de hidrelétricas na Amazônia a partir das relações entre consumo de água e hidroeletricidade em diferentes escalas de análise, pois, se todos os lugares do planeta são afetados por processos globais, eles não o são de modo homogêneo. À escala global, domina o discurso apocalíptico de escassez crescente da água e do aquecimento global, exigindo a redução de emissões de gases de efeito estufa mediante o uso de energias renováveis e novas tecnologias. Na escala nacional, os problemas do Brasil são, pelo contrário, como gerir a abundância de água com justiça social e territorial, e como sustar a perda de 20% da energia elétrica produzida. Finalmente, é na escala regional - na Amazônia - que emergem os maiores problemas: i) o maior paradoxo entre abundância de água e inacessibilidade social ao recurso; ii) grande parte das hidrelétricas planejadas para o país será ali construída, com risco dos graves impactos conhecidos; iii) a cogitada obrigatoriedade da construção de eclusas em todas as hidrelétricas, proposta pelo setor industrial em benefício da navegabilidade dos rios, deverá propiciar, na verdade, o escoamento de commodities produzidas na região Centro-Oeste. Coloca-se, assim, para a sociedade e para o governo, a questão ética se realmente são necessárias tantas hidrelétricas na Amazônia.

Hidrelétricas na Amazônia: renovabilidade e não renovabilidade da política energética. Se é desejável a renovabilidade das formas de conversão de energia, por que não é desejável renovar a política energética?

O ensaio tem a intenção de discutir, apresentando como pano de fundo os recentes projetos hidrelétricos propostos e em andamento na Amazônia brasileira, aspectos referentes aos processos de licenciamento ambiental, problemas conceituais que dizem respeito à caracterização da conversão hidrelétrica como energia limpa e renovável. Este trabalho parte da análise de planos governamentais e das discussões sobre projetos hidrelétricos, identificando a necessidade de implementar mudanças institucionais e de fortalecer as leis ambientais e de proteção dos direitos de populações tradicionais e indígenas. Propõe-se uma nova maneira de formular problemas energéticos e de planejar a oferta de energia, que leva em consideração aspectos sustentáveis e patrocinadores da discussão pública, além do entendimento e da incorporação das consequências sobre os grandes ciclos biogeoquímicos que dão suporte às conversões de energia.

Amazonian Dark Earths: pathways to sustainable development in tropical rainforests?

Fertile dark anthrosols associated with pre-Columbian settlement across the Amazon Basin have sparked wide interest for their potential contribution to sustainable use and management of tropical soils and ecosystems. In the Upper Xingu region of the southern Amazon, research on archaeological settlements and among contemporary descendant populations provides critical new data on the formation and use of anthrosols. These findings provide a basis for describing the variability of soil modifications that result from diverse human activities and a general model for the formation of Amazonian anthrosols. They underscore the potential for indigenous systems of knowledge and resource management to inform efforts for conservation and sustainable development of Amazonian ecosystems.

Grés, vinho e imigração: arqueologia de uma produção vitivinícola, São Paulo, 1920-1950

O artigo apresenta os resultados das escavações realizadas no sítio arqueológico Chácara Cayres, localizado no município de São Bernardo do Campo, São Paulo. O sítio é parte de uma antiga chácara familiar, da primeira metade do século XX, na qual foi construída uma adega para produção de vinho artesanal. A análise dos artefatos associados às estruturas que compunham a adega, com especial destaque às garrafas de grés, permitiu aventar algumas possibilidades para a arqueologia histórica da cidade de São Paulo, da imigração e do reuso de garrafas. A Chácara Cayres permite refletir sobre as tecnologias elaboradas no Brasil para a produção de vinho e discorrer sobre uma importante atividade socioeconômica e cultural do estado de São Paulo, a produção vinícola por imigrantes europeus.

Das virtudes da ardência: uso e disseminação dos frutos de Capsicum nos séculos XVI e XVII

A partir do século XV, observa-se, em escala global, a disseminação do cultivo, da comercialização e do uso de muitos vegetais. Apesar de a historiografia dispor de um razoável volume de estudos publicados sobre as especiarias do Oriente, bem como sobre o impacto econômico destas no Renascimento, ainda existe espaço para uma abordagem relacionada à propagação e ao uso de plantas americanas, que também se converteram em especiarias de considerável importância cultural e econômica. Entre essas plantas, as representantes do gênero Capsicum possuem destacada importância. Baseado em textos de cronistas, médicos, herbaristas e filósofos naturais dos séculos XVI e XVII, este trabalho analisa a dispersão e o cultivo de espécies de pimentos do Novo Mundo, a partir das grandes viagens marítimas iniciadas pelos portugueses no século XV.

Year

2013

Creators

Santos,Christian Fausto Moraes dos Bracht,Fabiano Conceição,Gisele Cristina da

Da malária e da 'corrupção': medicina e saberes locais no noroeste do Brasil (Comissão Rondon, 1907-1915)

O artigo analisa o conhecimento médico produzido sobre a região norte de Mato Grosso pelos médicos da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas, conhecida como Comissão Rondon (1907-1915). No início do século XX, essa região era pouco conhecida em termos geográficos, antropológicos e, especialmente, epidemiológicos. Um dos objetivos da Comissão era explorar cientificamente os locais por onde o fio telegráfico passaria. Desse modo, a análise do papel do conhecimento das populações sobre as localidades visitadas no processo de produção de conhecimento médico serve de peça fundamental neste estudo. O argumento central deste artigo é que as relações mantidas entre médicos e habitantes locais produziram importantes e ricas descrições sobre aspectos epidemiológicos e diversas crenças sobre saúde, doença e práticas de cura entre as populações do noroeste do país, que tiveram impacto nas ações médico-sanitárias da Comissão e nos serviços de montagem da infraestrutura do telégrafo por fio.

Year

2013

Creators

Vital,André Vasques Hochman,Gilberto

Antropologia e medicina: assistência à saúde no Serviço de Proteção aos Índios (1942-1956)

O artigo discute como as ações de atenção à saúde no Serviço de Proteção aos Índios (SPI) foram concebidas. O período analisado compreende os anos de 1942 a 1956, respectivamente, o ano da criação da Seção de Estudos (SE) do SPI, reconhecido pela literatura que tem se dedicado ao tema como o momento de importantes mudanças no referido órgão, a partir da valorização das ciências sociais na estrutura administrativa, e o ano em que o antropólogo Darcy Ribeiro deixou a chefia da SE. Nesse contexto, analisamos a proposta de criação de um Serviço Médico-Sanitário do SPI, que sugere uma vinculação entre saberes médicos e antropológicos na promoção de melhorias sanitárias em benefício dos grupos indígenas.

Year

2013

Creators

Brito,Carolina Arouca Gomes de Lima,Nísia Trindade