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Ecologia, doença e desenvolvimento na Amazônia dos anos 1950: Harald Sioli e a esquistossomose na Fordlândia

Resumo O artigo trata dos estudos do biólogo alemão Harald Sioli sobre a esquistossomose na região de Fordlândia, às margens do rio Tapajós, no Pará, realizados no início dos anos 1950, quando integrou a equipe do Instituto Agronômico do Norte (IAN). O IAN foi criado em 1939, no bojo de uma série de iniciativas destinadas a promover o desenvolvimento de regiões brasileiras, tidas como ‘atrasadas’ e vistas como ‘vazios demográficos’, por meio da agricultura, do incentivo à migração, de obras de infraestrutura e de ações de planejamento econômico. Sioli abordou a esquistossomose a partir de uma perspectiva ecológica. Correlacionou sua incidência com fatores ambientais ligados à distribuição dos caramujos hospedeiros, a atividades humanas e aos padrões de ocupação da terra. Dessa forma, podemos filiá-lo à vertente ecológica de estudo das doenças infecciosas, mostrando que ela teve lugar no auge do otimismo sanitário e do ciclo ideológico do desenvolvimentismo.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Silva,André Felipe Cândido da Sá,Dominichi Miranda

Os fragmentos da história: primeiras notas etnográficas sobre os Tupi e Tupi Guarani

Resumo Nesta nota de pesquisa, apresento parte de uma etnografia histórica que, atualmente, venho desenvolvendo com os Tupi e os Tupi Guarani das aldeias localizadas em diversos pontos do litoral e do interior de São Paulo. O que segue é uma tentativa de reconstituir o processo de formação das identidades homônimas ocorrido entre os séculos XIX e XXI. Para tal propósito, procurei reunir os fragmentos de memória oral dos txeramôes e txedjrays, avôs e avós destes indígenas, e de documentos escritos – disponíveis nos acervos do Serviço de Proteção ao Índio da Fundação Nacional do Índio (SPI-FUNAI), do Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP), em bibliotecas etc. Os resultados preliminares indicam que, no século XIX, intelectuais e políticos consideravam como certo o fim dos grupos Tupi, seja pela miscigenação ou pelo extermínio; como também indicam a existência, na contemporaneidade, de indígenas que se afirmam como descendentes dos grupos Tupi – até então vistos como extintos – e dos grupos Guarani que, através dos últimos deslocamentos do século XIX, ali se estabeleceram. Logo, o que apresento aqui é parte de um estudo que visa compreender o processo de retomada dos territórios tupi e tupi guarani, que levou ao atual complexo de aldeias.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Bertapeli,Vladimir

Coleções etnobotânicas no Brasil frente à estratégia global para a conservação de plantas

Resumo Este artigo aborda o processo de implementação de acervos etnobotânicos no Brasil, com enfoque nas coleções da Amazônia brasileira e sua importância frente às metas da Estratégia Global para a Conservação de Plantas (GSPC) no país.Foram identificadas quatro recentes coleções etnobotânicas no Brasil: duas encontram-se no Sudeste – no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e no Jardim Botânico da Fundação Zoobotânica de Minas Gerais (JBFZB-BH), – e duas no estadodo Pará – no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e na Universidade do Estado do Pará (UEPA) –, reunindo mais de mil e quinhentas amostras, distribuídas em diferentes categorias de uso, com destaque para a medicinal. Estas coleçõesrefletem a importância da flora dos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia em diversos contextos socioculturais e estão relacionadas às atividades voltadas a atingir pelo menos três das metas delineadas pela GSPC. Portanto, acervosdessa natureza devem ser encorajados e apoiados, dado o seu inestimável valor científico e cultural.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Melo,Paula Maria Correa de Oliveira Fonseca-Kruel,Viviane Stern da Lucas,Flávia Cristina Araújo Coelho-Ferreira,Márlia

Estudos sobre partículas

No summary/description provided

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2022-12-06T13:14:02Z

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Magalhães,Marina Maria Silva Silva,Léia de Jesus

Partículas em Sikuani

Resumo Este artigo analisa um grupo particular de morfemas da língua Sikuani (Guahibo), no intuito de demonstrar que: 1) no nível da forma, o grupo tem propriedades de classe; 2) no nível funcional, ele possui correlatos semânticos e pragmáticos tipicamente gramaticais; e 3) ele é certamente passível de uma caracterização em termos de protótipo. A análise é levada a cabo almejando níveis apreciáveis de explicitação e exaustividade, incluindo uma primeira identificação das classes de morfemas da língua, o inventário ilustrado dos morfemas que são objeto deste estudo, uma segunda identificação das classes de morfemas da língua e a síntese dos resultados. O conjunto de considerações feitas ao longo do artigo pretende contribuir para a validação da – reiteradamente questionada – noção tipológica de ‘partícula’.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Queixalós,Francesc

Partículas em Mundurukú (Tupí)

Resumo O objetivo deste artigo é elaborar uma análise sobre partículas em Mundurukú: interrogativas; negação, contraste e restrição; ênfase/modalização e euforia; inclusão; e tempo, aspecto e modo (TAM). A proposição dessa classe de palavras seguiu critérios formais e funcionais, aqui apresentados tanto para justificar a existência de partículas nessa língua quanto para contribuir com o debate teórico sobre esse tema. Os dados advêm de narrativas orais e escritas, descrições de procedimentos de caça, produção de cestaria e rede de dormir, material produzido para área de saúde e elicitações. Partículas em Mundurukú são formas invariáveis, em sua maioria monossilábicas átonas, com status funcional e não lexical. Elas têm escopo sobre constituintes, ocorrendo, em sua maioria, após eles, podendo também ter escopo sobre sentenças inteiras. Exercem funções tipicamente pragmáticas, como focalização contrastiva e modalização. A posição e o contorno fonológico criado pelas partículas mostram seu escopo, mas ele não é restrito ao constituinte ou à sentença, estabelecendo uma relevante interferência no fluxo conversacional, de modo a restringir, contestar, afirmar, corrigir, incluir, questionar informações e demonstrar estados de espírito, como irritação, euforia, admiração, polidez, certeza, incerteza. As partículas se prestam, ainda, a expressar hipóteses, ordem e tempo próximo no passado ou no futuro.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Gomes,Dioney Moreira

O lugar das partículas entre palavras, morfemas e sintagmas em Kubeo

Resumo Este artigo descreve a noção de palavras, morfemas e sintagmas em Kubeo, avaliando criticamente o status de partículas. Após uma abordagem que aponta as dificuldades analíticas para se definir as fronteiras entre palavras e sintagmas na língua, bem como os diferentes critérios usados para diferenciar tipos de palavras e tipos de morfemas sob um ponto de vista estrutural, funcional e fonológico, estudamos as partículas como uma classe de palavras cuja função principal é a de marcadores pragmáticos. Partículas não são assumidas a priori, mas emergem como resultado de um percurso metodológico, que questiona a necessidade dessa categoria descritiva, cuidadosamente delimitando-a e diferenciando-a de outras classes de morfemas.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Chacon,Thiago Costa

A partícula ‘tá(~matá)’ na estrutura oracional da língua guajá

Resumo O artigo examina as propriedades morfossintáticas da partícula ‘tá(~matá)’ na estrutura oracional da língua guajá, considerando seu desenvolvimento em termos de uma abordagem formal da gramaticalização. Partindo do estudo de Magalhães (2007), em que tal categoria é analisada como partícula aspectual projetiva (PROJ), discutimos seu estatuto sintático, tomando por base a ocorrência de correlatos em outras línguas da família Tupí-Guaraní (TG), particularmente na língua kamaiurá. Adotando o quadro teórico gerativista (Chomsky, 1995), propomos que a partícula projetiva ‘tá(~matá)’ (PROJ) do guajá realiza o núcleo funcional [T(ense)], definido por um modelo cartográfico da estrutura oracional. Essa análise é avaliada em relação às propriedades estruturais da negação, por um lado, e à distribuição dos traços de concordância de sujeito, por outro lado.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Salles,Heloisa Lima

The particle ‘ke’ as a differential object and subject marker in Ka’apor

Abstract The main purpose of this article is to show that the Ka’apor language exhibits both direct object marking (DOM) and differential subject marking (DSM). This research demonstrates that the particle ke is responsible for triggering these systems, since it is used when agent subjects are semantically affected by the event described by the verb and when objects are high on the animacy scale. In this sense, the DOM mechanism in Ka’apor is regulated by both the animacy and definiteness scales. With regard to DSM, I hypothesize that it emerges as an example of a markedness reversal, since affectedness is not a typical property of subjects, but only of objects. As a result, DSM in Ka’apor is characterized by the fact that only subjects which resemble typical patient objects are overtly case-marked by the particle ke.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Duarte,Fábio Bonfim

Partículas de Final de Sentença (PFS): uma análise cartográfica por fases sobre o sistema da língua Tenetehára

Resumo O objetivo deste artigo é analisar a distribuição das Partículas de Final de Sentença (PFS) em Tenetehára, as quais compõem um conjunto de itens funcionais que ocorrem em uma posição sintática rígida em posição sentencial final. A ordem das PFS nesta língua pode ser formalmente capturada se for considerada uma única estrutura de base, a partir da qual se deriva, por movimentos sintáticos, a ordem dessas categorias. Assim, a proposta é de que a linearização dessas partículas à direita é o resultado do movimento de uma partícula mais baixa, i.e., o alçamento de uma projeção contendo uma dessas partículas para o especificador de uma projeção dominante. A análise aqui apresentada tem o mérito de integrar harmoniosamente duas propostas teóricas da Teoria de Princípios e Parâmetros: a Hierarquia de Cinque (1999) e a Abordagem de Derivação por Fases (Chomsky, 2001).

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2022-12-06T13:14:02Z

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Camargos,Quesler Fagundes Castro,Ricardo Campos Tescari Neto,Aquiles

Partícula interrogativa e pitch-accent frasal nas perguntas polares em fa d’Ambô

Resumo Apresentamos os recursos linguísticos para a realização de perguntas polares em fa d’Ambô (FA), a partir de um corpus formado por dados obtidos na Guiné Equatorial. Discutimos o (i) uso da partícula interrogativa final a; e a (ii) associação de pitch-accent frasal à última mora da palavra prosódica final da sentença, com alteração do acento da palavra e elevação da entonação, padrão linguístico não documentado, embora previsto por Gordon (2014). A interrogativa faculta o uso da partícula a para perguntas polares, porém seu uso não é licenciado em perguntas-QU. Trabalhos anteriores não abordaram essa questão (Barrena, 1957; Post, 1995; Zamora, 2010) ou afirmaram que as interrogativas polares eram construídas como as declarativas (Post, 1995). Argumentamos que, em FA, palavras acentuadas ao final da sentença interrogativa polar diferem daquelas que ocorrem em outras posições e que o pitch-accent é atraído ao limite direito da sentença, padrão não documentado em uma língua de sistema top-down (Gordon, 2014). Destacando o fato de a partícula final a ocorrer em FA e em outros crioulos de base portuguesa do Golfo da Guiné, oferecemos evidências para sua presença no Proto-Crioulo do Golfo da Guiné, bem como da influência das línguas do substrato Níger-Congo, sobretudo aquelas do cinturão sudanês.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Agostinho,Ana Lívia Araujo,Gabriel Antunes de Santos,Eduardo Ferreira dos

Partículas em Rikbaktsa

Resumo Em Rikbaktsa (Macro-Jê), as partículas constituem uma classe léxica, ao lado de advérbios e posposições. Em geral, as partículas são descritas como elementos invariáveis; nesta língua, entretanto, há dois conjuntos de partículas, um marcando focalização e o outro, modalização de empatia, que apresentam uma complexidade morfológica envolvendo o gênero e o número dos participantes. Há, ainda, evidências fonológicas e morfossintáticas que contribuem para a distinção entre partículas e clíticos. Dentre os muitos significados expressos pelas partículas da língua, identificamos focalização, modalidade epistêmica e evidencialidade. Em se tratando da categoria de evidencialidade, o verbo auxiliar da língua está passando por um processo de gramaticalização para indicar reportativo.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Silva,Léia de Jesus

A gramaticalização de verbos em partículas na língua Guajá e sua relação com a omnipredicatividade

Resumo Neste artigo, pretendo mostrar que, apesar da grande inconsistência em termos formais e da heterogeneidade em termos funcionais que caracteriza a descrição da classe das partículas em diferentes trabalhos, no caso do Guajá é possível se diferenciar as partículas das demais classes de palavras existentes na língua, assim como também atribuir a origem de algumas delas a diferentes processos de gramaticalização a partir de verbos plenos. Serão aqui enfocadas as partículas direcionais e posicionais e a partícula de aspecto projetivo da língua Guajá, sendo explicitada sua origem e relacionados os fenômenos analisados à perda versus manutenção da tipologia omnipredicativa da língua.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Magalhães,Marina Maria Silva

O debate inesgotável: causas sociais e biológicas do colapso demográfico de populações ameríndias no século XVI

Resumo No século XX, estimativas populacionais para o hemisfério ocidental, as Américas, sobre o período que antecedeu à chegada de Colombo variaram entre dez milhões até mais de cem milhões. Essa grande discrepância é fundamental para avaliar o peso das epidemias na brusca redução demográfica que se seguiu. O fato é que houve um colapso demográfico de populações de ameríndios que viviam sobretudo, mas não exclusivamente, no atual México e na América Andina durante o século XVI. A decisão de certos historiadores de eleger as epidemias como causa distante e suficiente desse colapso populacional dissimularia, segundo outros autores, uma espécie de ‘determinismo imunológico’, isentando os espanhóis de responsabilidade e modelando formas de enfrentar problemas de saúde que se manifestam ainda hoje. Partindo de literatura específica, desenvolvemos a ideia de que é possível contribuir para compreender esse colapso, conjugando ‘causas distantes’ (como as epidemias) com ‘causas próximas’ (como a violência dos espanhóis e a desestruturação dos sistemas de subsistência e reprodução dos ameríndios), duas categorias oriundas da biologia evolutiva e da medicina evolutiva. Na realidade, pretendemos defender essa síntese, que já vem sendo feita por certos autores, embora não nos termos das categorias causais que manipulamos aqui.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Waizbort,Ricardo

Sorte, dinheiro, amor...: o que os ‘animais’ da Amazônia podem fazer por nós, ‘humanos’?

Resumo Este artigo apresenta resultados de um estudo etnográfico acerca do universo simbólico que permeia a relação entre humanos e animais na Reserva Extrativista Mapuá, na ilha do Marajó, estado do Pará, Brasil. O objetivo foi descrever os saberes e as relações que se desenvolvem a partir das apreensões cosmológicas conferidas aos animais existentes na Unidade de Conservação. Observação participante e entrevistas semiestruturadas foram as principais ferramentas utilizadas. A pesquisa demonstrou uma cosmovisão tipicamente amazônica que figura indistintamente entre os domínios da natureza e da cultura, apontando para uma inexistência dessa dualidade ou uma outra compreensão para estas fronteiras. O estudo revela um rico patrimônio biocultural, que envolve a vida social, o mundo natural e a vida cosmológica, regidos pelas mesmas categorias.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Jacinto,Felipe de Oliveira Barros,Flávio Bezerra

O pito (de) holandês: cachimbos arqueológicos de caulim do Recife e de Salvador

Resumo Os cachimbos europeus de caulim, produzidos especialmente entre os séculos XVII e XIX, eram industrializados e descartados rapidamente. Ainda, os estilos decorativos e de marcas de fabricante foram vários e relativamente bem marcados no tempo. Portanto, são particularmente úteis como instrumento de datação de sítios, camadas e feições, mesmo daqueles estratos urbanos extremamente revolvidos. Serão aqui analisados cachimbos de caulim exumados do Recife Antigo, Pernambuco, e da área de aterro à frente da Sé Primacial de Salvador, Bahia. Em um primeiro momento, explora-se o potencial desses cachimbos de caulim para aferir o período e o local de sua produção; consequentemente, também intervalos prováveis para os estratos de onde provieram. Nesse sentido, busca-se contribuir com uma arqueologia das cidades do Recife e de Salvador. Por outro lado, lembra-se que esses implementos do fumo se referiam a uma prática, então crescentemente globalizada, repleta de significados e associações socioculturais. Os casos aqui abordados, apesar de referirem-se a duas áreas urbanas distintas, possibilitam correlações interessantes, por serem ambas cidades portuárias de relevo na América portuguesa dos séculos XVII e XVIII. Considerando-se esses elementos, aventam-se algumas possibilidades interpretativas acerca das categorias sociais que os utilizaram, tendo em vista especialmente as investidas e as ocupações batavas do Nordeste.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Hissa,Sarah Barros Viana

Musealização da natureza e branding parks: espetacularização, mitificação ou sustentabilidade?

Resumo A implantação e a musealização de parques e de áreas de proteção ambiental não são processos de construção simbólica absoluta, isentos de contradições. Como ocorre nos procedimentos de patrimonialização, o método que justifica escolhas ou estabelece hierarquias é sempre restrito ao olhar específico, especializado e temporal. Como um fio condutor preconcebido, a proteção e a comunicação do espaço direcionam a determinadas percepções, normalmente fragmentadas. Não são procedimentos neutros, já que carregam valores, conhecimentos e paradigmas dos responsáveis por esses movimentos. Raramente levam à divergência de percepções, tendendo à homogeneização de um pensamento formalmente aceito em determinado espaço-tempo, nem sempre contextualizado sob suas tensões e potencialidades originais. Este artigo propõe discutir algumas questões que permanecem atuais, e que geram desconforto nos processos de proteção e de musealização de parques, áreas, territórios e paisagens associados às políticas de preservação ambiental ou de patrimônio natural. Entre essas questões, destacam-se as noções de espetacularização, mitificação, sustentabilidade e branding. É possível musealizar a natureza ou apenas a paisagem? O que distingue esses dois conceitos? Para tentar responder a essa e outras questões, são apresentadas aproximações e distinções ético-filosóficas, associadas aos processos de preservação ambiental e de patrimônio integral, sob a perspectiva de sua epistemologia histórica.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Narloch,Charles Machado,Deusana Maria da Costa Scheiner,Teresa

‘Ideias em movimento’: José Augusto Garcez e a reinvenção do folclore no Museu Sergipano de Arte e Tradição (1948)

Resumo Este artigo analisa a trajetória do colecionador sergipano José Augusto Garcez (1918-1992) e seus trânsitos na reinvenção do folclore, por meio de exposições museológicas, com destaque para a criação do Museu Sergipano de Arte e Tradição (1948), em Aracaju, Sergipe. O interesse é compreender as transformações do folclore, especialmente em Sergipe, por meio da análise da constituição de um campo de produção simbólico, dos trânsitos intelectuais e das estratégias dos agentes responsáveis pela mobilização da crença em determinadas invenções do ‘popular’, traduzidas em exposições museológicas. Sustentado no referencial teórico-metodológico de Pierre Bourdieu e na análise de um conjunto de fontes inéditas, o artigo contribui para a visualização das táticas utilizadas para a criação de museus dedicados ao folclore no Nordeste do país, no início do século XX, e do modo como esses espaços auxiliaram na mobilização e na consolidação de determinados projetos intelectuais.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Britto,Clovis Carvalho Souza,Jean Costa

Belém e a Academia do Peixe Frito: fisiognomias em Bruno de Menezes e Dalcídio Jurandir

Resumo Esta pesquisa integra um projeto que investiga a biografia e a produção literária e jornalística da Academia do Peixe Frito (APF), um grupo de intelectuais que se reuniu em torno de ideais de renovação literária e valorização da periferia, para refletir sobre questões sociais na Amazônia paraense, a partir de 1920. Objetiva-se perscrutar as relações entre a APF e a fisiognomia de Belém, por meio da observação dos espaços onde o grupo costumava se reunir e da análise de textos literários de dois de seus representantes: Bruno de Menezes e Dalcídio Jurandir. A pesquisa bibliográfica é embasada na teoria de Walter Benjamin acerca da cidade, retomada por Bolle (2000) e Gagnebin (2014), e nos estudos sobre a APF realizados por Coelho (2003), Figueiredo (2001), Larêdo (2012), Nunes e Costa (2016), entre outros. Os escritos analisados configuram-se como produções nas quais a cidade é o lugar onde os escritores são observadores que redesenham a fisionomia dela por meio da confluência de imagens do cotidiano e do imaginário social. Assim, a escrita de Dalcídio e de Bruno tem força poética, constituindo-se em imagens em movimento e experiências sensoriais entremeadas, as quais representam fragmentos significativos de Belém e do amazônida.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Pereira,Carla Soares Silva,Katia de Souza da Amin,Vanda do Socorro Furtado Nunes,Paulo Jorge Martins

Emília Snethlage (1868-1929) e as razões para comemorar seus 150 anos de nascimento

Resumo O documento apresenta um pouco da trajetória da primeira mulher a fazer parte de uma instituição de pesquisa no Brasil: a alemã Emília Snethlage (1868-1929), uma mulher que iniciou a pesquisa sobre as aves na região amazônica. Inicialmente, são destacadas algumas questões sobre a vida e a obra desta cientista, assim como aspectos gerais concernentes à história da ciência e aos estudos de gênero. Por fim, apresenta-se uma reprodução revisada e atualizada de um artigo de jornal de Osvaldo Rodrigues da Cunha (1928-2011), publicado em 15 de novembro de 1985, o qual também representa uma figura importante para o Museu Paraense Emílio Goeldi.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Alberto,Diana Sanjad,Nelson