RCAAP Repository
Pesquisa e contexto: métodos de investigação e diferenças sócio-culturais em questão.
A partir do recente debate (Patto, 1984; Freitag, 1985; Camargo, 1986; Carraher, Carraher & Schliemann, 1986) sobre a dissidência entre vários autores quanto a aspectos do desenvolvimento cognitivo, este artigo oferece subsídios para discussão. A atenção focaliza a variável contexto experimental e sua importância na prática de pesquisa. O contexto experimental é considerado como definido socialmente, conseqüentemente propõe, em primeiro lugar, que as pesquisas em Psicologia devam considerar ambos, o meio social dos sujeitos objeto de estudo e o significado do contexto experimental como conseqüência deste ambiente. Em segundo lugar, sugere que em estudos de processos psicológicos, especialmente de grupos sociais e culturais diferentes, o pesquisador, no planejamento dos seus experimentos deva dar mais ênfase (através de observações) aos fatores ambientais que caracterizam os vários grupos de sujeitos. Ao invés, a tendência usual tem sido se concentrar somente nas habilidades de um grupo cultural particular, desconsiderando que é a partir destes fatores ambientais que são derivados os estímulos e também as respostas que originam o comportamento. Para explicar como as pessoas funcionam nos seus meios particulares, temos que dispender uma maior atenção ao contexto ambiental, na mesma intensidade com que usualmente nos voltamos para o indivíduo como sujeito experimental. Isto implica na necessidade em Psicologia de se testar as teorias seja através de métodos de observação.
Internato: uma das faces ocultas do ensino agrícola de 2º grau.
O artigo descreve e analisa alguns dos dados obtidos por meio de estudo de caso de duas escolas agrícolas de 2º grau. O foco do estudo centraliza-se em uma das características mais negligenciadas dessas escolas: o sistema de internato, levantando os problemas gerados por aquele tipo de estrutura e questionando suas causas.
2013
Zibas, Dagmar Maria Leopoldi
Direitos reprodutivos: a realidade social e o debate político.
Uma das mais importantes contribuições do movimento feminista à construção da cidadania no Brasil foi a introdução da reivindicação do direito de ter ou não ter filhos, num debate político que era, e em certa medida ainda é , polarizado por versões simplistas do neomalthusianismo e do anti- neomalthusianismo, ambas defendendo o que consideravam os interesses da sociedade, e ignorando as necessidades das mulheres concretamente envolvidas na reprodução biológica e social.
A creche comunitária “Casinha da Vovó”: Prática de manutenção/Prática de Educação.
A creche comunitária é uma forma de organização para a guarda e o cuidado da criança pequena que surge no final dos anos 70, em diferentes bairros da região industrial de Belo Horizonte (Minas Gerais) e municípios adjacentes, como fruto da luta e da solidariedade de grupos de mulheres aí residentes. Da formulação dos estatutos, do aluguel de um imóvel ao pleno funcionamento das creches contava-se apenas com os recursos da comunidade: trabalho voluntário, contribuições das famílias usuárias, doações, promoções de bazares, festinhas, rifas etc.
2013
Vieira, Lívia Maria Fraga Melo, Regina Lúcia Couto de
Literatura infantil: voz da criança.
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2013
Negrão, Esmeralda Vailati
A questão indígena na sala de aula.
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Participação do pessoal da administração superior nas reformas ou inovações do sistema educacional.
O presente estudo pretende analisar, ainda, descritivamente, como e se o pessoal do ensino superior contribui para o desenvolvimento das reformas e inovações realizadas ou em realização no sistema educacional, particularmente nos níveis primário e médio. As hipóteses de trabalho levantadas referem-se à participação de pesquisadores nas reformas ou inovações, à utilização dos resultados de pesquisa e a sua difusão dentro e fora do sistema educacional. Dados foram colhidos junto à Secretaria de Educação e Universidades. Constatou-se que embora a participação dos pesquisadores nas inovações exista, é considerada insuficiente, episódica e limitada a determinadas fases. Por outro lado, a utilização de resultados de pesquisas pela administração pública educacional é rarefeita. Ainda aponta-se a falta de uma política consistente para a divulgação de pesquisas. Muito enfatizada é a desvinculação do ensino superior em relação aos outros níveis de ensino. Coloca-se em evidência o caráter acadêmico das pesquisas, o que as põe distantes da prática educativa.
2013
Gatti, Bernardete A.
Professores leigos x professores habilitados.
O principal objetivo deste estudo foi identificar o impacto dos programas de qualificação dos professores sobre os estudantes, a escola, a comunidade e os orçamentos municipais. Este estudo envolve 34 escolas de três diferentes municípios abrangendo 44 professores de primeiras séries, 389estudantes e 33 pais de alunos. Dados estatísticos e históricos foram coletados a fim de analisar a evolução da qualificação de professores da escola de 1º grau em Sergipe e o impacto da qualificação dos professores sobre o orçamento municipal. Observação em sala de aula e questionário para estudo do perfil dos professores; teste de Linguagem e Matemática para uso com os estudantes e entrevistas com os pais foram os procedimentos usados. De acordo com a análise de covariância, a variável "qualificação do professor" se coloca como a mais significante - diferenças foram encontradas no desempenho de alunos preparados pelo programa Logos II. Contudo, a "idade dos estudantes" e "anos de experiência de ensino" foram também consideradas importantes. Este estudo mostra claramente que o currículo da Escola Normal precisa ser revisado e revitalizado; e a transferência da responsabilidade da escola de 1º grau para o município precisa ser reanalisada.
2013
Morais, Gizelda Santana Andrade, Maria Olga de Nunes, Maria Thétis Berger, Miguel André Oliveira, Nélia Alves de Ribeiro, Neuza Maria Sales Prior, Vilma Porto
Administração de escolas de 1º e 2º graus e a natureza do processo de produção pedagógico.
Tendo em vista subsidiar as discussões a respeito de uma práxis administrativa escolar voltada para a transformação social, o artigo estuda a natureza do processo de produção pedagógico que tem lugar na escola, contrastando-o com o processo de produção material e investigando até onde o modo de produzir tipicamente capitalista pode generalizar-sena escola, a ponto de dar-se aí a completa subordinação real do trabalho ao capital.
2013
Paro, Vitor Henrique
O "ofício de criança": definição social da primeira infância e funções diferenciadas da escola maternal.
O artigo discute as condições sociais da descoberta da primeira infância como objeto pedagógico e, em seguida, as funções sociais que a instituição escolar pode preencher quando baseada nesta definição da primeira infância. Para isto os autores analisam dados sobre: a expansão da escolaridade infantil; as mudanças no papel pedagógico das mães, associadas aos seus novos papéis profissionais; a evolução das necessidades de guarda em comparação com as educacionais; a difusão de novas concepções da psicologia sobre as crianças pequenas e as mudanças nas formas de atendimento. Na segunda parte são examinados vários aspectos da instituição escolar voltada para as crianças pequenas e as expectativas diversas que cada classe social constrói em relação a ela.
2013
Chamboredon, Jean-Claude Prévot, Jean
A constituinte e a educação da criança de 0 a 6 anos.
O artigo discute as principais questões envolvidas na definição dos direitos à educação das crianças de 0 a 6 anos no novo texto constitucional a ser elaborado. Em seguida, analisa as propostas já existentes - especialmente aquela preparada pela Comissão Provisória de Estudos Constitucionais, coordenada por Afonso Arinos - no que se refere aos direitos das crianças nesta faixa de idade.
2013
Campos, Maria Machado Malta
É preciso pensar em educação escolarizada para crianças de 4 a 6 anos?
O artigo discorre sobre os objetivos da pré-escola, utilizando a denominação "pré-1º grau", para diferenciá-la de alternativas pouco estruturadas ou informais. Segundo a autora, esta denominação seria mais adequada para programas que possuem clareza em suas metas educacionais e professores preparados, atendendo a faixa de 4 a 6 anos de idade. A autora defende o ponto de vista de que os aspectos pedagógicos devem ser encarados com seriedade, criticando a orientação assistencialista de programas como o PROFIC, por exemplo. Por outro lado, defende a antecipação da idade de ingresso no 1º grau para os 6 anos e a prioridade de educação das crianças entre 0 e 10 anos de idade.
2013
Assis, Regina A. de
Organização do trabalho na escola: a prática existente e a teoria necessária.
A Administração escolar, enquanto corpo teórico-conceitual no qual pressupostamente se apóia a prática administrativa que se desenvolve no interior de nossas escolas e de sistemas escolares, debate se historicamente no Brasil com fogo cruzado de duas incompreensões. De um lado situam-se aqueles que entendem a administração escolar como um caso particular da ciência administração e como tal, supõem necessário apenas um pequeno esforço de adaptação para que os princípios gerais de administração possam dar conta satisfatoriamente dos problemas que se manifestam no cotidiano das instituições escolares.
2013
Silva Jr., Celestino Alves da
A administração da educação na nova república: caminho para mudança ou mudança de caminho?.
A importância de se discutir questões relativas à administração da educação pública no Brasil não se prende ao fato da proximidade da Constituinte, pois não se pode esperar da Assembléia, mais do que o fortalecimento da república constitucional de cabresto curto. É a compreensão crítica do caráter da Nova República que torna premente a identificação dos caminhos para a mudança no setor educacional, traçados pelos dirigentes nacionais, nos quais poderão trilhar muitos educadores, ou por partilharem dos ideais democráticos do governo, ou por terem se equivicado na mudança de caminho.
2013
Felix, Maria de Fátima Costa
Universidade, escola e formação de professores.
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2013
Bittencourt, Circe Maria Fernandez
Administração escolar: introdução crítica.
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2013
Frigotto, Gaudêncio
Emendas constitucionais 23/83 (Passos Porto) e 24/83 (João Calmon): problemas e conseqüências da compatibilização.
Este trabalho faz parte de um programa de estudos mais amplo sobre financiamento da Educação no Brasil, realizado pelo Instituto de Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas - IESAE e patrocinado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE. Em particular, este estudo analisa os possíveis efeitos complementares de duas medidas parlamentares tomadas em fins de 1983, ou sejam: as Emendas Constitucionais nº 23/83 (Passos Porto) e nº 24/83 (João Calmon). Dividido em quatro seções, envolve: 1) o histórico da vinculação de recursos para a educação, segundo os textos constitucionais e legais; 2) as bases da Emenda Passos Porto; 3) a Emenda João Calmon e sua regulamentação; 4) as conseqüências das disposições das duas Emendas e, por meio de sua articulação, os efeitos potenciais quanto a recursos adicionais para a área da educação. Na parte final, destaca os efeitos positivos de ambas Emendas sobre a disponibilidade de recursos para a educação e ressalta as múltiplas interfaces do financiamento da educação com as questões políticas, econômicas e, em especial, com a reforma tributária.
2013
Moreira, Roberto Castro, Luiz Felipe Meira de Silva, Jorge Ferreira da
Os jovens e as mudanças estruturais na década de 70: questionando pressupostos e sugerindo pistas
A ONU (Organização das Nações Unidas) denominou, 1985, Ano Internacional da Juventude. Para este evento a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe) encomendou diagnósticos da situação do jovem em diferentes dimensões - seu papel nas tendências da dinâmica demográfica, alterações na organização familiar, condições de trabalho, escolaridade etc. - baseados fundamentalmente em dados censais. O diagnóstico brasileiro foi realizado por mim com a colaboração de Albertina Costa e foi divulgado pela CEPAL com o nome de Os jovens e as Mudanças Estruturais no Brasil ao Longo da Década de 70. Este artigo é o resumo de uma das dimensões abordadas naquele relatório. Trata de avaliar o impacto das intensas mudanças qualitativas e quantitativas ocorridas na estrutura econômica e social do Brasil, na década de 70, nas condições de trabalho de crianças (10-14 anos), adolescentes (15-19 anos) e jovens (20-24 anos). Na verdade propõe-se a duas tarefas básicas e complementares - a de mostrar como estas parcelas da população foram condicionadas a participar das tendências do mercado de trabalho ocorridas ao longo deste período, contribuindo a sua maneira para os novos contornos que assumiu a sociedade brasileira, e, em segundo lugar, como estas mudanças acionaram mecanismos de acesso pelos setores populares à identidade jovem.
2013
Madeira, Felícia Reicher
Um modelo para análise da estratificação educacional no Brasil.
O artigo considera o efeito da origem social sobre a realização escolar no Brasil, utilizando os dados da PNAD-1976. Existem duas vantagens sobre os demais trabalhos existentes. Primeiro, a especificação logística do modelo é capaz de isolar os efeitos das variáveis independentes das modificações ocorridas nas distribuições marginais das variáveis, o que permite uma comparação dos coeficientes estimados para as transições escolares consideradas. Esta separação não é possível nos demais modelos. A segunda vantagem reside no escopo nacional da amostra, que retrata uma situação recente. Porém, a PNAD-1976 não inclui informações sobre as chamadas variáveis intervenientes ou sobre muitos fatores que atua, do lado da oferta de escolaridade. Apesar disso, foi possível mostrar o efeito declinantes das variáveis de origem social sobre as chances de progressão escolar, independentemente de qualquer eventual homogeneização que possa ocorrer com essas variáveis.
2013
Silva, Nelson do Valle Souza, Alberto de Mello e
Análise psicolingüística da leitura de crianças nas séries iniciais do 1º grau.
A pesquisa avaliou o desempenho em leitura de crianças na 1ª e 2ª séries do 1º grau, utilizando como critérios de proficiência três variáveis: a compreensão e o emprego de conhecimentos gramaticais durante a leitura e a interpretação após a mesma. Estas variáveis definem o perfil de proficiência de um instrumento denominado, Inventário de erros na leitura (IEL), que se baseia na concepção da leitura como um processo psicolingüístico. No IEL avalia-se a proficiência, analisando os "erros" da criança na leitura oral e as estratégias de autocorreção. A amostra foi constituída por 41 sujeitos aleatoriamente selecionados: 20 da 1ª série e 21 da 2ª. De uma extensa lista de resultados relacionados com os objetivos específicos, destacam-se como mais importantes os seguinte: os sujeitos corrigiram ou tentaram corrigir espontaneamente apenas 22,6% de seus "erros"; os sujeitos corrigiram 65,55% dos "errros" que resultaram em sentenças gramaticais incorretas e somente 12% daqueles que não deturparam a estrutura gramatical; os sujeitos corrigiram 64,85% dos "erros" que resultaram em sentenças sem sentido e apenas 10,05% daqueles que não destruíram o significado; de acordo com os critérios do IEL a proficiência dos sujeitos foi considerada regular. Os resultados confirmam que a leitura é efetivamente um processo psicolingüístico e sugerem um repensar sobre as práticas metodológicas relacionadas com o ensino da mesma.
2013
Silva, Fátima Sampaio