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O TRABALHO DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE E AS DIFERENÇAS SOCIAIS NO TERRITÓRIO

Resumo Neste artigo, discutem-se as diferenciações sociais apresentadas como desafios aos agentes comunitários de saúde no seu trabalho cotidiano. O estudo consistiu em analisar as configurações sociais construídas no território adscrito, com base na ação dos agentes. Destacam-se as ferramentas analíticas que permitem compreender os diferentes padrões de estratificação social entre grupos pertencentes a um mesmo ambiente socioeconômico. O método de pesquisa adotado baseou-se na abordagem qualitativa por meio de dez entrevistas semiestruturadas e acompanhamento em uma clínica da família do município do Rio de Janeiro em 2016 e 2017, valendo-se de técnicas socioetnográficas. Os resultados apontam para a existência de dificuldades que impedem a adesão da população adscrita aos serviços ofertados pela clínica da família, assim como para a identificação de grupos com diferenças de poder e prestígio. Reitera-se a questão sobre como as equipes de saúde lidam com configurações sociais específicas. Conclui-se que as relações estabelecidas no espaço que circunscreve as unidades de saúde da família necessitam ser constantemente monitoradas, para identificar possíveis diferenças na adesão decorrentes das configurações sociais específicas da população adscrita aos serviços de saúde.

Year

2020

Creators

Faria,Cintya Cristine Martins da Veiga Paiva,Carlos Henrique Assunção

FORMAÇÃO EM GESTÃO PARA APOIO À REFORMA DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE EM PORTUGAL E PAÍSES AFRICANOS LUSÓFONOS

Resumo Apresentamos lições que resultaram de atividades de capacitação dos gestores conduzidas em Portugal no contexto da reforma da atenção primária em saúde e nos países africanos de língua oficial portuguesa, em termos do planejamento e da gestão dos serviços hospitalares e de saúde pública. Descrevemos três programas de formação-ação realizados pela Unidade de Saúde Pública Internacional do Instituto de Higiene e Medicina Tropical de Lisboa, com o apoio de parceiros portugueses e internacionais como a Organização Mundial da Saúde e o Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Os programas foram desenvolvidos na base da identificação das necessidades de competências dos participantes e focaram a resolução de problemas concretos com o objetivo de ajudar os gestores a enfrentar as dificuldades inerentes aos processos de reforma. Apesar do seu valor intrínseco, por si só não se mostram suficientes, uma vez que são sempre necessários outros mecanismos, como o acompanhamento continuado dos gestores, sistemas de incentivos coerentes com os objetivos das reformas, ferramentas e recursos (financiamento, sistemas de informação, pessoal qualificado suficiente) adequados para implementar as mudanças. Além disso, a sustentabilidade das intervenções de fortalecimento das capacidades carece de apoio continuado dos decisores políticos.

Year

2020

Creators

Lapão,Luís Velez Dussault,Gilles

DIÁLOGO E ENSINO-APRENDIZAGEM NA FORMAÇÃO TÉCNICA EM SAÚDE

Resumo O objetivo foi analisar o diálogo no agir-aprendente do educando e no agir-educativo das educadoras no movimento ensino-aprendizagem em um curso técnico de nível médio em enfermagem promovido pela Escola de Formação Técnica em Saúde do Sistema Único de Saúde, para comunidade em contexto de vulnerabilidade social. Estudo qualitativo, do tipo estudo de caso, ancorado no referencial de Paulo Freire. Participaram doze educandos e cinco educadoras, com os dados coletados entre dezembro de 2014 e setembro de 2015 por meio de entrevista semiestruturada, observações registradas em diário de campo e análise documental. O diálogo no uso de metodologias inovadoras e problematizadoras proporcionou a construção e estreitamento de vínculos, contextualização do conteúdo teórico com base no território e na leitura de mundo dos educandos em busca de uma relação dialógica. O potencial formativo embasado no pensamento freireano orientou a reflexão e prática fundamentada no diálogo que contribuiu para o processo educativo emancipatório e plural. Concluímos que o diálogo proporcionou uma relação de proximidade entre educadores e educandos, revelando-se como ideia/força, favorecendo a dinâmica sensível e crítica que permeou e constituiu o movimento ensino-aprendizagem para educandos em contexto de vulnerabilidade social.

Year

2020

Creators

Vieira,Silvana Lima Silva,Gilberto Tadeu Reis da Silva,Rosana Maria de Oliveira Amestoy,Simone Coelho

INOVAÇÕES CURRICULARES PARA FORMAÇÃO EM SAÚDE INSPIRADAS NA OBRA DE ANÍSIO TEIXEIRA

Resumo Este artigo teve o objetivo de compartilhar questões e reflexões provocadas pelo desafio de organizar o projeto curricular, em regime de ciclos, dos cursos de saúde da Universidade Federal do Sul da Bahia. Inspirado no sistema universitário norte-americano, que tem os colleges como nível inicial de formação, o primeiro ciclo dos cursos de saúde da instituição compõe-se de um bacharelado interdisciplinar em saúde, com duração de três anos, e uma proposta de formação docente para o ensino médio com foco na promoção da saúde, qualidade de vida e educação inclusiva, ainda em fase preliminar de elaboração, o que reforça a integração da universidade no sistema geral de educação. A inspiração da obra e vida de Anísio Teixeira se revela em dois planos: em seu projeto de uma universidade popular e no conceito de escola democrática, incorporada como efeito prático no modelo de Escola Parque, especialmente nos temas da educação integral, inclusiva e fundada em práticas concretas. Em relação aos processos de ensino-aprendizagem presentes na obra anisiana, o artigo destaca a valorização de pedagogias críticas fundadas na capacidade de ‘aprender fazendo’ e o papel da ciência e da tecnologia como distintivo cultural da modernidade.

Year

2020

Creators

Almeida-Filho,Naomar de Nunes,Tânia Celeste Matos

UMA PROPOSTA DE RELEITURA DO TRABALHO EM SAÚDE NO BRASIL INSPIRADA NA EXPERIÊNCIA DE PORTUGAL

Resumo Neste artigo, discutem-se pesquisas realizadas em Portugal e no Brasil sobre saberes profissionais respectivamente de trabalhadores sociais e de técnicos em saúde, apoiados no conceito de sociocognição – o conhecimento implicado na experiência social –, cujo sentido analítico requer identificar situações de trabalho, competências práticas e cognitivas ou modos de cognição que estruturam e sustentam a ação dos trabalhadores nas respectivas situações. Tais elementos do trabalho profissional foram organizados em uma tipologia da sociocognição em situação. Os saberes profissionais, com caráter predominantemente tácito, equivalem aos conhecimentos produzidos e mobilizados nessas situações. As primeiras pesquisas realizadas no Brasil, nesse sentido, foram feitas com técnicos em saúde bucal, tendo-se, posteriormente, extrapolado a análise, em alguns aspectos, para o conjunto dos técnicos de equipes da saúde da família. Dentre os resultados, pode-se destacar que a principal competência prática demonstrada pelos técnicos estudados é o acolhimento, enquanto o modo de cognição ou competência cognitiva que mais se manifesta é o de caráter intuitivo associativo ou seletivo. A experiência prática tende a ser mais reconhecida do que a formação técnica, ainda que as etnografias sobre saberes profissionais possam ajudar a tornar mais explícita a relação entre essas duas dimensões do trabalho profissional.

Year

2020

Creators

Ramos,Marise Nogueira Caria,Telmo Humberto Lapa

ABORDAGENS DO TRABALHO NO SETOR PÚBLICO DE SAÚDE: UMA REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA

Resumo Trata-se de revisão narrativa de literatura para identificar diferentes abordagens teóricas que vêm sendo utilizadas na discussão sobre o trabalho em saúde. Nosso objetivo foi atualizar o conhecimento sobre essa temática pelo mapeamento das diferentes estratégias metodológicas. Organizou-se a bibliografia segundo três perspectivas de análise: mercado – os sujeitos do trabalho vistos como força produtiva; Estado – os sujeitos do trabalho entendidos como elo entre o Estado e a sociedade; e atividade – a dimensão subjetiva do trabalho. Tal estratégia possibilitou uma visão integrada do campo, apontando os diferentes, porém complementares, caminhos metodológicos para a análise do trabalho no setor público de saúde.

Year

2020

Creators

Teixeira,Marcia Martins,Maria Inês Carsalade Lamarca,Isabel Cristina Silva Arruda Oliveira,Simone

Crise econômica e a Covid-19: rebatimentos na vida (e morte) da classe trabalhadora brasileira

Resumo Nesta breve exposição, pretende-se discutir como a crise político-econômica conjugou-se, à perfeição, à pandemia, para construir soluções lucrativas aos grandes capitais. O texto apresenta, com base na análise de dados recentes, como o Estado brasileiro, no governo Bolsonaro, empenha-se em aprofundar o programa de ajuste, por meio de privatizações de estatais e de rebaixamento dos direitos e do valor da força de trabalho, como base de um programa político-econômico e fiscal. A Nota explora ainda a hipótese de que tal plataforma tem o potencial de assegurar o continuado apoio da grande burguesia ao governo de Bolsonaro e Guedes.

Trabalho remoto, saúde docente e greve virtual em cenário de pandemia

Resumo Este ensaio possui como principal objetivo problematizar mudanças ocorridas no trabalho de professoras e professores da rede particular de ensino no contexto de pandemia e sua relação com a saúde. Apresenta novas formas de resistências e organização coletiva, como a greve virtual, do ponto de vista dos próprios docentes que se encontram em atividades de ensino remoto e, também, em exercício de direção sindical. Foi construído de forma compartilhada, entre professore(a)s e pesquisadore(a)s. Fundamenta-se na pedagogia crítica e dialógica freireana, cujos processos valorizam a formação mútua e emancipadora. Dos diálogos empreendidos durante a construção do texto, chegamos a quatro importantes pontos de análise e problematização, a saber: trabalho docente em tempos de isolamento social; mudanças no processo e na organização do trabalho; aspectos geracionais e questões de gênero; saúde docente, resistências e greve virtual. Ao fim, observa-se que o tipo de atividade de ensino, não presencial, por meio de plataformas e outros recursos digitais, se constitui como uma configuração atual do trabalho que se aprofunda no contexto de pandemia e faz uso exacerbado da tecnologia, articulando novos modos de controle, extração de sobretrabalho e do mais-valor social.

Year

2021

Creators

Souza,Katia Reis de Santos,Gideon Borges dos Rodrigues,Andréa Maria dos Santos Felix,Eliana Guimarães Gomes,Luciana Rocha,Guilhermina Luiza da Conceição,Rosilene do Carmo Macedo Rocha,Fábio Silva da Peixoto,Rosaldo Bezerra

¿Es la atención primaria de salud integral parte de la respuesta a la pandemia de Covid-19 en Latinoamérica?

Resumen América Latina se ha convertido en uno de los epicentros de la pandemia de Covid-19, con una crisis sanitaria y humanitaria. El objetivo del artículo es analizar las medidas para enfrentar la pandemia en países de la Región y el rol de la Atención Primaria de Salud, discutiendo obstáculos y potencialidades. Son analizados los casos de Bolivia, Brasil, Chile, Colombia, Cuba, Uruguay y Venezuela. Los siete países adoptaran medidas de aislamiento social de diferentes alcances, con grados distintos de sostenibilidad. El énfasis de las respuestas estuvo más en la atención hospitalaria que en la vigilancia de la salud, identificación de casos y contactos y disposición de condiciones adecuadas para el confinamiento. En casi todos los países, se subestimó la capacidad de los servicios de atención primária en el territorio. No obstante, iniciativas de enfoque territorial y comunitario buscaron integrar la vigilancia de la salud con actividades de promoción, prevención y cuidado, aunque con alcance parcial. En este contexto la Atención Primaria Integral e integrada toma nuevo sentido y reclama desarrollos que contribuyan a recobrar el equilibrio entre sociedad y medio ambiente. Es necesario repensar los sistemas de salud y la importancia de la atención primaria de salud integrada e integral.

Year

2021

Creators

Giovanella,Ligia Vega,Román Tejerina-Silva,Herland Acosta-Ramirez,Naydú Parada-Lezcano,Mario Ríos,Gilberto Iturrieta,Daisy Almeida,Patty Fidelis de Feo,Oscar

A educação em direitos humanos como suporte às políticas antimanicomiais: história e memória

Resumo A política de saúde mental no Brasil se vê hoje ameaçada pelo retorno da lógica manicomial e isso constitui um risco aos usuários e familiares, pois o sujeito diagnosticado com transtorno mental deixa de usufruir plenos direitos. O objetivo deste ensaio é propor que o resgate da memória da barbárie manicomial seja parte fundamental de uma educação em direitos humanos; além disso, deveria estar presente na formação dos profissionais da área da saúde para fortalecer os movimentos sociais que dão legitimidade e força ao modelo antimanicomial. Parte-se de uma concepção crítica dos direitos humanos para argumentar que estes constituem a sedimentação histórica de lutas sociais em uma sociedade em conflito. A conclusão aponta que o usufruto do direito à saúde mental está intimamente relacionado à educação dos agentes de saúde, aos usuários e aos movimentos sociais.

Year

2021

Creators

Maia,Ari Fernando Gradella Júnior,Osvaldo

Negacionismo da Covid-19 e educação popular em saúde: para além da necropolítica

Resumo As expressões do negacionismo da pandemia da Covid-19 recorrentes no Brasil estão relacionadas ao crescimento da extrema-direita e produzem o aumento da necropolítica. Percebemos uma ‘crise de interpretação’ que aponta a ‘ignorância’ como causa única da popularização do negacionismo. Buscaremos problematizar tal fenômeno, indo além dessa interpretação comum. Ancorado em uma ausência de mundo compartilhado, o negacionismo cresce com o ‘déficit de prática comum’. É preciso, entretanto, diferenciar as posições envolvidas: há aqueles que negam visando ao lucro, baseado em um desejo de morte e extermínio, e os que entram em negação por conta de uma realidade tão dura de que são vítimas. Diante disso, as ações educativas que têm por referência a educação popular em saúde são estratégias importantes para se enfrentar tal fenômeno, mobilizando as noções freirianas de diálogo e conflito. Essas ações permitem não ‘desconstruir’ os cuidados em saúde, mas ‘acrescentam realidade’ a eles, trazendo a importância de se considerarem as condições de vida das classes populares. Por fim, compreendendo o vínculo indissociável entre educação popular e movimentos sociais, apresentamos como movimentos de favela têm enfrentado o negacionismo em defesa da vida.

As dimensões da precarização do trabalho em face da pandemia de Covid-19

Resumo A precarização do trabalho consiste em fenômeno com dinâmica notadamente acentuada desde a década de 1970, em resposta à crise estrutural do capital. Com a emergência da pandemia de Covid-19, as suas dimensões ganharam visibilidade, agravando, em especial, a questão da saúde dos trabalhadores. Diante disso, a pesquisa que originou este artigo teve o objetivo de analisar aspectos da relação entre precarização e pandemia, tomando a realidade brasileira como particularidade analítica. Trata-se de pesquisa teórica, realizada com base em documentos oficiais e notícias veiculadas na internet, submetidos a uma análise materialista histórica. Constatou-se que todas as dimensões da precarização do trabalho estabelecem determinação recíproca com a pandemia. O simulacro do combate ao desemprego pela via da precarização, o home office e a uberização são componentes que se destacam na conjuntura pandêmica, inclusive provocando reações dos trabalhadores contra esse processo, vide manifestações durante a pandemia. Por conta disso, esses aspectos devem ser objeto de especial atenção por parte da ciência e, sobretudo, das lutas da classe trabalhadora, ainda com maior ênfase após a pandemia.

Entre o enclausuramento e a desinstitucionalização: a trajetória da saúde mental no Brasil

Resumo O objetivo foi analisar a trajetória das políticas de saúde mental no Brasil. Realizamos a sistematização dos períodos históricos com base na análise dos contextos sociopolítico, de organização do sistema de saúde e das características da atenção em saúde mental. Identificamos sete períodos desde a institucionalização da loucura, no período imperial, até 2019. A trajetória da política revela um processo de disputa de concepções epistemológicas e simbólicas sobre a loucura e o adoecimento mental, que em interação com outros fatores contextuais influenciam os modelos assistenciais e as práticas de cuidado. Posteriormente, discutimos a pluralidade de abordagens da desinstitucionalização no cenário internacional e as influências sobre o modelo de saúde mental proposto pela Reforma Psiquiátrica Brasileira. Apresentamos uma síntese da ideia de desinstitucionalização considerando as várias dimensões que envolvem a perspectiva abrangente do termo. Por fim, refletimos sobre os avanços e desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Apesar das significativas conquistas, persistem problemas relacionados ao financiamento, à estigmatização, à frágil articulação intersetorial e à reprodução da lógica manicomial nos serviços substitutivos. Além disso, as atuais mudanças na Política Nacional de Saúde Mental constituem-se como principais ameaças ao modelo desinstitucionalizante.

Year

2021

Creators

Sampaio,Mariá Lanzotti Bispo Júnior,José Patrício

Ansiedade e depressão em atendimento presencial e telessaúde durante a pandemia de Covid-19: um estudo comparativo

Resumo O estudo visou comparar escores de ansiedade e depressão em profissionais da saúde em atendimento remoto ou presencial em um hospital universitário brasileiro durante a pandemia de Covid-19 e identificar fatores associados à ansiedade e à depressão. Para tanto, realizou-se um estudo observacional e transversal. Os participantes responderam aos protocolos Patient Health Questionnaire-9 e General Anxiety Disorder-7, além de um questionário sociodemográfico, e foram divididos em três grupos: profissionais da telessaúde (G1), profissionais que exercem de maneira presencial (G2) e profissionais que exercem de ambas as formas (G3). Participaram 159 profissionais da saúde, sendo 36 homens e 123 mulheres, a maioria de enfermeiros, com a média de idade de 42 anos. Os participantes do G2 apresentaram maiores escores de ansiedade e depressão quando comparados aos demais. No entanto, não houve diferenças e associações estatísticas significantes entre esses grupos (p>0,05). ‘Idade’, ‘tipo de profissão’ e ‘receber diagnóstico de Covid-19’ tiveram associações estatísticas com ansiedade e depressão. Concluiu-se que não houve diferença significante entre ansiedade e depressão em profissionais da saúde que trabalham de forma remota ou presencial, assim como não houve associações entre os protocolos e os grupos. ‘Idade’ ‘profissão’ e ‘receber diagnóstico de Covid-19’ podem interferir nesses escores.

Year

2021

Creators

Depolli,Gabriel Trevizani Brozzi,Jéssica Nascimento Perobelli,Andressa de Oliveira Alves,Bruno Lima Barreira-Nielsen,Carmen

Disparidades e heterogeneidades das medidas adotadas pelos municípios brasileiros no enfrentamento à pandemia de Covid-19

Resumo O artigo teve como objetivo investigar de que modo os municípios brasileiros desenvolveram medidas para enfrentar a pandemia de Covid-19. Para isso, foi conduzido um estudo com dados da Confederação Nacional dos Municípios, coletados no segundo semestre de 2020. Os resultados apontaram que houve, inicialmente, a adoção de medidas como a implementação de barreiras sanitárias, isolamento social e promoção do uso de máscara; contudo, a maioria dos municípios flexibilizou essas ações ao longo do tempo. Além disso, observou-se que os entes municipais desenvolveram ações de resposta à pandemia de forma heterogênea e descoordenada. Concluiu-se que esse fenômeno se deve ao fato de que o governo federal e os estados da federação desenvolveram precários mecanismos de incentivo à cooperação interfederativa e pouco estimularam a coordenação de atividades no território brasileiro.

Year

2021

Creators

Lui,Lizandro Albert,Carla Estefania Santos,Rodrigo Marques dos Vieira,Luan da Cruz

Desafios para a Atenção Primária à Saúde no Brasil: uma análise do trabalho das agentes comunitárias de saúde durante a pandemia de Covid-19

Resumo As fragilidades da Atenção Primária à Saúde podem ser reconhecidas por meio da análise do trabalho das agentes comunitárias de saúde. Uma vez que a situação enfrentada por essas profissionais representa desafios estruturais do sistema de saúde, este artigo tem como objetivo analisar a situação das profissionais em questão no enfrentamento à pandemia de Covid-19 no Brasil. Analisamos seus desafios com base nos dados coletados em um inquérito online e em netnografia. Para a realização da análise dos dados, optamos pela análise de conteúdo, inspirada na grounded-theory. Observamos três dimensões que representam como as agentes comunitárias de saúde experienciam a pandemia: mudanças nas práticas de trabalho, bem como nas interações entre trabalhadores e usuários e a expectativa do futuro no trabalho pós-pandemia. As análises mostram que para resguardar essas profissionais e garantir o funcionamento da Atenção Primária à Saúde é necessário contar com novas estratégias para viabilizar as dinâmicas locais de trabalho.

Year

2021

Creators

Fernandez,Michelle Lotta,Gabriela Corrêa,Marcela

Formação da classe trabalhadora em tempos de pandemia e crise do capital: a agenda dos aparelhos privados de hegemonia

Resumo Trata-se de pesquisa teórica realizada com base em documentos oficiais produzidos entre 2015 e 2020, por organismos multilaterais e organizações da sociedade civil, bem como notícias veiculadas na internet que tratam de temas relacionados à educação, especialmente no período da pandemia do novo coronavírus. Verifica-se o apelo ao uso das tecnologias e educação em Educação a Distância, combinado com discursos que ressaltam as competências socioemocionais e formação de professores sob a ótica da flexibilidade e centralidade no aluno como protagonista de suas próprias escolhas diante do aumento das desigualdades sociais e novos requerimentos do mercado de trabalho. Utilizou-se como método de análise o materialismo histórico, sob o qual a relação trabalho e educação e as políticas educacionais daí decorrentes são apreendidas como expressão da ordem do capital. No atual momento histórico, o capital em crise determina as novas condições e necessidades de formação para a classe trabalhadora, materializadas pela ação dos aparelhos privados de hegemonia e intelectuais coletivos do capital, esses examinados à luz das contribuições de Gramsci.

Year

2021

Creators

Silva,Mariléia Maria da Decker,Aline Inácio Faust,Juliana Matias Melgarejo,Mariano Moura

Assistência farmacêutica na pandemia da Covid-19: uma pesquisa documental

Resumo Este artigo objetivou discutir as propostas de reorganização da assistência farmacêutica durante a pandemia da Coronavirus disease-19 (Covid-19) pelas secretarias de saúde dos estados brasileiros e do Distrito Federal. Para tanto, foi realizada uma pesquisa documental dos arquivos disponibilizados nos sites das secretarias. A interpretação dos dados revelou três categorias de discussão sobre a reorganização da assistência farmacêutica do Sistema Único de Saúde: garantia do acesso às tecnologias em saúde, telefarmácia e promoção do uso racional de medicamentos e segurança na dispensação. Além de oferecer um sistema de abastecimento de tecnologias indispensáveis para o funcionamento dos serviços de saúde, as ações de assistência farmacêutica foram citadas como estratégicas para a difusão de informações fundamentadas em evidências, colaborando para a integralidade, a resolubilidade e a eficiência das intervenções em saúde.

Year

2021

Creators

Lula-Barros,Débora Santos Damascena,Hylane Luiz

Trabalho remoto docente e saúde: repercussões das novas exigências em razão da pandemia da Covid-19

Resumo O estudo objetivou descrever características do trabalho remoto, situação de saúde mental e qualidade de sono na pandemia da Covid-19 em docentes da Bahia. Foi conduzido websurvey, seguindo protocolo CHERRIES, com professoras/es de todos os níveis de ensino da rede particular do estado. Participaram 1.444 docentes, de 18 julho a 30 de julho de 2020. Predominaram mulheres (76,1%), 21-41 anos (61,6%), negras (71,9%), dez anos ou mais na profissão (56,9%). Na pandemia, 51,4% relataram alterações no contrato de trabalho e 76,8%, aumento da jornada laboral. O ambiente domiciliar e equipamentos tinham baixo nível de adequação ao trabalho remoto: espaço físico (19,6%), mobiliário (21,7%), nível de ruído (17,2%), computadores (44,5%) e internet banda larga (36,7%). Entre as mulheres, 42,3% referiram sobrecarga doméstica alta; entre os homens, 17,4%. As mulheres apresentaram situação de saúde preocupante, destacando-se crises de ansiedade (53,7%), mau humor (78,0%), transtornos mentais comuns (69,0%) e qualidade do sono ruim (84,6%). A pandemia remodelou as formas de exercer o ofício docente. O trabalho, transferido para a casa, se sobrepôs às atividades domésticas e familiares, produzindo consequências à saúde docente que, mesmo pouco conhecidas, são alarmantes. Os resultados fortalecem a necessidade de ações de enfrentamento para situações de calamidade pública, medidas de regulação do trabalho remoto e proteção à saúde docente.

Year

2021

Creators

Pinho,Paloma de Sousa Freitas,Aline Macedo Carvalho Cardoso,Mariana de Castro Brandão Silva,Jéssica Silva da Reis,Lívia Ferreira Muniz,Caio Fellipe Dias Araújo,Tânia Maria de

Trabalho, reformas ultraliberais, desigualdades e pandemia no Brasil: os sentidos da crise

Resumo A crise capitalista intensificada com a emergência da pandemia de Covid-19 trouxe efeitos devastadores para a economia mundial e, no caso em análise, para o mercado de trabalho brasileiro, sobretudo com o aumento do desemprego e da informalidade. Este artigo, com base em pesquisa bibliográfica, documental e de dados secundários, apresenta um panorama recente do mercado de trabalho em um contexto ultraliberal de aprovação de reformas regressivas no âmbito da proteção social brasileira. Essas reformas contribuíram para a perda de direitos sociais, a fragilização das organizações sindicais, o aumento do desemprego e o aprofundamento das desigualdades sociais.