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América: Uma utopia republicana para crianças brasileiras
Escrito por Coelho Netto e publicado em 1897 pela Editora Bevilacqua & C., América foi provavelmente o primeiro livro de educação cívica em prosa de ficção escrito por um autor brasileiro. Seguindo um modelo que se tornou célebre com o estrondoso sucesso de Coração, de Edmondo de Amicis, América não teve a mesma acolhida do romance italiano e nem mesmo de outros livros brasileiros do gênero, como, por exemplo, Através do Brasil. Este artigo tem como objetivo discutir alguns dos principais tópicos do livro e analisar aspectos que permitem sua leitura como uma espécie de utopia republicana para crianças.
2009
Hansen,Patricia Santos
Onde está Waldo Frank? God bless a América Hispânica
Este artigo busca apresentar um pouco da biografia pessoal e intelectual do escritor norte-americano Waldo Frank (1889-1967) que, embora nunca traduzido no Brasil, exerceu influência no pensamento latino-americano na primeira metade do século XX. Suas principais ideias são analisadas a partir de três de seus livros publicados no período: Our America (1919), America Hispana (1931) e South American Journey (1943).
2009
Lino,Sonia Cristina
"Latin America": entre o politicamente correto e o conceitualmente inadequado
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2009
Roiz,Diogo da Silva
Roquette-Pinto: uma vida dedicada ao progresso da nação
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2009
Hofbauer,Andreas
A União Europeia e a América Latina: um panorama da cooperação interregional
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2009
Lazarou,Elena
Lazer, modernidade, capitalismo: um olhar a partir da obra de Edward Palmer Thompson
O processo de consolidação do modo de produção fabril paulatinamente configurou uma clara distinção entre a jornada de trabalho e um tempo livre. Que relação se pode estabelecer entre essa nova dinâmica dos tempos sociais e as tensões relacionadas à construção de um novo conjunto de comportamentos considerados adequados para a consolidação do capitalismo? Esse estudo tem por objetivo discutir o trato dessa questão na obra de Edward Palmer Thompson. Parece possível afirmar que, para ele, o controle do tempo do não-trabalho e das práticas de lazer foi compreendido como uma dimensão fundamental para garantir o "progresso".
2010
Melo,Victor Andrade de
Uma historiografia da modernidade educacional
O artigo trata da historiografia do movimento educacional brasileiro entre 1920 e 1930, especialmente dos estudos acerca da reforma Fernando de Azevedo na cidade do Rio de Janeiro. O primeiro ponto discutido é a relevância e a aplicabilidade da ideia de modernidade para definir o período. Sugere que essa ideia foi marcada por transformações na historiografia do movimento educacional nos anos 20 e 30. O segundo é o significado da ideia de modernidade para a organização das atuais interpretações sobre o movimento educacional no Brasil. Por fim, é abordada a mudança fundamental da sensibilidade historiográfica dos estudos sobre a reforma Fernando de Azevedo.
2010
Paulilo,André Luiz
As letras da cidade ou quando a literatura inventa o urbano: leitura e sensibilidade moderna na Curitiba da Primeira República
Como outras cidades brasileiras do período, nos primeiros anos do século XX a capital paranaense, Curitiba, passa por um significativo processo de transformações, que afetam tanto sua esfera material quanto sócio-cultural. Uma gramática é construída para nominar esse novo universo: lazer, prazer, aventura, hedonismo; mas também individualismo, estranhamento, indiferença, multidão, insegurança, risco. A intenção deste artigo é apontar as diferentes maneiras de ler a modernização e a modernidade e suas representações pela produção dos discursos, em especial os literários. Entendemos que são eles, especialmente, os responsáveis pelo léxico que tenta representar as novas experiências, sociabilidades e sensibilidades urbanas.
2010
Gruner,Clóvis
À "frente" da Semana de Arte Moderna: a presença de Graça Aranha e Paulo Prado
Reconhecidos como personagens centrais pelo grupo de intelectuais e artistas ligados à Semana de Arte Moderna de 1922, Graça Aranha e Paulo Prado são muitas vezes deixados de lado pelos estudiosos e, em geral, se fazem presentes nas análises de bastidores e/ou em referências de terceiros. Este artigo pretende observar mais atentamente suas redes de sociabilidade e inserção, o que revela, entre outras coisas, as ambivalências do engate de ambos os autores em um projeto "moderno", assim como certas ambivalências presentes no interior do próprio movimento modernista.
2010
Waldman,Thaís
A "Vênus negra": Josephine Baker e a modernidade afro-atlântica
A proposta deste artigo é examinar aspectos da modernidade negra no Brasil e, sobretudo, demonstrar como Josephine Baker - uma famosa multiartista afro-americana - foi retratada seletivamente pela imprensa dos "homens de cor" nos frementes anos do pós-Abolição.
2010
Domingues,Petrônio
Joaquim Murtinho, banqueiro: notas sobre a experiência do Banco Rio e Mato Grosso (1891-1902)
O Banco Rio e Mato Grosso, fundado no Rio de Janeiro em 1891 e liquidado em 1902, foi a primeira instituição bancária a operar em Mato Grosso. Tendo como fontes documentos do próprio banco, este trabalho busca traçar sua trajetória e discutir suas vinculações com a economia e a política mato-grossenses. Conclui-se que a ação do banco nesse estado correspondeu a um amplo plano e contribuiu para o processo de modernização e de crescimento econômico - embora tal crescimento, limitado às atividades primário-exportadoras, tenha sido caracteristicamente excludente. Sugere-se também que as atividades econômicas, em Mato Grosso, podiam ser afetadas pelas disputas políticas internas.
2010
Queiroz,Paulo Roberto Cimó
A modernização do material e do pessoal da Marinha nas vésperas da revolta dos marujos de 1910: modelos e contradições
O artigo discute o processo de "modernização" da Marinha brasileira no fim do Império e início da Primeira República a partir dos projetos desenvolvidos para a sua dimensão material (equipamentos) e pessoal (recrutamento e formação militar), destacando-se o papel do ministério de Alexandrino de Alencar (1906-1910). Critica-se uma abordagem tradicional da historiografia que sustenta a existência de um abismo entre essas duas dimensões e colocam-se em evidência as contradições existentes no interior desses dois universos. A argumentação demonstra como havia, em torno dos projetos navais, um jogo de interesses e de limitações relativas ao lugar que a República brasileira ocupava no período e como as soluções pensadas para resolver o problema do recrutamento e da falta de pessoal passavam pelos modelos de escolas de aprendizes marinheiros. Mesmo se havia uma busca de "civilizar" os indivíduos que se tornariam futuros marujos, esses esforços materiais e humanos foram sentidos e vividos à sua maneira pelos praças, reforçando a identidade comum e criando bases para a revolta de 1910, acontecimento que se insere no processo de modernização da Armada nacional.
2010
Almeida,Silvia Capanema P.
Ditadura, anistia e reconciliação
Depois de propor uma reflexão sobre as relações entre Memória e História, o artigo discute uma série de questões relativas à Lei da Anistia (aprovada, no Brasil, em agosto de 1979), e aos silêncios que ela estabeleceu: sobre a tortura e os torturadores, sobre o apoio da sociedade à ditadura e sobre os projetos revolucionários de esquerda. O texto defende a necessidade da revisão da lei porque um debate a respeito poderia ajudar a sociedade brasileira a compreender melhor o período ditatorial, a tortura como política de Estado, a julgar os torturadores e, finalmente, a conseguir a abertura dos arquivos dos serviços secretos das Forças Armadas, o que requereria, no entanto, um processo de mudança na cultura política destas instituições.
2010
Reis,Daniel Aarão
Práticas patrimonializantes e objetos patrimonializados
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2010
Daher,Andréa
Periferias históricas revisitadas: as leituras árabes-islâmicas de Al Baghdádi sobre o Brasil do século XIX
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2010
Pinheiro,Cláudio Costa
O paradoxo da diferença: "verdadeiro, falso e fictício"
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2010
Costa,Suely Gomes
A definição e os tipos de discursos alternativos
O artigo parte do problema da dependência acadêmica e a forma como isso afeta as Ciências Sociais de maneira universal. Farid Alatas indica que os acadêmicos pouco podem fazer a respeito das dimensões estruturais e materiais dessa dependência, pois não estão no comando das instituições e do Estado. Contudo, sugere que há muito a fazer nos níveis intelectual e teórico. O artigo apresenta o conceito de discursos alternativos como fonte para uma ciência social autônoma e criativa. Estes discursos acreditam-se alternativos ao que consideram ser o caráter orientalista ou eurocêntrico das ciências sociais do Norte, das quais a estrutura das ciências sociais do Sul é dependente. O artigo fornece exemplos do que podem ser considerados discursos alternativos, levando em conta outras modalidades de narrativa e imaginação da vida social.
2010
Alatas,Syed Farid
O que está acontecendo com a pesquisa sobre cidades mundiais?
A pesquisa sobre cidades mundiais, que dominou os anos 1990, tratou mais das cidades e menos do mundo. Invertendo essa ordem, este artigo indaga até que ponto o "paradigma das cidades-mundo" ainda pode ser considerado válido. Em vez de focar nos critérios econômicos e relativos ao mundo dos negócios, ou no desenvolvimento da cidade-mundo, o artigo detém-se nos fatores históricos e culturais. Tomando Londres como exemplo, demonstra como históricas conexões pós-coloniais com a Índia continuam a influenciar os destinos da cidade contemporânea.
2010
King,Anthony D.
Fundamentos históricos e teóricos da noção de soberania: a contribuição dos "Papas juristas" do século XIII
O objetivo deste artigo é discutir a contribuição do pensamento eclesiástico medieval tardio para a formação do conceito de soberania. Como o Estado moderno, tal conceito tem uma gênese demorada: é parte de um processo de transformação jurídica e política, do qual resulta um novo mapeamento do poder e das lealdades na Europa. A conformação desse novo sistema de poder tem como contrapartida a constituição de uma nova ordem jurídica. Essa ordem redefine os vínculos de comando e obediência, constituindo unida des políticas como áreas de jurisdição exclusiva e estabelecendo, entre essas unidades, relações de igualdade: nenhuma se reconhece como subordinada a outra. Todas essas questões podem ser entendidas como disputas de jurisdição. Trata-se de saber quem julga e quem pune delitos civis ou violações de normas religiosas. Os poderes de legislar, de mudar a lei, de resolver como últi ma instância e de controlar o uso da violência constituem o que os autores modernos nomearam soberania. Apontar a contribuição dos chamados Papas juristas do século XIII para a formulação de alguns elementos centrais a esta definição é a tarefa a ser leva da a cabo neste estudo.
2010
Kritsch,Raquel
Cronologia e história oficial: a Galeria Amoedo do Itamaraty
Este artigo sobre uma aplicação política da História analisa a cronologia - de 1500 a 1889 - inscrita na galeria Amoedo do Itamaraty como uma versão oficial da História do Brasil, estruturada sobre uma narrativa que valoriza fatos de natureza político-militar. Contextualiza a encomenda da obra, em 1906, com comentários sobre a diplomacia de Rio Branco, a carreira de Rodolfo Amoedo e o pensamento histórico do ministro. Sustenta que os acontecimentos teriam sido escolhidos para permanente celebração, com o objetivo de conferir legitimidade política e histórica ao Estado brasileiro por meio da ênfase na antiguidade e na continuidade das instituições estatais.
2010
Conduru,Guilherme Frazão