RCAAP Repository
O lugar dos ‘arquivos pessoais’ na Arquivística Internacional
É notório o aumento recente do estudo dos arquivos pessoais, no âmbito de diversas áreas científicas. Este estudo, exploratório de natureza qualitativa, efetua uma reflexão crítica sobre o lugar que os arquivos pessoais ocupam na arquivística internacional, tendo por base o método de pesquisa e análise documental. Discute os termos e o conceito de arquivo pessoal, analisa o seu desenvolvimento desigual em distintos países e termina com a enumeração de algumas problemáticas. Conclui, que a sua valorização se deve à história, e mormente à história da vida privada.
Prefácio [Empregabilidade em ciência da informação]
Um texto que contextualiza e fundamenta o propósito da investigação levada a cabo por Cláudia M. Pinto, que resulta no livro "Empregabilidade em Ciência da Informação".
A Livraria do Convento de Nossa Senhora da Arrábida: 1542-1834
O objeto de estudo do presente artigo incide sobre a formação, a constituição e a organização da coleção da Livraria do Convento de Nossa Senhora da Serra da Arrábida no período de 1542 a 1834. Situada no complexo conventual, no meio da Serra da Arrábida, é uma das poucas livrarias conventuais de Portugal, que preservou tanto o espaço físico, como o núcleo bibliográfico, ainda que este se encontre atualmente integrado no Centro de Documentação da Fundação Oriente. Um conhecimento mais aprofundado e de teor crítico de como a Livraria evoluiu durante a existência do Convento da Arrábida (1539-1834) poderá vir a ser possível, explorando e abordando aspetos que definem qualquer biblioteca enquanto espaço físico e de conhecimento ou memória. Sendo um estudo de natureza qualitativa e quantitativa, e fazendo uso do método investigação documental, permite conhecer a dimensão numérica, a composição temática, a distribuição dos livros por idiomas e séculos, a organização da coleção –aspetos que, de forma concisa, são abordados neste artigo.
2020
Ionel, Aurélia Silva, Carlos Guardado da, 1971-
A prevenção da violência de género em jovens e em contexto escolar : um olhar sobre a intervenção da CIG
Assiste-se, actualmente, a um aumento do interesse pelas questões da violência de género e a um consequente incremento da investigação no sentido de a compreender, explicar e prevenir. O presente estudo pretende dar um contributo para o conhecimento e para a compreensão do que está a ser realizado em Portugal no âmbito da prevenção da violência de género entre os jovens e em meio escolar, fazendo simultaneamente um levantamento sobre os factores que mais favorecem o desenvolvimento da violência de género e de como deve ocorrer a intervenção preventiva. Tendo em vista estes objectivos, foi conduzida uma pesquisa acerca da intervenção que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) (mecanismo governamental que sob a tutela da Secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade é responsável em Portugal pela Igualdade de Género) está a desenvolver para os jovens e em meio escolar no âmbito da prevenção da violência de género. A pesquisa envolveu a recolha de documentos utilizados nas intervenções levadas a cabo pela CIG, os quais foram alvo de uma análise de conteúdo a fim de conhecer o tipo de intervenção que foi realizada pela CIG entre 2007 e 2010 e verificar como foi trabalhada a prevenção da violência de género junto da amostra e contexto deste estudo. Como resultado desta análise, foi possível concluir que a principal intervenção da CIG nesta área ocorre ao nível da mobilização de recursos técnicos e materiais, centrando-se maioritariamente num tipo de violência de género, a violência no namoro. Foi, também, possível concluir que para além deste tipo de intervenções, a CIG investe na educação para a cidadania e igualdade de género a partir de idades mais precoces (5 anos), abarcando assim várias etapas do desenvolvimento nos materiais e recursos que disponibiliza.
Modelos Organizacionais das Bibliotecas Municipais de Lisboa (BLX)
A gestão organizacional exige estratégias sustentadas para alcançar continuamente ações eficazes e eficientes. A sua implementação implica práticas de planeamento, formas de estruturação dos elementos-chave organizacionais e mecanismos tanto de monitorização como de avaliação das atividades operacionalizadas. A representação dessas componentes permite identificar a configuração organizacional e perceber as opções estratégicas definidas pelas mesmas para o cumprimento da sua missão e dos seus objetivos. Tendo por base o exposto, procurou definir-se os modelos organizacionais das Bibliotecas Municipais de Lisboa através dos elementos estruturais que as sustentam.
2020
Casimiro, Gabriel Silva, Carlos Guardado da, 1971- Proença, Maria Carla
[Recensão a] Larriba, E. & Coletes Blanco, A. (Eds.) (2017) - La Poésie, vecteur de l’information au temps de la Guerre d’Espagne: 1808-1814. Aix-en-Provence: Presses Universitaires de Provence, 164 p.
Recensão crítica ao livro "La Poésie, vec-teur de l’information au temps de la Guerre d’Espagne: 1808-1814" sobre poesia da Guerra Peninsular, aqui trazida sob o título oportuno "A Poesia, vetor da informação no tempo da Guerra Peninsular: 1808-1814)", uma poesia que protesta e reclama, uma poesia de informação e contrainformação, de notícias verídicas e falsas, de propaganda e legitimidade, de resistência e subversiva, que justifica o seu papel de vetor de informação, isto é de veículo de informação, portador de uma mensagem política, de compromisso, ao serviço do poder (dos poderes!) e contrapoder, que visa influenciar a “opinião pública”, termo cunhado por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), nas vésperas da Revolução Francesa. Este é o resultado de um projeto de investigação coordenado por Elisabel Larriba (Universidade Aix-Marseille) e Agustín Coletes Blanco (Universidade de Oviedo), respetivamente especialistas da imprensa e receção literária e cultural em Espanha, entre o final do século XVIII e o período da Guerra Peninsular, que integra cinco notáveis estudos da autoria daquela e de Gérard Dufour (Universidade de Aix-Marseille), Alicia Laspra Rodríguez (Universidade de Oviedo), Ingrid Cáceres Wũrsig e Remédios Solano Rodríguez (sob a direção de Agustín Colestes Blanco), e Gabriela Gândara Terenas (Universidade Nova de Lisboa) - um leque de investigadores, cuja reputação é reconhecida internacionalmente, sobre o conflito da Guerra Peninsular (1807-1808), destacando-se dentro desta, mas não apenas, a imprensa e a poesia.
Prefácio [A “Livraria” do Convento da Arrábida]
Recensão crítica contextualizadora da investigação fixada no estudo "A “Livraria” do Convento da Arrábida : 1542-1834", de Aurelia Ionel.
[Recensão] OLIVIER GUYOTJEANNIN (ed.), L’Art Médiéval du Registre: Chancelleries royales et princières. Nova série. Paris : École des Chartes, 2019. 551 p.
Recensão crítica sobre o livro "L’Art Médiéval du Registre: Chancelleries royales et princières", sob a coordenação de Olivier Guyotjeannin, em que se contextualiza e discute o papel do Registo nas chancelarias régia, principescas e senhoriais, entre os séculos XII e XVII. O Registo é entendido, em amplo sentido, como a atividade, definida enquanto prática de recolha e compilação e modo de conservação dos documentos, que exige a sua classificação para posterior recuperação, mas também o resultado dessa atividade, o modelo, a função e a tipologia documental, neste caso enquanto documento não-diplomático testemunhal de assentamento, tomado para a inscrição ou transcrição de atos, factos, títulos ou documentos a fim de autenticá-los. Registo que servia necessariamente as preocupações da vida quotidiana, sobretudo as relacionadas com o poder, que asseguravam os direitos e os privilégios (como as cartas de foral e de feira), os títulos ou a posse de uma determinada propriedade. Registo que servia, de igual modo, para perpetuar e aclarar a memória dos homens no tempo, testemunhar um ato ou um facto perante terceiros, mesmo na ausência dos seus autores, ou assegurar a sua perenidade.
Prefácio [A comunicação nos arquivos municipais: Área Metropolitana de Lisboa]
Recensão crítica que contextualiza e discute a oportunidade da investigação, materializada no estudo ora em livro intitulado "A comunicação nos arquivos Municipais: Área Metropolitana de Lisboa", de Gisela Garcia Gabriel. Uma abordagem da comunicação, que inclui a comunicação tradicional e a comunicação em rede, potenciada pelas tecnologias, no universo dos arquivos da Área Metropolitana de Lisboa.
Prefácio [Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Santarém: estudo histórico e orgânico-funcional para a contextualização e inventariação da informação acumulada: 1506-1820]
Texto de apresentação e discussão dos propósitos de publicação do livro de Isabel Santos, intitulado "Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Santarém : estudo histórico e orgânico-funcional para a contextualização e inventariação da informação acumulada: 1506-1820". Aqui, são identificadas diversas entidades no âmbito da administração municipal do território, produtoras de informação, de que se destacam a vereação da Câmara, os procuradores locais, os procuradores do povo, o escrivão e o tesoureiro da Câmara, os mesteres, o almotacé e os lançadores do verde (renda do verde). No âmbito da administração central periférica, a autora identificou a correição e o corregedor da Comarca de Santarém, o juiz de fora, os juízes do povo e os dos órfãos, o quadrilheiro, o carcereiro, o meirinho, os monteiros mor e pequeno, e, por último, a Provedoria de Santarém e o seu provedor. Acrescente-se, ainda que de forma indireta, os professores régios das escolas menores, isto é, dos ensinos básico e secundário, cujo vencimento era suportado pelo Subsídio Literário, com um primeiro livro de registo da receita da comarca no Arquivo Histórico de Santarém, que remonta a 1777. Imposto que foi criado no âmbito da Reforma do Ensino em Portugal, levada a cabo por Sebastião Carvalho e Melo, que visava o afastamento do papel da Companhia de Jesus na educação. Todos distintos, mas que integravam a complexa administração civil moderna do reino de Portugal, que se relacionavam e, por vezes, confrontavam, enquadrados, nas competências e nas funções, do ponto de vista jurídico-normativo, pelas Ordenações Manuelinas e Filipinas e pelas Leis Extravagantes.
O rio Sizandro na centúria de setecentos
Estudo sobre o rio Sizandro no século XVIII, que toma por base o inquérito de 1758, comummente designado por 'Memória Paroquial?, que discute a sua etimologia, a toponímia relacionada com o curso de água, o caudal, a criação de peixes e as pescarias, o cultivo das margens e os engenhos (cachoeiras, represas, levadas ou açudes), as pontes e as virtudes das águas, entre as quais as dos Cucos. Com nascente na Sapataria e foz no oceano atlântico, o rio tomou a sua designação da nascente, conservando-a aos longo do seu percurso de cerca de 35 km. Nome de origem pré-romana, com uma hipotética relação com o pré-indo-europeu Selt-Sit- (‘monte’), em forma flexionada Sts>Siz e -andro, querendo designar ‘rio sinuoso’, explicação que exige, por ventura, que se continue a grafar o seu nome com z. Influenciado pelo nome do lugar da nascente, ele próprio influenciaria a toponímia do vale que atravessa(va), sendo disso exemplos os topónimos Dois Portos, Runa, Bordinheira, Ponte do Rol e Foz. Como os demais rios estremenhos, a sua corrente é variável, chegando a ser torrencial no Inverno, assim como a secar no Verão. Nele são referidos os ruivacos e as enguias, espécies piscícolas ainda hoje existentes nas ribeiras do Oeste. Nas suas margens, destaca- -se o cultivo de ‘pão’, isto é, cereal panificável, e de vinha, assim como de pomares, para além da presença de salgueiros, ulmeiros e choupos, espécies que permanecem no território.
Uma abordagem diacrónica da gestão da informação: conceito, enquadramento disciplinar, etapas e modelos
Como área disciplinar da gestão ou relacionada com os sistemas de informação, suas origens remontam ao início do século XX, até se consolidar com área disciplinar na década de 80, integrada na ciência da informação. O seu desenvolvimento foi acompanhado por um esforço de teorização e de intenso debate, o qual permanece ainda em aberto, com opositores e defensores, dependendo da formação científica de cada um, bem como das comunidades de prática. Neste sentido, o principal objetivo deste trabalho consiste na concetualização da gestão da informação, numa perspetiva da ciência da informação, não descurando o diálogo intercientífico com a gestão e as tecnologias da informação e da comunicação (TIC). Este é um estudo de natureza qualitativa, assente no método pesquisa documental, para a revisão da literatura. A pesquisa bibliográfica foi efetuada na B-On, para os textos em língua portuguesa, e na base de dados Science Direct, para os textos em língua inglesa, em setembro de 2018.A análise resultou na produção de uma síntese não exaustiva, da evolução do termo ao conceito, em que se verifica a existência de distintos enfoques enquadrados em diferentes áreas disciplinares, como a gestão, a tecnologia da informação e a ciência da informação. Esses enfoques dão origem a vários modelos teóricos, ligados a aspetos como as necessidades informacionais das organizações, o ambiente da informação, os ciclos de atividades ou processos e as etapas da gestão da informação, que, para alguns autores, culminam na gestão de conhecimento.
2019
Silva, Carlos Guardado da, 1971- Corujo, Luís, 1976-
O lugar dos arquivos municipais nas políticas públicas governamentais em Portugal: 1976-2018
O estudo, assente na Investigação documental, analisa e discute as políticas públicas, de natureza governamental, em Portugal relativas aos arquivos, mais especificamente os arquivos municipais, entre 1976 e 2018. Parte do conceito de política pública para, depois, se situar no princípio do acesso à informação e nas Políticas Públicas. As fontes compulsadas são, sobretudo, as Grandes Opções, como documentos de natureza orientadora e do estabelecimento de medidas, que se devem desdobrar em programas com a respetiva afetação de recursos de diversa natureza, de que é exemplo o PARAM - Programa de Apoio à Rede de Arquivos Municipais. O autor conclui que falta uma efetiva política pública nacional para os arquivos municipais, efetuando um conjunto de propostas.
O (pseudo)arquivo pessoal de frei Bernardo de Brito na Biblioteca Nacional de Portugal
A partir da década de 80 do século passado, os arquivos pessoais têm vindo a adquirir, em Portugal, um crescente interesse por parte dos investigadores, acompanhado do interesse pela história da vida privada. Este contribuiu para a valorização dos arquivos pessoais, tendo justificado a sua recolha e conservação nas inúmeras instituições memorizadoras, enquanto fontes de informação identitária e parte da memória societal. A maioria dos arquivos pessoais inventariados encontra-se depositada em bibliotecas, em razão daqueles terem sido considerados literários, epíteto que remonta a uma ideia romântica, que considera interligada a criação artística e a biografia. Foi esta opção que levou à recolha de inúmeros arquivos pessoais na Biblioteca Nacional de Portugal, entre os quais o designado “arquivo pessoal” de Frei Bernardo de Brito. Mas a unidade informacional reunida na Biblioteca Nacional de Portugal, sob o grupo arquivos pessoais, com a designação Frei Bernardo de Brito é, de facto, um arquivo pessoal? Não. É o resultado do comportamento de um bibliotecário, cujo conjunto resultou da reunião de documentos em torno do seu autor e não do seu produtor, dando origem a uma unidade artificial que, com alguma imaginação, encobriu o contexto orgânico ‘original’. Com este estudo, de natureza qualitativa, assente na revisão da literatura e na análise documental do ‘arquivo pessoal’ Frei Bernardo de Brito, pretendemos responder à sua identificação e caraterização, propondo a sua reorganização e eventual integração no arquivo do mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.
Indisciplina, stress e coping
O presente estudo foi realizado com o propósito de analisar as relações entre as vivências de indisciplina, o stress e o coping em crianças e jovens no contexto escolar, de forma a compreender em que medida a indisciplina reflecte o uso inadequado de estratégias de coping. Pretendeu-se simultaneamente aceder às representações dos alunos sobre a indisciplina e respectivas atribuições causais, identificar os sintomas percebidos e as estratégias de coping tidas como funcionais. A amostra integrou 12 crianças e adolescentes do 2º ciclo, com as quais se realizaram entrevistas de grupo focal, entrevistas individuais e aplicaram questionários de auto-relato. Os resultados obtidos indicaram que os comportamentos mais representativos de indisciplina são: o desrespeito, a violência física e a infracção às regras de sala de aula, os quais são atribuíveis a expectativas de fracasso face ao desempenho académico e a dificuldades relacionais. As causas de indisciplina são simultaneamente factores desencadeantes de vivências stressantes, o que traduz que a indisciplina decorre de uma experiência prévia de stress que facilita a emergência de comportamentos que se expressam através de procedimentos de coping desajustados ou de reacções agressivas. A vivência de situações stressantes desencadeia sintomas emocionais e comportamentais, aos quais se associam sintomas físicos quando a experiência de stress é mais intensa. A “distracção cognitivo - comportamental” e o “coping activo” são as estratégias mais utilizadas e consideradas mais eficazes para lidar com situações stressantes, verificando-se no entanto que a sua utilização pode não estar estrategicamente ajustada à natureza do stressor e/ ou ao propósito de evitar comportamentos de indisciplina. Desta forma, estão criadas as condições para a manutenção de elevados factores de stress que comprometem o processo adaptativo dos alunos. Os resultados obtidos apoiam a necessidade de aplicar nas escolas, actividades de treino de competências de coping e actividades de compreensão do stress.
Os repositórios digitais e o seu objeto: perspetiva(s) dos estudos acerca de experiências portuguesas
Parte-se da bibliografia disponível no Portal RCAAP (Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal ), que recolhe, agrega e indexa os conteúdos científicos em acesso aberto existentes nos repositórios institucionais das entidades nacionais de ensino superior e outras entidades de Investigação e Desenvolvimento, disponível no endereço da URL em http://www.rcaap.pt/. A partir dos resultados alcançados, procura-se aferir, em primeiro lugar, a apropriação do conceito de ‘repositório digital’, o âmbito de aplicação pelos distintos autores dos estudos insertos no RCAAP, bem como os autores e participantes nos respetivos projetos, de modo a percecionar o seu entendimento acerca dos mesmos. De seguida, descortina-se o objeto dos respetivos repositórios, na perspetiva dos mesmos estudos, na hipótese de que a adoção do termo ‘repositório digital’ em lugar do ‘arquivo digital’ ou ‘biblioteca digital’, na ausência de ‘museu digital’, seria relativamente significativa para ilustrar a já referida convergência digital. Ou seja, procura-se percecionar se a adoção do termo ‘repositório digital’ ou ‘repositório institucional’, em vez de ‘arquivo digital’ e ‘biblioteca digital’, assim como se o(s) objeto(s) que incorporam traduzem essa mesma convergência digital. A partir dos resultados alcançados, é possível concluir que o conceito de ‘repositório digital’ se encontra apropriado pela comunidade científica, bem como pelas instituições autoras desses projetos, existentes ou em planeamento. Todavia, a sua maior implementação ocorre em contexto académico, no seio das instituições de ensino superior, designando-os por repositórios institucionais, incorporando, na maioria dos casos, a produção científica da instituição.
2018
Silva, Carlos Guardado da, 1971- Corujo, Luís, 1976-
O conceito de ‘arquivo’ revisitado: com e sem adjetivação
O termo arquivo é polissêmico, designando hoje, na nossa língua, assim como em outras línguas europeias, o lugar onde se guardam os documentos, a instituição, o edifício, o serviço ou unidade orgânica, o mobiliário, o conjunto dos documentos ou a informação, produzidos por uma instituição, e a própria função de organização dos documentos. A origem etimológica do termo ‘arquivo’ remonta ao substantivo arkhaion, palavra de origem grega que designava o palácio em que residia o magistrado (Arkhon, o arconte) e no qual se conservavam os documentos produzidos no âmbito das suas atividades. Era nessa época já notória a ambivalência de significados do termo Archeion, designando quer o conjunto dos documentos, quer o local destinado à sua conservação, acepções que se manterão na língua latina, independentemente das formas distintas com que o termo arquivo foi grafado: Arcivum, Archivum ou Archivium. E, a partir dessas formas, facilmente reconhecemos o termo ‘arquivo’ na língua portuguesa, assim como nas demais línguas europeias modernas, como ‘archivo’ em espanhol, ‘archivio’ em italiano, ‘archiv’ em alemão, ‘archives’ (na forma do plural) em francês e inglês, ou archief em neerlandês. Para indicar o ‘arquivo’, os povos romanos dispunham ainda de outras palavras, como tabularium, chartarium, scrinium, enquanto para se referirem especificamente ao mobiliário no qual se encontravam os documentos guardados utilizavam a palavra archarium e armarium, tendo surgido, a partir deste, a palavra ‘armário’, que encontramos na língua portuguesa e, também, na língua italiana (BERTINI, 2008, p. 11). Archarium corresponde à palavra portuguesa e italiana ‘arca’ (proveniente do verbo grego archein; ou cassa, em italiano), presentes nas palavras latinas arcere e arx (...).
Torres Vedras, um exemplo da organização e da estruturação do espaço medieval português
Este é um estudo de caso desenvolvido em três momentos, de história urbana e de urbanismo medieval, aplicado à cidade de Torres Vedras, no qual o autor procurar identificar a sua matriz, assim como os principais elementos que condicionaram a organização e a estruturação do espaço urbano. Parte das origens do povoamento do sítio de Torres Vedras, independentemente da origem do nome, identifica a matriz romana na estruturação do espaço urbano, e termina com a organização do espaço da vila torriense no período medievo, sobretudo em torno dos principais edifícios do poder — a casa da Câmara ou o paço do Concelho, o paço régio, as quatro igrejas matrizes (Santa Maria, São Pedro, São Tiago e São Miguel), um convento, o castelo e a muralha com as suas portas — incluindo uma referência à judiaria. Neste estudo, de natureza empírica, o autor recorre, sobretudo, à pesquisa documental e à observação direta para analisar os dados recolhidos e interpretar a evolução urbana de Torres Vedras, para concluir, na senda de Isabel de Luna e Guilherme Cardoso, assim como de André Baptista, acerca da matriz urbana fundacional romana de Torres Vedras, condicionada, no período medievo, pela presença dos edifícios do poder que, a par das ruas, faziam a cidade, e contribuíam para definir a organização e a estruturação do espaço.
Sob o jugo dos ‘tiranos’: o concelho de Alcanede no contexto da 3ª Invasão Francesa: 1810-1811
Sob o jugo dos ‘tiranos’: o concelho de Alcanede no contexto da 3ª Invasão Francesa (1810-1811) é um estudo qualitativo e histórico exploratório sobre os acontecimentos vividos no território do então concelho de Alcanede (hoje freguesia do município de Santarém), com particular enfoque nas consequências materiais e humanas da 3ª Invasão Francesa. O autor parte da análise de um conjunto de documentos inédito, que contextualiza, para depois delimitar, geográfica e administrativamente, o concelho de Alcanede em início do século XIX. De seguida, estuda os impactos humanos da 3ª invasão, sob o comando de André Massena, nomeadamente o êxodo populacional para o interior da 1.ª Linha de defesa das Linhas de Torres Vedras, bem como os múltiplos atos de violência praticados – destruições, roubos, violações, torturas e mortes – para além dos flagelos da fome e das epidemias. Under the yoke of the 'tyrants': the municipality of Alcanede in the context of the 3rd French Invasion (1810-1811) is a qualitative and exploratory historical study on the events occurred in the territory of the municipality of Alcanede (Portugal) in 1810-1811, with particular focus on material and human consequences, of the 3rd French Invasion. The author starts from the analysis of an unpublished set of documents, which contextualizes and delimit in geographic and administrative terms, the municipality of Alcanede in the early nineteenth century. Then, he studies the 3rd French Invasion human impacts, under the command of André Massena, in particular the exodus into the 1st Line of defense of the Lines of Torres Vedras, as well as the multiple acts of violence practiced - destruction, robbery, rape, torture and death - in addition to the scourges of hunger and epidemics.
Da arabização e islamização ao domínio cristão do território: século XII
O sítio de Torres Vedras teve uma ocupação contínua do espaço, desde a o período da República até ao século XII, sucedendo-se a 'qarya' ao 'vicus', assim como sucedeu com o termo torriense, concentrando-se, neste caso, as áreas de ocupação do solo e consequente povoamento a sudoeste e este de Torres Vedras, assim como em torno das duas linhas de água – o rio Sisandro e a ribeira de Alcabrichel. Não sabemos, porém, o momento da sua fortificação, se no período romano ou já em época posterior, assim como desconhecemos a data de fixação do nome ‘Turres Veteras’, estando o nome do lugar e a fortificação ligados, uma vez que a muralha ao integrar o seu nome é também identitária. O espaço povoado encontrar-se-ia, porém, no exterior sul da muralha. Após a rendição e a tomada de Torres Vedras por D. Afonso Henriques, o monarca impôs-se não apenas pela afirmação do seu poder, o senhor dos concelhos, mas constituiu-se também como um dos mais importantes proprietários locais, se não o mais importante. Papel que partilharia, de início, com os mosteiros de Santa Cruz de Coimbra, Santa Maria de Oia e Santa Maria de Alcobaça, contribuindo todos para uma ocupação mais intensa do solo e a sua consequente valorização económica, assim como para a criação de condições de reforço do povoamento do território torriense, processo iniciado pelos primeiros dois monarcas, que os seus sucessores continuariam. A exploração e a valorização da terra contribuiriam para o desenvolvimento da urbe torriense, que exigiria, na viragem do século XII para a centúria seguinte, a instituição de facto de uma estrutura organizacional municipal.