Repositório RCAAP

Efeito de diferentes frequências de treinamento no desempenho de força máxima e hipertrofia muscular em indivíduos treinados

Introdução: O estado de treinamento é um dos fatores que podem influenciar na frequência de treinamento, e de fato, evidências têm sugerido que sujeitos previamente treinados tenham necessidade de realizar o treinamento de força (TF) em maiores frequências semanais, com intuito de aumentar o desempenho de força e a massa muscular. Objetivo: Comparar as alterações no desempenho de força dinâmica máxima (1RM) dos membros inferiores e na área de secção transversa (AST) do músculo quadríceps femoral, após a realização de um programa de treinamento de força distribuído em diferentes frequências semanais, em um grupo de indivíduos previamente treinados em força. Materiais e Métodos: A amostra foi composta por 24 sujeitos do sexo masculino, com idade entre 18 e 35 anos, que participaram de um programa de TF de nove semanas. Os sujeitos foram distribuídos em duas condições: TFVE - treinamento de força com volumes equalizados e, TFVN - treinamento de força com volumes não equalizados. O protocolo de TF utilizou o exercício leg press 45º (unilateral) como único exercício, e deste modo, cada um dos membros inferiores (MMII) foi submetido a uma das frequências semanais de treinamento propostas (i.e., uma e três vezes). O teste de 1RM no exercício leg press 45º (unilateral) e as medidas de AST do músculo quadríceps femoral foram realizados nos momentos pré e pós-treinamento. Resultados: Os aumentos nos valores de 1RM foram significantes (p<0,001) e similares, nas diferentes frequências de TF tanto da condição TFVE (16,0 ± 10,0% e 17,2 ± 12,2% para uma e três vezes por semana, respectivamente) quanto da condição TFVN (19,4 ± 13,1% e 24,6 ± 14,2% para uma e três vezes por semana, respectivamente). Para AST, também houve aumentos significantes (p<0,001) e similares, nas diferentes frequências de TF tanto da condição TFVE (2,1 ± 2,1% e 2,0 ± 2,8% para uma e três vezes por semana, respectivamente) quanto da condição TFVN (1,5 ± 2,6% e 4,1 ± 5,0% para uma e três vezes por semana, respectivamente). Quando o effect size (ES) e o intervalo de confiança (IC) foram calculados, pôde-se observar que a maior frequência de treinamento apresentou melhores resultados nos valores de 1RM e AST, somente quando foi permitida a realização de um maior volume de treinamento (i.e., TFVN). Conclusão: O TF realizado três vezes por semana demonstrou aumentos de 1RM e AST similares àquele realizado somente uma vez, independentemente ou não da equalização do volume de treinamento. Quando a maior frequência de TF pôde proporcionar um maior volume total de treinamento, valores significantes do IC do ES foram observados para ambas as adaptações. Portanto, se indivíduos treinados necessitam de maiores volumes de treinamento para que sejam observados aumentos tanto na força quanto na massa muscular, alternativas como o aumento da frequência do TF podem ser consideradas

Ano

2018

Creators

Ricardo Pereira Neves

Caminhada prescrita de forma individualizada e realizada sem supervisão em uma situação real (Projeto Exercício e Coração): efeito sobre o risco cardiovascular e influência do nível de atividade e de aptidão física

A prática regular de exercícios físicos supervisionados tem sido recomendada devido a seus benefícios na saúde. Porém, a supervisão limita o número de praticantes. Uma alternativa para a promoção da saúde pública é o treinamento de caminhada prescrita de forma individualizada e realizada sem supervisão, mas seus efeitos foram pouco estudados em uma situação real. Além disso, a possível influência do nível inicial de atividade física (AF) e de aptidão física (ApF) sobre os efeitos desse treinamento não é conhecida. Assim, este estudo investigou na situação real do Projeto Exercício e Coração: 1) a relação do nível de AF e de ApF com o risco cardiovascular avaliado de forma isolada e global; 2) o efeito do treinamento de caminhada prescrita de forma individualizada e executada sem supervisão sobre esse risco cardiovascular; e 3) a influência do nível inicial de AF e de ApF nas respostas ao treinamento. O risco cardiovascular isolado foi avaliado pela medida do índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura (CC), glicemia, colesterol total e pressão arterial (PA) sistólica e diastólica, enquanto que o risco global foi calculado pelo escore Z (EZ, somatório do escore z de todos os fatores isolados). O nível de AF foi avaliado pelos minutos semanais de AF de lazer e a ApF pelo resultado do teste de marcha estacionária dividido em quartis (Q1 = pior ApF e Q4 = melhor ApF). O IMC e a CC foram menores no grupo muito ativo (MA, +300 min/sem AF) do que no inativo (I, sem nenhuma AF de lazer), enquanto que o EZ foi menor no grupo MA que no I e no ativo (A, 150 a 299 min/sem de AF). Além disso, o IMC e a glicemia foram menores no Q4 que no Q1, a CC foi menor no Q2, Q3 e Q4 que no Q1, e o EZ foi menor no Q3 e Q4 que no Q1 e no Q4 que no Q2. O treinamento de caminhada diminuiu significantemente o IMC, CC, PA sistólica e EZ na amostra total. Além disso, ele reduziu significantemente todos os indicadores de risco específicos em subamostras com valores alterados, com exceção da glicemia. Para finalizar, o efeito do treinamento de caminhada no risco cardiovascular isolado e global foi semelhante nos indivíduos MA e I e nos indivíduos do Q1 e Q4 de ApF. Assim, é possível concluir que: 1) em participantes de uma situação real de promoção de AF para a saúde há associação inversa entre os níveis de AF e de ApF com marcadores de obesidade, glicemia (só ApF) e com o risco cardiovascular global; 2) o treinamento de caminhada prescrita de forma individual e executada sem supervisão em uma situação real reduz alguns fatores de risco isolados, principalmente quando eles estão alterados, e diminui o risco cardiovascular global; e 3) nem o nível inicial de AF nem o de ApF afetam os efeitos de um treinamento de caminhada prescrito de forma individualizada e executado sem supervisão em uma situação real sobre o risco cardiovascular

Ano

2017

Creators

Bruno Temoteo Modesto

O efeito de jogos sucessivos nos parâmetros de desempenho físico de jovens jogadores de futebol

O objetivo da presente dissertação foi verificar o efeito da participação de jovens jogadores de futebol em competições com calendário congestionado (CC) nas medidas de desempenho físico, e comparar as acelerações (ACC), as desacelerações (DEC), a potência metabólica média (PM), distância total percorrida (DT) e distância percorrida em alta velocidade (DAV) em 24 jogadores de futebol juvenil (sub-15, n = 11 e sub-17, n = 13) expostos a campeonatos de CC e períodos regulares de calendário não congestionados (calendário regular; CR); como critério de retenção dos dados dos jogadores, adotou-se, a participação mínima de 75% do tempo total de jogo em cada partida. Adicionalmente as medidas de desempenho físico foram normalizadas pelo tempo de participação em minutos na partida. Foram analisados 10 jogos internacionais no formato de CC (5 para cada categoria), realizados durante 3 dias sucessivos, incluindo 2 dias com 2 jogos consecutivos jogados com intervalo de 4-5 horas; para estabelecer uma condição \"controle\", 10 jogos de CR, de cada categoria, foram analisados; os jogos de CR foram realizados com um intevalo de pelo menos 7 dias. Os jogadores usavam uma unidade GPS de 15 Hz com um acelerômetro triaxial de 100 Hz alocada em uma veste especial. Uma diferença classificada como digna de consideração (tamanho do efeito; TE> 0,20) entre CC e CR, foi observada para os parâmetros de desempenho físico ACC, DEC e PM, para sub-15 e sub-17, com valores mais elevados no CC. Enquanto que DT e DAV apresentaram valores superiores para CR, apenas para o sub-15. Contrariamente à hipótese levantada, os parâmetros de desempenho físico mostram que os jogadores juvenis de elite avaliados elevaram a intensidade do jogo quando participaram de torneio CC. Uma diminuição em ACC e DEC, do 1° tempo para o 2° tempo foi observada (sub-15 e sub-17) nos diferentes formatos de campeonato. No entanto, observou-se um aumento da PM do 1° tempo para o 2° tempo; com um aumento muito grande para ambas as categorias durante a CR; para o CC, a PM aumentou (1ª para a 2ª metade) para o sub-17, mas diminuiu para o sub-15. Os resultados do presente estudo, sugerem que os perfis de taxa de trabalho dos jogadores não são prejudicados no CC e que o desempenho físico aumentado nesse tipo de competição pode estar associado a uma estratégia de auto-regulação ou \"pacing\" da intensidade de realização das ações. Apesar das semelhanças para os dados de desempenho físico (sub-15 e sub-17), a PM para o sub-17 foi amplamente aumentada no CC (vs CR) em comparação com os valores de PM do sub-15; sugerindo assim, uma maior capacidade dos atletas, com um suposto nível mais elevado de treinamento (sub-17) em otimizar o desempenho físico neste tipo de competição. Estas informações podem servir como um meio alternativo e eficiente de representação do desempenho físico e auxiliar na organização de uma preparação específica de equipes participantes destes formatos de competições (CC); adicionalmente, os resultados indicam a importância de de considerar as medidas de ACC, DEC e PM na análise do desempenho físico de jovens jogadores, ao invés da utilização isolada de medidas relacionadas a DT e DAV

Ano

2018

Creators

Vinicius Miguel Zanetti

Efeitos do treinamento intervalado de alta intensidade sobre as respostas fisiológicas e o desempenho de atletas de judô

O objetivo do presente estudo foi verificar os efeitos do treinamento intervalado de alta intensidade (TIAI), específico e não específico, sobre respostas fisiológicas e desempenho em testes aeróbios e anaeróbios, bem como sobre ações técnicas e táticas durante a luta de judô. 35 atletas de judô realizaram uma série de testes antes e após quatro semanas de treinamento, sendo aleatoriamente divididos em quatro grupos: TIAI para membros inferiores, TIAI para membros superiores, TIAI específico [por meio de entrada de golpes (uchi-komi)] e grupo controle. Os grupos experimentais treinaram o exercício intervalado de alta intensidade (EIAI) adicionalmente ao treino de judô e o grupo controle realizou apenas judô. Foi utilizado o mesmo tipo de estímulo em regiões corporais distintas: realização de duas sessões semanais de EIAI constituídas por dois blocos de 10 estímulos de 20s por 10s de intervalo entre os estímulos e 5 min entre os blocos, i.e., grupo de membros superiores e inferiores utilizaram cicloergômetros específicos para cada região corporal, enquanto o grupo específico desempenhou uchi-komi em intensidade all-out com atleta de massa corporal similar. Os grupos e momentos foram comparados via análise de variância (ANOVA) a dois fatores (grupo e momento do treinamento) ou a três fatores (grupo, momento do treinamento e momento da medida), seguida pelo teste de Bonferroni. Quando encontrada diferença entre os grupos durante as semanas de treinamento, foi efetuada uma ANOVA a um fator com medidas repetidas, bem como o teste-t pareado para os valores pré e pós-treinamento. Os principais resultados apontam que: para o grupo de membros inferiores houve aumento da potência equivalente ao onset blood lactate accumulation (OBLA) no teste progressivo para membros superiores, aumento da potência média no teste de Wingate adaptado para membros inferiores, redução da frequência cardíaca após o Special Judo Fitness Test (SJFT), redução do número de sequências em pé durante a simulação de luta e aumento da razão testosterona/cortisol (T/C) pós-simulação de luta no momento pós-treinamento; para o grupo de membros superiores, houve elevação da potência aeróbia máxima no teste progressivo máximo para membros superiores, aumento do número total de projeções no SJFT, redução das concentrações de CK e elevação da razão T/C pós-simulação de luta no pós-treinamento, bem como elevação das concentrações de LDH nas mensurações conduzidas em repouso; para o grupo uchi-komi, houve aumento da potência pico no teste de Wingate para membros superiores e inferiores, redução do índice no SJFT e aumento da razão T/C pós-simulação de luta no momento pós-treinamento. Não foram detectadas alterações no desempenho para o grupo controle pós-treinamento. Além disso, não foram detectadas quaisquer alterações para as respostas psicométricas, hormonais, assim como para o sistema nervoso autônomo após as quatro semanas de intervenção. Os resultados indicam que a adição do TIAI à rotina de treinamento usual de judô eleva a potência aeróbia máxima para membros superiores e desempenho intermitente de alta intensidade para membros superiores e inferiores em testes genéricos. Adicionalmente, o TIAI melhora aspectos relevantes para o desempenho em tarefas específicas do judô. Por fim, o TIAI de baixo volume não promoveu alterações nas respostas do sistema nervoso autônomo, questionários psicométricos e respostas hormonais ao longo das quatro semanas de treinamento

Ano

2016

Creators

Braulio Henrique Magnani Branco

Desempenho técnico em jogos reduzidos de jovens jogadores de futebol: uma abordagem longitudinal

Os objetivos do estudo foram a) examinar a dinâmica do desempenho técnico (DT) em jogos reduzidos (JR) de jovens jogadores de futebol em um período de tempo de 14,5 meses, e b) verificar a influência das características antropométricas e de desempenho físico no DT. Os dados de 30 jogadores, considerados de nível elite, da categoria Sub14 (14,3 ± 0,3 anos, 170,5 ± 6,2 cm, 59,6 ± 6,2 kg) foram retidos para análise. Em 4 momentos distintos (M1, M2, M3, M4) de 1 temporada competitiva, foram filmados 16 JR e realizadas medidas antropométricas e testes físicos (Yo-Yo Intermittent Recovery Test Level 1, corrida de 10m e 30m, saltos verticais [com e sem contramovimento]). Cada jogador participou em um JR em cada momento de coleta. A quantificação de ações de DT foi realizada através da análise notacional; foi registrado todo tipo de ação em que fosse observada uma clara tentativa de intervir sobre a trajetória da bola. Escores para cada ação originaram-se da frequência de ocorrência. Foram atribuídos escores para envolvimento total (ET), envolvimento com bola (EB), desempenho defensivo total (DDT) e envolvimento ofensivo total (EOT). Uma ANOVA de medidas repetidas foi utilizada para examinar as alterações nas medidas antropométricas e de desempenho físico ao longo dos 4 momentos. Para examinar as alterações nas variáveis de DT foi adotada análise inferencial baseada na magnitude do efeito (tamanho do efeito = TE); considerando como mínima alteração prática importante: TE >= 0,20. Para verificar a influência do nível de desempenho físico no DT, os jogadores foram divididos em \"maior\" e \"menor\" nível de desempenho no Yo-Yo IR1. Uma análise discriminante foi utilizada para examinar diferenças entre grupos, para ET, DDT e EOT. Medidas de estatura e massa corporal também foram incluídas no modelo. Diferenças significantes (aumento) foram observadas ao longo do estudo para as medidas de desempenho no salto vertical sem e com contramovimento (F = 6,75; p = 0,003; F = 31,1; p = 0,001, respectivamente) e no Yo-Yo IR1 (F = 29,5; p = 0,001), assim como para estatura (F = 43,4; p = 0,01) e massa corporal (F = 28,6; p = 0,01). Adicionalmente, os resultados mostraram uma \"possível\" diminuição nos valores de frequência de DDT (M1 vs. M3, e M2 vs M3). Em oposição, observou-se um \"possível\" aumento nas ações de DDT, de M3 para M4. Para o EOT, foram \"possíveis\" as reduções de M1 para M2 e de M1 para M4. Para EB, comparando os momentos M3 e M4, observou-se diminuição \"muito possível\". Uma \"possível\" redução de M1 para M2 e M1 para M4, para ET, também foi observada. Os resultados da análise discriminante demonstraram que o grupo com maior desempenho no Yo-Yo IR1 (capacidade de realizar esforços intermitentes de alta intensidade) apresentava o maior número de ações para DDT em M1 (vs grupo menor desempenho no Yo-Yo IR1 [Wilks\' lambda = 0,77; p = 0,03]). Este resultado não foi observado para os demais momentos do estudo (valores de Wilks\' lambda variaram entre 0,82 e 0,99; p > 0,05)

Ano

2017

Creators

Rafael Alan Rodrigues Lopes

Efeito da restrição do fluxo sanguíneo durante o intervalo de repouso entre as séries do treinamento de força sobre o estresse metabólico, a ativação muscular e os ganhos de força e de massa muscular

O objetivo desse estudo foi investigar, no treinamento de força (TF) de alta intensidade, o efeito da aplicação da restrição do fluxo sanguíneo (RFS) durante os intervalos de descanso entre as séries (RFS-I), durante as contrações musculares (RFS-C), ou sem a RFS (TF-AI) em comparação à aplicação da RFS de maneira contínua no TF de baixa intensidade (RFS-S), sobre o torque isométrico máximo (TIM), a força dinâmica máxima (1RM), a área de secção transversa do quadríceps femoral (ASTQ), a concentração de lactato sanguíneo [La] e a amplitude do sinal eletromiográfico (RMS). Quarenta e nove voluntários do sexo masculino, com idade entre 18 e 35 anos, participaram de oito semanas de TF com uma frequência de duas sessões semanais. Foi utilizada a extensão unilateral de joelho nas seguintes condições: RFS-I (3 x 8 repetições, 70% 1RM), RFS-C (3 x 8 repetições, 70% 1RM), TF-AI (3 x 8 repetições, 70% 1RM) e RFS-S (3 x 15 repetições, 20% 1RM). Os resultados demonstraram ganhos similares de TIM entre as condições RFS-I (7,8%); RFS-C (6,5%); TF-AI (6,3%) e RFS-S (7,3%). Já no teste de 1RM, apesar da ausência de diferenças estatísticas, maiores tamanhos de efeito foram observados para as condições de alta intensidade RFS-I (12,8%; TE=0,69); RFS-C (11,5%; TE=0,58) e TF-AI (12,2%; TE=0,52) em comparação a de baixa intensidade RFS-S (6,4%; TE=0,25). Não houve diferença significante no aumento da ASTQ entre as condições RFS-I (7,7%); RFS-C (7,0%); TF-AI (7,3%) e RFS-S (6,1%). O valor pico obtido na [La] foi maior na primeira sessão para RFS-I (4,0 mmol.L-1) comparado à RFS-C (2,7 mmol.L-1); TF-AI (3,4 mmol.L-1) e RFS-S (3,5 mmol.L-1). Na última sessão, esse aumento foi superior para RFS-I (4,8 mmol.L-1) quando comparado à primeira sessão e às condições RFS-C (3,0 mmol.L-1); TF-AI (3,1 mmol.L-1) e RFS-S (3,4 mmol.L-1). A alteração na RMS (média entre as séries) foi similar entre as condições de alta intensidade na primeira sessão RFS-I (145,3%); RFS-C (150,3%) e TF-AI (154,5%) e maiores que a RFS-S (106,7%). Na última sessão, RFS-I (140,7%); RFS-C (154%) e TF-AI (157,4%) foram novamente similares entre si e maiores que RFS-S (97,3%). A RMS na primeira sessão diminuiu da primeira para terceira série (18,9%) na condição RFS-I, sem alterações na última sessão. Por último, apenas a condição RFS-S aumentou a RMS da primeira para a última série, na primeira (18,9%) e última sessão (29,8%) de treino. Em conclusão, embora os ganhos de força isométrica e dinâmica tenham sido similares entre as condições, a força dinâmica aumentou em maior magnitude para as condições de alta intensidade, possivelmente pelos maiores níveis de ativação muscular. Contudo, apesar da RFS-I promover maior estresse metabólico, isso não gerou efeitos adicionais sobre a ativação muscular e os ganhos de massa muscular. Uma provável explicação é que em condições com elevado estresse mecânico o aumento do estresse metabólico não causa efeitos adicionais aos já obtidos pela própria intensidade do treinamento de força

Ano

2017

Creators

Emerson Luiz Teixeira

O impacto do comportamento sedentário em parâmetros clínicos e fatores de risco cardiometabólico de pacientes com artrite reumatoide: o estudo Take a Stand for health

Pacientes com artrite reumatoide despendem a maior parte das horas diárias em comportamento sedentário (e.g., realizar atividades de baixa intensidade na posição sentada). Entretanto, sabe-se que um tempo sedentário excessivo se associa com piores marcadores de saúde e mortalidade por todas as causas. Estudos sobre o tema são escassos em pacientes com artrite reumatoide. Nesse sentido, uma investigação abrangente do impacto do comportamento sedentário na saúde geral dessa população seria de grande relevância clínica. O objetivo desta tese foi verificar a relação entre comportamento sedentário, parâmetros clínicos e fatores de risco cardiometabólico de pacientes com artrite reumatoide, bem como verificar os efeitos agudos e crônicos de sua redução nesses mesmos parâmetros. Para tal, três estudos foram conduzidos: (i) um estudo transversal, no qual foram avaliadas 112 pacientes com artrite reumatoide; (ii) um estudo crossover randomizado, no qual 15 pacientes completaram 3 condições experimentais por um período de 8 horas (SED, comportamento sedentário prolongado; EX, exercício físico seguido por comportamento sedentário; AFL, interrupções do tempo sedentário com atividade física leve); e (iii) um ensaio clínico randomizado e controlado, no qual 86 pacientes foram randomizadas em 2 grupos (controle [CON], que recebia tratamento médico padrão; intervenção [TS4H], que realizou uma intervenção para reduzir o tempo sedentário) e foram acompanhadas por 4 meses. Todas as pacientes foram submetidas às seguintes avaliações: (1) comportamento sedentário e nível de atividade física; (2) parâmetros clínicos (i.e., atividade da doença, dor, fadiga, funcionalidade e qualidade de vida); (3) escores de risco cardiovascular; (4) fatores de risco cardiometabólico (i.e., antropometria e composição corporal, pressão arterial, parâmetros relacionados à sensibilidade à ação da insulina, perfil lipídico e inflamação); (5) expressão de proteínas e genes no músculo esquelético. No Estudo 1, um maior tempo sedentário se associou com pior funcionalidade (teste Levantar e caminhar: [IC95%], 0,74 s [0,32 a 1,15]) e maior percentual de gordura corporal (0,73% [0,13 a 1,32]), ao passo que comportamentos ativos se associaram com menor atividade da doença e níveis de viii proteína C-reativa, maior funcionalidade, menor risco de evento cardiovascular em 10 anos, e com melhor perfil cardiometabólico (todos os p<0,050). No Estudo 2, as respostas pós-prandiais de glicose (-28%, p=0,036), insulina (-28%, p=0,016) e peptídeo C (-27%, p=0,006) estavam significantemente reduzidas na sessão AFL vs. SED. As concentrações de IL-1 diminuíram durante a sessão AFL, mas aumentaram durante EX e SED (p=0,027 e p=0,085). IL-1ra e TNF- aumentaram durante a sessão EX e diminuíram durante BR (p=0,002 e p=0,022). Sete de 36 classes e subclasses de lipídios eram diferentes entre as condições experimentais (todos os p<0,050), sendo que mudanças mais proeminentes foram observadas na sessão EX. No Estudo 3, a intervenção foi ineficaz em reduzir o tempo sedentário (p=0,999); logo, não houve melhora de parâmetros clínicos e fatores de risco cardiometabólico (todos os p>0,050). Entretanto, a sub-análise feita apenas com pacientes que reduziram 30 min/dia de tempo sedentário demonstrou que a alteração desse comportamento resultou na melhora da qualidade de vida (p=0,045) e em uma tendência a atenuação das respostas glicêmicas durante o teste oral de tolerância à glicose (p=0,068). Em conclusão, esses estudos demonstram de forma abrangente o impacto negativo do comportamento sedentário na saúde geral de pacientes com artrite reumatoide. O comportamento sedentário deve ser visto como um fator de risco para um pior quadro clínico e piores desfechos de saúde. Por outro lado, a redução do tempo sedentário emerge como potencial estratégia para atenuar fatores de risco cardiometabólico e melhorar qualidade de vida nessa população, embora novos estudos sejam necessários para determinar as intervenções mais efetivas para atingir esse objetivo

Ano

2021

Creators

Ana Jéssica Pinto

Treinamento concorrente: efeito de uma sessão de treino de força em parâmetros biomecânicos da corrida

O treinamento concorrente tem por finalidade gerar concomitantemente adaptações neuromusculares e cardiovasculares. Entretanto, no melhor do nosso conhecimento, são poucos estudos que investigaram a influência de uma sessão de treino de força sobre parâmetros biomecânicos da corrida. A hipótese do presente estudo é que o treino de força influencia parâmetros biomecânicos da corrida. Desta forma, o objetivo deste estudo foi investigar as alterações nos parâmetros biomecânicos da corrida realizada após uma sessão de treino de força para membros inferiores. Foram avaliados 24 voluntários, praticantes de musculação, do sexo masculino (Idade: 29,2 ± 5,0 anos; Altura: 1,76 ± 0,04 m; Massa corporal: 86,7 ± 11,1 Kg), que utilizavam a corrida em esteira como parte de seu programa de treinamento. Os participantes foram submetidos a duas sessões experimentais: Sessão Corrida (corrida de 20 minutos) e Sessão Treinamento Concorrente (corrida de 20 minutos após uma sessão de treino de força para membros inferiores). Com uma carga entre 8 a 12 RM, os participantes realizaram os seguintes exercícios: agachamento livre, levantamento terra, Leg Press 45o e flexão plantar no Leg Press 45o. Foram realizadas 3 séries de cada exercício, com 3 minutos de intervalo entre as séries e 5 minutos entre os exercícios. A corrida foi realizada em velocidade autosselecionada (8,9 ± 1,4 km/h), previamente medida. Os parâmetros biomecânicos foram coletados, nas duas sessões experimentais, no quinto e no vigésimo minuto. Foram analisadas variáveis da força de reação do solo (FRS); variáveis espaço-temporais; cinemática angular de quadril, joelho e tornozelo; atividade eletromiográfica do reto femoral (RF), vasto lateral (VL), tibial anterior (TA), cabeça longa do bíceps femoral (BF), gastrocnêmio lateral (GL) e glúteo médio (GME); e a percepção subjetiva de esforço (PSE). O vigésimo minuto de corrida, comparado com o quinto, apresentou diminuição da frequência de passada (p=0,010; &eta;2=0,69%), aumento do tempo de balanço (p=0,011; &eta; 2=1,32%), aumento da máxima flexão do joelho no apoio (p=0,026; &eta;20,41%), aumento da variação angular do joelho no apoio (p=0,020; &eta;2=0,47%) e redução da atividade eletromiográfica de VL (p=0,004; &eta;2=0,66%), TA (p=0,009; &eta;2=1,61%), GL (p=0,013; &eta;2=0,40%) e GM (p=0,012; &eta;2=2,48%) na fase de balanço da corrida. Na corrida após a sessão do treino de força verificou-se um aumento da frequência de passada (p=0,007; &eta;2=1,18%), redução do tempo de balanço (p=0,010; &eta; 2=1,52%), redução da máxima flexão do joelho no apoio (p=0,009; &eta;2=2,06%), redução da variação angular do joelho no apoio (p=0,001; &eta;2=2,77%), redução do 1o pico (p=0,027; &eta;2=1,05%) da FRS e do tempo para o atingir (p=0,005; &eta;2=3,58), aumento do impulso nos 50 ms (p=0,003; &eta;2=0,92%), aumento da taxa de desenvolvimento de força (p=0,002; &eta;2=0,82%) e aumento da atividade eletromiográfica de VL e RF durante o apoio (p=0,043; &eta;2=0,72%; p=0,003; &eta;2=4,94%). Os resultados indicam que uma sessão de treino de força influencia as características biomecânicas da corrida subsequente, no entanto, parece não afetar de forma expressiva a eficiência e segurança desse movimento

Ano

2020

Creators

Wilson Pereira Lima

Exercício físico atenua redução da massa livre de gordura e reverte a perda de força muscular decorrente da cirurgia bariátrica: Um ensaio clínico controlado e randomizado

A redução da força muscular oriunda da cirurgia bariátrica pode aumentar a morbidade e o risco de mortalidade independente da melhora nos fatores de risco para doenças cardiovasculares. É sabido que a intervenção cirúrgica reduz a massa muscular o que pode explicar, ao menos em parte, a perda de força. A massa muscular é regulada por um balanço entre síntese e degradação de proteínas (balanço proteico). Indivíduos com obesidade apresentam uma resistência anabólica que pode ser parcialmente atribuída à uma atenuada ativação da via da mTOR, aumentada atividade do proteassoma e conteúdo de células satélites e capilares reduzidos. O exercício físico é uma potencial estratégia para contrapor os efeitos adversos inerentes à cirurgia, porém as adaptações musculares nesta população ainda não estão elucidadas. O objetivo deste estudo foi investigar os efeitos do exercício físico na massa muscular, força e funcionalidade de pacientes submetidas à cirurgia bariátrica. Ademais, foi examinado os impactos da cirurgia e do exercício em mecanismos reguladores da massa muscular. Oitenta mulheres candidatas à cirurgia bariátrica foram alocadas aleatoriamente em 2 grupos: cirurgia bariátrica (RYGB) e cirurgia bariátrica mais treinamento físico (RYGB+TF). Antes (PRE), 3 (3MESES) e 9 meses (9MESES) após a cirurgia foram avaliados a força absoluta e relativa dos membros superiores e inferiores, funcionalidade (teste de \"levantar e ir\" e \"sentar e levantar\"), composição corporal (massa gorda, massa livre de gordura total e dos membros superiores e inferiores), área de secção transversa das fibras musculares tipo I e II (ASTf), conteúdo de mionúcleos, domínio mionuclear, conteúdo de capilares (CC), número de capilares por fibra (C/Fi), número de capilares por perímetro da fibra (CFPE), conteúdo de células satélites (SC), sequenciamento do RNA mensageiro (RNA-seq) e expressão de genes e proteínas relacionadas às vias de síntese e degradação de proteínas. Ademais, um grupo controle (CTRL) composto por 20 mulheres eutróficas realizou todas as avaliações a fim de gerar valores comparativos para as possíveis modificações observadas nos grupos experimentais após o período experimental. O RYGB+TF foi submetido a um programa de exercícios físicos (aeróbio e força) durante 6 meses (iniciado 3 meses após a cirurgia), enquanto o RYGB realizou apenas o tratamento médico padrão. Os dados foram analisados por intenção de tratamento utilizando uma análise de modelos mistos para medidas repetidas. Em caso do F significante, um post hoc de Tukey foi utilizado para comparações múltiplas. Para identificar potenciais efeitos da intervenção nos parâmetros de composição corporal, a diferença absoluta entre os tempos 9MESES e PRE foi calculada em cada um dos grupos experimentais e, assim, os grupos foram comparados por um teste t de Student. Para comparar os grupos experimentais no momento 9MESES com o CTRL, os valores de ASTf, capilarização, SC, força muscular e funcionalidade de cada paciente no momento 9MESES foram transformados em escores padronizados (i.e., escore Z) com os valores de média e desvio padrão do grupo CTRL como referência. Em seguida, os valores foram comparados por meio de uma análise de variância de uma via e, em caso de F significante, um post hoc de Dunnett foi realizado para comparações múltiplas. O nível de significância adotado foi de P&le;0,05. Uma redução significante da força absoluta e relativa dos membros superiores e inferiores foi observada3 meses após a cirurgia em ambos os grupos (efeito principal de tempo: P<0,05). Em contrapartida, o grupo treinado mostrou um aumento da força muscular em ambos os segmentos corporais no 9MESES em comparação ao 3MESES (todos P<0,05), enquanto o grupo não treinado não apresentou nenhuma mudança significante nesta mesma comparação (todos P<0,05). Quando comparado os grupos após à intervenção, o grupo RYGB+TF exibiu valores maiores de força absoluta em ambos os segmentos que o RYGB (todos P<0,05). O desempenho nos testes \"levantar e ir\" e \"sentar e levantar\" foi melhorado ao final do período experimental (9MESES vs. PRE) em ambos os grupos (todos P<0,05). Importantemente, o grupo treinado apresentou melhor desempenho da funcionalidade em ambos os testes que o não treinado após à intervenção (ambos P<0,05). A massa corporal, índice de massa corporal, massa gorda e massa livre de gordura diminuíram no 3MESES e 9MESES em comparação ao PRE (efeito principal de tempo: todos P<0,05). A análise dos deltas revelou que o grupo treinado atenuou a perda de massa livre de gordura total e dos membros inferiores em comparação ao grupo não treinado (ambos P<0,05). Três meses após a cirurgia bariátrica (3MESES vs. PRE) houve uma redução significante na ASTf tipo I e II em ambos os grupos (efeito principal de tempo: P<0,05). Em contrapartida, o grupo treinado mostrou incrementos na ASTf tipo I e II no 9MESES em relação ao PRE e 3MESES (todos P<0,05). Quando comparado os grupos no momento 9MESES, o grupo treinado apresentou maior ASTf tipo I e II que suas contrapartes não treinadas (ambos P<0,05). O grupo treinado aumentou o CC, C/Fi, CFPE e SC no 9MESES em comparação ao PRE e 3MESES (todos P<0,05), enquanto nenhuma mudança significante foi observada no grupo não treinado (todos P>0,05). O RNA-seq revelou que a via ubiquitin mediated proteolysis estava suprimida no grupo treinado no 9MESES em comparação ao PRE (P<0,05). Em concordância, o grupo treinado mostrou uma redução na expressão do gene Atrogin-1 (marcador de degradação proteica mediada pelo sistema ubiquitina-proteassoma) no 9MESES em comparação ao PRE e 3MESES (ambos P<0,05). Já o grupo não treinado não apresentou alterações significantes nestas mesmas análises. Ambos os grupos apresentaram redução na expressão dos genes BNIP3 e CTSL1 (ambos marcadores do sistema autofágico) e da proteína p-4E-BP1/4E-BP1 no momento 9MESES em comparação ao PRE e 3MESES (efeito principal de tempo: todos P<0,05). Por fim, o grupo treinado mostrou um perfil de expressão gênica e características musculares (i.e., diâmetro da fibra muscular, capilarização, força e funcionalidade) comparáveis ao grupo de mulheres eutróficas (CTRL) ao final do período de intervenção, enquanto o grupo não treinado ainda apresentava valores inferiores aos observados no grupo CTRL. Nossos resultados indicam que um programa de exercícios físicos atenua a redução da massa livre de gordura, reverte a perda de força muscular e promove pronunciado aumento da funcionalidade de mulheres submetidas à cirurgia bariátrica. Desta maneira, é possível sugerir que o treinamento físico sistemático deve ser inserido no tratamento pósoperatório desta população a fim de conter os efeitos adversos da cirurgia no músculo esquelético

Ano

2020

Creators

Saulo dos Santos Gil

Efeitos do levantamento de peso olímpico e da pliometria no desempenho dos saltos verticais e da velocidade de corrida

O salto vertical executado com diferentes resistências externas e a velocidade de corrida são habilidades motoras consideradas determinantes para várias modalidades esportivas. Para melhorar o desempenho dessas habilidades motoras, métodos de treinamento como o levantamento de peso olímpico e seus educativos (LPO) e a pliometria (PLIO) têm sido amplamente empregados. Contudo, até o momento não está totalmente elucidado qual dos métodos de treinamento possibilita melhores resultados. Portanto, o objetivo do presente estudo foi comparar os efeitos do LPO vs. PLIO sobre o desempenho dos saltos verticais e da velocidade de corrida. Para a realização do estudo foram recrutados 45 participantes jovens, do sexo masculino e sem experiência em LPO e PLIO. A primeira etapa do estudo foi denominada como período de aprendizagem. Durante esse período, todos os participantes foram submetidos à aprendizagem dos exercícios do LPO. Com o término do período de aprendizagem, os participantes realizaram os testes pré-treinamento. Os testes pré-treinamento foram: saltos verticais sem (SJ), com contramovimento (CMJ), com contramovimento com a adição de diferentes resistências externas (40%, 60% e 80% da massa corporal), velocidade de corrida 30 m e teste de força dinâmica máxima no exercício meio-agachamento. Após os testes, os participantes foram aleatorizados em um dos três possíveis grupos (LPO, PLIO ou grupo controle (GC)) e em seguida, iniciaram o período de treinamento com duração de oito semanas (16 sessões). Ao termino do período de treinamento, foram realizados os testes pós-treinamento (mesma ordem e testes do pré-treinamento). Os resultados evidenciam melhor desempenho do SJ e CMJ para o LPO e a PLIO em relação ao GC. Contudo, quando realizado a comparação entre os métodos de treinamento, maiores aumentos foram observados para o grupo PLIO nas variáveis, altura vertical, velocidade pico e potência pico do SJ e velocidade pico e potência pico do CMJ. Os grupos LPO e PLIO também apresentaram melhores resultados para os saltos verticais com adição de 40% e 60% da massa corporal em comparação ao GC. Para o salto vertical com 80% da massa corporal apenas o grupo PLIO apresentou melhores resultados em comparação ao GC. Entretanto, entre os métodos de treinamento, maiores aumentos da altura vertical, velocidade pico e potência pico dos saltos verticais com adição de 40% e 60% da massa corporal foram observadas para a PLIO. Por fim, os métodos de treinamento possibilitaram melhor desempenho para a velocidade de corrida em relação ao GC. Novamente, maiores aumentos foram observados para o grupo PLIO nas variáveis, velocidade média das distâncias 0-5, 0-10, 0-20 e 0-30 m e potência horizontal. É importante ressaltar que as variáveis, rigidez das estruturas musculoesqueléticas durante o CMJ, teste de força dinâmica máxima no exercício meio-agachamento e comprimento do passo não foram alteradas em nenhum dos três grupos. Como conclusão, os resultados do presente estudo indicam a superioridade da PLIO em relação ao LPO no desempenho dos saltos verticais e velocidade de corrida

Ano

2020

Creators

Ricardo Paes de Barros Berton

Papel do microRNA-146a e seu gene alvo vasorina no remodelamento da artéria carótida após lesão por cateter balão: efeito terapêutico do treinamento físico aeróbico

A reestenose é uma resposta fibroproliferativa que acontece na parede dos vasos após uma lesão mecânica, geralmente seguida do procedimento de angioplastia, ocasionando obstrução vascular. O remodelamento do vaso, causado pela lesão mecânica, ocasiona proliferação, crescimento e migração das células do músculo liso vascular (CMLV, do inglês Vascular Smooth Muscles Cells) da camada média para a camada íntima, acompanhado por fibrose, acarretando neoíntima e estreitamento do lúmen vascular. O papel dos microRNAs (miRNAs) vêm sendo amplamente estudados na lesão vascular, haja vista que apresentam um grande potencial terapêutico para o tratamento de doenças. O miRNA-146a tem ganhado destaque nas doenças fibroproliferativa, uma vez que este regula genes alvos envolvidos no remodelamento vascular. O treinamento físico (TF) apresenta-se como um importante modulador da expressão de miRNAs, sendo considerado uma terapia não farmacológica para o tratamento de doenças cardiovasculares (DCVs) pela sua capacidade de induzir diversas adaptações benéficas. Diante desse cenário, nosso objetivo foi avaliar a linha temporal da reestenose e verificar o papel terapêutico do TF aeróbico na regressão da formação da neoíntima, diminuindo a expressão do miRNA-146a e aumentando a expressão de seu alvo vasorina (VASN) no controle da reestenose e também avaliar mecanismos moleculares relacionados com o aumento da neoíntima vascular como: TGF-&beta; (Transforming Growth Factor Beta), PCNA (índice de proliferação do inglês Proliferating Cell Nuclear Antigen), ADAM-17 (metaloprotease 17), NF-&kappa;&beta; (Nuclear Factor Kappa Beta) e KLF4 (Krüppel-Like Factor 4). Para isso, utilizamos um protocolo de TF aeróbico (natação) de moderada intensidade, com quatro grupos experimentais de ratos Wistar: lesionado com cateter balão treinado (LT), sham treinado (ST) e seus respectivos controles lesionado sedentário (LS) e Sham sedentário (SS). Foi possível observar que a um aumento na capacidade física dos animais que passaram pelo protocolo de TF de natação, assim como uma manutenção da massa corporal e da pressão arterial sistólica e média. Também foi possível observar que o TF foi capaz de prevenir a formação exacerbada de neoíntima vascular e capaz de manter o diâmetro do lúmen. Em relação aos mecanismos moleculares envolvidos na prevenção da neoíntima foi observado que o TF aeróbico modula o miRNA 146a, onde houve uma redução do mesmo. Observamos que houve um aumento da expressão gênica e proteica da VASN. Isso nos leva a entender que o TF foi capaz de prevenir a reestenose por meio do aumento da expressão da VASN que por sua vez inibe diretamente a ativação da cascata inflamatória que começa com ativação do TGF-&beta; e que ativa diversas citocinas inflamatórias. Tornando viável o TF aeróbico para a prevenção de exacerbada formação de neoíntima vascular

Ano

2020

Creators

Noemy Pinto Pereira

Efeito do volume de treinamento de força sobre a variabilidade da hipertrofia muscular em idosos

O envelhecimento está associado ao declínio da massa muscular esquelética e, consequentemente, a reduções nos níveis de funcionalidade. Nesse contexto, o treinamento de força (TF) é um potente estímulo para o aumento da massa muscular nessa população. Entretanto, a magnitude da hipertrofia ao TF é heterogênea, variando desde indivíduos que não apresentam aumentos significativos de massa muscular (i.e., pouco-responsivos) até aqueles com ganhos expressivos (i.e., muito-responsivos). Sugere-se que essa a variabilidade esteja associada a um estímulo insuficiente e/ou inadequado de exercício, e não à incapacidade para adaptar-se ao exercício. Assim, o presente estudo investigou se a variabilidade inter-indivíduos da resposta hipertrófica ao TF em idosos é afetada pela manipulação do volume da sessão. Adicionalmente, se investigou o efeito da manipulação do volume de TF sobre marcadores moleculares relacionados à responsividade, i.e., expressão total das proteínas UBF, Frizzled-1, c-Myc, rpL3 e TRIM24, associadas à regulação da biogênese ribossomal. O desenho experimental foi composto de 10 semanas de TF (2 sessõe&#9679;ssemana-1) no exercício cadeira extensora unilateral. Cada uma das pernas de um determinado indivíduo foi aleatoriamente alocada, considerando a dominância, em um dos dois modelos de treino a serem testados: 1) uma única série de 8-15 repetições máximas e; 2) quatro séries de 8-15 repetições máximas. Antes e após o período de intervenção, os voluntários foram submetidos a um exame de imagem por ressonância magnética, teste de uma repetição máxima e biópsias musculares (vasto lateral). Os principais resultados demonstraram que manipulações do volume de TF aumentam a magnitude da resposta hipertrófica e diminuem em ~80% o número de indivíduos pouco-responsivos ao TF. Para as vias de regulação da biogênese ribossomal, observou-se aumentos na expressão das proteínas rpL3 e Frizzled-1 e uma tendência de aumento para a UBF. Essas respostas foram acompanhas por um aumento da concentração total de RNA no músculo esquelético, favorecendo o protocolo de TF com maior volume. O presente trabalho demonstrou que existe uma alta variabilidade da resposta hipertrófica em resposta ao TF em idosos; entretanto, essa resposta pode ser modulada pela manipulação do volume de TF. Especificamente, observou-se um aumento tanto da magnitude da resposta hipertrófica quanto uma diminuição do número de indivíduos pouco-responsivos ao TF em função do aumento do volume de treinamento. Essa resposta foi parcialmente acompanhada por aumentos na regulação de vias relacionadas a biogênese de ribossomos bem como aumentos da concentração total de RNA. Dessa maneira, sugere-se que a prescrição do TF em idosos, em especial ao que diz respeito ao volume de exercício, seja realizada de maneira individualizada, para que, assim, se otimize os ganhos de massa muscular nessa população.

Ano

2020

Creators

Manoel Emílio Lixandrão

Comportamento da capacidade aeróbia em pacientes com doença arterial coronariana participantes de um programa de reabilitação cardiovascular baseada em exercício físico ao longo de 10 anos

A doença arterial coronariana (DAC), é considerada a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Por outro lado, a reabilitação cardiovascular (RC) baseada em exercício físico é uma ferramenta terapêutica adjuvante importante no tratamento da DAC. Os benefícios da RC a curto e médio prazo já foram demonstrados, destacando-se a melhora da capacidade aeróbia (consumo máximo de oxigênio, VO2máx) e auxílio no controle dos fatores de risco cardiovasculares. Porém, não é bem documentado se esses benefícios se mantém por um longo período de RC. Objetivo: Avaliar o comportamento do VO2máx e dos principais fatores de risco cardiovasculares ao longo de 10 anos de participação em um programa de RC baseada em exercício em pacientes com DAC. Métodos: Foram analisados retrospectivamente prontuários de pacientes com DAC, participantes do programa de RC do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O desfecho principal foi o comportamento do VO2máx, bem como, sua resposta em subgrupos de pacientes que realizaram 1, 3, 5 e 10 anos de RC. Os desfechos secundários foram: peso, índice de massa corporal (IMC), pressão arterial (PA) de repouso, lípides sanguíneos e glicemia de jejum. O modelo misto generalizado foi utilizado para a análise estatística longitudinal do VO2máx. O teste t de \"Student\" foi utilizado nos subgrupos para a comparação das variáveis: VO2máx estimado e medido diretamente, % do VO2 predito para idade e sexo, e para os desfechos secundários pré e pós RC. Foi considerada diferença significativa p<0,05. Resultados: Na análise longitudinal, o VO2máx aumentou a partir dos 3 meses de RC e parte deste ganho inicial foi mantido até 10 anos de RC. Na análise do tempo de RC por subgrupos de pacientes, tanto o VO2máx estimado como o medido diretamente aumentaram significativamente após 1, 3 e 5 anos de RC em relação ao pré e manteve-se semelhante ao pré após 10 anos de RC. A % do VO2máx predito para idade e sexo aumentou (p<0,05) em todos os tempos de RC analisados. A PA diastólica reduziu em todos os tempos de RC analisados (p<0,05). Já, a PA sistólica reduziu após 1 e 10 anos de RC (p<0,05) e a PA média reduziu após 1, 5 e 10 anos de RC (p<0,05). O HDL-colesterol aumentou em todos os tempos de RC analisados (p<0,05) e o colesterol total, LDL-colesterol e TG reduziram após 10 anos de RC (p<0,05 para todos). O peso corporal, o IMC e a glicemia de jejum foram mantidos semelhantes ao período pré em todos os tempos de RC analisados. Conclusão: Em pacientes com DAC, a participação continuada em programa de RC baseado em exercício físico promoveu aumento inicial da capacidade aeróbia, o qual foi sustentado parcialmente até 10 anos; melhora da PA e do perfil lipídico e; manutenção do peso corporal e da glicemia de jejum. Esses resultados sugerem que a continuidade da participação em um programa de RC baseado em exercício físico por longos períodos é eficaz na manutenção dos benefícios alcançados na fase inicial

Ano

2020

Creators

Mayara Alves dos Santos

Efeito do treinamento com diferentes intensidades do exercício \"hang power clean\" no desempenho motor e na potência muscular de jogadoras de handebol

O desenvolvimento da potência muscular e das habilidades motoras como salto vertical, velocidade de corrida e agilidade é fundamental para um bom desempenho nas modalidades esportivas coletivas, dentre elas o handebol. Os exercícios do levantamento de peso olímpico (LPO), dentre eles o hang power clean (HPC), têm sido comumente utilizados para esta finalidade; porém, pouco se sabe a respeito do efeito de diferentes intensidades de treinamento com o HPC sobre o desempenho motor de atletas. Desta forma, o objetivo do estudo foi investigar o efeito de dois protocolos de treinamento com 50% e 90% 1RM no exercício HPC nos ganhos de potência muscular dos membros inferiores, na altura do salto vertical, na velocidade de corrida, na mudança de direção e na força dinâmica máxima de jogadoras de handebol. Dezesseis atletas das categorias júnior e adulto foram divididas em dois grupos (LPO50 e LPO90; 50% e 90% 1RM, respectivamente) e submetidas a 15 sessões de treinamento durante sete semanas. Testes de potência muscular dos membros inferiores, altura do salto vertical sem e com contra-movimento (SJ e CMJ, respectivamente), velocidade de corrida, mudança de direção e força dinâmica máxima (1RM) nos exercícios meio-agachamento e HPC foram realizados pré- e pós-treinamento. Após o período de treinamento foi observado aumento significante da potência de membros inferiores no CMJ com 40% da massa corporal (MC) somente para o grupo LPO90, enquanto nenhuma alteração significante ocorreu no CMJ 60% e 80% MC para ambos os grupos. Não foram observadas alterações significantes na altura dos saltos verticais (SJ, CMJ e CMJ com diferentes sobrecargas externas) para os dois grupos; porém, a velocidade de corrida nas distâncias 0-5, 0-20 e 0-30m aumentou de forma significante e semelhante entre LPO50 e LPO90. Houve diminuição significante no desempenho da mudança de direção no teste T-40 para ambos os grupos. A 1RM no exercício HPC aumentou para os dois grupos enquanto nenhuma alteração significante foi observada para o exercício meio-agachamento. Assim, após 15 sessões de treinamento com HPC em diferentes intensidades (50% vs. 90% 1RM), pode-se afirmar que a utilização de menores intensidades promoveu adaptações positivas muito similares à utilização de maiores intensidades na velocidade de corrida e na força dinâmica máxima no exercício HPC, em jogadoras de handebol

Ano

2019

Creators

Claudio Machado Pinto e Silva

Efeito de 10 semanas de treinamento físico aeróbio sobre a microbiota intestinal de homens adultos jovens e sedentários

A microbiota intestinal (MI) é formada por milhões de microrganismos presentes no trato gastrointestinal, especialmente no cólon. Recentemente, estudos tem sugerido que o treinamento físico aeróbio pode modificar a composição desta MI, por exemplo, aumentando a abundância de bactérias comensais, as quais positivamente influenciam o organismo do hospedeiro. Entretanto, algumas lacunas existem: estudos foram realizados majoritariamente em animais e estes apresentaram associação com outros modelos de dietas e doenças; em humanos, estudos observacionais não apontaram causalidade do treinamento físico e os poucos estudos com intervenção possuíam influência de outras variáveis, as quais estiveram associadas com tais mudanças. Assim, dificulta isolar e compreender o efeito do treinamento físico sobre a MI humana. Portanto, a partir de um delineamento controlado, o objetivo desse estudo foi investigar o efeito do treinamento físico aeróbio realizado em intensidade moderada sobre a composição da microbiota intestinal em humanos. Para isso, foram recrutados homens sedentários, entre 18 a 40 anos, universitários, com padrões alimentares semelhantes, não obesos e com ausência de quaisquer doenças, os quais foram randomizados em grupo controle (GC) e grupo treino (GT). Todos passaram pelas seguintes coletas: aplicação de questionários, coleta de sangue e fezes, avaliação da composição corporal e teste de esforço progressivo máximo, no pré- e pós-intervenção. Os voluntários do GT foram treinados em bicicletas ergométricas por 10 semanas (3x/semana; 50 minutos/dia; 60-65% VO2pico). A análise dos dados referentes à microbiota intestinal foram processados pelo software QIIME 2.0, as análises estatísticas foram realizadas pelo QIIME 2.0 e visualizadas no site do QIIME (https://view.qiime2.org/). Outras análises estatísticas foram realizadas no programa SPSS versão 25 por meio de análise de variância com medidas repetidas, utilizando \"grupo\" e \"tempo\" como fatores ou pelo teste Kruskal-Wallis. O nível de significância foi p<0,05. Após 10 semanas de intervenção houve aumento significante da capacidade aeróbia nos voluntários treinados, a qual promoveu aumento significante da família Lachnospiraceae e das espécies Roseburia sp. e Bacteroides ovatus. Em contrapartida houve redução do gênero Faecalibacterium e das espécies Lachnospira sp e Bilophila sp. Não foram detectadas diferenças nos índices de \'alfa\' e \'beta\' diversidade. Após o treinamento físico, o GT apresentou maior abundância de bactérias comensais em comparação ao GC, tais como, Faecalibacterium, Roseburia, Lachnospira e Akkermansia, enquanto que o GC apresentou aumento de bactérias ligadas à obesidade. A \'alfa\' diversidade, bem como, a abundância relativa da família Lachnospiraceae e do gênero Akkermansia se mostraram positivamente associados ao VO2pico. Deste modo, conclui-se que 10 semanas de treinamento físico foi eficiente em modificar a composição da MI em homens sedentários e minizar possíveis interferências negativas do comportamento sedentário

Ano

2019

Creators

Ayane de Sá Resende

Jogos de realidade virtual em indivíduos pós-acidente vascular cerebral: respostas fisiológicas agudas e sua reprodutibilidade

Os jogos de realidade virtual (JRV) são utilizados como estratégia complementar de reabilitação motora em indivíduos pós-acidente vascular cerebral (AVC). Porém, o impacto cardiovascular e metabólico desses jogos foi pouco investigado, o que é essencial para uma reabilitação completa. Com esse intuito, este estudo avaliou as respostas de frequência cardíaca (FC) e consumo de oxigênio (VO2) durante os JRV, comparando-as ao limiar anaeróbio (Lan) e ao ponto de compensação respiratória (PCR) e calculando o gasto energético (GE). Além disso, investigou-se as respostas da FC, pressão arterial (PA) e duplo produto (DP) no período pós-JRV e a reprodutibilidade de todas as respostas aos JRV. Para tanto, 12 indivíduos (84% homens, 56±12 anos) em fase crônica após um único AVC participaram, em ordem aleatória, de três sessões experimentais, sendo duas delas de JRV e uma controle. Nas sessões de JRV, os indivíduos foram submetidos a 4 blocos de jogos intercalados por 2 min de pausa; cada bloco foi composto por 3 min do jogo Tênis de Mesa, seguidos de 1 min de pausa e 4 min do jogo Boxe (Xbox360+Kinect). Na sessão controle, os indivíduos assistiram a um filme sentados por 38 min. A FC e o VO2 foram continuamente medidos durante as sessões, e a PA e FC foram medidas antes e aos 15 e 30 min após as intervenções. O GE foi calculado a partir do VO2. As respostas de FC e VO2 nos JRV tiveram boa reprodutibilidade (coeficiente de correlação intraclasse > 0,75 e baixo erro médio da medida). Os valores de FC medidos durante os JRV foram semelhantes ao Lan e significantemente inferiores ao PCR, com mais de 50% dos indivíduos apresentando FC abaixo do Lan em todos os JRV. O VO2 medido durante os JRV foi significantemente menor que o Lan e o PCR, com mais de 75% dos indivíduos com VO2 abaixo do Lan em todos os jogos. O GE médio da sessão de JRV foi de ? 4,6±0,1 kcal/min, totalizando 169±11 kcal. Após a sessão de JRV, a PA não se modificou, a FC e o DP permaneceram aumentados por 30 min. Conclui-se que, em indivíduos pós-AVC, a sessão de JRV proposta promoveu respostas fisiológicas reprodutíveis, que corresponderam a uma intensidade próxima e abaixo do Lan, gerando um GE médio de cerca de 4 kcal/min (3 METS) e mantendo o trabalho cardíaco aumentado por até 30 min após a sessão

Ano

2017

Creators

Julio Cesar Silva de Sousa

Efeitos de programas de exercícios físicos com diferentes níveis de complexidade da tarefa motora na função cognitiva, funcionalidade e parâmetros de marcha de idosos

O exercício físico aeróbio contínuo realizado por 6 meses ou mais promove aumento do volume encefálico em idosos saudáveis, porém evidências apontam que exercícios que envolvam maiores demandas de processos de atenção e memória e tenham presente na sua execução maior dificuldade motora (exercício com elevada complexidade da tarefa motora) também apresentam potencial para aumento do volume encefálico. Para investigar um possível efeito aditivo dos exercícios aeróbio e de elevada complexidade da tarefa motora, 45 idosos (66±3 anos), cognitivamente saudáveis (Mini exame estado mental 27±2) participaram de um ensaio clínico randomizado (registro brasileiro de ensaios clínicos RBR-8zjf6b) com 24 sessões (3 meses) de treinamento em dias não consecutivos. Estes foram randomizados em 3 grupos de exercício físico aeróbio, sendo: com baixa complexidade da tarefa motora (BCM), com elevada complexidade da tarefa motora (ECM) e com elevada complexidade da tarefa motora combinado com exergames (ECMEG). Avalições no momento inicial e após 12 semanas (3 meses) foram realizadas considerando variáveis de: (1) função cognitiva [volume encefálico (ressonância magnética); concentração do fator neurotrófico derivado do cérebro - BDNF (amostra sanguínea); avaliações de função cognitiva (Memória - Teste de aprendizagem auditivoverbal de Rey - RAVLT, Função Executiva - Trail Making Test A e B (TMT-A e B), Velocidade de Processamento - Digit Symbol substituition; Cognição global - Avaliação Cognitiva de Montreal (MoCA) e bateria de avaliação frontal (FAB)]; (2) funcionalidade [Força de preensão manual, teste de sentar e levantar, Time Up and Go teste (TUG), Time Up and Go cognitive teste (TUGcog) e VO2 pico)]; e (3) parâmetros de marcha (número de passos, tempo, cadência, velocidade, comprimento da passada). Os resultados demonstram que, na análise de modelo misto não foram observados efeitos significantes (interação grupo x tempo) no desfecho primário - volume do lobo frontal (p= 0,23), bem como em nenhum dos desfechos secundários, o que significa que não há diferença entre os três tipos de intervenção. Porém, efeitos principais de tempo foram observados, nos desfechos: substância branca cerebelar lado direito (p =0,02), cerebelo total (p=0,01), cerebelo lado direito (p=0,01); BDNF (=<0,01); TMT-A (p=0,01), STROOP A (p=0,01), STROOP B (p=0,01), FAB (p=0,01); força de preensão manual (p=0,03), teste de sentar e levantar (p=0,01), TUG (p=0,01), TUGcog (p=0,01), VO2 pico (p=0,01); variáveis de marcha nas condições: a) caminhada tarefa simples [tempo (p = 0,02), cadência (p = 0,02) e velocidade (p = 0,04); b) caminhada tarefa dupla (palavras) [(tempo (p = 0,02), cadência (p = 0,01), velocidade (p = 0,01)] e c) caminhada tarefa dupla (cálculos) [tempo (p = 0,01), cálculos corretos (p = 0,01), cadência (p = 0,01) e velocidade (p = 0,04)], o que demonstra que apesar de não haver diferenças entre os três grupos, considerando os momentos pré e pós intervenção existem diferenças entre os tempos. Na análise de magnitude de efeito, observou-se TE sem que o IC tocasse o zero favor do grupo BCM em 10 variáveis, a favor do grupo ECM em 13 variáveis e do grupo ECMEG em 10 variáveis, sendo que no grupo ECMEG foi observado tendência de mudança nas variáveis de volume encefálico: substância cerebelar lado direito, cerebelo total e cerebelo lado direito. Desta forma, foi demonstrado que exercícios aeróbios com maiores níveis de complexidade da tarefa motora (ECM ou ECMEG) não se diferenciam do exercício de BCM quanto as mudanças proporcionadas à idosos, porém ambos os grupos melhoram as variáveis destacadas, com tendência a mudança no volume das estruturas encefálicas citadas a favor do grupo ECMEG

Ano

2019

Creators

Lucas Melo Neves

Análise biomecânica do chute frontal Mae geri: cinemática, cinética e transferência de energia entre os segmentos

Introdução: No Karatê o chute frontal Mae geri é considerado uma técnica de simples execução, porém muito eficiente e muito utilizada em competições. Os fundamentos do Karatê descrevem que o melhor desempenho do chute será alcançado quando as forças de todas as partes do corpo forem utilizadas simultaneamente, do centro do corpo para as extremidades, o que parece ser suportado pelo princípio biomecânico de coordenação de impulsos parciais. Para que o chute seja eficiente e atinja a máxima velocidade, a transferência de energia mecânica entre os segmentos deve acontecer de tal maneira que os segmentos envolvidos no golpe se movimentem dentro de uma sequência no sentido proximal-distal. Objetivos: O presente estudo tem como objetivo geral avaliar parâmetros cinemáticos e cinéticos do Mae geri para compreender a dinâmica do golpe realizado por caratecas de diferentes níveis de treinamento. Método: Doze caratecas do grupo faixa preta (12,75 ± 8,91 anos de prática) e sete caratecas do grupo faixa branca (1,18 ± 0,88 anos de prática) executaram o Mae geri. Com os dados de cinemática dos segmentos (pelve, coxa, perna e pé) do membro inferior de ataque e de força de reação do solo foram calculadas as velocidades lineares, velocidades angulares, os torques, as potências e as transferências de energia entre os segmentos. Resultados: No grupo faixa preta as magnitudes de velocidade linear dos segmentos foram significativamente maiores do que no grupo faixa branca, resultando em menor duração total do golpe no grupo faixa preta. O Mae geri do grupo faixa preta é caracterizado no início do golpe por uma transferência de energia mecânica dos segmentos distais para os segmentos proximais de todas articulações analisadas (quadril, joelho e tornozelo), com maior magnitude de energia mecânica sendo transferida do pé para a perna, ainda com o pé no chão. Após tirar o pé de ataque do chão, a transferência de energia mecânica da coxa para a pelve apresenta um aumento de magnitude. No último terço do golpe, há uma transferência de energia mecânica da perna para a coxa na articulação do joelho e da perna para o pé na articulação do tornozelo. O grupo faixa branca tem um comportamento diferente de transferência de energia mecânica entre os segmentos comparado ao grupo faixa preta, principalmente no último terço do golpe. Além disso, magnitudes de geração de potência pelos músculos para os segmentos, de absorção de potência pelos músculos a partir dos segmentos e transferência de energia mecânica entre segmentos foram significativamente maiores no grupo faixa preta. Conclusão: Os resultados sugerem que a transferência de energia mecânica entre os segmentos permite que caratecas faixa preta executem o Mae geri de acordo com os princípios biomecânicos de coordenação dos impulsos parciais, respeitando uma sequência de movimentos no sentido proximal-distal. O nível de treinamento dos caratecas implica em diferenças no comportamento das velocidades dos segmentos e na transferência de energia entre os segmentos, o que influencia na eficiência e no desempenho do golpe

Ano

2019

Creators

Rafael Soncin Ribeiro

Efeitos agudos dos alongamentos estático e dinâmico sobre as características biomecânicas da corrida

A prática do alongamento muscular é comum durante as rotinas de aquecimento para a corrida, com a crença de que tal atividade pode prevenir lesões e/ou melhorar o desempenho. Evidências experimentais indicaram que de forma aguda o alongamento estático pode prejudicar, melhorar ou não influenciar no desempenho de corridas de longas distâncias. Da mesma forma, evidenciou-se que o alongamento dinâmico pode melhorar ou não interferir no desempenho da corrida subsequente. No entanto, são escassos os dados relacionados à biomecânica da corrida em função destes estímulos. Portanto, o objetivo deste trabalho foi o de dimensionar os efeitos agudos do alongamento estático e do alongamento dinâmico sobre as variáveis biomecânicas da corrida relacionadas ao desempenho e à sobrecarga mecânica externa. 32 corredores amadores participaram do estudo (20 homens e 12 mulheres; 31,5 ± 4,9 anos; 1,7 ± 0,1 metros; 68 ± 10,8 kg). Os corredores participaram de três sessões experimentais para a avaliação biomecânica durante 15 minutos de corrida em esteira numa velocidade constante. A velocidade de corrida foi individualizada e correspondente à velocidade média da última prova de 10 km de cada participante. Foram feitas aquisições do comportamento da força de reação do solo no eixo vertical (esteira Mercury® Med, H/P/Cosmos Sports & Medical GMB) e da atividade muscular (TeleMyoDTS) do reto femoral, do vasto lateral, do bíceps femoral, do gastrocnemio lateral e do tibial anterior, bem como de parâmetros espaço temporais como o tempo de apoio, a frequência e o comprimento de passos, em quatro momentos distintos: momento 1- entre 0 e 1 minuto de corrida, momento 2 - entre 4 e 5 minutos de corrida, momento 3 - entre 9 e 10 minutos de corrida e momento 4 - entre 14 e 15 minutos de corrida. Em cada sessão de avaliação, os voluntários foram submetidos a um protocolo de exercícios de alongamento distinto, sendo eles: alongamento estático para os membros inferiores, alongamento dinâmico para os membros inferiores e alongamento estático para os membros superiores. Em cada um dos dias, foram executados 5 exercícios distintos, com um volume total de estímulo de 60 segundos para cada grupamento muscular. Os resultados não evidenciaram influência significativa do alongamento estático ou do alongamento dinâmico sobre as variáveis biomecânicas da corrida avaliadas neste estudo. Observou-se somente efeitos principais de momento, evidenciando uma diminuição no primeiro pico da força de reação do solo no momento 4 em comparação com o momento 2 (p = 0,011), um aumento no comprimento e uma diminuição na frequência de passos (p < 0,05) nos momentos 3 e 4, e uma menor intensidade de atividade muscular do bíceps femoral e do gastrocnêmio lateral na fase de apoio a partir do momento 2 (p < 0,05), independentemente do tipo de exercício de alongamento utilizado. Com base nestes resultados é possível concluir que a utilização de até 60 segundos de alongamento, estático ou dinâmico, para os membros inferiores não foi capaz de influenciar significativamente o comportamento muscular e os parâmetros dinâmicos durante uma corrida na esteira em velocidade constante submáxima

Ano

2019

Creators

Carlos Alberto Cardoso Filho

Influência da fonte proteica da dieta nas adaptações crônicas ao treinamento de força

A síntese proteica muscular depende da disponibilidade pós-prandial de aminoácidos essenciais para o músculo, especialmente de leucina, a qual varia de maneira importante entre diferentes fontes proteicas. Assim, diversos estudos agudos sugerem um menor potencial anabólico das proteínas vegetais vs. às proteínas animais. Contudo, se desconhecem os efeitos do consumo de proteínas exclusivamente de origem vegetal nas adaptações induzidas pelo treinamento de força. Portanto, o objetivo do estudo foi avaliar o impacto da fonte proteica da dieta, comparando o consumo exclusivamente de origem vegetal vs. misto de fontes proteicas da dieta nas adaptações induzidas pelo treinamento de força, em indivíduos jovens equiparados na ingestão proteica. Dezenove (n=19) veganos (VEG 26±5 anos; 72,7±7,1 kg, 1,78±0,05 m) e dezenove (n=19) omnívoros (OMN 26±4 anos; 73,3±7,8 kg, 1,76±0,06 m) fisicamente ativos, participaram de um programa de treinamento de força duas vezes por semana para membros inferiores. O consumo proteico habitual foi determinado antes do começo do estudo através de seis recordatórios de 24-h. Logo, a proteína total foi aumentada individualmente para 1,6 g.kg-1d-1 durante a intervenção através de suplementos proteicos (VEG: proteína isolada de soja; OMN: whey protein) e monitorada através de recordatórios de 24-h a cada quatro semanas. PRÉ e PÓS 12 semanas de intervenção, foram avaliadas a massa magra de membros inferiores (MMMI, por DXA), área de secção transversa muscular (ASTm, por ultrassonografia) e das fibras (ASTf, por biópsia muscular), e a força muscular de membros inferiores (por 1-RM no leg press). Ambos os grupos atingiram a ingestão proteica alvo de 1,6 g.kg-1d-1 durante a intervenção, apresentando apenas efeito principal de tempo em relação ao PRÉ (p<0,0001). Para a MMMI (VEG: &#8710; 1,2 ± 1,0 kg; OMN: &#8710; 1,2 ± 0,8 kg), ASTm do reto femoral (VEG: &#8710; 1,0 ± 0,6 cm2; OMN: &#8710; 0,9 ± 0,5 cm2) e vasto lateral (VEG: &#8710; 2,2 ± 1,1 cm2; OMN: &#8710;2,8 ± 1,0 cm2), ASTf tipo I (VEG: &#8710;741 ± 323 &#8710;m2; OMN: &#8710;677 ± 617&#8710;m2) e tipo II (VEG: &#8710;921 ± 458 &#8710;m2; OMN: &#8710;844 ± 638 &#8710;m2) e 1-RM (VEG: &#8710;97 ± 38 kg; OMN: &#8710;117 ± 35 kg), o aumento foi significante PRÉ-PÓS intervenção em ambos os grupos (todos p<0,05), sem diferenças entre os grupos no PÓS. Como conclusão, nossos dados indicam que uma dieta contendo 1,6 g.kg-1d-1 apenas de fontes vegetais induz hipertrofia e ganho de força de maneira comparável a uma dieta contendo fontes proteicas mistas, sugerindo que a fonte proteica não é um fator determinante nas adaptações induzidas pelo treinamento de força em indivíduos não treinados quando atingem a recomendação proteica

Ano

2019

Creators

Victoria María de Los Ángeles Hevia Larraín