Repositório RCAAP

A influência de diferentes sistemas de amortecimento do calçado esportivo na economia de corrida e no desempenho

O objetivo geral do estudo foi investigar o impacto do calçado minimalista e dos calçados esportivos com entressola de termoplástico Poliuretano expandido (TPE) sobre os parâmetros fisiológicos e o desempenho durante a corrida. O estudo 1 comparou o calçado minimalista e o calçado com TPE na economia de corrida (EC) e o desempenho. Doze corredores homens foram submetidos aos seguintes testes: a) teste progressivo até a exaustão para caracterização da amostra; b) duas corridas contrarrelógio de 3 km em uma pista de atletismo de 400 m e ao final dos testes responderam uma avaliação de conforto. c) quatro testes de corrida submáxima de 6 minutos em uma esteira para determinar a EC, o custo de oxigênio (CTO2) e a componente vertical da força reação do solo. Houve uma maior EC (~2,4%) (P = 0,01), aumento do primeiro pico (~15,8%) (P = 0,01) e diminuição da taxa de propulsão (~15,9%) (P = 0,01) no TPE em comparação ao calçado minimalista. No entanto, não houve diferenças significativas entre TPE e minimalistas para CTO2 (P = 0,61) e desempenho total de corrida (P = 0,61). Essas descobertas revelaram que o calçado TPE produz uma EC maior e uma taxa de propulsão mais baixa em comparação com calçados minimalistas, mas essas melhorias não foram acompanhadas por mudanças no CTO2 e, consequentemente, no desempenho na corrida. O estudo 2 comparou 3 calçados com diferenças percentuais de TPE inserido na entressola. As principais diferenças metodológicas foram a análise da EMG e o teste de corrida de 10 km. Não houve diferença estatística entre os calçados para as variáveis EC, componente vertical da força reação do solo (FRS), EMG e desempenho. A análise de regressão revelou que 96% do desempenho em uma prova de 10 km podem ser explicados pelas variáveis altura do arco e controle médio-lateral para o modelo de calçado TPE 55%. Nenhuma variável biomecânica analisada neste estudo foi capaz de identificar alguma diferença que pudesse estabelecer uma diferença entre os calçados que repercutisse em desempenho ou EC. Os resultados práticos dos estudos revelaram que correr com calçado TPE melhora a EC em comparação ao calçado minimalista. No entanto, a melhora na EC não se refletiu em desempenho no teste de corrida de 3 km. Diferentes porcentagens de TPE inseridos na entressola do calçado não produziram diferenças na EC e desempenho em uma prova de 10km. Desta forma, ainda não é possível dizer qual calçado é capaz de reduzir o tempo gasto em uma prova de corrida de curta ou longa duração

Ano

2018

Creators

Roberto Casanova Dinato

Reprodutibilidade da hipotensão pós-exercício e de seus mecanismos hemodinâmicos e autonômicos

A hipotensão pós-exercício (HPE) se caracteriza pela redução da pressão arterial (PA) após uma sessão de exercício. Diversos estudos têm investigado a HPE e seus mecanismos utilizando as seguintes formas de cálculo: I = PA pós-exercício - PA pré-exercício; II = PA pós-exercício - PA pós-controle; e III = [(PA pós-exercício - PA pré-exercício) - (PA pós-controle - PA pré-controle)]. Embora esses estudos tenham demonstrado a ocorrência da HPE em diferentes populações e sua relevância clínica, pouco se sabe sobre sua reprodutibilidade. Dessa forma, este estudo objetivou verificar a reprodutibilidade (erro sistemático, confiabilidade e concordância) da HPE e de seus mecanismos hemodinâmicos e autonômicos avaliados pelas 3 formas de cálculo expostas. Para tanto, 30 indivíduos realizaram 4 sessões experimentais divididas em 2 blocos (teste e reteste). Cada bloco foi composto por uma sessão de exercício (cicloergômetro, 45min, 50% do VO2pico) e uma controle (repouso sentado), realizadas em ordem aleatória. Antes e após as intervenções, foram medidos: a PA (auscultatória e fotopletismográfica), o débito cardíaco (reinalação de CO2), a frequência cardíaca (FC - eletrocardiograma) e a modulação autonômica cardiovascular (análise espectral das variabilidades da FC e da PA, além da sensibilidade barorreflexa). A presença de erro sistemático foi avaliada pelo test-t pareado, a confiabilidade pelo coeficiente de correlação intraclasse (CCI) e a concordância pelo erro típico (ET). A HPE e seus mecanismos hemodinâmicos e autonômicos avaliados pelas 3 formas de cálculo não apresentaram erro sistemático. A HPE sistólica apresentou confiabilidade alta e a diastólica confiabilidade baixa a moderada, com melhor confiabilidade na forma de cálculo II. Em geral, os mecanismos hemodinâmicos e autonômicos apresentaram confiabilidade moderada a baixa, com maior confiabilidade com a forma de cálculo I. Para finalizar, os parâmetros de concordância variaram entre as 3 formas de cálculo, o que implica que o ET específico de cada variável para cada forma de cálculo deve ser considerado para a estimativa do tamanho amostral necessário em estudos e para o cálculo da mínima diferença detectável na prática clínica quando o objetivo for comparar as respostas pós-exercício obtidas em diferentes condições

Ano

2017

Creators

Rafael Yokoyama Fécchio

Biomecânica da aterrissagem de duplo mortal estendido na barra fixa

A aterrissagem na saída de um aparelho em ginástica artística é uma das habilidades de maior desafio dessa modalidade. Entre os atletas de alto rendimento, uma falha nessa fase do movimento, como um passo ou queda na finalização, pode retirar as chances de pódio nas competições. Para diminuir as chances de erro, como em toda habilidade de precisão, as saídas de aparelho são realizadas repetidas vezes durante as sessões de treinamento. O efeito danoso disso é o aumento da exposição ao risco de lesão musculoesquelética por sobrecarga mecânica ou trauma por falha de execução. O objetivo desse estudo foi elucidar os fatores biomecânicos determinantes para uma aterrissagem ideal em ginástica artística (i.e., sem a necessidade de passos para atingir uma condição de repouso após o contato com o solo). Para tanto, foi proposto um modelo de interpretação analítica para os fatores biomecânicos que regem essa habilidade, com base em um sistema de pêndulo invertido no qual o ginasta foi representado pelo segmento que une o centro articular do tornozelo ao centro de massa corporal (ank-com) no instante de colisão. Selecionada por conveniência amostral (7 ginastas da elite nacional com ranking internacional) e metodológica (modelagem e experimental), a saída de barra fixa em duplo mortal estendido para trás foi caracterizada em 109 variáveis biomecânicas. A Análise de Componentes Principais foi adotada para medir o potencial preditivo das variáveis de estado definidas pelo modelo biomecânico para a discriminação das condições de sucesso e falha. Por fim, um conjunto de configurações de sucesso foi interpretado com base no modelo analítico proposto. Revelou-se pela Análise de Componentes Principais uma capacidade de discriminação entre as condições praticamente absoluta (91% dos casos) no acumulado de três eixos de variabilidade. Foram consideradas suficientes para configurar as condições ideais de aterrissagem do duplo mortal estendido na pré-colisão, as combinações das variáveis no modelo ank-com: quantidade de movimento angular do corpo, ângulo do corpo, velocidade angular do corpo e velocidades horizontal e vertical do centro de massa. Espera-se com a presente investigação, poder contribuir para o desenvolvimento de estratégias de controle e correção das habilidades de saída de barra, com potencial de transferência para outros aparelhos ginásticos, em condições de menor risco de lesões por impacto e maior domínio dos fatores biomecânicos de intervenção

Ano

2020

Creators

Franklin de Camargo Junior

Papel do treinamento físico aeróbico na plasticidade muscular em modelo experimental de insuficiência cardíaca por hipertensão pulmonar

A hipertensão pulmonar (HP) é uma síndrome crônica, sendo a maior causa de insuficiência cardíaca direita (ICD) não relacionada à disfunção do ventrículo esquerdo (VE), com prevalência de 50% em pacientes com ICD (IC com fração de ejeção do ventrículo esquerdo preservada). A ICD pode culminar em atrofia muscular que está diretamente relacionada com o mau prognóstico de pacientes com insuficiência cardíaca (IC) e contribui para a intolerância ao esforço físico apresentada por pacientes com ICD induzida por HP. No entanto, existe uma lacuna na literatura sobre em que fase da ICD o quadro de miopatia esquelética se estabelece e estratégias eficientes para minimizar a perda de massa e função muscular na ICD induzida por HP. Nas últimas décadas vem crescendo o número de evidências que apontam o treinamento físico aeróbico (TFA) como um importante coadjuvante no tratamento da IC, trazendo benefícios metabólicos e estruturais para os indivíduos portadores desta síndrome. De fato, trabalhos prévios do nosso grupo demonstraram que o TFA minimiza a miopatia esquelética tanto em pacientes como em modelos experimentais de IC com disfunção do VE. Contudo, o potencial efeito do treinamento físico sobre a fisiopatologia ICD ainda não está completamente esclarecido, uma vez que tal intervenção deixou de ser proscrita há poucos anos nesta síndrome. Existem diversos modelos de IC utilizados para a melhor compreensão da IC esquerda em camundongos, contudo, para estudo de ICD, ainda há uma escassez de modelos já caracterizados. Desta forma foi objetivo desse projeto padronizar um modelo robusto de ICD induzido por monocrotalina (MCT), bem como avaliar o impacto do TFA sobre a musculatura esquelética e cardíaca em camundongos com disfunção do ventrículo direito. Nós utilizamos camundongos C57BL6/J, tratados com (MCT) ou salina. O tratamento com MCT por 2 meses causou hipertrofia e disfunção do ventrículo direito acompanhada de edema pulmonar sem afetar o VE ou a tolerância ao esforço dos animais comparado aos animais tratados com salina, caracterizando um quadro de ICD isolada induzida por HP. Já aos 4 meses de tratamento com MCT, observou-se disfunção dos ventrículos direito e esquerdo acompanhada de edema pulmonar, associados à intolerância ao esforço e à atrofia de fibras do tipo II comparado ao tratamento com salina. Portanto, nessa fase da doença, há uma ICD grave que compromete a função do VE associada à intolerância aos esforços e à miopatia esquelética. Para estudar o efeito do TFA no tratamento da IC induzida por HP, animais tratados com MCT por 4 meses foram submetidos ao TFA nas últimas 4 semanas de tratamento. O TFA foi eficiente em melhorar a função do VE e a tolerância ao esforço físico em animais tratados com MCT, bem como reestabelecer o trofismo do músculo cardíaco e esquelético sendo, assim, uma estratégia interessante para tratamento da miopatia esquelética na ICD induzida por HP

Ano

2020

Creators

Janaina da Silva Vieira

Efeitos do exercício aeróbio na aprendizagem implícita de indivíduos pós-acidente vascular cerebral

Introdução: Considerando que a aprendizagem implícita pode estar afetada em indivíduos pós-Acidente Vascular Cerebral (AVC); a hipótese do presente estudo foi que o exercício aeróbio poderia potencializar este processo, dado seus efeitos neuromodulatórios. Objetivo: Investigar os efeitos do exercício aeróbio de intensidade moderada sobre a aprendizagem implícita de indivíduos pós- AVC e, verificar se estes efeitos são momento-dependentes. Métodos: Quarenta e cinco indivíduos pós-AVC foram alocados em três grupos: Grupo Exercício Antes (GEA) que realizou exercício aeróbio anteriormente à prática, Grupo Exercício Depois (GED) o qual realizou exercício aeróbio após a prática e Grupo Controle (GC) que realizou apenas a prática. Todos os grupos praticaram a Tarefa de Tempo de Reação Seriado (TTRS), com sequências repetidas e pseudorrandômicas, durante três dias consecutivos. Houve um teste de retenção após 1 semana composto de sequências repetidas. O exercício aeróbio foi administrado em uma bicicleta estacionária, por 20 minutos, com intensidade de 70% da Frequência Cardíaca (FC) de reserva. Resultados: Ao longo da prática os grupos melhoraram seu desempenho sem diferença significativa entre eles, apresentando respostas mais rápidas na sequência repetida quando comparadas as sequências pseudorrandômicas. No teste de retenção, identificou-se que o GED e o GC demonstraram maior diferença no tempo de resposta entre sequências repetidas e pseudorrandômicas se comparados ao GEA; o que sugere que o GED e o GEA demonstraram melhor retenção da aprendizagem específica à sequência repetida. Este déficit no desempenho do GEA no teste de retenção foi relacionado com uma incapacidade em organizar os elementos individuais da sequência repetida em chunks (subsequências funcionais de movimento), o que foi possível identificar no GED e GC. Conclusão: O exercício aeróbio não melhorou aprendizagem implícita de indivíduos pós-AVC; ao invés disso, quando o exercício aeróbio ocorreu imediatamente antes da prática, a consolidação da memória implícita foi prejudicada

Ano

2020

Creators

Giordano Márcio Gatinho Bonuzzi

Maratona: mecanismos e processos envolvidos na fadiga cardiopulmonar após maratona

O objetivo desse estudo foi analisar os sistemas e processos envolvidos nas alterações cardiopulmonares decorrentes da realização de uma maratona. Para tanto, 81 maratonistas homens, que participaram da XXI Maratona Internacional de São Paulo foram submetidos aos seguintes procedimentos: anamnese, avaliação clínica, variabilidade da frequência cardíaca e teste cardiopulmonar nas quatro semanas que antecederam a maratona. 24 horas antes, foi realizada coleta de sangue, prova de função pulmonar, escarro induzido, avaliação do óxido nítrico no ar exalado e teste de urina tipo 1. Imediatamente antes da maratona, foi aferido peso e sinais vitais. Imediatamente após a maratona, os atletas foram submetidos a medida de peso, coleta de sangue, prova de função pulmonar, escarro induzido, avaliação do óxido nítrico no ar exalado e teste de urina tipo 1. 24, 72 horas e 15 dias após a maratona, os atletas foram submetidos a coleta de sangue, prova de função pulmonar, avaliação do óxido nítrico no ar exalado e teste de urina tipo 1. No último momento do estudo, entre três e quinze dias após a maratona, teste cardiopulmonar e variabilidade da frequência cardíaca. Os principais resultados foram: Os principais achados deste estudo foram: a) houveram alterações significativas nos eletrólitos imediatamente após a maratona, que mantiveram-se até 15 dias após a maratona, exceto para o potássio que não mostrou alteração imediatamente após porém, mostrou-se alterado 15 dias após; b) ocorreu lesão renal aguda após maratona, com aumento de ureia e creatinina, que mantem-se até 24 horas após a maratona, acompanhadas de hematúria e leucocitúria na urina tipo 1 imediatamente após; c) houve um aumento dos marcadores bioquímicos de hemólise, imediatamente e 24 horas após a maratona, assim como da eritropoietina 72 horas após a maratona; d) os atletas apresentaram anemia do atleta, com queda da hemoglobina e eritrócitos 24 após a maratona, que permaneceram alteradas até 72 horas e 15 dias após, respectivamente; e) houve um aumento da concentração dos marcadores de injúria miocárdica pós maratona, com retorno da troponina aos valores basais 24 horas e o BNP 72 horas após a maratona; f) houve um aumento da inflamação sistêmica; g) ocorre uma inflamação tecidual no pulmão, caracterizada pelo aumento da celularidade no escarro, além de aumento das citocinas inflamatórias também no escarro. Seguida de uma imunossupressão pulmonar 24 e 72 horas após a maratona, caracterizada pela redução importante do óxido nítrico no ar exalado neste período; h) houve redução da capacidade pulmonar pós maratona que permaneceu até 72 horas depois, mantendo as alterações de pico de fluxo expiratório até 15 dias após a maratona; i) os maratonistas apresentaram queda na capacidade cardiopulmonar caracterizada por queda do VO2 e VCO2 no primeiro limiar e pico, assim como da ventilação no pico do esforço, para a mesma carga de exercício; j) por fim, ao avaliar o sistema nervoso autônomo, houve um aumento da ativação simpática no período de três a 15 dias após a maratona, período em que também ocorreu maior quantidade de arritmias ventriculares durante o teste cardiopulmonar

Ano

2019

Creators

Ana Paula Rennó Sierra

Imunidade de mucosa oral, condicionamento aeróbio e estresse de jovens jogadores de basquetebol em um curto período de treinamento

O presente estudo teve como objetivo verificar a influência do nível de condicionamento aeróbio e do nível de estresse na resposta da imunidade da mucosa oral (SIgA) de jovens jogadores de basquetebol após um curto período de treinamento. Vinte e oito jovens atletas da categoria sub-16 realizaram duas sessões de treinamento técnico-tático de basquetebol com duração média de 95 minutos e 24 horas de intervalo; a percepção subjetiva de esforço da sessão (PSE da sessão) e a carga interna de treinamento (CIT) foram registradas após cada sessão; coletas salivares foram realizadas e a qualidade total de recuperação (QTR) foi registrada antes e 24 horas após a última sessão de treinamento. Para avaliar a atividade do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA) e a imunidade da mucosa oral foram utilizadas as concentrações de cortisol salivar (CS) e da imunoglobulina salivar A (SIgA), respectivamente. O nível de condicionamento aeróbio (CA) dos jogadores foi mensurado uma semana antes do início da primeira sessão de treinamento, através de um teste de corrida intermitente de alta intensidade adequado à modalidades esportivas coletivas (Yo-Yo IR1). Uma análise descritiva foi realizada para a PSE da sessão, CIT e QTR. Um teste-t pareado foi adotado para comparação entre os momentos (Pré-T1 e 24hPós-T2) para as concentrações de SIgA (g/mL). Em seguida, uma regressão linear múltipla foi realizada, tendo como variável dependente o delta da imunoglobulina salivar A (SIgA); e como variáveis independentes a concentração de CS (g/mL) do momento antecedente à primeira sessão de treinamento, para indicar o nível de estresse em repouso anterior ao início dos treinamentos, e também a distância final percorrida no Yo-Yo IR1 (m) para indicar o nível de CA. Para todas as análises, a significância estatística estabelecida foi de 5% (p 0,05). As análises foram realizadas utilizando-se o sotfware IBM SPSS Statistics 20TM. Não foi observada diferença para a concentração de SIgA entre momentos (t= 727,000; p= 0,248). O SIgA (R2 = 0,033) não foi predito pela combinação das variáveis independentes Yo-Yo IR1 (p= 0,336) e CS (p=0,812). Portanto, foi possível concluir que não houve influência do nível de estresse ou do nível de condicionamento aeróbio na resposta de imunidade da mucosa oral de jovens jogadores de basquetebol após duas sessões treinamento realizadas em um curto período de treinamento.

Ano

2019

Creators

Raísa Valvassori

Efeito do treinamento físico aeróbico sobre a expressão de myomiRs circulante e muscular em modelos experimentais de câncer

Câncer é o nome que se designa para um conjunto de mais de 100 doenças. As células cancerosas acumulam mutações e apresentam uma alta velocidade de divisão celular, dessa forma, o câncer tem um caráter progressivo e degenerativo; sendo um problema de saúde pública mundial (INCA, 2017). Existem diversas comorbidades associadas ao câncer que levam a maior índice de mortalidade e ao agravamento da doença, uma destas é a caquexia. Os microRNAs são uma classe de moléculas que tem sido altamente investigada por estar relacionada com diversos fatores fisiológicos e também patológicos (AMBROS, 2001). Sabe-se que diversos microRNAs tem expressão alterada em indivíduos com câncer. Essas alterações na expressão dos microRNAs são encontradas na circulação sanguínea, no tumor e em alguns tecidos, como o muscular esquelético e cardíaco (CHEN et al., 2014). Por outro lado, o exercício físico aeróbico provoca profundas adaptações músculo esquelético, inclusive em condições patológicas. Uma das mais marcantes é a normalização do equilíbrio entre a síntese e a degradação de proteínas no miócito esquelético (CUNHA et al, 2012). O exercício físico aeróbico tem um papel importante na regulação da expressão de diversos microRNAs. Ainda, apresenta potencial terapêutico para restaurar a expressão de diversos microRNAs alterados presentes em diferentes doenças (FERNANDES et al., 2011). Neste trabalho analisamos a expressão de microRNAs enriquecidos no músculo esquelético (myomiRs) utilizando dois modelos MMTV-PyMT (câncer de mama, não caquético) e CT26 (câncer de cólon, caquético). Esses animais foram divididos em grupos sedentários e treinados e os controles eram animais saudáveis também divididos em sedentários e treinados. Observamos que os animais do modelo MMTV não apresentaram perda da função e massa muscular, entretanto dois myomiRs, miR-206 e 486, tem a expressão alterada no músculo esquelético e na circulação em função do câncer e o exercício físico não influencia na expressão dos mesmos. Ainda avaliamos os mesmos parâmetros no modelo CT26; A expressão dos myomiRs-206 e 486 também está alterada na circulação e no musculo esquelético e o exercício físico não influencia a expressão destes microRNAs. Nesse modelo a expressão da proteína PI3K está diminuída e de PTEN está aumentada em função do câncer. Nossos resultados indicam que os microRNAs 206 e 486 tem a expressão alterada no tecido muscular e na circulação em decorrência do câncer, independente da caquexia, e, podem ser marcadores de prejuízos nas vias de síntese proteica no tecido muscular

Ano

2017

Creators

João Lucas Penteado Gomes

Respostas cardiovasculares e autonômicas ao exercicio máximo em homens e mulheres com claudicação intermitente

A doença arterial periférica (DAP) se caracteriza pela presença de obstruções nas artérias dos membros inferiores, que reduzem o aporte sanguíneo aos músculos, provocando dor durante o exercício (i.e claudicação intermitente - CI). A caminhada é recomendada no tratamento dessa doença, porém sua execução causa respostas cardiovasculares diferentes das observadas em indivíduos saudáveis. Essas respostas foram investigadas em homens com DAP e CI e, embora a doença seja igualmente prevalente entre os sexos e suas consequências funcionais sejam maiores nas mulheres, as respostas agudas à caminhada não foram investigadas no sexo feminino. Assim, o objetivo desse estudo foi avaliar e comparar as respostas funcionais, cardiovasculares e autonômicas a uma caminhada até a dor máxima de claudicação em homens e mulheres com DAP e CI. Para isso, 40 indivíduos com DAP e CI (20 homens e 20 mulheres) realizaram, em ordem aleatória, duas sessões experimentais: controle (repouso na esteira) e exercício (teste máximo em esteira protocolo de Gardner). Durante o exercício, foram avaliadosindicadores da capacidade funcional e as respostas cardiovasculares (frequência cardíacaFC e pressão arterialPA) em carga submáxima (1o estágio) e máxima (pico do esforço). Além disso, antes e após o exercício foram medidas variáveis cardiovasculares (PA, FC, débito cardíaco, resistência vascular periférica e volume sistólico-VS) e autonômicas (variabilidade da FC e da PA, além da sensibilidade barorreflexa-SBR). Após as sessões, foi realizada uma monitorização ambulatorial da PA por 24h. Os dados entre os sexos foram comparados por testes t-Student e ANOVAs de 2 e 3 fatores, considerando P<0,05 como significante. Não houve diferença significante entre os sexos na capacidade funcional avaliada pelas distâncias inicial e máxima de claudicação, bem como pelo VO2pico e VO2 no 1o estágio do teste. Não houve diferenças nas respostas da PA e FC medidas em carga submáxima e máxima. As respostas cardiovasculares pós-exercício foram semelhantes entre os sexos, sendo que o exercício reduziu a PA sistólica clínica, mas esse efeito não se manteve no período ambulatorial pós-exercício. A redução da PA se acompanhou de diminuição do VS e aumento da FC pós-exercício, enquanto que não houve diferença nas variáveis autonômicas, com exceção da variância total da FC que se manteve na sessão exercício e aumentou na controle. Como conclusão: homens e mulheres com DAP e CI apresentam capacidade funcional e respostas cardiovasculares e autonômicas semelhantes durante e após uma caminhada até a dor máxima de claudicação

Ano

2019

Creators

Roberto Sanches Miyasato

Efeitos de uma sessão de treinamento concorrente nos níveis de metilação e expressão de genes fatores regulatórios miogênicos

Problema: As respostas agudas dos níveis de metilação do DNA em genes miogênicos e relacionados à ativação das células satélites (CSs) podem ser mecanismos que expliquem o menor ganho de força e massa muscular, conhecido como efeito de interferência, após um período de treinamento concorrente (TC) comparado ao treinamento de força (TF) isolado. Objetivo: O presente estudo teve por objetivo determinar e comparar as mudanças induzidas por uma sessão de TC, TF e TA nos níveis de metilação e expressão gênica dos genes fatores regulatórios miogênicos, bem como o curso temporal de ocorrência dessas mudanças. Métodos: 9 homens destreinados participaram de um desenho experimental randomizado, contra balanceado e cross over, em que cada sujeito realizou uma sessão de TF, TA e TC, separados por uma semana de recuperação. A sessão de TF foi composta por 2 séries de 8-12 repetições máximas com intervalo de 60s, de cada um dos exercícios Leg press 45° e cadeira extensora. A sessão de TA foi composta por 4 minutos de aquecimento com intensidade de 50% da velocidade atingida no consumo máximo de oxigênio (vVO2máx) durante o teste de VO2máx, seguido de 12 sprints de 1 min à 100% da vVO2máx e intervalo de 1 minuto à 50% da vVO2máx. A sessão de TC foi composta pelo protocolo de TF seguido pelo protocolo de TA, com intervalo de 5 minutos entre eles. Foram obtidas 4 amostras de tecido muscular em cada sessão experimental, sendo uma coletada imediatamente antes do exercício (Pré), e outras 3 após o exercício (imediatamente, 4 horas e 8 horas após), totalizando 12 amostras por sujeito. Resultados: O gene MYOD1 apresentou menores níveis de metilação do DNA, após a sessão de TA, tanto 4H e 8H, em comparação com o momento PRÉ, como também no momento 8H em comparação ao momento 0H. Além disso, foi também encontrado um menor percentual de metilação 4H horas após a sessão de TA quando comparado a sessão de TF, no mesmo momento. Os níveis de metilação do DNA dos genes MYF5 e MYF6 diminuíram significantemente nos momentos 4H e 8H após as três condições (efeito principal de tempo), em comparação com os momentos PRÉ e 0H. A expressão de mRNA do gene MYOD1 mostrou-se aumentada 4H após as diferentes sessões de treinamento, quando comparada aos valores PRÉ exercício, e em 8H, quando comparada aos momentos PRÉ, 0H e 4H. O gene MYF5 mostrou, em todas as condições, níveis de mRNA menores no momento 4H quando comparados com o momento 0H, retornando a valores similares aos basaias com um aumento significante em 8H. A expressão de mRNA do gene MYF6 foi maior, em todas as condições, em 4H quando comparada aos momentos PRÉ e 0H. Considerações finais: Coletivamente, nossos resultados indicam que as mudanças agudas até 8 horas na metilaçao do DNA e na expressão de mRNA de genes MRFs pode não estar relacionadas diretamente com o efeito de interferência induzido pelo TC

Ano

2019

Creators

Guilherme Defante Telles

Efeito da ingestão isolada de cafeí­na e bicarbonato de sódio sobre a contribuição energética, desempenho e reativação parassimpática em simulação de luta de taekwondo

O objetivo do trabalho foi investigar o efeito da suplementação isolada de cafeína e bicarbonato de sódio sobre a contribuição dos sistemas energéticos, desempenho e reativação parassimpática após simulação de luta de taekwondo. Para tanto, a presente tese foi dividida em estudo 1, com a suplementação de cafeína e estudo 2, com a suplementação de bicarbonato de sódio. Portanto, no estudo 1, o objetivo foi investigar o efeito da suplementação de cafeína sobre a contribuição dos sistemas energéticos, desempenho e reativação parassimpática em simulação de luta de taekwondo. 10 atletas de taekwondo foram submetidos a duas sessões experimentais separadas por no mínimo de 48 horas entre elas. Nas duas visitas os atletas consumiram uma cápsula contendo cafeína (5 mg.kg-1 de massa corporal) ou placebo (celulose) uma hora antes da simulação da luta de taekwondo, composta por 3 rounds de 2 minutos com 1 minuto de intervalo entre os rounds. A ordem das sessões experimentais foi randomizada, duplo-cego e cruzada. Todas as simulações de luta foram filmadas para quantificar as ações técnico-táticas durante os rounds. Foram mensuradas a concentração de lactato, a percepção subjetiva de esforço (PSE) antes e após cada round,e a frequência cardíaca (FC) e a contribuição dos sistemas energéticos foi estimada durante a simulação de luta. Além disso, foram mensurados alguns índices da reativação parassimpática após o terceiro round. A concentração de lactato, a PSE, a FC e a contribuição dos sistemas energéticos foram comparados usando análise de variância de dois fatores (condição e tempo). Adicionalmente, os índices da reativação parassimpática foram comparados utilizando o teste t de Student entre as condições cafeína e placebo. Os principais resultados indicam que: a suplementação de cafeína aumentou a contribuição do sistema glicolítico em relação ao placebo. Porém, a cafeína não melhorou o desempenho ou alterou a PSE, a FC ou a contribuição dos sistemas oxidativo e ATP-CP quando comparados ao placebo. Adicionalmente, nenhum índice da reativação parassimpática foi afetado pela suplementação de cafeína. No estudo 2, o objetivo do estudo foi investigar o efeito da suplementação de bicarbonato de sódio sobre a contribuição dos sistemas energéticos durante a simulação de luta de taekwondo. Para tanto, foram avaliados 9 atletas de taekwondo, os quais foram submetidos a duas condições experimentais, separadas por um mínimo de 48 horas entre elas. Nas duas visitas os atletas ingeriram uma cápsula contendo 0,03 g.kg-1 da massa corporal de NaHCO3- ou placebo (carbonato de cálcio), 90 minutos antes da simulação de luta de taekwondo, composta por 3 rounds de 2 minutos com 1 minutos de intervalo entre os rounds. A ordem das sessões experimentais foi randomizada, duplo-cego e cruzada. Todas as simulações de luta foram filmadas para quantificar as ações técnico-táticas durante os rounds. Foram mensuradas a concentração de lactato, a percepção subjetiva de esforço antes e após cada round, a frequência cardíaca e a contribuição dos sistemas energéticos foram estimadas durante a simulação de luta. Além disso, foram mensurados alguns índices da reativação parassimpática após o terceiro round. A concentração de lactato, a PSE, a FC e a contribuição dos sistemas energéticos foram comparadas usando análise de variância de dois fatores (condição e tempo). Além disso, os índices da reativação parassimpática foram comparados utilizando o teste t de Student entre as condições NaHCO3 e placebo. Os principais resultados demonstraram que a suplementação de NaHCO3 aumentou a contribuição do sistema glicolítico e o tempo total de ataque em relação ao placebo. Porém, o NaHCO3 não alterou a FC, a PSE ou a contribuição dos sistemas oxidativo e ATP-CP durante a simulação de luta quando comparados ao placebo. Além disso, nenhum índice da reativação parassimpática foi afetado pela suplementação de NaHCO3 ou placebo

Ano

2017

Creators

João Paulo Lopes da Silva

Contribuições dos sistemas nervoso central e muscular no estabelecimento da estratégia de prova durante uma prova contrarrelógio de 4 km de ciclismo

A presente dissertação procurou determinar as fases do pacing strategy em \"U\" e analisar o desenvolvimento da fadiga neuromuscular e o perfil metabolômico em um teste contrarrelógio de 4 km no ciclismo (4 km CT). No estudo 1, foi proposto dois modelos (visual e matemático) para determinar as três fases do pacing strategy em \"U\" durante um 4 km CT. Foram recrutados 15 ciclistas para realizar dois testes 4 km CT em dias separados. Para o modelo visual, quatro avaliadores experientes analisaram o pacing strategy duas vezes, sete dias de diferença. O modelo matemático foi composto pela média da potência durante a fase 2 (1 até 3 km) mais dois desvios padrões, identificando o ponto de mudança (PM) da fase 2 entre fase 1 (PM1) e 3 (PM2). O PM1 ocorreu em 419 ± 186 e 415 ± 178 m e PM2 ocorreu em 3646 ± 228 e 3809 ± 213 m para o modelo visual e matemático. Não houve diferença entre os modelos para ambos PM (p > 0,05). A reprodutibilidade intra avaliadores no modelo visual para PM1 e PM2 foi ICC >= 0,87 e >= 0,96 (p < 0,05), e entre avaliadores foi ICC >= 0,89 (p < 0,05). Gráficos de Bland-Altman mostraram boa concordância entre modelos, maioria da diferença ficou abaixo de 5%. O estudo 1 sugere que ambos modelos são reprodutíveis e produzem valores similares para determinar as fases do pacing strategy em \"U\". No estudo 2, 11 ciclistas visitaram o laboratório em seis ocasiões, sendo familiarizados três vezes com 4 km CT e técnica de estimulação elétrica no nervo femoral. Nas últimas três visitas, o mesmo pacing strategy da familiarização foi reproduzido, porém foram interrompidos ao final da fase 1 (F1FINAL), fase 2 (F2FINAL) e fase 3 (F3FINAL), randomizado. Antes e logo após o exercício, os ciclistas realizaram a técnica de estimulação elétrica e amostras sanguíneas foram coletadas para determinar o perfil metabolômico. A F1 teve duração de 68 ± 14 s (83,1% acima do ponto de compensação respiratória (PCR), em relação ao tempo total da F1), a F2 durou 287 ± 17 s (24,9% acima do PCR, tempo total da F2) e F3 durou 33 ± 7 s (74,5% acima do PCR, tempo total da F3). Houve apenas efeito principal de tempo para maioria das variáveis neuromusculares (p < 0,05) e não houve efeito principal de condição (p > 0,05). Apenas 5 metabólitos tiveram diferença estatística. Valores menores de 2-oxoisocarporate e dimatilamina para F1FINAL comparado com F2FINAL (p < 0,05). Valores menores de succinato para F1FINAL comparado com F3FINAL (p < 0,05). Asparagina e lactato apresentaram valores menores para F1FINAL em comparação à F2FINAL e F3FINAL (p < 0,05). Esses achados sugerem que, ao longo de um teste 4 km CT, o nível de fadiga neuromuscular é estabelecido logo no início e mantido até o final da tarefa. Não obstante, o perfil metabolômico parece estar associado com metabólitos da via oxidativa e outros marcadores relevantes para o SNC controlar a intensidade do exercício

Ano

2017

Creators

Rafael de Almeida Azevedo

Perfil de microRNAs no coração de camundongos treinados e que superexpressam ECA2: papel no remodelamento cardíaco

A hipertrofia cardíaca é caracterizada como um aumento da massa cardíaca e é considerada um mau prognóstico e está associada as diversas formas de insuficiência cardíaca. No entanto, outra forma de resposta hipertrófica pode ser gerada por meio do treinamento físico, o qual produz aumento proporcional da espessura da parede, levando ao fenótipo conhecido como \"coração de atleta\", onde há uma preservação ou melhora na função cardíaca. Ambos fenótipos de remodelamento cardíaco estão estritamente associados às vias canônicas e não canônicas do sistema renina angiotensina (SRA). Estudo prévio do nosso grupo demonstrou, que o treinamento físico aeróbio alterou a expressão de microRNAs envolvidos na regulação do SRA, em especial na regulação da expressão das enzimas chave deste sistema, a enzima conversora de angiotensina 1 (ECA) e enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2). Porém, ainda pouco se sabe sobre o papel dos microRNAs na modulação do SRA local cardíaco em resposta ao treinamento físico. O presente estudo teve como objetivo traçar o perfil de expressão de microRNAs entre camundongos treinados e com superexpressão de ECA2 cardíaca. Nós utilizamos para isso, camundongos da linhagem C57BL/6 divididos em três grupos experimentais: 1) Sedentário 2) Grupo Treinado e com 3) superexpressão de ECA2 no coração. A superexpressão de ECA2 cardíaca resultou em aumento da massa cardíaca e na alteração de 14 microRNAs em relação ao grupo controle e o treinamento aeróbio embora não tenha apresentado alteração na massa cardíaca, alterou 4 microRNAs em relação ao controle. Destes microRNAs, 3 microRNAs (-133a-5p, -208a-3p e -215) foram confirmados por RT-qPCR. A busca por alvos preditos destes microRNAs gerou uma lista de 418 genes que resultou em 24 vias de sinalização via KEGG Pathway. Destas, atenção foi dada para as vias pró-hipertróficas de PI3K e MAPK que são conhecidas por participarem do remodelamento cardíaco fisiológico e patológico

Ano

2017

Creators

André Casanova Silveira

Papel do treinamento físico aeróbico sobre o eixo CSE/H2S/miR-34c-3p no coração de ratos saudáveis e hipertensos

A hipertensão arterial (HA), associa-se à importantes alterações estruturais, funcionais e moleculares no coração, dentre elas, a hipertrofia cardíaca (HC) do tipo patológica. Por outro lado, o treinamento físico (TF) aeróbico está associado às adaptações cardiovasculares benéficas, incluindo a HC fisiológica. Portanto, o TF têm sido investigado e utilizado como uma importante ferramenta terapêutica não-farmacológica tanto para tratamento quanto prevenção nas doenças cardíacas. O sulfeto de hidrogênio (H 2 S), o mais recente gasotransmissor reconhecido, é produzido endogenamente nos tecidos, sendo a cistationina-gama liase (CSE), a principal enzima responsável pela sua síntese no coração, exercendo papel cardioprotetor no sistema cardiovascular. Recentes evidências demonstram que os efeitos protetores do H 2 S podem ser mediados pelos microRNAS (miRNAS) e vice-versa. Os miRNAs são uma nova classe de moléculas reguladoras de RNAs, conservados e não codificadores de proteína, e estão emergindo como potenciais alvos terapêuticos para as doenças cardiovasculares. Está bem estabelecido que os miRNAs são dinamicamente regulados pelo exercício físico. Neste sentido, publicações de nosso grupo de pesquisa já mostraram que dois protocolos de TF em natação (5x semana/10 semanas), promovem HC fisiológica no VE de ratas normotensas, a qual foi associada à melhora da função cardíaca. Os dois protocolos de treinamento (P1 e P2), diferem-se somente pelo volume, sendo o P1 de menor volume e o P2, maior volume de treino. Dados prévios de micro-array (ainda não publicados) do nosso laboratório, realizados no VE destas ratas, mostrou uma pronunciada redução na expressão do miRNA-34c-3p nos grupos treinados, em comparação ao grupo controle, o que motivou o nosso estudo. Portanto, a proposta deste estudo treinamento físico aeróbico exerce seus efeitos benéficos e terapêuticos, por meio de regulação do eixo CSE/H2S/miR-34c-3p no coração, tanto em modelo de ratas saudáveis, como em modelo de ratos espontaneamente hipertensos (SHR). Para isso, este estudo foi dividido em duas etapas, onde na 1 a etapa serão utilizadas ratas normotensas Wistar (10 semanas de vida) submetidas aos protocolos de TF aeróbico e no segundo utilizamos o modelo de ratos SHR que foram submetidos ao mesmo protocolo experimental

Ano

2022

Creators

Camila do Valle Gomes Gatto

Papel da atividade muscular sobre a regulação do conteúdo de carnosina em resposta à suplementação de beta-alanina: um estudo em atletas com lesão medular

INTRODUÇÃO: Atualmente ainda não está claro se a atividade muscular e o treinamento físico afetam a síntese de carnosina muscular (Mcar) em resposta à suplementação de beta-alanina. OBJETIVO: verificar o impacto da atividade e inatividade muscular sobre o conteúdo de carnosina muscular (Mcarn) e sobre o aumento de Mcarn em resposta à suplementação de beta-alanina e, adicionalmente, verificar seu efeito sobra a capacidade de realizar esforços de alta intensidade. METHODS: Dezesseis homens treinados com lesão medular (LM) (escala ASIA: AIS A ou AIS B) foram divididos em 2 grupos: beta-alanina (BA) (N = 11) e placebo (PL) (N = 5). Amostras de biópsias musculares foram obtidas do músculo vasto lateral inativo e do deltoide ativo, antes e após 28 dias de suplementação com beta-alanina (6.4 g.dia-1). Teste t independente foi aplicado para comparar a Mcar basal e a variação absoluta (PÓS - PRÉ) entre os músculos vasto lateral e deltoide. Um teste supramáximo de carga constante até a exaustão e um teste de Wingate de série única foram aplicados para verificar a capacidade de realizar esforços de alta intensidade. Análises por Modelo Misto foram aplicadas para comparar a Mcar, o tempo até a exaustão e os valores de potência pico intra e entre sujeitos. RESULTADOS: (média ± desvio padrão): a concentração basal de Mcar no vasto lateral foi significativamente maior que no deltoide (32,0 ± 12 vs. 20,5 ± 6,1 mmol.kg-1 de músculo seco; p = 0,02). As variações absolutas na Mcar foram significativamente maiores no grupo BA em comparação com o PL, tanto para o vasto lateral (BA: 17,6 ± 10,4 mmol.kg-1 de músculo seco; PL: 2,5 ± 2,3 mmol.kg-1 de músculo seco; p = 0,002) como para o deltoide (BA: 15,7 ± 6,8 mmol.kg-1 de músculo seco; PL: 1,4 ± 2,7 mmol.kg-1 de músculo seco; p <0,001). As variações absolutas verificadas no vasto lateral e deltoide não foram diferentes entre si (vasto lateral: 17,6 ± 10,4; deltóide: 15,7 ± 6,8 mmol.kg-1 do músculo seco; p = 0,6). Não houve efeito da suplementação sobre o tempo até exaustão e potência pico. CONCLUSÃO: a inatividade muscular crônica ocasionada por lesão medular, não afeta a Mcarn e também não interfere sobre o aumento de Mcarn em resposta à suplementação de BA. Estes resultados sugerem que a atividade muscular ou o estado de treinamento não influenciam a capacidade de síntese de Mcarn em resposta à suplementação de beta-alanina

Ano

2019

Creators

Kleiner Márcio de Andrade Nemezio

Comparação das movimentações prévias, tipos de pegadas e direções de ataques em situações com e sem pontuação em combates de judô

O judô é uma modalidade de combate que tem por objetivo arremessar o oponente ao solo, de costas, com controle, velocidade e elevado impacto. Na primeira parte da dissertação foi desenvolvido e validado o programa JASS (Judo Attack System Software) que registra as ações técnico-táticas dos sistemas de ataques em combates de judô. Dois avaliadores, com mais de dez anos de experiência como professores de judô, faixas pretas e formados em Educação Física analisaram 40 combates. As variáveis ataques, ataques com pontuação e ataques sem pontuação obtiveram classificação interavaliadores e intra-avaliador entre 0,89 e 1 no Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI) e para as 39 variáveis qualitativas, o índice Kappa de Cohen () ficou entre pobre e quase perfeito. A segunda parte da dissertação analisou as ações técnico-táticas do sistema de ataque de 1106 combates de atletas masculinos medalhistas em competições internacionais (n = 152), que fazem parte do ranking mundial da Federação Internacional de Judô. Frequências e porcentagens foram calculadas para apresentar a distribuição das variáveis. O detector de interação automática Qui-quadrado (CHAID) foi usado para identificar as associações entre as variáveis categóricas independentes (aproximação tori, aproximação uke, pegada, posição, deslocamento final e direção de ataque) e as variáveis dependentes (pontuação e categorias de peso). Razão de chances (RC) e intervalos de confiança (IC 95%) foram calculados por uma série de regressões logísticas binárias para determinar as chances de pontuação em relação a variável pegada. O teste Qui-quadrado de Pearson foi utilizado para identificar os principais efeitos das variáveis estudadas. Bonferroni post hoc foi utilizado para determinar as diferenças significantes. O nível de significância foi estabelecido em 5% para todas as análises. Um total de 5847 sistemas de ataques foi coletado para a análise. Entre as 60 configurações de pegadas encontradas, os atletas de judô de alto nível utilizaram 13 configurações principais, resultando em taxas de pontuações específicas dependendo da direção do ataque, posição e aproximação do tori. A configuração Direita-Gola & Esquerda-Manga resultou em maior pontuação em ataques para a frente direita (²(3) = 12,666, p < 0,01), Direita-Manga & Esquerda-Gola resultou em maior pontuação ao atacar para a frente esquerda (²(3) = 10,763, p < 0,05) e Direita-Manga & Esquerda-Cruzada em ataques para trás esquerda (²(3) = 12,587, p < 0,05). A pegada ApenasMão Direita foi influenciada pela posição, pontuando mais em ai-yotsu esquerda (²(3) = 26,110, p < 0,01). Apenas Mão Esquerda foi influenciada pela aproximação do tori, pontuando mais com o pé direito à frente e deslocamento anterior (²(1) = 14,501, p < 0,01). Segurar na região dorsal foi decisivo para diferenciar a eficácia dos sistemas de ataques. A configuração Direita-Dorsal & Esquerda-Dorsal (RC = 3,08; p < 0,01) foi a mais eficiente, seguida de Direita-Dorsal & Esquerda-Manga (RC = 1,79; p < 0,01) e Direita-Manga & Esquerda-Dorsal (RC = 1,72; p < 0,01). As pegadas mais utilizadas entre as categorias de peso foram Direita-Manga & Esquerda-Gola (p < 0,05) e Direita-Gola & Esquerda-Manga (p < 0,05). As categorias 81 kg e >100 kg diferenciaram-se pelo uso de pegadas não convencionais (p < 0,05). A categoria 60 kg destacou-se pela utilização da pegada Apenas Mão Direita na posição kenka-yotsu direita (²(18) = 53,845; p < 0,01). A categoria 81 kg utilizou mais a posição ai-yotsu esquerda com a pegada Apenas Mão Esquerda (²(18) = 50,883; p < 0,01). Para aumentar as chances de sucesso nos ataques, os atletas devem segurar na região dorsal e posicionar os membros superiores e inferiores em concordância lateral

Ano

2022

Creators

Daniel Brandão Kashiwagura

O fio das travessias: a perspectiva histórica em Os tambores de São Luís, de Josué Montello e A gloriosa família - o tempo dos flamengos, de Pepetela

Os romances Os tambores de São Luís (1975), do brasileiro Josué Montello, e A gloriosa família do angolano Pepetela, mantêm um diálogo com a história maranhense e angolana respectivamente, estreitando as fronteiras entre Literatura e História. Mais que estreitar fronteiras, eles investigam um lugar narrativo em que a forma e o conteúdo interagem fora de suas margens de origem: literatura e história são desvirtuadas/deslocadas em busca de outras verdades que, separadas, nem uma nem outra poderiam conceber. É certo, no entanto, que a perspectiva histórica de cada romance os diferencia significativamente, tendendo à função sacralizadora em Montello e dessacralizadora em Pepetela. Enquanto a história faz parte do pano de fundo da narrativa montelliana, ela é parte orgânica da narrativa pepeteliana, através de uma projeção temporal contrária: em Montello se dá no sentido retrospectivo e em Pepetela, no sentido prospectivo, o que de saída singulariza qualitativamente os romances. A partir da visão peculiar que preside a organização de cada narrativa, a experiência histórica compartilhada pela trágica herança colonial e escravista toma um viés diferente, onde se vislumbra, já de começo, como cada romancista relê a sua própria história. Assim, longe de se alinharem plenamente pela perspectiva histórica, os romances são diferenciados a partir dela e este trabalho comparativo se ocupa justamente em demonstrar como isso acontece.

Ano

2009

Creators

Ana Lucia Gomes da Silva Rabecchi

Brasileiros e portugueses: todos fora de lugar. A imagem do brasileiro torna-viagem na ficção camiliana

No século XIX, a consolidação do mundo burguês fez surgir uma nova idéia de masculinidade. Esse homem moderno deveria ser capaz de promover regeneração nacional, por meio do progresso econômico, social e cultural. Em Portugal, nesse período, o fenômeno da emigração é uma perturbadora realidade que marca a produção ficcional de Camilo Castelo Branco. Seus personagens brasileiros torna-viagem - portugueses que retorna ao país após emigrar para o Brasil- aglutinam características do homem burguês e moderno. Para demonstrar essa hipótese, foram analisadas as obras Eusébio Macário, A corja, O cego de Landim e Os brilhantes do brasileiro, sob a ótica dos estudos acerca da masculinidade de George Mosse e Pierre Bourdieu e do conceito de fomentador, proposto por Marshall Berman em sua análise de Fausto de Goethe.

Ano

2009

Creators

Rosemary da Silva Granja

Caminhos e trilhas do comunitarismo cultural em José Luandino Vieira (Nosso Musseque) e José Ubaldo Ribeiro (Viva o povo brasileiro): uma identidade em (trans)formação

Esta tese para o doutoramento em Letras, na área dos Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, investiga as questões relacionadas aos aspectos culturais, literários, transculturais e identitários presentes nas obras ficcionais: Nosso musseque (2003), do angolano José Luandino Vieira e Viva o povo brasileiro (1984), do brasileiro João Ubaldo Ribeiro, a partir da perspectiva do estudo comparativo da solidariedade das literaturas dos países de Língua Portuguesa. Analisa os principais processos determinantes da afirmação, (trans)formação e reconstrução da identidade nacional como: mestiçagem, hibridismo cultural e transculturação, como também identifica e compara a natureza do engajamento literário desses escritores. O presente estudo também busca evidenciar, nessas literaturas de Língua Portuguesa, as marcas identitárias construídas como autoafirmação das especificidades político-econômicas surgidas no século XX. Elas são a expressão poética de seus autores, pois pela importância que têm, representam um tempo, um espaço, um povo e também as culturas nelas reproduzidas. Tal investigação permite mostrar que as obras em estudo desempenham um papel relevante na representação da realidade sócio-histórica, em permanente projeção e (trans)formação de Angola e do Brasil.

Ano

2011

Creators

Angela Cristina Antunes Conceição

Narrativas de Ruy Duarte de Carvalho

Realizamos, nesse trabalho, uma leitura crítica de um conjunto de obras narrativas do escritor e antropólogo Ruy Duarte de Carvalho. A abordagem está centrada em sua trilogia, intitulada Os filhos de Próspero, composta pelos seguintes títulos: Os papéis do inglês (2000), As paisagens propícias (2005) e A terceira metade (2009). Incluímos comentários acerca das seguintes obras: Como se o mundo não tivesse leste (1977), Vou lá visitar pastores (1999) e Desmedida: Luanda-São Paulo-São Francisco e volta Crônicas do Brasil (2006). Inicialmente, nos aproximamos do trabalho do antropólogo a partir de sua relação com o cinema o que nos levou à leitura de O camarada e câmera: cinema e antropologia para além do filme etnográfico (1984). Na sequência propomos um mergulho em sua trilogia focalizando a construção das identidades em Angola. A partir da análise de personagens centrais, nomeadamente Severo de As paisagens propícias e Trindade de A terceira metade, pretendemos contribuir com uma interpretação que leve em conta a temática das relações entre escrita e oralidade.

Ano

2014

Creators

Alexandre Gomes Neves