Repositório RCAAP
Alterações induzidas pelo treinamento complexo nas acelerações de atletas de basquetebol e sua influência nas dinâmicas de criação de espaço
O treinamento complexo (TC) é capaz de promover melhorias na força e potência de atletas de várias modalidades esportivas. Entretanto, ainda não está bem estabelecido se tais melhorias podem afetar o desempenho técnico-tático dos atletas. Assim, o objetivo da presente Tese foi verificar se o treinamento complexo no basquetebol promove alterações significativas na potência de atletas de basquetebol, se essas alterações se refletem no aumento da aceleração dos atletas durante os jogos, e se estão associadas à eficiência na aplicação das dinâmicas de criação de espaço (DCEs). Para tal, os indivíduos da amostra composta de nove atletas da equipe de basquetebol masculino universitário da Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo (EEFE-USP) realizaram três sessões por semana de treinamento esportivo específico da modalidade basquetebol (técnico-tático) e treinamento complexo (força e pliometria) duas vezes por semana. Foram realizadas avaliações motoras: força dinâmica máxima de membros inferiores (uma repetição máxima), teste de agilidade (teste T modificado), salto vertical com contramovimento (SVCM - realizado no tapete de contato Jumptest Hidrofit Ltda) e acelerometria (ActiGraph GT9X); e avaliações técnico-táticas (scout de eficiência das DCEs) pré e pós-intervenção. A intervenção teve duração de oito semanas e apresentou os seguintes resultados: nas avaliações motoras, a força muscular dinâmica máxima, o teste T de agilidade e o salto vertical demonstraram aumentos significativos (p < 0,05) após o período de intervenção. Ainda, após a intervenção, observou-se aumento da aceleração no eixo x nas ações dos atletas, tanto na situação de jogo reduzido quanto para a situação de jogo formal para as DCEs: Bloqueio Direto (BD) e Corte para Espaço Aberto (CEA), mas não para a DCE Isolamento no Perímetro (IPER). Contudo, não se observou aumento estatisticamente significativo na capacidade de aceleração dos atletas no eixo x no jogo formal (5x5) e tampouco no jogo reduzido (2x2), para nenhuma das DCEs (BD, IPER e CEA). Nas avaliações técnico-táticas, houve diferença na utilização das DCEs entre as situações de jogo propostas. Sendo que as DCEs mais frequentes foram o IPER e BD, tanto na situação de jogo reduzido (2x2) quanto na situação de jogo formal (5x5). Sendo a DCE CEA a de menor frequência. Quanto à eficiência das fintas, na situação de jogo reduzido, observou-se aumento significativo do percentual de eficiência. Enquanto que na situação de jogo formal, o percentual de eficiência das fintas aumentou, embora as diferenças não tenham sido estatisticamente significativas. Na situação de jogo reduzido, houve aumento significativo do percentual de arremessos certos em todas as DCEs (BD, IPER e CEA). Já na situação de jogo formal, o percentual de arremessos certos diminuiu não apresentando significância estatística. Dessa forma, os achados do presente estudo sugerem que o treinamento complexo foi capaz de aumentar de forma significativa (p < 0,05) a aceleração no eixo médio-lateral, o percentual da eficiência das fintas e de arremessos certos em jogos reduzidos (2x2) mas não para os jogos formais (5x5)
2021
Juarez Alves das Neves Junior
Avaliação da ação de pernas na natação baseada no número de Strouhal
Animais que nadam ou voam apresentam uma coordenação de movimentos similar que garante uma interação ótima de seus corpos com o escoamento gerando máxima eficiência propulsiva devido a interação dos vórtices liberados. O grupamento adimensional da mecânica dos fluidos que avalia esta coordenação é o número de Strouhal. Este estudo visa verificar se seres humanos seriam capazes de utilizar desta coordenação para nadar de forma mais rápida e eficiente. Para isso, foram analisadas as influencias antropométricas, de habilidade, desempenho, sexo e idade na possível utilização desta coordenação. Foram filmados 144 participantes de ambos os sexos, entre 12 e 53 anos e diferentes níveis de habilidade, enquanto nadavam crawl em máxima velocidade de forma livre, com limitação de velocidade e apenas com ação de pernas. Estes dados permitiram avaliar as condições do escoamento, o arrasto, o índice de coordenação, o número de Strouhal e a coordenação entre membros dos participantes. Embora as diferenças entre sexos e idades já reportadas na literatura a respeito do índice de coordenação e do arrasto tenham sido confirmadas, estas características parecem não afetar a coordenação entre membros e o número de Strouhal de forma a não influenciar o possível mecanismo propulsivo relacionado à interação dos vórtices. Nadadores mais habilidosos parecem tentar coordenar seus nados em um valor de Strouhal de aproximadamente 0,5, com um número fixo de pernadas dentro dos ciclos de braçadas e com movimentos de braços e pernas sincronizados. Esta coordenação constante parece privilegiar a ocorrência da finalização de uma pernada durante uma fase propulsiva crítica da braçada sustentando a possibilidade da interação das ações propulsivas. Quando submetidos a uma condição com limitação de velocidade os nadadores mais habilidosos buscaram alterar suas técnicas. Eles apresentaram maior amplitude de pernada, porém não foi possível determinar se isso ocorreu devido ao maior arrasto ou a uma tentativa de aumentar o número de Strouhal. O mesmo aumento da amplitude de pernada também foi observado para as condições com apenas propulsão de pernas, no entanto, para este caso, nadadores de todos os níveis identificaram a necessidade de alterar suas técnicas de pernadas. Estes resultados parecem sugerir que o aproveitamento da interação com vórtices não ocorreria em baixas velocidades e que apenas os nadadores mais habilidosos identificam a coordenação necessária para cada situação. Desta forma, o desempenho e experiência do nadador parecem constituir restritores para o aproveitamento da interação com vórtices. No entanto a partir de um determinado valor de número de Froude (velocidade normalizada pela raiz quadrada do produto entre estatura e a aceleração da gravidade), apenas a habilidade do nadador parece interferir nesta coordenação. O arrasto e as características antropométricas parecem não influenciar o número de Strouhal ou a coordenação entre membros
2017
Bruno Mezencio Leal Resende
Efeitos crônicos do treinamento complexo no desempenho motor e no desempenho técnico-tático de atletas de taekwondo em competições simuladas
O treinamento complexo (TC) é uma estratégia utilizada para aumentar do desempenho motor de atletas de taekwondo, entretanto, os efeitos crônicos dessa estratégia de treinamento no desempenho motor e no desempenho técnico-tático permanecem desconhecidos. Visto que o desempenho motor pode afetar positivamente o desempenho técnico-tático, identificar os efeitos crônicos do TC, com e sem o uso de um gesto motor específico, em atletas de taekwondo é necessário para compreensão mais adequada da eficiência dessa estratégia de treinamento quando comparada ao TF. Assim, o objetivo do presente estudo foi investigar os efeitos crônicos do TC no desempenho motor e no desempenho técnico-tático de atletas de taekwondo submetidos à competições simuladas. Para tanto, 30 atletas do sexo masculino (20-28 anos, 8 anos de experiência em competições) integraram três grupos: Treinamento de força (GTF: n = 10), Treinamento complexo-pliometria (GTCP: n = 10) e Treinamento complexo-bandal (GTCB: n = 10). Pré e pós-treinamento (oito semanas, 2x/semana) foram efetuados os seguintes testes: 1) competição simulada com a verificação da estrutura temporal, da quantidade de ações ofensivas e ações defensivas e da efetividade das ações ofensivas e defensivas durante todas as lutas; 2) saltos verticais (SCM e SP), 3) força dinâmica máxima (1RM); 4) FSKTmulti (frequency of speed kick test); 5) tempo de reação específico do taekwondo; 6) agilidade especifica do taekwondo e 7) potência de membros inferiores. Após o treinamento, os grupos GTCP e GTCB apresentaram desempenho significantemente maiores no SCM (p<0,05), no SP (p<0,05) e no teste de 1RM (p<0,05) quando comparados ao grupo GTF. Por outro lado, o grupo GTCB apresentou resultados significantemente maiores para a quantidade total de chutes (FSKTtotal) no FSKTmulti ao longo das competições simuladas quando comparado aos grupos GTF e GTCP (p<0,05), enquanto o grupo GTCP apresentou valores significantemente menores para o índice de decréscimo da quantidade de chutes (FSKTidc) quando comparado com os grupos GTF e GTCB ao longo das competições simuladas (p<0,05). No tempo de reação específico do taekwondo, o grupo GTCB apresentou resultados significantemente menores quando comparado aos grupos GTCP e GTF (p<0,05). Por outro lado, não foram observadas diferenças significantes na agilidade específica do taekwondo entre os grupos. Por fim, em relação ao desempenho ao longo das competições simuladas, o grupo GTCB apresentou valores significantemente maiores quando comparado aos grupos GTCP e GTF para maiores quantidades, e maior efetividade das ações ofensivas como ataque indireto (p<0,05), contra-ataque simultâneo (p<0,05), contra-ataque antecipatório (p<0,05), e contra-ataque posterior (p<0,05), tempo de ataque (p<0,05), número de ataques (p<0,05), razão tempo de ataque/tempo sem ataques (p<0,05), e razão número de ataques/tempo sem ataques (p<0,05) assim como o grupo GTCP apresentou valores significantemente maiores para as mesmas variáveis quando comparados ao grupo GTF (p<0,05). Em complemento, o grupo GTCB e GTCP apresentaram valores significantemente menores de tempo sem ataques quando comparados com o grupo GTF (p<0,05). Assim, é possível concluir que o TC é uma estratégia mais eficiente para promover efeitos positivos no desempenho motor e no desempenho técnico-tático em atletas de taekwondo durante competições simuladas.
Efeitos da hiperventilação hipocápnica mista sobre o desempenho intermitente
A utilização de estratégias ergogênicas têm sido amplamente investigadas, com o intuito de aumentar o desempenho em exercícios intermitentes de alta intensidade, por meio do aprimoramento do tamponamento intra e extracelular. Nesse contexto, a hiperventilação voluntária surge como um método alternativo, que pode induzir a alcalose rapidamente pela respiração, ao reduzir a pressão parcial de dióxido de carbono e consequentemente gerar hipocapnia. Entretanto, essa temática ainda é controversa, pois ainda se sabe se existem mecanismos positivos relacionados à prática e nem mesmo a quantidade de placebo existente em estudos anteriores, dada a intervenção no controle respiratório. Os efeitos da hipocapnia parecem ser breves, portanto, para sustentá-la durante todo o exercício intervalado, podendo ser, então, interessante a combinação de protocolos de hiperventilação. Para tanto, o objetivo dessa tese foi testar os efeitos combinados e isolados da hiperventilação voluntária hipocápnica de protocolos longos e curtos sobre o metabolismo energético e o desempenho intermitente de alta intensidade. Em adição, verificamos o possível efeito placebo nesse mecanismo de modulação do controle respiratório, por meio do oxigênio placebo. Com relação à metodologia, doze atletas realizaram o teste de desempenho intermitente (10 sprints de 10 segundos por 60 segundos de intervalo), nas seguintes condições experimentais: Controle, Placebo, Hiperventilação longa + Placebo, Placebo + hiperventilação curta, hiperventilação longa + hiperventilação curta, para verificar tais efeitos sobre o desempenho. Resultados: não houve efeito de condição nos sprints em relação a: potência de pico (p= 0,145), potencia média (p = 0,264), trabalho total ao longo de toda sessão de exercício (p = 0,683) e contribuição dos sistemas energéticos, em valores absolutos totais de gasto calórico (p = 0,272). Conclusão: Não houve nenhum tipo de efeito ergogênico agudo sobre o desempenho intermitente de sprints repetidos, ademais não houve efeito de expectativa de uma intervenção na modulação respiratória. Portanto, o mecanismo de expectativa do oxigênio placebo parece não impactar no desempenho de sprints repetidos
2021
Pietro Krauspenhar Merola
Papel do microRNA-33A e da proteína sirtuina 6 no metabolismo e progressão do câncer de cólon em camundongos submetidos ao treinamento físico aeróbico
Na década 20 do século XX Otto Warburg descreveu que o metabolismo de tumores se comportava de maneira anômala comparado com outros tecidos, em 2011 Hanahan e Weinberg descreveram que reprogramação metabólica é uma característica comum em muitos tumores, esse processo está relacionado com alterações na expressão de genes e proteínas que orquestram o metabolismo celular. Dessa forma, a quase cem anos se estuda o metabolismo tumoral e suas implicações na progressão tumoral. Evidências acumuladas sugerem que alterações no metabolismo de tumores sustentam a alta demanda energética gerada pela proliferação e crescimento de células cancerosas. Nesse sentido, esse trabalho se debruçou em estudar a influência do treinamento físico aeróbico (TFA) nas alterações no metabolismo de células de tumores de cólon (CT26) e no crescimento tumoral. A hipótese original desse trabalho era que o eixo microRNA-33a / Sirtuina 6 (SIRT6), genes reguladores do metabolismo glicolítico, controlariam o crescimento tumoral e por sua vez o TFA controlaria esses genes no sentido de diminuir a expressão do micrRNA-33a e aumentar SIRT6, consequentemente desacelerando o crescimento tumoral. A hipótese inicial foi refutada, por outro lado as investigações mostraram que o TFA leva ao crescimento mais lento dos tumores no grupo treinado (TR8+CT26) comparado com o grupo sedentário (SED+CT26), houve diminuição da expressão dos genes relacionados com a reprogramação metabólica e a via glicolítica, por exemplo HIF1 (p=0,01), GLUT1 (p=0,07), PDK1 (p=0,05), LDHa (p=0,03). Ainda, foi demonstrado diminuição da expressão de genes que codificam enzimas que compõe o ciclo do ácido cítrico em decorrência do TFA, tais como, IDH2 (p=0,02) e há tendência de diminuição da expressão do gene SDHa (p=0,053). Também foi observada menor expressão proteica de HIF1 (p=0,04) e menor produção de lactato (p=0,004) nos tumores de animais treinados. Também foi demonstrado que células primárias obtidas dos tumores do grupo TR8+CT26 apresentam menores taxas de respiração celular e acidificação do meio celular comparado com o grupo SED+CT26. Ainda, foram feitas análises de microRNA-array. Ao final da análise 6 microRNAs foram selecionados para validação por PCR e dentre esses se destacou o microRNA-16-2-3p. Este microRNA apresentou expressão diminuída no grupo TR8+CT26 comparado com o grupo sedentário (p=0,03) assim como observado nas análises de varredura. Conclui-se do trabalho que o TFA altera o metabolismo tumoral contribuindo para o menor crescimento dos tumores
2022
João Lucas Penteado Gomes
Exercício intervalado de alta intensidade e poluição atmosférica: análise dos efeitos para o sistema cardiovascular, perfil inflamatório e metabolômica
A prática de exercícios físicos, com predominância aeróbia, pode trazer benefícios à saúde. Contudo, esses benefícios podem sofrer influência de um importante fator ambiental presente nos grandes centros urbanos: a poluição atmosférica. Durante a transição do repouso para o esforço físico há maior exposição aos poluentes, devido ao aumento da ventilação, elevando a quantidade total de poluentes atmosféricos que penetram nas vias aéreas. Assim, o objetivo da presente tese de doutorado foi analisar o impacto do exercício intervalado de alta intensidade sobre as respostas cardiovasculares, perfil inflamatório e metabolômica, quando realizado em ambiente com poluição atmosférica. Quinze homens, saudáveis e fisicamente ativos participaram como voluntários (idade 28,0 ± 6,0 anos e VO2max 46,3 ± 9,5 ml·kg-1·min-1). Os participantes realizaram 5 visitas para o estudo principal, a primeira para realização do teste incremental máximo e mais quatro visitas para realização de exercício intervalado de alta intensidade (EIAI) e exercício contínuo de baixa intensidade (ECBI), sendo que cada exercício foi realizado uma vez em ambiente com ar poluído (AmbPol) e uma vez em ambiente com ar filtrado (AmbFil). Os principais resultados são: i. O EIAI realizado em AmbPol impactou negativamente a pressão arterial sistólica, inibindo o efeito hipotensor 10 minutos após exercício. ii. Levou à secreção de uma interleucina (IL) pró inflamatória (IL-6) e inibiu a ação anti-inflamatória da IL-10. iii. Para as análises de metabolômica, houve alterações nas vias metabólicas associadas ao metabolismo de lipídios, com incompleto metabolismo dessa via energética e pronunciada produção de corpos cetônicos. Para o ECBI, o AmbPol impactou a pressão arterial, inibindo o efeito hipotensor 10 min após e 1 hora após. ii. Não houve alterações para as citocinas medidas. iii. Para o perfil metabolômico, houve alteração para o metabolismo de lipídios, entretanto, sem produção de corpos cetônicos. Em conclusão, o EIAI realizado em ambiente poluído da cidade de São Paulo impactou a pressão arterial, prejudicou o balanço pró- e anti-inflamatório das IL-6 e -10, e alterou o metabolismo energético
Efeito hipotensor agudo do exercício resistido dinâmico, isométrico e combinado (dinâmico + isométrico) em homens hipertensos medicados: determinantes hemodinâmicos e mecanismos autonômicos.
A realização regular de exercícios físicos é recomendada no tratamento de hipertensos. A execução de uma única sessão de exercício promove redução da pressão arterial (PA) pós exercício, o que é denominado hipotensão pós-exercício (HPE). Esse fenômeno tem relevância clínica quando tem magnitude significante e perdura por várias horas. Além disso, ele pode ser utilizado para predizer as adaptações da PA ao treinamento físico. Uma única sessão de exercícios resistidos dinâmicos (ERD) ou isométrico de handgrip (ERI_h) parece ser capaz de produzir HPE, mas sua duração e mecanismos precisam ser esclarecidos. Além disso, a combinação desses exercícios resistidos (ERC) poderia potencializar o efeito hipotensor agudo, o que ainda não foi investigado. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar e comparar o efeito de uma sessão de ERD, ERI_h e ERC na resposta pós-exercício da PA e seus mecanismos. Para isso, 49 homens hipertensos medicados foram divididos de forma aleatória para a realização de uma de 4 sessões experimentais: controle (70 min sentado); ERD (8 exercícios, 3 séries com repetições até a fadiga moderada em 50% de 1RMe com 90s de intervalo entre as séries e os exercícios); ERI_h (4 séries, handgrip unilateral alternado, 2 min de contração isométrica em 30% da CVM com 1 min de intervalo entre a séries); e ERC (ERD + ERI-h). Em cada sessão, a PA clínica e seus mecanismos hemodinâmicos sistêmicos, autonômicos e vasculares foram avaliados antes e após a intervenção. Além disso, a PA ambulatorial foi medida por 24h após as sessões. Os dados foram comparados por ANOVAs, considerando-se P<0,05 como significante. Como resultado, o ERD promoveu redução significante da PA clínica, mas não modificou a PA ambulatorial pós-exercício. A redução da PA pós-ERD se acompanhou de diminuição significante do volume sistólico e aumento da frequência cardíaca, do balanço simpatovagal cardíaco e da condutância vascular. O ERI_h não promoveu redução da PA pós-exercício e nem alterou de forma significante nenhuma das variáveis avaliadas. O ERC promoveu redução da PA de magnitude significante e similar ao ERD e não modificou a PA ambulatorial. De forma semelhante ao ERD, a redução da PA após o ERC se acompanhou de diminuição do volume sistólico e aumento da 7 frequência cardíaca e da condutância vascular, porém sem modificação do balanço simpatovagal cardíaco. Em conclusão, o ERD e ERC promovem HPE semelhantes e acompanhadas de redução do volume sistólico e aumento da condutância vascular, enquanto o ERI_h não promove nenhuma alteração após sua execução
2021
Laura Gomes Oliveira e Silva
Competindo na cidade de São Paulo: efeitos da poluição atmosférica sobre parâmetros fisiológicos e o desempenho durante um teste contrarrelógio de ciclismo de 50 km
Embora a alguns estudos tenham sugerido que a exposição a poluição relacionada ao tráfego de veículos durante uma atividade física possa suprimir as melhorias na saúde induzidas por sua prática, os impactos da poluição no desempenho em esportes de longa duração em indivíduos treinados tem sido negligenciado na literatura atual. Portanto, o objetivo do presente estudo foi analisar os efeitos da poluição do ar relacionada ao tráfego nas respostas inflamatórias e fisiológicas, assim como, no desempenho de ciclistas treinados durante um contrarrelógio de ciclismo de 50 km (50km CR). Foram recrutados 10 ciclistas do sexo masculino, classificados como treinados recreativamente. Estes realizaram um 50km CR em duas condições ambientais: I) ambiente com poluição do ar relacionada ao tráfego de veículos; II) ambiente com ar filtrado, sendo estes, realizados em uma ordem contrabalançada. Amostras de sangue foram obtidas nos momentos pré e pós 50km CR para mensuração de marcadores inflamatórios circulantes e análise dos gases sanguíneos. Avaliação da percepção subjetiva de esforço (PSE), frequência cardíaca (FC) e potência (PO) foram medidos ao longo 50km CR. Marcadores pró-inflamatórios (i.e., interleucina-6, IL-6 e Proteína C-reativa PCR) e anti-inflamatórios (i.e., interleucina-10, IL-10) não foram alterados entre as condições experimentais (P > 0,05). No entanto, a poluição induziu maior aumento dos níveis de Brain-derived neurotrophic factor (BDNF) e maior diminuição de ICAM-1 pós-exercício (P < 0,05), quando comparado com o ar filtrado (P > 0,05). A PSE, HR, PO e tempo para completar o 50km CR não foram diferentes entre as condições ambientais (P > 0,05). Esses achados sugerem que os impactos negativos da poluição do ar nos parâmetros inflamatórios, fisiológicos e de desempenho não ocorrem em indivíduos treinados ao realizar um exercício prolongado (i.e., 50km CR) em um ambiente poluído, o qual mimetiza uma condição real de poluição do ar relacionada ao tráfego de veículos
2022
André Casanova Silveira
O efeito do treinamento aeróbio associado à restrição do fluxo sanguíneo na capacidade aeróbia, força máxima e desempenho em ciclistas treinados
A associação do treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) ao treinamento aeróbio submáximo de longa duração tem sido a estratégia mais utilizada para aumentar o desempenho físico-esportivo de ciclistas treinados. Contudo, a prescrição do HIIT deve ser realizada de forma cuidadosa a fim de evitar problemas associados ao overtraining. Por esta razão, criar e/ou adaptar uma estratégia de treinamento que gere adaptações fisiológicas semelhantes ao HIIT, mas que utilize baixa intensidade e que possa ser usada por longos períodos é necessário. Assim, o treinamento aeróbio associado à restrição do fluxo sanguíneo (TA+RFS) pode ser uma solução viável; todavia, até o presente momento, o TA+RFS não foi investigado em ciclistas treinados. Portanto, o objetivo deste estudo foi investigar e comparar os efeitos do TA+RFS e do HIIT na capacidade aeróbia, força máxima e desempenho em ciclistas treinados. Para tanto, 25 ciclistas do sexo masculino (18-45 anos, >= 3 anos de treinamento) integraram os grupos; TA+RFS (n = 9), HIIT (n = 8;) e controle (CON; n = 8). Pré e pós-treinamento (nove semanas, 2x/semana) os seguintes testes foram realizados; contrarrelógio de 20km (CR20km), teste incremental máximo (TIM - [consumo de oxigênio de pico (VO2pico)], [potência mecânica de pico (Wpico)], [potência mecânica correspondente aos primeiro e segundo limiares ventilatórios (WLV1, WLV2, respectivamente]), economia de ciclismo (EC) em 150W e 200W, teste de tempo limite (Tlim), contração voluntária isométrica máxima (CVIM) e força dinâmica máxima (1RM) do membro inferior, além da mensuração da área de secção transversa (AST) dos músculos vasto lateral (ASTVL) e reto femoral (ASTRF). Após o treinamento, não houve diferença significante do desempenho no CR20km entre os grupos TA+RFS e HIIT (p>0,05). Todavia, o grupo HIIT melhorou o desempenho significantemente comparado ao grupo CON, reduzindo o tempo (-1,3 ± 3,6%; 2,8 ± 3,5%, respectivamente, p<0,05) e aumentando a potência média (5,5 ± 7,6%; -5,1 ± 8,0%, respectivamente, p<0,05). Por outro lado, ambos os grupos TA+RFS e HIIT aumentaram significantemente a Wpico (7,3 ± 5,4% e 7,9 ± 5,0%, respectivamente) e as WLV1 (10,6 ± 8,2 e 9,1 ± 5,6, respectivamente) e WLV2 (5,9 ± 4,7 e 11,1 ± 6,8, respectivamente) comparados ao grupo CON (-5,4 ± 3,6%; -4,8 ± 4,9 e -3,1 ± 6,4, respectivamente, p<0,01). Com relação as variáveis VO2pico, desempenho no Tlim, EC, CVIM e 1RM, nenhuma diferença estatisticamente significante foi observada entre todos os grupos (p>0,05). Já para a ASTVL, aumento significante ocorreu no grupo TA+RFS comparado ao CON (2,42 ± 1,3%, -0,04 ± 1,4%, respectivamente) (p<0,01). Por outro lado, não houve diferença significante entre todos os grupos para a ASTRF (p>0,05). Podemos concluir que o TA+RFS pode ser utilizado como estratégia adicional aos ciclistas treinados, melhorando o desempenho físico semelhante ao HIIT, e ainda concomitantemente gerando o aumento da massa muscular (ASTVL). Contudo, é importante destacar que o treinamento de HIIT ainda parece ser a melhor estratégia para aumentar o desempenho esportivo no CR20km, provavelmente pela sua especificidade em simular a alta intensidade imposta pelo ambiente competitivo.
2020
Fabiano Aparecido Pinheiro
Efeitos do treinamento físico aeróbio sobre a regulação dos microRNAs no tumor do câncer de cólon
O treinamento físico aeróbio reduz a incidência de diversos tipos de câncer humano e atenua o crescimento tumoral e a metástase em diferentes modelos de câncer em animais. Entretanto, existe uma lacuna na literatura sobre os mecanismos moleculares pelos quais treinamento físico aeróbio reduz o crescimento tumoral. MicroRNAs são frequentemente encontrados desregulados em tumores de cólon, e sua desregulação está associada com a progressão tumoral e pior prognóstico do paciente. Entretanto, é desconhecido se o treinamento físico aeróbio modula os microRNAs tumorais desregulados, promovendo atenuação do crescimento tumoral. Aqui, nós observamos que o treinamento físico reduziu o crescimento tumoral do câncer de cólon CT26 e MC38, reduziu o consumo de exossomos derivados das células CT26 pelas regiões metastática, reduziu a metástase pulmonar e aumentou a sobrevida dos animais. Mais importante, os efeitos do treinamento físico sobre a redução do crescimento tumoral também foi observado em camundongos imunodeficientes NUDE. Tanto o fragmentos tumoral CT26 quanto as células CT26 primárias provenientes dos camundongos treinados apresentaram um menor crescimento tumoral em comparação aos fragmentos tumorais e células CT26 primárias provenientes dos camundongos sedentários. Além disso, nós encontramos que o treinamento físico reduziu os efeitos sistêmicos induzidos pelo tumor CT26, com a redução da esplenomegalia, atenuação do aumento da massa do fígado e atenuação da perda de massa do gastrocnêmio. Mecanisticamente, o treinamento físico reduziu globalmente a expressão dos microRNAs nos tumores CT26. Esses resultados foram acompanhados por uma redução nos níveis de expressão de Dicer e Xpo5 nos tumores e nas células CT26 primárias. Por fim, nós observamos que menores níveis de expressão de Dicer e, em menor magnitude, de Xpo5 nos tumores de pacientes com câncer de cólon estão associado com uma maior sobrevida
Identificação de um perfil poligênico associado a respostas ao treinamento de força
O treinamento de força (TF) e suas implicações sobre a saúde e desempenho físico têm recebido bastante atenção da comunidade científica nas últimas décadas. Estudos tem demonstrando com bastante consistência que as adaptações provenientes do TF são influenciadas pelo conjunto de fatores ambientais e genéticos, mais especificamente de polimorfismo candidatos. Acredita-se que, devido a característica complexa do fenótipo em resposta ao TF se faz necessário e estabelecer modelos poligênicos que possam explicar, pelo menos em parte, a variação em resposta ao TF. Diante disso, o objetivo do presente estudo foi de identificar um modelo de perfil poligênico que esteja associado as respostas ao TF. Para tanto foram selecionados 100 voluntários, fisicamente ativos, sem histórico de experiencia em treinamento de força. Eles realizaram 8 semanas de treinamento de força, duas vezes por semana para membros inferiores e foram avaliados para a força dinâmica máxima, área de secção transversa (AST) do músculo vasto lateral, extração de DNA e genotipagem. Foram inicialmente selecionados 7 polimorfismos com relevância e associação para com as respostas ao TF e elaborados dois modelos de regressão múltipla, uma para as repostas da força muscular e outro para as respostas da AST. Entre os resultados, foram constatados ganhos na força muscular com valores entre 5 a 120% e para o aumento na AST com valores entre 3,37 a 38,04%. O modelo poligênico identificado para os ganhos na força muscular é composto por 4 polimorfismos (ECA, ACTN3, IL-6 e PPARA) e apresenta uma capacidade de predição de 47 % (p < 0,001). O modelo poligênico para os ganhos na AST apresenta 2 polimorfismos (ECA e ACTN3) e tem uma capacidade de predição de 22 % (p < 0,001). Dessa forma, conclui-se que os modelos poligênicos do presente trabalho apresentam uma significante capacidade de predição das respostas ao TF
2021
Salomão Bueno de Camargo Silva
Efeito da suplementação de probióticos sobre parâmetros imunológicos e de permeabilidade intestinal em corredores após uma maratona
Em modalidades esportivas de longa duração como, corrida, ciclismo e triátlon é frequente o aparecimento de sintomas gastrintestinais, aumento da permeabilidade intestinal e endotoxemia além da depressão da atividade do sistema imunológico. Estudos realizados com em atletas de endurance indicam que a ingestão diária de probióticos pode resultar na diminuição da severidade de sintomas gastrointestinais e infecções do trato respiratório superior, no entanto não existe um consenso sobre quais as espécies, dose e período de utilização necessária para se obter o resultado positivo, os estudos não verificaram a função das células do sistema imunológico ou não acompanharam o que ocorre com os parâmetros avaliados dias após a competição. A partir do exposto o objetivo do presente estudo foi verificar se a suplementação de probióticos altera os parâmetros da resposta imunológica inata e de permeabilidade intestinal após uma maratona. Para isso foi realizado um estudo duplo cedo randomizado, no qual foram selecionados 27 atletas amadores de corrida (sexo masculino), com experiência prévia em maratonas. Os sujeitos foram randomizados de forma aleatória em 2 grupos: Placebo (n=13) e suplementação (n=14) o grupo probiótico fez a utilização de sachês (1/dia) contendo 10x109 Unidades Formadoras de Colônia (UFC) de Lactobacillus acidophilus, e 10x109 (UFC) de Bifidobacterium lactis durante 30 dias, enquanto o grupo placebo utilizou sachês contendo 5g de maltodextrina. Foram realizadas coletas de sangue, saliva e fezes no momento basal, após o período de suplementação, logo após a realização de uma corrida de maratona e 5 dias após a prova. Os dados foram analisados com auxilio de um software SAS® comparando os diferentes grupos, utilizando análise de variância Teste-T para amostras independentes ou Modelo Misto GSM (com \'grupo\' e \'tempo\' como fatores) quando necessário. Para todas as análises, o nível de significância adotado foi de p<=0,05 e apresentados em média ±Desvio Padrão (DP). A suplementação com a combinação de Probióticos Lactobacillus acidophilus (10x109) UFC + Bifidobacterium lactis (10x109) UFC durante período de 30 dias não causou alterações na atividade de neutrófilos ou sobre o perfil de citocinas plasmáticas, foi capaz de alterar o perfil de alfa-1 anti-tripsina (proteína relacionada a permeabilidade intestinal), diminuir os valores de lipopolisacarideo após a realização de uma corrida de maratona e induzir modificações especificas na composição da microbiota intestinal de maratonistas
2021
Geovana Silva Fogaça Leite
Suplementação de bicarbonato de sódio e desempenho em exercício intermitentede alta intensidade: consistência dos efeitos e estratégias de otimização
A suplementação de bicarbonato de sódio (BS) tem se mostrado uma estratégia nutricional para melhorar o desempenho físico durante exercícios de alta intensidade, embora esteja associada a vários efeitos colaterais (EC). É necessário suplementar altas quantidades de BS, já que parte do BS é perdido no estômago causando desconforto. Além disso, pesquisas mostraram grande variação interindividual no tempo até o pico de concentração de bicarbonato no sangue (Tmax). A suplementação de SB ainda pode ser uma estratégia para aumentar o desempenho em condições de hipóxia, onde se observa acidose muscular aumenta. A pesquisa teve três objetivos: Estudo A avaliou a ingestão de BS, via cápsulas gastrorresistentes, sobre o pH e bicarbonato sanguíneo e EC, bem como a reprodutibilidade da resposta do bicarbonato sanguíneo em três sessões distintas; Estudo B avaliou a suplementação de BS em comprimidos gastrorresistentes sobre o pH e bicarbonato sanguíneo e EC; e Estudo C avaliou os efeitos da suplementação de BS sobre desempenho físico, variáveis sanguíneas e EC em condições de normóxia e hipóxia. No Estudo A Parte I analisamos a farmacocinética do pH e bicarbonato sanguíneo e EC por 4 h após a suplementação de 0.1 e 0.3 g·kg \'MENOS\' 1 de BS, comparando cápsulas gastrorresistentes com gelatinosas. Na parte II avaliamos a consistência dessas respostas sanguíneas da farmacocinética após 0.3 g·kg \'MENOS\' 1 MC de BS em três ocasiões separadas. Na parte III, investigamos as respostas farmacocinéticas a suplementação de BS em um indivíduo pós-cirurgia bariátrica. O Estudo B analisamos a farmacocinética do pH e bicarbonato sanguíneo e EC por 6 h após a suplementação de 0.1 e 0.3 g·kg \'MENOS\' 1 de BS, comparando suplementação em solução, cápsulas gelatinosas e comprimidos gastrorresistentes. O estudo C suplementamos os voluntários com placebo ou 0.3 g·kg \'MENOS\' 1 de BS e após 90 min testamos o desempenho em 3 séries do teste de Wingate em condições de hipóxia e normóxia, também foi avaliado os EC. Os resultados mostraram que não houve diferenças nas variáveis sanguíneas e EC medidos entre os tipos de cápsulas, apenas entre as doses (A - parte I). A reprodutibilidade foi moderada no nível do grupo e pobre no nível individual, e o Tmax não foi reprodutível nas três sessões. No entanto, foi mostrada uma janela de potencial ergogênico de \'APROXIMADAMENTE\' 3h (A - parte II). Aumentos no bicarbonato sanguíneo em um indivíduo pós cirurgia bariátrica foram mais altos comparado com normais (A - parte III). Os aumentos de pH e bicarbonato sanguíneos foram menores com a suplementação dos comprimidos gastrorresistentes comparado com cápsulas gelatinosas e solução, sem diferenças em EC (Estudo B). A suplementação BS mostrou efeito ergogênico sobre o desempenho apenas na normóxia, a hipóxia aumentou a percepção de EC com a suplementação (Estudo C). Conclui-se que a não houve nenhum tipo de vantagem em fazer a suplementação de BS via cápsulas ou comprimidos gastrorresistentes. A farmacocinética da suplementação não é reprodutível a nível intraindividual e interindividual, mas há uma janela de potencial ergogênico de longa duração. A suplementação não melhorou o desempenho no teste físico intermitente de Wingate em hipóxia, talvez devido ao aumento da incidência de efeitos colaterais
2021
Luana Farias de Oliveira
Efeitos da suplementação de HMB-AL e HMB-Ca sobre as respostas de força e hipertrofia musculares em indivíduos treinados submetidos a treinamento de força
Inúmeras estratégias que promovam aumento de força e hipertrofia musculares vêm sendo estudadas, com destaque para a suplementação de HMB (beta-hidroxi-beta-metilbutirato). Ainda que possua literatura controversa na área, um grupo de pesquisadores publicou nos últimos anos dois estudos com desenho experimental semelhante (randomizado, duplo-cego, controlado por placebo) em que sujeitos previamente treinados em força eram submetidos a doze semanas de treinamento de força suplementando com HMB-AL ou placebo. Após período de treinamento associado à suplementação, o grupo HMB apresentou ganhos expressivos de força e massa muscular. Parte das explicações para resposta de tamanha magnitude é o tipo de suplemento utilizado, nesse caso, HMB em forma de ácido livre (HMB-AL) e não em forma de sal de Cálcio (HMB-Ca), utilizado na maioria dos estudos. Por conta disso, o objetivo do projeto foi comparar as respostas de força e hipertrofia musculares de sujeitos treinados suplementados com HMB-AL, HMB-Ca ou placebo submetidos a um programa de treinamento de força. 45 sujeitos treinados em força fizeram parte do estudo, eles foram randomizados em 3 grupos: grupo que tomou 3g HMB-AL, 3g de HMB-Ca e 3g placebo. Todos foram submetidos a um programa de treinamento de 12 semanas, onde eram realizadas 2 sessões por semana. O período de suplementação correspondeu às 12 semanas de treino. Antes e após intervenção, os atletas foram submetidos a testes de força dinâmica máxima, contração voluntária máxima, composição corporal (DXA) e área de secção transversa (ultrassom). O grupo suplementado com HMB-AL teve uma tendência a otimização de ganhos em massa muscular, quando comparado ao grupo HMB-Ca (p=0,09). Quando comparado ao grupo placebo, esse valor atingiu significância (p=0,03), ou seja, o suplemento foi capaz de otimizar o ganho de massa magra em indivíduos treinados. Adicionalmente, o grupo HMB-AL também aumentou mais a carga total de treino, no exercício leg press, quando comparado ao grupo HMB-Ca (p=0,02) e placebo (p=0,03). Todos os grupos ganharam força no exercício de supino de forma similar e o aumento da contração voluntária máxima, também foi similar entre os grupos, não tendo efeito adicional do suplemento. Possivelmente, o HMB-AL tenha algum efeito positivo em otimizar as respostas de hipertrofia e força muscular, ainda que marginal, em indivíduos treinados em força, submetidos a 12 semanas de treino de força
2018
Aline Cristina Capparelli Tritto
Potencial terapêutico da inibição do microRNA-34c-3p: desvendando reguladores moleculares através do treinamento físico aeróbio
Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil. Em contraste a esse cenário, o treinamento físico aeróbio (TFA) figura como importante ferramenta de combate a esse quadro, atuando, dentre diversos mecanismos, na expressão de microRNAs (miRNA) e na hipertrofia cardíaca (HC). Nesse sentido, seria o TFA capaz de reduzir expressão do miR-34c-3p em cardiopatologias, gerando melhora aos danos causados? Na tentativa de elucidar essa lacuna, ratos Wistar machos (2 meses) passaram por oclusão da coronária gerando infarto do miocárdio (IMS; IMT) ou indução de diabetes tipo I por STZ (DS;DT: 45mg/kg). Após a verificação do dano, estes foram submetidos a TFA (10 sem), e os ventrículos esquerdos (VE) foram dissecados a posteriori. Ao analisar a expressão gênica por RT-PCR, o TFA diminuiu (39%; p<0,02) a expressão do miRNA-34c-3p no VE de IMT vs. IMS. Em consonância, houve diminuição (27%; p<0,04) do miRNA em DT vs. DS. Investigando o potencial terapêutico dessa inibição, ao proceder análise in vitro em cultura primária de cardiomiócitos tratados com inibidor do miRNA (amiR-34c-3p), houve diminuição de sua expressão em 71% (50nM; p<0,01) vs. grupo controle (C), enquanto houve aumento de 41000% (50nM; p<0,01) entre o superexpressor (mmiR) e C. Analisando os marcadores de HC patológica entre amiR e C, verificou-se redução na a-actina esquelética (6,1%;p<0,02), aumento no ANF (84,4%; p<0,05) e redução na b-MHC (66%; p<0,007), demonstrando HC fisiológica em cardiomiócitos tratados com amiR. Buscando alvos do miR-34c-3p responsáveis por essas alterações, analisou-se o eIF4E, último fator iniciador de tradução ativado por via não canônica da PI3K-AKTmTOR. Sua direta ativação pode representar importante avanço na busca por terapias que induzam a HC fisiológica. O amiR aumentou o eIF4E (64%; p<0,003), com validação por diminuição da atividade da luciferase (48%; p<0,02) através de ensaio com vetor 3\'UTR do gene e miR-34c-3p. Outro alvo predito analisado, o KLF11, tem homologia com gene da insulina e pode estar relacionado com melhora metabólica do VE. O tratamento com amiR aumentou (192%; p<0,006) a expressão gênica do KLF11, validado com redução de 55% na atividade da luciferase, e aumento da captação de glicose (13%; p<0,04). Com os dados expostos, o TFA foi eficiente em inibir a expressão do miR-34c-3p em VE de animais cardiopatas que, atuando em seus alvos agora validados, foi capaz de promover HC fisiológica e melhora metabólica em cardiomiócitos. Considerando os efeitos cardioprotetores da inibição desse miRNA, vislumbra-se o potencial terapêutico dessa inibição em paciente na perspectiva de atenuação de prejuízos causados por cardiopatias
Respostas cinemáticas e eletromiográficas durante suporte parcial de peso em indivíduos saudáveis
O suporte parcial de peso (SPP) define-se por algum grau de diminuição do peso corporal gerado por um aparato de suspensão, que acomoda as elevações e quedas corporais durante a realização da marcha em esteira. Trata-se de um método frequentemente indicado para indivíduos acometidos por disfunções do movimento, cujo programa de tratamento tenha como objetivo a diminuição da magnitude de cargas nos tecidos, gerando proteção articular e diminuição da dor. Contudo, ainda pouco se sabe sobre as reais repercussões geradas na marcha quando o suporte parcial de peso é utilizado. Desta forma, o presente trabalho teve como objetivo verificar o efeito da velocidade e do nível de suspensão corporal sobre variáveis cinemáticas e eletromiográficas de indivíduos saudáveis. Foram avaliados 49 sujeitos saudáveis, 18 do sexo feminino, 31 do sexo masculino, com idade de 28,7(±6,7), massa corporal de 76,9(±14,9) kg, altura de 173,3(±14,9) cm durante a realização de marcha em esteira sob 3 velocidades diferentes (2,0 Km/h, 4 km/h e velocidade auto selecionada), em 4 níveis de suspensão parcial de peso: 0%, 20%, 50% e 80%. Todos os voluntários passaram pelas 12 condições. Observou-se que, acima de 50% de sustentação em velocidades baixas e auto selecionadas, a cadência diminui gradativamente, e a porcentagem do tempo de balanço aumenta, com diminuição gradativa das amplitudes articulares e picos angulares de quadril, joelho e tornozelo. A atividade eletromiográfica também se mostrou diminuída em todas as fases da marcha para os músculos glúteo médio, reto femoral, vasto lateral, bíceps femoral, tibial anterior e gastrocnêmio lateral. Os resultados sugerem, portanto, que a suspensão influencia diretamente no comportamento da marcha de indivíduos saudáveis diminuindo a solicitação muscular e articular, e provavelmente, diminuindo a solicitação mecânica da tarefa, sem contudo alterar por demais as características principais, o que possibilita a utilização de tal estratégia para a proteção articular e o retorno precoce à locomoção, caso haja esta necessidade
2019
Pedro Luis Sampaio Miyashiro
Efeito da modulação aguda da concentração hormonal sistêmica, na regulação hormonal local e das células satélites em indivíduos treinados em força
Hormônios como a testosterona, a desidroepiandrosterona (DHEA), o cortisol e o hormônio do crescimento (GH) e fatores de crescimento, como o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), são agudamente liberados no sangue logo após sessões de exercício de força (EF). Esses hormônios e fatores de crescimento estão relacionados com a modulação de processos fisiológicos na célula muscular esquelética. Mais recentemente, pesquisadores evidenciaram a presença de enzimas esteroidogênicas, responsáveis por metabolizar o colesterol em diferentes hormônios esteroides, no interior da célula muscular. Isso possibilitaria às células musculares regularem a concentração hormonal intramuscular. Essa modulação intramuscular pode ser capaz de afetar diferentes processos fisiológicos nessas células, como a atividade das células satélites (CS). Contudo, o papel da modulação da concentração hormonal sérica induzida pelo EF em regular as concentrações intracelular de hormônios nas células musculares, regulando a atividade das CS ainda não é bem conhecido em humanos. Para investigar esse fenômeno, indivíduos treinados em força foram submetidos a duas diferentes sessões de EF com o objetivo de modular diferentemente as respostas hormonais séricas entre elas. Uma sessão (HH) que elevaria expressivamente as concentrações agudas séricas da testosterona total e livre, do DHEA, do cortisol, do GH, e do IGF-1, enquanto outra sessão não induziria elevações expressivas desses hormônios (LH). Indivíduos treinados foram escolhidos por apresentarem menor impacto de sessões de exercício de força na modulação de processos fisiológicos nas células musculares por serem mais acostumados às mesmas. Isso favorece relacionar os processos da modulação hormonal sistêmica e local com a possível regulação da atividade das CSs. As sessões de EF foram efetivas em modular agudamente as concentrações séricas da testosterona total, DHEA, GH e cortisol. Contudo, apenas o Cortisol foi elevado mais para sessão HH comparado com a sessão LH. Consequentemente, apenas o cortisol teve sua concentração diferentemente alterada nas células musculares, estando mais aumentado também após a sessão HH. A ausência de elevação na célula muscular de hormônios androgênicos foi suportada pela ausência de mudança na expressão gênica das enzimas esteroidogênicas como a 5α redutase e a 17β Hidroxiesteróide Desidrogenase. Interessantemente, a expressão gênica da miostatina e da miogenina aumentaram aproximadamente nove e quatro vezes, respectivamente, 72 horas após as sessões de EF. Por fim, possivelmente afetados pelos níveis de cortisol elevado na célula muscular, que pode ter favorecido um expressivo aumento de expressão gênica da miostatina, a quantidade de CS e consequentemente de mionúcleos não sofreram nenhum efeito das sessões de EF. Essa ausência de modulação da quantidade de CS ocorreu mesmo com o aumento da expressão da miogenina que poderia ter favorecido um processo de diferenciação das CS. Assim, é possível sugerir que quando o hormônio é elevado agudamente no sangue de forma expressiva como o cortisol, o mesmo afetará sua concentração na célula muscular. Esse aumento da concentração hormonal no músculo pode regular a atividade das CS, já que não foi observada a esperada mudança na quantidade de CS nas células musculares após as sessões de EF
Validade, reprodutibilidade, sensibilidade e construção de tabela normativa do frequency speed of kick test para o taekwondo
O objetivo do presente estudo foi estabelecer os critérios de autenticidade científica de validade, reprodutibilidade e a sensibilidade do FSKT10s e do FSKTmult para o taekwondo. O objetivo secundário foi construir uma tabela normativa para classificação do desempenho físico gerado no FSKT. O estudo foi conduzido em seis etapas, contendo amostras de praticantes ou atletas de diferentes níveis competitivos. Visando investigar a validade lógica do FSKT, foi apresentado um questionário para 94 sujeitos que tivessem alguma experiência com a modalidade. O objetivo do questionário foi conhecer a opinião a respeito do entendimento sobre as instruções, viabilidade de aplicação e predominância energética. Os participantes julgaram que o teste é \'fácil\' ou \'muito fácil de entender\', \'viável\' ou \'muito viável\' de aplicar e que ambos os testes medem predominantemente a condição anaeróbia. Quanto maior o grau de instrução, maior a frequência de resposta de que o FSKT10s é predominantemente anaeróbio, enquanto para o FSKTmult a maior frequência de resposta no grupo não graduado mede predominantemente a condição aeróbia e o grupo pós-graduado julgou que o teste mede predominantemente a condição anaeróbia. Na etapa seguinte 13 atletas de taekwondo do sexo masculino participaram em duas sessões experimentais para determinar a validade de critério entre a luta e o FSKT. Não foram encontradas associações entre as variáveis da luta e o FSKT. Não foram identificadas diferenças significantes para o lactato pico após FSKTmult e após luta, mas houve diferença estatística entre a luta e o FSKT10s. O objetivo seguinte foi determinar a validade de constructo. Foram avaliados 153 homens agrupados em não competidores (n= 53), competidores de nível regional/estadual (n= 55) e de nível internacional/nacional (n= 45) e 42 mulheres agrupadas em competidoras de nível regional/estadual (n= 21) e de nível internacional/nacional (n= 21). Houve superioridade dos competidores de nível nacional/internacional em comparação aos não competidores. As competidoras de nível regional/estadual diferiram do grupo de nível nacional/internacional. A etapa seguinte foi conduzida com 14 atletas para determinar a reprodutibilidade relativa e absoluta do FSKT em teste e reteste. Para a reprodutibilidade relativa foram observados valores de CCI entre 0,63 e 0,95. O EPM ficou entre 0,60 e 3,99 enquanto o SWC0,6 ficou entre 0,73 e 4,83 para as diferentes séries do FSKT. Na etapa seguinte foi determinada a sensibilidade do FSKT de 8 atletas após nove semanas de treinamento de taekwondo e de força/potência muscular. Foi observada melhora do desempenho gerado em todas as variáveis analisadas, exceto para o índice de decréscimo de chutes (IDC). Por fim, 115 homens e 70 mulheres praticantes/atletas familiarizados com o FSKT executaram cada teste uma vez. Após análise dos dados foi elaborada a tabela com cinco escalas (classificação, percentil: muito bom, >=95; bom, >75; regular, 25-75; ruim, <25; muito ruim, <=5) para as seguintes variáveis FSKT10S, FSKTmult (séries 1-5) e IDC. A conclusão é que o FSKT pode ser uma ferramenta utilizada por técnicos e treinadores visando medir o desempenho físico. Diferentes critérios de autenticidade científica foram apresentados no presente estudo, o que ajudará a tomar decisões mais confiáveis quando de sua aplicação. Também será possível classificar o desempenho dos praticantes/atletas via tabela normativa
2018
Jonatas Ferreira da Silva Santos
Efeito do treinamento de força em associação à suplementação de proteína e creatina sobre a composição corporal, força e funcionalidade de idosos frágeis e pré-frágeis
CAPITANI, MD. Efeito do treinamento de força em associação à suplementação de proteína e creatina sobre a composição corporal, força e funcionalidade de idosos frágeis e pré-frágeis; 2018; 65p.; Dissertação (Mestre em Ciências) - Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo. 2018. O envelhecimento é acompanhado de alterações negativas sobre a composição corporal e funcionalidade do indivíduo. Denominado sarcopenia, esse quadro pode ser mais ou menos acentuado e pode levar o idoso à fragilidade, uma condição de alto risco de desfechos adversos como quedas, hospitalizações e, até mesmo, óbito. O exercício físico, em particular o treinamento de força (TF), tem sido recomendado para induzir ganhos de força, massa muscular e funcionalidade em idosos. A fim de somar forças para contra-atacar a sarcopenia e maximizar a resposta do idoso frente à resistência anabólica, a associação de intervenções alimentares como a suplementação de proteína e creatina (Cr) tem se mostrado promissora. O presente estudo teve por objetivo avaliar os efeitos do TF em associação à suplementação de Cr e proteína sobre a composição corporal, força, funcionalidade, qualidade de vida, parâmetros bioquímicos e função renal de idosos frágeis e pré-frágeis. Os idosos incluídos no estudo (72,4 ± 6,2 anos; 27,5 ± 5,0 kg/m² de IMC; 84% bem nutridos) eram predominantemente pré-frágeis e foram alocados nos grupos experimentais a receber as seguintes suplementações: W (2x 15g whey protein; n=22), Cr (2x 15g placebo + 2x 3g creatina; n=22), P (2x 15g placebo; n=22), WCr (2x 15g whey protein + 2x 3g creatina). Durante 16 semanas todos os grupos realizaram TF (50-70% 1RM)2 vezes por semana e consumiram a suplementação diariamente. O consumo de proteína não era diferente entre os grupos antes da suplementação (0,81-0,97g/kg/dia; p>0,05). Foram avaliados força dinâmica (1RM \'leg-press\' e supino) e isométrica (\'handgrip\', pico de força isométrica -PFI e taxa de desenvolvimento de força - TDF), funcionalidade (\'timedup-and-go\', \'timed stands\' e equilíbrio), composição corporal (gordura corporal, massa magra corporal e apendicular, área de secção transversa - AST do reto femoral e vasto lateral), qualidade de vida, parâmetros bioquímicos e função renal por clearance de 51Cr-EDTA. O TF, independente do suplemento ingerido, resultou em ganhos de força (27,5% no 1RM leg-press; 23,6% no 1RM supino; 8,2% no PFI; 12,4% na TDF; p<0,0001), melhora da funcionalidade (\'timed stands\', p<0,0001), aumento da massa magra corporal e apendicular (1,6% e 2,4% respectivamente; p<0,0001), aumento da AST do reto femoral e vasto lateral (1,0% e 5,2% respectivamente; p<0,0001) e melhores índices da qualidade de vida (p<0,02). As taxas de filtração glomerular e parâmetros bioquímicos não apresentaram diferenças significativas ao longo do tempo (p>0,05), exceto o Col-HDL, que aumentou em média 1,85mg/dL (p=0,05). Como conclusão, para essa amostra de idosos predominantemente pré-frágeis, sem risco nutricional, e com um consumo de proteína acima do que recomenda a RDA, o treino foi eficaz em aumentar força, massa muscular, melhorar a funcionalidade e qualidade de vida, sem efeito adicional da suplementação de proteína e/ou creatina e sem efeito deletério da suplementação sobre a função renal
2018
Mariana Dutilh de Capitani
Controle neurovascular em repouso e durante o exercício em indivíduos com diferentes níveis de pressão arterial: papel dos quimiorreceptores periféricos
INTRODUÇÃO: A hipertensão arterial tem sido associada à hipersensibilidade quimiorreflexa arterial. A consequência dessa disfunção autonômica nessa população é a ativação simpática e vasoconstrição. De fato, a atividade nervosa simpática está aumentada e o fluxo sanguíneo muscular diminuído, em repouso e durante manobras fisiológicas como o exercício, em pacientes hipertensos. Contudo, o papel dos quimiorreceptores periféricos na resposta neurovascular durante o exercício não tem sido investigado nesses pacientes. OBJETIVO: Avaliar a influência dos quimiorreceptores periféricos no controle neurovascular da atividade nervosa simpática muscular (ANSM), condutância vascular no antebraço e pressão arterial em repouso, durante o exercício e a oclusão circulatória em pacientes com hipertensão arterial. MÉTODOS: Vinte e cinco sujeitos, na faixa etária entre 25 e 60 anos, sedentários, com índice de massa corporal menor que 30kg/m2 e não engajados em tratamento farmacológico participaram do estudo. Os participantes foram divididos em dois grupos, de acordo com o nível de pressão arterial clínica e classificados como hipertensos ou normotensos. Foram avaliados a ANSM (microneurografia), o fluxo sanguíneo muscular (pletismografia de oclusão venosa), a pressão arterial (oscilométrica), a frequência cardíaca (eletrocardiograma) e respiratória (cinta piezoelétrica) e a saturação de pulso de oxigênio (oxímetro). Todas as avaliações foram realizadas em repouso, durante o exercício de preensão de mão (30% da contração voluntária máxima) e durante a oclusão circulatória pós-exercício, em condições de normóxia (inalação de níveis ambientes com 21% de oxigênio) e hiperóxia (manobra que desativa os quimiorreceptores arteriais através da inalação da concentração de 100% de oxigênio). Em repouso, também foram avaliadas a variabilidade da frequência cardíaca e da pressão arterial e o ganho do controle barorreflexo da frequência cardíaca. Foi considerada diferença significativa quando P<0,05. RESULTADOS: No repouso, a desativação dos quimiorreceptores periféricos diminuiu a ANSM (38±3 vs. 34±3 disparos/minuto, P=0,02), aumentou o fluxo sanguíneo muscular (2,2±0,3 vs. 2,4±0,3 ml/min/100ml, P=0,02) e tendeu a aumentar a condutância vascular do antebraço (P=0,06) nos pacientes hipertensos. Além disso, a desativação dos quimiorreceptores periféricos aumentou o ganho do controle barorreflexo da frequência cardíaca (8±2 vs. 10±2 ms/mmHg, P=0,03) nesses pacientes tornando-os semelhantes ao grupo normotenso, quando comparados em condição de hiperóxia. Durante o exercício físico, a desativação dos quimiorreceptores periféricos diminuiu a resposta da ANSM nos pacientes hipertensos (A.S.C.= 131±8 vs. 116±9 disparos, P=0,005). No entanto, nenhuma modificação significativa foi observada na condutância vascular do antebraço e na pressão arterial. Interessantemente, durante a oclusão circulatória, manobra que isola os metaborreceptores musculares, a desativação dos quimiorreceptores periféricos aumentou a ANSM no primeiro e segundo minuto de oclusão (?= -2±2 vs. 3±1 disparos/min; ?= -4±2 vs. 3±1 disparos/min, P(grupo)= 0,02). CONCLUSÃO: Em pacientes hipertensos, a desativação dos quimiorreceptores periféricos: 1- Diminui a ANSM e aumenta o fluxo sanguíneo muscular e o ganho do controle barorreflexo da frequência cardíaca em repouso; 2-Diminui a resposta da ANSM durante o exercício e; 3- Normaliza o controle metaborreflexo da ANSM. Analisados em conjunto, esses resultados demonstram a participação do mecanismo quimiorreflexo periférico no controle neurovascular não só em repouso, mas também, durante a manobra fisiológica de exercício nos pacientes hipertensos
2018
Graziela Amaro Vicente Ferreira Saraiva