Repositório RCAAP

A metapoesia na obra de Florbela Espanca e Cecília Meireles

Nesta tese de doutoramento, estudaremos a metalinguagem poética de Florbela Espanca e Cecília Meireles que vai compor o discurso de ambas. Considerando a reflexão sobre a criação poética a partir de Aristóteles, tomaremos sua Poética para observar a variação conceitual que se processou até hoje. Verificaremos como em Florbela Espanca e em Cecília Meireles se incorpora tal conceito à luz da perspectiva de poetas modernos como Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé. Deste modo, tanto Florbela quanto Cecília levantam problemas de linguagem ou de produção literária na poesia, conforme postulou Jakobson em Lingüística e poética, levando-se em conta, também, a capacidade decodificadora do receptor na esteira de Terry Eagleton. Procuraremos mostrar como se revela, na obra das poetisas, o discurso feminino, que, na busca empreendida pela mulher, ao encalço de sua própria imagem e de seu lugar no mundo, se implicita a compreensão do fazer poético.

Ano

2007

Creators

Silvia Helena Miguel Trevisan

Um estudo da temporalidade nos romances: O amanuense Belmiro e Para sempre

O objetivo deste trabalho é, à luz da Literatura Comparada, tecer uma rede de vínculos entre os romances O Amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos, e Para Sempre, de Vergílio Ferreira, para cotejá-los, realçando suas semelhanças e dessemelhanças, e, conseqüentemente, compreendê-los melhor. Para isso, após breves considerações sobre determinados conceitos relativos à composição do romance, como enunciado e enunciação, narrador e narratário, o foco narrativo, o espaço e a personagem, centralizamos a discussão no conceito de tempo distinguindo três noções: tempo físico, tempo interior e tempo lingüístico, com destaque para as duas últimas e o utilizamos como eixo no estudo das obras, na intenção de verificar como os narradores-personagens vêem seu passado e vivem seu presente. No que tange ao tempo lingüístico, privilegiamos o estudo do uso dos verbos, dentre outras palavras temporais, a fim de verificarmos os efeitos de sentido nas escolhas dos dois autores; quanto ao tempo interior, que não é marcado pelo relógio, mas pela intensidade com que as personagens vivem diferentes momentos, enfatizamos o estudo da relação das personagens com o passado. Também, em virtude da clara diferença entre os tipos de romance analisados, destinamos considerável parte do trabalho ao estudo do gênero narrativo.

Ano

2007

Creators

Maristela Reggiani

Portugal, um país \"neutro\" perante a guerra: a desconstrução da propaganda salazarista em Fantasia Lusitana

António de Oliveira Salazar foi a figura central do Estado Novo português (1933-1974), responsável pelo estabelecimento de um governo antidemocrático, autoritário, que fez uso da censura, promoveu a tortura, e criou órgãos que disseminavam os valores do regime, tais como o SPN (Secretariado da Propaganda Nacional). Podemos dizer que a atuação da propaganda foi tão eficiente durante os longos anos de ditadura que não é incomum, nos dias atuais, encontrar parcelas da população portuguesa que reproduzem vários mitos criados ou disseminados durante o governo de Salazar, chegando mesmo a enaltecer a figura do ditador. Para uma melhor compreensão desse contexto, nosso objetivo é analisar o documentário Fantasia Lusitana (2010), de João Canijo (Porto, 1957), pois nele o realizador desconstrói a propaganda salazarista, produzida, sobretudo, durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Composto exclusivamente por material de arquivo, o documentário conjuga excertos de filmes, noticiários, canções, fotografias, documentos, jornais e revistas, produzidos ou chancelados pela SPAC (Sociedade Portuguesa de Actualidades Cinematográficas), bem como material de fontes independentes ou externas, portanto, não submetido ao crivo da censura. Neste segundo bloco, destacamos o registro fotográfico de refugiados estrangeiros que utilizaram Lisboa como rota de fuga da perseguição nazista, uma vez que Portugal havia adotado o status de neutralidade durante a guerra. Entretanto, o contraponto ao discurso oficial promovido pelo governo ditatorial se dá principalmente através das anotações de Alfred Döblin, Erika Mann e Antoine de Saint-Exupéry, três intelectuais famosos que, por meio de um olhar crítico e isento da influência da propaganda, registraram suas impressões sobre o Portugal salazarista enquanto fugiam da guerra. O contraste entre essas duas realidades se dá, sobretudo, por meio da criteriosa montagem em Fantasia Lusitana, capaz de transportar o espectador, muitas vezes de forma inesperada, tanto para o fantasioso mundo português criado pela propaganda estatal, quanto para a dura realidade imposta às vítimas e aos refugiados da guerra.

Ano

2018

Creators

Márcio Aurélio Recchia

O desencanto utópico ou o juízo final: um estudo comparado entre A costa dos murmúrios, de Lídia Jorge, e Ventos do apocalipse, de Paulina Chiziane.

Esta tese de doutoramento analisa a voz feminina que conta a guerra e as representações literárias possíveis, a partir de simbolizações de extermínio e ruptura no espaço da guerra em Moçambique. A análise será realizada por um viés comparatista, tendo em conta a circulação de repertórios literários que se realiza entre os países de língua oficial portuguesa e a perspectiva do comparatismo da solidariedade (Benjamin Abdala Junior), uma estratégia crítica para se relevar o comunitarismo cultural, de acordo com a linha de pesquisa literatura e sociedade nos países de língua portuguesa. Desta forma, buscaremos consolidar um pensamento crítico em torno da hipótese de investigação pela qual se efetiva na imagem literária a desconstrução de mitos sociais que têm sua história em termos sociais, destacando os respectivos aspectos históricos e a ascensão dos comunitarismos possíveis (de gênero, da língua, da cultura), por meio da análise comparativa dos romances A costa dos murmúrios, de Lídia Jorge (Lisboa, 1988) e Ventos do apocalipse, de Paulina Chiziane (Maputo, 1995).

Ano

2011

Creators

Debora Leite David

As formas do medo na literatura infantil e juvenil de língua portuguesa: da exemplaridade à busca de alternativas para a superação

Este trabalho visa a analisar algumas formas do medo na literatura infantil e juvenil de língua portuguesa, com base nos Estudos Comparados de Literatura. Para tal, serão utilizados conceitos como polifonia, dialogismo, intertextualidade e prática social, reveladores de mudanças na forma de se tratar o medo desde a utilização dos mitos, pelos povos primitivos, passando pela didática comportamental dos textos exemplares e culminando na pedagogia da superação em textos modernos. O tema revelou-se interessante para um trabalho de pesquisa, visto ser um ingrediente sempre presente na vida humana, desde a infância, quando as narrativas são de fundamental importância para a construção da alteridade na criança, assim como para revelar a realidade social na busca por transformação e liberdade. A escolha do corpus promoveu a divisão do estudo em duas etapas: a primeira, analisandose textos exemplares, constatando-se o medo como inibidor de comportamentos socialmente indesejáveis, com as obras Chapeuzinho Vermelho, conto de Charles Perrault, e A mãe canibal e seus filhos, conto popular africano adaptado por Júlio Emílio Braz; a segunda, estudando-se textos modernos, caracterizados pela busca do novo, incentivando a transgressão, cuja análise centra-se nas obras Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, O gato e o escuro, do moçambicano Mia Couto e O gatinho Nicolau, Chapeuzinho Vermelho e o Lobo, de Aurélio de Oliveira.

Ano

2011

Creators

Eleusa Jendiroba Guimarães

As marcas da violência: uma leitura de Estação das chuvas, de José Eduardo Agualusa, e Maio, mês de Maria, de Boaventura Cardoso

Esta dissertação analisa a temática da violência em dois romances angolanos contemporâneos, designadamente Estação das chuvas (1996), de José Eduardo Agualusa, e Maio, mês de Maria (1997), de Boaventura Cardoso. No primeiro caso, lançando mão de um procedimento metaficcional e de viés testemunhal, Agualusa retraça o percurso que vai da emergência do moderno movimento nacionalista nos princípios da década de 1950 ao reinício da longa e sangrenta guerra civil em 1992, tendo como clímax as repressões levadas a cabo pela direção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) contra os grupos contestatários de extrema-esquerda e contra as dissidências políticas pouco antes e logo após a independência. Ao passo que, no segundo caso, de maneira alegórica e fantástica, Cardoso recupera a vaga de terror vigilância, capturas, prisões, torturas e execuções sumárias desencadeada pela polícia política do regime monopartidário na sequência da tentativa de golpe de Estado de 27 de maio de 1977. Desse modo, através de uma leitura comparativa desses romances, procuramos interpretar e explicar em que medida, a despeito de suas diferenças, ambos os autores inscrevem a violência como motivo central de figuração, transformando as ruínas da memória social em matéria de criação e reflexão artística.

Ano

2012

Creators

Osvaldo Sebastião da Silva

Entre textos e contextos: a poesia e a crônica de Ana Paula Tavares

A leitura crítica da poesia e das crônicas de Ana Paula Tavares é conduzida nesta tese a partir das relações entre literatura e história, com especial atenção para a resposta expressiva da autora angolana às perspectivas e às vozes das mulheres situadas social, histórica e culturalmente. Nas crônicas e nos poemas analisados, esses pontos de articulação com a história se revelam pela forma como os signos da cultura, da vida, da sexualidade, da maternidade, da resistência e dos desafios impostos às mulheres pela matriz de dominação masculina, pelas guerras e pelas crises sociais são codificados em linguagem poética a partir da visão organizadora de uma autoracriadora inscrita nos textos. A trajetória desse olhar que se desenha na produção da autora e se reflete na forma como são expressas as vozes das mulheres é traçada por meio da leitura atenta dos livros de poemas Ritos de Passagem, O lago da lua, Dizes-me coisas amargas como frutos e Ex-votos, assim como das crônicas publicadas em A cabeça de Salomé.

Ano

2019

Creators

Rosana Baú Rabello

Africanidade: morte e ancestralidade em Ponciá Vicêncio e Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

O presente estudo analisa, numa perspectiva comparativa, as narrativas Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo e Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra de Mia Couto( António Emílio Leite Couto). A hipótese principal da pesquisa é a de que nos textos, cada qual ao seu modo, e compreendidos na esteira das produções culturais da diáspora negra, a morte e ancestralidade, motivos de nossas análises, figuram como temas emergentes de um contexto de ação transnacional da diáspora negra de tal modo que evidenciam as relações conflituosas e encenam os desejos utópicos dos racialmente sujeitados pela modernidade que voluntariamente adulteram, inclusive, os modos de representação literários. Para que se tornasse possível a realização do estudo contamos com os subsídios dos seguintes autores: Stuart Hall, Paul Gilroy, e Èdouard Glissant.

Ano

2010

Creators

Adriana de Cássia Moreira

Das invasões às fogueiras: os discursos excêntricos em Saramago e Pepetela.

Os romances Memorial do Convento, de José Saramago, e A gloriosa família: o tempo dos flamengos, de Pepetela, são considerados como novos romances históricos, cuja forma tem origem tanto na estrutura do romance histórico de matriz realista, teorizado por Lukács, quanto nos primeiros novos romances históricos criados em Cuba, por Alejo Carpentier, a partir de 1949, consideradas suas singulares diferenças em relação aos contextos de origem, pois confirmam diálogos com certos elementos da tradição dos romances produzidos em cada um de seus sistemas literários. Assim, por pertencerem a um subgênero que estabelece uma ruptura com o paradigma dos romances históricos produzidos no momento do Romantismo e do Realismo, essa nova forma apresenta características próprias, cujos discursos projetam tanto as ideologias dominantes de época quanto outras formas de pensamento, as quais asseguram um contradiscurso que percorre os textos, como enunciados secundários, articulados a partir de discursos primários. Os posicionamentos enunciativos, bem como a configuração de seus narradores revelam lugares sociais considerados excêntricos, assim como os discursos que veiculam em relação à história oficial, à qual procuram tanto parafrasear, estilizar quanto parodiar. E, algumas vezes, lidam com apropriações do texto histórico canônico, exatamente com o objetivo de subverter o sentido dessa escrita como um discurso bem sucedido das elites do tempo histórico-diegético, privilegiando a visão dos narradores e das personagens excêntricos. Dessa maneira, os discursos excêntricos possuem algumas temáticas que se alinham à história percebida como pesadelo, enfatizadas em ambos os romances e desveladas pelos implícitos e inferências, como a crítica aos Impérios e seus valores; crítica ao Monopólio e suas dinâmicas; à dominação de outros povos e grupos por meio da força bruta; ao caos existencial gerado pelas elites sobre as dinâmicas sócio-culturais dos grupos submetidos; à ideologia monódica, em confronto com outras formas culturais; aos prejuízos materiais e emocionais impostos pelas elites às classes subalternas: às desigualdades sociais como geradoras de exclusões, entre outras. Trazem implícitos, também, os discursos sobre a formação de identidades singulares pela constante mestiçagem ou pela exclusão racial ou social.

Ano

2010

Creators

Rosangela Manhas Mantolvani

Eugénio Tavares: retratos de Cabo Verde em prosa e poesia.

A leitura comparativa das produções em prosa e poesia que compõem a obra literária de Eugénio Tavares possibilita a compreensão da importância da participação dos escritores nativistas para a construção da nação Cabo Verde, da sua cultura e para a formação de sua série literária. Buscaremos nas produções jornalística e epistolar eugenianas traçar um panorama do contexto cabo-verdiano da virada do século dezenove para o vinte, destacando-lhes o propósito de denúncia das principais questões sociais, econômicas e políticas, assim como as aspirações libertárias que preocupavam os intelectuais cabo-verdianos da época. Na poesia, que ora se expressa em língua portuguesa, ora nas mornas em língua cabo-verdiana (crioulo), daremos ênfase a aspectos que fazem confluir a arte eugeniana para um ultrarromantismo tardio, de raiz lusa e, ao mesmo tempo, a estratégias que rasuram este estilo a partir de dentro, por meio de artifícios como a crítica e o humor carnavalizador. Quanto à morna, documento de registro da consciência coletiva, recorte de um patrimônio histórico, cultural e humanístico, submetida à mestria da pena de Eugénio Tavares, constituirá, além de uma marca identitária crioula, um dos marcos do lirismo literário cabo-verdiano. A opção de trabalhar com o cotejo de textos de diferentes gêneros manifesta a nossa tentativa de captar a riqueza com que Eugénio Tavares se apresenta e representa Cabo Verde em sua obra.

Ano

2010

Creators

Genivaldo Rodrigues Sobrinho

Emília, João sem medo e Marianinho: vozes críticas na literatura para juventude - Literatura e consciência social

Através da análise de obras de Literaturas de três países que falam a Língua Portuguesa (Brasil, Portugal e Moçambique), este trabalho tem como objetivo estudar a importância da Literatura na formação individual e social dos jovens, cujos temas estão inseridos no contexto histórico, sociopolítico e cultural. As obras selecionadas para o estudo são: A Chave do Tamanho, de Monteiro Lobato (Brasil); Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira (Portugal) e Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto (Moçambique). Três livros que, atentos à realidade social e apoiados em eventos históricos, (a Segunda Guerra Mundial, o Estado Novo de António Salazar e o pósindependência/ guerra civil de Moçambique), apresentam matéria literária sustentada no universo maravilhoso para discutir os momentos dos quais os autores foram testemunhas, propondo reflexões críticas para expressar visões de mundo transformadoras da realidade; leituras, que, além do prazer e emoção estéticos, contribuem na formação da consciência social e crítica do leitor/receptor.

Ano

2009

Creators

Rosane Aparecida da Silva

Por linhas e palavras: o projeto gráfico do livro infantil contemporâneo em Portugal e no Brasil

O trabalho que se apresenta tem por objetivo investigar a composição gráfica dos livros infantis. O corpus da pesquisa compreende as décadas de 1980 e 1990 e os primeiros anos do século XXI, em Portugal e no Brasil, a partir da seleção dos autores Manuela Bacelar (Portugal) e Roger Mello (Brasil). A escolha do corpus se justifica, pois ambos são, inicialmente, ilustradores para, em seguida, tornarem-se autores com dupla vocação, isto é, produtores de textos verbais e visuais. Além dessa característica, ambos desenvolveram uma produção literária voltada ao público infantil em que impera a diversidade de estratégias e relações entre sistemas semióticos, por exemplo: autores de livros de imagens, autoresilustradores de livros ilustrados e autores de livros-álbum. Essa última modalidade, em que há a integração dos textos verbal e visual, está no centro das discussões. A reflexão sobre o desenvolvimento desse gênero de texto à luz da Semiótica discursiva de linha francesa, a qual também fundamentará todas análises realizadas, compõe o primeiro capítulo deste trabalho de tese. Em seguida, abremse as portas para os livros infantis portugueses e o desenvolvimento do livro-álbum em Portugal, bem como serão realizadas análises minuciosas de três obras de Manuela Bacelar, a saber: O dinossauro (1990), A sereiazinha (1995) e Sebastião (2004). Cada uma das obras será abordada tendo em vista as diferentes relações entre palavra e imagem e a composição final em um projeto gráfico que deveria constituir um todo de sentido. Assim, as obras se diferenciam, pois O dinossauro é um livro-álbum, em que Bacelar é autora de dupla vocação; A sereiazinha é um livro-ilustrado, em que a autora portuguesa ilustra o clássico de Hans Christian Andersen e Sebastião exemplifica aquele gênero, em que, por meio de imagens, a artista plástica conta a história. No terceiro capítulo, o contexto brasileiro é colocado em foco e surge o trabalho em equipe, ou seja, uma equipe de profissionais é formada para criar o objeto-livro, e essa transforma-se em uma característica fundamental para a história do gênero livro-álbum no Brasil. Roger Mello é um autor bastante representativo dessa corrente artística e suas obras eleitas para análise se destacam pela produção em equipe e pela constituição de diferentes relações (ou grau de relações) entre palavra e imagem na composição do projeto gráfico. As seguintes obras serão analisadas com mais atenção: Jardins (2001) e Desertos (2006), texto verbal de Roseana Murray; Fita verde no cabelo: nova velha história (1992), em que Mello ilustra o conto de Guimarães Rosa e Vizinho, vizinha (2002), obra composta por uma equipe formada pelos artistas Mariana Massarani, Graça Lima e Roger Mello, e o último assina como autor do texto verbal. Finalmente, no quarto capítulo, é possível fazer um paralelo entre o contexto do livro-álbum e suas características nos cenários português e brasileiro, chegando a algumas invariantes, como a tendência ao traço pictórico em Portugal e ao grafismo no Brasil. Com isso, a partir de dois contextos particulares, vislumbra-se a importância do livro-álbum como um gênero cada vez mais presente no panorama da Literatura Infantil

Ano

2008

Creators

Mariana Cortez

Kazuo Wakabayashi: vida e obra de um artista imigrante

As produções artísticas do pintor Kazuo Wakabayshi podem ser divididas em duas etapas. A primeira é um conjunto de obras de tonalidade escura, de tom universal e sem qualquer indicação de sua origem étnica. A segunda fase, que se inicia por volta dos anos de 1980, consiste em obras de cores vibrantes, cujo detalhe apresenta elementos da cultura japonesa, tais como personagens do teatro kabuki, estampas da indumentária tradicional e outros elementos pertinentes àquela cultura. Apesar das notáveis diferenças entre as duas etapas, a elipse é a forma geométrica que sempre existiu na vida artística de Wakabayashi. O propósito da presente tese é trazer à tona o que está imerso nessas criações, primeiramente de natureza universal e, posteriormente, identitária. Acredito que a compreensão da arte desse artista imigrante poderá trazer respostas acerca da história de sua vida

Ano

2014

Creators

Maria Fusako Tomimatsu

A cidade e as serras, a ironia e o fin-de-siècle

Neste trabalho, iremos analisar o livro A cidade e as serras, de Eça de Queirós, mediante os discursos referentes às estéticas de fin-de-siècle, que se estabelecem na França entre os anos de 1880 e 1900. Tentaremos observar, como o autor aproveita-se dos discursos para construir a personagem de Jacinto e como os manipula ironicamente a fim de estabelecer sua visão crítica sobre o período. Além disso, pretendemos mostrar como Eça de Queirós observa a mudança de perspectiva que acontece no campo cultural francês, ou ainda, no mundo no fim do século XIX, isto é, de um ponto de vista positivista, passando pelo decadente e pessimist, para o idealista. Acreditamos que através da manipulação irônica desse quadro histórico e do horizonte discursivo e estético que constitui o imaginário do homem do fim do século, Eça de Queirós irá estabelecer uma versão mais refinada do realismo praticada em seus livros da última fase

Ano

2014

Creators

Daiane Cristina Pereira

José Luandino Vieira: Mémorias e guerras entrelaçadas com a escrita

Esta tese de doutorado, intitulada José Luandino Vieira: memória e guerras entrelaçadas com a escrita, propõe a leitura de três romances: Nós, os do Makulusu (1975), O livro dos rios (2006) e O livro dos guerrilheiros (2009), do angolano Luandino Vieira. As três narrativas produzidas nos fins do século XX e nos primeiros anos do século XXI encenam as transformações vivenciadas a partir do processo de colonização (guerra de libertação/independência de Angola), bem como o entrecruzamento da História/ficção (na apropriação e interpretação do passado), da memória e da escrita (individual e/ou coletiva) decorrentes desse momento. Portanto, através de uma leitura baseada nos pressupostos da literatura comparada, procuramos analisar a relação entre os três romances. Desse modo, esperamos mostrar como a ficcionalização da guerra de libertação evidencia as fissuras, perplexidades e profundas contradições internas de um país que viveu guerras sucessivas que só terminaram no ano de 2002, portanto em pleno século XXI

Ano

2014

Creators

Zoraide Portela Silva

Duas faces da malandragem: a figura do malandro nos contos \"A volta do marido pródigo\", de Guimarães Rosa, e \"Paulinho perna torta\", de João Antônio

O presente trabalho analisa a construção da personagem malandra em dois contos da literatura brasileira: A volta do marido pródigo (1946) de Guimarães Rosa e Paulinho Perna Torta (1965) de João Antônio. O foco da análise incide na representação, respectivamente, culturalista e histórica do malandro pelos seus protagonistas. A construção da personagem malandra nesses contos corresponde à redução estrutural dessa figura na sociedade, seja como um tipo cultural, que, ideologicamente, representa o tipo simpático e cordial do brasileiro, ou como figura histórica, que se transformou na figura marginal e violenta do narcotraficante.

Ano

2014

Creators

Thiago Moraes Fernandes Cruz

Luuanda e Texaco : espaços de resistência e subversão

Esse trabalho tem por objetivo analisar comparativamente o espaço nas obras Luuanda, do escritor angolano de língua portuguesa Luandino Vieira, e Texaco, do escritor martinicano de língua francesa Patrick Chamoiseau. Para esse fim, partimos do pressuposto que, como se pode observar a partir de seus títulos, os protagonistas das narrativas são os espaços: os musseques luandenses e a favela martinicana, chamada bairro Texaco. Eles configuram os tempos, os narradores, os personagens e os enredos. E configuram, sobretudo, uma linguagem literária que subverte as línguas dominantes o português e o francês incorporando aos textos as línguas dominadas: o quimbundo angolano e o crioulo martinicano. Vemos, portanto, a partir dos espaços analisados nas narrativas que a história oficial é contestada e reescrita pelos autores e, em seu lugar, temos as histórias dos vencidos que nunca se calaram, que resistiram às invasões, às dominações, às assimilações e procuram sobreviver. Verificamos, pois, que o modo de sobrevivência, nas obras, é pela ocupação e subversão dos espaços e pela subversão da forma de narrar.

Ano

2016

Creators

Marcia Rosa dos Santos Silva

Rui Knopfli e Manuel Alegre: de exílios e insílios, a poesia

A tese apresenta um estudo comparativo entre a obra poética do moçambicano Rui Knopfli (1932-1997) e a do português Manuel Alegre (1936-) a partir do conceito de \"escrita de si\" (M. Foucault, 1983). Acompanha e reflete sobre o percurso literário de ambos os autores, estabelecendo relações com suas experiências de conhecimento público e suas concepções quanto à literatura, política e pátria. Em suma, os sujeitos poéticos de Knopfli e Alegre, tais quais aqueles sujeitos históricos, manifestam-se como descentrados em relação a quaisquer discursos \"oficiais\", seja o mais restrito das Academias e da Crítica Literária, seja o mais amplo do Estado Novo português - e mesmo o de grupos políticos contrários a este, incluindo, no caso do escritor africano, o da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). São, portanto, vozes \"deslocadas\", de um eu \"insilado\". Todavia, tal sentido não se restringe ao figurativo: ambos os literatos, em sua realidade objetiva, ainda que em momentos alternados, foram marcados pela saída, traumática e por motivos políticos, de seu local original, de seu espaço, de sua pátria; conheceram de fato o exílio físico e, igualmente, transformaram tal experiência em matéria poética. Ao longo de seus percursos, sempre sob a sina de deslocados ou descentrados, a poesia de ambos revela-se igualmente ativa e repleta de caminhos e descaminhos bastante próximos - e, se a História e o mundo sensível vão ganhando ares de desilusão para aqueles homens, o discurso poético mostra-se como mais do que um meio para se denunciarem esteticamente a ditadura e a colonização portuguesas e a dor e o sofrimento dos envolvidos nas guerras coloniais/independentistas. A Poesia é também o espaço, processo e resultado para e de uma reflexão por parte do ser, constituindo essa sua discursivização como uma \"escrita de si\". Ademais, a Poesia, que por fim se torna a Pátria possível, ultrapassa os limites político-geográficos do território onde se encontram ou gostariam de se encontrar e, até mesmo e acima de tudo, os da morte, o exílio derradeiro da vida, sempre à espreita e que se (pré-)sente cada vez mais com a passagem do tempo.

Ano

2017

Creators

Kelly Mendes Lima

Espingardas e música clássica e Em Liberdade intertextos / intertempos (uma contextualização intertextual / paródica)

Este trabalho pretende comparar e analisar a intertextualidade e a paródia que se realizam nas obras Em Liberdade e Espingardas e Música Clássica, de Silviano Santiago, brasileiro, e de Alexandre Pinheiro Torres, português. Pretende, ainda, mostrar os aspectos históricos, políticos e culturais ocorridos em Portugal e no Brasil, e que estão presentes em ambos os discursos literários.

Ano

2005

Creators

Leila Maria Rodrigues Daibs Cabral

Camilo Castelo Branco e Joaquim Manuel de Macedo: convergências na ascensão do romance nas periferias do capitalismo

O objetivo deste trabalho é analisar a ficção de Camilo Castelo Branco e Joaquim Manuel de Macedo, escritores muito populares em Portugal e no Brasil, respectivamente, entre as décadas de 1840 e 1880, período em que publicaram suas expressivas produções, que englobam romances, contos, poemas e peças de teatro, que foram, de certa forma, obliteradas pela historiografia literária ao longo do século XX. A fim de abranger uma parte significativa de suas produções ficcionais, foram selecionadas obras que, num primeiro momento, poderiam representar os principais subgêneros do romance oitocentista: os romances sentimentais Amor de Perdição e A Moreninha; as narrativas de viagem Vinte Horas de Liteira e A Carteira de Meu Tio; as narrativas fantásticas O Esqueleto e A Luneta Mágica; os romances históricos O Demônio do Ouro e As Mulheres de Mantilha; e os romances (pré-) naturalistas O Senhor Ministro e As Vítimas-Algozes. A partir da leitura destas obras, é possível depreender aspectos convergentes entre os autores, como a subversão de algumas convenções romanescas, a quebra de expectativas de leitura e o desvio das temáticas recorrentes e dos procedimentos narrativos mais usuais no século XIX. Sendo assim, o estudo parte da hipótese de que, por terem sido protagonistas da ascensão do romance em Portugal e no Brasil, periferias do capitalismo na expressão utilizada por Roberto Schwarz , países que, além disso, partilhavam a mesma língua e um fundo cultural comum, esses escritores compartilharam contextos socioculturais, de certa forma, similares. Se por um lado, a fim de atender ao mercado consumidor, precisavam manter os laços com a literatura em voga, por outro procuravam distanciar-se dela, num movimento de adesão e repulsa aos modelos romanescos.

Ano

2013

Creators

Luciene Marie Pavanelo