Repositório RCAAP
O arbitrário cultural em democracias capitalistas: princípios de visão e divisão no campo das políticas de formação cultural
Trata-se de pesquisa sobre o arbitrário cultural em políticas de formação no desenvolvimento de democracias culturais. O estudo apresentou o contexto da formação nos debates que permearam a gestão Haddad na cidade de São Paulo, sobretudo na formulação do Plano Municipal de Cultura. Em seguida, realizou-se um estudo global sobre arranjos administrativos, diretrizes e programas em políticas públicas de educação artística e cultural em oito democracias capitalistas. Por fim, para elucidar os princípios que regem as diferentes visões e divisões do campo da formação, e de outras políticas que a margeiam, realizou-se uma revisão crítica da sociologia da cultura de Bourdieu, em sua crítica a Malraux, no período correspondente à gênese e superação do paradigma da democratização cultural na França
Pornochanchada: crítica, gênero e distinção cultural nos anos 1970
Este trabalho tem por objeto a pornochanchada ao longo dos anos 1970. Nele, procura-se descrever as condições de seu aparecimento e da sua conformação como gênero fílmico. Para tanto, estudou-se, sobretudo em São Paulo, o circuito de sua produção, exibição e recepção tendo como fontes testemunhos de época, material de propaganda como cartazes e releases, anúncios e críticas publicadas em jornais, reações de seu público e de censores que constam em pareceres de então. Assim, pretende-se compreender como a pornochanchada foi construída como categoria de percepção, a partir dos olhares de diversos atores sociais inseridos nesse campo, bem como entender como seu conceito se instrumentalizou no âmbito da crítica, convertendo-se em estratégia de distinção cultural. Ao final, como estudo de caso, analisou-se o filme História que nossas babás não contavam, de 1979, produzido por Aníbal Massaini Neto e dirigido por Oswaldo de Oliveira
2020
Mailson Vieira de Oliveira
Rap, Rupturas e Continuidades: Uma análise sobre a relação entre o Rap e a Mídia
Este trabalho apresenta uma análise sobre a difusão do rap no cenário cultural, a partir da influência de um dos principais mediadores culturais presentes nesse processo, a mídia hegemônica. Dessa maneira, buscou-se identificar as consequências desse fenômeno nos processos de produção, difusão e recepção cultural, a partir da análise da cobertura midiática sobre o rap e o hip-hop no Brasil, entre os anos 1980 e 2000. Partindo da premissa de que o rap figura como uma ferramenta de instrumentalização da luta pelo reconhecimento de direitos das minorias políticas, além de revelar uma linguagem estética relevante, que rompe com os padrões tradicionais de produção artística, a presente pesquisa foca no processo de mediação do rap pelo agente midiático, especificamente, a partir da veiculação de seu conteúdo no jornal Folha de S.Paulo, nas revistas Veja e BIZZ e na programação da emissora MTV. Considerando o fato de que o rap se constitui em uma expressão inovadora, tanto no campo cultural quanto social, durante a trajetória da pesquisa ficou evidente o seu apelo mercadológico e o crescente interesse com que a mídia acompanhou a evolução desse fenômeno. Considerando a aproximação da mídia à cena rap, foi possível verificar a influência exercida da primeira sobre a segunda, revelando as relações simbióticas e recíprocas entre as esferas de mediação, produção e de circulação no campo cultural. A análise também revelou que a abordagem da mídia tradicional sobre o rap mobiliza códigos que o associam a três perspectivas: moda, movimento e mercado. A alternância do predomínio de uma dessas abordagens se alinha às transformações sociais e à emergência de novos discursos que ecoam em um determinado contexto. Contudo, a partir da ocupação de um espaço definitivo do rap na mídia hegemônica e da consolidação de um mercado próprio, o rap passa a contar com uma nova frente dentro do movimento que se mobiliza a partir dos recursos materiais e simbólicos em voga para elaborar estratégias alternativas de produção, difusão e comercialização cultural.
2015
Jocimara Rodrigues de Sousa
Astrônomos e apóstolos: um estudo da cultura científica jesuítica entre os séculos XVII e XVIII
De meados do século XVI a meados do XVIII, a Companhia de Jesus foi, sob diversos aspectos, a ordem religiosa católica de maior influência no mundo. Seus milhares de membros, espalhados pela maior parte do planeta (junto com as outras forças do colonialismo europeu, ou mesmo antes delas), viam-se e eram vistos como indivíduos e integrantes de uma corporação marcadamente distintos do resto do clero. A identidade jesuítica, constitutiva do elevado grau de autonomia relativa da ordem no campo religioso maior, era forjada, em grande medida, nos processos de formação dos futuros religiosos, que ocorriam em uma notável rede de colégios da Companhia (nos quais também recebiam inúmeros estudantes que não aspiravam ao sacerdócio, mas eram igualmente expostos ao modo de proceder dos jesuítas). Neste trabalho, buscamos indícios do funcionamento específico desse sistema de socialização cultural, no contexto do Colégio Jesuíta de Santo Antão de Lisboa, e, mais particularmente, em sua notória Aula da Esfera. Para tal, analisamos dois cadernos manuscritos que contêm anotações feitas por estudantes das aulas ministradas pelos padres Cristoforo Borri, em 1627, e Inácio Vieira, em 1709. Sustentamos que esses documentos dão sinais da existência de uma matriz cultural que, internalizada, predispunha os jesuítas a realizarem suas escolhas e, mais do que isso, moldava uma forma de pensar e ver o mundo. Nos cadernos, a especificidade jesuítica se torna presente quando se identifica a presença constante de atitudes epistemológicas e técnicas pedagógicas típicas da escolástica, sistema que jamais caiu em descrédito na Companhia, mesmo com os ataques crescentes e irreversíveis que sofreu ao longo do século XVII
2016
Giovana Massaretto da Silva
Verdade e normalidade nos discursos sobre sexualidade e gênero na escola
A partir do interesse em realizar uma análise discursiva sobre sexualidade e gênero na escola, efetuou-se o registro de atividades do Projeto Sexualidade e Gênero da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, ao lado da análise dos Planos municipal (São Paulo), estadual (São Paulo) e nacional de Educação, e dos Parâmetros Curriculares Nacionais com ênfase ao Tema Transversal Orientação Sexual. Desse modo, buscou-se estabelecer relações entre a experiência localizada na escola, o discurso governamental e outros eventos e discursos, tais como episódios ocorridos em outras escolas que tiveram repercussão midiática e a produção acadêmica contemporânea sobre o tema. Ao adotar uma perspectiva arquegenealógica de análise, vimos que dois conceitos-chave mobilizados por Michel Foucault verdade e normalidade apareceram em todas as atividades do Projeto, por isso decidimos voltar nossa atenção às formas como eles se apresentaram nas dinâmicas em sala. Verificamos que, no contexto estudado, o primeiro conceito apareceu discursivamente sob os aspectos técnico-científico, religioso, de convenção social, de autoridade e da experiência. O segundo apareceu em constatações de que divisões sexuais e de gênero sustentam relações sociais, em problematizações e defesas dessas constatações, em pressuposições de uma heterossexualidade ou de uma ideia de natureza para os corpos, e em referências a padrões dentro da própria homossexualidade e transexualidade. Com este estudo, almejamos refletir se, ao agirmos usando discursos e métodos semelhantes aos utilizados pelo Estado discursos verdadeiros e práticas de normalização-, estamos contribuindo para intensificar o governo da população, em vez de recusar as práticas que produzem e reafirmam verdades e normas relativas a identidades
2018
Raphaela Secco Comisso
Leitura Animada: teatro de bonecos e contação de histórias como estratégias para a educação científica na primeira infância
O desenvolvimento de atividades com temáticas científicas desde os anos iniciais de educação pode ampliar a capacidade de reflexão consciente das crianças e desenvolver o pensamento crítico dessas diante de questões sociais. Por meio da ludicidade a criança relaciona-se com esses contextos e ressignifica-os por meio da sua imaginação e criação. O teatro de bonecos e a contação de histórias assumem características que possibilitam o desenvolvimento do pensamento crítico sobre a ciência desde a primeira infância. Este estudo propõe a formulação da prática de Leitura Animada, relacionando elementos do Teatro de Bonecos e da Contação de Histórias a fim de promover um espaço lúdico interativo promotor da cultura científica de crianças na primeira infância e teve como objetivos específicos: (a) Formular a Leitura Animada; (b) Analisar como as crianças da primeira infância interagem, participam e atuam na Leitura Animada; (c) Analisar como as crianças relacionam-se com o conhecimento científico. Em nosso trabalho utilizamos a metodologia de pesquisa intervenção, objetivando a produção e desenvolvimento da Leitura Animada Por que as aranhas fazem suas teias? em duas escolas da rede municipal de Guarulhos. A intervenção foi aplicada uma vez em cada escola, em turmas do estágio II da educação infantil, com crianças de quatro e cinco anos de idade. Analisamos as produções culturais realizadas pelas mesmas a partir dos dados de sequência fotográfica e transcrições de áudio e vídeo das intervenções. Verificamos que o envolvimento das crianças com o enredo teatral e o espaço lúdico favoreceu o desenvolvimento da cultura científica relacionada com as produções de cultura infantil e lúdica. Foi possível ampliar as reflexões sobre as práticas culturais infantis no âmbito da educação não-formal, valorizando os elementos socioculturais do Teatro de Bonecos e da Contação de Histórias, bem como desenvolver reflexões sobre estratégias para a educação científica na primeira infância
2019
Anna Cecília de Alencar Reis
Os horários fora de lugar: tempos sociais e tempos biológicos na obra de Machado de Assis
Este trabalho pretende estimar as concepções históricas e sociais de tempo que permeiam a obra do escritor Machado de Assis (1839-1908). Para tanto, concebe-se que ao ler um romance, enredo e personagem são elementos indissociáveis, pois pensamos simultaneamente no seu cotidiano, considerando uma duração temporal, referida a determinadas condições de ambientes. E são nas relações existentes entre personagens e ambiente que se encontra o foco desse estudo, que pretende investigar na obra machadiana, como se dá a expressão da temática do tempo, principalmente em termos dos horários sociais, dos horários de dormir e acordar e dos horários de realização de atividades cotidianas. Como método, foi contemplada a leitura de parte da obra de Machado de Assis, identificando e destacando menções aos horários de sono, refeições, atividades sociais e aspectos do sono. O autor descreve as práticas sociais e os horários em que costumavam ser realizados em meados do século XIX, resultando num vasto material de análise cronobiológica, classificados de acordo com o horário do dia em que costumam ser realizadas na contemporaneidade. Nossos resultados sugerem que os horários sociais do século XIX estão adiantados em relação aos horários em que as mesmas atividades são normalmente realizadas na contemporaneidade. Portanto, conclui-se que as alterações empíricas comuns ao ambiente urbano, sobretudo a luz artificial, são capazes de influenciar os sincronizadores (zeitgebers) temporais, criando novas interações entre a sociedade e o ambiente. O aumento do ruído tecnológico transformou a relação humano-ambiente, alterando horários para refeições, expandindo os horários do dia destinados às práticas sociais de entretenimento ou trabalho e os aspectos relativos ao sono
2015
Muara Kizzy de Figueiredo
Políticas públicas de cultura no estado de São Paulo: uma análise do Legislativo Paulista (2001-2016)
A dissertação tem como objetivo geral identificar o papel da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) na produção de políticas públicas de cultura para seus representados no período de 2001 a 2016. Os objetivos específicos foram: 1) analisar a conduta legislativa sobre o tema cultura; 2) transferir ao estudo quais são as ações e os pensamentos sobre cultura; 3) identificar como o termo cultura, aparece nas iniciativas parlamentares relacionadas à política pública e 4) analisar a contribuição de cada legislatura no desenvolvimento da cultura no Estado de São Paulo. A abordagem foi desenvolvida fundamentada na discussão do conceito de cultura a partir dos autores dos Estudos Culturais (WILLIAMS, 1969; 1989; 2007; THOMPSON, 1998; BAPTISTA, 2009; HALL, 2003; CEVASCO, 2003). Foram selecionadas um total de 341 iniciativas legislativas, das quais foram destacadas para a análise 231 que possuíam relação com a cultura e 40 que especificamente fomentam políticas públicas de cultura, tal como abordado neste estudo. Foram entregues 93 questionários para os gabinetes/mandatos dos deputados para serem respondidos sobre o tema, sendo que 29 foram respondidos e subsidiaram a análise. A metodologia utilizada foi a Análise de Conteúdo (BARDIN, 2009) com enfoque na interpretação dos dados. A hipótese sugerida foi que a ALESP, por meio de seus legisladores, faz políticas públicas de cultura para o Estado de São Paulo, porém, a partir da análise dos resultados, essa hipótese não foi confirmada. Como resultados podem-se destacar a consideração que existe uma deficiência na representatividade da população do estado de São Paulo na ALESP e que a cultura não é prioridade para os deputados paulistas
2018
Tatiana Lima Sarmento Panosso
Políticas públicas para cultura: concepção, monitoramento e avaliação
A presente dissertação consiste em um estudo sobre políticas públicas de cultura. A atuação do Estado sobre esse campo deve envolver desde a concepção e formulação da política até a avaliação dos impactos. Contudo, não se identifica no campo da gestão pública uma cultura de avaliação para as políticas culturais. Os Estudos Culturais contribuíram para a definição da cultura como objeto de pesquisa e investigação no universo acadêmico, bem como para a análise de suas dimensões e das relações sociais envolvidas nas experiências em cultura. A partir desse enfoque é possível tratar da ação do Poder Público na concretização de políticas especificamente voltadas à Cultura, sob a perspectiva de sua relevância nos processos de desenvolvimento humano e de protagonismo social e democrático. A criação do primeiro órgão público voltado exclusivamente à concepção, formulação e definição de políticas públicas para cultura foi o Departamento de Cultura da cidade de São Paulo, fato que marca historicamente a organização das ações do Estado em torno desse campo. A implementação de uma política pública requer esforços próprios ao seu objeto, tais como a produção de dados, diagnósticos, acompanhamento e avaliação. A Teoria dos Indicadores permite tratar desse processo e sustentar a relevância de sistemas de monitoramento e avaliação também para o campo da cultura. A investigação de iniciativas já em curso e de alguns casos concretos se faz relevante à medida que se discute a propriedade e pertinência de se criarem indicadores culturais. Para a avaliação das políticas públicas são necessários indicadores de eficiência, eficácia e efetividade. Em conclusão, a matriz de avaliação proposta serve como exercício prático para avaliação de uma política pública para Cultura
2015
Ana Flávia Cabral Souza Leite
Difusão da cultura brasileira no exterior : a Divisão de Operações de Difusão Cultural do Itamaraty no governo Lula
Nesta dissertação, investiga-se a difusão da cultura brasileira no exterior durante o período 2003-2010. Para isso, foi escolhida como objeto de pesquisa a Divisão de Operações de Difusão Cultural (DODC) do Itamaraty, principal órgão governamental responsável pela diplomacia cultural. Foram analisados os Atos Bilaterais de Cooperação Cultural assinados entre o Brasil e terceiros países, assim como os Programas de Difusão Cultural de 22 postos brasileiros no exterior, relacionando-os às políticas externa e cultural implementadas durante a gestão do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O trabalho inclui a compilação de 220 documentos referentes ao Programa de Difusão Cultural, disponibilizada em CD ou por meio do link: http://bit.ly/PDC_YVES_FINZETTO
2017
Yves Carneiro Finzetto
Lugar de memória: um estudo sobre a Vila Romana (SP)
O vertiginoso processo de verticalização da Vila Romana, pertencente ao Distrito da Lapa, região oeste do Município de São Paulo, apaga o que um dia foi um dos bairros industriais mais importantes da cidade. O objetivo deste trabalho é refletir sobre a constituição da Vila Romana como um lugar de memória em construção na Metrópole Paulistana, a partir da memória coletiva de seus sujeitos, das iniciativas da sociedade civil em prol da preservação de prédios históricos e das múltiplas identidades que constituem este território em profunda modificação. Com base em autores como Halbwachs (1990), Nora (1993) e Hall (1996; 1997; 2001; 2003), foram analisadas 6 escutas de moradores antigos do bairro, amparadas pelo método da história oral, que nos mostram como as experiências individuais e coletivas desses sujeitos contribuem para o entendimento do grupo em um determinado espaço. Percebemos que entender as relações subjetivas entre identidade, memória e território podem ser fundamentais para contribuir com uma participação politica mais efetiva e democrática, dentro do universo das memórias dos moradores desta região de São Paulo
Escolas Democráticas: a autonomia e o protagonismo juvenil no modelo horizontal da gestão do conhecimento
O presente trabalho busca compreender como ocorre a relação entre a educação democrática e a formação de identidade juvenil no âmbito da autonomia e do protagonismo, por meio da realização de um estudo de caso em uma escola democrática. Buscou-se caracterizar a relação do estudante que se conecta ao aprendizado sem um adulto dominante dirigindo o processo de aprendizado, e como essa liberdade impacta sua vida escolar e a formação de sua identidade autônoma e o protagonista. Interessou conhecer o estudante e sua integral relação com os sistemas simbólicos culturais, possibilitando uma abordagem sobre currículo e sua relação com a construção de identidades juvenis sob a perspectiva dos Estudos Culturais, cujas contribuições de Stuart Hall, importante teórico dos Estudos Culturais que trata das identidades, foram imprescindíveis. Para isso, além da revisão bibliográfica dos principais temas abordados, foi realizada também uma pesquisa experimental com estudantes, corpo docente e estrutura de uma escola da região metropolitana de São Paulo que se assume como escola democrática. Foi também realizada a coleta de uma pequena parte de dados em uma escola tradicional privada na mesma região. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas utilizando a técnica do grupo focal; entrevistas individuais com corpo docente; observações; análise do Projeto Político Pedagógico da escola objeto de estudo; coleta de dados a partir do uso de redações nessa escola e em uma segunda escola, sendo essa de modelo tradicional. No que se refere à análise dos dados, utilizou-se a análise de conteúdo, de Laurence Bardin, e foram construídas três categorias e um conjunto de indicadores para cada uma delas, que serviram de base para a análise. Os resultados mostram que há indícios de protagonismo e autonomia nos estudantes da escola democrática. O currículo da escola prevê uma série de ferramentas que contribuem para a participação e diálogo. Porém, não é possível afirmar que a autonomia e o protagonismo sejam características exclusivas de estudantes desta escola, conforme visto na comparação entre as redações dos estudantes da escola democrática e da escola tradicional. Outro aspecto importante é a capacidade de construção coletiva destes estudantes, o que sugere que os estudantes desta escola estejam construindo uma identidade que se preocupa com as relações sociais, com o entorno e com a importância da convivência coletiva pautada nas regras e no respeito, uma vez que eles deliberam temas em assembleias e praticam a escuta atenciosa nos diversos campos de diálogo que a escola oferece
2019
Sharlene de Souza Queiroz
O discurso e a prática da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo: análise dos convênios celebrados pela pasta
A presente pesquisa compara o discurso da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo com o que a pasta de fato executa, ou seja, sua prática. A análise do discurso é feita com base na visão de cultura da secretaria e em seu entendimento acerca do termo política cultural. Este conteúdo é expresso em documento elaborado pela própria secretaria e na minuta do Plano Estadual de Cultura de São Paulo. Já a prática é analisada por meio de uma das políticas desenvolvidas pelo órgão: os convênios, instrumentos celebrados entre órgãos da Administração Pública ou entre estes e entidades sem fins lucrativos, visando a realização de projetos de vontade mútua e interesse público. Um importante mecanismo de fomento à cultura, no entanto, pouco discutido. São estudados os convênios firmados durante o período de um governo, 2011 a 2014, incluindo os instrumentos resultados de emenda parlamentar, portanto, de origem no Poder Legislativo, e os de escolha direta da secretaria, Poder Executivo. Especificamente, busca-se entender o que é um convênio; o perfil dos projetos conveniados; os valores investidos em projetos culturais, por meio de convênios; a distribuição dos convênios no estado; quais são as entidades e prefeituras conveniadas; quem são os deputados que destinam emendas parlamentares para a cultura etc. A análise permite observar a distância entre a teoria e a prática do órgão de cultura, uma vez que o estudo dos convênios demonstrou a ausência de uma política cultural definida, democrática e transparente; além da utilização da cultura, prioritariamente, como instrumento para se alcançar outros fins, diferentes dos expostos pela pasta em seu discurso. Distância grande é observada, também, em relação ao que a secretaria diz e faz e os anseios da sociedade civil, expressos por meio do plano de cultura. Enquanto a pasta tem a cultura como meio, a sociedade tem a cultura como fim. Além disso, o que a sociedade deseja, portanto, o que é de interesse público, não se faz presente, de maneira representativa, nos convênios celebrados.
2018
Bárbara Rodarte de Paula
Jornalismo, telenovela e cultura na coluna Helena Silveira Vê TV (1970-1984)
Entre 1970 e 1984, a jornalista e escritora Helena Silveira dedicou-se à crítica televisiva nas colunas Helena Silveira Vê TV e Videonário, publicadas no jornal Folha de S.Paulo. A dissertação pretende resgatar essa produção jornalística, observando-a a partir do instrumental teórico dos estudos culturais. O primeiro capítulo trata dos conceitos de experiência e estrutura de sentimento, além de se referir a trabalhos dos estudos culturais acerca da experiência da televisão. O segundo capítulo apresenta um perfil da jornalista Helena Silveira e os diferentes momentos de sua atuação na empresa Folha da Manhã entre as décadas de 1940 e 1980. O terceiro capítulo procura refletir sobre a natureza da crítica televisiva, com destaque para o modo particular como Helena Silveira a desenvolveu, fazendo uso de um tom próximo da crônica. O quarto capítulo avalia como, no âmbito da crítica de TV, é possível reconhecer a promoção do prestígio da telenovela, sua fixação como produto capaz de produzir identificações e prazer. O quinto capítulo procura resgatar uma dimensão política latente em muitos textos em que Helena Silveira dialogou com o clima de expectativas e esperanças da chamada abertura política, considerando a importância da TV no contexto de redemocratização do país
A Festa do Coco das comunidades quilombolas paraibanas Ipiranga e Gurugi: acontecimentos e corponegociações
Nesta dissertação discuto a Festa do Coco e a prática do coco de roda, realizadas todo último sábado de cada mês pelas comunidades quilombolas Ipiranga e Gurugi, pertencentes ao município paraibano do Conde. Tive como objetivo evidenciar as transformações ocorridas na Festa do Coco e na brincadeira de coco de roda durante o período de visitas, entre julho de 2013 e maio de 2016, a partir da análise dos acontecimentos registrados nos diários de campo escritos por mim. No decorrer das primeiras visitas realizadas, levantei a hipótese de que a Festa do Coco não é um espaço de reprodução de uma prática realizada no passado, mas um espaço de produção de acontecimentos e de criação de outras formas de negociação entre os corpos participantes. Uma das perguntas que mais me interessavam era entender o que fazia com que diferentes pessoas, moradoras do quilombo ou não, vindas de diferentes locais da Paraíba e do Brasil, desejassem estar na festa, mesmo esta acontecendo em um barracão pequeno, dentro da comunidade quilombola Ipiranga, e sem nenhum apelo midiático sobre o evento. Os procedimentos de pesquisa delinearam-se no processo de realização da mesma: assumi, para o trabalho de campo, uma participação observante, por meio da qual pude ser mais uma brincante da festa e me deixar ser levada pelas suas linhas de força, seus fluxos. A cada festa eu escrevia diários de campo, focando-me nas experiências vividas e percebidas durante a festa. Minhas apostas teóricas se deram nos registros das filosofias da diferença, e em especial no registro deleuziano-guattariano, e da Antropologia da Performance, que discutem as práticas coletivas num registro do acontecimento, da performance e da criação. Esta dissertação traz então o conceito deleuziano de acontecimento como um dos conceitos chave para entender as transformações ocorridas nas festas e o interesse dos visitantes que procuram a festa: produzir acontecimentos. O participante da festa deseja estabelecer agenciamentos, formas de se conectar, de se relacionar com outros corpos e gerar novidade, criar. Dentre esses agenciamentos, a corponegociação se dá como um dos mais significativos. O conceito, criado por mim para esta pesquisa, surge através da brincadeira realizada no centro da roda de coco, onde o corpo negocia e cria sem o uso da produção verbal; o improviso é gerado pela contaminação dos diferentes repertórios de movimentos
2016
Peticia Carvalho de Moraes
Por uma práxis do fazer socioeducativo: reflexões sobre o movimento de (re)construção metodológica da UAMA-Paranoá e suas contribuições para a política de atendimento em meio aberto no DF
Este estudo apresenta e traz reflexões sobre o movimento de (re)construção metodológica do atendimento socioeducativo feito com adolescentes e jovens em cumprimento das medidas de prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida na Unidade de Atendimento em Meio Aberto (UAMA) do Paranoá. Para tanto, realizou-se entre 2016 e 2018 uma pesquisa etnográfica de natureza interpretativa crítica, por meio de observação participante e entrevistas semiestruturadas, além de revisão bibliográfica. Para a análise dos dados obtidos, a categoria utilizada foi a práxis, segundo a qual o trabalho (ação humana) é determinado pelo contexto material, histórico e cultural em que é realizado, ao mesmo tempo que também o modifica, em uma relação dialética entre indivíduo e sociedade e subjetividade e objetividade. No caso do Sistema Socioeducativo do DF, esse contexto expressa um conjunto de contradições inerentes às \"questões sociais\", raciais e criminais, relacionadas entre si e próprias das relações de produção do estado capitalista. Tais questões, na verdade, que estão na gênese da política pública da socioeducação no Brasil, atravessaram o último século e fazem parte das instituições que a operam. Essas, por sua vez, são marcadas hegemonicamente por culturas e práticas que impõem ao cotidiano das(os) profissionais a racionalização de processos de trabalho que tende a naturalizar as contradições das questões sociais, raciais e criminais por meio da burocracia. É, então, pela práxis que enfrentamentos a esses contextos contraditórios e burocráticos são possíveis. Isso exige, no caso das(os) trabalhadoras(es) da política socioeducativa, uma compreensão reflexiva, teórica e crítica sobre a realidade, a fim de orientar novas práticas. E também lhes gera, por consequência, novos processos de subjetivação. Assim, durante a pesquisa, coloquei em diálogo as observações que fiz e as reflexões das(os) participantes sobre suas práticas na UAMA-Paranoá, com elementos estruturantes do contexto histórico, material e cultural do cotidiano de trabalho em que estavam inseridas(os). Como consequência, compreendeu-se que a (re)construção metodológica que realizavam estava implicada num movimento contra-hegemônico e propositivo que se optou por chamar de práxis do fazer socioeducativo. Esse movimento partiu da mudança da cultura de atendimento dispensada aos(às) adolescentes, jovens e famílias, mas foi além e apontou para possibilidades de enfrentamento à cultura punitivista e desumanizante do Sistema Socioeducativo, herança do sistema penal que, em especial para as medidas de meio aberto, pode ser verificada pela burocratização das relações humanas
Território, cidadania cultural e o direito à cidade: a experiência do Programa VAI
A presente pesquisa trata de examinar uma política pública concebida no âmbito legislativo, na Câmara Municipal dos Vereadores do Município de São Paulo, entre 2001 e 2002, com expressiva participação juvenil e da sociedade civil. Originou a Lei 13.540/2003 e o Decreto 43.823/2003, que instituíram uma política pública por meio de um programa cultural batizado de Programa VAI, implantado a partir dos anos de 2004 na Secretaria Municipal de Cultura, na Gestão de Marta Suplicy. Em seus mais de dez anos de implantação, Programa VAI passou por tranformações importantes em seus métodos e execuções, em decorrência de seus gestores, metodologias compartilhadas entre eles e a comissão de seleção no decorrer da execução dos projetos. Dados estes que demonstram positivamente, um processo de implantação da política pública com efetiva participação dos contemplados e não contemplados no edital. O programa trouxe também outros aspectos externos ao curso de sua implantação, que são cruciais para compreender um arranjo possível da democracia cultural pelo viés do território, onde muitas populações das periferias paulistanas e cidades de fronteira das mesmas estão vivenciando processos da tão almejada cidadania cultural. A participação política dos jovens e também as ações intergeracionais são responsáveis pelas mobilizações e reivindicações relacionadas aos direitos culturais via pressões e diálogos com o Estado. Por fim, territórios complexos e reveladores se observados por meio do seu cotidiano, suas práticas culturais coletivas, em suas potências de deslocar a cartografia cultural da cidade, invertendo fluxos de poderes pelas ações afirmativas, artísticas, culturais e identitárias para garantirem o direito à cidade
Impressões sobre o teatro: um estudo sobre lazer em Paraisópolis na cidade de São Paulo
O objetivo deste estudo foi investigar em que medida as impressões que os sujeitos têm do teatro influenciam no seu hábito de frequentar espetáculos teatrais. O trabalho foi desenvolvido a partir de uma pesquisa de campo realizada com dois grupos, um de moradores de Paraisópolis, comunidade da Zona Sul de São Paulo SP, onde há oferta gratuita de espetáculos teatrais; e outro de moradores da Região Metropolitana São Paulo, com um perfil socioeconômico mais alto, no intuito de evidenciar o que há de diferente nas opiniões de cada grupo. A pesquisa partiu da hipótese, que foi confirmada em grande medida, de que a imagem que as pessoas têm do teatro determina o interesse de frequentar. Para a maioria dos entrevistados, o teatro é visto como uma atividade elitizada, tanto do ponto de vista intelectual quanto econômico, ainda que nem todos concordem que essa imagem seja verdadeira. Essa impressão, acreditamos, exclui grande parte da população do grupo de frequentadores assíduos, pois está relacionada à identidade, que não geraria um sentimento de pertencimento ao universo do teatro, a priori. Essa distância é agravada pela questão do hábito, considerando o contexto social em que os entrevistados estão inseridos e o histórico familiar. Por outro lado, o teatro foi unanimemente considerado importante, e a principal razão é sua contribuição para o desenvolvimento tanto intelectual quanto emocional dos espectadores. Esses fatores nos levaram a concluir que há uma ideologia arraigada que tem grande participação na criação dessa imagem mental do teatro, pois para muitos entrevistados o teatro é algo interessante, divertido, a pessoa gostaria de ir mais, porém, por algum motivo pouco palpável, não vai. Como possíveis caminhos para estreitar as relações entre público e teatro, os entrevistados trouxeram a questão da importância da educação e especificamente da formação artística como fator fomentador da apropriação da fruição artística. Outro destaque foi a falta de uma divulgação efetiva, que em geral, nem informa, e muito menos incita o sujeito para que se torne espectador. A base para a estruturação do estudo e a análise dos dados teve teóricos ligados aos Estudos Culturais, campo no qual a pesquisa está inserida, ao Teatro, além de referências de outras áreas de estudo como a Sociologia, Sociologia do Lazer, Educação e Mediação Cultural. Assim, a pesquisa buscou colaborar tanto no ambiente acadêmico, quanto com artistas e gestores culturais para a construção de uma relação significativa dessa população com a arte teatral
2019
Cristiana Gimenes Parada dos Santos
Os novos indicadores educacionais brasileiros: um estudo sobre a Rede Municipal de Ensino de São Paulo
Esta pesquisa toma como objeto de estudo o desempenho escolar nos anos iniciais da Rede Municipal de Ensino de São Paulo. Com base em indicadores educacionais disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), reunimos uma ampla gama de informações sobre as 549 escolas municipais de São Paulo. Como revelaram inúmeras pesquisas, nacionais e internacionais, o desempenho escolar apresenta uma forte associação com o nível socioeconômico das famílias. Sem negligenciar esta dimensão do desempenho escolar, a hipótese trabalhada nesta pesquisa dizia respeito ao peso de outros fatores, descritos na literatura como efeito-escola e efeito-professor. Na primeira etapa do trabalho, procedemos à coleta das estatísticas e examinamos a distribuição dos novos indicadores educacionais (INEP, 2014) na Rede Municipal de Ensino de São Paulo. Em seguida, recorremos a uma Análise de Componentes Principais (ACP), visando produzir uma representação, à uma só vez, multidimensional e sintética do conjunto das escolas municipais de São Paulo. Como esperado, os resultados evidenciaram, no primeiro eixo, uma correlação entre desempenho escolar e nível socioeconômico das famílias. A segunda componente principal expressa uma correlação que traz à tona a importância dos novos indicadores educacionais para a compreensão dos resultados escolares. As demais componentes principais revelam a contribuição de fatores propriamente escolares para a explicação do êxito escolar
2019
Viviane Aparecida Costa
Publicidade no Brasil: presença americana, jogo político e consagração
Para que se possa, de fato, entender determinado grupo social e sua importância no decorrer da história, é indispensável analisar os contextos que permearam seu desenvolvimento, ressaltando as relações estabelecidas com as instituições sociais e identificando como se dá a consagração entre os pares. É partindo de tal perspectiva que o trabalho aqui proposto teve como objetivo desvendar os mais relevantes aspectos do desenvolvimento de uma poderosa instituição de produção e de transmissão cultural na sociedade brasileira: a publicidade; assim como as relações de poder que importantes profissionais da área desenvolveram. Mais especificamente, buscou-se aqui colocar em pauta a questão da atividade publicitária como campo social ou espaço de interesses e capitais específicos, constituídos a partir da influência dos Estados Unidos, de suas agências e clientes, e se adaptando ao cenário sócio-político brasileiro e às configurações do Regime Militar. Para tal, buscamos reconstruir a emergência de um grupo publicitário hierarquizado, identificando suas instituições de consagração, suas relações políticas e os contextos históricos que contribuíram para a constituição de um habitus. O estudo foi pautado no levantamento de fontes documentais, tais como material de imprensa, anuários publicitários, entrevistas e depoimentos do arquivo do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Também foi executada exploração bibliográfica das relações entre Brasil e Estados Unidos e publicações sobre a trajetória da área em ambos os países, buscando analisar, na perspectiva da sociologia da produção de bens simbólicos, os principais condicionantes da ascensão dos representantes de tal campo e suas relações com a esfera política, sempre dentro de sua tradicional lealdade com o mundo empresarial, no qual se recrutam os anunciantes