Repositório RCAAP

Uma reflexão sobre o curso \"Ações Multiplicadoras: o museu e a inclusão sociocultural\" da Pinacoteca do Estado de São Paulo

O presente trabalho visa analisar o impacto do curso de formacao para educadores sociais, tambem conhecido por Acoes Multiplicadoras: o museu e a inclusao sociocultural, uma das frentes de trabalho da Pinacoteca do Estado de Sao Paulo. A investigacao tem a intencao de esclarecer como as acoes educativas da Pinacoteca podem contribuir com o trabalho dos educadores sociais. Quais sao os ganhos e limites de sua intervencao? Elas auxiliam na inclusao e expansao do publico em vulnerabilidade social? Qual e a percepcao do educador social? Ao promover o encontro entre o publico em vulnerabilidade social e as obras de arte, acredita-se estar reduzindo a desigualdade do acesso aos bens e servicos culturais. Todavia, alguns autores criticam esse pensamento afirmando nao ser possivel criar um vinculo profundo e duradouro. A principal abordagem metodologica utilizada na pesquisa foi a qualitativa e para coletar os dados selecionamos os participantes do curso nos anos de 2012 e 2013. Nessa ocasiao, consideramos a observacao participativa, a aplicacao de questionario e a entrevista com a coordenadora do Programa de Inclusao Sociocultural - PISC. Atraves da observacao participante, verificou-se que o sentido do curso e ressignificado segundo a realidade e o esforco criativo do educador social, a quem ele contribui ampliando sua atuacao profissional. Ficou evidente tambem que o seu intuito e difundir as potencialidades do museu e acessibilizar instrumentos e recursos que podem ser usados em projetos socioeducativos. Mas no que tange ao desejo da instituicao por formar novos publicos, nao se pode contar nem com a consolidacao da parceria, e nem com a modificacao significativa do publico, ja que este tem pouca capacidade de criar habitos culturais duradouros

Ano

2016

Creators

Flavia dos Santos Oliveira Gama

Políticas para a exibição cinematográfica: a experiência internacional

Este trabalho tem o objetivo de mapear, apresentar e avaliar o repertório internacional de políticas públicas que promovam o alcance e a diversidade dos filmes exibidos em cada país em um período marcado pela mundialização, globalização e pela hegemonia das empresas americanas, mais especificamente, a partir da década de 1990. Partindo de indicadores de alcance e diversidade, selecionei duas experiências nacionais que foram bem sucedidas garantir a frequência per capita e o número de salas per capita; o percentual de ingressos de filmes nacionais, o percentual de ingressos de filmes não estrangeiros e não americanos e o número de filmes exibidos. Para selecionar as experiências nacionais de êxito (França e Coreia do Sul, utilizei os dados de 2013 do Instituto de Estatísticas da UNESCO a respeito da diversidade nacional e linguística na exibição cinematográfica e o desempenho, em 2012 e 2013, das cinematografias nacionais em seis dos principais festivais internacionais de cinema (Berlim, Cannes, Sundance, Veneza, Pusan e Mar del Plata). Para compilar o repertório internacional das políticas de fomento e exibição cinematográficas, foi utilizada revisão de bibliografia e análise dos documentos das agências nacionais de fomento e regulação

Ano

2017

Creators

Gabriela Andrietta

Medo e alteridade no cinema de ficção científica: uma análise a partir dos filmes \"O Planeta dos macacos\" e \"Alien - o oitavo passageiro\"

O medo é sinônimo da incerteza, da ignorância frente ao desconhecido. E, assim como argumentado por Bauman (2008), a escuridão não é a causa do perigo, mas é o habitat natural da incerteza - e, portanto, do medo. Na sociedade há inseguranças em praticamente todas as instâncias da vida e o sujeito vivencia o medo constante. Como reflexo dessa sociedade globalizada, baseada na privatização e desregulamentação, a cultura da mídia por vezes figurativiza, representa o tema do medo (de desastres naturais, doenças, desemprego, terrorismo) à imagem de monstros fantásticos, ou contrafactuais. São seres que confrontam nossa identidade e ameaçam a estabilidade social. Ao misturar a fantasia a elementos reais (promovidos pela ciência) o gênero da ficção científica utiliza um cenário futuro para levantar questionamentos sobre a sociedade atual e as relações entre o eu e o outro. A partir dessa discussão, neste estudo utilizamos o universo ficcional de dois filmes que fazem sucesso há mais de quatro décadas unindo terror e ficção científica, para, a partir deles, agrupar teorias e referenciais que possibilitem problematizar a alteridade no gênero da ficção científica e compreender como ela reflete os medos e as ansiedades. Os filmes O planeta dos macacos (1968) e Alien - o oitavo passageiro (1979) foram analisados pela perspectiva de autoras e autores dos Estudos Culturais, como Fredric Jameson, Douglas Kellner e Stuart Hall, além da metodologia de análise fílmica e da semiótica greimasiana. Observamos como conclusão que os seres alienígenas têm mais em comum com a espécie humana do que pensamos num primeiro momento; eles são capazes de aflorar os sentimentos mais obscuros, como a ganância e o ódio; geram insegurança e ameaçam a vida e o bem-estar

Ano

2018

Creators

Luciana Teixeira Duarte

A cultura surda nos cursos de licenciatura: práticas e perspectivas no ensino da Língua Brasileira de Sinais

A presente pesquisa teve como objetivo verificar a contribuição da disciplina Língua Brasileira de Sinais (Libras) nos cursos superiores de licenciatura para circulação do discurso da diferença linguística e cultural das comunidades surdas. A área da surdez encontra-se circunscrita nas relações de poder e saber presentes na sociedade, nessa área observa-se a predominância de dois conjuntos de enunciados. Um deles se relaciona ao discurso da deficiência que tem como princípio a normalidade baseada nas pessoas ouvintes. O outro diz respeito ao discurso pautado na diferença linguística e cultural, cuja normalidade baseia-se nas pessoas surdas e no que circula e se produz em suas comunidades. Vinculada a esse último discurso, a Libras se tornou pauta de reivindicações dos movimentos políticos das comunidades surdas brasileiras, tem sido considerada a primeira língua nas propostas de educação bilíngue para surdos e foi reconhecida pela Lei nº 10.436/2002, cuja regulamentação se deu por meio do Decreto Federal nº 5.626/2005. Esse Decreto instituiu, dentre outras medidas, a obrigatoriamente da disciplina Libras nos cursos superiores de licenciatura e fonoaudiologia. Considerando essa normatividade, especificamente, nos cursos de licenciatura, este trabalho configura-se como uma pesquisa qualitativa que contou com a aplicação de um questionário estruturado com perguntas abertas e com a análise documental dos planos de ensino da disciplina Libras de seis docentes que ministram essa disciplina em Instituições de Ensino Superior (IES) na cidade de São Paulo e região metropolitana. Por meio da análise das regularidades presentes nos enunciados dos docentes e nos dados dos planos de ensino, verificou-se que os docentes, enquanto sujeitos do discurso, afirmam um vínculo formativo e profissional com os surdos e a Libras e, em suas práticas pedagógicas, estabelecem normatividades nos objetivos, conteúdos, estratégias e exercícios que se fundamentam no discurso que se filia, predominantemente, à diferença linguística e cultural dos surdos. Esses mesmos docentes também afirmam que a receptividade da disciplina é positiva pela maioria dos discentes e alguns destes se tornam disseminadores das práticas discursivas das aulas.

Ano

2014

Creators

Marcia Ferreira Matos

O obituário contemporâneo no jornal e nas coletâneas: uma discussão sobre gênero textual, biografia e sociedade

Este trabalho pretende analisar o obituário como gênero textual específico, dentro do universo maior do espaço biográfico contemporâneo, comparando-o com gêneros com funções e formas com alguma similaridade ao longo da história e esmiuçando suas especificidades textuais no presente, para tentar compreender as razões de sua ascensão no século 20. Narrativa biográfica mortuária que têm migrado, nos últimos trinta anos, de jornais e revistas para volumes em coletânea, os obituários são repletos dos valores biográficos caros à contemporaneidade, encerrados por um regime de verdade (o da imprensa) e pelo pathos específico dos discursos relacionados à morte recente. Seu estudo permite esboçar uma história cultural de um gênero que reflete anseios atuais.

Cultura, Espaço e Política: um estudo da Batalha da Matrix de São Bernardo do Campo

Esta dissertação visa apreender as relações entre cultura, espaço e política na Batalha da Matrix de São Bernardo do Campo, a partir das transformações apresentadas pelo movimento cultural Hip Hop, com foco para o seu elemento MC. Percebe-se que uma nova estética vem sendo desenvolvida por expoentes oriundos das batalhas de MCs, que vêm apresentando uma proliferação por todo o território nacional a partir de circuitos municipais, regionais e estaduais. Argumenta-se que as batalhas se tornaram condição, meio e produto de uma forma de organização sintonizada com as dinâmicas sociais contemporâneas. Com enfoque nos estudos sobre Hip Hop desenvolvidos no Brasil a partir dos contextos da música Rap paulista, e uma abordagem da crítica cultural materialista em aposta na relevância dos Estudos Culturais, visa-se capturar os traços gerais das transformações nas dinâmicas de trabalho e organização do cenário musical radicado no Hip Hop. Ao passo que emergem novas condições para a produção, circulação e consumo da música Rap, traços residuais são mobilizados em sua expressão de pertencimento a uma cultura de rua, negra e periférica. Conforme a cidade de São Bernardo do Campo, em sua particularidade, vivencia a metropolização do espaço, a Batalha da Matrix atua no meio fio de ser tanto um movimento de contornos políticos quanto uma marca - um produto em busca de um mercado consumidor. Entre o espaço físico da praça pública onde ocorre desde maio de 2013, e os espaços virtuais da internet, trava batalhas por legitimidade e visualização, a fim de mobilizar seguidores

Ano

2019

Creators

Felipe Oliveira Campos

Experimentações institucionais no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA)

Esta dissertação parte da observação de práticas institucionais experimentais que se concentraram principalmente na Europa, a partir dos anos noventa. Tais experimentações buscaram reestruturações institucionais, prezando pelo engajamento do público em suas atividades, além de fazer frente a modelos pautados no entretenimento e no espetáculo, de modo a contrariar tais premissas, e tendo como referência exposições experimentais paradigmáticas realizadas a partir dos anos sessenta, bem como práticas da Crítica Institucional do mesmo período. No entanto, várias dessas instituições experimentais enfrentaram problemas para manter suas atividades, com cortes de financiamento e ate mesmo, em alguns casos, o encerramento de suas atividades. Diante disso, tomamos como objeto de estudo o caso do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA), reconhecendo, em sua história, um período notavelmente marcado por propostas experimentais, sob a direção de Manuel Borja-Villel, a fim de rastrear a continuidade, ou não, de propostas nesse sentido nas gestões seguintes, de Bartomeu Marí (2008-2015) e Ferran Barenblitt (desde 2015), bem como possíveis dificuldades enfrentadas para sua manutenção e desenvolvimento. Avalia-se, por um lado, a possibilidade de que figuras específicas de liderança, no caso os diretores das instituições, são cruciais para a implementação e sustentação das propostas diante dos diversos atores que coexistem dentro das estruturas institucionais, como membros de Conselhos e fundações. Por outro lado, considera-se também o papel desses órgãos na tomada de decisões dentro da instituição, diante dos quais o diretor pode ter sua autonomia limitada

Ano

2018

Creators

Nicole Palucci Marziale

A exclusão do roteiro no financiamento da cadeia produtiva do filme no Brasil

A presente dissertação se dedica a mapear a organização do trabalho na atual cadeia produtiva do audiovisual na cidade de São Paulo, por meio da análise das atuais formas de produção do cinema e do atual modelo de financiamento do setor, com o objetivo de evidenciar seus principais elos e suas principais vulnerabilidades. Um setor identificado como vulnerável, porém, pouco evidenciado, está localizado no início da cadeia produtiva o desenvolvimento de projetos. Essa etapa, que inicia todo o processo do filme, está muito centrada na figura de um profissional o roteirista. Portanto, esta pesquisa está centrada na identificação da vulnerabilidade desse profissional, em suas relações de trabalho e seus níveis de relacionamento, em sua influência nos outros setores da cadeia produtiva, como também, na atual condição de trabalho que lhe é ofertada. Foram identificadas três questões centrais para justificar a atual vulnerabilidade da profissão de roteirista, que se desmembram em outros apontamentos, são elas: a disputa de autoria entre diretor e escritor no final dos anos 60 (cinema e literatura), as relações flexíveis impostas pelo novo modelo de trabalho apoiado na lógica da intermitência e fragmentação e por último, a falta de organização do profissional de roteiro enquanto categoria.

Ano

2014

Creators

André Meirelles Collazzi

Voz poética e voz política em Diário de um ano ruim de J. M. Coetzee

A presente dissertação dedica-se ao estudo da voz poética e da voz política no romance Diário de um ano ruim (2007) de J. M. Coetzee. Inicialmente, a investigação se detém na contextualização da produção literária e intelectual do autor, trabalhando com as categorias de campo, competência linguística e paratopia, com base nas leituras de As regras da arte (1992), A economia das trocas linguísticas (2008), de Pierre Bourdieu e O contexto da obra literária (2001), de Dominique Maingueneau, respectivamente. Em seguida, a pesquisa direciona a atenção para a obra Desonra e para a Segunda fase ficção australiana, destacando-se as características em Diário de um ano ruim que evidenciam a condução da voz física e narrativa para o desenvolvimento do romance. Entre os elementos analisados acerca da voz, evidencia-se a relação da voz com o corpo, com a autonomia do intelectual e a condição da voz feminina diante do poder masculino. Por fim, investigam-se os discursos proferidos pela vozes dos personagens JC, de um escritor envelhecido e de Anya, uma jovem imigrante filipina

Ano

2020

Creators

Carlos José Mendes Ribeiro

Identidade tirolesa em Santa Olímpia (Piracicaba/SP): festas, tradições e memória.

Este trabalho consiste de uma análise das festas e tradições dos descendentes de tiroleses do bairro de Santa Olímpia, em Piracicaba, interior de São Paulo, buscando entender seu papel na construção da identidade tirolesa em Piracicaba, por meio da história oral, da memória e da observação participante. De modo concreto, no recorte de pesquisa, cinco festas foram escolhidas: a de Nossa Senhora, em maio; a da Cuccagna, no Carnaval; a da Polenta, em julho; a da Imigração, em Novembro; e o Mercadín, em dezembro. Elas são objeto de estudo porque representam, em certa medida, a construção identitária do ser tirolês em Santa Olímpia. Para a compreensão da temática, além da participação nas festas, quinze descendentes foram entrevistados, a partir da lógica das redes de entrevistas. A base teórica utilizou-se das temáticas da imigração, das festas e da identidade, em uma análise crítica do processo migratório do grupo em questão, que se utiliza dos festejos para construir uma identidade tirolesa que nunca existiu, mas se faz presente nesse imaginário coletivo criado no bairro ao longo desses 120 anos de existência. Todo esse processo encontra na religiosidade uma forma de garantir certo controle e manutenção dos costumes da comunidade, em especial, por meio do poder que a igreja católica vem mantendo no bairro e na sociedade ao longo dos séculos. Como conclusões, tem-se que a imigração foi um dos incentivos para a formação de um país com diversas identidades e, ao mesmo tempo, garantiu a vocação agrária do país, até hoje discutida nas esferas macroeconômicas. Não há uma identidade tirolesa real, trazida pelos imigrantes e mantida ao longo do tempo, uma vez que esta foi sofrendo influências tanto do Brasil, quanto de outras nacionalidades, sendo que a cultura italiana é significativamente reivindicada pelos moradores de Santa Olímpia nesse contexto do ser tirolês. Essa identidade, permeada por uma italianidade e uma religiosidade fortíssimas, é uma construção recente, com finalidades específicas de autoafirmação, incentivo ao turismo e visando a coesão do grupo. As festas, por meio de seus mais diversos elementos, aqui analisados detalhadamente, são a principal forma de se perpetuar essa identidade idealizada e fortalecer as reivindicações de descendência e pertencimento a essa categoria cultural.

Ano

2013

Creators

André Bortolazzo Correr

Um estudo de classe e identidade no Brasil: Movimento Negro Unificado (MNU) - 1978 - 1990

Este trabalho teve como objetivo principal realizar uma análise do movimento negro brasileiro entre os anos de 1978 e 1990, expressando neste trabalho o caminho percorrido pelo Movimento Negro Unificado - MNU, que foi fundado em 18 de Junho de 1978, nascendo assim no seio do levante operário de 1978, e que existe até os dias atuais, e como objetivo específico de identificar quais foram as influências mais centrais em sua formação e na linha política que este tomou, tendo sido parte de um imenso movimento social, operário e popular, que se colocou contra a Ditadura Militar, sendo a conformação do MNU como parte e resultado deste processo de mobilização social. A partir desses objetivos foram levantadas as seguintes hipóteses: O MNU influenciou a formação da identidade negra no Brasil e a própria identidade dos entrevistados; contribuiu no Brasil para o debate de Raça e Classe; e recebeu influências externas á experiência vivida no Brasil. Foram feitos levantamentos bibliográficos sobre a história da luta antirracista no Brasil após a Abolição e das organizações oriundas dessa luta, que remontam desde as primeiras décadas do século XX, atravessam o Estado Novo e encontraram dentro do período da ditadura a resistência que dará forma ao Movimento Negro Unificado. Para analisar os processos que influenciaram este desenvolvimento, foram utilizados autores como Florestan Fernandes, Lélia Gonzalez, Abdias do Nascimento, Hamilton Cardoso e Clovis Moura. Para isso foram realizadas dez entrevistas com militantes e integrantes do movimento negro brasileiro que participaram próximos ou no MNU durante o período estudado, sendo estes entrevistados divididos em sete homens e três mulheres. Durante estas entrevistas foi constatado que o MNU teve como referência algumas organizações negras estadunidenses, que fizeram parte do Movimento pelos Direitos Civis, além dos movimentos de libertação de países africanos, com destaque aos países de língua portuguesa, como Moçambique e Angola. No território nacional, os integrantes do MNU foram influenciados pelas experiências vividas nas greves operárias contra a Ditadura e por intelectuais brasileiros que desmistificaram a ideia do negro pacífico, e entre os mais citados temos Abdias do Nascimento e Lélia Gonzalez. Essas influências e atuação política permitiram ao MNU se destacar no cenário político brasileiro no final dos anos de 1970 e durante 1980 como a principal organização do movimento negro brasileiro, porém sem romper com a confiança na burguesia paulista, não dando um caminho independente aos negros no Brasil, tendo expressado suas posições dentro de setores dos movimentos sociais, mas também em setores dos movimentos sindicais e no Partido dos Trabalhadores PT, que foi um grande conciliador de classes e atenuador das tensões nacionais. Desta maneira poderemos entender o papel Movimento Negro Unificado para a composição da identidade do negro brasileiro entre as décadas de 70 e 90, sua relação com o cenário de greves e atos contra a Ditadura Militar e como as pautas levantadas pelos negros foram incorporadas, muito parcialmente, a políticas públicas nos anos seguintes, que apesar de importantes somente foram conquistadas mediante anos de luta do movimento negro brasileiro

Ano

2017

Creators

Lourival Aguiar Teixeira Custódio

Pintura histórica no Salão do Centenário da Independência do Brasil

O centenário da independência do Brasil, comemorado em 1922, mostrou-se uma oportunidade excepcional para as elites brasileiras exporem projetos de identidade nacional, de predominância europeia, no que diz respeito à cultura, o que inclui considerações racistas, e de manutenção da estrutura social, calcada no capitalismo liberal. O presente trabalho tem por objetivo investigar como tais projetos impactaram as exposições, congressos, e outros eventos comemorativos. A Exposição Internacional e os congressos de História do Brasil e Internacional de Americanistas mostraram um país inserido na economia mundial, buscando os fatos e os personagens fundadores da nacionalidade, interessado em se aproximar dos demais países do continente e que considerava a miscigenação uma aliada para promover o branqueamento da população. O estudo também se volta ao mecenato estatal, cuja intenção de adquirir quatro quadros de assunto histórico, relacionados aos acontecimentos de 1822, estimulou alguns artistas a retomar a produção de tal gênero de pintura, porém algo distanciados dos cânones acadêmicos e incorporando questões e discursos em pauta naquele momento histórico. O juri encarregado selecionou, para aquisição, as obras: Sessão do Conselho de Estado, de Georgina de Albuquerque; Primeiros sons do Hino da Independência, de Augusto Bracet; Tiradentes, o precursor, de Pedro Bruno; Minha terra, de Hélios Seelinger. Os eventos retratados, apesar da presença de personagens históricos, abordaram o direito de voto à mulher; a revisão do período monárquico e da figura de Pedro I; a trajetória do país de 1500 a 1889, sob a perspectiva da miscigenação e do branqueamento; o papel do Estado, enquanto instância de repressão.

Ano

2014

Creators

Paulo de Vincentis

Integralidade e indígenas urbanos: análise dos relatos de profissionais e usuários de uma unidade básica de saúde no município de São Paulo

Analisamos a possibilidade de oferta de ações integrais em saúde em um serviço de Atenção Primária na região oeste do município de São Paulo. Esse serviço atende à uma comunidade indígena da etnia Pankararu, residente na favela Real Parque no bairro do Morumbi, através de uma equipe específica da Estratégia Saúde da Família (ESF). Verificamos em que medida o exame de relatos de profissionais e usuários indígenas deste serviço básico de saúde poderia identificar a atenção integral às necessidades de uma comunidade específica. Utilizamos a metodologia qualitativa e examinamos 05 entrevistas realizadas a sujeitos chave, contendo profissionais e usuários indígenas, liderança indígena e profissionais não indígenas. Estas entrevistas foram realizadas por pesquisadores da pesquisa \"Caminhos da Integralidade\" e sua utilização foi autorizada para nosso estudo. Na análise e interpretação dos dados utilizamos a análise de conteúdo segundo BARDIN. Classificamos o material em quatro categorias pré-definidas segundo os sentidos atribuídos à noção de Integralidade: 1) como boa Medicina, 2) como modo de organizar as práticas de saúde, 3) como demandas específicas e 4) como construção de projetos de felicidade. Identificamos nos relatos expressões favoráveis e desfavoráveis para uma atenção integral à saúde em cada categoria. Destacamos como variáveis favoráveis: o acesso \"diferenciado\" dos indígenas aos serviços de saúde; a importância da formação profissional e o interesse individual de aproximação com a cultura indígena; e a possibilidade de articulação entre serviços de atendimento ao indígena nos diferentes níveis de atenção. Como variáveis desfavoráveis: a equipe de saúde indígena tomada como \"privilégio\"; a falta de abertura para expressões culturais no encontro entre profissional e usuário indígena e na relação entre profissionais indígenas e não indígenas; a falta de conhecimento sobre a etnia assistida; dificuldades entre as especificidades da equipe indígena e os protocolos seguidos pela equipe Estratégia Saúde da Família. Constatamos um paradoxo essencial em nossa pesquisa: a presença da equipe de saúde indígena facilitou o acesso dos Pankararu às ações de saúde, mas nem sempre, os profissionais consideraram a diversidade cultural na abordagem individual/coletiva ou a inclusão do sistema tradicional indígena de cura (Encantados) na assistência a esse grupo étnico. Percebemos também que os profissionais dessa equipe não dispunham de protocolos e de uma padronização específica da rotina de trabalho para a atenção ao indígena. Defendemos que identificar variáveis que apontam distanciamento das práticas de saúde da ideia de integralidade é essencial para investirmos nas mudanças necessárias para uma boa prática em saúde. Concluímos que a integração e a coordenação de diferentes saberes é um bom caminho para construir projetos de felicidade e encontros interativos em serviços de saúde.

Ano

2014

Creators

Juliana Gonçalves Fidelis

O prestígio na literatura: um estudo do campo literário brasileiro através do Portugal Telecom

Esta dissertação se propõe, em um primeiro momento, analisar o campo literário brasileiro a partir do prêmio literário Portugal Telecom. Por meio do estudo do prêmio, identificam-se alguns elementos que expandem a compreensão do campo, como a posição dos agentes culturais, quais sejam, escritores, editores, curadores, críticos e administradores culturais. Parte-se do pressuposto que o campo é um lugar de disputas, e que cada um desses agentes atua de forma a adquirir ou manter a posição de prestígio. Além disso, os romances premiados no Portugal Telecom fornecem pistas que permitem delinear as tendências narrativas da literatura brasileira do séc. XXI. A hipótese é a de que o prêmio ajuda a consolar um prestígio já adquirido por seus agentes, funcionando duplamente como instrumento de legitimação e confirmação do prestígio

Ano

2017

Creators

Camila Mazi Dacome

José de Alencar e a edição de romances no Brasil do século XIX

Esta dissertação tem por finalidade discutir o início da regulamentação da atividade literária no Brasil a partir dos contratos de Alencar e de outros romancistas com o editor Garnier, considerando o incipiente mercado editorial do século XIX. Além disso, valorizar os prólogos, como importantes no desenvolvimento de um debate acerca do romance nacional, com ênfase em Benção Paterna prefácio de Alencar ao romance Sonhos douro (1872), por meio do qual é possível perceber a consolidação desse gênero e o estatuto que o autor queria elevar o ofício de romancista. Por fim, apresentamos uma leitura do Projeto de Lei de Direitos Autorais, de 1875, de autoria de José de Alencar, formalizando uma busca do escritor pelo reconhecimento da atividade literária e afirmação da obra como propriedade passível de se auferir lucros, mas sem perder o seu valor estético. O objetivo, portanto, da nossa pesquisa é mostrar como o escritor militou a favor da profissionalização do escritor brasileiro, considerando o mercado editorial, os prólogos e o projeto de lei.

Ano

2013

Creators

Aline Alves Ferreira

Ritmos sociais e biológicos em crianças cegas e com baixa visão: uma abordagem histórico-cultural

Nesta pesquisa, analisei o padrão temporal de sono e as atividades cotidianas realizadas por duas crianças cegas e quatro crianças com baixa visão, na faixa etária entre 3-4 a 7-8 anos, por meio de diário de sono e de atividades preenchido ao longo de três semanas, com o objetivo de investigar se crianças cegas ou com baixa visão, sendo algumas com múltipla deficiência, apresentam padrão de ciclo vigília/sono alterado em função da dificuldade de percepção da mudança do ambiente pelo comprometimento do sentido da visão. Parti da hipótese de que a percepção dos ciclos e a organização temporal na espécie humana, principalmente nos centros urbanos das sociedades atuais, estão cada vez mais vinculadas aos compromissos sociais, em geral relacionados ao trabalho e à escola, e cada vez menos à observação da mudança do ambiente causada por eventos geofísicos, como é o caso do ciclo claro/escuro. Ao analisar os resultados, percebemos evidências indiretas de privação de sono nos dias da semana compatíveis com os dados existentes em pesquisas sobre ritmicidade biológica na espécie humana de modo geral, o que confirma a nossa hipótese inicial de organização temporal baseada no ritmo social cada vez mais independente do ciclo claro/escuro geofísico. Porém, evidencio a nossa sugestão em relação a uma identidade temporal singular para cada indivíduo, construída com base em aspectos sociais e biológicos. Assim, a partir de uma análise dialética, concluímos que a questão sobre sincronização de ritmos supera a dicotomia social-biológico e se desloca para as possibilidades diversas de interações entre os sinais temporais do ambiente e a forma como eles atingem singularmente cada sujeito em uma estrutura histórico-cultural

Ano

2019

Creators

Cláudia Rodrigues do Espírito Santo

A memória de moradores da Vila Padre Manoel da Nóbrega sobre a prática de manifestações culturais afro-brasileiras: a presença negra na Vila

O presente estudo tem como objetivo registrar as memórias sobre as manifestações culturais afro-brasileiras praticadas na Vila Padre Manoel da Nóbrega, em Campinas, como a capoeira e o afoxé, e sobre a presença do terreiro de Candomblé e Umbanda. A pesquisa teve como referência dois espaços: o terreiro de Mãe Iberecy e o Instituto Baobá Ibaô, Ponto de Cultura e Memória, presentes no local, respectivamente desde os anos 1980 e 2007, que representam a espacialização das práticas de matriz africana e se relacionam à formação identitária do grupo social envolvido. O estudo baseia-se em entrevistas de história oral realizadas com dez moradores, praticantes e não praticantes selecionados de acordo com o seguinte critério: ser morador do bairro desde sua fundação, o que variou de acordo com as fases de entrega dos imóveis, entre 1975 e 1982. Os entrevistados narraram suas trajetórias e suas memórias acerca das práticas culturais no bairro, entre elas as manifestações afro-brasileiras. Os conceitos de memória, identidade e cultura são norteadores da presente pesquisa, que tem a história oral como metodologia. O contexto da criação do bairro, dentro de uma política de habitação que vigorava nos anos 1970, e o processo de urbanização no município, foram considerados dentro de um modelo de exclusão das camadas populares dos centros das cidades para as periferias, com a criação dos conjuntos habitacionais. O tema do racismo também se revelou presente, relacionado à temática da intolerância religiosa sofrida. A recuperação das manifestações culturais afro-brasileiras ocorre também como parte de um processo de resistência cultural que as comunidades envolvidas empreendem visando legitimar e afirmar sua identidade cultural

Ano

2016

Creators

Marcela Bonetti

Permane (sendo) na Cidade: valores, atores e ações de Permacultura no Município de São Paulo

Fruto da junção dos ideais e da contração das palavras \"agricultura\" e \"permanência\", a Permacultura é uma filosofia que consiste em um conjunto de princípios de design para a \"criação permacultural do espaço\", baseando-se no manejo altamente eficiente e, ao mesmo tempo, ético e ambientalmente sustentável da terra, em assentamentos humanos. A Permacultura é baseada na união de técnicas ancestrais com as novas tecnologias, que promovem a autossuficiência de comunidades, por meio do plantio agroecológico, bioconstrução, captação e tratamento da água da chuva, produção e uso de energias sustentáveis, entre outras ações que compõem a gama de princípios e técnicas práticas da Permacultura. No Brasil, o movimento teve início oficial em 1992, a partir da realização do primeiro curso de formação de Permacultura por Bill Mollison e Scott Pittman, em Porto Alegre, na ECO 92, na mesma década em que também se consolidou no mundo. Frente a uma notável importância social e cultural que a Permacultura vem conquistando ao longo dos últimos anos, para além de sua esfera ambiental e política, no Brasil e no mundo, a pesquisa objetivou verificar como ocorre e é praticada a Permacultura, enquanto cultura alternativa e, no caso, urbana - pelas organizações e grupos presentes e atuantes no Município de São Paulo. A metodologia consistiu em: breve revisão bibliográfica sobre os Estudos Culturais, sobre o processo histórico de expansão urbana do Município e da revisão conceitual sobre o próprio objeto de estudo: a Permacultura; na compilação do Estado da Arte da Permacultura no Brasil, clareando como e em quais linhas as pesquisas nacionais na área estão caminhando; no levantamento de dados e formulação de um quadro das organizações e grupos de Permacultura atuantes no Município, o qual foi a base para o mapa online interativo que foi elaborado e para a realização de entrevistas semi estruturadas abertas e registro em diário de campo com 6 das 38 organizações identificadas, as quais foram registradas em audiovisual, possibilitando também a produção de um mini documentário sobre a Permacultura no Município de São Paulo. Assim, a ocorrência de um fenômeno sociocultural de contracultura foi confirmada, baseando-se em valores compartilhados e traços de identidade cultural que, ao se convergirem, se conectam e se materializam por meio de ações no espaço urbano, fortalecendo vínculos entre atores e a formação de uma rede que promove a expansão do movimento de Permacultura em São Paulo

Ano

2018

Creators

Bárbara Machado Mazzetti

Conhecimento científico e divulgação científica: uma aproximação produtiva em busca do empoderamento e da emancipação

A ciência tem sido profundamente legitimada como produtora de conhecimentos que devem ser transmitidos e assimilados pelos sujeitos. No entanto, o déficit de compreensão de temas científicos pelo público geral é enorme; o conhecimento científico não está igualmente distribuído, nem integrado a outros saberes e, quando se faz presente, muitas vezes, não tem aplicação na vida cotidiana. Esta dissertação tem por objetivo, a partir da análise dos resultados de entrevistas realizadas com docentes do ensino médio que atuam em uma escola da rede estadual da cidade de São Paulo, investigar como ocorre a interação entre o professor e os materiais de divulgação científica, os critérios utilizados para seleção, as vantagens, desvantagens, impedimentos do uso, bem como compreender como esses materiais, trabalhados na última etapa da educação formal, pelo viés dos Estudos Culturais, podem contribuir para a democratização do conhecimento científico, para a ampliação cultural e inserção do cidadão na cultura científica. A seleção das categorias de análise: (1) consumo de informação científica, (2) aspectos metodológicos e (3) relevância da divulgação científica, justifica-se pelo interesse em investigar como o consumo de informações científicas reflete na prática pedagógica e a importância de se trabalhar com a divulgação científica agregada à diversidade epistemológica, na educação formal, de maneira a democratizar o conhecimento científico e a possibilitar ao estudante uma aprendizagem significativa. O procedimento de análise adotado consistiu na análise de conteúdo categorial temática proposta por Bardin (2010) e o recorte realizado foi a nível semântico, no qual os principais temas foram identificados. Os resultados das análises possibilitaram verificar os principais meios de obtenção de informação científica pelos respondentes, os recursos utilizados para divulgação do conhecimento científico, os critérios de seleção, os principais propósitos de ensino para o uso dos materiais de divulgação, bem como as representações sociais que os professores têm sobre o que significa divulgação científica. Além disso, observamos que sendo compreendida como a veiculação de informações científicas e tecnológicas ao público em geral, a divulgação científica pode ser um meio eficiente para socializar e disseminar conhecimentos sobre ciência e tecnologia, aliada ao ensino formal e ao letramento científico, empoderando o cidadão para identificar silenciamentos, obscuridades e contribuir com o combate à disseminação de fake news; constituindo-se um espaço fértil de investigação na medida em que pode constituir um elemento para impedir que o conhecimento seja sinônimo de dominação e poder ou fique concentrado nas mãos de uma minoria, neste caso, aqueles que dominam o conhecimento científico

Ano

2021

Creators

Cristiane Imperador

Tia Maria do Jongo: memórias que ressignificam identidades das atuais lideranças jongueiras do grupo Jongo da Serrinha

Esta pesquisa mostra, a partir das memórias de oito lideranças jongueiras atuais do grupo Jongo da Serrinha, que as ressignificações dos elementos identitários do jongo, existem tanto como forma de preservação como de resistência. As memórias de Tia Maria do Jongo, a atual matriarca do grupo, se destacam, reafirmando os valores africanos de respeito e cuidado com os sujeitos mais velhos da comunidade. A opção por entrevistar somente essas oito jongueiras deve-se ao fato bastante peculiar de haver somente mulheres na liderança desse grupo posição normalmente exercida apenas por homens ou por homens e mulheres em outros grupos de jongo. As diferentes motivações de cada uma dessas mulheres, suas necessidades para continuar naquela posição e suas diferentes identidades jongueiras aparecem através dos relatos de suas memórias. O jongo é uma forma de trabalho para o grupo, que tem uma estrutura profissional para manter seus participantes. O meio urbano, no qual o Jongo da Serrinha está inserido, favorece a uma maior disputa entre as tradições e o mercado cultural

Ano

2015

Creators

Aline Oliveira de Sousa