Repositório RCAAP

Situação epidemiológica da brucelose bovina após a implementação do programa de vacinação no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil

O estudo objetivou avaliar a eficácia do programa de vacinação contra brucelose bovina no estado do Rio Grande do Sul tendo como indicador a prevalência e individualizar os fatores de risco para a doença. O Estado foi dividido em sete regiões. Para cada região foram amostradas aleatoriamente um número preestabelecido de propriedades nas quais foi testado um número também preestabelecido de fêmeas com idade igual ou superior a 24 meses, aleatoriamente selecionadas. O protocolo do sorodiagnóstico foi composto de triagem com o teste do antígeno acidificado tamponado, seguido de teste confirmatório dos sororreagentes com o teste 2-Mercaptoetanol. Nas propriedades foi aplicado um questionário epidemiológico sobre possíveis fatores de riscos associados à brucelose bovina. No estado do Rio Grande do Sul, a prevalência de focos foi de 3,54% [2,49 4,88] e a de animais 0,98% [0,57 1,57]. Nas regiões, as prevalências de focos variaram de 0,66% a 9,03% e a de animais de 0,06% a 2,03%. Rebanhos com 15 ou mais vacas, tipologia corte e compartilhamento de pastagens emergiram como fatores de risco para brucelose bovina no estado. A situação epidemiológica da brucelose bovina no Rio Grande do Sul manteve-se estável desde 2004, a despeito de boas coberturas vacinais terem sido registradas a partir de 2009. Assim, o estado deve continuar seu programa de vacinação, dando ênfase para a qualidade do processo e estimulando a utilização da vacina não indutora de anticorpos. Adicionalmente, o estado deve realizar um grande esforço de educação para que os produtores testem os animais de reprodução para brucelose antes de introduzi-los em suas propriedades e evitem o compartilhamento de pastagens entre rebanhos de condição sanitária desconhecida.

Ano

2017

Creators

Nairleia dos Santos Silva

Avaliação do potencial imunogênico e vacinal das flagelinas de Leptospira interrogans sorovar Copenhageni

A leptospirose é uma zoonose de importância global causada por leptospiras patogênicas, que colonizam os túbulos renais de animais selvagens e domésticos. Vacinas comerciais estão sendo usadas, porém promovem proteção apenas contra os sorovares presentes na preparação e falham em induzir imunidade de longa duração. A porção carboxi-terminal da proteina immunoglobulin like A (LigAC) é capaz de induzir imunoproteção contra a leptospirose. No entanto, a imunização com a LigAC não confere imunidade esterilizante. Flagelinas têm sido consideradas adjuvante promissor para o desenvolvimento de vacinas. As leptospiras possuem dois flagelos periplasmáticos que são constituídos por duas classes de proteínas (FlaA e FlaB). Somente as proteínas FlaB apresentam homologia com as regiões importantes que ativam as respostas dependentes ao receptor Toll-like 5 (TLR-5). Neste estudo, avaliou-se a capacidade de indução da atividade do TLR5 das cinco flagelinas de L. interrogans sorovar Copenhageni (FlaB1, FlaB2, FlaB3, FlaB4 e FlaB5) e o potencial vacinal destas flagelinas na imunidade protetora de LigAC contra o desafio letal em hamsters. As flagelinas recombinantes foram expressas em E. coli e purificadas por cromatografia de afinidade com níquel. Os hamsters foram imunizados por via subcutânea com as flagelinas purificadas e LigAC. Dados experimentais demonstram que todas as flagelinas foram capazes de ativar o receptor TLR5 e a secreção de citocinas em macrógafos estimulados de maneira similar. Nos ensaios de desafio, a maioria dos animais imunizados com as flagelinas e LigAC sobreviveram ao desafio letal entretanto, não foram protegidos contra a colonização renal. Os animais do grupo controle vacinados com PBS morreram com sintomas de leptospirose e hamsters imunizados com a vacina comercial sobreviveram após o desafio

Evaluación descriptiva de la rabia humana y animal, y desarrollo de un modelo predictivo de rabia bovina en el Perú

La rabia es una enfermedad viral, con una alta tasa de mortalidad, la cual es principalmente transmitida por el perro doméstico y el murciélago hematófago, Desmodus rotundus. A pesar de las acciones de prevención y control aún es endémica en el Perú. Los principales objetivos del presente trabajo fueron la descripción de la rabia humana y animal en el Perú, como también el desarrollo de un modelo predictivo de transmisión del virus de la rabia en el ganado bovino. Se utilizaron los reportes nacionales oficiales de casos y brotes de rabia humana y animal entre los años del 2001 al 2017. Los resultados indicaron que los casos de rabia humana ocurren principalmente como consecuencia del ciclo silvestre, y se presentan con mayor frecuencia en las regiones amazónicas. Mientras que los casos de rabia canina han sufrido un reciente aumento debido al brote de la enfermedad en el sur del Perú. Por otro lado, los focos de la rabia bovina han sido bastantes frecuentes a lo largo de los años, y se encuentran distribuidos especialmente a lo largo de los valles interandinos y regiones amazónicas del Perú. Asimismo, el riesgo de transmisión de rabia de murciélagos hematófagos para bovinos se estimó mediante la adaptación de un modelo de receptividad y vulnerabilidad basado en árboles de decisión, para el desarrollo de un modelo predictivo de rabia bovina por distritos. Los datos oficiales de los brotes de la enfermedad en bovinos y la información sobre alteraciones ambientales se utilizaron como covariables. La densidad de bovinos y las características geomorfológicas de cada distrito fueron obtenidas a través del último censo nacional agropecuario y de los sistemas de información geográfica disponibles. El modelo fue validado a través de la evaluación de algunos escenarios que fueron concebidos a partir de diferentes puntos de corte de las variables de receptividad en comparación con la información de los brotes de los últimos 6 años, a fin de encontrar el grado de predicción más adecuado para la ocurrencia de brotes de rabia por distrito. Entre las principales conclusiones, se encuentra la importancia del mantenimiento de las políticas nacionales de prevención y promoción de la salud de la rabia humana y animal en el Perú. Además, del desarrollo de nuevos criterios de intervención que prioricen la ecología de los transmisores del virus a las poblaciones susceptibles, lo que puede representar una mejor opción que otras medidas preventivas que no han tenido el éxito esperado. Finalmente, el modelo de predicción para la rabia bovina propuesto, a pesar de depender de la información generada por la vigilancia epidemiológica de la enfermedad, representa una herramienta interesante para optimizar su funcionamiento a nivel nacional.

Ano

2019

Creators

Francisco Miroslav Ulloa Stanojlovic

Epidemiologia de uma população de onças-pintadas (Panthera onca) da várzea da Amazônia Central

Este estudo teve como objetivo determinar a exposição de uma população de onças- pintadas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá a agentes infecciosos selecionados, assim como realizar exame clínico, descrição hematológica e bioquímica. No período entre janeiro de 2012 a março de 2018 foram capturadas 13 onças-pintadas, sendo oito machos e cinco fêmeas, adultas, utilizando método de captura de laço montadas em trilhas. Os animais foram anestesiados e monitorados durante o procedimento, sendo realizado exame clínico e coleta de amostras biológicas. Foram realizados diagnósticos sorológicos para T. gondii, Leptospira spp, e Brucelas lisas, diagnóstico molecular e sorológico para o vírus da cinomose, vírus da raiva, vírus da leucemia felina, vírus da imunodeficiência felina, os arbovirus, Zika, Chikungunya, Ilhéus, Oeste do Nilo, Encefalite de Saint Louis, Rocio, Febre Amarela e Mayaro, o isolamento foi realizado nos arbovírus. O monitoramento das onças-pintadas ao longo do estudo permitiu caracterizar a distribuição espacial dos indivíduos. As onças-pintadas da área de estudo foram expostas para o vírus da cinomose (1/13, 7,7%); vírus da leucemia felina (1/13, 7,7%); vírus do Oeste do Nilo (1/13, 7,7%); vírus da Encefalite de Saint Louis (1/13, 7,7%); T. gondii (13/13; 100%); e Leptospira spp. (4/13, 30,8%). Todas as análises moleculares e de isolamento foram negativas. Houve influência do sexo nas análises hematológicas e bioquímicas para hemácias e fosfatase alcalina, onde os machos apresentaram médias mais elevadas. De acordo com o exame clínico, dois indivíduos não estavam em boas condições de saúde. O monitoramento após a captura através de transmissores de telemetria VHF/GPS/Iridium evidenciou que dois indivíduos foram abatidos pela população ribeirinha local e três apresentaram “ causa mortis” desconhecida, além disso foi evidenciado sobreposição das áreas de vida das onças com as comunidades tradicionais ribeirinhas. Esses são os primeiros relatos da exposição aos vírus da cinomose, vírus da leucemia felina na Amazônia, e Oeste do Nilo e Encefalite de Sain Louis em onças pintadas no Brasil. Esses resultados enfatizam a importância de estudos epidemiológicos mais aprofundados e contínuos para as populações de onças-pintadas, populações humanas e animais domésticos da área de estudo.

Ano

2021

Creators

Louise Maranhão de Melo

História natural da rangeliose

O protozoário Rangelia vitalii, um piroplasma patogênico para cães, foi descrito no inicio do século XX, porém, apenas recentemente, a espécie foi validada por técnicas de biologia molecular. Observações epidemiológicas têm levado a suspeitar que os carrapatos Rhipicephalus sanguineus e Amblyomma aureolatum sejam potenciais vetores de R. vitalii, muito embora, nenhum estudo tenha, até o momento, comprovado o papel de algum carrapato como vetor de R. vitalii. Desta forma, o presente projeto objetiva: 1- Avaliar a transmissão transovariana de R. vitalii em carrapatos das espécies A. aureolatum, R. sanguineus, Amblyomma ovale, Amblyomma tigrinum e Amblyomma cajennense. 2- Avaliar a perpetuação transestadial de R. vitalii em todos os estágios biológicos das espécies citadas acima; 3- Avaliar a capacidade de larvas, ninfas e adultos de A. aureolatum e R. sanguineus em transmitirem o protozoário R. vitalii para cães, durante o parasitismo; 4- Avaliara a presença do agente em canídeos silvestres das espécies Cerdocyon thous e Lycalopex gymnocercus; 5- Avaliar a capacidade de uma fêmea gestante de Canis lupus familiaris em transmitirem de forma vertical o agente; 6- Conhecer as áreas de distribuição da R. vitalii a partir da pesquisa de casos suspeitos; 7- Avaliar as alterações clínicas e hematológicas dos cães infectados, via carrapato ou inoculação. Para tal, cães foram experimentalmente infectados com cepas patogênicas de R. vitalii oriundas do Rio Grande do Sul. Larvas, ninfas e adultos de R. sanguineus, A. aureolatum, A. ovale, A. tigrinum e A. cajennense foram levados a infestar esses cães infectados, e posteriormente, após ecdise ou postura de ovos em incubadora, os estágios biológicos subsequentes foram testados por PCR para presença de DNA de R. viatlii e levados a infestar cães não infectados, a fim de se verificar a transmissão de R. vitalii. Além disso, foi pesquisado a presença de R. vitalii em cães domésticos e canídeos silvestres das regiões Sul e Sudeste. Os resultados obtidos permitiram adquirir uma melhor compreensão da epidemiologia da rangeliose canina, pois além de comprovar a competência vetorial de A. aureolatum para R. vitalii (e a não competência para as demais espécies de carrapatos testadas), ampliou a distribuição geográfica deste agente nas regiões Sul e Sudeste. O estudo também possibilitou relatar uma infecção natural e persistente de um C. thous por R. vitalii. Diferentemente dos cães domésticos, que manifestam severas alterações clínicas e hematológicas decorrentes da infecção por R. vitalii, foi verificado um caso de infecção 8 assintomática em um C. thous, sugerindo um possível papel de reservatório do agente na natureza, uma vez que este canídeo silvestre é o principal hospedeiro silvestre para o carrapato A. aureolatum. A distribuição geográfica dos casos de rangeliose tanto em cães domésticos com em C. thous coincidem com a distribuição geográfica deste vetor. Portanto, esta espécie de carrapato, que já se mostrou capaz de veicular o agente em condições de laboratório, é provavelmente seu vetor em condições naturais.

Ano

2014

Creators

João Fabio Soares

Prevalência e caracterização epidemiológica da brucelose bovina no Estado de Santa Catarina

Com o objetivo de se conhecer a situação epidemiológica da brucelose bovina no Estado de Santa Catarina, o mesmo foi subdividido em cinco áreas epidemiológicas. Para o planejamento amostral foi utilizada a amostragem aleatória sistemática. Além do cálculo da prevalência da brucelose bovina, foi realizada a caracterização epidemiológica das propriedades em cada uma das cinco áreas e verificada a possibilidade de agrupamento de algumas delas de acordo com as semelhanças existentes. Para o estudo foram colhidas amostras de soro de 7756 animais e questionários epidemiológicos foram aplicados em 1579 propriedades. As prevalências de focos e de animais soropositivos para brucelose bovina no Estado de Santa Catarina foram 0,02% (0,00-0,15%) e 0,06% (0,01-0,40%), respectivamente. Nas áreas 1 e 2, a prevalência de focos foi de 0,00% (0,00-1,23%); na área 3 foi de 0,00% (0,00-0,93%), na área 4 foi de 0,34% (0,00-1,86%) e na área 5 foi de 0,00% (0,00-1,26%). Em relação à prevalência de animais soropositivos para brucelose bovina, com exceção da área 4, cuja prevalência foi de 0,89% (0,13-5,76%), as demais áreas tiveram prevalência de 0,00% (0,00-0,00%). A maioria das propriedades das cinco áreas possui criação extensiva e bovinos mestiços, utiliza ordenha manual e não utiliza inseminação artificial. Com exceção da área 5, cuja maioria é de exploração leiteira, as demais são predominantemente de exploração mista. A área 3, que possui a maior mediana de produção diária de leite (7,5 litros), é a única cuja maioria das propriedades fazem o resfriamento do leite. A área 1 é a que possui maior mediana do número de bovinos (16 bovinos por propriedade). De acordo com as análises realizadas, sugere-se que as áreas 3 e 4 sejam agrupadas.

Ano

2004

Creators

Suzana Sikusawa

Detecção do vírus da raiva em órgãos de morcegos do gênero Artibeus (Leach, 1821) por meio de RT-PCR, Hemi-Nested RT-PCR e Real Time RT-PCR

Este estudo teve como objetivo detectar a presença do vírus da raiva em diferentes órgãos de morcegos do gênero Artibeus empregando as técnicas moleculares como RT-PCR, hnRT-PCR e Real Time RT-PCR. De aproximadamente 4000 espécimes de morcegos recebidas no Instituto Pasteur para o diagnóstico da raiva, foram selecionados 30 morcegos do gênero Artibeus, com resultados positivos para raiva pelas técnicas tradicionais de IFD e inoculação em células N2A utilizando suspensões feitas a partir do SNC. Para as técnicas moleculares, foram retirados glândulas salivares, bexigas urinárias, rins, pulmões e conteúdos fecais e ainda foram lavadas as calotas cranianas dos espécimes. Os órgãos e conteúdos fecais foram diluídos a 1:10 (P/V) e as bexigas urinárias a 1:20 (P/V). As suspensões foram inoculadas em células N2A para o isolamento viral. Foi realizada a extração do RNA total usando o TRIzol®, foram realizadas a transcrição reversa seguida da PCR e hnRT-PCR com utilização de primers específicos para o gene codificante da proteína N. A partir do produto da transcrição reversa foi realizada a técnica de Real Time RT-PCR, utilizando primers e sonda específicos para variante antigênica 3. Das 30 suspensões de lavado cerebral, 28 (93,33%) resultaram positivos, na inoculação em cultura de células, seguido de glândulas salivares (36,67%), bexigas (16,67%) e conteúdos fecais (3,33%). Os resultados encontrados da sensibilidade nas técnicas de RT-PCR, hnRT-PCR e Real Time RT-PCR foram 56,25%, 82,57% e 82,19% quando avaliadas as 180 amostras analisadas. A comparação das técnicas de hnRT-PCR e Real Time RT-PCR feita pelo teste exato de Fisher quanto a proporção de positivos detectados mostrou que para o lavado cerebral, órgãos e conteúdos fecais a proporção foi igual (P>0,05). Em relação à positividade os resultados encontrados nas técnicas de hnRT-PCR e Real Time RT-PCR foram 100% em lavado cerebral; 90% e 93,33% em glândulas salivares; 83,33% e 90% em bexigas; 80% e 93,33% em rins; 76,67% e 50% em pulmões e 43,33% em ambas as técnicas em conteúdos fecais. Esses resultados sugerem que tanto as técnicas de hnRT-PCR como Real Time RT-PCR podem ser utilizadas como métodos complementares para o diagnóstico da raiva e são sensíveis o bastante para o uso em estudos de patogênese. A técnica de Real Time RT-PCR realizada neste estudo se mostrou eficiente em detectar o RABV em diferentes órgãos e tecidos extraneurais com a vantagem de ser uma técnica mais rápida e sensível.

Ano

2011

Creators

Karin Correa Scheffer Ferreira

Modeling and stochastic simulation to study the dynamics of Rickettsia rickettsii in populations of Hydrochoerus hydrochaeris and Amblyomma sculptum in the State of São Paulo, Brazil

There are a huge number of pathogens with multi-component transmission cycles, involving ampli_er hosts, vectors, complex pathogen life cycles and particular environmental conditions. These complex systems present challenges in terms of modeling and policy development. The deadliest tick-borne infectious disease in the world, the Brazilian Spotted Fever (BSF), is a relevant example of that. The current increase of human cases of BSF has been associated with the presence and expansion of capybaras Hydrochoerus hydrochaeris, amplifer host for the agent Rickettsia rickettsii and primary host for the tick vector Amblyomma sculptum. The objective of this thesis was to analyze the dynamics of the FMB with the purpose of providing bases for the planning of strategies focused on the prevention of human cases. We proposed diferent approaches to evaluating: i) the contribution of hosts and vectors in the transmission of BSF, ii) potential risk areas and anthropogenic parameters associated with the occurrence of human cases, iii) the pattern and the spatial propagation velocity of BSF, and iv) climatic and landscape factors that could be related to the distribution of the vector. The proposed approaches elucidated how BSF control and prevention strategies can be focused on the management of amplifier hosts populations. We found that geographical barriers generated, for example, by areas of riparian reforestation, could prevent the spatial spread of BSF, since a positive association between the occurrence of human cases and the increment of sugarcane crop was determined, as well as a higher propagation velocity of BSF in places with higher carrying capacity. This thesis was interdisciplinary and required, on one hand, expertise in biology, computational epidemiology, mathematics and statistics and on the other hand, a datarich environment such as the Laboratory of Parasitology of the VPS/FMVZ/USP. The results of this thesis can be usefulness in the planning of public health policies related to the prevention of BSF. Furthermore, this work will open the path to further mathematical and computational studies focused on the dynamics and prevention of other vector-borne infectious diseases.

Ano

2017

Creators

Gina Paola Polo Infante

Dissecação da arte: a medicina na obra de Adriana Varejão

Adriana Varejão é um das principais artistas visuais brasileiras da atualidade. Através da releitura de elementos visuais incorporados à nossa cultura por meio da colonização, Varejão utiliza a pintura como suporte para a exploração de temas onde a representação da carnalidade e de práticas do repertório médico são recorrentes. Esta pesquisa se propõe a abordar as obras da artista Adriana Varejão a partir da relação destas com aspectos da medicina, apontando, quando pertinente, um possível diálogo entre os trabalhos selecionados e a tradição médica presente na história da arte ocidental. Partindo da hipótese de que o conhecimento de práticas médicas atuais ou do passado (o repertório específico de um sujeito observador particular) pode oferecer uma possibilidade de leitura da arte, são analisadas nove obras da artista, nas quais estão presentes tanto a representação da carnalidade quanto de práticas do repertório médico: Mapa de Lopo Homem; Testemunhas oculares X, Y e Z; Extirpação do mal por overdose; Extirpação do mal por incisura; Extirpação do mal por curetagem; Extirpação do mal por punção; Extirpação do mal por revulsão; Laparotomia exploratória I e Laparotomia exploratória II.

Ano

2019

Creators

Amanda Oliveira Moreto

Conservação do Mabuia (Trachylepis atlantica, Schmidt, 1945) no Arquipélago de Fernando de Noronha PE: reprodução, densidade populacional e avaliação sanitária

Localizado no Oceano Atlântico e no Nordeste do Brasil, o arquipélago de Fernando de Noronha pertence ao estado de Pernambuco e é composto por 21 ilhas de origem vulcânica, sendo que sua ilha principal apresenta uma área de 16,9 Km² (Olson, 1981; Carleton e Olson, 1999). O arquipélago possui duas espécies endêmicas de répteis, uma delas chamada de cobra-de-duas-cabeças (Amphisbaena ridleyi) e a outra popularmente chamada de mabuia-de-noronha (Trachylepis atlantica) (Ramalho et al., 2009). O Trachyepis atlantica apresentou dimorfismo sexual, sazonalidade reprodutiva e as cópulas e posturas dos ovos ocorreram durante a estação seca. Machos defendem ativamente seus territórios de outros machos invasores e as fêmeas não apresentaram mais do que dois ovos no oviduto por estação reprodutiva. Além das espécies endêmicas de répteis presentes no arquipélago, outros habitantes continentais pertencentes à mesma classe, Reptilia, foram introduzidas no arquipélago: Salvator merianae e Hemidactylus mabouia. Espécies exóticas invasoras são ameaças à biodiversidade em todo o mundo, especialmente em ambientes insulares. Dois métodos foram utilizados para estimar a densidade do mabuia-de-noronha. A densidade para a ilha principal foi de 0.167 ind./m²±0.090 ind./m²; para as ilhas secundárias foi de 0,357±0.170 ind./m²; e para o arquipélago todo foi de 0.184±0.109 ind./m². Os animais presentes nas ilhas secundárias apresentaram parâmetros morfométricos maiores do que os indivíduos presentes na ilha principal. Nesses ambientes, espécies endêmicas são mais vulneráveis à predação e competição por recursos, bem como às doenças trazidas pela espécie introduzida, podendo inclusive, causar sua extinção. Microrganismos da cavidade oral e cloacal foram identificados, bem como a ocorrência de ectoparasitas. O índice de massa corporal e parâmetros hematológicos foram determinados a partir de indivíduos saudáveis. Desta maneira, este projeto gerou elementos técnicos para a promoção da conservação desta espécie endêmica que vem sofrendo uma série de pressões antrópicas no Arquipélago de Fernando de Noronha. Para isso, caracterizouse a biologia reprodutiva, a densidade populacional e foi realizado a avaliação sanitária da população de mabuias. Até a elaboração do presente projeto, tais informações não estavam disponíveis na literatura científica. Os resultados demonstraram o declínio da população de mabuias presentes na ilha principal. Por fim, essas informações poderão ser utilizadas para a criação de um plano de manejo e conservação da espécie, juntamente com analistas ambientas do ICMBio e integrantes locais da comunidade.

Ano

2019

Creators

Vinícius Peron de Oliveira Gasparotto

Caracterização epidemiológica da tuberculose bovina no estado de Tocantins, Brasil

Foi realizado um estudo seccional sobre a situação epidemiológica da tuberculose bovina no Estado de Tocantins. O Estado foi dividido em cinco regiões e em cada uma delas foi aleatoriamente amostrado um número pré-estabelecido de propriedades. Dentro de cada propriedade, fêmeas com idade igual ou superior a 24 meses foram escolhidas aleatoriamente e submetidas ao teste Tuberculínico Cervical Comparativo. Os animais que resultaram inconclusivos foram retestados com o mesmo procedimento diagnóstico em intervalo mínimo de 60 dias. Ao todo foram tuberculinizados 11.926 animais provenientes de 757 propriedades. A prevalência de focos no estado foi de 0,16% [0,023; 1,15] e a de animais 0,009% [0,001; 0,063]. Foi detectado apenas um foco de tuberculose bovina na região de Araguaína, ao Norte do estado. Em função da prevalência muito baixa, a melhor estratégia a ser adotada por Tocantins é a implementação de estratégias de erradicação através de sistema de vigilância para detecção e saneamento dos focos residuais, avaliando a conveniência de incorporar elementos de vigilância baseada em risco.

Ano

2020

Creators

Saulo de Tarso Zacarias Machado

Ocorrência de Salmonella spp em amostras de carcaças e miúdos de frango obtidas em uma feira e um mercado municipal na zona oeste da cidade de São Paulo: análise crítica entre a técnica convencional em meios de cultivo e reação em cadeia pela polimerase - PCR

O presente estudo teve por objetivos estudar a ocorrência de Salmonella spp em amostras de carcaças e miúdos de frango obtidas em uma feira e um mercado municipal da zona oeste da cidade de São Paulo e fazer uma análise crítica entre a técnica convencional em meios de cultivo e reação em cadeia pela polimerase PCR. Foram utilizadas 63 carcaças de frangos e 63 conjuntos de miúdos, obtidos no período de novembro de 2006 a maio de 2007. Pesquisou-se salmonela nas amostras pela técnica convencional em meios de cultivo e pela PCR. Pela técnica convencional identificou-se Salmonella em (6/63) das amostras de carcaça e (5/63) das amostras de miúdos e, pela PCR obteve-se (20/63) das amostras de miúdos e (28/63) das amostras de carcaça. As estirpes sorotipificadas como Salmonella oriundas das amostras de carcaças foram identificadas, como S. Senftenberg; S. Kentucky; S. Enteritidis; S. Montevideo; S. Infantis, S. enterica subsp enterica (0: 6.7). S. Enteritidis; S. enterica subsp enterica; S. Infantis. As estirpes provenientes das amostras de miúdos foram identificadas como S. Enteritidis; S. enterica subsp enterica; S. Infantis. As (18/21) estirpes identificadas como Salmonella pelo estudo apresentaram resistência aos antimicrobianos testados. O método convencional é indispensável quando se necessita a obtenção da estirpe para estudos de outras naturezas, para se cumprir a legislação brasileira que se vale de padrões microbiológicos estabelecidos pelos métodos convencionais. A técnica da PCR é válida e útil desde que seja padronizada de acordo com as necessidades e condições de cada laboratório; é bastante útil na implementação de sistema APPCC; no monitoramento de agentes específicos dentro de produções de alimentos; para estudos epidemiológicos da ocorrência, dinâmica de distribuição do agente.

Ano

2008

Creators

Alessandra Grangel Maldonado

Impacto de diferentes métodos de controle na dinâmica da leishmaniose visceral em áreas endêmicas do Brasil

A Leishmaniose visceral (LV) é uma zoonose de ampla distribuição, e atualmente, representa sério problema para a saúde pública. Nas Américas, agente etiológico é a Leishmania (Leishmania) infantum, transmitido, principalmente, pela picada da fêmea de Lutzomyia longipalpis (Diptera: Psychodidae) infectada. O cão doméstico é considerado o principal reservatório da doença. No Brasil, embora sejam utilizadas diversas estratégias para o controle da doença, a mesma persiste e continua sendo dispersada. Devido ao fato dessas estratégias apresentarem dificuldades, por sua complexidade e custo de seus protocolos, faz-se necessária a reavaliação da eficácia e viabilidade das mesmas em estudos teóricos. O uso da modelagem matemática tem auxiliado essas avaliações. Após a adaptação de um modelo já existente para LV, foi avaliada a eficácia do uso de intervenções em cães, como coleira impregnada com deltametrina, vacina e sacrifício, em diferentes coberturas e de modo regular e contínuo. Como base, foram utilizados dados característicos de áreas endêmicas do Brasil. Os cinco melhores cenários simulados foram capazes de diminuir as prevalências de cães e humanos, consideravelmente. Por ordem de eficácia são: 1) Coleira em 75% dos cães; 2) Sacrifício de 90% dos cães; 3) Coleira em 50% dos cães; 4) Sacrifício de 75% dos cães; 5) Vacina (eficácia vacinal de 80%) em 75% dos cães. Algumas medidas foram capazes de gerar cenários parecidos ou semelhantes, de prevalências em cães e humanos, quando utilizadas em diferentes coberturas de cães. Visto que a dinâmica da LV apresentou-se altamente dependente dos parâmetros relacionados ao vetor, e, uma vez que a coleira impregnada com inseticida interfere nestes parâmetros, o uso da mesma em cães se mostra como uma medida eficaz no controle da LV. Entretanto, o efeito repelente da coleira se mostrou eficaz quando se encoleira grande cobertura de animais. Sendo assim, todas medidas enfocadas em cães, simuladas no presente estudo, são capazes de controlar a prevalência da LV nas populações de cães e humanos, desde que utilizadas em alta cobertura de animais.

Ano

2014

Creators

Anaiá da Paixão Sevá

Epidemiological status of bovine tuberculosis in the State of Rio Grande do Sul, Brazil

A study was conducted to determine the epidemiological status of bovine tuberculosis in the state of Rio Grande do Sul. The state was divided in seven regions, and in each of them, a pre-established number of farms was randomly sampled. In each farm, cows with age equal to or greater than 24 months were selected at random and submitted to the comparative cervical tuberculin test. The animals whose tests were inconclusive were retested with the same diagnostic procedure within a minimum interval of 60 days. In all, 9,895 animals from 1,067 farms were tested. An epidemiological questionnaire was applied in the farms in order to identify risk factors associated with bovine tuberculosis. The prevalence of infected herds in the state was 2.8% [1.8; 4.0] and that of infected animals was 0.7% [0.4; 1.0]. There was a trend towards a concentration of infected herds in the northern part of the state, with a predominance of dairy and mixed herds. The risk factors associated with the condition of infected herds were being a dairy herd (OR = 2.90 [1.40; 6.13]) and herds with 16 or more cows (OR = 2.61 [1.20; 5.49]). Thus, the best strategy to be adopted by the state is the implementation of surveillance systems to detect and remediate the infected herds, preferably incorporating elements of risk-based surveillance. In addition, the state must carry out a solid action of health education so that the producers test animals for bovine tuberculosis before introducing them in their herds

Ano

2016

Creators

Mariana Ramos Queiroz

Desenvolvimento e uso de aplicativo móvel para monitoramento da ocorrência de mordeduras por morcegos hematófagos e suspeitas de raiva em herbívoros no Estado de São Paulo

O monitoramento da população animal é um instrumento imprescindível para o controle de zoonoses e outras doenças. Com o avanço tecnológico, em termos de comunicação, houve o aumento no desenvolvimento de aplicativos móveis. Este trabalho tem com o objetivo desenvolver um aplicativo móvel para o sistema operacional Android® com o propósito de otimizar o sistema de notificação de animais espoliados por morcegos e casos de suspeitas de raiva. Sendo utilizado para o desenvolvimento do aplicativo o Software LiveCode®. O Aplicativo é capaz de se conectar ao banco de dados em um servidor através da Internet móvel ou wi fi, e permite ao proprietário notificar a incidência de mordedura por morcego ou suspeita de raiva no rebanho, e ao médico veterinário visualizar e modificar os dados enviados pelo proprietário da sua região. Diante dos dados obtidos neste trabalho, conclui-se que o aplicativo atende aos objetivos propostos de coletar dados de notificação e otimizar o sistema de notificação. A baixa adesão ao aplicativo, devido a ausência de acesso a Internet pelos proprietários, sugere a necessidade de modificar o sistema de comunicação do aplicativo com o banco de dados.

Ano

2017

Creators

Vanessa Cristinne Victor Rabaquim

Cultura de células embrionárias de carrapatos do gênero Rhipicephalus para cultivo de Ehrlichia canis e Anaplasma marginale

No Brasil, carrapatos do gênero Rhipicephalus são representados pelas espécies Rhipicephalus sanguineuss.l. (Latreille) e Rhipicephalus (Boophilus) microplus (Canestrini), sendo que a primeira espécie possui especificidade com cães domésticos e a segunda com bovinos. Para o cão, R. sanguineus s.l. é o principal vetor de agentes causadores da babesiose canina e da erliquiose, enquanto que nos bovinos, R. microplus é responsável, principalmente, pela transmissão de agentes causadores da babesiose e anaplasmose. Alguns dos patógenos causadores dessas doenças são difíceis de serem cultivados in vitro, e não crescem em meios artificiais, especialmente Anaplasma spp. Assim, muitas linhagens celulares de carrapatos foram desenvolvidas nos últimos 40 anos e têm sido amplamente utilizadas para isolamento e propagação de microrganismos patogênicos. Cultivos celulares obtidos de células embrionárias de carrapatos oferecem um sistema de vetor in vitro, que é útil principalmente para estudos de agentes intracelulares. Dessa forma, a obtenção de culturas de células embrionárias de R. sanguineus (origens tropical e temperada) e de R. (B.) microplus, bem como, sua infecção com Ehrlichia canis e Anaplasma marginale, respectivamente, são objetivos do presente estudo. Os cultivos celulares dessas espécies de carrapatos foram preparados com massas de ovos de diferentes idades e mantidos à 30 °C em meio de cultura L15-B, suplementado com 10% de Triptose Fosfato e 20% de Soro Fetal Bovino. Subcultivos foram realizados após a formação da monocamada celular confluente. As identidades celulares foram confirmadas pela PCR e sequenciamento, utilizando um fragmento do gene mitocondrial 16S rDNA. As sequências das culturas de células de R. sanguineus (tropical e temperada) e de R. microplus foram depositadas no GenBank. Essas culturas de células foram infectadas com E. canis e A. marginale (cepas Jaboticabal), respectivamente, e mantidas em meio L-15B (Vitrocell) suplementado com Soro Fetal Bovino enriquecido com ferro (Hyclone) nas concentrações de 2% e 5%. As células infectadas foram mantidas em propagações sucessivas até a terceira passagem, para novas culturas de células não infectadas, sendo então criopreservadas. O DNA extraído das células infectadas e não infectadas de R. sanguineus (de ambas as origens) e de R. microplus, foi analisado pela PCR quantitativa em tempo real (qPCR), utilizando os genes E. canis-dsb e msp1β, respectivamente. Propagações de células de carrapatos infectadas para as novas culturas de R. sanguineus (origem tropical) e R. (B) microplus, foram bem sucedidas. Por outro lado, as células de R. sanguineus (origem temperada) não se tornaram infectadas no presente estudo.

Ano

2017

Creators

Leidiane Lima Duarte

Vigilância e controle da raiva em herbívoros sob aspectos da biologia do Desmodus rotundus (E. GEOFFROY, 1810) e da circulação do vírus da raiva em populações susceptíveis relacionadas às ações do serviço veterinário oficial

A importância do morcego hematófago Desmodus rotundus para a manutenção do vírus da raiva no meio rural não reside unicamente em sua capacidade de transmitir esta enfermidade para animais de produção, mas também na sua capacidade de adaptação às mudanças ambientais e climáticas, concedendo-lhe uma ampla distribuição geográfica. Métodos de controle e vigilância para esta enfermidade foram criados baseando-se no conhecimento empírico acumulado sobre a transmissão do vírus pelos morcegos hematófagos. Esta abordagem, no entanto, tem se mostrado insuficiente para controlar adequadamente a doença em animais de produção, tendo sido observado um aumento no número de casos notificados nos últimos anos. No presente trabalho, foram descritos os padrões de uso do espaço por estes morcegos por meio de monitoramento por rádio-telemetria. Com base nos resultados obtidos, somados aos conhecimentos científicos disponíveis, construiu-se um modelo de transmissão incorporando determinantes geográficos e comportamentais do morcego hematófago com o intuito de direcionar e otimizar as ações de vigilância epidemiológica e controle da transmissão da raiva. Uma rede do tipo bimodal foi construída, composta pela integração entre uma rede de contato entre abrigos de morcegos hematófagos e outra, de contato entre estes abrigos e propriedades rurais criadoras de herbívoros de interesse econômico. O modelo resultante demonstra maior significância da rede entre abrigos para a manutenção e transmissão do vírus, além da correlação entre topografia e espoliação. O modelo foi capaz de identificar comunidades de propriedades rurais sob risco para a ocorrência de raiva e em que comunidades de abrigos o vírus se mantem circulando. O entendimento das interações entre morcegos e suas fontes de alimentação, influenciadas pelo ambiente, permite estabelecer medidas de vigilância e controle mais precisas e, em última instância, com uma menor relação de custo-benefício destas ações.

Identificação e caracterização de tripanossomatídeos que infectam cães em área endêmica para leishmaniose visceral canina

A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma grave zoonose, causada pela Leishmania infantum (syn. chagasi). O ciclo deste parasito é heteroxeno e a transmissão acontece principalmente pela picada da fêmea do vetor, dípteros da espécie Lutzomyia longipapis. O cão doméstico é o principal alvo das campanhas de controle da doença por ser a principal fonte de infecção para o vetor no ambiente urbano. O Ministério da Saúde adota testes sorológicos para a detecção de animais positivos; no entanto a sensibilidade e especificidade desses testes são questionáveis. Além das falhas inerentes a qualquer teste diagnóstico, no caso da LVC existem alguns entraves, especialmente pela distribuição geográfica, comum a outras doenças causadas por tripanossomas, e pela similaridade genética com os outros parasitas da mesma família. Nessas áreas de sobreposição pode haver tanto reação cruzada quanto co-infecção, dificultando a interpretação dos testes. No presente estudo, foram coletadas amostras de suabe conjuntival e sangue de cães em inquérito soroepidemiológico realizado no município de Ilha Solteira - SP. A presença de Leishmania spp. e Leishmania infantum foram testadas por PCR convencional e PCR em tempo real com primers direcionados ao kDNA de Leishmania spp. A avaliação sorológica foi realizada através da RIFI, e a identificação e caracterização dos tripanossomatídeos foi realizada através da PCR com primers ITS1. A SC-qPCR foi o teste que detectou o maior número de animais. De 204 cães utilizados no estudo, 19,12% (30/204) foram positivos na SC-qPCR. Na SG-qPCR foram 12,74% (26/204) de animais positivos. O teste que detectou o menor número de animais foi a SC-cPCR, com 10,78% (22/204). Enquanto na SG-cPCR obtivemos 13,23% (27/204) animais positivos. De 28 amostras selecionadas para o sequenciamento do gene ITS1, 19 (67,85%) foram 100 ou 99% similares à L. infantum, sugerindo que a maioria dos cães positivos para LVC estavam realmente infectados com esta espécie. Entretanto, 2 cães (7,14%), que tiveram suas amostras sequenciadas para tal gene, revelaram 99% de similaridade com Crithidia fasciculata. Dos testes avaliados, esses cães foram positivos apenas na SG-cPCR para Leishmania spp. Os resultados indicam que a SC-qPCR foi o teste mais eficaz em detectar amostras realmente positivas para L. infantum, e que se deve atentar ao fato de existirem outros tripanossomatídeos infectando os cães em área endêmica de LVC, podendo dificultar o diagnóstico adequado dos animais infectados por L. infantum.

Ano

2016

Creators

Vanessa Figueredo Pereira

Caracterização biológica e genotípica de isolados de Toxoplasma gondii de capivaras (Hydrochaeris hydrochaeris) do Estado de São Paulo

Foi realizada a pesquisa de anticorpos anti-Toxoplasma gondii, através do teste de aglutinação modificado (MAT), em 68 amostras de soros de capivaras de seis municípios no estado de São Paulo. Anticorpos (MAT?25) foram encontrados em 51 (75%) capivaras examinadas. Dentre estas realizou-se o bioensaio em camundongos, com tecidos do cérebro, coração e língua, de 40 capivaras, sendo obtidos 36 isolados (90%). Não houve associação entre o número de isolados e idade das capivaras (p=0,21), sexo (p=0,58) ou tipo de criação (p=0,62), isto é, criadouros e vida livre, bem como a freqüência de isolamentos e os títulos de anticorpos (p=0,99). A análise de polimorfismo de comprimento dos fragmentos de DNA gerados por enzimas de restrição (RFLP) sobre produtos do locus SAG2 amplificados pela reação em cadeia pela polimerase (PCR) revelou que 20 isolados (55,5%) pertenciam ao genótipo I, 14 (38,9%) ao genótipo III e dois (5,6%) que apresentaram genótipo misto (tipos I e III). Não foi encontrado isolado tipo II. A proporção de isolados tipo I entre as capivaras de vida livre foi maior (p=0,049) do que entre as capivaras provenientes de criadouros. Por outro lado, entre as capivaras de criadouros, a proporção de isolados tipo III foi maior (p=0,041). A maioria dos isolados tipo I (12/20) causou óbito em todos os camundongos infectados e, em nenhum grupo com este isolado, 100% dos camundongos sobreviveram. A maioria dos isolados tipo III (8/14) não matou nenhum camundongo infectado. A freqüência de óbitos em camundongos com genótipo I (86%) foi maior do que o tipo III (44,9%) (p<0,001), enquanto a sobrevida dos camundongos com genótipo III foi significativamente maior que a dos camundongos com genótipo I (p<0,001). Foram encontrados cistos nos cérebros dos camundongos infectados em todos os 36 isolados. A análise genotípica também foi realizada diretamente dos tecidos de 35 das 36 capivaras (homogeneizados de tecidos) das quais houve isolamento pelo bioensaio, usando nestedPCR-RFLP no locus SAG2. Foram caracterizadas 22 amostras (62,8%), 21 delas idênticas aos dos isolados correspondentes. Em uma amostra genótipo misto foi obtido dos tecidos primários e tipo I no isolado. Os genótipos mistos foram confirmados pelo seqüenciamento de DNA dos produtos da nestedPCR obtidos das amostras primárias das capivaras.

Ano

2007

Creators

Lucia Eiko Oishi Yai

Pesquisa de Rickettsia, Ehrlichia, Anaplasma, Babesia, Hepatozoon e Leishmania em Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) de vida livre do Estado do Espírito Santo

Foram coletados cinqüenta e oito (58) amostras de cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) de vida livre, provenientes do Estado do Espírito Santo, Brasil. Os animais eram mortos por atropelamento ao longo da rodovia estadual ES-060 que liga os municípios de Vila Velha à Guarapari, passando por duas reservas florestais de Mata Atlântica. Todos os animais eram encaminhados para a Universidade de Vila Velha UVV pela concessionária RodoSol, onde passavam por detalhado exame necroscópico com coleta de tecidos e ectoparasitas para pesquisa de patógenos pela técnica de Reação em Cadeia de Polimerase (PCR). Todas as amostras obtidas foram testadas quanto à presença de agentes pertencentes à família Anaplasmataceae e membros dos gêneros Rickettsia, Borrelia, Babesia, Coxiella, Leishmania, Hepatozoon e Ehrlichia. No total foram colhidos 25 espécimes de carrapatos, todos em estágio ninfal e pertencentes à espécie Amblyomma cajennense. Na pesquisa de patógenos pela PCR, não foi encontrada nenhuma amostra de animal ou carrapato positiva para Leishmania spp, Rickettsia spp, Borrelia spp, Babesia spp e Coxiella spp. Das 58 amostras de tecidos, 29 (50%) foram positivas para Hepatozoon spp no gene 18S rRNA, tendo sido identificado dois genótipos, um denominado Hepatozoon sp. ex Cerdocyon thous, presente em 96,55% dos animais testados, com máxima similaridade de 98,67% com a espécie Hepatozoon sp. curupira 2 (AY461377). O outro genótipo foi encontrado em somente um animal (3,44%), denominado Hepatozoon sp. P20 Cerdocyon thous, que apresentou máxima similaridade de 97,5% com Hepatozoon sp. 744C (EU430234). Na pesquisa para Ehrlichia spp, seis amostras foram positivas (10,34%). As seis amostras foram caracterizadas como uma possível nova espécie de Ehrlichia, denominada Ehrlichia sp. ex Cerdocyon thous, com máxima similaridade de 97,57% com a espécie Ehrlichia ruminantium (DQ482915) para o gene 16S e 82,51% similar com E. ruminantium str. Gardel (CR925677) para o gene dsb. Todas as espécies de carrapatos foram negativas. Hepatozoon spp e Ehrlichia spp são agentes infecciosos transmitidos por carrapatos, com potencial zoonótico, de potencial impacto para saúde animal e humana.

Ano

2011

Creators

Aliny Pontes Almeida