Repositório RCAAP
Pesquisa de infecção por riquétsias do grupo da Febre Maculosa em humanos, eqüídeos, caninos e em diferentes estádios de vida de Amblyomma cajennense, provenientes de uma área endêmica do Estado de São Paulo
A febre maculosa é uma zoonose emergente causada por bactérias do gênero Rickettsia do Grupo da Febre Maculosa (GFM). Este estudo foi delineado para comprovar indiretamente a infecção por riquétsias em humanos e animais e, diretamente em carrapatos Amblyomma cajennense. As amostras foram colhidas no município de Pedreira, região endêmica do estado de São Paulo. A reação de imunofluorescência indireta foi positiva em 31,2% e 77,3% dos soros de cães e eqüinos, respectivamente. Nenhum humano se apresentou positivo para esse teste. Para confirmar a infecção natural dos carrapatos adultos, utilizou-se o teste de hemolinfa, que se revelou insatisfatório. Larvas, ninfas e adultos de A. cajennense foram submetidos à técnica de reação em cadeia pela polimerase (PCR). As reações resultaram na amplificação de um fragmento (230pb) do gene codificador da proteína 17 kDa, somente em adultos (4,7%) e em larvas (1,1%). Não foi possível a amplificação de nenhum fragmento de outros genes testados (citrato sintase, OmpA e OmpB). Os produtos amplificados pela PCR de dois carrapatos adultos e de quatro larvas foram seqüenciados, apresentando 100% de similaridade com Rickettsia felis; e de 99,4% a 100% de similaridade com Rickettsia rickettsii, Rickettsia conorii, Rickettsia parkeri e Rickettsia peacockii, respectivamente. A detecção de positividade em larvas não alimentadas confirma a ocorrência da transmissão transovariana de riquétsias na espécie A. cajennense. A alta identidade observadas entre as riquétsias estudadas e as espécies acima mencionadas sugere a existência dessas bactérias na região. Contudo, maiores estudos deverão ser realizados, uma vez que as sequências de bases do fragmento de DNA estudado não permite a distinção entre as diferentes riquétsias do GFM.
Emprego do Hamster sírio (Mesocricetus auratus) como modelo biológico para a indução de portador renal de leptospiras
O emprego do hamsters (Mesocricetus auratus) como modelo biológico experimental para a reprodução da condição de portador renal de leptospiras foi investigado em machos e fêmeas jovens com 80 a 120 g de peso vivo. Os animais foram experimentalmente infectados com estirpe patogênica do sorovar Pomona caracterizada por provocar a morte por leptospirose entre o quinto e o décimo dia pós-infecção. No segundo dia pós-infecção os animais foram tratados com estolato de eritromicina, nas concentrações de 10, 20, 40 e 80 mg/kg de peso vivo. Aos 30 dias, da infecção experimental os sobreviventes foram anestesiados com isofluorano e procedeu-se a colheita de sangue para a determinação dos indicadores da função hepática e renal (Proteínas totais, Albumina, Uréia, Creatinina, Fosfatase Alcalina, Alanina Aminotransferase, Aspartato Aminotransferase, Bilirrubinas Indireta, Bilirrubinas Direta e Bilirrubinas Totais), bem como o titulo de aglutininas pela prova de soro aglutinação microscópica. A seguir, com o aprofundamento da anestesia, os animais foram submetidos a eutanásia e necropsiados para a colheita de tecido renal e hepático destinados aos exames histopatológicos pelas colorações de Hematoxilina - Eosina e Warthin- Starry, bem como do isolamento de leptospiras por cultivo em meio de Fletcher. Houve controles do inóculo infeccioso, do tratamento com antibiótico e do sistema de manejo adotado. O número de DL 50 efetivamente empregadas no inóculo infeccioso foi de 7,11. No grupo controle do antibiótico foi constatado elevação do nível de fosfatase alcalina e degeneração vacuolares dos hepatócitos para as concentrações de 40 a 80 mg de antibiótico. Os portadores renais de leptospira foram obtidos entre os animais tratados com 40 ou 80 mg de estolato de eritromicina, independentemente do sexo; estes animais apresentaram elevação dos níveis séricos de creatinina e proteínas totais já as determinações de albumina, uréia, alanina aminotrasferase, aspartato aminotransferase, bilirrubinas direta, bilirrubinas indiretas e totais foram iguais as encontradas em animais não infectados por leptospiras e não tratados com antibióticos. As alterações histológicas encontradas nos animais portadores de leptospiras foram degeneração vacuolar em hepatócitos, sangue no espaço porta, congestão glomerular. Nos animais induzidos a condição de portadores renais de leptospiras os títulos de anticorpos aglutinantes, para o sorovar homólogo ao da infecção, expressos em logaritmo de base, 10 foram iguais ou superiores a 1,19.
Situação epidemiológica da leptospirose bovina, canina e humana na área rural do município de Pirassununga, SP
Com o objetivo de estudar a situação epidemiológica da leptospirose bovina, canina e humana nas propriedades rurais do município de Pirassununga, SP, partiu-se de um banco de soros e um banco de dados já estruturados de 86 propriedades amostradas. Através da técnica de soroaglutinação microscópica, 2259 soros de bovinos, 273 de cães e 445 de humanos foram examinados, empregando-se uma coleção de antígenos vivos de 24 sorovares de leptospiras. As prevalências aparentes de focos de leptospirose nas propriedades rurais de Pirassununga, segundo as espécies examinadas foram: 88,4% [79,7-94,3] para os bovinos, sendo Hardjo o sorovar mais provável, com 43,4% [32,1-55,3], seguido do Wolffi com 11,8% [5,6-21,3], Autumnalis e Patoc empatados em 5,3% [1,5-12,9], Australis com 3,9% [0,8-11,1], Hebdomadis com 2,6% [0,3-9,2] e Shermani com 1,3% [0-7,1]; 14,3% [7,4-24,1] para os cães, sendo Bratislava o sorovar mais provável, com 54,5% [23,4-83,3], seguido do Australis,Autumnalis e Pyrogenes empatados com 9,1% [0,2-41,3]; 14,1% [7,5-23,4] para os humanos, sendo Patoc o sorovar mais provável, com 58,3% [27,7-84,8], seguido pelo Pyrogenes com 16,7% [2,1-48,4] e empate entre os sorovares Bratislava, Autumnalis e Icterohaemorragiae com 8,3% [0,2-38,5] cada. A prevalência aparente da leptospirose nos bovinos da área rural do município de Pirassununga foi de 30,3% [28,4-32,2], nos cães de 5,1% [2,8-8,5] e nos humanos de 2,9% [1,6-4,9]. Os fatores de risco associados à condição de foco de leptospirose bovina para qualquer sorovar foram ter mais de 21 cabeças no rebanho, OR =14,354 [1,535-134,215] e presença de cocho para sal mineral, OR = 6,995 [1,180-41,470]. Os fatores de risco associados à condição de foco para os sorovares Hardjo e/ou Wolffi foram ter mais de 21 cabeças no rebanho, OR =15,750 [1,264- 196,269] e presença de cocho para sal mineral, OR = 6,537 [1,008-42,397]. Foram discutidas as implicações destes resultados para o entendimento da epidemiologia da leptospirose na área rural de Pirassununga e também foram feitas recomendações para o controle da doença no rebanho bovino.
Premating stress alters the vaginal microbiota of gilts
Pre-mating period is often associated with intense stress for sows in commercial production systems, due to the change of management, diet, facilities, among others. Sows are kept in crates during the pre-mating period, which challenge their welfare, occurring the release of cortisol, altering their physiology, modifying responses to pain, infection, injury and stress response. A prolonged exposure to stress can suppress the immune system and increase the susceptibility to infections, often caused by Gram-negative bacteria than contains lipopolysaccharide (LPS) in their cell wall. The role of microbiota in the gut-brain axis is recognized in processes related to stress, obesity, psychiatric disorders, among others, being influenced by environmental, physiological, genotypic and social factors. The hypothesis of this study is that the vaginal microbiota is altered by the stress that female undergoes during the pre-mating period and this alteration compromises their health and welfare. In this study, we investigated the consequences of housing 42 gilts in crates (n=14), indoor group housing (n=14) and outdoors (n=14), three different housing systems, prior to mating. Half of the gilts were challenged with an inoculation of lipopolysaccharides (LPS), in the day of the estrus, simulating an inflammatory condition. Measures of salivary cortisol, behavior, vaginal microbiota, temperature and post-mortem samples were collected. Our data indicates that housing can modulate behavior and physiology, influencing how animals cope with an LPS challenge, which induces a rise in temperature, thus interfering in their welfare. We propose that indoor group housing system, being a barren and poor environment, due the physical and social environment, was more favored to the appearance of pathogens in the swab samples. Greater bacterial diversity was observed in animals housed outdoors when compared with animals housed in crates, corroborating our initial hypothesis, along with a higher prevalence of Enterobacter and Klebsiella in animals housed in crates when compared to outdoor housed animals. Salivary cortisol results suggested that LPSs challenge did not compromised animals hypothalamic-pituitary-adrenal axis (HPA), maybe due the estrus period. We demonstrated that LPS is effective inducing an increase in body temperature, corroborating previous studies, modifying animals behavior. We demonstrated that environmental complexity, as experienced by animals housed outdoor, could indicate better welfare than indoor, barren group housing system and crates. We showed that the housing system influences animals level of activity, with crated animals being less active and performing more biologically irrelevant tasks. Our data showed that keeping gilts in crates compromises their welfare.
Avaliação de tratamento Homeopático em suínos infectados por Escherichia coli
Escherichia coli é o agente etiológico mais importante das diarréias neonatais em suínos, sendo a Enterotoxigênica (ETEC) a mais comumente isolada. Foram descritos cinco tipos principais de fímbrias: F4 (K88), F5 (K99), F6 (987P), F18 e F41 e enterotoxinas termolábeis (LT), termoestáveis (ST), e a toxina shiga-like ou verotoxina (Stx2) em isolados de origem suína envolvidas no processo de diarréia. A exigência do consumidor em busca de carnes sem resíduos químicos e a proibição do uso de antibióticos e quimioterápicos na produção de suínos, bem como o custo de tratamentos alopáticos, tem levado a suinocultura a procurar alternativas. O presente estudo foi desenvolvido em granjas de suínos no Estado de São Paulo e Mato Grosso, Brasil. Foram avaliados 157 leitões, e realizados 243 coletas de fezes. Coletas de fezes de 3 e 8 leitões com diarréia foram realizadas em cada granja, visando a pesquisa da presença de Escherichia coli para a preparação do medicamento Bioterápico. Concomitantemente uma anamnese detalhada foi feita para a escolha do medicamento homeopático ideal para cada granja (China off 30 CH, Phosphorus 30 CH e Pulsatilla 30 CH respectivamente). Formados 4 grupos de 12 leitões e suas respectivas mães (primíparas), os tratamentos foram simultâneos: controle (antimicrobiano empregado na granja), medicamento homeopático, Bioterápico de E.coli e medicamento homeopático associado com o respectivo Bioterápico. Os medicamentos foram feitos segundo a farmacotécnica homeopática brasileira. Foi realizada a pesquisa de fatores de virulência e enterotoxinas em 154 colônias de. Escherichia coli através da Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). No tratamento da diarréia os grupos tratados com medicamentos homeopáticos passaram de 58,3% de animais com diarréia para 5,5% ao final do tratamento, uma diferença estatisticamente significante (p< 0,05), e os grupos de medicamento e Bioterápico 30 CH associados também apresentaram significante redução de animais doentes (p< 0,05), pois passaram de 47,0% de animais com diarréia no inicio para 20,0% ao final. No ganho de peso os mesmos grupos obtiveram maiores ganhos, com resultados de forma estatisticamente significante (p< 0,05) em relação aos outros grupos. Nos animais com E.coli foram encontrados apenas o fator de virulência F41 em 10,4% dos animais e a enterotoxina Stb em 1,9% dos animais. Concluí-se que os medicamentos homeopáticos são uma alternativa eficiente para o uso em distúrbios entéricos em suínos, assim como para aumentar o ganho de peso, além de ser mais econômico.
Formulação, aplicação e avaliação de programa de educação em saúde em escola de Visconde de Mauá, distrito de Resende, Rio de Janeiro, RJ
Os cães já fazem parte do cotidiano do homem há milhares de anos. Atualmente, os cães assumem o papel de membros da família, apresentando um forte vínculo com os familiares, incluindo crianças. No entanto, as crianças, assim como a maioria dos adultos, pouco sabem ou aprendem sobre como cuidar de um animal, como prevenir zoonoses ou exercer a Guarda Responsável, propagando uma visão antropocêntrica. O presente trabalho visou mostrar de que maneira a Educação em Saúde pode trazer benefícios na formação ética e psicológica, por melhorar a relação criança-animal, ao mesmo tempo em que reduz a os riscos inerentes às doenças zoonóticas e o abandono de animais. As avaliações foram feitas com a utilização de questionários com questões abertas e fechadas em duas etapas, antes e após o projeto educativo. Para a comparação dos dados quantitativos obtidos nas duas fases, utilizou-se os testes de McNemar e de Homogeneidade Marginal, para análise qualitativa foram realizados grupos focais com crianças e professoras. O projeto educativo proporcionou a aquisição de conhecimento sobre os temas abordados e algumas mudanças de atitudes das crianças com seus animais de companhia, o que pode ser percebido pelo grupo focal e por algumas mudanças estatisticamente significantes entre as fases 1 e 2.
2011
Gabriela Nery Faria Guedes
Emprego da reação em cadeia pela polimerase em tempo real para o controle de eficiência de bacterinas anti-leptospirose
A estirpe Fromm de Leptospira interrogans sorovar Kennewicki foi utilizada para produção de uma bacterina experimental anti-leptospirose. A extração do RNA total utilizado para transcrição reversa e quantificação dos antígenos LigA e LipL32 por PCR em Tempo Real, foi efetuada a partir de alíquotas colhidas das diluições da bacterina antes da sua inativação, as quais foram armazenadas à temperatura de -80ºC. O volume restante da bacterina foi inativado em banho-maria à 56ºC e mantido à temperatura de -20ºC para avaliação da sua potência em hamsters bem como da detecção e quantificação dos antígenos LigA e LipL32 em ensaios de ELISA Indireto e ELISA Sanduíche Indireto. Os resultados do ensaio de potência em hamsters demonstraram que a bacterina foi aprovada de acordo com as exigências dos padrões internacionais de qualidade até a diluição 1/6400, protegendo os hamters contra a infecção letal frente ao desafio com a diluição 10-6 (100 doses infectantes 50%/ 0,2mL). Os resultados das reações de Real Time PCR detectaram 3,2 x 103 e 2,3 x 101 cópias do mRNA que codifica a proteína LigA, na bacterina pura e diluída a 1:200, respectivamente. Apenas oito cópias do mRNA que codifica a proteína LipL32 foram detectadas na amostra de bacterina pura. Os ensaios com ELISA Indireto não detectaram a proteína LigA na amostra de bacterina inativada, mas demonstraram a detecção da proteína LipL32 até a diluição 1/1600 da bacterina. Os ensaios de ELISA Sanduíche Indireto apresentaram reações cruzadas nas placas controle, e, portanto seus resultados não puderam ser considerados nas análises. Os resultados da real time PCR não puderam ser correlacionados com o teste de potência em hamsters, mas os ensaios de ELISA Indireto para a proteína LipL32 demonstraram resultados condizentes com os apresentados pelo teste de potência em hamsters oferecendo uma possível alternativa in vitro para avaliação de potência de bacterinas anti-leptospirose.
Infecção por Rickettsia spp em equídeos e carrapatos do Centro-Norte do Piauí
Com o objetivo de avaliar sorológica e molecularmente a ocorrência de infecção por Rickettsia spp em equídeos e carrapatos da região Centro-Norte do estado do Piauí, foram realizadas coletas de sangue e de carrapatos que parasitavam equídeos em 10 localidades distribuídas nas microrregiões de: Campo Maior, Teresina e Valença, nos meses de agosto dos anos de 2010 e 2011. Soros de 129 equinos e 110 asininos foram analisados pela Reação de Imunofluorescência Indireta para detecção de anticorpos anti-Rickettsia spp (R. rickettsii, R. parkeri, R. amblyommii, R. rhipicephali e R. bellii) e 105 Dermacentor nitens, oito Amblyomma cajennense e três Amblyomma parvum foram submetidos a reação de polimerase em cadeia utilizando os primers dos genes gltA, ompA e ompB específicos para o gênero Rickettsia e rickettsias do grupo da febre maculosa (GFM). Do total de animais examinados 52,3% foram positivos para pelo menos uma das rickettsias testadas. Somente em dois carrapatos dos 116 analisados, ambos A. parvum, foram positivos para Rickettsia do GFM, apresentando esta cepa 100% de similaridade com \"Candidatus Rickettsia andeanae\", obtida no Peru. Pelos achados sorológicos concluiu-se que \"Candidatus Rickettsia andeanae\" cepa Piauí e ou R. amblyommii, seriam juntamente com R. bellii, os prováveis agentes circulantes na região centro-norte do estado do Piauí. D. nitens, A. cajennense e A. parvum são espécies de carrapatos que infestam equídeos na mesorregião Centro-Norte do Piauí. \"Candidatus Rickettsia andeanae\" cepa Piauí teve seu primeiro relato no Brasil. Animais com acesso à mata ou mantidos em piquetes apresentaram associação com a ocorrência de anticorpos anti-Rickettsia spp (p<0.01).
Propostas para o sistema de vigilância de moluscos bivalves de Santa Catarina
Moluscos bivalves são organismos filtradores capazes de concentrar susbtâncias produzidas por microalgas tóxicas. No estado de Santa Catarina, líder na produção nacional, os cultivos têm sido oficialmente monitorados para a detecção de ficotoxinas causadoras dos Envenenamentos Diarreico (DSP), Amnésico (ASP) e Paralisante (PSP) por Consumo de Moluscos nas partes comestíveis. Amostras de água também são coletadas para a quantificação de algas nocivas. O objetivo deste trabalho foi sugerir o uso de áreas amostrais para coletas semanais, bem como calcular o tamanho das amostras agrupadas e analisar os dados de ocorrência. Diferentes cenários foram desenvolvidos para simular a variação dos tamanhos amostrais, utilizando-se o EpiTools®. Considerando-se uma alta prevalência e altas sensibilidades dos testes, é possível sugerir dois pools amostrais para a detecção de Toxinas Lipofíficas (2x30), duas para detectar PSP (2x15) e uma para detectar ASP (1x20) em cada uma das 24 áreas amostrais sugeridas. Se o teste de Cromatografia Líquida com Espectrometria de Massa (LC-MS/MS) for validado para todas as biotoxinas, apenas um pool amostral seria suficiente (1x15). Informações espaçotemporais de ocorrência também foram analisadas e apenas ficotoxinas causadoras de DSP foram encontradas. Utilizando-se os softwares SaTScan® e QGIS 2.12.2- Lyon®, foram desenvolvidos mapas de calor com os dois clusters espaciais encontrados para as detecções de DSP em moluscos e os quatro para Dinophysis acuminata (≥100cels/L) em amostras de água. Os resultados com maiores riscos relativos corresponderam ao cluster temporal do segundo semestre de 2014, os clusters espaciais das áreas 7 a 11 para DSP e áreas de 7 a 9 para D. acuminata. Esses resultados poderão contribuir para o planejamento de estratégias a serem incorporadas num futuro sistema de vigilância de moluscos bivalves do estado.
Caracterização genética de amostras brasileiras de Circovírus suíno tipo 2 (PCV-2)
O Circovírus suíno tipo 2 (PCV-2) pertence ao gênero Circovirus da família Circoviridae. É considerado vírus emergente", tendo sido associado, principalmente, à Síndrome de Refugagem Multissistêmica dos suínos (SRM). O genoma circular é composto por: (i) ORF-1 que codifica a proteína replicativa; (ii) ORF-2 que codifica a proteína estrutural formadora do capsídeo, (iii) região não codificadora que intercala as ORF-1 e 2 e contem a origem da replicação, denominada IGS-1 e (iv) região que intercala as ORF-1 e 2, denominada IGS-2. Oito amostras, denominadas amostras completas, tiveram mais de 1705 nucleotídeos seqüenciados (945 da ORF-1, 699 da ORF-2, 20 da IGS-1 e 39 da IGS-2); duas amostras tiveram em média 1692 nucleotídeos seqüenciados (945 da ORF-1 e 699 da ORF-2, os restantes correspondem às regiões IGS-1 e 2); uma amostra teve 1392 nucleotídeos seqüenciados (945 da ORF-1, 414 da ORF-2, 9 da IGS-1 e 24 da IGS-2) e nove amostras tiveram em média 970 nucleotídeos seqüenciados (196 da ORF-1 e 699 da ORF-2, os restantes correspondem às regiões IGS-1 e 2). Portanto, a partir dessas 20 amostras em estudo, foram obtidas: (i) oito amostras completas; (ii) 11 seqüências completas de ORF-1 e (iii) 19 seqüências completas de ORF-2, as quais foram analisadas. A identidade de nucleotídeo variou de: (i) 99,7% a 100% entre as oito amostras completas; (ii) 99,3% a 100% entre as 11 seqüências completas de ORF-1 e (iii) 91,9% a 100% entre as 19 seqüências completas de ORF-2. A topologia das árvores genealógicas utilizando as oito seqüências completas e as 11 seqüências completas de ORF-1 foi similar, agrupando todas as amostras em estudo em um só grupo denominado subtipo PCV-2a. Pela análise da genealogia da ORF-1 observou-se que todas as amostras agruparam-se com uma amostra de PCV-2 associada à Síndrome de Dermatite e Nefropatia suína (PDNS), formando um grupo separado das amostras de PCV-2 associadas à Síndrome de Refugagem Multissistêmicas dos suínos (SRM) e abortamento. A genealogia proposta para as 19 amostras que tiveram a ORF-2 seqüenciada, dividiu as amostras em dois grupos, sendo que 14 amostras agruparam-se num grupo denominado subtipo PCV-2a e 5 no subtipo PCV-2b. Os resultados mostraram a circulação de, pelo menos, dois subtipos de PCV-2 no Brasil
2005
Alessandra Marnie Martins Gomes de Castro
Presença de resíduos de antimicrobianos em amostras de diferentes tipos de leite comercializados no município de São Paulo
O setor de produtos lácteos transforma-se constantemente, uma vez que exigências feitas tanto pelo consumidor como por órgãos fiscalizadores, requerem produtos inócuos e com elevado padrão de qualidade, provocando mudanças significativas em toda a cadeia produtiva. Para tanto, medicamentos veterinários, em especial os antimicrobianos, têm sido amplamente utilizados na pecuária, quer para tratamento e prevenção de doenças, quer para incremento da produção. No entanto, quando utilizados em desrespeito às boas práticas, colocam em risco tanto a saúde animal como a humana, predispondo a população a eventuais reações alérgicas e expressão de resistência microbiana. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo pesquisar a presença de resíduos de antimicrobianos de uso veterinário em amostras de diferentes tipos de leite comercializados na cidade de São Paulo, verificando se a freqüência de ocorrência observada para essa contaminação correspondia à estimada de 1%. Foram analisadas, através do Delvotest® SP, 1.500 amostras de leite, durante os meses de abril de 2003 a março de 2004 e obteve-se dez amostras positivas, o que significa uma freqüência de ocorrência de antimicrobiano no leite de 0,66%, com intervalo de confiança entre 0,32 a 1,22%, valor este, menor que o estimado
2005
Flavia Bernardi Paes Leme
Identificação de estirpes do gênero Streptococcus pela técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR) e espectrometria de massa MALDI-TOF
Métodos microbiológicos tradicionais como isolamento, coloração de Gram e testes bioquímicos auxiliam na identificação do gênero Streptococcus, no entanto, as espécies apresentam ampla variação fenotípica, tornando difícil a identificação ou diferenciação das mesmas apenas por estes métodos. Uma das espécies mais importantes em suínos, Streptococcus suis, tem provocado grandes prejuízos em todo o mundo e tem sido descrito como uma importante zoonose em alguns países. S. suis está presente nas vias respiratórias superiores, colonizando principalmente tonsilas, cavidades oral e nasal facilitando a alta disseminação por contato direto, principalmente em leitões entre 4 e 12 semanas de vida. Os quadros clínicos mais frequentes em suínos infectados pelo S. suis são meningite, artrite e pneumonia. O objetivo do presente estudo foi identificar estirpes do gênero Streptococcus mediante as técnicas de reação em cadeia pela polimerase (PCR), sequenciamento parcial do gene 16S rRNA e espectrometria de massa MALDI-TOF (MALDI-TOF MS). As análises por PCR e por MALDI-TOF MS resultaram na identificação de 215 estirpes como S. suis e 35 como diferentes espécies pertencentes ao gênero Streptococcus. Os resultados da identificação das 35 estirpes pertencentes a outras espécies do gênero Streptococcus pelo MALDI-TOF MS foram confirmados pelo sequenciamento parcial do gene 16S rRNA, sendo que as duas técnicas apresentaram 100% de concordância. Os resultados obtidos indicam grande eficácia na utilização das técnicas avaliadas para a identificação de S suis e de outras espécies do gênero Streptococcus. A técnica de MALDI-TOF MS, apesar do custo elevado do equipamento, apresentou a vantagem de ser rápida, apresentar baixo custo por análise e reduzida utilização de material
2015
Carlos Emilio Cabrera Matajira
Caracterização do fator de elongação Tu (EF-Tu) de Leptospira: aspectos relacionados à colonização e evasão ao sistema complemento do hospedeiro
A leptospirose é uma zoonose causada por bactérias patogênicas do gênero Leptospira. A doença representa um grave problema de saúde pública nos países tropicais subdesenvolvidos. Mais de 500.000 casos graves de leptospirose são notificados a cada ano e a taxa de mortalidade excede 10% (World Health Organization, 1999). Os roedores são o principal reservatório urbano da doença, e eliminam leptospiras viáveis no meio ambiente ao longo de toda a vida. As bactérias entram no hospedeiro por abrasões na pele ou por membranas mucosas e rapidamente se espalham pelo organismo atingindo vários órgãos. A identificação de mecanismos de invasão e de evasão imune apresentados por leptospiras patogênicas é extremamente relevante e tem sido alvo de pesquisas recentes desenvolvidas por vários grupos. Nesse contexto, a caracterização funcional de proteínas de membrana externa de Leptospira, principais alvos de interação com moléculas do hospedeiro, é de grande importância. O Fator de Elongação Tu (EF-Tu), uma proteína bacteriana abundante envolvida na síntese protéica, pertence à categoria das proteínas conhecidas como \"moonlighting\". Tais moléculas possuem a capacidade de exercer mais de uma função e, normalmente, localizam-se em diferentes compartimentos da célula. Há relatos de que EF-Tu de agentes patogênicos possa atuar como um fator de virulência. No presente trabalho, demonstrou-se que EF-Tu de Leptospira está localizado na superfície da bactéria e possui funções adicionais, sendo receptor para moléculas presentes no plasma do hospedeiro. Tal proteína interage com vários componentes da matriz extracellular e também com plasminogênio, de maneira dosedependente. Resíduos de lisina são importantes para essa interação. Plasminogênio ligado a EF-Tu é convertido em sua forma ativa, plasmina, que, por sua vez, é capaz de clivar os substratos naturais C3b e fibrinogênio. EF-Tu de Leptospira também se liga a Fator H, principal regulador da via alternativa do sistema complemento, e este mantém sua atividade funcional ao agir como co-fator de Fator I na clivagem de C3b. O potencial imunoprotetor de EF-Tu em modelo animal foi avaliado, tendo em vista o alto grau de conservação da proteína em diferentes espécies de Leptospira. EF-Tu não conferiu proteção significativa e, portanto, não deve ser considerado como um candidato vacinal contra a leptospirose. Em suma, EF-Tu de Leptospira deve contribuir para o processo de invasão e evasão ao sistema imune inato do hospedeiro, inativando o sistema complemento. Tanto quanto é do nosso conhecimento, essa é a primeira descrição de uma proteína \"moonlighting\" em Leptospira.
2013
Danielly Gonçalves Wolff
Pesquisa de genes codificadores de adesinas em Staphylococcus spp. isolados de mastite bovina
No universo da pecuária leiteira, a mastite representa um importante desafio, sendo responsável por perdas econômicas consideráveis relacionadas principalmente com redução na produção de leite. O gênero Staphylococcus assume elevada importância como agente etiológico das mastites devido à sua ampla distribuição e freqüência de ocorrência. Foram coletadas amostras de leite de fêmeas bovinas com mastite subclínica para exames microbiológicos e contagem de células somáticas (CCS). Após o isolamento e identificação dos micro-organismos, as amostras positivas foram submetidas a análises das medianas das CCS, testes de susceptibilidade \"in vitro\" frente a diferentes antimicrobianos, assim como pesquisa de genes codificadores das adesinas - genes que codificam para proteína ligadora de colágeno (cna), proteína ligadora de laminina (eno), proteína ligadora de elastina (ebp), proteína ligadora de fibrinogênio (fib), proteína A ligadora de fibronectina (fnbA), proteína B ligadora de fibronectina (fnbB) e proteína associada à formação de biofilme (bap), por meio da Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). De acordo com os achados do presente estudo, dentre as bactérias do gênero Staphylococcus isoladas, os S. aureus foram verificados com maior freqüência, seguido por Staphylococcus coagulase-negativos - S. intermedius, S. chromogens e S. warneri. Com respeito às medianas das CCS, o gênero Streptococcus spp. apresentou o maior valor. O perfil de sensibilidade e resistência aos antimicrobianos testados foi semelhante entre as espécies de Staphylococcus coagulase-positivos e negativos, sendo os antimicrobianos cefalexina, cefalotina e ceftiofur os que apresentaram maior frequência de sensibilidade, e penicilina, amoxicilina e ampicilina os que apresentaram maior resistência. Com exceção do (fnbA), todos os outros fatores de virulência estudados foram detectados, sendo os genes eno, fib e a associação dos genes \"eno/fib/bap\" os mais freqüentemente detectados. Nas amostras coletadas dos tanques de refrigeração não foram detectadas todas as espécies de Staphylococcus spp. isoladas dos quartos mamários. Tais informações acerca do assunto permitem o desenvolvimento de estratégias mais eficientes de tratamento e controle desta enfermidade, possibilitando o aumento da produtividade leiteira.
Pesquisa de Leptospira spp. em fêmeas bovinas pertencentes ao município de Novo Repartimento - Pará
O presente estudo objetivou detectar a infecção por Leptospira spp. mediante ensaio sorológico, bacteriológico e molecular em 208 fêmeas bovinas do município de Novo Repartimento e em 58 fetos não abortados destas fêmeas. Em um matadouro municipal da região do Baixo Tocantins - PA foram colhidas amostras de soro sanguíneo, urina e fragmentos dos rins das fêmeas bovinas e amostras de líquidos cavitários, fragmentos dos órgãos e conteúdo gástrico dos fetos. Os testes empregados foram a soroaglutinação microscópica (SAM), o cultivo bacteriológico, a reação em cadeia pela polimerase (PCR) e o sequenciamento de DNA. A frequência de fêmeas bovinas reagentes foi de 65,86% (137/208), com títulos variando de 100 a 3.200, sendo L. interrogans sorovar Hardjoprajitnoe L. borgpetersenii sorovar Hardjobovis os mais prevalentes. Não houve o isolamento de leptospiras, mas o DNA da bactéria foi detectado em 5,76% (12/208) das amostras de rins e em 14,90% (31/208) das amostras de urina. O sequenciamento de DNA direto dos produtos da PCR foi possível em 30 amostras, distribuídas em quatro espécies diferentes: L. borgpetersenii a mais prevalente com 56,70% (17/30), seguida por L. kirschneri com 33,30% (10/30), L. interrogans com 6,70% (2/30) e L. santarosai com 3,30% (1/30). Tanto o genótipo Hardjoprajitno como Hardjobovis foram identificados. Em nenhum dos fetos foi detectado anticorpos anti-Leptospira spp. nos líquidos cavitários e nem o DNA da bactéria no pool de órgãos e conteúdo gástrico, mesmo que em alguns fetos foram observadas alterações patológicas macroscópicas sugestivas de leptospirose. Estes resultados inéditos revelam uma diversidade e peculiaridade para a leptospirose bovina em Novo Repartimento, principalmente pela baixa prevalência de L. santarosai e mais surpreendente, a presença de L. kirschneri, comumente não encontrada em bovinos, diferentemente do que ocorre em outras regiões do país.
Potência de bacterinas anti-leptospirose canina comercializadas no Brasil: desafio efetuado com estirpes autóctones dos sorovares Canicola e Copenhageni
Foi efetuada a avaliação comparativa da potência de vacinas anti-leptospirose canina comercializadas no Brasil, empregando no desafio estirpes de leptospiras dos sorovares Canicola e Copenhageni autoctones isoladas no Brasil. Foram comparadas nove bacterinas comerciais polivalentes produzidas para uso em cães, identificadas pelas letras A, B, C, D, E, F, G, H e I. O desafio foi efetuado com as estirpes L1-130 e LO4, respectivamente dos sorovares Copenhageni e Canicola tipificadas pela prova de anticorpos monoclonais. O protocolo adotado seguiu as normas técnicas americanas, 9 CFR 113.103 Leptospirose Canicola - 2006 . A dose infectante do sorovar Copenhageni empregada no desafio (5,4) foi inferior ao limite inferior estabelecido pela norma técnica (10) e a do sorovar Canicola foi de 10.000. Os animais foram observados por 21 dias consecutivos, contabilizando-se os que morreram por leptospirose. Ao final deste período, os sobreviventes foram submetidos à eutanásia por inalação de gás carbônico (câmara de CO2), e necropsiados para colheita dos rins e realização de cultivos destinados ao controle de infecção renal por leptospiras. Das nove vacinas avaliadas, sete foram reprovadas para os dois sorovares testados e duas foram aprovadas contra a doença clinica e infecção renal para o sorovar Canicola LO4, porém apenas contra a doença clínica para o sorovar Copenhageni L1-130. Os laboratórios fabricantes de bacterinas anti-leptospirose canina que estão sendo comercializadas no Brasil, necessitam rever a qualidade dos seus produtos no relativo a proteção contra a doença e infecção pelos sorovares Canicola e Copenhageni.
2010
Wilsilene Aparecida Silva Coelho
Semelhanças e diferenças entre adotar, comprar ou ganhar um cão de companhia na cidade de São Paulo
Com mais de 50 milhões de cães de companhia, o Brasil é o segundo maior mercado mundial para este segmento, com uma grande variedade de produtos e serviços, sendo alguns deles tipicamente humanos, revelando um movimento de antropomorfização dos animais de companhia. A antropomorfização permite um estreitamento dos laços entre o homem e o animal, mas gera expectativas irreais sobre o comportamento deste, o que pode trazer graves consequências, como o abandono. Isto pode ocorrer tanto com animais comprados ou recebidos de presente quanto com adotados, mas há diferenças entre estes modos de aquisição. Esta pesquisa tem como objetivo identificar semelhanças e diferenças no processo de aquisição de cães e investigar a vinculação entre o homem e o cão. Foi utilizado um questionário disponibilizado na Internet para compreender a aquisição e uma escala para avaliar o vínculo (Dog Attachment Questionnaire), aplicados em até um ano da aquisição e um ano depois. A maioria dos animais é adotada (61,3%), seguido por 26,3% de cães comprados e 12,1% de animais recebidos de presente. Adotar esteve relacionado a aquisições sem planejamento, pessoas divorciadas, com menor escolaridade, animais esterilizados, mais velhos, oriundos da rua, sem raça definida, escolhidos pela própria pessoa, que residem em casas, com maior número de cães. Comprar esteve mais associado a maior renda, pós-graduação, morar em apartamento, pessoas mais jovens, casadas ou solteiras, aquisições planejadas, animais de porte pequeno, de raça. Ganhar um cão de companhia esteve mais associado a menor escolaridade, menor renda, morar em chácara/sítio/fazenda, animais esterilizados, de porte grande. O vínculo é favorecido pela pessoa ser do sexo feminino, jovem, solteiro ou divorciado, com escolaridade e renda médias, que escolhem seus próprios animais e são inteiramente responsáveis por eles, os quais são esterilizados, pegos da rua, sem planejamento e residem em casas com mais animais. O vínculo é desfavorecido pela pessoa ser do sexo masculino, mais velho, casado, com alta escolaridade e renda, que mora em apartamento ou chácara/sítio/fazenda, sem outros animais, cuja responsabilidade por eles é dividida, tendo o animal sido escolhido por terceiros e de uma raça específica. Não houve relação direta entre o vínculo e o modo de aquisição, mas diversas relações indiretas indicam que o vínculo é maior para quem adotou um cão de companhia do que para quem comprou um cão. No passar de um ano, o valor do vínculo diminuiu. Para evitar que este quadro se perpetue, é importante incentivar a adoção em detrimento da compra de cães de companhia, além de educar as crianças sobre o real valor dos animais e alterar a forma com que animais são representados na cultura e na mídia
2015
Alice de Carvalho Frank
Avaliação de possíveis variáveis epidemiológicas associadas à distribuição espacial da infecção por Rickettsia rickettsii em cães e carrapatos em uma área endêmica para febre maculosa brasileira na Região Metropolitana de São Paulo
A Febre Maculosa Brasileira (FMB) é uma doença infeciosa aguda causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida por diferentes espécies de carrapatos. Por gerar efeitos deletérios nos carrapatos, a transmissão horizontal da R. rickettsii por meio de um hospedeiro amplificador é crucial para a sua manutenção na população de carrapatos em áreas endêmicas para a FMB. Na Região Metropolitana de São Paulo, o carrapato Amblyomma aureolatum é o vetor da R. rickettsii; no entanto, não se sabe qual vertebrado poderia atuar como hospedeiro amplificador para essa espécie de carrapato. O cão doméstico é o principal hospedeiro dos adultos de A. aureolatum nas áreas endêmicas desta região metropolitana, sendo um ótimo sentinela para a ocorrência da doença em humanos. Para avaliar a capacidade do cão em atuar como hospedeiro amplificador, carrapatos adultos de A. aureolatum foram alimentados em dois grupos de cães: o grupo infectado e o grupo controle, infestados respectivamente por carrapatos infectados com R. rickettsii e por carrapatos não infectados. Todos os cães do grupo infectado desenvolveram bacteremia suficiente para infectar as fêmeas de A. aureolatum, e parte delas foi capaz de transmitir a bactéria para sua progênie. A fim de investigar as possíveis variáveis associadas à exposição de cães a R. rickettsii, um inquérito sorológico foi conduzido em cães do bairro Recreio da Borda do Campo, município de Santo André, área endêmica para FMB. Por meio de tal inquérito, obtiveram-se 31% de amostras positivas. Por meio de uma regressão logística, obteve-se que as variáveis que mostraram associação à soropositividade dos cães foram “maior frequência de acesso não supervisionado à rua”, “menor distância ao caso humano de FMB mais próximo” e “maior distância à principal via de acesso ao bairro”. Por fim, para avaliar a dinâmica populacional de cães foram realizadas campanhas de captura e recaptura fotográficas em duas áreas do bairro com diferentes densidades de animais soropositivos. Foram realizadas quatro campanhas ao longo de nove meses. A abundância de cães não foi diferente entre as duas áreas, no entanto a área com maior densidade de cães soropositivos apresentou também uma maior entrada de novos indivíduos. Com esse estudo, pudemos demonstrar que parte das fêmeas de A. aureolatum alimentadas em cães infectados por R. rickettsii são capazes de transmitir a bactéria de forma eficiente para parte de sua progênie, indicando que o cão poderia atuar como hospedeiro amplificador da R. rickettsii para essa espécie de carrapato. Nossos resultados confirmam o excelente papel do cão como sentinela de casos humanos de FMB, além de mostrar a associação da exposição de cães a R. rickettsii ao acesso não supervisionado a rua. A maior presença de cães soropositivos nas áreas mais distantes da via de acesso ao bairro poderia estar associada a uma maior introdução de novos indivíduos, especialmente por meio de abandonos frequentes, como foi relatado por moradores do bairro e verificado em nosso estudo de avaliação da dinâmica populacional dos cães.
Vírus Schmallenberg: uma virose de ruminantes emergente na Europa em 2011. Desenvolvimento de recurso diagnóstico e pesquisa da circulação viral no Brasil
Identificado pela primeira vez na Alemanha em 2011, o vírus Schmallenberg- SBV (gênero Orthobunyavirus sorogrupo Simbu) é um RNA vírus emergente, com forte repercussão em países europeus assim como em alguns asiáticos e africanos. A infecção é relatada especialmente em ruminantes e sua transmissão é feita principalmente por Culicoides spp., ou verticalmente in utero. As manifestações clínicas são caracterizadas por aborto, malformações congênitas e natimortos. O Brasil possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, é um dos maiores exportadores de carne e a presença de potenciais vetores do SBV é muito abundante em todo território nacional. Não obstante estas duas importantes características, a literatura compulsada até o presente momento não relata o estabelecimento no Brasil de metodologia diagnóstica, bem como qualquer informação laboratorial sobre a circulação do SBV no rebanho bovino brasileiro. Assim, o objetivo do presente estudo foi padronizar e validar um método direto de detecção do SBV baseado na Transcrição Reversa seguida pela Reação em Cadeia da Polimerase Quantitativa (RT-qPCR) e obter os primeiros dados laboratoriais sobre a eventual circulação do SBV no Brasil em amostras clínicas colhidas no período de 2011 a 2019. Adicionalmente foram também pesquisados anticorpos anti SBV empregando um kit de ELISA comercial. A RT-qPCR foi padronizada e validada utilizando primers e sonda que amplificam o segmento S do genoma do SBV. Por motivos de biossegurança, como controle positivo foi construída uma sequência sintética desse segmento, clonada no plasmídeo pTZ57R e propagada em E. coli (estirpe JM109). Foram analisadas 1665 amostras de sangue total e 313 amostras de pool de órgão de fetos abortados para pesquisa direta do SBV além de 596 amostras de soro para a pesquisa indireta. Os ácidos nucléicos foram extraídos utilizando cador®Pathogen 96 QIAcube® HT conforme o manual do fabricante. As amostras de sangue total e fetos foram amplificadas pela RT-qPCR padronizada e validada. A análise sorológica foi realizada por ELISA indireto (ID Screen® Schmallenberg virus Indirect Multi-species- IDvet). A RT-qPCR padronizada apresentou sensibilidade analítica de 1 cópia de RNA/µL. Todas as amostras clínicas analisadas por RT-qPCR e ELISA foram negativas para o SBV. O Brasil é destaque na pecuária bovina e apesar de ter condições favoráveis para a disseminação do SBV, os dados obtidos sugerem que o SBV não circulou na população bovina estudada em território brasileiro. Manter condição de livre para essa doença é fundamental para evitar as perdas decorrentes da infecção, bem como aquelas decorrentes de barreiras internacionais impostas pelos países importadores. O presente estudo contribuiu para o estabelecimento de estrutura diagnóstica e trouxe as primeiras informações objetivas sobre a circulação do SBV no Brasil, fatos de extrema importância para a Defesa Sanitária e para atender às exigências de mercados internacionais.
2020
Maira de Souza Nunes Martins
Study on Anaplasma, Borrelia, Coxiella, Ehrlichia, Rickettsia and Hepatozoon agents in ticks (Acari: Ixodoidea: Argasidae, Ixodidae) from Chile, and a taxonomic study on Ornithodoros capensis sensu lato (Acari: Argasidae) in South America São Paulo
Until 2014, scientific knowledge on the diversity of Chilean Ixodoidea summarized 19 species and only agents of Borrelia and Rickettsia genera had been detected. The objectives of this study were to evaluate the occurrence of further agents of Anaplasma, Borrelia, Coxiella, Ehrlichia, Rickettsia and Hepatozoon by means of molecular tools. Obtained sequences were inserted into a phylogenetic context in order to evaluate their relatedness to microorganisms of know pathogenic roles. As agents of Coxiella genus resulted to be related to endosymbiotic bacteria, data on these organisms was used to perform a taxonomic study with ticks of the Ornithodoors capensis sensu lato complex. The results confirm that Chilean ticks harbor at least three new borrelial, one new rickettsial, and three new Hepatozoon species for science. Moreover, Rickettsia amblyommatis, Rickettsia hoogstraalii and Rickettsia lusitaniae are added to the list of Chilean rickettsiae. Although ticks were positive to Anaplasmataceae PCRs, an accurate study including longer fragments of the 16S RNA targeted gene must be performed in order to confirm their specific identity. Coxiella-like endosymbionts are specific of every of the four O. capensis s. l. species analyzed in this study, and therefore constitute a useful tool in order to confirm the identities and define genetic boundaries of ticks of this group in South America. Finally, the results of this study add at least five new species of Argasidae family into Chilean fauna of ticks, and point the occurrence of several forms that need further assessment in order to accurately confirm their identities.
2017
Sebastián Alejandro Muñoz Leal