Repositório RCAAP

O capital humano e a segurança dos alimentos: um olhar humanista na prática da alimentação coletiva

O presente estudo teve por objetivos: 1) caracterizar o Perfil Socioeconômico dos colaboradores; 2) caracterizar o Clima Organizacional; 3) caracterizar Comprometimento Organizacional; e 4) caracterizar e mapear o comportamento organizacional e verificar suas influencias no cumprimento da Boas Práticas de Higiene e Manipulação dos Alimentos. Refere-se a um estudo de caso com enfoque participativo utilizando-se de entrevistas, por se tratar de uma pesquisa essencialmente qualitativa. Concluiram-se que: 1) a valorização profissional, as relações interpessoais, os benefícios e políticas de incentivos oferecidos pela organização, bem como as condições físicas do ambiente promovem em seus colaboradores o desejo de permanência, comprometimento, engajamento, entusiasmo, envolvimento e bem-estar; 2) a compatibilidade dos objetivos individuais e organizacionais, associada à comunicação efetiva entre os diferentes níveis hierárquicos estimulam a motivação e o comprometimento resultando em produtividade, engajamento, bem-estar e envolvimento com as Boas Práticas de Higiene e Manipulação de Alimentos; 3) as falhas de procedimentos técnicos associam-se à falta de competências de alguns colaboradores, à comunicação não efetiva e à presença do sentimento de desvalorização profissional e pessoal; 4) competência, satisfação, idade, escolaridade, tempo de trabalho, e remuneração foram indicadores comuns para caracterização do comprometimento instrumental, normativo, afetivo e afiliativo

Ano

2015

Creators

Rafael Almeida Ferreira de Abreu

Study of the role of quail as reservoirs for avian infectious bronchitis virus

This study aimed to investigate the occurrence and molecular diversity of coronavirus in quail and laying hens raised on the same farms and quail only farms, to determine the role of quail as reservoir for avian infectious bronchitis virus (IBV). To this end, two investigations were carried out, one in the São Paulo state, Southeastern Brazil, in 2013, when some farmers started quail vaccination with Massachusetts IBV serotype after surveillance carried out in 2009-2010 and the other in two regions of Northern Italy, in 2015. In the Brazilian study, samples were collected as pools of tracheas, lungs, reproductive tract, kidneys and enteric contents from quail (Coturnix coturnix Japonica) and laying hens showing IB-like symptoms, while, in the Italian study, samples were collected as pools of tracheal and cloacal swabs and intestine/enteric content from European quail (Coturnix coturnix), showing enteric disorders. All samples were tested by a nested RT-PCR targeted to the 3\'UTR of the Gammacoronavirus genus. Positive samples were submitted to RT-PCR to the RNA-dependent RNA-polymerase gene (RdRp) and two different RT-PCRs to the spike gene, including a typing-multiplex one. Two other RT-PCRs were used to detect the avian metapneumovirus (aMPV) and Newcastle disease virus (NDV). Avian coronavirus was found in all types of samples analyzed in quail and chickens from both type of creations, aMPV subtype B was found in chickens (Brasil) and the NDV was not observed in any samples. Based on the DNA sequences for the RdRp gene, Brazilian and Italian quail strains clustered within either Gammacoronavirus or Deltacoronavirus genus, while, for one Brazilian sample, it was detected co-infection with the two genuses. Phylogeny based on partial S1 subunit sequences showed that the gammacoronaviruses detected in the Brazilian and Italian quail belong to the Brazil type and 793/B, respectively. These results suggest that quail are susceptible to Gamma and Deltacoronavirus and that quail avian coronavirus share spike genes identical to chicken infectious bronchitis virus (IBV); thus, quail might act as reservoirs for avian coronaviruses. Also, Massachusetts vaccination was not efficient to control IBV in Brazilian quail.

Ano

2015

Creators

Carolina Torres Alejo

Pesquisa de cinomose, parvovirose e brucelose em carnívoros selvagens de vida livre e cães domésticos da região do Parque Nacional das Emas, Goiás

A conservação dos animais selvagens de vida livre é ameaçada pela fragmentação de habitat, caça, diminuição de presas e, em menor escala pela ocorrência de doenças infecciosas. Reconhecendo a importância das doenças para a conservação, e considerando que o crescimento da população humana no entorno de áreas protegidas propicia o aumento do contato de animais domésticos e selvagens, o presente estudo teve como objetivo pesquisar a exposição de carnívoros selvagens de vida livre e cães domésticos da região do Parque Nacional das Emas (PNE), Goiás à cinomose, parvovirose, brucelose e brucelose canina. Entre as espécies de carnívoros selvagens amostradas estão o lobo-guará, cachorro-do-mato, raposinha-do-campo, onça-parda, jaguatirica, gato-palheiro, gatomourisco, jaratataca e quati. Foram realizados os testes de soroneutralização, inibição de hemaglutinação, imunodifusão em gel ágar e PCR, para cinomose, parvovirose, brucelose canina e brucelose, respectivamente. Lobos-guará (12,7%, n=9), cachorros-do-mato (11,6%, n=7), jaguatiricas (18,2%, n=2) e cães domésticos (71,4%, n=25) foram expostos à cinomose. Todas as espécies de carnívoros selvagens amostradas, com exceção do quati, sendo 40,4% (n=65) dos indivíduos, e 37,1% (n=13) dos cães domésticos foram expostos à parvovirose. Apenas o lobo-guará (1,67%, n=2) foi exposto à brucelose canina e a raposinha-do-campo à Brucella spp. (1,47%, n=1). Este é o primeiro relato da exposição de gato-palheiro, gatomourisco e jaratataca ao parvovírus, e de lobo-guará à Brucella canis. A cinomose e a parvovirose merecem atenção no PNE pela possibilidade de envolvimento de cães domésticos na sua transmissão, embora não possa ser comprovada no presente estudo. A brucelose, no momento, parece não ser uma ameaça sanitária para as populações de carnívoros do PNE.

Ano

2013

Creators

Erika Midori Kida Hayashi

Caracterização genotípica de cepas de Pasteurella multocida proveniente de suínos

Um total de 123 isolados de Pasteurella multocida provenientes de suínos foi avaliado através da PCR para pesquisa de genes codificadores de capsula, toxina dermonecrótica e outros fatores de virulência. As amostras foram caracterizadas como tipo capsular A (78,8 %) e tipo capsular D (21%). Nenhum dos isolados foi positivo para presença de toxina dermonecrótica. Os genes codificadores dos fatores de virulência pesquisados foram observados nas freqüências de 93,5 % para nanB, 92,7% para psl, 91,9% para oma87 e nanH, 87,8% para sodA,87% para hghA,83,7% para ompH, 82,9% para sodC, 79,7% para ptfA e exbBD tonB,73,2% para hgbB, 14,6% para pfhA e 4,9% para tbpA. Estes achados são compatíveis com o descrito na literatura internacional.

Ano

2010

Creators

Sergio de Mello Novita Teixeira

Sistemas de vigilância em saúde animal

Nas últimas décadas, a epidemiologia veterinária evoluiu muito, trazendo novas abordagens para prevenção, detecção e controle de doenças infecciosas em rebanhos animais. Os sistemas de vigilância em saúde animal são considerados ferramentas primordiais para essa tarefa. Apesar das grandes conquistas no mercado internacional e do reconhecimento de áreas livres de doenças economicamente importantes, em suma epidêmicas, o Serviço Veterinário Oficial brasileiro ainda está em processo de construção para estabelecer sistemas mais bem estruturados que possam oferecer técnicas mais consistentes e sistematizadas desde a coleta e análise de dados, até o desencadeamento de medidas mitigatórias de risco na tomada de decisões. É importante ressaltar que para o funcionamento adequado dos processos envolvidos em cada etapa do sistema de vigilância, é preciso que estes sejam submetidos a uma avaliação sistemática, garantindo a qualidade das informações geradas e a otimização de recursos técnicos e monetários, desde que deficiências ou irregularidades sejam detectadas em sua operação. A avaliação permite visualizar se as diretrizes propostas inicialmente condizem com o trabalho em execução, garantindo credibilidade e manutenção de relações comerciais entre países. O presente estudo tem como objetivo revisar os aspectos fundamentais para a implementação e avaliação de sistemas de vigilância.

Ano

2020

Creators

João Luís Revolta Callefe

Monitoramento da população de cães errantes na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira

O ProMAC surgiu dentro da USP como resposta à demanda da comunidade, de abordar alguns problemas ambientais, inclusive a presença de cães errantes no campus. O presente trabalho teve como objetivo atender este programa no tocante à avaliação da dinâmica e da saúde da população de cães mantidos soltos na CUASO e dos cães recolhidos ao ATA. Utilizando a técnica de captura e recaptura fotográfica, a população de cães foi estimada em nove oportunidades ao longo de dois anos. No segundo ano, os cães dóceis foram individualmente identificados e, em quatro oportunidades, tiveram amostras biológicas coletadas (sangue, fezes e ectoparasitos). Os cães alojados no ATA foram identificados e as amostras coletadas em um único esforço contínuo ao longo de três meses. A estimativa da população errante variou entre 14 e 55 cães, com tendencia de queda não significativa ao longo do tempo. A população foi, em sua maioria composta de indivíduos machos (58,4%), adultos (77,8%) e dóceis (55,7%). A população errante apresentou alterações nos parâmetros hematológicos ao longo do ano, compatíveis com infecção subclínica, possivelmente causada por Hepatozoon canis, que teve aumento significativo de sua prevalência. Todos os cães foram negativos para Leishmania sp., Ricketsia sp., Erlichia sp. Não houve diferença significativa tanto para a SAM (Leptospira sp.,entre 14 e 50% - CUASO e 52,4% - ATA) quanto para a eliminação de ovos de Ancylostoma sp. nas fezes (entre 21 e 55% - CUASO e 27% - ATA) entre os cães da CUASO e do ATA, sendo o risco de infecção na comunidade universitária considerado baixo. A análise ambiental permitiu estabelecer que a fonte principal de alimento dos cães é a mesma dos humanos, fornecida próximo aos pontos de venda de alimentos, o que se torna preocupante ao sabermos que mais da metade destes cães são positivos para Toxoplasma sp. (entre 54 e 60%), sendo indicadores do risco ao ser humano. Os cães da população aversiva apresentam sinais reprodutivos (8,7% das fêmeas ao ano), mas os filhotes não foram encontrados possivelmente devido à baixa sobrevivência. Os adultos, tanto da população dócil como da população aversiva possuiam boa condição corporal, baixa mortalidade, sendo que os dóceis deixaram o campus mais frequentemente devido à adoção. O conjunto dos dados indicaram que o status sanitário dos cães alojados no abrigo foi semelhante àquela dos cães soltos, sendo que o bem-estar destes últimos foi maior, devido à condição precária em que o ATA era mantido, com a capacidade de alojamento de cães acima do limite máximo do abrigo. Como os cães da CUASO se distribuiam modulados pelo fornecimento de alimento e abrigo pelos usuários do campus, o manejo adequado destes cães deveria incluir o envolvimento da comunidade, além de sua responsabilização. A reprodução dos cães aversivos precisa ser eliminada, buscando métodos alternativos, devido à dificuldade de captura destes cães. O uso da área de mata destinada a pesquisa por estes cães representa um risco sanitário à comunidade universitária.

Ano

2016

Creators

Aline Gil Alves Guilloux

Avaliação da dinâmica do efetivo bovino no Estado do Mato Grosso e seu impacto no controle da brucelose bovina

A brucelose bovina, causada principalmente pela Brucella abortus (B. abortus), é uma enfermidade infectocontagiosa responsável por perdas reprodutivas e que possui implicações com a saúde pública. O estado de Mato Grosso é um dos estados brasileiros mais importantes da pecuária nacional, sendo também o estado que apresenta a mais alta prevalência de brucelose bovina em nível nacional. Este estudo teve por objetivo propor um método para cálculo de cobertura vacinal contra brucelose bovina, de modo que fosse possível avaliar o impacto da vacinação sobre a dinâmica da enfermidade na população bovina existente no estado de Mato Grosso a partir da análise de informações registradas junto ao Instituto de Defesa Agropecuária do Mato Grosso INDEA/MT referentes aos exercícios de 2006-2010. Observou-se que em torno de 30% do total de fêmeas pertencem aos grupos etários em idade vacinal e que 47,18% do rebanho estadual foi vacinado durante os meses em que ocorreu a vacinação contra febre aftosa, demonstrando uma possível associação entre os procedimentos, que pode ser justificada pela economia e a maior praticidade de se manejar o rebanho uma única vez para se realizar as duas imunizações. O cálculo das vacináveis foi realizado com base na aproximação proporcional do efetivo de fêmeas considerando para cada grupo etário o intervalo da janela vacinal de seis meses. A taxa de cobertura vacinal foi estimada com base em método que considera a evolução de coortes de fêmeas nascidas ao longo de um ano. A obtenção das taxas reais de mortalidade e natalidade possibilitou a realização de novas simulações de modo a avaliar o real impacto dessa estratégia na redução da prevalência de brucelose bovina. Os resultados obtidos com base neste cálculo fornecem a melhor estimativa possível com base nos dados atualmente disponíveis na maioria dos estados. Conclui-se que é necessária uma padronização nacional na forma de cálculo de cobertura vacinal, que o estado do Mato Grosso manteve-se com níveis acima de 80% de cobertura vacinal entre os anos de 2006 a 2010 e considerando-se as taxas de natalidade e mortalidade reais e a perspectiva de manutenção deste nível de cobertura vacinal, estima-se demoraria um pouco mais de dez anos para reduzir em 50% a proporção de fêmeas positivas da população inicial e em torno de duas décadas para reduzir a prevalência ao nível de 2%. Vale ressaltar que este modelo considerou apenas o efeito da estratégia de vacinação, desconsiderando outros pontos de ação do programa como, por exemplo, a certificação de propriedades livres e o controle da movimentação animal no Estado, fatores estes que poderiam auxiliar na aceleração do processo de redução da prevalência no estado.

Ano

2012

Creators

Rosely Bianca dos Santos Kuroda

Equinos como hospedeiros de Leishmania spp. e estudo da fauna de flebotomíneos nos municípios de Andradina e Ilha Solteira, estado de São Paulo

Objetivou-se a detecção de DNA e anticorpos anti-Leishmania spp. em equinos e levantamento da fauna de flebotomíneos nos municípios de Andradina e Ilha Solteira, São Paulo. Para isso, 235 equinos provenientes de Andradina, Araçatuba, Bauru e Ilha Solteira passaram por exames clínicos e laboratoriais. Os flebotomíneos foram coletados de janeiro de 2017 a dezembro de 2018, por meio de armadilha do tipo CDC (Center for Disease Control and Prevention) onde 6 armadilhas foram instaladas em Andradina e 6 em Ilha Solteira. As coletas foram realizadas mensalmente durante três dias consecutivos. Nos equinos, pelo ensaio imunoenzimático (ELISA) foi constatada soropositividade de 60,6% (137/226) e pela técnica da Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI), soropositividade de 89,4% (202/226). Pela PCR convencional (cPCR) utilizando o primer 13A/13B avaliando amostras do sangue (cPCR-SG), constatou-se 3,4% (8/235) de positivos, já na avaliação do suabe conjuntival (cPCR-SC), 2,5% (6/235) foram positivos Não foram encontrados animais positivos avaliados pelo cPCR utilizando o primer LIT5R/L5-8S (ITS-1). Na correlação de animais positivos com os achados hematológicos e bioquímicos, houve correlação no aumento da concentração plasmática de globulinas e diminuição de albuminas no grupo de animais positivos. Já na correlação entre a soropositividade dos cavalos e contato com cães com leishmaniose visceral e soropositividade compresença de lesão dermatológica não encontramos correlação. Em relação aos flebotomíneos, a densidade total foi de 64 machos e 50 fêmeas capturados em Ilha Solteira e 32 machos e 16 fêmeas em Andradina. Quando realizada a caracterização da espécie, em Andradina foram identificadas 6 espécies distintas de flebotomíneos e Ilha Solteira 11 espécies, dentre todas se destacando a maior densidade de Lu. (Lu) longipalpis, 43,75% e 28,10% em ambos os municípios respectivamente. Os resultados da presente pesquisa alertam para a presença de equinos infectados em áreas endêmicas, bem como da presença ativa de vetores incriminados na transmissão das leishmanioses nos locais estudados.

Ano

2019

Creators

Julio César Pereira Spada

Diversidade molecular dos genes codificadores das proteínas não-estruturais Nsp2 e protease Papaína-like e da proteína estrutural S1 de amostras brasileiras do Coronavírus aviário

Coronavírus, incluindo-se o Coronavírus aviário (ACoV), possuem o maior genoma composto por RNA conhecido entre os vírus. Aproximadamente dois terços desse genoma codificam proteínas não estruturais (Nsps), cujas funções parecem estar associadas à replicação e patogênese viral. Até o momento, esses alvos têm sido pouco explorados quanto a sua diversidade em diferentes linhagens de ACoV. O presente estudo teve como objetivo investigar a diversidade dos genes codificadores das proteínas não estruturais Nsp2 e protease Papaína-like (Plpro), utilizando-se linhagens brasileiras de ACoV. Para tanto, 10 linhagens de ACoV, isoladas em ovos embrionados, foram submetidas à RT-PCR direcionada aos genes codificadores de Plpro e Nsp2, seguindo-se o sequenciamento de DNA e a análise filogenética, juntamente com sequências homólogas obtidas no GenBank. Além disso, realizou-se a genotipagem por meio do sequenciamento parcial do gene codificador da proteína de espícula (região S1). Três das amostras virais obtidas e investigadas no presente trabalho apresentaram padrão de segregação discordante para os genes estudados. O isolado CRG I22 agrupou-se com linhagens virais pertencentes ao genótipo Massachusetts para S1 e com o grupamento de ACoVs brasileiros os genes da Nsp2 e Plpro. O isolado CRG I33 agrupou-se com linhagens virais pertencentes ao genótipo brasileiro para s1 e plpro e de maneira divergente para o gene da Nsp2. Para o isolado CRG I38, não foi obtida a genotipagem por s1, entretanto, similarmente ao observado para o isolado CRG I33, esse isolado agrupo-se com linhagens virais brasileiras para o gene plro e de maneira independente para o gene nsp2. As demais linhagens estudadas resultaram na formação de um grupamento especificamente brasileiro de ACoV, para os três genes estudados. Esses achados sugerem a ocorrência de recombinação nessas amostras discrepantes. Quanto às identidades médias entre as sequencias nucleotídicas analisadas, a região de s1 analisada apresentou as menores identidades (73,75% ±16,78), seguido pelo gene plpro (88,06% ±5,7) e do gene nsp2 (92,28% ±4,37), em acordo com a literatura. Assim sendo, os alvos investigados podem constituir ferramentas úteis na epidemiologia molecular do ACoV e na investigação de linhagens recombinantes do vírus. O presente estudo é o primeiro a investigar a diversidade genética de genes codificadores de proteínas não-estruturais em linhagens brasileiras de ACoV. Os resultados aqui apresentados reforçam a existência de um genótipo brasileiro de ACoV, para os 3 genes estudados. Entretanto, discrepâncias pontuais encontradas no padrão genotípico para s1, nsp2 e nsp3 permitem inferir uma diversidade genética maior do que a conhecida até o momento, possivelmente resultante de eventos de recombinação entre ACoVs brasileiros, ACoVs vacinais e outros ainda desconhecidos. Os resultados obtidos auxiliam na compreensão dos padrões e evolução dos ACoVs

Ano

2014

Creators

Giselle Ayres Razera Rossa

The role of material stereotypic behaviour on developmental outcomes in piglets

Stereotypic behaviour is considered an indicator of compromised welfare. We have conducted studies to test the controversial hypothesis that stereotypic behaviour helps animals to cope with challenges. We proposed that animals that do not express stereotypies could be under more compromised welfare, than the ones showing the behaviour, when exposed to difficult situations. Rather than asking to the animal if stereotypies are indicating good welfare, we assessed the effects on foetal programming. This study investigated the outcomes of stereotypies measured in sows (Sus scrofa) during gestation in shaping their offsprings phenotype measuring both behavioural and physiological indicators of welfare. Environmental enrichment is an efficient protocol, acting in the causal factors of stereotypies, such as motivational systems, to reduce repetitive, invariant behavioural patterns, defined as stereotypies. We demonstrated that stereotypies in pregnant sows are related with a reduction in fear indicators in their offspring. Then, we showed that environmental enrichment, in the last third of gestation, improved the welfare of sows and also the welfare in their offspring. Comparing the brain of the offspring of sows kept in enriched and non-enriched environments and comparing non-enriched sows performing stereotypies with non-enriched sows not showing stereotypies, we identified eight genes related with neuroplasticity and psychiatric diseases, which were differentially methylated. The main contribution of this study is that maternal stereotypic behaviour during gestation decreases fear indicators and alters the neuroepigenome of the limbic system of the offspring. As far as we know, this is the first evidence showing that stereotypies expressed by the mother during gestation did affect offsprings emotionality, in which the mechanism were epigenetic changes in the brain.

Ano

2018

Creators

Patricia Tatemoto

Impacto da vacinação na prevalência da brucelose bovina no estado de Tocantins, Brasil

Foi realizado um estudo seccional sobre a situação epidemiológica da brucelose bovina no Estado de Tocantins com o objetivo de avaliar a eficácia do programa de vacinação implementado. O Estado foi dividido em cinco regiões e em cada uma delas foi aleatoriamente amostrado um número pré-estabelecido de propriedades. Dentro de cada propriedade, fêmeas com idade igual ou superior a 24 meses foram aleatoriamente selecionadas e submetidas à sorologia em série para o diagnóstico da brucelose (AAT e 2-Mercaptoetanol). Ao todo foram examinados 6.846 animais oriundos de 756 propriedades. A prevalência de focos no estado foi de 6,42% [4,76 -8,62] e a de animais 2,21% [1,05 - 4,01]. A prevalência de focos apresentou-se homogeneamente distribuída entre as cinco regiões. Como o estudo realizado em 2003/2003 estimou a prevalência de focos no estado em 21,22% [19,33 - 23,11], conclui-se que o programa de vacinação implementado pelo Tocantins reduziu a prevalência de maneira importante. Assim, recomenda-se que o estado continue seu programa de vacinação, dando grande ênfase para a qualidade dos procedimentos, desde a comercialização do insumo até a inoculação nos animais, pois a imunização ainda é a maneira mais racional de se reduzir a prevalência da brucelose bovina no seu território. Adicionalmente, o estado deve implementar uma forte ação de educação sanitária para que os produtores passem a testar os animais para brucelose antes de introduzi-los nos seus rebanhos, pois verificou-se que a reposição de animais está associada à condição de foco de brucelose bovina.

Ano

2018

Creators

Fabiano Benitez Vendrame

Associação entre o índice de mastite em rebanhos bovinos leiteiros e a qualidade microbiológica do leite cru no Estado de São Paulo, Brasil

O objetivo deste trabalho foi verificar as possíveis correlações entre os índices de mastite e a qualidade microbiológica do leite cru, em 36 propriedades com atividade exploratória leiteira, no Estado de São Paulo, Brasil. Examinou-se 4662 quartos mamários de 1180 animais em lactação para se verificar a presença de mastite pelos Testes de Caneca de Fundo Escuro e CMT, e coletou-se uma amostra de cada quarto mamário positivo em pelo menos um dos testes para exame microbiológico. Para se avaliar a qualidade microbiológica do leite cru, coletou-se uma amostra de cada propriedade e fez-se a Contagem de microrganismos mesófilos aeróbios facultativos viáveis, Contagem de microrganismos psicrotróficos aeróbios facultativos viáveis, Contagem de microrganismos termófilos aeróbios facultativos viáveis, Contagem de Enterococcus spp., Contagem de Stapylococcus spp., Contagem de Streptococcus spp., Contagem de Corynebacterium spp., Contagem de bolores e leveduras, Número Mais Provável de coliformes totais e Número Mais Provável de coliformes fecais. Aplicou-se teste de Correlação de Pearson e Regressão Linear. Para comparação entre os índices de mastite, a melhor correlação foi entre o índice de resultados positivos ao teste CMT e os casos de mastite por causa infecciosa (r = 0,920 e R2 = 84,7%). Comparando-se o índice de mastite e a qualidade microbiológica do leite cru, o melhor resultado que apresentou correlação significativa foi entre o índice de casos de mastite por Staphylococcus spp. e a Contagem de microrganismos termófilos aeróbios facultativos viáveis (r = 0,522 e R2 = 27,3%). Pelo baixo número de análises que apresentaram resultado de Correlação significativa, notou-se que o índice mastite em rebanhos bovinos leiteiros não interfere na qualidade microbiológica do leite cru, nas condições estudadas neste experimento.

Ano

2006

Creators

Luís Ivan Martinhão Souto

Estudos biológico, imunológico e genético de amostras do vírus da raiva isoladas de morcegos no Estado do Rio de Janeiro - Sudeste, Brasil

O presente trabalho visou estudar o comportamento biológico em camundongos de 10 amostras de vírus da raiva isoladas de morcegos hematófagos e não-hematófagos, no Estado do Rio de Janeiro, sua caracterização genética quanto aos genes N e G, além da resposta de camundongos vacinados com a vacina anti-rábica produzida pela replicação da amostra Pitman-Moore em cultivo celular, frente ao desafio com estas amostras virais. As passagens sucessivas em camundongos determinaram uma redução do período de incubação e a obtenção de amostras virais com altos títulos. A vacina anti-rábica utilizada na imunização dos camundongos ofereceu proteção em mais de 80% dos camundongos vacinados com a diluição 1:5 da vacina, frente à maioria das amostras. A análise filogenética do gene da proteína N apresentou um padrão de agregação dividido em variante de morcego hematófago e variante de morcego insetívoro, com diferenças filogenéticas entre as variantes de morcego hematófago isoladas na Região Noroeste do Estado do Rio de Janeiro e aquelas isoladas nas Regiões Metropolitana e Sul do Estado. A substituição do resíduo ácido aspártico por ácido glutâmico na posição 118, encontradas na caracterização genética da proteína G das amostras 704/97 e 151/98, permite inferir que esta posição esteja relacionada à antigenicidade viral. Não foram observadas diferenças genéticas temporais entre as amostras estudadas.

Ano

2008

Creators

Carla da Silva Mota

Análise multigênica de rotavírus do grupo A em suínos

Os rotavírus do grupo A (RVA) são importantes causadores de diarreias virais em crianças e animais jovens de diferentes espécies, com impactos na saúde pública e animal. Visando contribuir para o entendimento e prevenção das rotaviroses assim como suas possíveis relações zoonóticas, caracterizou-se os 11 segmentos de dsRNA de rotavírus codificadores das proteínas estruturais e não estruturais presentes em amostras fecais positivas de suínos coletadas nos anos de 2012-2013, em 2 estados brasileiros. Mediante o emprego de RT-PCR, sequenciamento nucleotídico e análises filogenéticas, todos os segmentos genéticos oriundos de 12 amostras de RVA detectados em suínos foram analisados e comparados com os de outras amostras descritas previamente. As sequências obtidas para os genes codificadores das proteínas NSP2, NSP3 e VP6 contemplaram a open reading frame (ORF) completa do gene, enquanto que a ORF parcial foi determinada para os genes codificadores das proteínas VP1, VP2, VP3, VP4, VP7, NSP1, NSP4, NSP5 e NSP6. Os genotipos de rotavírus suíno provenientes das regiões amostradas concordam com os mais frequentemente descritos nesta espécie animal, apresentando, assim, uma matriz genética suína com a maioria dos segmentos pertencentes à constelação genotípica 1, com exceção dos genes codificadores das proteínas VP6 e NSP1, os quais foram os genotipos I5 e A8, respectivamente. Apesar de predominar o genotipo 1 (Wa-like) nas sequências deste estudo, a análise genômica sugere a existência de uma variação intragenotípica no genoma do rotavírus do grupo A atualmente circulante nas populações suína amostradas dos estados de São Paulo e Mato Grosso. Adicionalmente, buscou-se identificar os aminoácidos relacionados com a adaptação dos rotavírus no hospedeiro e assinaturas genéticas que distinguissem RVA suíno e humano. Para isso, as sequências obtidas neste estudo foram comparadas com outras cepas de RVA detectadas nestas duas espécies e pertencentes ao genotipo 1 (Wa-like) disponíveis no Genbank. Como resultados foram encontrados mais de 75 sítios de mudanças deaminoácidos que diferenciam RVA suíno e humano além de sítios de substituiçãopresentes em algumas proteínas virais que frequentemente covariaram entre elas. Estes resultados proporcionam um maior entendimento da diversidade viral circulante em unidades de produção suína e uma melhor compreensão dos animaiscomo reservatórios genéticos de cepas de rotavírus emergentes em humanos.

Ano

2016

Creators

Fernanda Dornelas Florentino Silva

Produção científica brasileira no tema \"pescado: alimento para consumo humano\" - período de 2002 a 2012

O intuito deste estudo foi o de realizar uma pesquisa qualiquantitativa, documental e exploratória sobre a produção científica nacional no tema \"pescado: alimento para consumo humano\" compreendendo o período entre 2002 e 2012. Os trabalhos foram classificados em duas grandes áreas: Saúde Pública, e Processamento do Pescado. Objetivou-se identificar a participação das regiões brasileiras; o pescado mais estudado; as entidades que mais pesquisam sobre o tema (públicas ou privadas); os aspectos em que a pesquisa sobre o tema contribui para o desenvolvimento do setor, e os principais avanços identificados nesse período de estudo. O estudo concluiu que houve um aumento do número de trabalhos produzidos no tema \"pescado: alimento para consumo humano\", entre 2002 a 2012; as pesquisas desenvolvidas vem contribuindo com um grande número de trabalhos voltados à Saúde Pública, sendo que estes apresentaram principalmente pesquisas de análises microbiológicas e físico-químicas; as instituições públicas foram as que mais apresentaram pesquisas dentro do período estudado; a região que mais realizou estudos foi a Sudeste; o pescado mais estudado foi origem marinha e a espécie de pescado mais encontrada nos estudos foi a tilápia (Oreochromis niloticus); o maior número de trabalhos foi apresentado no Congresso de Higienistas de Alimentos, seguido pelo SIMCOPE e base Capes, respectivamente. Os trabalhos, no geral, foram muito semelhantes e voltados à Saúde Pública, porém o SIMCOPE demonstrou maior número de trabalhos referentes ao Processamento do Pescado. A criação do Ministério da Pesca e Aquicultura gerou um aumento de investimento, por parte do governo no setor, incentivando a produção de peixes de cativeiro, como a tilápia.

Ano

2014

Creators

Renata Savarino Levenhagen

Coronavírus bovino (BCoV): ocorrência, diversidade molecular e padronização de PCR para diagnóstico a partir de amostras fecais de bezerros com e sem diarréia criados em municípios dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, Brasil

O coronavírus bovino (BCoV) é classificado no grupo 2 do gênero Coronavirus da ordem Nidovirales, família Coronaviridae, causando diarréia em bezerros neonatos, processos respiratórios em bezerros não neonatos e disenteria em vacas adultas. No presente estudo, 203 amostras fecais de bezerros de 19 propriedades leiteiras nos Estados de São Paulo e Minas Gerais foram submetidas à prova de hemaglutinação/ inibição da hemaglutinação (HA/HI) para a detecção de coronavírus e a uma reação de PCR dirigida ao gene codificador da RNA-polimerase RNA-dependente dos coronavírus (PCR pol), sendo feita a comparação entre as duas técnicas através dos testes Kappa e J de Youden. Amostras positivas à PCR pol foram submetidas a uma reação de PCR para amplificação de um segmento de 488 pares de bases correspondentes à região hipervariável do gene codificador da subunidade S1 da proteína S, sendo os fragmentos submetidos a seqüenciamento de DNA para a reconstrução genealógica das amostras estudadas. Ainda, a presença de rotavírus foi pesquisada pela técnica de PAGE. Segundo a técnica de HA/ HI, 35,47% das amostras e 73,68% das propriedades rurais forma positivas para BCoV, enquanto que pela PCR pol 25,12% das amostras e 52,63% das propriedades rurais foram positivas para este vírus. A comparação entre as duas técnicas resultou valores de kappa de -0,048 para os resultados individuais e -0,08 em relação às propriedades rurais e J de Youden de -0,045 para os resultados individuais e -0,1 em relação às propriedades rurais, demonstrando baixa concordância entre as duas provas. A genealogia obtida por máxima parcimônia através de algoritmo heurístico e baseada em seqüências da região hipervariável do gene codificador da subunidade S1 da proteína S de 15 amostras de campo aqui estudadas, da amostra Kakegawa de coronavírus bovino utilizada como controle positivo e de 10 seqüências recuperadas dos GenBank revelou a existência de dois genotipos dentro desta espécie viral, sendo os dois genotipos encontrados entre amostras brasileiras. A identidade média de nucleotídeos entre as 15 amostras brasileiras foi de 98,34%, com similaridade média de aminoácidos de 98%. Amostras pertencentes ao genotipo 2 apresentaram uma deleção de 18 nucleotídeos/ 6 aminoácidos dentro da região correspondente ao domínio II da proteína S. A árvore de máxima parcimônia enraizada tendo bredavírus como grupo externo revelou que esta deleção ocorreu em um único momento na genealogia dos coronavírus bovinos. Rotavírus foi encontrado em 12,6% das amostras fecais individuais e 28, 57% das propriedades rurais pesquisadas. Estes resultados são os primeiros baseados em amostras brasileiras de coronavírus bovino e contribuem para a caracterização molecular do BCoV, para a predição da eficiência de imunógenos e para o encontro de marcadores moleculares úteis para estudos epidemiológicos continuados em relação às diarréias neonatais em bovinos.

Ano

2004

Creators

Paulo Eduardo Brandão

Aspectos epidemiológicos da erliquiose canina no Brasil

O presente estudo visou obter informações sobre a epidemiologia da erliquiose canina no Brasil, a partir da caracterização molecular de isolados nacionais e de estudo de prevalência da infecção em cães (Canis familiaris) e carrapatos Rhipicephalus sanguineus. Inicialmente, padronizou-se o isolamento de Ehrlichia canis em cultivo de células DH82, a partir de um cão inoculado com a cepa Jaboticabal, seguida da identificação do isolado pelo sequenciamento de DNA de um fragmento do gene dsb de Ehrlichia. Posteriormente, realizou-se o isolamento de E. canis de um cão naturalmente infectado, atendido no Hospital Veterinário (HOVET) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Este novo isolado foi geneticamente caracterizado a partir da PCR almejando fragmentos dos genes dsb, 16S rRNA e P28. Com o estabelecimento do isolado Jaboticabal em cultivo celular, padronizou-se a Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI), utilizando-a em amostras de soros de 314 cães de áreas urbana e rural do Município de Monte Negro, RO. Finalmente, avaliou-se pela PCR do gene dsb, a freqüência de carrapatos infectados e de cães oriundos de quatro populações de R. sanguineus, uma do município de Monte Negro, RO. e três do estado de São Paulo. Do cão inoculado com o isolado Jaboticabal, constatou-se o crescimento de E. canis em cultivo celular, no 27o dia pós-inoculação, confirmado pela PCR e citologia. Após o seqüenciamento de DNA, o fragmento amplificado a partir do isolado apresentou-se 100% similar a seqüência correspondente ao gene dsb de E. canis depositada no GenBank. O isolamento de E. canis, a partir do cão atendido no HOVET, foi obtido no 14o dia pós-inoculação. Esta nova cepa, designada como isolado São Paulo, apresentou-se idêntica às seqüências do gene dsb e similares às seqüências dos genes 16S r RNA e P28, de outros isolados de E. canis disponíveis no GenBank. Dos soros testados pela RIFI, observou-se prevalência (títulos &plusmn; 40) de 31,2% (98/314), sendo 37,9% (58/153) em cães urbanos e 24,8% (40/161) em cães rurais (P < 0,05) de Monte Negro, Estado de Rondônia. A prevalência de carrapatos infectados (dada como freqüência mínima de infecção) foi de 2,3, 6,2, e 3,7% para as populações 1 (Monte Negro), 2 (Jundiaí, SP), e 3 (São Paulo I, SP), respectivamente (P > 0,05). Nenhum carrapato infectado foi detectado na população 4 (São Paulo II, SP). Os produtos da PCR dos carrapatos e de cães das populações 1, 2 e 3 foram idênticos entre si e à seqüência de E. canis disponível no GenBank. Estes resultados reforçam estudos anteriores, que relataram a infecção por E. canis em cães do Brasil, contudo descreve pela primeira vez no Brasil a infecção natural por E. canis em carrapatos R. sanguineus, tido como o principal carrapatos de cães no país.

Ano

2006

Creators

Daniel Moura de Aguiar

Caracterização genética de amostras do vírus da raiva isoladas de morcegos. Avaliação da patogenicidade e proteção cruzada em camundongos

Vírus da raiva provenientes de 23 morcegos de espécies hematófagas, frugívoras e insetívoras foram caracterizados geneticamente pelo seqüenciamento completo da região que codifica a nucleoproteína N. A análise filogenética das seqüências, incluindo lyssavirus e isolados de morcegos do Chile e Estados Unidos, mostrou que os diferentes isolados do vírus da raiva foram de modo geral segregados em quatro grupos genéticos distintas: morcegos hematófagos, morcegos insetívoros 1, 2 e 3. Os morcegos insetívoros 1 constituiram-se por isolados de Eptesicus furinalis: BR-EF1, BR-EF2, BREF3, BR-EF-4, BR-EA1 e BR-NL2; os morcegos insetívoros 2 consistiram de isolados de Molosssus spp: BR-MM1, BR-MM2 e BR- MA1 e os morcegos insetívoros 3 isolados de Nictinomops laticaudatus: BR-NL1 e BR-NL3. A homologia de nucleotídeos entre cada grupo de morcegos insetívoros 1, 2 e 3 foi maior que 99%, 97% e 99%, respectivamente. O grupo de morcegos hematófagos foi representado pelos isolados de: 3 morcegos hematófagos Desmodus rotundus (BR-DR1, BR-DR2 e BR-DR3); 5 morcegos frugívoros Artibeus lituratus BR-AL1, BR-AL2, BR-AL3, BR-AL4 e Artibeus planirostris BRAP1; 2 morcegos insetívoros (BR-MR1 e BR-EA2) e 2 de espécies não identificadas (BR-BAT1 e BR-BAT2). Entre as amostras seqüenciadas foram selecionadas cinco (BR-EF1, BR-NL1, BR-AL3, BR-MM1, BR-DR1) e um isolado de cão (BR-C) para os estudos de patogenicidade em camundongos albinos suíços inoculados pela vias intracerebral (IC) e intramuscular (IM). Todas as amostras quando inoculadas em camundongos pela via IC apresentaram-se patogênicas, provocando a morte dos mesmos num período de 4 a 14 dias pós-inoculação. No entanto, 500DLIC50 das mesmas amostras inoculadas pela via IM levaram a uma mortalidade de camundongos de: 60% (BR-DR1); 50% (BR-C, BR-NL); 40% (BR- AL3); 9,5% (BR-MM1); 5,2% (BR-EF10). As mesmas amostras foram utilizadas para a verificação de proteção cruzada, conferida por vacina comercial de uso animal, de camundongos que receberam uma ou duas doses de vacina pela via subcutânea (SC) e desafiados pelas vias IC e IM. Camundongos inoculados com duas doses de vacina foram protegidos quando desafiados pela via IC, com todas as amostras testadas. Quando os camundongos receberam uma dose da mesma vacina houve proteção parcial daqueles desafiados com as amostras de vírus PV e BR-C. Houve proteção de 100% dos camundongos desafiados pela via IM, com exceção daqueles vacinados com uma dose de vacina e desafiados com a amostra PV que apresentaram um índice de 66% de sobreviventes. Os resultados indicam a possibilidade de existir variantes do vírus da raiva espécies específicas circulando em morcegos. Sugerem ainda, que espécies de morcegos hematófagos, frugívoros e insetívoros compartilham o mesmo polimorfismo de vírus. A vacina comercial contra a raiva contendo vírus inativado e de uso veterinário protegeu os camundongos contra o desafio com as diferentes amostras testadas, sugerindo que as vacinas usualmente utilizadas são efetivas no tratamento profilático da raiva transmitida por morcegos, apesar da marcada diferença de neurovirulência dos diferentes isolados quando inoculados em camundongos pela via IM.

Ano

2006

Creators

Elenice Maria Sequetin Cunha

Comparação entre a quantidade de unidades formadoras de colônias de microrganismos e a contagem de células somáticas em amostras de leite provenientes de glândulas mamárias de bovinos com infecção intramamária

Os processos inflamatórios na glândula mamária são especialmente freqüentes e importantes em bovinos leiteiros, sendo responsáveis por grandes prejuízos à pecuária leiteira. A mastite infecciosa é a mais importante doença sob o ponto de vista econômico e de saúde pública. A contagem de unidades formadoras de colônias por mililitro (UFC/mL) de leite proveniente diretamente de uma glândula mamária permitiria avaliar o comportamento de cada um dos agentes etiológicos da mastite infecciosa. A comparação desta informação com a contagem de células somáticas (CCS/mL) na amostra de leite permitiria uma avaliação mais acurada do processo infeccioso e inflamatório na glândula mamária. O presente trabalho teve como objetivos: avaliar o \"status\" microbiológico de amostras de leite de vacas em lactação que apresentaram mastite e comparar a quantidade de UFC/mL de colônias dos diferentes microrganismos com as respectivas CCS/mL, levando em consideração a diferenciação de células polimorfonucleares (PMN/mL) e mononucleares (MN/mL) nas amostras. Quinhentas e seis amostras de 15 propriedades de exploração leiteira do Estado de São Paulo, Brasil, foram submetidas aos testes de Tamis e California Mastitis Test (CMT), e realizados os exames microbiológicos, contagem de UFC/mL e CCS/mL. Destas, 112 não apresentaram crescimento de microrganismos, e das amostras com crescimento foram isolados: 94 Corynebacterium spp., 104 Staphylococcus spp., 73 Streptococcus spp., 36 Prototheca zopfii, 08 Candida spp., 02 Nocardia spp. e 77 associações entre os microrganismos. Houve correlação entre o número de UFC/mL com a CCS/mL, assim como entre PMN/mL e entre MN/mL. Concluiu-se que existe um aumento da CCS/mL, PMN/mL e MN/mL no leite quando há um aumento das contagens de UFC/mL. As quantidades de UFC/mL no leite com isolamento de Streptococcus spp. foram maiores estatisticamente (P < 0,05) que as quantidades de UFC/mL com isolamento de Corynebacterium spp. e Staphylococcus spp. Concluiu-se também que, em havendo necessidade de tratamento de mastite clínica e subclínica no rebanho devido às altas contagens de UFC/mL, deve-se tratar inicialmente os quartos nos quais foram isolados Streptococcus spp. e deixar para uma segunda etapa ou para o processo de secagem o tratamento das mastites associadas à Staphylococcus coagulase-positivo, Staphylococcus coagulase-negativo e Corynebacterium spp. nessa mesma ordem.

Ano

2003

Creators

Simone Silveira da Costa

Avaliação da ocorrência de fatores de virulência em estirpes de Escherichia coli em fezes de cães errantes

O presente trabalho teve como objetivo isolar e identificar os microrganismos aeróbicos e a frequência de isolamento de Escherichia coli patogênica ao homem em fezes de cães sem sintomas de colibacilose e assim averiguar a participação do cão como fonte de infeção de colibacilose humana. No período de setembro de 2002 a outubro de 2004, foram coletadas 220 amostras de fezes de animais capturados pelos CCZ de Guarulhos, Cotia e Barueri, cidades do Estado de São Paulo. O método de coleta foi através de swabs estéreis profundamente ao intestino dos animais anestesiados, mantidos sob refrigeração e em caldo BHI. As bactérias foram isoladas por semeadura em Mac Conkey, ágar sangue e Sabouraud. Houve crescimento de microrganismos em 100% delas. Foram isolados os seguintes microrganismos: 120 (54,54%) estirpes de E. coli em cultura pura e 76 (34,54%) estirpes em associação com outros agentes, Proteus mirabilis (2,27%), Klebsiella pneumoniae (2,27%), dentre outros microrganismos. Deve-se ressaltar ainda o isolamento de leveduras (Candida albicans) em associação com outros agentes a partir de 05 (2,27%) amostras de swabs retais. Uma vez isoladas, seus genes de virulência foram detectados por PCR. De um total de 196 estirpes de E. coli isoladas, 123 (62,75%) apresentaram um ou mais dos fatores de virulência estudados. Dessas 196 estirpes, 16 (8,16%) foram positivas para afa, 54 (27,55%) foram positivas para sfa, 38 (19,38%) foram positivas para pap, 66 (33,67%) foram positivas para aer, 31 (15,81%) foram positivas para cnf, 13 (6,63%) foram positivas para hly, 01(0,51%) foi positiva para VT2 e nenhuma das linhagens foi positiva para LT, STa e STb. Os cães aparentemente sadios, sem sintomas de colibacilose, poderiam estar participando da cadeia epidemiológica como reservatórios de E. coli uropatogênica ao homem, pois os genes encontrados com maior número foram aer, sfa e pap presentes em infecções extraintestinais, mais especificamente infecções urinárias. Os cães podem participar como reservatório de estirpes de E. coli resistentes a antimicrobianos. Das amostras de E. coli testadas, 85,64% apresentaram resistência à Cefalotina e 0% de resistência à Norfloxacina. Há a necessidade de mais pesquisas sobre o modo de transmissão das E. coli patogênicas entre o cão e o homem e dos fatores de virulência uropatogênicos encontrados com maior frequência tais como aer, sfa e pap.

Ano

2005

Creators

Anna Catharina Maia Del Guercio von Sydow