Repositório RCAAP

IMPRESSIONISMO NO RIO GRANDE DO SUL: LUZ E SOMBRAS DE OSCAR BOEIRA

Este trabalho busca traçar a trajetória do pintor gaúcho Oscar Boeira (1883-1943) no campo das artes plásticas no Rio Grande do Sul. Importante artista de sua época possui os maiores expoentes de sua carreira inspirados pela arte impressionista. Com obras inovadoras traz um olhar diferenciado e sensível, de relevância, a ser compreendido e estudado. Seu caminho nas artes, suas pinturas de paisagem e retrato, bem como seus desenhos traçam aspectos da sociedade rio-grandense do início do século XX, período este em que ocorrem transformações socioeconômicas significativas para a sociedade gaúcha, sendo que a arte carrega grande influencia de sua época e de seus indivíduos. Vida e obra de Boeira são trazidas para melhor compreendermos sua arte e sua atuação nesse campo. Sua forma de ser e de ver o mundo influencia não só em suas produções, nos reflete peculiaridades desta figura importante para as artes plásticas do Rio Grande do Sul, que até hoje pouco estudado, merece um olhar mais aprofundado em seu legado.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

da Rosa, Fernanda Soares

O CINEMA E O DECLÍNIO DO SAMURAI: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE O HERÓI HOLLYWOODIANO E O NIPÔNICO

O espectador ocidental ao se deparar com um filme sobre samurais, evidenciados enquanto guerreiros japoneses responsáveis inicialmente pela manutenção da ordem no Japão feudal no século XII, conhecidos pela sua bravura, perícia em artes marciais e forte hierarquia social dando, inclusive, a própria vida para salvar seu Daimio, seu senhor, cria, geralmente, certa deturpação da realidade social dessa camada da população nipônica. Esse senso comum, muitas vezes, motivado por filmes que tratam desse tema, dependendo da ótica escolhida pelo diretor/roteirista pode impor sua visão de mundo acerca dos samurais, constituindo um novo discurso e interpretação histórica que se sobrepõe ao discurso histórico tradicional. Para a realização deste estudo foram utilizados como objetos de análise dois longas metragens produzidos em um mesmo período cinematográfico, mas em espaços culturais distintos: O Samurai do Entardecer (2002), filme do japonês Yôji Yamada e O Último Samurai (2003) obra hollywoodiana dirigida por Edward Zwick. Evidencia-se nos filmes a preocupação na ambientação do espaço físico e histórico, bem como na construção e no tratamento dado ao herói. O retrato do século XIX é tratado de forma ambivalente nos filmes. O oriental prima por tratar da transição do fim do Shogunato à instauração da Era Meiji, enquanto o filme norte-americano opta por já apresentar a decadência do samurai no início dessa era e o processo acelerado de ocidentalização do Japão. Na presente pesquisa, visou-se trabalhar a visão dada aos samurais através do cinema realizando-se um estudo comparado entre um filme norte americano e um japonês. Nossa opção foi a de concentrar a análise na constituição do herói enquanto agente histórico do processo de transformação social evidenciado nos filmes, analisando os diferentes enfoques dados ao samurai, bem como suas normas de conduta, o espaço histórico-social e características de constituição de sua representação imagética.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

de Souza, Guilherme Nunes

A EDIFICAÇÃO DA CASA DE MÁQUINAS DA COMPANHIA HYDRAULICA PELOTENSE

O patrimônio industrial é um campo de estudos bastante recente. O conhecimento sobre as obras remanescentes da industrialização são fundamentais para subsidiar discussões sobre a preservação deste acervo. Nessa perspectiva, esta pesquisa busca compreender a edificação da Casa de Máquinas da antiga Companhia Hydraulica Pelotense, a partir da análise de aspectos estéticos e históricos da obra. A Hydraulica foi incorporada em 1871, com o propósito de abastecer a cidade de Pelotas com água encanada, sendo escolhido o arroio Moreira como ponto de captação. Na cidade, foi erguida a Caixa d’água da praça Piratinino de Almeida e foram instalados chafarizes para abastecer a população. Em poucos anos o sistema não suportava a demanda da cidade (Silveira, 2009) e foi necessário ampliar a rede de abastecimento, com a construção de uma série de obras, entre elas a Casa de Máquinas. Neste ensaio a abordagem será voltada à história da edificação e ao cotidiano da cidade durante o período de sua construção (1890-1895). A pesquisa que subsidiou estas reflexões foi realizada buscando confrontar as informações coletadas na imprensa local com os relatórios semestrais apresentados pela diretoria da Companhia a seus acionistas. Os periódicos selecionados foram o Diário Popular, o Correio Mercantil, Nacional e o Echo do Sul. A pesquisa nesses jornais revelou aspectos do cotidiano que permitiram conhecer a trajetória da edificação e destacar sua importância como patrimônio cultural da cidade.

DA COLIGAY AO SHEIK – (RE)PRODUÇÃO DA HOMOSSEXUALIDADE NO ESPAÇO DE MASCULINIDADES: UMA ANÁLISE DE DISCURSOS NO CAMPO FUTEBOLÍSTICO

O ano de 2013 foi representativo para o futebol brasileiro. Após o “selinho” de Emerson Sheik, atacante do Corinthias, no empresário Isaac Azar, houve uma onda de comentários considerados homofóbicos, não só contra os atores do ato, bem como o próprio Corinthias. O que houve de representativo foi a volta da discussão acerca do tema homossexualidade, construção da masculinidade e o futebol. De fato, são três eixos que causam discussão, tendo em vista ser o futebol brasileiro um currículo de masculinidades. Porém, ao verificarmos a constituição de torcidas a favor da ocupação de espaços nos estádios pelos gays, como é o caso da Coligay (1977-1987), percebemos que o tema não é tão novo assim. A partir de reportagens da Revista Placar, pretendemos compreender o que essa mídia escreve sobre essa torcida. Qual o objetivo de se afirmar homossexuais num campo onde há (re)produção de masculinidades? Por (re)produção de masculinidades, entendemos que há constantemente nos estádios e outros espaços de reprodução do discurso futebolístico uma constante: o processo de “pedagogização”, da qual surgem ações que se associam a forma de ser homem (ou não ser homem). Dessa forma, o artigo pretende analisar essas reportagens e relacioná-las ao conceito de currículo de masculinidades, procurando entender como a Coligay se afirma e por que se afirma como uma torcida de homossexuais no espaço futebolístico.

MULHERES E SOCIEDADE NO DECÊNIO FARROUPILHA

A aparição dos enfoques historiográficos que formam a história das mulheres e/ou das relações de gênero vem trazendo mudanças muito importantes para a historiografia, seja em aspectos culturais ou nas relações dos atores sociais com o poder. Neste sentido, percebendo a necessidade de aprofundar o conhecimento histórico acerca desta temática, buscamos neste trabalho compreender e refletir acerca de algumas formas de articulação utilizadas por mulheres dentro da sociedade oitocentista do período farroupilha (1835-1845), na província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Como objeto de estudo, detemo-nos sobre a figura de três mulheres que estavam inseridas na elite farroupilha do período: Bernardina Barcelos de Almeida, Maria Angélica da Fontoura Corte Real e Candida Olinda de Freitas. A partir do estudo realizado, que contou com levantamento de dados e análise bibliográfica e documental, procuramos demonstrar que as atitudes destas mulheres estavam diretamente inseridas nas intrincadas e complexas disputas pelo poder que ocorriam nos diversos âmbitos da sociedade, e que, assim sendo, suas ações interferiram diretamente nestas disputas, fossem elas ligadas à situação da guerra ou para além dela.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Silveira Becher, Paula Rochele

ENTRE AS HEROÍNAS E O SILÊNCIO: A CONDIÇÃO FEMININA NA ATENAS CLÁSSICA

O presente artigo tem como objetivo abordar as relações de gênero em Atenas no período clássico (sécs. V-IV a. C.), a fim de examinar a condição feminina nesta sociedade, sendo a primeira etapa de uma pesquisa mais ampla, sobre o erro trágico (hamartia) feminino e o protagonismo/heroísmo feminino na tragédia grega. Para tanto, foram analisadas fontes primárias textuais, contrastando as representações da mulher no trabalho de poetas, historiadores, filósofos e oradores e a realidade social feminina na Atenas clássica. Desse modo, são examinados os diversos estatutos para as mulheres nessa sociedade, quais sejam, cidadãs (mélissai), concubinas (pallakai), metecas, cortesãs (hetairai), prostitutas (pornai) e escravas.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Berquó, Thirzá Amaral

EDUCAÇÃO POLÍTICA: O ENSINO DO PROCESSO ELEITORAL BRASILEIRO EM SALA DE AULA

O presente artigo trata sobre um projeto desenvolvido pelos bolsistas PIBID, subprojeto História, a respeito da evolução do processo eleitoral brasileiro. Diferentemente da ideia de que falar de política é um assunto delicado e perigoso, pois corre-se o risco dos alunos entenderem o trabalho como uma forma de doutrinação ou propaganda partidária, o que se buscou com essa atividade foi esclarecer algumas questões sobre a questão do voto e das eleições, e, consequentemente, da democracia no país. Ocorreu a apresentação para os estudantes da evolução da política nacional, desde a vinda da Família Real Portuguesa até o momento presente, passando pela Política dos Coronéis, criação da Justiça Eleitoral, voto feminino, Diretas Já e, outros importantes fatos relacionados ao tema. Para que o assunto e os debates não acabem na sala-de-aula, buscou-se a participação da família, com a distribuição de um questionário contendo onze perguntas. Este questionário serviu de base para que o aluno fizesse uma entrevista com algum conhecido que tenha participado, ao menos uma vez, do processo eleitoral e, forme sua opinião e reflexões sobre a política nacional. O grupo percebe que pouco se reflete sobre política, e isso faz falta, pois deve-se entender que ela está presente na nossa vida e deve ser debatida. Conscientizar sobre a importância da conquista do direito do voto, para que eles entendam seus deveres e direitos de cidadãos.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Flores, Andressa de Rodrigues Nunes, Pâmela Pozzer Centeno

O SEGUNDO REINADO E A FIGURA D. PEDRO II NA FORMAÇÃO DA IDENTIDADE NACIONAL NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DA REPÚBLICA (1890-1910)

O presente artigo é resultado de pesquisas financiadas pela bolsa FIPE, podendo ser considerado como um desdobramento do projeto “História Intelectual, Historicidade e Processos de Identificação Cultural”, coordenado pelo Prof. Dr. Carlos Henrique Armani. Com o fim do Império Brasileiro, em 1889, quando foi dado o Golpe Republicano sob a liderança de Deodoro da Fonseca, o Imperador e a família imperial, foram expulsos das terras nacionais. Durante essa conjuntura de troca do regime político no país existiram muitos conflitos e tensões entre os republicanos e monarquistas. Surgiram assim, discursos de intelectuais versando sobre esse assunto e o colocando dentro da história nacional. No período entre os anos de 1890 e 1910, alguns intelectuais brasileiros desenvolveram ideias que versavam sobre a nação. Entre os principais representantes que defenderam a monarquia, estão: Oliveira Lima, Eduardo Prado, Affonso Celso, Joaquim Nabuco. Tratarei, neste trabalho, da visão de Joaquim Nabuco acerca do Segundo Reinado e mais especificamente de Dom Pedro II, considerando-os como elementos-chaves na formação da identidade nacional do Brasil na virada do século XIX para o século XX.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Castanho da Maia Petter, Augusto

A FRENOLOGIA E A TEMÁTICA DO CRIME NO INSTITUT HISTORIQUE DE FRANCE DURANTE A MONARQUIA DE JULHO (1830-1848)

Em um dos mais significativos instituts savants da Paris oitocentista, o Institut Historique de France, historiadores, médicos, arquitetos, filósofos, poetas, naturalistas, advogados, educadores se reuniam em classes de estudo e pesquisa voltados ao saber histórico. Com uma perspectiva histórica marcada pela noção de “utilidade social”, onde os problemas sociais como pobreza e crime eram constantemente debatidos, a frenologia, ciência organizada por Franz Joseph Gall (1758-1828) e seu discípulo Johann Gaspar Spurzheim (1776-1832) é citada diretamente, ou tem seus princípios defendidos, em muitas das discussões que ocorrem no Instituto. O presente trabalho pontua alguns elementos que sugerem a participação e a influência da frenologia nas questões de importância nas sessões do Institut Historique de France, entre as quais se destaca a temática do crime e das classes perigosas durante a Monarquia de Julho (1830-1848).

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

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Macedo, Cristian Cláudio Quinteiro

A CAMPANHA DA LEGALIDADE: A PERCEPÇÃO DOS SARGENTOS DA BRIGADA MILITAR DE SANTA MARIA SOBRE SUA PARTICIPAÇÃO

No ano de 1961 o Brasil passou por uma das maiores crises políticas da sua história. Esta crise mobilizou tanto a sociedade civil como a militar, e foi deflagrada com a renúncia do então Presidente da República Jânio Quadros, no dia 25 de Agosto de 1961, sob alegação de que “forças terríveis” levantaram-se contra ele. O Governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola, levantou-se contra a tentativa dos Ministros Militares tomarem o poder. Essa resistência ficou conhecida como Campanha da Legalidade. A maior força bélica que o governo estadual pode contar foi a Brigada Militar. Após a reconstrução de um breve histórico da Polícia Militar do Rio Grande do Sul, conhecida como Brigada Militar, foi feita uma reconstituição dos principais fatos ocorridos durante aqueles dias, com ênfase na atuação das forças militares estaduais. Entender como os Sargentos da Brigada Militar de Santa Maria percebem na atualidade sua participação é o objetivo deste artigo. Para alcança-lo nos valemos da história oral.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

dos Santos, Elheovandro José

A RECONQUISTA: O PASSADO E O PRESENTE PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA CRUZADA IBÉRICA

O presente trabalho tem como objetivo discutir o processo histórico da formação guerreira na Península Ibérica, bem como a incorporação do espírito das cruzadas nos séculos XI e XII, durante o período conhecido como a Reconquista. Utilizando-se inicialmente do conceito de Longa Duração e Identidade, pretendem-se compreender na formação social dos séculos anteriores, as principais disputas que geraram uma cultura, cuja força estava ligada as conquistas guerreiras; e a importância da unificação religiosa na península. Com chegada e permanência secular muçulmana, o trabalho tem como objetivo analisar os conflitos que geraram a renegação cristã do outro, aquele que se tornou o usurpador do território de Deus, o inimigo da verdadeira fé. Posteriormente, se visará entender os fatores que conduziram a introdução e fortalecimento do pensamento de Cruzada, assim como a diferença neste formato ideal de Guerra Justa e como ele se apoiava nos princípios da Igreja. Sendo assim, a partir de uma bibliografia específica, pretende-se realizar a compreensão dos fenômenos ocorrentes antes e durante a Reconquista, e em conjunto com as fontes, se buscará compreender o pensamento medieval, do qual, por vezes, encontrava no passado, justificativas e demonstrações de um inimigo que vai contra os valores e ideais da única fé salvadora, a cristã.

O GOVERNO BRIZOLA E A QUESTÃO INDÍGENA NO NORTE DO RIO GRANDE DO SUL (1958-1962)

A região do planalto-norte do estado do Rio Grande do Sul, durante o século XX, foi um verdadeiro “palco” de movimentos sociais, geralmente de cunho agrário. A questão indígena entre as décadas de 1940 e 1960, não fugiu desse paradigma. O ex-governador Leonel Brizola, assim como seus antecessores – por exemplo, Walter Jobim e Ildo Meneghetti – também praticaram a redução de territorialidades indígenas. Destacamos o período do governo Brizola, pois, foi este que de certa forma “coroou” essa prática. Para entendermos esse assunto de expropriação de terras indígenas, é necessário, analisarmos um período anterior que é no início do século XX, que na qual, descentes de imigrantes, migram das colônias velhas (região de São Leopoldo-RS e Caxias do Sul-RS) para as colônias novas (planalto-norte rio-grandense), também é um período que o governo positivista gaúcho, demarca 11 áreas indígenas (1910-1918) no norte do estado. A partir da década de 1940, praticamente as terras no estado estão todas ocupadas. Entretanto havia colonos sem-terras, e a partir disso, começam a ocorrer movimentos pela região. A intrusão nas áreas indígenas culmina num movimento social, de um lado colonos sem-terras e do outro indígenas.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

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da Silva, Gean Zimermann

RELAÇÕES DE RECIPROCIDADE: O DESEMPENHO MILITAR NA LÓGICA DE ARRECADAÇÃO DE RECURSOS- GUERRA CONTRA ARTIGAS (1811-1820)

Este artigo é um estudo de correspondências que narravam enfrentamentos armados durante o período relativo à Guerra contra Artigas (1811-1820) nos confins meridionais do Império Português na América. O trabalho é feito através da análise de correspondências pertencente ao Fundo Guerra do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Selecionamos ofícios em que os comandantes de campo narravam às vitórias obtidas contra as tropas de Artigas. Interrogamos as implicações da presença nesses relatos de uma exaltação dos comandantes e regimentos militares vitoriosos. Diante da endemia bélica que vivia essa região à época analisada, consideramos que um estudo dos sucessos militares, que permitiram ao Império Português se estender, conquistar e garantir o domínio de suas fronteiras é essencial para compreender uma das formas de conquista de poder nessa sociedade, e as relações que se fundavam no bom desempenho na guerra. Mais do que um procedimento comum, as consagrações presentes nas cartas parecem ter um sentido, inserindo-se em uma lógica de relações de reciprocidade, na qual a elite militar ao mesmo tempo em que lutava em nome de Sua Majestade e sustentava a fronteira do império português angariava para si terras e prestígio que permitiam a reprodução da mesma lógica regionalmente. Essa analise parte do projeto financiado pelo CNPQ: Potentados regionais, sociedade e construção do Estado no Brasil: um estudo a partir da fronteira meridional (1811-1865), coordenado por Luís A. Farinatti.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

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Milbradt Corrêa, Mariana

ALIMENTAÇÃO: O TRABALHO DE PRESERVAR E ELABORAR A IDENTIDADE E A MEMÓRIA DOS IMIGRANTES ALEMÃES NA COLÔNIA DE SANTO ÂNGELO/ RS (1850-1900)

Em 1850 o governo Imperial entrou em contato com o governo Provincial do Rio Grande do Sul para ajustar a instalação de uma colônia de imigrantes alemães em terras devolutas na região central do Estado, surgindo dessas aspirações a Colônia de Santo Ângelo. Ao tratarmos da questão do imigrante, é válido observar a relação dele com a alimentação, com a língua, com sua história, sua identidade e memória. A alimentação dos imigrantes alemães que vieram habitar a Colônia Santo Ângelo na metade do século XIX não foi um transplante direto das regiões de onde estes partiram. Foi necessário adaptar receitas e gostos aos ingredientes e sabores encontrados no Novo Mundo. A identidade assim, pode se manifestar e se sustentar através da comida, fazendo sentido, e, ao mesmo tempo, apontando para a exterioridade que é constitutiva da alimentação. A identidade, não é estável, homogênea e acabada, está em constante movimento e é cheia de discursos construídos e reelaborados através da memória. Para tanto, nosso interesse recai sobre as questões que envolvem o imaginário de identidade e os aspectos atrelados à alimentação nas práticas sociais e como essas questões são apresentadas a partir da memória dos imigrantes alemães. A memória pode apresentar-se de forma documentada ou ainda adquirida através da oralidade, por meio de depoimentos, testemunhos, registros escritos, entre outras modalidades. Quando refletimos sobre os aportes teóricos da memória e identidade percebemos que questões do cotidiano são elementos formadores dos conceitos sobre o assunto. Nessa perspectiva, a alimentação ascende como um agente social que atuava dentro

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

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Friedrich, Fabiana Helma

A IMIGRAÇÃO ITALIANA ATRAVÉS DA HISTÓRIA ORAL DAS ÍTALO-DESCEDENTES NO MUSEU ETNOGRÁFICO DA COLÔNIA MACIEL – PELOTAS/RS

O presente artigo é resultante de uma pesquisa realizada no Banco de Imagens e Sons do Museu Etnográfico da Colônia Maciel. O trabalho aborda a imigração italiana na área colonial de Pelotas, localizada na Serra dos Tapes, através de entrevistas realizadas com moradoras da comunidade. O Museu Etnográfico da Colônia Maciel, inaugurado em junho de 2006 e mantido pelo Instituto de Memória e Patrimônio e pela Universidade Federal de Pelotas, faz parte de um Circuito de Museus da Colônia de Pelotas e está situado na Vila Maciel (8º distrito), instalado na antiga sede da Escola Garibaldi (fundada em 1929). O Museu tem por finalidade preservar a memória da comunidade e fomentar pesquisas através das três coleções que compõem o acervo (acervo oral, acervo visual e acervo material), todas originadas entre os moradores da localidade, que compartilham a identidade de descendentes de imigrantes italianos. A chegada dos imigrantes italianos na localidade teve início a partir de 1883 e está inserido no contexto imigratório do último quartel do século XIX. Embora esquecida pela bibliografia tradicional, a Colônia Maciel recebeu um número significativo de italianos que participaram da construção da identidade ítalo-pelotense. Através do olhar feminino podemos analisar a vida cotidiana dos imigrantes, bem como a chegada e o trabalho; e até mesmo, por meio de uma história comparada, as semelhanças e particularidades da imigração na Serra dos Tapes com a imigração na Serra Gaúcha.

A VIDA DE BENNO MENTZ E SUA IMPORTÂNCIA PARA A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO SOBRE A COLONIZAÇÃO ALEMÃ NO RIO GRANDE DO SUL

O presente texto busca analisar aspectos da biografia do empresário teuto-gaúcho Benno Mentz (1896-1954). Interessado inicialmente na genealogia das famílias alemãs e, na história destes colonizadores, percorreu (1923 -1924), vários municípios do Rio Grande do Sul para angariar fundos para a construção dos monumentos, em São Leopoldo e Novo Hamburgo, que homenageiam o 1º centenário da imigração alemã neste Estado. Também foi o principal responsável pela formação do Acervo Benno Mentz ou ABM, que atualmente se encontra sob regime de comodato na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Na condição de rico empresário se dedicou à causa da identidade germânica - dos descendentes de alemães no sul do Brasil – e investiu recursos humanos e financeiros na ânsia de angariar material à sua coleção. Para um melhor entendimento do assunto abordado, também serão apreciados elementos da constituição histórico-patrimonial do ABM, afinal se trata de uma reunião de diversificadas fontes para a historiografia.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

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Ramos, Rosangela Cristina Ribeiro

A TRAJETÓRIA DE PADRE LUIZ SPONCHIADO NA REGIÃO DA QUARTA COLÔNIA

O Padre Luiz Sponchiado (1922-2010) nasceu e atuou em região oriunda de colonização italiana, conhecida como Quarta Colônia, localizada no centro do Rio Grande do Sul. O presente trabalho tem por interesse a compreensão do cenário que se estabeleceu por trás do religioso, principalmente os campos político e cultural, para melhor compreender as ações desempenhadas pelo padre em concomitância com a vida religiosa. Padre Luiz atuou no eixo das mobilizações políticas, como a luta pela municipalização dos antigos núcleos coloniais em um único município: a Quarta Colônia. Porém tal realização não deu certo devido às disparidades de cada núcleo e resultaram, tempos depois, na emancipação de cada núcleo. Padre Luiz agiu ainda no campo cultural, através da criação de um importante acervo, o Centro de Pesquisas Genealógicas e, a partir dele, buscou a (re)significação da Quarta Colônia. Para isso, propagou o discurso do imigrante italiano e católico, difundindo entre a população a ideia da “identidade italiana”. Nesse sentido, as ações políticas e culturais extrapolaram o campo religioso de um pároco.

“LEVANTOU-SE DENTRO DA SALA UM FORTE BARULHO SEGUIDO DE GRITOS E CHORO...”1: A VENDA COMO ESPAÇO DE TRANSAÇÕES COMERCIAIS E DESENTENDIMENTOS (1846-1865).

É dessa forma que o 1º Sargento de Polícia, Manoel Francisco Miranda define o que ocorreu no dia 13 de novembro de 1865, na casa de negócio do alemão Schülder, durante um baile público. “Casa de negócio”, “armazém de secos e molhados”, “venda”, “loja comercial”, “taberna”, “botequim” são algumas das denominações encontradas na historiografia e nas fontes primárias analisadas para referir-se a um estabelecimento que promovia transações comerciais, compra e venda de produtos diversificados, encontros para discutir sobre política, religião e falar sobre a vida dos vizinhos. Os empreendimentos comerciais podiam ser tanto um espaço de sociabilidade, na qual ocorriam jogos de carta, troca de ideias, bailes; como um local de conflito, motivado algumas vezes pela ingestão excessiva de algum tipo de bebida por alguns frequentadores, resultando em xingamentos, brigas ou desordens (AMADO, 2002: 52-53; SPERB, 1987: 17-18; MARTINY, 2010: 238). O objetivo desse artigo não é estudar a venda e a riqueza que os vendeiros acumularam ao longo de sua vida, mas observar o cotidiano através da análise dos desentendimentos que ocorriam nesse espaço, entendidos aqui como um meio de expressão para conquistar os seus direitos e espaço na sociedade (nota 229, WITT, 2008: 242). Para tal análise serão usados processos criminais referentes à Vila de São Leopoldo, dos anos de 1846 até 1865, do século XIX.

CAIBATÉ – RS: IMIGRAÇÃO E MISSIONEIRISMO

Nossa proposta é compreender o processo de desenvolvimento e de mudanças no espaço que conhecemos atualmente como município de Caibaté-RS. Pretendemos, dessa forma, entender a dinâmica de povoamento dos territórios nessa região, levando em consideração as peculiaridades dos diversos grupos sociais, particularmente os imigrantes europeus que buscaram principalmente através da posse da terra, formas de crescimento econômico. Este processo de ocupação da chamada “Colônia Rondinha”, que posteriormente foi denominada Vila Santa Lúcia e por fim Caibaté em 1960. Procuramos a compreensão do processo inicial de desenvolvimento deste espaço, e contribuir, para diminuir a escassa produção da história local. Portanto, é a história das origens do município de Caibaté, das pessoas que ali vivem, criam raízes, e povoaram uma região cuja proximidade com as Ruínas de São Miguel das Missões a torna bastante peculiar, sendo este elemento vastamente usado pela Igreja naquele contexto de uma sociedade que estava aos poucos se formando.

MARIA FACCIN: DE PONZANO A PORTO ALEGRE, OS FRAGMENTOS DE UMA MEMÓRIA QUASE ESQUECIDA NA ESCRITA DE SI

O texto apresenta uma reflexão sobre a autobiografia de Maria Faccin, italiana nascida na região norte da Itália, que no Pós II Guerra Mundial imigrou para o Brasil, através de arranjos familiares. Sua família se estabeleceu na cidade de Porto Alegre onde Maria casou-se e teve filhos. Maria viveu grande parte de sua vida no Bairro São José da capital gaúcha. Para examinar a narrativa de Maria, seguiu-se o principio do paradigma indiciário utilizando a análise de conteúdo e os estudos relativos à escrita de si, à memória e a imigração. Destacaram-se na investigação, além da subjetividade, aspectos do cotidiano como o trabalho e os espaços da cidade entre outros tópicos. Este trabalho ressalta a utilização das autobiografias como fontes de pesquisa para a história.