Repositório RCAAP

“DOS PORÕES AO CAIS”: MEMÓRIAS DA TRAJETÓRIA DO SINDICATO DA ESTIVA DE RIO GRANDE-RS NOS ANOS DE 1960 A 1970.

A problemática desta pesquisa consiste na análise da trajetória dos trabalhadores da estiva de Rio Grande, durante o período de 1960 a 1970, perpassando o impacto que o golpe militar de 1964 teve no modo de vida dos estivadores riograndinos. Com tal proposta, visamos identificar as transformações ocorridas no cotidiano desses obreiros, principalmente dos militantes, evidenciando a relação entre o dia a dia dessa classe trabalhadora e sua atividade sindical, bem como o caráter de identificação do “ser estivador”, no período acima mencionado. Será a partir do estudo da memória reavivada dos nossos protagonistas e do dialogo com as demais fontes, que buscaremos compreender os indícios de autonomia e as formas de resistência à dominação a que foi submetido o Sindicato da Estiva de Rio Grande durante o final do regime populista-trabalhista e nos primeiros anos da historicamente, ditadura civil - militar de 1964. Por fim, ao analisar o cotidiano dos estivadores desta cidade, através das fontes e do aporte teórico, entenderemos os aspectos simbólicos que perpassam o “ser estivador” dentro de um rol de categorias de trabalho portuário, bem como a imagem e a representatividade desses obreiros na sociedade Rio-grandina.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

da Silva, Thiago Cedrez

A REVOLTA DOS COLONOS OUTRAS MEMÓRIAS

A presente comunicação apresenta alguns aspectos de minha pesquisa de Mestrado, na qual, procuro refletir narrativas de personagens que participaram da Revolta dos Colonos de 1957 ocorrida no Sudoeste do Estado do Paraná. O levante social de 1957 envolveu diferentes interesses, no campo social, político e econômico, tais aspectos inserem-se em um contexto específico de disputas pela terra na região. O levante é reconhecidamente um movimento popular, em que colonos, percebidos enquanto posseiros, ocupam as principais cidades da região e obrigam a retirada das companhias colonizadoras, conquistando suas propriedades. A pesquisa utiliza-se da história oral, refletindo experiências de sujeitos que viveram o período ou presenciaram o conflito social, assim, visa compreender suas trajetórias de vida, seus modos de viver e lutas na terra. Nas entrevistas, dentre os inúmeros aspectos apresentados, ressalta-se as dificuldades sociais e econômicas em um contexto de instabilidade política. Deste modo, pretendo apresentar as experiências sociais no sentido qualitativo da fonte oral, demonstrando como no levante as experiências de pessoas simples, sem vínculo com partidos políticos ou sem ser uma liderança urbana, também foram significativas para o desfecho da Revolta. Ao pensar como esses personagens observam os principais acontecimentos, destaco como isso difere de memórias ditas oficiais.

O OFÍCIO DE VENDER O QUE SE AMA? AS NARRATIVAS DE DONOS DE SEBOS EM PELOTAS

Este trabalho pretende problematizar a memória construída pelos donos de sebos na cidade de Pelotas. Sebo é o nome atribuído as lojas de vendas de livros, discos (LP’s) e quadrinhos usados, porém a origem do termo é de difícil definição (BRITO, 1991). Utilizando a metodologia da História Oral Temática (PORTELLI, 1997) realizamos entrevistas nas quais os narradores compartilharam a sua memória sobre o seu ofício, sua origem e sua importância social para a cidade. Ao total foram 4 narradores, donos e fundadores dos maiores sebos da cidade de Pelotas. Pretendemos problematizar a experiência (THOMPSON, 1991) diferenciada que cada narrador possui sobre o seu ofício. Muitos se consideram bibliófilos (colecionadores de obras raras e valiosas) e para isso recorrem à venda de obras “menores” para que possam adquiri-las; outros apenas tratam seu trabalho como um negócio; e ainda há quem classifique o seu trabalho como essencial para a disseminação da leitura na cidade. Nosso objetivo neste trabalhão é compreender a construção dessa memória e a formação de identidade em relação a esse ofício (CANDAU, 2011), bem como a representação (CHARTIER, 1991) que estes narradores fazem de sua inserção na sociedade, o seu papel social. Para muito desses narradores, a metade final do século XX foi definidora para que hoje a demanda por sebos na cidade seja cada vez maior. Porém, nosso objetivo é compreender as narrativas sobre a origem desse ofício, bem como compreender a sua relação para com os objetos vendidos, se há ou não uma relação comercial e/ou afetiva para com os livros e quadrinhos, bem como problematizar a sua memória sobre o seu papel social na disseminação da leitura em Pelotas.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Neto, Mario Marcello Ienczak, Paulo Renato Souza

IDENTIDADE E MEMÓRIA: A CONSTRUÇÃO DE UMA CLASSE

A memória está intrinsicamente ligada a construção de identidades, tanto coletivas como individuais. Seu estudo tem perpassando diferentes ciências, indo desde a Psicologia, Sociologia, Antropologia aos estudos da História. Visando uma análise de como se deu a construção da chamada “classe ferroviária”, buscamos por meio de relatos de ex-trabalhadores ferroviários, suas experiências e vivências, para entender, como havia e ainda há pessoas que afirmam possuir grande orgulho por ser ferroviário, diferentemente de outras categorias, por mais que tenha sido este trabalho penoso e sofrido. Os trabalhadores ferroviários que hoje estão aposentados vivem de memórias. A identidade a qual muitos defendem e o “orgulho” ao trabalhar na Viação Férrea do Rio Grande do Sul (V.F.R.G.S.), perpassam gerações. O trem desde sua invenção sempre foi um grande desencadeador de imaginários. A figura do trem, sua imponência, sempre esteve presente na vida das pessoas que se dedicaram a ofícios ligados a ele. Não apenas o trabalhador era envolvido pela magia do trem, mas as pessoas que conviviam com esses trabalhadores e também, os moradores próximos às estações. Procurando verificar, como se criou essa “classe ferroviária”, esse “orgulho” tão expressivo para muitos aposentados da V.F.R.G.S., analisaremos os conceitos que são imprescindíveis para a compreensão do que buscamos: memória e identidade.

HISTÓRIA E MEMÓRIA NAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA FUNDAÇÃO DE PASSO FUNDO EM 1927

O presente trabalho objetiva realizar uma discussão teórica sobre as relações existentes entre a escrita da história, a memória e as comemorações municipais a partir da análise de um caso em particular, a fundação do povoado que viria a se tornar a cidade de Passo Fundo em 1927. Além de um breve diálogo entre os principais teóricos (Ricoeur, Hartog, Certeau, Catroga, entre outros) que são referência para esta comunicação, a análise se debruça sobre uma obra publicada em 1927, Terra dos Pinheiraes, de Francisco Antonino Xavier e Oliveira, historiador considerado o "pai da história" passo-fundense. Para isso, torna-se necessário discutir o lugar de produção de seu trabalho, ou seja, onde ele estava situado na sociedade e em seu meio profissional, a própria prática historiográfica do autor e do contexto em que estava inserido e a forma como se desenvolve sua narrativa na escrita da história. Isso leva a pensar a capacidade de representância histórica alcançada por esse trabalho dentro do universo comemorativo e como sua legitimidade frente aos seus pares e a cidade é buscada. Essa análise também envolve as formas e os sentidos atribuídos às categorias temporais (passado, presente e futuro) que marcam a filiação com o passado estabelecidas a partir do momento da escrita e que abrem um horizonte de expectativa em relação ao futuro.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Knack, Eduardo Roberto Jordão

COLONOS E/OU POSSEIROS: O USO DAS DIFERENÇAS NA CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES

A região hoje conhecida como oeste paranaense foi palco de muitos conflitos agrários. A Revolta de Três Barras do Paraná é um destes, a qual é ainda pouco discutida. Ocorreu entre os dias 6 e 8 de agosto de 1964, na localidade de Três Barras, no período distrito da cidade de Catanduvas/PR. O presente trabalho tem por objetivo analisar como os aspectos identitários de colonos e posseiros estão presentes nas memórias sobre a revolta de Três Barras do Paraná, percebendo como estes são destacados nas narrativas e em quais sentidos são utilizados por aqueles que narram. Buscamos, também, problematizar como tais aspectos se fazem presentes quando se propõem versões de fatos históricos, construções de representações e (re) elaboração de memórias. Compreendemos que estes aspectos identitários são, ainda, respaldados por interesses diversos como políticos, econômicos e sociais. Ao pensarmos essas conceituações, de colonos e posseiros, e problematizarmos a forma como os mesmos são caracterizados, principalmente pelo meio de acesso a terra e pela posse da mesma, observamos o uso de tais construções identitárias como forma de legitimar discursos sobre posse e o direito a terra e, ainda, percebemos que a caracterização de tais identidades baseia-se fundamentalmente na diferença construída entre ambas.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

da Fontoura das Chagas, Mayara

“A MISÉRIA QUE ACOMPANHA O PROGRESSO”: DISCURSOS E CONTRADIÇÕES NO CENTENÁRIO PARANAENSE (1953)

O ano de 1953 – centenário de emancipação política do Paraná – foi marcado pela construção e reafirmação de uma série de discursos sobre o Estado. Estes discursos, vinculados diretamente a ideias de modernidade e progresso, estavam, em sua grande maioria, baseados no sucesso econômico da chamada “onda cafeeira” que o Estado passava. Muitos materiais foram confeccionados tendo em vista as comemorações do centenário. Ao analisar estes materiais, compostos por textos, imagens, músicas, poemas, obras literárias, entre outros, pode-se perceber alguns pontos marcantes, elementos que ganham destaque, construindo discursos e instituindo verdades sobre os mais diversos aspectos do Paraná – população, economia, natureza – e a respeito do papel do Estado frente o Brasil. É neste sentido que o artigo ora proposto trabalhará, buscando identificar – a partir da análise do álbum “1º Centenário de Emancipação Política do Paraná, mas, principalmente, da Mensagem apresentada pelo governador Bento Munhoz da Rocha Neto à Assembleia Legislativa em 1953 e reproduzida no álbum em questão – a construção de um discurso que descreve o Paraná como moderno e desenvolvido, além de buscar perceber algumas das contradições inerentes a essa construção, as quais são, muitas vezes, obscurecidas pelas “verdades” estabelecidas pelo discurso.

HISTÓRIA, ARQUIVO E MEMÓRIA. UMA REFLEXÃO SOBRE A PESQUISA HISTÓRICA E A PRÁTICA ARQUIVÍSTICA NA CONTEMPORANEIDADE

Este artigo discute a instituição arquivo enquanto lugar de trabalho do pesquisador. Seu objetivo é informar algumas qualidades do arquivo àquele que utiliza seus fundos e conjuntos de documentações, especialmente o historiador. A metodologia utilizada é a revisão de literatura da área publicada, utilizando o pensamento de autores consagrados, entrevistas e depoimentos de historiadores e diretores de arquivos, mas também a própria experiência empírica do autor como usuário. Os temas abordados aqui vão desde o funcionamento de um arquivo, sua vocação para novas tecnologias, mas também as funções a que se presta e de seu arquivista, enquanto operador e gestor de um conjunto de informações que são relevantes para a formação da memória social. O Arquivo então tem o poder de formar opiniões sobre o passado, auxiliar na tomada de decisões no presente e construir, desta forma, o futuro.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Bittencourt, Julio Cesar

AÇÕES DA ELITE MÉDICA EM SANTA MARIA/RS NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX

Em um período em que estão em voga os debates ambientais, chama atenção o fato de que em uma cidade já massivamente urbana como Santa Maria/RS, 40% da sua população ainda enfrente problemas relacionados ao esgoto a céu aberto. Com base neste dado, procurou-se compreender qual o ponto de partida destes problemas sanitários da cidade, fazendo uma análise do seu primeiro projeto de saneamento, datado de 1918. Entretanto, ao investigar a respeito disto, notou-se que os debates em torno da salubridade local eram ainda mais longínquos, sendo encontradas discussões desde meados do século XIX. Portanto, para esta comunicação optou-se por fazer um balanço histórico a respeito da preocupação dos governantes locais com a saúde da população e com a higiene do espaço urbano de Santa Maria. Para tanto, serão abordados dois aspectos: a inserção dos médicos diplomados na cidade e a consolidação da elite médica local através de suas medidas de saúde pública. Dessa forma, acredita-se que será possível compreender como transcorreu todo o processo de construção das políticas públicas de saúde e higiene em Santa Maria/RS entre meados do século XIX e início do século XX. Destaca-se que esta ideia está pautada no conceito de saúde pública como todo tipo de ação coletiva visando melhorar os ambientes, elaborado por Dorothy Porter. Também se utiliza como base conceitos de políticas públicas em torno da saúde, compreendendo-as como um maior poder de intervenção do Estado nestas questões, cuja referência é o historiador Gilberto Hochman.

A PRÁTICA DA BENZEÇÃO EM SANTA MARIA: A SABEDORIA POPULAR DE CURA NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO (1950-2000)

Este trabalho tem como foco a pesquisa com benzedores na cidade de Santa Maria, RS, tentando compreender como esta prática de cura se articula com a preponderância das práticas médicas modernas no contexto do final do século XX. Faz parte da pesquisa entender como a prática da benzeção articula sua permanência dentro da sociedade, buscando ressignificar e legitimar seus saberes para com a população, concomitantemente com a aparente preponderância do discurso e prática da medicina acadêmica, construído e fortificado a partir do início do século XX. O trabalho busca ainda traçar o histórico da consolidação da medicina moderna no estado sul-rio-grandense, bem como, entender o processo com que os benzedores passam a reinventar seu discurso visando se adequar ao novo contexto que se constrói, e assim, manter sua legitimidade frente a sociedade.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Lins, Dalvan Alberto Sabbi

SOBRE ÉBRIOS, LASCIVOS E COLÉRICOS: OS CORPOS ENFERMOS NA OBRA DE FRANCISCO DE MELO FRANCO (1794)

Este trabalho analisa a obra do médico brasileiro Francisco de Melo Franco, intitulada “Medicina Teológica ou súplica humilde feita a todos os Senhores Confessores, e Diretores, sobre o modo de proceder com seus Penitentes na emenda dos pecados, principalmente da Lascivia, Colera e Bebedice”, de 1794. Inserida em um contexto marcado pelas transformações promovidas pela Ilustração em Portugal, a polêmica obra de Melo Franco foi dirigida aos confessores da Igreja Católica e propunha uma medicina que deveria conciliar o conhecimento do corpo com o da alma. Para doenças como a lascívia, a cólera e a bebedice, tidas como os três males sociais do período, Melo Franco recomendava tratamentos à base de medicamentos e de exercícios, enfatizando que somente os médicos possuíam a competência necessária para descobrir as causas desses males e curá-los.

A CATÁSTROFE AMBIENTAL: A ENXURRADA DE 2011 EM SÃO LOURENÇO DO SUL

O presente trabalho tem a intenção de estudar a catástrofe sofrida em março de 2011 em São Lourenço do Sul. Uma enxurrada que afetou a parte sul do estado do Rio Grande do Sul. Em São Lourenço do Sul mais da metade da cidade foi atingida, afetando bairros inteiros, escolas, deixando muita gente desabrigada e causando óbitos. As óticas dos professores das redes públicas da cidade, através de suas sofridas memórias sobre aquele momento, juntamente com outras fontes, serão de suma importância para a que se aproxime ainda mais do fato. A História Ambiental juntamente com a História Oral, dentro dos domínios da História do Tempo Presente serão as diretrizes norteadoras do processo.

A HISTORIOGRAFIA RECENTE SOBRE CASCAVEL/PR: IDENTIDADES E A AÇÃO DAS MADEIREIRAS

A presente comunicação se constitui como parte do primeiro capítulo de minha dissertação de mestrado, que tem como tema geral de pesquisa, refletir sobre as memórias a respeito da ação das indústrias madeireiras, entre as décadas de 1950 a 1970 (período de maior atividade das madeireiras), no município de Cascavel, localizado no oeste do Estado do Paraná. Para tanto, se faz necessário como ponto de partida para entendimento da ação das madeireiras no referido município, saber como a história deste, vem sendo contada, em um período em que as discussões ambientais já se encontram amadurecidas. Será que a historiografia sobre o município leva em conta estas novas discussões ao escrever sobre este período? Quais elementos estão sendo afirmados na construção desta história e que identidades são elaboradas? Com tal intuito de problematizar estas questões, selecionei para análise a obra mais recente da historiografia que trata sobre a história do município, Terra, sangue e ambição de Vander Piaia, 2013. O autor propõe ao elaborar a obra se diferenciar dos outros trabalhos existente até então, já que atribui a estes a falta de “objetividade e rigor científico”. Assim, ao analisar tal obra, posso ir além, da percepção sobre ação das madeireiras, posso perceber quais identidades sobre o município estão sendo elaboradas.

FERRARI, CALEGARI e MANCUSO: LENTES ITALIANAS SOBRE O RIO GRANDE DO SUL

O presente artigo pretende analisar a contribuição de profissionais italianos que emigraram para o Brasil através do estudo de caso de fotógrafos peninsulares que se radicaram no Rio Grande do Sul entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX. Visa-se apresentar as trajetórias profissionais de Rafael Ferrari, Virgilio Calegari e Domenico Mancuso, cujas atuações foram importantes para o desenvolvimento da fotografia no Estado. Além disso, salienta-se a questão da imigração qualificada e do papel desempenhado por imigrantes no meio urbano brasileiro. Vale lembrar que pesquisas recentes (publicadas na Itália e no Brasil) destacam a atuação de imigrantes italianos qualificados, como arquitetos, artesãos, médicos, artistas, que contribuíram, substancialmente, nas cidades onde se inseriram.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

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Conedera, Leonardo Oliveira

AS ELEIÇÕES DE 1958 E O GOVERNO BRIZOLA NO RIO GRANDE DO SUL: IMPRENSA, DEBATES E MODELOS DE DESENVOLVIMENTO

O presente artigo está voltado para os debates políticos e econômicos ocorridos nos jornais Correio do Povo e Diário de Notícias (ambos de Porto Alegre e os de maior circulação na década de 50) durante a campanha para o governo do estado do Rio Grande do Sul em 1958 e durante o primeiro período do governo Brizola, de acordo com a periodização proposta por Cánepa (2005). Embora a delimitação espacial esteja circunscrita ao estado do Rio Grande do Sul, não deixaremos de levar em consideração a articulação entre a política e a economia regional com o governo de Juscelino Kubitschek e seu modelo de desenvolvimento para o país. Como marco temporal é utilizado o ano de 1958 - onde se desenrolam a campanha e as eleições - e os dois primeiros anos do governo Brizola (1959 e 1960). A pesquisa justifica-se pela necessidade de se aprofundar a análise de aspectos ainda pouco explorados pela historiografia, que tem privilegiado, no que diz respeito a este governo, basicamente os temas relacionados à reforma agrária, às encampações, à educação e ao movimento da Legalidade. Assim, pretendemos analisar o debate sobre quais os modelos de industrialização estavam sendo propostos pelas duas principais alianças políticas (PTB-PRP-PSP e Frente Democrática) durante a campanha, bem como a orientação do governo do estado após Leonel Brizola ser eleito. Assim, buscaremos compreender o papel da grande imprensa gaúcha nos debates referidos. O período é caracterizado pela forte ideologização das questões referentes ao desenvolvimento do país e carece de um trabalho que faça a análise no contexto regional.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Freitas, Eduardo Pacheco

O PODER NA ALDEIA: REDES E PRÁTICAS DE JUSTIÇA DE NA EX-COLÔNIA DE SILVEIRA MARTINS (1881-1900)

No presente artigo, analisam-se aspectos da realidade sócio-cultural de um dos núcleos coloniais fundados no centro do estado do Rio Grande do Sul nas últimas décadas do século XIX. Parte-se da trajetória de um padre imigrante – Antônio Sório – para perceber quais foram as estratégias acionadas que lhe garantiram inserção e mobilidade social na comunidade de adoção. Durante o período em que permaneceu entre os conterrâneos, Sório construiu patrimônio de relações imateriais que lhe permitiram alcançar status na região. No entanto, em janeiro de 1900, o pároco veio a falecer após ter sido encontrado ferido numa das estradas da comunidade de Silveira Martins, surgindo suspeitas entre a população de ter sido ele vítima de uma emboscada. As redes relacionais da família Sório atuaram no sentido de garantir o controle sobre os eventos locais, bem como preservar certa tranquilidade ao impedir que fosse aberta investigação policial para apurar os motivos do falecimento do pároco.

TRAJETÓRIAS INDIVIDUAIS E “PARTIDOS POLÍTICOS” EM MEADOS DO SÉCULO XIX NA PROVÍNCIA DO RIO GRANDE DO SUL

Este trabalho, financiado pelo PIBIC/UFSM/CNPq, faz parte do projeto guarda-chuva “América Platina: processos de formação e de consolidação dos estados nacionais no século XIX e no início do século XX”. Esta pesquisa pretende demonstrar na perspectiva da História Política, a rede “político-partidária” que constituiu-se no Rio Grande do Sul entre os anos de 1845 a 1860, tendo por ponto de partida o contexto da Revolução Farroupilha. Após analisar trabalhos sobre este tema e a atuação de seus protagonistas na política do Segundo Reinado, conseguimos perceber trajetórias individuais possibilitando a visualização mais ampla das relações nos âmbitos social, político, econômico e cultural a partir dos atores sociais. A busca por nomes desses personagens na historiografia resultou na seleção de 40 indivíduos, dos quais três apresentamos neste trabalho: David Canabarro, Francisco de Sá e Brito Júnior e Manoel Luís Osório. Os dois primeiros atuaram nos grupos da minoria e da maioria respectivamente durante a Revolução Farroupilha. Já Manoel Luís Osório após a proclamação da República Rio-Grandense (1836) passou a integrar o Exército Imperial. Nesse sentido, apresentamos como resultado uma valorização da atuação e caracterização dos indivíduos como um fio condutor para a realização de uma história mais global, superando a fragmentação dos âmbitos sociais.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Casali, Michele de Oliveira

O EU NACIONAL: A CONSTITUIÇÃO DO SER BRASILEIRO NA VISÃO DE ALBERTO TORRES E MONTEIRO LOBATO

O presente trabalho vincula-se ao projeto “História das Ideias, Historicidade e Identidades Culturais” do departamento de História da Universidade Federal de Santa Maria, coordenado pelo Prof. Dr. Carlos H. Armani, e, sob coorientação da mestranda do Programa de Pós-graduação em História – UFSM Jóice Anne A. Carvalho. Busca-se traçar uma linha teórica referente à constituição da Nação e o papel do indivíduo mergulhado na coletividade, ou seja, quem compõe e quem não compõe a estrutura social do Brasil na construção do eu nacional. Ao longo do século XIX e início do século XX, pensadores de várias áreas das ciências começaram a se questionar sobre as diferenças dos seres humanos e que, mais tarde, desembocariam num discurso hierárquico de raças. Essas menções à suposta inferioridade da raça brasileira fez com que Alberto Torres, assumisse uma posição contrária a esse discurso, expondo-a no livro “O Problema Nacional Brasileiro” (1914). Sua teoria sobre as raças afirmava que a única questão que podia vir a contribuir para certa diferenciação racial seriam os fatores mesológicos de uma Nação, mais precisamente, o clima. Nesta mesma linha de pensamento, o autor Monteiro Lobato também analisa a composição da população brasileira e a discussão acerca da hierarquização racial tão em voga no período. Em seu livro “Problema Vital” (1918), nega a afirmação de inferioridade da raça brasileira e aponta as medidas que o Estado deveria tomar para que a população conseguisse atingir o progresso. Lobato também acaba resgatando a figura do caboclo, numa clara tendência de traçar um perfil para o brasileiro

As origens ideológicas da Guerra Suja na Argentina

Resenha de: FINCHELSTEIN, Federico. The Ideological Origins of the Diry War: Fascism, Populism and Dictatorship in Twentieth Century Argentina. Oxford: Oxford University Press, 2014. 214 p.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Neto, Odilon Caldeira

A Guerra longe do front: os desdobramentos da I Guerra Mundial na América Latina

Resenha de COMPAGNON, Olivier. O Adeus à Europa: a América Latina e a Grande Guerra. Tradução de Carlos Nougué. Rio de Janeiro: Rocco, 2014, 399 p.

Ano

2022-12-06T14:18:53Z

Creators

Loureiro, Heitor de Andrade Carvalho