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Editorial

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O Brasil visto por Louis Léger Vauthier (Pernambuco, 1840-1846) – Diário e cartas

A paisagem urbana da cidade do Recife que Vauthier descreve nas páginas de seu diário é também uma paisagem social e humana. Sua descrição conjuga uma percepção às vezes paradoxal de uma natureza cuja beleza exuberante emociona o jovem engenheiro fourierista que acabara de chegar da França para dirigir o projeto de modernização da capital pernambucana e construir seu mais belo edifício, o teatro de Santa Isabel. As observações de Vauthier vão mais além do aspecto meramente visual, transmitem de forma percutante sua concepção do mundo e são marcadas pelo ângulo através do qual observa a sociedade brasileira e a cidade do Recife: a doutrina de Charles Fourier.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Poncioni, Cláudia

É Baco num carro feito de ouro e de mulheres: “Carnaval carioca”, de Mário de Andrade e a reativação do discurso carnavalesco

O presente trabalho tem como objetivo evidenciar um complexo jogo intertextual no poema Carnaval Carioca (1923) de Mário de Andrade, em que se entrecruzam os motivos de proveniência europeia (bacanais, dantescas, grotescas etc.) reatualizados num discurso modernista embebido na cultura brasileira através da imagem do carnaval. O autor do artigo sublinha o processo de revitalização dos conteúdos culturalmente marcados, seguindo uma suposta lógica temporal da experiência da festa.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Borowski, Gabriel

Frontières vivantes, frontières mouvantes – flux et reflux entre le Brésil et les pays voisins

A marcha para o oeste, a conquista do espaço interior, foi uma característica fundamental da história da colônia e posteriormente do Brasil independente. No século XX o espírito “bandeirante” vem se manifestando de forma diferente. A geopolítica definida na era Vargas insiste no destino manifesto do Brasil, no papel de futura potência regional na América do sul. Estas previsões estão se realizando no começo do século XXI. O crescimento econômico (agro-indústria exportadora) e a realização de grandes obras ao longo das fronteiras com os países vizinhos, assim como a instalação de quase meio milhão de brasileiros, os “brasiguaios”, se instalaram na região leste do Paraguai e um fenômeno semelhante está em andamento no nordeste da Bolívia, onde se instalam os chamados “brasivianos”. Essses fluxos populacionais, muito mais importantes que aqueles constituídos por bolivianos e paraguaios que se instalam nas grandes cidades brasileiras, levantam problemas de índole diversa: geopolíticos, implicando questões relativas à integração sul americana, a integração e a assimilação desses migrantes e os diversos problemas que acarreta. O tema das “fronteiras vivas” é polêmico. Este artigo procura tratá-lo sem preconceitos, com a consciência de que nenhuma solução pré estabelecida existe para os problemas novos que se apresentam nessas sociedades em mutação.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Mérian, Jean-Yves

As ignorãças do poeta brasileiro Manoel de Barros: entre sabedoria do esquecimento e memória das origens

No Livro das ignorãças, publicado em 1993, Manoel de Barros desvenda o caminho que o leva à criação poética. Como aparece no título do livro, a primeira etapa consiste numa valorização da ignorância, que lhe permite inverter os valores tradicionais, erigindo o esquecimento em sabedoria. Ao mesmo tempo, o poeta exprime no Livro das ignorãças, como no conjunto da sua vasta obra poética, a sua vontade marcada de regressar às origens do Homem. Assim encontra-se apto para fazer nascer “delírios frásicos” e atingir, numa renovação do olhar sobre o mundo que o circunda, os “deslimites da palavra”.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Heyraud, Ludovic

Desamores expressos – Estive em Lisboa e lembrei de você

Estive em Lisboa e lembrei de você do escritor Luiz Rufatto é um dos livros do projeto editorial Amores expressos da editora brasileira Companhia das Letras. Ruffato escreve sobre Lisboa, desconstrói a ideia de que minha pátria é a minha língua e traz ao leitor uma sequência de desamores expressos contados pelo fluxo contínuo da linguagem do narrador-personagem, Sergio de Souza Sampaio, mineiro de Cataguases: o Brasil sob a perspectiva do exílio, o não pertencimento na pátria portuguesa, a fluidez das relações afetivas e o cigarro como metáfora da memória e do esquecimento.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Ramos, Tânia Regina Oliveira Cadore, Amanda

Entre a máquina e a preguiça: o paradoxo de Macunaíma

“Não sou futurista” – declarou Mário de Andrade em 1922, embora reconhecendo pontos de contato entre suas ideias e o movimento fundado por Marinetti. Seis anos mais tarde, ao publicar Macunaíma, tal ambivalência se evidencia ainda mais: se o livro realiza uma candente crítica da noção europeia de progresso, ele também se vale do operador simbólico da máquina de forma inusitada. Ao incessante movimento dos maquinismos modernos se opõe a indolência do personagem-título, o qual afirma o tempo todo sua vocação para a preguiça. Mais que a refutação de uma das principais tópicas do Futurismo, porém, a inclinação do protagonista ao ócio, supõe uma produtividade paradoxal. A rigor, Macunaíma pode ser pensado como uma verdadeira “máquina de preguiça”.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Moraes, Eliane Roberert

Eça de Queiroz sob a óptica machadiana

Constantino Paleólogo, no livro Eça de Queiroz e Machado de Assis, focaliza a ilegitimidade da filiação de Eça. Segundo alguns estudiosos este fato marcou intensamente o escritor, e Paleólogo diz que “o fio condutor da criação literária de Eça está no impulso do incesto”, embora ele tenha finalmente conseguido libertar-se. Focalizando Crítica Literária de Machado de Assis, vai-se refletir sobre o artigo “O primo Basílio”. Para Machado, O primo Basílio, apesar de algumas restrições, é que se constatou como a verdadeira estreia de Eça no romance. Reconhecendo em Eça um verdadeiro homem de letras, por sua própria condição de crítico e admirador, procura ser justo quando focaliza “as doutrinas e práticas, do ponto de vista do romance realista”.

O exemplo do Brasil no crepúsculo da monarquia portuguesa

Em 1889, no mês seguinte à subida de D. Carlos I ao trono português, ocorre a implantação da República no Brasil pela via armada, que se torna um exemplo dicotómico e maniqueísta para políticos e autores monárquicos e republicanos em Portugal: para Oliveira Martins e Eça de Queiroz, partidários de um cesarismo monárquico, a imitação deste ato violento será a concretização da anarquia, uma vez que, com o regime republicano em vigor, dar-se-á o descalabro social; para Sampaio Bruno e Abel Botelho, adeptos confessos da via revolucionária, esta é a única forma de ultrapassar a presente crise e de salvar uma nação que se afunda com a continuidade da monarquia constitucional e do desleixo governativo dos principais partidos políticos e dos representantes da dinastia de Bragança.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Gomes, António Martins

Hibridismos culturais e identidade intelectual nos romances de Miguel Gullander e Faiza Hayat

O presente ensaio divide-se em duas etapas: a primeira discorre sobre as chamadas teorias pós-coloniais, discutindo acerca dos seus efeitos no campo da literatura, recorrendo aos estudiosos Homi Bhabha, Edward Said, Stuart Hall e Boaventura de Sousa Santos. A segunda traz algumas categorias como a de hibridismo para interpretar duas narrativas de língua portuguesa da atualidade: Perdido de volta, do escritor luso-escandinavo Miguel Gullander e O evangelho segundo a serpente, da jovem escritora luso-goesa Faiza Hayat. Em termos gerais, os livros mencionados abordam, entre outros aspectos, o deslocamento das personagens, desencadeando relações de interculturalidade em travessias transcontinentais. A variedade de identidades geográficas e culturais é uma das características dos textos estudados.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Fornos, José Luís Giovanoni

Nas pausas do verso: a trama dos acontecimentos e seus intervalos na poesia de Sophia Andresen

Este estudo examina as formas pelas quais a poesia de Sophia Andresen procede à renovação do repertório de imagens vinculado às navegações e aos descobrimentos. A análise demonstra que a dissociação de tais imagens de qualquer fim utilitário ou meramente pragmático instaura, na obra da autora, uma série de pausas que libertam as ações ligadas às cenas pregressa e contemporânea de sua eficácia funcional.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Barbosa, Márcia Helena Saldanha

Entre o viver da personagem, o seu outro e o narrar do narrador: a construção do sujeito em O conquistador, de Almeida Faria

Em O conquistador, de Almeida Faria é possível discutir a identidade do sujeito revelada através da escrita, uma vez que as narrativas autobiográficas ficcionais são marcadas pela emergência do sujeito identificado enquanto sujeito no mundo. Nesse sentido, o sujeito emerge a partir do voltar-se sobre si mesmo e do despertar da consciência e, configurado na e pela narrativa, funciona ao mesmo tempo como orientador e juiz de si e de suas ações.

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Remédios, Maria Luíza Ritzel

Óscar Ribas e as Literaturas da Noite: a exímia arte de Sunguilar

A importância de Óscar Ribas na recolha da tradição oral angolana. As literaturas da noite e o narrador oral, exímio na arte de contar estórias à volta das fogueiras. Tendo conseguido documentar, de forma estética, diversas tradições orais de Angola, esse escritor se mantém sempre vivo, como marco fundador do sistema literário angolano.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Secco, Carmen Lucia Tindó Ribeiro

Os da minha rua: A infância como “ponto cardeal eternamente possível”

Análise da infância como cronotopo, no sentido temático que lhe dá Mikhail Bakhtin, em Os da minha rua, do escritor angolano Ondjaki, bem como na perspectiva fenomenológica de Gaston Bachelard, que a coloca como potência, repertório de imagens e memórias a alimentar a produtividade poética nos devaneios voltados para esse passado e, nesse sentido, lugar de novas possibilidades do vivido.

As “pessoas” na obra de Antônio Torres

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2022-12-06T14:18:53Z

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Ventura, Susana Ramos

David

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