Repositório RCAAP
Editorial
Caros colegas, A Revista da SPA apresentou um processo de candidatura ao Serviço de Alojamento de Revistas Científicas Institucionais (SARC) do Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) em Abril de 2013 e que foi aceite. Este serviço (SARC) permite oferecer um conjunto de serviços integrados associado ao alojamento de revistas científicas. Esta plataforma disponibiliza um conjunto de serviços que se estendem a todo o processo de submissão de trabalhos originais, revisão e publicação. O RCAAP (http://projeto.rcaap.pt/) tem por objetivos aumentar a visibilidade, acessibilidade e difusão dos resultados da atividade académica e de investigação científica nacional e facilitar o acesso à informação sobre a produção científica nacional em regime de “open access” bem como integrar Portugal num conjunto de iniciativas internacionais neste domínio (sic). Dentro das iniciativas internacionais é salientada a relevância dada à comunidade lusófona. Neste processo de candidatura a Revista da SPA cumpriu os critérios de elegibilidade necessários. Nomeadamente, ser uma publicação periódica, a sua disponibilização em versão digital, o processo de revisão por pares, a existência de um Conselho Editorial, a longevidade da publicação e o número de artigos publicados nos últimos três anos. Neste momento, iniciou-se o processo de parametrização básica da Revista e adaptar o que constitui a sua matriz original às normalizações exigidas por esta plataforma. Este pode ser considerado um passo importante na evolução da Revista, por diversas razões: 1. Constitui uma oportunidade de reformulação de aspetos funcionais da Revista e adaptá-la a parâmetros mais atuais e, também, mais exigentes. 2. Expandir a influência e visibilidade da publicação a públicos mais vastos, dentro e fora da comunidade lusófona. 3. A sua parametrização, segundo normas internacionais, facilita o acesso aos conteúdos e reforça-se, desta forma, o ponto anterior. 4. A publicação ao ficar mais acessível pode ser fator de motivação para um maior número de colegas a submeterem os seus trabalhos. O processo que se avizinha promete ser trabalhoso. Irá exigir algum esforço de adaptação a novas regras, mas a sistematização que a plataforma prevê promete tornar o trabalho dos autores e revisores mais organizado e, desta forma, com ganhos na eficiência. A seleção da Revista da SPA para o RCAAP deve constituir motivo de orgulho para todos os anestesiologistas. As últimas palavras são reservadas para felicitar e agradecer a todos os colegas que contribuíram para que este processo tivesse êxito, nomeadamente os autores que contribuíram com o seus trabalhos e os Editores e Conselhos Editoriais anteriores que proporcionaram a continuidade editorial e o histórico indispensável ao sucesso da candidatura. Os meus melhores cumprimentos, António Augusto Martins
Recomendações para o Tratamento da Dor Aguda Pós-Operatório em Cirurgia Ambulatória
O controlo da Dor aguda Pós-operatória é um dos aspetos mais importantes, para a obtenção de resultados de qualidade no âmbito da cirurgia de ambulatório. Apesar de todos os avanços farmacológicos e tecnológicos, a dor permanece como o sintoma pós-operatório mais vezes referido, sendo a primeira causa de readmissão após cirurgia de ambulatório, podendo ainda representar um obstáculo à expansão da C.A. quando se equacionam a inclusão de procedimentos cirúrgicos mais complexos. O objetivo deste trabalho é tornar estas recomendações numa ferramenta de aplicação simples e prática a ser utilizada e adequada a cada Unidade de Cirurgia de Ambulatório, no sentido de aumentar a eficiência deste regime cirúrgico e a satisfação dos doentes. Estas recomendações resultam do trabalho conjunto de 17 Anestesiologistas Portugueses, provenientes de Hospitais com diversas realidades na prática da cirurgia ambulatória em Portugal. A primeira reunião de consenso, baseou-se na apresentação e discussão de todos os protocolos de analgesia pós-operatória das várias instituições representadas no grupo de trabalho. Esta análise mostrou-se um ponto de partida para o consenso quanto a estas recomendações e também permitiu a deteção das lacunas existentes na legislação o que levou a que um dos subgrupos de trabalho estudasse uma proposta de alteração à lei. Em várias reuniões subsequentes foi feita a análise e discussão pormenorizada do tema, recorrendo sempre à evidência científica mais recente publicada e nas questões onde não se encontrou evidência foram propostos protocolos, registada opinião e os respetivos autores. As conclusões das várias reuniões foram posteriormente divulgadas e novamente discutidas em reuniões mais abrangentes, nomeadamente no Congresso Ibérico da APCA (Associação Portuguesa de Cirurgia Ambulatória).
2022-11-18T13:07:28Z
Sarmento, Paula Fonseca, Cristiana Marcos, Ana Marques, Manuela Lemos, Paulo Vieira, Vicente
Efeitos fetais e repercussões neonatais da anestesia obstétrica
A segurança fetal é uma prioridade constante na prática anestésica em Obstetrícia. Constituem objectivos desta revisão, uma análise da evidência científica sobre as potenciais repercussões fetais e neonatais dos procedimentos anestésicos intraparto. Procedeu-se a uma pesquisa bibliográfica on-line (PubMed). As referências consideradas relevantes foram selecionadas e revistas. Comparativamente com as técnicas regionais, a analgesia de trabalho de parto com opioides intravasculares tem maior incidência de bradicardia fetal, redução da variabilidade da frequência cardíaca fetal e, tal como a anestesia geral para cesariana, associa-se a menor índice de Apgar, maior défice de bases e maior incidência de depressão respiratória neonatal. Esses efeitos são acentuados se existe sofrimento fetal prévio. A escolha do opioide para analgesia intravascular deve basear-se na farmacologia de cada agente e na evolução do trabalho de parto, constituindo o remifentanil uma solução com relação custo-eficácia favorável e com maior segurança fetal, dentro deste grupo de agentes. É importante não minimizar os potenciais efeitos secundários fetais das técnicas regionais, através da hipotensão materna e da hipertonicidade uterina, com consequente hipoperfusão uteroplacentar. Não há evidência sobre a técnica regional ideal, devendo esta ser adaptada às circunstâncias materno-fetais e ponderada em função do início e duração do efeito anestésico ou analgésico, da repercussão hemodinâmica materna e do risco de hipertonicidade uterina. A analgesia inalatória com protóxido de azoto (N2O) constitui uma alternativa válida às
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Nora, David Osório, Joana Saldanha, Luís
Os Anestesiologistas nos Hospitais Civis de Lisboa:1940 – 1980
A Especialidade de Anestesiologia surgiu nos Hospitais Civis de Lisboa (HCL) nas décadas de 50/60 do século passado. Os Hospitais Civis de Lisboa foram oficialmente criados em 1913 como um grupo de hospitais espalhados por Lisboa. O desenvolvimento de uma Carreira Médica própria, com concursos exigentes, antecedeu largamente a criação da Carreira Médica nacional. A Carreira Médica dos HCL foi aplicada à Anestesiologia a partir de 1953 e os Serviços de Anestesia foram criados em 1969. Os Anestesiologistas confrontaram-se com dificuldades específicas relacionadas com a evolução política do país e com a estrutura física dispersa dos HCL, nomeadamente no referente à formação de novos especialistas.
Editorial
Caros colegas, A necessidade de participação ativa dos anestesiologistas em projetos fundamentais para a nossa especialidade pode e deve traduzir-se em propostas concretas. Neste sentido, publicamos neste número da Revista, em artigo de opinião, o texto ”A Anestesiologia e a Medicina Intensiva / Secção da Medicina Intensiva da SPA – fundamentos para a sua criação”. As origens ou causas do relativo “distanciamento” da especialidade por esta área são do conhecimento de todos. A proposta em causa – a criação da Secção da Medicina Intensiva da SPA – pode constituir um passo importante para o congregar de vontades e expressão da Anestesiologia nesta competência tal como está definida pela União Europeia dos Médicos Especialistas / Secção de Anestesiologia. A multidisciplinariedade é um conceito integrante da vivência hospitalar. A sua prática diária visa proporcionar o mais elevado nível de cuidados a prestar ao doente. Um dos aspetos mais relevantes, em paralelo com os aspetos clínicos, é sublinhado na introdução do artigo de revisão “Profilaxia do tromboembolismo venoso no doente cirúrgico”. Salienta-se, aqui, o conceito de responsabilidade multidisciplinar (não só clínica, mas com potenciais implicações médico-legais) que o Programa “Cirurgia Segura, Salva Vidas” vem reforçar. Neste âmbito de responsabilidade partilhada e, na qual o tema da profilaxia do tromboembolismo venoso está incluída na “Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica e o Índice de Apgar Cirúrgico”, a recente Norma da Direção-geral da Saúde (nº 02/2013 de 12/02/2013) torna esta check-list um procedimento “obrigatório em todos os blocos operatórios do Serviço Nacional de Saúde e das entidades com ele contratadas, sendo considerado o padrão mínimo de qualidade clinica.” 1 Esta norma vem referida no Diário da República, 2ª série – Nº 38 – 22 de fevereiro de 2013, por Despacho nº 2905 que reforça o carácter obrigatório da referida norma, através de sistemas informáticos, e responsabiliza o diretor do Bloco Operatório na aplicação do programa. 2 Na secção de casos clínicos abordam-se duas situações distintas: - Uma patologia rara, o Angioedema Hereditário, entidade de transmissão autossómica hereditária dominante. O episódio de crise na sua apresentação clínica mais grave envolve o edema das estruturas da via aérea com uma elevada taxa de mortalidade. São abordados aspetos relevantes de terapêuticas, atualmente, disponíveis que permitem abordar esta patologia com alguma segurança. - Um edema pulmonar de pressão negativa, entidade clínica de baixa frequência que ocorreu no pós-operatório imediato em doente jovem e sem patologia associada. Na continuidade das Histórias da História da Anestesiologia Portuguesa relata-se a implementação da Consulta da Dor no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil – Lisboa e no que representou de importância para a abordagem específica da terapêutica da dor, em particular da crónica. E, por fim, duas notas finais: Uma nota de apreensão pela suspensão da publicação em papel da Revista do CAR. Um veículo de comunicação com uma história importante na divulgação da Anestesia Regional (e não só) em língua portuguesa e, que por razões que o seu editor enquadra em editorial, vai deixar de nos acompanhar na sua versão impressa. Esperamos que tal situação seja transitória e de curta duração. O Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia de 15 a 17 de Março – 2013 realiza-se em Cascais sob o tema do “Doente Crítico”. Um tema abrangente e transversal para a nossa especialidade. A conjuntura económica adversa em que vivemos produz constrangimentos de toda a ordem pelo que o esforço solicitado, neste aspeto, será de uma dimensão maior. Apela-se à participação dos anestesiologistas para o maior evento anual da Sociedade e de grande importância para todos. Os meus melhores cumprimentos, António Augusto Martins Bibliografia 1. Direção Geral de Saúde. Normas e orientações.Disponível em www.dgs.pt/?cr=23652 2. Diário da República. Disponível em dre.pt/pdf2sdip/2013/02/038000000/0718007180.pdf
Carta da Anestesiologia e Direitos do Cidadão / Declaração de Coimbra
Carta da Anestesiologia e Direitos do Cidadão O médico anestesiologista é perito nas áreas da Anestesia para procedimentos cirúrgicos e exames complementares, Medicina Peri-operatória, Medicina Intensiva, Medicina de Emergência e Medicina da Dor. É o médico responsável pela segurança do cidadão doente nas situações críticas e de grande vulnerabilidade, no âmbito das suas competências. Direitos do cidadão Acesso sem discriminação à Medicina Peri-operatória, Medicina Intensiva, Medicina de Emergência e Medicina da Dor; • Receber cuidados prestados por anestesiologistas com competência e treino nas diversas áreas; • Aceder a estes cuidados em tempo útil; • Privacidade e intimidade no decurso da assistência anestesiológica prestada; • Confidencialidade de toda a informação clínica e elementos identificativos; • Fim de vida com dignidade, apoiado por médicos com competência em Medicina da Dor e formação em cuidados paliativos; • Respeito pelo testamento vital; • Apresentar sugestões e reclamações. Informação adequada • Ser avaliado e informado numa consulta de Anestesia;• Ser informado sobre a técnica anestésica, analgésica, cuidados peri-operatórios e complicações possíveis. Ato anestesiológico de qualidade e seguro • Cuidados peri-operatórios prestados por um anestesiologista;• Vigilância intraoperatória assegurada por um anestesiologista que controle as suas funções vitais; • Vigilância pós-operatória em Unidades de Cuidados Pós-anestésicos, onde o anestesiologista possa dar continuidade à prestação de cuidados relacionados com a recuperação das funções vitais e com o controlo da dor; • Avaliação e orientação no pós-operatório em consulta de follow-up, por anestesiologistas. Terapêutica da dor, qualquer que seja a sua causa, por forma a evitar sofrimento desnecessário e reduzir a morbilidade que lhe está associada • Garantia de adequado controlo da dor aguda pós-operatória proporcional à agressividade do ato cirúrgico e adotando modelos organizados de intervenção (Unidades de Dor Aguda); • Ter acesso à prevenção e controlo da dor provocada ou consequente aos exames de diagnóstico e tratamentos médicos; • Adequado controlo doutras formas de dor aguda resultantes de trauma ou de patologia de qualquer origem; • Escolha informada entre várias técnicas de analgesia de trabalho de parto prestada por anestesiologistas; • Prevenção da dor crónica pós-operatória;• Ser referenciado, em tempo útil, para consulta de Medicina da Dor dotada de recursos humanos e materiais adequados. Medicina Intensiva e de Medicina de Emergência • Receber assistência médica pré e intra-hospitalar de emergência, adequada e célere;• Receber o máximo tratamento disponível desde que proporcional às suas necessidades, e com real beneficio para si; • Ser informado, bem como os familiares próximos, sobre o diagnóstico, prognóstico e eficácia dos meios terapêuticos utilizados; • A terapêutica que produza amnésia, com ponderação e de acordo com quadro clínico de dor e ansiedade, tendo em conta a perda de autonomia e de memória resultantes; • À suspensão de tratamentos fúteis e à abstenção do encarniçamento terapêutico;• A ser acompanhado pelos familiares, na morte consciente, quando o conhecimento médico e os meios técnicos disponíveis não permitem salvar a vida ou evitar sequelas compatíveis com uma qualidade de vida eticamente aceitável. O médico anestesiologista deve: Fornecer ao cidadão todas as informações relativas aos cuidados anestesiológicos, de modo claro e esclarecedor, dentro dos limites legais da sua prática profissional e tendo em conta os recursos disponíveis. Obter o consentimento informado para o procedimento proposto; • Assegurar a confidencialidade de toda a informação clínica e elementos identificativos do cidadão; • Manter-se treinado e atualizado cientificamente. O cidadão deve: Fornecer ao anestesiologista todas as informações necessárias, nomeadamente doenças e terapêuticas associadas incluindo as alternativas, para a obtenção de um correto diagnóstico e adequada abordagem anestesiológica; • Colaborar com o anestesiologista, respeitando as indicações que lhe são recomendadas e por ele livremente aceites. DECLARAÇÃO DE COIMBRA Nós, Diretores dos Serviços e Departamentos de Anestesiologia Portugueses, reunidos em Coimbra no dia 16 de Outubro de 2012, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Anestesiologia, sob a égide da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia e, em torno do tema “A Anestesiologia e os Direitos dos Cidadãos”, Conscientes dos contributos sociais, humanistas e personalistas que esta especialidade dá aos direitos de cidadania, Reafirmando a importância do direito de todas as mulheres à analgesia do trabalho do parto, com vista a um parto sem dor, Destacando a importância da segurança do doente, da segurança da anestesia e do tratamento da dor, Reafirmando o nosso compromisso com a emergência médica e os cuidados intensivos, Enaltecendo o direito a um final de vida com dignidade, Levando em consideração as áreas em que os Anestesiologistas são peritos, reconhecidas no seio da UEMS - União Europeia dos Médicos Especialistas – Anestesia, Medicina Peri-operatória, Medicina Intensiva, Medicina de Emergência e Medicina da Dor, ACORDAMOS 1. Reforçar a nossa intervenção junto dos cidadãos, criando laços de proximidade que reforcem o conhecimento dos avanços e da excelência da Anestesiologia Portuguesa. 2. Reafirmar que os médicos anestesiologistas são peritos nas áreas da anestesia para procedimentos cirúrgicos e exames complementares de diagnóstico, medicina peri-operatória, medicina intensiva, medicina de emergência e medicina da dor. 3. Considerar a importância do conhecimento destes médicos especialistas na actividade de cuidados paliativos, destacando o papel da sociedade e do Estado no acesso dos cidadãos a estas unidades, contribuindo para a dignidade no fim da vida. 4. Destacar a importância do acesso de todos os cidadãos às mais modernas técnicas anestésicas, independentemente da região, do hospital ou do procedimento, com o objectivo de contribuir para a coesão nacional. 5. Promover a criação ou desenvolvimento de unidades de tratamento de dor aguda, integradas nos serviços de anestesiologia. 6. Insistir na referenciação dos cidadãos com dor crónica para a consulta de medicina da dor dotada com os recursos humanos e materiais adequados à situação clínica. 7. Reafirmar os valores e os princípios dos direitos dos cidadãos a: a. Acesso sem discriminação à Medicina da Dor, Medicina Peri-operatória, Medicina Intensiva e Medicina de Emergência; b. Receber cuidados prestados por Anestesiologistas que tenham competência e treino nas diversas áreas; c. Acesso a estes cuidados em tempo útil. 8. Que todos os hospitais portugueses disponham de Serviços de Anestesiologia com autonomia e independência funcional, administrativa, técnica e científica. 9. Destacar o requerido papel do Estado para incentivar as políticas de investigação e de ensino em Anestesiologia. 10. Reiterar junto de todas as Faculdades de Medicina Portuguesas a importância e a exigência científica da integração do ensino da Anestesiologia nos programas curriculares do curso de medicina. 11. Realizar os esforços necessários para que se possam duplicar em 3 anos o número de doutorandos em Anestesiologia. 12. Valorizar as melhores práticas para responder adequadamente aos desafios colocados pelas dificuldades financeiras do País, apoiando os esforços de rigor orçamental e de execução financeira das instituições, através da reorganização dos serviços, do rigor na prescrição clinica e da valorização do trabalho em equipa. 13. Promover junto das administrações hospitalares a necessidade de acreditação dos serviços e das práticas clínicas, como instrumento de qualidade. 14. Que, em consequência, se disponibilizem os meios organizacionais que permitam a constituição de serviços ou departamentos consistentes e abrangendo as áreas em que os anestesiologistas são peritos. 15. Estimular o intercâmbio com serviços congéneres nacionais e internacionais, através de uma plataforma a implementar com os vários agentes sociais profissionais. 16. Valorizar a participação dos anestesiologistas em missões humanitárias e atividades de solidariedade e compromisso social. 17. Defender o fortalecimento do investimento dos hospitais em equipamentos mais seguros e em estruturas mais modernas e adequadas para as diversas áreas de actividade da Anestesiologia, enfatizando o papel chave que deve cumprir, nesse contexto, o financiamento internacional através dos programas de coesão existentes. 18. Promover franco diálogo junto das administrações hospitalares para que estas tomem consciência da importância essencial e crescente – no contexto da economia, da organização, da cidadania e da qualidade – de que os serviços de Anestesiologia são promotores da melhoria da qualidade assistencial e da eficiência hospitalar. 19. Reafirmar o apoio da Anestesiologia portuguesa à Declaração de Helsínquia sobre a segurança do doente. Coimbra, 16 de Outubro Diretores de Serviço de Anestesiologia Portugueses Centro Hospitalar Alto Ave, EPE Centro Hospitalar de Leiria-Pombal, EPE Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE Centro Hospitalar de Lisboa Norte, EPE Centro Hospitalar de Oeste Norte Centro Hospitalar de Setúbal, EPE Centro Hospitalar de Torres Vedras Centro Hospitalar de Vila Nova Gaia-Espinho, EPE Centro Hospitalar do Baixo Vouga, EPE – Aveiro Centro Hospitalar do Porto, EPE Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, EPE Centro Hospitalar Médio Tejo, EPE Centro Hospitalar São João-Porto, EPE Centro Hospitalar Tondela-Viseu, EPE Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro, EPE Hospital Central do Funchal Hospital de Braga Hospital de Faro, EPE Hospital de Santo Espírito – Angra Heroísmo-Açores Hospital Distrital da Figueira da Foz, EPE Hospital Distrital de Santarém, EPE Hospital do Divino Espírito Santo – Ponta Delgada – Açores Hospital Dr. Francisco Zagalo, EPE – Ovar Hospital João Crisóstomo – Cantanhede Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE Instituto Português de Oncologia Dr. Francisco Gentil, EPE – Porto Instituto Português de Oncologia, Dr. Francisco Gentil, EPE – Coimbra Instituto Português de Oncologia, Dr. Francisco Gentil, EPE – Lisboa Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, EPE Unidade Local de Saúde Matosinhos, EPE Unidade Local de Saúde Nordeste, EPE Unidade Local de Saúde Norte Alentejano, EPE Presidente da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Profilaxia do tromboembolismo venoso no doente cirúrgico
O papel da anestesiologia numa responsabilidade multidisciplinar A eficácia da profilaxia do tromboembolismo venoso no doente cirúrgico está demonstrada e tem um grande impacto epidemiológico e económico. Os recursos e indicações em termos de terapêutica profilática devem ter em conta os fatores de risco específicos do doente, aqueles inerentes ao procedimento cirúrgico e os relacionados com a própria anestesia. Apesar do evidente contributo para a melhoria do prognóstico, as recomendações de profilaxia do tromboembolismo venoso no doente cirúrgico continuam a não estar completamente implementadas nos hospitais. Este facto prende-se com várias barreiras, desde o desconhecimento das recomendações, à dificuldade em avaliar diferentes graus de risco e populações de risco adicional, ao receio de complicações associadas, até à ainda não integrada responsabilidade multidisciplinar. Acresce a necessidade de reforçar a importância do registo de execução e do controle de processo. Os reguladores já puseram em prática programas no sentido de vencer estas barreiras, mas estamos longe de um nível de excelência transversal a todo o doente cirúrgico. O objectivo deste artigo é apresentar as mais recentes recomendações de prevenção do tromboembolismo venoso no doente cirúrgico, nomeadamente as do nono consenso do American College of Chest Physicians e as suas implicações na conduta anestésica, procurando estratégias para vencer algumas das barreiras existentes à sua implementação.
2022-11-18T13:07:28Z
Amaral, Cristina Tavares, Jorge
Abordagem anestésica de doente com angioedema hereditário proposto para cirurgia electiva
O angioedema hereditário é uma entidade rara, com transmissão autossómica dominante, causada por deficiência no inibidor de C1. Esta condiciona uma ativação descontrolada da via clássica do complemento e da cascata das cininas, sendo responsável por episódios de angioedema com possível comprometimento da via aérea. Os autores descrevem um caso clínico de um doente com 36 anos com angioedema hereditário tipo I proposto para colecistectomia electiva sob anestesia geral, tendo sido tomadas algumas medidas preventivas para evitar o angioedema da via aérea, nomeadamente a administração pré-operatória de 1000 unidades de concentrado de inibidor de C1. Descrevem sucintamente a fisiopatologia, clínica e implicações anestésicas na abordagem de doentes com esta patologia.
2022-11-18T13:07:28Z
Conceição, Luís Martinho, Hélder Azenha, Marta
Edema pulmonar de pressão negativa após extubação traqueal
O edema pulmonar de pressão negativa (EPPN) também descrito na literatura como edema agudo do pulmão pós-obstrutivo ou pós-extubação traqueal, é uma entidade rara, com uma incidência de aproximadamente 0.1% em doentes anestesiados.¹ Os autores descrevem o caso, ocorrido após extubação traqueal, de um doente submetido a orquidectomia por via laparoscópica sob anestesia geral balanceada. Relatam a fisiopatologia, o padrão radiológico e broncoscópico e as medidas terapêuticas instituídas.
2022-11-18T13:07:28Z
Pinhal, Fátima Rebelo, Lúcia Mondim, Vera Botelho, Manuela
A consulta da Dor no Serviço de Anestesiologia do Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Centro de Lisboa
O Serviço de Anestesiologia do Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, Centro de Lisboa, foi criado em 1972 sob a direção de Nair Azevedo. No desenvolvimento das actividades clínicas, terapêuticas e de investigação da consulta de Neurologia e do Serviço de Anestesiologia, foi criada uma Consulta da Dor no Instituto Português de Oncologia (IPO) Francisco Gentil, Centro de Lisboa, em 1978. A actividade da consulta ficou sob a responsabilidade de Vasco Chichorro e a terapêutica da dor, principalmente crónica, praticada no Serviço de Anestesiologia ficou a cargo do especialista em Anestesiologia José Luís Portela, no âmbito dos planos de trabalho deste serviço. Esta iniciativa pioneira foi o ponto de partida para o desenvolvimento em Portugal da abordagem específica da dor crónica em outros hospitais do país, oncológicos e não oncológicos. Na evolução do Hospital, a Anestesiologia passou por diferentes enquadramentos institucionais, nos quais sobressai a inclusão das unidades da abordagem da dor.
2022-11-18T13:07:28Z
Caseiro, José Manuel Tavares, Jorge
Priapismo Induzido por propofol: Um evento raro e inesperado
Descrevemos um caso de priapismo induzido por propofol num doente do sexo masculino de 36 anos de idade. Trata-se apenas do quarto caso descrito na literatura não existindo ainda fatores de risco identificados para este fenómeno. Dada a frequente utilização do propofol para sedação e anestesia, todos os Anestesiologistas devem estar alerta de forma a estabelecer um diagnóstico e tratamento precoces, minimizando o risco de complicações quer do ato cirúrgico quer da função erétil do doente.
2022-11-18T13:07:28Z
Nave, Paulo Bento, Carlos Santos, Nuno
Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono e complicações respiratórias pós-operatórias
Introdução: A Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono, tem sido reconhecida como um potencial fator de risco independente para “outcomes” perioperatórios adversos. O inquérito STOP-BANG (“snore”, “tired”, “observed apnea”, “arterial pressure”, “body mass índex”, “age”, “neck circunference” and ”gender”) pode prever o risco de um doente apresentar Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono. O objetivo deste trabalho foi estudar a incidência de doentes com pontuação STOP-BANG≥3 e avaliar a sua associação com eventos respiratórios adversos pós-operatórios. Métodos: Estudo prospetivo, observacional, que decorreu na Unidade de Cuidados Pós-operatórios Anestésicos do Centro Hospitalar São João, Porto, durante o período de 18 de junho a 12 de julho de 2012. Duzentos e quarenta e dois doentes foram admitidos e 215 cumpriam os critérios de inclusão. Foi obtido consentimento informado de todos os doentes. Todos os doentes completaram o questionário STOP e obteve-se informação sobre o índice de massa corporal, idade e perímetro do pescoço e sexo (BANG). Foi utilizada estatística descritiva para apresentar os dados e o teste de Mann-Whitney, qui-quadrado ou de Fisher em comparações. Foi efetuada uma análise multivariada com uma regressão logística binária. Resultados: A incidência de doentes com STOP-BANG≥3 foi de 51%. Estes doentes apresentaram uma idade superior (mediana 64 anos versus 43 anos, p <0.001), um IMC mais elevado (mediana 27,7% versus 25,7%, p<0,001) e eram mais frequentemente do sexo masculino (68% versus 48%, p<0,001). Este grupo de doentes apresentou ainda um estado físico ASA mais elevado (ASA III, IV ou V 32% versus 15%, p<0,004), pontuação de RCRI mais elevada (8% versus 0% para RCRI>2, p<0,002), tendo prevalência superior de doença cardíaca isquémica (15% versus 0%, p<0,001), patologia cardíaca congestiva (5% versus 0%, p꞊0.017), diabetes insulinotratada (25% versus 7%, p<0.001), hipertensão arterial (75% versus 21%, p<0.001), dislipidemia (55% versus 13%, p<0.001) e doença pulmonar obstrutiva crónica (12% versus 3%, p꞊0.011). Estes doentes apresentaram mais eventos respiratórios adversos (24% versus 10%, p꞊0.011); tiveram uma incidência mais elevada de bloqueio neuromuscular residual (22% versus 15%, p꞊0.021) e um tempo de internamento hospitalar superior (mediana de 7 versus 4 dias, p=0.005). Na análise de regressão logística múltipla, a doença pulmonar obstrutiva crónica foi considerada um preditor independente para eventos adversos respiratórios. Conclusões: Doentes com STOP-BANG≥3 apresentam uma incidência importante dentro da população de doentes submetida a cirurgia eletiva, no nosso hospital; tendo mais co-morbilidades e mais complicações pós-operatórias.
2022-11-18T13:07:28Z
Silva, Acácio Pereira, Hélder Xará, Daniela Mendonça, Júlia Cunha, Inês Santos, Alice Abelha, Fernando
A Anestesiologia no Hospital Militar Principal
A prática da Anestesia por cirurgiões no Hospital Militar Principal iniciou-se em 1848. Em finais dos anos 50 do século passado foi criado o Serviço de Anestesiologia, a título experimental e integrado no Serviço de Cirurgia. O seu chefe de serviço, Capitão Médico Joaquim Gonçalves, elaborou um relatório em Dezembro de 1960, o qual foi posto à consideração superior e levou à criação de um serviço autónomo em 24 de Fevereiro de 1961. A guerra colonial, que se iniciou pouco depois em Angola, na Guiné e em Moçambique, trouxe novas exigências ao Serviço. Por um lado, registou-se um aumento substancial do movimento operatório sobretudo em Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, com cirurgias de longa duração, com elevado número de intubações traqueais difíceis e em doentes com diversos fatores de risco anestésico. Por outro, teve necessidade de proceder à formação de especialistas em Anestesiologia para trabalharem nos múltiplos hospitais militares do ultramar. O serviço aumentou os seus recursos humanos, adquiriu novos equipamentos, criou áreas de consulta e de recobro.
2022-11-18T13:07:28Z
Lufinha, Ana Rodrigues, Fernando Matos Mateus, Artur Pinto de Magalhães Tavares, Jorge
A Anestesiologia e a Medicina Intensiva / Secção de Medicina Intensiva da SPA – fundamentos para a sua criação
É inquestionável a importância do papel da Anestesiologia moderna como vasta área da ciência médica que reúne o conhecimento no âmbito da Anestesia e Medicina do Peri-operatório, da Medicina Intensiva, da Medicina da Dor e da Medicina de Emergência. Em Portugal, na ausência de médicos diferenciados em Medicina Pré-Hospitalar, verifica-se que mais de 65% dos médicos que trabalham nas Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação são Anestesiologistas. Da mesma forma, a grande maioria das Unidades de Dor são parte integrante dos Serviços de Anestesiologia. Os Anestesiologistas foram, adicionalmente, pioneiros no desenvolvimento da Medicina do Doente Crítico, muito embora representem actualmente uma pequena percentagem de médicos vocacionados para os Cuidados Intensivos. A sondagem COMPACCS (Commitee on Manpower for Pulmonary and Critical Care Medicine),1 desenvolvida entre 1996 e 1999, verificou que os Anestesiologistas representavam apenas 6,1% de todos os Intensivistas a exercerem nos Estados Unidos, apesar de se encontrarem particularmente treinados para a abordagem do Doente Crítico. Esta tendência também se verifica na Europa e surge numa altura em que há uma recorrente necessidade de Intensivistas. Na maior parte dos Estados-Membros da União Europeia os Cuidados Intensivos são um componente integral do Internato de Anestesiologia. Adicionalmente, os Anestesiologistas são frequentemente chamados para papéis organizacionais na maioria das Unidades de Cuidados Intensivos (UCIs). As Necessidades da Medicina Perioperatória Em entrevista dada à ao jornal Público em Outubro de 2010, por ocasião das comemorações do Dia Mundial da Anestesiologia, o Presidente da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia Dr. Lucindo Ormonde referia que, à época em Portugal, existiam menos de metade dos Anestesiologistas necessários. Esta poderá ser uma das razões que fez diminuir a representação dos Anestesiologistas nas UCI’s, uma vez que, na escassez, são muitas vezes redireccionados para o Bloco Operatório, onde a sua ausência pode acarretar perdas mais visíveis para as Instituições Hospitalares. Estas medidas economicistas podem, em última análise, fazer com que a Anestesiologia se torne uma Especialidade mais limitada. Como reconhecimento da importância da Medicina Intensiva nas boas práticas do Anestesiologista, foi recentemente modificada a estrutura do Internato de Especialidade: A Portaria n.º 49/2011 de 26 de Janeiro, tendo em consideração o desenvolvimento da especialidade e a sua diferenciação em novas áreas, aumentou para cinco anos o tempo mínimo de formação e o estágio de Medicina Intensiva para “9-12 meses sendo que, pelo menos 6 meses consecutivos em Unidade/Serviço Polivalente”. 2 Esta importante medida, é um reforço do peso do Anestesiologista, no tratamento do doente crítico e na sua formação como Especialista do peri-operatório. A Realidade dos Cuidados Intensivos em Portugal Em Portugal existem mais de 150 Serviços Hospitalares que prestam Cuidados Intensivos, no entanto o número de Unidades de nível C é substancialmente menor. Desconhece-se o número exacto de Anestesiologistas a exercerem a sua actividade em tempo total ou parcial nas Unidades de Cuidados Intensivos, Unidades de Cuidados Intermédios e Unidades de Cuidados Pós-Operatórios. É contudo uma realidade, que o número de Anestesiologistas afecto a tão importante actividade e a uma área onde a Anestesiologia é perita, tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos. Em Fevereiro de 2011, encontravam-se apenas 68 Anestesiologistas inscritos no Colégio de Medicina Intensiva e destes, um número significativo, não dedicado aos Cuidados Intensivos. Não pode ser ignorado o desejo de vários autores 3 e da atual direção do Colégio da Subespecialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, (composta por sete elementos, não sendo nenhum Anestesiologista), da criação da Especialidade Primária de Medicina Intensiva. A Sociedade Europeia de Anestesiologia (ESA), o Conselho Europeu de Anestesiologia da UEMS (EBA) e o Comité Multidisciplinar dos Cuidados Intensivos da UEMS (MJCIM) são contra esta proposta. O Colégio de Anestesiologia da Ordem dos Médicos e a Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, concomitantemente, manifestaram também publicamente, a sua discórdia contra esta iniciativa. Como referem Hugo Van Aken, Jannicke Mellin-Olsen e Paolo Pelosi no editorial do Nº28 do European Journal of Anaesthesiology de 2011, os Cuidados Intensivos são considerados como uma área demasiado complexa para ser abordada por uma única especialidade. 4 A estreita cooperação entre médicos de várias especialidades é, indiscutivelmente, um valor acrescido nos cuidados a prestar ao doente crítico e um património que não pode ser delapidado. A Medicina Intensiva como uma especialidade primária, em vez de subespecialidade, tenderia a impedir esta mútua comunicação e colaboração entre profissionais de diferentes áreas, com conhecimento específico, experiência e habilidades complementares. Por isso, nesta altura conturbada, recebemos com agrado a notícia do Tema do próximo Congresso Anual da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, intitulado “Doente Crítico”. Acreditamos que se trata de um reconhecimento merecido por parte da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia aos Anestesiologistas que desenvolvem a sua actividade nas Unidades de Cuidados Críticos, em todas as suas vertentes. A criação da Secção de Medicina Intensiva da Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, como pólo aglutinador e dinamizador de todos os interessados nesta área do saber médico, torna-se assim imperativa no contexto actual, onde a influência, o interesse e a participação dos Anestesiologistas na área da Medicina Intensiva tem vindo a decrescer de ano para ano. Referências: • Cooper RA. The COMPACCS Study: questions left unanswered. The Committee on Manpower for Pulmonary and Critical Care Societies. Am J Respir Crit Care Med. 2001 Jan;163(1):10-1. • Diário da República, 1.ª série — N.º 18 — 26 de Janeiro de 2011. • Moreno RP, Rhodes A. Intensive care medicine: a specialty coming to LIFE. Lancet 2010; 376:1275–1276. • Hugo Van Aken, Jannicke Mellin-Olsen and Paolo Pelosi: Intensive care medicine: a multidisciplinary approach! Eur J Anaesthesiol 2011; 28:313-315.
2022-11-18T13:07:28Z
Estilita, Joana Martins, António Pais
Mensagem do Presidente da SPA
Dez anos depois é altura de passar testemunho. Dez anos ricos de acontecimentos, com o sentimento do dever cumprido. Esteve sempre o desejo de interpretar este desafio, o prazer de viver nele, a paixão de acreditar ser possível, e foi. Muitos colegas nos acompanharam nesta jornada, acreditando no projeto e fazendo parte dele de forma ativa e construtiva. Não seria possível sem eles, e a todos agradeço o que me ajudaram a fazer pela anestesiologia portuguesa. A Sociedade Portuguesa de Anestesiologia é hoje uma associação que está consolidada, tem sustentação financeira, possui secções que funcionam, alavancou a produção de documentos de carácter organizativo e científico que são referência, edita uma revista periódica em vias de indexação e criou um site que permite a comunicação com a comunidade anestesiológica. O Congresso tornou-se anual, realizado em Lisboa e no Porto de forma alternada, por razões pragmáticas do ponto de vista económico e para o esforço da presença da maioria dos anestesiologistas portugueses. As secções desenvolveram-se. Obstetrícia e Pediatria têm desenvolvido atividade de relevância, assim como a de Medicina Intensiva e a de Dor iniciaram agora a sua atividade apresentando trabalho no terreno. Da iniciativa de um grupo de jovens anestesiologistas, liderados por Rui Guimarães, surgiram as Tertúlias de Anestesiologia, um êxito pela novidade, pelo espírito livre e pela imediata aderência de indústria e anestesiologistas. O Dia do Anestesiologista começou a ser comemorado realçando-se iniciativas em Lisboa, Coimbra, Braga e Leiria interpretadas pelos Hospitais locais. Jorge Tavares foi autor da única história da Anestesiologia Portuguesa que foi publicada em duas edições. Um testemunho de que poucas sociedades no mundo se podem gabar. Criou-se um grupo de trabalho envolvido na formação científica englobando um grupo significativo de colegas de norte a sul, liderado por Pedro Amorim, e que tem desenvolvido trabalho profícuo nesta área na organização dos congressos. O trabalho desenvolvido apoiando o Colégio de Anestesiologia permitiu o aparecimento de documentos, normas e consensos na área da organização do exercício profissional extraordinariamente importantes. Algumas reuniões conjuntas com outras associações profissionais foram um êxito, relembrando entre outras a Sociedade Portuguesa de Cirurgia Cardiovascular (Algarve) e o CAR (Açores). A produção de consensos científicos e organizacionais tem sido uma das áreas onde mais se tem investido e sem dúvida com sucesso. Os consensos sobre a Anestesia Loco Regional e a Organização das Unidades de Obstetrícia são exemplos dessa realidade. Outras reuniões científicas assim como outras sociedades científicas pediram o nosso patrocínio daí reconhecendo o papel institucional da SPA nomeadamente, a Sociedade Portuguesa de Medicina Intensiva, Jornadas de Anestesiologia do Algarve, Ilhas Atlânticas, Andaluzia, Estremadura e Norte de África, Norte da Anestesia, Jornadas da Unidade de Dor de Leiria entre outras. A SPA tem sido parceiro da Ordem dos Médicos e Direção-Geral da Saúde tendo contribuído com documentos tão importantes como ‘’Orientações para a Referenciação da Anestesiologia Portuguesa’’ e ‘’Um Plano para o Desenvolvimento da Anestesiologia Portuguesa’’. Honrou a sua presença na Sociedade Europeia de Anestesiologia correspondendo sempre às solicitações das quais menciono a realização do Congresso da ESA em 2004 em Lisboa e do EuroNeuro 2010 no Porto. Melhoraram-se as relações com a congénere espanhola estabelecendo um conjunto de ações comuns que mais do que as instituições passou por um relacionamento pessoal entre profissionais relevantes dos dois países. Nem tudo foi positivo ou agradável. Apesar da realização de dois Congressos conjuntos Luso-Brasileiros a manutenção das relações com a congénere luso-brasileira foi esmorecendo, não havendo hoje de ambas as partes vontade de reavivá-las por carecerem de pontes de ligação que nutram o relacionamento, assim como da dificuldade real de manter um quadro de envolvimento como existiu no passado. Continuamos a não entender o papel desempenhado pela World Federation of Anesthesia, no atual contexto da anestesiologia mundial motivo que tem provocado o nosso afastamento da organização conjuntamente com outras sociedades internacionais. Sócio do Clube de Anestesia Regional, acompanhei Sobral de Campos durante anos nesta instituição da Anestesiologia Portuguesa, durante muito tempo a única representante efetiva de acontecimentos na área da anestesiologia Portuguesa. Foram excelentes tempos e foi sempre para mim lógico que o CAR integrasse a SPA como secção, mesmo que com um estatuto diferente das outras respeitando a sua história e contributo veterano para a anestesiologia. Tal não se veio a efetivar por discordâncias que se verificaram, mas que não abalaram a minha amizade por Sobral de Campos uma figura histórica da nossa disciplina e a quem se deve e devo muito. Se bem que as relações com o colégio de anestesiologia durante muitos anos foram das melhores, por razões que o distanciamento histórico poderá explicar, nos últimos 4 anos estiveram sujeitas a alguns problemas de relacionamento. No entanto, a SPA sempre se esforçou por ser o apoio que qualquer colégio necessita, pois as suas possibilidades isolado dentro da OM estão muito cerceadas e a anestesiologia precisa de um colégio eficaz. A anestesiologia portuguesa enfrenta muitos desafios e a SPA terá de estar no centro da discussão dos mesmos. Por vezes é preocupante o desconhecimento que os profissionais de saúde têm sobre as suas instituições, o que representam, de que forma podem influenciar os processos e de como o tipo de liderança possa pôr em causa uma disciplina médica. Inclusivamente não se apercebem de como uma instituição como a SPA pode influenciar a sua vida na evolução de normativos sejam científicos sejam do exercício profissional. A anestesiologia portuguesa ficará debilitada se não se posicionar nos seus espaços naturais de atividade: a anestesia, a dor, a medicina intensiva e a emergência. A crise de identidade de outras especialidades como a medicina interna que convive mal com as suas competências e procura estender-se para as competências de outras especialidades, tem tido protagonismo em Portugal devido a um grupo bem organizado de colegas daí provenientes. Grupo de profissionais inteligentes e a quem não se nega competência na área médica, pretende enxertar em Portugal um movimento que nasceu nos EUA e com sequência em Inglaterra com o objetivo de colocar os anestesiologistas dentro do bloco operatório retirando-lhes o posicionamento perioperatório e colocando-os como simples técnicos de anestesia dentro das salas operatórias num processo semelhante ao papel do enfermeiro de anestesia estadounidense. Têm conseguido interlocutores que os ouvem nos corredores do Ministério da Saúde, onde o desconhecimento sobre o que é a nossa disciplina e as suas competências é preocupante. Preocupante ainda será se atingirem os seus objetivos por imposição política, como aconteceu em Espanha, um bom exemplo de porque a Medicina Intensiva não deve ser uma especialidade. Tem assim a SPA a oportunidade com novos atores de melhorar, aumentar a sua implementação junto da comunidade anestesiológica e continuar a desempenhar o papel relevante que tem tido nos últimos anos. Bom Congresso e...até já. Lucindo Ormonde
Só os soldados cansados ganham batalhas
A Anestesiologia sofreu um impulso decisivo durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) com os desempenhos médicos em condições precárias e com a necessidade de respostas para questões concretas e imediatas para as quais não havia resposta. A transposição crítica e o estudo científico posterior de muitas destas “aventuras” resultaram na criação da Anestesiologia tal como a conhecemos hoje. Os médicos portugueses que então estagiaram no Reino Unido, na Argentina e nos EUA1 e que regressaram a Portugal para o exercício exclusivo ou prioritário da especialidade, iniciaram um trabalho de implantação e organização da especialidade de acordo com padrões internacionais de modernidade. Com esse trabalho,1 a Anestesiologia veio a integrar a carreira médica hospitalar em igualdade com as outras especialidades médicas, passou a ocupar o seu espaço em serviços hospitalares próprios e independentes, integrou a Ordem dos Médicos com identidade própria, criou uma Sociedade Científica que publica uma revista, alargou a sua atividade para fora do bloco operatório onde foi pioneira na criação e desenvolvimento da Medicina Intensiva, da Medicina de Emergência e da Medicina da Dor, encarregou-se da formação dos seus novos membros e da atualização dos antigos, implantou uma abordagem do risco numa perspetiva própria, passou a participar nos organismos políticos e científicos da Anestesiologia Mundial e Europeia, aproveitou o doutoramento de especialistas para atingir posições académicas universitárias, passou a integrar o currículo do ensino médico pré-graduado, assistiu ou promoveu o doutoramento de mais anestesiologistas, viu alguns destes envolverem-se em programas de investigação, próprios ou em colaboração com outras áreas do saber médico, com repercussão internacional. É assim legítimo admitir que a implementação da especialidade concebida pelos seus pioneiros foi um êxito. Mas a vida não para, muita coisa mudou e a Anestesiologia tem que responder a novos desafios. Como os anestesiologistas não estão à espera que alguém de fora faça o seu trabalho, a eles cabe perspetivar os caminhos futuros e fazer as opções que mais lhes interessam. Este objetivo tem estado sempre presente na preocupação dos pares portugueses da Anestesiologia. A Sociedade Portuguesa de Anestesiologia criou um Grupo de Missão e organizou, desde 2004, Foruns organizacionais, em que se debateram alguns destes temas e se chegaram a conclusões relevantes, nomeadamente em matéria de segurança. Um grupo de anestesiologistas elaborou o documento “Estratégias para o Desenvolvimento da Anestesiologia Portuguesa”, com o objetivo de serem entregues ao poder político. Embora a reflexão proposta não tenha esse objetivo, o resultado destes trabalhos é seguramente um contributo valioso. Primeiro, tem que definir o que querem da especialidade e do seu papel no contexto global da Medicina em Portugal. Feita esta opção, devem refletir sobre os objetivos a atingir e o desenho dos caminhos que darão eficácia e sustentabilidade a essa sua opção. E finalmente, ordenar e pôr em prática as conclusões dessa sua reflexão. Este editorial, que surge na sequência da análise que a escrita de textos2 e a proferição da ´´Ultima aula” na Universidade3 propiciaram, pretende ser um contributo para esta reflexão. Não pretende esgotar o tema – o que é fácil de verificar pela sua leitura – mas pretende provocar outros contributos para a definição dos trajetos e das prioridades desse caminho. Parece óbvio que os Anestesiologistas Portugueses, pelo menos a sua maioria, consideram que a autonomia da especialidade é um legado inalienável. Assim como o é a sua competência em Medicina Intensiva, em Medicina de Emergência e em Medicina da Dor. E que a Anestesiologia é uma especialidade médica, reconhecendo que o atributo de especialidade auxiliar ou de meio auxiliar de diagnóstico e terapêutica são estadios passados do seu desenvolvimento. Mas estas evidências situam-se hoje numa medicina diferente no exercício e na organização. As áreas da competência da Anestesiologia passaram a ser também da competência de outros especialistas. Muitos anestesiologistas deixaram de estar diretamente ligados a serviços públicos hospitalares, onde a carreira médica lhes assegurava a igualdade de circunstâncias com os outros especialistas e onde usufruíam de carreira estável. Estas novas circunstâncias permitem que, aqui e ali, se notem tentativas de considerar que o lugar de trabalho dos anestesiologistas é apenas o bloco operatório e os outros locais onde se fazem anestesias, sob a direção do cirurgião ou de outro não anestesiologista, com critérios diferentes de atribuição das compensações. Manter a autonomia, as áreas de competência e a igualdade com outras especialidades e com outros especialistas não são uma tarefa exclusivamente sindical, nem uma questão de resiliência passiva ou ativa, antes passam pelo assumir de atitudes positivas, que coloquem a especialidade em patamar de notoriedade e os anestesiologistas em parceiros de qualidade indiscutível. Nesta base, consideremos os caminhos que se me afiguram prioritários. O primeiro destes caminhos deriva da constatação de que os anestesiologistas portugueses fazem tão bem como os melhores, sabem tanto como os melhores, mas são pouco considerados pela comunidade anestesiológica internacional. A este nível, o reconhecimento está relacionado, bem ou mal, com a publicação de resultados de investigação em revistas indexadas, sobretudo com fator de impacto. Isto é, com a participação na investigação e na inovação. A valorização da comunicação e a publicação nas grelhas de avaliação curricular, sobretudo na prova de atribuição do título de especialista, foi o primeiro passo de um objetivo mais amplo: à promoção da comunicação para conseguir melhor pontuação deveria seguir-se a publicação em extenso. Depois – e este parece o momento asado para tal – a organização de projetos de investigação, fomentados e controlados por instituições idóneas. O entendimento de que o progresso passa pela ciência é comum ao discurso oficial em países como o nosso. Mas a investigação médica não é sinónimo de laboratórios de investigação básica servidos por propaganda mediática, mas diz também respeito à investigação com doentes e em doentes. Mas já não é comum olhar para esta com a mesma consideração com que os responsáveis pela Ciência olham aquela. À Sociedade Portuguesa de Anestesiologia parece destinado o papel de catalisador da criação destes projetos, de avaliador da qualidade do trabalho e de agente para a sua inclusão na rede científica nacional. A experiência demonstra que os trabalhos dos doutoramentos são ponto de partida natural para iniciar este caminho. O segundo caminho refere-se à recertificação. Uma especialidade com recertificação gera especialistas considerados. Os modelos que estão a ser ensaiados em muitos países estão naturalmente longe da ideia inicial de exame clássico e periódico por pares. Assiste-se ao ensaio de vários modelos mas não ao ensaio da recertificação, já que esta começa a ser ponto assente. Os modelos ensaiados são diversificados, mas sempre dependentes dos pares. Caberá assim naturalmente ao Colégio de Especialidade da Ordem dos Médicos, por excelência o órgão dos pares, o iniciar esta tarefa, optando por um modelo que melhor se ajusta às características culturais dos anestesiologistas portugueses. Os Serviços de Anestesiologia com grande dimensão e diversificação de valências serão os colaboradores privilegiados do Colégio nesta tarefa. Seja qual for o modelo, recertificação significa formação. E esta é, em última análise, da responsabilidade do interessado. A Anestesiologia Portuguesa, através das suas instituições, dos serviços e das universidades, exibe um passado consistente em matéria de colocação de meios de formação ao dispor dos seus membros. A recertificação exigirá um aprofundamento da qualidade e da oportunidade desses meios, que passará pela reformulação ou mesmo reinvenção das formas tradicionais e envolverá o recurso a métodos modernos de comunicação e às tecnologias da simulação. Nas circunstâncias atuais, estes caminhos não são fáceis. A gestão empresarial centralizada dos Hospitais públicos “por folhas de Excel” acarreta a imposição de decisões não participadas pelos interessados e atribui – na realidade, que não no discurso – à motivação dos trabalhadores um papel discreto e muito secundário, o que dificulta a investigação, a análise científica dos desempenhos e a criação de inovação e lhes confere um peso muito discreto e secundário, quando não inexistente. A dificuldade ou impossibilidade de atribuição de horas de trabalho hospitalar para investigar e recertificar-se, dificulta a sua execução, o que aponta para a investigação e a recertificação em exercício. Os anestesiologistas têm que convencer administradores e políticos que a investigação e a recertificação tem como único objetivo a melhoria da qualidade dos cuidados prestados. Tal como acontece nos países com que nos comparamos, trabalhar nestas tarefas exige um esforço adicional ao serviço de uma ambição pessoal, social e profissional. Natural e legitimamente, muitos anestesiologistas assumem uma posição distante desta: fazem bem o que tem para fazer de acordo com o seu contrato e não querem que os incomodem: desde que lhe paguem certinho, está tudo bem. Mas dificuldades não são impossibilidades. As muitas dificuldades porque passaram os pioneiros da especialidade não travaram a sua determinação. Os seus desafios foram diferentes, mas não menos custosos de perseguir. Só os soldados cansados ganham batalhas. 1. Tavares J. História da Anestesiologia Portuguesa. 2ª ed. Lisboa : Sociedade Portuguesa de Anestesiologia; 2013. 2. Tavares J. Serviço de Anestesiologia do Hospital de S. João. 50 anos de Pioneirismo. Na Anestesia e nos Cuidados Peri-Anestésicos. Na Medicina Intensiva e na Reanimação. Na Emergência. Na Analgesia do Trabalho de Parto. Na Medicina da Dor. Na Qualidade e na Segurança. Na Educação Médica e no Aperfeiçoamento Profissional. Porto: Edição Serviço de Anestesiologia do Centro Hospitalar S. João, EPE; 2011. 3. Tavares J. A Anestesiologia, disciplina académica. Última lição proferida a 06.07.13, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Anestesia combinada para cesariana em grávida com placenta percreta
Descreve-se o caso clínico de uma grávida com diagnóstico prévio de placenta percreta, submetida a uma anestesia combinada (anestesia geral e bloqueio sequencial subaracnoideu-epidural) para cesariana com histerectomia. O procedimento foi realizado com recurso a colocação de cateteres com balão nas artérias ilíacas comuns de modo a minimizar a perfusão uterina durante a fase da histerectomia e consequentemente evitar grandes perdas hemáticas.
2022-11-18T13:07:28Z
Moreira, Adriano Sampaio, Catarina Faria, Aida
Formulário interativo de avaliação pré-anestésica desenvolvido em Portugal
A falta de especificidade do software clínico é uma desvantagem para o trabalho do anestesiologista. Frequentemente parâmetros relevantes são descurados e outros menos necessários são excessivamente detalhados o que diminui a adesão às tecnologias. A dispersão da informação por várias plataformas e a caligrafia prejudicam o registo e análise retrospetiva. O custo da aquisição de software comercial limita a informatização dos serviços, em particular na atual conjuntura económica. Os autores desenvolveram um formulário interativo em Português que automaticamente categoriza a informação numa base de dados. A plataforma foi criada sem custos para o hospital em MSExcel® e implementada em 2010. Não necessita de instalação e é compatível com os programas existentes nos computadores do hospital piloto. O formulário de avaliação pré-anestésica inclui questões de escolha múltipla, caixas de texto predefinido e livre. Algoritmos determinam em tempo real o risco de náuseas e vómitos (Apfel), risco cardíaco associado à cirurgia (ESC guidelines) e exames preoperatorios (NICE guidelines). O relatório clínico pode ser digital ou impresso. Os autores estão convictos que esta plataforma permite uniformizar registos, minimizar omissões, melhorar a gestão de informação e a comunicação com outras especialidades. Contribui como recurso educacional e facilita a recolha de dados estatísticos, o que pode traduzir-se num aumento da qualidade e segurança. Os autores acreditam que o desenvolvimento integral por anestesiologistas, na perspectiva de utilizadores, é uma mais-valia. A disponibilização gratuita em http://www.anestesia.pt pretende estimular a creatividade e auxiliar na conceção de sistemas digitais adaptados à anestesiologia.
2022-11-18T13:07:28Z
Roberto, Paulo Pinheiro, Filipe Silva, Carla Lapa, Teresa Bernardino, Ana Cortesão, Joana Gonçalves, Joana Lopes, Messias Tavares, Edith
ALGORITMO DE VIA AEREA DIFÍCIL EM OBSTETRÍCIA
Na edição da Revista da SPA – Vol. 22, Nº 3, 2013 – os autores do Artigo de Revisão “Via aérea em Obstetrícia” detetaram uma incorreção na disposição final do “Algoritmo de Via Aérea Difícil em Obstetrícia”. Desta forma, a Revista da SPA vem, por solicitação dos autores, produzir a necessária correção que reproduzimos.
2022-11-18T13:07:28Z
Marques, Anabela Carvalhas, Joana
Ecografia Pulmonar no Doente Crítico para Anestesiologistas - “A Ciência dos Artefactos”
avaliação pulmonar do doente crítico é tradicionalmente realizada com o recurso a radiografia torácica e tomografia axial computorizada, contudo cada vez mais a ecografia tem-se revelado como um método de diagnóstico de grande utilidade em medicina intensiva. Por ser uma técnica não invasiva, de baixo custo, que não utiliza radiação e que pode ser repetida sem risco adicional, torna-se uma técnica bastante atrativa para ser realizada à cabeceira do doente. Nesta revisão pretende-se explicar a realização da técnica, o padrão normal e artefactos e os critérios principais no diagnóstico de cada patologia.
2022-11-18T13:07:28Z
Silva, Ana Marques, Joana Pais Martins, António