Repositório RCAAP
Os transparentes: identidades nacionais em exibição na Angola de Ondjaki
Embora o fim dos nacionalismos tenha sido apregoado no final do século passado, estes ainda marcam presença em nossas sociedades contemporâneas. Neste artigo, a partir do romance de Ondjaki, procura-se identificar e analisar diferentes representações e discursos construídos sobre o tema. O que se quer entender é se os discursos de identidade nacional seguem invariáveis ou se apontam para a transformação, ou mesmo para o fim, da ideia de nação. No contexto da pós-modernidade, onde os conceitos de globalização e multiculturalidade são frequentemente chamados à discussão, importa observar em que termos essas identidades são construídas e/ou contestadas. Nesse sentido, a Luanda de Ondajki, com seu cotidiano de contatos entre pessoas das mais diversas origens, revela-se palco bastante fértil para a análise.********************************************************************The transparents: national identities on display in Ondjaki’s AngolaAbstract: Although the end of nationalisms has been proclaimed at the end of the last century, they are still present in our contemporary societies. This article, focused on Ondjaki’s novel, seeks to identify and analyze different representations and discourses constructed on the topic. What we want to understand is whether the national identity discourses remain the same or they indicate the transformation of the idea of nation, or even its end. In the context of postmodernity, where the concepts of globalization and multiculturalism are often called to the fore, it should be noted in which terms such identities are constructed and / or challenged. In this sense, Ondajki’s Luanda with its everyday life characterized by the contact between people from different places, seems to be a quite fertile field for analysis.Keywords: Identity; Nationalism; Cultural Studies
O colonialismo interno em O outro pé da sereia, de Mia Couto
Neste artigo, sustentarei que, no romance O outro pé da sereia (2006), Mia Coutoestá preocupado com os efeitos do“colonialismo interno” (Walter Mignolo). Nos começos do século XXI, no Moçambique pós-colonial, o empresárioCasuarino e outras personagens do romance são agentes da “colonialidade do poder” transnacional e neo-liberal. Utilizam o “pós-colonialismo” e a “raça” para perpetuar hierarquias, desigualdades e injustiças à escala local, nacional e global. Pelo contrário, Mwadia, que é uma personagem de “fronteira”, desafia simultaneamente o “colonialismo interno” e a “colonialidade do poder” independentemente das limitações raciais.********************************************************************Internal colonialism in Mia Couto’s O outro pé da sereiaAbstract: In this article, I shall argue that Mia Couto’s novel O outro pé da sereia (2006) deals with the effects of the so-called “internal colonialism” (Walter Mignolo). At the beginning of 21th century, in post-colonial Mozambique, businessman Casuarino and other characters of the novel are agents of the transnational and neo-liberal “coloniality of power”. They utilize “post-colonialism” and “race” to perpetuate hierarchies, inequalities and injustices at local, national and global scales. On the contrary, Mwadia, which is a character that feels herself in a “in-between situation”, challenges altogether the “internal colonialism” and the “coloniality of power” regardless of racial boundaries. Keywords: Mia Couto; Internal colonialism; Coloniality of power; Post-colonialism
Identificação de falante a partir de fala sussurrada
Os métodos e achados sociofonéticos são valiosos para aplicação a questões da vida real, como no fornecimento de evidência forense pericial em casos legais. Os casos forenses envolvem vozes que se diferem marcadamente daquelas tipicamente encontradas em laboratório ou estudos de campo. Avaliamos a habilidade de pessoas de identificar vozes familiares produzidas de forma sussurrada, uma estratégia de disfarce comumente utilizada. Membros de uma rede social pré-existente foram gravados falando normalmente e de forma sussurrada. Os falantes consideraram difícil manter o sussurro por mais do que 30 segundos. Esses falantes e outros membros do grupo ouviram trechos que foram (i) curtos e sussurrados; (ii) longos e sussurrados e (iii) curtos e normais (não sussurrados). Distratores foram incluídos. A performance foi bem acima do acaso e melhorou significativamente nas condições (ii) e (iii). Diferenças foram encontradas entre falantes e vozes. O estudo enfatiza o quanto é importante não supergeneralizar a partir de dados experimentais quanto à habilidade da testemunha sob condições forenses.
2017
Foulkes, Paul Smith, India Sóskuthy, Márton
The cities of Juan Carlos Onetti
This research investigates the way how urban space is represented on the first phase of writing of the Uruguayan author Juan Carlos Onetti, so as the elements used on the literary construction of Santa María, fictional city created by Onetti that is present in his tales and novels as A vida breve. Similarly, from observation of maps, this essay looks to understand how the displacement of the characters, in the tales “Regreso al sur”, by Onetti, and “El sur”, by Jorge Luis Borges, shows cultural and geographic questions about the modern city – in this case, the city of Buenos Aires.
Jorge, Enrique and their characters
This work assumes the risk as a form, in the same way that the authores who inpired this piece (Jorge Luis Borges and Enrique Vila-Matas) did. In some way, we can say that we are presenting a fantastic hipothesis in the same style os much of the Borges’ short stories, like Tlon, Uqbar Orbis Tertius. It means: we evoke the fiction and the fantastic to think about the relationship between the work of Borges and the work ofo Vila-Matas. Something that approach us from the other author mentioned here. If Enrique Vila-Matas already said that “My voice is from an essayist who uses narration as a support of the essay”, it´s totally fair to use the narration to make a esay about him. So we beliave that this work makes a reflexion about the possible interlacements nettween thos two authors; the issue of authorship; the issue of the postmoden appropriation. And to reach this, we assume the risk as a form.
Primeiras crises psicóticas: identificação de pródromos por pacientes e familiares
Este artigo é resultado de uma dissertação de mestrado que procurou caracterizar as crises psicóticas por meio da fala de pacientes e de seus familiares que passaram pelas suas primeiras crises, baseada na literatura e pesquisas recentes sobre intervenção precoce nas psicoses (McGorry & Edwards, 2002), nos estudos sobre crise (DiTomasso & Kovnat, 1995; Miermont e cols., 1994; Tavares, 2004) e sobre família (Addington e cols., 2005). Os dados obtidos foram trabalhados de acordo com a análise de conteúdo (Bardin, 1988; Franco, 2003). Constatou-se que as crises psicóticas, embora questionáveis do ponto de vista diagnóstico, se manifestaram conforme a literatura corrente (CID-10, 1993; McGorry & Edwards, 2002). Ansiedade, medo, isolamento social e desconfiança foram os pródromos identificados, e alucinação e delírio, os sintomas recorrentes.
2008
Carvalho,Nerícia Regina de Costa,Ileno Izídio da
Versões de sentido: um instrumento fenomenológico-existencial para a supervisão de psicoterapeutas iniciantes
O texto discute, num primeiro momento, os dilemas e conflitos do psicoterapeuta iniciante, propondo estratégias de solução para a sua superação. A formação do psicoterapeuta é contínua e sistemática, persistindo ao longo de sua vida profissional. Assim, não é um treinamento pontual e circunstancial, realizado num único momento, mesmo que determinante, como os últimos semestres do curso de psicologia. Em seguida, o texto discute os diversos instrumentos comumente utilizados na formação do psicoterapeuta, especialmente a fundamentação teórica, a própria psicoterapia do psicoterapeuta, bem como a supervisão por parte de um profissional experiente. Neste sentido, destaca a importância da supervisão e, finalmente, aponta os benefícios da adoção das "versões de sentido" (Amatuzzi, 1989, 1995, 2001) como instrumento de consolidação dos primeiros passos do psicoterapeuta iniciante. Por meio de tal método, o psicoterapeuta iniciante registra suas impressões sobre si mesmo, sobre o cliente e/ou sobre a sua relação com ele, expressando a experiência imediata como pessoa a respeito daquela situação. Desta forma, as versões de sentido constituem um instrumento tanto objetivo quanto subjetivo, que facilita o trabalho de supervisão, pois pode revelar diversos sentidos da expressão do psicoterapeuta iniciante.
2008
Boris,Georges Daniel Janja Bloc
Do Rio das vitrines à galeria dos desconhecidos: um estudo em Psicologia Social Comunitária na localidade de Muzema
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2008
Oberg,Lurdes Perez
Um estudo fenomenológico sobre a vivência de família: com a palavra, a comunidade
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2008
Cardoso,Claudia Lins
Propriedades psicométricas da Escala de Sensibilidade à Ansiedade Revisada
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2008
Escocard,Maria Rachel Pessanha Gimenes
Participação do complexo amigdalóide na resposta de congelamento em ratos geneticamente selecionados
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2008
Gomes,Vitor de Castro
Afetos, representações e psicopatologias: da angústia ao pânico
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2008
Lyra,Carlos Eduardo de Sousa
Da disciplina ao controle: tecnologias de segurança, população, e modos de subjetivação em Foucault
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2008
Martins,Luiz Alberto Moreira
Avaliação comportamental e farmacológica da relação entre ansiedade e pânico em modelos animais
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2008
Galvão,Bruno de Oliveira
Sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos: notas iniciais de um psicanalista
A Declaração Universal dos Direitos Humanos se pretende com e de validade universal. Assim, se coloca como postulação que deve atingir quaisquer grupos e países, em todas as situações. A Psicanálise freudiana, atenta ao sombrio humano, mostra que a universalidade não se constitui unicamente de afirmações conjuntivas. Os assujeitados e os agrupamentos são constituídos, sempre e sem exceção, também de modalidades disjuntivas e de vazios.
2008
Katz,Chaim Samuel
Microfascismos em nós: práticas de exceção no contemporâneo
Este artigo busca traçar um olhar sobre as práticas de exceção na contemporaneidade. Interessa-nos colocar uma lente nesse cenário em que a vida biopolítica foi presa nas tramas da lei, nas transversalidades dos poderes e que acaba por constituir a vida nua. Deste modo, tomaremos como emblema dessa questão o início da organização dos manicômios no Brasil e o campo de concentração nazista para pensarmos a constituição dessas fascistas práticas de exceção na modernidade e sua ruptura-continuidade no contemporâneo. Microfascismos em nós - práticas de exceção no contemporâneo - refere-se ao hoje de nossas atitudes que podem assumir um viés no qual o outro, como diferença, é visto como ameaça e, assim, evitado. Não enclausuramos o outro em muros limites, porém o ignoramos e não nos deixamos afetar por ele no nosso cotidiano. Utilizar a concepção de uma vida imanente pode nos ajudar a ultrapassar as transcendências microfascistas dos fragmentários estados de exceção atuais e problematizar o campo dos direitos humanos, não para sua dissolução, mas para abri-lo à indeterminação dos acontecimentos.
2008
Fonseca,Tania Mara Galli Thomazoni,Andresa Ribeiro Costa,Luis Artur Souza,Vera Lúcia Inácio de Lockmann,Vivian da Silva
Direitos Humanos: com Marx
Muitas formas de luta &- como os Direitos Humanos &- que não objetivem a estrutura mesma da reprodução ampliada do capital podem tomar diferentes formas e permitir diferentes usos. Do ponto de vista radical, elas não devem perfazer nem a politização nem a convocação revolucionária e não escapam ao uso encobridor eventual de uma verdadeira política. É necessário interpretá-las em suas conjunturas e as que a elas se somam. Nada disso é difícil de avaliar se acompanharmos sua origem e sua história. A isso se soma uma retomada (ainda que com reformulações e contribuições novas) do marxismo. Aliás, naquilo que Marx mesmo privilegia ao dizer que não era marxista e que no seu pensamento não se tratava disso, mas de qualquer coisa sempre mais capaz de chegar à raiz da história.
2008
Escobar,Carlos Henrique